segunda-feira, 25 de março de 2019

domingo, 24 de março de 2019

Elite já busca um caminho para derrubar Bolsonaro

Elite já busca um caminho para derrubar Bolsonaro

POLÍTICA - Em formatura, oradores pedem Lula Livre e denunciam conquistas ameaçadas: ‘O sinal pode estar fechado para nós, mas resistiremos’

Nesse sábado à noite (23/03), formandos e formandas de Artes Cênicas, Artes Visuais, Música, Dança, Teatro e Musicoterapia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) colaram grau em Curitiba.
Os oradores da turma foram Clau Lopes e Aline Ramos.
Eles fizeram um discurso antológico. Corajoso. Brilhante. Contundente. Emocionante.
Seguramente, precisa ser visto (acima) e lido (na íntegra, logo abaixo) pelo ex-presidente Lula.
TEXTO DOS ORADORES
Boa noite excelentíssima mesa diretiva da Unespar – Campus II (Faculdade de Artes do Paraná). Boa noite caras professoras, professores, mestras, mestres, doutoras e doutores e funcionários da instituição.
Boa noite colegas formandas e formandos de Artes Cênicas, Artes Visuais, Música, Dança, Teatro e Musicoterapia.
Caros pais, mães, amigas, amigos e familiares
Pensamos muito em como utilizar esse tempo e chegamos até a escrever um discurso para o cerimonial fofo, bonito, falando de cada um dos colegas. Mas, não é o caso!
Cursar Artes é muito mais do que lidar com expressão ou partituras. É lidar consigo mesmo em um nível de profundidade tão grande, que apenas o lado terapêutico de se fazer arte consegue alcançar.
A arte toca diretamente as almas. Tanto de quem faz, quanto de quem aprecia.
Podemos dizer que na FAP a alma artística se transforma grandemente.
E quando falo de alma, digo isso sem nenhum cunho religioso, mas no sentido de que não há nada além de muita alma e muito esforço colocados em nosso trabalho.
Bernard Shaw uma vez disse que “os espelhos são usados para ver o rosto, a arte para ver a alma”, e agora, depois de terminar o curso que tanto sonhamos, percebemos o quanto a arte, durante esse tempo, transformou nossas vidas.
Porque nesses quatro anos cada uma e cada um vivenciou as diferentes dimensões da arte, sofreu, sorriu, passou raiva, aprendeu e ensinou.
Certamente não somos os mesmos. Saímos, com certeza, maiores do que chegamos.
É pessoal, o que antes parecia uma missão impossível hoje finalmente se concretiza diante dos nossos olhos e diante desses tantos outros olhares aqui presentes.
Pensamos em começar esse texto com uma palavra que resumisse e definisse essas pessoas.
Se há uma palavra que resuma e defina a trajetória que cumprimos aqui, esta palavra é CORAGEM!
Coragem por termos escolhido nos formar nas áreas das artes num momento tão delicado desse país, diante do atual cenário político brasileiro.
Estamos nos formando em uma universidade pública, e precisamos usar esse espaço para lutar, gritar e pedir socorro.
Lutar contra a realidade de sucateamento de Estado, de privatizações, terceirizações dos serviços públicos e o crescente retrocessos nas políticas públicas de Educação, Arte e Cultura.
Quero pedir agora que vocês, por gentileza, fechem os olhos. Lembram-se quando vocês passaram no vestibular? Como foi? Onde estavam? O que estavam fazendo? (…)
Lembram-se, agora, do primeiro dia de aula? Lembram-se de toda a expectativa e todos os sonhos com relação à FAP? (….) “Talkey”, podem abrir os olhos.
Quero que vocês pensem em quantas expectativas foram quebradas. Formamo-nos, não é mesmo?
Formamo-nos sem algumas mestras e mestres que tiveram que abandonar seu cargo de professora e professor Temporário PSS, que foram fundamentais para a nossa formação e que ainda tinham tanto para nos ensinar.
Formamo-nos com muitos professoras e professores sobrecarregados, que mesmo desta forma precária e sucateada, faziam de tudo para estarem disponíveis.
Despertamos para a sensibilidade artística do corpo, para uma consciência de classe que nos tocou profundamente em meio a greves, paralisações e ocupações, movimentos justos que nos formaram para a cidadania.
Em suma, nossa alma é um misto de amor pela dedicação com que nossas professoras e professores nos guiaram até aqui, de decepção pela forma com que governos tratam a educação e de resistência de se estar e se fazer a luta pela garantia de nossos direitos.
Carregaremos os nomes de vocês professoras e professores em nossos corações.
Vocês tornaram-nos mais humanos, trouxeram à tona nosso melhor, coisas que nós mesmo desconhecíamos. Constituíram-nos artistas, professoras e professores.
Há quatro anos quando iniciamos o curso, tínhamos um governo democrático, popular e progressista no poder, com valorização da educação, da arte e da cultura. Com o estado máximo de atenção às demandas do povo brasileiro e, nós artistas, nos lembramos bem de como era o cenário nessa época…
As artes seriam o “pulo do gato” – afinal, Titãs tinha razão: “a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte…”.
A arte é fundamental… Mas no decorrer do curso, vimos o Brasil passar por um golpe de Estado, orquestrado por parte do judiciário, parlamento e mídia, que colocou no poder um projeto de Estado não eleito nas urnas e com visão totalmente oposta à soberania nacional e voltada única e exclusivamente ao capital estrangeiro.
A partir daí tivemos a primeira lição sobre nossa profissão: lidamos com incertezas e as condições de trabalho nessa área estão sujeitas a contextos políticos que mudam sempre.
Por isso, parabenizamos aqui, a coragem daquelas que escolheram se tornar artistas, professoras e professores de Arte mesmo diante de tantos desafios e dentro de um cenário político que torna nosso trabalho ainda mais desafiador e – justamente por isso, ainda mais necessário.
Temos aqui, hoje sentadas e sentados, não mais jovens acadêmicas e acadêmicos, mas sim profissionais da Arte. Artistas a escrever História.
Coragem também define aquelas e aqueles que tiveram que superar várias barreiras para estar aqui, que se formaram conciliando trabalho e estudo, superando as dificuldades impostas por um sistema capitalista que arranca nossa solidariedade e impõe a competição.
Às minhas companheiras e aos meus companheiros de sala de aula e agora colegas de profissão: nunca deixem de acreditar em seu próprio potencial. Desejo a vocês toda a sorte do mundo.
Agradeço à Universidade Estadual do Paraná e desejo resistência na manutenção do ensino superior gratuito e de qualidade.
Principalmente agora que somos professoras, professores, artistas e “artivistas”, que criaremos conexões entre os ambientes escolares e os espaços culturais e que temos o importante papel de construirmos uma sociedade justa, plural e emancipadora.
É preciso lembrar que antes de sermos professoras, professores, artistas, somos humanos. É preciso olhar para lado, olhar para as pessoas oprimidas e marginalizadas e entender que nós somos sim privilegiadas e privilegiados por termos um teto, comida e, agora um diploma; Por termos estudado em uma universidade pública.
O nosso esforço individual contou, mas só isso não seria capaz de explicar a trajetória de muitos de nós.
Foi necessário um conjunto de políticas públicas – que estão sob ameaça neste momento – para que chegássemos aqui.
Qualquer discurso baseado na meritocracia, como querem nos vender os donos do capital, tira do Estado a responsabilidade de gestar políticas públicas que tornem a sociedade menos desigual.
A meritocracia individualiza e joga nos ombros das pessoas o peso da omissão e da falta de políticas públicas e que historicamente geraram os altos graus de desigualdades da sociedade brasileira.
É muito difícil que uma garota ou garoto que vive em condições precárias e que vive em lugares de riscos concorra em condições de equidade com as filhas e filhos das classes mais altas.
Daí a necessidade das políticas públicas, das ações afirmativas, das cotas, de mais escolas e universidades públicas…Então, minhas queridas e meus queridos colegas privilegiados façam a diferença neste mundo, ou melhor, sejam a diferença neste mundo.
Sejam a diferença na sociedade machista, em que a mulher é constantemente reduzida a papel secundário norteada pela opinião masculina, onde o estereótipo de macheza, violência e valentia são motivos de orgulho e ferida para ambos os lados.
Sejam, minhas amigas e amigos, a diferença em uma sociedade patriarcal onde as tarefas domésticas e as relações profissionais e sociais ainda são divididas por gêneros.
Nunca pensei que em pleno 2019 iríamos ter que voltar a discutir que cor não tem gênero, que meninos e meninas vestem o que quiser…
Que “ NOVA ERA” é essa?
Sejam a diferença em uma sociedade racista onde a cor da pele determina seu lugar nessa sociedade, onde o genocídio negro grita, onde mulheres e jovens negras e negros pedem socorro todos os dias, onde amar sua estética e sua ancestralidade é sinal de resistência.
Sejam, a diferença em uma sociedade LGBTIFÓBICA, onde um amor entre iguais incomoda mais que a violência, as mortes e a corrupção, onde a LGBTIFOBIA está institucionalizada e querem cada vez mais acabar com os direitos que foram conquistados em anos e anos de luta.
Sejam a diferença no país que mais mata travestis e transexuais no mundo, neste país onde as marginalizam e expulsam das escolas e das famílias, jogando-as nas ruas.
Sejam a diferença no país onde agentes do Estado que deveriam garantir a segurança confundem guarda-chuvas com fuzis, onde confundem furadeira e ferramenta de trabalho com armas, onde jovens negras e negros são mortos.
Principalmente sejam a diferença no país onde frases como “o erro da ditadura foi torturar e não matar” ou frases como “eu jamais vou estuprar você, porque você não merece”, ou até “prefiro ter um filho morto do que apareça com um bigodudo por aí”, onde pessoas que dizem essas frases, são aplaudidas e vistas por poucos como mito.
Sejam a diferença neste país. Enfim, sejam a diferença, no país que não abraça a diferença!
Que esses 4 anos tenham nos tornado mais sensíveis a isso tudo! Por isso, fica aqui o grito de milhares e milhares de excluídas e excluídos. Não sejamos indiferentes, porque arte é também resistência.
Então este é também um convite à resistência “pois o sinal pode estar fechado para nós, nós sabemos que há perigo na esquina” mas nós resistiremos, como mulheres, negras e negros e por toda comunidade LGBTI.
Resistiremos por Amarildos, Marieles, Andersons e Dandaras. Resistiremos por Anas, Marias, Marinas.
Resistiremos mesmo que queiram nos calar e nos matar e quanto mais assim o fizerem, mais resistiremos.
E, para deixar claro, uma frase que não podia faltar da cantora Pitty, “as mulheres não voltam pra cozinha e os negros não voltam para as senzalas e o gays não voltam pro armário, o choro e livre e nós também”.
Vai ter médica e médico negro atendendo no hospital particular sim!
Vai ter mulher negra sendo juíza, empresária comandando multinacional, liderando pesquisas científicas!
Vai ter mulher dirigindo caminhão, vai ter negro de terno e gravata sim!
Vai ter “viado” na rua sim, vai ter travesti fazendo mestrado e doutorado, vai ter transexual sendo professora e vai ter beijo gay sim.
Vai ter mulher, negra, negro, LGBTI onde elas e eles queiram estar porque ninguém, ninguém vai calar os corações.
Ninguém vai conseguir oprimir o amor, ninguém vai calar a nossa luta que sempre foi e sempre será legitima. Nós somos feitos de amor, de luta e de resistência e resistir, minhas queridas e queridos… Não é nada novo pra nós.
E vai ter professora e professor de arte fazendo escolas que são asas, pois como dizia Rubem Alves “escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar.”
Por fim e não seria menos importante:
Ele não. Ele nunca, ele jamais!!!
Ninguém solta a mão de ninguém.
Obrigada/Obrigado.

sábado, 23 de março de 2019

GLAUBER – O FILME, LABIRINTO DO BRASIL

POLÍTICA - Mais uma operação midiática.

“Furor punitivo” de Bretas em resposta ao STF. Por Marcelo Auler



POR MARCELO AULER
Michel Temer deixou o poder no dia 1 de janeiro, há exatos 80 dias. Na decisão assinada terça-feira (19/03) pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, determinando a prisão preventiva dele e de mais sete investigados, não existe citação de qualquer fato ocorrido nesses quase três meses que mostre alguma atitude de algum deles para interferir na apuração do inquérito. Nem indício de que alguém pretendesse fugir. Tampouco algum exemplo de ameaça à perturbação a ordem púbica. Fala-se sim de um provável desaparecimento de provas em 2017.
Nada de concreto embasa as prisões. Elas foram embrulhadas em teses genéricas da necessidade de combater a corrupção e em demonstrações de que, há um bom tempo, o grupo constituiu-se em uma “organização criminosa” para assaltar os cofres públicos. Como fizeram no caso da Eletro nuclear, em 2014. Não há fatos novos. Tudo requentado.
Sem fatos concretos a justificá-las, as prisões podem ser vistas como mais um espetáculo midiático. Isto se depreende na nota publicada na coluna Painel do jornal Folha de S.Paulo, momentos depois de a prisão acontecer. Como a jornalista Daniela Lima reportou, pouco antes de ser interceptado pelos policiais, Temer ligou a um assessor estranhando a presença de jornalistas na porta de sua casa. Foi quando soube dos boatos sobre a sua possível prisão. Já não eram boatos, mas um novo vazamento de informações para garantir a espetacularização na mídia.
Há, porém, quem enxergue a operação policial dessa quinta-feira (21/03) como uma tentativa de reativar o apoio popular a favor da Operação Lava Jato. Reação à saraivada de críticas que os lavajateiros curitibanos receberam na semana de 10 a 16 de março. Tudo por conta da malfadada fundação que pretendiam criar. Contavam com os R$ 2,5 bilhões que, com a ajuda que deram às autoridades dos Estados Unidos, a Petrobras foi obrigada a desembolsar. Além de perderem o controle sobre o dinheiro, através de iniciativa da própria procuradora-geral da República, Raquel Dodge, perceberam que estão perdendo capital político.

FORA BOLSONARO: UM BRASIL POBRE NO CLUBE DOS RICOS

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POLÍTICA - Já tem gente discutindo o pós Bolsonaro.


Sem Previdência, mercado decreta “morte precoce” do governo e já discute sucessão de Bolsonaro

POR NOCAUTE  
sem previdência

Em artigo publicado na revista Exame, o economista Sérgio Vale, defensor da reforma da Previdência, diz que se o projeto não passar, Bolsonaro cai antes que o governo complete seis meses. E já discute quem entrará no lugar do presidente. “Isso também inviabilizaria a continuidade das concessões e privatizações, reforma tributária e qualquer outro tipo de acordo com o Congresso”.

Sergio Vale (*)
Em menos de três meses de governo, às vezes parece que estamos falando de um mandato que está terminando. A impressão de “pato manco” começa a se espalhar pelo governo Bolsonaro rapidamente e a primeira vítima poderá ser a reforma da Previdência.
Em coluna anterior, enfatizamos a justiça social por trás da reforma, da qual se esperava que houvesse a mesma visão quando viesse a reforma dos militares. Entretanto, o banho de água fria se instalou quando se viu que as perdas relativas dos militares seriam muito menores do que dos servidores públicos civis e do setor privado. Por estarem entranhados no poder e com um presidente de origem militar a sensação de manutenção de privilégios era tudo o que a turma do contra queria para barrar a reforma. Esse primeiro erro estratégico será cobrado caro nas próximas semanas.
Na sequência, os atritos entre o Legislativo e o Executivo aumentaram, com a clareza cada vez maior de que não há articulação política para a reforma da previdência. A declaração de Bolsonaro de que preferia não aprovar essa reforma, mas que precisa ser feita não ajuda na frente de batalha. O Congresso não parece querer ficar com o ônus de uma reforma que o presidente insiste em não abraçar como deveria.

As divergências entre Rodrigo Maia e Sergio Moro e a prisão do ex-presidente Temer dão mais pimenta para um molho que já estava intragável. Resta saber agora se há chance dessa reforma passar.

Os mercados já começaram a incorporar nos preços o risco de não aprovação da reforma. Depois de bater nos 100 mil pontos, o destino da bolsa por algumas semanas deverá ser novas baixas, da mesma forma que o câmbio caminha célere para R$/US$ 4,0. Mas isso talvez não seja suficiente para acordar o governo. Os mercados poderão ter que reagir mais negativamente para pressioná-lo a mudar a rota e se empenhar mais pela reforma. Parece tom de ameaça dos mercados quando se fala isso, mas é apenas a incorporação do que significará à frente a não aprovação da mesma. O risco que pode ficar crescente é que na instabilidade dos mercados a desarticulação política aumente. Há chance de abandono precoce do barco de um governo que insiste em não negociar e cada vez mais com menos liderança.
A morte precoce do governo Bolsonaro pela não aprovação da reforma detonará a volta da recessão em cima de uma economia que ainda se encontra muito fraca. O PIB caiu 11% entre dezembro de 2013 e dezembro de 2016 e até agora recuperou apenas 4,5%. As recuperações judiciais voltaram a aumentar ano passado e, para piorar a situação, o cenário internacional tem dado mostras de piora a cada mês, aumentando ainda mais o risco de depreciação mais forte da taxa de câmbio.
No caso de um cenário de crise econômica será difícil qualquer tipo de Plano B. Certamente o Pacto Federativo do Ministro Paulo Guedes não é uma alternativa e nem passaria em situação de tamanha crise. O problema será de difícil solução pois o grupo político que gerou a crise não terá espaço para pensar em Plano B depois de desperdiçar o Plano A. Isso também inviabilizaria a continuidade das concessões e privatizações, reforma tributária e qualquer outro tipo de acordo com o Congresso. A pura inviabilização de qualquer avanço traria novamente o descontentamento da população com a recessão (aliás, em cima de um governo que já está começando a ficar impopular). Bolsonaro, nesse sentido, não seria diferente de Dilma, sendo que o descaso com a política é o que une os dois presidentes.
A sequência da crise política com nova crise econômica seria devastadora para o governo. Haveria a opção desgastante de buscar novo impeachment, o que seria facilitado pela recessão, mas com a demora do processo piorando ainda mais o quadro econômico. Golpe parece algo distante, especialmente porque seria de todo interesse do governo trabalhar pelo vice-presidente Mourão, que mostrou evolução impressionante e discernimento para entender o papel que lhe cabe no Planalto. Numa tentativa de golpe, os militares ficariam com Bolsonaro ou Mourão? Creio que o desgaste que a cúpula militar já sofre com Bolsonaro faria a opção Mourão ser facilmente aceita.
Há também a solução Jânio Quadros. Descontente com o Congresso que não lhe atendia e acreditando que voltaria nos braços do povo, Jânio renunciou com sete meses de governo e virou personagem de triste memória. Seria a solução menos traumática talvez, mas com os filhos do presidente sendo a voz provavelmente contra tal decisão.

Parece loucura escrevermos sobre esses cenários com três meses de governo, mas é o que tende a acontecer se o Executivo não acordar para a dura realidade de se empenhar mais para que a reforma seja aprovada. Quero crer que o governo tenha plena consciência disso e comece a se articular para aprovar a reforma.

(*) Mestre em economia pela USP e pela Universidade de Wisconsin, Sérgio Vale é economista-chefe da consultoria MB Associados.

POLÍTICA - Chega de arbitrariedades!

Jornal GGN – Juristas e advogados criminalistas divulgaram na noite desta sexta (22) um “manifesto pelo retorno ao Estado Democrático de Direito”, em contraponto à última fase da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, que levou à prisão, sem fundamentos plausíveis, o ex-presidente Michel Temer.
No manifesto, os autores chamam atenção para o apoio de outros juristas e criminalistas, membros do Ministério Público e do Judiciário, à operação ostensiva contra Temer e seu caráter midiático.
“É evidente que o País entrou em momento de total desrespeito à ordem jurídica, o que põe em risco não apenas os que já são vítimas deste descalabro, mas também todos nós cidadãos, que, a qualquer momento poderemos ser também alcançados por esta violência inconsiderada”, afirmam.
MANIFESTO PELO RETORNO AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
A Sociedade brasileira tem assistido nestes últimos anos uma escalada contrária ao Estado Democrático de Direito. A prisão do ex-presidente Michel Temer despertou, mesmo em seus adversários políticos, como muitos dos subscritores deste documento, a certeza de que é necessária a cessação do uso da lei par fins políticos, com o fito de manipular a opinião pública.
O fato é que chega a surpreender que pessoas formadas em Direito e que devem ter prestado um concurso de suficiência técnica e moral para ingressar em seus cargos cheguem a praticar atos que se constituem em verdadeiras aberrações jurídicas. Estas só servem para destruir a higidez das instituições. Atuando como se fossem donos do Poder e não simples representantes dele, os autores de tais comportamentos em nada contribuem para os objetivos que artificialmente são invocados para acobertá-los. É sabido e ressabido que a legislação do País exige para a supressão preventiva da liberdade de qualquer indivíduo, seja ele um cidadão despido de qualquer autoridade, seja um ocupante ou ex-ocupante de Poder, a ocorrência de requisitos essenciais, previstos em lei e na conformidade de circunstâncias específicas. Prisões sem tal cumprimento são meras violências e atentados contra direitos fundamentais dos cidadãos.
É evidente que o País entrou em momento de total desrespeito à ordem jurídica, o que põe em risco não apenas os que já são vítimas deste descalabro, mas também todos nós cidadãos, que, a qualquer momento poderemos ser também alcançados por esta violência inconsiderada. Se a cúpula do Poder Judiciário e a própria Sociedade não se manifestarem diante dos citados desmandos, o risco de que se avolumem ainda mais coloca-nos ante a iminência de uma completa supressão dos direitos e garantias individuais, que, aliás, já são temidos por muitos, os quais vislumbram, no que vem ocorrendo, um preâmbulo preparatório da derrocada final da Democracia.
1. Celso Antonio Bandeira de Mello
2. Weida Zancaner
3. Pedro Serrano
4. Marco Aurélio de Carvalho
5. José Eduardo Cardozo
6. Fabiano Silva Santos
7. Gabriela Araújo
8. Miguel Pereira Neto
9. Antonio Carlos de Almeida e Castro ( kakay)
10. Lenio Streck
11. Bruno Salles
12. Pedro Carriello
13. Marcelo Nobre
14. Geraldo Prado
15. Carol Proner
16. Gisele Cittadino
17. Alberto Toron
18. Maurício Zockun
19. Daniela Teixeira
20. Carolina Zancaner Zockun
21. Gabriela Zancaner Bandeira de Mello
22. Fernando Fernandes
23. Ernesto Tzirulnik
24. Kenarik Boujikian
25. Eleonora Nacif
26. Estela Aranha
27. Pietro Alarcón
28. Maurides Melo Ribeiro
29. Maíra Fernandes
30. Roberto Podval
31. Luzia Paula Cantal
32. Roberto Tardelli
33. Marina Chaves Alves
34. Vitor Marques
35. Guilherme Lobo Marchioni
36. Cristiano Maronna
37. Luis Guilherme Vieira
38. Antonio Pedro Melchior
39. Eder Bomfim Rodrigues
40. Juarez Tavares
41. Angelita da Rosa
42. Carmen da Costa Barros
43. Gisele Ricobom
44. Fábio Tofic Simantob
45. Luiz Fernando Pacheco
46. Reinaldo Santos de Almeida
48. Valeska Teixeira Zanin
49. Cristiano Zanin
50. Sergio Graziano
51. Fernando Tristão Fernandes
52. Otávio Espires Bazaglia
53. Rafaela Azevedo de Otero
54. Rodrigo José dos Santos Amaral
55. Breno de Carvalho Monteiro
56. Wagner Gusmão Reis Junior
57. Esmar Guilherme Engelke Lucas Rêgo
58. Douglas de Souza Lemelle
59. Raphael da S. Pitta Lopes
60. Ricardo José Gonçalves Barbosa
61. Beatriz Vargas Ramos
62. Antonio Carlos Mendes
63. Magda Barros Biavaschi
64. Anna Candida Serrano
65. Margarete Pedroso
66. Luciano Rollo Duarte
67. Alvaro de Azevedo Gonzaga
68. João Ricardo Dornellesh
69. César Caputo Guimarães
70- Leonardo Isaac Yarochewsky
71 – Laio Correia Morais
72 – Gisele Cittadino
73 – Eliane O. Barros
74 – Luciana Worms

Enquanto todos perdem, salário de general sobe 33% com gratificações no governo Bolsonaro | Revista Fórum

Enquanto todos perdem, salário de general sobe 33% com gratificações no governo Bolsonaro | Revista Fórum: Remunerações de generais do Exército, almirantes da Marinha e tenentes-brigadeiros, que hoje atingem R$ 22.631,28 com gratificações, subirão para R$ 30.175,04, em caso de aprovação no Congresso

POLÍTICA - Mais uma arbitrariedade da lava jato.

Eles
A prisão de Michel Temer — arbitrária, como já escrevi aqui, e isso não é defesa do cidadão que você e eu sabemos quem é — contém várias lições.

Uma delas é de que a Lava Jato é um projeto de poder da República de Curitiba e funciona como uma pororoca na democracia, alargando e destruindo as margens do estado de direito.
Temer, constitucionalista, corrupto, demagogo, tentou surfar na imagem da operação quando assumiu a presidência da República.
Interino e efetivo, postou no Twitter as seguintes imbecilidades:
“A Lava Jato tem prestado importantes serviços ao país. Sou jurista e sei do papel fundamental da Justiça e do MP para o avanço das instituições.”
“Nesse contexto, a Lava Jato tornou-se referência e, como tal, deve ter prosseguimento e proteção contra qualquer tentativa de enfraquecê-la.”
“Não vejo abuso na Lava Jato. Não vejo ‘espetáculo’. Tem que avaliar o teor das denúncias.”
No pedido de prisão, o juiz Marcelo Bretas argumenta que Temer é “líder da organização criminosa”.
Em editorial, o Estadão lembra o seguinte:
Na decisão, o juiz Marcelo Bretas utiliza 18 vezes o verbo parecer – “parecem ter feito”, “parecem estar vinculados”, etc. –, deixando em evidência a frágil ligação entre os fatos investigados e as conclusões a que o Ministério Público deseja chegar, como a existência da tal organização criminosa de quatro décadas, chefiada por Michel Temer.
A soma dos valores de propinas do suposto bando chefiado por MT ultrapassa R$ 1,8 bilhão, segundo o MPF, um número visivelmente chutado para impressionar.
Marun conta que o ex-chefe está escrevendo um livro na cadeia.
O capítulo sobre Sergio Moro promete.

sexta-feira, 22 de março de 2019