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sexta-feira, 23 de maio de 2014

GEOPOLÍTICA - A Líbia no cenário internacional.


A Líbia de novo no cenário internacional

Lejeune Mirhan *

Desde a derrubada de Muammar Khadaffi em 2011, apoiado por rebeldes e terroristas que assolam todo o mundo árabe e com bombardeio das forças da OTAN, seus grandes aliados, a Líbia quase estava fora do noticiário internacional. Voltou quando um embaixador estadunidense foi morto em Benghazi. O Estado líbio foi praticamente destruído. O espírito tribal volta à cena e o exército se desfaz. Agora, surge um general que pretende alterar a estrutura de coisas. É tema de nossa coluna esta semana.


Ele atende pelo nome de Khalifah Haftar. Foi general do antigo exército do Estado líbio com Khadaffi. Havia se exilado ao romper com o coronel e líder do país por décadas. Biografias disponíveis dizem que ele até teria sido treinado na Rússia. Mas, o certo é que estava exilado e morando nos Estados Unidos.

Pois bem. Para surpresa de muitos e com pouca ou quase nenhuma cobertura da mídia internacional, eis que ele surge se autodenominando comandante do Exército Nacional Líbio, coisa inexistente. Um ajuntamento de soldados recrutados em tribos simpatizantes do general, em especial a da família Khadaffi.

No último domingo, dia 18 de maio, tomam de assalto a principal rede de TV da Líbia, fecham o parlamento e anunciam que combaterão até o fim os fundamentalistas islâmicos vinculados à rede terrorista Al Qaeda e a Irmandade Muçulmana, que inclusive, tinha maioria no parlamento. Ele foi apoiado por um coronel de nome Mokhtar Fernana. Suas bases mais fortes são na capital Trípoli e na segunda maior cidade Benghazi. Ainda nesta semana o ministro do Interior do governo anunciou seu apoio à Khalifah e diversas outras autoridades.

O general Khalifah anuncia a sua operação e lhe dá o nome de Karama (Dignidade em árabe). Diz que lutará contra a islamização do país, defenderá a laicidade e se coloca contrário que sejam aplicadas as leis da Sharia, regras do direito islâmico.

As eleições gerais no país estavam marcadas para agosto e a comissão eleitoral nacional anunciou nesta semana a antecipação para 25 de junho. Não sabemos se em consonância com o novo líder líbio.

As informações ainda são esparsas e não temos ainda condições de formar uma opinião. Em especial porque estamos acostumados a tecer análises com base na realidade de nosso país, que tem partidos estruturados e sabemos bem a diferença entre esquerda e direita.

O que fica claro é que na Líbia hoje temos dois grandes blocos. Um, da Irmandade e de sunitas fundamentalistas, muito vinculados ao terrorismo que usam o Islã como sua arma principal e outro bloco os que defendem a laicidade do Estado líbio.

A ideologia do primeiro bloco é amplamente conhecida. Vimos sua ação na Síria que resultou na destruição de grande parte da infraestrutura do país e a morte de mais de cem mil pessoas. Mesmo no Egito, esse agrupamento praticou atos terroristas e massacrou o povo. Quem não é muçulmano tem que pagar caro por isso. É a volta à Idade Média.

O que não está claro é como pensam os que integram o segundo bloco sob a liderança do general Khalifah. Muitas perguntas não estão respondidas, em especial se ele tem apoio dos Estado Unidos ou manterá a independência do país, que vive sob cerco das tropas da OTAN.

A história do general Khalifah


Khalifah tem hoje 65 anos. Era cadete do exército quando, em 1969, os coronéis liderados por Khadaffi derrubaram o rei Idris e implantaram a República. Ele apoiou esse movimento e se aproximou do novo líder do país. Chegou a ser chefe da guarda militar pessoal do presidente Khadaffi.

Entre 1978 e 1987, lutou clandestinamente no vizinho Chade, mas sob ordens de Khadaffi. Ao final, foi derrotado e ele e mais 300 soldados foram feitos prisioneiros. Khadaffi viveu uma imensa contradição. Ele não poderia reconhecer que tinha soldados lutando no país vizinho. Assim, optou por negar tudo e disse sequer conhecer o então tenente-coronel Khalifah. O atual general sofreu muito nas cadeias do Chade, tempo que aumentou seu ódio pelo líder líbio. Prometeu vingança. Chegou a fazer acordos com o governo do Chade, foi libertado sob a condição de formar uma milícia, que chamou de Exército Nacional Líbio.

Morou exilado nos Estados Unidos, no Estado da Virgínia, exatamente na cidade de Langley, onde fica o Quartel General da CIA. Há fortes suspeitas de que foi treinado por essa organização de espionagem, pois os EUA queriam, há muito, tirar Khadaffi do poder. No entanto, nos últimos anos da vida de Khadaffi ele acabou fazendo acordos com os EUA e a União Europeia, chegando a indenizar as famílias vítimas do atentado do Boeing da Lokerbee que caiu na Inglaterra e matou quase 500 pessoas. Aplicou a política neoliberal, negando praticamente o seu passado.

O general Khalifah retornou à Benghazi já no levante insuflado pela Europa e EUA, com apoio da OTAN, que visava derrotar Khadaffi. Isso foi no primeiro semestre de 2011. Chegou com a sua milícia e para organizar os rebeldes pela derrubada do presidente.

De lá para cá foi promovido à patente de general e lidera tropas. Muitos o consideram um militar muito preparado, profissional e com muita experiência em batalhas. O braço político de sua organização militar que ele lidera chama-se Frente de Salvação Nacional. Ele expressa profunda divergência com os fundamentalistas da Irmandade Muçulmana, apoiada pelos EUA e pelos terroristas da Al Qaeda. Refere-se a eles como “grupos extremistas” e “flagelo terrorista”.

Nos últimos dias passou a ter o apoio do chefe do Estado Maior da Força Aerea, coronel Joma Al Abani. Diversos ministros do atual governo, de maioria conservadora, sunita e vinculado à Irmandade.

Perspectivas para a Líbia


Não se pode prever o desfecho dos acontecimentos. O que sabemos ao certo é que a Líbia é na verdade um agrupamento de grandes tribos espalhadas pelas várias regiões. O general é apoiado pelas maiores e mesmo a da família de Khadaffi. Não temos notícias ainda da extensão do seu apoio tanto na população, quanto na estrutura do Estado líbio, praticamente destruída com apoio da OTAN, como fizeram no Iraque e tentam fazer agora na Síria. Se não podem derrubar o líder, destroem o país por completo.

Aqui, mesmo sem saber em detalhes a ideologia do general, seu plano de salvação nacional da Líbia, quero arriscar alguns palpites.

Como disse acima, temos dois grandes blocos no país, ainda sem uma nítida divisão e clareza ideológica. No entanto, do lado defendido pelo general está a laicidade do Estado, dos valores seculares e contra a islamização do país. Não sabemos as suas concepções de democracia. No entanto, o outro campo é fundamentalista. É apoiado pela Irmandade e pelo grupo terrorista Al Qaeda que tantos males e ataques vem causando em vários países do mundo.

O campo do fundamentalismo defende a volta à Idade Média, a um Islã do século VII, da época do profeta Maomé. Defende a implantação de um estado islâmico. O sistema judicial que propõem baseia-se na Sharia, conjunto de normas islâmicas do direito que tem como base única e exclusivamente o Alcorão. Defendem a imposição do véu para todas as mulheres. Mas mais do que isso, defendem imensas restrições aos direitos das mulheres, como na Arábia Saudita e outros lugares que dominam.

Até por isso, podemos ter opinião inicial de que é preciso, de fato, combater o terrorismo e o extremismo. É claro que não devemos seguir a linha do “inimigo de meu inimigo é sempre meu amigo”. A vida vai mostrar, em breve, talvez em dias, a que veio esse general.

Parte da imprensa internacional que pude ler chegam a aponta-lo como uma espécie de general Sisi, que é o comandante do exército egípcio e forte candidato nas eleições deste final de semana e deve vencê-las. Vamos ver. Breve saberemos.


* Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Colunista da Revista Sociologia da Editora Escala, da Fundação Maurício Grabois e do Vermelho. Foi professor de Sociologia e Ciência Política da UNIMEPentre 1986 e 2006. Presidiu o Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo de 2007 a 2010.Recebe mensagens pelo correio eletrônico lejeunemgxc@uol.com.br.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

LÍBIA - era a mais bela joia da África



A Líbia de Kadafi era a mais bela joia da África

José Gil (marchaverde.com.br)
Aqueles que não se consideram intoxicados pela mídia ocidental, pela imprensa-empresa que diariamente defende os interesses criminosos do imperialismo e do sionismo para ganhar dinheiro às custas do derramamento de sangue de milhares de inocentes em guerras colonialistas, sabem que Muamar Kaa.dafi era um referencial na luta pela independência do continente africano.
 Trípoli, antes do bombardeio
Em 1º de setembro de 1969 ele liderou o Movimento dos Oficiais Livres para derrubar o Rei Ídris, um tirano mantido no poder pelos governos dos EUA, Inglaterra e França.
Após assumir a direção do governo revolucionário na Líbia, Kadafi não fez como a maioria dos monarcas e governantes árabes, que se submeteram às potências imperialistas, traindo seus povos e comprometendo o futuro de seus países. Ao contrário da maioria dos oportunistas e traidores de plantão, Kadafi surpreendeu o mundo em maio de 1977 ao criar o conceito de “Jamahiriya” ou “Estado das massas”, em que o poder é exercido através de milhares de congressos e comitês populares, na democracia direta. A teoria buscava resolver as contradições inerentes no capitalismo e comunismo, para colocar o mundo em um caminho de revolução política, econômica e social e libertar os povos oprimidos.
A trajetória de Kadafi guiava-se na história do grande mártir líbio Omar Moukhtar (1862-1931), que liderou a luta pela independência líbia diante da ocupação italiana, e pagou o preço pela sua valentia: foi enforcado pelos inimigos invasores estrangeiros. Em 20 de outubro de 2011 Kadafi também foi martirizado por estrangeiros que invadiram a Líbia, em busca de petróleo, e para assassinar um líder que estava unindo a mobilizando a África na luta contra o colonialismo.
UNIÃO AFRICANA
Em 1999 nascia a União Africana, uma entidade construída às duras penas por Muamar Kadafi. Ele levou mais de cinco anos trabalhando para criar uma entidade internacional que representasse os povos africanos junto à comunidade internacional da nações. Durante esse tempo ele sofreu perseguições, retaliações, difamações, todos os tipos de sabotagem que os governos dos EUA, França e Inglaterra utilizam sempre que tem seus interesses econômicos contestados.
Kadafi enfrentou a traição covarde de governantes africanos que foram colocados no poder por potências imperialistas e colonialistas. Todos esses desafios foram vencidos por Kadafi em sua luta para impedir o roubo e o saque das riquezas naturais dos povos africanos. Ele sempre dizia que o povo africano não era pobre, que os imigrantes ilegais africanos estavam buscando no exterior as riquezas que foram levadas e roubadas pelas potências colonialistas. Por esse motivo, por falar a verdade, era duramente criticado pela imprensa ocidental.
A luta de Kadafi pela libertação da África compreendia o envio de centenas de médicos e dentistas, medicamentos e ajuda humanitária para países africanos cujas populações sofriam privações e necessidades.
Após criar a União Africana, Kadafi propôs aos governantes africanos a criação do Banco Central Africano, o Fundo Monetário Africano e o Banco de Investimentos e Desenvolvimento da África. Todas essas propostas foram combatidas ferozmente pelos inimigos dos povos africanos, os governos dos EUA, França e Inglaterra.
CASO DO MALI
Nos dias atuais quando as potências colonialistas se unem para atacar o Mali, após promover guerras na Somália, Congo e Sudão, fica muito claro aquilo que Kadafi tinha em mente ao defender a unidade africana à todo custo. Através da união econômica e militar dos países africanos, os países poderiam repelir qualquer ataque militar das potências ocidentais colonialistas e imperialistas.
A grande joia da África era a Jamahiriya Líbia de Kadafi, por isso ele foi covardemente assassinado e a Líbia foi ocupada por traidores e estrangeiros, para impedir que a África se unisse, defendesse sua liberdade e soberania, e conquistasse melhores condições de vida para o seu povo.
A Líbia de Kadafi conquistou o melhor IDH da África, isto é, os líbios tinham as melhores condições de vida – saúde, educação, habitação – de todos os demais países africanos. Este era o exemplo que a Líbia dava a todos os demais países africanos, por isso o país deveria ser destruído pelas potências imperialista e colonialistas cujas economias deficitárias sobrevivem às custas do roubo e do saque das riquezas naturais dos povos oprimidos e escravizados.

terça-feira, 17 de abril de 2012

LÍBIA - Um ano depois.

Balanço de um ano da invasão à Líbia: pobreza, divisão e morte.


A França foi o país encarregado de lançar a primeira bomba sobre a Líbia e abrir o caminho para uma invasão militar encabeçada pela Organização do Tratado para o Atlântico Norte (Otan) que teve o objetivo preciso de derrubar o governo de Muammar Kaddafi.
No dia 19 de março de 2011, logo que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovara o desenvolvimento de uma zona de exclusão aérea sobre o país do norte da África, se desatou uma invasão que durou oito meses e, todavia hoje ainda não se tem um registro real das consequências que produziu na população.
Porém, no final de fevereiro do ano passado, a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, já declarava que seu país não descartava nenhuma possibilidade para intervir na Líbia.
Poucos dias depois, os Estados Unidos impulsionariam a intervenção da Otan, apelando para a “colaboração” de seus aliados -França, Grã-Bretanha, Itália, entre outros-, a diferença das invasões que encabeçou no Afeganistão e Iraque, onde enviou sua força militar de forma unilateral.
Antes que o governo de Kaddafi caísse, em outubro do ano passado, desde essa administração se contabilizavam 5.000 mortos devido aos bombardeios. Por sua parte, em informes preliminares dados pela ONU recentemente, se contabilizou a morte de apenas 60 civis pelas incursões aéreas da aliança atlântica.
Para o embaixador venezuelano na Líbia, Afif Tajeldine, a cifra de mortos poderia ultrapassar os 70 mil, tendo em conta que a Otan efetuou mais de 20 mil incursões aéreas e superou os 8.000 ataques armados.
Entrevistado pela Radio del Sur, o diplomata, que agora reside em Túnez logo que a sede diplomática venezuelana foi atacada pelos grupos pró-coloniais que derrocaram Kaddafi, afirmou que a invasão teve como objetivo a conquista do petróleo por parte dos Estados Unidos.
“Antes da entrada da Otan na Líbia, morreram 118 pessoas. Depois que a OTAN entrou em Trípoli, morreram mais de 70 mil pessoas na capital e seus arredores. Eles morreram vítimas do armamento norte-americano e isso ninguém relata. Se contam nada mais do que 118 que haviam sido mortos no conflito entre o governo de Kaddafi e os grupos militares. Porém, as 70 mil pessoas mortas pela Otan não se encontram nos relatórios de vítimas do conflito”, denunciou Tajeldine.
O diplomata recordou o alto nível de desenvolvimento humano que possuía o país líbio, o segundo em qualidade de vida dentro da África e entre os dez primeiros a nível mundial.
O país norte-africano foi vítima de um “plano macabro contra a tranquilidade e o desenvolvimento do povo líbio, agredidos militarmente pela Europa e os Estados Unidos com base na desinformação e uma guerra midiática, onde mostraram a Kaddafi como um ditador, antissocial e assassino. O satanizaram”, asseverou.
Antes de seu assassinato sem julgamento prévio, Kaddafi havia denunciado que a nação terminaria como o Afeganistão, que dentro das fronteiras operavam células da Al Qaeda e que o objetivo principal era dividir geograficamente o território.
No dia 22 de fevereiro de 2011, o líder líbio expressava em um discurso à nação que “os Estados Unidos querem fazer na Líbia o mesmo que fizeram no Afeganistão e o mesmo que fizeram no Iraque. Querem que a Líbia se converta em um país destruído, que os Estados Unidos venham a nossos territórios e façam o mesmo que fizeram com os afegãos e com os iraquianos”.
Kaddafi agregava que “se os norte-americanos chegarem, voltará o colonialismo, eles são uns terroristas que querem converter a Líbia em um país que dependa deles”.
Na atualidade, a Líbia sofre um profundo conflito interno, onde as quadrilhas armadas do CNT se enfrentam permanentemente pelo poder das regiões; diversas investigações jornalísticas comprovaram a presença de milicianos da Al Qaeda, situação que não teve nenhuma pronunciamento por parte da ONU e menos ainda por parte dos Estados Unidos e da Otan; e o processo de divisão da Líbia começou semanas atrás, quando chefes tribais e políticos declararam a autonomia de Cirenaica, antiga região que formava parte das três federações durante a monarquia, derrubada em 1969 pela Revolução Verde encabeçada por Kaddafi.
“Agora vemos uma Líbia dividida, onde mandam os grupos militares ajudados pelos Estados Unidos, a Otan e os governos do Golfo. Agora, cada qual tem sua parte do botim. Em Trípoli há nada menos que vinte grupos militares e cada qual faz o que quiser, sem lei ou justiça. Vemos a Líbia dividida, porém o plano é fragmentá-la ainda mais”, advertiu Tajeldine.
Sobre a situação interna no território líbio, o diplomata venezuelano assinalou que no país “ninguém pode sair às ruas depois das 7 da noite e quase não há com o que pagar os salários”.
Tajeldine alertou que as reservas internacionais da Líbia, que superam os 200 bilhões de dólares, estão em poder do “imperialismo, que desfruta dessa riqueza”.
Fonte: Agência AVN , da Grã-Bretanha. Tradução: Daniel Oliveira

sábado, 28 de janeiro de 2012

LÍBIA - EUA já começaram a ocupação da Líbia

Estados Unidos já começaram a ocupação da Líbia, com o envio de 12 mil mariners.

Os Estados Unidos enviaram 12 mil soldados para a Líbia na primeira fase de mobilizações para ocupação da nação norte – africana. De acordo com o diário árabe Asharq Alawsat, as tropas chegarão a Brega, sob a suposta premissa de gerar “estabilidade” e “segurança”.

Sem embargo, se espera que as tropas tomem o controle dos principais poços de petróleo e demais portos estratégicos, como resenhou a agência PressTV.

Brega, cidade portuária, está localizada no oriente da Líbia, e conta com um dos cinco terminais de petróleo da região, além de ser uma importante refinaria.

A chegada da marinha estadunidense coincide com a explosão de uma bomba de “fabricação caseira” na sede do autoproclamado Conselho Nacional de Transição (CNT), localizado na cidade de Benghazi, ao noroeste, depois que pelo menos 200 pessoas protestaram diante de seus escritórios denunciando a falta de transparência.

Responsáveis do CNT asseguraram que “reforçaram as medidas de segurança” e que investigam quem foram os responsáveis pelo ataque.

Recapitulando: mo dia 20 de outubro, o então presidente líbio Muammar Gaddafi foi capturado pelas forças da Organização do Atlântico Norte (OTAN) e entregue a mercenários rebeldes que o executaram. Dois dias antes, a Secretária de Estado dos EUA havia feito uma visita a Trípoli para reunir-se com o CNT.

A OTAN vinha realizando um forte bombardeio ao país norte-africano, logo após a aprovação da Resolução 1973 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que só se referiam a criar uma zona de segurança aérea, o que ocasionou uma forte crítica ao redor do mundo, incluídas as potências Rússia e China, porque os mísseis ocasionaram a morte de mais de 50 mil pessoas, na maior parte deles, civis.

Além disso, organizações de direitos humanos denunciaram os crimes de guerra e violações contra civis líbios por parte das tropas da OTAN e seus mercenários.

Dez dias depois da morte de Gaddafi, o CNT designou Abdel-Rahim al-Kib como primeiro-ministro líbio. Al-Kib lecionou em universidades estadunidenses e dirigiu o Instituto do Petróleo dos Emirados Árabes Unidos antes de unir-se ao CNT, em meados de 2011. Algumas de suas pesquisas em engenharia elétrica foram financiadas pelo Departamento de Energia dos EUA.

Agora, começa a esperada ocupação pelo marines.
Fonte: Tribuna da Internet

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

LÍBIA - E se o alvo formos nós?

A Líbia somos nós


Com tantas mudanças no cenário econômico mundial, os ataques à Líbia (assim como ocorrido no Iraque) vão deixando de ter espaço nos noticiários. No entanto, desde a visita de Barack Obama ao Brasil, quando os bombardeios da coalizão foram autorizados sobre o país, os ataques jamais cessaram, mas apenas pioraram desde então.


Uma das últimas mentiras utilizadas pela propaganda de guerra para incriminar o regime de Muammar Gaddafi, a notícia da vala com os corpos de Abu Salim, reportada no Brasil até pelo correspondente do Estadão, não passava de ossos de camelo.


Depois de meses de uma cobertura de guerra inédita, onde a imprensa se transformou numa espécie de RP dos militares - e ainda que jornalistas como Michel Collon e redes latinas de TV venham denunciando as sucessivas manipulações - a coalizão estrangeira já não pode mais negar que sua atuação passa longe de ser "humanitária", sendo na verdade um misto de estratégia de controle do Norte da África, apropriação do petróleo líbio e "test drive" das novas armas que vem sendo utilizadas na Líbia. Jornais franceses, parte deles de propriedade de indústrias bélicas, não se cansam de publicar os "resultados" das ações militares na Líbia, como os efeitos da utilização de gás mostarda, fósforo branco e urânio empobrecido sobre a população.


O povo líbio tem sofrido, além dos horrores da guerra, com a falta de abastecimento. Esta tem sido uma das principais evidências da crueza da atuação militar no país. Ação militar, aliás, que já está em terra há algum tempo, ao contrário do que negam os porta-vozes da OTAN.


O grande rio subterrâneo, construído por Muammar Gaddafi para levar água ao país, atravessando o deserto do Sahara (e até para abastecer miseráveis países vizinhos no chifre da África), foi bombardeado em vários pontos com o intuito de provocar o desabastecimento de água para a população (nossa delegação, quando na fronteira da Tunísia com a Líbia, pôde testemunhar filas com mais de 50 caminhões com remédios e alimentos aguardando permissão de entrada no país). Ações que mais se assemelham à estratégias de enfraquecimento já utilizadas antes, como na guerra da ex-Iugoslávia.


Esmagar um exército e um povo de pouco mais de cinco milhões de habitantes, depois de privá-los de comida, água e eletricidade, é o que eles vem chamando de "libertação"? O fato é que denúncias de violações aos direitos humanos praticadas pelos mercenários (rebeldes e OTAN) têm se tornado cada vez mais difíceis de esconder.


Nesse vídeo, uma médica de um hospital em Sirte expõe emocionada sua indignação em atender à crianças feridas por bombas da OTAN no último dia 23-09. Ela aponta para as crianças e para um jovem e afirma que "eles não eram soldados de Gaddafi", mas foram atingidos por bombas na sexta-feira, um dia de celebração para os muçulmanos.

Sirte, Tarhuna e Bani Walid são exemplos de cidades onde não há, nem houve ainda, qualquer batalha em terra por tropas rebeldes contra as do exército líbio. Os ataques ocorrem apenas por via aérea, sobre a população civil, em áreas residenciais. Uma simples busca na internet é o suficiente para verificar a quantidade de vídeos, postados pela população, denunciando os ataques da OTAN e até mesmo dos próprios rebeldes que demonstram com "orgulho" suas execuções praticadas principalmente contra uma maioria de negros acusados de serem mercenários contratados por Gaddafi.

A perseguição à negros imigrantes, com torturas, espancamentos, roubos, estupros e execuções a sangue frio, inúmeras vezes denunciada por organizações de direitos humanos, somadas às mortes de crianças tem revoltado a população. O resultado da operação militar na Líbia, tem sido a resistência, como demonstra o video enviado ONTEM pelos cidadãos de Bani Walid, cidade que tem sido anunciada "sob o controle rebelde" por toda a imprensa mundial:


As manifestações tem se tornado uma onda que toma conta do país e vem se espalhando por outros países, como a Espanha, onde vem ocorrendo sucessivas manifestações contra a intervenção militar na Líbia como esta ocorrida em Madri, encabeçada pelo deputado Gaspar Llamazares:


E essa onda deveria envergonhar os países da coalizão que alegam estar "protegendo" a população Líbia. É uma matemática simples: após mais de seis meses de guerra, uma população "sedenta" por ser "libertada" de um "ditador sanguinário", já teria conseguido seu intento, agradecendo todos os dias à seus "salvadores".


A pergunta que devemos nos fazer é: com essa nova configuração nos tratados internacionais, com todas as recentes violações das resoluções da ONU e com o papel ínfimo até mesmo das esquerdas e organizações de direitos humanos em todo o mundo em se opor à ação estrangeira na Líbia, o que faremos (e o que devemos esperar do mundo) quando o alvo formos nós?


Para assistir o Video sobre a Líbia Clique Aqui

LÍBIA - A mentira continua.

O petróleo e o sangue

As mentiras continuam. Muhamad Jibril, primeiro ministro interino, mentiu descaradamente, ao afirmar que Kadafi fora morto em “fogo cruzado” dos rebeldes com tropas leais ao dirigente líbio. As imagens, divulgadas no mundo inteiro, mostram Kadafi ainda vivo, caminhando, levantando o braço, até ser derrubado a socos e pontapés, para ser, finalmente, assassinado.

Mauro Santayana

Ao que parece, a Terra cobra, em sangue, o petróleo que é retirado de suas entranhas. Mas tem cobrado mal: não são os que os que consomem o óleo alucinadamente os que pagam a dívida para com o planeta, mas sim os que tiveram a maldição de o ter em abundância, como os paises árabes e muçulmanos. Todas as teorias – a defesa dos direitos humanos, da democracia, da civilização ocidental, e, até mesmo, do cristianismo – são ociosas para explicar a sangueira dos tempos modernos. No caso do Oriente Médio, a cobiça pelo petróleo, desde o início do século passado, tem sido a causa de todos os males.

As imagens divulgadas ontem, da prisão, da tortura e da morte do coronel Kadafi são semelhantes às da prisão, da farsa do julgamento, e da execução de Saddam Hussein. Da execução de Osama bin Laden ainda não conhecemos todas as imagens, mas é provável que um dia sejam divulgadas.

A biografia desses três homens é semelhante. Todos eles tiveram, em um tempo ou outro, as melhores relações com os países ocidentais, democráticos e cristãos. Em livro que será publicado nos próximos dias, a Sra. Condoleeza Rice confessou um certo fascínio por Kadafi, que a ela se referia como “minha princesa africana”. Hillary Clinton reagiu com interjeição de alegre surpresa, ao ver as imagens do trucidamento do coronel. Terça-feira, em Trípoli, ela disse claramente que Kadafi devia ser preso ou morto, imediatamente.

Osama bin Laden, como é sabido, foi sócio de Bush pai em negócios de petróleo. No Afeganistão se uniu à CIA e ao Pentágono, no trabalho político junto aos combatentes anti-soviéticos. Essas ligações devem ter influído no ódio de pai e filho ao combatente muçulmano.

O caso de Saddam é ainda mais significativo. O Iraque não podia ser considerado um país obscurantista. Ainda que não fosse democrático – e, segundo os indignados norte-americanos, tampouco há democracia nos Estados Unidos – era um regime tolerante, que dava relativa liberdade às mulheres, autorizadas a freqüentar as universidades e a usar trajes ocidentais, e não exercia perseguição aos não islamitas, tanto assim que o segundo homem do governo, Tariq Aziz, era cristão católico do rito caldeu.

Nessa cruzada disfarçada de conflito de civilizações, as mentiras foram as mais importantes armas dos Estados Unidos. Suspeita-se que todas elas decorram de uma mentira ainda maior: a de que o ataque às Torres Gêmeas de Nova Iorque tenha sido uma operação determinada por bin Laden. Que Saddam Hussein nada tinha a ver com isso, é hoje fora de dúvida.

Para justificar a invasão ao Iraque, os Estados Unidos apresentaram “provas” forjadas, como fotografias de caminhões e de galpões, como sendo de instalações nucleares. Afirmaram ao mundo, por Collin Powell e outros, que Saddam, além de desenvolver seu arsenal atômico, dispunha de outras armas de destruição em massa, como produtos químicos letais. O embaixador brasileiro José Maurício Bustani, então diretor da Organização das Nações Unidas para a Proibição de Armas Químicas, e conhecia a realidade iraquiana, sabia que se tratava de uma mentira, e tentava obter a adesão de Saddam ao tratado internacional contra as armas químicas – o que desmentiria as acusações americanas - foi destituído de seu cargo pelas pressões do governo Bush. Hoje, é o embaixador do Brasil em Paris.

A terceira peça do tabuleiro, a ser eliminada, foi o governante líbio. Ele fora declarado “limpo” pelos governos ocidentais, e privava da intimidade dos líderes norte-americanos e europeus. Caiu na esparrela de acreditar nisso, e enfrentou, ao mesmo tempo, os que o consideravam um renegado e os sedentos de seu petróleo e, por isso mesmo, sedentos de sangue.

Esses três casos são uma forte advertência aos países árabes que têm sido vassalos fiéis de Washington. Os príncipes da Arábia Saudita que se cuidem. O Paquistão, ao que parece, já está com suas barbas no molho.

E as mentiras continuam. Muhamad Jibril, que é o primeiro ministro interino e terá que vencer facções que lhe são contrárias, mentiu descaradamente, ao afirmar que Kadafi fora morto em “fogo cruzado” dos rebeldes com as tropas leais ao dirigente líbio. As imagens, divulgadas no mundo inteiro, mostram Kadafi ainda vivo, caminhando, levantando o braço, até ser derrubado a socos e pontapés, para ser, finalmente, assassinado.


Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

LÍBIA - Os gangsters imperialistas.

Kadafi foi assassinado para que não fosse levado a nenhum tribunal, onde poderia contar tudo o que sabia sobre as relações entre seu governo e a CIA, o governo e os serviços de inteligência britânicos, Sarkozy e seus “barbudos”, Berlusconi e a máfia, e poderia também lembrar quem são Jibril e Jalil, principais líderes atuais do Conselho Nacional de Transição e, até bem pouco tempo, seus fieis agentes e servidores. O artigo é de Guillermo Almeyra.

Guillermo Almeyra (*)

Um vídeo, publicado pelo Le Monde, mostra Muammar Kadafi capturado vivo e linchado por seus inimigos. Ele não morreu, portanto, em um bombardeio da OTAN quando fugia em um comboio nem em consequência das feridas recebidas quando o levavam em uma ambulância.

Ele foi simplesmente assassinado para que não fosse levado a nenhum tribunal porque aí poderia contar tudo o que sabia sobre as relações entre seu governo e a CIA, o governo e os serviços de inteligência britânicos, Sarkozy e seus “barbudos”, Berlusconi e a máfia, e poderia também lembrar quem são Jibril e Jalil, principais líderes atuais do Conselho Nacional de Transição e, até bem pouco tempo, seus fieis agentes e servidores.

A lista dos limões espremidos é longa: o panamenho Noriega, agente da CIA convertido em um estorvo, salvou-se do bombardeio ao Panamá que tentava assassiná-lo e jamais foi apresentado em um tribunal legítimo. Saddam Hussein, agentes dos EUA durante a longa guerra de oito anos contra os curdos e contra o Irã, teve sim um processo em um tribunal, mas composto por funcionários dos EUA e carrascos, nada de sua defesa política ganhou repercussão e terminou enforcado de modo infame.

Bin Laden, agente da CIA junto com os talibãs durante toda a guerra contra os soviéticos no Afeganistão e sócio do presidente George Bush na indústria petroleira, foi assassinado desarmado em uma grande operação típica de gangsters e foi lançado ao mar para que não falasse em um processo e para que nem sequer sua tumba pudesse servir como ponto de encontro a todos os que no Paquistão e no Afeganistão repudiam o colonialismo dos criminosos imperialistas.

Agora, os imperialistas franco-anglo-estadunidenses acabam de utilizar a barbárie e o ódio inter-tribal para se livrar de Kadafi que, como prisioneiro, era um perigo para eles. O novo governo líbio que surgirá depois de uma luta feroz entre os diversos clãs e interesses que integram o atual CNT, poderá renegociar assim a relação de forças entre as diferentes regiões e tribos sem o kadafismo e sob a tentativa imperialista de submetê-lo, mas afogou o passado em um banho de sangue e nasce coberto de horror e de infâmia perante o mundo.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Kadafi não será lembrado pelos líbios como um novo Omar Mukhtar, o líder da resistência ao imperialismo italiano enforcado pelos fascistas, porque antes de ser assassinado por seus ex-sócios e servidores também foi responsável por inúmeros crimes e enormes traições. Mas seu linchamento cairá como uma mancha a mais sobre seus executores e sobre os mandantes da turba feroz que o despedaçou aplicando-lhe a pena de morte selvagem que os imperialistas decretam contra seus agentes que precisam despachar.

(*) Professor de Relações Sociais da UNAM ( Universidade Autônoma do México) e colaborador do jornal mexicano La Jornada.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

LÍBIA - O assassinato de Kadafi e a crise moral dos europeus e dos EUA.

"Como se esperava..."
"Mais uma vez..."

Como se esperava, os imperialistas (EUA, França, Inglaterra e Itália), com o apoio de grupos líbios derrubaram o presidente da Líbia, Muammar Kadafi. Mais do que isso: o assassinaram como fizeram com o presidente do Iraque, Saddam Hussein, e agora se preparam para saquear as riquezas dos líbios, especialmente no que concerne às reservas de petróleo e gás.


Mais uma vez, os imperialistas e colonialistas do ocidente, brancos e cristãos invadem um país soberano em uma cruzada, aos moldes das medievais, para ter o controle da energia fóssil que é o petróleo. São países cujos governos são perigosíssimos, armados até os dentes, possuidores de milhares de ogivas nucleares e com um aparato militar que não poder parar, porque é muito caro e por isso tem de ser usado para atender à trilionária indústria bélica, que é mais letal que o tráfico de drogas internacional.

Como se esperava, a morte do dirigente líbio foi tramada nas salas de ONU (Conselho de Segurança dominado por apenas cinco países) e da OTAN (EUA), órgãos de espoliação política e militar, criados para dar “legalidade” às ações criminosas de guerra dos países ocidentais desenvolvidos, que quase dizimaram seus povos em duas guerras mundiais, em uma selvageria que deixaria qualquer país de periferia que eles consideram selvagem, subdesenvolvido e atrasado com imensa vergonha e com um sentimento animal de ser.

Mais uma vez, lideranças contrárias aos interesses da globalização (nova forma de colonialismo e pirataria) foram mortas e seus países invadidos e bombardeados em nome da “liberdade”, da “democracia” e de um “mundo mais seguro”. Enquanto isso, o sistema capitalista excludente e belicoso derrete em Wall Street e nas praças européias importantes como a de Londres, com as populações desses países brancos, cristãos e desenvolvidos a gritar revoltados nas ruas contra a roubalheira do sistema financeiro e da leniência e subserviência de governos que foram e são cúmplices da jogatina praticada por empresas e instituições que, de forma criminosa, levaram à cabo uma crise econômica e financeira sem precedentes, que eliminou milhões de empregos desse povos que deitaram e rolaram durante quase cinco décadas com a opulência e a fartura às custas dos países africanos, asiáticos e principalmente os da América Latina, que sustentaram até a década de 1990 o alto padrão de vida dos europeus, estadunidenses, japoneses e outros países do assim denominado primeiro mundo, como o Canadá e a Austrália.

Como se esperava esses governantes de países desenvolvidos que agem secularmente como piratas e que, apesar de historicamente se odiarem, para roubar e matar se unem, porque precisam dessa vil aliança para movimentar seu parque industrial bélico e civil e assim renovar a circulação do dinheiro, inclusive o ilegal, que é lavado nos paraísos fiscais, grosso modo, porque todo mundo sabe disso, mas ninguém pega um tanque ou um míssil para destruir tais ”instituições” financeiras, que fomentam há séculos a fome, a miséria e a exploração dos povos menos desenvolvidos, no que concerne às suas infraestruturas e ao acesso às tecnologias, à educação de qualidade e ao sistema bancário e industrial que garanta a seus países desenvolvimento econômico e bem-estar social, o que é quase impossível alcançar sem o apoio dos países desenvolvidos, que se recusam a efetivar um marco em que a cooperação e o aprendizado sejam a tônica.

Mais uma vez na história esses países brancos e cristãos e ocidentais que se comportam como aves de rapina ou como cães predadores optam pelo saque das riquezas alheias e o torna crível e cinicamente aceitável perante a população mundial por intermédio do sistema midiático, notadamente a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?), que porta-voz e ponta-de-lança do sistema de capitais inicia e termina um processo de demonização dos presidentes dos países agredidos e invadidos ao ponto de não se saber, de forma alguma, como pensam, como vivem e o que fazem os povos vítimas de bombas, de mísseis, de todo tipo de armas de grosso calibre, que não têm como se defender contra forças estrangeiras que quase se dizimaram nas duas guerras mundiais iniciadas pelos brancos cristãos e que se consideram, com a maior cara-de-pau possível, civilizados e não selvagens.

Como se esperava, Kadafi foi assassinado tal qual ao Saddam. A questão não é se os dois dirigentes eram ditadores. O que importa nesses casos é que os países ocidentais que não se consideram selvagens, o que é uma grande desfaçatez, apoiaram, apóiam e sempre apoiarão ditaduras espalhadas em todo o planeta, porque é assim que esses países, com a ONU e a OTAN usadas como títeres da legalidade, agem em uma conduta para lá de questionável, pois moralmente sem credibilidade no que é relativo às diferenças dos povos, bem como aos seus interesses, que não se coadunam e por isso, geralmente, o país ou aliança mais forte belicamente e que controla regiões diversas por meio da geopolítica ataca seu alvo sem dar satisfação alguma à comunidade internacional, além de fazer da ONU uma organização fantoche, desacredita e humilhada pela prepotência e a arrogância dos Estados Unidos, cujo presidente Barack Obama, apesar da novidade de ser um homem negro, tem os mesmos defeitos, o mesmo perfil e a conduta e estratégias de seus antecessores, que é realizar guerra, invadir países para saquear e ter controle geopolítica de determinadas regiões, ao preço de sangue, muito sangue de povos, neste caso, árabes, que não conseguem há quase dois milênios se livrar de forças estrangeiras que não cansam de matar e de literalmente roubar seus países e sociedades.

Mais uma vez, moralmente os Estados Unidos sucumbem principalmente após o monumental desabamento do World Trade Center em 2001 e o derretimento de seu sistema de capitais no fim de 2008. O país do Capitão América aplicou de forma científica a tortura e a aceitou e a efetivou como prática corriqueira e ordinária para ter acesso a informações de pessoas consideradas inimigas, mesmo as que foram presas sem provas e acusação formal, pois desobediente às leis e às normas do Direito Internacional, e negou o mais fundamental e elementar dos direitos de cidadania e da humanidade: o habeas corpus. Seqüestrou, torturou e matou e seus mandatários reconheceram que a tortura era praticada e mesmo assim apoiaram tal ignomínia. Uma vergonha, que deixou a potência mundial como pária no que concerne à civilização, além de ter efetivado uma política diplomática unilateral e isolacionista, o que acarretou o recrudescimento das ações da direita estadunidense no que é referente à legalidade, ao contraditório, ao direito de defesa e no que é civilizado e não selvagem e animalesco.

Como se esperava, Muammar Kadafi e as forças regulares e armadas da Líbia foram derrotados. O dirigente líbio — político nacionalista e que, apesar de seus erros e defeitos, desenvolveu o país do norte da África, que, juntamente com a África do Sul, é um dos dois mais desenvolvidos do continente, com IDH alto — foi morto, assassinado e mostrado ao público internacional como caça, como troféu. O povo líbio até então, não se sabe como ele vai ficar, tinha acesso a muitos benefícios sociais e que nunca foram mostrados pela imprensa comercial, privada e corporativa do ocidente. Nunca a imprensa hegemônica brasileira veiculou matérias sobre a Líbia, seu desenvolvimento e as conquistas sociais de seu povo, muito avançado para os padrões africanos. Essa imprensa apenas se preocupou em demonizar o presidente líbio, a fim de dar legalidade e razão às ações de pirataria explícita da OTAN, ou seja, dos EUA, da França, da Inglaterra e da Itália, países em profunda crise econômica e financeira e moralmente abalados, no que é relativo a discernir sobre o que é humano, legal e justo. É isso aí.
Fonte: blog da Militância.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

LÍBIA - Negócios com o petróleo.

Novo governo da Líbia ainda nem capturou Kadafi, mas já se apressa em fazer negócios com o petróleo.

Carlos Newton

A Líbia estabelecerá um comitê para examinar todos os contratos de petróleo para avaliar a escala da corrupção praticada pelo regime anterior, disse o ministro das Finanças e do Petróleo, Ali Tarhouni. Acrescentou que esse comitê “verificará todos os contratos e projetos para dar uma visão do grau de corrupção, e tudo que emergir será investigado e publicado”.

Não dá para entender. Enquanto os dirigentes ocidentais se apressam em fazer a partilha do espólio da Líbia, com o presidente francês Sarcozy e o premier britânico Cameron tomando a frente, para desespero dos italianos, a guerra civil continua e ninguém sabe quando vai parar. Como se sabe, o líder Muammar Kadafi está escondido em um local desconhecido desde que as forças da oposição tomaram a capital, Trípoli, em agosto.

O futuro é incerto. Se a resistência pró-Kadafi continua, é uma indicação de que a paz dificilmente será alcançada. Mesmo quando os chamados rebeldes estiverem controlando inteiramente o território líbio, pode continuar a haver atentados e conflitos, mantendo o país em permanente opressão. É uma situação verdadeiramente complicada.

O que os vencedores esperam secretamente é que o Conselho Nacional de Transição comece a pagar agora “as dívidas da sua guerra com petróleo líbio”. Por trás do entendimento revelado pelos participantes na conferência de Paris sobre a “nova Líbia” desenrola-se uma guerra clandestina entre França, Itália e Reino Unido pela exploração dos recursos daquele país, como é destacado nos jornais franceses, italianos e britânicos.

Seis meses após o início das hostilidades contra o regime de Mouammar Kadhafi, o presidente Nicolas Sarkozy e premier David Cameron convidaram para Paris os representantes de sessenta países e ONGs e os dirigentes do Conselho Nacional de Transição da Líbia para marcar o fim das operações militares e definir a transição política e a reconstrução da “nova Líbia”. Em pano de fundo, a avidez pelo maná do petróleo líbio.

O jornal francês “Libération” fala de uma “prova de fogo vitoriosa na Líbia, que aproxima novamente a França de um novo mundo árabe” e de uma “blitzkrieg diplomática reforçada por uma audaciosa aposta militar”. Uma aposta com a qual “as empresas petrolíferas francesas vão poder lucrar bastante”, acrescenta. “Em todo o caso é o que ficou escrito, preto no branco, num documento a que o “Libération” teve acesso – um texto assinado pelo Conselho Nacional de Transição, a autoridade criada pelos rebeldes líbios.

De fato, foi público e notório que os países mais envolvidos com os insurretos seriam mais considerados pelo Conselho quando chegasse a ocasião, nomeadamente em questão de contratos petrolíferos de vulto. Mas o documento prova claramente que os acordos oficiais tinham sido feitos “há vários meses”.

Em 3 de abril, 17 dias depois de ter sido aprovada a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, o Conselho tinha assinado uma carta dirigida ao emir do Qatar, que serviu de intermediário com a França, na qual determina que o acordo sobre o petróleo com os franceses, em troca do reconhecimento do Conselho como representante legítimo da Líbia, atribui 35% do total do petróleo bruto aos franceses.

O triunfo diplomático francês e o seu corolário energético inquietam fortemente a Itália. Admitida posteriormente na coligação entre Paris e Londres, a Itália receia estar agora excluída da partilha do “bolo” líbio.

“O que acontecerá então à Itália, que foi o primeiro parceiro econômico da Líbia e que estava ligada a ela por um tratado de amizade assinado à custa de uma má aliança?”, pergunta o jornal “La Stampa”. “Uma Itália que fica hoje em segundo lugar, com o ENI (a estatal petrolífera) que, futuramente, irá disputar com os franceses e os ingleses os novos contratos sobre energia?” A Itália, nota o jornal, “tanta seduzir o Conselho para salvar contratos”.

“Esta guerra na Líbia foi sugerida essencialmente por Paris e, a seguir, por Londres. Nicolas Sarkozy irá tentar, assim, colher os frutos do seu envolvimento, com uma participação na reconstrução econômica. A presença de Itália na Líbia irá ser inevitavelmente redimensionada”, observa a analista Marta Dassù, no “La Stampa”. Esta cientista política italiana recorda a hostilidade histórica dos habitantes da Cyrenaica – a região onde se iniciou a rebelião – em relação aos italianos, fato que limita a iniciativa diplomática de Roma.

Portanto, a Itália tinha muito a perder com a guerra na Líbia.
Fonte: Tribuna da Internet.

domingo, 2 de outubro de 2011

A LÍBIA PODE VIRAR UMA SOMÁLIA.

Samir Amin

A Líbia não é a Tunísia nem o Egito. O antigo grupo dominante (Kadafi) e as forças que o combatem são em tudo diferentes dos seus correspondentes tunisianos ou egípcios. Kadafi nunca passou de um palhaço, cujo vazio de pensamento está refletido no seu conhecido “Livro Verde”. Agindo numa sociedade arcaica e parada, Kadafi bem podia comprazer-se em sucessivos discursos “nacionalistas” e “socialistas” desligados da realidade e, no dia seguinte, se autoproclamar como um “liberal”.

Ele só o fez para “agradar ao Ocidente”, como se a opção pelo liberalismo pudesse deixar de ter efeitos na sociedade. Mas tinha e, como toda a gente sabe, ela piorou as condições de vida da maioria dos líbios. Os benefícios do petróleo, antes amplamente redistribuídos, tornaram-se o alvo de pequenos grupos de privilegiados, entre eles a família do líder. Essas condições deram origem à bem conhecida explosão (social), de que os regionalistas e os políticos islamistas do país logo tiraram proveito. Porque a Líbia nunca existiu realmente enquanto nação.

É uma região geográfica que separa o mundo árabe ocidental do mundo árabe oriental (o Magrebe e o Mashreq). A fronteira de transição de um para o outro se situa bem no meio da Líbia. A Cirenaica era historicamente grega e helenística antes de se tornar mashrequiana. A Tripolitânia, por seu lado, era romana e tornou-se magrebina. Por isso o regionalismo sempre foi muito forte no país.

Ninguém sabe quem são realmente os membros do Conselho Nacional de Transiçãoem Benghazi. Podehaver democratas entre eles, mas certamente há também islamistas, alguns deles da pior das estirpes, e ainda regionalistas. O presidente desse conselho é Mustafa Muhammad Abdeljelil, o juiz que condenou à morte as enfermeiras búlgaras (1) e foi premiado por Kadafi, que o nomeou ministro da Justiça entre 2007 e fevereiro de 2011.

O “caso das enfermeiras búlgaras”, ou “caso do HIV na Líbia”, ocorreu em 1998, quando um médico interno palestino e cinco enfermeiras búlgaras do Hospital Infantil El-Fatih, em Benghazi, foram acusados de terem deliberadamente infectado cerca de 400 crianças com o vírus da Aids. Foram condenados à morte, e por fim viram a sentença comutada em prisão perpétua por decisão de uma comissão de ministros. Em 2007, após complicadas negociações com a União Européia, foram extraditados para a Bulgária e acabaram por ser libertados depois de o presidente búlgaro lhes ter comutado as penas. Foi por esse motivo que o primeiro-ministro da Bulgária, Boikov, se recusou a reconhecer o conselho, mas suas razões não foram levadas em conta pelos EUA nem pela Europa.

Desde o seu início, o “movimento” da Líbia tomou a forma de uma revolta armada em combate contra o exército, e não de uma vaga de manifestações civis. E logo em seguida essa revolta chamou a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em sua ajuda. Assim foi dada, às potências imperialistas, a oportunidade para uma intervenção militar.

O seu objetivo seguramente não era “a proteção dos civis” nem a “democracia”, mas sim o controle sobre os campos petrolíferos, os recursos aqüíferos subterrâneos e a aquisição de uma importante base militar no país. É claro que, tão logo Kadafi optou pelo liberalismo, as companhias petrolíferas ocidentais tiveram o controle sobre o petróleo líbio. Mas com Kadafi nunca se podia estar seguro de nada. E se, de repente, ele mudasse de orientação e começasse a jogar com a Índia e a China?

Mais importantes são os recursos aquíferos subterrâneos. que poderiam ser usados em benefício dos países africanos do Sahel. Há água em abundância na faixa subsaariana que atravessa a África desde o Atlântico ao Mar Vermelho, de transição entre o deserto e a savana subtropical. Inclui, no todo ou em parte, Senegal, Mali, Burkina Faso, o sul da Argélia, Níger, o norte da Nigéria, Chade, Sudão (incluindo Darfur e o Sudão do Sul), o norte da Etiópia e a Eritreia. Empresas francesas bem conhecidas estão interessadas nesses recursos (o que explica o imediato envolvimento da França). Vão usá-los de maneira mais “proveitosa” para produzir agrocombustíveis.

Em 1969, Kadafi exigiu que os britânicos e os estadunidenses retirassem as bases que mantinham no país desde a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, os EUA precisam encontrar na África uma localização para o seu Africom (o comando militar dos EUA para a África, parte importante da sua estratégia para o controle militar do mundo, mas que ainda continua baseado em Stuttgart – Alemanha!).

A União Africana rejeitou-o e, até agora, nenhum país africano o aceitou. Um lacaio instalado em Trípoli certamente aceitaria todas as exigências de Washington e dos seus lugares-tenentes da OTAN. O que seria uma ameaça direta contra a Argélia e o Egito. Dito isto, continua a ser difícil prever qual será o comportamento do “novo regime”. Não é de excluir a possibilidade de uma desintegração do país como na Somália.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

LÍBIA - Teve gente que acreditou na "ajuda humanitária" do ocidente.

Depois da guerra, a hora de fazer bons negócios na Líbia.


“A mina de ouro da Líbia”, esta foi a manchete do jornal polonês “Gazeta Wyborcza” no dia seguinte à conferência internacional em Paris ter posto um “fim simbólico” à guerra na Líbia. “A reunião foi como uma estaca de madeira a atravessar o coração do regime de Kadhafi”, diz Daniel Korski, especialista do Conselho Europeu de Relações Externas (ECFR) citado pelo jornal.

Os maiores vencedores na conferência em Paris foram os líderes da França, Nicholas Sarkozy, e do Reino Unido, o primeiro-ministro David Cameron que “acreditou sem hesitações no sucesso da operação”. Os italianos também têm com que se orgulhar, acrescenta a “Gazeta Wyborcza”, por acabarem com a amizade com Mouammar Kadhafi na hora certa, enquanto os americanos estão felizes por receber outro “Governo amigável numa região hostil”.

O que os vencedores esperam secretamente é que o Conselho Nacional de Transição comece a pagar agora “as dívidas da sua guerra com petróleo líbio”. Mas estes podem estar a preparar uma surpresa desagradável. “Os líbios são espertos. Dizem que vão recompensar os seus amigos, mas no final escolherão a sua melhor oferta, que poderá vir da Rússia ou até mesmo da China”, adverte Daniel Korski.

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APÓS A GUERRA, OS NEGÓCIOS

Por trás do entendimento revelado pelos participantes na conferência de Paris sobre a “nova Líbia” desenrola-se uma guerra clandestina entre França, Itália e Reino Unido pela exploração dos recursos daquele país, como é destacado nos jornais franceses, italianos e britânicos.

Seis meses após o início das hostilidades contra o regime de Mouammar Kadhafi, o presidente Nicolas Sarkozy e premier David Cameron convidaram para Paris os representantes de sessenta países e ONGs e os dirigentes do Conselho Nacional de Transição da Líbia para marcar o fim das operações militares e definir a transição política e a reconstrução da “nova Líbia”. Em pano de fundo, a avidez pelo maná do petróleo líbio.

O jornal francês “Libération” fala de uma “prova de fogo vitoriosa na Líbia, que aproxima novamente a França de um novo mundo árabe” e de uma “blitzkrieg diplomática reforçada por uma audaciosa aposta militar”. Uma aposta com a qual “as empresas petrolíferas francesas vão poder lucrar bastante”, acrescenta. “Em todo o caso é o que ficou escrito, preto no branco, num documento a que o “Libération” teve acesso – um texto assinado pelo Conselho Nacional de Transição, a autoridade criada pelos rebeldes líbios.

De fato, foi público e notório que os países mais envolvidos com os insurretos seriam mais considerados pelo CNT quando chegasse a ocasião, nomeadamente em questão de contratos petrolíferos de vulto. Mas o documento prova claramente que os acordos oficiais tinham sido feitos “há vários meses”.

Desde o dia 3 de abril, 17 dias depois de ter sido aprovada a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, o CNT tinha assinado uma carta dirigida ao emir do Qatar, que serviu de intermediário entre a França e o CNT, na qual determina que o acordo sobre o petróleo com a França, em troca do reconhecimento do CNT como representante legítimo da Líbia, atribui 35% do total do petróleo bruto aos franceses.

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ITÁLIA TEME ABANDONAR A LÍBIA

O triunfo diplomático francês e o seu corolário energético inquietam fortemente a Itália. Admitida posteriormente na coligação entre Paris e Londres, a antiga potência colonial receia estar agora excluída da partilha do “bolo” líbio. Que acontece então à Itália, “que foi o primeiro parceiro económico da Líbia e que estava ligada a ela por um tratado de amizade assinado à custa de uma má aliança?”, pergunta o jornal “La Stampa”. “Uma Itália que fica hoje em segundo lugar, com o ENI (a aestatal petrolífera) que, futuramente, irá disputar com os franceses e os ingleses os novos contratos sobre energia?” A Itália, nota o jornal, “seduz o CNT para salvar contratos”.

“Esta guerra na Líbia foi sugerida essencialmente por Paris e, a seguir, por Londres. Nicolas Sarkozy irá tentar, assim, colher os frutos do seu envolvimento, com uma participação na reconstrução econômica. A presença de Itália na Líbia irá ser inevitavelmente redimensionada”, observa a analista Marta Dassù, no “La Stampa”. Esta cientista politíca italiana recorda a hostilidade histórica dos habitantes da Cyrenaica – a região onde se iniciou a rebelião – para com os italianos, fato que limita a iniciativa diplomática de Roma.

“A Itália tinha pois muito a perder com a guerra na Líbia. E, no entanto, não perdeu nada. A (recente) visita do dirigente da ENI a Benghazi confirma encontrar-se em condições de salvaguardar os seus próprios acordos energéticos”. Quanto aos europeus, “depois das divisões em relação à guerra, o interesse é promoverem um acordo entre os sucessores de Kadhafi. A ideia de uma copropriedade franco-britânica já fracassou anteriormente no Mediterrâneo. Voltará a fracassar se os europeus, na Líbia, se limitarem a disputar um ‘bolo’. O interesse de europeus e líbios, no seu conjunto, é não rejeitarem Kadhafi. A seguir, os negócios vão aparecer para quem estiver em condições de os fazer. É a única concorrência aceitável entre as democracias do Velho Continente”, opina Marta Dassù.

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OPORTUNIDADES PARA O OCIDENTE

Do lado britânico, não há dúvidas quanto às questões do pós-guerra. Como sublinha o “The Independent”, os participantes vão estar presentes para ver que benefícios podem ter. E “quanto à recolha do lixo, ao fornecimento de água e ao encaminhamento do petróleo para os portos deste país rico em hidrocarbonetos, quem assegura os contratos? Para os ocidentais, são inúmeras as oportunidades de se envolverem, razão que leva líbios e árabes a desconfiarem das respetivas intenções humanitárias”.

É por isso, e para evitar ”que uma situação política precária não descambe numa luta de enriquecimento pessoal”, que o “Financial Times” sugere “um sistema de contra-poderes credível no setor energético” e “um amplo acordo constitucional que permita aos líbios governarem-se como povo livre”.

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ALEMANHA CONTINUA À ESPREITA

O êxito das operações militares na Líbia deixa a Alemanha, que não as apoiou, numa situação delicada, no momento de discutir a reconstrução e os respetivos contratos. É, sobretudo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, que está na berlinda, como destaca o jornal “Süddeutsche Zeitung”: depois do êxito militar da OTAN, atribuiu a queda do regime de Kadhafi ao embargo internacional a Tripoli, apoiado pela Alemanha, mais do que aos ataques e à insurreição armada.

Guido Westerwelle mudou de opinião, por pressão da chanceler Angela Merkel, mas, nota o diário da Baviera, “é desprezado por todos os políticos, independentemente da opinião que tenham sobre a intervenção da OTAN na Líbia. Depois da queda de Khadafi, tudo se modificou: toda a gente mostra ‘respeito’ pela OTAN. O alívio provocado pela queda de Khadafi facilita o apoio dado a uma guerra cujo objetivo nunca foi a saída do ditador”.

(Transcrito do site Presseurop)

sábado, 3 de setembro de 2011

LÍBIA - As ligações entre a CIA e Kadafi.

Por Sérgio Troncoso

Agora comprovado o que todos já sabiam!


Documentos revelam ligação entre CIA e Kadafi

O serviço secreto dos EUA entregava prisioneiros para interrogatórios

Documentos descobertos em um prédio do governo líbio revelam ligações estreitas entre a CIA e os serviços de inteligência do regime de Muamar Kadafi durante o governo de George W. Bush, revela The Wall Street Journal nesta sexta-feira.

Durante o governo de George W. Bush (2001-2009), a CIA entregou suspeitos de terrorismo ao regime de Kadafi, sugerindo a linha de interrogatório, afirma o jornal, que cita documentos descobertos na sede de um órgão de segurança em Trípoli.

Em 2004, a CIA estabeleceu "uma presença permanente" na Líbia, diz uma mensagem de Stephen Kappes, um dirigente da agência, dirigida a Mussa Kussa, chefe dos serviços de inteligência líbios entre 1994 e 2009.

A mensagem começa com "Querido Mussa" e está assinada por "Steve", destaca The Wall Street Journal. O despacho foi descoberto por membros da Humabn Rights Watch (HRW), que o entregaram à imprensa. Em Londres, o jornal The Independent publicou informação similar sobre ligações entre os serviços líbios e britânicos na mesma época.
Fonte: Luis Nassif online

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

LÍBIA - ONU quer tropas estrangeiras na Líbia.

A gente já viu esse filme antes.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não encerrará tão cedo sua missão na Líbia, mesmo com a queda de Muamar Kadafi. Esse é o plano elaborado pela ONU para a reconstrução do país, que prevê eleições para um novo Parlamento no início de 2012.

A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 31-08-2011.

O Estado obteve uma cópia do rascunho do documento de dez páginas com a estratégia para a Líbia pós-Kadafi. O plano será debatido amanhã por líderes mundiais em Paris. A ONU utilizará o modelo que aplicou na gestão civil do Timor Leste, com uma administração de 60 pessoas comandando a operação na capital.

As Nações Unidas entendem que a Otan deve continuar na Líbia, uma alternativa vista com reservas por China, Rússia e Brasil. "A estabilização de Trípoli pós-Kadafi certamente estará além da capacidade da ONU", diz a estratégia. "O mandato implementado pela Otan não termina com a queda do governo."

A resolução aprovada em março no Conselho de Segurança da ONU rejeita qualquer de "ocupação" na Líbia. Para driblar o texto, será preciso garantir que Rússia e China não usem seu poder de veto, além do apoio de 9 dos 15 integrantes do órgão.

Outro ponto fundamental são as eleições. Um governo interino terá de ser formado em 30 dias. Passados 240 dias da "proclamação da libertação", eleições para o Parlamento devem ocorrer. A ONU determinou que o Legislativo tenha 200 deputados e poder constituinte.

No governo interino, todos os segmentos políticos devem ser convidados a participar, mesmo os que fizeram parte do regime. Acusados de crimes contra a humanidade não podem integrar a coalizão. A ONU sugere ainda que FMI, Banco Mundial e União Europeia deem viabilidade econômica ao novo regime.

Festa na capital

Nas duas últimas noites, as explosões de bombas lançadas pelos aviões da Otan contra as forças de Kadafi deram lugar a um carnaval na antiga Praça Verde, hoje Praça dos Mártires.

A celebração coincide com o Eid al-Fitr, o fim do Ramadã, o mês do jejum diurno. "Este é o Eid al-Fitr da independência", discursou ontem à noite Ali Tarhouni, o vice-primeiro-ministro do governo de transição. A multidão cantava ao som de pandeiros e gritava: "Cadê você, Shufashufu?",chamando Kadafi pelo apelido, que significa "descabelado".

Com a temperatura chegando a 35 graus à sombra, moradores de Trípoli fizeram fila em agências de bancos, parcialmente abertas pela primeira vez desde a quinta-feira retrasada. Havia urgência de retirar dinheiro para a festa. Em toda a região, o Eid al-Fitr foi celebrado ontem. Na Líbia, o clero adiou-o para hoje, para dar tempo para os bancos reabrirem. A festa é uma das duas mais importantes do calendário muçulmano, ao lado do sacrifício do cordeiro.

As filas nos bancos foram engrossadas por um rumor de que os rebeldes distribuiriam 250 dinares (US$ 167) por pessoa. Era mentira. Outra fila, a dos postos de gasolina, tinha um respaldo real na generosidade do governo interino: somente ontem, os motoristas puderam encher o tanque de graça, depois de uma semana tendo de pagar até US$ 5 por litro. Os postos são privados, mas a distribuidora é estatal. A partir de hoje, os postos voltam a cobrar o irrisório preço de antes: 0,15 dinar (US$ 0,10) por litro.

Parte do comércio permanece fechada. Nos açougues e mercearias da cidade não havia filas, talvez porque muitos não conseguiram sacar dinheiro. Além disso, muitos trabalhadores não recebem há três meses ou mais.

Pouco se sabia sobre como Trípoli tinha vivido esses últimos meses. Houve confrontos com membros das brigadas leais a Kadafi nos postos de gasolina, porque esses milicianos controlavam as filas e vendiam lugares nela por 50 dinares (US$ 33). Vários motoristas foram mortos.

Falta água em Trípoli e os blecautes são frequentes. Os celulares funcionam precariamente. A rede telefônica foi mantida no norte e no sul, mas a comunicação entre as duas partes do país foi cortada por Kadafi. O governo provisório diz que os aeroportos de Benghazi e Misrata foram reabertos para voos com medicamentos e alimentos. O de Trípoli segue fechado. Voos comerciais só serão retomados quando todo o país estiver sob o controle do CNT.

Moradores de Trípoli falam em voltar ao trabalho no sábado, depois de emendar o Eid al-Fitr com a sexta-feira, o descanso semanal muçulmano. Para isso, será necessário remover os postos de controles dos combatentes rebeldes das ruas de Trípoli. A cada 100 ou 200 metros, os carros são parados.

LÍBIA - BRICS avaliam posição conjunta.

Países do Brics avaliam posição conjunta em relação à Líbia, diz presidente da França


Por Redação, com agências internacionais - de Paris


Países que compõem o grupo denominado Brics, examinam a hipótese de assumir uma posição comum na reunião convocada pelo presidente da França

Os líderes do Brasil, da Rússia, da China e da África do Sul – países que compõem o grupo denominado Brics – examinam a hipótese de assumir uma posição comum na reunião convocada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, com representantes dos países do chamado Grupo de Contato (que engloba as maiores economias do mundo). A reunião ocorrerá em Paris na próxima quinta-feira.

Diplomatas que acompanham as negociações disseram nesta terça-feira que as consultas ainda não foram concluídas. Até a véspera, a decisão era de o Brasil enviar um representante para a reunião coordenada por Sarkozy. O assunto foi o tema principal da reunião da presidenta Dilma Rousseff com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

A única definição é que o chanceler não irá para a reunião para Paris. A justificativa é que Patriota estará em visita à Bulgária e à Rússia. No caso da Bulgária, o ministro faz uma viagem preparativa à de Dilma, que irá ao país em outubro – visitar a família de seu pai, Petar Rousseff, que era búlgaro. Na Rússia, ele quer estreitar as relações com os países do Brics e com os que pertencem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Além de Patriota, pelo menos dois diplomatas no Itamaraty negociam diretamente sobre a questão da Líbia com a comunidade internacional, o subsecretário-geral do Departamento de África e Oriente, Paulo Cordeiro, e o embaixador do Brasil no Egito, Cesário Melantonio Neto, que foi designado pelo chanceler para fazer as articulações com a oposição na Líbia.

A reunião em Paris já recebeu as confirmações dos representantes da Alemanha, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, entre outros países. Sarkozy pretende definir no encontro, na presença dos representantes do Conselho Nacional de Transição da Líbia, as prioridades em termos de ajuda da comunidade internacional para o futuro governo de transição no país.

No entanto, ao contrário de cerca de 40 nações, o Brasil ainda não reconheceu o Conselho Nacional de Transição da Líbia como o único órgão legítimo para conduzir provisoriamente o governo no país. Para o governo brasileiro, a oposição deve dar indicações de que representa a sociedade líbia como um todo e não apenas um setor.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

LÍBIA - Como a Al-Qaeda ganhou o domínio de Trípoli.

Quando interessa, os americanos esquecem com quem estão lidando. Foi assim na guerra Irã/Iraque, quando os EUA apoiaram Saddam Husseim,contra o Irã, foi assim quando a CIA treinou Osama Bi Laden no combate aos russos quando estes invadiram o Afeganistão, no que ficou conhecido como o Vietnan russo. Agora apoiaram logo quem, a Al-Qaeda, para derrubar o Kadaffi. No passado, um presidente americano declarou que os EUA não têm amigos e sim interesses.Enquanto isso a mídia ocidental torce desesperadamente para a queda do Kaddaffi. Como mostrei em outro post, até a BBC está fazendo manipulação na cobertura do que vem ocorrendo na Líbia. O mesmo fez a Al Jazeera que fez o mesmo que a BBC porém com menos repercussão.Ninguém mostra o que há por trás dessa "ajuda humanitária".Ninguém é a favor de uma ditadura, porém as favoráveis principalmente aos americanos, ninguém realiza "ajuda humanitária". Veja o que ocorreu no Bahein, onde as manifestações contra a ditadura lá existente foi sufocada por tropas da Arábia Saudita, atendendo à uma solicitação dos americanos. As manifestações no Bahein fizeram com que a FIA transferisse o Grande Prêmio desse país para o próximo ano. Com essa Resolução da ONU autorizando a "ajuda humanítária à Líbia, foi aberto um perigoso precedente. Agora qualquer governo que não agrade aos americanos, corre o risco de ser derrubado usando a nova polícia mundial representada pela OTAN. Me admira a passividade da China e da Rússia, principalmente os chineses, que têm grandes interesses na Líbia, permitirem que os americanos e a UE derrubem o Kadaffi para colocar um ditador seu amigo. Vocês acham que dá para acreditar que serão realizadas eleições daquí a oito meses?

Do site resistir.info


por Pepe Escobar [*]

Seu nome é Abdelhakim Belhaj. Alguns no Médio Oriente podem ter ouvido falar dele, mas poucos no ocidente o conhecem.

Já é tempo de saber. Porque a história de como um activo da al-Qaeda acabou por ser o principal comandante militar líbio na ainda devastada Tripoli liga-se ao estilhaçar – mais uma vez – dessa floresta de enganos que é a "guerra ao terror", bem como à profundamente comprometedora propaganda construída com todo o cuidado pela NATO de uma intervenção "humanitária" na Líbia.

A fortaleza de Muammar Gaddafi, Bab-al-Aziziyah, foi essencialmente invadida e conquistada pelos homens de Belhaj – que estavam na vanguarda de uma milícia de bérberes das montanhas a Sudoeste de Tripoli. A milícia é a chamada Brigada de Tripoli, treinada em segredo durante dois meses pelas Forças Especiais dos EUA. Ela revelou-se como mais efectiva milícia dos rebeldes em seis meses de guerra tribal/civil.

Terça-feira passada Belhaj já estava a regozijar-se acerca da batalha vencida, com as forças de Gaddafi a escaparem "como ratos" (note-se que é a mesma metáfora utilizada pelo próprio Gaddafi para designar os rebeldes).

Abdelhakim Belhaj, também conhecido como Abu Abdallah al-Sadek, é um jihadista líbio. Nascido em Maio de 1966, ele aperfeiçoou as suas qualificações na década de 1980 com os mujahideen no Afeganistão.

Ele é o fundador do Libyan Islamic Fighting Group (LIFG) e é de facto emir – com Khaled Chrif e Sami Saadi como seus representantes. Após a tomada do poder em Cabul, em 1966, o LIFG manteve dois campos de treino no Afeganistão, um deles a 30 quilómetros a Norte de Cabul – dirigido por Abu Yahya – era estritamente para jihadis ligados à al-Qaeda.

Após o 11 de Setembro, Belhaj transferiu-se para o Paquistão e também para o Iraque, onde auxiliou nada menos do que o ultra-asqueroso Abu Musab al-Zarqawi – tudo isto antes de a al-Qaeda no Iraque prometer lealdade a Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri e turbo-carregar suas práticas pavorosas.

No Iraque, os líbios constituíram o maior contingente de sunitas estrangeiros da jihadi, perdendo apenas para os sauditas. Além disso, os jihadis líbios sempre tiveram super-estrelas nos escalões de topo da al-Qaeda "histórica" – Abu Faraj al-Libi (comandante militar até a sua prisão em 2005, agora mofando como um dos 16 detidos de alto valor no centro de detenção estado-unidense em Guantanamo) até Abu al-Laith al-Libi (outro comandante militar, morto no Paquistão no principio de 2008).

O momento de uma "rendição" extraordinária

O LIFG esteve nos radares da Central Intelligence Agency dos EUA desde o 11/Set. Em 2003, Belhaj foi finalmente preso na Malásia – e então transferido, estilo "rendição" extraordinária, para uma prisão secreta em Bangkok e devidamente torturado.

Em 2004, os americanos decidiram enviá-lo como uma prenda à inteligência líbia – até que foi libertado pelo regime Gaddafi em Março de 2010, juntamente com outros 211 "terroristas", num golpe de relações públicas anunciado com grandes fanfarras.

O orquestrador foi nada menos do que Saif Islam al-Gaddafi – a face modernizadora/London School of Economicas do regime. Os líderes do LIFG – Belhaj e seus representantes Chrif e Saadi – emitiram uma confissão de 417 páginas alcunhada de "estudos correctivos" no qual declaravam ultrapassada (e ilegal) a jihad contra Gaddafi, antes de serem finalmente libertados.

Um relato fascinante de todo o processo pode ser visto numa reportagem chamada "Combatendo o terrorismo na Líbia através do diálogo e da reintegração" ("Combating Terrorism in Libya through Dialogue and Reintegration") [1] . É de notar que os autores, "peritos" em terrorismo com base em Singapura que foram recebidos pelo regime em jantares regados a vinho, exprimim a "mais profunda apreciação de Saif al-Islam Gaddafi e do Gaddafi International Charity and Development Foundation por tornarem possível esta visita".

Crucialmente, ainda em 2007, o então número dois da al-Qaeda, Zawahiri, anunciou oficialmente a fusão entre o LIFG e al-Qaeda no Islamic Mahgreb (AQIM). Assim, para todas as finalidades práticas, desde então o LIFG/AQIM uma e a mesma entidade – e Belhaj era/é seu emir.

Em 2007, a LIFG estava a apelar a uma jihad contra Gaddafi e também contra os EUA e variados "infiéis" ocidentais.

Avançou rapidamente em Fevereiro último quando, como homem livre, Belhaj decidiu reverter ao modo jihad e alinhar suas forças com o engendrado levantamento na Cirenaica.

Toda agência de inteligência nos EUA, Europa e mundo árabe sabe de onde ele vem. Ele já garantiu na Líbia que ele próprio e a sua milícia só ficarão satisfeitos com a lei da sharia.

Não há nada "pró democracia" quanto a isto – nem com qualquer esforço de imaginação. E um tal activo não podia ser desprendido da guerra NATO só porque ele não gosta muito de "infiéis".

A morte em Julho do comandante militar rebelde, general Abdel Fattah Younis – pelos próprios rebeldes – parece apontar a Belhaj ou pelo menos a pessoas muito próximas dele.

É essencial saber que Younis – antes de desertar do regime – fora encarregado das forças especiais da Líbia que combateram ferozmente o LIFG na Cirenaica entre 1990 e 1995.

O Conselho Nacional de Transição (CNT), segundo um dos seus membros, Ali Tarhouni, tem estado a propalar que Younis foi morto por uma brigada duvidosa conhecida como Obaida ibn Jarrah (um dos companheiros do Profeta Maomé). Mas a dita brigada agora parece ter-se dissolvido no ar.

Cale a boca ou corto-lhe a cabeça

Não por acaso, todos os principais comandantes rebeldes são LIFG, desde Belhaj em Tripoli a um Ismael as-Salabi em Bengazi e um Abdelhakim al-Assadi em Derna, para não mencionar um activo chave, Ali Salabi, que tem assento no núcleo do CNT. Foi Salabi que negociou com Saif al-Islam Gaddafi o "fim" da jihad do LIFG, assegurando então o brilhante futuro destes renascidos "combatentes da liberdade".

Não é preciso uma bola de cristal para descrever as consequências de o LIFG/AQIM – tendo conquistado poder militar e estando entre os "vencedores" da guerra – não estar nem remotamente interessado em abrir mão do controle só para agradar os caprichos da NATO.

Enquanto isso, em meio ao caos da guerra, não está claro se Gaddafi está a planear emboscar a brigada de Tripoli na guerra urbana; ou forçar o grosso das milícias rebeldes a entrar nas enormes áreas tribais dos Warfallah.

A esposa de Gaddafi pertence aos Warfallah, a maior tribo da Líbia, com mais de 1 milhão de pessoas e 54 sub-tribos. O que se diz à boca pequena em Bruxelas é que a NATO espera que Gaddafi combata durante meses, se não anos. Daí o prémio estilo Texas-George W. Bush pela sua cabeça e o desesperado retorno ao plano A da NATO, o qual sempre foi de pô-lo para fora.

A Líbia pode agora estar a enfrentar o espectro de uma guerrilha Hidra de duas cabeças; forças de Gaddafi contra um fraco governo central do CNT e botas da NATO sobre o terreno – e a nebulosa LIFG/AQIM numa jihad contra a NATO (se forem marginalizados do poder).

Gaddafi pode ser uma relíquia ditatorial do passado, mas não se monopoliza poder durante quatro décadas por nada e sem os seus serviços de inteligência aprenderem uma ou duas coisas.

Desde o princípio, Gaddafi disse que isto era uma operação apoiada pelo estrangeiro e al-Qaeda. Ele estava certo (embora se tenha esquecido de dizer que isto era acima de tudo uma guerra do neo-napoleonico presidente francês Nicolas Sarkozy, mas isso é outra história).

Ele também disse que isto era um prelúdio para uma ocupação estrangeira cujo objectivo era privatizar e apossar-se dos recursos naturais da Líbia. Ele pode – mais uma vez – estar certo.

Os "peritos" de Singapura que louvaram a decisão do regime Gaddafi de libertar os jihadis do LIFG qualificaram-na como "uma estratégia necessária para minimizar a ameaça colocada à Líbia".

Agora, o LIFG/AQIM está finalmente pronto para exercer suas opções como uma "força política indígena".

Dez anos após o 11/Set, é difícil não imaginar uma certa caveira decomposta no fundo do Mar Arábico a rir descaradamente do reino que vem aí.

[1] Clique aqui: http://www.pvtr.org/pdf/Report/RSIS_Libya.pdf

[*] Autor de 21 O Século Da Ásia (Nimble Books, 2009), Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War (Nimble Books, 2007) e Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge . Seu último livro é Obama does Globalistan (Nimble Books, 2009). Email: pepeasia@yahoo.com . Para acompanhar o seu artigos sobre a Grande Revolta Árabe, clique aqui .

O original encontra-se em http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MH30Ak01.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

LÍBIA - Para missionários, a situação é insustentável.

Muitos cidadãos líbios e as inúmeras comunidades de migrantes que vivem os últimos focos de guerrilha urbana pró e antirregime estão em situação de perigo.

A reportagem é de Michelangelo Nasca, publicada no sítio Vatican Insider, 27-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Embora tenham cessado os confrontos armados e os violentos bombardeios – informa aos microfones da Misna o padre Allan Arcebuche, missionário filipino e responsáveis de projetos da Cáritas em Tripoli – "reina um clima de tensão e de psicose, enquanto aumentam, para os habitantes, as dificuldades para encontrar os gêneros de primeira necessidade".

O grande número de feridos, especialmente de crianças, torna difícil o trabalho nos hospitais. O conselho nacional de transição dos insurgentes controla todos os cantos da capital líbia, em busca dos atiradores de elite que se mantiveram fiéis a Kadafi. "A partir das informações que pudemos coletar em fontes médicas – diz o padre Allan Arcebuche –, as violências provocaram pelo menos 500 vítimas e 2.000 feridos, tanto da parte dos insurgentes, quanto dos fiéis ao coronel Muammar Kadafi".

Trípoli, nestas horas, está desprovida de qualquer controle e segurança urbana. Atos de vandalismo, furtos e saques perpetrados contra a população estão se tornando cada vez mais frequentes e difíceis de gerir. A Igreja e o Convento de São Francisco, no distrito de Bahar, também foram saqueados na segunda-feira passada por homens armados que entraram nos locais às 4h da manhã. "Eles disseram que queriam subir no telhado para verificar se atiradores haviam se posicionado ali – diz o padre Arcebuche melancolicamente –, mas depois roubaram alguns objetos e destruíram imagens sacras na Igreja".

Para a 400 mil trabalhadores estrangeiros que trabalham na Líbia e as suas famílias, conclui o missionário filipino, "existe o perigo dos combates, a impossibilidade de trabalhar, a falta de alimentos, de gasolina, os boatos sobre o suposto envenenamento da água potável em Trípoli. Precisamos de ajuda!".

Fonte: IHU

sábado, 27 de agosto de 2011

LÍBIA - "Imperialismo Humanitário" vai terminar em pilhagem.


Pepe Escobar: Imperialismo ‘humanitário’ vai terminar em pilhagem


A tarefa-carga do homem branco [1] não prevê perguntar aos africanos o que pensam do massacre ocidental/monárquico em curso contra os árabes nas praias do norte do continente. Mas alguns, pelo menos, decidiram pôr fim à enrolação.

Por Pepe Escobar, no Asia Times Online

Mais de 200 líderes e intelectuais africanos distribuíram carta aberta em Johannesburg, África do Sul, chamando a atenção para o "uso distorcido do Conselho de Segurança da ONU para a prática da diplomacia militarizada, com o objetivo de derrubar o governo na Líbia" e para "marginalizar a União Africana".

Quanto aos 'vencedores' ocidentais na Líbia, já nem tentam disfarçar. Richard Haass, presidente daquele almanaque de Gotha do establishment dos EUA que é o Conselho de Relações Exteriores, assina coluna no Financial Times na qual diz claramente que "a intervenção humanitária introduzida para salvar vidas que se acreditava que estivessem ameaçadas foi, de fato, intervenção política para derrubar o governo".[2]

Quanto à chusma de atores locais – líbios da Cirenaica – Haass já os despachou para a lata do lixo da história: "Os líbios não conseguirão administrar a situação e emergir por conta própria" e, com "dois milhões de barris de petróleo por dia" em jogo, a única solução é uma "força internacional". Tradução: exército de ocupação – como no Afeganistão e no Iraque. Bem-vindos ao neocolonialismo 2.0.

A hora da vingança

Por tudo isso, o establishment norte-americano já está tão atrevido quanto a direita rica cabeça de noz da variedade Donald "aquela coisa no cocuruto" Trump. Trump disse à Fox News: "Nós somos a Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]. Nós apoiamos a Otan com dinheiro e armas. E ganhamos o quê? Por que não ficaríamos com o petróleo?"

Em termos de Dia da Marmota geopolítico, é de fato o Afeganistão e o Iraque, tudo outra vez – uma orgia de saques, destruição de estátuas, segmentos de reality show televisivo para não deixar ninguém descolar o olho das telinhas, até faixas de uma torcida pró-Otan (mais ou menos como os americanos agradeceriam aos chineses que bombardeassem New York City até reduzi-la a ruínas, para 'libertá-la').

E nem se fala da imbecilidade da grande mídia-empresa. A CNN deslocou Trípoli para o leste – para o Mediterrâneo leste, em algum ponto perto do Líbano. A BBC mostrou uma festa 'rebelde' numa praça Verde em Trípoli localizada na Índia, com bandeiras da Índia. Homenagem e prova da total integração entre a Otan e a mídia do CCG, Conselho de Cooperação do Golfo, também conhecido como Clube Contrarrevolucionário do Golfo – as seis ricas satrapias fundamentalistas da região.

Considerando que o CCG virtualmente ordena à Liga Árabe o que fazer, não surpreende que a Liga já tenha reconhecido o sinistro Conselho Nacional de Transição 'rebelde' como governo legítimo, embora só represente a Cirenaica e apesar de o Grande Kadafi [3] continuar vivo (embora com a cabeça a prêmio: 1,6 milhão de dólares). Digamos que é o troco da Liga Árabe, por Kadafi ter chamado o rei saudita Abdullah de "estúpido", nas preliminares para a guerra do Iraque.

Também é como se a Líbia agora fosse um emirado árabe em construção, sem nada ter a ver com a África. O CCG financiou e armou os 'rebeldes'. A União Africana era quase unanimemente contra a guerra Otan/CCG. Ergo, no que dependa de Otan/CCG, a África que se dane; a única coisa que realmente importa – estrategicamente – é meter uma base militar/naval do Africon/Otan na Líbia.

E lá nos vamos, para outra Zona Verde

Já não é segredo para ninguém que agentes dos serviços secreto britânico, francês, da CIA, do Qatar e mercenários de todos os tipos choveram (de paraquedas) sobre território líbio como força de invasão, há meses, planejando e treinando 'rebeldes' e em estreita coordenação com a Otan, essa entidade prodígio da filantropia universal.

Nunca se tratou de mandado da ONU, mas... quem liga?! Otan/CCG pagam as contas, a Otan cuida do bombardeio e Otan/CCG "estabilizarão" a confusão toda, como se lê em plano de 70 páginas vazado pelo Times de Londres e de Rupert Murdoch. [4]

Só tolos acreditarão na notícia-boato previsível de que o plano teria sido elaborado pelo Conselho Nacional de Transição com "ajuda ocidental". A Otan não se atreverá – não, pelo menos, no começo – a pôr os pés em terra; daí a proposta de "uma força-tarefa de 10.000-15.000 soldados em Trípoli", a ser fornecida pelos Emirados Árabes Unidos, que, mais dia menos dia, lá estará. A pergunta mais eletrizante é: na folha de pagamento dos Emirados Árabes Unidos haverá mercenários estrangeiros (jordanianos, sul-africanos, colombianos) treinados pela Blackwater, ou mercenários tribais?

E – adivinhem o quê! – uma Zona Verde remix, como no Iraque, próxima da praça Verde. São notícias quase tão deliciosas quanto o embaixador do Conselho Nacional de Transição nos Emirados Árabes Unidos, Aref Ali Nayed, a desmentir compungido o plano vazado, no mesmo momento em que Bengazi confirmava a coisa toda.

Todos já sabem também que a rentável reconstrução de tudo que a Otan destruiu beneficiará – e quem poderia ser?! – os 'vencedores': os países da Otan/CCG.[5] O líder do Conselho Nacional de Transição Mustafa Abdel Jail já confirmou, em Bengazi.

Devem-se esperar ruidosas comemorações locais – e globais –, no que tenha a ver com pôr a mão no butim. Sem considerar a riqueza (ainda inexplorada) em gás e petróleo, a Líbia tem mais de 150 bilhões de dólares em bancos estrangeiros. E o Banco Central da Líbia – agora em vias de ser privatizado – guarda nada menos que 143,8 toneladas de ouro. Há também por lá água doce suficiente para um milênio, que Kadafi começava a tornar acessível via o espetacular multibilionário Projeto "Grande Rio Feito pelo Homem" [orig. Great Man-Made River (GMR) project].

Aí está também mais uma sólida resposta à pergunta sobre por que a França decidiu, tão freneticamente, derrubar Kadafi: as maiores empresas mundiais de exploração de água são francesas; e a possibilidade de privatizar suprimento de água doce a ser comercializado por mil anos deixou os executivos daquelas empresas, digamos... babando.

Por tudo isso, como vasto novo mercado potencialmente muito lucrativo para empresas europeias, e bem ali, na outra margem do Mediterrâneo, a Líbia é artigo de primeira, o que dá novo significado à doutrina do imperialismo humanitário e sua "responsabilidade de proteger" [orig. R2P ("responsibility to protect")], que passa a significar "direito de pilhar" [orig. R2P ("right 2 plunder")] – como escreveu um leitor de Asia Times Online.

O primeiro-ministro italiano Silvio "bunga bunga" Berlusconi foi gentil: encontrou-se em Milão com o primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição, bem à frente da nova bandeira da Líbia (de fato, é a velha bandeira monárquica do rei Idris), posta ao lado das bandeiras da Itália e da União Europeia.

E dizer que há apenas um ano, Silvio B. oferecia fantástica festa ao seu camaradinha cujas mãos adorava beijar –, precisamente nosso Grande K. –, com desfile de 30 beduínos montando cavalos puros-sangues importados.

Em 2008, Silvio B. e o Grande Kadafi assinaram tratado para enterrar a infeliz era colonial (1911-1942), pelo qual a Itália gastaria US$ 5 bilhões ao longo de 25 anos em investimento na infraestrutura da Líbia – estradas e ferrovias; graças a esse tratado, 180 empresas italianas conseguiram contratos fabulosos na Líbia, e a Itália passou a ser principal parceira comercial da Líbia.

Por isso, o líder do Conselho Nacional de Transição Mustafa Abdel Jalil estava obrigado a confirmar para Berlusconi que a nova Líbia manterá "relações especiais" com todos os "vencedores" da guerra de Otan/CCG contra a Líbia; e destacou a Itália.

Semana que vem, será a vez do xeque Abdullah bin Zayed, ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, que visitará Bengazi para passar a mão em fatia bem gorda do bolo da reconstrução. Depois do estouro da bolha imobiliária, os Emirados Árabes Unidos pululam de empresários prontos a saltar sobre qualquer oportunidade.

E quanto ao mapa do caminho

Mas e se o Grande Kadafi tiver carregado seu ouro? O ex-presidente do Banco Central da Líbia garante que, em Trípoli, estão fisicamente guardadas reservas equivalentes a nada menos que US$ 10 bilhões em ouro.

Assim, enquanto os britânicos do serviço secreto metidos em trajes civis árabes e brandindo Kalashnikovs idênticas às dos 'rebeldes' procuram Kadafi "vivo ou morto", ao estilo texano de George W Bush, o Grande Kadafi pode bem estar comprando aliados tribais e pagando, literalmente, em ouro. Para não dizer que já conta com o apoio da tribo Kadafi (habilíssimos caçadores noturnos), da tribo al-Magarha (atiradores de primeiríssima) e de quase toda a tribo da esposa de Kadafi, os Warfallah (a maior do país, com mais de 2 milhões de pessoas).

Dado que o Conselho Nacional de Transição anda dizendo por todos os cantos que a Líbia pós-Kadafi será pluralista e multicultural, já se veem sinais claros de que já começaram a construir mais uma Areia Movediça City.

Os árabes do norte absolutamente desprezam os berberes do sul – e vice-versa. A gente da Tripolitania absolutamente despreza os salafitas da Cyrenaica – e vice-versa.

Com tanta coisa em jogo, é fácil visualizar um mapa do caminho que será, com pequenas variações, o seguinte:

– Um governo do Conselho Nacional de Transição muito fraco, governo-fantoche; as tropas da doutrina do neoliberalismo de desastre distanciar-se-ão cada vez mais dos líbios habituados a 40 anos de ensino gratuito, atendimento gratuito à saúde e moradia gratuita; logo se organizará movimento de guerrilha contra a ocupação estrangeira; salafitas-jihadistas de outras latitudes árabes acorreram para a Líbia; cidades do deserto facilmente se tornarão bases de grupos guerrilheiros; os oleodutos do sudeste do país serão atacados; será réplica de Bagdá, de 2004 a 2007; haverá uma 'avançada' [surge] em cenário de guerra civil/tribal sem fim; e lá estará o Afeganistão 2.0, como frente-gêmea guerrilheira – o grupo de Kadafi contra os 'rebeldes'/Otan, e os salafitas contra a Otan, porque o ocidente nunca admitirá que a Líbia converta-se em estado islâmico.

Kadafi, hoje, aposta que os espiões e mercenários de Otan/CCG converterão a Líbia em novo Iraque/Afeganistão. (É bem possível, aliás, que a Otan adore a ideia.) Com isso, forçarão Kadafi a entrincheirar-se mais fundo no norte da África. Voltarão as mesmas velhas táticas imperiais de dividir-para-reinar, enquanto as empresas ocidentais exercerão seus direitos de saquear.

Simultaneamente darão nova vida, numa espécie de trama secundária, à "guerra ao terror", enquanto a recessão devora o que resta das respectivas economias nacionais. Mas o complexo industrial-militar e empresários do ramo de armas/segurança continuarão felizes da vida. Iraque/Afeganistão, tudo outra vez? Vamos ver quem pode mais.

Notas:

[1] White man's burden é poema de Rudyard Kipling, de 1899, um apelo para que os EUA assumam a tarefa de promover o desenvolvimento das Filipinas que acabavam de ser derrotadas na Guerra hispano-americana; é considerado o 'hino' do imperialismo britânico (pode ser lido em http://public.wsu.edu/~wldciv/world_civ_reader/world_civ_reader_2/kipling.html) [NTs].

[2] 22/8/2011, Financial Times em http://www.ft.com/intl/cms/s/0/559804f8-cc7f-11e0-b923-00144feabdc0.html#axzz1W95meZMg

[3] http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/08/o-grande-gaddafi-1.html

[4] Há matéria detalhada sobre o plano em http://www.theaustralian.com.au/news/world/iraq-haunts-plans-for-post-gaddafi-libya/story-e6frg6so-1226111211251

[5] Ver "Capitalismo de desastre: abutres sobre a Líbia", http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/08/pepe-escobar-capitalismo-de-desastre.html).

Reproduzido a partir do Vi O Mundo

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

MILITARES ESTRANGEIROS NA LÍBIA.

Desde o início da guerra de ocupação da Líbia por potências imperialistas ficou claro que sem o apoio da Otan e de militares estrangeiros os rebeldes não passavam de pequenos grupos de criminosos tentando dividir o país. Recebendo financiamento e armas dos governos dos EUA, França e Inglaterra, os rebeldes receberam também um grande número de mercenários estrangeiros, na maioria levas de desempregados de países africanos.

Para permitir a sobrevivência dos rebeldes, a Otan passou a bombardear indiscriminadamente as maiores cidades da Líbia, assassinando friamente milhares de civis indefesos, destruindo a infraestrutura do país. Nem mesmo hospitais e escolas foram preservadas dos bombardeios diários da Otan em sua sanguinária guerra para roubar petróleo.

Provando mais uma vez que os rebeldes não passam de mercenários de países poderosos, a mídia ocidental divulgou a conquista de Trípoli. Entretanto, governantes de diversos países estão pedindo publicamente ao líder Muamar Kadafi que cesse os combates. Ora, se existe superioridade militar dos rebeldes e se a capital foi conquistada, por que estes governantes tem que se humilhar pedindo que a população não resista aos rebeldes?
Nesta mesma linha, para chegar a Sirte – terra natal de Kadafi – os rebeldes pediram apoio a tropas estrangeiras, assassinos profissionais britânicos e franceses das chamadas “forças especiais” se preparam para lutar em Sirte, segundo o jornal Guardian. Isto configura invasão estrangeira. É a prova definitiva de que as potências estrangeiras estão diretamente ligadas ao conflito na Líbia, e que, diante da incapacidade das forças rebeldes em dominar o território, recorrem a mercenários estrangeiros europeus.

A participação direta de forças estrangeiras na Líbia não é de hoje, informa o jornal The Guardian: “Os soldados britânicos e franceses tomaram um papel de liderança não só na orientação dos bombardeiros para abrir caminho para os combatentes da oposição, mas também no planejamento da ofensiva que finalmente quebrou o cerco de seis meses na cidade de Misrata.” A confissão foi feita por Mohammed Subka, um especialista em comunicações da brigada Watum Al.

Na tarde de quinta-feira, Subka e sua unidade esperaram na linha de frente dos rebeldes, conhecido como Quilômetro Seis, a bordo de uma coluna demercenários em picapes preto montado com metralhadoras pesadas, e alguns tanques recentemente capturado. "Estamos com a equipe de Inglaterra", disse ele ao Guardian. "Eles nos avisam e comandam."

Quilometro Seis está no deserto, onde existe apenas uma mesquita cor de areiae uma lanchonete que atende em um cruzamento de tráfego. Sirte, cidade da tribo de Kadafi, está a 80 milhas de distância.

O avanço sobre a cidade não poderia começar até que as unidades recebessem ordens dos britânicos e franceses. Subka disse, após abrir o seu laptop fornecido pela Otan que as posições de artilharia que ameaçavam a rota estavam sendo monitoradas por satélites espiões da Inglaterra e França. "Não se preocupe com essas unidades - são preocupação da Otan", disse ele. Em outras palavras, a Otan estava encarregada de bombardeá-las para facilitar o deslocamento dos rebeldes.

O canal de televisão al-Orouba informou que a cidade de Sirte sendo bombardeada por aviões da Otan, mas a mídia ocidental não publicou uma palavra ou linha sobre novos massacres de milhares de civis indefesos.

Militares nas linhas de defesa confirmaram ao Guardian que diversas tropas estrangeiras - da Inglaterra, França, Catar e outros países da Europa Oriental – desembarcaram em Misrata por várias semanas,em uma base militar instalada na entrada da cidade.

Os rebeldes reclamavam que não havia contato com as aeronaves da Otan, que bombardeavam inclusive grupos de rebeldes. O problema foi solucionado com a presença de Subka, um agente da CIA infiltrado no aeroporto de Trípoli, onde trabalhou como atendente de aeronaves meses antes do início dos ataques, demonstrando que havia um planejamento estratégico de alguns anos para a guerra atual.

Segundo Subka, a equipe da Otan também ajudou a planejar a fuga dos rebeldes, duas semanas atrás, quando militares fiéis a Kadafi recuperaram o controle da cidade de Tawarga.

Comandantes rebeldes preferem evitar um ataque terrestre a Sirte, esperando persuadir os apoiadores de Kadafi a depor as armas sem lutar. Mas a Otan deflagrou uma série a Sirte usando mísseis Scud.

Carniceiros britânicos da SAS

Atualmente são estimados em 200 o número de os soldados das forças especiais britânicas SAS atuando na Líbia, mas o tamanho do contingente será ampliado nos próximos dias devido a resistência em Trípoli e ao apoio que Kadafi está recebendo de diversas tribos do deserto.