O Imperialismo sem máscara
Na agressão ao povo da Líbia.
Os Editores
Uma vaga de indignação varre o mundo, levantada pela agressão imperialista ao povo da Líbia.
A Resolução do Conselho de Segurança que abriu a porta ao crime – mascarado de «intervenção humanitária» – foi preparada com antecedência. Concebida em Washington, coube à França e ao Reino Unido apresentar e defender o texto porque não convinha aos EUA, atolados nas guerras do Iraque do Afeganistão, surgirem como país patrocinador. Essa Resolução desrespeita a Carta a da ONU, mas, embora criminosa, os agressores não a consideraram suficiente.
A França iniciou os bombardeamentos aéreos e navios de guerra dos EUA e do Reino Unido dispararam quase simultaneamente salvas de mísseis de cruzeiro contra Tripoli e outras cidades. Alguns atingiram um hospital e áreas residenciais, matando dezenas de civis.
Os discursos de Obama, Sarkozy e Cameron que pretendem justificar a agressão – montada e dirigida pela África Comand dos EUA -serão recordados como peças oratórias de refinada hipocrisia.
Dois objectivos motivaram o ataque à Líbia: o saque dos recursos naturais - petróleo e gás - e a necessidade de controlarem através do medo, o rumo das rebeliões populares que na Tunísia e no Egipto derrubaram as ditaduras de Ben Ali e Mubarak, ambos aliados de Washington.
Enquanto invocam a defesa da liberdade e da democracia e motivos humanitários para bombardear a Líbia, os EUA apoiam as matanças praticadas pela ditadura feudal do Iémen e incentivaram a monarquia islamista da Arábia Saudita a invadir o Bahrein, sede da V Esquadra da US Navy – para reprimir a insurreição do seu povo.
A contradição ilumina bem o farisaísmo de Washington.
Os governos responsáveis pelo ataque à Líbia garantem que não haverá desembarque de tropas terrestres. Mas é imprevisível a desenvolvimento da agressão. O motivo alegado para o ataque ao Afeganistão foi a suposta permanecia ali de um homem, Bin Laden, apontado então como inimigo numero um dos EUA. Agora é outro individuo, Muamar Khadafi , o pretexto invocado para a agressão imperial.
Khadafi nunca mereceu o nosso respeito. Mas manifestamos irrestrita solidariedade com o povo da Líbia, ameaçado de recolonização, nestes dias em que nas suas cidades e campos explodem bombas e mísseis.
É oportuno sublinhar e lamentar que o Parlamento Europeu tenha aprovado uma resolução que o tornou cúmplice da agressão, iniciativa que contou com os votos do PS, PSD e CDS, e também com o voto do partido da Esquerda Europeia, incluindo o do Bloco de Esquerda. O PCP, consequentemente, votou contra.
O Conselho Português para a Paz e a Cooperação convocou para o dia 23 uma concentração de protesto contra a agressão, junto da Embaixada Americana.
Fazemos nosso o seu apelo à participação do povo de Lisboa. O imperialismo estadounidense é o grande inimigo da humanidade.
OS EDITORES DE ODIARIO.INFO
Carlos Augusto de Araujo Dória, 82 anos, economista, nacionalista, socialista, lulista, budista, gaitista, blogueiro, espírita, membro da Igreja Messiânica, tricolor, anistiado político, ex-empregado da Petrobras. Um defensor da justiça social, da preservação do meio ambiente, da Petrobras e das causas nacionalistas.
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terça-feira, 22 de março de 2011
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
QUERENDO SER DEUS?
Leonardo Boff
Adital
Rose Marie Muraro é uma mulher impossível. Com extrema limitação de vista e de saúde escreveu 35 livros e editou cerca de outros 1600. Foi pioneira do feminismo brasileiro. Seu estudo sobre a sexualidade da mulher brasileira, publicado pela Vozes de Petrópolis se transformou num clássico seja pela metodologia seja pelas categorias de análise.
Formada em física, sempre se preocupou com a tecnologia e sua incidência no destino humano. Agora, no avançado dos anos e após muitas pesquisas e manejando mole imensa de fontes, informações e autores nos entrega um livro-síntese com o titulo Os avanços tecnológicos e o futuro da humanidade: querendo ser Deus? É uma publicação da Editora Vozes de Petrópolis da qual foi por 17 anos diretora editorial.
O subtítulo ‘Querendo ser Deus?’ define a perspectiva de sua análise e ao mesmo tempo faz ecoar uma denúncia contra o tipo de ciência e de tecnologia dominantes na história. Na verdade, faz um soberano rastreamento histórico da tecnologia desde os alvores da humanidade quando há mais de dois milhões de anos surgiu o homo faber, aquele que, por primeiro, utilizou o instrumento para se impor à natureza, passando pelos vários períodos históricos com suas respectivas revoluções até chegar aos tempos contemporâneos da engenharia genética, da robótica, da nanotecnologia, da biologia sintética para culminar na fusão entre homem e máquina.
O que Rose nos mostra, ao longo de seu livro, é o calvário da Terra e a lenta e progressiva crucificação da vida e da natureza através do poder da tecnociência, posta a serviço da vontade de poder na sua concretização mais crua e cruel no capital/dinheiro.
Mas nem sempre foi assim. Primitivamente o saber e a técnica estavam a serviço da solidariedade e da partilha, atendendo as demandas humanas e aliviando o peso da vida. Mas do momento em que surgiu a moeda e ela se fez a mediação exclusiva para todas as trocas e se transformou ela mesma em mercadoria com preço (juros) se produz uma perversa revolução. Passa-se da cooperação para a competição, do cuidado para a agressividade. O que vige então é o ganha/perde e não o ganha/ganha. A sociedade é conflitiva com exércitos, muitas guerras e grandes mortandades.
Os senhores do dinheiro sujeitam a si as pessoas, controlam a sociedade e decidem que saber e que técnica cabe desenvolver para reforçar seu poder. Não se produz para a vida mas para o mercado. Não se inventa para a sociedade mas para o lucro.
O atual projeto da tecnociência acelerou enormemente a história. Em cem anos a humanidade caminhou mais do que nos dois milhões de anos anteriores. Esta velocidade estonteou a mente e está gerando uma verdadeira mutação humana, somente comparável àquela ocorrida na evolução biológica multimilenar. Cientistas projetam introduzir nanopartículas na corrente sanguínea do cérebro para gestar uma inteligência supra-humana. Emergiria assim um híbrido de ser humano e máquina, bifurcando a humanidade entre os melhorados e os não melhorados.
É contra esse intento que se insurge Rose Marie Muraro, pois ele configura suprema arrogância e atualização da antiga tentação bíblica do sereis como Deus.
O ser humano, por mais que queira, jamais superará os limites de sua natureza. Só uma ciência com consciência, servirá à vida e garantirá o futuro da Terra. A autora propugna por moedas complementares, por um consumo compassivo e reciclável, por uma revolução radical de dentro para fora e de baixo para cima, no jogo do ganha/ganha, como forma de sair com êxito do cipoal em que nos enredamos. A frase final de seu brilhante livro é esperançadora: "Quando desistirmos de ser deuses poderemos ser plenamente humanos, o que ainda não sabemos o que é mas que intuímos desde sempre".
Adital
Rose Marie Muraro é uma mulher impossível. Com extrema limitação de vista e de saúde escreveu 35 livros e editou cerca de outros 1600. Foi pioneira do feminismo brasileiro. Seu estudo sobre a sexualidade da mulher brasileira, publicado pela Vozes de Petrópolis se transformou num clássico seja pela metodologia seja pelas categorias de análise.
Formada em física, sempre se preocupou com a tecnologia e sua incidência no destino humano. Agora, no avançado dos anos e após muitas pesquisas e manejando mole imensa de fontes, informações e autores nos entrega um livro-síntese com o titulo Os avanços tecnológicos e o futuro da humanidade: querendo ser Deus? É uma publicação da Editora Vozes de Petrópolis da qual foi por 17 anos diretora editorial.
O subtítulo ‘Querendo ser Deus?’ define a perspectiva de sua análise e ao mesmo tempo faz ecoar uma denúncia contra o tipo de ciência e de tecnologia dominantes na história. Na verdade, faz um soberano rastreamento histórico da tecnologia desde os alvores da humanidade quando há mais de dois milhões de anos surgiu o homo faber, aquele que, por primeiro, utilizou o instrumento para se impor à natureza, passando pelos vários períodos históricos com suas respectivas revoluções até chegar aos tempos contemporâneos da engenharia genética, da robótica, da nanotecnologia, da biologia sintética para culminar na fusão entre homem e máquina.
O que Rose nos mostra, ao longo de seu livro, é o calvário da Terra e a lenta e progressiva crucificação da vida e da natureza através do poder da tecnociência, posta a serviço da vontade de poder na sua concretização mais crua e cruel no capital/dinheiro.
Mas nem sempre foi assim. Primitivamente o saber e a técnica estavam a serviço da solidariedade e da partilha, atendendo as demandas humanas e aliviando o peso da vida. Mas do momento em que surgiu a moeda e ela se fez a mediação exclusiva para todas as trocas e se transformou ela mesma em mercadoria com preço (juros) se produz uma perversa revolução. Passa-se da cooperação para a competição, do cuidado para a agressividade. O que vige então é o ganha/perde e não o ganha/ganha. A sociedade é conflitiva com exércitos, muitas guerras e grandes mortandades.
Os senhores do dinheiro sujeitam a si as pessoas, controlam a sociedade e decidem que saber e que técnica cabe desenvolver para reforçar seu poder. Não se produz para a vida mas para o mercado. Não se inventa para a sociedade mas para o lucro.
O atual projeto da tecnociência acelerou enormemente a história. Em cem anos a humanidade caminhou mais do que nos dois milhões de anos anteriores. Esta velocidade estonteou a mente e está gerando uma verdadeira mutação humana, somente comparável àquela ocorrida na evolução biológica multimilenar. Cientistas projetam introduzir nanopartículas na corrente sanguínea do cérebro para gestar uma inteligência supra-humana. Emergiria assim um híbrido de ser humano e máquina, bifurcando a humanidade entre os melhorados e os não melhorados.
É contra esse intento que se insurge Rose Marie Muraro, pois ele configura suprema arrogância e atualização da antiga tentação bíblica do sereis como Deus.
O ser humano, por mais que queira, jamais superará os limites de sua natureza. Só uma ciência com consciência, servirá à vida e garantirá o futuro da Terra. A autora propugna por moedas complementares, por um consumo compassivo e reciclável, por uma revolução radical de dentro para fora e de baixo para cima, no jogo do ganha/ganha, como forma de sair com êxito do cipoal em que nos enredamos. A frase final de seu brilhante livro é esperançadora: "Quando desistirmos de ser deuses poderemos ser plenamente humanos, o que ainda não sabemos o que é mas que intuímos desde sempre".
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