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quinta-feira, 17 de julho de 2014

COPA DO MUNDO - Felipão foi abandonado após derrota.


Felipão foi abandonado após derrota, diz Cosme Rímoli

Jornal GGN - Em seu blog, o jornalista esportivo Cosme Rímoli fala sobre os bastidores da seleção antes e depois da eliminação da Copa do Mundo, e mostra como o técnico Luiz Felipe Scolari acabou sendo abandonado após o fracasso. De acordo com o colunista, Felipão não seguiu os conselhos de Alexandre Gallo, técnico das categorias de base e olheiro da Seleção. Gallo foi um dos profissionais mantidos na comissão técnica e é cotado para assumir o time como inteirino para os amistosos que vão acontecer no segundo semestre.
Rímoli ainda afirma que Felipão estaria magoado com Gallo, José Maria Marin (presidente da CBF) e com Galvão Bueno, que mudou de tom e criticou o método de trabalho do técnico. "Felipão percebeu que de nada adiantou abrir a concentração para Luciano Huck, Mumuzinho. Nem trocar confidências sobre o time com Patricia Poeta", pontua.
Do R7
Cosme Rímoli
Chegou a hora da reestruturação na Seleção Brasileira. Sem antes, como é de praxe, a lavagem de roupa suja. As famosas traições. Com cada um tentando se salvar do massacre. Até para seguir trabalhando.
O primeiro e mais gritante caso é o de Alexandre Gallo. Vazou nos corredores da CBF que o observador recomendou a Felipão que teria uma maneira de enfrentar a Alemanha. Ele deveria tirar do time Fred e entrar com três volantes: Luiz Gustavo, Paulinho e Fernandinho. Alertou que o meio de campo era o ponto forte do adversário.
Parreira teria até concordado com a avaliação. Mas Felipão preferiu ser fiel ao esquema que conquistou a Copa das Confederações. Deixou o time 'aberto'. A observação chegou nos ouvidos de José Maria Marin e de Marco Polo del Nero. E revoltou a dupla. Toda a conta da goleada vexatória por 7 a 1 ficou nas costas do ex-treinador da Seleção.
"Vocês (jornalistas) querem me jogar contra o Gallo", disse Felipão, assustado, com a revelação. Mas depois da sua demissão, as observações do seu 'espião' sobre a Alemanha foi parar na imprensa. Algo que expõe a escolha errada do técnico e preserva aquele que deveria ser seu auxiliar de confiança.
Gallo conseguiu sobreviver. Ele não está no enorme grupo de demitidos pela CBF. E mais. O treinador comandava a base da Seleção. Venceu no mês passado o importante torneio de Toulon, com garotos sub-21. Foram cinco vitórias em cinco partidas. Com direito à goleada por 5 a 2 contra a França, dona da casa. Ele era protegido por Felipão, que o defendia como técnico da Seleção Olímpica.
Marin é apaixonado por Gallo desde que ele revelou como os garotos iriam se comportar com ele. Estavam proibidos brincos, andar com fones de ouvidos na concentração, a partir de quando os jogadores fossem convocados, nada de tatuagens.
"Não aceito jogador com marra. Não quero estrelismo. Preciso de personalidade, comprometimento. Aliás, isso importa mais para mim do que a capacidade. Não adianta nada para o grupo alguém talentoso mas individualistas. Comigo vai predominar o grupo."
Gallo propôs a Marin a unificação do trabalho nas categorias de base, como as grandes seleções fazem há muito tempo. Espanha e Alemanha são bons exemplos. O que é esta 'unificação'? Na verdade uma padronização tática. Os times atuarão com esquemas idênticos, com poucas variações. Seguindo como referência, a Seleção adulta. Para que, desde menino, o jogador se encaixe.
O plano foi desenvolvido por Felipão, Parreira e Gallo. Mas todos os méritos acabaram com o treinador da base. E agora a revelação que aconselhou Felipão a fechar o time contra os alemães veio a calhar. Tanto que ele ganhou uma moral incrível com Marin.
Há a possibilidade real de que amanhã ele seja anunciado como treinador interino do Brasil até o final do ano. Comande a Seleção principal para amistosos já marcados. Isso daria um fôlego para a CBF buscar um técnico para preparar a Seleção para a Copa de 2018.
O calendário até lá é pesadíssimo. Tem Eliminatórias, Copa América do Chile em 2015;outra Copa América comemorativa de 100 anos, nos Estados Unidos, em 2016; além da Olimpíada no Rio. De novo com a obrigação de o time conseguir a medalha de ouro pela primeira vez.
Será nomeado um novo coordenador técnico. Com o perfil bem diferente de Parreira, principalmente na idade. O que acaba de ser dispensado tem 71 anos. O ex-jogador da Seleção e dirigente do Paris Saint Germain e que tem passagens rápidas como técnico do Milan e da Inter recebeu o convite. Ele está propenso a aceitar.
Seus contatos importantes seriam fundamentais na escolha do novo técnico para o Brasil. E também a vivência. Leonardo teria a capacidade de organizar o futebol da Seleção nos moldes seguidos pelos grandes clubes do Exterior. Criar condições até para um técnico de fora e de grande vivência, assuma o Brasil a partir de 2015.
Essa questão ainda não está fechada. Tite e Muricy seguem comentados se a opção for pela reserva de mercado. "O Brasil para os brasileiros", já disse um dirigente de federação, mais radical.
As reuniões na CBF se sucedem, buscando o novo. Mas a mágoa dos que foram dispensados é imensa. Carlos Alberto Parreira garante que não quer mais saber de futebol. Só cuidará de seus negócios particulares. O ex-diretor de Comunicação, Rodrigo Paiva, foi dispensado por telefone depois de 12 anos no cargo. Não quer mais tocar no assunto de sua demissão.
Triste mesmo está Felipão. Ele não chegou nem a fazer o relatório da caminhada do Brasil na Copa do Mundo. Soube que Marin não tinha o menor interesse em recebê-lo. Percebeu isso ao ir para a casa do ex-presidente da CBF na segunda-feira. Tinha esperanças de continuar na Seleção. Acreditava no que havia ouvido de Marin, após o desastre contra a Alemanha.
1vipcomm12 Leonardo, Gallo... Marco Polo del Nero e José Maria Marin reestruturam a Seleção Brasileira. Enquanto isso, abandonado, Felipão vê as mesmas pessoas que o apoiavam lhe virar as costas. O fracasso é órfão...
Mas ao chegar no local já viu um carro de reportagem da TV Globo. Percebeu que a emissora não estava lá só para registrar uma simples reunião. Mas o último ato, a sua demissão. Felipão entendeu que o apoio que recebeu na derrota diante dos germânicos foi irreal. Marin ganhava tempo, esperava apenas a derradeira partida na Copa. E aí tirar o seu cargo.
Felipão está recluso e magoado. Com Marin, com Gallo, com Galvão Bueno. O discurso do narrador no sábado depois da derrota contra a Holanda foi considerado uma punhalada pelo ex-técnico.
De uma hora para outra, Galvão se virou contra o método de trabalho que tanto havia elogiado. Descobriu que o time não treinava, a granja Comary era aberta demais e questionou a repetição da estratégia usada na Copa das Confederações na Copa do Mundo.
Tudo o que os principais veículos de comunicação apontavam desde o início do Mundial. Galvão esperou o fracasso para se queixar dos métodos da Comissão Técnica.
Felipão percebeu que de nada adiantou abrir a concentração para Luciano Huck, Mumuzinho. Nem trocar confidências sobre o time com Patricia Poeta. Fazer o Jornal Nacional o veículo oficial da Seleção. Obedecia a Marin. Com o fracasso, a Globo, representada por Galvão, se voltou contra ele.
Se o sucesso tem vários pais, o fracasso é órfão de pai e mãe. É assim que Felipão se sente hoje, abandonado. Por pessoas que há dez dias lhe abraçavam e o enchiam de elogios. E até se sentaram no seu colo...
(O golpe para finalizar Felipão. Informantes da CBF vazaram o salário que recebia o treinador. R$ 900 mil na carteira de trabalho. Com os encargos trabalhistas, o custo bateria nos R$ 1,5 milhão. Mostrando o quanto ele era caro, a cúpula da entidade espera arrebanhar a opinião pública. A informação vazou, por coincidência, em São Paulo e no Rio. Bastidores do futebol brasileiro...)

COPA DO MUNDO - A oposição e a Copa.


PML: Oposição agora finge que Lula e Dilma não contribuíram para sucesso da Copa


decoracao-festa-brasil
por Paulo Moreira Leite, em seu  blog
Depois de culpar Lula-Dilma por todos anunciados fiascos da Copa, a oposição diz que brasileiros anônimos garantiram o sucesso. Pode?
É bom reconhecer que há poucas coisas perfeitas na vida. Uma delas é  abraçar as crias depois de uma longa ausência. Outra, é almoçar na casa da mãe. Ou desfrutar da companhia de amigos verdadeiros.
Após estas considerações, cabe analisar os números finais da Copa do Mundo. Leia a opinião de  2209 visitantes estrangeiros ouvidos pelo DataFolha:
92% dos visitantes elogiaram o conforto e a segurança
76% aprovaram o transporte até os estádios
95% disseram que a recepção foi boa ou ótima.
83% elogiaram a organização
Mesmo lembrando que a Copa não foi um evento sem problemas, há outras notícias boas.
Alvo de muitos fantasmas usados para atemorizar visitantes, o  Rio de Janeiro recebeu 900 000 turistas contra 90 000 previstos. Eles deixaram 4 bilhões de reais na cidade, contra 1 bi de previsão.
Obrigados a encontrar um discurso para enfrentar uma situação inesperada, nossos profetas do pessimismo completaram um ano de atividade ininterrupta, desde os protestos de junho de 2013,  com sorrisos amarelos.
Passada a fase da autocrítica, é preciso explicar o que aconteceu, o por quê.
Na falta de explicação melhor, a moda agora é dizer que o sucesso da Copa se deve aos “brasileiros.” Assim, no genérico. Os 200 milhões de brasileiros garantiram a Copa das Copas porque são simpáticos e acolhedores. Descobrimos essas virtudes anteontem?
Vamos combinar: a finalidade desse discurso é fingir que não havia oposição a Copa, movimento que se expressou num esforço permanente para impedir os jogos e criar um ambiente de desordem, sufoco e desmoralização Apelos ao boicote eram ouvidos nos melhores jantares, nas melhores famílias.  Inclusive em inglês com legendas.
A Copa ocorreu contra a vontade dessas pessoas. Foi fruto do  esforço da grande maioria da população, que não só queria assistir aos jogos e participar de um evento que marca a cultura de nossa época.  Estava decidida, acima de tudo, a defender imagem de seu país.
Foram os adversários da Copa que transformaram o Mundial numa luta política – e perderam.
Como predadores sem escrúpulo, que mudam de pele conforme a paisagem, em determinadas situações a  Copa era combatida com argumentos à direita. Em outros lugares, à esquerda. O importante é que não ocorresse. Se ocorresse, teria de ser um fiasco.
Não duvide: para boa parte dessas pessoas, o desempenho fraco da Seleção nos gramados serviu de consolo – e não de tristeza. Elas não suportariam uma boa atuação. Temiam uma classificação melhor – a tal ponto que não perdiam uma oportunidade para dizer que os juízes beneficiavam o Brasil, esquecendo das inúmeras vezes em que nosso time foi prejudicado.
Se Aécio Neves não tivesse deixado tantas demonstrações escritas de seu apoio a Felipe Scolari, o esforço para transformar Dilma Rousseff em assistente técnica da derrota teria sido ainda mais descarado.
Uma copa elogiada, por baixo, por mais de 80% dos visitantes estrangeiros, não é um carnaval que cai do céu, nem um reveillon na avenida Paulista. Envolve uma ação ariticulada em 12 cidades e dezenas de obras de infraestrutura que, sabe-se hoje, estavam muito mais avançadas do que se anunciou – mais uma vez, para tentar afastar a população da Copa, criar desânimo e desconfiança.
O elogio aos “brasileiros,”  neste genérico, também é uma tentativa bisonha de encobrir o papel do Estado brasileiro neste sucesso. Governantes e prefeitos que assumiram suas responsabilidades, muitos deles filiados à oposição, foram sacrificados na hora do reconhecimento.
E aí está a imagem retocada da imagem que fica para a história.
Depois de culpar antecipadamente Lula-Dilma por um fiasco que anunciavam como inevitável, tenta-se fingir que eles não deram a menor contribuição para os aplausos da platéia. Pode?

COPA DO MUNDO - A manipulação da mídia.

Mídia tenta manipular sucesso da Copa

http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:
É bom reconhecer que há poucas coisas perfeitas na vida. Uma delas é abraçar as crias depois de uma longa ausência. Outra, é almoçar na casa da mãe. Ou desfrutar da companhia de amigos verdadeiros.

Após estas considerações, cabe analisar os números finais da Copa do Mundo. Leia a opinião de 2209 visitantes estrangeiros ouvidos pelo Datafolha:

- 92% dos visitantes elogiaram o conforto e a segurança
- 76% aprovaram o transporte até os estádios

- 95% disseram que a recepção foi boa ou ótima.

- 83% elogiaram a organização

Mesmo lembrando que a Copa não foi um evento sem problemas, há outras notícias boas.

Alvo de muitos fantasmas usados para atemorizar visitantes, o Rio de Janeiro recebeu 900.000 turistas contra 90.000 previstos. Eles deixaram 4 bilhões de reais na cidade, contra 1 bi de previsão.

Obrigados a encontrar um discurso para enfrentar uma situação inesperada, nossos profetas do pessimismo completaram um ano de atividade ininterrupta, desde os protestos de junho de 2013, com sorrisos amarelos.

Passada a fase da autocrítica, é preciso explicar o que aconteceu, o por quê. Na falta de explicação melhor, a moda agora é dizer que o sucesso da Copa se deve aos “brasileiros.” Assim, no genérico. Os 200 milhões de brasileiros garantiram a Copa das Copas porque são simpáticos e acolhedores. Descobrimos essas virtudes anteontem?

Vamos combinar: a finalidade desse discurso é fingir que não havia oposição a Copa, movimento que se expressou num esforço permanente para impedir os jogos e criar um ambiente de desordem, sufoco e desmoralização Apelos ao boicote eram ouvidos nos melhores jantares, nas melhores famílias. Inclusive em inglês com legendas.

A Copa ocorreu contra a vontade dessas pessoas. Foi fruto do esforço da grande maioria da população, que não só queria assistir aos jogos e participar de um evento que marca a cultura de nossa época. Estava decidida, acima de tudo, a defender imagem de seu país.

Foram os adversários da Copa que transformaram o Mundial numa luta política – e perderam.

Como predadores sem escrúpulo, que mudam de pele conforme a paisagem, em determinadas situações a Copa era combatida com argumentos à direita. Em outros lugares, à esquerda. O importante é que não ocorresse. Se ocorresse, teria de ser um fiasco.

Não duvide: para boa parte dessas pessoas, o desempenho fraco da Seleção nos gramados serviu de consolo – e não de tristeza. Elas não suportariam uma boa atuação. Temiam uma classificação melhor – a tal ponto que não perdiam uma oportunidade para dizer que os juízes beneficiavam o Brasil, esquecendo das inúmeras vezes em que nosso time foi prejudicado.

Se Aécio Neves não tivesse deixado tantas demonstrações escritas de seu apoio a Felipe Scolari, o esforço para transformar Dilma Rousseff em assistente técnica da derrota teria sido ainda mais descarado.

Uma Copa elogiada, por baixo, por mais de 80% dos visitantes estrangeiros, não é um carnaval que cai do céu, nem um reveillon na avenida Paulista. Envolve uma ação articulada em 12 cidades e dezenas de obras de infraestrutura que, sabe-se hoje, estavam muito mais avançadas do que se anunciou – mais uma vez, para tentar afastar a população da Copa, criar desanimo e desconfiança.

O elogio aos “brasileiros,” neste genérico, também é uma tentativa bisonha de encobrir o papel do Estado brasileiro neste sucesso. Governantes e prefeitos que assumiram suas responsabilidades, muitos deles filiados a oposição, foram sacrificados na hora do reconhecimento.

E aí está a imagem retocada da imagem que fica para a história.

Depois de culpar antecipadamente Lula-Dilma por um fiasco que anunciavam como inevitável, tenta-se fingir que eles não deram a menor contribuição para os aplausos da plateia. Pode?

COPA DO MUNDO - A luta política pela Copa.

A luta política pela Copa

Por Haroldo Lima
Nem bem a seleção alemã tinha conquistado seu magistral tetracampeonato mundial de futebol, quando o Faustão, da Globo, proclamou com solenidade: “os dois campeões do certame foram, em campo, a seleção alemã; fora do campo, o povo brasileiro”. E explicou: a seleção alemã, pelo jogo que demonstrou; o povo brasileiro, pela sua simpatia, hospitalidade, cordialidade e outras idades.

Em seguida, em seu programa domingueiro, sua repórter passou a falar de Copacabana e entrevistou uma argentina que, emocionada, declarou não ter sido possível seu país chegar a ser campeão, mas que valeu a pena participar dessa Copa no Brasil, tão grandiosa, tão envolvente e com “essa organização fantástica”, em que... Não conseguiu terminar, o Faustão cortou-lhe a palavra e disse que “já tinha dito, fora de campo, foi o povo brasileiro”. Fala em seguida com o Galvão Bueno que, meio desengonçado, disse que, durante a Copa, “viajei do Amazonas ao Rio Grande do Sul e... tudo sem problema”. O Faustão rapidamente arrematou: é isso aí, o povo deu um grande exemplo de civilidade.
Na verdade, a gente brasileira mostrou durante a Copa a afetividade com que recebe visitantes, a alegria com que contagia os amigos, a tendência ao convívio sem discriminação das nacionalidades e etnias. Mas isto não foi nenhuma novidade revelada por essa Copa, ao contrário, este traço amigável e alegre é próprio da gente brasileira, uma característica marcante que a distingue.

Tínhamos, sim, uma questão a resolver nessa Copa. É que foi plantada frente a todos, minuciosa e demoradamente, pela grande mídia nacional, uma dúvida atroz: a de que o Brasil não tinha condições de realizar um grande evento como a Copa do Mundo, seja por ausência de recursos, ausência de infraestrutura física, seja por incapacidade de seus governantes, dominados que estavam pelo aproveitamento político da máquina estatal e pela corrupção.

O que a Copa revelou é que isto era uma grande mentira, pois que os prognósticos longamente divulgados, e acalentados, da nossa incapacidade não aconteceram. O que se viu, ao contrário, foi que funcionaram relativamente bem os aeroportos, linhas de transporte, aéreas e terrestres, rede hoteleira, estádios em 12 cidades, novos ou reconstruídos, com fontes energéticas sustentáveis, segurança dos jogos, dos jogadores, dos 600 mil visitantes, dos sete ou oito chefes de Estado, das autoridades, do povo em geral. O negativismo, que enxergava o caos em tudo, que anunciava aos quatro ventos a nossa indigência administrativa, que repetia que se as coisas estão ruins agora, “imagine na Copa”, toda essa cansativa e enfadonha campanha foi rotundamente derrotada.

E se as catástrofes e desgraças apregoadas não aconteceram, a despeito de incentivadas pela formidável máquina da grande mídia, não foi por ser nosso povo alegre e hospitaleiro, foi porque o governo brasileiro e os governos estaduais acreditaram na necessidade de preparar e organizar uma grande Copa e empenharam-se nesse sentido com todas as forças e destemor, apesar do mau agouro dos corvos e cassandras.

A presidenta Dilma, em mais de uma oportunidade, foi mal tratada nesse período, como chefe de Estado e como mulher. Isto porque segurou firme a ideia de realizar uma grande Copa, coisa difícil, nas circunstâncias propaladas, para qualquer chefe de Estado, mormente para uma mulher. Os apupos a ela desferidos foram injustos e desrespeitosos. Ela se portou com altivez e dignidade. Setores médios da população participaram de manifestações iníquas, deixaram-se levar pela política da direita. O pessoal da esquerda deve refletir porque as coisas chegaram a esse ponto.

Chama a atenção o silêncio que de repente se abateu sobre o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Se as decantadas e desejadas dificuldades tivessem acontecido, se os aeroportos estivessem atravancados, os voos, atrasados, os hotéis, sem vagas, e a segurança, comprometida, o ministro seria talvez o alvo principal das entrevistas, dos questionamentos, das grosserias, dos pedidos de explicação. Como tudo andou bem, resolveram esconder o Aldo Rebelo dos horários nobres e dos meios massivos.
Essa é a disputa política em voga hoje no Brasil. Muda-se a tônica, permanece o mesmo sentido. Blasonavam os altos gastos públicos nos estádios, que seriam maiores do que o que se gastava com educação, saúde, mobilidade urbana, segurança etc. Quando se evidenciaram que os gastos com os estádios são incomparavelmente inferiores aos relativos à educação, saúde etc. Mudaram a forma de abordar a questão: tudo funcionou bem porque nosso povo é alegre!

Os fatos? Danem-se os fatos. Essa é a lógica da grande mídia hegemônica, hoje transfigurada em partido político. Ela própria, no passado, abrigava também outras vertentes, era mais plural, contava com jornalistas mais investigativos, afeitos a análises mais multilaterais, mais objetivas, menos politizadas. Esse jornalismo mais sério, que floresceu em certa medida mesmo nos limites da grande imprensa, hoje, em geral, sobrevive só em meios alternativos e, no mais, praticamente não conta, não tem papel maior, situa-se, talvez, como um resíduo, ou exceção. Em perspectiva, é essa lógica que temos que mudar.

COPA DO MUNDO - O crime dos pessimistas.

Copa e o crime dos pessimistas

Do blog de Zé Dirceu:
A Copa do Mundo encerrada domingo no Brasil continua a repercutir dois dias depois e foi muito bom o balanço apresentado ontem pela presidenta Dilma Rousseff, após reunião ministerial da qual participaram 16 ministros. Ela tem razão, o país venceu os pessimistas.

Este Mundial, aliás, foi a prova mais visível do crime que cometem contra o país estes pessimistas que conscientemente fizeram e fazem uma campanha sistemática para derrubar a confiança e a auto-estima dos brasileiros a pretexto de criticar o governo e o PT. São os de sempre, com a mídia a frente e sob a batuta da Rede Globo que pretende tutelar o poder político e dirigir a opinião pública e a formação cultural e politica do povo.
A Rede Globo quer substituir as instituições políticas e governamentais sempre que possível no imaginário da nossa gente e no dia a dia do povo. É parte de um projeto político organizado e planejado. Junto com a Copa temos agora a terceira tentativa de nos derrotar nas eleições presidenciais.

Globo quer substituir as instituições políticas
Tentam agora com o foco na política econômica e no crescimento do país, com pretextos como o intervencionismo do Estado e da Presidenta. Depois de anos de campanha ética tipicamente udenista, também sob a aura de combater a corrupção.

Mas, como aconteceu com a Copa, a atual campanha da oposição e da mídia não será vitoriosa. Pela simples razão que não é verdadeira e não corresponde a realidade e as possibilidades e potencialidades do pais.

Nem expressam de fato as políticas do governo (apoiadas majoritariamente pela população) a quem cabe, junto com aqueles que o apoiam, enfrentar e derrotar o discurso derrotista e pessimista da oposição e da mídia de direita.

COPA DO MUNDO - A derrota da velha mídia.

Copa do Mundo derrotou a velha mídia

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:
O maior legado da Copa do Mundo é intangível. É a imagem favorável que o Brasil deixa para o Mundo. Não há como calcular isso em dólares, euros, reais. “Ah, gastamos 25 bilhões com a Copa; mas o que os turistas deixaram por aqui não paga os estádios”.

Isso é conta de armazém. Não é conta que se faça num país que hoje ajuda a articular o bloco dos Brics, país que é uma das maiores economias do Mundo e que detem reservas de petróleo e água gigantescas, estratégicas para o Planeta (ainda que São Paulo esteja às portas da mais grave crise de abastecimento da história, por falhas absurdas de gestão e planejamento).
Sim, queremos Educação de mais qualidade, Saúde pública de mais qualidade. E isso só se alcança com um país mais forte, com mais Estado e mais intervenção do poder público. A Copa não atrapalha. Ao contrário, ajuda a construir um país mais forte, mais respeitado, capaz de colaborar na construção de um mundo melhor.

A turma que berrou #NãovaiterCopa finge que luta por Educação/Saúde, mas na verdade quer um país fraco, um Estado menor e mais submisso às regras do chamado “mercado”.

Ora, bolas: “mercado” é a Globo mandar no futebol, estabelecer jogos às 22 horas, tratar os clubes como o cafetão trata as moças da vida. É um desrespeito absoluto. Alemanha, Estados Unidos, Argentina: nesses países o “mercado” não manda sozinho no esporte. Há regras, estabelecidas pela sociedade e pelo poder público. E não por uma família (os irmãos Marinho) que ficou bilionária às custas de sugar o futebol - patrimônio do Brasil.

Comentaristas tresloucados, como o ex-cineasta que se expõe ao ridículo nas telas e nas ondas de rádio globais, berravam que a Copa mostraria ao mundo o fracasso do Brasil como país. Quebraram a cara, de forma avassaladora. Foram surrados pelos fatos.

Pesquisa DataFolha acaba de apontar que 83% dos turistas que vieram ao Brasil aprovaram a organização da Copa. Aprovaram os transportes, os aeroportos, e em menor medida as Comunicações.

Hum, é curioso. As Comunicações (internet/telefonia), dos setores avaliados na pesquisa, é o único gerido pela iniciativa privada, pelo chamado “mercado”. E a pior avaliação é justamente nas Comunicações.

Ou seja: cai por terra também a teoria de que o Brasil avança quando a iniciativa privada é deixada livre para agir.

Temos problemas de gestão. Sim. O Brasil precisa melhorar a gestão no setor público. E também nas corporações privadas. Ou somos bem tratados pela NET, OI, TIM, VIVO, BRADESCO, ITAÚ e pelos planos de saúde?

Ineficiência precisa ser combatida. Sim! Mau uso do dinheiro público deve ser denunciado. Sempre. Assim como os abusos das grandes corporações privadas.

Essa Copa foi um sucesso por dois motivos: 1) o povo brasileiro é muito melhor do que sua elite, é gentil, sabe receber, abre sua casa para os convidados de forma acolhedora (e quem viaja pelo interior do país sabe que isso é ainda mais forte quando se viaja para longe dos grandes centros); 2) temos Estado, temos poder público – sim – capaz de gerir um evento tão complexo como uma Copa do Mundo.

A velha mídia brasileira vai demorar pra se recuperar da vergonha a que foi submetida pelos fatos. Ontem, eu ouvia no canal ESPN um desses comentaristas que parecem ter a fórmula genial para tudo: um tal Mauro Cesar (não lembro o sobrenome)… Na véspera da Copa, ele vociferava contra o evento e falava na “vergonha” que o Brasil ia passar. Ontem, o tal Mauro fez um “meaculpa” bastante discreto: “confesso que esperava mais problemas na organização, errei”.

Muito bem, o Mauro pediu desculpas. Os outros por aí não pediram. Mas o que essa turma fez ao longo dos meses que antecederam a Copa jamais será esquecido.

A campanha eleitoral talvez seja um bom momento para mostrar isso de forma didática ao Brasil: há um pedaço do país, comandado pelos grupos de mídia tradicional, que torce contra o Brasil. Eles não diziam que a Copa seria um fracasso, não tocaram o terror em comentários e manchetes? Foram desmentidos pelos fatos. Portanto, não acredite mais no que eles dizem…

Esse, sim, talvez seja o maior legado da Copa: a derrota vergonhosa (muito mais vergonhosa do que a goleada de 7 x1 para a Alemanha) sofrida pela velha mídia brasileira.

O consórcio midiático - formado por Globo-Veja-Folha e outros sócios menores - sai mais fraco do que entrou.

Dentro de campo, a derrota por 7 x 1 cria também a chance de passar o futebol brasileiro em revista. Uma CPI do futebol é necessária. Uma CPI que mostre por que os clubes são reféns da Globo e da CBF.

A turma midiática agora vai tentar assobiar e mudar de assunto. Passarão a fazer terrorismo com a economia brasileira. Não acreditem!

O Brasil tem, sim, dificuldades reais na economia, que precisam ser enfrentadas. Mas não podemos ser pautados, nesse campo, pelo mesmo bando de mentirosos que tentou enganar você, eu, nossos filhos – criando um clima de “caos na Copa”.

A Copa derrotou a mídia. Esse é um legado que não deixaremos que o povo brasileiro esqueça.

Por último, duas observações:

1 - É uma vergonha que a presidenta Dilma não tenha feito esse debate antes. Deixou para falar sobre a Copa na véspera; errou feio.

2- Aqueles que tomaram para si a defesa da Copa talvez tenham errado também ao não apontar problemas no evento.

Humildemente, cito aqui dois problemas: número de cidades-sedes excessivo (com falta de projetos claros para algumas arenas no pós-Copa), e a elitização nos estádios, com uma torcida patética. Esse governo, acusado de criar tantas bolsas, poderia ter exigido da FIFA que ao menos 20% dos ingressos fossem vendidos ao Estado brasileiro – que depois repassaria os bilhetes, a preços muito mais baixos, a partir de critérios sócio-econômicos pré-estabelecidos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

COPA DO MUNDO - A maior goleada.



Do Blog CONTEXTO LIVRE.

1 milhão de estrangeiros, apesar da mídia


Altamiro Borges, Blog do Miro 

"A presença de turistas estrangeiros no país durante a Copa do Mundo, entre os dias 12 de junho e 13 de julho, superou até as expectativas mais otimistas e desmoralizou os que padecem do complexo de vira-lata contra o Brasil. Segundo dados do governo divulgados nesta segunda-feira (14), 1,01 milhão pessoas ingressaram no país no período. A previsão inicial era de 600 mil turistas estrangeiros - que foi superada ainda no mês passado. "Só em junho, superamos todo o volume que esperávamos para toda a Copa do Mundo", afirma o secretário executivo do Ministério dos Esportes, Luis Fernandes.

Ainda segundo os dados do governo, mais de 60% dos visitantes não conheciam o Brasil e ficaram encantados com o país. "Os estrangeiros de 203 nacionalidades permaneceram em média 13 dias no país, de acordo com levantamento do Ministério do Turismo, ajudando a elevar para 80% a ocupação da rede hoteleira das cidades que sediaram o evento. O número superou a expectativa do governo que contava com 70% de lotação. Questionado se o Brasil “atendeu bem ou superou suas expectativas”, mais de 80% disseram que sim", relata o jornal espanhol El País.

Outros dados também servem para espantar os vira-latas. "Ao contrário do temido caos aéreo, 80% elogiaram os aeroportos. Cerca de 90% aprovaram a segurança pública apesar de casos isolados de assaltos. E nove entre 10 se mostraram satisfeitos com os serviços de informações turísticas e os transportes públicos". Já estádios passaram pelo crivo de 98,2% dos entrevistados. O turismo interno também superou as previsões. Cerca de 3 milhões de brasileiros se deslocaram pelo país durante o evento. A maioria deles de São Paulo, 858.000 mil pessoas. Em segundo lugar ficou o Rio de Janeiro, com 260.000. E, em terceiro, a Bahia, com 220.000.

Estes e outros números indicam que a maior goleada na Copa foi sofrida pela mídia oposicionista e o seu dispositivo partidário, composto por PSDB, DEM e PPS. Durante vários meses, os "urubólogos" difundiram - com seu complexo de vira-lata, sua visão neoliberal de negação do Estado e por motivos eleitoreiros - que a Copa seria um desastre. Os estádios não ficariam prontos, os aeroportos entrariam em pane, o transporte seria caótico e haveria protestos incendiários nas cidades-sedes dos jogos. Esta visão catastrofista deve até ter espantando outros milhares de turistas estrangeiros. Valia um estudo para cobrar indenização da mídia privada pelos prejuízos causados à economia. Mas ela não estragou a festa que os brasileiros mostraram ao mundo, no que já é considerada a "Copa das copas".
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TUDO O QUE ERA PARA DAR ERRADO, DEU CERTO.

Do Blog TIJOLAÇO.

Tudo o que era para dar errado, deu certo

Certo e errado

Na sua hora da verdade, as previsões teriam cedido à realidade de que a inversão estava nelas

Tudo o que era para dar errado, deu certo. E o que daria certo, deu errado. A segunda inversão é mais fácil de entender do que a primeira, ao menos na parcela de causas superficiais, e já apontadas em boa quantidade. A primeira pede reflexão, averiguações, ponderação de hipóteses. Não se sujeita a imediatismos.

Cabe até perguntar, no primeiro caso, onde e quando esteve a inversão. Pode ter sido em uma conjunção de esforços, acasos, sorte, bons propósitos, e outros incontáveis impulsos a favor do bom andamento do que estava previsto desandar, fatalmente, em fracassos e vexames. Mas também é possível que nem tenha havido inversão na passagem das previsões para os fatos. Na sua hora da verdade, as previsões, as expectativas densas, e humilhantes por antecipação, teriam cedido à realidade de que a inversão estava nelas. Eram elas.

Uma sugestão perigosa, mas tentadora.

COPA DO MUNDO - O Brasil que é bom.

O Brasil, que bom, não é selvagem como suas elites


Fernando Brito, Tijolaço  

"Li, hoje, na crônica de Antonio Prata, na Folha, a mais sintética conclusão sobre o pós-Copa:

“(…)o que percebi em meio à muvuca e me salvou da depressão foi que, hoje, o Brasil é melhor do que a sua seleção”.
Fiquei pensando sobre isso.

Até o mês passado, tínhamos um país caótico, no qual só se salvava a seleção de Felipão, unanimemente reconhecida como “o melhor que tínhamos” e dirigida pelo melhor organizador de grupos de nosso futebol.
O país do caos não aconteceu, ao contrário.

A melhor seleção, também, não, apesar de nosso desejo e torcida.
Os compromissos do Governo para a realização do torneio foram cobrados, questionados, atacados, duvidou-se de seu sucesso até o último instante e o último detalhe.

A mídia brasileira vibrou com o “chute no traseiro” que Jerôme Valcke, da Fifa, recomendava fosse dado no governo brasileiro, a mesma Fifa que, pelos seus “padrões” elegia Luís Felipe Scolari como o terceiro melhor técnico de seleções e anunciado até como um possível treinador do Barcelona no pós-Copa.

A Veja garantia: “Felipão, que costuma ser classificado como um conservador do futebol, promoveu sua revolução na seleção no mês de junho, injetando juventude e ousadia na equipe e fazendo apostas certeiras. Ninguém mais teme um vexame histórico em casa em 2014″.

Agora, comemoram sadicamente o “vexame histórico”.

Os “sabidos” sabiam tudo e, quando ocorre o inverso do que previam, nem sequer a dignidade de sofrer junto com o povo brasileiro conseguem ter.

Tudo, agora, é tentar tirar pelo fracasso futebolístico o que tentaram (e em parte conseguiram)  pelo suposto e imaginário fracasso organizativo da Copa.

A capa de ontem de O Globo, substituindo o “não vai ter Copa” pelo “não vai ter Olimpíada”, daqui a dois anos, é a mais perfeita tradução do pensamento mesquinho dessa elite.

Louvam a Alemanha por um projeto de dez, 15 anos para reerguer seu futebol, com vários insucessos pelo caminho, mas gritam histericamente com um resultado mensal de inflação ou contra um lucro mais modesto da Petrobras no trimestre, mesmo sabendo que isso é para alcançar a fartura do pré-sal.
O Brasil não é apenas melhor do que sua seleção foi na Copa.

O Brasil fez a mais encantadora – para o mundo, embora tão sofrida para nós – Copa do Mundo da história e a fez contra sua mídia e contra a sua elite.
Recebeu gente do mundo inteiro com alegria, carinho e civilidade.

Aliás, recebeu também a derrota esportiva avassaladora com profunda tristeza, mas não com ódio.

Tirando os mal-humorados crônicos, estamos todos orgulhosos.
As minorias coxinhas, babacas, que tinham “bala” para estar no Maracanã – agora um estádio “padrão Fifa”, onde pobre não entra – soltaram seu recalque nos xingamentos grosseiros, outra vez.

Porque o campo de guerra, no futebol, é o campo, não o estádio, nem as ruas, nem a cidade, nem os países.

A Copa do Mundo é uma festa, muito mais do que uma guerra; um congraçamento, muito mais do que a disputa que se dá nos 90 minutos, ou na prorrogação, ou nos pênaltis.

Não temos a taça, não ficamos com a moça mais bonita na festa que realizamos.

E a festa, na vida humana, já disse Leonardo Boff, é o tempo mais forte da vida.

Festejamos como ninguém, com direito a um domingo em que o céu amanheceu azul e branco e que deixou a noite chegar em tons amarelos, vermelhos e negros.

E, com todas as cores do mundo, mais profundamente brasileiros."

segunda-feira, 14 de julho de 2014

COPA DO MUNDO - Contra a ruína.

A Copa e o "aproveitamento eleitoral"

Contra a ruína
 
 
Por Jânio de Freitas
 
Já está digerida e absorvida grande parte, talvez a maior, do choque emocional com a vergonheira oferecida pela seleção. Variados são os sinais em tal sentido. Desde a inundação de piadas a respeito até a quase nenhuma reação à indigna conduta de Felipão e de Carlos Alberto Parreira na entrevista conjunta, com as considerações que representaram, a um só tempo, descarados autoelogios e, mais do que desrespeito, deboche com a frustração sentida e doída no país todo.
 
Diante da pouca duração demonstrada pela ira de uns e pelo abatimento de outros, quem contava com o desastre da seleção como fator favorável aos oposicionistas, caso sobretudo dos aecistas, passa a ter agora a frustração que a derrota, lá no fundo, não lhes causou. Nos últimos dias, o próprio Aécio Neves tem proclamado: "O governo quis se aproveitar da Copa, agora vai pagar"; "quem tentou explorar a Copa eleitoralmente vai se dar mal".
 
Pobre Aécio, então. Foi o candidato que, enquanto a seleção avançava, vestiu a camisa do time, com o escudo comprometedor da CBF, assim se fez fotografar até com a mulher recém-parturiente e mandou para Redações suas fotos de exploração eleitoral da Copa e da seleção. Há bastante campanha, ainda, para suas declarações recuperarem o pudor.
 
Para os dirigentes do futebol brasileiro não há tal oportunidade. Nem mesmo com a esperada aprovação, prevista para os próximos dias, da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (fiscal, no caso, refere-se às obrigações financeiras do esporte organizado com o Estado --impostos, INSS e outros). Em sua forma original, esse projeto do deputado cearense André Figueiredo dava aos clubes anistias a granel. Emendas do fluminense Otavio Leite e de outros deputados substituíram o calote consentido por até 25 anos para pagamento parcelado, e possível responsabilização judicial de dirigentes descumpridores das obrigações do acordo ou vindouras.
 
Já é um regramento dos clubes para uma dívida de bilhões, que ninguém sabe a quanto vão de fato: a contabilidade dos clubes não é confiável. Até porque fazê-la assim tem sido a primeira cobertura para a conexão entre cofres de clubes e enriquecimento de dirigentes. Mas o primeiro passo não impede a criação de mais endividamentos provenientes do grande problema do futebol: a grande corrupção.
 
Hoje, a contratação normal de um jogador é engrandecida, por mais que ele ganhe, pelo que outros vão ganhar, com menor ou maior dose de ilegitimidade. Quem propõe o negócio, quem o discute, quem o autoriza como presidente, ou diretor, ou superintendente, ou técnico, e os empresários e agentes são, em grande número, potenciais recebedores de altas importâncias. O grosso, por baixo da mesa e dos impostos. Salários de jogadores, feitas tais transações, também são passíveis de distribuição de quotas mensais.
 
Daí a incessante compra e venda de jogadores constatável nos clubes. Daí, também, os altos valores das transações em geral inconciliáveis com a qualidade do contratado. Do número e do valor das compras e vendas faz-se o rombo financeiro dos clubes, multiplica-se a exportação de jogadores e aprendizes, promissores ou não, e o futebol brasileiro se arruína.
 
Pelo que disse Dilma Rousseff, depreende-se que o governo descobriu, de uma só vez, o estado em que está o futebol brasileiro, por obra financeiramente oportunista de centenas ou milhares de dirigentes, e a importância do futebol para a significação internacional do país. Se a descoberta se destinar à busca de resultados, nenhum início seria mais eficiente do que o cerco --investigatório, legislativo e administrativo-- do lado degradante dos negócios do futebol.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

COPA DO MUNDO - Brasil, a Copa das Copas.


Enquete da BBC de Londres aponta Brasil como a melhor Copa da história



Jornal GGN
– Não bastassem os elogios da imprensa internacional por meio de artigos, editorais e afins, além dos comentários em massa nas redes sociais, agora uma enquete feita pela BBC de Londres apontou o que já se dizia: a Copa no Brasil foi a melhor da história, segundo as pessoas que se manifestaram. O resultado favorável ao país chegou a 39%, bem acima do segundo colocado: a Copa da Itália, em 1990, com 10,5%.

A lista segue com a Copa da Inglaterra, em 1966, com 8,8%; A Copa da França, 1998, com 8,4% e da Alemanha, em 2006, com 8,1% das pessoas ouvidas. A lista ainda tem, na ordem, México, em 1970 (4,7%); Coreia do Sul e Japão, em 2002, com 3,9%; México, em 1986, com 3,6%; Espanha, em 1982, com 3,3%; EUA, em 1994, com 3,0% e África do Sul, em 2010, com 2,5%.
Fecham a lista dos países que já sediaram copas o Uruguai, em 1930, com 1,1%; Alemanha, em 1974, com 0,8%; Argentina, em 1978, com 0,7%; Suíça, em 1954, com 6%; Suécia, em 1958, com 4%; França, em 1938, com 3%; Chile, em 1962, com 0,1%; Itália, em 1934, com 0,1% e novamente Brasil, em 1950, com 0,1%.

COPA DO MUNDO - Copa é Copa, Eleição é Eleição.

Eleição é eleição e Copa é Copa, nada têm a ver


eleições Eleição é eleição e Copa é Copa, nada têm a ver
Mal acabou o jogo na terça-feira, com o placar mostrando inacreditáveis 7 a 1 para a Alemanha, alguns coleguinhas da imprensa se apressaram em mostrar serviço no afã de analisar como o desastre da seleção brasileira no Mineirazo vai repercutir na campanha eleitoral e derrubar a recandidatura da presidente Dilma Rousseff.
Foram, como de costume, mais realistas do que o rei. No dia seguinte, terça-feira, líderes tucanos trataram de acalmar a tropa amiga, avisando que não é bem assim. O ex-governador José Serra, por exemplo, agora candidato do PSDB ao Senado, alertou os aliados mais afobados a ter calma nesta hora.
"Eu não sei qual é a tradução política disso. Vamos ver nos próximos dias e semanas. Não vou fazer hipóteses, porque, fatalmente, serão confundidas com desejos", alertou, com muita propriedade, o veterano político de tantas campanhas eleitorais, repetindo o que escrevi no post pós-jogo, sob o título "Só com o tempo poderemos entender esta humilhação".
Na mesma linha, o sempre ponderado governador tucano Geraldo Alckmin, candidato favorito à reeleição, lembrou que uma coisa não tem nada a ver com outra: "Aliás, se você verificar, a última Copa que o Brasil ganhou foi em 2002, era o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e o PSDB perdeu a eleição. Então, não tem essa relação. Mas todos estamos tristes, porque esperávamos um resultado melhor".
Ainda na véspera da partida fatídica, o ex-presidente FHC, ao criticar "algumas pessoas" que estavam misturando futebol com política, previu que o Brasil poderia ganhar a Copa e Dilma perder a eleição. Tinha toda razão, mas a recíproca, deve-se admitir agora, também é verdadeira.
O Brasil não vai mais ser hexa, a Copa de 2014 termina domingo, no Maracanã, disputada entre Alemanha e Argentina, e na próxima semana começa para valer a campanha eleitoral.
Claro que o bom ou o mau humor dos torcedores e o alto ou baixo astral dos eleitores tem influência na hora de decidir o voto, mas o futebol não é responsável por isso. Em qualquer país e qualquer época, com ou sem Copa, determinante na hora do voto é o estado da economia nacional, ou seja, o bolso dos eleitores.
Que a economia brasileira anda capengante este ano, o que prejudica quem está no governo e ajuda a oposição, todos nós sabemos, não é preciso ser um grande analista político. Não basta, porém, mostrar as dificuldades enfrentadas pelo governo e os erros cometidos. É preciso apresentar propostas novas e concretas sobre o que e como fazer para segurar a inflação e fazer o PIB voltar a crescer, sem subir os juros, simples assim.
Se o governo ficar só mostrando as maravilhas que fez e a oposição esculhambar com tudo, vamos ficar num Fla-Flu estéril, que em nada ajuda o país. Eleição é sempre uma renovação de esperanças e o eleitor quer é saber o que os candidatos têm a dizer sobre os caminhos para o futuro.
Temos menos de três meses até as eleições não só para discutir soluções para a economia, mas também uma reforma política ampla, geral e irrestrita, como foi a anistia, sem o que, nada mudará, qualquer que seja o candidato eleito. Com o atual sistema político-partidário-eleitoral, que está falido faz tempo, o Brasil é simplesmente ingovernável, assim como é inútil trocar o técnico da seleção sem promover uma reforma estrutural profunda na organização do futebol brasileiro.

COPA DO MUNDO - Quem são os oportunistas da Copa?

Aécio e Ronaldo, oportunistas da Copa!

Por Altamiro Borges
A goleada para a Alemanha e o fim do sonho do hexa no Brasil despertou os piores instintos nos oportunistas de plantão. De imediato, nas redes sociais, os mesmos que apostaram no fiasco da Copa – e foram derrotados no seu complexo de vira-latas – partiram para a vingança e debitaram a triste derrota da seleção na conta do governo. Sobraram xingamentos para Dilma! Entre estes oportunistas, porém, dois se destacaram: Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB, e o ex-jogador Ronaldo, que fez fortuna com os preparativos do evento e depois virou cabo eleitoral do tucano. Ambos tentaram se aproveitar do clima de frustração dos torcedores para ensaiar um discurso político de “mudança”.

Segundo a revista CartaCapital, ainda na fatídica terça-feira, o senador mineiro postou na sua conta no Twitter: “Derrota vexatória. Está na hora de repensar não só a seleção brasileira como o Brasil”. Na tragédia, ele tentou se apresentar como salvador, o homem das mudanças. Num curto espaço de tempo, o cambaleante tucano mudou de posição três vezes. Antes do início dos jogos, ele apostou na desorganização e no caos. Questionou os atrasos nas obras, criticou os gastos “exagerados” e culpou o governo pelo “inevitável” fracasso da Copa. Depois, com o sucesso do evento, ele alterou o seu discurso na maior caradura, como registrou a própria Folha tucana em 7 de julho:          

Mudança de humor

O presidenciável Aécio Neves decidiu adotar um tom mais cauteloso sobre a Copa para não ficar na contramão do noticiário predominantemente positivo do evento. Pesquisas internas mostraram que a organização do torneio é bem avaliada e está ajudando Dilma Rousseff a se recuperar na eleição. A um mês da Copa, Aécio criticava atrasos em obras de infraestrutura. Ontem, no primeiro dia oficial de campanha, mudou o tom e disse que o governo tenta se ‘apropriar’ do evento.

O senador mineiro até foi ao Mineirão no jogo Brasil X Alemanha, mas saiu antes do final da partida – o que é considerado um gesto de traição pelas torcidas mais fanáticas. E saiu atirando. Abandonou seu “tom mais cauteloso” para atacar a presidenta Dilma, como se ela fosse técnica da seleção. Nesta quinta-feira (10), num comício em Vila Velha (ES), ele voltou a criticar a sua adversária. “Parecia até que ela era a artilheira da seleção”, ironizou. E voltou a esbanjar cinismo ao afirmar que o governo é que tentou “se apropriar de um evento que é de todos os brasileiros... Todos nós estamos tristes com o resultado. Estive lá, como torcedor, no Mineirão, atônito com aquele resultado, mas nunca misturei as coisas".

Pior do que o oportunismo de Aécio Neves foi a atitude rancorosa do seu coordenador de campanha na internet, Xico Graziano. Logo após a trágica goleada, ele gozou nas redes sociais. “Lula e Dilma se ferraram. Muda Brasil”. Mas ele não conta, não cheira nem fede – só rosna e promove baixarias! O outro que se destacou no oportunismo foi o ex-jogador Ronaldo, o gaguejante comentarista da Rede Globo. Ela já havia se tornado um “fenômeno” antes da jogo no Mineirão. Como membro do Comitê Organizador Local (COL), ele nunca fez qualquer ressalva à organização do evento e virou estrela em inúmeros comerciais, engordando (não é maldade!) ainda mais a sua bilionária conta bancária. 

Na semana que antecedeu a abertura dos jogos, em pleno “Domingão do Faustão”, ele surpreendeu todo mundo ao dizer que sentia “vergonha” do Brasil. Dias depois, anunciou que seria um militante da campanha de Aécio Neves, seu amigo de tantas farras. Na sequência, com a alegria nas ruas e um protesto em frente a sua residência, ele mudou radicalmente de posição. Disse que a Copa era um “sucesso”. Na terça-feira, com a goleada, ele teve nova recaída e resolveu posar de intelectual. Em sua conta no Instagram, ele comparou o placar do jogo ao número de prêmios Nobel conquistados por brasileiros e alemães: "Alemanha 102 x 0 Brasil. E você acha que 7 x 1 foi goleada?".

Como cabo eleitoral do PSDB, o ex-craque devia perguntar aos seus companheiros de partido quantas universidades FHC construiu no Brasil ou sobre a goleada do desemprego em seu triste reinado! Haja oportunismo.

COPA DO MUNDO - Será que o Ray Whelan vai derrubar o presidente da FIFA?


Será esse o homem que vai derrubar Sepp Blatter?

A queda, quase impossível de assimilar, está na expressão perplexa de Ray Whelan. Em apenas alguns minutos, ele despencou do luxuoso Hotel Copacabana, onde desfrutava da companhia agradável dos que mandam no futebol, a um carro de polícia – “Venha por aqui, senhor” – e dali para uma noite em uma cela na 18ª Delegacia de Polícia. Os próximos passos serão um interrogatório, em breve, e quem sabe um julgamento seguido de anos em uma das terríveis prisões brasileiras.
Ray Whelan vai ter que abrir o bico. Ele sabe tudo o que se pode saber sobre a gangue dos ingressos da Copa do Mundo. Ele sabe qual dos dirigentes do futebol recebe as pilhas de ingressos para revender no mercado negro. Ele está no coração desse negócio há quase duas décadas.
E Ray terá que falar sobre a relação íntima entre o presidente da Fifa, Sepp Blatter, e a empresa familiar, controlada pelos irmãos mexicanos Jaime e Enrique Byrom em seu escritório em Manchester, na Inglaterra, que mais uma vez ganharam os contratos para controlar a venda absoluta e exclusiva de todos os 3 milhões de ingressos para os 64 jogos da Copa.
A decisão crucial de quem fica com esse contrato é de Blatter, que gerencia a FIFA desde 1981 – primeiro como secretário geral e a partir de 1998 como presidente. Ele domina o Comitê Executivo e é fartamente recompensado pelo seu trabalho. Tudo que ele decide, eles assinam embaixo. Nos últimos três anos, sete deles tiveram que sair sob denúncias de corrupção. A reputação da FIFA nunca esteve tão suja.
Os irmãos, ambos nos seus 60 anos, recebem as ordens, decidem quem são os sortudos da vez, e dividem grandes lotes de ingressos entre os aliados de Blatter e seus clientes no mercado negro. Daí a FIFA anuncia que ela é “a polícia” dos ingressos, e que vai investigar as vendas “não autorizadas”.
EM FAMÍLIA
Ray, que completou 64 no ano passado, vive com a irmã dos Byrom, Ivy, na cidade de Stockport, em Manchester. Ray sabe como eles compraram a Match, que vende os ingressos para aquelas caríssimas salas envidraçadas VIPs em todos os estádios “Padrão FIFA”. E o Ray sabe muito bem por que – e como – uma parcela da parte mais lucrativa do negócio foi desviada para o bolso do sobrinho de Blatter, Philippe, que tem 5% das ações da Match.
Por ironia Ray foi preso no mesmo hotel que já encantou Rita Hayworth e Marilyn Monroe, a princesa Diana e Mick Jagger!
Para ajudar os Byrom Brothers e Ray a garantir os serviços de acomodação da Copa, a FIFA lhes deu um empréstimo de cerca de US$ 10 milhões, sem juros, para ser pago em janeiro do próximo ano.
Os investigadores da polícia vão querer saber tudo sobre isso. Não são os mesmo policiais brutais que estão nas ruas do Rio prontos para jogar bombas de gás lacrimogêneo e bater naqueles que protestam contra os gastos da Copa e a corrupção. São trabalhadores sofisticados, investigadores de fraudes, que passaram três meses monitorando a venda de ingressos, interceptando legalmente ligações telefônicas e agora estão expondo a corrupção intrínseca que mancha a FIFA. A prisão de Ray pode ter acontecido porque ele fez alguns telefonemas a mais…
SONEGANDO INGRESSOS
Fabio Barucke, o delegado da Polícia Civil do Rio que está liderando a investigação da ligação entre os dirigentes da FIFA, os distribuidores oficiais de ingressos e as vendas no mercado negro, disse que a FIFA distribui enormes quantidades de ingressos para seus patrocinadores e parceiros, garantindo a escassez de ingressos para o público e incentivando os cambistas. “Só uma pequena parte foi destinada ao povo“, o delegado afirmou em uma coletiva de imprensa na última semana.
Ray Whelan se une agora aos outros 11 detidos na semana passada. O líder Mohamadou Lamine Fofana, de 57 anos, suspeito de liderar a quadrilha desde a Copa de 2002, exibe orgulhosamente uma foto sua com Sepp Blatter no seu site.
Ray não estava ainda no esquema quando os irmãos Byrom entraram no negócio dos ingressos na Copa de 1986 no México. Eles foram favorecidos pelo ex-presidente da FIFA, João Havelange, e o negócio decolou. Estabeleceram uma empresa na Ilha de Mann, e contas bancárias internacionais. Anos depois, Ray se envolveu com a irmã Ivy Byrom, e então se tornou o “terceiro irmão” nessa pequena empresa.
Em 2003, apesar dos problemas em Copas anteriores, Sepp Blatter deu aos mexicanos Jaime e Enrique o contrato para vender ingressos para a Copa do Mundo no Brasil. Eles separaram 450.000 dos melhores ingressos para vender em pacotes de hospitalidade através da famigerada Match para os torcedores endinheirados, incluindo 24 mil para as partidas das Semifinais e 12 mil para a Final.
As regras da própria FIFA proíbem a revenda de ingressos com ágio – o cambismo. Mas nesta semana, ingressos dos pacotes de hospitalidade para a Final podem ser comprados pela internet por US$27.500, e ingressos normais, por US$11.000. Seja quem for que os está vendendo, eles só podem ter sua origem no escritório dos Byrom em Manchester.
MERCADO NEGRO
Em 2006 os Byroms foram pegos entregando mais de 5 mil ingressos para o vice-presidente da FIFA, Jack Warner, vender no mercado negro. Apesar da quebra escandalosa das próprias regras da FIFA, nenhuma atitude foi tomada contra os Byroms ou Warner.
Por incrível que pareça, eles fizerem tudo de novo na África do Sul em 2010, fornecendo mais ingressos para Warner vender para grandes cambistas do mercado negro internacional. A correspondência confidencial por e-mail foi copiada, descaradamente, para a FIFA e a empresa Infront, de Philippe Blatter. De novo, nenhuma providência foi tomada. Warner teve que sair da FIFA um ano depois por outras acusações de corrupção.
Mas para os irmãos Byrom, a FIFA é um pote de ouro infindável. Em novembro de 2011 os contratos de hospitalidade com a Match foram estendidos até 2023 “após uma avaliação do mercado” pela FIFA.
“CAMBISMO”
Disse Blatter: “O acordo fortalece a luta da FIFA contra o cambismo. Graças à sua expertise e sistema de monitoramento, a Match Hospitality está em posição de ajudar a FIFA a adotar procedimentos na venda de pacotes de hospitalidade, impedindo vendedores não autorizados a enganar corporações e indivíduos lhes vendendo esses pacotes”.
Os Byroms anunciaram essa semana que a FIFA pediu que eles mesmos investiguem a revenda de pacotes de hospitalidade.
Um ingresso em nome de Humberto Grondona, filho do vice-presidente da FIFA, o argentino Julio Grondona, foi encontrado à venda em São Paulo. Os dirigentes da FIFA disseram que ele não será investigado porque afirmou ter dado o ingresso, e não vendido.
Uma nota da Match afirmou que a empresa “tem fé” que os fatos irão demonstrar que Ray Whelen “não violou nenhuma lei”.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

COPA DO MUNDO - Da "mão de Deus" ao Papa.

Da “mão de Deus” ao papa, a estranha relação do futebol argentino com a religião

PAPA COPA
Publicado originalmente na DW.

Para a final contra a Alemanha, o argentino Gabriel Pici, de Mar del Plata, aposta no poder divino. Há semanas ele acompanha a equipe argentina pelo Brasil, a bordo de um trailer. “Sem o papa, não vamos conseguir”, profetiza. “Nós queremos que Francisco venha!”
Gabriel já percorreu 12.500 quilômetros durante a Copa do Mundo. Com a viagem final até o Rio de Janeiro, serão 13 mil quilômetros. Mas o que são essas distâncias terrenas em comparação com os poderes sobrenaturais de um representante argentino de Cristo?
Desde a eliminação do Brasil, está claro para os “hermanos” do país vizinho: Deus abandonou os brasileiros, mas o papa de Buenos Aires está do lado dos argentinos. “Não queremos ver a presidente Cristina Fernandez de Kirchner na final, mas o rosto do papa nos ajuda”, diz, convencido, o torcedor de 26 anos.
De fato: no Rio, a máscara de Francisco já se tornou um sucesso de vendas entre os torcedores argentinos. Afinal de contas, não é esta a primeira vez que a Argentina tenta vencer uma Copa do Mundo com apoio celeste.
Durante o Mundial de 1986, no México, a “mão de Deus” deu um empurrãozinho para os argentinos alcançarem o título. Na verdade, a mão foi de Diego Maradona. Depois de, naquele 22 de junho, ter posto a Argentina nas semifinais, o craque comentou: “Foi um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus.”

Campeões do mundo, graças a Deus

Nesta Copa do Mundo, os argentinos querem confiar no papa “deles”. Até porque Jorge Maria Bergoglio é um torcedor fervoroso. E no Rio de Janeiro, durante a Jornada Mundial da Juventude, ele já realizou um grande milagre: em apenas uma semana, conseguiu transformar em amizade a histórica rivalidade entre argentinos e brasileiros.
Maradona, Messi e Francisco: na Argentina, futebol e religião estão conectados por um laço muito especial. Heróis dos gramados são reverenciados como santos, e os torcedores peregrinam até as cidades onde se realizam os jogos de seu time com o mesmo fervor que fiéis rumo a santuários.
Desde a vitória sobre a Holanda, até o goleiro argentino Sergio Romero goza status de santo: numa montagem fotográfica, ele aparece com os braços esticados, com as vestes da estátua do Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Romero, o salvador da pátria argentina?
Apesar dos sonhos celestiais, o torcedor Bruno Remondino mantém os pés no chão. “Eu não acho que o papa virá para a final”, avalia. “Porque, se os argentinos ganharem, todo o mundo vai dizer que a vitória foi do papa.” E assim a lenda da “mão de Deus” também seria ressuscitada.
Entre uma cidade brasileira e outra, o argentino viaja com amigos no trailer “Barrilete Cósmico” desde o início da Copa, numa aventura no asfalto que pode ser acompanhada pelas redes sociais. Bruno tem certeza de que o pontífice vai acompanhar a final lá de Roma. “O papa existe para todos, não só para os argentinos”, recorda. Sendo assim, até mesmo a Alemanha, a adversária da Argentina na final da Copa, vai poder apelar para o papa pela vitória.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

COPA DO MUNDO - Máfia dos ingressos


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A prisão de Ray Whelan, o chefe da Máfia dos Ingressos da FIFA (Foto: Marcos de Paula/Estadão Conteúdo)
A prisão de Ray Whelan, o chefe da Máfia dos Ingressos da FIFA (Foto: Marcos de Paula/Estadão Conteúdo)
Durante os últimos três anos a FIFA usou e abusou da arrogância contra o Brasil, nos acusando de incompetência de incapacidade fazer qualquer evento, chegou ao absurdo de ameaçar “dar um chute no traseiro das autoridades”, entre outras maledicências. A mídia local, na sua cegueira oposicionista, ria e amplificava toda sorte de imbecilidade ditas por Joseph Blatter ou Jérôme Valcke, as autoridades brasileiras eram retratadas como idiotas, incompetentes, raramente alguém defendia ou ponderava sobre o que é a FIFA.
Assim, a mídia tratou de criar um mito, o tal “Padrão FIFA”, com intuito de desmoralizar ainda mais o Brasil. Este tal padrão virou cartazes e cartazes nas manifestações do ano passado e era a palavra de ordem e deleite dos coxinhas, sem jamais perceber que era uma farsa, uma mentira repetida mil vezes, para virar uma “verdade”.Nos últimos meses, prévios ao início da Copa, a mídia comemorava o possível Fracasso, o desastre que seria o evento, sempre na voz e nas ameaças de Valcke, o arauto da tragédia, nos jornais nacionais, nas capas de revistas e dos jornais.
A figura batida a ser batida, como símbolo da incompetência nacional, era Dilma e seu ministro dos esportes, Aldo Rebelo, milhares de reportagens produzidas para desmoralizar os esforços nacionais feitos para se fazer os jogos, com erros e acertos comuns destes eventos globais. Mesmo o combate à corrupção, dos órgãos de controle como TCU, CGU e MPF que conseguiram que se desperdiçasse mais de 500 milhões reais nas obras da Copa, jamais foi divulgado. Os valores gastos foram mistificados, para dar impressão de desmandos, ou que tais recursos eram retirados de Saúde e Educação.
Mas a boa surpresa é o que aconteceu desde o início da Copa, ao contrário do que previam, o desastre, a Copa tem sido um enorme sucesso esportivo, de turismo e de aceitação popular, tanto dos brasileiros, quanto dos estrangeiros. Os senhores Blatter e Valcke aparecem como dois tolos, tendo que se justificar sobre as bobagens que disseram no mundo inteiro sobre o Brasil e sua incompetência. Entretanto o melhor estava por vir, o desmantelamento da Máfia dos Ingressos, altos executivos da FIFA manipulava as vendas dos ingressos, num mercado paralelo corrupto, descoberto pela Polícia brasileira.
O Gol de Placa feito pela polícia do Brasil, com a prisão de Raymond Whelan  que segundo o site Uol, “só foi identificado por usar um celular “padrão Fifa”. O CEO da Match foi preso em operação que investiga máfia de desvio e revenda ilegal de ingressos para a Copa do Mundo. A Match, empresa em que Whelan trabalha, tem exclusividade para comercialização de ingressos corporativos e pacotes de hospitalidade em eventos organizados pela Fifa. A prisão do executivo faz parte de operação deflagrada pela Polícia Civil na semana passada, quando 11 pessoas foram detidas. Um dos integrantes desse grupo é Lamine Fofana, franco-argelino que foi apontado inicialmente como um dos chefes da quadrilha que controlava o esquema de ingressos. Foi a partir da ligação com ele que a Polícia Civil chegou a Whelan”.
Desde o início das investigações os dirigentes da FIFA se mostravam indignados de estarem sendo alvos de investigações “desta polícia, deste país de merda”, pode querer nos prender? Onde já se viu? Hoje a doce vingança, talvez a mais espetacular ação contra a FIFA no mundo, no meio de um mundial, que revelou que o verdadeiro desastre e erros graves do mundial foram causados pelo “Padrão FIFA”: Ingressos com compras viciadas e desviados, péssima gestão de acesso aos estádios, segurança interna, venda de comida e bebida de forma caótica e as péssimas arbitragens.
Ou seja, tudo que a FIFA encabeçou se mostrou errada e/ou com problemas, obviamente que a mídia local, jamais fará uma mea culpa, muito menos os arrogantes da ultraesquerda, mas o Brasil sairá muito melhor e maior desta Copa. A empáfia dos dirigentes se acabou aqui no Brasil, ou renuncia ou nenhum evento da FIFA ficará livre de suspeitas. Entre todos os enormes legados desta Copa espetacular, este gran finale, a prisão dos mafiosos,  é um dos maiores.
#VaiBrasil #CopadasCopas
Fonte: Blog do Arnóbio