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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

"A invasão ao Iraque foi o pior crime deste século".

“A invasão ao Iraque foi o pior crime deste século”, afirma Chomsky


A invasão estadunidense ao Iraque, em 2003, é “o pior crime deste século”, e o direito de empregar a força é aceito pela imensa maioria dos políticos estadunidenses, segundo opinou o respeitado cientista político e filósofo Noam Chomsky.
A reportagem é publicada por RT, 27-10-2015. A tradução é do Cepat.
 
Fonte: https://goo.gl/mTkC6U 
“Por que acreditamos ter o direito de invadir um país?”, afirmou o analista em uma entrevista à TeleSur.
Em março de 2003, os Estados Unidos e o Reino Unido invadiram o Iraque, em flagrante violação ao direito internacional, com pretexto de que o país, supostamente, contava com armas de destruição em massa, que nunca foram encontradas.
A operação militar e ocupação do Iraque, por parte do Ocidente, ceifaram mais de um milhão de vidas, segundo pesquisadores britânicos da organização Opinion Research Business.
Chomsky destacou que no cenário atual de candidatos presidenciais estadunidenses não há sequer um pacifista.
“Por exemplo, Obama é considerado como um político contrário à guerra, mas está realizando um programa de terror global de um tipo nunca visto antes: o programa de drones”, enfatizou.
No último fim de semana, o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu desculpas pela primeira vez, desde 2003, pelos erros cometidos durante a guerra no Iraque e admitiu que o conflito possivelmente provocou a ascensão do Estado Islâmico.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

IRAQUE - O porque da existência do Estado Islâmico.

Estado Islâmico existe porque Iraque desapareceu, diz analista

O analista internacional Alberto Hutschenreuter afirma que existe atualmente um acordo internacional em relação ao combate contra o grupo terrorista Estado Islâmico, mas não em relação a mudar o governo da Síria. O especialista destaca que no Oriente Médio e no Golfo Pérsico, o que importa é a segurança chave de Estados e aparatos burocráticos de governo, insistindo na tese de que "se hoje existe o EI, é porque desapareceu o Estado iraquiano".



Terrorista do Estado Islâmico retoca pichação em muro em Palmira, na SíriaTerrorista do Estado Islâmico retoca pichação em muro em Palmira, na Síria
"Rússia e China não querem a derrubada do governo na Síria e eu não entendo porque o Ocidente deseja isto. É uma situação que beneficiaria estrategicamente a todos (...) No cenário do Oriente Médio e do Golfo Pérsico, o que importa é a segurança da presença de Estados e aparatos burocráticos fortes", afirmou à emissora russa de notícias Russia Today Alberto Hutschenreuter, doutor em relações internacionais e diretor do espaço de comunicações Equilibrium Global.

O especialista, que compara a situação atual da Síria com o que ocorreu no Líbano, afirma que existe um acordo internacional em relação ao combate dos terroristas do EI em território sírio, mas um desacordo total "em relação a modificar ou não o governo do país".

Sobre isto, Hutschenreuter destaca que "se existe hoje o Estado Islâmico, é porque deixou de existir o Estado do Iraque" como consequência da ação Ocidental" no país, o que provocou a desaparição do Estado, da burocracia estatal, o sistema de inteligência e o exército, entre outras estruturas. "E boa parte do Exército iraquiano hoje trabalha no Estado Islâmico", agrega.

O que supõe existir caso desapareça o Estado da Síria?

"A possível desintegração da Síria seria um problema não somente para a região, mas para todo o Ocidente", alerta. Hutschenreuter assinala que uma Síria reduzida a um "Siriastão" implicaria no aumento da insegurança regional e global.

"Não há coincidência no que finalmente a situação se resolva a favor do atual presidente sírio, posto que isso poderia indicar uma espécie de vitória marginal da Rússia", afirma, insistindo que existe uma questão relativa que restringe o protagonismo de Moscou "como ator que está construindo poder".

sábado, 13 de setembro de 2014

IRAQUE - A guerra dos religiosos mulçumanos.


IRAQUE - Quem apoia o Estado Islâmico?



IRAQUE - "Estado Islâmico"

Família de jornalista decapitado diz que foi "ameaçada" por


[-] Texto [+]

WASHINGTON (Reuters) - A família do jornalista norte-americano assassinado James Foley disse que foi ameaçada por uma autoridade norte-americana que alertou que os membros da família poderiam ser acusados ​​de apoiar o terrorismo se eles pagassem resgate aos sequestradores islâmicos, informou a ABC News nesta sexta-feira. A ABC News citou fala da mãe e do irmão de Foley de que um oficial militar que trabalha para Conselho de Segurança Nacional do presidente Barack Obama disse várias vezes que eles poderiam enfrentar acusações criminais se pagassem um resgate. A Casa Branca se recusou a discutir as conversas que os funcionários tiveram com a família, mas disse que elas envolveram pessoas de diferentes áreas do governo, incluindo a Casa Branca, o FBI, as agências de inteligência e o Departamento de Defesa. "Eu não vou detalhar quem disse o que no contexto dessas conversas individuais", disse o porta-voz, Josh Earnest, mas ele reafirmou que a política dos EUA é de não pagar resgates porque isso pode encorajar mais sequestros. A mãe de Foley, Diane, disse à ABC News que foi dito por várias vezes sobre possibilidade de indiciamento se o resgate fosse pago. "Nós tomamos isso como uma ameaça e foi terrível", disse ela. A ABC não identificou o oficial a quem ela se referia. "Três vezes ele nos intimidou com essa mensagem. Ficamos horrorizados por ele dizer isso. Apenas nos disseram que seríamos processados. Sabíamos que precisávamos salvar nosso filho, tínhamos que tentar", disse Diane Foley em uma entrevista à ABC. ABC citou uma porta-voz do Conselho de Segurança Nacional que disse ter informado à família Foley sobre as leis dos EUA que proíbem o financiamento ao terrorismo, mas negou ter dito que a família "poderia enfrentar acusações se fizesse algum pagamento de resgate”. A assessora de segurança nacional de Obama, Susan Rice, embora não tenha discutido diretamente sobre acusações da família, disse que ela conheceu Diane Foley nos últimos 18 meses, uma vez que ela pressionou o governo para ajudar a garantir a libertação de seu filho. "Ela é simplesmente implacável em um bom caminho, da forma que qualquer mãe faria todo o possível. E eu a admiro muito, tudo o que ela fez. Como mãe, eu só posso imaginar a sua dor", disse Susan a um grupo de repórteres. O secretário de Estado John Kerry disse que foi "surpreendido" pela reportagem. "Eu desconheço totalmente e não perdoaria ninguém que eu conhecesse dentro do Departamento de Estado que fizesse tais declarações", disse a jornalistas durante uma visita a Istambul para discutir uma ação internacional contra o Estado Islâmico. Um vídeo da decapitação de James Foley pelo Estado Islâmico foi publicado na Internet em 19 de agosto. Duas semanas depois, um vídeo semelhante mostrou outro jornalista norte-americano, Steven Sotloff, sendo decapitado. Os Estados Unidos montaram uma missão militar mal sucedida para tentar resgatar Foley e outros reféns norte-americanos detidos pelo grupo na Síria neste verão (no hemisfério norte). "Nós descobrimos que as organizações terroristas usam o valor do resgate de reféns como importante fonte de financiamento para a sua organização e pagar resgates só coloca outros americanos em uma posição de risco ainda maior", disse o porta-voz da Casa Branca. O Estado Islâmico ainda mantém reféns do Ocidente e de outros países. (Reportagem de Roberta Rampton em Washington, Jason Szep em Istambul)

sábado, 6 de setembro de 2014

IRAQUE - Estado Islâmico.

Estado Islâmico mostra domínio de mídias modernas

Grupo sabe aproveitar as ferramentas modernas de comunicação para atingir suas metas

          

Os extremistas do grupo Estado Islâmico que tomaram grande parte da Síria e do Iraque têm chamado a atenção do mundo com seu poderio militar e sua brutalidade. Mas os serviços de inteligência ocidentais estão mesmo preocupados com o seu extraordinário domínio de armas aparentemente menos letais: vídeos de última geração, imagens filmadas a partir de aviões-robô e mensagens no Twitter postadas em vários idiomas.
O Estado Islâmico está usando todas as ferramentas modernas de comunicação para recrutar combatentes, intimidar inimigos e promover a sua pretensão de ter estabelecido um califado, um Estado muçulmano unificado e baseado em uma interpretação estrita da lei islâmica. Se a sua intolerância e decapitações parecem vir de um século distante, o seu uso de mídias é assustadoramente atual.
Sua produção de materiais impressos e online revela uma série de surpresas. Sua propaganda, por exemplo, tem surpreendentemente poucas chamadas para ataques contra o Ocidente, embora seus vídeos mais famosos de recentes decapitações de jornalistas americanos tenham enfatizado o “derramamento de sangue” americano.
Mas estes vídeos  divergem de quase toda a produção do grupo até agora, que prioriza a promoção do objetivo primordial do grupo: fixar e expandir o califado islâmico.
Os extremistas do Estado Islâmico estão determinados em demonstrar a perspicácia burocrática do Estado que estão construindo. Seus dois relatórios anuais até agora revelam uma espécie de “contabilidade jihadista”, com estatísticas sobre tudo, desde cidades tomadas e assassinatos com faca a checkpoints estabelecidos e apóstatas arrependidos.
O grupo pratica a jihad 3.0 online. Dezenas de contas do Twitter espalham a sua mensagem, e o grupo posta seus grandes discursos em até sete línguas diferentes. Seus vídeos usam referências que vão de Madison Avenue e Hollywood a jogos de vídeo-game e dramas da televisão a cabo e suas mensagens são ecoadas e amplificadas em diversas mídias sociais. Quando contas são bloqueadas, outras brotam imediatamente.
 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

IRAQUE - Quem financia o Estado Islâmico.

De onde vem o dinheiro que financia o Estado Islâmico?


Publicado na bbc. O autor, Mariano Aguirre, é diretor do instituto Norwegian Peacebuidling Resource Centre (NOREF) www.peacebuilding.no
Para especialista, Estado Islâmico é "um projeto de Estado com armas sofisticadas, uma ideologia totalitária e financiamento abundante"
Para especialista, Estado Islâmico é “um projeto de Estado com armas sofisticadas, uma ideologia totalitária e financiamento abundante”
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“Isso vai além do que vimos antes”, disse há poucos dias o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, referindo-se ao Estado Islâmico (EI), anteriormente conhecido como Estado Islâmico do Iraque e da Síria (Isis, na sigla em inglês).
Segundo Hagel, o EI não seria um grupo terrorista, mas um projeto de Estado com armas sofisticadas, uma ideologia totalitária e recursos abundantes obtidos por meio de financiamento externo, o que permitiria ao grupo continuar sua ofensiva e lançar as bases de seu califado.
Até alguns meses atrás, o Isis era apenas um dos vários grupos armados sunitas radicais que se opunham ao regime de Bashar al-Assad na Síria. A organização havia ganhado notoriedade por ser uma dissidência da Al-Qaeda, a qual acusou de não ser suficientemente radical.
Mais recentemente, o Isis tornou-se EI e agora é a manifestação mais violenta da insurgência sunita que tenta impor uma versão ultraconservadora do Islã, contra o que considera uma expansão do xiismo liderado pelo Irã, com forte influência no Iraque, na região.
O cerco e a expulsão das minorias cristãs yazidis do Iraque e a decapitação do jornalista americano James Foley são os últimos exemplos da crueldade com que o EI atua.
Mas, diferentemente de outros grupos de insurgentes, o EI chama atenção por seu poderio econômico.
Uma das razões origens do dinheiro que financia o grupo está na principal matéria-prima do Iraque: o petróleo.
O país é o segundo maior produtor do óleo no mundo, depois da Arábia Saudita.
Há alguns meses, o EI controla uma parte importante da indústria do petróleo iraquiano no norte do país. Mossul, uma das cidades dominadas pelo grupo, produz cerca de 2 milhões de barris de petróleo por dia.
O EI também controla a planta de gás de Shaar e Baiji, cidade onde se localiza a maior refinaria de petróleo do país.
A partir desta área, os insurgentes cortaram o fornecimento de petróleo para a Turquia enquanto tentam avançar sobre as fontes de energia abundantes do Curdistão iraquiano.
O EI não destrói as fontes energéticas que conquista militarmente. O objetivo é usar os lucros para construir o tão propalado Estado islâmico ou califado.
A estratégia é semelhante à de outros grupos armados que estabeleceram nas últimas décadas redes econômicas ilícitas para seu financiamento, compra de armas e enriquecimento de suas lideranças.
Na Libéria e em Serra Leoa, por exemplo, proliferaram na década de 90 grupos insurgentes que competiam entre si pela exploração e pelo tráfico de diamantes.
No Afeganistão, por outro lado, o cultivo da papoula é a principal fonte de renda para o Talebã e outros setores políticos. Já na Colômbia há diversos vínculos entre grupos insurgentes, paramilitares, políticos e traficantes de drogas.
No caso do Estado islâmico, o grupo ganhou experiência na Síria antes de cruzar a fronteira e se estabelecer no Iraque.
“Uma das razões pelas quais o EI tem sido capaz de crescer tão fortemente é que pode importar recursos e ativistas da Síria”, diz Patrick Cockburn, em seu livro The Jihadis Return: ISIS and the New Sunni Uprising (“O Retorno dos Jihadistas: Isis e o Novo Levante Sunita”, em tradução livre do inglês).
No Iraque, o EI ganhou rapidamente terreno junto à comunidade sunita após a invasão dos Estados Unidos ao Iraque em 2003.
Com a queda de Saddam Hussein, os sunitas foram marginalizados e reprimidos por governos xiitas que se revezaram no poder, especialmente o do premiê Nouri al-Maliki.
Ao mesmo tempo, comandantes militares de Saddam Hussein e funcionários do Partido Baath, expulsos de seus cargos após a invasão, se aliaram ao EI.
Usar os dividendos das fontes energéticas para financiar atividades e impor regimes autoritários não é uma exclusividade do grupo.
Peter Custers, autor do livro Questioning Globalized Militarism(“Questionando o Militarismo Globalizado”, em tradução livre do inglês), indica que muitos governos da região usam a renda proveniente do petróleo para comprar armamento pesado e armas dos Estados Unidos e Europa e poder, assim, reprimir seus povos.
Theodore Karasik, do Institute for Near East and Gulf Military Analysis (INEGMA), e Robin Mills, autor do livro The Myth of the Oil Crisis (“O Mito da Crise do Petróleo”, em tradução livre do inglês), calculam que o EI ganhe U$ 1 milhão (R$ 2,3 milhões) por dia somente com a exploração do petróleo iraquiano.
Os especialistas argumentam que o valor poderia chegar, no entanto, a US$ 100 milhões (R$ 230 milhões) se somadas as rendas provenientes do comércio da matéria-prima no Iraque e na Síria.
Com visão de mercado, o EI vende o barril a US$ 30 no mercado negro – enquanto o preço internacional supera os US$ 100 – por meio de intermediários na Turquia e na Síria.
Mas o petróleo não é a única fonte de renda para EI.
No caso da Síria, um estudo do Centro de Análise do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR na sigla em Inglês) indica que o EI e outros grupos armados estão instalando um sistema de impostos em áreas conquistadas ao mesmo tempo em que promovem atividades ilegais como roubo de reservas de dinheiro de bancos locais, contrabando de carros e armas, sequestros e bloqueios de estradas.
“Uma economia de guerra está tomando conta da Síria, em particular nas zonas controladas pela oposição, criando novas redes e atividades econômicas que alimentam a violência”, diz o estudo.
A pesquisa afirma que o EI também apreendeu grandes quantidades de armas do Exército iraquiano e grupos armados sírios contra os quais luta.
Na Síria, o grupo chegou, inclusive, a desmantelar fábricas inteiras e vender as estruturas na Turquia.
Segundo Jihad Yazigi, autor do relatório para o ECFR, lideranças de grupos armados também estariam interessadas em prolongar o conflito para continuar a receber remessas internacionais de países aliados.
Essa ‘economia de guerra’, diz ele, cria incentivos para diferentes indivíduos e atores que não teriam interesse no fim do conflito.
Segundo os especialistas, esses novos agentes econômicos, que controlam fontes de energia, contrabando, roubo e venda de armas, sequestros e impostos especiais a minorias religiosas, operariam sem conexão com autoridades do governo.
Mas alguns outros mantêm laços com o poder institucionalizado, aponta o relatório do Conselho Europeu de Relações Exteriores. O resultado é uma desintegração do Estado a partir de sua base econômica.
O apoio da Arábia Saudita e dos países do Golfo aos sunitas para combater xiitas e seus aliados está na raiz do sucesso econômico do EI e de outros grupos jihadistas, afirma o jornalista Patrick Cockburn e outros analistas.
Segundo eles, esses países já teriam canalizado centenas de milhões de dólares para insurgentes sunitas na Síria.
Como ocorreu no Afeganistão com o apoio que os insurgentes recebiam dos países ocidentais nos anos 80, o EI tem crescido através de uma combinação de fraqueza do Estado, do sectarismo por parte do Estado, e do apoio econômico e militar externo para a insurgência.
Para o regime do presidente sírio Bashar Assad, essa fragmentação da economia levará à perda de receita de que ele precisa para prestar serviços básicos e manter o apoio popular nas áreas que controla, pagar o Exército e começar a reconstruir a Síria.
No Iraque, o novo primeiro-ministro, Haidar Abadi, tem menos território e recursos energéticos para lançar uma política mais inclusiva.
Especialistas em terrorismo questionam se o EI pode instaurar um Estado e consolidar uma estrutura econômica.
Para Yezid Sayigh, do Carnegie Middle East Center, o EI só é forte onde tem apoio, o qual poderia diminuir dado à brutalidade das ações do grupo. A resistência dos curdos iraquianos e o que restou do Estado iraquiano, que é apoiado pelos Estados Unidos, pode freá-lo, mas não fazê-lo desaparecer.
Além disso, criar e manter uma economia estatal é complicado. Em muitos casos, a infraestrutura de exploração de petróleo e gás é antiga e necessita de uma renovação tecnológica difícil de ser obtida.
O Estado Islâmico e seu modelo de economia política, bem como o papel de atores externos, têm tornado a região ainda mais complicada.

IRAQUE - O Papa e o "Estado Islâmico".

Por que o papa apoia uma intervenção militar contra o ‘Estado Islâmico’

papa obama
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Publicado no Unisinos.
 
Quando se trata de uso da força militar, os americanos tendem a se dividir em dois grupos: aqueles que querem usar uma força esmagadora para derrotar os inimigos e aqueles que se opõem ao uso da força por alguma ou outra razão.
Os beligerantes conservadores e Hollywood estão no primeiro grupo – quanto maiores forem as bombas, melhor. Estes apoiariam o pedido do presidente Franklin D. Roosevelt por uma rendição incondicional durante a Segunda Guerra Mundial.
No segundo grupo estão os que se opõem a qualquer ação militar (os pacifistas) e os que acham que nenhum americano deveria morrer ajudando algum país estrangeiro (os isolacionistas). Os dois não acham que o governo faça um bom uso da força.
O uso limitado da força é evitado por ambos os lados. Os realistas da política externa, por outro lado, consideram a força militar como simplesmente uma entre muitas ferramentas de se fazer política. Portanto, o presidente John F. Kennedy poderia ameaçar os russos durante a crise dos mísseis cubana a partir da Turquia em troca da retirada dos mísseis russos do país caribenho.
Os beligerantes criticaram o presidente George H.W. Bush, outro realista, por não permitir que tropas tomassem Bagdá. Queriam a vitória total, enquanto que os pacifistas se oponham a toda violência. Bush, por outro lado, tinha objetivos limitados: desfazer as intenções do Iraque quanto ao Kuwait.
O uso limitado da força é uma venda forçada dentro da democracia. As pessoas não querem que seus filhos morram por objetivos limitados de política externa. Estas mortes só têm significado se as pessoas estiverem defendendo o nosso país ou morrendo por princípios nobres (liberdade, etc).
Os franceses resolveram este problema ao ter a Legião Estrangeira Francesa, um exército composto de estrangeiros dispensáveis. Os EUA tentaram uma solução para este problema enchendo o exército com pobres e minorias com baixa escolaridade.
É este contexto o que torna tão difícil para os americanos compreenderem a posição do Vaticano sobre o uso da força militar, que se baseia na teoria da guerra justa.
O Vaticano parte de uma pressuposição a respeito da guerra: a guerra só pode ser o último recurso, depois que todas as outras possibilidades se esgotaram. Primeiro deve-se tentar a diplomacia e reconciliação. Mas o “último recurso” não significa “nunca”.
Fazer guerra exige uma causa justa, tal como defender-se ou defender alguém de uma agressão injusta. Mas nem toda a causa justa é desculpa para o uso do poder militar. Além de uma causa justa, a intervenção militar deve causar menos danos do que uma não intervenção. Não devemos destruir uma aldeia para salvá-la. O uso da força militar deve ser proporcional, e todo o possível deve ser feito para evitar vítimas civis.
Os papas João Paulo II e Bento XVI se opuseram às duas guerras do Golfo, e o Papa Francisco se opôs a qualquer intervenção americana na Síria porque não acharam que estas ações preenchiam os critérios exigidos pela doutrina da guerra justa. Pediram um cessar fogo, negociações, diplomacia e reconciliação. Os papas acreditavam que a intervenção militar iria apenas tornar as coisas piores do que já estavam.
Os papas estavam claramente certos com relação à invasão do Iraque. É difícil sustentar que as milhares de mortes e os bilhões de dólares gastos tornaram o país melhor.
Quanto à Síria, Hillary Clinton, ex-secretária de Estado, diz que teria dado mais apoio aos “moderados” do que deu o presidente Barack Obama, enquanto o papa se opôs a qualquer intervenção militar. Concordo com o papa e com Obama. Não há prova alguma de que faremos algo melhor na Síria do que fizemos no Iraque, especialmente com um investimento muito menor de recursos. Os moderados iriam fracassar, independentemente de quantas armas lhes déssemos.
A teoria da guerra justa diz que não devemos promover uma guerra que não possamos vencer.
Pelo fato de que os papas e o Vaticano se colocavam contra a guerra de forma tão firme, muitos se surpreenderam quando o Vaticano apoiou uma intervenção para deter o abate de minorias religiosas pelo Estado Islâmico. Estas pessoas não deveriam se surpreender. O Vaticano igualmente apoiou uma intervenção internacional no começo da década de 1990 para parar com a limpeza étnica na Bósnia-Herzegovina.
Na semana passada o Catholic News Service informou que Dom Giorgio Lingua, núncio apostólico no Iraque, disse à Rádio Vaticano quando lhe perguntaram sobre os ataques aéreos militares americanos: “Isso é algo que precisou ser feito, de outro modo [o Estado Islâmico] não poderia ser parado”.
Nesse sentido, Dom Silvano Tomasi, representante vaticano nas agências da ONU em Genebra, disse: “Quando todos os outros meios se esgotarem, a comunidade internacional deve agir a fim de salvar a vida de seres humanos. Isso pode incluir o desarmamento de um agressor”.
Para Tomasi, este foi o caso da “intervenção humanitária”, porém ela deveria ser feita pela comunidade internacional – e não de forma unilateral de um único país.
O papa disse algo semelhante durante a sua coletiva de imprensa no caminho de volta da Coreia do Sul. Em resposta a uma pergunta de um jornalista, ele falou:
“Nesses casos, em que há uma agressão injusta, só posso dizer o seguinte: é lícito deter o agressor. Ressalto o verbo ‘deter’. Eu não estou dizendo ‘bombardeiem’ ou ‘façam a guerra’, mas apenas ‘detenham’. E os meios que podem ser usados para detê-los devem ser avaliados. Deter o agressor injusto é lícito, mas precisamos, todavia, nos lembrar de quantas vezes, usando a desculpa de parar um agressor injusto, os países poderosos dominaram outros povos, fizeram uma verdadeira guerra de conquista. Um único país não pode julgar como deter um agressor. Depois da Segunda Guerra Mundial, surgiu a ideia das Nações Unidas. É aqui onde devemos debater: ‘Há um agressor injusto? Parece que sim. Como podemos detê-lo?’ Mas somente isso e nada mais”.
Francisco foi bastante cuidadoso no que disse e no que não disse. Ao falar que “é lícito deter o agressor injusto”, disse deter, e não destruir, conquistar ou derrotar. Deter, “somente isso e nada mais”. Este objetivo limitado não irá satisfazer os beligerantes.
Tampouco o papa disse como deter um agressor injusto: “Eu não estou dizendo bombardeiem ou façam a guerra, mas apenas detenham”. Para isso, “os meios que podem ser usados para detê-los devem ser avaliados”. E, assim como Tomasi, o papa defende que esta decisão deveria ser feita pela comunidade internacional, ou seja, as Nações Unidas.
Aqui, os realistas das políticas externas vão dizer que o papa está sendo ingênuo. A única forma de parar o Estado Islâmico é com o uso da força, incluindo bombardeios. E se tivéssemos esperado até que a ONU agisse, seria tarde demais para salvar a vida de alguém.
Eu diria que os diplomatas do papa (Lingua e Tomasi) estão articulando a posição do Vaticano de forma mais incisiva do que ele mesmo. O papa está sendo extremamente cauteloso porque não quer que os beligerantes americanos digam que ele está abençoando a intervenção militar americana para uma destruição do Estado Islâmico. Tampouco quer que extremistas islâmicos digam que ele está convocando uma cruzada contra o Islã. De forma prudente, acerta ao ser cauteloso deixando que seus diplomatas completem com o que for preciso.
O que o papa realmente fez em sua coletiva de imprensa foi enfatizar a palavra “deter”. O pontífice não está dando aos militares americanos um cheque em branco. Deter o avanço do Estado Islâmico permite que a diplomacia e as negociações aconteçam. O papa compreende que o uso do poderio americano para retomar o controle da cidade de Mosul seria um desastre. Foguetes e bombas só podem libertar uma cidade destruindo-a.
Do ponto de vista do presidente Obama, a intervenção militar limitada dá tempo para que o novo governo iraquiano entre junto na ação, especialmente trazendo sunitas a bordo. Obama compreende, e isso não acontece com os beligerantes, que não há solução militar americana alguma para o conflito no Iraque. Somente os sunitas podem derrotar o Estado Islâmico. Afinal de contas, foi o despertar dos sunitas o que derrotou a al-Qaeda, e não a presença americana.
Neste sentido, o papa e o presidente americano concordam: somente as negociações e o comprometimento do Iraque podem trazer paz ao seu povo.

IRAQUE - A principal mensagem do "Estado Islâmico".

“A vingança é a principal mensagem do ‘Estado Islâmico’”

ESTADO ISLAMICO
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Publicado na DW.
 
Um vídeo que mostra a decapitação do jornalista americano James Foley divulgado pelo “Estado Islâmico” (EI) nesta semana colocou o a organização extremista e sua estratégia midiática em evidência. O grupo formado por militantes sunitas atua sobretudo na Síria e no Iraque, onde já domina um terço do território.
Christoph Günther é especialista em islã da Universidade de Leipzig, na Alemanha. O foco de sua pesquisa á a cultura visual e movimentos sociais no mundo árabe- islâmico. Sua dissertação Um segundo estado na Mesopotâmia? Origem e Ideologia do “Estado Islâmico” do Iraque foi publicada pela editora Ergon-Verlag.
Em entrevista à DW, Günther fala sobre como os extremistas usam a mídia para recrutar combatentes e pessoas que possam ajudar a expandir as estruturas do grupo. As redes sociais têm ampliado o alcance dos esforços de comunicação do grupo.
DW: O chamado “Estado Islâmico” (EI) divulgou um vídeo que mostra a decapitação do jornalista americano James Foley. Qual é a mensagem por trás desse vídeo?
Christoph Günther: Vingança é a mensagem principal. A apresentação estética usa uma linguagem clara. Ao vestir a vítima com um macacão laranja, como os detentos de Guantánamo, eles estão dizendo: “Estamos invertendo a situação”.
A segunda mensagem é de intimidação: “Se você usar força militar contra nós, então, vamos revidar com todos os meios à nossa disposição. Se necessário, vamos transformar em alvos todos os seus cidadãos que estão ao nosso alcance: jornalistas, funcionários de empresas ocidentais na região curda e pessoas que trabalham em organizações humanitárias”.
Que tipo de estratégia midiática o EI está buscando?
Ela é muito ampla. Se olharmos para os precursores do grupo, em 2003, eles produziam publicações impressas e gravações de áudio, que, algumas vezes, eram distribuídas em fitas cassetes. Nos últimos anos, a distribuição de material audiovisual cresceu tremendamente. Não só a qualidade melhorou, mas o conteúdo também se diversificou. Ainda se veem vídeos de ataques, mas não mais em má qualidade. Algumas vezes, eles são produzidos por uma equipe de filmagem, explorando diferentes perspectivas e em alta resolução.
Além desses filmes, há também vídeos que espalham a ideologia do grupo e justificam por que o “Estado Islâmico” é necessário na era em que vivemos. Combatentes e civis que tiveram um papel importante no estabelecimento do Estado Islâmico são apresentados.
Nos primeiros vídeos de propaganda da Al Qaeda, a romantização da camaradagem entre os combatentes desempenhou um papel importante.
Isso também é mostrado pelo “Estado Islâmico”: combatentes que se reúnem para rezar ou recitar versos juntos, mas que também se divertem uns com os outros, rindo e nadando. Civis também são retratados, tanto em seu sofrimento quanto em eventos como festas de crianças ou excursões organizadas pelos jihadistas. A mensagem é que, “sob a proteção do ‘Estado Islâmico’”, uma vida segura é possível.
Quais são os principais objetivos da propagando do EI?
Se olharmos para trás alguns anos, o público alvo eram, sobretudo, jovens mulçumanos que falassem árabe e pudessem buscar publicações jihadistas na internet. Hoje, o alvo é uma audiência muito mais ampla. Eles não estão apenas tentando recrutar futuros combatentes, mas também pessoas que possam ajudar a expandir as estruturas do grupo. Eles não esperam que acadêmicos e pessoas com boa formação lutem, mas que contribuam com seu conhecimento para o projeto. Se o “Estado Islâmico” deve funcionar de fato como um Estado, então, ele precisa de um aparato burocrático, e, para isso, pessoas qualificadas são necessárias.
Qual a importância da propaganda para o recrutamento na Europa?
Ela desempenha um papel importantíssimo, porque eles estão procurando recrutar pessoas que possam enviar de volta como seguidores doutrinados, que vão passar adiante a ideologia do “Estado Islâmico”. A estratégia consiste em ganhar embaixadores, que cresceram no mundo ocidental e estão familiarizados com sua cultura.
Que papel desempenham as mídias sociais?
Um intercâmbio e diálogo intensos acontecem nas redes sociais. Isso tem servido principalmente para reforçar a coesão dentro do movimento. Há alguns anos, fóruns na internet desempenhavam essa função. O uso das redes sociais tem ampliado o alcance de seus esforços de comunicação.
Como opera o Centro de Mídia Al Hayat, o braço de mídia do “Estado Islâmico”?
Em princípio, esse centro de mídia funciona como todas as outras agências de notícias. Equipes de filmagem são montadas e notícias de diferentes fontes são avaliadas, editadas num certo formato e publicadas. Essas equipes filmam os combatentes e documentam festividades, sermões ou o trabalho dos tribunais islâmicos. Isso significa que a divisão de mídia tem uma capacidade técnica extraordinária e acompanhou o estabelecimento do “Estado Islâmico”, o representando de uma maneira positiva.
Você constrói a imagem de uma organização altamente racional e profissional.
No sentido de uma ação racional – se você usar argumentos do sociólogo Max Weber -, então, o grupo está agindo racionalmente, mesmo que por meio de ações que poderiam ser consideradas irracionais. Esse terrível vídeo da decapitação, por exemplo, tem um propósito muito racional, de intimidar os inimigos e consolidar o poder dentro do “Estado Islâmico”. Um pensamento altamente estratégico e racional está por trás das ações do grupo.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

IRAQUE - Não falemos do petróleo.

Não falemos do petróleo: um artigo de Robert

Iraq_ISIS
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Publicado no Unisinos.

No Oriente Médio, os primeiros disparos de cada guerra definem a narrativa que todos seguimos obedientemente. Do mesmo modo, esta grande crise, desde a última grande crise no Iraque. Os cristãos fogem por suas vidas? É preciso salvá-los. Yazidis morrendo de fome nas montanhas? Demos-lhes comida. Islamistas que avançam sobre Erbil? Vamos bombardeá-los. Bombardear seus comboios, “artilharia” e seus combatentes, e bombardear uma, duas até que…
Bom, a primeira pista sobre o prazo de nossa última aventura no Oriente Médio chegou no fim de semana, quando Barack Obama disse ao mundo – na mais encoberta “ampliação da missão” da história recente – que “não acredito que iremos resolver este problema (sic) em semanas, isto levará tempo”. Então, quanto tempo? Pelo menos um mês, obviamente. E talvez seis meses. Ou talvez um ano? Ou mais? Após a Guerra do Golfo de 1991 – ocorreram, na realidade, três desses conflitos nas últimas três décadas e meia, com outro em processo –, os estadunidenses e britânicos impuseram uma zona de “não voo” sobre o sul do Iraque e o Curdistão. E bombardearam as “ameaças” militares que descobriram no Iraque de Saddam para os próximos 12 anos.
Obama assentou as bases – a ameaça de “genocídio”, o “mandato” estadunidense por parte do impotente governo em Bagdá para atacar os inimigos do Iraque – para outra guerra aérea prolongada no Iraque? E caso seja assim, o que o faz – ou nos faz – pensar que os islamistas, ocupados em criar seu califado no Iraque e Síria, irão brincar neste cenário alegre? O presidente dos Estados Unidos, oPentágono e o Comando Central – e, suponho, o infantilmente chamado comitê Cobra britânico – realmente acreditam que o ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante), apesar de sua ideologia medieval, se sentará nas planícies de Nínive para esperar ser destruídos por nossas munições? Não.
Os rapazes do ISIS ou Estado Islâmico ou califado, seja lá como queiram ser chamados, simplesmente desviarão seus ataques para outras partes. Se o caminho para Erbil está fechado, irão tomar o caminho de Alepo ou Damasco, que os estadunidenses e os britânicos estarão menos dispostos a bombardear ou defender, porque isso significaria ajudar o regime de Bashar al Assad da Síria, a quem devemos odiar quase tanto como ao Estado Islâmico. No entanto, se os islamistas procurarem capturar Alepo, sitiar Damasco e empurrar para o outro lado da fronteira libanesa – a cidade mediterrânea de maioria sunita de Trípoli parece um objetivo chave –, seremos obrigados a ampliar nosso precioso “mandato” para incluir mais dois países, entre outras coisas porque bombardeariam a nação ainda mais merecedora de nosso amor e proteção que o Curdistão: Israel. Alguém pensou nisso?
E depois, é claro, está o inominável. Quando “nós” libertamos o Kuwait, em 1991, todos nós tínhamos que recitar – uma, duas vezes – que esta guerra não era pelo petróleo. E quando “nós” invadimos o Iraque, em 2003, novamente tivemos que repetir, até a saciedade, que este ato de agressão não era pelo petróleo – como se os marinheiros estadunidenses tivessem sido enviados à Mesopotâmia, cuja principal exportação eram os espargos.
E agora, enquanto protegemos a nossos queridos ocidentais em Erbil, socorremos aos yazidis nas montanhas do Curdistão e lamentamos as dezenas de milhares de cristãos que fogem das maldades do ISIS, não devemos – não fazemos isso e não faremos – mencionar o petróleo. Pergunto-me por que não. Não é, por acaso, importante – ou simplesmente um pouco relevante – que o Curdistão represente 43,7 bilhões de barris dos 143 bilhões de reservas do Iraque, assim como 25,5 bilhões de barris de reservas comprovadas e de três até seis trilhões de metros cúbicos de gás? Conglomerados de petróleo e gás globais surgiram em massa no Curdistão – daí, os milhões de ocidentais que vivem em Erbil, ainda que sua presença seja, em grande medida, inexplicável –, para investir mais de 10 bilhões de dólares.
Mobil, Chevron, Exxon e Total estão no local – e não permitiremos que o ISIS se meta com empresas como estas – em que os operadores de petróleo se caracterizam por concentrar 20% de todos os lucros.
De fato, relatórios recentes sugerem que a produção atual de petróleo curdo de 200.000 barris por dia chegará a 250.000, nos próximos anos – a disposição dos garotos do califado se mantém na linha, é claro –, o que significa, de acordo com a agência Reuters, que se o Curdistão iraquiano fosse um país real e não apenas um pedaço do Iraque, estaria entre os 10 países ricos em petróleo mais importantes do mundo. O que, sem dúvida, vale a pena defender. Porém, alguém mencionou isto? Algum repórter da Casa Branca incomodou Obama com apenas uma pergunta sobre este fato destacável?
Claro, nós sentimos pelos cristãos do Iraque – ainda que nos importassem bem pouco, quando sua perseguição começou após a nossa invasão de 2003 -. E devemos proteger as minorias dos yazidis, como prometemos – mas, falhamos –.  Proteger ao 1,5 milhão de cristãos armênios de seus assassinos muçulmanos, na mesma região há 99 anos. Porém, não esqueçamos que os mestres do novo califado do Oriente Médio não são tontos. Os limites de sua guerra se estendem muito além de nossos “mandatos” militares. E eles sabem – ainda que não o admitamos – que nosso verdadeiro mandato inclui essa palavra indizível: petróleo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

IRAQUE - Quem são os Yazidis.



QUEM SÃO OS YAZIDIS QUE CORREM RISCO DE GENOCÍDIO COM A CRIAÇÃO DO ESTADO ISLÂMICO NO IRAQUE!
     
(Le Monde, 13) 1. Os yazidis são uma comunidade curdófona que possui entre 100 mil e 600 mil pessoas no Iraque, segundo estimativas. Eles fazem parte dos povos mais antigos da Mesopotâmia, onde sua crença surgiu há mais de 4.000 anos. Seu principal local de culto é Lalish, no Curdistão iraquiano, mas milhares de yazidis moram na Síria, na Turquia, na Armênia e na Geórgia. Há grandes comunidades na Europa, especialmente na Alemanha, onde vivem 40 mil yazidis.
      
2. "Os yazidis enriqueceram sua religião com contribuições corânicas e bíblicas para se camuflarem como muçulmanos ou cristãos e não serem notados", afirma Frédéric Pichon, pesquisador e especialista em Oriente Médio na Universidade François Rabelais, de Tours. O yazidismo é uma religião monoteísta que tira parte de suas crenças do zoroastrismo, a religião da Pérsia antiga. Seus cultos e seus rituais são transmitidos oralmente, e é por isso que não se torna yazidi, se nasce yazidi.
      
3. Os fiéis dessa religião acreditam em um único deus, Xwede, que foi assistido por sete anjos quando criou o mundo, sendo o mais importante Melek Taus, muitas vezes representado por um pavão, símbolo de diversidade, beleza e poder. Assim como para os muçulmanos e os cristãos, o bem e o mal ocupam um lugar importante entre os yazidis. Presentes no coração dos homens, só cabe a eles fazerem a escolha certa.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

IRAQUE - O massacre dos yazidiz.


Iraque, o massacre dos yazidis: ''Eles foram enterrados vivos''

A denúncia do ministro dos Direitos Humanos iraquianos: "Entre as vítimas, mulheres e crianças".
A reportagem é do jornal La Stampa

10-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O temido massacre chegou. Quinhentos yazidis, a última das minorias étnicas que acabaram no moedor de carne dos jihadistas, foram mortos durante a ofensiva os militantes no norte do Iraque.
"Muitas das vítimas, incluindo mulheres e crianças, foram enterradas vivas", denuncia à Reuters o ministro iraquiano dos Direitos Humanos, Mohammed Shia al-Sudani. "Outras trezentas mulheres foram raptadas e reduzidas à escravidão."
Por outro lado, conseguiram fugir 20 mil das 40 mil pessoas encerradas há dias nas montanhas de Sinjar, sob a ameaça dos jihadistas do Estado Islâmico. Nesse sábado, os combatentes curdos tinham anunciado que haviam aberto um primeiro corredor como rota de fuga.
Enquanto isso, os bombardeios norte-americanos no Iraque continuam. Os ataques destruíram armas e equipamentos do Isis, enquanto duas missões humanitárias foram concluídas para levar socorro para a minoria yazidi. Mas Barack Obama está forçado a admitir que os tempos serão longos: seguirão em frente enquanto for necessário, "o problema não será resolvido em semanas, não há um programa para o fim da missão".
Um povo a ser salvo
A situação mais dramática é a das montanhas de Sinjar, uma cadeia de 20 km não superior a 1.600 metros de altura, mas muito insidiosa. Milhares de pessoas, bloqueadas em altas altitudes, incluindo 20-25 mil crianças, lutam todos os dias por cerca de uma semana contra a falta de comida, água e medicamentos.

Não podem voltar atrás, há os jihadistas do Estado Islâmico que queimaram as suas casas, ocuparam as suas terras, mataram os seus entes queridos. Do outro lado não podem descer, por causa dos perigos das montanhas e a longa estrada a percorrer para Dohuk, primeiro oásis de salvação do Curdistão.
Todos os dias eles olham para cima, à espera de que os cargueiros dos Estados Unidos, "os anjos do céu", garantam a sua sobrevivência.
A estratégia norte-americana
As declarações de Obama foram seguidas em algumas horas a um desafio lançado pelo "Califado" islâmico do Isis diretamente a Washington: "Não sejam covardes, atacando-nos com drones – afirmou um porta-voz do Estado Islâmico, Abu Musa, em uma reportagem de vídeo produzida pela revista Vice –, mandem os seus soldados, aqueles que nós humilhamos no Iraque".
A estratégia norte-americana vai se delineando claramente: proteger a região autônoma do Curdistão, cujos combatentes peshmerga estão na vanguarda da resistência ao avanço jihadista, e fazer com que cheguem as ajudas humanitárias às massas de refugiados em fuga do seu avanço, aos 100 mil cristãos, ao menos, certamente, para os quais o Papa Francisco pediu a todas as paróquias que dedicassem uma "oração especial": "As pessoas que foram privadas de suas casas no Iraque dependem de nós. Convido a todos a rezar e, quem puder, a oferecer uma ajuda concreta". Mas também às dezenas de milhares de yazidis.

IRAQUE - O grupo "Estado Islâmico".

Como o grupo “Estado Islâmico” foi de militância para califado trasnacional


ESTADO ISLAMICO
Publicado na DW.

O extremista “Estado Islâmico” (EI, anteriormente Estado Islâmico do Iraque e do Levante – EIIL) é formado por militantes sunitas remanescentes do grupo Al Qaeda no Iraque (AQI).
Em 2003, depois de derrubar o ditador secular do Iraque, Saddam Hussein, os Estados Unidos declararam ilegal seu partido, o nacionalista árabe Baath, e dissolveram as forças militares do país. Sentindo-se marginalizados pela ascensão ao poder da maioria xiita, em meados do mesmo ano os correligionários sunitas de Hussein lançaram uma sangrenta insurreição contra a coalizão liderada pelos EUA.
De início formada predominantemente por ex-soldados e elementos leais a Saddam Hussein, a insurreição tornou-se cada vez mais radical, à medida que fundamentalistas islâmicos liderados pelo jordaniano Abu Musab al Zarqawi infiltraram suas alas.
Originalmente um pequeno delinquente, Zarqawi radicalizou-se num presídio da Jordânia e lutou no Afeganistão, de 1989 a 1992, contra o governo comunista em Cabul, que fora abandonado pela União Soviética.
Em 1994, o fundamentalista voltou a ser preso pela Jordânia, acusado de conspirar contra a monarquia do país. Porém foi libertado cinco anos mais tarde, no contexto da anistia geral concedida após a morte do rei Hussein.
De volta ao Afeganistão, Zarqawi foi forçado a fugir para o norte do Iraque, depois que a invasão liderada pelos EUA fez cair o domínio talibã em 2001. Em solo iraquiano, encabeçou a facção árabe do grupo militante curdo Ansar al Islam, antes de fundar a Al Qaeda no Iraque (AQI).

Guerra civil no Iraque e Despertar Sunita

Em 2006, a AQI bombardeou a mesquita Al Askari, na cidade de Samarra, danificando seriamente um dos sítios mais sagrados do islã xiita. O atentado desencadeou uma guerra civil brutal entre sunitas e xiitas, que se estendeu até 2008.
Os militantes liderados por Zarqawi eram tão cruéis e indiscriminados em seus ataques que tribos sunitas da província de Anbar, no Iraque ocidental, se voltaram contra eles e se aliaram às forças americanas, no que ficou conhecido como “Despertar Sunita”.
Em junho de 2006, as Forças Armadas dos EUA mataram Zarqawi numa ofensiva aérea. Ele foi sucedido por Abu Ayyub al Masri e Abu Omar al Bagdadi, e a AQI mudou de nome para Estado Islâmico do Iraque (EII).

EIIL e ruptura com Al Qaeda

Em 2007, Washington mobilizou mais de 20 mil novos militares para o Iraque, na operação que ficou conhecida como surge (onda, em inglês). Forças americanas e iraquianas mataram Masri e Bagdadi durante uma investida conjunta em 2010. A violência no Iraque diminuiu consideravelmente durante esse período de presença militar americana intensificada, e o EII parecia estar basicamente derrotado.
Contudo, após a retirada das tropas dos EUA do país, efetuada entre junho de 2009 a dezembro de 2011, os jihadistas começaram a se reagrupar, tendo como novo líder Abu Bakr al Bagdadi, o qual, segundo consta, convivera e atuara com Zarqawi no Afeganistão. Ele rebatizou o grupo militante sunita como “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” (EIIL), a fim de refletir suas metas mais amplas.
Quando, em 2011, a Síria mergulhou na guerra civil, o EIIL atravessou a fronteira para participar da luta contra o presidente Bashar al Assad. Os jihadistas tentaram se fundir com a Frente Al Nusrah, outro grupo da Síria associado à Al Qaeda. Isso causou uma ruptura entre o EIIL e a central da Al Qaeda no Paquistão, pois Ayman al Zawahiri – líder desta desde a morte de Osama bin Laden pelas forças especiais americanas, em 2011– rejeitou a manobra.

Ascensão do “Estado Islâmico”

Apesar do aparente racha com a Al Qaeda, o EIIL fez conquistas significativas na Síria, combatendo tanto as forças de Assad quanto rebeldes moderados. Após estabelecer uma base militar no nordeste do país, o EIIL lançou uma ofensiva contra o Iraque, tomando sua segunda maior cidade, Mossul, em 10 de junho de 2014.
O EIIL avançou continuamente pelo norte e oeste iraquianos, enquanto as forças federais de segurança entravam em colapso. No fim de junho, a organização declarou um “Estado Islâmico” que atravessa a fronteira sírio-iraquiana e tem Abu Bakr al Bagdadi como califa.
Este impôs uma forma implacável da charia, a lei tradicional islâmica, forçando as mulheres a trajarem véus, sob pena de morte. Membros de minorias religiosas, como cristãos e yazidis, deixaram a região do califado após serem colocados diante da opção: converter-se ao islã sunita, pagar um imposto ou serem executados. Os xiitas também têm sido alvo de perseguição.
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Atualmente o “Estado Islâmico” está mais forte do que nunca. Durante sua ofensiva armada, o grupo saqueou centenas de milhões de dólares em dinheiro e ocupou diversos campos petrolíferos no Iraque e na Síria. Seus militantes também se apossaram do armamento militar de fabricação americana das forças governamentais iraquianas, obtendo, assim, poder de fogo adicional.