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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

MASSACRE DOS PALESTINOS - Artistas rejeitam Israel na Bienal.

Artistas rejeitam Israel na Bienal

Por Altamiro Borges

Um manifesto assinado por 55 artistas foi divulgado nesta quinta-feira (28) exigindo que a fundação responsável pela 31ª Bienal de São Paulo recuse o apoio e devolva o dinheiro doado pelo governo de Israel ao evento. “Enquanto o povo de Gaza retorna aos escombros de suas casas destruídas pelo Exército israelense, nós achamos inaceitável receber o apoio de Israel... Ao aceitar esse financiamento nosso trabalho artístico mostrado na exposição está sendo usado para limpar as continuadas agressões conduzidas por Israel e suas violações da lei internacional e de direitos humanos. Recusamos a tentativa de Israel de normalizar sua presença no contexto deste importante evento cultural”, afirma o texto.

O documento foi assinado por 55 dos 86 artistas participantes da mostra, entre eles israelenses, palestinos e libaneses. Entre os signatários estão artistas influentes, como o libanês Walid Raad, que liderou boicote à filial do museu Guggenheim em Abu Dhabi, e a israelense Yael Bartana, que já foi à Bienal de Veneza. Um dos curadores da mostra, Charles Esche, até manifestou apoio à reivindicação. “Em princípio, nós apoiamos os artistas", afirmou. Já o presidente da Fundação Bienal, Luis Terepins, garantiu à Folha que “não existe a possibilidade de devolver o dinheiro – cerca de R$ 90 mil de um orçamento total de R$ 24 milhões – a Israel. ‘Nós somos uma instituição plural, não tomamos partido’, diz Terepins”.

O cônsul de Israel em São Paulo, Yoel Barnea, também foi procurado pelo jornal e disse que estava ciente do manifesto. “A arte é uma linguagem que aproxima os povos. Mas a atitude destes artistas não é construtiva para a paz no Oriente Médio”, afirmou. No maior cinismo, ele também alegou que “se os artistas têm críticas ao Estado de Israel, nós também temos críticas às ações terroristas dos palestinos”. A Folha, porém, não ouviu os representantes da comunidade árabe no Brasil e nem as centenas de entidades da sociedade civil que denunciam o genocídio em Gaza. A 31ª Bienal de São Paulo começa nesta semana e ainda não se sabe se vários artistas boicotarão o evento bancado pelos terroristas de Israel.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

MASSACRE DOS PALESTINOS - O gueto de Gaza.


A imprensa ocidental e o gueto de Gaza

Por Mauro Santayana, na Rede Brasil Atual:

Nas últimas semanas tem chamado a atenção, mais uma vez, a diferença de tratamento entre dois temas e dois países: a Rússia, no âmbito da crise ucraniana, e ­Israel, no contexto de seu confronto com o Hamas e a destruição física e humana da Faixa de Gaza. Moscou – cujo governo pode ter, naturalmente, seus defeitos – tem sido acusada de agir como potência agressora no país vizinho, quando, na verdade, está defendendo o último espaço teoricamente neutro que lhe restou após a queda do muro de Berlim. Quando do fim da União Soviética, e do próprio desarme nuclear da Ucrânia, os Estados Unidos comprometeram-se a não atrair os países do antigo Pacto de Varsóvia para a órbita da Otan, e, assim, não cercar, com tropas hostis, o território russo.
De lá para cá, em menos de 20 anos, várias nações, entre elas a República Tcheca, a Hungria e a Polônia, abdicaram de qualquer neutralidade e se agregaram à aliança ocidental, envolvendo a Rússia com um anel de aço. Nele, não existem apenas soldados inimigos, mas também podem ser colocados mísseis com capacidade de atingir as principais cidades do país em poucos minutos, e em menos da metade do tempo do que levariam suas armas nucleares para chegar ao território dos Estados Unidos.

Quando da “independência” da Ucrânia, em 1989, ficaram dentro de seu território milhões de russos étnicos que haviam compartilhado durante anos, com os ucranianos, a cidadania soviética. Esses cidadãos não aceitam se aliar ao “ocidente” para combater sua própria gente, sua própria história, sua própria cultura, que estão também nos territórios russos que existem do outro lado da fronteira.

Antes da queda do governo que estava no poder até fevereiro, os russos subsidiavam o gás vendido à Ucrânia, e procuravam estabelecer com ela maiores laços econômicos, para que o país não caísse totalmente sob a influência dos Estados Unidos e da União Europeia. Manobras ocidentais romperam o precário equilíbrio existente dentro da sociedade ucraniana, levaram à queda de Yanukovich e à ascensão, pela primeira vez depois da Segunda Guerra Mundial, de membros de partidos neonazistas a um governo de um país europeu. A isso, se seguiu a ocupação, por Putin, da mais russa das regiões ucranianas, a Crimeia. Por mais que a imprensa dos Estados Unidos diga o contrário, no mundo real nem o governo ucraniano nem o atual governo israelense podem ser “vitimizados”.
Ponto de virada

O magnata Petro Poroshenko chegou ao poder no rescaldo da derrubada de um governo eleito, sob um pretexto que até hoje é colocado em dúvida: a morte de civis na etapa final das manifestações da Praça­ Maidan, por policiais ligados ao regime anterior, quando, na verdade, há fortes indícios de que os tiros foram disparados por franco-atiradores neonazistas, interessados em criar um fato que servisse de “ponto de virada” na situação ucraniana.

No caso da derrubada, não do governo Yanukovich, mas do avião malaio que caiu no leste da Ucrânia, é preciso perguntar: a quem interessava o crime?

Com vários aviões de guerra abatidos nas últimas semanas, e impossibilitado de retomar, pelas armas, grandes cidades como Donetsk e Karkhov, o governo ucraniano encontra na queda de um avião civil, com grande número de passageiros ocidentais a bordo, um excelente “ponto de virada” para tentar impedir que os independentistas de etnia russa continuassem a derrubar suas aeronaves, e colocar Putin contra a parede, obrigando-o, por sua vez, a pressioná-los.

Afinal, o presidente russo acabara de marcar importantes pontos em seu jogo de xadrez contra os Estados Unidos, retornando de vitoriosa viagem à América Latina, na qual participara da criação do Banco e do Fundo de Reservas do Brics, e mostrara que tem suficiente jogo de cintura para se furtar às tentativas “ocidentais” de isolá-lo internacionalmente.

E o que teria ocorrido, caso – como disseram fontes russas – tivesse sido atingido o avião de Vladimir Putin, que cruzou a mesma rota do voo da Malaysia Airlines? Os ucranianos não teriam da mesma forma – com a ajuda da imprensa “ocidental” e como fizeram com o avião malaio – acusado os rebeldes de ter derrubado o avião presidencial russo, por engano? Em todo caso, os últimos interessados e os que tinham mais a perder com a explosão do avião da Malaysia Airlines teriam sido exatamente os russos e os rebeldes ucranianos.

Enquanto a imprensa ocidental acusa os rebeldes e, eventualmente, o próprio Kremlin,­ de ter derrubado o avião de passageiros, Obama afirma que Israel – que acusa sem confirmação o Hamas de sequestro e assassinato de três adolescentes – “está apenas se defendendo”, na Faixa de Gaza, e é acompanhado, nisso, pelos mesmos “analistas” e editorialistas que atacam o comportamento da Rússia na Ucrânia.
Ódio, alma do negócio

Há pouca diferença dessas campanhas com outras, como a que afirmou, durante anos, sem nenhuma prova, que havia armas de destruição no Iraque. A imprensa nazista passou anos recorrendo ao mesmo tipo de gente, de “analistas” raciais a “entendidos” em geopolítica, para explicar e contextualizar os perigos do judaísmo para o mundo, e a sua vinculação com os bolcheviques comunistas.

Quando a Alemanha de Hitler dominava a Europa, os nazistas costumavam matar dez reféns para cada soldado alemão que sofria um atentado. Na ofensiva de Tel-Aviv em Gaza, a mídia “ocidental” parece achar normal que a proporção de civis mortos e feridos, seja de mais de 20 palestinos para cada israelense atingido em combate ou pelos foguetes artesanais do Hamas, e que boa parte do território – com mais de 4 mil habitantes por quilômetro quadrado – já tenha sido destruída, deixando mais de 100 mil desabrigados.

Ao bombardear mulheres e velhos, meninos e meninas, apartamentos e ruas de Gaza, Israel está implantando, regando e alimentando, com ossos e sangue – como faziam os nazistas com suas experiências com repolhos no campo de extermínio de Maidanek – um ódio profundo e incomensurável em nova geração de palestinos, da mesma forma que, ao destruir o Iraque, os Estados Unidos abriram caminho para Bagdá e Mossul para os terroristas da Al Qaeda.

Quando se tornar impossível a sobrevivência e a permanência, dentro das estreitas fronteiras de sua gaiola de escombros, cercada por muros e arame farpado, dos quase 2 milhões de palestinos que vivem em Gaza, será que os israelenses se inspirarão em seus algozes de um outro gueto, o de Varsóvia? Lá, judeus de toda a Europa foram amontoados, sem água, luz, comida ou aquecimento, durante meses a fio, para morrer de tifo e outras doenças contagiosas. Finalmente, foram levados para campos – como Israel pode fazer com os palestinos – se quiser, teoricamente, assisti-los “humanitariamente”.

A outra opção é entrar – como fizeram os SS do Brigadeführer Jürgen Stroop há exatamente 71 anos – com tanques e lança-chamas no meio das ruínas, e caçar, um por um, os sobreviventes, até o último homem, mulher ou criança, como se fossem ratos.
As ações do governo israelense são muito contestadas por parte da oposição israelense e também por integrantes da comunidade judaica espalhados pelo mundo. Mas a julgar pelo noticiário da imprensa “ocidental”, essas vozes dissonantes tampouco existem.

sábado, 16 de agosto de 2014

MASSACRE DOS PALESTINOS - "A conta em sangue de Gaza jamais será resgatada.


Santayana: A conta em sangue de Gaza jamais será resgatada


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por Mauro Santayana, em seu blog
(Hoje em Dia) – Confrontado com a tragédia humanitária em Gaza, o Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou que o conflito entre Israel e o Hamas precisa ter fim, e que a ONU está disposta, “pela última vez”, a ajudar na reconstrução da área.
Na região, as coisas funcionam assim: Israel destrói o que quer, quando quer, e depois o mundo paga a conta, até o próximo ciclo de destruição – reconstrução – destruição.
A conta em sangue de Gaza, que chegava, anteontem, a mais de 1.900 palestinos mortos, sendo 1.380 não combatentes, entre eles 423 crianças, e a milhares de feridos, é incalculavelmente cara, e, como outros massacres históricos contra a população civil, jamais poderá ser resgatada.
Além do preço em vidas, dor, assistência médica de emergência, cuidados com pessoas que ficarão paraplégicas, tetraplégicas, e que precisarão de atenção pelo resto de suas vidas, há, ainda, o custo da reconstrução física do que está sendo arrasado pelas armas e bombas israelenses.
Há uma semana, a ONU calculava que cerca de 12.000 casas e apartamentos já tinham sido destruídos, com um prejuízo de 4.5 bilhões de dólares, mas avaliações palestinas, que incluem estradas, escolas, hospitais e outras instalações, chegam a 6 bilhões de dólares.
Segundo Mahir Al-Tabaa, Presidente da Câmara Comercial e Industrial de Gaza, 350 indústrias teriam sido bombardeadas, incluindo 50 fábricas essenciais para a sobrevivência da população.
Israel recebe todos os anos, bilhões de dólares em ajuda norte-americana. Se fossem condenados a devolver à Organização das Nações Unidas – e o Brasil, como país membro, e contribuinte, poderia trabalhar nesse sentido – o dinheiro que a ONU irá gastar para reerguer o que destruíram, talvez, embora seja improvável, os dirigentes israelenses viessem a pensar duas vezes antes realizar novos ataques.
Mesmo contando com o apoio dos EUA, Israel sentiria, digamos, ao menos, no bolso, a dimensão da destruição que está promovendo em Gaza.
E caso se recusasse a devolver esses recursos – como têm feito, desrespeitando, historicamente, as resoluções da ONU, organização que possibilitou-lhe a existência – a conta poderia ser apresentada aos EUA, que está armando Tel Aviv permanentemente, mesmo depois de iniciado o conflito.
Caso isso ainda não fosse possível, poderiam ser adotadas sanções e retaliações comerciais. Em último caso, o Israel seria, ao menos, moralmente, mais uma vez, condenado, por seus atos, pela maioria da humanidade.
Enquanto nos indagamos quem pagará a conta de Gaza, o que muitos palestinos se perguntam, nas tréguas intermitentes, seguidas da retomada da violência – e depois de três agressões sionistas nos últimos seis anos – não é se poderão reconstruir suas casas, mas se seus filhos conseguirão, agora ou nos próximos anos, sobreviver à próxima bomba, ou a uma nova invasão israelense.
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MASSACRE DOS PALESTINOS - Política interna israelense acentua disputas sobre agressões.

Política interna de Israel acentua disputas sobre agressão a Gaza



As variações em cenários políticos domésticos – ou o congelamento de movimentos oposicionistas – são vastamente analisadas em contexto de guerras ou ofensivas militares. Alguma esquizofrenia é frequentemente notada no esforço de “unidade nacional” diante do “esforço de guerra”, que envolve a mídia de forma tão eficiente na reprodução do discurso oficial sobre a ofensiva. É mais uma vez o caso em Israel.

Por Moara Crivelente*, para o Vermelho


Em 2013, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu forjou sua coalizão de governo com aliados e opositores com dificuldades, já sabia dos desafios, mas contava com uma posição absoluta: qualquer agressão contra os palestinos teria apoio suficiente. O que ele talvez não esperava era a disputa em torno da intensidade e da duração das ofensivas.
 
  Foto: Maan

Enquanto ensaia um encerramento triunfante que será provavelmente mais difícil de encenar do que a tal “unidade nacional”, Netanyahu teve de negociar às escondidas a extensão de cinco dias na pausa dos bombardeios repetidos há cinco semanas contra a Faixa de Gaza, tomando dos palestinos cerca de duas mil vidas– entre 70% e 80% de civis, inclusive mais de 400 crianças – e devastando novamente o território sitiado. Ele também já demonstrou o óbvio: não vai cooperar com a missão de investigação da ONU a ser liderada pelo canadense William Schabas, nomeado no início da semana e já encurralado pela mídia israelense.

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Ministros da coalizão de governo reclamam mais uma vez o assombroso: ignorar o Hamas, partido à frente do governo em Gaza taxado de “organização terrorista”, ou melhor, “eliminá-lo”, e não negociar a extensão do cessar-fogo. A contrariedade aconteceu, porém, com mais cinco dias de “trégua”, conforme foi anunciado pelos mediadores egípcios nesta quinta-feira (14), aparentemente sem o conhecimento do resto das autoridades israelenses.

Netanyahu não deliberou com o seu privilegiado gabinete de “Segurança” sobre o acordo e, ao contrário do que prometera, não deixará Gaza desmilitarizada nem terá “eliminado” o Hamas. Sua decisão foi tomada, mas provavelmente acanhada porque não entregou aos aliados e rivais mais agressivos que compõem sua instável coalizão o que prometeu como objetivo de mais um massacre dos palestinos, inaugurado oficialmente sob o nome de “operação Margem Protetora” em 8 de julho, primeiro com bombardeios aéreos.

O primeiro cessar-fogo de três dias, que entrou em vigor em 5 de agosto, já era apresentado pelas autoridades israelenses enquanto “vitória” sobre os palestinos: foi ordenada a retirada dos tanques, milhares de soldados e da artilharia pesada que estiveram devastando Gaza e matando ainda mais civis desde 17 julho, quando invadiram a região sitiada por terra. O governo anunciava que seu “objetivo primordial”, apresentado declaratoriamente como a destruição dos túneis subterrâneos, estava praticamente completo.

Entretanto, assim que o Hamas recusou a rendição e reafirmou o direito dos palestinos de resistir à ocupação, ao cerco completo imposto há quase oito anos e ao massacre repetido frequentemente por Israel, as bombas voltaram a ser despejadas sobre Gaza pela via aérea, a marítima e também a terrestre, através das dezenas de tanques que foram deixados na fronteira.

"Eliminar o Hamas"

Para o chanceler Avigdor Lieberman, um dos maiores rivais de Netanyahu e que anunciou recentemente a retirada do seu partido (Yisrael Beiteinu, “Israel é Nosso Lar”) da coligação com o do premiê, Likud (União, ou Consolidação), o final desejável da operação “Margem Protetora”, como ficou conhecida em inglês (em hebraico, o título é “Penhasco Poderoso”), seria a eliminação do Hamas e a entrega de Gaza, desmilitarizada, à gestão da ONU.

Isso levou a uma das primeiras grandes derrotas políticas de Netanyahu, cujo partido perdeu a maioria no Parlamento e ficou empatado com o partido Yesh Atid (“Há um Futuro”), do ministro das Finanças Yair Lapid, igualmente protetor da colonização na Palestina. Em acordo com a agenda do partido Habayit Hayehudi (Lar Judeu), Lapid garantiu, nesta semana, mais 20 milhões de shekels (R$ 13 milhões) às colônias e R$ 39 milhões aos conselhos religiosos, segundo o jornal israelense Haaretz.

Os membros da coalizão de governo do primeiro-ministro ameaçaram repetidamente este aparato devido a, de um lado, o que consideravam “posições demasiado brandas” com relação à Palestina – é o caso do ministro da Economia Naftali Bennett, extremista representante dos colonos, do Lar Judeu – e, de outro, de “prejudiciais para Israel”, como a extensão da ocupação e a protelação das negociações com a Autoridade Palestina – caso da ministra da Justiça Tzipi Livni, que faz duras críticas ao governo neste sentido, mas integra o aparato colonizador.

Quando Netanyahu e seu ministro da Defesa Moshe Ya’alon anunciaram a ofensiva contra Gaza oficialmente, a única contraposição que se ouvia do seio do governo – e da mídia dominante – era sobre a intensidade dos bombardeios e a sua duração, ou sobre os objetivos finais do novo massacre. Alguns chegaram a expressar o âmago do seu ódio racista contra os palestinos, outros apoiaram a ofensiva com cautela, mas apoiaram.

É aí que está o tal “esforço de guerra” conduzido por uma opinião pública majoritariamente favorável a ela. As críticas são esparsas ou, quando mais veementes, são censuradas ou sofrem represálias, seja nas ruas ou nos meios de comunicação, que funcionam como porta-vozes da propaganda. Foi assim para sustentar a terceira ofensiva contra Gaza em cinco anos – com mais de 3,5 mil mortes no total – e já é assim, há semanas, no rechaço às acusações de crimes de guerra perpetrados pelas forças israelenses, tanto dentro do país quanto nos discursos dos aliados.

Entretanto, nos momentos finais da ofensiva, uma cacofonia é elevada no âmbito interno – com o chacoalhar das alianças políticas domésticas ou das oposições que despertam após o torpor da guerra – e no internacional, com patrocinadores como os Estados Unidos diretamente implicados no massacre dos palestinos. Essa cacofonia, porém, deverá ser avaliada com atenção para que não se repita ainda outra tragédia da história dos palestinos: a impunidade dos ocupantes e opressores.

*Moara Crivelente é cientista política e jornalista, fez parte da redação do Portal Vermelho e integra o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

MASSACRE DOS PALESTINOS - Holandês devolve prêmio.


Holandês devolve prêmio que ganhou de Israel após perder parentes em Gaza


 
Jornal GGN - Em 2011, o advogado holandês Henk Zenoli recebeu um prêmio de Israel por ter salvo um garoto judeu durante a Segunda Guerra Mundial. No mês passado, Zenoli devolveu seu prêmio perder seis parentes em um bombardeio israelense à Faixa de Gaza. 
 
Henk Zenoli recebeu o prêmio com sua mãe, Johana Zanoli-Smit, por ter escondido Elhanan Pinto, com 11 anos, dos nazistas durante a guerra. Sua sobrinha neta, a diplomata holandesa Angelique Eijpe, é casada com o economista palestino Isma’il Ziadah, e, no dia 20 de julho, a casa da mãe de Ziadah foi atingida por um bombardeio, matando ela, três irmãos, uma cunhada e um primo de Ziadah.
 
Ao saber da tragédia, Zanoli devolveu a medalha e o certificado do prêmio Virtuoso entre as Nações ao governo israelense. Em carta ao embaixador de Israel na Holanda, Haim Davon, Zanoli escreveu que "Dado o nosso histórico é particularmente chocante e trágico que, quatro gerações depois, nossa família sofra com o assassinato de nossos parentes em Gaza. Um assassinato conduzido pelo Estado de Israel. Os bisnetos de minha mãe perderam sua avó palestina, três tios, uma tia e um primo pelas mãos do Exército de Israel". 
 
"Para mim, continuar com essa honra concedida pelo Estado de Israel, nessas circunstâncias, seria um insulto à memória da minha corajosa mãe, que arriscou a vida dela e dos filhos contra a opressão e pela preservação da vida humana. É também um insulto à minha família que, quatro gerações depois, perdeu nada menos que seis membros em Gaza pelas mãos do Estado de Israel".
 
Ele disse, ainda, que não ficaria surpresos caso os ataques contra a Faixa de Gaza resultassem em condenações por crimes contra a humanidade. 
 
Com informações do O Estado de S. Paulo

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

MASSACRE DOS PALESTINOS - A história do Hamas.

A história do Hamas e do Islã Político

militantes hamas
Militantes do Hamas (Foto: AP_
Santiago Mayor, Notas | Tradução: Anna Beatriz Anjos

1. Quando surge o Islã político?

Em 1928 é fundada a Irmandade Muçulmana no Egito que, com o passar dos anos, foi se expandindo para vários países do mundo árabe. Esta foi a primeira organização moderna a adotar o Islã como base de seu projeto político.
Apesar de sua criação precoce e desenvolvimento teórico ao longo do século XX, durante décadas foi ignorada pelos governos nacionalistas ou pró-ocidentais que dominavam a região. Por conta das perseguições, seu trabalho foi eminentemente social.
A irrupção massiva e expansão do islamismo se deu, então, a partir de 1979, com a chegada da Revolução Iraniana ao governo do país.

2. Quais são seus fundamentos?

O islã político parte da premissa de que os postulados do Islã são aplicáveis a um programa político e integral para a sociedade. Daí resulta a sharia, ou Direito Islâmico.
É necessário esclarecer que não existe uma única forma de interpretar o Corão (livro sagrado dos muçulmanos) e os preceitos do Islã. Isso se reflete, por sua vez, nas distintas organizações que promovem o islamismo.
A sharia não é a mesma no Sudão (onde se pratica a mutilação genital feminina), na Nigéria (onde é permitido apedrejar até a morte uma mulher adúltera) ou no Irã, onde as mulheres podem dirigir e ir para a universidade.
O cientista político francês François Burgat, especialista em Oriente Médio, toca em um ponto básico, mas que carece de explicação: “São as personalidades islâmicas que fazem o islamismo, e não o contrário”. Além disso, afirma que “segundo a natureza do terreno social que atravessa, das forças políticas que dela se apropriam, e das reações dos governos, a corrente islâmica se expressa com multiplicidade de registros e através de modos muito distintos. Nenhum deles pode ser uma chave de leitura única e atemporal”.
Por isso, é incorreto dizer que o Hamas, na Palestina, é o mesmo que o Boko Haram, na Nigéria, ou então a Irmandade Muçulmana, no Egito.

3. Que setores sociais representa o Islã político?

Com a revolução iraniana de 1979 e o primeiro governo islâmico da história, irrompem na política setores sociais que haviam sido relegados àquele rincão do mundo.
O estudioso francês Gilles Keppel aborda essa questão ao defender que “o movimento islâmico é dúbio. Nele, encontramos a juventude urbana pobre, oriunda da explosão demográfica do terceiro mundo, do êxodo rural massivo e que, pela primeira vez na história, tem acesso à alfabetização.” Keppel explica que também o integram “a burguesia e as classes médias piedosas que foram marginalizadas no momento da descolonização, levada a cabo pelos militares e por dinastias fundadas por meio do poder”.
VEJA TAMBÉM: O que Eric Hobsbawm pensava de Gaza?
Isso quer dizer que o islamismo tem um apoio popular significativo, especialmente em sua versão mais radical, e também nacional. Mas não significa necessariamente que incorpore um projeto político ligado às reivindicações populares progressistas ou de esquerda.

4. Por que o islamismo se dividiu em duas correntes majoritárias?

Toda revolução gera uma reação, e o caso do Irã não foi a exceção. A chegada ao poder do Aiatolá Khomeini em 1979 determinou o auge do Islã político e também a sua radicalização, em contraposição aos esforços reformistas da histórica Irmandade Muçulmana.
É assim que aparecem e ganham força, na década de 1980, grupos armados islâmicos, como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Palestina.
Em resposta, a dinastia da Arábia Saudita emerge como foco de contenção à radicalidade desses novos movimentos. O islamismo conservador passou, assim, a ser financiado por um dos países mais ricos do mundo e seus aliados estratégicos.
Para sufocar a tentativa de estender a revolução iraniana ao resto do Oriente Médio, a Arábia Saudita impulsionou sua própria “cruzada”: a guerra do Afeganistão. Milhares de mujahidines foram enviados como combatentes internacionalistas a deter o avanço do comunismo soviético por meio da dinastia de Riad. Dessa situação nasceu a ligação do saudita Osama Bin Laden ao Taliban, que então governava o Afeganistão.

5. Como e por que surge o Hamas?

Neste contexto convulsionado do Oriente Médio, com o Islã político no auge durante a década de 80, surge o Hamas (“Despertar”, em árabe). Embora suas origens estejam ligadas à Irmandade Muçulmana egípcia, devido ao trabalho social que realizava principalmente na Faixa de Gaza, a nova organização expressou e expressa uma das versões do islamismo radical, como consequência da influência da Revolução Iraniana.
hamas gaza eleitores simpatizantes
Simpatizantes e eleitores do Hamas lotam praça na cidade de Gaza (Foto: AFP/2014)
A primeira Intifada (“levantar a cabeça”), que começou em 1987 e durou até os Acordos de Oslo de 1993, foi o contexto no qual emergiu este novo movimento político-militar. Durante estes anos, as populações palestinas de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental se rebelaram contra a ocupação israelense.

6. O Hamas foi impulsionado por Israel?

Poucas mentiras sobre o conflito palestino-israelense foram tão difundidas e aceitas, inclusive em ambientes ocidentais progressistas.
Como citado anteriormente, o Hamas surgiu de organização do trabalho social realizado nas mesquitas palestinas, muito similar ao promovido pela Irmandade Muçulmana no Egito. Durante décadas, Israel permitiu a proliferação do trabalho religioso islâmico por considerá-lo inofensivo e por representar um freio à posição laica, democrática e de libertação nacional da OLP (Organização para a Libertação da Palestina). Aqui nasce o erro e a distorção histórica.
Foi esta construção subterrânea que permitiu ao Hamas desenvolver uma hegemonia muito forte entre a população (fundamentalmente de Gaza). A Revolução Iraniana e a politização massiva do Islã no Oriente Médio catapultaram o trabalho social ao plano político.

7. Quais as diferenças entre o Hamas e a OLP?

Primeiramente, o Hamas é uma organização cujo objetivo é construir um Estado islâmico na região histórica da Palestina, enquanto a Organização para a Libertação da Palestina é laica, e portanto luta por um Estado palestino democrático e similar ao estilo ocidental.
Outro ponto de divergência na década de 90 foi o reconhecimento do Estado de Israel como tal. Após anos de luta, a OLP optou por negociar, e dessa forma se alcançou os Acordos de Oslo, que deram origem à Autoridade Nacional Palestina (ANP), governo do proto-Estado que nunca se constituiu devido às violações por parte de Israel.
O Hamas, por sua vez, nasceu e postula, em sua carta orgânica, a destruição do Estado de Israel. Por isso, rejeitou, no começo, os Acordos de Oslo e a ANP. Esta postura inicial, entretanto, se converteu com o tempo em posições mais realistas.

8. Qual é a política atual do Hamas?

No início, o Hamas adotou um linha de ação radical, que incluía a realização de atentados suicidas entre 1994 e 2004 (desde então não voltou a realizá-los, embora a propaganda israelense os cite sistematicamente). A radicalização, somada à posição mais diplomática da OLP, permitiu ao grupo crescer e se consolidar como uma alternativa diferente ao povo palestino.
No entanto, sua política tem variado. Em 2001, Ahmed Yassin, dirigente máximo da organização, assassinado em 2004 por Israel, afirmou: “Não lutamos contra povos de outras religiões ou judeus pelo fato de serem judeus. Lutamos contra os que ocuparam nossas terras, tomaram nossas propriedades, transformaram em refugiados nossas famílias e massacraram nossos filhos e mulheres”.
Em 2006, o Hamas concorreu pela primeira vez às eleições legislativas para a ANP. Em um dos pleitos mais democráticos da região, saiu vencedor. Mas Israel e Estados Unidos tentaram dividir e deslegitimar o triunfo do grupo islâmico. Com certo consentimento do Fatah (a organização preponderante a OLP), o governo palestino se fragmentou em dois: Hamas em Gaza e OLP na Cisjordânia.
Esta divisão favoreceu e favorece a política israelense de negar a criação de um Estado palestino autônomo e soberano. Porém, no início deste ano, Hamas e OLP haviam firmado acordo para reunificar o governo palestino mediante uma administração de transição, até que se realizassem novas eleições. A decisão palestina provocou a ira do governo de Israel, que poucos meses depois, principiou a ofensiva que perdura até agora.
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MASSACRE DOS PALESTINOS - Texto de uma judia brasileira.


O corajoso texto de uma judia brasileira sobre Israel e Gaza

israel judeus gaza palestina
Texto publicado em 6 de Agosto. Elena Judensnaider Knijnik, Brasilpost
“Sou judia e Israel não me representa”
Hoje, dia 6 de agosto, um pequeno grupo de judeus foi em frente ao consulado israelense em São Paulo e manifestou seu desgosto com relação às políticas israelenses por meio de cartazes e palavras de ordem.
Àquelas pessoas que pensavam não existirem judeus brasileiros contrários às ações etnocráticas e opressoras perpetradas pelo estado de Israel, este grupo respondeu com firmeza: existimos.
Gritamos em alto e bom som que não aceitamos que Israel promova segregação e massacre em nosso nome – não só o massacre das últimas semanas, cuja comunidade internacional acompanhou com mais atenção, mas o massacre diário sofrido pela sociedade palestina.
Quando o primeiro judeu veio discutir com o grupo (“Vocês não têm vergonha?”), nos lembramos da responsabilidade que temos em lembrar ao mundo de que a vergonha deve vir de quem legitima a opressão. Soubemos que estávamos no caminho certo.
O ato de hoje foi pontual mas, ainda que não represente um grupo grande, homogêneo e consolidado, indica algo muito significativo: vozes de judeus que publicamente criticam Israel.
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Somos judeus que nunca encontraram o espaço ideal para nos manifestar dentro ou fora da comunidade judaica: dentro, mesmo os mais progressistas resistem em admitir a responsabilidade de Israel no massacre em curso; fora, os discursos não raro desembocam em antissemitismo.
Foi necessário que cada um de nós passasse por processos similares de amadurecimento político e pessoal para que nos sentíssemos compelidos a enfrentar os riscos de sermos vistos como “traidores”, “self-hating jews” ou “apoiadores de terroristas” para expressar nossa indignação.

Desconstrução

Faz parte do amadurecimento perceber com mais clareza a influência que fatores como família, escola e amigos tiveram na nossa formação.
Não há como fugir da pressão que os familiares e os pares exercem sobre nós. Qualquer característica considerada um desvio da normatividade esperada – sexualidade, posição política ou até preferência futebolística – é rapidamente hostilizada.
Até aí, nenhuma novidade.
Dentro da comunidade judaica não é diferente. Mesmo as pessoas judias mais distantes dela já se depararam com o esforço das lideranças judaicas em reproduzir o sionismo seja nas escolas, nos movimentos juvenis, nos clubes, nas sinagogas ou em outros ambientes de socialização.
As fotografias de infância de muitos de nós têm no fundo uma bandeira de Israel – às vezes ao lado de uma bandeira brasileira, mas nem sempre. Aprendemos a brincar de soldados de uma forma menos ingênua do que institucionalizada.
Aprendemos que a trágica história de perseguição contada pelos nossos avós não é um relato só do passado mas também um alerta.
Aprendemos nas aulas de história judaica que o nosso povo não tinha para onde ir e, ao encontrar uma terra deserta e desenvolver tecnologia para trabalhá-la, atraiu a inveja dos vizinhos árabes. Aprendemos que o judaísmo – ou seria o sionismo? – é parte integral da nossa identidade.
Aprendemos a ter medo. Aprendemos a nos orgulhar das conquistas israelenses como se fossem nossas.
Aprendemos que o único lugar seguro no mundo para nós, judeus potencialmente alvos de perseguição, é Israel (ainda que lá seja provavelmente um dos lugares mais perigosos para se estar).
Aprendemos que usufruir daquela terra é direito divino nosso. Aprendemos a considerar os palestinos como inferiores, terroristas e, no limite, selvagens.
Pois bem. Chega uma hora em que, sem grande esforço, as coisas deixam de se encaixar tão perfeitamente.
A situação dos refugiados não bate com o mito sionista da “terra sem povo para povo sem terra”. Os documentos israelenses abertos a público na década de 1980 contam uma história diferente.
A concessão de cidadania israelense a quem nunca esteve lá chama atenção se comparada ao status de refugiado de quem sempre esteve.
A população pobre, desamparada e cercada nos territórios palestinos não parece representar um agente ativo tão significativo nessa dita guerra.
As viagens patrocinadas pela comunidade à Israel não mostram o que há do outro lado do muro. O excesso de propaganda sionista (“hasbará”) começa a incomodar.
Aqueles parentes que defendem, na política brasileira, a direita mais caricata também defendem Israel. Pior: os que defendem a esquerda tradicional brasileira também defendem Israel.
Não é fácil desconstruir algo que diz respeito a quem você é, principalmente quando há tanta pressão para que você continue se identificando com uma relação que, por mais afetiva que pareça, é política: a relação dos judeus do mundo com Israel.
Muitos de nós tiveram problemas familiares sérios a partir da menor demonstração de desalinhamento com as verdades professadas.
Amigos de muitos anos se ofenderam e interromperam a amizade. Algumas relações profissionais foram seriamente abaladas.
Sem falar nas ameaças – das mais sutis às mais diretas. As pessoas que, por entenderem o judaísmo como equivalente ao sionismo e este como equivalente ao apoio incondicional às políticas israelenses se sentem pessoalmente atacadas com críticas políticas.
VEJA TAMBÉM: A filósofa judia que se tornou inimiga número 1 de Israel
É preciso ser ao mesmo tempo compreensivo e intolerante com o que elas pensam e ajudar no processo de questionamento por que passam.
É preciso dizer não à opressão.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

MASSACRE DOS PALESTINOS - O silêncio dos bons.

América Latina

Mujica sobre Gaza: "Mais atroz que coisas más é o silêncio dos bons".


O presidente uruguaio, José Mujica, denunciou o saldo catastrófico do conflito no Oriente Médio, especialmente em relação a população infantil da Palestina na Faixa de Gaza, e advogou por uma rápida solução pacífica. Em seu comunicado semanal pela Rádio Uruguai, Mujica afirmou esperar, "com prudência, mas com anseio", uma saída de paz em Gaza.


EFE/El Tiempo
José Mujica afirma que saldo do conflito em Gaza é incomensurável. José Mujica afirma que saldo do conflito em Gaza é incomensurável. 
 
Depois de denunciar que "os extremismos se realimentam com ódio", sustentou que em Gaza já morreram mais de 400 crianças e outros dois mil foram feridos. Não obstante, alertou que o saldo indireto é "impossível medir, é incomensurável".

Mujica acrescentou que, nestes dias – porque o mundo não se cala e as palavras, ainda que não pareça, exercem sua pressão --, parece que a tragédia dos foguetes e bombardeios de ambos os lados está cessando em Gaza.

O presidente uruguaio citou ainda o líder independentista indiano Mahatma Gandhi ao dizer que"mais atroz que as coisas más das pessoas más é o silêncio dos bons".

Desde segunda-feira (11) está em vigor um cessar-fogo na região da Faixa de Gaza. Israel lançou a operação Margem Protetora em 8 de julho, desde então, mais de 1,9 mil palestinos foram mortos, a maioria civis.

Por causa do alto número de vítimas civis, organismos internacionais e governos estrangeiros acreditam que não se respeitou o princípio da "proporcionalidade" e que o exército israelense atacou "indiscriminadamente" a população.

Fonte: Prensa Latina

MASSACRE DOS PALESTINOS -

O genocídio israelense e seus cúmplices prestativos

por James Petras
Exceptuando Israel e seus apoiantes organizados nas principais organizações sionistas, a opinião pública mundial e a maior parte dos peritos em direito internacional vêm a invasão de Gaza pelo Estado judeu, bem como o seu ataque sistemático a civis e infraestrutura básica, como um crime contra a humanidade.
O objectivo deste ensaio é quádruplo: 1) Identificar a natureza do crime – o carácter genocida do assalto armado e a sequência que leva a isto; 2) Identificar os perpetradores directos dos crimes de guerra e seus cúmplices internos e internacionais; 3) Explicar os laços que ligam líderes, decisores políticos, propagandistas, cúmplices e seguidores, incluindo suas ideologias, interesses materiais e estrutura organizativa que torna estes crimes não só possíveis como até agora ficarem impunes; e 4) Identificar os grandes interesses imperiais pelos quais Israel alia-se aos EUA e, na prossecução dos quais, o assalto a Gaza é um horrendo ensaio geral.

A "moralidade" de guardas de prisão num Estado genocida
Os decisores políticos no estado genocida dirigem uma sociedade altamente militarizada onde cidadãos e soldados, criminosos e profissionais, torturadores e sociopatas podem coexistir dentro da mesma pessoa. A racionalidade fria é utilizada para o assassínio em massa, a tecnologia para a devastação maciça, a linguagem para eufemismos e os verdugos apresentam-se como vítimas (e vice versa). Preceitos morais tornam-se envilecidos e suplantados pela ética do assassínio em massa. Moralistas, rabis e filósofos a ética juntam-se todos para abençoar as bombas despejadas sobre hospitais e escolas e lares e todas as coisas vivas – mesmo os mortos e enterrados não ficam em paz quando os cemitérios são bombardeados.

Governantes, imbuídos de uma visão genocida, vêem apenas objectivos militares – não existe um povo oprimido – toda existência humana e todas as instituições nas áreas alvo devem ser demolidas. A destruição da vida humana, da existência diária palestina, tornou-se o objectivo final desta operação obscena.

A decisão prática de exterminar palestinos foi consciente, planeada e perseguida com resolução implacável no próprio topo e executada com entusiasmo selvagem pelo "exército cidadão" de Israel.

O desdobramento deste plano mortal começou com o que parecia uma oferta de paz "generosa". Em 2004, o primeiro-ministro criminoso de guerra de Israel, Ariel Sharon, "concedeu" aos palestinos auto-governo em Gaza e em Agosto de 2005 retirou uns poucos milhares de colonos judeus e suas tropas terrestres israelenses. A consequência desta benevolência: Mais de 1,4 milhão de palestinos foram trancados e apinhados na mais densa prisão ao ar livre do mundo: o maior gueto da história. Isto foi uma nauseante reminiscência do cerco nazi a judeus polacos arrebanhando-os no gueto de Varsóvia ... onde também lhe foi concedido "auto governo". Uma vez removidos os colonos judeus (e lhes foi pago US$300 mil por família a título de "compensação"), militares de Israel fecharam todas as entradas e saídas de Gaza. Terra, mar e espaço aéreo foram bloqueados e foi imposto controle total à entrada de alimentos, medicamentos, livros escolares e à saída de palestinos para tratamento médico, estudos universitários, viagens normais e comércio de qualquer espécie. Isto reflectia a política nazi em relação àqueles presos no gueto de Varsóvia. Agricultores palestinos foram alvejados a cuidarem dos seus campos, actos de brutalidade que recordam o bloqueio nazi de Leningrado para reduzi-la pela fome... E o mundo ficou estarrecido!

Gaza e o gueto foram primeiramente concebidos para serem campos de prisão ao ar livre ... com medidas temporárias para mascarar os planos reais. Em 2014 a jovem população de Gaza havia crescido para mais de 1,8 milhão de seres humanos capturados. Obviamente, se os habitantes de Gaza não podiam viajar, cultivar, pescar e comerciar por meios normais, eles escavariam túneis para se abastecerem e combateriam o seu rebaixamento ao status de animais enjaulados pelo estado israelense. Os passos seguintes após o confinamento foram sistemáticos e premeditados: os sionistas, tal como os nazis, lançaram guerra total contra os inevitáveis actos de resistência por parte dos oprimidos. Enviaram aviões, tanques, mísseis e bombas para arrasar áreas populadas, especialmente os bairros onde jovens combatentes se levantavam para resistir a esta crueldade insuportável. Os heróicos jovens combatentes de Gaza, tal como seus antecessores de Varsóvia, resistiam a seus inimigos totalitários repetidamente. Enquanto isso, a vasta maioria de judeus israelenses encorajava a devastação enquanto afirmava serem as vítimas e jovens judeus de além-mar voluntariavam-se para juntar-se à IDF (Israel Defense Force) na sua carnificina dos palestinos, tal como a população alemã celebrou, juntamente com os alemães de além-mar, os crimes totalitários dos seus líderes. Suas respostas foram quase idênticas, embora em tempos e lugares diferentes. Povo Eleito e Ariano do mundo uniram-se contra o que ambos denominaram "terroristas" exigindo que seus túneis se tornassem suas sepulturas!

De acordo com esta mitologia da super-raça, a máquina de matar de Israel é realmente mais eficaz no assassinato de civis desarmados – inválidos que não podem correr, médicos que ficam a cuidar de feridos, mães e filhos nos seus frágeis abrigos – e em contrapartida patética quando se confronta cara a cara com combatentes determinados da resistência armada. em 8/6/14 a Força Aérea israelense, a Marinha e a artilharia massacraram 1.594 civis palestinos – através de guerra high tech a longa distância – a comparar com três civis em Israel (um beduíno, um trabalhador agrícola tailandês e um judeu israelense), um rácio estonteante de mais de 1500 civis palestinos para um dos "Eleitos". Mas quando se trata de "combate no terreno", foram mortos 64 soldados israelenses em comparação com 281 partisans palestinos, um rácio de 4,4 para 1. Apesar de todo o apoio da cobertura aérea israelense e de dispositivos protectores high tech, os israelenses tiveram pesadas baixas militares quando a sua invasão desceu a um campo de combate mais nivelado onde partisans fracamente equipados estão dispostos a morrer pelos seus lares e pela libertação.

Os criminosos de guerra: Quem são eles e o que são os seus crimes
Claramente os oficiais que comandam as forças armadas israelenses, as pretensas Forças de Defesa de Israel, que são responsáveis pelos sistemáticos ataques terrestres, aéreos e marítimos a civis, hospitais, escolas, santuários de refúgio, são os primeiros da fila na lista dos crimes de guerra. Eles deveriam ser juntos aos estrategas militares e decisores políticos israelenses que sistematicamente e criminosamente alvejam lares, bairros, instalações de purificação de água e tratamento de esgotos, redes e centrais eléctricas num esforço deliberado para destruir qualquer possibilidade de existência quotidiana normal para quase dois milhões de palestinos. Eles cometeram graves Crimes contra a Humanidade, de acordo com as Convenções de Genebra e os padrões legais estabelecidos em Nuremberg. Há testemunhas oculares e documentação que mostram soldados de média e baixa patente empenhados em disparos injustificáveis de crianças de escola, clientes de lojas e mães com bebés a fugirem de zonas de combate. Processos por crimes de guerra não podem ser simplesmente limitados a umas poucas dúzias de oficiais superiores – estes crimes foram cometidos a todos os níveis das IDF.

Líderes e decisores políticos, a começar com o primeiro-ministro Benyamin Netnyahu e seu gabinete, membros do principal partido e do Knesset, que foram os motivadores primários no lançamento da blitz contra Gaza e justificaram a matança maciça de civis, deveriam claramente estar no centro de qualquer Tribunal Internacional de Crimes de Guerra.

Mas o que dizer acerca do público israelense, a grande massa de judeus israelenses, que se considera moralmente acima da opinião pública mundial apesar de uma repugnância quase universal com os crimes de Israel? Mais de 90% dos judeus israelenses dão apoio irrestrito ao banho de sangue em curso, sabendo, na verdade aplaudindo diariamente das arquibancadas erguidas sobre colinas que circundam Gaza, as consequências criminosas do seu apoio – eles também são uma parte essencial deste empreendimento criminoso. Eles celebram a carnificina e atacaram violentamente os poucos israelenses que questionaram abertamente esta "guerra". Os israelenses não podem afirmar "ignorância inocente"; não podem chamar a isto um "conflito trágico entre dois povos". Nenhum israelense pode absolver-se afirmando ignorância da natureza dos crimes cometidos em seu nome – nem querem eles afirmar ignorância! A maioria dos judeus israelenses informados pediu esta guerra desde o princípio, muitos juntando-se a marchas racistas com faixas e cantos a pedir "Morte aos Árabes"! Eles usam o seu endosso ao holocausto de Gaza como um emblema de honra. Noventa por cento dos cidadãos judeus em Israel rejeitaram qualquer cessar-fogo humanitário: Colunistas de jornais e a vasta maioria dos leitores na imprensa diária argumentaram abertamente pelo extermínio! Auto-declarados criminosos de guerra são festejados como heróis israelenses pelos seus irmãos além-mar que se apressam a endossar ou mesmo aderir à carnificina. Gideon Levy, jornalista dissidente e solitário do Haaretz, é cuspido em todos os cafés da moda e agora tem de tomar o seu café em casa.

O que se pode dizer acerca dos "moralistas", os famosos chefes rabis, que não têm engulhos em piedosamente instar à carnificina em massa: Haverá um Tribunal Superior de Autoridade Religiosa para responsabilizar estes "homens sagrados" pelo seu incitamento a crimes de guerra? E quando à rede mundial de organizações sionistas internacionais que asseguram milhares de milhões de dólares dos embarques de armas assassinas dos corruptos e covardes Congresso e Executivo dos EUA? Não são eles cúmplices do genocídio previa e posteriormente?

Contudo, é uma mentira flagrante e consciente e uma falsificação afirmar, como alguns falsos críticos à "esquerda", que a "América partilha a responsabilidade" pelos crimes de Israel contra Gaza. Quem pediu ao povo americano para endossar esta carnificina? Quando é que o povo americano organizou um "lobby" para comprar votos no Congresso? Será que o povo americano organizou levantamentos multimilionários de fundos no luxuoso Waldorf-Astoria onde líderes republicanos e democratas eleitos se comprometeram a dar a Israel US$225 milhões adicionais em mísseis e tanques, para reabastecer seu arsenal utilizado na razia de milhares de lares e eliminar famílias inteiras em Gaza? Qualquer investigador sério que olhe para a política interna americana sabe que os presidentes das 52 Principais Organizações Judias Americanas (sic) são cúmplices de Israel nos bombardeamentos terroristas de Gaza. E inquéritos mostram que a maioria dos jovens americanos simpatiza com os direitos dos palestinos...

Haverá alguma cláusula nos processos do Tribunal de Crimes de Guerra de Nuremberg que possa levar a acusações contra os cúmplices além-mar de crimes de guerra? O que dizer acerca de eminente académicos "de esquerda" e jornalistas "progressistas" que encobrem os cúmplices além-mar acusando falsamente a "América" (e implicitamente o povo americano) desta carnificina?

Os laços que prendem
Identificámos um encadeamento ligando a elite política de Israel, seu comando militar e a massa do público israelense directamente a crimes de guerra e genocídio com a cumplicidade material activa de organizações sionistas além-mar. Eles actuam como uma força coesa a afundar-se no sangue e na guerra total contra os palestinos – os habitantes originais e proprietários por direito do que é agora chamado "Israel".

Levanta-se a questão: O que os une neste horrível empreendimento? Que cegueira moral os aflige para que ignorem tantas estantes de livros com os escritos e ensinamentos humanistas de Spinoza, Kant, Babel ou Buber? Serão estas lealdades tribais derivadas dos contos vingança e homicídio do Velho Testamento? Estarão estas expressões de um fanatismo etno-religioso ligadas à busca de um império regional e à pilhagem?

A ideologia racista e sua expressão virulenta tanto nos altos escalões como na "Rua Judia" é generalizada e aberta. Degradar palestinos, enquanto afirmam serem uma raça superior acima das leis do resto do mundo, serve para justificar todos os crimes contra o povo de Gaza. Próxima e distante, esta expressão da "identidade e solidariedade colectiva judia", baseada na superioridade étnico-religiosa sempre ameaçada pelo povo "nativo" inferior e hostil, explica o apoio inflexível de pessoas influentes de topo em Hollywood, professores da Ivy League, intelectuais franceses, pares britânicos e eminentes banqueiros de investimento da Wall Street.

Afinidades ideológicas e lealdades étnico-religiosas à parte, muitos judeus israelenses também têm um importante interesse material em roubar e expulsar o povo da Palestina: Terras palestinas tomadas resultam em nova habitação subsidiada e barata, piscinas só para judeus, urbanizações em terras onde outrora cresciam oliveiras e famílias extensas ali tinham vivido e morrido. Judeus tanto da classe média como da trabalhadora obtêm habitação gratuita; especuladores imobiliários tomam propriedades escolhidas frente ao mar para condomínios de luxo e destinos turísticos. Empreiteiros de construção asseguram contratos lucrativos junto ao estado. A pilhagem constitui uma importante base material para o alto padrão de vida de Israel, muitas vezes mais alto do que o dos palestinos, muito mais alto do que o da população não judia de Israel e mais alto mesmo do que o dos americanos que têm sido forçados a subsidiar o "Estado Judeu" durante quase 50 anos.

Igualmente importante: o assalto de Israel a Gaza serve como um teste no terreno para as suas armas de destruição em massa e sua cúpula (Dome) anti-míssil. Quanto a isto, a carnificina em Gaza serve como um ensaio geral (e uma advertência gráfica) para novas guerras através da região em associação com os EUA e seus clientes. Os mais recentes documentos do analista da NSA Edward Snowden revela que Israel trabalha em conjunto com os EUA por toda a África do Norte, Médio Oriente, Golfo Pérsico, Sul da Ásia e países islâmicos na escolha de alvos e elaboração de planos de guerra... A Grande Israel já não é mais o sonho excêntrico de visionários judeus: está a caminho e seus princípios sangrentos em Gaza prenunciam futuras guerras maiores e mais sangrentas contra a humanidade.

Conclusão
A guerra total de Israel contra Gaza provocou a condenação de milhões de pessoas por todo o mundo, o maior ultraje pelos seus crimes contra a humanidade e apelo a um tribunal internacional de crimes de guerra. Se um tal tribunal viesse a ser convocado, a questão que se levanta de quão longe deveria ser lançada a rede – onde traçar a linha entre líderes, soldados, massas e apoiantes cúmplices além-mar, todos implicam num grau ou noutro? Quantos "cúmplices prestativos" do assassínio em massa deveriam ser investigados e processados?

O horror e a indignação crescente tem isolado Israel da maior parte da espécie humana, incluindo milhares de judeus – mas tem endurecido seus líderes e excitado seu núcleo poderoso de apoiantes influentes, especialmente nos EUA.

Extremistas encarniçados, nas suas luxuosas suites, estão na contra-ofensiva. Importantes produtores de Hollywood denunciam os actores moralmente ultrajados que ousaram criticar os crimes de guerra de Israel em Gaza, etiquetando-os como "anti-semitas" e ameaçando-os com uma vida interna nas listas negras para qualquer novo trabalho no "cinema ou no palco". Poderosas organizações sionistas, não só asseguram a oposição dos EUA a qualquer resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando crimes de guerra israelenses como aprovações unânimes (100%) no Congresso e na Casa Branca e uma "verba de emergência" de mais de US$250 milhões de dinheiro do contribuinte para reabastecer Israel com as bombas e mísseis que despejou sobre o povo de Gaza. Os elementos da linha dura, que falam pelos presidentes das 52 Principais Organizações Judias Americanas, não afrouxaram no seu apoio à carnificina de Israel, mesmo em face das centenas de milhares de manifestações por todo o mundo em apoio aos direitos do povo da Palestina. Os da linha dura exibem abertamente seu apoio cego aos crimes de guerra de Israel. Estes fanáticos estão convencidos de que todo crítico dos crimes de guerra de Israel, cristão, muçulmano, hindu, judeu ou ateu, é um anti-semita, um pervertido ou terrorista a ser censurado ou esmagado! No interior do bunker sionista há um reforço rígido da lealdade a Israel, ao passo que do lado de fora, há o suave despejar de propaganda que minimiza os crimes de guerra de Israel e negações veementes de cumplicidade além-mar com o genocídio.

Epílogo: Um diálogo entre sionistas
O sionista de direita diz para o de esquerda: "Crimes ao serviço do Grande Israel são virtudes". O de esquerda responde: "Há crimes mas em última análise a América é a responsável".

Um arguto velho observador sionista comenta com aprovação: "É a nossa divisão de trabalho: os sionistas de direita defendem Israel e os sionistas de esquerda confundem seus críticos".
11/Agosto/2014
Ver também:
  • Hollywood execs may blacklist Cruz, Bardem for accusing Israel of 'genocide'
  • Israel's Operation Protective Edge Stymied
  • Hamas' conditions for ceasefire
  • Gaza's Children: The Psychological Trauma of Catastrophe

    O original encontra-se em petras.lahaine.org/?p=1998


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • MASSACRE DOS PALESTINOS - Menina registra drama em Gaza.

    Menina registra drama em Gaza e vira sensação na internet

    Farah Baker gaza israel menina
    Farah Baker (reprodução/twitter)
    Quando as bombas começam a explodir em Gaza, a adolescente palestina Farah Baker pega seu celular ou laptop antes de buscar cobertura e dispara tuítes que capturam o drama do tumulto e medo que a cercam.
    As publicações dessa garota de 16 anos no Twitter a tornaram uma sensação das mídias sociais durante o conflito na região. Antes uma desconhecida atleta colegial, os seguidores de Farah na Internet saltaram de 800 para 166 mil.
    Morar perto do hospital Shifa, na Cidade de Gaza, onde seu pai é cirurgião, dá a Farah a chance de escutar as escandalosas sirenes das ambulâncias, em acréscimo aos barulhos das explosões dos bombardeios de Israel.
    Farah frequentemente registra esses sons e publica vídeos para fornecer a seus seguidores um relato pessoal da guerra.
    Um tuíte de 1º de agosto incluía um link para um vídeo de uma rua escurecida, pontuado pelos sons de repetidas explosões. Em outro tweet, Farah faz comentários sobre buscar abrigo da artilharia em um dos quartos de sua casa.
    “Estou tentando dizer ao mundo sobre o que eu sinto e o que está acontecendo aqui”, disse Farah à Reuters em sua casa em Gaza, acrescentando que ela tem tentado “fazer outras pessoas sentirem como se elas também estivesse passando por isso”.
    Farah, cuja foto do perfil do Twitter mostra uma assustada garota de olhos azuis, disse estar surpresa com a popularidade que ela consegiu.
    “Eu não esperava isso. Eu estava escrevendo para um pequeno círculo de pessoas, e o número (de seguidores) tornou-se muito alto”, disse.
    Ela sonha em se tornar uma advogada, esperando que essa profissão seja uma maneira de defender a empobrecida região de Gaza, um território costeiro que faz fronteira com Israel e Egito.
    Não é sempre fácil superar seus medos para enviar um tuíte, mas ela se sente obrigada a fazer isso. “Eu vejo isso como o único jeito que posso ajudar Gaza, mostrando o que está acontecendo aqui. Às vezes, eu mando um tuíte enquanto estou chorando ou com muito medo, mas eu digo a mim mesma que não devo parar”, disse Farah.
    Reuters
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    MASSACRE DOS PALESTINOS - Gaza - Trincas no Muro.


    Gaza -Trincas no Muro: As consequências não planejadas do genocídio
     
    8−10/8/2014, [*] Robert Fantina − Weekend Edition, 
     
    CounterPunch/RedeCastorPhoto
     
    Traduzido por mberublue



    Campo de concentração de Israel

    ● Ao mesmo tempo que Israel declara um cessar fogo de 72 horas, também afirma: “missão cumprida” em Gaza. Talvez se torne interessante ver o que aquele regime de apartheid realmente cumpriu.

    ● Destruiu túneis, os quais na maioria das vezes são usados para o contrabando de artigos para o lar, que Israel, em descumprimento e violação das leis internacionais, impede que sejam importados pelos palestinos.

    ● Massacrou cerca de 2.000 (duas mil) pessoas, entre as quais se incluem crianças, mesmo as recém nascidas, ferindo ainda milhares delas.

    ● Destruiu centenas de casas, deixando na rua, ao léu, milhares de homens, mulheres e crianças.

    ● Arrasou usinas de energia, fazendo com que centenas de milhares de pessoas ficassem sem eletricidade ou água corrente.

    ● Provocou a destruição de fábricas que produzem coisas extremamente perigosas para Israel, como pretzels, queijo e biscoitos.

    ● Alvejou e assassinou jornalistas.

    Israel, genocida e covarde, bombardeia Gaza
    Os oficiais israelenses afirmaram que, em Gaza, precisam regularmente “Aparar a Grama”, o que significa destruir a infraestrutura e bombardear a área sitiada até empurrá-la o mais próximo possível da idade das trevas. Podemos acrescentar isso às realizações da “missão cumprida” de Israel.

    Porém, talvez a maior falha de Israel, meta desesperadamente procurada, e que não conseguiu cumprir, foi o seu objetivo mais ambicioso: o desmantelamento do governo de coalizão entre Fatah e Hamás. Este governo, trêmulo talvez, definitivamente corrupto, permanece intacto.

    Ocorre que na realidade, existem alguns resultados não esperados e que efetivamente se dão em consequência desse bombardeio genocida contra os palestinos.

    Palestina- Governo de coalizão Hamás-Fatah

    ● Crítica internacional inesperada contra Israel. Mesmo que não seja de forma universal, desta vez Israel viu embaixadores sendo convocados de volta a seus países, e até mesmo os Estados Unidos que normalmente dão um cheque em branco a Israel para que faça o que quiser no cenário internacional,desta vez arriscou algumas críticas tímidas contra seu fantoche mor. Mas é lamentável que para que os EUA arriscassem algumas críticas anêmicas, foi necessário que Israel bombardeasse repetidas vezes as escolas das Nações Unidas, nas ocasiões usadas como abrigo para milhares de palestinos expulsos de suas casas, mas pelo menos alguma crítica foi expressa. A inesperada renúncia de Sayeeda Warsi, Ministra Sênior no Gabinete de Relações Exteriores da Grã Bretanha, que saiu acusando o governo do Primeiro Ministro David Cameron de tomar uma abordagem “moralmente indefensável” em relação ao conflito entre Israel e Gaza, foi por sua vez uma consequência surpreendente contra Israel.

    ● Demonstrações internacionais de apoio aos palestinos. Israel mesmo teve centenas de pessoas de seu povo protestando contra o bombardeio maciço na faixa de Gaza. Em Londres, dezenas de milhares de pessoas protestaram contra o bombardeio, exigindo que o governo britânico pare de apoiar Israel.

    ● Israel enfrentou uma tempestade na mídia social, que bateu sem dó no país. Na última vez que Israel resolveu “cortar a grama” em Gaza foi há dois anos. Naquele tempo, o Twitter tinha aproximadamente 20 milhões de usuários. Hoje, este número já se encontra na casa dos 120 milhões de usuários que espalharam através do globo fotografias e filmes e informações que a imprensa empresa não se atreveu ou não quis mostrar. Pelo menos em parte, isso resultou em enormes manifestações de protesto em frente à sede da BBC em Londres, tendo como consequência o anúncio, por parte da organização de mídia que deverá rever suas políticas no intento de ver se, de fato, suas reportagens eram tendenciosas, favorecendo sempre Israel.

    ● Maior motivação para a implementação do movimento BDS (Boycott, Divest and Sanction – Boicote, Desinvestimento e Sanções –NT). Levando em consideração que as pessoas ao redor do mundo percebem que crianças brincando em uma praia são alvos do terrorista IDF (Israeli Defense Forces – Forças Defensivas de Israel – NT), que atiram em crianças espalhando seus pedaços sangrentos pela praia, mesmo os politicamente apáticos tornam-se motivados.

    ● Isolamento cada vez maior de Israel frente a comunidade internacional. Não se pode ver isso como consequência isolada, pois o isolamento decorre de todos os motivos acima listados. As manifestações de protesto, o cancelamento de eventos patrocinados por Israel, o crescimento exponencial do movimento BDS e o aumento nas pessoas da consciência do que acontece deve ser creditado em grande parte à mídia social pela divulgação dos horríveis crimes cometidos por Israel não podem ser ignorados para sempre pelos governos, quando as pessoas que elegeram estes governos demonstram claramente sua oposição.


    A única nação que demonstra ser extremamente lenta em mudar sua retórica em relação a Israel, para condenar as terríveis violações dos direitos humanos cometidos por aquele país é, sem surpresa nenhuma, os Estados Unidos.

    Como este escritor já mencionou anteriormente, os Estados Unidos gostam dos direitos humanos, desde que não interfiram em suas estratégias ou interesses financeiros. É necessário recordar que apenas entre o início de 2012 e o final de 2013, lobbies pró Israel doaram US$ 8,000,000 aos candidatos ao Congresso e à presidência. Tais candidatos receberam dezenas de milhões de dólares no transcorrer das duas últimas décadas.

    Há outras instâncias do poder em redor do mundo além da Casa Branca, da Câmara de Deputados e o Senado dos EUA... Assim, o que acontece se alguns bebês dormindo em seus berços são selvagemente destroçados por armas proibidas, em clara violação à lei internacional? Criticar isso fará com que diminuam os cheques oferecidos pelos lobbies pró Israel? Não, não acho que haja algum risco de que essa crítica seja feita.


    Dessa forma, embora murmurando uma crítica quase inaudível, um sussurro medroso em oposição ao genocídio praticado por Israel, ainda assim, os EUA o financia. Enquanto mostra algum “desconforto” com a decisão de Israel de bombardear as escolas das Nações Unidas que abrigavam centenas de palestinos refugiados, os Estados Unidos ainda assim continuam enviando mais e mais armas para Israel, para que o Estado Terrorista continue “aparando a grama” em Gaza.

    Sempre foi muito difícil para o eleitor americano escolher entre Tweedle-Dee eTweedle-Dum (personagens do livro de Lewis Carroll “Alice no País dos Espelhos”. São gêmeos que se complementam a tal ponto que um completa as frases do outro.No fundo, parecem ser o mesmo personagem, tendo como diferença apenas seus nomes bordados nos casacos – NT), candidatos normalmente oferecidos pelos partidos Democrata e Republicano.

    Nas próximas eleições de meio de mandato, os eleitores americanos certamente deverão escolher entre candidatos dos dois partidos, que se atropelam uns aos outros na tentativa sôfrega de mostrar quem apoia mais a Israel. Não é por outro motivo que este escritor, que viveu durante anos no Canadá, escreverá alguns nomes em sua cédula de ausente. Serão os nomes dos jornalistas palestinos e homens e mulheres conhecidos deste escritor, que vivem em Gaza e foram vítimas dos ataques genocidas do exército de Israel.


    Mesmo com a oposição ferrenha dos Estados Unidos a cada passo a ser dado, a ONU parece estar pronta para investigar possíveis crimes de guerra cometidos por Israel. Não é de se estranhar as suas conclusões, pois a ONU tem emitido mais resoluções críticas contra Israel que todas as outras nações combinadas. Mas até que os cidadãos acordem de seu sono induzido pelos serviços de relações públicas e fiquem conscientes de que os EUA estão financiando um genocídio, nada mudará. Nas últimas semanas, temos visto evidências cada vez mais fortes de rachaduras no muro dos Estados Unidos e das relações públicas de Israel. Todos aqueles que estão chocados com os crimes cometidos por Israel devem alargar ainda mais esta rachadura.


    [*] Robert Fantina–Ativista e jornalista que trabalha em prol da paz e da justiça social, enquanto viveu nos EUA apoiou decisivamente o controle de armas e se opôs à guerra contra o Iraque antes da invasão norte americana e depois que ela aconteceu. Depois das eleições de 2004, mudou-se para o Canadá. Escreveu livros, entre os quais “A deserção e o soldado americano – 1776- 2006” além de novelas e mais recentemente o livro “Império: racismo e genocídio – uma história das relações exteriores dos Estados Unidos”, seu último livro.