segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Moro no MJ: Paulo Guedes fez o convite antes do segundo turno, diz Bebianno

Contra a covardia da esquerda, povo se levanta contra golpe na Bolívia. ...

Evo denuncia OEA: "Também é responsável pelo golpe de Estado" - Portal Vermelho

Evo denuncia OEA: "Também é responsável pelo golpe de Estado" - Portal Vermelho: Primeiro indígena a ser eleito presidente da Bolívia, Evo Morales está na Cidade do México, com intensa agenda de entrevistas. Manteve o hábito de levantar-se de madrugada desde que se tornou asilado político, após ser deposto por um golpe militar. Em entrevista à BBC News Mundo, ele afirma que a OEA (Organização dos Estados Americanos) “também é responsável pelo golpe de Estado” e diz que o novo governo na Bolívia, uma “ditadura”, terá resistência de movimentos sociais e indígenas. Confira.

Evo denuncia OEA: "Também é responsável pelo golpe de Estado" - Portal Vermelho

Evo denuncia OEA: "Também é responsável pelo golpe de Estado" - Portal Vermelho: Primeiro indígena a ser eleito presidente da Bolívia, Evo Morales está na Cidade do México, com intensa agenda de entrevistas. Manteve o hábito de levantar-se de madrugada desde que se tornou asilado político, após ser deposto por um golpe militar. Em entrevista à BBC News Mundo, ele afirma que a OEA (Organização dos Estados Americanos) “também é responsável pelo golpe de Estado” e diz que o novo governo na Bolívia, uma “ditadura”, terá resistência de movimentos sociais e indígenas. Confira.

POLÍTICA - O novo partido do capitão.

Celso Barros e o partido autoritário de Jair

Para quem está confuso com as intenções de Jair Bolsonaro de montar um partido que, até aqui, parece um aglomerado de fiéis do ex-capitão na direita mais ensandecida e avessa à convivência política – nem os que se elegeram com ele “prestam” e, sem o controle do PSL, o grupo baniu-se do partido – recomendo a leitura do artigo do sociólogo Celso Rocha de Barros, na Folha.
Nem tanto pela conclusão, nem tão difícil, de que ali se forma um núcleo autoritário, onde a ideia de um desmonte da democracia institucional brasileira é o traço comum, mas pela indagação quase afirmativa de que este grupo depende das pautas econômicas selvagemente mercadistas de Paulo Guedes, as quais, ao contrário da tal “Aliança”, ainda encontram ambiente solícito na mídia, no Congresso e, naturalmente, na opinião econômica de direita, na mídia e nas “consultorias” que as alimentam.
Vale a pena, embora a perspectiva seja aterradora.

O Partido Bolsonarista

Celso Rocha de Barros, na Folha
Quando a crise de Bolsonaro com o PSL se acirrou, escrevi que aquele podia ser um ponto de virada no bolsonarismo.
Se Bolsonaro deixasse o PSL e entrasse em um partido democrático normal, como o DEM, sinalizaria que havia se conformado em governar respeitando as instituições. Mas se optasse por fundar um movimento dos bolsonaristas “puros”, deixaria claro que seu plano era destruir as instituições da democracia brasileira.
A decisão de criar a Aliança pelo Brasil, partido extremista que tem como condição de filiação a lealdade cega a Bolsonaro, foi um passo decidido na segunda direção.
Se você supõe que Bolsonaro pretende governar dentro das instituições, gostaria de ouvir sua explicação para a decisão de rachar ao meio o partido do presidente, que empatava com o PT no posto de maior da Câmara.
Bolsonaro fez isso porque quer administrar o presidencialismo de coalizão? Isso facilita a aprovação de alguma reforma? Eu acho que não.
Como no caso de diversas outras medidas de Bolsonaro, ou é golpismo ou é um nível de estupidez jamais visto. E eu não acho que Bolsonaro seja burro.
A APB não faz qualquer sentido como partido de governo democrático. Não tem um único quadro que tivesse qualquer chance de ser nomeado ministro em um governo com padrões higiênicos médios.
Ideologicamente, defende um olavismo “puro” do qual grande parte dos simpatizantes do governo faz questão de se afastar. E, a propósito, terá grandes dificuldades de se legalizar a tempo de disputar as eleições do ano que vem, a não ser que já nasça na base da mutreta.
Mas, como movimento golpista, chega a ser entediante de tão típico. A máquina será administrada por Eduardo Bolsonaro em nome do pai. Filho de ditador com poder chega a ser um clichê. Eduardo não faz segredo nenhum de sua simpatia pelo autoritarismo do governo húngaro de Viktor Órban, e é o representante no Brasil do charlatão vagabundo Steve Bannon.
O deputado federal Daniel Silveira, do Rio de Janeiro, aderiu. Na semana anterior, tuitou que, se precisassem de um cabo ou de um soldado para fechar o STF, ele se oferecia como voluntário. Silveira é um dos marmanjos que rasgou a placa com o nome de Marielle Franco durante a campanha de 2018.
A deputada Bia Kicis, do Distrito Federal, também aderiu. Foi ela quem propôs a revogação da PEC da bengala, que reduziria a idade de aposentadoria dos ministros do STF e copia proposta do governo autoritário da Polônia. E o novo partido responde ao apelo de Olavo de Carvalho para que se formasse uma militância estritamente bolsonarista, que defendesse o chefe em toda e qualquer situação.
Segundo nota publicada no site da revista Época, Bolsonaro quer que os diretórios do partido nos estados sejam controlados por militares. Não facilita em nada ganhar eleição. Mas talvez facilite golpe de estado.
Será uma vergonha, a propósito, se os militares aceitarem colaborar.
Foi a isso que Bolsonaro reduziu a direita brasileira: curso do Olavo, golpe de estado e placas da Marielle rasgadas. Fica aqui, inclusive, minha sugestão para slogan do novo partido.
E é essa a resposta que eu quero e ninguém me dá: se eu apoiar alguma reforma do Guedes, eu estou ajudando essa turma a se consolidar no poder em 2022?

ARGENTINA: Contra O GOLPE na BOLÍVIA

BOLÍVIA - Golpe racista.

Bolívia: a anatomia de um golpe. Por Slavoj Žižek



PUBLICADO NO BLOG DA BOITEMPO
POR SLAVOJ ŽIŽEK
Embora eu seja por mais de uma década um firme apoiador de Evo Morales, devo admitir que, depois de ter lido sobre a confusão que se seguiu a controversa vitória eleitoral de Morales, fiquei mergulhado em dúvidas… Teria ele também sucumbido à tentação autoritária, como ocorreu com muitos esquerdistas radicais no poder? Contudo, depois de um ou dois dias, as coisas logo ficaram claras.
Brandindo uma enorme Bíblia encadernada em couro e se autoproclamando presidente interina da Bolívia, Jeanine Añes, a segunda vice-presidente do Senado declarou: “A Bíblia retornou ao palácio do governo.” E emendou: “Queremos ser uma ferramenta democrática de inclusão e unidade”. O recém-empossado gabinete de transição, contudo, não continha uma única pessoa indígena. E isso já diz tudo. Embora a maioria da população da Bolívia seja composta de indígenas ou mestiços, até a ascensão de Morales esses setores eram efetivamente excluídos da vida política, reduzidos à maioria silenciosa daqueles que fazem seu trabalho sujo nas sombras. O que aconteceu com Morales foi o despertar político dessa maioria silenciosa que não se enquadrava na rede de relações capitalistas. Não eram ainda proletários no sentido moderno, permaneciam imersos em suas identidades sociais tribais pré-modernas – foi assim que Álvaro García Linera, o vice de Morales, descreveu a situação:
“Na Bolívia, a comida era produzida por agricultores indígenas, prédios e casas eram construídas por trabalhadores indígenas, as ruas eram limpas por pessoas indígenas, e a elite e as classes médias encarregava a eles o cuidado de seus filhos. No entanto, a esquerda tradicional parecia cega para isso e se ocupava somente com trabalhadores na grande indústria, dando pouca atenção à identidade étnica desses sujeitos.”
Álvaro Garcia Linera, em entrevista a Marcello Musto para a Truth Out, 9 nov. 2019.
Para compreendê-los, precisamos incorporar nesse quadro o peso histórico da condição deles: essas pessoas são os sobreviventes de possivelmente o maior holocausto da história da humanidade, a obliteração das comunidades indígenas pela colonização espanhola e inglesa das Américas.
A expressão religiosa do estatuto pré-moderno deles é a combinação única entre catolicismo e a crença na Pacha Mama, a figura da Mãe Terra. É por isso que, embora Morales tenha se declarado católico, na Constituição Boliviana vigente (promulgada em 2009), a Igreja Católica Romana perdeu seu status oficial. No artigo quarto do documento lê-se: “O Estado respeita e garante a liberdade de religião e de crenças religiosas, conforma as cosmovisões de cada indivíduo. O Estado é independente da religião.” É contra essa afirmação da cultura indígena que o gesto de Añez de exibir a Bíblia é direcionado. A mensagem é clara: uma afirmação aberta de supremacismo religioso branco, e uma tentativa não menos aberta de colocar a maioria silenciosa de volta a seu devido lugar de subordinação. Do México, onde atualmente encontra-se exilado, Morales já apelou ao Papa para que intervenha. A reação do pontífice vai nos dizer muito. Será que Francisco reagirá como um verdadeiro cristão e rejeitará de maneira firme a re-catolicização forçada da Bolívia como aquilo que ela realmente é, a saber, como uma jogada política de poder que trai o núcleo emancipatório do cristianismo?
Se deixarmos de lado o possível papel do lítio no golpe (a Bolívia possui grandes reservas de lítio, matéria-prima das baterias dos carros elétricos), a grande questão é: por que a Bolívia representa, por mais de uma década, um incômodo tão grande ao establishment liberal ocidental? O motivo é muito peculiar: o fato surpreendente de que o despertar político do tribalismo pré-moderno na Bolívia não resultou em uma nova versão do Sendero Luminoso ou do show de horrores do Khmer Rouge. O governo Morales não se enquadra na história conhecida da esquerda radical que, ao tomar o poder, estragou tudo econômica e politicamente, gerando pobreza e passou a manter seu poder por meio de medidas autoritárias. Uma prova do caráter não-autoritário do governo Morales é que ele não expurgou militares e forças policiais de seus opositores (razão pela qual eles se voltaram contra ele).
Morales e seus seguidores, é claro, não eram perfeitos: eles cometeram erros, havia conflitos de interesse no interior de seu movimento. No entanto, o balanço geral é realmente impressionante. Morales não era Chávez, ele não dispunha de recursos do petróleo para debelar seus problemas, de forma que seu governo precisou realizar um trabalho duro e paciente de resolução de problemas no país mais pobre da América Latina. O resultado não foi nada menos do que milagroso: a economia deslanchou, os índices de pobreza caíram e a saúde pública melhorou – e tudo isso garantindo que as instituições democráticas tão caras aos liberais continuaram funcionando. O governo Morales manteve um equilíbrio delicado entre formas indígenas de atividade comunal e política moderna, lutando simultaneamente por tradição e pautas como os direitos das mulheres.
Para que seja contada a história inteira do golpe na Bolívia, precisamos de um novo Assange parra trazer à tona documentos secretos relevantes. O que é possível ver agora é que foi precisamente por terem sido bem-sucedidos que Morales, Linera e seus seguidores representavam um incômodo tão grande ao establishment liberal: por mais de uma década a esquerda radical esteve no poder na Bolívia e o país não “virou uma Cuba ou uma Venezuela”. O socialismo democrático é possível.
Ao lado de García Linera, Evo Morales faz pronunciamento para imprensa após desembarcar no México, país que lhes concedeu asilo político.
* * *
Slavoj Žižek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é um dos diretores do centro de humanidades da University of London. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917) (2005), A visão em paralaxe (2008), Lacrimae rerum (2009), Em defesa das causas perdidasPrimeiro como tragédia, depois como farsa (ambos de 2011), Vivendo no fim dos tempos (2012), O ano em que sonhamos perigosamente (2012), Menos que nada (2013), Violência (2014),  O absoluto frágil (2015) e O sujeito incômodo: o centro ausente da ontologia política (2016). Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.

Moro no MJ: Paulo Guedes fez o convite antes do segundo turno, diz Bebianno

Lula: Minha prisão ajudou a "desmascarar Moro, Dallagnol e Lava Jato" - Portal Vermelho

Lula: Minha prisão ajudou a "desmascarar Moro, Dallagnol e Lava Jato" - Portal Vermelho: Em seu primeiro grande ato público após ser libertado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste domingo (17) do Festival Lula Livre, em sua homenagem, no Recife (PE). Com um público de mais de 200 mil pessoas, o evento contou com a participação do ex-presidenciável Fernando Haddad (PT) e da governadora em exercício de Pernambuco, Luciana Santos (PCdoB). Entre as atrações musicais estiveram Chico César, Marcelo Jeneci, Odair José e Mundo Livre SA.

domingo, 17 de novembro de 2019

Lula no Recife, o fracasso do ato dos morominions e o relato exclusivo s...

Equipe da Jovem Pan vira alvo de milícia bolsonarista, diz Carlos Andreazza

Equipe da Jovem Pan vira alvo de milícia bolsonarista, diz Carlos Andreazza: Embora tenha sido uma das principais propagadoras do discurso de ódio no Brasil, a Joven Pan virou alvo de milicianos apoiadores de Jair Bolsonaro na avenida Paulista, durante cobertura da manifestação pelo impeachment do ministro Gilmar Mendes. A denúncia foi feita pelo jornalista Carlos Andreazza

BOLÍVIA - O ódio contra os indígenas.

“O ódio ao índio”: o belíssimo artigo do vice de Evo sobre as raízes do golpe na Bolívia



Assim como no Brasil jamais aceitaram um operário como 

presidente, na Bolívia jamais aceitaram um índio.

Jamais imaginei a virulência do ódio aos índios vigente na Bolívia.

Em relação ao Lula está também embutido um ódio de classe.




Publicado por
 Kiko Nogueira
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Linera escreve que "por trás de cada liberal medíocre, se esconde um golpista contumaz".
Caixões com indígenas mortos pelas forças do golpe na Bolívia

O ex-vice presidente da Bolívia, Álvaro Linera, escreveu um belíssimo artigo sobre o golpe e as raízes racistas da sociedade boliviana. 
Chama-se “O ódio ao índio” e foi publicado no Celag.org.
Eis alguns trechos:
Como uma espessa neblina noturna, o ódio se espalha pelos bairros das tradicionais classes médias urbanas da Bolívia.
 Seus olhos transbordam de raiva.
 Eles não gritam, cospem; eles não reivindicam, eles impõem.
Suas canções não são de esperança ou fraternidade, são de desprezo e discriminação contra os índios.
 Eles andam de moto, andam de caminhão, se reúnem em universidades particulares e caçam índios que ousaram tirar seu poder.
No caso de Santa Cruz, eles organizam hordas motorizadas com veículos 4×4 com paus na mão para assustar os índios, que os chamam de collas  [termo racista para identificar os indígenas] e que vivem em favelas e mercados.
Eles cantam slogans dizendo que você tem que matar collas, e se alguma mulher de pollera [o vestido típico] cruza seu território, eles a espancam, ameaçam e expulsam.
 Em Cochabamba, organizam comboios para impor a supremacia racial na zona sul, onde vivem as classes carentes, e avançam como se fossem um destacamento de cavalaria sobre milhares de camponesas indefesas.
Eles carregam tacos de beisebol, correntes, granadas de gás, algumas exibem armas de fogo.
 A mulher é sua vítima favorita, eles agarram uma prefeita camponesa, humilham-na, arrastam-na pela rua, batem nela, urinam quando ela cai no chão, cortam seus cabelos, ameaçam linchá-la e quando percebem que eles são filmados decidem jogar tinta vermelha, simbolizando o sangue.

Em La Paz, eles suspeitam de suas empregadas e não falam quando trazem a comida para a mesa, no fundo as temem, mas também as desprezam.
 Depois saem às ruas para gritar, insultam Evo e todos esses índios que ousaram construir a democracia intercultural com igualdade.
Quando são muitos, arrastam a whiphala, a bandeira indígena, cospem nela, pisam, cortam, queimam.
 É uma raiva visceral que é lançada sobre este símbolo de índios que gostariam de extinguir.
Tudo explodiu no domingo, 20, quando Evo Morales venceu as eleições com mais de 10 pontos de diferença no segundo turno, mas não mais com a imensa vantagem de antes ou 51% dos votos. 
Foi o sinal de que as forças regressivas aguardavam, do candidato da oposição liberal, as forças políticas ultraconservadoras, a OEA e a classe média tradicional. 
Evo venceu novamente, mas ele não tinha mais 60% do eleitorado. O perdedor não reconheceu sua derrota.
 A OEA falou de eleições limpas, mas de uma vitória reduzida e pediu um segundo turno, aconselhando a ir contra a Constituição que afirma que se um candidato tiver mais de 40% dos votos e mais de 10 pontos de diferença em relação ao segundo é o eleito.
E a classe média foi à caça dos índios.
 A cidade de Santa Cruz decretou uma greve que articulou os habitantes das áreas centrais da cidade, ramificando a greve nas áreas residenciais de La Paz e Cochabamba.
 E então o terror eclodiu.
Bandas paramilitares começaram a sitiar instituições, a queimar sedes sindicais, a queimar as casas de candidatos e líderes políticos do partido do governo, até que a residência particular do presidente fosse saqueada.
 Em outros lugares, famílias, incluindo crianças, foram sequestradas e ameaçadas de serem flageladas e queimadas se o ministro ou o líder sindical não renunciassem à sua posição.
 Uma longa noite de facas longas foi desencadeada e o fascismo apareceu.
Quando as forças populares mobilizadas para resistir a esse golpe civil começaram a recuperar o controle territorial das cidades com a presença de trabalhadores, mineiros, camponeses, indígenas e colonos urbanos, e o equilíbrio da correlação de forças estava se inclinando para o lado das forças.
Os policiais haviam demonstrado durante semanas uma indolência e ineptidão para proteger as pessoas humildes quando elas eram espancadas e perseguidas por gangues facistóides; mas a partir de sexta-feira, com a ignorância do comando civil, muitos deles mostrariam uma capacidade extraordinária de atacar, torturar e matar manifestantes populares. (…)
O mesmo aconteceu com as forças armadas.
 Em toda a nossa administração, nunca permitimos que as manifestações civis fossem reprimidas, mesmo durante o primeiro golpe civil de 2008. (…)
Não hesitaram em pedir ao presidente Evo que se demitisse, quebrando a ordem constitucional.
 Eles se esforçaram para tentar sequestrá-lo quando ele foi e estava no Chapare.
 E quando o golpe foi consumado, eles foram às ruas para disparar milhares de balas, militarizar as cidades, matar camponeses.
 Tudo sem decreto presidencial.
Linera e Morales
Obviamente, para proteger o índio, era necessário um decreto.
 Para reprimir e matar índios, bastava obedecer ao que o ódio racial e de classe ordenava.
 Em cinco dias já há mais de 18 mortos e 120 feridos a tiros. Claro, todos eles indígenas.
A questão que todos temos que responder é: como é que essa classe média tradicional foi capaz de incubar tanto ódio e ressentimento que a levou a abraçar um fascismo racializado centrado no indígena como inimigo? 
Como ele irradiou suas frustrações de classe para a polícia e as Forças Armadas?
Foi a rejeição da igualdade, isto é, a rejeição dos próprios fundamentos de uma democracia substancial.
Nos últimos 14 anos de governo, os movimentos sociais tiveram como principal característica o processo de equalização social, redução abrupta da pobreza extrema (de 38% para 15%), extensão de direitos para todos (acesso universal à saúde, educação e proteção social), indianização do Estado (mais de 50% dos funcionários da administração pública têm uma identidade indígena, nova narrativa nacional em torno do tronco indígena), redução das desigualdades econômicas (de 130% para 45%, a diferença de renda entre os mais ricos e os mais pobres), isto é, a democratização sistemática da riqueza, acesso a bens públicos, oportunidades e poder estatal. (…)
Mas isso levou ao fato de que em uma década a porcentagem de pessoas na chamada classe média, medida em renda, aumentou de 35% para 60%, principalmente de setores indígenas populares.
É um processo de democratização dos bens sociais através da construção da igualdade material, mas que inevitavelmente levou a uma rápida desvalorização das capitais econômicas, educacionais e políticas pertencentes às classes médias tradicionais. (…)
É, portanto, um colapso do que era característico da sociedade colonial, a etnia como capital, ou seja, o fundamento imaginado da superioridade histórica da classe média sobre as classes subalternas, porque aqui na Bolívia a classe social é apenas compreensível e visível sob a forma de hierarquias raciais.
O fato de os filhos desta classe média terem sido a tropa de choque da insurgência reacionária é o grito violento de uma nova geração que vê a herança do sobrenome e da pele desaparecerem diante da força da democratização dos bens.
Embora exibam bandeiras da democracia entendidas como voto, na verdade se rebelaram contra a democracia entendida como equalização e distribuição da riqueza.
 É por isso que o excesso de ódio, de violência, porque a supremacia racial é algo que não é racionalizado.
 É vivido como um impulso primário do corpo, como uma tatuagem da história colonial na pele.
Portanto, o fascismo não é apenas a expressão de uma revolução fracassada, mas, paradoxalmente, também nas sociedades pós-coloniais, o sucesso de uma democratização material alcançada.
Portanto, não surpreende que, enquanto os índios colham os corpos de cerca de 20 mortos a tiros, seus autores materiais e morais narrem que o fizeram para salvaguardar a democracia.
 Na realidade, eles sabem que o que fizeram foi proteger o privilégio da casta e do sobrenome.
Mas o ódio racial só pode destruir.
 Não é um horizonte, nada mais é do que uma vingança primitiva de uma classe histórica e moralmente decadente que demonstra que por trás de cada liberal medíocre se esconde um golpista contumaz.