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sábado, 15 de junho de 2013

MOVIMENTO PASSE LIVRE - Hélio Fernandes comenta.

A Polícia, insubordinada, sem comando autêntico e visível, violentou e reprimiu manifestação que era um protesto pacífico e democrático. Agora, totalmente incontrolável. Os marqueteiros trouxeram Camões para a comparação entre OTIMISTAS e PESSIMISTAS. Pelo menos, cultura no debate eleitoral.

Helio Fernandes

Quatro opiniões, interpretações, conclusões, rigorosamente majoritárias sobre os acontecimentos de São Paulo e do Rio, que já repercutem no exterior, incluindo críticas duras e preocupadas da Anistia Internacional. E que ninguém sabe como vai terminar.

1 – As manifestações começaram de forma rigorosamente pacíficas, eram protestos não só quanto ao aumento inesperado dos preços. Muitas pessoas, em praça pública, diziam: “Até aceito o aumento das passagens, mas é preciso melhorar, e muito, a qualidade dos serviços”. Escorchados nos preços e negligenciados nos serviços.
Era vivível a boa vontade, mas o poder público não cobra das empresas pelo menos a prestação de um serviço razoável. Os trens, ônibus e metrôs, todos encarecem juntos, mas continua a superlotação, horas e horas a esperar um transporte, que não serve a ninguém, ou “serve” de forma inacreditável de tão precária.
2 – Podia ter começado um diálogo a partir daquela constatação, não havia ninguém para cuidar do assunto, governador e prefeito em Paris, ninguém para fazer uma intervenção não hostil. Manifestações, protestos, reivindicações são próprios da democracia.
O EXAGERO AUTORITÁRIO DA POLÍCIA
3 – Estabanada, sem comando superior, a Polícia entrou logo com violência, agredindo, exorbitando, praticando um dos piores crimes, que é o “abuso do Poder”. Alguns dizem, “estavam desarmados”. A Polícia nunca está desarmada, sempre leva vantagem, usam e abusam do que chamam de “armas não letais”. Mas essas armas devem ser usadas contra partes inferiores do corpo, os policiais atiravam prazerosamente contra o rosto e a cabeça dos manifestantes.
A maioria dos feridos, no rosto e até nos olhos. E pasmem, existem testemunhos e imagens das câmeras flagrando policiais derrubando simples cidadãos e anulando-os implacavelmente. Era o mais forte, pelo físico, treinamento e armas, massacrando os cidadãos que pagam impostos, só não queriam pagar esses aumentos indiscriminados de preços.
4 – Os manifestantes cometeram então provavelmente o único erro: a depredação, chamada de vandalismo. Nisso eles perdem em qualquer avaliação. Foi exagero, patrimônio público e privado não pode ser destruído. Mas queriam o quê? Que a multidão continuasse sendo agredida, violentada e espancada, e “desse a outra face”? Nesse item, não há justificativa, mas atenuante para os manifestantes.
E agora, como terminará o episódio provocado lamentavelmente pelas Polícias de São Paulo e do Rio? E que já se espalham por 6 ou 7 capitais.
ALCKMIN E CABRAL:
“O PROTESTO É POLÍTICO”  
Os dois governadores tentaram levar a manifestação para outro plano, mais alto, como se tudo tivesse sido planejado e executado com “alguém” comandando. Alckmin e Serginho gaguejavam, não conseguiam chegar ao final da frase, mesmo porque era tudo inconsistente, incoerente, imprudente. Alckmin, Haddad, Sergio Cabral não responderão pela ausência, a inércia, a cumplicidade? (Não cito o prefeito do Rio, ele não apareceu, simplesmente não participou).

sexta-feira, 14 de junho de 2013

MOVIMENTO PASSE LIVRE - Relato coletivo da violência.


Relato coletivo da violência: “Corram que vamos atirar”

publicado em 14 de junho de 2013 às 17:42

Manifestantes cercados e atacados pela Força Policial: democracia, só que não
via Facebook
São quase duas da manhã e estamos aqui, um grupo de nove jovens amigos/as, reunidos/as, agitados/as e não conseguimos dormir antes de denunciar o que vivemos hoje pelas ruas do centro de São Paulo.
Era por volta das 18h quando descemos a Rua Augusta em direção ao Teatro Municipal para a concentração do Quarto Ato contra o aumento das tarifas.
As notícias que circularam durante o dia prenunciavam que a manifestação seria tensa.
Mas, apesar do medo, estávamos leves e confiantes na democracia. Fomos nos incorporando a vários outros companheiros que seguiam para o ato. O que portavam? Flores, vinagre e câmeras fotográficas.
Ao chegar no Teatro, o clima já estava tenso. A forte presença policial contrastava com o desejo de paz da maioria dos manifestantes, evidenciados em falas, gritos pela não violência e em atitudes absolutamente pacíficas.
Seguimos com a multidão, reivindicando a revogação do aumento das tarifas e, mais do que isso, o direito ao transporte público, à cidade e, óbvio, a nos manifestarmos.
Nossa intenção era parar a Paulista, chamar a atenção dos governantes e exigir o diálogo, mas quem parou a Paulista foi a polícia. Poucos metros de caminhada e o choque cercou os manifestantes e realizou a primeira dispersão.
A partir daí éramos vários atos pela região central da cidade. Seguimos com um grupo que subiu a Augusta para tentar chegar a Paulista.
Também fomos cercados, recuamos pela Bela Cintra e também ficamos sem saída. Fomos encurralados até chegar na Consolação.
Vimos um cenário de guerra, vários dos grupos que haviam se dispersado voltaram a se encontrar, mas estávamos cercados pelo choque e pela cavalaria de todos os lados. Todos. Não havia para onde escapar e se proteger.
Muitas bombas e balas de borracha atingiam os manifestantes. O desespero começou a tomar conta. Faltava o ar, os olhos ardiam, medo de perder os companheiros e, principalmente, o sentimento de indignação, humilhação e revolta.
A solidariedade prevaleceu, quem tinha vinagre, oferecia, indicavam caminhos livres, davam as mãos.
Conseguimos correr por uma das ruas. Recuamos. Tinha duas adolescentes conosco, estávamos preocupados, cansados. Precisávamos encontrar um local seguro. Seguimos pelas ruas paralelas à Consolação na região de Higienópolis. E
stava deserta, nos sentimos a salvo. Encontramos mais um pequeno grupo de amigos numa padaria. Um alivio. Tomávamos uma água.
De repente, onde não havia mais aglomeração de manifestantes, mais fumaça, mais barulho, mais bomba. Começamos a correr. Nos separamos dos outros. Nesse momento, éramos apenas nove amigos. Resolvemos caminhar calmamente, não haveria motivo para sermos atacados. Não fazíamos nada de mais. Estávamos enganados.
Uma viatura parou diante de nós. Policiais apontaram a arma e ordenaram: “corram que vamos atirar”. Corremos e eles cumpriram a promessa. Atingiram uma amiga. Nos desesperamos. As ruas estavam desertas, não havia onde entrar. Estávamos sozinhos. Humilhados e indignados pela arbitrariedade, pela violência, pela covardia, gritamos por socorro.
Duas moças passavam de carro, se escandalizaram com a covardia que presenciaram. Pararam o carro e disseram para entrarmos. Nove pessoas num Palio. A solidariedade e o senso de justiça nos salvou. Elas moravam por ali e nos levaram para o apartamento, para ficarmos em segurança até que pudéssemos sair.
Mais amizade, mais solidariedade. Fizemos um pedido de ajuda pelas redes sociais. Precisávamos de dois carros para nos tirar dali em segurança.
Poucos minutos e dezenas de ajuda foram oferecidas. Fizemos e recebemos diversos telefonemas para saber dos outros amigos/as espalhados/as, feridos/as, presos/as.
Havia uma rede de pessoas trocando informação, solidariedade, força. Fomos acolhidos num local seguro, onde passaremos a noite.
Como nos sentimos agora? Humilhados e indignados, sim. Mas não derrotados. O que vimos hoje nos fez ver o tamanho do desafio que temos para consolidar a democracia e também nos fez sentir que somos fortes, somos muitos e somos bons.
Partilhamos de momentos emocionantes de luta, coragem, lucidez. Fomos acolhidos e recebemos imensa solidariedade que alimentaram ainda mais o nosso sentimento de força. Essa rede pode crescer, temos certeza. Não vamos recuar. Enquanto a passagem não baixar, São Paulo vai parar.
Ingrid Evangelista
Juliana Giron
Paolla Menchetti
Rafael Lira
Vanessa Araújo Correia
Vânia Araújo Correia
Victória Satiro
Vitor Hugo Ramos

MOVIMENTO PASSE LIVRE - Ação da PM foi de vingança contra a população.

Quem melhor resumiu os acontecimentos da noite de quinta-feira (13), que mais uma vez transformaram o centro de São Paulo numa praça de guerra, foi o prefeito Fernando Haddad:

"Na terça, eu penso que a imagem da violência que ficou foi a da violência dos manifestantes. Infelizmente, hoje, não resta dúvida que a imagem que ficou foi a da violência policial".
cavalaria Ação da PM foi de vingança contra a população
É exatamente o que eu penso que aconteceu, depois de acompanhar por horas ao vivo na televisão esta última manifestação contra o aumento de 20 centavos (de R$ 3 para R$ 3,20) nas passagens dos ônibus da cidade: a PM já chegou chegando, com todo aparato bélico a que tem direito, batendo e atirando para todo lado, disposta a se vingar dos atos de vandalismo e agressões a alguns policiais praticados durante a manifestação da última terça-feira.
O grande problema é que a violência policial não se limitou a conter o protesto dos estudantes, mas atingiu indiscriminadamente a população paulistana que passava elas ruas a caminho de casa ou do trabalho ou tomando sua cervejinha num bar. Na fúria policial deliberadamente desencadeada para mostrar quem manda na cidade, sobrou para todo mundo.
Quando a Tropa de Choque armada até os dentes se perfilou no começo da rua da Consolação, por volta das 7 da noite,  para impedir que os manifestantes seguissem em direção à avenida Paulista, foi a senha para que o caos se instalasse na cidade, atingindo quem estava em carros e ônibus, e espalhando a baderna pelas ruas vizinhas. Estava na cara de ódio dos policiais que eles tinham carta branca para retomar o controle de segurança da cidade a qualquer preço.
choque Ação da PM foi de vingança contra a população
Se no primeiro texto do Balaio sobre os confrontos perguntei quem estava por trás de todos aqueles atos de vandalismo dos que protestavam contra o aumento dos ônibus, agora cabe perguntar quem deu a ordem para que a Polícia Militar agisse com tamanha violência contra qualquer pessoa não fardada que encontrasse pela frente.
O governador Geraldo Alckmin, que tinha acabado de voltar de Paris e passou o dia na Baixada Santista, limitou-se a postar mensagens nas redes sociais repetindo que a PM "não vai tolerar depredação, violência e obstrução das vias públicas" (e ainda encontrou tempo para cumprimentar a população de Guaratinguetá pelos 383 anos da cidade).
Nada disso, porém, havia ainda acontecido quando a Tropa de Choque entrou em ação, com bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e balas de borracha. O secretário da Segurança, Fernando Grella Vieira, que não foi visto na manifestação, comentou placidamente que  a polícia agiu para "garantir a ordem", quando todos vimos que foi a própria polícia que deu início à desordem que avançou noite adentro.
A primeira função da polícia é garantir a segurança dos cidadãos; a segunda, proteger o patrimônio público e privado e, a terceira, combater crimes como atos de vandalismo, utilizando a força necessária. Desta vez, a PM fez o contrário disso: provocou a insegurança geral e deixou no caminho um rastro de violência com 105 feridos, entre eles, dezenas de jornalistas, sete deles da Folha. Como sabiam que estavam agindo fora da lei, não queriam que ninguém registrasse o que eles estavam fazendo, e repórteres e profissionais de imagem acabaram sendo os principais alvos.
jornalistas ok Ação da PM foi de vingança contra a população
Depois do estrago, o secretário Grella prometeu "apurar o ocorrido. Isso é  inadmissível. Se ficar comprovado, vai haver responsabilização". Nem é preciso abrir rigorosos inquéritos que nunca dão em nada: basta pegar as imagens não confiscadas produzidas pelos próprios profissionais agredidos e tudo o que foi para o ar nas emissoras de televisão na noite de quinta-feira.
A próxima manifestação já está marcada para segunda-feira, às 17h, em frente à estação Faria Lima do Metrô. Há tempo mais do que suficiente para que as autoridades de segurança do Estado, desta vez, planejem seu trabalho com mais inteligência e menos armas e truculência, para evitar novas vítimas e prejuízos para a cidade, tirando de circulação os policiais que participaram deste grande ato de vingança contra a população indefesa.
Se o Movimento Passe Livre, que organiza as manifestações, já admitiu na terça-feira que perdeu o controle sobre os revoltosos, o mesmo não pode acontecer ao governo em relação aos seus policiais. Ou vai acontecer, como o Elio Gaspari escreveu hoje, mais "um conflito dos canibais com os antropófagos".

MOVIMENTO PASSE LIVRE - "A PM começou a batalha na Maria Antônia.


Elio Gaspari

Quem acompanhou a manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus ao longo dos dois quilômetros que vão do Teatro Municipal à esquina da Consolação com a rua Maria Antônia pode assegurar: os distúrbios desta quinta-feira começaram às 19h10m, pela ação da polícia, mais precisamente por um grupo de uns vinte homens da tropa de choque, com suas fardas cinzentas, que, a olho nu, chegaram com esse propósito.
Pelo seguinte: às 17h, quando começou a manifestação, na escadaria do teatro, podia-se pensar que a cena ocorria em Londres. Só uma hora depois, quando a multidão engordou, os manifestantes fecharam o cruzamento da rua Xavier de Toledo. Nesse cenário, havia uns dez policiais. Nem eles hostilizaram a manifestação, nem foram por ela hostilizados.
Por volta de 18h30m, a passeata foi em direção à Praça da República. Havia uns poucos grupos de PMs guarnecendo agências bancárias, mais nada. Em nenhum momento foram bloqueados. Numa das transversais, uns vinte PMs postaram-se na Consolação, tentando fechá-la, mas deixando uma passagem lateral. Ficaram ali menos de dois minutos e retiraram-se. Esse grupo de policiais subiu a avenida até a Maria Antonia, caminhando no mesmo sentido da passeata. Parecia Londres. Voltaram a fechá-la e, de novo, deixaram uma passagem. Tudo o que alguns manifestantes faziam era gritar: Você é soldado, você também é explorado ou Sem violência. Alguns deles colavam cartazes brancos com o rosto do prefeito de São Paulo, Fernando Maldad.
Num átimo, às 19h10m, surgiu do nada um grupo de uns vinte PMs cinzentos, com viseiras e escudos. Formaram um bloco no meio da pista. Ninguém parlamentou. Nenhum megafone mandando a passeata parar. Nenhuma advertência. Nenhum bloqueio sem disparos, coisa possível em diversos trechos do percurso. Em menos de um minuto esse núcleo começou a atirar rojões e bombas de gás lacrimogênio. Chegara-se a Istambul.
Atiravam não só na direção da avenida, como também na transversal. Eram granadas Condor. Uma delas ficou na rua que em 1968 presenciou a pancadaria conhecida como Batalha da Maria Antônia. Alguns deles, sexagenários, não cheiram mais gás (suave em relação ao da época), mas o bouquet de vinhos.
Seguramente a PM queria impedir que a passeata chegasse à avenida Paulista. Conseguiu, mas conseguiu que a manifestação se dividisse em duas. Uma, grande, recuou. Outra, menor, conseguiu subir a Consolação. Eram pessoas perfeitamente identificáveis. A maioria mascarada. Buscaram pedras e também conseguiram o que queriam: uma batalha campal.
Foi um cena típica de um conflito de canibais com os antropófagos.

MOVIMENTO PASSE LIVRE - A violência da PM.


Manifesto contra a violência da PM

Por Altamiro Borges

Crescem as críticas na sociedade à brutal violência da PM de São Paulo, sob comando tucano, contra jovens em luta pela redução das tarifas do transporte público. Pesquisas já indicam que a população paulista apóia os legítimos protestos da juventude - mas rejeita atos tresloucados. Um ampla unidade vai se forjando em defesa da plena liberdade de manifestação e contra a postura fascista do governador Geraldo Alckmin. O manifesto abaixo é mais uma iniciativa importante neste rumo. Assine! Ajude a divulgar!

      
A ação da Polícia Militar do estado de São Paulo em protesto de jovens contra o aumento das tarifas da passagem do ônibus, metrô e trem na capital paulista é mais um episódio na história de violência e desrespeito ao direito de organização e manifestação. 

O direito de manifestação sofre permanente ameaça no país, mesmo depois de 25 anos de promulgação da Constituição Federal, o que demonstra que a democracia ainda não está consolidada no país. A PM do estado de São Paulo, controlada pelo PSDB, mantém os métodos que desenvolveu na ditadura militar, reprimindo manifestações, efetuando prisões políticas de cidadãos e estimulando tumultos, inclusive com infiltrações para desmoralizar a luta e organização popular.

Não podemos esperar um comportamento democrático de uma PM liderada pelo PSDB que, em janeiro de 2012, mobilizou helicópteros, carros blindados e 2 mil soldados do Batalhão de Choque para fazer a reintegração de posse violenta de 1600 famílias que viviam desde 2004 no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de SP).

A legitimidade do protesto dos jovens contra o aumento das tarifas não pode ser desmoralizada por causa de ações equivocadas de uma minoria, que infelizmente não compreende que a sociedade está do lado daqueles que querem transporte barato e de qualidade para a população de São Paulo.

Apesar desses acontecimentos pontuais, a responsabilidade pela violência nos protestos é da Polícia Militar, que tem provocado o conjunto dos manifestantes, promovido o caos e agredido cidadãos que estão nas ruas exercendo o seu direito de manifestar de forma pacífica.

Esses protestos são importantes porque colocam em xeque uma questão central para a população da cidade, que é a mobilidade urbana. Os paulistanos perdem horas e horas todos os dias dentro de um carro ou ônibus parados no trânsito ou de um vagão de metrô e trem lotados. Horas que poderiam ser destinadas para ficar com a família ou para cultura, esporte e lazer, das quais são privados por causa de uma clara opção que privilegia o transporte privado e individual em detrimento do público e coletivo.

O histórico crescimento desordenado da cidade, o trânsito causado pelo número de carros nas horas de pico, a falta de linhas de metrô/trem, a baixa qualidade do sistema e a chantagem das empresas privadas concessionárias de ônibus, as altas tarifas do transporte público representam um problema social, que prejudica o conjunto da população, especialmente os mais pobres, que moram na periferia.

A lentidão da expansão do metrô é uma questão crônica da gestão do PSDB, que construiu apenas 21,6 Km de linhas do metrô, o que representa uma média de 1,4 km por ano. Com isso, São Paulo tem a menor rede metroviária entre as grandes capitais do mundo (apenas 65,9 km).

A gravidade dessa questão fez com que a mobilidade urbana fosse um dos temas centrais da campanha eleitoral para a prefeitura no ano passado. E o candidato Fernando Haddad, que acabou eleito, prometeu dar respostas que tocassem na raiz do problema.

A movimentação da prefeitura para adiar e realizar um aumento da passagem do ônibus abaixo da inflação do último período, dentro de um quadro de pressão das empresas concessionárias, não atende os anseios criados com a derrota dos setores conservadores nas eleições em São Paulo.

A resolução da questão urbana exige medidas estruturais, como a efetivação de um modelo de desenvolvimento, que prescinda o estímulo à indústria automobilística, e a implementação do controle direto sobre as tarifas por meio da municipalização dos transportes. Com isso, se evita soluções paliativas como a subvenção das concessionárias, financiando setores cujo interesse em lucrar se choca com a possibilidade de um sistema de transporte que atenda as necessidades da população.

Por isso, os protestos realizados pelos jovens ganham importância, uma vez que representam um sintoma do problema e constituem uma força social que pode apontar e sustentar mudanças estruturais na organização territorial e na mobilidade urbana. Essas mobilizações são um instrumento de pressão sobre as autoridades, para sustentar um processo de negociação, especialmente com a prefeitura, que esperamos que possa render conquistas para a população e acumular forças para novas lutas que virão.

Nesse processo, a mídia burguesa e os setores conservadores colocam uma cortina de fumaça sobre as soluções estruturais para as quais apontam os protestos, com a execração pública dos atos realizados por uma minoria. Esse tipo de cobertura coloca luz sobre os vínculos dos meios de comunicação da burguesia com as empresas automobilísticas (interessadas em vender mais carros), com as empresas privadas concessionárias de transporte (que lucram com a chantagem sobre a prefeitura) e com a especulação imobiliária (contrária à reorganização territorial).

Assim, manifestamos nosso apoio aos protestos dos jovens em defesa do transporte público, dos quais queremos contribuir para garantir a massificação e manifestação organizada e pacífica, condenamos a ação violenta da Polícia Militar, cobramos a libertação dos presos políticos e rechaçamos o aumento das tarifas de ônibus, metrô e trem.

- ABGLT- Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais 
- Consulta Popular 
- Fora do Eixo 
- JCUT- Juventude da Central Única dos Trabalhadores 
- JPT/SP- Juventude do Partido dos Trabalhadores da cidade de São Paulo 
- JSOL - Juventude Socialismo e Liberdade 
- JUNTOS! 
- Levante Popular da Juventude 
- MAB- Movimento dos Atingidos por Barragens 
- MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra 
- PJ- Pastoral da Juventude 
- PJMP- Pastoral da Juventude do Meio Popular 
- Quilombo 
- REJU- Rede Ecumênica da Juventude 
- UBES- União Brasileira dos Estudantes Secundaristas 
- UJR- Partido Comunista Rebelião 
- UJS- União da Juventude Socialista 
- UNE- União Nacional dos Estudantes

* Organizações/entidades que quiserem informar que aderiram ao manifesto devem enviar e-mail para nacional@levante.org.br

** Quem quiser assinar o manifesto deve acessar a páginahttp://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2013N41381 (ou clique aqui)

MOVIMENTO PASSE LIVRE - Protesto é "caso de polícia"?


Protesto é “caso de polícia”?

Por Altamiro Borges

O transporte público em São Paulo é um horror. Os ônibus andam superlotados e em péssimas condições. Há poucas linhas ferroviárias e os trens vivem dando pane. O Metrô foi sabotado pelos tucanos, que não ampliaram suas linhas e degradaram sua manutenção. Diante deste cenário tenebroso, qualquer fagulha – como o reajuste de 0,20 centavos nas passagens – pode ter efeitos explosivos. Os três protestos realizados na capital paulista nestes dias confirmam esta dura realidade. Um administrador com sensibilidade entenderia o problema e abriria o diálogo. Não é o caso do Geraldo Alckmin, que tratou os protestos como “atos de vandalismo” e “caso de polícia”. Já o prefeito Fernando Haddad, que num primeiro momento disse que “São Paulo é a cidade das manifestações”, teve uma recaída, talvez influenciado pela fúria midiática.

Na tarde de terça-feira, o centro da maior cidade do país virou novamente um palco de guerra. A Polícia Militar voltou a esbanjar violência, disparando balas de borracha e lançando bombas de gás. A passeata com mais de 10 mil jovens, segundo o próprio Estadão, transcorria de forma pacífica até a primeira provocação da PM. Resultado: mais de 20 pessoas ficaram feridas, outras 13 foram presas e lojas, ônibus e terminais de Metrô foram depredados. Nem os jornalistas, inclusive da Folha, escaparam da selvageria policial. Uma cena lastimável, que pode se repetir na tarde desta quinta-feira (13), com os novos protestos marcados pelo Movimento Passe Livre (MPL).

De Paris, onde participa de um evento com empresários, o governador tucano Geraldo Alckmin, que não nega os seus antigos laços com a seita fascistóide Opus Dei, incita a violência: “Uma coisa é movimento... Outra coisa é vandalismo, como interromper artérias importantes da cidade, tirar o direito de ir e vir das pessoas, depredar o patrimônio público. Aí é caso de polícia”. O prefeito petista Fernando Haddad, que também está na capital francesa, até sinalizou que pode abrir negociações com os manifestantes, mas exigiu “o fim dos atos de vandalismo” – num discurso que não se encaixa na sua trajetória democrática e nas aspirações de um “novo tempo” em São Paulo.

É evidente que já ocorreram atos tresloucados que colocam em risco a justa luta pela redução das tarifas. "O MPL não é o dono das mobilizações contra o aumento”, tenta justificar um comunicado oficial da organização. Em protestos mais amplos e inorgânicos há sempre provocadores – como os que depredaram a sede do diretório do PT na terça-feira – e mesmo setores que tentam se aproveitar oportunisticamente e eleitoralmente destas mobilizações. Mas estas ações violentas e isoladas, que devem ser repudiadas publicamente, não anulam a justeza das mobilizações e a urgência de abertura de canais de diálogo.

Reproduzo abaixo duas importantes notas divulgadas na véspera do ato de terça-feira.

*****

Nota da JPT pela reversão dos aumentos das passagens do transporte público

Do site do PT

10/06/13 – 11h10

A mobilidade urbana é um dos fatores que mais influencia a qualidade de vida de jovens e trabalhadores, seja por seu peso econômico, seja pela atenção às suas necessidades com garantia de conforto e segurança. O Governo do Estado de São Paulo e a prefeitura da capital, ao elevarem o preço da tarifa de ônibus, trens e metrôs, prejudicam a locomoção de jovens e trabalhadores que, em sua maioria, dependem única e exclusivamente do uso de transporte público.

A juventude do PT integra há anos as lutas contra os aumentos das passagens por entender que estas medidas só favorecem o lucro das empresas, seja por meio da tarifa ou pelo aumento de subsídios. Ao mesmo tempo, aumenta a insatisfação dos usuários devido à péssima qualidade dos serviços prestados: ônibus e vagões lotados, trens e metrôs em panes constantes e atrasos e demoras nos deslocamentos.

Enquanto algumas cidades da Região Metropolitana e do Vale do Paraíba reduzem suas tarifas, beneficiando estudantes e trabalhadores, os aumentos da prefeitura da capital e do Governo do Estado oneram o orçamento de quem utiliza o transporte público e preservam a alta lucratividade das empresas.

Neste sentido, a Juventude do PT vem a público reivindicar a reversão dos aumentos das passagens e manifestar sua solidariedade e apoio aos movimentos que lutam contra esses aumentos. Mais que isso: conclamamos a militância petista a participar ativamente das manifestações e comitês, a começar pelo ato do dia 11 de junho, às 17h, na Praça do Ciclista, Av. Paulista! (grifos nossos)

É hora de ampliar a discussão rumo a uma política de transporte que contemple plenamente o direito de mobilidade da juventude e dos trabalhadores. Um passo decisivo neste sentido é a urgente implementação do bilhete único mensal e o transporte público 24h!

Pela imediata reversão dos aumentos!

Rogério Cruz - Secretário Estadual da Juventude do PT-SP

Erik Bouzan - Secretário Municipal da Juventude do PT de São Paulo

***

Nota da UJS-SP sobre o aumento da tarifa de ônibus

Ao longo de décadas, o automóvel foi prioridade no investimento em mobilidade urbana na cidade de São Paulo. Ocorreu um desenvolvimento no mercado de crédito, produção de insumo, controle pelo governo no combustível, investimento em vias públicas – onde na maioria das vezes, o automóvel recebia prioridade.

Isto é, o transporte coletivo utilizado pela maioria dos trabalhadores acabou sendo prejudicado por ter menos investimento e não ter um planejamento de acordo com as demandas das grandes cidades. Infelizmente a população que mora nas periferias da cidade é a mais prejudicada, pois residem distante dos locais de emprego, consumo e entretenimento. Além disso, sofre com a espera absurda nos pontos de ônibus. Enfrentam todos os dias ônibus superlotados para ir e voltar do trabalho ou estudar, congestionamentos quilométricos e muitas vezes, falta dinheiro para pagar as tarifas caríssimas.

Esses problemas também são frutos da exploração do transporte coletivo, por conta de empresas privadas, que o administram e servem a interesses econômicos, de lucro e acumulação de capital.

Anualmente uns dos mais receios da população são os reajustes das tarifas de ônibus, trem e metrô. Essas empresas não poupam o bolso do trabalhador, pressionam o governo que se deixa ceder pelos reajustes no alto custo das tarifas e retenção ao investir em infraestrutura.

Diante desta negligência, é legitimo e necessário o ato de se manifestar, e é ampla a comoção da população, pois são muitas as indignações. O que não aceitamos num Estado democrático é a forma repressora, violenta que age a PM nos protestos e no cotidiano da juventude nas periferias. A conduta policial controlada pelo governador de São Paulo tem causado mais revolta e atos extremos por conta de uma minoria dos manifestantes.

É possível para a prefeitura de São Paulo não ceder aos interesses dos empresários e ficar ao lado do povo revogando o aumento da tarifa e promover um amplo diálogo sobre as melhorias no transporte público com a população paulistana. Estamos confiantes e sempre na luta!

União da Juventude Socialista/SP - 
São Paulo, 12 de junho de 2013

quinta-feira, 13 de junho de 2013

MOVIMENTO PASSE LIVRE - Com erros e acertos, é a política.

Passe livre e “saiaço”: com erros e acertos, é a política.

Conversei com vários, com muitos estudantes. Resumo o que me contaram: a maioria é pacifista, contra atos de vandalismo e quebra-quebra. Jovens punks, ou que se imaginam anarquistas, seriam responsáveis pelos atos de violência. Estudantes dizem ser impossível controlar todos os grupos.
 
Há divisões entre eles. Muitos pedem que integrantes do PSOL e PSTU abaixem faixas e bandeiras; rejeitam a associação com partidos. E sabem que polícia e mídia forçarão essa simplificação. A maioria entende que perde apoio quando surgem atos e, em seguida, as manchetes sobre "vandalismo" e "baderna". 
 
É evidente que manifestações mundo afora, tão vivas nas redes sociais, despertam, influenciam e estimulam manifestantes em São Paulo e pelo Brasil. Os manifestantes, adolescentes ou pouco mais do que isso, parecem gritar a mesma coisa: "Ouçam o que temos a dizer".
 
Muitos podem nem saber exatamente o que querem dizer, mas é óbvio que querem dizer alguma coisa. O que têm a dizer jovens de classe média e até alta, no caso de São Paulo, é muito mais do que os 20 centavos das passagens.
 
É tudo muito fluido. É disperso e dispersivo, como é mundo virtual das redes. Como é um mundo que tem o consumo como o ápice da vida. Bem além de 20 centavos, o que os protestos proporcionam são outras sensações.
 
Com acertos ou erros, a emoção de, enfim, estarem juntos nas ruas; não apenas em casa, na escola, nas redes ou na balada. A sensação de lutar por alguma coisa além do jeans e do smartphone. Muitos outros, a frustração por não ter acesso a nada disso.
 
Essa geração cresceu ouvindo críticas por "não se interessar" por política. Bem, com acertos e erros, errando ou acertando, o que eles estão fazendo é… política. Como fizeram política os meninos que, de saia, assistiram à aula no "saiaço" do Colégio Bandeirantes.
 
Quem marchou com a "Família e Deus pela Liberdade", às vésperas da ditadura, fazia política. Quem foi à "Passeata dos Cem Mil", contra a ditadura, ou aos comícios pelas "Diretas Já", fazia política.
 
Meninos que vão à escola de saia, ou protestam nas ruas, fazem política. Como é política a decisão de escolher o "vandalismo", a "baderna" ou as saias como a questão central.
 
Há três décadas muitos jovens se diziam na extrema-esquerda. E muitos eram chamados de vândalos. Ao longo da vida seguiram seus caminhos, alguns se perderam na própria esquerda. 
 
E outros são hoje os mais ferozes e servis porta-vozes da extrema-direita.
 
Nada como o tempo para ensinar a todos nós.

MOVIMENTO PASSE LIVRE - O relato do jovem agredido.


O relato do jovem agredido durante a manifestação

Por Lucas Gomes

Do TechMestre

Relato de rapaz agredido por policiais durante manifestação nesta terça-feira (11) em SP ganha repercussão no Facebook 

Jovem teve de ser internado e aguarda cirurgia devido às agressões recebidas por oficiais.
O jovem André Montilha publicou no fim da tarde desta quarta-feira (12) no Facebook, um relato sobre a ação dos policiais frente ao protesto realizado contra o aumento nas tarifas de ônibus na capital paulista. Segundo Montilha, ele foi violentamente agredido e teve o celular arrancado das mãos pelos oficiais. 
Ele conta que por volta das 21h desta terça-feira (11), aguardava um amigo na faculdade quando viu a passeata cruzar seu caminho. Como estava de bicicleta, decidiu ir ao encontro dos manifestantes enquanto esperava o colega. 
Pouco depois de chega aos manifestantes, foi informado de que a Tropa de Choque se preparava para um possível “confronto”. Decidiu então sair do local, e acabou encontrando os oficiais a caminho do movimento. Achando a situação “tensa”, resolveu usar seu celular para filmar a ação dos policiais, quando notou que eles já haviam percebido e vinham em sua direção. Tentou guardar o aparelho mas não teve tempo. 

Relato de rapaz agredido em manifestação em SP repercute no Facebook
Segundo Montilha, ele foi violentamente agredido por três policiais. Acabou desequilibrado da bicicleta e caiu no chão, recebendo agressões em todas as partes das costas e nos braços.

Ele comenta que ficou sem o celular, e foi submetido ao Hospital Oswaldo Cruz, onde ainda está internado aguardando cirurgia. A história já alcançou quase mil compartilhamentos no Facebook desde que foi postada, a cerca de uma hora. O relato na íntegra pode ser visto