terça-feira, 22 de outubro de 2019

�� Estado de Emergencia en Chile

Ruas em chamas na América Latina: Qual é o risco de novas ditaduras mili...

POLÍTICA - O Chile hoje é o Brasil amanhã!

POVO SAI ÀS RUAS PELO MUNDO TODO. E AQUI? AONDE ESTÁ O POVO?

Na semana em que o STF julga o destino do ex-presidente Lula, o Senado vai aprovar a reforma que acaba com a previdência pública e o presidente(?) Bolsonaro passeia pela Ásia, ouve-se no Brasil o retumbante silêncio de um povo deitado em berço esplêndido, de boca aberta, esperando a morte chegar.
Enquanto o povo sai às ruas no Chile, no Equador, em Londres, Hong Kong, Barcelona, em monumentais manifestações de protesto pelo mundo afora, aqui na terra abençoada por Deus e bonita por natureza não acontece nada.
Não há na agenda nenhum evento programado pela sociedade civil em frente ao Congresso e ao STF, em defesa da democracia, da Constituição, dos direitos dos trabalhadores e de combate à desigualdade social, para se manifestar diante das decisões que serão tomadas estes dias em Brasília.
O que aconteceu com o povo brasileiro, que assiste inerte à destruição do país na marcha acelerada do bolsonarismo para quebrar e vender tudo?
O único sinal de vida, ou melhor de morte, dado até agora pela cidadania vem do lado das trevas, com líderes de caminhoneiros bolsonaristas ameaçando parar o país se o STF respeitar a Constituição e decidir pela imediata libertação de Lula.
Acuadas, as instituições reagem burocraticamente apenas para informar que as ameaças “que se mostrarem violentas serão enviadas para o âmbito do inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes”, que cuida da investigação sobre ofensas e fake news contra integrantes da Côrte, informa o Estadão desta terça-feira.
Além dos caminheiros, os únicos que se manifestaram até agora são os integrantes do grupo golpista Vem Pra Rua, que estão pedindo para os ministros Barroso, Fux, Fachin e Carmen Lúcia _ a bancada da Lava jato/Globo no STF _ para que um deles peça vistas durante o julgamento da segunda instância para interromper o julgamento.
Cadê o povo que não se intimidou na longa noite da ditadura militar, que lutou pela Constituinte e pela Anista, e tomou as ruas do país para pedir Diretas Já, em 1984?
Em Tóquio, hoje de manhã,  o ex-capitão presidente teve a desfaçatez de atribuir a rebelião popular no Chile, onde 15 pessoas já foram mortas pela repressão, ao fim da ditadura do general Augusto Pinochet, a mais sanguinária do continente, em 1990.
“O problema do Chile nasceu em 1990, que ninguém dá valor para isso. Naquela época, as Farc fizeram parte, Fidel Castro, isso tudo. E qual o espírito desta questão? Primeiro é bater contrário às políticas americanas, imperialistas, segundo eles. E depois são os países que se auto ajudam para chegar ao poder”.
Como é difícil entender a lógica do seu pensamento, no fundo Bolsonaro quer dizer que tem saudade das ditaduras de lá e daqui, e defende a completa submissão aos Estados Unidos.
Nos seus delírios, o ex-deputado do baixo clero ainda vive nos tempos da Guerra Fria e vê conspirações de comunistas por toda parte.
Fidel morreu, as Farc acabaram, a União Soviética ruiu, mas o inominável continua em guerra contra o perigo vermelho em vez de começar a governar, dez meses após a posse.
Desse jeito, vai se isolando cada vez mais, aqui dentro e lá fora, no momento em que o Brasil bate recordes de desigualdade, sem se dar conta que uma hora o povo brasileiro também vai acordar desse pesadelo, nem que seja por puro desespero, como já aconteceu no Equador, no Chile, no Peru e em outros países do continente.
Só não sabemos quando…
E vida que segue.

Reinaldo Azevedo: A crise do PSL apela à zoologia do preconceito

Geraldo Vandré - Pra não dizer que não falei das Flores

NJN: CHILE HOJE, BRASIL AMANHÃ.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

SEGURIDADE EXCLUDENTE | A aposentadoria que inspira o Brasil

Avante Chile !

Papo Com Freixo #01: Bolsonaro é uma ameaça à democracia?

Chile em crise: protestos 2019

Caixa 2 na campanha de Bolsonaro pode levar à cassação da chapa

DIETA - Ajude-se com seu punho.


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Se você não consegue perder peso, ajude-se com o seu punho! Parece inacreditável, mas realmente funciona!

Você sabia que as mãos podem contribuir para uma dieta saudável?
Cura pela Natureza descobriu um método incrível!
Por esse método, as mãos podem nos ajudar a emagrecer.
Como?
Simples: elas podem servir como guia para calcular as porções dos principais alimentos que devemos comer.
Não é incrível?
A maioria das pessoas não se alimenta adequadamente, exagerando, por exemplo, na quantidade de carne.
O principal objetivo aqui não é ensinar uma dieta de emagrecimento, mas ajudar na reeducação alimentar.
No entanto, se você é uma dessas pessoas que comem em excesso, com certeza depois de praticar a dieta das mãos, vai perder alguns quilinhos.
A simplicidade desse método  é tão grande que muitas instituições e associações de nutricionistas na Europa e nos Estados Unidos já estão apostando nele para prevenir e combater a obesidade.
E como é que funciona a dieta das mãos?
As partes das mãos representam a extensão da porção que você deve consumir numa refeição, não mais que isso.
Ou seja, um punhado serviria para estabelecer a quantidade de arroz, massa e outros grãos que devemos consumir.
E os dedos indicam a quantidade de refeições que devemos fazer em um dia.
Logo, cinco dedos = cinco refeições.
Vamos explicar agora tudinho.
Vem com a gente!
Vegetais crus ou cozidos: devem ser a quantidade maior em seu prato, ocupando todo o espaço das duas mãos juntas em forma de uma tigela.
Fique à vontade para colocar um tempero na salada, mas prefira o limão ao vinagre e ao azeite, pois é mais saudável e tem menos calorias.
As frutas, no entanto, devem ser na quantidade de uma única mão aberta.
Carboidratos (arroz, massa, batata  e os diferentes grãos): devem ser apenas um punhado.
Proteína animal (carne, frango ou peixe): a sua palma da mão é o tamanho porção que você deve consumir numa refeição.  
Queijo: junte o dedo do meio com o indicador.
Essa deve ser a quantidade máxima de queijo que você pode consumir – tanto no tamanho como na espessura.
Gorduras e Açúcares: como já era de se esperar, a quantidade de gordura (óleos ou manteiga) e açúcar deve ser bastante limitada.
No caso, meça pelo tamanho da primeira falange do dedo indicador – o segmento onde o dedo se dobra primeiro.
Sorvete: feche sua mão.
Antes de comemorar achando que a quantidade de sorvete que você pode tomar é equivalente à extensão de um punho fechado, espere!
Infelizmente, só é permitida a metade disso.

domingo, 20 de outubro de 2019

Arautos do Evangelho: os segredos escondidos nos castelos do grupo católico

Vídeo da palestra "Brasil e o ciclo extrativo do petróleo - nova colônia...

Não imaginava o tamanho da promiscuidade na Lava Jato , declara juíza ap...

Glenn: Lava Jato foi facção, liderada por Moro, que exerceu poder por 5 anos sem ser questionada

Glenn: Lava Jato foi facção, liderada por Moro, que exerceu poder por 5 anos sem ser questionada: Em fala no Festival 3i, evento que debate jornalismo no Rio, o editor do Intercept disse que 'não tem nada mais perigoso para uma democracia do que deixar uma facção como a Lava Jato exercer poder sem ser investigada. E só uma imprensa livre faz isso'

Prepare-se: GLOBO faz mudança radical no discurso da reforma da previdên...

O BEIJA FLOR DOMINGUEIRO 20 DE OUTUBRO

Altamiro Borges: O auto-impeachment de Bolsonaro

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Altamiro Borges: Doria xinga apoiadores de Bolsonaro

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POR QUE CORINGA É UM FILME REVOLUCIONÁRIO?! (SEM SPOILERS)

Minha leitura política do filme Coringa #Joker #Coringa #Política #Análi...

sábado, 19 de outubro de 2019

Bom dia 247 (19.10.19): Boulos é a boa notícia em São Paulo

QUANDO A CASA GRANDE SE REUNE

Blog do Roberto Moraes: Pré-sal já alcança quase 2/3 da produção total de ...

Blog do Roberto Moraes: Pré-sal já alcança quase 2/3 da produção total de ...: A produção de petróleo nas reservas do Pré-sal já alcança quase 2/3 do total no Brasil. Em números redondos 2,4 milhões de barris de óleo eq...

Glenn diz que Moro é um “homenzinho desonesto” até em questões triviais

Glenn diz que Moro é um “homenzinho desonesto” até em questões triviais: Jornalista do Intercept rebate declaração do ministro ao responder a nova Vaza Jato e atribuir a reportagem ao UOL. 'Rouba o nosso trabalho e o atribui ao UOL: um homenzinho desonesto mesmo com questões triviais'

Grupo Prerrogativas no STF: sustentações orais no julgamento das ADCs 43...

Kakay: sustentação oral no julgamento das ADCs 43, 44 e 54 no STF

Grupo Prerrogativas no STF: sustentações orais no julgamento das ADCs 43...

Grupo Prerrogativas no STF: sustentações orais no julgamento das ADCs 43...

POLÍTICA - E culpa é da Venezuela.

POR RICARDO KOTSCHO
Sim, Bolsonaro, tanto as queimadas na Amazônia como o óleo nas praias do nordeste são tragédias provocadas por criminosos, como você diz, e aponta culpados sem apresentar provas.
Na Amazônia, logo você veio com a história de que quem tacou fogo na mata foram os índios e as ONGs estrangeiras.
Quando nosso litoral foi tomado por um óleo negro, você insinuou que a culpa era da Venezuela do teu inimigo Maduro.
Hoje sabemos que quem provocou as queimadas na Amazônia foram teus seguidores fanáticos das tropas da madeira, da mineração e do boi, que promoveram o “Dia do Fogo”, estopim da tragédia, no dia 10 de agosto.
Também sabemos hoje que tonéis de óleo com o emblema da Shell foram encontrados nas nossas águas, sem que até hoje o governo brasileiro tenha pedido desculpas à Venezuela.
Para que serve nossa gloriosa Marinha, que deveria defender a costa brasileira, se não é capaz de identificar a origem dos vazamentos de óleo que avançam sobre o litoral há mais de dois meses?
Criminoso, Bolsonaro, é este teu desgoverno, como a Folha denúncia em sua manchete de sábado:
“Governo extinguiu comitês contra desastres por óleo _ Promotoria cobra Bolsonaro após maior desastre ambiental no litoral brasileiro”.
Fomos informados agora pelo jornal que em abril o governo Bolsonaro baixou um decreto extinguindo dois comitês responsáveis por identificar e coibir casos de poluição das águas por óleo.
Diante da omissão do governo, eleito e mantido por fake news, o Ministério Público Federal cobrou de Bolsonaro um plano nacional de contingência de incidentes com vazamento de petróleo.
Pois, como informa a Folha, são justamente esses dois comitês extintos por Bolsonaro que deveriam fazer parte deste plano de contingência.
A omissão do governo movido a notícias falsas já provocou estragos em 77 cidades nordestinas.
Enquanto isso, em seus delírios hitlerianos, o capitão-presidente especulou que pode ser um ato criminoso para prejudicar o leilão do pré-sal, o nosso tesouro sob as águas, que está na origem do golpe de 2016 para derrubar Dilma e prender Lula.
Foi para isso que a Lava Jato fez uma joint-venture com a justiça e a polícia do amigo Trump: entregar nossas reservas a preço de banana.
Sem se preocupar com os gravíssimos prejuízos econômicos, ambientais e sociais causados pela incúria governamental ao povo da região atingida, Bolsonaro fez mais uma grosseria com os nordestinos nesta sexta-feira.
Chamou de “espertalhão”  o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, acusando-o de ter copiado sua proposta de dar um 13º salário aos beneficiários do Bolsa Família.
Era mais uma mentira, pois em sua campanha Câmara já tinha apresentado esta medida em seu programa de governo.
Os nove governadores nordestinos reagiram imediatamente ao “descabido e desrespeitoso ataque” em carta assinada por todos eles.
Dizem os governadores:
“Além de inverídica, a mensagem publicada possui um tom inaceitável, em qualquer situação, tornado-se ainda mais grave ao ser assinada pela mais alta autoridade do poder executivo”.
A irresponsabilidade do governo do ex-capitão afastado do Exército não tem limites.
Governa o país como se fosse o síndico de um condomínio de milicianos na Barra da Tijuca, não respeita ninguém e arruma uma confusão atrás da outra para governar sozinho com seus filhos e áulicos.
A boa notícia é que, na próxima semana, ele deve viajar para a Ásia, onde passará bastante tempo longe das crises, fabricando espuma e novos vexames.
No governo da vingança e do ódio, o povo nordestino que se dane. Quem mandou não votar no capitão de fancaria?
Bom final de semana a todos.
Vida que segue.

Bolívia lidera pelo sétimo ano consecutivo o crescimento na região - Portal Vermelho

Bolívia lidera pelo sétimo ano consecutivo o crescimento na região - Portal Vermelho: “Em 2019, pelo sétimo ano consecutivo, vamos liderar o crescimento econômico da região”, comemorou o ministro da Economia e Finanças Públicas da Bolívia, Luis Arce, frisando que a “nacionalização dos recursos naturais e a industrialização têm sido essenciais para o êxito do processo de transformação comandado pelo presidente Evo Morales”.

Por Leonardo Wexell Severo, de La Paz/ Bolívia para o ComunicaSul

POLÍTICA - O JN é uma gracinha.

DESNUDANDO A MÍDIA

Eliara Santana: JN naturaliza Brasil desigual, 104 milhões sobrevivem com R$ 413 por mês


18/10/2019 - 15h01

por Eliara Santana*
Jornal Nacional sempre usou muito bem o silenciamento como política editorial
Silenciamento não é censura, é uma estratégia sutil, inteligente e muito bem elaborada de manipulação.
É um conceito discutido por Eni Orlandi (muitíssimo bem, aliás) e já falei sobre ele algumas vezes aqui. O esquema é mais ou menos assim:
 X    <––– ACONTECIMENTO –––>   Y                                                         
Há um acontecimento que não pode ser totalmente negligenciado pela imprensa.
Ele não pode ser “censurado” numa sociedade pretensamente democrática. Mas, ele pode ser “silenciado”, ser dito de outro modo.
Então, o jornal diz X daquele acontecimento para não ter de dizer Y, toca em alguns aspectos para não focar em outros, diz UMA coisa para não dizer OUTRAS.
A forma do dizer, o “tom” escolhido para pintar o acontecimento vai “domesticar” o sentido, o significado, direcionando a percepção dos espectadores e formatando as sensações (incômodo, otimismo, raiva).
Num exemplo concreto, vamos tomar o caso da desigualdade, o assunto que ressurge após os dados alarmantes divulgados pelo IBGE no dia 16.
A edição do JN não ignorou o tema, nem era possível fazê-lo, mas  trabalhou muito bem na construção do silenciamento, dando tons diferentes a uma questão que é gravíssima.
A reportagem foi a nona a ser exibida na edição, vindo depois de outras quatro de economia (com viés bem positivo).
O texto inicial de Bonner apresentou o problema, temporalmente inscrito: “O IBGE mostrou que a desigualdade aumentou no Brasil no ano passado. De toda a renda do país, 40% estão concentrados nas mãos de 10% da população”.
Números que indicam um cenário, mas que não são capazes de dar uma exata dimensão da situação, pois os percentuais são muito mais difíceis de serem compreendidos.
O que significa, claramente, o dado “40% de toda a renda do país”?
Além disso, falar em “aumento” é bem diferente de dizer “bate recorde”.
Como se trata de um assunto muito ruim, então, ele precisa de um colorido para que os efeitos de sentido não sejam tão devastadores para o público.
Assim, a reportagem mostrou que há de fato desigualdade, mas não inseriu o problema numa perspectiva histórica, dos agentes causadores desse estado de coisas, como fruto de uma política econômica que está destruindo o país.
Tampouco mostrou os números que poderiam dar a dimensão da inaceitável e vergonhosa situação do Brasil:
104 milhões de brasileiros vivem com 413 reais por mês
10,milhões de brasileiros vivem com  51 reais por mês
60,4 milhões de brasileiros vivem com 269 reais por mês
Imaginem o efeito para os espectadores, no cenário de uma economia que não decola, se a primeira chamada do JN, na voz de Bonner, fosse: “MAIS DE 100 MILHÕES DE BRASILEIROS SOBREVIVEM COM APENAS 413 REAIS POR MÊS”. Só imaginem.
Mas, ao contrário, a reportagem nos mostrou  “gente que faz força, aperta o cinto e não para de sonhar”.
Os trabalhadores ouvidos deram o testemunho de que não desanimam, como se isso fosse o suficiente para acabar com a desigualdade.
Nos depoimentos, a confiança, o otimismo: “Pode estar ruim hoje, ruim amanhã, mas eu estou aqui. Eu vim pra guerra, vim pra vencer”.
Todos prontos para batalhar, todos de alto astral. Ninguém se deixando abater, ninguém triste, pelo contrário.
Ou seja, a desigualdade é transformada num DESAFIO PESSOAL, ela não é um PROBLEMA ESTRUTURAL num sistema capitalista selvagem.
A desigualdade como fenômeno existe na bancada do JN sem responsáveis por ela.
A concentração de renda foi mostrada pelo jornal – com quadros e números para dizer que os mais ricos viram sua renda aumentar 8,3% -, mas os sujeitos que concentram renda não apareceram. Quem são eles?
A desigualdade foi de certa forma dimensionada na edição, foi citada na reportagem, com os números sendo mostrados: a renda do 1% mais rico da população equivale a 33,8 vezes a renda dos 50% mais pobres.
Mas, ela não foi “revelada”, escancarada, construída simbolicamente, traduzida para o público.
Dizer que o Índice de Gini subiu não tem o menor efeito. Números não dizem por si, e a economia não é um tema dominado pelo público. Mas dizer que metade da população sobrevive com 413 reais por mês teria um efeito simbólico enorme.
E a construção silenciada da desigualdade no JN tem diversos elementos interessantes, por exemplo:
1: Os trabalhadores ouvidos e mostrados na tela (com nome no quadro e um sorriso no rosto) recebem de R$ 1200 a R$ 2500 por mês.
Portanto, ninguém que recebe abaixo do salário mínimo. Simbolicamente, o grupo mostrado é mesmo ilustrativo da realidade de desigualdade do Brasil? Por que não entrevistar alguém que sobrevive com  R$ 413 por mês?
2: Ninguém que perdeu o Bolsa Família foi ouvido. Aliás, não há qualquer referência aos cortes nos programas de transferência de renda e ao impacto desses programas.
3: Nenhuma imagem de miséria e pessoas nas ruas foi mostrada. Nenhuma. As imagens mostradas são positivas – de dificuldade, mas de luta.
Para fechar a reportagem, uma mensagem otimista.
A professora aposentada (que acredita que um dia o Brasil vai melhorar) contratou seu Jorge (um senhor que faz carreto e “leva qualquer coisa”) para transportar a geladeira nova.
Seu Jorge, 59 anos, 13 filhos, é descrito pela reportagem como “um brasileiro que encara qualquer desafio para pagar as contas”.
Sorridente, com uma cara muito boa, seu Jorge diz: “Não peço nada a ninguém para sustentar eles, sustento eles com meu suor, graças a Deus” – e a imagem congelada é de braços musculosos fortes e um sorriso pleno no rosto.
Se, portanto, nós brasileiros encaramos qualquer desafio, como o personagem seu Jorge, vamos superar mais esse – não importando se o salário é aviltante, se a diferença entre os maiores e os menores salários é uma vergonha, se os juros bancários são indecentes,  se o lucro dos banqueiros bate recordes, se quem tem helicóptero não paga imposto, se a política econômica é um desastre… nada disso importa, porque nós vamos encarar qualquer desafio e pagar as contas. Assim é o brasileiro, e a desigualdade é apenas um detalhe na nossa história.
Pensando nos efeitos de sentidos e no impacto dessas construções, vamos imaginar que o JN tivesse levado o conceito de “desigualdade” de outra forma para o público.
Poderia, por exemplo, mostrar que num país em que 104 milhões de brasileiros vivem com 413 reais por mês (o que dá R$ 13,76 por dia), os bancos e os banqueiros tiveram um aumento absurdo no lucro, pois os juros bancários no Brasil são os maiores do mundo.
A reportagem poderia ainda mostrar imagens, cenas de miséria, de famílias pegando comida em lixão (o que voltou a acontecer), de pessoas amarguradas procurando emprego, de mães sem comida para dar aos filhos. E o outro lado, dos lugares de muito luxo, do judiciário que acumula auxílio moradia, do aumento da cota para compra em free shop.
Mostrar que os brasileiros “não param de sonhar” não é escancarar o quadro de desigualdade. É modalizar. É pintar a desigualdade com cores aceitáveis – quase como algo que acontece naturalmente no rumo natural de uma sociedade.
É fingir que é normal um país em que 104 milhões de pessoas operam o milagre de sobreviver com 413 reais por mês.
*Eliara Santana é jornalista e doutoranda em Estudos Linguísticos pela PUC Minas/Capes.