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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

OLIMPÍADAS - Marina Silva.


Mauro Santayana: Marina Silva e a desfeita ao Brasil


A senhora Marina Silva é um caso típico de como as virtudes enganam. Ela surgiu na vida pública brasileira como a pobre menina da floresta, que se torna ativa militante da causa ambiental, entra para a política ainda muito jovem, dentro do PT; é eleita senadora pelo Acre; torna-se Ministra, e chega a candidatar-se, sem êxito, à Presidência da República.

Por Mauro Santayana, em seu blog


Trata-se de uma biografia virtuosa. Marina é militante de uma causa vista como nobre, a da defesa da natureza. Mas não se pode dizer, com o mesmo reconhecimento, de que se trata de uma boa brasileira.

Marina é hoje, e é preciso dizer, uma patriota do mundo. Nenhum brasileiro, vivo ou morto, foi tão homenageado pelos mais poderosos governos estrangeiros e organizações não governamentais do que esta senhora, ainda relativamente jovem.

Ela, ao militar pela natureza universal, não tem servido realmente ao Brasil e à sua soberania. O Brasil, com o apoio, direto ou indireto, da senhora Silva, tem sido acusado de destruir a natureza.

Quando seu companheiro de idéias, Chico Mendes, foi assassinado em Xapuri, o New York Times chegou a dizer que o mundo iria respirar pior, a partir de então. A tese do jornal, já desmentida pela ciência não engajada, era a de que a Amazônia é o pulmão do mundo. Assim, a cada árvore abatida, menos oxigênio estaria disponível para os seres vivos.

Marina Silva transita à vontade pelos salões da aristocracia européia e norte-americana. É homenageada, com freqüência, pelas grandes ongs, como a WWF, que contava, até há pouco, com o caçador de ursos e de elefantes, o Rei Juan Carlos, da Espanha, como uma de suas principais personalidades.

Na melhor das hipóteses, a senhora Marina Silva é ingênua, inocente útil, o que é comum nas manobras políticas internacionais. Na outra hipótese, ela sabe que está sendo usada para enfraquecer a posição da nação quanto à defesa de sua prerrogativa de exercer plenamente a soberania sobre o nosso território.

Ainda agora, a ex-candidata a Presidente acaba de ser homenageada pelos organizadores londrinos dos Jogos Olímpicos, como convidada de destaque, ao lado de outras personalidades mundiais, a maioria delas diretamente ligadas às atividades esportivas, o que não é o seu caso.

Para quem conhece os códigos da linguagem diplomática, tratou-se de uma desfeita ao Brasil, como país soberano, e, de forma bem clara, à Presidente Dilma Roussef. Dilma, com elegância, declarou-se feliz pela homenagem à sua adversária nas eleições presidenciais de 2010, e que permanece militando na oposição ao atual governo.

A Chefe de Estado, que ali representava a nação inteira, e não ongs interessadas em retardar o desenvolvimento autônomo do Brasil, não assinou recibo pela aleivosia de uma Inglaterra decadente, contra um Brasil que cresce no respeito do mundo.

Título do Vermelho

terça-feira, 31 de julho de 2012

OLIMPÍADAS - O mistério da mulher de vermelho.

O mistério da mulher de vermelho na abertura das Olimpíadas


Paulo Nogueira

Uma jovem indiana, Madhura Honey, entrou para a história dos Jogos de Londres, mas não por causa de algum feito esportivo.
Ela simplesmente se juntou à delegação indiana no desfile da abertura das Olimpíadas. Com um enorme sorriso, ficou estrategicamente ao lado do porta-estandarte, sob a vista das 80 000 pessoas presentes ao Estádio Olímpico e de 1 bilhão de espectadores em todo o mundo.
Vestida de vermelho e azul, Madhura se destacou amplamente das demais mulheres indianas, as atletas, graciosamente embaladas em sáris amarelos.
O único problema é que não era para ela estar lá.

Madhura, de vermelho e azul, no desfile indiano
Ela permaneceu até o final da cerimônia. Acompanhou no campo, ao lado de atletas de todas as partes, a emocionante execução de Hey Jude por Paul McCartney – o fecho da grande festa.
E então voltou à obscuridade anônima da qual saíra sensacionalmente.
Os sites de notícia indianos logo começaram a perguntar: quem é aquela mulher? “O Mistério da Mulher do Desfile” – era esse o tom dos primeiros artigos dos jornalistas indianos. Os chefes da delegação olímpica da Índia se julgaram ultrajados – e reclamaram formalmente para a organização dos jogos.
O mistério enfim foi desfeito quando amigos da intrusa revelaram seu nome. Indiana, Madhura está vivendo em Londres, e se voluntariara para trabalhar nos jogos, como milhares de outras pessoas. Em sua conta no Facebook – desativada – ela vinha mostrando com orgulho o passe que conseguira.
Não estão claras ainda as consequências legais que ela enfrentará. Mas é certo que, entre as fotografias marcantes dos Jogos de Londres de 2012, Madsuma aparecerá per omnia secula seculorem – para todo o sempre.
Fica aqui entregue a Madhura Honey, até segunda ordem, o prêmio Pataquada Olímpica, a ser entregue pelo Diário no final de Londres 2012.
Caso alguém queira indicar candidatos, sugestões serão bem-vindas. Por enquanto, Madhuma é o nome a ser batido.
(Transcrito do site Diário do Centro do Mundo)

domingo, 22 de julho de 2012

OLIMPÍADAS - O importante é faturar.

DEBATE ABERTO

Olimpíadas: o importante é faturar

Os Jogos Olímpicos de Londres terão cobertura exclusiva da Record na TV aberta. Neste ano a euforia com que a Globo cerca eventos desse tipo desapareceu. Em cada Olimpíada (ou Copa do Mundo) éramos bombardeados por informações quase sempre sem nenhuma importância transmitidas em qualquer programa da emissora.

(*) Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil, edição de julho de 2012.

Será a primeira vez na história recente da televisão brasileira em que conquistas esportivas internacionais não serão transmitidas pela Globo. Os Jogos Olímpicos de Londres terão cobertura exclusiva da Record na TV aberta, a um custo aproximado de 60 milhões de dólares. Dos quais 22 milhões já foram recuperados com a venda para a Globosat dos direitos de transmissão para a TV paga.

Neste ano a euforia com que a Globo cerca eventos desse tipo desapareceu. Em cada Olimpíada (ou Copa do Mundo) éramos bombardeados por informações quase sempre sem nenhuma importância transmitidas em qualquer programa da emissora.

Nos telejornais e nos auditórios era um desfilar permanente de atletas, dirigentes, torcedores, sem faltar familiares de esportistas comemorando vitórias ou chorando derrotas.

Às vésperas da abertura dos jogos britânicos parece que eles nem existem para a emissora líder. Nos jogos da seleção brasileira de futebol, preparatórios para as Olimpíadas, esse fato não era mencionado. Ficava sendo apenas uma seleção de jovens treinando para um futuro remoto.

Dos títulos importantes conquistados pelo futebol brasileiro no mundo só o de campeões olímpicos ainda não foi alcançado. A seleção de Mano Menezes pode quebrar esse tabu que, se acontecer, não terá a narrá-lo o locutor oficial da Globo. Outro fato inédito.

A exclusividade da Record torna os Jogos Olímpicos deste ano mais discretos no Brasil, o que não é de todo mau. O idealismo do Barão Pierre de Coubertin, fundador dos jogos da era moderna, para quem o importante era competir, desapareceu há muito tempo. Hoje o importante é faturar.

Falando em 1992, numa conferência em Berlim, pouco depois dos Jogos Olímpicos de Barcelona, o sociólogo francês Pierre Bourdieu acusava o Comitê Olímpico Internacional (COI) de ter se transformado “numa grande empresa comercial, dominado por uma pequena camarilha de dirigentes esportivos e de representantes das grandes marcas comerciais (Adidas, Coca-Cola...) que controla a venda dos direitos de transmissão e dos direitos de patrocínio, assim como a escolha das cidades olímpicas”.

Muito antes disso, ainda nos anos 1970 ocorreu a virada mercantil dos jogos. A começar pelo fim da regra que impedia a participação de atletas profissionais. Completada com a dependência cada vez maior da TV. O espanhol Juan Antonio Samaranch, então presidente do COI, deixou isso claro ao dizer que "os esportes que não se adaptarem à televisão estarão fadados ao desaparecimento; da mesma forma, as televisões que não souberem buscar o acesso aos programas esportivos jamais conseguirão sucesso financeiro e de público."

Globo, Record e dezenas de outras emissoras em todo o mundo entenderam o recado. Assim como alguns esportes adaptaram suas regras para atender às exigências da TV. Tudo para facilitar o acesso das mensagens publicitárias às telas e às praças esportivas, mesmo se os produtos anunciados contrariem as boas práticas de uma alimentação saudável, sempre associada a vida dos esportistas.

Para as Olimpíadas de Londres, 42 empresas farão algum tipo de patrocínio relacionado aos Jogos. Entre as principais estão McDonalds e Coca-Cola, criticadas por médicos e ativistas sociais como responsáveis pelo aumento das taxas de obesidade nos Estados Unidos e na própria Inglaterra.

Claro que os campeões olímpicos devem passar longe desse tipo de alimentação, embora sirvam de garotos e garotas propaganda para aqueles produtos. O resultado são milhões de jovens estabelecendo a falsa relação entre as marcas anunciadas e o sucesso esportivo.

Os desdobramentos danosos das Olimpíadas não ficam por aí. As conquistas obtidas por atletas de ponta, exaltadas pela mídia, acabam por desqualificar a importância da prática esportiva moderada, sem exageros físicos, como fator de proteção à saúde.

Eventos esportivos não deixam de ser importantes para a divulgação de diferentes modalidades, desde que livres de imposições comerciais e patriotadas inconseqüentes. Devem ser tratados como momentos eventuais de processos contínuos, onde a prática esportiva é vista como lazer e não como uma disputa de vida ou morte.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.
Fonte: Agência Carta Maior.

OLIMPÍADAS - Isenção de impostos para as multinacionais.


POR BOB FERNANDES, DIRETO DE LONDRES

Os patrocinadores e parceiros do Comitê Olímpico Internacional e do Comitê Local das Olimpíadas de Londres são 18. Todos, multinacionais. Todos, com o mesmo direito legal que terão, por exemplo, na Copa e Olimpíada no Brasil: o de não pagar impostos.
Mas, na Inglaterra, crescem os protestos contra a isenção das taxas, e o McDonald's e a Coca-Cola informaram que abrirão mão de qualquer isenção a que tenham direito. Segundo notas públicas das duas multis, a grande parte dos seus empregados nos Jogos é do Reino Unido, onde pagam suas taxas normalmente.
A campanha começou há pouco, pilotada, entre outros que protestam, pelo site 38 Degress people.power.change. Na segunda, 17, quando começava a escrever o primeiro post que tratou desse tema, ao meio- dia, os signatários eram 92 mil.
No final da tarde da segunda, 119 mil pessoas haviam subscrito o protesto no site, com nome, endereço e tudo mais. No início da manhã desta quinta-feira, 19, 185.480 pessoas já haviam aderido à campanha.
Página para inscrição e contagem de assinaturas da campanha na manhã desta quinta-feira (Reprodução)

A Coca- Cola, em nota pública, informou:
- A Coca-Cola jamais pretendeu, e não fará, qualquer reivindicação de isenção de imposto de renda corporativo com relação a qualquer atividade sobre o nosso envolvimento com a Olímpicos de Londres 2012 e Jogos Paraolímpicos.
Diz a Coca em outro trecho da nota:
- Mais de 90% dos funcionários da Coca-Cola que trabalham nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos são cidadãos do Reino Unido. Aqueles que vêm do exterior serão pagos por seus respectivos países de origem.
Antes da Coca, no dia 11, o McDonald's lançou um "Esclarecimento sobre a isenção fiscal" nas Olimpíadas e Paraolimpíadas 2012:
- O McDonald's tem 2.000 funcionários que irão trabalhar nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos deste ano. Todos esses funcionários são cidadãos do Reino Unido, além dos 100 funcionários internacionais que serão pagos pelos respectivos países de origem.
Prossegue a nota:
- Não é possível saber o volume de negócios (nos Jogos), mas podemos afirmar que a receita proveniente dos Jogos será menor do que 0,1% das vendas de McDonald’s anual do Reino Unido.
Quanto ao ponto crucial do debate e protestos, assegura:
- Nós não faremos nenhuma reivindicação de isenção fiscal corporativa, isenção fiscal em relação a qualquer atividade do nosso envolvimento com os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Londres.
Encerra o McDonald's:
- Nosso investimento significativo em Londres 2012, que inclui a construção de quatro restaurantes temporários utilizando nossa extensa cadeia de fornecimento do Reino Unido, significa que uma quantidade substancial do investimento foi feito nas empresas do Reino Unido.

OLIMPÍADAS - Em frases, o espírito olímpico - ou a falta deles.

POR BOB FERNANDES, DIRETO DE LONDRES
A uma semana da abertura da Olimpíada de 2012, está nos outdoors, na televisão, no rádio, internet, jornais e revistas, está no ar o tal "espírito olímpico”. Nessa coletânea de frases de algumas das estrelas dos esportes -ou nem tanto assim-, e de dirigentes, um pouco do que vem a ser, ou deixa de ser isso. E algo do que se espera para os jogos de Londres.
Michael Phelps, norte-americano, 16 medalhas olímpicas, 14 de ouro e 2 de bronze, e 37 quebras de recordes mundiais na natação:
- Depois de 2008 (Pequim) eu não queria mais trabalhar… Mas agora vai ser divertido…
Cesar Cielo, nadador brasileiro, medalha de ouro em Pequim nos 50 metros livre e de bronze nos 100 metros, bicampeão e recordista mundial nos 50 metros, campeão mundial nos 100 metros livre em Roma (2009):
- Não consigo pensar em nada pós-dia 4 de agosto, sei que até dia 4 tenho que nadar. O resto a gente vê depois, feliz com a medalha e tranquilo…
Ryan Lochte, norte-americano, 3 ouros, 1 prata e 1 bronze em duas Olimpíadas, companheiro de equipe e maior rival de Phelps nos 200 e 400 medley:
- Toda fama, todo dinheiro, tudo isso é só um bônus, a cereja do bolo, o que conta é ter trabalhado duro por isso…
Sérgio Sasaki, da equipe brasileira de ginástica artística:
- Vou ser medalhista no Rio, com certeza…
Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, sobre a perspectiva de medalhas para o Brasil em Londres:
- A expectiva é de que seja um pouco mais… ou um pouco menos do que em Pequim…
Hannah Miley: nadadora britânica (que tem o pai como técnico), promessa de ouro nos 400 metros medley:
- Eu treino 36 horas por semana, passo 28 dessas horas na piscina, estou sozinha a maior parte do tempo… seria muito difícil dizer que eu sou normal…
Iziane, cortada da seleção brasileira de basquete por ter levado o namorado para dormir na concentração:
- Estou muito triste. Passei oitenta dias me dedicando à seleção brasileira. O que fiz foi errado, passível de punição, mas eu não esperava uma punição como essa, não era para tanto…
Colin Moynihan, presidente da Associação Olímpica britânica:
- Se sobrarem (NR: Sobrarão) alguns ingressos, deveríamos dar para os soldados ingleses (3.500) que voltaram (do Afeganistão) para nos socorrer… (NR: Depois que naufragou estrepitosamente a segurança privada contratada para os Jogos).
Victoria Pendleton, inglesa, ciclísta, 9 títulos mundiais, 6 recordes quebrados, ouro em Pequim:
- Me lembrar que há mais na vida do que ganhar corridas de bicicleta, mesmo em olimpíadas, é o que me salva de ficar louca… minhas medalhas de ouro estão numa sacola de compras no fundo do meu guarda roupa…
Joanna Maranhão, nadadora brasileira:
- A gente precisa de uma reciclagem. Na minha prova (400 medley), dentro do Brasil, não tenho nenhuma adversária.
Kobe Bryant, capitão da seleção de basquete dos Estados Unidos:
- Dream Team (Time dos Sonhos, com Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird & Cia), só houve e só haverá um, o das olimpíadas de 1992…
Usain Bolt, jamaicano, campeão olímpico e mundial, estrela máxima em Pequim e desde então:
- Eu quero que as pessoas desliguem a Tv e perguntem: "Isso realmente aconteceu?"
Fabíola Molina, natação do Brasil:
- Chegar em terceiro lugar não é tão difícil…
Ric Egington, remador britânico:
- Qualquer coisa feita até aqui não vale bosta nenhuma… só é bom para a BBC que faz seus 30 segundos de cobertura sobre isso…
Cathy Freeman, australiana de origem aborígene, medalha de ouro em Sidney e prata em 1996. Diz que logo após perder o ouro em Atlanta, por meio segundo, pensou:
- Bem, acabou… o que será que tem para jantar hoje?… Isso é só um trabalho.
Leandro Damião, atacante da seleção brasileira:
- Contra o Brasil, todo mundo sempre tem medo…
Katherine Grainger, britânica, remadora, medalha de prata em Sidney, Atenas e Pequim:
- Em maio, (Copa do Mundo em Belgrado), tentávamos manter o foco… apesar dos homens gordos e pelados que tomavam banho de sol nas margens…
Daiane dos Santos, ginasta brasileira, sobre as privações na preparação para uma Olimpíada:
- O McDonald's é patrocinador oficial, a gente não pode comer agora… Mas acho que é por um bom motivo.
Andy Sutherden, consultor da organização das Olimpíadas de Londres:
- Ainda que pareça incrível, uma das minhas maiores preocupações é com o tempo… vai chover ou vai fazer sol?… Londres não é Pequim… aqui há uma grande liberdade de expressão, grupos protestam… porém, organizadores e patrocinadores conseguirão fazer com que isso não seja o principal…
Bernard Rajzman, chefe de missão do COB, sobre o Crystal Palace National Sports Centre:
- Foi um achado para nós. Vários países de primeiro mundo tentaram, mas não conseguiram ficar aqui. Chegamos primeiro…
Edgar Hubner, coordenador do COB no Crystal Palace:
- São vários os fatores que levam à definição do porta-bandeira: cronograma de competição, de treinos, o histórico olímpico… Exemplo disso é que a equipe da natação não estará na cerimônia de abertura, embora já vá estar em Londres…
PS: Domingo, dez horas da manhã. Estação do metrô, próximo à Oxford Street. Um grande grupo de adolescentes gaúchos. Bandeiras às costas e camisetas com as respectivas cores disputam em sonoríssimo coro:
-…Grêmio…Inter…Grêmio…Inter…Grêmio…Inter…

sábado, 14 de julho de 2012

OLIMPÍADAS 2012 - Proibido o uso de camisetas "Che" Guevara.

Do blog O Esquerdopata

Londres-2012 suspende liberdades individuais em nome do lucro

Londres-2012 proíbe o uso de camisetas de "Che" Guevara

Enquanto espectadores encontram longa lista de restrições, patrocinadores do evento ganham oportunidades

Opera Mundi
Os espectadores das Olimpíadas de Londres não poderão entrar nos estádios com diversos tipos de itens e até mesmo roupas, informou nesta quarta-feira (11/07) o Locog (o Comitê Organizador das Olímpiadas na sigla em inglês) por meio de uma lista de restrições de duas páginas.

A aplicação das regras será assegurada por um sistema de segurança que conta com câmeras, aparelhos de raio-X e mais de 23 mil seguranças, incluindo soldados do exército britânico e funcionários da empresa privada G4S.

Objetos e roupas que ostentam declarações políticas ou remetem a outras identificações comerciais que não a dos patrocinadores do evento estão proibidas. Dessa forma, o comitê evita que camisetas estampadas com Che Guevara ou críticas politizadas a empresas financiadoras das Olimpíadas estejam presentes na plateia.

As bandeiras, tão utilizadas nas comemorações de disputas, também foram alvo das restrições do comitê. Flâmulas de países que não estão participando dos jogos também não são permitidas, mas a regra não se aplica às bandeiras individuais da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Mesmo assim, apenas bandeiras com até 1 metro por 2 metros entrarão nos estádios.

Outros itens utilizados para torcer pelas equipes, como vuvuzelas, tambores, apitos e cornetas também foram vetados dos Jogos Olímpicos deste ano.

Assim como nos aeroportos internacionais, líquidos com mais de 100 ml e mochilas com mais de 25 litros de capacidade não poderão entrar. O porte de alimentos também sofreu restrições de modo que os espectadores não poderão trazer ao evento uma “quantidade excessiva de comida”, segundo o documento oficial.

Se os visitantes desejarem se alimentar, terão que arcar com os elevados custos das cantinas e restaurantes oficiais do evento, onde o almoço sairá por 40 libras (R$127.26), o hot-dog por 6 libras (R$19.09), uma garrafa de água por 1,60 libras (R$5.09) e um refrigerante 2,80 libras (R$8.90).

Até os fornecedores oficiais de alimentos sofrerão restrições do comitê. “Por conta de obrigações com nosso financiador, o McDonalds, o Locog instruiu a equipe de catering a não vender batatas fritas no Parque Olímpico a não ser que façam parte do tradicional prato inglês ‘fish and chips’”, explicou em nota a organização do evento.
O McDonalds, um dos maiores financiadores do evento, deve lucrar com as decisões. A empresa estabeleceu sua maior filial do mundo no Parque Olímpico com 1,5 mil lugares disponíveis.

Na segunda-feira (09/07), a Assembleia de Londres, instituição legislativa que analisa as atividades do prefeito da capital britânica, recomendou a exclusão da Coca-Cola e do McDonald's do patrocínio dos Jogos Olímpicos de Londres, que começam em 27 de julho próximo. Para o órgão, as Olimpíadas, evento que recebe os melhores atletas do mundo, não deveriam ser usadas por empresas que fabricam produtos com altos índices calóricos, como refrigerantes e hambúrgueres.


Leia mais em: O Esquerdopata: Londres-2012 suspende liberdades individuais em nome do lucro
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quinta-feira, 8 de março de 2012

OLIMPÍADAS - Recusa do Galvão Bueno.

Galvão erra ao recusar comentar Olimpíadas na Sport TV

Pedro do Coutto

A coluna Holofote, Revista Veja que está nas bancas, assinada pelo jornalista Otávio Cabral, revela que Galvão Bueno recusou proposta deste ano em Londres pela Sport TV. A razão é a seguinte: por um desses lapsos que acontecem, a Globo perdeu para a Rede Record o direito de transmissão dos Jogos Olímpicos em TV aberta. Só poderia, no máximo, pelo contrato firmado com o COL, usar imagens diárias de 3 minutos. Não valia a pena.

Então o comando da Vênus Platinada, cuja audiência é igual à das demais emissoras juntas, decidiu usar a televisão paga para as reportagens. Optou pela Sport TV, que pertence ao grupo da família Roberto Marinho. Otávio Cabral informa que, diante de tal perspectiva, Roberto Irineu, diretor geral das Organizações Globo, optou por escalar Galvão Bueno. Ele se recusou.

Se mantiver seu gesto, Galvão terá cometido um erro. No jornalismo não se contestam decisões empresariais, pois existem interesses legítimos, fortes, em jogo. Cada ponto na audiência vale 600 mil residências, praticamente, tratando-se de esporte, cerca de 2 milhões de pessoas. A disputa torna-se intensa pois o reflexo projeta-se no volume do faturamento publicitário.O equívoco do locutor de grande sucesso e repercussão no país amplia-se porque ele próprio, participa de programa de entrevistas no espaço de boa audiência da mesma Sport TV. Portanto atua na Sport TV.

Por que não estaria à vontade narrando os Jogos de Londres através de sua tela? Além do mais, profissionalmente, não se deve contrariar o Cidadão Kane. Ficam mágoas, sensibilidade atingida, o troco pode demandar algum tempo, mas sempre vem. Não só no jornalismo. Mas na vida, de modo geral.Os precedentes confirmam. São muitos.

Resultado da embriaguês do sucesso, aliás título de filme famoso de Alexander Mackendrick, com Burt Lancaster e Tony Curtis. A pessoa de sucesso, digo sempre, deve se policiar, tomar cautela com suas atitudes. Caso contrário, prejudica tanto a empresa para a qual trabalha quanto a si mesmo.

Lembre-se o que aconteceu no carnaval de 84, primeiro do Sambódromo. Bonifácio Sobrinho, o famoso Boni, decidiu que o meio era mais importante do que a mensagem. Resolveu que a Globo não iria transmitir o desfile das Escolas de Samba. Resultado, a Globo, segundo o IBOPE, de apenas 7 pontos, o menor índice de sua história em horário nobre. A TV Manchete alcançou 47 pontos.Não é somente este o exemplo.

Nas eleições de 82, Armando Nogueira, então diretor de Jornalismo da Globo, e Evandro Carlos de Andrade, diretor de Redação de O Globo, deslumbraram e, por isso, tentaram transferir os resultados da eleição para governador do Rio de Janeiro, disputa vencida por Leonel Brizola. Não conseguiram.

O resultado foi péssimo para a Organização Roberto Marinho. Porque não existe no mundo veículo de comunicação, por mais forte que seja – A Organização Globo fortíssima – que seja mais forte do que a verdade. É preciso atenção quando se sonha. Tem que se voltar a colocar os pés no chão. Os sonhos quando se está caminhando na praia, ou quando se está sob o chuveiro, são devaneios. Como se lançássemos pipas ao vento. Neste ponto devemos dizer para nós mesmos: volte para a realidade.

Ricardo Boechat constitui outro exemplo, ao ser dispensado de O Globo, fazia coluna de grande leitura, e da Rede Globo, participava do Bom Dia Brasil. Hoje alcança êxito na Band, tanto no rádio quanto na televisão. A meu ver é o maior fenômeno da Comunicação brasileira. Mas estes são outros fatos.

Galvão errou. Sobretudo porque a TV a cabo hoje está com 12 milhões de assinantes, vinte por cento das residências do país.

terça-feira, 26 de julho de 2011

OLIMPÍADAS 2012 - Sport TV (Globo) enfrentará a Record?

Pedro do Coutto

Na edição de 20 de julho da Folha de São Paulo, em sua coluna sobre televisão, Caderno Ilustrada, Keila Jimenez focalizou o projeto que está começando a ser montado pela Rede Record para transmitir os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Londres, vale lembrar, foi a sede da primeira Olimpíada após a segunda guerra mundial que durou de 39 a 45. Mobilização de 320 profissionais, espaço central de 750 metros quadrados, transmissões diárias de doze horas no ar. A Record conquistou junto ao Comitê Olímpico Internacional a exclusividade da transmissão em TV aberta. É segunda rede em audiência no país, enquanto durarem os Jogos poderá ser a primeira. Não sei como e por que a Rede Globo perdeu essa disputa. Mas aconteceu.

Deve ter dado um bolo imenso na Vênus Platinada, foi um lapso, provavelmente, um erro mercadológico grave. Os responsáveis devem ter se baseado no princípio sintético de Marshall McLuhan de que o meio é a mensagem. Nem sempre. Em 1984, a Globo não desejou transmitir o desfile das Escolas de Samba. A Manchete transmitiu. Veio o IBOPE: Manchete 47 pontos, Globo apenas 7. Se o meio fosse inteiramente a mensagem, o resultado não poderia ter sido este. Mas foi. O que não significou que a Manchete, como a Record agora, fosse mais forte que a emissora de Roberto Marinho. Mas é que o fato era mais forte. Há muitos outros exemplos. Mas este, creio, é suficiente. E emblemático.

A Rede Globo, como o IBOPE já pesquisou e a FSP publicou, atinge índices médio de audiência igual ao de todas as outras redes reunidas. Sendo que é a única cujos programas passam de 15 pontos.

A novela Insensato Coração, por exemplo, de acordo com o IBOPE atingiu 42%. A vantagem de ter um alto índice de telespectadores é que as chamadas repercutem evidentemente muito mais junto ao público indeciso se assiste numa emissora ou na outra.

O fato é que daqui a um ano a Globo, que manteve o direito de transmitir a Olimpíada de Londres por cabo, vai mobilizar a Sport TV para enfrentar a Record. Reforçará a equipe, como a própria FSP já publicou, nela incluindo a presença de Galvão Bueno e CasaGrande, em se tratando de futebol, e Tande, quando se tratar de vôlei, além de outros esportes. Tudo bem. A imagem da Sport TV é ótima, seu ritmo também. Ela lidera amplamente a audiência na televisão por assinatura.

Entretanto, a audiência a cabo, hoje, reune pouco mais de três milhões de residências, a TV aberta todas elas, ou seja, 60 milhões der unidades habitacionais. Além de restaurantes, bares, que também são pontos de atração e portanto de acesso às transmissões. Mas o número de pessoas que têm acesso à Sport TV ou à ESPN, ou Bandsport, estas duas também vão poder transmitir, não se compara àquelas de acesso à Record. É possível, e até provável, que a Globo lance, em bases mais acessíveis, uma campanha para ampliar as vendas de canais por assinatura. Porém por mais que cresça este setor, dificilmente poderá duplicar o total de hoje chegando a 6 milhões de locais.

De qualquer forma a questão está posta. E é bom que seja assim porque finalmente surgirá um confronto de audiência que valerá a pena ser analisado. E o IBOPE poderá inclusive desenvolver mais os seus levantamentos, passando também a abranger a Internet, que está sendo progressivamente ocupada pela televisão. A pesquisa não é fácil, porém menos difícil do que a concorrência que vai se estabelecer em torno dos Jogos Olímpicos de Londres. Vale esperar para ver os resultados do confronto entre a mensagem e o meio.
Tribuna na Internet.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

OLIMPÍADAS 2016 : Para inglês do COI, a "Guerra do Rio" é insignificante.

Balaio do Kotscho

Os trágicos acontecimentos da chamada “Guerra do Rio” no último fim de semana, em que um helicóptero da polícia foi abatido por traficantes, deixando um rastro de mortos e feridos, fez a festa da urubuzada que estava só esperando a primeira chance para sair da toca gritando: “Tá vendo? Não avisei? Olha aí o Rio que vai sediar a Olimpíada! É o fim do mundo!”

Como se fosse possível, de uma hora para outra, só porque o Rio foi eleito faz duas semanas para receber as Olimpíadas de 2016, restabelecer a paz e acabar com o poder bélico da bandidagem na eterna luta da polícia contra o crime organizado movido a tráfico de drogas e de armas nas mais de mil favelas cariocas.

Para a turma do quanto pior, pior mesmo, tanto melhor, deve ter sido uma tristeza ler a manchete da página 15 de O Globo desta terça-feira: “Membro do COI diz que episódio é insignificante”. Se eu escrevesse uma coisa dessas, seria logo chamado de nacionalista imbecil, daí para cima.

Logo abaixo do título, o dirigente inglês Craig Reedie, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) explica sua afirmação: ele lembrou que em Londres, um dia após a escolha para os Jogos de 2012, atentados terroristas mataram 52 pessoas.

Em entrevista ao jornal “The Independent”, Reedie lamenta o ocorrido no Rio, mas afirma que o fato era “insignificante, comparado ao que aconteceu em Londres, em 2005″.

O texto de O Globo lembra: “Em 7 de julho daquele ano, logo depois da escolha da cidade para sediar as Olimpíadas de 2012, quatro homens-bomba causaram explosões em trens, metrô e ônibus, deixando 52 pessoas mortas e cerca de 700 feridas”.

Nem por isso, que me lembre, jornalistas ingleses sairam por aí afirmando que Londres não tinha condições de segurança para abrigar uma Olimpíada.

Nós ainda temos seis anos pela frente para que os poderes públicos reassumam o controle das áreas hoje controladas por traficantes e milícias.

Sempre podemos olhar as coisas por dois lados.

A visão otimista é acreditar que o Rio tem nas responsabilidades assumidas diante do COI pelos governos federal, estadual e municipal a grande chance de ganhar esta guerra e criar as condições para viver melhor e em paz após a Olimpíada.

A dos pessimistas, é ficar repetindo daqui até 2016, a cada novo episódio de violência, que é o fim do mundo, que vai ser um vexame, que nós brasileiros não temos condições de garantir a segurança de quem vier ao Rio para competir ou assistir aos Jogos Olímpicos.

Cada um que escolha a sua. A minha é a primeira.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

OLIMPÍADAS - Escolha consolida ascenção do Brasil.

Olimpíada consolida ascensão do Brasil', diz 'WSJ'

A vitória do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016 ainda foi comentada em jornais do mundo todo nesta segunda-feira.

Nos Estados Unidos, o Wall Street Journal lembra que a escolha “traz os Jogos para a América do Sul pela primeira vez e cristaliza a ascensão do Brasil como poder econômico e político”.

Descrevendo o processo de votação e as apresentações de cada cidade, o jornal cita um integrante do COI dizendo que pouco poderia ser feito para que os Jogos não fossem realizados na América do Sul.

O WSJ ainda fala da festa que se seguiu ao anúncio, em Copacabana, dizendo que “no momento em que o Brasil se tornou uma força econômica com suas recém descobertas reservas de petróleo e crescente influência no diálogo internacional sobre comércio, muitos moradores afirmam que sediar as Olimpíadas é a cereja no bolo”.

O jornal comenta que, além disso, a derrota de Chicago na primeira rodada de votação foi um golpe para o presidente americano Barack Obama, que resolveu, de última hora, participar da apresentação da cidade em Copenhague.

“A recusa (de Chicago), foi constrangedora para o presidente: Obama voou para Copenhague durante a noite para fazer um discurso de sete minutos para o COI na sexta-feira de manhã. A primeira-dama, Michelle Obama, passou a maior parte da semana na cidade, fazendo lobby junto aos membros do COI, a personalidade de TV Oprah Winfrey, de Chicago, também se uniu à campanha”, diz o WSJ.

O jornal ainda cita um historiador americano afirmando que a derrota joga um balde de água fria na noção de que ser um rosto novo e ter uma retórica mais aberta vai mudar o modo como o resto do mundo vê os Estados Unidos.

O El País, da Espanha, lembra que, quando assumiu o segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o Brasil “estava cansado de ser um país emergente”.

Segundo o jornal, ao dar a vitória para o Rio, mais do que premiar o projeto, o COI “premiou a situação geoestratégica brasileira (serão os jogos de todo o continente, América Latina) e a pujança econômica ascendente deste gigantesco país, cada vez mais emergente e menos terceiro-mundista”.

Para o El País, é esta ambição de levar o Brasil à categoria de “desenvolvido” que fará Lula entrar para a história, citando a diminuição da pobreza extrema e o crescimento econômico alcançados no país, nos últimos anos.

“Em termos de progresso e bem estar não há dúvidas de que Lula e seu predecessor, Fernando Henrique Cardoso, foram muito positivos para o Brasil, cuja economia é a nona do mundo (maior que a espanhola), mas cujo potencial de crescimento – ajudado pelo maná das gigantescas reservas de petróleo submarinas, recentemente descobertas – pode ajudá-la a escalar, no prazo de uma década, à quinta ou sexta posição do planeta.”

“O futuro do Brasil, com suas luzes e suas sombras, determinará sem dúvida o futuro da América Latina, já que sua economia é nada menos do que metade da região”, afirma o El País.

E na Grã-Bretanha, em uma coluna de humor, o Independent comentou a escolha do Rio: “Era meio óbvio. Primeiro, a América do Sul nunca sediou uma Olimpíada e segundo... bem, o Rio tem muito mais glamour e é muito mais excitante do que os outros. A gente sabe que eles vão fazer uma festa memorável. Ronnie Biggs e eu já estamos comprando nossas passagens”.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

OLIMPÍADAS - Lula foi mais importante que Tonny Blair.

E o programa Fantástico teve a ousadia de esconder o Lula no programa sobre as Olimpíadas. Depois reclamam quando falamos em PIG.
Carlos Dória

"Lula foi mais importante do que Blair", diz consultor.

Mike Lee, marqueteiro do comitê Rio-16 diz em entrevista ao jornal paulistano Folha de S.Paulo que participação do presidente Lula foi crucial para triunfo da candidatura da cidade carioca como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
Mike Lee foi entrevistado pelo repórter Rodrigo Mattos, da Folha, afirmando que o presidente Lula foi mais importante para a Rio-2016 do que Tony Blair para Londres-2012. Além disso, Mike fez algumas críticas à candidatura de Chicago e colocou a mídia brasileira no seu devido lugar.

Ao ser perguntado sobre as "diferenças" entre Rio de Janeiro e Londres, no aspecto de realização de grandes eventos, Mike retrucou que Londres jamais organizou um evento como o Carnaval, nem o Rèvéillon, que atria mais de 2 milhões de pessoas para as areias das praias cariocas.

Leia abaixo a íntegra da entrevista

Qual a diferença entre uma campanha política e uma campanha olímpica?

Nenhuma diferença.

Nenhuma?

São campanhas eleitorais. Seu trabalho é ganhar a eleição, fazer votarem em você.

Existe uma diferença entre as campanhas de Londres e do Rio. Mas Londres tem essa autoestima de cidade cosmopolita que organizou grandes eventos...

Londres nunca organizou algo como o Carnaval ou como o Revéillon do Rio. Quantos eventos de grande porte esportivos Londres organizou? Nenhum. Vocês fizeram o Pan-2007. Londres não fez isso.

Mas é reconhecida como uma cidade mais rica.

Nós tivemos essa candidatura atacada em massa pela mídia inglesa. E a coisa da mídia inglesa, comparando com a brasileira, é que ela vai para o mundo, por causa da língua.

Talvez pelo dinheiro...

Não por causa do dinheiro, 1.300 correspondentes vivem em Londres, todas as redes grandes. Se a mídia é dura em Londres, vai para o mundo. Chicago teve esse problema. Houve hostilidade da mídia brasileira, críticas injustas. Mas o mundo não estava lendo.

Então o senhor não acha que foi um desafio?

Foi um desafio diferente. Lula disse que os brasileiros têm que provar todo dia. Foi um pouco assim na campanha. Nós tivemos que ganhar todas as apresentações. A apresentação final, cada palavra, cada slide, cada segundo do vídeo, cada gesto, nós trabalhamos.

Em geral, como foi a relação com o presidente Lula?

Brilhante. Lula foi crucial. As pessoas falaram sobre o papel de Tony Blair, que foi bem importante para Londres-2012. Eu diria que Lula foi provavelmente mais importante para o Rio-2016. Ele trabalhou por dois anos. Não apareceu só no último dia, fez um discurso e acenou [como Barack Obama].

Você disse que é um campanha próxima da política. Ele é um político...

Fez coisas acontecerem. Não poderíamos dizer que o Rio está pronto e nossa economia está caindo. O Brasil é a 10ª economia no mundo e seremos a 5ª em 2016. A nova ordem mundial tem o G20, e o Brasil está na mesa central. O Brasil está em todas as mesas centrais, porque não na do COI?

Qual é o impacto da repercussão na mídia para o Rio e para Londres?

Em Londres, o impacto dos Jogos será bem menor do que no Brasil. O tempo foi certo [para o Rio]. Se olhar a apresentação, não dizíamos "vocês têm que vir para a América do Sul."

Dizíamos que foi uma jornada maravilhosa, 30 jogos na Europa, cinco na Ásia, dois na Oceania. Nove na América do Norte, sendo oito nos EUA. E, de repente, mostramos um continente com zero. O Rio está pronto para abrir uma porta ao movimento olímpico para a América do Sul. Isso foi crucial.

Isso ocorria desde o início [a favor do Rio]. Se fizesse certo, ganharia a candidatura.

Fazer certo realmente não é fácil. Fazer errado, como Chicago, também não é fácil. Mas nós fizemos certo.

Você vai continuar com o Comitê Organizador?

Eu gostaria. Não conheço São Paulo, mas amo Rio. Eu tenho grande respeito pelos líderes políticos e os líderes do comitê olímpico. Vamos fazer outros trabalhos juntos.

Fonte: Jornal Folha de S.Paulo/Site O Vermelho

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

OLIMPÍADAS - As faces da vitória do Rio.

Em Copenhague, “Lulinha paz e amor” na guerra pelas Olimpíadas.

Segue o artigo de Vitor Hugo Soares no Terra Magazine.

Semana passada, no plenário da ONU, o presidente Lula reeditou o antigo "sapo barbudo" das lutas sindicais e políticas na região do ABC paulista nos anos 70. De cara amarrada e palavras duras, ele atacou os golpistas de Honduras, garantiu abrigo a Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, defendeu o direito de retomada do posto de governo pelo presidente eleito, usurpado pelas armas. Em seguida, retomou as vestimentas franciscanas, que lhe têm caído como luva nesta década, para produzir uma vitória histórica da América do Sul.
Ontem, na Dinamarca, ele jogou mais um papel crucial. Desta vez, porém, optou estrategicamente pela face do "Lulinha paz e amor". Assim o presidente do Brasil desfilou esta semana sob o céu da Dinamarca. Cenário sheakespeariano cheio de paixões trágicas e desencontradas; manobras muitas vezes desleais e mal-encobertas; conspirações e traições sem fim de todo lado. Neste cenário Lula entrou de corpo, alma e convicção, mas vestido de modéstia franciscana, na defesa vitoriosa do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
Nesta refrega internacional entre Rio, Madri, Chicago e Tokyo, dá gosto e comove ver a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva que a televisão transmite de Copenhague para o Brasil e para o planeta inteiro interessado no desfecho desta disputa encarniçada. Com o auditório repleto de celebridades mundiais de todos os esportes, das artes, dos negócios e da política, é praticamente impossível - a não ser por cegueira ideológica ou preconceitos inqualificáveis -, não ser contagiado pela emoção do ex-operário metalúrgico no seu terno azul e elegante gravata nas cores da bandeira nacional, que está na tribuna.
"Essa candidatura não é só nossa, é também da América do Sul, um continente com quase 450 milhões de homens, mulheres e cerca de 180 milhões de jovens, um continente que, como vimos, nunca realizou os Jogos Olímpicos. Está na hora de corrigir esse desequilíbrio. É hora de acender a pira olímpica em um país tropical, na mais linda e maravilhosa cidade: o Rio de Janeiro", dispara Lula, com pontaria política e diplomática de um campeão olímpico de tiro.
Apesar dos argumentos aparentemente convincentes e irrespondíveis, esta não foi uma missão fácil. O presidente, Pelé, o governador, o prefeito do Rio, o cineasta Fernando Meirelles com seu filme de beleza e apelo irrecusáveis, além de todos os mais diretamente envolvidos nesta batalha da Dinamarca - e não são poucos - seguramente sabiam disso. E se não sabiam, basta ver a reportagem que o jornal espanhol El Mundo publicou ontem, assinada pelo repórter Fernando Mas.
O texto mostra primorosamente como o Hotel Marriot, nas margens de um dos principais canais de Copenhague, se transformou nesses últimos quatro dias, no centro das conspirações olímpicas. A caça e conquista do voto definitivo era a missão de todas as delegações que buscavam até a tarde de ontem, converter-se na sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Assinala o jornal de Madri:
"O rei Juan Carlos de Espanha em uma suíte. A rainha Sofia em outra. Zapatero em uma terceira. Todos no sétimo andar do Marriot. O sexto andar está reservado para os negociadores brasileiros, com Lula da Silva à frente. Os delegados que visitavam as suítes do sétimo andar eram reclamados em seguida num piso mais abaixo. O terceiro, onde atuava Michelle Obama, a desenvolta primeira-dama dos Estados Unidos", conta o texto de El Mundo.
Michelle comandou as negociações em favor de sua cidade, até o presidente Obama desembarcar na Dinamarca, na undécima hora, para as manobras do inútil esforço final em favor de Chicago, cuja população parece não chorar muito a derrota, assim como os habitantes de Tokyo, que já abrigou uma Olimpíada.
O Rio venceu! Viva o Rio! Nenhum lugar de mundo merecia mais este triunfo magnífico. A vitória não será em vão, mas cobra, a partir de agora, o cumprimento das emocionadas e, seguramente, decisivas palavras do presidente brasileiro em Copenhague: "Os que nos derem essa chance não se arrependerão. Os jogos no Rio serão inesquecíveis (...). Para o movimento olímpico será a chance de sentir o nosso sol. Será a chance de falar para o mundo que a Olimpíada é de todos".
Bravo! "Viva a sua paixão", como recomenda o maravilhoso e também decisivo filme de Fernando Meireles mostrado ontem em Copenhague para o mundo. Viva o Rio, com sua gente tão maravilhosa quanto a cidade.
E viva a América do Sul, outra grande vitoriosa de ontem na Dinamarca.
Fonte:Terra Magazine

domingo, 4 de outubro de 2009

OLIMPÍADAS - Homem chora.

Copiado do blog Democracia&Política

"Nunca na história desse país um chefe de Estado chorou tanto longe de casa e derramou tantas lágrimas diante de estranhos como fez ontem o Presidente Lula durante a entrevista coletiva em que foi assinado o “contrato” do Brasil com o COI, pondo no papel o compromisso entre as partes quanto a 2016.

“Somos um país que foi colonizado. E, por causa disso, tínhamos a mania de sermos pequenos. Sempre achamos que os outros podiam e a gente não podia”, discursou Lula. “Hoje é o dia em que me senti mais orgulhoso de ser brasileiro. O Brasil definitivamente ganhou sua cidadania internacional. Não somos mais de segunda classe. Somos de primeira classe”, afirmou o Presidente.

Lula deixa a Dinamarca consagrado. O presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter, fez questão de destacar o papel do Presidente na vitória. Segundo ele, ao fim do discurso feito aos congressistas do COI, as dúvidas se dissiparam. “Todos dentro da sala sentiram que o Brasil tinha condições de realizar os Jogos.”

Presidente mais badalado do momento, Barack Obama caiu diante de Lula, que deixou para trás também um rei, Juan Carlos da Espanha, e um primeiro-ministro, Yukio Hatoyama, do Japão. O brasileiro, entretanto, minimizou. “Nem o Lula ganhou e nem o Obama perdeu. O Rio de Janeiro ganhou porque apresentou a melhor proposta”, resumiu.

Lula contou que houve quem tremesse nas bases quando viu o Air Force One, o místico avião presidencial dos Estados Unidos pousar. “Quando o avião chegou, me disseram: ‘Iiiii, perdemos”, lembrou o Presidente, para depois relembrar uma história incrível.

“Eu convenci o Obama (a vir para Copenhague)”, contou Lula, referindo-se ao encontro que teve com governante norte-americano na semana passada na reunião do G-20. “Eu disse para ele: ‘Se você não for, eu vou ganhar’”, prosseguiu. Obama veio, viu, mas não venceu.

A primeira pessoa a ligar para cumprimentar Lula foi Barack Obama, ainda a bordo do Air Force One. O Presidente estava no meio da entrevista. Ligou em seguida. "Pelo menos as Américas ganharam", disse Obama.

Depois veio o telefonema de Nicolas Sarkozy. Com direito a umas palavras de parabéns de Carla Bruni.

O homem forte do governo espanhol, primeiro-ministro espanhol José Zapatero, revelou que o abatimento não é maior apenas porque nutre admiração pelo presidente Lula. “Ele estava muito emocionado e lhe disse que, com toda a minha sinceridade, o parabenizava, por ele especialmente”, comentou.

Políticos pegam carona

Mal saiu o resultado da cidade-sede das Olimpíadas de 2016, os cientistas políticos se apressaram em dizer quem vai ganhar politicamente com a escolha do Rio. “Primeiramente, ganha quem está na foto, ou seja, o governador do Rio, Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes, o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o que todos já sabem: o presidente Lula”, avalia Murilo Aragão, da Arko Advice. Mas, por tabela, dizem outros analistas, não dá para tirar da cena a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do presidente Lula à Presidência da República.

Os demais pré-candidatos, que não têm relação direta com o projeto, caso do governador de Minas, Aécio Neves, e do de São Paulo, José Serra, foram mais comedidos. Serra, por exemplo, colocou no seu Twitter: “Rio, Brasil! ‘E vamos nós…’

Ela fez Lula desabar


A carioca Bárbara Leôncio está prestes a completar 17 anos — Faz aniversário em 7 de outubro. Mas o presente ela ganhou com cinco dias de antecedência, no exato momento em que o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, abriu um envelope branco com anéis olímpicos estampados e disse apenas três palavras: “Rio de Janeiro”.

Bárbara é a menina que estrela o filme oficial da campanha do Rio, feito pelo cineasta Fernando Meirelles. E, ao cair em prantos naquele momento que considera mágico, provocou uma reação em cadeia no Presidente da República, que estava a poucos metros e não aguentou vê-la chorar sem acompanhá-la. “Eu estava muito confiante. Mas na hora que ele falou que era o Rio foi uma emoção incrível. Até quebrei minha unha”, contou, em entrevista ao Correio Braziliense.

Campeã na prova dos 200m do Mundial de Menores em 2007, na República Tcheca, Bárbara é uma das promessas do atletismo nacional. Ela ainda não sabe em que prova competirá nos jogos de 2016. “Pode ser nos 100m, nos 200, ou nos 400m. Ou então, em duas dessas”, adianta. Seja como for, ela, agora, pode, verdadeiramente sonhar."

FONTE: publicado hoje (03/10) no blog "Os amigos do Presidente Lula"

OLIMPÍADAS - Sim, nós podemos.

Luis Nassif

Estava almoçando com um amigo banqueiro quando veio a notícia de que o Rio de Janeiro havia sido escolhido cidade-sede das próximas Olimpíadas. Mandou abrir um vinho em comemoração. De manhã, um funcionário dele, em Copenhagem, mandou email informando que na cidade só se falava em Lula, uma euforia completa apenas pela presença de Lula por lá.

No restaurante, as mesas comemoraram pedindo vinhos e champagnes. Nas ruas, uma população orgulhosa do feito brasileiro. No Blog, centenas de comentários de leitores orgulhosos de serem brasileiros, finalmente orgulhosos de serem brasileiros, repito.

Chego no escritório, ligo a Internet e procuro o vídeo com o discurso de Lula, defendendo a candidatura do Rio e, depois, com Lula com os olhos marejados falando de sua maior especialidade: o modo de ser brasileiro. Tecendo loas ao Brasil, ao Rio, à ginga, à alma brasileira.

E me espanto de como é possível que parte da opinião pública ainda não tenha se dado conta da dimensão política global de Lula. Ele se tornou um dos governantes paradigmáticos do maior processo de transformações que a humanidade atravessa desde o pós-guerra.

***

A população pobre, que era custo, hoje se tornou o grande ativo dos emergentes China, Índia e Brasil. Lula representa não apenas a história de sucesso do operário que chegou a presidente. O polonês Lech Walesa também teve esse papel e não passou de mera curiosidade histórica. Já Lula tem desempenhado um papel civilizatório inimaginável.

Assumiu um país exaurido pela insensibilidade social, liderando um continente propenso a exageros populistas históricos, como contraposição aos exageros liberais. Globalmente, o fracasso das políticas neoliberais projetou uma sombra de xenofobia, intolerância e radicalização sobre todos os continentes.

Foi nesse ambiente propício à radicalização que Lula projetou sua imagem de pacificador, de agente do processo civilizatório mundial.

Com a mesma bonomia com que trata seus adversários políticos no Brasil, ou como tratava os peões de fábrica no ABC, ajudou a criar uma alternativa democrática no continente, orientando Evo Morales, contendo os arroubos de Hugo Chávez, tornando-se a esperança do Ocidente de manter uma porta aberta com o Irã.

Quando leva Obama para uma sala para explicar, em um bate-papo, como agir no caso do Irã, o severino retirante se despe de toda liturgia do cargo, dos tremeliques da diplomacia, usa a linguagem tosca e direta com que as pessoas normais se comunicam e ajuda a desenhar a nova diplomacia mundial. E com a cara do Brasil, a afetividade do Brasil, alisando as pessoas, tratando-as com o carinho brasileiro.

Na coletiva que deu após a escolha do Rio, a profissão de fé no Brasil entrará para a história. O orgulho de ser brasileiro, o “sim, nós podemos” entra definitivamente para o repertório brasileiro do século 21, do mesmo modo que JK empurrou o país com seu otimismo e sua genuína crença no valor do brasileiro.

Daqui a vinte anos, quando o país estiver definitivamente entronizado no panteão dos grandes países do mundo, será mais fácil avaliar a verdadeira dimensão de Lula, como o grande timoneiro dessa travessia.
Luis Nassif online

OLIMPÍADAS - LULA MEDALHA DE OURO

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

OLIMPÍADAS 2016 - Lula, medalha de ouro.

Lula faz discurso emocionado em Copenhague

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, deixou de lado os discursos técnicos e mostrou-se emocionado ao falar sobre a expectativa de o país e a América do Sul sediarem pela primeira vez o maior evento esportivo do planeta. Lula disse que todos os brasileiros têm orgulho de formarem a nação mais misturada do mundo, e que chegou a hora de corrigir o "desequilíbrio olímpico", já que os Jogos jamais foram sediados no Hemisfério Sul.

"Com muito orgulho represento aqui as esperanças e sonhos de mais de 190 milhões de brasileiros. Estamos todos unidos torcendo pelo Rio de Janeiro. Somos um povo apaixonado pelo esporte e pela vida. Um Brasil de homens e mulheres de todos os continentes. Não só somos um povo misturado, mas um povo que gosta muito de ser misturado. Digo com toda franqueza. Chegou a nossa hora. Somos a décima economia do mundo e ainda não sediamos os Jogos Olímpicos. Para os outros, será apenas mais uma Olimpíada. Para nós, será algo inédito", disse o presidente.

Complementando o discurso enfático, Lula, prossegue: "Está na hora de corrigir esse desequilíbrio. O COI já mostrou ser capaz de vencer desafios. Introduziu novas modalidades, aderiu novas tecnologias. O desafio agora é outro: expandir as Olimpíadas para um novo continente, para um país tropical. Temos todas as garantias possíveis para a realização dos Jogos e estamos conscientes do legado que ficará para o Rio. O Brasil vive um excelente momento. Enfrentamos a crise que afeta diversas nações. As portas do Brasil estão abertas. Precisamos do apoio da visão do futuro. Os Jogos Olímpicos do Rio serão inesquecíveis, pois estarão cheio da paixão do povo brasileiro", finalizou, recebendo muitos aplausos.

OLIMPÍADAS 2016 - O BRASIL DERROTA OS CORVOS.

Emir Sader

“Corvo” foi o nome que ganhou Carlos Lacerda, como ave que busca rapina onde houver, senão, inventa. É o espírito udenista, golpista, que sucumbiu sucessivamente à liderança de Getúlio e das forças populares. Não ganhavam eleições, iam bater nas portas dos quartéis (“vivandeiras de quartel”, eram chamados), para tentar, pela força, o que não conseguiam pela persuasão. Até que, com o apoio decidido do governo dos EUA e da mídia – a mesma que agora: Globo, Folha, Estadão -, deram o golpe e instauraram a ditadura militar, que tantos males fez ao país.

Suas características são muito similares às dos corvos de hoje: são brancos, de classe média, odeiam o povo, tem seu núcleo básico em São Paulo, se agrupam em torno da imprensa, tem uma sólida convicção de que tem razão (mesmo contra todas as evidências e a grande maioria dos brasileiros), se refugiam em denuncias moralistas, detestam a América Latina e o sul do mundo (adorando os EUA e a Europa), crêem que São Paulo é a “locomotiva do país”, que arrasta os outros estados preguiçosos (o mesmo sentimento da sublevação de 1932, que eram separatistas). Também tem como característica ser sempre derrotados, tendo que apelar para suas armas preferidas – a força dos golpes e o monopólio da imprensa.

A campanha para trazer as Olimpíadas ao Brasil possibilitou distinguir os que amam o Brasil, mais além dos seus problemas e com todos os seus problemas, e os que têm suas almas corroídas pelo ódio, torceram e militaram contra o Brasil. (Um deles convenceu seus leitores a tal ponto que numa consulta que fez, ganhou Chicago contra o Brasil.) Agora se vestem de luto – a cor dos corvos – e já tem temas para amargurar o resto das suas vidas até 2016. Para os que têm alma pequena, segundo Fernando Pessoa, a vida não vale a pena.

Estão há anos incomodados que o Brasil dê certo governado por um operário, sindicalista de base, nordestino, sem diploma universitário, que perdeu um dedo na máquina, enquanto aquele do qual são viúvas - supostamente a pessoas melhor qualificada para dirigir o Brasil - fracassou estrepitosamente e é repudiado pelo povo. Tem a alma corroída pelo ódio, pelo despeito, pelo rancor.

Lula tinha que dar errado, como Evo tinha que dar errado, como Hugo Chávez tinha que dar errado. Um é de origem nordestina e operária, o outro é indígena, o terceiro é um mulato. Mas quem fracassou foram os tucanos, aqui, com FCH, na Bolívia, com Sanchez de Losada, na Venezuela, com Carlos Andrés Perez. Não por acaso o governo de FHC apoiava àqueles, Lula apóia aos que os sucederam e, estes, por sua vez, têm a Dilma como candidata.

Essa geração de lacerdistas, corvos do século XXI, precocemente envelhecidos, pela frustração e pelo rancor, vegetarão o que lhes resta viver, ruminando reclamações contra o Campeonato Mundial de 2014 e contra os Jogos Olímpicos de 2016. Enquanto a caravana do povo brasileiro passa.

Postado por Emir Sader às 15:10

OLIMPÍADAS 2016 - O RIO deve essa a Lula.

Leandro Fortes

Nunca antes, nesse país

Lula poderia ter agido, como muitos de seus pares na política agiriam, com rancor e desprezo pelo Rio de Janeiro, seus políticos, sua mídia, todos alegremente colocados como caixa de ressonância dos piores e mais mesquinhos interesses oriundos de um claro ódio de classe, embora mal disfarçados de oposição política. Lula poderia ter destilado fel e ter feito corpo mole contra o Rio de Janeiro, em reação, demasiada humana, à vaia que recebeu – estranha vaia, puxada por uma tropa de canalhas, reverberada em efeito manada – na abertura dos jogos panamericanos, em 2007, talvez o maior e mais bem definido ato de incivilidade de uma cidade perdida em décadas de decadência. Vaiou-se Lula, aplaudiu-se César Maia, o que basta como termo de entendimento sobre os rumos da política que se faz e se admira na antiga capital da República. Fosse um homem público qualquer, Lula faria o que mais desejavam seus adversários: deixaria o Rio à própria sorte, esmagado por uma classe política claudicante e tristemente medíocre, presa a um passado de cidade maravilhosa que só existe, nos dias de hoje, nas novelas da TV Globo ambientadas nas oníricas ruas do Leblon.

Lula poderia ter agido burocraticamente a favor do Rio, cumprido um papel formal de chefe de Estado, falado a favor da candidatura do Rio apenas porque não lhe caberia falar mal. Deixado a cidade ao gosto de seus notórios representantes da Zona Sul, esses seres apavorados que avançam sinais vermelhos para fugir da rotina de assaltos e sobressaltos sociais para, na segurança das grades de prédios e condomínios, maldizer a existência do Bolsa Família e do MST, antros simbólicos de pretos e pobres culpados, em primeira e última análise, do estado de coisas que tanto os aflige. Lula poderia ter feito do rancor um ato político, e não seria novidade, para dar uma lição a uma cidade que o expôs e ao país a um vexame internacional pensado e executado com extrema crueldade por seus piores e mais despreparados opositores.

Mas Lula não fez nada disso.

No discurso anterior à escolha do Comitê Olímpico Internacional, já visivelmente emocionado, Lula fez o que se esperava de um estadista: fez do Rio o Brasil todo, o porto belo e seguro de todos os brasileiros, a alma da nacionalidade. Foi um ato de generosidade política inesquecível e uma lição de patriotismo real com o qual, finalmente, podemos nos perfilar sem a mácula do adesismo partidário ou do fervor imbecil das patriotadas. Lula, esse mesmo Lula que setores da imprensa brasileira insistem em classificar de títere do poder chavista em Honduras, outra vez passou por cima da guerrilha editorial e da inveja pura e simples de seus adversários. Falou, como em seus melhores momentos, direto aos corações, sem concessões de linguagem e estilo, franco e direto, como líder não só da nação, mas do continente, que hoje o saúda e, certamente, o aplaude de pé.

Em 2016, o cidadão Luiz Inácio da Silva terá 71 anos. Que os cariocas desse futuro tão próximo consigam ser generosos o bastante para também aplaudi-lo na abertura das Olimpíadas do Rio, da qual, só posso imaginar, ele será convidado especial.
Fonte:Blog Brasília, que eu vi

OLIMPÍADAS 2016 - Madri amarga derrota e o fim do sonho de 2016.

Ana Carolina Moreno, de La Coruña
Especial para Terra Magazine

Quando foi anunciada a eliminação de Chicago, as dezenas de milhares de pessoas reunidas no centro de Madrid levantaram exultantes suas coloridas e gigantes mãos - o símbolo da candidatura da capital espanhola para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Pela televisão, parecia que anunciavam que o evento voltaria à Espanha depois de 24 anos. Madrid havia recebido o maior número de votos na primeira rodada e o clima de lembrava, inclusive, o carnaval de rua brasileiro. Ainda que só tenha durado algumas horas.

Desde o domingo, quando a Espanha iniciou a reta final de sua campanha, o símbolo da candidatura (uma mão colorida com os cinco dedos esticados, que indica, segundo seu criador, a "unidade das diferentes culturas, pessoas e nacionalidades que convivem em Madrid" e também uma "saudação amigável onde se aprecia a abertura de Madrid e sua gente") se difundiu pelo país. Os canais de televisão deixaram a marca permanente em suas telas, ao lado de seus próprios logotipos, e a rede social Tuenti, que está para os internautas espanhóis assim como o Orkut está para os brasileiros, contava em sua página inicial o número de pessoas que haviam aderido à campanha e publicado símbolo em seus perfis. A cifra ultrapassou os seis dígitos, mas minutos após a vitória do Rio de Janeiro já havia desaparecido do site.

Os espanhóis críticos ao peso que Madrid tem em relação ao resto do país ocuparam esse espaço recém esvaziado com suas versões do símbolo: uma mão só com o dedo do meio estendido ou um sinal negativo feito com o dedão.

A crítica vai além de uma rivalidade entre Madrid e Barcelona, como se daria entre o Rio e São Paulo: a identidade espanhola em si já é um tema sensível, pois depois de anos de ditadura franquista e repressão aos costumes e idiomas regionais, a liberdade de cada comunidade autônoma sempre vira uma questão de debate quando qualquer região recebe mais atenção, seja ela financeira, política, midiática ou de qualquer outra natureza. Em algumas regiões, como Catalunha, Galícia e País Vasco, que asseguraram maior autonomia lingüística, o movimento dos anti-nacionalistas (que se opõem à centralização do poder personalizada pela capital) é ainda mais forte e se revela inclusive em temas que apenas os afetam indiretamente, como a decisão do COI desta tarde.

O novo lema dos opositores à candidatura da capital espanhola também foi criado em poucos minutos: "Me Río de Janeiro" ("Eu rio de Janeiro", um trocadilho com o nome da capital fluminense e o verbo rir). Enquanto alguns se conformam em já saber que seria impossível uma vitória espanhola, já que os Jogos Olímpicos de 2012 serão em Londres e nunca antes um mesmo continente sediou duas Olimpíadas seguidas, outros aproveitam para azedar ainda mais o gosto da quase vitória.

Se no Brasil a crítica é a de que o governo precisa investir em educação, saúde e outros itens básicos antes de querer gastar mais de 14 bilhões de dólares em um evento esportivo, inclusive depois da gestão de qualidade duvidosa dos Jogos Panamericanos de 2007, na Península Ibérica se discute se o país deveria ou não perder tempo e dinheiro com essa candidatura em vez de se preocupar em sair da crise. Na lista de países mais desenvolvidos, a Espanha é a que mais vem sofrendo com o desmoronamento do sistema financeiro internacional do ano passado. A taxa de desemprego, por exemplo, segue na casa dos 20%, o dobro da média dos vizinhos europeus. Depois de lamber suas feridas, pelo menos Madrid não terá mais distrações, segundo dizem os mais pessimistas.

Terra Magazine