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terça-feira, 17 de junho de 2014

COLÕMBIA - Menos mal, Manuel Santos foi reeleito.

A guerra é derrotada na Colômbia

Por Altamiro Borges
A Justiça Eleitoral da Colômbia anunciou na noite deste domingo (15) a reeleição do presidente Juan Manuel Santos. Com 99% das urnas apuradas, ele somava 50,8% dos votos (7.605.424) contra 45,9% (6.757.628) de Óscar Zuluaga. Este resultado representa um alívio para os colombianos e para todos os latino-americanos e amantes da paz no mundo. Apesar do conservadorismo do atual presidente, oriundo das elites empresariais e da direita local, ele vinha liderando as negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para encerrar uma guerra que já se prolonga há mais de cinco décadas e que resultou na morte de milhares de pessoas e na devastação do sofrido país.

No primeiro turno, em maio, Óscar Zuluaga saiu em vantagem com a sua proposta de fim da trégua e do processo de paz. Apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, um fascistóide convicto e corrupto, ele propunha “linha dura” contra as Farc e o rompimento das relações com Cuba, Venezuela e Equador, recentemente estabelecidas. Também se definia como inimigo da integração regional, da Unasul e da Celac, e como aliado incondicional dos EUA. Sua campanha foi dirigida pelo publicitário brasileiro Duda Mendonça, que criou a marca Z, do “justiceiro” Zorro. Ele obteve o apoio do latifúndio tradicional, de setores empresariais, de parte da mídia e de grupos paramilitares.
Diante do risco de retrocesso, parte das esquerdas da Colômbia decidiu apoiar criticamente Juan Manoel Santos no segundo turno. Clara López, que ficou em quarto lugar no primeiro turno e preside o Polo Patriótico, anunciou o seu voto “para avançar em direção à paz e à democracia”. No mesmo rumo, um grupo de mais de mil intelectuais e artistas divulgou um manifesto de alerta: “Uma vitória de Zuluaga pode reabrir a porta para que o fascismo coopte a Presidência da Colômbia, tomando definitivamente as rédeas do Estado e colocando-o a seu serviço. Tememos seriamente que, com isso, ressurjam todas as violências que tiveram uma metástase nos oito anos do governo de Álvaro Uribe". 

A vitória de Juan Manoel Santos neste domingo permite a continuidade das negociações de paz e abre maiores espaços para o avanço das lutas populares no país vizinho. Como já foi dito, o presidente reeleito é um político conservador, oriundo de uma família tradicional e sem qualquer compromisso com as demandas sociais. Ele inclusive foi ministro da Defesa no governo Álvaro Uribe. Por motivos políticos e econômicos, o seu grupo rompeu relações com os setores fascistas da Colômbia, os principais derrotados nestas eleições. Agora, novos desafios estão postos!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

COLÔMBIA - Outra Colômbia, de paz, é possível.



O novo sucesso do processo de negociação política na Colômbia, com a libertação de dois prisioneiros pelas Farc, como resultado da atuação mediadora da senadora de oposição Piedad Cordoba, com o apoio da Cruz Vermelha Internacional e do governo brasileiro, confirmam que esse é o caminho de construção de um país pacífico, de relações construtivas com seus vizinhos, incorporado aos processos de integração regional.


Essa libertação demonstra como, mediante negociações e não a militarização dos conflitos, se podem obter resultados que conduzam, primeiro, a acordos de intercâmbio de prisioneiros, depois, a um processo mais prolongado e permanente de paz. Ainda mais que as Farc comunicaram que esta foi a última libertação unilateral de presos. A partir de agora a continuação do processo terá que ser dada pelo intercâmbio de prisioneiros entre os que estão em poder das Farc e os que estão em poder do governo de Uribe.

As Farc já concederam em relação a condições anteriores, quando solictavam um território desmilitarizado para fazer a troca, assim como a inclusão de dirigentes da organizacao que foram extraditados para os EUA. Uribe, pela primeira vez, não se mostrar frontalmente contra, enquanto seu candidato, Juan Manuel Santos, sim, rejeita completamente a possibilidade da operação. Uribe coloca como condição que os libertados pelo governo nao voltem a participar da luta armada, como se as Farc respondessem colocando como condição que os militares libertados não voltem a participar da repressão.

Mas pelo menos os termos de uma possível negociação estão colocados. Seria um passo novo, porque implicaria na participação do governo, com contrapartidas às libertações das Farc e contribuindo para um processo de pacificação do país.

A impossibilidade de Uribe ser candidato, por sua vez, tira por agora de cena, o personagem que protagonizou a “guerra infinita” do governo colombiano contra as Farc, que buscou impor uma solução militar ao conflito. Teve que ceder, primeiro, aceitando a intermeadiação de Hugo Chavez e de Piedad Córdoba, depois apenas da senadora, para um diálogo com as Farc. O candidato que ele apóia, Juan Manuel Santos, mantém posição rigidamente contra qualquer intercâmbio de prisioneiros, para tentar granjear votos, o que dificilmente lhe permitirá uma vitória no primeiro turno, previsão feita se Uribe fosse o candidato.

O que interessa é que a nova libertação de prisioneiros reafirma a via pacífica e de negociação política como a única que permite à Colômbia retomar uma convivência pacífica e democrática, concluindo décadas em que a violência foi um elemento constitutivo da vida desse país. Será também a forma de buscar políticas consensuais de combate ao narcotráfrico – que possam incluir a legalização do consumo de drogas leves, proposta que, até agora, tem a oposição de Uribe e de seu candidato.

A senadora do Partido Liberal Piedad Cordoba, apesar da brutal campanha de desqualificação realizada contra ela por médios do governo e da imprensa, sai fortalecida deste episódio e de todos os processos de libertação de prisioneiros, em que ela sempre teve o protagonismo ativo. O problema é, como ela mesma enfatiza, as Farc, responsáveis pela libertação de prisioneiros até aqui, decidiram que foi a ultima libertação unilateral, considerando que é suficientes para demonstrar sua boa vontade no caminho de negociações bilaterais. Agora caberia empreender o caminho das negociações bilaterais, em que países como o Brasil e uma dirigente política como Piedad Cordoba podem ter papel ainda mais decisivo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

COLÔMBIA - O indecoroso Uribe.

Do BLOG DIRETO DA REDAÇÃO.

Publicada em:07/02/2010

O INDECOROSO URIBE



Passou despercebida pela mídia conservadora brasileira a proposta do Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de contratar e remunerar estudantes como informantes. Ou seja, Uribe quer oficializar os dedos-duros, como acontecia em épocas de ditaduras na área do Cone Sul. Trata-se, sem dúvida, de uma proposta indecorosa e que viola a dignidade dos estudantes, além de colocar em risco a própria segurança.

Uribe é o dirigente preferido dos Estados Unidos no continente americano. Tudo que é pedido pelo Departamento de Estado o presidente colombiano atende prontamente. Acabou de ceder sete bases militares ao Pentágono. Ele conta com o apoio substancial dos grandes órgãos de imprensa latino-americanos, que preferem ignorar o quadro de deterioração dos direitos humanos naquele país sul-americano.

Como se tudo isso não bastasse, há informações procedentes de Bogotá de que grupos paramilitares estão se reagrupando e se preparando para voltar a matar generalizadamente. A Colômbia bate recordes em matéria de desrespeito aos direitos humanos no continente, inclusive com assassinatos impunes de dirigentes sindicais em várias regiões do país.

Mas a mídia conservadora prefere dar destaque, não à Colômbia, mas a vizinha Venezuela, onde, se dependesse do noticiário diário dos grandes jornais e TVs brasileiros, o presidente Hugo Chávez já teria caído. Há até colunistas que defendem um golpe militar e vaticinam, com base em hipóteses sem sustentação na realidade, uma grande derrota dos partidários de Chávez nas eleições parlamentares de setembro. Em anos anteriores, as previsões não eram muito diferentes. Na última eleição, no entanto, prevendo fiasco nas urnas, a oposição, visivelmente estimulada pelo Departamento de Estado norte-americano, decidiu não participar do pleito, o que resultou numa vitória absoluta dos chavistas.

Nessa estratégia midiática se insere o silêncio quase total da informação segundo a qual das seis estações de TV a cabo suspensas pelo Estado venezuelano, cinco já tiveram autorização para voltar porque cumpriram rigorosamente as disposições legais. Falta ainda a RCTV a cabo responder ao Conselho de Comunicação. Mas a mídia, agrupada na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), prefere insistir na tese de que o governo venezuelano viola o direito da liberdade de imprensa.

Para se ter uma idéia, no dia 1 de março, em São Paulo, um Instituto de nome Millenium estará organizando um seminário com a participação do proprietário da RCTV, Marcel Granier e a fina flor da direita midiática nacional. Lá estarão, entre outros, Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, o opusdeista Carlos Alberto di Franco, tendo como mediadores, os globais William Waack, Tonico Ferreira e Luis Erlanger.

Podem imaginar o que vem por aí em matéria de manipulação da informação e propaganda antichavista, como se fosse uma grande e única verdade?

E voltou à tona a compra de caças para a FAB. A jornalista Eliane Catanhede anunciou na Folha de S. Paulo que o governo Lula bateu o martelo com a aquisição dos caças franceses Rafale. Poucas horas depois o Ministro Nelson Jobim desmentia a informação, da mesma forma que a própria FAB.

Os leitores devem se lembrar que há poucas semanas, jornais como O Globo, a Folha de São Paulo etc previam mais uma “crise militar” porque um suposto relatório da Força Aérea Brasileira dava prioridade a outros modelos.

Poucos dias antes, os mesmos jornais e canais de TV, davam com grande estardalhaço a certeza de que o descontentamento na área militar com o Plano Nacional dos Direitos Humanos tinha gerado uma crise no setor. A “crise militar” fabricada não aconteceu, mas poucos cobraram as barrigas do conservadorismo midiático.

É importante acompanhar com atenção o noticiário dos meios de comunicação conservadores, principalmente agora que no Brasil começa uma nova campanha presidencial para eleger o sucessor de Luiz Inácio Lula da Silva. Pode-se imaginar o que vem por aí em matéria de manipulação da informação, tanto em âmbito interno como externo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

COLÔMBIA - Os paramilitares e a farsa colombiana.

Por Mauro Santayana

Não é novidade: a Human Rights Watch, organização internacional que monitora a violação dos direitos humanos no mundo, denunciou, ontem, em Bogotá, os novos crimes dos grupos paramilitares na Colômbia. Além dos assassinatos seletivos, há o deslocamento forçado de populações inteiras, sob a ameaça armada dos bandos de criminosos. Tais comandos contam com a proteção de setores das Forças Armadas, da polícia, de alguns promotores e de altas personalidades do governo de Uribe.

O país tem sido dos mais atingidos pela violência na América Latina, embora seja dotado de uma intelectualidade que se destaca entre os vizinhos. Não é só a pátria do romancista Gabriel García Márquez, como de excepcionais poetas e dramaturgos. Tal como outros países mestiços da Cordilheira, a Colômbia é dominada por uma minoria de grandes empresários, quase todos brancos, muitos de sobrenomes estrangeiros, que controlam os bancos, as indústrias e os meios de comunicação – e, da mesma maneira, o narcotráfico e as instituições do Estado.

A essas elites pertence o presidente Uribe. Contra elas, surgiram, ao longo do século 20, vários movimentos armados. O Estado não foi capaz de os vencer, com suas forças clássicas de repressão. Alguns empresários decidiram então financiar os paramilitares, que, oficialmente à margem do Estado, passaram a exterminar militantes de esquerda dos meios urbanos e camponeses, sob o pretexto de cumplicidade com as Farc. Esses grupos nunca enfrentaram frontalmente os guerrilheiros. Tratou-se de sórdido terrorismo: as vítimas são, em sua maioria, jovens sequestrados da periferia das cidades e moradores no campo. Fazem apenas “número” para justificar o dinheiro recebido. Formaram-se, assim, grupos de assassinos, alguns criminosos comuns, egressos ou fugitivos das prisões, ex-militares e ex-policiais, traficantes de drogas e desempregados, todos armados, municiados e pagos, conforme o número das vítimas abatidas.

Há indícios fortes de que tais grupos receberam ajuda e treinamento da CIA, embora os norte-americanos o neguem. O que não negam é a presença de consultores e assessores que “ajudam” as forças “regulares” da Colômbia a combater os guerrilheiros, a pretexto de reprimir o tráfico de drogas.

O Estado colombiano se transformou em assustadora quimera. Membros destacados do governo Uribe são acusados de cumplicidade com os paramilitares. O próprio Uribe, quando governador do estado de Antioquia, cuja capital é Medellín, patrocinou o grupo Convivir, organização de fachada de exterminadores, financiada pela grande companhia bananeira Chiquita – conforme documentos norte-americanos. Esses mesmos documentos apontavam, no início do governo de Uribe, o então chefe do Exército, Mario Montoya, de cumplicidade com um grupo de extermínio que havia eliminado pelo menos 14 pessoas em Medellín.

Entre 2003 e 2006, o governo colombiano, sob a pressão da opinião pública mundial, “promoveu a desmobilização” de 30 mil membros das organizações paramilitares, mas há provas de que se tratou de uma farsa. “Como resultado – diz textualmente o informe do HRW – muitos grupos atuaram de forma fraudulenta e recrutaram civis para que passassem como paramilitares durante a desmobilização, e assim preservaram ativos seus quadros”. Os verdadeiros chefes e subchefes dos grupos se ocultaram, e voltaram a matar meses depois. A partir de 2007, esses grupos voltaram à luz do dia – calcula-se entre 4 mil e 10 mil o número atual de seus efetivos.

O informe refere a denúncia de que um chefe de promotores de Medellín, Guilherme Valencia Cossio – irmão do ministro do Interior e Justiça de Uribe – seria colaborador de um desses grupos de paramilitares. O fato é que há clara condescendência e envolvimento de altos funcionários do governo de Álvaro Uribe – há quase oito anos no poder, com os grupos de extermínio.

O presidente Barack Obama, quando candidato, anunciou que, eleito, cortaria a ajuda à Colômbia. Hillary Clinton, como secretária de Estado, negociou a instalação de bases norte-americanas no país, e tem garantido o apoio decisivo de Washington a Uribe e seu grupo.

sábado, 14 de novembro de 2009

COLÔMBIA - Reeleger Uribe é sacramentar corrupção e impunidade.

A Unasul (União das Nações Sul-Americanas) enfrenta um impasse diante da teimosia do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de ampliar a instalação de bases usamericanas no território de seu país. Os demais presidentes estão contra. Preferem preservar a soberania e a independência da América do Sul.

Por Frei Betto*

Na reunião de Bariloche, em agosto, o presidente Lula bem argumentou: se desde 1952 as tropas estadunidenses não conseguiram erradicar o narcotráfico na Colômbia, por que agora estariam aptas a fazê-lo?

Funcionam na Colômbia três Estados paralelos: a guerrilha das FARC; o narcotráfico; e os grupos paramilitares, criados supostamente para combater os dois primeiros. Desde 1991, cerca de 2.500 sindicalistas foram assassinados naquele país, 500 sob o governo de Uribe. Os paramilitares puxam o gatilho, mas quem os financia são empresas nacionais e transnacionais.

A Coca-Cola sofre processo judicial por ter apelado aos paramilitares para reprimir atividades sindicais, entre 1992 e 2001, que resultaram na morte de sete sindicalistas. A Chiquita Brands, exportadora de banana, admitiu ter financiado o grupo terrorista Autodefesa da Colômbia. A Dyncorp foi acusada de contaminar com substâncias tóxicas lavouras de pequenos agricultores na fronteira entre Colômbia e Equador, visando a erradicação do plantio de coca. Tais fatos têm impedido que o governo dos EUA, empenhado na investigação dessas empresas, realize o grande sonho de Uribe: assinar o tratado de livre comércio entre os dois países.

A empresa Drummond, com sede no Alabama, explora minas de carvão e é acusada de ordenar o assassinato, por mãos de paramilitares, de três dirigentes sindicais. Ela extrai da Colômbia mais de 16 milhões de toneladas de carvão/ano. Seu faturamento anual está calculado em US$ 500 milhões, graças ao trabalho de 3.000 mineiros remunerados a US$ 2,5/hora.

A Justiça de Atlanta acusou a empresa de acobertar os assassinos dos sindicalistas colombianos e condenou a empresa, baseada numa lei de 1789, promulgada para punir ações de pirataria e crimes cometidos fora do território dos EUA. O processo correu sob segredo de Justiça, mas a mídia de Alabama pressionou e, agora, sabe-se que Rafael García, ex-chefe do departamento de informática do DAS (Departamento Administrativo de Segurança), órgão máximo da segurança do Estado colombiano, preso por haver destruído informações sobre os narcotraficantes de seu país, revelou as conexões entre parlamentares e funcionários comprometidos com os paramilitares.

García confessou que pouco antes do assassinato dos sindicalistas presenciou uma reunião entre o presidente da filial colombiana da Drummond e o chefe paramilitar que controlava a região. Viu quando o empresário entregou ao paramilitar US$ 200 mil para assassinar os sindicalistas. Contou ainda que os paramilitares usavam barcos da Drummond para transportar cocaína à Europa e Israel.

Favorecer na Colômbia um terceiro mandato de Uribe é sacramentar a corrupção e a impunidade.

* Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir), entre outros livros.

Fonte: Brasil de Fato

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

COLÔMBIA - O golpe de Uribe e a nossa doce mídia.

A Câmara da Colômbia aprovou, com 85 votos a favor e cinco contra, a proposta que permite a Uribe iniciar o caminho para se re-recandidatar à sua sucessão. Eram necessários 84 votos.

O mais escroto (perdão, não tenho palavra mais precisa) desse processo todo é que dos 165 deputados colombianos, 92 estavam impedidos de votar devido a um processo na Suprema Corte de Justiça.

Entre outras coisas os processos são por evidências de que venderam seus votos para o governo em importantes decisões na Câmara.

É incrível como a indignação da nossa doce mídia é seletiva. Uribe continua sendo tratado como um good boy, o presidente que derrotou os narcotraficantes e os terroristas no seu país. Enquanto isso, Hugo Chávez é a personificação do demônio.

Sinto-me bem à vontade para tratar disso, porque quando o presidente da Venezuela colocou em plebiscito a reeleição indefinida, escrevi aqui que era contrário a proposta (as vezes ser coerente é ser ingênuo). Fiz o mesmo em relação as especulações de um novo mandato para Lula.

Aliás, sempre disse que isso era um bode na sala colocado pela mídia. E que entre os líderes mais importantes do PT e os mais influentes governistas essa tese era refutada. E que Lula nunca a levou em consideração.

Aliás, outra coisa que nossa doce mídia esquece é que FHC foi um dos precursores desse golpismo institucional. Ou seja, de mudar a legislação eleitoral em próprio benefício no curso do mandato. Quando tratam da questão, dizem que isso passou a ocorrer após a iniciativa de Cháves.

O nome disso é reinvenção da história.

Só que hoje eles não falam sozinhos. Temos uma blogosfera ativa e veículos de comunicação que contam uma outra versão, muito menos intoxicada por interesses econômicos.

Quem faz jornalismo não é mais a nossa doce mídia. Eles fazem publicidade e propaganda para os interesses conservadores e neoliberais.
Blog do Rovai

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

COLÔMBIA - Senado colombiano aprova referendo para terceiro mandato.

É muito provável que o PIG esconda essa notícia.

por Michelle Amaral da Silva

O projeto será submetido à votação na Câmara de Representantes, onde, de acordo com a bancada governista, há uma ampla maioria a favor. Se for aprovado, passará à Corte Constitucional e logo depois pode ser levado às urnas
O projeto será submetido à votação na Câmara de Representantes, onde, de acordo com a bancada governista, há uma ampla maioria a favor. Se for aprovado, passará à Corte Constitucional e logo depois pode ser levado às urnas

Opera Mundi

O Senado da Colômbia aprovou, por 56 votos a favor, a realização de um referendo para perguntar aos eleitores se aprovam uma mudança na Constituição para permitir que um presidente se candidate a três mandatos consecutivos. Isso daria a Álvaro Uribe a possibilidade de concorrer de novo nas próximas eleições, em 2010. O esquerdista PDA (Polo Democrático Alternativo) e o também opositor PL (Partido Liberal) se recusaram a votar.

O projeto será submetido à votação, na próxima semana, na Câmara de Representantes, onde, de acordo com a bancada governista, há uma ampla maioria a favor. Se for aprovado, passará à Corte Constitucional e logo depois pode ser levado às urnas, onde os colombianos decidirão a favor ou contra a reeleição do atual presidente.

Uribe, que foi eleito em 2002 e reeleito em 2006, ainda não anunciou se está disposto a se submeter a um terceiro mandato presidencial.

"Muito obrigada em nome de todos aqueles colombianos que acreditam que a política de segurança democrática devolveu a esperança ao país", afirmou o ministro de Interior Fábio Valencia, ao final da votação.

Oposição

Durante a discussão do texto do referendo, a oposição voltou a criticar o governo. O senador do PDA Gustavo Petro se posicionou contra a continuidade de poder, afirmando que "o governo em oito anos não foi capaz de tirar o Estado das máfias".

Já o senador Juan Manuel Galánm PL, filho do ex-candidato presidencial Luis Carlos Galán Sarmiento, assassinado há 20 anos pela máfia, disse que seu partido não participaria "do massacre da Constituição de 91".

Igualmente, antes da votação, vários parlamentares arremeteram contra a Suprema Corte, que ordenou a revista das casas dos congressistas conservadores Alirio Villamizar e Juan Manuel Corzo. A Corte investiga os parlamentares por supostos vínculos com a repartição de benefícios em troca de votos a favor da reeleição de Álvaro Uribe em 2006.

No páreo

Horas antes do início dos debates na Câmara, o ex-ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, reuniu-se com Uribe na capital Bogotá e anunciou, mais uma vez, sua intenção de candidatar-se à presidência.

"Eu disse ao presidente que se houver referendo, reeleição e ele quiser se candidatar, conta com meu total e absoluto apoio. No momento em que ele, por algum motivo, decidir não se apresentar, então, eu serei candidato a suceder-lhe", disse Santos.

Santos foi o principal mentor da política de segurança democrática que se tornou o carro chefe do governo Uribe, cujo principal aspecto trata do combate às guerrilhas colombianas por meio da ação militar, não negociada.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

COLÔMBIA - Soldados dos EUA terão imunidade em bases colombianas.

Depois de enfrentar resistência externa por oferecer sete bases militares a forças americanas, o governo colombiano tenta convencer seus cidadãos de que os delitos cometidos por soldados dos EUA no país não ficarão impunes.

A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo, 18-08-2009.

A dúvida sobre o alcance da Justiça local sobre os soldados estrangeiros surgiu depois que, na semana passada, o senador da oposição Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, lembrou o caso de uma menina que foi abusada sexualmente - em 2007, quando ela tinha 12 anos - por dois militares americanos, nos arredores de Bogotá.

A mãe da criança teve de fugir com suas duas filhas depois de denunciar o caso à Justiça. "Tentaram assassiná-las há pouco tempo", disse Petro. Os dois soldados acusados pelo crime voltaram aos EUA impunemente.

No domingo, o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, disse que os militares americanos terão imunidade. Mas, segundo ele, a Justiça local poderá pedir que esta proteção seja suspensa em casos de "extrema gravidade". No entanto, Bermúdez não disse que casos seriam esses.

"Não haverá jurisdição americana em território colombiano", disse o chanceler, esclarecendo que os soldados americanos que cometam crimes fora do exercício de suas funções poderão ser julgados por juízes americanos na embaixada ou nos consulados dos EUA na Colômbia.

DETALHES

Bermúdez tem encontro marcado para amanhã, em Washington, com a secretária americana de Estado, Hillary Clinton.

Os dois devem discutir os detalhes finais do acordo que poderia ser assinado ainda neste final de semana.

Atualmente, o Plano Colômbia - estratégia firmada há nove anos por Washington e Bogotá para o combate ao narcotráfico e à guerrilha - prevê a presença de até 800 militares e 600 funcionários privados americanos em bases colombianas. O novo texto não deve mudar esses números.

O documento menciona também o uso de até sete bases militares colombianas, cinco aéreas e duas navais, mas os EUA poderiam estender a solicitação a um número maior de bases.
Fonte:IHU

sábado, 8 de agosto de 2009

GUERRILHA E NARCOTRÀFICO NÃO JUSTIFICAM BASES AMERICANAS.

A posição do governo brasileiro com relação às novas bases americanas na Colômbia (na fronteira com a nossa Amazônia) e na região (Américas do Sul e Central) é correta sob todos os pontos de vista - político, diplomático e do direito internacional.

Não há nenhuma ameaça aos Estados Unidos por parte dos governos da região. Aliás, não há no mundo. Mesmo a questão do terrorismo não se resolve militarmente, como demonstraram as invasões (e guerras) do Afeganistão e do Iraque.

A instalação dessas bases é uma questão que deve e tem que envolver a comunidade internacional e a ONU - Organização das Nações Unidas. O direito internacional e a Carta das Nações Unidas exigem o respeito à autodeterminação e soberania dos povos e países e a não ingerência em seus assuntos internos.

Se a própria Colômbia durante 30 anos não resolveu a questão das guerrilhas e do narcotráfico, nem com o Plano Colômbia, não há como apresentá-la como justificativa para as novas bases.

Lembrem-se que partes importantes da Colômbia, de seu território e economia, são controladas - ou foram - pela guerrilha e pelo narcotráfico e que este não tem relações apenas com a guerrilha, mas com o governo Álvaro Uribe como ficou amplamente provado inclusive na Justiça. A questão é, portanto, mais complexa e não se resolve com ampliação da presença militar norte-americana.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

COLÔMBIA - Uribe, aferrado à estratégia militar, rechaça direitos humanos.

Escrito por Pietro Alarcón, publicado no blog Correio da Cidadania.

Uma das táticas mais recorrentes dos governos colombianos para castigar politicamente a oposição - dentro e fora das instâncias do Estado -, os sindicatos e os movimentos sociais em geral consiste em, de algum modo, intentar vincular suas lideranças e sua legítima luta pela abertura dos espaços democráticos e pela defesa dos interesses populares com a insurgência. A tática objetiva intimidar e justificar as desaparições, os atentados contra a vida e as liberdades. As lideranças e membros da oposição, com o epíteto de guerrilheiros, saem indefesos nas cidades, sem condições de segurança, enquanto se reproduz na opinião pública a idéia de que, se são alvo do paramilitarismo, a razão é o fato de serem subversivos. Esconde-se, dessa forma, a natureza real do fenômeno paramilitar. Além disso, condena-se mortalmente uma oposição que não está armada, não milita em grupo guerrilheiro algum e que trabalha pela defesa das liberdades públicas, a paz e a democracia. Com erros e acertos, com divisões ou formas de pensar diferentes, mas que, definitivamente, não está armada, a não ser de idéias. Por isso não surpreende o fato de que, para esconder ou tentar minimizar o impacto internacional suscitado pela vinculação de congressistas e membros do executivo colombiano com o paramilitarismo e o narcotráfico, o governo atual tente, por todos os meios, atribuir a membros da oposição – especialmente do Pólo Democrático, a força eleitoral mais ameaçadora para os interesses das elites nos últimos tempos – condutas que os liguem com a organização guerrilheira. Busca o governo, dessa maneira, criar uma revanche contra as denúncias que cursam na Corte Suprema e que comprometem a lisura da forma como foi obtida a reeleição à primeira magistratura do Estado. Agora, como realmente a política externa dos Estados da América Latina, pelo menos na atual conjuntura, dista muito da concepção presidencial da Colômbia sobre quais são os interesses nacionais ou regionais – como demonstrado na recente reunião de Brasília para abordar a UNASUL –, e diante do isolamento que sofre em termos políticos o governo (lembre-se da reunião da OEA para discutir a invasão do espaço equatoriano e o congelamento da discussão sobre o Tratado de Livre Comércio entre Estados Unidos e Colômbia pelo Congresso americano), a tática agora também se dirige a tentar demonstrar supostos vínculos das FARC com os governos vizinhos. E, ao que parece, nem o Brasil escapa, pelo que foi noticiado no jornal Folha de S. Paulo no dia em que se escrevem estas breves linhas, em matéria que menciona o chanceler Celso Amorim. Como diz o Itamaraty, em resposta pela sua assessoria de imprensa, a referência ao ministro não faz o menor sentido. Como não devem fazer o menor sentido muitas dessas supostas informações. Informações extraídas do computador do comandante dessa organização insurgente, Raul Reyes, conteriam, diz o governo, os nomes de um leque amplíssimo de pessoas que teriam algo a ver com as FARC. O curioso é que o ponto em comum de todas não é, na opinião modesta deste professor, que elas apareçam – se é que deveras aparecem, porque até agora pouco se sabe, pois as informações são parciais e incompletas – no computador, mas que todas elas são pessoas que desde há muito tempo são críticas e questionadoras do regime político excludente que caracteriza a Colômbia - ou simplesmente pessoas de ação política reconhecida no país e no exterior, ministros e personalidades com as quais me parece completamente normal que essa organização deseje manter de alguma forma um contato, se deveras quer que o mundo conheça suas propostas e visões. Outra questão, bastante estranha, é que no informe da Interpol se expressa que o computador de onde saem os fundamentos probatórios das denúncias foi alvo de manipulações entre os dias 1 e 3 de março, ou seja, quando estava em poder do Ministério da Defesa da Colômbia. A Corte Suprema de Justiça foi a última a receber as informações extraídas do computador, bastante tempo depois que os nomes de várias pessoas tinham sido divulgados pela imprensa, numa incrível filtragem de informação. Tudo isso, obviamente, compromete a veracidade e credibilidade dessas acusações. Assim, resta a hipótese de que se trate de um juízo político e não exatamente de uma questão sumamente jurídica. Em alguns casos, quando se acusam a parlamentares, jornalistas e defensores de direitos humanos, trata-se de uma espécie de cobrança pelo exercício do legítimo direito de fazer oposição. Em outros, acusando governos, ministros e personalidades, uma maneira de comprometê-los e desestabilizar a região. O governo de Uribe, por um lado, em lugar de aprender com os golpes no cenário internacional, continua declaradamente vinculado à estratégia de guerra traçada pela doutrina Bush e se opõe a qualquer unidade regional que seja ancorada na projeção de uma defesa estratégica ligada à soberania. Por outro lado, afasta-se de qualquer possibilidade de procurar a paz pela via da negociação política, a troca humanitária e o diálogo entre os colombianos. Sinceramente, a postura do governo é em extremo negativa, pois o anúncio de uma saída política e negociada ao conflito evitaria centenas de mortos de um lado e de outro, favoreceria o vigor dos direitos humanos e o cessar do refúgio interno e externo, promoveria um diálogo sobre os temas que realmente interessam ao povo, para gerar uma Colômbia com desenvolvimento e soberania, capaz de contribuir com o progresso dos outros Estados da região. Em suma, criaria um novo clima nesta parte do mundo. A opção por uma troca humanitária entre o Estado e a insurgência abriria uma nova perspectiva, desta vez sobre a base do respeito pela vida e o cessar da atividade paramilitar, dos seqüestros e da violência. No entanto, as urgências do governo são outras. A Promotoria abriu investigações contra as senadoras Piedad Córdoba - justo a parlamentar que mais tem contribuído para a troca humanitária e a quem se deve o retorno dos que estavam em poder das FARC e que hoje desfrutam da sua liberdade – e Glória Inês Ramirez, a professora que, em nome do Pólo Democrático, presta incalculáveis serviços ao país à procura da paz e do respeito aos direitos sociais. Em ambos os casos os fundamentos são os mesmos, supostos vínculos com a guerrilha. Obviamente que, diante de tais circunstâncias, deve ser exigido que as investigações transcorram com o pleno respeito pelas garantias constitucionais das pessoas no processo, preservando a presunção de inocência e as liberdades cidadãs. E no meio desta situação se conhece o falecimento do lendário comandante das FARC Manuel Marulanda Vélez, sobre cuja vida tanto já se escreveu. Certamente não há como analisar o processo histórico colombiano, dos últimos 50 anos especialmente, sem deixar de mencionar o papel que desempenhou na resistência ao velho paramilitarismo que agrediu as regiões camponesas de várias províncias do país, nas conversações de paz de1983 e na procura permanente por criar cenários para avançar na perspectiva de mudanças para o país. É preciso, contudo, diante da nova configuração da direção dessa organização insurgente – modificada conforme confirmado pelo comunicado enviado por ela aos meios de imprensa -, que se ratifique seu compromisso em encontrar espaços para a entrega das pessoas seqüestradas e dessa forma contribuir firmemente para a busca pela paz. Diálogo, negociação, castigo ao narcoparamilitarismo, procura da paz, verdade e justiça são os elementos centrais para promover uma mudança radical de rumo, que se reverta em vida e direitos para os colombianos e segurança para todos na região. Pietro Alarcón, professor da PUC-SP, é representante no Brasil do Comitê Permanente da Colômbia pela Defesa dos Direitos Humanos.