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sábado, 4 de janeiro de 2020

IRÃ - E o Boçalnaro acusou o general de terrorista.


Trump, Bolsonaro e Netanyahu: sociopatas que alimentam guerras. Por Lúcia Helena Issa

 
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Muçulmanos xiitas cantam slogans antiamericanos e anti-Israel em protesto contra os EUA no Iraque após a morte de Soleimani

POR LÚCIA HELENA ISSA
Chovia muito naquela tarde na fronteira entre Síria e Líbano, no campo de refugiados de Zahle, quando cheguei às barracas de lona que abrigavam um grupo de jovens mulheres sírias refugiadas ali.
Todas elas eram jovens muçulmanas xiitas (ao contrário do que você pode pensar, os maiores grupos terroristas hoje no Oriente Médio são sunitas e não xiitas, e foram inspirados pelo wahabbismo, doutrina sunita extremista nascida no país muçulmano mais extremista do mundo, a Arábia Saudita), haviam sobrevivido aos ataques do Estado Islâmico na Síria e naquele exato momento estavam escrevendo uma carta virtual de agradecimento ao general iraniano Soleimani, assassinado pelos EUA na madrugada dessa sexta feira em Bagdá.
As jovens muçulmanas receberam essa jornalista cristã com imenso carinho e gratidão, e com suas vozes  polifônicas e divergentes quando se tratava de Al Assad, mas uníssonas quando me explicavam quem era o general Soleimani, um dos homens que mais lutaram contra o terrorismo imposto pelo EI na região de Raqqa.
Soleimani era um dos homens mais amados e reverenciados não apenas pelos iranianos, mas também por libaneses, sírios e palestinos, por sua luta contra o EI e contra o genocídio de mulheres e crianças palestinas.
Era um militar, claro, e havia cometido erros também,  mas conseguira salvar milhares de crianças sírias durante os ataques de  extremistas armados, como se sabe hoje, pelos EUA na Síria.
O assassinato de Soleimani, escolhido em 2017 como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME,  não é apenas cruel.
É também um imenso erro estratégico, um erro que apequena os EUA aos olhos do mundo e apenas os fortalece aos olhos de anões morais cono Netanyahu ou Bolsonaro, ou seus seguidores fanáticos, que desconhecem a magnitude da dor que uma Terceira Guerra Mundial nos causaria.
“Este ataque teve o objetivo de previnir futuros ataques do Irã”, dizem autoridades norte- americanas, enquanto a  Casa Branca confirma que o ataque foi por ordem direta do presidente Donald Trump.
As vítimas estavam em um comboio das FMP, uma organização xiita criada para combater diretamente o EI e, posteriormente, incorporadas às Forças Armadas iraquianas. O ataque deixou ao menos oito pessoas mortas.
É assustador e imoral o que estamos testemunhando.  .
Enquanto o aiatolá Ali Khamenei afirma  que os EUA e  aqueles que assassinaram o general-general Qassem Soleimani devem aguardar uma vingança severa, recebo uma mensagem de duas amigas, refugiadas no Líbano, com quem mantenho contato desde que passei 20 dias vivendo no campo de refugiados de Zahle.
Elas me relatam a dor de milhares de sírios e libaneses ,  milhares de mulheres e crianças que parecem ter perdido um amigo da família.
Não é a primeira vez que um presidente norte- americano cria uma guerra externa para tentar salvar sua imagem interna ou se reeleger.
Bush fez exatamente isso ao invadir o Iraque em 2003, mesmo sabendo que o Iraque não havia tido absolutamente  nenhuma participação nos ataques de 11 de setembro e que o país de fato não possuía armas químicas ou armas de destruição em massa.
Tudo havia sido uma imensa farsa para tentar justificar  a invasão aos campos de petróleo iraquianos e para remover do poder um antigo aliado  norte-americano na guerra contra o Irã, um homem que decidira não mais se sujeitar aos planos econômicos dos EUA para o Oriente Médio.
A guerra insana dos EUA contra o Iraque deixou um rastro de mais de um milhão de mortos, entre eles, centenas de milhares de bebês e crianças.
Enquanto escrevo esse artigo, penso em todas as  refugiadas que conheci e em toda a dor que testemunhei na fronteira da Síria.
Como se não bastassem as mais de 500 mil mortes de mulheres, homens e crianças sírias, como se não bastassem os dois milhões de feridos sírios, um milhão de mortos no Iraque, a destruição completa da Líbia ,   como se não bastassem os mais de 40 milhões de refugiados hoje no mundo, as milhares de escolas  destruídas, as centenas de cidades árabes devastadas, as centenas de hospitais bombardeados nos últimos anos e a esperança violentada, Donald Trump acaba de comandar um assassinato que  pode ser uma ameaça a todos nós.
Um presidente que, assim como Jair Bolsonaro ,  sequestra a semântica e os vocábulos, usando as palavras PAZ e CRISTIANISMO de forma obscena. Como se Jesus realmente tivesse pregado ou legitimado o belicismo e não o amor e o perdão. 
Como se Jesus tivesse legitimado a tortura, os abusos e violência dos militares romanos na Palestina e não tivesse sido morto, crucificado e torturado pelos hipócritas religiosos de sua época e pelo império contra o qual lutou.
Como se  a PAZ pudesse de fato ser obtida através de bombardeios, mentiras, fraudes, mortes e mais guerras.
São tiranos e anões morais que, não conseguindo mobilizar mentes e corações para grandes projetos humanos, os mobiliza para o mais cruel, covarde e mortal  jogo liderado pelos tiranos: a guerra.

sábado, 6 de janeiro de 2018

IRÃ - A CIA por trás das manifestações.



Você já reparou que situação estranha essa das recentes manifestações no Irã?

Lá, o Ministério da Inteligência e a Procuradoria Geral da República trabalharam durante 4 anos seguindo as atividades de um grupo de agentes da CIA que as esteve preparando durante este tempo.

Encontraram primeiro as provas, o dinheiro repassado, as comunicações, as gravações.

O financiamento das operações era da Arabia Saudita e a inteligência da CIA e do Mossad.

Agora as autoridades prenderam esse agente que coordenava o grupo.

As manifestações tinham razões legítimas, pessoas legitimamente preocupadas com a inflação, desemprego e outras situações CAUSADAS PELO BLOQUEIO E SANÇÕES ECONOMICAS dos EUA contra o Irã alegadamente por "não cumprir o Acordo Nuclear", coisa que até a União Europeia nega, afirmando ao contrário que o Irã está sim cumprindo este acordo para o qual Lula e Erdogan, presidente da Turquia, cooperaram muito para que fosse firmado.

Você lembra disso? Lá em 2009? Lembra que depois de tudo resolvido com o Irã o Obama não quis assinar o Tratado?

Pois é...

Os manifestantes legítimos fizeram suas manifestações mas, junto com eles, estavam infiltrados manifestantes violentos, pagos e armados pela CIA que atacaram delegacias e quarteis da polícia, roubando armas e matando 10 policiais.

A mídia pública e dos movimentos populares denunciou a articulação dos "oposicionistas" com a CIA e ajudou a mobilizar esse enorme contingente de povo contra os golpistas.

Acontece que o Governo Iraniano vinha se preparando durante todos esses anos para quando esse golpe fosse ser dado.

Seguiram as reuniões dos golpistas com os agentes estrangeiros.

Mapearam o repasse de recursos e de dados de inteligência. 

E dois dias após as pequenas manifestações dos golpistas, saíram às ruas aos milhões em manifestações organizadas em 1.200 municípios do Irã, todas no mesmo dia, em apoio ao Governo do Irã, contra a ingerência da CIA, de Israel e da Arábia Saudita.

Não adiantou nada Trump e Benjamin Netanyahu declararem publicamente com toda a Mídia Internacional do seu lado que "apoiariam os manifestantes do Irã que lutam contra o Governo corrupto e terrorista do Irã."

O povo iraniano e o Governo Iraniano estavam preparados. 

Os agentes estrangeiros já estão presos. E vão a julgamento. O governo já está divulgando seus nomes e as provas de sua colaboração com empresas e agências de inteligência estrangeiras.

Você consegue fazer alguma correlação entre isso e o que aconteceu no Brasil?

Você lembra de Kim Kataguiri num encontro do MBL , em vídeo, dizendo claramente que aquela organização recebeu dinheiro da petroleira Irmãos Koch dos EUA para financiar carros de som, coqueteis molotov, foguetes e diárias para vândalos nas manifestações verde e amarelas de 2013?

Você não acha estranha a atuação da Procuradoria Geral da República, da PF e da Inteligência Brasileira no caso?

E a inteligência do Exército e das forças armadas, onde estava?

Ou está?

sexta-feira, 14 de junho de 2013

IRÃ -O que está em jogo nas eleições.

 O que está em jogo nas eleições no Irã

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BBC
Iranians to vote for new president as campaign finally takes offAs opções dos eleitores iranianas são limitadas – já que importantes líderes da oposição estão em prisão domiciliar e nenhum candidato reformista aparecerá na cédula eleitoral.
A última eleição presidencial foi marcada por denúncias de fraude e uma onda de protestos contra o presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad.
Agora, ao que tudo indica, o grupo conservador ligado ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei – chefe de Estado do país e figura que detém o poder de facto no Irã – está empenhado em recuperar a “estabilidade” do regime, colocando no poder um aliado incondicional.
Todos os candidatos são vistos como figuras leais a Khamenei e acredita-se que nenhum deles representaria uma grande mudança nas políticas internas e externas do regime – o que inclui sua conflituosa relação com as potências do Ocidente.
Há indícios, entretanto, de que os reformistas poderiam tentar unir forças em torno do centrista Hasan Rouhani.
Mohammad Reza Aref, o único reformista que recebeu autorização para participar da eleição, desistiu da disputa na terça-feira, aparentemente depois de conversar com o ex-presidente Mohammad Khatami, líder moderado que apoia Rouhani.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

IRÃ - 34 anos da Revolução Iraniana.


Os muitos significados dos 34 anos da Revolução Iraniana

Em 11 de fevereiro fez 34 anos que um poderoso movimento de massas, liderado pelo Aiatolá Khomeini, com a participação massiva de trabalhadores, jovens, mulheres, religiosos, conseguia por fim ao regime monárquico apoiado pelos EUA.

Há 34 anos, num 11 de fevereiro como hoje, um poderoso movimento de massas, liderado pelo Aiatolá Khomeini, com a participação massiva de trabalhadores, jovens, mulheres, religiosos, conseguia por fim, após anos de resistência e meses de mobilizações diárias, derrubar o regime monárquico, ditatorial de Reza Pahlevi, aliado do imperialismo inglês e estadunidense, que aliás apóiam o desenvolvimento nuclear do Irã, como parte da estratégia mundial contra a então URSS e seus aliados naquela região.

Em 34 anos, o Iran realizou regularmente 8 eleições presidenciais pelo voto direto. Os EUA, nenhuma! O Iran não atacou, não agrediu, não invadiu nenhum país em todo este período. Já os EUA intervieram militarmente em Granada, Panamá, Somália, Irak, Afeganistão, Líbia, apóiam oficialmente a agressão contra a Síria, apóiam a ação imperialista da França contra o Mali, apóiam as sanguinárias intervenções militares de Israel contra a Palestina, contra o Líbano (onde foi derrotado), instalaram prisões e centros de tortura em 54 países do mundo e mantiveram o bloqueio ilegal contra Cuba. Mas, graças ao controle do fluxo midiático internacional, uma avalanche diária de mentiras apregoa que o Iran é seria supostamente uma ditadura, um perigo para a humanidade, inclusive por pretender ter acesso pleno ao desenvolvimento da tecnologia nuclear. Afinal, os EUA não têm tecnologia nuclear e não foram o único país a usar a bomba atômica contra o povo japonês, no maior atentado terrorista registrado na era moderna?

A Revolução antiimperialista do Iran chega aos 34 anos enfrentando sanções de várias modalidades por parte do capitalismo mundial. Sanções que, até agora, não conseguiram travar o progresso educacional e científico-tecnológico da nação persa, ao contrário. Enquanto, países como o Brasil, para dar um exemplo, vê o seu programa espacial patinar e patinar, anos a fio, o Iran, que deu início ao seu programa espacial muito depois do brasileiro, acaba de lançar uma nave tripulada ao espaço e fabrica, totalmente, seus próprios satélites, sendo também nacional a tecnologia para o seu lançamento.

O significado da captura do drone made in USA

Enquanto o Brasil viu-se praticamente desarmado ante o vendaval neoliberal que demoliu sua indústria base, entregou a Embratel ao controle norte-americano e com ela o controle de informações estratégicas, inclusive militares, o Iran fabrica seus próprios submarinos, seus drones, seus aviões, civis e militares.. Aliás, foi com uma tecnologia que o Iran surpreendeu a arrogância tecnológica dos EUA, que só acreditou no desenvolvimento tecnológico persa nesta área quando um drone espião made in Usa foi totalmente capturado e aterrissado em solo iraniano - não foi abatido, foi capturado por um sistema eletrônico de navegação aérea super avançado.

Enquanto o o Iran, com apenas 34 anos de revolução que lhe permitiu assumir plenamente o controle sobre sua economia petroleira, antes controlada por ingleses, e desenvolver uma avançada indústria aérea, automotiva e ferroviária, o Brasil se vê diante de dificuldades para retomar não só o crescimento, mas o controle nestas áreas, já que a Embraer foi privatizada, a indústria naval foi privatizada e demolida - só agora começa a levantar-se, graças à lucidez de Lula e à presença da estatal Petrobrás na realização de encomendas - e caminha lentamente para recuperar, também, sua indústria ferroviária, para o quê é fundamental a decisão tomada pelo presidente Lula de reestatizar a Cobrasma, fábrica de equipamentos ferroviários. Criada como estatal no governo Geisel, foi privatizada por Fernando Henrique Cardoso e reestatizada no governo do PT.

Correntes antiimperailistas: militares ou religiosas

Enquanto o Iran já nacionalizou totalmente o seu petróleo e chega aos 34 anos de Revolução anunciando ao mundo a entrada em operação da maior refinaria do mundo revela a todos os sucessivos fracassos dos EUA para destruir aquele processo revolucionário que registrou também a incompreensão de muitos setores dogmáticos da esquerda em razão para presença das estruturas religiosas com uma entrega heróica em sua realização, entrega e desprendimentos que nada ficam a dever a qualquer processo revolucionário em qualquer parte do mundo. Mas, estes dogmáticos são os mesmos que também ficaram perplexos, indecisos e até hostilizaram outros processos conduzidos por equipes militares como Chávez, com Nasser, Alvarado, Torrijos, Thomas Sankara ou Kadafi, chegando ao absurdo de intelectuais de valor passarem a apoiar a Otan na guerra neocolonial contra Líbia, tal como antes , setores de esquerda se aliaram ao imperialismo contra Peron, contra Vargas e agora também contra a Síria.

Lições do fracasso das sanções imperiais

O vigoroso exemplo iraniano na tomada soberana de seu próprio petróleo, resistindo a todas as sanções imperialistas por meio da superação da dependência tecnológica - um estudo aponta que os cientistas iranianos na área do petróleo e nuclear possuem uma média de idade de 31 anos, inferior portanto ao período revolucionário - deveria ser profundamente estudado pelo Brasil, em particular pelo PT, pelos cientistas e pelas academias militares brasileiras.

A entrada em operação da Refinaria Shazand, a maior do mundo, com tecnologia totalmente nacional, é indicativo do potencial de desenvolvimento que se pode alcançar a partir de uma postura de independência. Mahmud Ahmadinejad acaba de anunciar também que o Iran está promovendo, ademais da independência tecnológica, a independência monetária frente ao dólar, realizando operações com outras moedas e outros países que não se submetem às ordens arrogantes dos EUA ao aplicar as sanções, e que, ao contrário, ampliam suas relações com a nação persa, terra de férteis poetas e cultura milenar. 

Em direção contrária a uma soberania monetária plena, o Ministério da Fazenda no Brasil anuncia a privatização do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), depois de ter quebrado monopólio estatal nesta área decisiva em 2007, monopólio construído na Era Vargas, quando o presidente gaúcho aceitou um conselho estratégico do saudoso Barbosa Lima Sobrinho. Que paradoxo! Quanto mais o dólar é inconfiável, quanto mais é instável e desequilibrado o sistema financeiro internacional, quanto mais se repetem os exemplos de fraudes, falência e inseguranças, o Brasil marcha na direção contrária, recebendo um tsunami de dólares emitidos sem lastro, capital externo hoje volume muito maior do que seu superávit primário, e promovendo, não a expansão produtiva em nosso território, mas apenas e tão somente uma vertiginosa desnacionalização da economia, inclusive em setores estratégicos como o da energia, no etanol e no petróleo.

Basta dizer que graças uma desastrosa desvalorização das ações da Petrobrás, nos anos 90, ações compradas a preço de banana por sortudos “investidores estrangeiros “, uma parte importante do petróleo pré-sal, cerca de 1/3, estima-se, já pertence aos praticantes da jogatina de Wall Street, sem terem investido um tostão no desenvolvimento da Petrobrás, que correu todo o risco para encontrar essa riqueza. Faz muito bem o chanceler argentino Timmerman, ao alertar, referindo-se à justa solidariedade brasileira à causa das Malvinas Argentinas, que “o Brasil deve sim se preocupar com a militarização do Atlântico Sul.

A maior refinaria do mundo

A refinaria de Shazand, próxima à cidade de Arak, será a primeira no Iran com capacidade processar 4 mil barris diários, convertendo mais de 90 por cento do óleo cru que recebe em gasolina, gás liquefeito, propano, querosene, diesel , óleo e alcatrão., contrastando com declaração recente da presidente da Petrobrás, de que a estatal brasileira não teria condições de construir sozinha, ou seja, sem capital externo, novas refinarias, propagando com isto uma nuvem de dúvidas e interrogantes. Se o Brasil é a quinta ou sexta economia do mundo e não tem capacidade para construir novas refinarias, como é que o Iran que nacionalizou praticamente toda sua economia petroleira tem? Esta seria apenas um delas, claro...

Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém.

Para compreender as razões pelas quais o Iran consegue resistir e vencer as sabotagens , as ameaças e as sanções imperiais, é preciso conhecer um pouco o pensamento político das lideranças iranianas , entre elas o discurso que o presidente persa, Mahmud Ahmadinejad proferiu na ONU, na Assembléia-Geral, defendendo “energia nuclear para todos e armas nucleares para nenhum país”. Quem pesquisar na internet e conhecer este texto sonegado pela mídia brasileira ao nosso povo, vai compreender de fato as razões do Iran, bem como a falta de razões dos países que o atacam. Sobre isso vale conhecer também declarações do Líder Supremo , Aiatolá Kamenei, ante as vergonhosas propostas dos EUA para retomar o diálogo com o seu país. “ Eu não sou um diplomata, Eu sou um revolucionário e falo com franqueza, honestidade e firmeza. Uma oferta de diálogo só tem sentido quando a parte que faz a oferta demonstra sua boa vontade” criticando com dureza a incoerência e falta de sinceridade do governo de Barak Obomba, que endureceu as sanções contra o Iran, realiza manobras militares em suas costas, pratica vôos ilegais com drones sobre o território persa e está por trás dos assassinatos de brilhantes cientistas iranianos, ante o silêncio incoerente da diplomacia brasileira.

Aliás, diante do crescimento das relações comerciais entre o Brasil e o Iran, com potencial para amplas possibilidades de expansão - não apenas no campo econômico, mas também no científico e tecnológico, pois, afinal, é inexplicável que o Iran , ou a Argentina ou Cuba não estejam incluídos no roteiro do Programa Ciência sem Fronteiras - seguem obscuras as razões que levaram o governo Dilma a dar um voto contra o Iran na ONU, numa clara colaboração do Itamaraty com a hostilidade da campanha imperial contra a nação persa. Será que a Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Ministra Maria do Rosário, desconhece que é diária e regular a prática de torturas contra brasileiros pobres nas dependências do estado brasileiro?

 Será que o Brasil tem lições a dar ao Iran em matéria de direitos humanos quando aqui o homicídio é comprovadamente a mais importante causa morte de jovens pobres e negros e quando continuam impunes os responsáveis pela violência no campo na luta pela reforma agrária?

Energia nuclear e manipulação

Possuidor de um programa nuclear, o Brasil deveria botar as barbas de molho, pois toda a hostilidade hoje lançada contra o Iran por seu inquestionável direito de, como membro da Agência Internacional de Energia Atômica, desenvolver tecnologia nesta área, pode, amanhã, ser lançada contra nós, não sendo descartadas, a priori, a prática de sanções. 

Obviamente, hoje os centros imperiais estão preferindo a enxurrada de dólares desvalorizados, que compram patrimônio produtivo local e alavancam um importacionismo devastador para a indústria nacional, implicando não em absorção de poupança externa como declaram, ingenuamente, alguns membros da área econômica, mas sim em estupenda e perigosa desnacionalização, além de volumosa remessa de recursos para as matrizes, que para cá remetem maquinário sucateado, a preços super faturados. Há,inclusive, denúncias de que alguns destes maquinários sequer chegam aos nossos portos, mas são religiosamente pagos. Houvesse jornalismo investigativo maduro no Brasil, eis aí uma boa pauta.

Ameaças

Enquanto o Iran responde às ameaças que recebe, sobretudo da parte de Israel, com uma tremenda nacionalização e desenvolvimento tecnológico de sua indústria bélica, o Comandante da Aeronáutica no Brasil, em depoimento no Congresso, informou que a maioria das aeronaves daquela arma praticamente não voam.

 Agregue-se a isto o fato de que autoridades da força naval reconhecem que, atualmente, o país não possui condições efetivas para defender , por exemplo, sua riqueza petrolífera, suas plataformas etc.

 Os contrastes bastam para levar aos autoridades a compreender a importância destes 34 anos de processo transformador da nação asiática construindo uma soberania concreta, baseada na independência tecnológica, não apenas no setor militar, mas também neste setor, pois, como é evidente, este mundo não é para meigos...

Uma Frente Antiimperialista Internacional?

É este desenvolvimento não dependente o que permite ao Iran ter um papel protagonista na crise síria, ao contrário do Brasil, que , apesar das declarações da Presidente Dilma em favor de uma solução pacífica, viu representantes do Itamaraty participando de encontros internacionais, protagonizados pelas grandes potências ocidentais, onde se declarou abertamente o apoio armado oficial aos grupos mercenários que querem esquartejar a Síria, como foi feito com a Líbia, também ante a omissão inexplicável do Brasil.


Hoje, o Iran, com a Rússia e China, reformulam a posição passiva que tiveram ante a crise da Líbia e estão levando os dispositivos imperiais a relutarem na repetição de uma operação como aquele feita contra Kadafi. É preciso organizar uma articulação antiimperialista internacional e seria indispensável que o Brasil fizesse parte dela, junto com a Argentina, a Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador,Nicarágua, para citar apenas os países latinoamericanos.

Um telefonema decisivo

Certa vez, Golda Meir, então primeira ministra de Israel, ordenou a preparação de 7 aviões militares, com ogivas nucleares para serem lançadas contra 7 capitais de nações árabes. Um telefonema de Leonid Brejnev alertando que a URSS não ficaria passiva diante de um ataque deste porte frustrou os planos sinistros do sionismo, assim como provavelmente frustraram-se os planos dos EUA de, em 1979, por meio de uma sofisticada operação militar pelo deserto iraniano, resgatar os agentes da Cia e outros que estavam na Embaixada norte-americana em Teerã, ocupada por estudantes revolucionários persas A versão espalhada pela mídia, honrosa, de certo modo, foi que uma tempestade de areia prejudicou a intervenção dos helicópteros... Hoje, as manobras da Marinha Russa no mar da Síria, e os acordos militares entre Rússia e China, bem como as manobras militares defensivas do Iran, a Rússia e a China, são mensagens eloqüentes enviadas aos cérebros intervencionistas imperiais. Parece que a política externa brasileira, neste campo, anda distante das avaliações feitas pelas academias militares, mais realistas e concretas, em cujos documentos se adverte para possíveis agressões de uma nação de grande poder tecnológico contra a Amazônia Brasileira, por exemplo. Seria a Bolívia? Ora....a retomada da Quarta Frota da Marinha dos EUA a navegar pelo Atlântico Sul é uma resposta aos céticos, românticos e crédulos em torno de uma cooperação com os centros imperiais. Seja monetária, educacional ou militar.

Cultura e Mídia

Premiado recentemente, um filme produzido nos EUA, “Argo”, elenca e distribui um conjunto de falsas informações acerca daquele episódio em que os estudantes iranianos ocuparam, por anos, a Embaixada norte-americana em Teerã, para denunciá-la como um centro de sabotagens, agressões e de apoio à contra-revolução contra o legítimo direito do povo persa escolher seu rumo na história, sem submissão ao império como antes, na sanguinária ditadura-monarquista de Reza Pahlevi.

O cinema tem sido uma fonte de agressões ao Iran, mas , o cinema iraniano tem conseguido, apesar das sanções e boicotes e do oligopólio Hollywoodiano, obter reconhecimento e respeito nos festivais e centros culturais em vários países, com seguidas premiações. Com isto se comprova o que muitos setores intelectuais insistem em ignorar: o estratégico papel do estado em defesa do cinema, de uma cultura soberana, da construção de uma identidade nacional.

 Aqui ainda estamos com 90 por cento dos circuitos cinematográficos ocupados por Hollywoody, com o cinema brasileiro ainda lutando para sair da clandestinidade ante o seu próprio povo, dos quais apenas 12 por cento freqüenta cinema regularmente, e menos de 10 por cento dos municípios possuem salas de exibição.

Soberania informativo-cultural

Esta batalha das idéias, no terreno da cultura e da informação, encontra um Iran cheio de iniciativas ante o mundo, o que fez com que países capitalistas europeus, que se auto-declaram os mais cultos e civilizados, tenham censurado os canais de TV iraniana nos satélites daquele continente.

 A censura foi seguida agora pelos EUA, que também proibiu a sintonia da TV pública iraniana em seu território e, para demonstrar vassalagem, o exemplo censor foi seguido pelo Canadá. Por tudo isto se pode dimensionar o absurdo do Brasil ter privatizado e internacionalizado, na era FHC, a Embratel. É preciso reconstruir o estado, nesta área também, urgentemente, pois é uma questão de soberania informativo-cultural.

 A distância de uma postura adequada por parte do Brasil pode ser medida pela reduzidíssima cooperação da TV Brasil com a Telesur e com a Agência de Notícias Pátria Latina, apesar do discurso oficial brasileiro em defesa da integração latino-americana.

Quem é obscurantista?

São muitas as lições que podem ser extraídas desta vigorosa marcha de 34 anos da Revolução Iraniana consolidando um destino histórico independente, soberano e com capacidade de cooperar com vários países do mundo nas áreas como indústria de tratores, de caminhões, de medicamentos. Num único artigo é impossível esgotar o tema. Mas, pelo menos é possível despertar a necessidade de que sejam superados os preconceitos daqueles que tentam construir uma imagem do Iran como um país obscurantista, o que lhes impede examinar efetivamente, objetivamente, o que este país tem alcançado para o seu povo e para os povos com os quais colabora na região. E que isto somente foi possível mediante uma atitude de rebelião contra os critérios e programas enganosos do neoliberalismo e do neocolonialismo e também mediante o envolvimento do seu povo num novo projeto, razão pela qual, milhões de iranianos ocuparam hoje as principais praças de Teerã, surpreendendo a mídia ocidental, incapaz de explicar todos esse fenômeno transformador ao seu povo. Razão pela qual recorre sistematicamente à censura ou à mentira. Essas sim, práticas medievais, obscurantistas..

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

IRÃ - Nada como acordar com um drone no bolso.



Pepe Escobar (Asia Times Online)
Talvez não seja Predator mortífero equipado com um míssil Hellfire dos que incineram casamentos de pashtuns, mas nesse nosso Bravo Valente Novo Mundo dos Veículos Aéreos Não Pilotados – conhecido também como a “Guerra dos Drones de Obama” – , qualquer ScanEagle muito mais lento, fabricado por subsidiária da Boeing, já nasce com direitos adquiridos de roubar a cena.
  TV do Irá mostra o drone capturado
Lá está hoje, a estrela do show, numa TV iraniana, depois de capturado sobre o Golfo Persa. Os cabeças-de-bagre especialistas em geopolítica, já fartos da mesma conversa fiada regurgitada incansavelmente por generais norte-americanos pelos canais Fox e CNN, certamente se deleitarão com a faixa ultrarretrô “Esmagaremos os EUA sob nossos pés”, para nem falar da peculiar produção de valores pelo Corpo de Guardas Revolucionários Islâmicos (IRGC).
O subalmirante Ali Fadavi, comandante da Marinha do IRGC, disse que o ScanEagle foi “caçado” e “obrigado” a “pousar eletronicamente”, depois que invadiu espaço aéreo do Irã. Bem… Talvez tenha sido um pouco mais complicado. A melhor explicação ainda é a do sempre delicioso blog Moon of Alabama: os Guardas Revolucionários, provavelmente, desabilitaram eletronicamente a conexão de satélite do drone e, em seguida, assumiram a linha de controle por rádio da linha de visão.
Além de garantir piadas sem fim, do tipo “os gatos persas derrubam o besouro [orig. drone] dos EUA” – serviço completo, com fotos de gatos gordos brincando com o modelo made-in-Iran do RQ-170s (o drone que o Irã capturou ano passado) – a coisa é quase tão boa quanto a mais recente reportagem de Bob Woodward, que flagrou um dos homens de Rupert Murdoch que operam o canal Fox News tentando vender (literalmente) ao general Petraeus a ideia de tornar-se candidato à presidência , como representante pessoal de Murdoch, nas eleições para a Casa Branca. General bagre-ensaboado-à-moda-canal-Fox, sabe-se lá?
O general canal Fox-Petraeus, por falar dele – mesmo antes de a coisa ter virado ‘corporal’ com a fã & gostosinha Paula Broadwell – jamais se deixaria apanhar em situação tão degradante. Seus drones da CIA no Af-Pak sempre foram e continuam a ser máquinas de matar confiáveis, não essas porcarias de hoje, que só recolhem informação de inteligência falhada, que não prestam para nada.
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TRÉGUA CÔMICA
Esse novo capítulo do seriado Guerra dos Drones, oferece, pelo menos, uma trégua cômica, à Monty Python, na desgraça cotidiana, ininterrupta – com a Turquia obtendo a aprovação da Aliança do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para instalar mísseis Patriot interceptores para “defender-se” contra algum doido sírio que se atreva a atravessar a fronteira.
Os burocratas da OTAN em Bruxelas já começaram a espalhar aos quatro ventos a negativa oficial, na linha do “Oh, não, não! Não queremos uma zona aérea de exclusão sobre a Síria! É que a gente aqui adooooora mísseis gordos, grandes e maus.”
Os EUA – sempre, sempre, como sempre – negam tudo que tenha a ver com o drone ScanEagle que não voltou para casa. Um porta-voz do Comando Central da Marinha dos EUA, no Bahrain, esse país-símbolo, exemplar, de democracia, disse que “a Marinha dos EUA mantém pleno controle sobre todos os veículos aéreos não tripulados em operação na região do Oriente Médio.”
Vai-se ver, é problema de terminologia: o Irã fica no Sudoeste Asiático – assim sendo, drones que andem ‘pivoteando’ em área de ‘pivoteamento’ não entram na conta. Mas, calma; a coisa ainda melhora! O porta-voz disse também que “não temos registro de qualquer ScanEagle extraviado recentemente”. Quer dizer: só se a Marinha perdeu, além de um drone… também todos os registros.
O que se vê, são esforços frenéticos da Marinha para pôr a culpa… nos drones dos outros! Vai-se ver, esse ScanEagle teria decolado de outro paraíso da democracia mantido pelo Conselho de Cooperação do Golfo, os Emirados Árabes Unidos. Austrália, Canadá, Países Baixos e até a Colômbia têm drones. A Grã-Bretanha e a França também fabricam drones, e a Rússia, logo, logo, também chega lá. Ou, quem sabe, um espião “Ai-raniano” do Mal roubou o tal drone em Dubai, quando andou por lá em expedição de compras.
Podem esperar: vai começar um boom de vendas de drones ScanEagle em miniatura, de plástico, para trazer um refresco ao deprimido e mortalmente super sancionado mercado iraniano – exatamente como aconteceu ano passado, com o RQ-170. Os gatos persas que vivem de Qom ao Mar Cáspio, depois de derrubá-los todos, com certeza farão um baile.

sábado, 28 de janeiro de 2012

IRÃ - Agência do Irã desmente matéria da Folha.

Agência do Irã desmente matéria da Folha que publicou críticas ao governo Dilma Rousseff.


O jornalista Valter Xeu, do site Pátria Latina, nos envia um despacho da IRNA News, agência oficial do governo iraniano, com esclarecimentos sobre uma matéria publicada pela Folha de S. Paulo, na qual o assessor de imprensa do presidente do Irã teria criticado duramente a diplomacia do governo Dilma Rousseff. O esclarecimento é o seguinte, na íntegra:

Teerã, 25 de Janeiro, IRNA – O assessor de imprensa do Presidente Mahmud Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, desmentiu o conteúdo da sua recente entrevista publicada no jornal brasileiro Folha de São Paulo , apontando que suas declarações foram “distorcidas”.

A agência de notícias iraniana citou que Javanfekr tinha se queixado das relações entre os dois países na gestão da presidente Dilma Rousseff que seriam inferiores a ‘ anos de boas relações “de Brasilia com Teerã.

Javanfekr salientou, no entanto, que a entrevista dele havia sido distorcida e, por meio desta comunicação, enfatizou nas palavras ditas ao jornal Folha de S. Paulo que “presidenta Dilma precisava do tempo para consolidar as relações entre Teerã e Brasília”.

Javanfekr notou ainda, que tinha elogiado o governo do Brasil e o seu povo pelo seus apoios à República Islâmica do Irã. Brasília insistiu no passado em manter um diálogo diplomático com Teerã sobre o programa nuclear da República Islâmica, uma política que havia começado com o antigo presidente Luiz Ignácio Lula da Silva em que rejeitava qualquer uso da força fora do âmbito das Nações Unidas.

Nos EUA, o jornal New York Times, citou na terça-feira que Javanfekr teria afirmado na sua entrevista com o jornal brasileiro Folha de São Paulo que a presidente Russeff Dilma tinha destruído anos de boas relações entre as duas nações.

Lula da Silva, que deixou seu cargo, visitou Teerã em 2010 e introduziu no Médio Oriente a diplomacia brasileira através de uma tentativa de amenizar a crise sobre o programa nuclear do Irã. E junto com o governo da Turquia, ele esboçou um acordo de troca de urânio enriquecido com combustível nucleares com o Irã.

Este acordo falhou após a rejeição da administração da Obama, e o Irã afirmou que iria continuar com o enriquecimento de urânio.

Mesmo assim, as exportações do Brasil para o Irã aumentaram durante os meses seguintes. E o Irã superou a Rússia em 2011, como o maior mercado de exportação de carne brasileira.

Agência de Notícias da República Islâmica/IRNA News

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

IRÃ - Alastra o temor de uma agressão.

Do site Diário.info.

Ruqayyah Shamseddine*

Na última semana dezenas de media progressistas divulgaram em todo o mundo artigos e reportagens sobre a iminência de uma agressão militar ao Irão. O projecto de uma invasão terrestre do país foi considerado inviável pelo Pentágono. Atolados no Afeganistão e no Iraque, os EUA não dispõem de forças para se envolverem numa guerra convencional num pais gigantesco e bem armado. Mas pressões da extrema-direita norte-americana e de Israel para que as instalações nucleares do Irão sejam bombardeadas aumentaram nos últimos dias. O recurso a armas nucleares tácticas tem sido defendido por generais do Pentágono e admitido pelo presidente Obama. A crónica que publicamos, da TV Al Manar, do Libano, reflecte o temor de uma agressão militar que seria o prólogo de uma tragédia para a humanidade.


A partir de 1945, os EUA já tentaram derrubar pelo menos 50 governos estrangeiros – incluída a última tentativa, em curso, de derrubar o governo eleito do Irão. Essa vergonhosa estatística não é resultado apenas de má política externa; quando o presidente Obama assinou a decisão e converteu em lei, dia 1/7/2010, as sanções contra o Irão, não cometeu erro de desatenção, nem errou por descuido. A política externa dos EUA pode ser comparada à ação de um assassino serial.

Estrangulamento econômico e agressão militar contra o Irão
As sanções agem em silêncio, mas são terrivelmente mortíferas. Matam combatentes e não-combatentes indiscriminadamente e covardemente. Basta ver as sanções que os EUA impuseram ao Iraque: o pesquisador Richard Garfield estima que “pelo menos 100 mil ou, em avaliação mais rigorosa, mais de 220 mil recém-nascidos e bebês morreram, no Iraque, entre agosto de 1991 e março de 1998, por causas motivadas ou diretamente relacionadas às sanções econômicas”.
O governo Obama divulgou as sanções econômicas dos EUA contra o Irão como se fossem medidas “pacíficas” – tentativa pacífica de asfixiar a economia iraniana, cujo único objetivo era tentar pacificamente paralisar o país. Não bastasse, no final de junho cerca de uma dúzia de navios de guerra dos EUA e pelo menos uma corveta israelense cruzaram o Canal de Suez seguidas de três esquadras navais – em ato flagrante de provocação e tentativa de intimidação, que veio coordenado com agressiva retórica imperialista.
Dia 1º de agosto, o almirante Mike Mullen – chefe do Estado-maior do exército dos EUA, disse que os EUA têm planos prontos para atacar o Irão. Falando no domingo ao programa “Meet the Press” da rede NBC, Mullen disse que “as opções militares estavam sobre a mesa e continuam sobre a mesa. Espero que não cheguemos até lá, mas é opção importante e é opção já bem compreendida”.
Grande número de jornalistas, dos mais bem qualificados aos inqualificáveis, têm-se dedicado a converter a Resolução n. 1.553 da Câmara de Deputados dos EUA, em petulante brincadeira de desocupados; convertendo o que bem poderia ser uma avalanche de repúdio nascida da opinião pública norte-americana, em retórica a mais oca, para assim suavizar o que jamais deixou de ser manobra política de alto conteúdo tóxico.
O corpo de jornalistas-correspondentes dos grandes jornais já nem falam do número de baixas na população civil, na pobreza e na subpobreza em que naufragam os territórios palestinos ocupados pela entidade sionista ou da grotesca cumplicidade entre regimes ocidentais. Nada disso. A cobertura que a imprensa, jornais e televisão, oferece da invasão, nos dois casos, tanto no Iraque quanto no Afeganistão, começou com algum alarido e rapidamente se converteu em sussurro, para só reaparecer, sempre tímida, quando clamam aos céus as cinzas de grande número de mortos ou acontece algum aniversário ‘histórico’ sem importância alguma.
Se, ou quando, o Irão for militarmente agredido, não será diferente.
A Câmara de Deputados dos EUA ‘exige’ guerra
A Resolução 1.553 da Câmara de Deputados dos EUA não finge nem tenta fingir que ‘anseia’ por alguma paz. Sua razão de ser vem explícita, jogada à cara do mundo:
“Expressamos integral apoio ao direito do Estado de Israel (…) de usar todos os meios necessários para enfrentar e eliminar a ameaça que vem da República Islâmica do Irão, inclusive o direito de usar força militar.”
Os deputados Republicanos dos EUA deram carta branca a Israel, hoje envenenada e que pode, em breve, estar também encharcada de sangue; o Estado sionista recebeu luz verde e os deputados dos EUA lhes gritam “Abrir fogo!”
Independente do que o conjunto hoje hegemônico de pseudo-intelectuais e políticos queira fazer-crer ao mundo, Israel não tem qualquer preocupação com a opinião pública, sempre que se trata de agir ao arrepio da lei internacional e de qualquer lei. Incontáveis vezes, sempre e sempre, Israel já deu provas de que sua agenda está acima de qualquer lei, e ninguém, até hoje, conseguiu levar o regime sionista às barras de algum tribunal, ou obrigá-lo a prestar contas de uma lista-de-lavanderia de crimes de guerra contra o povo palestino e o povo libanês. Israel não é Estado de Direito e jamais obedeceu a lei alguma, sempre em conluio com seu parceiro de crimes, os EUA.
As forças de ocupação israelenses já treinam para atacar o Irão
Dia 30 de julho, a mídia em Israel noticiou que as Forças de Ocupação Israelenses estavam em “treinamento militar na Romênia, em terreno montanhoso e de cavernas, semelhante aos túneis de montanha nos quais o Irão enterrou suas instalações nucleares. Seis aviadores israelenses morreram em acidente com um helicóptero Sikorsky “Yasour” CH-53 nas montanhas dos Cárpatos romenos, na 2ª-feira, 26/7. O acidente ocorreu na fase final de exercício conjunto de três exércitos, EUA-Israel-Romênia[1], em que se simulava um ataque ao Irão”.
A rede PressTV libanesa noticiou, dia 1º/8, que Israel ameaça abertamente bombardear as instalações nucleares iranianas há anos, mas “a probabilidade de ataque desse tipo aumentou significativamente, dada a crescente impaciência de Telavive com as sanções do Conselho de Segurança da ONU e dos EUA e outras medidas assemelhadas adotadas unilateralmente pelos EUA e pela União Europeia, que até agora não apresentaram o resultado esperado de alterar a posição de Teerã, de defender seu programa nuclear para fins pacíficos.”
Ouvem-se mais altos os tambores de guerra e o sinal é mais claro
Senadores dos EUA declararam, em uníssono, que as sanções contra o Irão não impedIrãoo a República Islâmica de perseverar em suas “ambições nucleares” – em termos que leigos entendam: os políticos norte-americanos ‘exigem’ que o Irão pare de fazer o que o Irão já declarou incontáveis vezes que não está fazendo. Se o Irão não parar de fazer o que não está fazendo (i.e. fabricando bombas atômicas etc.), haverá consequências, incluído aí um cenário de Apocalipse, que interessa muito, é claro, a Israel.
Do senador dos EUA Joseph Lieberman, “Bombardeiem o Irão”:
“Considero profundamente importante que a liderança iraniana fanática entenda que falamos muito sério sobre o programa de bombas atômicas deles, e se dizemos que não aceitamos que o Irão se torne nuclear, não aceitamos e não aceitaremos – e podemos e faremos qualquer coisa para impedir que o Irão se torne nuclear.
Depois virão as sanções, sanções violentas, sanções econômicas. Francamente, é a última chance que damos ao Irão de pouparem o mundo inteiro, inclusive os EUA, de terem de tomar uma dura decisão entre permitir um Irão nuclear e usar nosso poder militar para impedir que continuem nucleares.”
Do senador dos EUA Evan Bayh:
“Temos de considerar a opção final, o uso da força para impedir o Irão de construir uma arma nuclear.”
De Leon Panetta, diretor da CIA:
“Acho que as sanções terão algum impacto (…) Mas afastarão o Irão de suas ambições de alcançar capacidade nuclear? Provavelmente, não.”
Na reunião do G8, em julho, o presidente Obama declarou que o Irão teria prazo até setembro para aceitar as propostas internacionais que visam a impedir que a República Islâmica desenvolva armas nucleares. Setembro é o prazo final.
Os EUA não agirão sozinhos em guerra contra o Irão, nem nada leva a crer que os EUA declararão guerra ao Irão. Israel, que já provou sobejamente apoio integral ao terrorismo imperialista terá a tarefa de acender o pavio. Afinal de contas, quem impedirá a entidade sionista ilegal de fazer no Irão o que já fez no Líbano e em Gaza e faz em cada precioso palmo da terra palestina ocupada?
O Irão já se manifestou claramente, sem meias palavras, como tantas outras vezes. O embaixador do Irão à ONU, Mohammad Khazai, já disse que “se o regime sionista cometer qualquer agressão em território do Irão, incendiaremos todo o front dessa guerra que eles inventaram, e Telavive arderá.”
Setembro está perto e logo saberemos se Israel e EUA cumprIrãoo, ou não, suas muitas ameaças. Todas as guerras provocadas por Israel ao longo de sua história de perversidades foram guerra de agressão ditas ‘preventivas’. O tempo dirá se tentarão acrescentar o Irão, como mais uma marca em pistola de matador. Se tentarem, saberão: foi a última vez.
Notas:
[1] Sobre o acidente e esses exercícios militares, ver Robert Fisk, 2/8/2010, The Independent, em português “Israel já se meteu pela União Europeia adentro… e ninguém viu!”, no Blog O outro lado da notícia, www.vermelho.org.br/blogs/outroladodanoticia/?p=44375).
Este texto foi publicado no web site da Al-ManarTV de Beirute, Libano
www.almanar.com.lb/NewsSite/NewsDetails.aspx?id=148986&language=en
Tradução de Caia Fittipaldi