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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

POLÍTICA - Até quando?

Pimenta: Lava-Jato continuará usando instrumentos ilegais para obstruir a Justiça e enganar a sociedade?
Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil, divulgação e Ricardo Stuckert
POLÍTICA

Pimenta: Lava-Jato continuará usando instrumentos ilegais para obstruir a Justiça e enganar a sociedade?


16/09/2020 - 10h17

Preparando 2022: O Estado policial mostra os dentes
Por Paulo Pimenta*
O Estado policial mostra os dentes.
Depois de sucessivas derrotas nos Tribunais Superiores, a Lava-Jato exibiu na última semana uma demonstração de força.
Utilizando-se da caneta do juiz Marcelo Bretas, aquele mesmo que teve sua foto publicada há algum tempo empunhando um fuzil AR-15 apontado para o expectador, atacou duas referências importantes da advocacia no Brasil: o presidente do Conselho Federal da OAB, dr. Felipe Santa Cruz, que tem-se destacado na defesa do Estado Democrático de Direito e contra os desmandos do governo Bolsonaro, e o dr. Cristiano Zanin Martins, que lidera a defesa do ex-presidente Lula.
Contando com a difusão de uma cultura do arbítrio, que se dissemina na sociedade, assim reagem os líderes da Operação Lava-Jato diante da ruína da mistificação construída ao longo de seis anos de atividade para iludir setores da sociedade brasileira com o discurso anticorrupção: com um ato de força. Que a esta altura talvez venha a revelar mais fragilidade do que força.
Bretas, juiz atrás de holofotes
É possível identificar, sem maiores esforços, três objetivos na operação E$quema S, desencadeada na última semana a partir de uma autorização do juiz Bretas, conhecido aliado de Bolsonaro, aspirante a sucessor dos holofotes de Moro.
Um objetivo geral: intimidar o exercício da advocacia.
Dois: atacar a defesa de Lula, que tem tido significativas vitórias nos tribunais superiores.
Três, um objetivo bastante específico: retirar das mãos de Zanin o HD que comprova a espionagem ilegal movida pela Operação Lava-Jato, determinada por Moro contra o escritório dos advogados de defesa de Lula.
Milícia judicial
Promoveu um espetáculo típico da milícia judicial em que se converteu a Lava-Jato: apreender em escritórios de advocacia documentos e equipamentos de forma arbitrária, portanto criminosamente, para acobertar um crime anterior.
Aquele ato de espionar conversas entre os advogados e seu constituinte, em conluio com o então juiz Sérgio Moro. Crime tipificado em lei.
Como caracterizar essa operação?
“Atentado à advocacia e retaliação”, declarou Cristiano Zanin Martins.
“A iniciativa do Sr. Marcelo Bretas de autorizar a invasão de minha casa e meu escritório a pedido da Lava Jato somente pode ser entendida como mais uma tentativa de intimidação do Estado brasileiro pelo meu trabalho como advogado, que há tempos vem expondo as fissuras no Sistema de Justiça e no Estado Democrático de Direito. É público e notório que minha atuação na advocacia desmascarou as arbitrariedades praticadas pela Lava- Jato, as relações espúrias de seus membros com entidades públicas e privadas e sobretudo com entidades estrangeiras”.
Estado policial
A Operação Lava-Jato gestou o Estado policial e dele se alimenta.
Uma iniciativa característica do Estado policial que vai substituindo o Estado Democrático de Direito no Brasil e buscando legitimar-se em nome da eficácia do suposto combate à corrupção.
O alvo principal é político, evidentemente.
Ao manter sob ataque os advogados do ex-presidente Lula, os procuradores da Lava-Jato e o juiz Bretas buscam manter interditada a principal liderança popular alternativa ao descalabro ao governo neofascista de Jair Bolsonaro.
Uma ação que objetiva manter sob pressão o escritório Teixeira & Martins que, liderado por Zanin, desmascarou o lawfare e suas táticas, como está exposto em processos relevantes que estão na iminência de serem julgados por Tribunais Superiores no país e pelo Comitê de Defesa dos Direitos Humanos da ONU.
Abuso de autoridade
Não é aceitável a indiferença diante desta Operação E$quema S, sobretudo num momento em que a Lava -Jato, em conflito com a própria Procuradoria-Geral da República, busca uma sobrevida para proteger-se e proteger seus chefes da reação ainda que pálida e tardia das instituições contra os atropelos cometidos.
A definição do dr. Zanin Martins foi irrespondível:
“Abuso de autoridade. Além do caráter despropositado e ilegal de autorizar a invasão de um escritório de advocacia e da casa de um advogado com mais de 20 anos de profissão e que cumpre todos os seus deveres profissionais, essa decisão possui claros traços de abuso de autoridade, pois
(a) seu prolator sr. Marcelo Bretas é juiz federal e sequer tem competência para tratar de pagamentos efetuados por uma entidade privada como é a Fecomércio/RJ e mesmo de entidades do Sistema S por ela administrados por força de Lei; a matéria é de competência da Justiça Estadual conforme jurisprudência pacífica dos Tribunais, inclusive do Superior Tribunal de Justiça;
(b) foi efetivada com o mesmo espetáculo impróprio a qualquer decisão judicial dessa natureza, como venho denunciando ao longo da minha atuação profissional, sobretudo no âmbito da Operação Lava Jato;
(c) foi proferida e cumprida após graves denúncias que fiz no exercício da minha atuação profissional, sobre a atuação de membros da Operação Lava Jato e na iminência do Supremo Tribunal Federal realizar alguns dos mais relevantes julgamentos, com impacto na vida jurídica e política do país.
Ademais, foge de qualquer lógica jurídica a realização de uma busca e apreensão após o recebimento de uma denúncia – o que mostra a ausência de qualquer materialidade da acusação veiculada naquela peça”.
A pergunta que fica é: a Operação Lava- Jato continuará a se utilizar dos instrumentos de coerção da Justiça para obstruir a Justiça?
*Paulo Pimenta é deputado federal (PT/RS).

POLÍTICA - Querem impedir Lula de recuperar seus direitos políticos.

O novo golpe contra Lula da Lava-Jato é uma resposta do imperialismo e da burguesia para a ameaça que é a candidatura de Lula nas eleições de 2022
lula prisão
Lula é o único candidato que pode derrotar a direita; o resto é demagogia! | Foto: Reprodução
Nessa semana, a Lava Jato moribunda iniciou uma nova ofensiva contra o ex-presidente da república Luís Inácio Lula da Silva. Primeiro, transformou o advogado de Lula, Cristiano Zanin, em réu no Rio de Janeiro, usando das suas táticas fascistas de invasão abrupta de sua residência e também de seu escritório de advocacia, chegando a roubar documentos que servem para a defesa do ex-presidente; como denunciou seus advogados. Nessa segunda-feira (14/9) o braço da operação em Curitiba tornou Lula novamente réu em um processo-farsa.  De essa vez o procurar da República e lava-jatista quer criminalizar supostas doações da Odebrecht ao Instituto Lula.
O marco desse novo golpe da Lava Jato
Essa nova ofensiva, em meio à gigantesca crise da Lava Jato, é uma rápida resposta da burguesia para não aceitar de jeito nenhum a candidatura de Lula. De pronto, a Lava Jato sacou um dos seus vários processos que já estavam engatilhados contra o ex-presidente e utilizou como um contra-ataque ao discurso de Lula no último 7 de setembro. A relação desse novo processo e o discurso de Lula é porque ele se colocou politicamente no centro da situação política, indicando sua candidatura.
Nesse discurso, Lula se colocou como uma arma de mobilização para os trabalhadores e indicou sua candidatura, acertadamente, nas eleições de 2022. Também criticou duramente o imperialismo que é o responsável por coloca-lo na cadeia e tirá-lo do pleito de 2018, causando uma enorme fraude nas eleições e garantindo a vitória a Bolsonaro.
Nada mais evidente que a resposta do imperialismo viria de uma operação orquestrada pelo próprio.
Fim da Lava Jato! Fim de todos os processos contra Lula!
Nesse sentido, fica evidente o papel da Lava Jato:  perseguir Lula, o PT e toda a esquerda para beneficiar e fazer prosseguir o golpe de Estado que iniciaram em 2016 e fazem progredir por métodos arbitrários e ditatoriais até hoje. É claramente uma resposta política, como toda operação é de cunho político, não há nada de “jurídico”, e não passa de uma fraude.
Essa nova ameaça contra Lula deixa isso evidente. É necessário uma campanha democrática exigindo o fim dessa operação golpista que impõe ao País um programa que é um programa alheio aos interesses da população. Tanto política, quanto econômica. Lembrando que a Lava Jato destruiu parte da economia nacional fazendo esse “combate a corrupção”; que é um engana trouxa que serviu esse tempo todo para esfolar os trabalhadores e perseguir uma perseguição política escancarada.
A Frente Ampla é uma manobra para sufocar Lula
Um dos setores que se calam diante do avanço desse verdadeiro fascismo de Estado, que atacam Lula junto com a direita e, em alguns casos mais ardilosos, fingem apoiar mas se aliam com setores que querem ver a esquerda mofar na cadeia, são os setores que defendem a chamada “Frente Ampla”. Que não passa de uma manobra para sufocar o movimento popular e salvaguardar o regime golpista.
Uma boa parte do PSOL acaba por aderir a essa política, como foi o caso de na mesma semana em que esses ataques são desferidos, se encontrar com o golpista Ciro Gomes, que defende a prisão e a proscrição política imposta a Lula. Também o PSOL no RJ está defendendo a candidatura do golpista Eduardo Paes. E o PCdoB está totalmente alinhado com essa política. É preciso denunciar essa manobra para sufocar Lula e a mobilização dos trabalhadores.
Unir a esquerda em torno da candidatura de Lula!
Dado que Lula é a única liderança de esquerda que pode unificar os trabalhadores contra o golpe de Estado, é fundamental que toda esquerda se una, com seu próprio programa, sobre a base da candidatura do ex-presidente em 2022. Pois é a única candidatura que pode modificar a correlação de forçar, que é favorável para a direita nesse momento, e colocar o regime contra a parede pela força da mobilização popular. É preciso um amplo movimento de rua para derrubar Bolsonaro, lutar pela candidatura de Lula e para derrubar o golpe de Estado.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

POLÍTICA - A reforma administrativa deixa de fora essa casta.



Vem comigo te conto quem é Marcelo Bretas, o juiz que invadiu a casa e escritório do advogado Cristiano Zanin, advogado de Lula para roubar provas a mando de Flávio Bolsonaro..
Casado com juíza, Marcelo Bretas, da Lava Jato, contrariou resolução do CNJ e acionou Justiça para garantir auxílio-moradia aos dois. Só de auxílio, ambos recebem a BAGATELA de R$ 8,6 MIL MENSAIS
Joelma Pereira, Congresso em Foco
Contrariando resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que proíbe a remuneração a casais que morem sob o mesmo teto, o juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio, e sua esposa, Simone Diniz – também magistrada –, recebem o auxílio-moradia de R$ 4,3 mil cada um. No total, o casal, recebe R$ 8,6 mil mensais. O pagamento aos dois é alvo de questionamento na Ouvidoria da Justiça Federal.
Em resposta, o órgão informou que o magistrado obteve o direito à verba judicialmente. Além dele, mais quatro colegas entraram com ação para garantir o ganho extra, conforme informação publicada na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, desta segunda-feira (29). No pedido feito à Justiça, Bretas e os colegas alegaram que a determinação do CNJ fere a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) e confere tratamento díspar a integrantes da mesma classe. A decisão, que garantiu o repasse ao casal, foi confirmada em 2015, após concessão de liminar.
A resolução do CNJ foi elaborada em 2014, após o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter liberado o pagamento do auxílio a todos os magistrados e procuradores, inclusive aqueles que moram em residência própria. Na decisão, Fux acolheu uma liminar de entidades de magistrados. No ano passado, o ministro do STF negou andamento a uma ação que contestava a liberação irrestrita do benefício a juízes, desembargadores, ministros de tribunais superiores, procuradores e conselheiros de tribunais de contas.
Conforme revelou o site BuzzFeed, também no Rio, a desembargadora Marianna Fux, do Tribunal de Justiça do estado, recebe o auxílio-moradia de R$ 4,3 mil mesmo tendo dois imóveis no Leblon, bairro nobre da capital fluminense. Marianna é filha do ministro Luiz Fux.
De acordo com o site, os apartamentos de Marianna valem, por baixo, R$ 2 milhões. Há dois anos, ela foi empossada desembargadora aos 35 anos de idade, na vaga reservada à advocacia. Segundo o portal da Transparência, ela recebeu em novembro, além do auxílio-moradia, salário de R$ 30,4 mil e auxílio-alimentação de R$ 1,8 mil.

POLÍTICA - Livro "Os engenheiros do caos".




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POLÍTICA - Artigo do frei Betto.


'A pobreza é um mal, fruto da injustiça, mas o pobre é bem-aventurado porque Deus assume a sua causa' - frei Betto



Artigo de frei Betto:

Espiritualidade do conflito


A espiritualidade de Jesus era a do conflito. O conflito marcou a sua vida do início ao fim. Do nascimento, com a fuga para o Egito, à morte na cruz. Conflitos internos, como as tentações no deserto e as crises de fé; conflitos com adversários, como fariseus e doutores da lei; conflitos com autoridades, como Herodes Antipas; conflitos com seus próprios companheiros, como Pedro; conflitos políticos e econômicos. Certa ocasião, ele ordenou que uma legião de demônios deixasse um homem e se encarnasse numa manada de porcos, que se precipitou no abismo (Lucas 8,26-39). Qual terá sido a reação do dono dos porcos?!

     
         Jesus teve conflitos com a própria família, que achou que ele estava ficando louco. Mesmo os discípulos cederam a essa suposição ao ouvi-lo falar de sua própria morte. Pedro deu uma de mineiro, tentou pôr panos quentes: “Nada disso vai acontecer.” Jesus ficou tão irritado que chamou o amigo pelo nome do inimigo: “Afasta-te de mim, satanás!” (Marcos 8,33)
     
        A espiritualidade de Jesus tinha como nota principal o compromisso com os pobres. Por que ele fez opção pelos pobres? Ninguém escolhe ser pobre. Todo pobre é, de fato, um empobrecido, vítima da injustiça social. A pobreza é sempre um estado de carência e não há, na Bíblia, um só versículo que diga que ela é agradável aos olhos de Deus. Pois ser pobre é estar privado dos bens essenciais à vida. E a vida é o dom maior de Deus. Portanto, a pobreza é um mal, fruto da injustiça, mas o pobre é bem-aventurado porque Deus assume a sua causa.
     
        Uma leitura atenta do Evangelho indica que, no movimento de Jesus, só se entra sendo pobre (=marginalizado, doente, enfermo) ou fazendo opção pelos pobres. Curiosa a reação dos que não eram pobres – o doutor da lei, Nicodemos, Zaqueu, o homem rico etc. – quando encontraram Jesus: “O que devo fazer para ganhar a vida eterna?” Mesmo em se tratando da salvação, predominava o interesse individual. Ao contrário, os pobres queriam saber como assegurar vida nesta vida: enxergar, usar a mão, reviver, andar, curar a filha ou deter a hemorragia. Jesus trazia vida concreta, física, material, como sinal da vida em plenitude prometida por Deus. Nesse sentido, sua revelação de Deus foi fundamentalmente política. O Deus no qual Jesus acreditava não admite nenhuma ordem política que negue o direito à vida. “Vim para que todos tenham vida e vida em plenitude” (João 10,10).

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

POLÍTICA - Isso aconteceu no Brasil.



"Escritório de advocacia que defende opositor ao governo é alvo da justiça de Belarus."
Seria um fato com forte repercussão na imprensa internacional e brasileira. Correto? Isto aconteceu hoje, mas no Brasil...
A Lava Jato, facção política do Judiciário, encenou espetáculo midiático contra o escritório que defende Lula, contra o presidente da OAB e outros advogados, num claro e inequívoco ataque a advocacia e ao estado democrático de direito.
Um detalhe: O juiz federal que autorizou essas ações é Marcelo Bretas, candidato a uma vaga no STF e próximo do presidente Jair Bolsonaro...
Belarus, que não sai dos telejornais, não faz muito mais que isso para ganhar minutos histéricos no noticiário. A mídia precisa mostrar, com isenção, todo e qualquer fato e não tomar parte, como faz aqui ou lá fora.

POLÍTICA - Tem que haver uma reação forte a isso.

Comunidade jurídica repudia ataque orquestrado da Lava Jato contra escritórios de advocacia

 
Marcelo Bretas. Foto: Reprodução/Globo
Publicado originalmente no site Consultor Jurídico (ConJur) 
Não é de hoje que os escritórios de advocacia viraram alvo preferencial dos inimigos do direito de defesa. A escalada recente de investidas contra os defensores culminou na maior ofensiva já registrada no Brasil, a determinação de cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão em escritórios e endereços residenciais de advogados e empresas nesta quarta-feira (9/9), pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
A denúncia foi montada com base na delação de Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomercio. Encurralado pelo Ministério Público Federal, Diniz só conseguiu fechar acordo de delação após prometer acusar grandes escritórios de advocacia, segundo a revista Época. Em troca, ele ganha a liberdade e o direito de ficar com cerca de US$ 1 milhão depositados no exterior.
Ou seja, trata-se de mais um ataque sustentado pela palavra de um delator (o tiro já saiu pela culatra no caso de Antonio Palocci, por exemplo, mais de uma vez). Mas as notícias já ganharam as manchetes dos principais portais de notícia do país, o que equivale a uma espécie de pré-condenação pela opinião pública, prática conhecida como publicidade opressiva.
Por meio de nota, um dos alvos dos mandados, o advogado Cristiano Zanin, explicou que os serviços prestados pelo escritório para a Fecomércio foram amplamente comprovados em laudo atestado por auditoria externa. A decisão de Bretas, portanto, configura um ataque à advocacia e uma tentativa de retaliação contra o trabalho de Zanin ao expor os abusos cometidos pela “lava jato”, afirmou.
O criminalista Alberto Zacharias Toron chamou atenção para o fato de que o recebimento da denúncia e a autorização das buscas foram determinados quase que simultaneamente. “Causa profunda estranheza a concomitância do oferecimento da denúncia e a realização da busca e apreensão. Ou bem esta diligência é expletiva porque já havia elementos para acusar em juízo, ou bem a denúncia não tinha base empírica suficiente. Há algo de insólito procedimento adotado, e não apenas pelo ineditismo”, expõe.
Já o advogado Lenio Streck destaca que esse não é um ataque isolado e pede respostas institucionais. “A escalada autoritária no Brasil é como uma hidra. Uma das cabeças é a criminalização  do exercício da advocacia. Como o moleiro de Sans Souci, o advogado (leia-se OAB) tem de dizer ao rei que ‘devem ainda existir juízes no Brasil para sustar esse ataque à profissão de advogado’.”
O Instituto de Garantias Penais (IGP), em nota assinada pelo presidente Ticiano Figueiredo, “alerta para os riscos que uma operação equivocada do Ministério Público, aparentemente destinada a criminalizar a advocacia, pode acarretar para a democracia, os cidadãos e toda a sociedade”.
“A advocacia é peça fundamental para o sistema de Justiça e não se pode criminalizar o exercício da defesa do jurisdicionado, atividade essencial para o bom funcionamento do Judiciário. É triste e causa perplexidade ver esse tipo de operação persecutória em nosso país. O IGP confia nas instâncias do Poder Judiciário para impedir qualquer tipo de perseguição à classe dos advogados. O enfraquecimento do direito de defesa põe em xeque valores fundamentais para a democracia e a sociedade.”
A Comissão de Prerrogativas da OAB nacional também vê mais uma clara iniciativa de criminalização da advocacia brasileira. “A Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas e a Procuradoria Nacional do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil trabalharão para cintilar todas as violações aos direitos e prerrogativas da advocacia e encetarão todas as medidas administrativas e judiciais, de natureza civil e penal, contra os que se lançam e insistem em criminalizar a advocacia brasileira”, afirma nota assinada pelos conselheiros Alexandre Ogusuku e Alex Souza de Moraes Sarkis.
“As prerrogativas da advocacia e persecução penal são elementos jurídicos harmônicos e absolutamente conciliáveis”, continua a nota da comissão. “O processo de criminalização da advocacia, que desrespeita as prerrogativas, é ditatorial e atenta contra o Estado de Direito e à Democracia. Não há estado democrático sem uma advocacia livre. A Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia e a Procuradoria Nacional de Prerrogativas cumprirão o papel histórico da defensa intransigente dos advogados e das advogadas brasileiras.”
Para o criminalista Fábio Tofic Simantob, “uma denúncia de 500 páginas é representativa da fragilidade acusatória”. “Diziam os antigos que, se você pretende acusar alguém de alguma coisa, mas não sabe bem do quê nem como, a forma mais fácil é fazer em tomos.”
O ataque à defesa
Os botes contra escritórios e advogados vêm se acumulando. Em novembro de 2019, por exemplo, no dia em que o Supremo Tribunal Federal decidiria sobre prisão após decisão de segunda instância, a Polícia Federal anunciou investida contra o escritório de Cesar Asfor Rocha, ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça e novamente alvo do Ministério Público Federal no caso da Fecomércio.
Logo depois do anúncio, quando as notícias já tinham sido divulgadas por diversos veículos de comunicação, a PF apagou a mensagem e divulgou outra, em que não constava o escritório de Rocha como alvo.
Um mês antes, em outubro de 2019, um procedimento de busca na sede da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) apreendeu contratos firmados entre advogados e a federação. No total, contratos de cerca de 50 bancas foram apreendidos, entre os de alguns dos maiores escritórios do país, segundo informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Outros episódios com características semelhantes, todos em torno de falsas informações, vinham sendo registrados anteriormente. Foi assim também com a investigação fraudulenta da Receita contra Gilmar Mendes e com o episódio atribuído a Marcelo Odebrecht para atingir Dias Toffoli — antes do julgamento sobre a criminalização da homofobia.
Chama a atenção ainda o fato de alguns dos alvos se repetirem: Cristiano Zanin já teve todas as conversas de seu escritório grampeadas em 2016, conforme revelou a ConJur na época. Cesar Asfor Rocha foi alvo de fake news da PF em 2019, e agora aparece novamente como alvo de buscas, apesar de nunca ter recebido pagamentos da Fecomércio do Rio.
A frequência e a extensão dos ataques só têm aumentado. Segundo advogados ouvidos pela ConJur, trata-se de uma tentativa orquestrada para enfraquecer o direito de defesa, na esteira da criminalização da política, dos grandes empresários e dos administradores públicos.
Os advogados citaram algumas medidas que estão em curso há algum tempo, focadas em dificultar o acesso à defesa e, como consequência, mitigar a presunção de inocência. Dentre elas, restrições ao Habeas Corpus; diminuição de recursos; buscas e apreensões em escritórios; e quebra de sigilo bancário de escritórios. Soma-se ainda o aproveitamento de prova obtida por meio ilícito e projetos de lei que querem que obrigar os advogados a provar a origem lícita dos honorários recebidos.
Como efeito colateral, a criminalização dá suporte para o avanço do autoritarismo do Estado, conforme já havia apontado Lenio Streck.