domingo, 29 de março de 2020

O discurso: Bolsonaro está jogando poker com a morte

UM DOS MELHORES EXERCÍCIOS PARA A SUA IMUNIDADE MELHORAR | Muro 5 | Dr. ...

Trecho da conversa com Ciro Gomes sobre o papel dos bancos na crise

Balanço da manhã de domingo

Live de toda quinta-feira com o Presidente Jair Bolsonaro (26/03/2020). ...

POLÍTICA - Parabéns Gabriela, firme até o final.


Gabriela Prioli deixa CNN Brasil após ser destratada ao vivo por apresentador

A apresentadora virou um dos assuntos mais comentados do Twitter, logo no seu primeiro dia, ao deixar Caio Copolla sem argumentos em um debate
Foto: Reprodução
A apresentadora e advogada Gabriela Prioli anunciou em sua conta do Twitter, neste domingo (29), que se desligou da CNN Brasil.
“Eu digo a vocês, de forma reiterada, para se posicionarem, serem firmes e não cederem diante de comportamentos que vocês considerem inadequados. Se agora, quando a vida demanda isso de mim, eu agisse de outra forma, estaria sendo hipócrita”, escreveu a apresentadora.
Gabriela virou um dos assuntos mais comentados das redes, logo no seu primeiro dia na emissora, ao deixar Caio Copolla sem argumentos no programa Grande Debate, apresentado por Reinaldo Gottino.
Copolla foi substituído por Tomé Abduch programas depois, após ser afastado da bancada ao apresentar sintomas de Covid-19. 
Os três debatiam, na manhã desta sexta-feira, sobre a política de drogas no Brasil quando Gottino não a deixou terminar de falar, o que rapidamente virou assunto nas redes sociais. 
Veja abaixo o tuíte de Gabriela comentando o assunto:
“Queridos antigos e novos amigos, os últimos dois dias foram de muita reflexão. Não é fácil ser firme no início de um projeto profissional, mas é impossível não me comportar segundo aquilo que eu defendo, apesar das possíveis consequências.
Eu digo a vocês, de forma reiterada, para se posicionarem, serem firmes e não cederem diante de comportamentos que vocês considerem inadequados. Se agora, quando a vida demanda isso de mim, eu agisse de outra forma, estaria sendo hipócrita.
Em mais de uma oportunidade tive que me posicionar cobrando respeito ao meu espaço de fala. É preciso ser mais contundente. O meu compromisso é com um debate racional, prospectivo, informativo e respeitoso.
Não consigo atingir o meu objetivo se for constrangida e não posso seguir participando do debate sem que a convicção sobre a gravidade do constrangimento não seja só minha, mas de todos os envolvidos, na frente e atrás das câmeras.
Não posso legitimar que o achismo seja equiparado ao conhecimento científico nem contribuir para acirrar a polarização. Seguirei, por enquanto, dividindo com vocês as minhas análises nas minhas redes e pensando em outras formas para podermos interagir e evoluir com qualidade.
Nessas últimas duas semanas o nosso grupo cresceu e isso me traz profunda satisfação. O meu maior prazer é essa troca que tenho com vocês. Fica aqui então o meu muito obrigada.
Nos posicionar é a forma que nós temos de conscientizar o mundo daquilo que nós consideramos fundamental.
Gabi”, escreveu.
Gabriela é mestre em direito penal, professora de pós-graduação em direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em política de drogas, estreou na emissora como comentarista política.
Veja abaixo o vídeo onde Gabriela é interrompida e desrespeitada:

The Inner Light

Dhani Harrison - The Inner Light

CORONAVÍRUS - Receita natural para aumentar sua imunidade.



AMIGA MINHA MÉDICA ME PASSOU A SEGUINTE RECEITA:


- 20 GOTAS DE PRÓPOLIS VERDE COM UM LIMÃO ESPREMIDO, DUAS VEZES AO DIA, A

 PRIMEIRA EM JEJUM;

- COLOCAR JUNTO,  PITADAS  DE CÚRCUMA E GENGIBRE EM PÓ.

Quem mora no Rio de Janeiro, pode comprar tanto o gengibre em pó como a cúrcuma, nas Casas Pedro.

Bom Domingo a todos.

CORONAVÍRUS - "Pega sim, fique em casa"


Cantora viraliza ao convocar bolsonaristas às ruas: “Diga que Lula é ladrão, bote a culpa no PT”

Com mais de 50 mil visualizações em poucos dias, a cantora Bruna Volpi ironiza postura de Bolsonaro diante da crise do coronavírus
Foto: Reprodução
A cantora Bruna Volpi bombou nas redes nesta semana com um vídeo onde declama o texto “Vá pra rua”, de Caio Menezes.
Com mais de 50 mil visualizações em poucos dias, o texto convoca bolsonaristas para as ruas seguirem o “teu presidente”.
De maneira irônica, o texto construído em versos ganha com a interpretação da cantora.
Veja o vídeo abaixo e leia o texto:
Bolsominion, vá pra rua com teu presidente
Abraça quem tá do lado, espirra em quem tá na frente
Leva os filhos à escola e beija o teu pai doente
E não se sinta demente, siga a recomendação
É fake news sobre a China, desligue a televisão
Você também já foi atleta, confie no seu corpão
Diga que Lula é ladrão, bote a culpa no PT
Que tá tudo esclarecido e só a gente não vê
Que o mundo todo tá errado e quem tá certo é você
Só que ligue a sua TV quando o mito for falar
Escute o que ele disser, siga o que ele aconselhar
Sua TV é um espelho lhe ajudando a se olhar
Depois saia pra lanchar e melhor que vá ao Madero
Sete mil morrer e pouco, o que vale é o dinheiro
Sete e mil e um morrendo, vão chama-lo de guerreiro
Vá em frente companheiro, vá pra sua igreja rezar
Leve a família todinha e o dinheiro pra pagar
Depois veja se o pastor vai querer lhe abraçar
Faça um vídeo pra zombar da desgraça do seu país
Depois poste num grupo onde estão os seus iguais
Famílias bem-sucedidas, pessoas tão geniais
Siga assim, não volte atrás, não se arrependa de nada
O Bolsonaro é quem tá certo de tá fazendo piada
Boi que é boi não abandona outro boi na boiada
Saia com a champanhe gelada e uma faixa dizendo assim:
“O mito é nossa cura, o Brasil tá bom assim
Faço parte da boiada, a doença não pega em mim”
Pega sim, fica em casa.

Bom dia 247: Bolsonaro vira pato manco (29.3.20)

Blog do Roberto Moraes: Para reduzir nossa infelicidade, preocupação e ans...

Blog do Roberto Moraes: Para reduzir nossa infelicidade, preocupação e ans...: Para reduzir nossa infelicidade, preocupação e ansiedade diante da pandemia, o Brasil vive um duplo comando, ou uma desobediência federativa...

Mandetta ataca imprensa para agradar Bolsonaro e apanha da Globo

Mandetta ataca imprensa para agradar Bolsonaro e apanha da Globo: “O ministro da saúde encontrou uma outra maneira de agradar o presidente: criticou o trabalho da imprensa, afirmando que os meios de comunicação são sórdidos, porque na visão dele só vendem se a matéria for ruim", afirma editorial da Rede Globo lido pela jornalista Ana Paula Araújo durante o Jornal Nacional

"O presidente tem o jeito dele", diz o vice Mourão

"O presidente tem o jeito dele", diz o vice Mourão: Em entrevista, o vice contesta a postura de Jair Bolsonaro, que fala em 'gripezinha', mas afirma que não vai conseguir mudá-lo. "Ele tem 65 anos", afirma

POLÍTICA - Impeachment pode ser pouco para o capitão.

Mello Franco e os crimes do ‘Capitão Corona’


Bernardo Mello Franco, na Folha e há tempos em O Globo é, da nova geração de comentaristas políticos, quem mais vigor e coerência empresta a seus textos e isso se repete hoje, em sua coluna, quando assinala que a responsabilização de Jair Bolsonaro pelo crime que está cometendo vai além da sanção política e um impeachment, mas caminhará, num mundo juncado de corpos e mágoas, para um julgamento internacional.
Ou alguém acha que o planeta, depois da perda de centenas de milhares de vidas, vai permitir que fiquem impunes os que contribuíram para elas?

Impeachment pode ser pouco para Bolsonaro

Bernardo Mello Franco, em O Globo
Os desvarios de Jair Bolsonaro não cabem mais na esfera da política. Quando o presidente se torna uma ameaça à saúde pública, sabotando o esforço nacional contra a pandemia, seus atos devem ser submetidos aos tribunais.
Nos últimos dias, a Justiça começou a impor freios ao Capitão Corona. O Supremo derrubou duas canetadas odiosas: o corte de 158 mil benefícios do Bolsa Família e a MP que mutilou a Lei de Acesso à Informação.
Para surpresa de ninguém, Bolsonaro tentou usar a crise para garfar miseráveis e reduzir a transparência do governo. As medidas foram invalidadas pelos ministros Marco Aurélio Mello e Alexandre de Moraes. Em tempo: nenhum deles foi indicado por governos do PT.
Depois das derrotas no Supremo, o presidente passou a apanhar na primeira instância. Na sexta, o juiz Márcio Santoro Rocha suspendeu a autorização para igrejas e casas lotéricas retomarem as atividades normais. Horas depois, a juíza Laura Bastos Carvalho mandou tirar do ar a campanha publicitária que incentivava a população a voltar às ruas.
Nos dois casos, o capitão driblou a lei para agradar a clientela. Na MP do Dízimo, ele subverteu o conceito de atividades essenciais para beneficiar mercadores da fé e empresários do ramo de apostas.
Em outra frente, a Secom planejava bombardear os cidadãos com propaganda contra a quarentena. A campanha “O Brasil não pode parar” torraria R$ 4,8 milhões num momento em que falta dinheiro para ampliar a oferta de leitos e equipar os hospitais.
As quatro decisões ainda podem ser revistas, mas apontam um caminho para frear o presidente pela via judicial. Ao torpedear políticas de isolamento que podem salvar milhares de brasileiros, Bolsonaro extrapola os poderes de chefe de Estado. Age como um líder de seita que tenta conduzir o rebanho ao suicídio coletivo.
Quando a epidemia passar, a abertura de um processo de impeachment pode ser pouco para enquadrar o presidente. Se sua cruzada contra a vida prosperar, ele se candidatará a uma denúncia ao Tribunal Penal Internacional, que julga crimes contra a Humanidade.

sábado, 28 de março de 2020

Altamiro Borges: Tragédia do coronavírus: Bye, bye, Bolsonaro

Altamiro Borges: Tragédia do coronavírus: Bye, bye, Bolsonaro

Luiza Trajano dá exemplo: peço aos empresários que não demitam

Luiza Trajano dá exemplo: peço aos empresários que não demitam: "Estou pedindo aos empresários se acalmarem, darem férias e não provocarem desemprego”, defendeu a empresária Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza

Sabemos recuperar a economia, mas não um país em colapso generalizado, diz economista Monica de Bolle

Sabemos recuperar a economia, mas não um país em colapso generalizado, diz economista Monica de Bolle: A economista e professora da Universidade Johns Hopkins manda um recado aos empresários brasileiros que afirmam que o colapso da economia com o Brasil parado será mais prejudicial do que a pandemia de coronavírus. “Vocês estão brincando com o colapso de um país”, alertou. Assista

Agência da Rússia apresenta medicamento para tratar COVID-19

Agência da Rússia apresenta medicamento para tratar COVID-19: A Agência Federal para Assuntos Médico-Biológicos (FMBA) da Rússia anunciou em declaração que apresentou um medicamento para tratar o coronavírus – a pandemia que tem afetado quase todos os cantos do globo

Douglas Belchior: se estivesse morrendo só pobre, já teria havido isolamento desse grupo

Douglas Belchior: se estivesse morrendo só pobre, já teria havido isolamento desse grupo: Liderança do movimento negro em São Paulo, Douglas Belchior discorre sobre as dificuldades da população pobre e negra diante do coronavírus e explica suas propostas para ajudar as famílias mais prejudicadas pela crise. Assista

Pepe Escobar: China sairá da crise com economia maior do que a dos Estados Unidos

Pepe Escobar: China sairá da crise com economia maior do que a dos Estados Unidos: O jornalista Pepe Escobar apontou a derrocada de Wall Street, a corrosão da União Europeia e o reaquecimento breve dos diálogos entre China e Rússia como os fatores que tornarão possível a liderança mundial da economia chinesa. Assista

Bolsonaro quer 'colocar crise no colo dos governadores', diz analista

Bolsonaro quer 'colocar crise no colo dos governadores', diz analista: O presidente Jair Bolsonaro faz uma aposta arriscada com sua atuação durante a pandemia do coronavírus e tenta associar a vindoura crise econômica aos governadores, avalia especialista

Desesperados com o descaso do Estado e passando fome, moradores das favelas começam a ir às ruas

Desesperados com o descaso do Estado e passando fome, moradores das favelas começam a ir às ruas: À medida em que coronavírus avança no Brasil, a profunda desigualdade brasileira - tema antes ignorado pela grande imprensa - passa para o topo das preocupações. Moradores das favelas, desesperados com o descaso do Estado, começam a passar fome e ir às ruas

População reage a carreata do ódio jogando ovos, xingando e fazendo panelaço em João Pessoa (vídeo)

População reage a carreata do ódio jogando ovos, xingando e fazendo panelaço em João Pessoa (vídeo): O episódio que chocou todos os brasileiros - a carreata anti-quarentena incitada pelo presidente Bolsonaro - teve o previsível desfecho de indignação em João Pessoa: carros foram alvos de ovos, panelaços e xingamentos

Heleno quebrou quarentena por 'engano' e pode ter infectado presidente, vice e mais da metade do ministério

Heleno quebrou quarentena por 'engano' e pode ter infectado presidente, vice e mais da metade do ministério: O nível de desorganização do governo é tal que o próprio ministro do GSI, General Heleno, violou a quarentena que lhe foi imposta por 'equívoco'. Heleno participou de reunião de três horas com presidente e vice-presidente, expondo o governo a um risco de apagão completo

CORONOVÍRUS - Artigo do Chomsky.

Chomsky: Não podemos deixar a Covid-19 nos levar ao autoritarismo

A crise atual oferece um poderoso argumento em favor da assistência universal à saúde e de reavaliarmos os problemas mais profundos de nossas sociedades

* Publicado originalmente em ‘Truth Out‘. A tradução é de César Locatelli, para a Carta Maior.
Enquanto a pandemia do Covid-19 revira a ordem política e econômica global, dois futuros muito diferentes parecem possíveis. Em um extremo do espectro, as sociedades que enfrentam o tributo imposto pelo vírus podem entrar em colapso no autoritarismo. Mas no outro extremo do espectro, temos a possibilidade de aprender as lições com esse desastre – outra colossal falha de mercado aprimorada por um ataque neoliberal e agora pela bola de demolição de Trump.
A crise atual oferece um argumento poderoso em favor da assistência universal à saúde e da reavaliação dos problemas mais profundos de nossas sociedades. O resultado que prevalecerá depende da força da opinião pública despertada, conforme descrito nos exemplos a seguir, que são adaptados, para este artigo para a Truthout, do meu livro Internationalism or Extinction [Internacionalismo ou extinção].
Se me permitem, gostaria de começar com uma breve reminiscência de um período que é estranhamente semelhante a hoje em muitos aspectos desagradáveis. Estou pensando em 80 anos atrás. Por acaso, foi o momento do primeiro artigo que me lembro de ter escrito sobre questões políticas. Fácil de datar: foi logo após a queda de Barcelona, em fevereiro de 1939.
O artigo era sobre o que parecia ser a disseminação inexorável do fascismo pelo mundo. Em 1938, a Áustria havia sido anexada pela Alemanha nazista. Alguns meses depois, a Tchecoslováquia foi traída, colocada nas mãos dos nazistas na Conferência de Munique.
Na Espanha, uma cidade após a outra estava caindo nas forças de Franco. Em fevereiro de 1939, Barcelona caiu. Esse foi o fim da República Espanhola. A notável revolução popular, revolução anarquista, de 1936, 1937, 1938, já havia sido esmagada pela força. Parecia que o fascismo se espalharia sem ter fim.
Não é exatamente o que está acontecendo hoje, mas, se pudermos emprestar a famosa frase de Mark Twain, “A história não se repete, mas às vezes rima” – muitas semelhanças para se ignorar. Quando Barcelona caiu, houve uma enorme inundação de refugiados da Espanha.
A maioria foi para o México, cerca de 40.000. Alguns foram para a cidade de Nova York, estabeleceram escritórios anarquistas na Union Square, sebos na 4th Avenue. Foi aí que recebi minha educação política inicial, perambulando por essa área. Isso foi há 80 anos. Agora é hoje.
Não sabíamos na época, mas o governo dos EUA também estava começando a pensar que na virtual impossibilidade de conter a disseminação do fascismo. Eles não o viam com o mesmo alarme que eu quando tinha 10 anos de idade. Agora sabemos que a atitude do Departamento de Estado era bastante dúbia em relação ao significado do movimento nazista.
Na verdade, havia um cônsul em Berlim, o cônsul dos EUA em Berlim, que estava enviando comentários bastante inconsistentes sobre os nazistas, sugerindo que talvez eles não fossem tão ruins quanto todo mundo dizia. Ele ficou lá até o dia do ataque de Pearl Harbor, quando foi exonerado – o famoso diplomata chamado George Kennan. Não é uma má indicação da atitude dúbia em relação a esses desenvolvimentos. Acontece que, não poderia saber na época, mas logo depois disso, em 1939, o Departamento de Estado e o Conselho de Relações Exteriores começaram a planejar o mundo pós-guerra, como seria o mundo pós-guerra.
E nos primeiros anos, exatamente naquela época, nos anos seguintes, eles assumiram que o mundo do pós-guerra seria dividido entre um mundo controlado pelos alemães, um mundo controlado pelos nazistas, a maior parte da Eurásia, e um mundo controlado pelos EUA, que incluiria o Hemisfério Ocidental, o antigo Império Britânico – que os EUA assumiriam partes do Extremo Oriente. E esse seria o formato do mundo pós-guerra. Agora, sabemos que essas opiniões foram mantidas até que os russos mudassem a maré.
Stalingrado, 1942–1943, a enorme batalha de tanques em Kursk, pouco depois, deixou bem claro que os russos derrotariam os nazistas. O planejamento mudou. A imagem do mundo pós-guerra mudou e passou para o que vimos no último período desde aquela época. Bem, isso foi há 80 anos.
Hoje não estamos enfrentando a ascensão de algo como o nazismo, mas estamos enfrentando a expansão do que às vezes é chamado de internacional reacionária ultranacionalista. A aliança no Oriente Médio consiste dos estados reacionários extremistas da região – Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, sob a ditadura mais brutal de sua história, Israel no centro – confrontando o Irã.
Existem ameaças graves que estamos enfrentando na América Latina. A eleição de Jair Bolsonaro no Brasil colocou no poder o ultranacionalismo de direita mais extremo, mais ultrajante que agora assola o hemisfério. Lenín Moreno, do Equador, deu um grande passo em direção à união da extrema-direita expulsando Julian Assange da embaixada . Ele foi rapidamente preso pelo Reino Unido e enfrenta um futuro muito perigoso, a menos que haja um significativo protesto popular. O México é uma das raras exceções na América Latina a esses desenvolvimentos. Na Europa Ocidental, os partidos de direita estão crescendo, alguns deles de caráter muito assustador.
Há também contradesenvolvimentos. Yanis Varoufakis, ex-ministro das finanças da Grécia, um indivíduo muito significativo e importante, junto com Bernie Sanders, pediu a formação de uma Internacional Progressista para combater a internacional de direita que está se desenvolvendo. No nível dos estados, o equilíbrio parece esmagadoramente na direção errada.
Mas os estados não são as únicas entidades. No nível das pessoas, é bem diferente. E isso pode fazer a diferença. Isso significa a necessidade de proteger as democracias em funcionamento, de aprimorá-las, de aproveitar as oportunidades que elas oferecem, para os tipos de ativismo que levaram a progressos significativos no passado e que poderão nos salvar no futuro.
Quero fazer algumas observações abaixo sobre a grave dificuldade de manter e instituir a democracia, as forças poderosas que sempre se opuseram a ela, as façanhas de por algum modo forma salvá-la e melhorá-la, e a significância disso para o futuro.
Mas primeiro, algumas palavras sobre os desafios que enfrentamos, sobre os quais você já ouviu falar o suficiente e todos sabem. Não preciso entrar neles em detalhes.
Descrever esses desafios como “extremamente graves” seria um erro. A frase não captura a enormidade dos tipos de desafios que temos pela frente. E qualquer discussão séria sobre o futuro da humanidade deve começar por reconhecer um fato crítico, que a espécie humana agora enfrenta uma questão que nunca havia surgido na história da humanidade, uma pergunta que precisa ser respondida rapidamente: a sociedade humana sobreviverá por muito tempo?
Bem, como todos sabem, há 70 anos vivemos sob a sombra da guerra nuclear. Aqueles que analisaram os registros só podem se surpreender com o fato de termos sobrevivido até agora. Vez após outra, o desastre terminal tem ficado extremamente próximo, a alguns minutos de distância. É um milagre que tenhamos sobrevivido. Milagres não duram para sempre.
Isso tem que ser interrompido e rapidamente. A recente Revisão da Postura Nuclear [Nuclear Posture Review] do governo Trump aumenta drasticamente a ameaça de conflagração, que seria de fato terminal para a espécie. Podemos lembrar que esta Revisão da Postura Nuclear foi patrocinada por Jim Mattis, que era considerado civilizado demais para ser mantido no governo.
Havia três tratados principais de armas: o Tratado ABM, Tratado de Mísseis Antibalísticos; o Tratado INF, Forças Nucleares Intermediárias; o novo tratado START.
Os EUA se retiraram do Tratado ABM em 2002. E qualquer um que acredite que mísseis antibalísticos são armas defensivas esta iludido com a natureza desses sistemas. Os EUA acabaram de sair do Tratado INF, estabelecido por Gorbachev e Reagan em 1987, que reduziu drasticamente a ameaça de guerra na Europa, que se espalharia muito rapidamente.
Manifestações públicas maciças foram o pano de fundo para levar a um tratado que fez uma diferença muito significativa. Vale lembrar desse e de muitos outros casos em que o ativismo popular significativo fez uma enorme diferença. As lições são óbvias demais para enumerar. O governo Trump retirou-se do Tratado INF. Os russos se retiraram logo depois.
Se você der uma olhada mais de perto, verá que cada um dos lados tem uma argumentação credível, dizendo que o oponente não cumpriu o tratado. Para aqueles que querem uma imagem de como os russos podem olhar para a situação, o Bulletin of Atomic Scientists, o principal periódico sobre questões de controle de armas, publicou recentemente um artigo de Theodore Postol, destacando o quão perigosas são as instalações americanas de mísseis antibalísticos na fronteira com a Rússia – quão perigosos eles são e podem ser percebidos pelos russos. Observem, na fronteira com a Rússia. As tensões estão aumentando.
Ambos os lados estão realizando ações provocativas. Em um mundo racional, o que aconteceria seriam negociações entre os dois lados, com especialistas independentes para avaliar as acusações que cada um está fazendo contra o outro, para levar a uma resolução dessas acusações, para restaurar o tratado. Isso seria num mundo racional. Infelizmente, porém, não é o mundo em que vivemos. Nenhum esforço foi feito nesse sentido. E não será, a menos que haja pressão significativa.
Bem, resta o novo tratado START. O novo tratado START já foi designado pela figura responsável (que se descreveu modestamente como o maior presidente da história americana) como o pior tratado que já aconteceu na história da humanidade, a designação usual para qualquer coisa que tenha sido feita por seus antecessores.
Trump acrescentou que precisamos nos livrar dele. Na verdade, o tratado entra em renovação logo após a próxima eleição, muito estará em jogo. Muito estará em jogo na questão da renovação desse tratado. Ele conseguiu reduzir significativamente o número de armas nucleares, muito acima do que deveriam ser, mas muito abaixo do que eram antes. E poderia continuar.
Enquanto isso, o aquecimento global prossegue em seu curso inexorável. Durante este milênio, cada ano, com uma exceção, foi mais quente do que o anterior. Existem trabalhos científicos recentes, de James Hansen e outros, que indicam que o ritmo do aquecimento global, que vem aumentando desde 1980, pode estar aumentando acentuadamente e pode passar de um crescimento linear para um crescimento exponencial, o que significa dobrar a cada duas décadas.
Já estamos nos aproximando das condições de 125.000 anos atrás, quando o nível do mar era cerca de 10 metros mais alto do que é hoje. Com o derretimento, o derretimento rápido, dos enormes campos de gelo da Antártica, esse ponto pode ser alcançado. As consequências disso são quase inimagináveis. Quer dizer, nem vou tentar descrevê-las, mas vocês podem descobrir rapidamente o que isso significa.
Enquanto isso acontece, você lê regularmente relatos eufóricos da imprensa sobre como os Estados Unidos estão avançando na produção de combustíveis fósseis. Agora ultrapassamos a Arábia Saudita. Estamos na liderança da produção de combustíveis fósseis. Os grandes bancos, JPMorgan Chase e outros, estão despejando dinheiro em novos investimentos em combustíveis fósseis, incluindo os mais perigosos, como as areias betuminosas do Canadá. E tudo isso é apresentado com grande euforia, com excitação. Agora estamos alcançando a “independência energética”. Podemos controlar o mundo, determinar o uso de combustíveis fósseis no mundo.
Apenas uma palavra sobre qual é o significado disso, o que é bastante óbvio. Não é que os repórteres, comentaristas não saibam disso, que os CEOs dos bancos não saibam disso. Claro que eles sabem. Mas essas são pressões institucionais das quais é extremamente difícil se livrar. Tente colocar-se na posição de, digamos, o CEO do JPMorgan Chase, o maior banco, que está direcionando grandes somas para investimentos em combustíveis fósseis. Ele certamente sabe tudo o que todos sabem sobre o aquecimento global. Não é segredo.
Mas quais são suas escolhas? Basicamente, ele tem duas opções. Uma opção é fazer exatamente o que ele está fazendo. A outra opção é renunciar e ser substituído por outra pessoa que fará exatamente o que está fazendo. Não é um problema individual. É um problema institucional que pode ser resolvido, mas apenas sob tremenda pressão pública.
E vimos recentemente, de maneira muito dramática, como a solução pode ser alcançada. Um grupo de jovens, o Movimento Sunrise, organizado, chegou ao ponto de se sentar nos escritórios do Congresso e despertou algum interesse das novas figuras progressistas que conseguiram chegar ao Congresso. Sob muita pressão popular, a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, acompanhada pelo senador Ed Markey, colocou o Green New Deal na agenda.
Essa é uma conquista notável. É claro que o plano recebeu ataques hostis de todos os lados: isso não importa. Alguns anos atrás, era inimaginável que fosse discutido. Como resultado do ativismo desse grupo de jovens, ele está agora no centro da agenda. Ele precisa ser implementado de uma forma ou de outra. É essencial para a sobrevivência, talvez não exatamente dessa forma, mas com algumas modificações.
Enquanto isso, o Relógio do Juízo Final do Boletim de Cientistas Atômicos, em janeiro passado, estava marcado para dois minutos para meia-noite. É o ponto mais próximo do desastre terminal desde 1947. O anúncio desse horário – desse cenário – mencionou as duas principais ameaças conhecidas: a ameaça da guerra nuclear, que está aumentando, e a ameaça do aquecimento global, que está aumentando ainda mais. E acrescentou uma terceira ameaça pela primeira vez: o enfraquecimento da democracia. Essa é a terceira ameaça, junto com o aquecimento global e a guerra nuclear.
E isso foi bastante apropriado, porque o funcionamento da democracia oferece a única esperança de superar essas ameaças. Eles não serão tratados pelas principais instituições, estatais ou privadas, agindo sem pressão pública maciça, o que significa que os meios de funcionamento democrático devem ser mantidos vivos, usados da maneira que o Movimento Sunrise fez, da maneira como a grande massa demonstração no início dos anos 80, e da maneira como continuamos hoje.
O novo coronavírus está causando uma calamidade hedionda – que estava prevista e poderia ter sido evitada. Análises credíveis, de cenários extremos possíveis, avaliam que milhões podem morrer, e como sempre, com os pobres e mais vulneráveis sofrendo mais no mundo inteiro. Houve outras catástrofes de saúde na história humana. A “Peste Negra” matou pelo menos um terço da população da Europa, que se recuperou. Também haverá recuperação neste caso, a um custo humano terrível.
Também enfrentamos outras ameaças, que são incomparavelmente mais graves, mesmo que não sejam tão perturbadoras para a vida cotidiana – hoje. Uma é a ameaça de destruição praticamente total pela guerra nuclear, que é ameaçadora e crescente. Outra é a ameaça de uma catástrofe ambiental, que é iminente e devastadora.
Não haverá recuperação. E não há tempo a perder ao tratar decisivamente com as ameaças.
Diante da imensa tragédia do Covid-19, pode parecer cruel colocar a calamidade em perspectiva, e também instar uma busca por suas raízes. Mas o realismo é, no entanto, imperativo, pelo menos se esperamos evitar mais desastres.
Na raiz estão colossais falhas de mercado e malignidades mais profundas da ordem socioeconômica, elevadas da crise ao desastre pelo capitalismo brutal da era neoliberal. Questões que valem a pena considerar, particularmente no país mais poderoso da história mundial, que enfrenta a decisão de permitir ou não que o aríete continue a ser brandido com força devastadora total.