Mostrando postagens com marcador geopolítica do petróleo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador geopolítica do petróleo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

EUA - Geopolítica americana ameaça pré-sal.

2015

GEOPOLÍTICA DOS EUA AMEAÇA NOSSO PRÉ-SAL




Geopolítica dos EUA é ameaça ao pré-sal

"Raphael Padula, professor da UFRJ, afirma que entre os 10 maiores importadores de petróleo, apenas China e Índia estão fora do controle americano.

Por Alex Prado

Para o professor, os EUA reforçam sua política intervencionista de garantir o acesso aos recursos naturais
A geopolítica estratégica dos Estados Unidos é ameaça à soberania do Brasil sobre o pré-sal. Essa é a principal conclusão da palestra do professor Raphael Padula, da UFRJ, no seminário “Uma estratégia para o Brasil, um plano para a Petrobras”, promovido pela Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) e pelo Programa de Pós-graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, na quarta-feira (23), no Clube de Engenharia (RJ). Segundo Padula, a geopolítica dos EUA, no século XXI, tem como foco a garantia de acesso a recursos naturais indispensáveis tanto para eles, como para os aliados.
Entre os 10 maiores importadores de petróleo, apenas China e Índia podem ser considerados fora do controle estratégico dos EUA. Para o professor, isso explica a importância da “tutela” que garante aos norte-americanos o apoio dos países aliados na defesa de seus interesses diretamente ligados às questões neoliberais, de garantia de mercados às empresas e serviços dos EUA.
Para confirmar seu raciocínio, Padula relatou as mudanças na política externa dos EUA no século passado, no pós-guerra e depois da dissolução da União Soviética. O fim da guerra fria levou a maior potência do planeta a eleger novas ameaças à paz mundial, da qual se julga o grande defensor, como o narcotráfico e o terrorismo.
Mas os altíssimos níveis de desenvolvimento da China trouxeram um novo ator ao cenário mundial que, associado ao nacionalismo de Vladmir Putin, na potência militar da Rússia, fazem frente ao poderio norte-americano. A China já é o segundo maior consumidor de recursos naturais do planeta, e tem poucas reservas. A Rússia, além do arsenal atômico, tem reservas de hidrocarburetos indispensáveis, principalmente à Europa ocidental, grande aliada dos EUA.
Diante desse cenário e coerente com sua geopolítica, os Estados Unidos reforçam sua política intervencionista de garantir o acesso aos recursos naturais, tendo seus aliados como parceiros, diante da fragilidade deles na obtenção desses recursos.
No final da palestra, Padula trouxe esse cenário para a realidade da América Latina e, principalmente, para o Brasil. Segundo ele, a estratégia dos EUA é a de impedir o surgimento de potências regionais em áreas de abundância de recursos naturais. Geograficamente, o Brasil está estrategicamente localizado, além de possuir território que representa mais de 50% do subcontinente sul-americano e com reservas consideráveis das principais commodities minerais.
Assim, o modelo proposto para a nossa região, segundo Padula, insere-se dentro da geopolítica dos EUA como países que devem ter suas Forças Armadas voltadas para o controle de conflitos internos, combate ao narcotráfico e ao terrorismo, mas incapazes de defender suas riquezas naturais. Papel que caberia aos Estados Unidos. Além disso, é necessário impedir o fortalecimento de associações como o Mercosul e a Unasul, contrapondo isso a políticas apenas de livre comércio.
Raphael Padula demonstrou como o giro na política externa brasileira, a partir de 2003, até então totalmente favorável aos interesses da geopolítica dos EUA, passa a incomodar a grande potência. O Brasil assume seu papel de protagonista em seu entorno estratégico, reforçando o ideal integrador do Mercosul, além de um espaço de livre comércio e expandindo suas ações rumo à África ocidental, vizinha do Atlântico sul.
Com a descoberta do pré-sal, as decisões brasileiras sobre a forma de exploração dessa riqueza elevaram as tensões entre diplomáticas entre Brasil e EUA. O emergente protagonismo do primo pobre do sul incomodou. O primo rico tratou de reativar a 4ª Frota Naval, específica para o Atlântico sul; rejeitou a resolução da ONU que garantia o direito brasileiro nas 200 milhas continentais. E espionou, como revelado no caso Wikileakes.
Raphael Padula encerrou sua palestra afirmando que os interesses da geopolítica americana não podem permitir o surgimento de uma potência regional, detentora de recursos minerais estratégicos e, ao mesmo tempo, com uma empresa pública eficiente como operadora única da maior reserva de petróleo descoberta neste século."
FONTE: escrito por Alex Prado na revista "CartaCapital"  (http://www.cartacapital.com.br/economia/geopolitica-dos-eua-e-ameaca-ao-pre-sal-8080.html).

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

GEOPOLÍTICA - As sanções contra Rússia e o pico petrolífero.

As sanções contra Rússia e o pico petrolífero

por Jorge Figueiredo
O governo Obama conseguiu arrebanhar os relutantes governos da União Europeia e obrigou-os a imporem sanções contra a Rússia. Contrariando os interesses dos seus próprios países, os governos da UE acataram servilmente o diktat estado-unidense. Assim, no fim de Julho, após longas negociações para o estabelecimento de "consenso", estes acordaram um esquema de sanções em Três Níveis : acesso ao mercado de capitais; embargo ao comércio de armas e bens que possam ser utilizados para fins militares; e acesso a tecnologias de produção e exploração de petróleo.
Imprensa amarela. Neste artigo será analisado este último "nível", passando por cima do pretexto absurdo alegado pelos EUA/UE para aplicar as referidas sanções. Acusar a Rússia de um crime cometido pelos fantoches ucranianos dos EUA é uma monstruosidade. A verdade vem sempre ao de cima e hoje já está claro que o avião malaio foi derrubado por caças do regime de Kiev – mas a máquina mediática prostituída, orquestrada pelo imperialismo, continua a insinuar a "culpa" russa e/ou das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. Tal como na fábula do lobo e do cordeiro, o primeiro diz: "Não importa que você não tenha sujado a água do meu rio, se não foi você foi o seu pai ou seu primo e vou aplicar-lhe sanções". Este cinismo descarado é um indício do desespero da elite estado-unidense diante da perspectiva (próxima?) do fim da hegemonia do dólar. Ela tem de inventar crises políticas e militares a fim de fazer esquecer a crise da sua moeda. E os governantes europeus, tal como prescreveu a Sra. Nuland ("Fuck the UE"), abanam o rabo.
Entretanto, abstraindo aspectos conjunturais do caso, será mais interessante examinar as consequências a médio longo prazo no domínio da energia desta viragem nas relações internacionais. Tudo indica que a nova Guerra Fria agora iniciada poderá ter consequências profundas quanto aos hidrocarbonetos. O mundo – a Europa em particular – poderá ter de pagar um pesado preço pela guinada de Obama na política externa.

Capa de 'The Economist'. Os media corporativos, bem amestrados, desencadeiam agora uma histeria anti-russa. Até The Economist, considerada respeitável, já se comporta como imprensa amarela e publica uma foto de Putin com uma uma teia de aranha ao fundo. Pretendem eles que a Rússia seria severamente atingida pelo embargo a exportações de "tecnologias sensíveis" para a exploração e produção de petróleo. Mas não é verdade e é bem possível que o governo Obama tenha marcado um auto-golo.
Uma análise recente da Reuters apresenta três conclusões principais:   a) a Rússia tradicionalmente dependeu da tecnologia ocidental por uma questão de comodidade, mas agora será obrigada a tomar outro caminho e desenvolver tecnologias por si própria, o que levará a uma gradual erosão do monopólio ocidental sobre as mesmas (no deep offshore, no Árctico, etc);   b) a China aproveitará a situação e em última análise pode tornar-se a vencedora – já se fala no petro-yuan ;   c) as sanções podem significar o fim da liderança tecnológica ocidental no sector do petróleo.

Há muitos peritos que questionam o bom fundamento da política alardeada por Obama. Vale a pena citar a opinião da Peak Oil News:
"Os convencidos que elaboram a política externa no Departamento de Estado talvez não entendam que a produção de petróleo russa acaba de alcançar um pico pós-URSS e de qualquer forma terá de entrar em declínio. O efeito das sanções (dos EUA e UE) será acelerar o declínio [da produção] da Rússia, forçando em alta os preços mundiais do petróleo assim que o escasso petróleo dos EUA atingir o seu máximo e entrar na sua inevitável queda livre por volta de 2017-2020. A Rússia, nessa altura, ainda será um exportador de petróleo e beneficiará de preços mais elevados (talvez o suficiente para compensar a perda de produção resultante das sanções). Mas os EUA, que ainda continuarão a ser um dos principais importadores mundiais de petróleo, enfrentarão então uma repetição do choque petrolífero de 2008 que contribuiu para o seu crash financeiro.
"Não há dúvida de que os peritos do Departamento de Estado acreditam sinceramente na recente jactância da América como uma nova super potência energética capaz de abastecer a Europa com petróleo e gás para substituir as exportações da Rússia. Talvez os europeus tenham sido suficientemente loucos para caírem também nesta ilusão. Mas isto demonstrar-se-á serem apostas altamente arriscadas. Só se pode esperar que todos os actores acordem destas alucinações antes de o jogo se tornar realmente feio".
Assim, tudo indica que o Departamento de Estado e o governo dos EUA estão a acreditar na sua própria propaganda da "revolução" do shale oil e shale gas. Correndo o risco de repetições, convém recordar que a dita "revolução" tem pernas curtas pois   1) os custos de extracção do shale são elevados;   2) o esgotamento dos furos efectuados dá-se num prazo brevíssimo (pouco mais de um ano);   3) para manter os níveis de produção desejados é preciso estar constantemente a fazer novos furos;   4) a tecnologia exige grandes extensões de terra com baixa densidade demográfica;   5) os desastres ecológicos (poluição de lençóis freáticos) e sísmicos estão bem demonstrados. Assim, pode-se afirmar que dentro de poucos anos a tecnologia do shale será considerada passado, uma moda que não deu certo (a Shell já abandonou a sua pesquisa nos EUA, depois de mais de dez anos de esforços).
A dependência da Europa em relação ao gás russo. Na verdade, a auto-suficiência em petróleo dos EUA não passa de um mito e a auto-suficiência em gás natural é conjuntural. Quanto à possibilidade de um boom exportador americano de gás natural, trata-se de uma balela difundida pelo governo Obama e propalada por jornalistas ignorantes: a escassez de instalações de liquefacção e de terminais metaneiros de exportação veda tal possibilidade. Demora pelo menos oito anos a construção de cada uma destas instalações – e possivelmente antes disso já terá declinado a "moda" do shale. Além disso, nos países receptores também seria preciso construir terminais metaneiros em quantidade suficiente (a Ucrânia, por exemplo, não dispõe de nenhum). Assim, do ponto de vista europeu, chega-se à conclusão de que não há nada que possa substituir o gás russo.
Ao aplicar sanções selectivas contra a Rússia – tentando cuidadosamente excluir o gás natural – a UE na verdade deu um tiro no seu próprio pé. Submeteu-se ao diktat imperial e abandonou quaisquer veleidades de autonomia. Ora, isto significa uma quebra de confiança entre parceiros comerciais, o que não pode deixar de trazer consequência (sem mencionar a ruptura com os tão apregoados princípios do livre comércio e com as disposições OMC). Tal quebra de confiança leva a Rússia a uma grande comutação, à procura de outros mercados. O recente acordo de longo prazo com a China, cujas negociações se arrastavam há anos, já é uma consequência da hostilidade europeia. E o mais importante neste acordo é que o dólar e o euro estão dele excluídos: as vendas do gás natural serão em rublos ou em yuan. Isto tem consequências no panorama energético, político e monetário mundial. Mas os aprendizes de feiticeiro que fazem a História nem sempre percebem o que estão a fazer. Isso é verdadeiro tanto para o Sr. Obama como para os seus pobres serviçais da Comissão Europeia.
Ver também:
  • Why Won’t Obama Just Leave Ukraine Alone?
  • American Intelligence Officers Who Battled the Soviet Union for Decades Slam the Flimsy “Intelligence” Against Russia

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

    GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO - Projetos conjuntos entre Rússia e China.


                    

    Rússia e China acertam projetos conjuntos no setor petrolífero



    A Rosneft, maior petroleira russa, está desenvolvendo projetos de exploração conjunta de petróleo entre Rússia e China. Estes serão apresentados pelo Presidente Vladimir Putin ao seu colega Xi Jinping quando de sua visita oficial em maio. A notícia foi divulgada pelo Presidente da Rosneft, Igor Sechin, considerado como um dos homens de maior confiança do chefe de Estado.


    Sechin, por sinal, acompanhou as conversações entre os líderes da Rússia e da China na semana passada em Sochi, antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno.

    A Rússia também está ampliando o fornecimento de petróleo para a China, através das tubulações que ligam as cidades russa e chinesa de Skovorodino e Mohé. Este ramal faz parte do grande oleoduto que vai do leste da Sibéria até o Oceano Pacífico, levando petróleo da Rússia para Coreia, China e Japão.

    Além disso, Igor Sechin está discutindo com os diretores da Corporação Nacional de Petróleo da China a exploração de gás, junto com a Rússia, na Sibéria Ocidental, e a construção de um complexo petroquímico na mesma região.

    Fonte: Diário da Rússia