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domingo, 22 de setembro de 2013

ESPIONAGEM AMERICANA: Revide soberano.

Revide soberano

Dilma reage à espionagem americana como cabe à presidenta de um país que não é mais quintal dos EUA

por Mino Carta 

Diretor de redação. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital e criou o Jornal da Tarde

A prepotência é própria dos impérios, desfaçatez e hipocrisia também. Se me ocorrem os Estados Unidos, me vêm à mente os pais fundadores e sua Constituição pioneira, Lincoln, Roosevelt, Martin Luther King. E logo sobrevêm invasões e guerras, destruição e morte em nome dos interesses imperiais. A Doutrina Monroe e a inquisição macarthista. Hiroshima e Nagasaki. O ataque à Baía dos Porcos, Granada, Panamá, os golpes latino-americanos, em primeiro lugar o nosso, de 1964. A CIA, a DEA. Abu Ghraib e Guantánamo. O diabo a quatro, sem contar os barões ladrões e os inventores do neoliberalismo. Etc. etc.

É um nunca acabar de desmandos e violência, de opressão e crimes contra a humanidade, perpetrados à sombra da pretensa bandeira da liberdade e da democracia, como se os EUA fossem avalistas da boa conduta do mundo.

 Não há novidade neste comportamento, os impérios anteriores ao americano agiram da mesma maneira, e alguns duraram séculos e séculos. Não parece ser este o destino de Tio Sam, de sorte que não falta quem lhe puxe a barbicha.


O Brasil figurou, com o destaque devido à sua potencialidade e ao seu tamanho, no quintal dos Estados Unidos, ou seja, a América Latina em bloco. Assim foi desde que os ingleses deixaram de dar as cartas a cavaleiro dos séculos XIX e XX. Dispenso maiores comentários sobre a participação americana no golpe que derrubou Jango Goulart democraticamente eleito e o papel que no episódio desempenharam a CIA e o embaixador Lincoln Gordon.


Os governos pós-ditadura foram súcubos das imposições do “grande irmão do Norte”, política e economicamente, e neste campo o FMI deitou e rolou. Houve o estertor da moratória de 1987, mal administrada ao sabor das veleidades sarneysistas, e, ao cabo, a subserviência do governo de Fernando Henrique, que tanto apreciava cair nos braços de Bill Clinton e chegou a sonhar com a privatização da Petrobras. Até agora FHC, com imbatível candura, diz desconhecer qualquer gênero de espionagem americana no Brasil.

Tudo muda com o governo Lula, por meio de uma política exterior independente, conduzida pelo chanceler Celso Amorim, capaz de se evadir da rede ardilosa do chamado “Consenso de Washington” e de tomar rumos próprios. A linha é clara, altiva na medida certa e sempre elegante. Uma aula de diplomacia sutil e eficaz. Em quadrantes diversos, Lula não se alinha às conveniências americanas, quando não simplesmente as transpõe, para os habituais desconforto e repulsa da mídia nativa.


Com a chegada de Dilma Rousseff à Presidência, a política exterior passa por uma fase menos nítida, diria mesmo morna. Alcançamos os dias de hoje. Prepara-se uma viagem da presidenta a Washington, em visita oficial e solene. E então, revelada a espionagem americana nas entranhas governistas ao ponto de monitorar os movimentos da própria Dilma, o encontro com Obama é sumariamente cancelado.

Tão ofensiva à soberania brasileira foi a operação, que a mídia nativa se viu forçada a considerar devida a reação do governo. Mesmo assim, cuidou de minimizar a atitude presidencial, enquanto destacava a observação de Aécio Neves, de que aquela não passa de marketing político. Aécio faz sua lição de casa. É óbvio, no entanto, que ações de forte repercussão popular aproveitam politicamente a quem as realiza.

Resta a verdade factual, como de hábito omitida, ou desprezada, pelos editorialistas midiáticos. Quanto ao leitor atento, não se deixe enganar pela ideia de que a decisão de Dilma teve, de alguma forma, o beneplácito de Washington, a ponto de provocar a publicação de comunicados conjuntos. De fato, ambos coincidem no anúncio do cancelamento da visita, diferem, porém, na essência.

Até o mundo mineral percebe que para Tio Sam a questão precipita um revés político diante do país mais importante do quintal de um antanho superado. E tem mais, muito mais, o malogro de transação comercial pouco inferior a 10 bilhões de dólares, pela qual o Brasil adquiriria os caças da Boeing que o balconista Obama esperava vender à visitante brasileira em lugar dos Dassault negociados há tempo.


Uma personalidade brasileira voltada aos interesses do País recentemente me dizia: “Não quero entrar no mérito da qualidade dos dois caças, mas é bom que os Estados Unidos não mandem por aqui”.

sábado, 10 de agosto de 2013

ESPIONAGEM AMERICANA - Snowden pode causar maior dano da história dos EUA

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Snowden pode causar maior dano da história dos EUA
O antigo colaborador da CIA Edward Snowden tem na sua posse “informação suficiente para causar mais danos ao Governo norte-americano num minuto do que qualquer outra pessoa na História dos Estados Unidos”, afirmou o jornalista do The Guardian Glenn Greenwald, autor das primeiras revelações sobre a espionagem norte-americana.

Esquerda.Net

O antigo colaborador da CIA Edward Snowden tem em sua posse “informação suficiente para causar mais danos ao Governo norte-americano num minuto do que qualquer outra pessoa na História dos Estados Unidos”, afirmou Glenn Greenwald, jornalista do The Guardian, responsável pelas primeiras revelações sobre a espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA).
Numa entrevista realizada no Rio de Janeiro, e publicada no sábado pelo jornal argentino La Nación, Greenwald afirma que a administração norte-americana "devia rezar todo o dia, implorando para que nada aconteça a Snowden. Pois se algo chegar a acontecer, todas as informações serão reveladas, e isso talvez seja o pior pesadelo” para Washington.
Questionado sobre se teme que Edward Snowden seja assassinado, o jornalista norte-americano admite que "é uma possibilidade", embora afirme que isso "não trará muitos benefícios para ninguém nesta altura".
"Ele já distribuiu milhares de documentos e assegurou que várias pessoas em todo o mundo têm o seu arquivo completo. Se lhe acontecer alguma coisa, esses documentos serão tornados públicos. Esse é o seu seguro de sáude", afirma Glenn Greenwald, que tem feito a maioria das notícias sobre os programas de espionagem dos EUA e garante manter contacto regular com Snowden.
Os documentos, mantidos em diferentes esconderijos, descrevem pormenorizadamente a operacionalização e funcionamento dos programas de vigilância, garante o jornalista.
“Uma forma de intercetar as comunicações é através de uma companhia telefônica nos Estados Unidos que tem contratos com empresas de telecomunicações na maioria dos países latino-americanos", exemplificou Greenwald, sem referir o nome da companhia em questão.
No entanto, o facto de Snowden deter “uma enorme quantidade de documentos que seriam muito prejudiciais para o Governo dos Estados Unidos, se fossem tornados públicos", não significa que seja esse o seu objetivo, defende Greenwald: "O objetivo dele é revelar a existência de programas informáticos utilizados por pessoas em todo o mundo, sem saberem a quem se estão a expor e sem terem aceitado conscientemente ceder os seus direitos de privacidade."
Esta entrevista do jornalista do The Guardian causou mais uma polémica.
Vários jornalistas e analistas políticos dos EUA acusam-no de estar a ameaçar a administração americana, no entanto, Greenwald descreve a atitude como “um esforço absurdo para desviar a atenção das revelações sobre a NSA”.
"Quando ele nos passou os documentos, insistiu várias vezes que exercêssemos um rigoroso juízo jornalístico sobre os documentos que devem ser publicados em nome do interesse público e os que devem ser mantidos em segredo, porque a gravidade da sua revelação ultrapassa o interesse público. Se a intenção dele fosse prejudicar os EUA, poderia ter vendido todos os documentos por muito dinheiro, podia tê-los publicado indiscriminadamente ou podia tê-los passado a um adversário estrangeiro. E ele não fez nada disso", argumenta o jornalista.