sábado, 15 de agosto de 2020

POLÍTICA - A Globo aparece na delação do Dario Messer.

Globo diz que delação de Dario Messer contra os Marinhos não tem provas, algo que nunca exigiu quando o alvo era Lula

 
Moro entre Ascânio Seleme, diretor do Globo, e João Roberto Marinho, recebendo prêmio
Dario Messer, o doleiro dos doleiros, delatou os Marinhos e, por um daqueles milagres conhecidos, desapareceu do noticiário da Globo em que era onipresente.
Dias antes, a emissora estava fazendo carnaval com a história de que ele se comprometeu a devolver R$ 1 bilhão aos cofres públicos, segundo o Ministério Público Federal.
De acordo com o G1, reverberando o MP sem checar nada para variar, o acordo com Messer era em “escala inédita”.
Homologado pelas 2ª e a 7ª Varas Federais Criminais do Rio, permitiria “a coleta de provas para investigações em andamento”, lê-se.
Tudo por obra e graça da Lava Jato.
O número mágico, que virou manchete, não era bem isso: o governo paraguaio anunciou que tem direito a uma parte do patrimônio de Messer.
Ou seja, nunca foi 1 bilhão.
Em depoimento realizado no dia 24 de junho, revelou a Veja, o doleiro contou ter repassado dólares em espécie para os Marinhos em várias ocasiões.
PUBLICIDADE
Pacotes de dinheiro eram entregue dentro da sede no Jardim Botânico.
Um funcionário levava de duas a três vezes por mês quantias que oscilavam entre 50 000 e 300 000 dólares.
No Jornal Nacional, William Bonner enfatizou que “a revista destaca que o doleiro não apresentou provas do que afirmou e que admitiu nunca ter se encontrado com qualquer integrante da família Marinho”.
Provas, repito.
Subitamente, a Globo descobre que um delator precisa ter evidências.
Com Lula, isso nunca foi necessário.
Qualquer citação a ele era vazada pela República de Curitiba e divulgada de maneira acrítica, com direito à ilustração de um cano com grana saindo de dentro dele.
Os advogados eram procurados para responder em cima da hora do fechamento para não dar tempo de ir ao ar. Isso quando eram procurados.
Na sentença em que condenou Lula no caso do triplex, Moro não demonstrou os vínculos entre os contratos para obras e o apartamento no Guarujá.
Provocado pela defesa de Lula, o ex-juiz admitiu o seguinte:
“Este juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobras foram usados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente”.
O massacre dos Marinhos sobre o petismo, resultado de parceria com a Lava Jato, ignorou princípios jornalísticos e de direito.
Se o alvo de Messer fosse Lula, teríamos Mervais e Leitões agitando as mãozinhas exigindo “justiça”.
Que ela seja feita, então, e se investigue o que relata o sujeito. 
Como dizia aquele velho filme, a lei é para todos. Inclusive para a família Marinho. 
.x.x.x.
Veja também:

POLÍTICA - Se tentarem se explicar, vão se comprometer mais.

Reinaldo Azevedo: “Se o que Messer disse sobre os Marinhos é mentira, por que teria dito a verdade sobre os outros?”

Da coluna de Reinaldo Azevedo no UOL:
Na delação, digamos, paraguaia acertada com a Lava Jato do Rio, o doleiro Dario Messer afirmou que, durante a década de 90, emissários seus entregaram a membros da família Marinho, dona das Organizações Globo, quantias que variavam entre US$ 50 mil e US$ 300 mil. Os destinatários seriam João Roberto Marinho e Roberto Irineu Marinho. Segundo seu depoimento, as remessas eram entregues duas ou três vezes por mês na sede da TV Globo.
Antes que avance, algumas considerações. É mentira que a delação de Messer vá resultar na entrega de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Essa é a avaliação do total de seus bens conhecidos no Brasil e no Paraguai — a maior parte, diga-se, está nesse segundo país. Seu patrimônio encontra-se bloqueado lá e aqui. Reitero: na prática, o doleiro estava sem nada. Quando condenado, os bens seriam certamente sequestrados. O que foi que a Lava Jato lhe deu de presente, com a imprensa brasileira fazendo o trabalho de assessoria para a operação? Em troca de uma lista de pessoas e empresas para as quais operava, ele ficou com uma bolada de R$ 50 milhões — nem R$ 10 milhões nem R$ 3 milhões, como se anunciou por aí.
Como ele estava duro, foi um negocião. Para a Lava Jato, que precisava de um golpe publicitário, sua delação caiu como uma luva. Logo os sites noticiosos foram inundados com a notícia daquela que seria a maior delação da Terra. Tudo papo-furado. Os bens de Messer que estão no Brasil já se encontram sob a guarda do Estado. E os que estão no Paraguai ainda teriam de ser vendidos, convertidos em dinheiro, e só então os valores CHEGARIAM ao Brasil.(…)
Uma boa questão: se o que Messer disse sobre os Marinhos é mentira, por que teria dito a verdade sobre os outros? Se disse a verdade sobre os outros, por que teria mentido apenas sobre os Marinhos? A Lava Jato-RJ só comprou a lista de Messer porque pretende pintar e bordar, certo? Parece que a abordagem noticiosa do grupo se obriga a passar por uma torção nada ligeira. Ou os santos procuradores continuarão a ser tratados como guerreiros contra a corrupção, sempre inspirados em seu juiz?.

Prerrogativas: suspeição em suspenso

Pesquisa aponta que 97,88% juristas do Brasil consideram que Moro cometeu violações ao sentenciar Lula

Pesquisa aponta que 97,88% juristas do Brasil consideram que Moro cometeu violações ao sentenciar Lula: A pesquisa reuniu o a opinião de 283 participantes, docentes na área do direito lecionando em entidades públicas e privadas de todas as regiões do país, sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, referente à sentença que condenou o ex-presidente Lula no âmbito da operação Lava Jato

MST - Despejo indecente!




Zé Thaumaturgo
Uma usina falida nos anos 90 não paga o que deve aos funcionários. Esses funcionários, não tem pra onde ir e ficam nas terras da usina. Lá eles criam uma vila com 450 famílias que vivem da agricultura familiar e orgânica. Foram capaz de produzir um dos melhores cafés de Minas: o Café Guaí. Na pandemia, mantinham um projeto e doaram toneladas de alimentos aos mais necessitados. Construíram uma escola onde as crianças da vila recebiam educação de qualidade. O dono, que deve 400 milhões ao Estado, pediu reintegração, depois de 20 anos. Além do uso Capião indiscutível, o despejo durante a Pandemia está proibido pela lei 14.010/20. Um ato criminoso ordenado pelo juiz Walter Esbaille, que tb é conhecido pelo codinome: o advogado da morte, determinou esse despejo, executado com violência pela PM de Minas. Que primeiro derrubou a escola, depois colocou fogo nas plantações e em seguida partiu pra cima dos moradores. Aproveitando a correria para derrubar as casas. Triste momento para nós mineiros. O Estado que tem como referência seus cafés, teve hoje destruída uma plantação que dava mais de 500 toneladas por ano, e sustentava muitas famílias, para privilegiar um estelionatário. Esse Juiz não tem mãe. Por Cecília Caetano

Esquerda trata comunicação como detalhe da política, diz pesquisador

Esquerda trata comunicação como detalhe da política, diz pesquisador: Banalização da tragédia da covid-19 e eficiência da comunicação das bases bolsonaristas explicam a ascensão de Bolsonaro, diz Vinícius Wu, da PUC-RJ

POLÍTICA - Aí Globo, delação sem provas só vale para os outros?



A Globo tentando dizer em cadeia nacional que não é corrupta, teve o mesmo nível de convencimento de quando Aécio veio a público dizer que não era bandido: "Frederico, meu primo, nunca roubou nada, minha irmã Andrea, nunca roubou nada...". Melancólico. Quanto mais falam mais a gente tem a certeza do contrário. Não restando às Organizações Globo nada mais do que operar para o Mercado as sobras que Bolsonaro deixará, com seu "homem de confiança", Paulo Guedes, reduzido ao tamanho de um rato - a boca do boquirroto acaba de ser calada pelo presente que ganhou da justiça brasileira no caso dos fundos de pensão - o que faz então a empresa dos Marinho? Parte para bajular do jeito que pode Bolsonaro e espetar o PT. A Globo está dando ao Brasil uma aula de como a direita faz política com o fígado e sem nenhuma vergonha na cara No lugar de ir pro confronto contra os que tripudiam dela e reduzem seus interesses econômicos, a Globo se recolhe, dá uma lambidinha nos pés de Bolsonaro e tenta ainda provocar o PT. É a prova mais cabal de que nem com um doleiro bandido pesando sobre a sua casa, nem amanhecendo com o bolsonarsmo pisando na sua cabeça, o grupo Globo os trata como inimigo como tratou a Dilma, Lula e ao PT. Não existe racionalidade ali dentro nem na hora da morte, o ódio acumulado de tantas e tantas falcatruas contra a democracia brasileira, superam o pragmatismo e eles não desistem nunca.
Em sentido diametralmente oposto é possível falar o mesmo da "esquerda antipetista". Já fiz inúmeros alertas aqui que vão de Ciro, Freixo, Orlando Silva até chegar nesse último sujeito aí que tomou uma muito bem dada da presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmamm. É assim mesmo que tem que ser. Se quisermos vislumbrar qualquer aliança, Gleisi sabe muito bem que isso tem que passar antes de tudo pelo respeito. Vi ela fazer isso com Marcelo Freixo nos quarenta anos do PT e essa semana ela foi mais uma vez assertivamente decisiva. Pois bem. O PSOL lançou o Boulos em 2018 pra votar em peso no Ciro Gomes, acreditando que esse era o candidato ideal do nem "nem PT, nem Bolsonaro". Este ano, está lançando uma candidatura no Rio pra repetir de forma ainda mais dramática o feito e votar em peso na direita de Eduardo Paes. Incrível como, em tão curto espaço de tempo, Boulos ganha uma nova dimensão, justamente quando vira o elemento catalisador do desgaste do PT na capital. E o mais incrível ainda é observar que quando sentem o cheiro de sangue petista a quilômetros de distância, Globo, Folha, Veja e Estadão correm para dar aquele ombro amigo de todas as horas, abrindo seu quintal pra turma ir rodar seus girassóis à vontade.
Não podemos depender jamais da Globo; e dos que se fazem de parceiros mas querem nos ver tão pelas costas quanto muito menos e o cuidado deve ser redobrado. O Partido dos Trabalhadores é, hoje, aquele que tem todas as chances de derrotar Bolsonaro. A Globo já percebeu isso e bate na gente até quando está apanhando feio. Fatalmente, vamos atrair parceiros nessa empreitada, mas só iremos conseguir se reconhecermos que precisamos ser fortes agora, nos proteger desses ataques e nos unir em torno da legenda até as eleições municipais. Eu tenho absoluta certeza de que se o PT chegar em 2021 sem abaixar a cabeça, tendo feito as disputas na raça e mostrando seu recado, tem tudo pra inciar a caminhada vigorosa puxada por Lula pra tirar a gente dessa cilada que a direita golpista nos colocou.

Doleiro dos doleiros, Messer diz que entregava dólares aos Marinhos, da ...

GLEISI HOFFMANN no #CaiNaRoda EP. 6

Bom dia 247 especial, com Stoppa

TRF suspende investigação contra Paulo Guedes por fraudes em fundos de pensão

TRF suspende investigação contra Paulo Guedes por fraudes em fundos de pensão: Fundos administrados pelo ministro receberam cerca de R$ 1 bilhão e não entregaram os resultados prometidos aos investidores, mas a investigação contra Guedes foi suspensa

Bolsonaristas levantam hashtag "rachadinha da Globo" e a levam ao topo do twitter

Bolsonaristas levantam hashtag "rachadinha da Globo" e a levam ao topo do twitter: O motivo é a delação do doleiro Dario Messer, que disse que entregava cerca de US$ 300 mil mensais aos irmãos Marinho

Bolsonaristas levantam hashtag "rachadinha da Globo" e a levam ao topo do twitter

Bolsonaristas levantam hashtag "rachadinha da Globo" e a levam ao topo do twitter: O motivo é a delação do doleiro Dario Messer, que disse que entregava cerca de US$ 300 mil mensais aos irmãos Marinho

Boletim 247: Bolsonaro reforça a guerra contra a Globo

Boletim 247: Bolsonaro reforça a guerra contra a Globo

Bolsonaro diz que donos da Globo podem ter recebido R$ 1,75 bilhão do doleiro Dario Messer

Bolsonaro diz que donos da Globo podem ter recebido R$ 1,75 bilhão do doleiro Dario Messer: Em guerra contra a emissora dos Marinho, Jair Bolsonaro calculou pagamentos de US$ 300 mil por mês durante trinta anos e chegou a este número

POLÍTICA - Extrema direita ganhou por W.O.

Na batalha das redes, a extrema direita ganha por W.O.

A grande mudança de paradigma político no século 21 foi impulsionada pela tecnologia. Mas a esquerda ainda não entendeu.
rosana-site
Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil
ENQUANTO VOCÊ LÊ esta coluna, parte da rede bolsonarista de WhatsApp recebe aproximadamente 5 mil mensagens nos quase 2 mil grupos de apoio ao ex-capitão.
“A extrema direita ganha por W.O.”, quando há vitória de um time sem adversário. Assim Pedro*, expert em tecnologia e política, define a atual disputa ideológica entre direita e esquerda nas redes sociais. Ele segue sua explicação: “é como se fosse uma guerra aberta, na qual a direita vem com drone e bombardeio, e a esquerda joga um fogo de artifício para o alto para tentar demonstrar reação, sem exatamente entender que está numa guerra”.
Pedro se vale de muitas figuras de linguagem para explicar e dar sentido ao horror da caixa de pandora que tem em mãos. O último monitoramento realizado por sua equipe analisou 2.513 grupos de WhatsApp bolsonaristas, 93.886 usuários e mais de 5 milhões de mensagens conspiracionistas sobre o coronavírus compartilhadas desde fevereiro.
Eu acessei o software, sem preparo psicológico prévio, e fiquei enojada e atônita por alguns dias. Para pesquisadores que trabalham com big data e extrema direita, é normal lidar com uma quantidade imensa de dados desse tipo. Mas não é o meu caso. A sensação de ver a máquina do ódio funcionando a todo a vapor, segundo a segundo, me fez entender um pouco o que Pedro queria dizer com uma guerra sem adversário.
Pedro tem um vasto e respeitado currículo profissional na área de política e tecnologia, mas prefere manter sua identidade protegida para seguir nos bastidores sua luta contra a desinformação. Abrindo a caixa de pandora diariamente, ao mesmo tempo em que tenta dialogar com as principais lideranças do campo da esquerda no Brasil, o pesquisador tem uma visão bastante árida da fragilidade tecnológica do campo progressista. Para ele, as esquerdas têm uma dupla defasagem na disputa política-tecnológica.
Primeiro, uma parte da esquerda ainda não entendeu – e talvez não esteja disposta a entender – que a grande mudança de paradigma político no século 21 foi impulsionada pela tecnologia. Segundo, esse estado de inanição apenas reflete algo de fundo, que é uma falta de projeto e orientação para o futuro.
É claro que existem movimentos, mídias, ativistas, influenciadores digitais e parlamentares que se preocupam com o tema e têm grande impacto nas redes. Não se trata de ignorar o trabalho daqueles que, há alguns anos, estão tentando mudar esse quadro. O ponto é meramente reconhecer que esses esforços não chegam perto de compor estrategicamente um ecossistema de atores que se movem, mais ou menos de forma coordenada, num processo de disputa política propriamente dito.
Pedro relata situações em que desenvolveu projetos digitais para partidos e lideranças de esquerda. Sua frustração é, campanha após campanha, ver que o trabalho é muitas vezes interrompido após as eleições: “Não dá para parar. Esse é um projeto contínuo”.
Acreditar que basta ganhar a eleição de 2022 para mudar o quadro catastrófico em que nos metemos faz parte do autoengano generalizado e sintomático que acomete a esquerda tradicional há quase uma década.
Nosso trabalho depende muito de vocêAJUDA AQUI!Nosso trabalho depende muito de você
Surgem manifestações coxinhas, a gente dá risada. Bolsonaro se coloca como candidato, a gente diz que ele não terá tempo de televisão e que o sistema político irá se regenerar em torno da polarização PT versus PSDB. Bolsonaro cresce nas pesquisas, é porque Lula está preso – sim, evidentemente, mas podemos pensar que não foi só isso? Bolsonaro ganha as eleições é porque levou a facada  – sim, esse foi um elemento desestabilizador, mas podemos pensar que não foi só isso?
Não se trata de ignorar os muitos golpes que a esquerda e o PT, em particular, sofreram. Mas é preciso também entender que a extrema direita vem se articulando nas mídias desde a virada do milênio. E essa articulação tem sido feito com propósito, tentativa de coordenação de diferentes vertentes e sistematicamente espalhando paranoia e pânico moral contra inimigos forjados.
Quando não entendemos que a vitória de Bolsonaro faz parte de um projeto muito maior, só nos resta esperar as pesquisas de aprovação do governo a cada semana e ficar agarrados naquelas que indicam alguma queda da base dos 30% do que seria o núcleo-duro bolsonarista. Resta-nos torcer para que o governo se autodestrua. Basta eleger alguns parlamentares e tentar não perder em 2022. Resta-nos acreditar que tudo o que aconteceu no Brasil foi fruto das fake news bolsonaristas produzidas no “gabinete do ódio”. Acreditamos que, ao prender seus agentes estratégicos, o núcleo-duro bolsonarista seria desestruturado.
Essa é uma visão limitada de como se articula a rede bolsonarista política e tecnologicamente. Pedro dá o exemplo da prisão de Sara Winter, que não tinha nenhuma menção no ecossistema de extrema direita. Após sua detenção, houve uma explosão de seu nome na rede, em uma onda de viralização de linguagem religiosa que pedia por orações por ela em mais de 1.031 grupos cheios de emojis de amém e linguagem de guerra espiritual.
A verdade é que pouco adianta regular as mídias e prender criminosos extremistas sem apresentar um projeto político e tecnológico alternativo a médio e longo prazo.
“Infelizmente, a rede de distribuição de informação do ecossistema é muito maior do que a operação da Polícia Federal foi capaz de identificar”, diz um relatório realizado pela equipe de Pedro, demonstrando que, para além dos grupos militantes declarados, essa rede atua também por clusters presentes em grupos de venda, pornografia e caminhoneiros.
Pedro sempre bate na tecla que a incompreensão de como funciona o ecossistema traz resultados negativos para a esquerda enquanto um campo de oposição. “Muitas pessoas pensam que basta acabar com o gabinete do ódio como se a rede bolsonarista fosse meramente uma estrutura de poder e financiamento vertical. A grande incompreensão é não entender que essa rede atua com suas próprias mídias e é muito mais autônoma, horizontal, autofinanciada do que se imagina”.
O gabinete do ódio – que precisa, sim, ser desestruturado –  é, portanto, consequência (e não apenas a causa) de um alinhamento de forças de articulistas e influenciadores outrora pulverizados. Acabar com esse ponto de organização não necessariamente mina os 18 mil outros domínios de divulgação política mapeados por Pedro.
É evidente que esse ângulo de olhar a realidade traz uma profunda angústia e uma sensação de impotência. A primeira coisa que nos perguntamos é como sair dessa. É possível que os ratos voltem para os esgotos depois de as comportas terem sido abertas? É possível regenerar um sistema putrefato que funciona livremente?
Em primeiro lugar, penso que é importante não perder de vista que nem tudo é vitória por W.O. do lado de lá. O professor especialista Fábio Malini, pioneiro no estudo de big data e política das redes no Brasil, comentou comigo recentemente que não podemos esquecer que o poder bolsonarista, atualmente, advém de uma máquina de propaganda governista, o que, a meu ver, enfraquece a espontaneidade e autenticidade do ecossistema.
Malini também destaca o fato que ideias progressistas estão ganhando espaço nas redes e no mercado editorial, citando Felipe Neto e Djamila Ribeiro, por exemplo, e que mais atenção pública tem sido dada ao trabalho de parlamentares de esquerda. O professor também mostra que as hashtags #antifa #antirracismo e #auxilioemergencial são exemplos de disputas narrativas que o campo progressista venceu nas redes.
Ambos os pesquisadores concordam que o anticientificismo de Bolsonaro é um ponto fraco. Quando a gente fala de esperança nas redes, ela vem da renovada atuação de cientistas pautando debates nacionais, os quais não apenas defendem o conhecimento técnico, mas também a democracia.
Buscando uma luz no fim do túnel, questionei Pedro se havia um ponto de abalo nesse ecossistema. Ele me disse que as mensagens de pessoas infectadas por coronavírus são um ponto importante de desestabilização. Começaram a circular mensagens de pessoas chorando, relatando sofrimento e morte, dizendo que não era uma “gripezinha”. Malini entende que isso afeta a classe médica e também os demais grupos apoiadores, produzindo um efeito negativo que não é instantâneo, mas tem “influência de longo prazo”.
Nada disso, contudo, impacta imediatamente a caixa de pandora bolsonarista, especialmente via WhatsApp. É por isso que, no curto e no médio prazo, é tão importante investigar e regular as mídias. Não se trata de uma salvação, mas um passo importante para impor limites no avanço da extrema direita, que até agora andou sem freios.
Quando conversei com o historiador Federico Finchelstein para minha última coluna, perguntei como e quando acabam regimes fascistas baseados em mentiras. Ele me respondeu que, olhando para o passado, o esgotamento se dá da maneira mais trágica: quando as pessoas começam a morrer. Essa é uma resposta que faz todo o sentido e encontra eco na própria política de morte bolsonarista, que agora atinge seus próprios apoiadores.
A experiência da extrema direita aponta para a formação de uma rede em que as pessoas se sentem incluídas no processo político.
Mas, em termos de ação política, essa não é uma resposta aceitável para o campo de oposição, que não pode esperar – e não tem esperado – que as pessoas morram.
A verdade é que pouco adianta regular as mídias e prender criminosos extremistas sem apresentar um projeto político e tecnológico alternativo a médio e longo prazo. A luta comunicacional contra a extrema direita é inglória e assimétrica porque os fascistas atuam por mentiras que tocam no âmago no medo – e o medo é um sentimento que mobiliza os indivíduos visceralmente. Mas é possível entrar nessa batalha de forma honesta mudando o modus operandi.
Por pelo menos quatro décadas, os gurus da extrema direita estudaram as táticas políticas da esquerda. Agora, está na hora de a esquerda fazer o movimento contrário, não para copiar os métodos sujos, mas para entender seu funcionamento.
A experiência da extrema direita aponta para a formação de uma rede em que as pessoas se sentem incluídas no processo político, se sentem atores ativos e não passivos no ecossistema bolsonarista. Isso já estava claro nas minhas pesquisas e de Lúcia Scalco com jovens no Morro da Cruz, realizadas em Porto Alegre em 2017. Os simpatizantes repassavam mensagens e criavam conteúdos voluntariamente no YouTube para espalhar em outras redes.
Há muito pouco disso no campo da esquerda tradicional, que usa o WhatsApp ainda de forma vertical, cadastrando números de telefone para passar informação de políticos e partidos unilateralmente. Também se disseminou a promoção de intermináveis lives, bastante explicativas do mundo e muito pouco participativas – e não raramente com a caixa de comentários do Instagram fechada. Por uma hora, o político x fala com o líder do movimento y – e há quem acredite que isso é disputa de redes. Esse é um modelo que está fadado ao fracasso.
A esquerda precisa já se ocupar das redes de forma mais propositiva, horizontal e articulada para formar um ecossistema inclusivo, que não fique permanentemente caçando a carteirinha de seus membros.
O campo tradicional da esquerda precisa se abrir, fomentar alianças amplas, ampliar as linhas de debate, formar novas lideranças e oferecer esperança, utopia e projeto no lugar do medo.

Jornal Nacional escondeu denúncia de propina paga por doleiro a procurador da Lava Jato

Jornal Nacional escondeu denúncia de propina paga por doleiro a procurador da Lava Jato: "O JN noticiou, apenas, que a Lava Jato fechou o acordo de delação pelo qual Messer abriu mão de R$ 1 bilhão dos seus bens no Brasil e no Paraguai; mas escondeu a parte da delação em que o 'doleiro dos doleiros' delatou o procurador da Lava Jato", relata o colunista Jeferson Miola

O É da Coisa, com Reinaldo Azevedo - 14/08/2020

�� Empresário que denunciou Flávio relata ameaça de morte - Queiroz pode ...

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Com cem mil mortes e QUEIROZ, BOLSONARO dispara no Datafolha. Só o auxíl...

MST - Acampamento Quilombo Campo Grande.


O acampamento Quilombo Campo Grande se mostra um exemplo de resistência contra os autoritários despejos dos Sem Terra ordenados pela justiça burguesa.
Quilombo-Campo-Grande
O acampamento Quilombo Campo Grande | Foto: MST
Oacampamento Quilombo Campo Grande, que reúne 450 famílias sem-terra no município de Campo do Meio, localizado no sul do estado de Minas Gerais, é alvo de despejo que teve início na madrugada da quarta-feira (dia 12/8). A ação, sob as ordens do governador Romeu Zema (Partido Novo), contou com a presença de dezenas de viaturas e policiais de diversas cidades vizinhas.
A ação de despejo e reintegração de posse, que prevê a retirada da vila de moradores e da estrutura da Escola Popular Eduardo Galeano, foi emitida pela Justiça estadual, mesmo sob o decreto de calamidade pública devido à pandemia do coronavírus, ou seja, uma atitude atroz frente aos direitos humanos dos sem-terra. Esta ação foi realizada antes mesmo de uma audiência pela Defensoria Pública do Estado que estava agendada para acontecer no próximo dia 28 de agosto.
A polícia militar continua no local após terem despejado a Escola Popular Eduardo Galeano e um barracão coletivo onde moravam três famílias. Foram muitas horas de tensão até que o governador Zema acabou se manifestando pelo Twitter dizendo ter suspendido a ordem de despejo após várias manifestações da sociedade civil, nacionais e internacionais, além de denúncias de parlamentares da esquerda e de setores da Igreja Católica. A tag #salvequilombo foi uma das mais comentadas do Twitter.
Só que foi apenas uma mentira de Zema. A polícia e o comandante da ação permaneceram no local e disseram aos membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) que o despejo continua caso não recebessem uma ordem de suspensão de forma oficial, o que indica que o governador fascista mineiro tinha apenas a intenção de ganhar mais tempo para deslocar novas tropas para o local.
A resistência no acampamento continua, com sua população com a firme intenção de não deixar o despejo acontecer.
Histórico do acampamento Quilombo Campo Grande
Os moradores do acampamento Quilombo Campo Grande ocupam a área que pertenceu à falida usina Ariadnópolis, da Capia (Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo), que encerrou suas atividades em 1996, mas que hoje ainda acumula dívidas trabalhistas que ultrapassam os 300 milhões de reais.
A área foi tomada em 1998 e o local se tornou uma referência nacional na produção agroecológica. Quando os sem-terra tomaram a área de aproximadamente 4 mil hectares a terra estava degradada, devido aos anos de monocultura, com o cultivo de cana de açúcar. Com a ocupação do MST o local recebeu plantações de café, milho, frutas e hortaliças, além da criação de galinhas, porcos e bovinos. Um dos produtos mais conhecidos do acampamento e sua Cooperativa Camponesa é o café Guaíi, um produto orgânico e agroecológico.
Na área estava sendo construído um polo de conhecimento e tecnologia em agroecologia.
Estão, portanto, no local há mais de 20 anos e mesmo assim a justiça confirmou a liminar de despejo, que envolveria a saída de mais de 2000 pessoas. Após tantos anos a estrutura montada pelos moradores está muito mais próxima de um assentamento bem estabelecido do que de um acampamento de fato. Toda a área já foi ocupada por famílias, dividida em lotes, com suas casas, além de ter sido instalada a rede de energia elétrica para a maioria das famílias.
A justiça burguesa ignorou completamente a situação falimentar dos antigos proprietários e descartou totalmente o trabalho que foi feito pelos ocupantes em todos estes anos na recuperação da terra e de sua atual extrema produtividade em todos setores.
As ações truculentas da polícia foram iniciadas no dia 30 de julho deste ano quando mais de 20 policiais, armados de fuzis e pistolas, estiveram no local revistando e quebrando casas e prendendo uma pessoa, o acampado Celso Augusto, que foi liberado no mesmo dia. Há anos que os acampados tem que lidar com a coação de pistoleiros, que segundo relatos, agem a mando de Jovane de Souza Moreira, responsável pela antiga usina falida e principal interessado na remoção das famílias do local.
De acordo com Débora Mendes do MST o “conflito perdura por tantos anos porque os antigos donos como Jovane e filhos são estelionatários na região e contam com o apoio das elites políticas, do atual prefeito e aliados, como o fazendeiro de café João Faria”. O filho de Jovane é candidato a prefeito em Alfenas, cidade vizinha ao município de Campo do Meio.
Nos dias seguintes a população local continuou sendo ameaçada pela polícia, que realiza blitz nas estradas de acesso à cidade e pela presença de drones. Outro problema adicional é que até então a comunidade do acampamento não havia registrado nenhum caso do coronavírus. A presença constante da polícia traz o risco de trazer a doença para dentro do local.
Exemplo de resistência
O caso do acampamento Quilombo Campo Grande mostra como é que o povo deve agir contra a truculência dos governos de direita e da justiça burguesa. As denúncias nas redes sociais e as declarações dos parlamentares tem sua importância na divulgação para um maior número de pessoas, mas o principal e mais importante passo é a mobilização dos trabalhadores e de todas as suas organizações, ou seja, enviar militantes para engrossar as fileiras dos acampados e providenciar ajuda externa para aumentar a resistência contra os ataques fascistas.
Contra todos os despejos! Fora Zema, fora Bolsonaro, fora todos os fascistas!