Lula está numa campanha mundial na defesa dos biocombustíveis e o artigo abaixo mostra a importância da Petrobrás nessa área.
A Petrobras e o desenvolvimento dos biocombustíveis.
O caminho a trilhar pela Petrobras para se posicionar como uma empresa líder na produção e distribuição global de bioenergia não será linear e tranqüilo. No entanto, decisões estão sendo tomadas e teve início uma série de investimentos nesse sentido.
Os debates sobre os biocombustíveis continuam acalorados e controversos. A cada semana que passa, o noticiário traz novas informações acerca dos seus possíveis custos e benefícios. Um dia, somos informados de que uma agência internacional (ONU), instituições políticas (UE) e grupos de científicos apóiam o desenvolvimento dos biocombustíveis porque permite reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa e aliviar a pressão sobre os preços do petróleo. Outro dia, os meios de comunicação relatam apelos de organizações não-governamentais, científicos, presidente de empresa multinacional da indústria de alimentos, agências internacionais e outros, que apontam para os efeitos do crescente uso de terras para produção de bioenergia e seu reflexo no aumento dos preços dos alimentos e das terras, no desmatamento e, portanto, no aquecimento global.Nesse contexto “quente”, onde fatos e valores se entrelaçam, é pouco provável que as controvérsias sejam resolvidas brevemente. Enquanto o debate perdura, governos negociam as normas e os padrões que facilitarão o comércio internacional dos biocombustíveis e empresas iniciam movimentos estratégicos para se posicionar no que elas acreditam será um vultoso mercado no futuro próximo. Entre outros movimentos, um dos mais interessantes para o Brasil diz respeito à crescente atuação da Petrobras nessa área.No início do mês de março de 2008, a Petrobras anunciou a criação de uma subsidiária responsável pelos negócios de biocombustíveis. A decisão surpreendeu porque até então a empresa só havia emitido intenções de criar uma diretoria nessa área. Segundo algumas opiniões, a iniciativa refletiria disputas políticas para acomodar indicados de um partido da base governista, já que a criação de uma nova empresa acarreta custos adicionais. No entanto, a decisão de criar uma nova subsidiária, ainda que possa ter sido incentivada por razões políticas, representa também uma mudança organizacional que faz sentido de um ponto de vista estritamente empresarial.Em primeiro lugar, a constituição dessa unidade permitirá um melhor tratamento das informações sobre os mercados de biocombustíveis e um acúmulo de conhecimentos específicos nessa área. Sem mudança organizacional, essas informações correm o risco de se perder ou de ser pouco aproveitadas e haverá poucos conhecimentos acumulados. Num contexto no qual existem expectativas bastante favoráveis quanto à expansão da demanda por biocombustíveis, essa perda pode representar um custo importante para a empresa. Em segundo lugar, a inovação organizacional promovida pela Petrobras representa uma aposta que pode lhe garantir bons retornos tanto em termos de lucros futuros quanto no que diz respeito à sua reputação, o que geralmente agrada os acionistas e promove o valor e a sustentabilidade do crescimento da empresa. Além disso, como já adquiriu competências suficientes na comercialização de combustíveis, a Petrobras se beneficia de recursos estratégicos para tocar adiante seus projetos sem ter de enfrentar a dura aprendizagem de operar na indústria de distribuição de energia. Por fim, como toda empresa que atua num ambiente onde existe concorrência, a Petrobras é incentivada a mudar e procurar posicionar-se estrategicamente em mercados promissores. Sua experiência na área de biocombustíveis representa certamente uma vantagem em relação a outras petrolíferas globais, mas sem investimentos e acúmulo de conhecimentos ela corre o risco de desperdiçar essa posição em proveito de outras empresas como, por exemplo, a BP e a Royal Dutch Shell que planejam investir na produção de etanol no Brasil.O interesse crescente da Petrobras pelo desenvolvimento dos mercados globais de biocombustíveis não somente se materializa em inovações organizacionais, mas também mediante um conjunto de outros investimentos. Pouco depois da criação da nova subsidiária, por exemplo, a Petrobras assinou com a trading japonesa Mitsui a documentação necessária para a constituição da empresa Participações Nippo Brasileira em Complexos Bioenergéticos. Segundo os parceiros, os objetivos da nova organização estarão focados em novos projetos de bioenergia, em particular na produção de etanol para o mercado japonês e na geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar.As relações entre a petrolífera brasileira e a trading japonesa estão também na base de dois projetos de construção de alcooldutos. O primeiro, que conta ainda com a participação da construtora brasileira Camargo Correa, pretende transportar 12 milhões de metros cúbicos de etanol por ano entre o Centro-Oeste do país e o litoral paulista. O segundo alcoolduto deve ligar Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, ao porto de Paranaguá, no Paraná. Para a Petrobras, esses investimentos são importantes porque, por um lado, garantirão escala operacional e certo grau de segurança no abastecimento, variáveis estratégicas para se posicionar no mercado internacional de energia. Por outro lado, permitirão maior controle sobre a cadeia produtiva e reforçarão seu poder de barganha junto aos produtores de etanol, criando provavelmente maiores atritos com os usineiros.No que tange à atuação na cadeia de biodiesel, a Petrobras mostra-se mais cautelosa. Após ter investido sem sucesso no desenvolvimento do H-Bio, um óleo mineral com conteúdo vegetal, a Petrobras foi compulsoriamente colocada na posição de ator principal da cadeia de biodiesel com o lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Tendo em vista os objetivos sociais e regionais do programa e o caráter embrionário da produção de biodiesel no Brasil, a Petrobras necessita aprender a lidar de forma inédita com uma cadeia produtiva pouco estruturada e com atores que não costumam lidar com produção em escala e relações contratuais explícitas.Ainda que o mecanismo do leilão de compra realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) tenha garantido oferta além das necessidades imediatas, fazendo com que a implementação da mistura de 2% de biodiesel ao diesel mineral (B2) ocorresse sem problemas específicos, o desenvolvimento do mercado de biodiesel continua gerando algumas incertezas e a Petrobras mostra sinais de insegurança. A empresa, por exemplo, teve de suspender um contrato de fornecimento de biodiesel para a mineradora Vale do Rio Doce, que pretendia usar uma mistura de 20% de biodiesel nas suas locomotivas nos eixos Vitória-Minas e Carajás. A curto prazo, o início das operações das primeiras usinas de biodiesel da estatal, em Candeias (BA), Montes Claros (MG) e Quixadá (CE), permitirá produzir 170 milhões de litros, proporcionando maior segurança em termos de abastecimento e qualidade do produto, já que poderão processar tanto dendê como soja, algodão, girassol, mamona, pinhão manso, amendoim e sebo bovino, beneficiando-se da capacidade tecnológica da empresa. A médio prazo, com a previsão da suspensão do mecanismo dos leilões, a Petrobras está planejando construir uma usina de grande porte capaz de processar 900 milhões de litros por ano a partir de 2012. Segundo fontes do governo, o investimento facilitará a estruturação de toda a cadeia, do fornecimento à distribuição, além de manter o compromisso social do programa com a agricultura familiar e usar combinações de várias oleaginosas para otimizar o custo.No seu conjunto, essas diferentes iniciativas revelam as intenções da Petrobras de atuar de modo crescente nos mercados de biocombustíveis, transformando-se em uma empresa líder na produção e distribuição global de energia. Esse caminho não será evidente. Existe, por exemplo, uma diferença significativa entre lidar com extração de petróleo e gás e com produção de etanol e biodiesel. Por um lado, a aquisição de competências em tecnologia e engenharia de projeto é uma dimensão estratégica no caso das energias fósseis. Por outro lado, na área de bioenergia um dos desafios mais importantes é aprender a trabalhar e a construir relações de cooperação e confiança com agricultores, usineiros e produtores de biodiesel, que são atores com interesses, práticas e valores distintos e muitas vezes conflitantes.Os recentes movimentos da Petrobras indicam o desejo de exercer um maior controle sobre a cadeia, sinalizando que não existe, no momento, confiança suficiente para recorrer exclusivamente aos mecanismos de mercado. Além disso, ao aumentar sua participação na área de biocombustíveis, a Petrobras envolve-se nas controvérsias que caracterizam o contexto “quente” assinalado inicialmente, sofrendo provavelmente maiores pressões políticas e de visibilidade internacional. O desenvolvimento do etanol de lignocelulose, ou etanol de segunda geração, obtido a partir de qualquer biomassa, pode representar uma resposta política e tecnologicamente apropriada já que apresenta uma solução ao dilema bioenergia versus alimentos. Porém, no estado tecnológico atual, ela não é ainda uma opção produtiva viável, necessitando de maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento, quer pela rota enzimática quer pelos processos de termoquímicos. A Petrobras, por meio de uma unidade experimental instalada no seu Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) e de parcerias com universidades brasileiras, está investindo na tecnologia enzimática. Mas trata-se ainda de uma iniciativa embrionária e sem grandes expectativas no futuro próximo.O caminho a trilhar pela Petrobras para se posicionar como uma empresa líder na produção e distribuição global de bioenergia não será linear e tranqüilo. No entanto, decisões estão sendo tomadas e teve início uma série de investimentos nesse sentido. O recente prêmio outorgado pela agência de classificação Management & Excellence à Petrobras, como petrolífera mais sustentável, é um fator que deve incentivar a empresa a desenvolver essa estratégia. Outrossim, alguns segmentos do governo brasileiro olham certamente com bons olhos a emergência de um player global capaz de lhe garantir um lugar estratégico na geopolítica mundial. A possibilidade de manter o leadership bioenergético e de se beneficiar das externalidades associadas à construção de conhecimentos e tecnologias é outro fator que interessa provavelmente ao governo, ainda que um aumento das exportações represente um risco a mais para a segurança energética brasileira. Mas se esse movimento significa um passo na direção de um estilo de desenvolvimento ecologicamente responsável, socialmente includente e economicamente dinâmico é uma questão ainda em aberto.
Georges Flexor é professor adjunto do Instituto Multidisciplinar IM/UFRRJ e pesquisador do Observatório de Políticas Públicas para a Agricultura OPPA/CPDA.
Carlos Augusto de Araujo Dória, 86 anos, economista, nacionalista, socialista, lulista, budista, gaitista, blogueiro, espírita, membro da Igreja Messiânica, tricolor, anistiado político, ex-empregado da Petrobras. Um defensor da justiça social, da preservação do meio ambiente, da Petrobras e das causas nacionalistas.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
terça-feira, 3 de junho de 2008
SEGURANÇA PÚBLICA - ONU acusa polícia do Rio de Janeiro.
ONU acusa polícia do Rio de mortes e ligação com crime
A Organização das Nações Unidas (ONU) acusa a polícia carioca de matar em média 3 pessoas por dia e de fazer parte cada vez mais do crime organizado. Nesta segunda-feira, durante o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o relator especial sobre assassinatos sumários, Philip Alston, apresentou suas conclusões sobre a situação no Brasil.O encontro termina amanhã, com as respostas do Itamaraty e comentários de outros países. O governo já indicou que irá contestar por escrito alguns dados apresentados pelo relator."A polícia fracassou em reconquistar as favelas das mãos das gangues. A estratégia baseada em mortes extrajudiciárias com a aprovação do Estado fracassou tremendamente", alertou Alston aos governos da ONU. O relator visitou o Rio em novembro e não foi recebido pelo governador Sérgio Cabral. Nesta segunda, alertou que desde então a situação está cada vez mais grave.Leia mais:Beltrame critica relatório da ONU sobre polícia do RioSegundo ele, as medidas do governo estadual do Rio de Janeiro em 2007 geraram um aumento no número de mortes pela polícia, mas uma redução na apreensão de drogas e de armas nas favelas.Para ilustrar como o governo do Rio fracassou, Alston apresentou a embaixadores de todo o mundo dados que ele considerada como alarmantes. As mortes pela polícia aumentaram em 25% entre 2006 e 2007 e as forças de ordem seriam responsáveis por 18% das mortes no Estado, classificando-as como atos de resistência. "Isso dá um cheque em branco aos policiais e total impunidade", disse.Já os resultados seriam decepcionantes. "O aumento dramático de mortes foi acompanhado por uma redução de 5,7% na apreensão de drogas, queda de 16,9% no confisco de armas e 13,2% de queda nas prisões", alertou. "Em outras palavras, os cidadãos do Rio estão menos seguros e inocentes estão sendo feridos e mortos pela polícia", afirmou.Na avaliação do relator, a operação no Morro do Alemão em junho de 2007 é o exemplo de tudo o que não deve ser feito. Para ele, a operação não trouxe resultados e gerou a morte de 19 pessoas. O pior, segundo ele, é que o número de operações aumentou em 2008, com um total de 46 mortes. Ele se afirmou indignado com o fato de as autoridades venderem as ações como um sucesso e prometerem mantê-las. A situação do Brasil foi tratada na mesma discussão sobre a crise de violência no Afeganistão, Sri Lanka e Afeganistão.Para Alston, um dos problemas mais sérios é o envolvimento dos policiais em esquadrões da morte e milícias. Embora não tivesse informações sobre a milícia que seqüestrou e torturou uma equipe de reportagem, a notícia de que o grupo contaria com policiais não o surpreendeu. "Nada foi feito nos últimos meses para reduzir a influência dessas milícias nem para afastar a participação de policiais", disse. "O Rio vive um enorme problema de drogas, gangues, violência e insegurança geral", disse.
A Organização das Nações Unidas (ONU) acusa a polícia carioca de matar em média 3 pessoas por dia e de fazer parte cada vez mais do crime organizado. Nesta segunda-feira, durante o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o relator especial sobre assassinatos sumários, Philip Alston, apresentou suas conclusões sobre a situação no Brasil.O encontro termina amanhã, com as respostas do Itamaraty e comentários de outros países. O governo já indicou que irá contestar por escrito alguns dados apresentados pelo relator."A polícia fracassou em reconquistar as favelas das mãos das gangues. A estratégia baseada em mortes extrajudiciárias com a aprovação do Estado fracassou tremendamente", alertou Alston aos governos da ONU. O relator visitou o Rio em novembro e não foi recebido pelo governador Sérgio Cabral. Nesta segunda, alertou que desde então a situação está cada vez mais grave.Leia mais:Beltrame critica relatório da ONU sobre polícia do RioSegundo ele, as medidas do governo estadual do Rio de Janeiro em 2007 geraram um aumento no número de mortes pela polícia, mas uma redução na apreensão de drogas e de armas nas favelas.Para ilustrar como o governo do Rio fracassou, Alston apresentou a embaixadores de todo o mundo dados que ele considerada como alarmantes. As mortes pela polícia aumentaram em 25% entre 2006 e 2007 e as forças de ordem seriam responsáveis por 18% das mortes no Estado, classificando-as como atos de resistência. "Isso dá um cheque em branco aos policiais e total impunidade", disse.Já os resultados seriam decepcionantes. "O aumento dramático de mortes foi acompanhado por uma redução de 5,7% na apreensão de drogas, queda de 16,9% no confisco de armas e 13,2% de queda nas prisões", alertou. "Em outras palavras, os cidadãos do Rio estão menos seguros e inocentes estão sendo feridos e mortos pela polícia", afirmou.Na avaliação do relator, a operação no Morro do Alemão em junho de 2007 é o exemplo de tudo o que não deve ser feito. Para ele, a operação não trouxe resultados e gerou a morte de 19 pessoas. O pior, segundo ele, é que o número de operações aumentou em 2008, com um total de 46 mortes. Ele se afirmou indignado com o fato de as autoridades venderem as ações como um sucesso e prometerem mantê-las. A situação do Brasil foi tratada na mesma discussão sobre a crise de violência no Afeganistão, Sri Lanka e Afeganistão.Para Alston, um dos problemas mais sérios é o envolvimento dos policiais em esquadrões da morte e milícias. Embora não tivesse informações sobre a milícia que seqüestrou e torturou uma equipe de reportagem, a notícia de que o grupo contaria com policiais não o surpreendeu. "Nada foi feito nos últimos meses para reduzir a influência dessas milícias nem para afastar a participação de policiais", disse. "O Rio vive um enorme problema de drogas, gangues, violência e insegurança geral", disse.
ANOS DE CHUMBO IX - Entrevista com Franklin Martins.
Copiado do site da Revista Fórum.
“Quem luta, acerta e erra; quem não luta, só erra”.
Por Glauco Faria.
No ano de 1968, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, estudava Economia. Mas, como parte dos estudantes à época, participou ativamente dos movimentos que começavam a contestar de forma mais veemente a ditadura militar tanto no plano político como no âmbito daquilo que os generais planejavam para o ensino superior no país. Ligado à Dissidência, uma organização política com base universitária que havia rompido com o Partido Comunista, Martins assegura que a ação dos estudantes brasileiros não era somente reflexo do que acontecia em outros países. “Esse turbilhão internacional produziu um caldo de cultura propício para o surgimento e o crescimento do movimento estudantil no Brasil. Mas, nem de longe, a luta por aqui foi um reflexo do que se passava lá fora, tanto que as primeiras grandes manifestações no Rio ocorreram em fins de março, bem antes, portanto, do Maio francês ou da Primavera de Praga”, conta em entrevista feita por e-mail à Fórum. Confira abaixo a íntegra. Fórum - Como o senhor avalia a importância das manifestações estudantis de 1968, dos quais o senhor fez parte? Franklin Martins - Costumo dizer que a explosão daquele ano foi fruto de quatro casamentos e um divórcio. O primeiro casamento se deu entre os estudantes politizados, que resistiam à ditadura, e a massa dos estudantes, que queria apenas receber uma boa formação acadêmica e profissional. A partir de 1967, entretanto, tornou-se geral a percepção do projeto que a ditadura militar tinha para a universidade: privatização do ensino superior, introdução das mensalidades nas escolas públicas, adoção de currículos ligados às demandas das empresas, diminuição do espaço para a crítica e a pesquisa científica, abolição da autonomia universitária etc. Ou seja, o confronto entre ditadura e estudantes não se dava mais apenas no plano político e fora da universidade, mas também nas questões concretas que afetavam o cotidiano dos alunos dentro das salas de aula. Isso deu corpo e unidade ao movimento. O segundo casamento aconteceu fora da universidade, entre dois segmentos da classe média: o que havia se oposto ao golpe de 64 e o que o havia apoiado. A luta pelas reformas de base durante o governo João Goulart dividira a classe média. Uma parte dela, minoritária, vira na mudança das estruturas o caminho para a modernização do país e para a diminuição das injustiças sociais. A outra, majoritária, reagira contra a bandeira das reformas e, através de suas lideranças, batera às portas dos quartéis pedindo a deposição do presidente constitucional. A expectativa destes era de que, afastado Jango, as Forças Armadas entregassem aos políticos de direita o comando do país. Não foi o que aconteceu, porém. A ditadura não só esmagou a esquerda, as forças democráticas e as organizações populares, como, em pouco tempo, marginalizou ou relegou a posições decorativas líderes como Carlos Lacerda, Magalhães Pinto e Adhemar de Barros, que haviam apoiado o golpe. Então, essa insatisfação geral da classe média contaminava o ambiente familiar dos estudantes e reforçava suas posições. O terceiro casamento foi o enlace em escala planetária das diversas lutas estudantis em curso no mundo, em Paris, em Praga, em Tóquio. E o último, o que se deu entre o nosso movimento estudantil e o impulso de renovação dos valores da sociedade, num sentido mais amplo, em todo o mundo: dos costumes, da moral, dos padrões artísticos, dos modos de pensar e de se comportar. As saias subiam, os cabelos cresciam, a pílula se popularizava, os padrões sexuais se transformavam, os modelos tradicionais de casamento e educação familiar entravam em crise. Por último, o divórcio: a explosão de 68 foi fruto também de uma profunda ruptura entre a juventude e a política tradicional. Respirava-se uma hostilidade generalizada contra os políticos, de direita ou de esquerda, e mais intensa ainda contra as instituições políticas criadas ou toleradas pela ditadura. A atividade política só tinha sentido se voltada para a transformação da sociedade, não à ocupação de cargos ou posições de poder. Todo esse contexto deu fôlego e ampliou o poder de atuação dos movimentos estudantis, que influíram de fato na transformação da sociedade. Fórum - A organização das manifestações aqui tinha inspiração nos movimentos que ocorreram em Paris? Martins - É fato que as lutas estudantis no Brasil uniram-se ao furacão que atravessou o mundo naquele ano: maio em Paris, revoltas estudantis na Alemanha, na Itália e na Inglaterra, movimentos contra o racismo e a guerra do Vietnã nos Estados Unidos, protestos de rua em Tóquio. Também o bloco socialista foi abalado com a invasão da Tchecoslováquia, onde o Partido Comunista local tentava conciliar socialismo com liberdade. E a ofensiva do Tet, o ano novo budista, contra as tropas americanas no Vietnã, mostrou que o triunfo do Vietcong era uma questão de tempo. Esse turbilhão internacional produziu um caldo de cultura propício para o surgimento e o crescimento do movimento estudantil no Brasil. Mas, nem de longe, a luta por aqui foi um reflexo do que se passava lá fora, tanto que as primeiras grandes manifestações no Rio ocorreram em fins de março, bem antes, portanto, do Maio francês ou da Primavera de Praga. Pessoalmente, creio que bem maior, no coração e na mente dos jovens brasileiros, foi o impacto da ofensiva do Tet. A sensação foi de que, se os vietnamitas podiam vencer a mais poderosa máquina de guerra do mundo, por que o povo brasileiro não poderia derrubar a ditadura? Fórum - Como o senhor vê o legado destes movimentos para os dias de hoje? Martins - Talvez o maior legado do Movimento Estudantil para o Brasil seja o crescimento do sentimento democrático no país. Os estudantes de 1968 foram derrotados com a decretação do AI-5, mas plantaram sementes que logo dariam frutos. Apesar da brutalidade da repressão e do terrorismo de Estado, já em 1974 a ditadura foi derrotada em toda a linha nas eleições parlamentares. O ímpeto democrático, que tinha sido momentaneamente sufocado, estava renascendo com vigor. Isso obrigou a ditadura terrorista a abrir um processo de distensão “lenta, gradual e segura” – tentando controlar a sua saída de cena. Não conseguiu. As lutas populares ganharam novo impulso nos anos seguintes (greves operárias, imprensa alternativa, entidades religiosas, associações de bairros etc), desembocando na luta pelas eleições diretas em 1984, que jogou a pá de cal no regime militar. Mas a geração de 68 não lutava apenas por democracia. Lutava também por justiça social, pelo socialismo, pela idéia da igualdade. É sintomático que os anos da ditadura tenham acentuado brutalmente as desigualdades sociais e a concentração de renda no Brasil. E este é um outro legado que o movimento deixou: não por acaso, de lá para cá o País vem perseguindo a redução dessas injustiças, com êxito crescente. O Movimento Estudantil também deixou um legado de mudanças em hábitos, comportamento, cultura, relações familiares, relações entre casais, sexo, que nos fizeram ser hoje um país menos careta do que era no final dos anos 60. E isso é bom. Além de tudo, 1968 ajudou que nos abríssemos para o mundo e para a novidade. Deixou o país mais antenado e menos provinciano, sem que com isso ele deixasse de valorizar o que é seu. E isso também é bom. Fórum - Vendo essa época a partir de hoje, que tipo de ações o senhor acha que foram equivocadas e quais outras poderiam ser tomadas para enfrentar a ditadura militar? Martins - Acho curiosa a preocupação com eventuais ações equivocadas. Porque, no fundo, equivocado era apoiar a ditadura, ou não lutar contra ela e ficar em casa esperando o Carnaval chegar. Quem luta, acerta e erra; quem não luta, só erra. Penso sempre com respeito e carinho nos que lutaram quando era tão difícil lutar. Dou muito pouca importância aos seus erros. Até porque os que lutavam, errando ou acertando, pagaram um preço muito alto por não se conformarem com a repressão e a injustiça: prisão, tortura e muitas vezes assassinato. A geração de 1968 poderá ser acusada de muitos erros, mas dela ninguém poderá tirar o maior de seus méritos: ter se entregado de corpo e alma àquilo que ela achava melhor para o Brasil e para o mundo. Foi bom ter vivido aquele tempo, foi fantástico conviver com tanta gente extraordinária.
“Quem luta, acerta e erra; quem não luta, só erra”.
Por Glauco Faria.
No ano de 1968, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, estudava Economia. Mas, como parte dos estudantes à época, participou ativamente dos movimentos que começavam a contestar de forma mais veemente a ditadura militar tanto no plano político como no âmbito daquilo que os generais planejavam para o ensino superior no país. Ligado à Dissidência, uma organização política com base universitária que havia rompido com o Partido Comunista, Martins assegura que a ação dos estudantes brasileiros não era somente reflexo do que acontecia em outros países. “Esse turbilhão internacional produziu um caldo de cultura propício para o surgimento e o crescimento do movimento estudantil no Brasil. Mas, nem de longe, a luta por aqui foi um reflexo do que se passava lá fora, tanto que as primeiras grandes manifestações no Rio ocorreram em fins de março, bem antes, portanto, do Maio francês ou da Primavera de Praga”, conta em entrevista feita por e-mail à Fórum. Confira abaixo a íntegra. Fórum - Como o senhor avalia a importância das manifestações estudantis de 1968, dos quais o senhor fez parte? Franklin Martins - Costumo dizer que a explosão daquele ano foi fruto de quatro casamentos e um divórcio. O primeiro casamento se deu entre os estudantes politizados, que resistiam à ditadura, e a massa dos estudantes, que queria apenas receber uma boa formação acadêmica e profissional. A partir de 1967, entretanto, tornou-se geral a percepção do projeto que a ditadura militar tinha para a universidade: privatização do ensino superior, introdução das mensalidades nas escolas públicas, adoção de currículos ligados às demandas das empresas, diminuição do espaço para a crítica e a pesquisa científica, abolição da autonomia universitária etc. Ou seja, o confronto entre ditadura e estudantes não se dava mais apenas no plano político e fora da universidade, mas também nas questões concretas que afetavam o cotidiano dos alunos dentro das salas de aula. Isso deu corpo e unidade ao movimento. O segundo casamento aconteceu fora da universidade, entre dois segmentos da classe média: o que havia se oposto ao golpe de 64 e o que o havia apoiado. A luta pelas reformas de base durante o governo João Goulart dividira a classe média. Uma parte dela, minoritária, vira na mudança das estruturas o caminho para a modernização do país e para a diminuição das injustiças sociais. A outra, majoritária, reagira contra a bandeira das reformas e, através de suas lideranças, batera às portas dos quartéis pedindo a deposição do presidente constitucional. A expectativa destes era de que, afastado Jango, as Forças Armadas entregassem aos políticos de direita o comando do país. Não foi o que aconteceu, porém. A ditadura não só esmagou a esquerda, as forças democráticas e as organizações populares, como, em pouco tempo, marginalizou ou relegou a posições decorativas líderes como Carlos Lacerda, Magalhães Pinto e Adhemar de Barros, que haviam apoiado o golpe. Então, essa insatisfação geral da classe média contaminava o ambiente familiar dos estudantes e reforçava suas posições. O terceiro casamento foi o enlace em escala planetária das diversas lutas estudantis em curso no mundo, em Paris, em Praga, em Tóquio. E o último, o que se deu entre o nosso movimento estudantil e o impulso de renovação dos valores da sociedade, num sentido mais amplo, em todo o mundo: dos costumes, da moral, dos padrões artísticos, dos modos de pensar e de se comportar. As saias subiam, os cabelos cresciam, a pílula se popularizava, os padrões sexuais se transformavam, os modelos tradicionais de casamento e educação familiar entravam em crise. Por último, o divórcio: a explosão de 68 foi fruto também de uma profunda ruptura entre a juventude e a política tradicional. Respirava-se uma hostilidade generalizada contra os políticos, de direita ou de esquerda, e mais intensa ainda contra as instituições políticas criadas ou toleradas pela ditadura. A atividade política só tinha sentido se voltada para a transformação da sociedade, não à ocupação de cargos ou posições de poder. Todo esse contexto deu fôlego e ampliou o poder de atuação dos movimentos estudantis, que influíram de fato na transformação da sociedade. Fórum - A organização das manifestações aqui tinha inspiração nos movimentos que ocorreram em Paris? Martins - É fato que as lutas estudantis no Brasil uniram-se ao furacão que atravessou o mundo naquele ano: maio em Paris, revoltas estudantis na Alemanha, na Itália e na Inglaterra, movimentos contra o racismo e a guerra do Vietnã nos Estados Unidos, protestos de rua em Tóquio. Também o bloco socialista foi abalado com a invasão da Tchecoslováquia, onde o Partido Comunista local tentava conciliar socialismo com liberdade. E a ofensiva do Tet, o ano novo budista, contra as tropas americanas no Vietnã, mostrou que o triunfo do Vietcong era uma questão de tempo. Esse turbilhão internacional produziu um caldo de cultura propício para o surgimento e o crescimento do movimento estudantil no Brasil. Mas, nem de longe, a luta por aqui foi um reflexo do que se passava lá fora, tanto que as primeiras grandes manifestações no Rio ocorreram em fins de março, bem antes, portanto, do Maio francês ou da Primavera de Praga. Pessoalmente, creio que bem maior, no coração e na mente dos jovens brasileiros, foi o impacto da ofensiva do Tet. A sensação foi de que, se os vietnamitas podiam vencer a mais poderosa máquina de guerra do mundo, por que o povo brasileiro não poderia derrubar a ditadura? Fórum - Como o senhor vê o legado destes movimentos para os dias de hoje? Martins - Talvez o maior legado do Movimento Estudantil para o Brasil seja o crescimento do sentimento democrático no país. Os estudantes de 1968 foram derrotados com a decretação do AI-5, mas plantaram sementes que logo dariam frutos. Apesar da brutalidade da repressão e do terrorismo de Estado, já em 1974 a ditadura foi derrotada em toda a linha nas eleições parlamentares. O ímpeto democrático, que tinha sido momentaneamente sufocado, estava renascendo com vigor. Isso obrigou a ditadura terrorista a abrir um processo de distensão “lenta, gradual e segura” – tentando controlar a sua saída de cena. Não conseguiu. As lutas populares ganharam novo impulso nos anos seguintes (greves operárias, imprensa alternativa, entidades religiosas, associações de bairros etc), desembocando na luta pelas eleições diretas em 1984, que jogou a pá de cal no regime militar. Mas a geração de 68 não lutava apenas por democracia. Lutava também por justiça social, pelo socialismo, pela idéia da igualdade. É sintomático que os anos da ditadura tenham acentuado brutalmente as desigualdades sociais e a concentração de renda no Brasil. E este é um outro legado que o movimento deixou: não por acaso, de lá para cá o País vem perseguindo a redução dessas injustiças, com êxito crescente. O Movimento Estudantil também deixou um legado de mudanças em hábitos, comportamento, cultura, relações familiares, relações entre casais, sexo, que nos fizeram ser hoje um país menos careta do que era no final dos anos 60. E isso é bom. Além de tudo, 1968 ajudou que nos abríssemos para o mundo e para a novidade. Deixou o país mais antenado e menos provinciano, sem que com isso ele deixasse de valorizar o que é seu. E isso também é bom. Fórum - Vendo essa época a partir de hoje, que tipo de ações o senhor acha que foram equivocadas e quais outras poderiam ser tomadas para enfrentar a ditadura militar? Martins - Acho curiosa a preocupação com eventuais ações equivocadas. Porque, no fundo, equivocado era apoiar a ditadura, ou não lutar contra ela e ficar em casa esperando o Carnaval chegar. Quem luta, acerta e erra; quem não luta, só erra. Penso sempre com respeito e carinho nos que lutaram quando era tão difícil lutar. Dou muito pouca importância aos seus erros. Até porque os que lutavam, errando ou acertando, pagaram um preço muito alto por não se conformarem com a repressão e a injustiça: prisão, tortura e muitas vezes assassinato. A geração de 1968 poderá ser acusada de muitos erros, mas dela ninguém poderá tirar o maior de seus méritos: ter se entregado de corpo e alma àquilo que ela achava melhor para o Brasil e para o mundo. Foi bom ter vivido aquele tempo, foi fantástico conviver com tanta gente extraordinária.
MÍDIA - O mundo está de cabeça para baixo.
Artigo publicado no The International Herald Tribune.
Durante algum tempo o mundo foi plano. Agora ele está de cabeça para baixo. Para compreender isso, inverta sua forma de raciocinar. Veja o mundo desenvolvido como dependente do mundo em desenvolvimento, em vez do outro modo. Entenda que dois terços do crescimento econômico global no ano passado vieram dos países emergentes, cujas economias vão se expandir cerca de 6,7% em 2008, contra 1,3% para os Estados Unidos, o Japão e os países da zona do euro. A drástica elevação nos preços de energia, commodities, metais e minerais produzidos principalmente no mundo em desenvolvimento explica parte dessa mudança. Isso criou os superávits de balança de pagamentos que abastecem a enxurrada de dólares para os ricos fundos soberanos em países como a China. Eles se divertem escolhendo uma participação na BP aqui, uma parte do Morgan Stanley ali e, porque não, umas lascas na Total. Nós, espécies paleolíticas do mundo desenvolvido somos alvos das críticas dos novos ricos agora, com nosso papel de predador exaurido. Os Estados Unidos e a Europa poderão em breve necessitar de toda a caridade que conseguirem obter. Para dar uma idéia melhor dessa inversão, ajuda estar no Brasil, onde o inverno (forma de falar) chega com o verão no hemisfério norte, e o otimismo econômico, tão exuberante quanto a vegetação, aumenta no mesmo ritmo acelerado das execuções de hipotecas nos Estados Unidos.Imensas descobertas de petróleos nos campos em alto mar, um boom no etanol de cana-de-açúcar, vastas reservas de terras aráveis não utilizadas, riqueza mineral e abundante água fresca contribuem para o entusiasmo brasileiro. Mas os recursos naturais formam apenas uma parte da história. Como na China e na Índia, um mercado interno em expansão está impulsionando o crescimento. Da mesma forma, está aumentando a sofisticação corporativa e a ambição global.No Fórum Nacional anual - uma reunião de líderes empresariais - senti-me como um insignificante representante do primeiro mundo enquanto os líderes da companhia nacional de energia Petrobras (maior que a BP, a Shell e a Total) e Companhia Vale do Rio Doce, ou CVRD (a segunda maior mineradora do mundo), despejavam estatísticas assombrosas. A Petrobras, que está à frente do vigoroso esforço do Brasil em direção à auto-suficiência depois da pesada dependência de petróleo importado, há 30 anos, vai mais que duplicar a produção de petróleo para 4,2 milhões de barris diários em 2015, dos atuais 1,9 milhão de barris."Com as mais recentes descobertas, o Atlântico Sul vai se tornar um imenso produtor de petróleo", prevê José Sérgio Gabrielli de Azevedo, seu principal executivo. Roger Agnelli da CVRD dispensa os Estados Unidos ("tem muitas dívidas") para concentrar-se nas ambições da empresa na Ásia. É imperativo estar lá, ele disse, porque é lá que estão o crescimento, o capital e a ambição. A China, ele observou, responderá por 55% do consumo de minério de ferro, 31,6% do níquel e 42% do alumínio até 2012. Não é preciso dizer mais nada.Como muitas outras grandes corporações dos mercados emergentes, a CVRD está realizando uma série de aquisições. Não são apenas os fundos soberanos que estão adquirindo empresas no primeiro mundo hoje em dia. São os novos gigantes do NAN ("Newly Acquisitive Nations" ou países recém-compradores).As fusões e aquisições nos mercados emergentes estão em alta de 17% no ano, crescendo para US$ 218 bilhões, enquanto no restante do mundo estão em queda de 43%, para US$ 991 bilhões, segundo a Thomson Reuters.O Relatório de 2007 sobre Investimento Mundial da Unctad disse que o investimento estrangeiro direto no mundo em desenvolvimento totalizou US$ 193 bilhões em 2006, em comparação com a média anual para a década de 1990 de US$ 54 bilhões. Os números para os EUA em 2006 foram de US$ 216,6 bilhões.A CVRD comprou a Inco do Canadá, uma mineradora de níquel, por US$ 17 bilhões em 2006. Quase comprou a mineradora anglo-suíça Xstrata por US$ 90 bilhões este ano. Na semana passada, a Vendanta Resources da Índia, chegou a um acordo de US$ 2,6 bilhões para a compra da mineradora norte-americana de cobre, Asarco. Esse acerto está sendo contestado pelo Grupo México, criando um combate latino-americano-asiático por uma empresa dos EUA.Se você está achando difícil compreender isso, tente ficar de cabeça para baixo. Essa também é uma boa posição para se apreciar a compra da Land Rover e Jaguar, da Ford, pela Tata Motors da Índia por US$ 2,3 bilhões, ou a aquisição, pela Tata Steel, no ano passado, da siderúrgica anglo-holandesa Corus Group, por US$ 12 bilhões.A globalização agora é uma via de mão dupla; na verdade, é uma rua indiana com o tráfego insinuando-se em todas as direções. "Em um mundo invertido, não só as economias em desenvolvimento tornaram-se forças dominantes nas exportações globais, no espaço de uns poucos anos, como suas empresas estão se transformando em importantes players na economia global, desafiando os poderosos que dominaram o cenário internacional no século 20", disse Cláudio Frischtak, economista e consultor brasileiro.A mudança que está acontecendo no poder econômico tem implicações que ainda não foram captadas pelo mundo desenvolvido. Claro que o G-8 e a constituição dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU precisam ser mudados para refletir essa mudança.O século 21 não poderá ser conduzido com instituições do século 20. Isso é óbvio. Menos óbvio é saber como os Estados Unidos, que garantem a segurança global a um grande custo, começarão a dividir esse ônus, para que a nova multi-polaridade de riqueza seja refletida em uma multi-polaridade de compromissos.A postura de lótus (em Yoga, apoiando-se sobre a cabeça) é adequada para o próximo presidente dos EUA.*Roger Cohen é editor do The International Herald Tribune ,Tradução: Claudia Dall'Antonia.
Durante algum tempo o mundo foi plano. Agora ele está de cabeça para baixo. Para compreender isso, inverta sua forma de raciocinar. Veja o mundo desenvolvido como dependente do mundo em desenvolvimento, em vez do outro modo. Entenda que dois terços do crescimento econômico global no ano passado vieram dos países emergentes, cujas economias vão se expandir cerca de 6,7% em 2008, contra 1,3% para os Estados Unidos, o Japão e os países da zona do euro. A drástica elevação nos preços de energia, commodities, metais e minerais produzidos principalmente no mundo em desenvolvimento explica parte dessa mudança. Isso criou os superávits de balança de pagamentos que abastecem a enxurrada de dólares para os ricos fundos soberanos em países como a China. Eles se divertem escolhendo uma participação na BP aqui, uma parte do Morgan Stanley ali e, porque não, umas lascas na Total. Nós, espécies paleolíticas do mundo desenvolvido somos alvos das críticas dos novos ricos agora, com nosso papel de predador exaurido. Os Estados Unidos e a Europa poderão em breve necessitar de toda a caridade que conseguirem obter. Para dar uma idéia melhor dessa inversão, ajuda estar no Brasil, onde o inverno (forma de falar) chega com o verão no hemisfério norte, e o otimismo econômico, tão exuberante quanto a vegetação, aumenta no mesmo ritmo acelerado das execuções de hipotecas nos Estados Unidos.Imensas descobertas de petróleos nos campos em alto mar, um boom no etanol de cana-de-açúcar, vastas reservas de terras aráveis não utilizadas, riqueza mineral e abundante água fresca contribuem para o entusiasmo brasileiro. Mas os recursos naturais formam apenas uma parte da história. Como na China e na Índia, um mercado interno em expansão está impulsionando o crescimento. Da mesma forma, está aumentando a sofisticação corporativa e a ambição global.No Fórum Nacional anual - uma reunião de líderes empresariais - senti-me como um insignificante representante do primeiro mundo enquanto os líderes da companhia nacional de energia Petrobras (maior que a BP, a Shell e a Total) e Companhia Vale do Rio Doce, ou CVRD (a segunda maior mineradora do mundo), despejavam estatísticas assombrosas. A Petrobras, que está à frente do vigoroso esforço do Brasil em direção à auto-suficiência depois da pesada dependência de petróleo importado, há 30 anos, vai mais que duplicar a produção de petróleo para 4,2 milhões de barris diários em 2015, dos atuais 1,9 milhão de barris."Com as mais recentes descobertas, o Atlântico Sul vai se tornar um imenso produtor de petróleo", prevê José Sérgio Gabrielli de Azevedo, seu principal executivo. Roger Agnelli da CVRD dispensa os Estados Unidos ("tem muitas dívidas") para concentrar-se nas ambições da empresa na Ásia. É imperativo estar lá, ele disse, porque é lá que estão o crescimento, o capital e a ambição. A China, ele observou, responderá por 55% do consumo de minério de ferro, 31,6% do níquel e 42% do alumínio até 2012. Não é preciso dizer mais nada.Como muitas outras grandes corporações dos mercados emergentes, a CVRD está realizando uma série de aquisições. Não são apenas os fundos soberanos que estão adquirindo empresas no primeiro mundo hoje em dia. São os novos gigantes do NAN ("Newly Acquisitive Nations" ou países recém-compradores).As fusões e aquisições nos mercados emergentes estão em alta de 17% no ano, crescendo para US$ 218 bilhões, enquanto no restante do mundo estão em queda de 43%, para US$ 991 bilhões, segundo a Thomson Reuters.O Relatório de 2007 sobre Investimento Mundial da Unctad disse que o investimento estrangeiro direto no mundo em desenvolvimento totalizou US$ 193 bilhões em 2006, em comparação com a média anual para a década de 1990 de US$ 54 bilhões. Os números para os EUA em 2006 foram de US$ 216,6 bilhões.A CVRD comprou a Inco do Canadá, uma mineradora de níquel, por US$ 17 bilhões em 2006. Quase comprou a mineradora anglo-suíça Xstrata por US$ 90 bilhões este ano. Na semana passada, a Vendanta Resources da Índia, chegou a um acordo de US$ 2,6 bilhões para a compra da mineradora norte-americana de cobre, Asarco. Esse acerto está sendo contestado pelo Grupo México, criando um combate latino-americano-asiático por uma empresa dos EUA.Se você está achando difícil compreender isso, tente ficar de cabeça para baixo. Essa também é uma boa posição para se apreciar a compra da Land Rover e Jaguar, da Ford, pela Tata Motors da Índia por US$ 2,3 bilhões, ou a aquisição, pela Tata Steel, no ano passado, da siderúrgica anglo-holandesa Corus Group, por US$ 12 bilhões.A globalização agora é uma via de mão dupla; na verdade, é uma rua indiana com o tráfego insinuando-se em todas as direções. "Em um mundo invertido, não só as economias em desenvolvimento tornaram-se forças dominantes nas exportações globais, no espaço de uns poucos anos, como suas empresas estão se transformando em importantes players na economia global, desafiando os poderosos que dominaram o cenário internacional no século 20", disse Cláudio Frischtak, economista e consultor brasileiro.A mudança que está acontecendo no poder econômico tem implicações que ainda não foram captadas pelo mundo desenvolvido. Claro que o G-8 e a constituição dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU precisam ser mudados para refletir essa mudança.O século 21 não poderá ser conduzido com instituições do século 20. Isso é óbvio. Menos óbvio é saber como os Estados Unidos, que garantem a segurança global a um grande custo, começarão a dividir esse ônus, para que a nova multi-polaridade de riqueza seja refletida em uma multi-polaridade de compromissos.A postura de lótus (em Yoga, apoiando-se sobre a cabeça) é adequada para o próximo presidente dos EUA.*Roger Cohen é editor do The International Herald Tribune ,Tradução: Claudia Dall'Antonia.
MEIO AMBIENTE - Na moda e na mídia.
Artigo do jornalista Mario Augusto Jakobskind.
A questão do meio ambiente está na ordem do dia. Ninguém hoje mais tem dúvida de que o planeta está ameaçado pelo tipo de desenvolvimento adotado nos mais diversos rincões. No Brasil, sem dúvida, o tema central fica por conta da Amazônia, região cobiçada pelas potências industriais. Volta e meia aparece um dirigente afirmando que a Amazônia, que corresponde a quase 60 por cento do território brasileiro, pertence à humanidade. De François Mitterrand a Mikhail Gorbachev, passando por Al Gore, todos já repetiram o refrão. Alguns setores que nunca se preocuparam com os 25 milhões de brasileiros vivendo na Amazônia ou se manifestaram contra a aquisição de terras da região por estrangeiros, de repente tornaram-se “protetores” da área. Estes recém convertidos ao nacionalismo elegeram os índios como bodes expiatórios. Em seus pronunciamentos se revelam preconceituosos e racistas contra estes brasileiros cujos ancestrais já ocupavam o território bem antes da chegada dos colonizadores portugueses.A questão da reserva da Raposa do Sol e a ação dos seis grupos de plantadores de arroz que insistem em não deixar as terras indígenas estão agora sub judice. Volta e meia surgem “advertências” segundo as quais territórios de nações indígenas vão se separar do Brasil. Há muitos anos que esta conversa circula, mas concretamente nada acontece. Pelo tempo, se os territórios tivessem que se separar do Brasil isto já teria acontecido. Os “nacionalistas”, além de preconceituosos têm uma visão colonizada. Para eles o conceito de nação indígena é o mesmo de nação no sentido Ocidental. Nesta semana que passou a questão do meio ambiente praticamente dominou o noticiário nacional com a posse do novo Ministro da área, o carioca Carlos Minc, considerado por Lula o Amarildo entrando no lugar de Pelé, a ex-Ministra Marina Silva. A mídia deu grande destaque ao colete verde de Minc. O novo Ministro se apresenta como defensor incondicional do meio ambiente. Mas sua gestão na Secretaria de Meio Ambiente do governo Sergio Cabral é colocada em dúvida por defensores do meio ambiente. Antes de fazer qualquer julgamento a respeito de Minc é necessário ter informações sobre o que aconteceu no Estado do Rio em matéria de meio ambiente desde a posse do governador Cabral, a 1 de janeiro de 2006. Para se ter uma idéia, na semana que passou o Tribunal Popular dos Povos, reunido em Lima, condenou a empresa alemã Thyssen Krupp e a Vale do Rio Doce, que por uma questão de marketing passou a se chamar Vale, pela ação no porto de Sepetiba. Naquela área está se construindo uma mega-siderúrgica, coqueria, uma termelétrica a carvão altamente poluente e um porto privado da CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico) de propriedade da empresa alemã Thyssen-Krupp e da desnacionalizada Vale. Só agora, depois de dois anos de sucessivas denúncias a diversos órgãos públicos estaduais e federais é que estas graves irregularidades começam a ser averiguadas e constatadas. A obra está embargada desde dezembro do ano passado, mas continua operando normalmente apesar dos graves malefícios ao meio ambiente que provoca, para não falar dos prejuízos à pesca e ao turismo. Mas onde entra o Amarildo nesta história, ou melhor, o agora Ministro Minc? Segundo o ecologista Sergio Ricardo, o pirotécnico Carlos Minc foi omisso e conivente com os crimes ambientais e desmandos em Sepetiba. E por que será? Lembra Sergio Ricardo que a Vale foi a maior financiadora da campanha do governador Sergio Cabral, além de diversos candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Os dados são oficiais. Como se não bastasse, o mesmo Minc quando secretário estadual do Meio Ambiente, lembra Sergio Ricardo, reduziu a área da Mata Atlântica de Parque Estadual beneficiando a especulação imobiliária, a privatização de praias e dunas por resorts estrangeiros de alto luxo e assim sucessivamente. Se acham que parou por aí o desrespeito ao meio ambiente, enganam-se. Minc tinha aprovado, quando deputado estadual, uma importante lei que limitava em todo o território fluminense as plantações de eucalipto por considerar este plantio prejudicial ao meio ambiente. Tão logo foi nomeado pelo Governador Sergio Cabral para a Secretaria do Meio Ambiente, o defensor do meio ambiente deu uma guinada de 180 graus e passou a apoiar a revogação da legislação de sua autoria aprovada pela Assembléia Legislativa. A Aracruz ficou imensamente agradecida a Minc, pois com isto a compensação com o reflorestamento baixou de 30 hectares para 10 hectares de mata nativa para cada cem de eucaliptos.Não percam por esperar o que vem por aí em matéria de marketing verde no Ministério do Meio Ambiente.
Fonte: site Direto da Redação.
A questão do meio ambiente está na ordem do dia. Ninguém hoje mais tem dúvida de que o planeta está ameaçado pelo tipo de desenvolvimento adotado nos mais diversos rincões. No Brasil, sem dúvida, o tema central fica por conta da Amazônia, região cobiçada pelas potências industriais. Volta e meia aparece um dirigente afirmando que a Amazônia, que corresponde a quase 60 por cento do território brasileiro, pertence à humanidade. De François Mitterrand a Mikhail Gorbachev, passando por Al Gore, todos já repetiram o refrão. Alguns setores que nunca se preocuparam com os 25 milhões de brasileiros vivendo na Amazônia ou se manifestaram contra a aquisição de terras da região por estrangeiros, de repente tornaram-se “protetores” da área. Estes recém convertidos ao nacionalismo elegeram os índios como bodes expiatórios. Em seus pronunciamentos se revelam preconceituosos e racistas contra estes brasileiros cujos ancestrais já ocupavam o território bem antes da chegada dos colonizadores portugueses.A questão da reserva da Raposa do Sol e a ação dos seis grupos de plantadores de arroz que insistem em não deixar as terras indígenas estão agora sub judice. Volta e meia surgem “advertências” segundo as quais territórios de nações indígenas vão se separar do Brasil. Há muitos anos que esta conversa circula, mas concretamente nada acontece. Pelo tempo, se os territórios tivessem que se separar do Brasil isto já teria acontecido. Os “nacionalistas”, além de preconceituosos têm uma visão colonizada. Para eles o conceito de nação indígena é o mesmo de nação no sentido Ocidental. Nesta semana que passou a questão do meio ambiente praticamente dominou o noticiário nacional com a posse do novo Ministro da área, o carioca Carlos Minc, considerado por Lula o Amarildo entrando no lugar de Pelé, a ex-Ministra Marina Silva. A mídia deu grande destaque ao colete verde de Minc. O novo Ministro se apresenta como defensor incondicional do meio ambiente. Mas sua gestão na Secretaria de Meio Ambiente do governo Sergio Cabral é colocada em dúvida por defensores do meio ambiente. Antes de fazer qualquer julgamento a respeito de Minc é necessário ter informações sobre o que aconteceu no Estado do Rio em matéria de meio ambiente desde a posse do governador Cabral, a 1 de janeiro de 2006. Para se ter uma idéia, na semana que passou o Tribunal Popular dos Povos, reunido em Lima, condenou a empresa alemã Thyssen Krupp e a Vale do Rio Doce, que por uma questão de marketing passou a se chamar Vale, pela ação no porto de Sepetiba. Naquela área está se construindo uma mega-siderúrgica, coqueria, uma termelétrica a carvão altamente poluente e um porto privado da CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico) de propriedade da empresa alemã Thyssen-Krupp e da desnacionalizada Vale. Só agora, depois de dois anos de sucessivas denúncias a diversos órgãos públicos estaduais e federais é que estas graves irregularidades começam a ser averiguadas e constatadas. A obra está embargada desde dezembro do ano passado, mas continua operando normalmente apesar dos graves malefícios ao meio ambiente que provoca, para não falar dos prejuízos à pesca e ao turismo. Mas onde entra o Amarildo nesta história, ou melhor, o agora Ministro Minc? Segundo o ecologista Sergio Ricardo, o pirotécnico Carlos Minc foi omisso e conivente com os crimes ambientais e desmandos em Sepetiba. E por que será? Lembra Sergio Ricardo que a Vale foi a maior financiadora da campanha do governador Sergio Cabral, além de diversos candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Os dados são oficiais. Como se não bastasse, o mesmo Minc quando secretário estadual do Meio Ambiente, lembra Sergio Ricardo, reduziu a área da Mata Atlântica de Parque Estadual beneficiando a especulação imobiliária, a privatização de praias e dunas por resorts estrangeiros de alto luxo e assim sucessivamente. Se acham que parou por aí o desrespeito ao meio ambiente, enganam-se. Minc tinha aprovado, quando deputado estadual, uma importante lei que limitava em todo o território fluminense as plantações de eucalipto por considerar este plantio prejudicial ao meio ambiente. Tão logo foi nomeado pelo Governador Sergio Cabral para a Secretaria do Meio Ambiente, o defensor do meio ambiente deu uma guinada de 180 graus e passou a apoiar a revogação da legislação de sua autoria aprovada pela Assembléia Legislativa. A Aracruz ficou imensamente agradecida a Minc, pois com isto a compensação com o reflorestamento baixou de 30 hectares para 10 hectares de mata nativa para cada cem de eucaliptos.Não percam por esperar o que vem por aí em matéria de marketing verde no Ministério do Meio Ambiente.
Fonte: site Direto da Redação.
PETROBRÁS - Petrobrás é lider em gestão de marca na A.L.
PETROBRÁS É LÍDER EM GESTÃO DE MARCA NA AMÉRICA LATINA.
Depois de ser listada como a terceira entre as maiores empresas das Américas em valor de mercado, a Petrobrás foi avaliada pela publicação `World Trademark Review` como líder da América Latina em gestão de marca. A premiação anual é dividida em categorias que agregam empresas de um mesmo segmento de negócio ou região geográfica. A cerimônia de premiação foi realizada durante o encontro anual da International Trademark Association, em Berlim, Alemanha. A associação agrega a comunidade internacional ligada a propriedade intelectual, gestão e defesa de marca. No segmento América Latina, a Petrobrás concorreu com Coca-Cola, Pepsico, Procter & Gamble e Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia. As empresas Martercard, Apple, Google e Adidas estão entre as ganhadoras do prêmio em outras categorias. (Agência Petrobrás de Notícias)
PETRÓLEO - Petróleo e o PIB americano.
PETRÓLEO E O PIB AMERICANO.
Edward Lazear, chefe dos assessores econômicos da Casa Branca, estimou que a disparada dos preços do petróleo pode diminuir em 1,5 pontos porcentuais o crescimento dos Estados Unidos. `O alto preço do petróleo já nos custou caro em termos de crescimento econômico`, disse Lazear em um discurso pronunciado em Washington, no qual estimou que a cada dez dólares de alta do petróleo o crescimento se reduzirá em um quarto de ponto. Os preços do petróleo já superaram os 130 dólares. `Se pensarmos sobre o aumento do petróleo no ano passado, falaremos em cerca de um ponto e meio de crescimento do produto interno bruto`, continuou. Lazear não quis falar sobre eventuais riscos de recessão que esses aumentos implicavam para a economia americana. `É óbvio que tudo isso nos atinge duramente`, lamentou. O crescimento americano ficou em 0,6% (a ritmo anual) no último trimestre de 2007 e no primeiro trimestre de 2008, e os analistas temem que chegue ao vermelho durante o atual trimestre. (AFP).
Fonte: AEPET
Edward Lazear, chefe dos assessores econômicos da Casa Branca, estimou que a disparada dos preços do petróleo pode diminuir em 1,5 pontos porcentuais o crescimento dos Estados Unidos. `O alto preço do petróleo já nos custou caro em termos de crescimento econômico`, disse Lazear em um discurso pronunciado em Washington, no qual estimou que a cada dez dólares de alta do petróleo o crescimento se reduzirá em um quarto de ponto. Os preços do petróleo já superaram os 130 dólares. `Se pensarmos sobre o aumento do petróleo no ano passado, falaremos em cerca de um ponto e meio de crescimento do produto interno bruto`, continuou. Lazear não quis falar sobre eventuais riscos de recessão que esses aumentos implicavam para a economia americana. `É óbvio que tudo isso nos atinge duramente`, lamentou. O crescimento americano ficou em 0,6% (a ritmo anual) no último trimestre de 2007 e no primeiro trimestre de 2008, e os analistas temem que chegue ao vermelho durante o atual trimestre. (AFP).
Fonte: AEPET
MÍDIA - Primeiro Fórum de Mídia Livre.
I Fórum de Mídia Livre se aproxima.
Estão abertas as inscrições para o I Fórum de Mídia Livre, que ocorrerá no Rio de Janeiro, dias 14 e 15 de junho, e reunirá participantes de todo o País. O evento é parte de uma ampla mobilização de jornalistas, acadêmicos, estudantes e ativistas e demais interessados pela democratização da comunicação, em defesa da diversidade informativa, do trabalho de colaboração nos novos meios e sua expansão, bem como da garantia de amplo direito à comunicação.A mobilização começou em uma reunião em São Paulo envolvendo 42 jornalistas, estudantes, professores ou pessoas atuantes na área das comunicações, de diferentes regiões do Brasil, e teve prosseguimento em reunião em Porto Alegre, com a presença de 49 pessoas, e na ABI, no Rio de Janeiro, com 32 presentes. A partir destes encontros já foram realizadas reuniões em Belém, Fortaleza, Recife e Aracaju. Clique aqui para saber quais são os ativistas e entidades que participam desta iniciativa, conforme os relatos dos pré-encontros.Entre as principais questões levantadas, os presentes discutiram o avanço do movimento de comunicação da mídia livre em todo o País, de maneira que seja obtida a garantia junto ao poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, a regulação da distribuição das verbas publicitárias públicas em nosso País e o avanço das microestruturas globais mediáticas, assimétricas, improvisadas, parcialmente caóticas e autônomas, como as redes digitais, as migrações, os coletivos e as ocupações urbanas, bem como de agregadores da diversidade da mídia e dos que a fazem.Estão confirmados para a mesa de abertura Emir Sader (UERJ); Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Rede Universidade Nômade); Paulo Salvador (veículos impressos); Lucia Stump (presidenta da UNE, pelo movimento social); Bernardo Kucinsky (Jornalismo alternativo e independente); Joaquim Palhares (veículos de internet); e um representante do Intervozes (movimento social das comunicações). Clique aqui para conhecer os demais confirmados.O setor de comunicação, segundo o manifesto em construção disponível no site do Fórum de Mídia Livre, "não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo". E continua: "A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos (...)".A mídia e os comunicadores em debateNo Rio de Janeiro está sendo levantada e discutida com intensidade a questão de uma economia psíquica da comunicação que dê conta dos agenciamentos internos, psíquicos (pensamentos, perceptos e afetos), dos jornalistas e dos comunicadores, de maneira a que ajam como comunicadores-cidadãos, portanto de maneira inovadora, de fato livre -sem repetir valores que contestam a nível macro-político- e assim produzam ambientes agregadores (diferentes-juntos) na diversidade da mídia tradicional, da mídia contra-hegemônica e da cultura digital.Outra questão importante é a da mídia contra-hegemônica e a potencialização da difusão mundial das formas de sentir, pensar e agir dos segmentos economicamente excluídos, das comunidades culturalmente marginalizadas ou dos grupos politicamente segregados. O Fórum também se propõe a debater novas perspectivas de comunicação, mais plurais e democráticas. Assim, temas como Creative Commons, Web 2.0 e novas mídias também ganharão destaque nos debates e atividades do evento.Segundo o documento esboçado na reunião de São Paulo, o objetivo da democratização das verbas públicas visa que "as verbas de publicidade e propaganda sejam distribuídas levando em consideração toda a ampla gama de veículos de informação e a diversidade de sua natureza; que os critérios de distribuição sejam mais amplos, públicos e justos, para além da lógica do mercado; e que ao mesmo tempo o poder público garanta espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, nas suas sinopses e meios semelhantes". O documento está disponível no site do evento (http://forumdemidialivre.blogspot.com/).De forma sincrônica ao evento no Rio de Janeiro, o movimento social de comunicação já está se mobilizando em sete cidades: Porto Alegre, São Paulo, Belém, Fortaleza, Recife, Aracaju e no próprio Rio de Janeiro. Todos os relatos já estão disponíveis no site. O próprio evento é um importante passo na discussão e deliberação sobre os rumos do movimento social de comunicação.Programação - O I Fórum de Mídia Livre acontecerá dias 14 e 15 de junho de 2008 (sábado e domingo), das 9h às 17h (com pausas entre os debates e grupos de trabalho). Será realizado no campus da UFRJ da Praia Vermelha, no Auditório Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e salas anexas. Endereço: Avenida Pasteur, 250 – Praia Vermelha. O Auditório Pedro Calmon fica no segundo andar do FCC.Estão confirmados para a mesa de abertura Emir Sader (UERJ); Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Rede Universidade Nômade); Paulo Salvador (veículos impressos); Lucia Stump (presidenta da UNE, pelo movimento social); Bernardo Kucinsky (Jornalismo alternativo e independente); Joaquim Palhares (veículos de internet); e um representante do Intervozes (movimento social das comunicações). Clique aqui para conhecer os demais confirmados.Inscrições - A participação no I Fórum de Mídia Livre é aberta e a inscrição é obrigatória. Os participantes podem também se informar sobre os pré-encontros em suas respectivas cidades. O custo individual da inscrição é de R$15 (quinze reais) para o público em geral e R$5 (cinco reais) para estudantes, pagos no dia do evento, junto à secretaria executiva do evento. A secretaria executiva emitirá um certificado de participação para os que compareceram nos dois dias de evento.A inscrição no I Fórum de Mídia Livre não garante, o transporte, estadia e alimentação dos inscritos, que no entanto estão sendo negociados.Oficinas - O Fórum de Mídia Livre convida todos e todas, participantes, entidades e ativistas, a inscreverem suas propostas de oficinas que tenham por objetivo contribuir com o aprofundamento dos debates, exposição de novos pontos de vista e produção colaborativa. Todas serão avaliadas e terão a sua realização confirmada pela Comissão Organizadora do Fórum, que receberá propostas por email até o dia 06 de junho (sexta-feira). Clique aqui para inscrever sua oficina!Inscreva-se já e participe dos debates: http://forumdemidialivre.blogspot.com/
Estão abertas as inscrições para o I Fórum de Mídia Livre, que ocorrerá no Rio de Janeiro, dias 14 e 15 de junho, e reunirá participantes de todo o País. O evento é parte de uma ampla mobilização de jornalistas, acadêmicos, estudantes e ativistas e demais interessados pela democratização da comunicação, em defesa da diversidade informativa, do trabalho de colaboração nos novos meios e sua expansão, bem como da garantia de amplo direito à comunicação.A mobilização começou em uma reunião em São Paulo envolvendo 42 jornalistas, estudantes, professores ou pessoas atuantes na área das comunicações, de diferentes regiões do Brasil, e teve prosseguimento em reunião em Porto Alegre, com a presença de 49 pessoas, e na ABI, no Rio de Janeiro, com 32 presentes. A partir destes encontros já foram realizadas reuniões em Belém, Fortaleza, Recife e Aracaju. Clique aqui para saber quais são os ativistas e entidades que participam desta iniciativa, conforme os relatos dos pré-encontros.Entre as principais questões levantadas, os presentes discutiram o avanço do movimento de comunicação da mídia livre em todo o País, de maneira que seja obtida a garantia junto ao poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, a regulação da distribuição das verbas publicitárias públicas em nosso País e o avanço das microestruturas globais mediáticas, assimétricas, improvisadas, parcialmente caóticas e autônomas, como as redes digitais, as migrações, os coletivos e as ocupações urbanas, bem como de agregadores da diversidade da mídia e dos que a fazem.Estão confirmados para a mesa de abertura Emir Sader (UERJ); Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Rede Universidade Nômade); Paulo Salvador (veículos impressos); Lucia Stump (presidenta da UNE, pelo movimento social); Bernardo Kucinsky (Jornalismo alternativo e independente); Joaquim Palhares (veículos de internet); e um representante do Intervozes (movimento social das comunicações). Clique aqui para conhecer os demais confirmados.O setor de comunicação, segundo o manifesto em construção disponível no site do Fórum de Mídia Livre, "não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo". E continua: "A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos (...)".A mídia e os comunicadores em debateNo Rio de Janeiro está sendo levantada e discutida com intensidade a questão de uma economia psíquica da comunicação que dê conta dos agenciamentos internos, psíquicos (pensamentos, perceptos e afetos), dos jornalistas e dos comunicadores, de maneira a que ajam como comunicadores-cidadãos, portanto de maneira inovadora, de fato livre -sem repetir valores que contestam a nível macro-político- e assim produzam ambientes agregadores (diferentes-juntos) na diversidade da mídia tradicional, da mídia contra-hegemônica e da cultura digital.Outra questão importante é a da mídia contra-hegemônica e a potencialização da difusão mundial das formas de sentir, pensar e agir dos segmentos economicamente excluídos, das comunidades culturalmente marginalizadas ou dos grupos politicamente segregados. O Fórum também se propõe a debater novas perspectivas de comunicação, mais plurais e democráticas. Assim, temas como Creative Commons, Web 2.0 e novas mídias também ganharão destaque nos debates e atividades do evento.Segundo o documento esboçado na reunião de São Paulo, o objetivo da democratização das verbas públicas visa que "as verbas de publicidade e propaganda sejam distribuídas levando em consideração toda a ampla gama de veículos de informação e a diversidade de sua natureza; que os critérios de distribuição sejam mais amplos, públicos e justos, para além da lógica do mercado; e que ao mesmo tempo o poder público garanta espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, nas suas sinopses e meios semelhantes". O documento está disponível no site do evento (http://forumdemidialivre.blogspot.com/).De forma sincrônica ao evento no Rio de Janeiro, o movimento social de comunicação já está se mobilizando em sete cidades: Porto Alegre, São Paulo, Belém, Fortaleza, Recife, Aracaju e no próprio Rio de Janeiro. Todos os relatos já estão disponíveis no site. O próprio evento é um importante passo na discussão e deliberação sobre os rumos do movimento social de comunicação.Programação - O I Fórum de Mídia Livre acontecerá dias 14 e 15 de junho de 2008 (sábado e domingo), das 9h às 17h (com pausas entre os debates e grupos de trabalho). Será realizado no campus da UFRJ da Praia Vermelha, no Auditório Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e salas anexas. Endereço: Avenida Pasteur, 250 – Praia Vermelha. O Auditório Pedro Calmon fica no segundo andar do FCC.Estão confirmados para a mesa de abertura Emir Sader (UERJ); Ivana Bentes (ECO/UFRJ e Rede Universidade Nômade); Paulo Salvador (veículos impressos); Lucia Stump (presidenta da UNE, pelo movimento social); Bernardo Kucinsky (Jornalismo alternativo e independente); Joaquim Palhares (veículos de internet); e um representante do Intervozes (movimento social das comunicações). Clique aqui para conhecer os demais confirmados.Inscrições - A participação no I Fórum de Mídia Livre é aberta e a inscrição é obrigatória. Os participantes podem também se informar sobre os pré-encontros em suas respectivas cidades. O custo individual da inscrição é de R$15 (quinze reais) para o público em geral e R$5 (cinco reais) para estudantes, pagos no dia do evento, junto à secretaria executiva do evento. A secretaria executiva emitirá um certificado de participação para os que compareceram nos dois dias de evento.A inscrição no I Fórum de Mídia Livre não garante, o transporte, estadia e alimentação dos inscritos, que no entanto estão sendo negociados.Oficinas - O Fórum de Mídia Livre convida todos e todas, participantes, entidades e ativistas, a inscreverem suas propostas de oficinas que tenham por objetivo contribuir com o aprofundamento dos debates, exposição de novos pontos de vista e produção colaborativa. Todas serão avaliadas e terão a sua realização confirmada pela Comissão Organizadora do Fórum, que receberá propostas por email até o dia 06 de junho (sexta-feira). Clique aqui para inscrever sua oficina!Inscreva-se já e participe dos debates: http://forumdemidialivre.blogspot.com/
CURIOSIDADES - Proibição de cueca e calcinha suja no trabalho.
Proibição de cueca e calcinha suja no trabalho.
Uma empresa sérvia foi condenada judicialmente, depois que seu gerente colocou um aviso e deu instruções pessoais por escrito, proibindo que os funcionários - homens ou mulheres - fossem trabalhar com a roupa íntima suja. O sérvio, que chefia a empresa com 30 funcionários, enviou um memorando que alertava para os profissionais escovarem os dentes, tomarem banho e trocarem a roupa íntima, todos os dias. A decisão judicial entendeu ofensiva a colocação do cartaz que dizia ser "uma ofensa o fato de um funcionário ir trabalhar com a cueca ou calcinha suja ou sem tomar banho". O mesmo ato também proibiu o pessoal de trabalhar com a boca cheirando a alho. No depoimento, Gregor Lehm Jevic afirmou que ficou "aborrecido de sentir pessoas sem higiene pessoal básica". Como nenhum dos funcionários exerceu a ação em nome pessoal, a condenação que corresponde a aproximadamente R$ 3 mil será em favor de um órgão do governo - que fiscaliza as relações de emprego.
Fonte: site Espaço Vital.
Uma empresa sérvia foi condenada judicialmente, depois que seu gerente colocou um aviso e deu instruções pessoais por escrito, proibindo que os funcionários - homens ou mulheres - fossem trabalhar com a roupa íntima suja. O sérvio, que chefia a empresa com 30 funcionários, enviou um memorando que alertava para os profissionais escovarem os dentes, tomarem banho e trocarem a roupa íntima, todos os dias. A decisão judicial entendeu ofensiva a colocação do cartaz que dizia ser "uma ofensa o fato de um funcionário ir trabalhar com a cueca ou calcinha suja ou sem tomar banho". O mesmo ato também proibiu o pessoal de trabalhar com a boca cheirando a alho. No depoimento, Gregor Lehm Jevic afirmou que ficou "aborrecido de sentir pessoas sem higiene pessoal básica". Como nenhum dos funcionários exerceu a ação em nome pessoal, a condenação que corresponde a aproximadamente R$ 3 mil será em favor de um órgão do governo - que fiscaliza as relações de emprego.
Fonte: site Espaço Vital.
ANOS DE CHUMBO VIII - Cai por terra uma herança do golpe de 64.
No início do ano de 1964 tinha acabado de passar no vestibular da Faculdade Nacional de Filosofia quando, numa manhã, fomos surpreendidos pela invasão da faculdade por forças do aparelho repressivo. Na ocasião, professores e alunos foram presos e a faculdade fechada. Enfim, presos por terem sido acusados de comunistas, por um professor dedo duro, cujo nome era Eremildo ou coisa parecida, um crápula a serviço da repressão. Foi minha primeira experiência com a violência do Estado e olha que ainda não havia sido editado o Ato Institucional número 5, o famoso AI-5 que foi um golpe dentro do golpe.
Estou escrevendo essas coisas, no momento em que o vice-presidente José Alencar acaba de sancionar um projeto de lei, que inclui, em caráter obrigatório, nos currículos das escolas públicas e privadas de ensino médio, os cursos de filosofia e sociologia. Tais cursos foram retirados dos currículos em1971, em pleno regime militar, sendo substituídos pelo de Moral e Cívica e OSPB (Organização Social e Política Brasileiros). O curioso é que em 2001, o FHC, ele um sociólogo, vetou um projeto de lei que já naquela época, reintroduziria os cursos vetados pela redentora. Os militares acabaram com esses cursos, pois queriam estudantes alienados, acríticos, sem capacidade de pensar e analisar a realidade do país. Além disso, para os milicos daquela época, sociólogos e filósofos, eram sinônimos de esquerdistas, comunistas,etc.
Carlos A. A. Dória
Estou escrevendo essas coisas, no momento em que o vice-presidente José Alencar acaba de sancionar um projeto de lei, que inclui, em caráter obrigatório, nos currículos das escolas públicas e privadas de ensino médio, os cursos de filosofia e sociologia. Tais cursos foram retirados dos currículos em1971, em pleno regime militar, sendo substituídos pelo de Moral e Cívica e OSPB (Organização Social e Política Brasileiros). O curioso é que em 2001, o FHC, ele um sociólogo, vetou um projeto de lei que já naquela época, reintroduziria os cursos vetados pela redentora. Os militares acabaram com esses cursos, pois queriam estudantes alienados, acríticos, sem capacidade de pensar e analisar a realidade do país. Além disso, para os milicos daquela época, sociólogos e filósofos, eram sinônimos de esquerdistas, comunistas,etc.
Carlos A. A. Dória
NEOLIBERALISMO - Fases da luta anti-neoliberal.
Artigo do Professor Emir Sader.
Fases da luta anti-neoliberal.
A luta contra o neoliberalismo já tem história, já passou por várias fases – da resistência ao inicio da construção de alternativas – e agora enfrenta um novo momento, o da contra-ofensiva da direita. No mesmo ano do lançamento do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) -1994-, os zapatistas conclamavam a resistir à nova onda hegemônica. Ignacio Ramonet chamava, em editorial do Le Monde Diplomatique -1997-, a lutar contra o “pensamento único” e o Consenso de Washington.O Forum Social Mundial – 2001 -convocava à construção de “um outro mundo possível”. As manifestações contra a OMC, iniciadas em Seattle – 2001 -, revelavam a extensão do mal estar com o novo modelo hegemônico e o potencial popular da luta de resistência. Era uma fase de resistência, de defensiva, diante da virada regressiva de proporções históricas gigantescas operada pela passagem de um mundo bipolar ao unipolar, sob hegemonia imperial norte-americana, e do modelo regulador ao modelo neoliberal.No plano governamental, a consolidação da hegemonia neoliberal, produziu-se pela passagem da geração direitista inicial que a lançou – a de Pinochet, Reagan, Thatcher – para a segunda, que alguns dos seus protagonistas reivindicaram como a “terceira via” – Clinton, Blair, Cardoso -, ocupando quase todo o espectro político. Essa força compacta começou a ser furada com a eleição de Hugo Chavez na Venezuela – 1998 -, concentrando-se na América Latina a partir desse momento, com a derrota eleitoral dos principais promotores do novo modelo – Cardoso, Menem, Fujimori, Carlos Andrés Perez, o PRI -, revelando o seu fracasso.No entanto, essa reação popular refletida nos triunfos eleitorais que sucederam ao de Chavez – Lula (2002), Kirchner (2003), Tabaré Vazquez (2004), aos que se pode acrescentar o de Daniel Ortega (2006) –, apresentaram um cenário diferente do que se pensava. Ainda que vitoriosos contra governos ortodoxamente neoliberais, esses novos governantes não apontaram para a ruptura com o modelo neoliberal, mantendo-o, com distintos graus de flexibilização – principalmente pelo peso que passaram a ter as políticas sociais. Esses matizes, somados à opção pelos processos de integração regional – antes de tudo o Mercosul -, e à derrota da Alca – ao que eles colaboraram ativamente - revelavam, no entanto, diferenças significativas em relação aos governos que os antecederam, contribuindo para o surgimento de um cenário político inédito no continente, pela existência simultânea de uma quantidade de variadas formas de governos que se opunham aos tratados e políticas de livre comércio pregadas pelos Estados Unidos, assim como a sua política de “guerra infinita” – que teve apenas na Colômbia uma adesão explícita na região.As vitórias de Evo Morales (2005) e de Rafael Correa (2006), ao lado do lançamento da Alba, do Banco do Sul, do gasoduto continental, da adesão da Venezuela e da Bolívia ao Mercosul, deram contornos mais amplos e fortaleceram um eixo de governos que, além do privilegio dos processos de integração regional, começavam a construir modelos de ruptura com o neoliberalismo, modelos neoliberais. O triunfo eleitoral de Fernando Lugo (2008) alarga o campo dos governos progressistas no continente, ao que pode somar-se proximamente El Salvador.No entanto, a partir de 2007, depois de pega relativamente de surpresa pela proliferação de governos progressistas na região, a direita retomou capacidade de iniciativa. Estes governos haviam capitalizado, no plano eleitoral, o descontentamento social gerado pelas políticas neoliberais, avançando neste plano – o elo mais frágil da cadeia neoliberal. Para recompor sua capacidade de iniciativa, a direita – cujo campo conta com a velha direita oligárquica e com as correntes social-democratas que aderiram ao neoliberalismo – lançou mão das esferas sobre as quais sua hegemonia não havia sido tocada ou que conservava, no essencial, sua força: o poder econômico e o mediático. Essa contra-ofensiva assumiu caras um pouco distintas em cada país, porém com elementos comuns: crítica da presença do Estado e de seus processos de regulação, dos processos de integração regional e com o Sul do mundo. Temas como a “corrupção” – centrado sempre nos governos e no Estado -, o desabastecimento, a autonomia dos governos regionais contra a centralização estatal, as supostas “ameaças” à “liberdade de imprensa” – identificada para eles com imprensa privada, etc.Passada a surpresa da multiplicação de governos em que o controle do aparato estatal escapava a seu controle direto, a direita retomou a iniciativa. No Brasil, com as campanhas de denúncias contra o governo Lula; na Venezuela, depois da tentativa de golpe de 2002, na defesa dos monopólios privados da mídia, a corrupção e o desabastecimento; na Bolívia, contra a reforma agrária, a nova Constituição e o uso dos novos impostos à exportação do gás para que o governo central realize políticas sociais; na Argentina, contra formas de regulação de preços e o desabastecimento; no Equador, contra a nova Constituição e as novas formas de regulação estatal. Conta também com os dois principais governos de direita na região – México e Colômbia -, tentando abrir um processo de privatização da empresa estatal do petróleo, Pemex, no primeiro, intensificando o epicentro das guerras infinitas na região, no segundo caso.Depois de ter ficado na defensiva nos anos de expansão da economia internacional, que favoreceu a obtenção de recursos do comercio exterior para intensificar suas políticas sociais, a direita retoma a ofensiva também neste plano, de denuncias sobre os riscos de retomada da inflação, sobre a necessidade de novos ajustes, de elevação novamente das taxas de juros, buscando retomar a prioridade da estabilidade monetária sobre a expansão econômica.A fase atual está marcada pelo recrudecimento dos enfrentamentos entre os governos progressistas e a oposição de direita, no plano político e ideológico. As tentativas de desqualificação do papel do Estado ganha destaque central como tema centralizador do conjunto de debates e polêmicas entre direita e esquerda. Se perfilam hoje no continente países que seguem com o esquema do Estado mínimo – com o México tentando dar início a um processo de privatização da empresa petrolífera Pemex, como exemplo do novo ímpeto privatizador do neoliberalismo no continente, com o Perú, aderido recentemente, assim como a Costa Rica e o Chile, embora concertando alguns dos graves buracos do seu outrora modelo de previdência privada, mantêm-se como o “caso” exibido como de sucesso desta vertente -, por um lado.Por outro, países buscam a refundação dos seus Estados, em base a esquemas posneoliberais e posliberais, no sentido de buscar novas formas de representação política, mais além do formalismo liberal, como são os casos da Bolívia, do Equados – ambos buscando fundar Estados plurinacionais, pluriétnicos, pluriculturais – e da Venezuela. Entre eles, se situam países que colocam em prática níveis de regulação do Estado, sem recompor os Estados prévios ao neoliberalismo, mas freando o desmantelamento dos aparatos estatais e fortalecendo capacidades setoriais de regulação estatal, brecando os processos de privatização anterior, fomentando o novo crescimento do trabalho formal e reequipando o funcionalismo público e os serviços públicos – de que os casos do Brasil e da Argentina são exemplos.O destino do neoliberalismo no continente não está definido. Ele continua hegemônico, seja pelos países que mantêm ortodoxamente o modelo, seja porque ele continua hegemônico em vários dos principais países do continente, de uma ou outra forma – Brasil, México, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, Costa Rica, - em um mundo dominado pelo neoliberalismo. Seu destino será decidido antes de tudo nos três países de economias mais fortes. Entre eles, por enquanto o México avança consolidando a hegemonia neoliberal, a Argentina e o Brasil preservam o modelo, com flexibilizações, porém ameaçados por forças opositoras de direita.O espaço mais significativo de construção pós-neoliberal é a Alba – Iniciativa Bolivariana para as Américas -, em que os países que dela participam – Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, mais intercâmbios importantes com o Equador -, constróem relações de intercâmbio solidárias, buscando responder às necessidades e possibilidades de cada país, de forma alternativa às leis do “livre comércio” da OMC, praticando o que o Fórum Social Mundial chama de “comércio justo”. Este é um espaço tipicamente pós-neoliberal, que depende da consolidação dos processos políticos nesses países.
Fonte: Agência Carta Maior.
Fases da luta anti-neoliberal.
A luta contra o neoliberalismo já tem história, já passou por várias fases – da resistência ao inicio da construção de alternativas – e agora enfrenta um novo momento, o da contra-ofensiva da direita. No mesmo ano do lançamento do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) -1994-, os zapatistas conclamavam a resistir à nova onda hegemônica. Ignacio Ramonet chamava, em editorial do Le Monde Diplomatique -1997-, a lutar contra o “pensamento único” e o Consenso de Washington.O Forum Social Mundial – 2001 -convocava à construção de “um outro mundo possível”. As manifestações contra a OMC, iniciadas em Seattle – 2001 -, revelavam a extensão do mal estar com o novo modelo hegemônico e o potencial popular da luta de resistência. Era uma fase de resistência, de defensiva, diante da virada regressiva de proporções históricas gigantescas operada pela passagem de um mundo bipolar ao unipolar, sob hegemonia imperial norte-americana, e do modelo regulador ao modelo neoliberal.No plano governamental, a consolidação da hegemonia neoliberal, produziu-se pela passagem da geração direitista inicial que a lançou – a de Pinochet, Reagan, Thatcher – para a segunda, que alguns dos seus protagonistas reivindicaram como a “terceira via” – Clinton, Blair, Cardoso -, ocupando quase todo o espectro político. Essa força compacta começou a ser furada com a eleição de Hugo Chavez na Venezuela – 1998 -, concentrando-se na América Latina a partir desse momento, com a derrota eleitoral dos principais promotores do novo modelo – Cardoso, Menem, Fujimori, Carlos Andrés Perez, o PRI -, revelando o seu fracasso.No entanto, essa reação popular refletida nos triunfos eleitorais que sucederam ao de Chavez – Lula (2002), Kirchner (2003), Tabaré Vazquez (2004), aos que se pode acrescentar o de Daniel Ortega (2006) –, apresentaram um cenário diferente do que se pensava. Ainda que vitoriosos contra governos ortodoxamente neoliberais, esses novos governantes não apontaram para a ruptura com o modelo neoliberal, mantendo-o, com distintos graus de flexibilização – principalmente pelo peso que passaram a ter as políticas sociais. Esses matizes, somados à opção pelos processos de integração regional – antes de tudo o Mercosul -, e à derrota da Alca – ao que eles colaboraram ativamente - revelavam, no entanto, diferenças significativas em relação aos governos que os antecederam, contribuindo para o surgimento de um cenário político inédito no continente, pela existência simultânea de uma quantidade de variadas formas de governos que se opunham aos tratados e políticas de livre comércio pregadas pelos Estados Unidos, assim como a sua política de “guerra infinita” – que teve apenas na Colômbia uma adesão explícita na região.As vitórias de Evo Morales (2005) e de Rafael Correa (2006), ao lado do lançamento da Alba, do Banco do Sul, do gasoduto continental, da adesão da Venezuela e da Bolívia ao Mercosul, deram contornos mais amplos e fortaleceram um eixo de governos que, além do privilegio dos processos de integração regional, começavam a construir modelos de ruptura com o neoliberalismo, modelos neoliberais. O triunfo eleitoral de Fernando Lugo (2008) alarga o campo dos governos progressistas no continente, ao que pode somar-se proximamente El Salvador.No entanto, a partir de 2007, depois de pega relativamente de surpresa pela proliferação de governos progressistas na região, a direita retomou capacidade de iniciativa. Estes governos haviam capitalizado, no plano eleitoral, o descontentamento social gerado pelas políticas neoliberais, avançando neste plano – o elo mais frágil da cadeia neoliberal. Para recompor sua capacidade de iniciativa, a direita – cujo campo conta com a velha direita oligárquica e com as correntes social-democratas que aderiram ao neoliberalismo – lançou mão das esferas sobre as quais sua hegemonia não havia sido tocada ou que conservava, no essencial, sua força: o poder econômico e o mediático. Essa contra-ofensiva assumiu caras um pouco distintas em cada país, porém com elementos comuns: crítica da presença do Estado e de seus processos de regulação, dos processos de integração regional e com o Sul do mundo. Temas como a “corrupção” – centrado sempre nos governos e no Estado -, o desabastecimento, a autonomia dos governos regionais contra a centralização estatal, as supostas “ameaças” à “liberdade de imprensa” – identificada para eles com imprensa privada, etc.Passada a surpresa da multiplicação de governos em que o controle do aparato estatal escapava a seu controle direto, a direita retomou a iniciativa. No Brasil, com as campanhas de denúncias contra o governo Lula; na Venezuela, depois da tentativa de golpe de 2002, na defesa dos monopólios privados da mídia, a corrupção e o desabastecimento; na Bolívia, contra a reforma agrária, a nova Constituição e o uso dos novos impostos à exportação do gás para que o governo central realize políticas sociais; na Argentina, contra formas de regulação de preços e o desabastecimento; no Equador, contra a nova Constituição e as novas formas de regulação estatal. Conta também com os dois principais governos de direita na região – México e Colômbia -, tentando abrir um processo de privatização da empresa estatal do petróleo, Pemex, no primeiro, intensificando o epicentro das guerras infinitas na região, no segundo caso.Depois de ter ficado na defensiva nos anos de expansão da economia internacional, que favoreceu a obtenção de recursos do comercio exterior para intensificar suas políticas sociais, a direita retoma a ofensiva também neste plano, de denuncias sobre os riscos de retomada da inflação, sobre a necessidade de novos ajustes, de elevação novamente das taxas de juros, buscando retomar a prioridade da estabilidade monetária sobre a expansão econômica.A fase atual está marcada pelo recrudecimento dos enfrentamentos entre os governos progressistas e a oposição de direita, no plano político e ideológico. As tentativas de desqualificação do papel do Estado ganha destaque central como tema centralizador do conjunto de debates e polêmicas entre direita e esquerda. Se perfilam hoje no continente países que seguem com o esquema do Estado mínimo – com o México tentando dar início a um processo de privatização da empresa petrolífera Pemex, como exemplo do novo ímpeto privatizador do neoliberalismo no continente, com o Perú, aderido recentemente, assim como a Costa Rica e o Chile, embora concertando alguns dos graves buracos do seu outrora modelo de previdência privada, mantêm-se como o “caso” exibido como de sucesso desta vertente -, por um lado.Por outro, países buscam a refundação dos seus Estados, em base a esquemas posneoliberais e posliberais, no sentido de buscar novas formas de representação política, mais além do formalismo liberal, como são os casos da Bolívia, do Equados – ambos buscando fundar Estados plurinacionais, pluriétnicos, pluriculturais – e da Venezuela. Entre eles, se situam países que colocam em prática níveis de regulação do Estado, sem recompor os Estados prévios ao neoliberalismo, mas freando o desmantelamento dos aparatos estatais e fortalecendo capacidades setoriais de regulação estatal, brecando os processos de privatização anterior, fomentando o novo crescimento do trabalho formal e reequipando o funcionalismo público e os serviços públicos – de que os casos do Brasil e da Argentina são exemplos.O destino do neoliberalismo no continente não está definido. Ele continua hegemônico, seja pelos países que mantêm ortodoxamente o modelo, seja porque ele continua hegemônico em vários dos principais países do continente, de uma ou outra forma – Brasil, México, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Uruguai, Costa Rica, - em um mundo dominado pelo neoliberalismo. Seu destino será decidido antes de tudo nos três países de economias mais fortes. Entre eles, por enquanto o México avança consolidando a hegemonia neoliberal, a Argentina e o Brasil preservam o modelo, com flexibilizações, porém ameaçados por forças opositoras de direita.O espaço mais significativo de construção pós-neoliberal é a Alba – Iniciativa Bolivariana para as Américas -, em que os países que dela participam – Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, mais intercâmbios importantes com o Equador -, constróem relações de intercâmbio solidárias, buscando responder às necessidades e possibilidades de cada país, de forma alternativa às leis do “livre comércio” da OMC, praticando o que o Fórum Social Mundial chama de “comércio justo”. Este é um espaço tipicamente pós-neoliberal, que depende da consolidação dos processos políticos nesses países.
Fonte: Agência Carta Maior.
VENEZUELA - Como transformar Chaves em um terrorista.
Como transformar Chávez em um terrorista em dois meses.
Primeiro disseram que era ditador, mas não convenceram ninguém, por ser ele o presidente americano que mais eleições ganhou. Depois propagaram que ele estava se armando até os dentes e era um perigo para a estabilidade da região, mas a verdade é que Chávez nunca utilizou uma única arma fora de seu país. Ou seja, que o último lance é transformá-lo em terrorista, por meio de uma operação midiática de dois meses.
Por Pascual Serrano*
Vamos repassar a cronologia da operação e comparemos cada acontecimento: a versão do eixo midiático (El País, El Tiempo, The Wall Street Jornal, o presidente colombiano Uribe, a Casa Branca) e a versão do que realmente aconteceu.
1º de março de 2008.
Versão do eixo midiático: O Exército colombiano ataca um acampamento das FARC em uma perseguição perto da fronteira do Equador. A notícia ocupa a primeira página da imprensa internacional.
Versão real: O Exército colombiano bombardeou um acampamento com os representantes internacionais das FARC às três da manhã, enquanto todos dormiam. Para isso, invadiram território equatoriano adentrando dois quilômetros no país. Assassinaram, também, três estudantes mexicanos de uma delegação que estava se entrevistando com o comandante Raúl Reyes. Utilizaram tecnologia e mísseis norte-americanos e, depois, assassinaram os feridos com um tiro de misericórdia. Essa delegação guerrilheira estava no Equador para negociar com as autoridades francesas a libertação de Ingrid Betancourt. A morte de Reyes abortou essa operação. Todos estes elementos vão se tornando conhecidos posteriormente, pouco a pouco, e são incorporados somente nas páginas interiores dos jornais. Outro detalhe a ser considerado é que o jornal El Tiempo é propriedade da família Santos, e seu diretor – Enrique Santos –é irmão do ministro de Defesa – Juan Manuel Santos – e primo do vice-presidente colombiano, Francisco Santos.
9 e 10 de maio de 2008.
Versão do eixo midiático: No dia 9 de maio, The Wall Street Journal afirma que teve acesso a documentos procedentes do computador de Raúl Reyes, os quais confirmariam que Chávez enviou dinheiro para as FARC. A notícia é reproduzida pelo jornal El Tiempo e por todas as agências internacionais. No dia seguinte, 10 de maio, o jornal El País, da Espanha, afirma que também teve acesso aos documentos de Raúl Reyes e tem como manchete “Os papéis das FARC acusam Chávez”. Mais uma vez, o jornal El Tiempo reproduz a notícia.
15 de maio de 2008.
A Interpol torna público o relatório sobre os supostos computadores de Raúl Reyes.
16 de maio de 2008.
Versão do eixo midiático: A imprensa norte-americana, espanhola e colombiana tem como manchete que o relatório da Interpol revela que os computadores eram das FARC e que não foram manipulados pelas autoridades colombianas. O jornal El País afirma que “segundo a agência policial, a Venezuela financiou as FARC”.
Versão real: O relatório da Interpol não faz nenhuma referência ao conteúdo dos arquivos, uma vez que, tal e como esclarecem no início, os especialistas informáticos que fizeram a vistoria “eram provenientes de fora da região e não falavam espanhol” – eram asiáticos –, com a finalidade de “eliminar a possibilidade de que fossem influenciados pelo conteúdo dos dados que estavam analisando”. O relatório confirma que milhares de arquivos apresentam data falsa: “2.110 arquivos cujas datas de criação oscilam entre 20 de abril de 2009 e 27 de agosto de 2009; 1.434 arquivos cujas datas de última modificação variam entre 5 de abril de 2009 e 16 de outubro de 2010” e que nos três computadores os discos rígidos externos e as chaves USB foram conectados depois do ataque e antes de serem entregues aos investigadores de informática forense da polícia judiciária colombiana. A Interpol denuncia, portanto, que “o acesso aos dados contidos nas citadas provas não se ajustou aos princípios reconhecidos internacionalmente para o tratamento de provas eletrônicas por parte dos organismos encarregados da aplicação da lei”, ao ponto de que em dias posteriores ao 1º de março de 2008, ou seja, estando em mãos das autoridades colombianas, fica comprovada a “criação de 273 arquivos de sistema, a abertura de 373 arquivos de sistema e de usuário, modificação de 786 arquivos de sistema e eliminação de 488 arquivos de sistema”.
Quanto à procedência desses computadores, o relatório começa esclarecendo que “a verificação realizada pela Interpol das oito provas instrumentais citadas não implica na validação da exatidão dos arquivos de usuário que elas contêm, da interpretação que qualquer país possa fazer desses arquivos, nem da sua origem”.
Nesse mesmo dia é celebrada a Cúpula América Latina e Caribe-União Européia, em Lima. O assunto dos computadores das FARC e as acusações contra Chávez dominam a agenda informativa.
Conclusões.
O desenvolvimento das informações difundidas mostra uma clara coordenação entre meios norte-americanos, como The Wall Street Journal, e os jornais El País e El Tiempo. É possível observar que El Tiempo começou difundindo os “vazamentos” do governo sobre as circunstâncias do ataque, todos desmentidos posteriormente. Por isso, passaram para a estratégia de que fossem os meios amigos internacionais os que recebessem os vazamentos e difundissem os supostos conteúdos dos computadores. E foi assim que operou o eixo midiático integrado pelo tridente El Tiempo-El País-The Wall Street Journal. Ou seja, o jornal colombiano vinculado com o governo; o espanhol, cuja empresa aspira obter a concessão de uma licença de televisão aberta na Colômbia e o jornal norte-americano que se encarregou da informação econômica mundial e que representa a ideologia conservadora estadunidense. Um maquinário bem engraxado para convencer o mundo de que Chávez é um terrorista. Afinal de contas, no Iraque deu certo acusar Sadam de manter relações com Al-Qaeda.
Associação de vítimas do computador de Reyes: que não falte o humor.
Que tenham aparecido computadores, discos rígidos e memórias portáteis em perfeito estado depois de um bombardeio é algo que provocou uma seqüência de comentários humorísticos na Venezuela. O escritor Roberto Hernández Montoya assinalou que “sua carcaça, de uma liga de concubinato de chumbo com pizzicato de titânio reforçado, torna-o invulnerável a mísseis de todo tipo, a bombas de fragmentação, a bombas inteligentes e a qualquer arsenal proibido por acordos internacionais. Você morre arrebentado e o computador continua como uma uva e produzindo materiais ao desejo do novo usuário”. Não falta quem tenha dito que não seria estranho que, mais adiante, algum porta-voz da Casa Branca mencione os vínculos ‘sinistros’ de Obama com as FARC — porque isso mostrariam os documentos dos computadores — após as declarações do democrata de que estaria disposto a “manter conversações diretas com os dirigentes de países como Irã, Síria, Cuba ou Venezuela”.
Ainda no plano do humor, foi criada a Associação de Vítimas do Computador de Raúl Reyes, cuja primeira atividade será a convocatória para um concurso de contos: solicitaram à população que envie relatos inverossímeis, tal como os que aparecem no computador de Reyes. O mais incrível e inexato dos contos será o que levará o prêmio, que vai consistir, é claro, em um computador. Inclusive há uma paródia na televisão estatal que apresenta um computador, resgatado dos restos do Titanic no fundo do Atlântico e completamente seco, que guarda informações sobre as relações de Uribe com pessoas à margem da lei.
* Pascual Serrano é jornalista.
Texto reproduzido da Agência Carta Maior
Primeiro disseram que era ditador, mas não convenceram ninguém, por ser ele o presidente americano que mais eleições ganhou. Depois propagaram que ele estava se armando até os dentes e era um perigo para a estabilidade da região, mas a verdade é que Chávez nunca utilizou uma única arma fora de seu país. Ou seja, que o último lance é transformá-lo em terrorista, por meio de uma operação midiática de dois meses.
Por Pascual Serrano*
Vamos repassar a cronologia da operação e comparemos cada acontecimento: a versão do eixo midiático (El País, El Tiempo, The Wall Street Jornal, o presidente colombiano Uribe, a Casa Branca) e a versão do que realmente aconteceu.
1º de março de 2008.
Versão do eixo midiático: O Exército colombiano ataca um acampamento das FARC em uma perseguição perto da fronteira do Equador. A notícia ocupa a primeira página da imprensa internacional.
Versão real: O Exército colombiano bombardeou um acampamento com os representantes internacionais das FARC às três da manhã, enquanto todos dormiam. Para isso, invadiram território equatoriano adentrando dois quilômetros no país. Assassinaram, também, três estudantes mexicanos de uma delegação que estava se entrevistando com o comandante Raúl Reyes. Utilizaram tecnologia e mísseis norte-americanos e, depois, assassinaram os feridos com um tiro de misericórdia. Essa delegação guerrilheira estava no Equador para negociar com as autoridades francesas a libertação de Ingrid Betancourt. A morte de Reyes abortou essa operação. Todos estes elementos vão se tornando conhecidos posteriormente, pouco a pouco, e são incorporados somente nas páginas interiores dos jornais. Outro detalhe a ser considerado é que o jornal El Tiempo é propriedade da família Santos, e seu diretor – Enrique Santos –é irmão do ministro de Defesa – Juan Manuel Santos – e primo do vice-presidente colombiano, Francisco Santos.
9 e 10 de maio de 2008.
Versão do eixo midiático: No dia 9 de maio, The Wall Street Journal afirma que teve acesso a documentos procedentes do computador de Raúl Reyes, os quais confirmariam que Chávez enviou dinheiro para as FARC. A notícia é reproduzida pelo jornal El Tiempo e por todas as agências internacionais. No dia seguinte, 10 de maio, o jornal El País, da Espanha, afirma que também teve acesso aos documentos de Raúl Reyes e tem como manchete “Os papéis das FARC acusam Chávez”. Mais uma vez, o jornal El Tiempo reproduz a notícia.
15 de maio de 2008.
A Interpol torna público o relatório sobre os supostos computadores de Raúl Reyes.
16 de maio de 2008.
Versão do eixo midiático: A imprensa norte-americana, espanhola e colombiana tem como manchete que o relatório da Interpol revela que os computadores eram das FARC e que não foram manipulados pelas autoridades colombianas. O jornal El País afirma que “segundo a agência policial, a Venezuela financiou as FARC”.
Versão real: O relatório da Interpol não faz nenhuma referência ao conteúdo dos arquivos, uma vez que, tal e como esclarecem no início, os especialistas informáticos que fizeram a vistoria “eram provenientes de fora da região e não falavam espanhol” – eram asiáticos –, com a finalidade de “eliminar a possibilidade de que fossem influenciados pelo conteúdo dos dados que estavam analisando”. O relatório confirma que milhares de arquivos apresentam data falsa: “2.110 arquivos cujas datas de criação oscilam entre 20 de abril de 2009 e 27 de agosto de 2009; 1.434 arquivos cujas datas de última modificação variam entre 5 de abril de 2009 e 16 de outubro de 2010” e que nos três computadores os discos rígidos externos e as chaves USB foram conectados depois do ataque e antes de serem entregues aos investigadores de informática forense da polícia judiciária colombiana. A Interpol denuncia, portanto, que “o acesso aos dados contidos nas citadas provas não se ajustou aos princípios reconhecidos internacionalmente para o tratamento de provas eletrônicas por parte dos organismos encarregados da aplicação da lei”, ao ponto de que em dias posteriores ao 1º de março de 2008, ou seja, estando em mãos das autoridades colombianas, fica comprovada a “criação de 273 arquivos de sistema, a abertura de 373 arquivos de sistema e de usuário, modificação de 786 arquivos de sistema e eliminação de 488 arquivos de sistema”.
Quanto à procedência desses computadores, o relatório começa esclarecendo que “a verificação realizada pela Interpol das oito provas instrumentais citadas não implica na validação da exatidão dos arquivos de usuário que elas contêm, da interpretação que qualquer país possa fazer desses arquivos, nem da sua origem”.
Nesse mesmo dia é celebrada a Cúpula América Latina e Caribe-União Européia, em Lima. O assunto dos computadores das FARC e as acusações contra Chávez dominam a agenda informativa.
Conclusões.
O desenvolvimento das informações difundidas mostra uma clara coordenação entre meios norte-americanos, como The Wall Street Journal, e os jornais El País e El Tiempo. É possível observar que El Tiempo começou difundindo os “vazamentos” do governo sobre as circunstâncias do ataque, todos desmentidos posteriormente. Por isso, passaram para a estratégia de que fossem os meios amigos internacionais os que recebessem os vazamentos e difundissem os supostos conteúdos dos computadores. E foi assim que operou o eixo midiático integrado pelo tridente El Tiempo-El País-The Wall Street Journal. Ou seja, o jornal colombiano vinculado com o governo; o espanhol, cuja empresa aspira obter a concessão de uma licença de televisão aberta na Colômbia e o jornal norte-americano que se encarregou da informação econômica mundial e que representa a ideologia conservadora estadunidense. Um maquinário bem engraxado para convencer o mundo de que Chávez é um terrorista. Afinal de contas, no Iraque deu certo acusar Sadam de manter relações com Al-Qaeda.
Associação de vítimas do computador de Reyes: que não falte o humor.
Que tenham aparecido computadores, discos rígidos e memórias portáteis em perfeito estado depois de um bombardeio é algo que provocou uma seqüência de comentários humorísticos na Venezuela. O escritor Roberto Hernández Montoya assinalou que “sua carcaça, de uma liga de concubinato de chumbo com pizzicato de titânio reforçado, torna-o invulnerável a mísseis de todo tipo, a bombas de fragmentação, a bombas inteligentes e a qualquer arsenal proibido por acordos internacionais. Você morre arrebentado e o computador continua como uma uva e produzindo materiais ao desejo do novo usuário”. Não falta quem tenha dito que não seria estranho que, mais adiante, algum porta-voz da Casa Branca mencione os vínculos ‘sinistros’ de Obama com as FARC — porque isso mostrariam os documentos dos computadores — após as declarações do democrata de que estaria disposto a “manter conversações diretas com os dirigentes de países como Irã, Síria, Cuba ou Venezuela”.
Ainda no plano do humor, foi criada a Associação de Vítimas do Computador de Raúl Reyes, cuja primeira atividade será a convocatória para um concurso de contos: solicitaram à população que envie relatos inverossímeis, tal como os que aparecem no computador de Reyes. O mais incrível e inexato dos contos será o que levará o prêmio, que vai consistir, é claro, em um computador. Inclusive há uma paródia na televisão estatal que apresenta um computador, resgatado dos restos do Titanic no fundo do Atlântico e completamente seco, que guarda informações sobre as relações de Uribe com pessoas à margem da lei.
* Pascual Serrano é jornalista.
Texto reproduzido da Agência Carta Maior
CURIOSIDADES - França apela contra anulação de casamento.
França apela contra anulação de casamento por falta de virgindade .
Governo francês teme que decisão estabeleça um precedente.
O governo francês vai apelar contra a decisão de um tribunal permitindo a anulação do casamento de um homem muçulmano que alegou ter descoberto que a noiva não era virgem como havia dito.
O caso, envolvendo um francês convertido ao islamismo e uma estudante universitária originária do norte da África, gerou grande polêmica na França.
Segundo o repórter da BBC para assuntos religiosos Frances Harrison, a ministra da Justiça francesa, Rachida Dati, pediu que o promotor público apele da decisão. Ela teme que o caso crie um precedente para outros casos parecidos.
O casamento foi realizado no verão de 2006, e a decisão de permitir a anulação foi divulgada na semana passada.
Segundo Harrison, a decisão do tribunal de Lille foi tomada com base em uma lei que diz que a anulação pode ser obtida se há um erro referente às qualidades essenciais de um dos noivos.
O advogado do marido disse que a decisão não teve nada a ver com religião, mas sim com a quebra de um contrato. O fato de que a mulher concordou com a anulação por não ser mais virgem também teria contribuído para a decisão.
Mas Harrison afirma que existe na França o temor de que considerações religiosas estejam infiltrando o sistema legal.
Os críticos questionam, por exemplo, se o juiz teria chegado à mesma conclusão se o casamento fosse entre cristãos ou judeus, cujas religiões, pelo menos em teoria, também não permitem o sexo antes do casamento.
Feministas também afirmam que há desigualdade na decisão, já que uma mulher jamais poderia pedir a anulação de seu casamento pelo mesmo motivo por causa da impossibilidade de se obter provas neste sentido.
Fonte: BBC BRASIL
Governo francês teme que decisão estabeleça um precedente.
O governo francês vai apelar contra a decisão de um tribunal permitindo a anulação do casamento de um homem muçulmano que alegou ter descoberto que a noiva não era virgem como havia dito.
O caso, envolvendo um francês convertido ao islamismo e uma estudante universitária originária do norte da África, gerou grande polêmica na França.
Segundo o repórter da BBC para assuntos religiosos Frances Harrison, a ministra da Justiça francesa, Rachida Dati, pediu que o promotor público apele da decisão. Ela teme que o caso crie um precedente para outros casos parecidos.
O casamento foi realizado no verão de 2006, e a decisão de permitir a anulação foi divulgada na semana passada.
Segundo Harrison, a decisão do tribunal de Lille foi tomada com base em uma lei que diz que a anulação pode ser obtida se há um erro referente às qualidades essenciais de um dos noivos.
O advogado do marido disse que a decisão não teve nada a ver com religião, mas sim com a quebra de um contrato. O fato de que a mulher concordou com a anulação por não ser mais virgem também teria contribuído para a decisão.
Mas Harrison afirma que existe na França o temor de que considerações religiosas estejam infiltrando o sistema legal.
Os críticos questionam, por exemplo, se o juiz teria chegado à mesma conclusão se o casamento fosse entre cristãos ou judeus, cujas religiões, pelo menos em teoria, também não permitem o sexo antes do casamento.
Feministas também afirmam que há desigualdade na decisão, já que uma mulher jamais poderia pedir a anulação de seu casamento pelo mesmo motivo por causa da impossibilidade de se obter provas neste sentido.
Fonte: BBC BRASIL
MÍDIA - Biocombustíveis&Alimentos - As mãos invisíveis por trás da notícia.
Por Carlos Brickmann.
Monteiro Lobato, mais do que um grande escritor, foi um dos pioneiros do petróleo brasileiro. Lutou para que o Brasil pesquisasse e produzisse petróleo. E, por isso, foi preso duas vezes pela ditadura de Getúlio Vargas.
Petróleo é isso: grandes empresas (as Sete Irmãs, que hoje já não são sete) fazendo pressões para que o petróleo apareça quando é conveniente e onde seja conveniente; e que permaneça insubstituível. O carro a vapor Stanley, que chegou a fazer sucesso, acabou depois de alguns acidentes (que também ocorreram com carros a gasolina) – e de pesada campanha de imprensa contra os perigos que oferecia. Henry Ford, em 1916, quis mudar o combustível do modelo T de gasolina para álcool, que considerava melhor e mais limpo. Convenceram-no a desistir. Quando o presidente mexicano Lázaro Cárdenas nacionalizou o petróleo, as Irmãs abriram os diques, para que o mar invadisse a área dos poços.
E, com todo o material histórico à mão, nossa imprensa ainda entra na história da falta de alimentos por causa dos biocombustíveis!
OK, há setores da Igreja Católica que condenam os biocombustíveis porque exigem grandes extensões de terra, há quem critique os biocombustíveis porque ajudam a manter a primazia do transporte individual, há quem condene especificamente a cana-de-açúcar por causa das queimadas ou por considerar inaceitáveis as condições de trabalho impostas por determinados usineiros. São posições de princípio que merecem respeito. Mas os meios de comunicação deveriam ser mais sofisticados: a indústria do petróleo, como a do cigarro, trabalha debaixo do pano para que ninguém abale seu predomínio.
Quem acusou a produção de álcool pelo preço em alta dos alimentos? Sim: o FMI e o Banco Mundial – que nunca, antes, se preocuparam com qualquer assunto diferente de moeda e financiamentos. E a União Européia, que não tem condições de produzir álcool, mas é sede de várias das Sete Irmãs.
Na imprensa brasileira, apenas Antônio Machado de Barros, em sua coluna no Correio Braziliense, foi buscar os fundamentos da guerra aos biocombustíveis. Mostrou que a Grocery Manufacturers Association, que reúne a indústria de alimentos e bebidas dos Estados Unidos, contratou uma empresa de lobby, a Glover Park, de Washington, para ligar a imagem da lei americana que abre caminho aos biocombustíveis "à fome global, às demissões na indústria de alimentação e à inflação". Para isso, pode contratar especialistas – cientistas que, para a opinião pública, figuram não como funcionários da indústria, mas parecem imparciais.
Vale a pena entrar fundo no assunto, buscar pautas nas publicações internacionais, fazer reportagens . Ou alguém acha que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo vai aceitar pacificamente a redução do valor de sua riqueza?
Fonte: Observatório da Imprensa.
Monteiro Lobato, mais do que um grande escritor, foi um dos pioneiros do petróleo brasileiro. Lutou para que o Brasil pesquisasse e produzisse petróleo. E, por isso, foi preso duas vezes pela ditadura de Getúlio Vargas.
Petróleo é isso: grandes empresas (as Sete Irmãs, que hoje já não são sete) fazendo pressões para que o petróleo apareça quando é conveniente e onde seja conveniente; e que permaneça insubstituível. O carro a vapor Stanley, que chegou a fazer sucesso, acabou depois de alguns acidentes (que também ocorreram com carros a gasolina) – e de pesada campanha de imprensa contra os perigos que oferecia. Henry Ford, em 1916, quis mudar o combustível do modelo T de gasolina para álcool, que considerava melhor e mais limpo. Convenceram-no a desistir. Quando o presidente mexicano Lázaro Cárdenas nacionalizou o petróleo, as Irmãs abriram os diques, para que o mar invadisse a área dos poços.
E, com todo o material histórico à mão, nossa imprensa ainda entra na história da falta de alimentos por causa dos biocombustíveis!
OK, há setores da Igreja Católica que condenam os biocombustíveis porque exigem grandes extensões de terra, há quem critique os biocombustíveis porque ajudam a manter a primazia do transporte individual, há quem condene especificamente a cana-de-açúcar por causa das queimadas ou por considerar inaceitáveis as condições de trabalho impostas por determinados usineiros. São posições de princípio que merecem respeito. Mas os meios de comunicação deveriam ser mais sofisticados: a indústria do petróleo, como a do cigarro, trabalha debaixo do pano para que ninguém abale seu predomínio.
Quem acusou a produção de álcool pelo preço em alta dos alimentos? Sim: o FMI e o Banco Mundial – que nunca, antes, se preocuparam com qualquer assunto diferente de moeda e financiamentos. E a União Européia, que não tem condições de produzir álcool, mas é sede de várias das Sete Irmãs.
Na imprensa brasileira, apenas Antônio Machado de Barros, em sua coluna no Correio Braziliense, foi buscar os fundamentos da guerra aos biocombustíveis. Mostrou que a Grocery Manufacturers Association, que reúne a indústria de alimentos e bebidas dos Estados Unidos, contratou uma empresa de lobby, a Glover Park, de Washington, para ligar a imagem da lei americana que abre caminho aos biocombustíveis "à fome global, às demissões na indústria de alimentação e à inflação". Para isso, pode contratar especialistas – cientistas que, para a opinião pública, figuram não como funcionários da indústria, mas parecem imparciais.
Vale a pena entrar fundo no assunto, buscar pautas nas publicações internacionais, fazer reportagens . Ou alguém acha que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo vai aceitar pacificamente a redução do valor de sua riqueza?
Fonte: Observatório da Imprensa.
AGRICULTURA - Crise alimentar não atingirá o Brasil.
Valquíria Rey,
para a BBC Brasil.
O representante regional para a América Latina e o Caribe e subdiretor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), José Graziano da Silva, acredita que a crise mundial de alimentos não atingirá o Brasil e a maioria dos países latino-americanos.
Como ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Graziano foi o responsável pela implementação do programa Fome Zero.
Em entrevista à BBC Brasil, ele disse que a América Latina produz 40% a mais de alimentos do que seria necessário para alimentar toda a sua população.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil – A crise mundial de alimentos pode afetar o Brasil e a América Latina? Há riscos de falta de alimentos?
Graziano - Não existem riscos para o Brasil e a maioria dos países latino-americanos. Há uma elevação de preços na região. Mas a região é auto-sustentável na produção de alimentos e é superavitária. A América Latina produz em média 40% mais alimentos do que seria necessário para alimentar toda a sua população.
O que preocupa não é o lado da produção. Mas o da disponibilidade de esses produtos chegarem aos consumidores de mais baixa renda. O que falta na América Latina é melhorar a distribuição da renda, os salários, o poder aquisitivo da população mais pobre.
A América Latina tem um nível incompatível de pobreza com o de riqueza que ela gera. Há pouco, a Cepal revisou seus cálculos mostrando que cerca de 15 milhões de pessoas podem voltar ao nível de pobreza extrema na América Latina em função dessa alta de preços. Isso significa que nós perderíamos praticamente tudo o que conquistamos em relação a atingir a meta do milênio de reduzir à metade os pobres na região.
BBC Brasil - Como o Brasil, sendo uma potência agrícola, pode ajudar a superar a crise mundial de alimentos?
Graziano - O Brasil contribui com a oferta de produtos a preços competitivos e sem a necessidade de subsídios. O país também pode vir a ser no curto prazo um exportador de álcool combustível.
Há um outro papel que o Brasil tem e muitas vezes é minimizado: o país é um celeiro de boas práticas de políticas agrícolas, que o tornaram relativamente imune a essa crise. Entre as principais, está um forte apoio à agricultura familiar, que garantiu uma produção interna de alimentos, inclusive de alguns típicos consumidos no país, como o feijão e outros do tipo do leite e alguns exportados, como a soja.
O Brasil também tem um programa muito importante de estoques públicos mantidos por uma empresa pública que não está sujeita à especulação privada. É também uma fonte potencial de tecnologia da melhor qualidade através da Embrapa, que pode ser exportada não só aos países vizinhos da América Latina, mas também para a África.
BBC Brasil – No Brasil, o governo afirma que o etanol feito da cana-de-açúcar não compete com a produção de alimentos. Mas, nos Estados Unidos, a forte demanda por etanol de milho comprometeu terras usadas em outros cultivos e a própria produção. O senhor acredita que a crítica ao etanol não seria injusta, ao culpar o biocombustível, de maneira geral, pelo caminho adotado nos Estados Unidos?
Graziano - As autoridades brasileiras, desde o presidente Lula, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, têm enfaticamente afirmado que o Brasil não se enquadra no problema da competição entre produção de combustíveis e de alimentos.
Isso na verdade é um falso dilema, não só para o caso brasileiro, mas para a maioria dos países do Cone Sul, da América do Sul e da África, que têm possibilidades de expandir essa produção.
Quando se fala de biocombustíveis, há de se especificar a origem, qual é o produto utilizado. Hoje, a incidência dos biocombustíveis sobre os alimentos é fundamentalmente originária do impacto sobre o milho americano, cuja demanda cresceu quase 30%, e os óleos vegetais dos biocombustíveis produzidos na União Européia.
Esses são os dois impactos visíveis. Ainda assim são pequenos. Não têm a magnitude que se apregoa. Não podem ser arrolados entre os maiores causadores da atual crise.
BBC Brasil – No caso do etanol brasileiro, o maior impacto seria mesmo social?
Graziano - O Brasil tem uma história de muitos erros na sua trajetória da produção de álcool.
Mas a história de sucesso brasileira não deixa de ter um impacto forte na área social que são os bóias-frias. Sempre digo que os bóias-frias são a chaga exposta do processo brasileiro bem-sucedido de produção de álcool. Está ao alcance dos produtores de álcool brasileiro resolver esse problema.
Eu acredito que é preciso uma melhor coordenação público-privada para se lograr um impacto que permita elevar substancialmente o nível de salários e garantir uma melhor estabilidade da renda, do emprego desse segmento, que hoje é um segmento importante, com cerca de 500 mil pessoas. Mas com o processo de mecanização tende a ser reduzido rapidamente.
BBC Brasil - O governo brasileiro está fazendo tudo o que a FAO recomenda nessa área?
Graziano - A FAO tem uma recomendação de muita cautela no caso específico da produção de biocombustíveis: que isso não seja feito com o custo da segurança alimentar. O Brasil tem um programa com a preocupação da segurança alimentar muito bem-sucedido, o Fome Zero, que está sendo implantado desde o governo Lula.
Não vejo nenhuma ameaça nesse momento de crise de abastecimento no Brasil, mesmo daqueles produtos que tiveram elevação de preços. Do ponto de vista de segurança alimentar não há nada a temer.
Mas deve haver um avanço em tudo o que diz respeito a questão do emprego desejável, do emprego seguro e da estabilidade de emprego para os trabalhadores rurais brasileiros.
BBC Brasil - Que decisões ou recomendações devem sair da Conferência da FAO sobre segurança alimentar?
Graziano - Nós esperamos que essa conferência cause um grande impacto global que possa levar a agricultura a ter a prioridade que ela necessita.
Nós acreditávamos que, devido ao sucesso da revolução verde nos anos 70 e 80, o problema da produção de alimentos em grande escala no mundo estava resolvido. De fato está na grande maioria dos países.
Mas há vários países que se tornaram muito dependentes das importações baratas dos produtos subsidiados exportados pelos Estados Unidos e pela Comunidade Européia, particularmente as nações mais pobres da África e da Ásia e da América Latina.
Nós esperamos que a Cúpula de Roma chegue a um entendimento de que esse processo não pode continuar. A agricultura necessita de mais investimentos, de voltar a ter uma função como prioridade política dos países para ajudar a garantir a segurança alimentar, principalmente dos países mais pobres.
para a BBC Brasil.
O representante regional para a América Latina e o Caribe e subdiretor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), José Graziano da Silva, acredita que a crise mundial de alimentos não atingirá o Brasil e a maioria dos países latino-americanos.
Como ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Graziano foi o responsável pela implementação do programa Fome Zero.
Em entrevista à BBC Brasil, ele disse que a América Latina produz 40% a mais de alimentos do que seria necessário para alimentar toda a sua população.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil – A crise mundial de alimentos pode afetar o Brasil e a América Latina? Há riscos de falta de alimentos?
Graziano - Não existem riscos para o Brasil e a maioria dos países latino-americanos. Há uma elevação de preços na região. Mas a região é auto-sustentável na produção de alimentos e é superavitária. A América Latina produz em média 40% mais alimentos do que seria necessário para alimentar toda a sua população.
O que preocupa não é o lado da produção. Mas o da disponibilidade de esses produtos chegarem aos consumidores de mais baixa renda. O que falta na América Latina é melhorar a distribuição da renda, os salários, o poder aquisitivo da população mais pobre.
A América Latina tem um nível incompatível de pobreza com o de riqueza que ela gera. Há pouco, a Cepal revisou seus cálculos mostrando que cerca de 15 milhões de pessoas podem voltar ao nível de pobreza extrema na América Latina em função dessa alta de preços. Isso significa que nós perderíamos praticamente tudo o que conquistamos em relação a atingir a meta do milênio de reduzir à metade os pobres na região.
BBC Brasil - Como o Brasil, sendo uma potência agrícola, pode ajudar a superar a crise mundial de alimentos?
Graziano - O Brasil contribui com a oferta de produtos a preços competitivos e sem a necessidade de subsídios. O país também pode vir a ser no curto prazo um exportador de álcool combustível.
Há um outro papel que o Brasil tem e muitas vezes é minimizado: o país é um celeiro de boas práticas de políticas agrícolas, que o tornaram relativamente imune a essa crise. Entre as principais, está um forte apoio à agricultura familiar, que garantiu uma produção interna de alimentos, inclusive de alguns típicos consumidos no país, como o feijão e outros do tipo do leite e alguns exportados, como a soja.
O Brasil também tem um programa muito importante de estoques públicos mantidos por uma empresa pública que não está sujeita à especulação privada. É também uma fonte potencial de tecnologia da melhor qualidade através da Embrapa, que pode ser exportada não só aos países vizinhos da América Latina, mas também para a África.
BBC Brasil – No Brasil, o governo afirma que o etanol feito da cana-de-açúcar não compete com a produção de alimentos. Mas, nos Estados Unidos, a forte demanda por etanol de milho comprometeu terras usadas em outros cultivos e a própria produção. O senhor acredita que a crítica ao etanol não seria injusta, ao culpar o biocombustível, de maneira geral, pelo caminho adotado nos Estados Unidos?
Graziano - As autoridades brasileiras, desde o presidente Lula, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, têm enfaticamente afirmado que o Brasil não se enquadra no problema da competição entre produção de combustíveis e de alimentos.
Isso na verdade é um falso dilema, não só para o caso brasileiro, mas para a maioria dos países do Cone Sul, da América do Sul e da África, que têm possibilidades de expandir essa produção.
Quando se fala de biocombustíveis, há de se especificar a origem, qual é o produto utilizado. Hoje, a incidência dos biocombustíveis sobre os alimentos é fundamentalmente originária do impacto sobre o milho americano, cuja demanda cresceu quase 30%, e os óleos vegetais dos biocombustíveis produzidos na União Européia.
Esses são os dois impactos visíveis. Ainda assim são pequenos. Não têm a magnitude que se apregoa. Não podem ser arrolados entre os maiores causadores da atual crise.
BBC Brasil – No caso do etanol brasileiro, o maior impacto seria mesmo social?
Graziano - O Brasil tem uma história de muitos erros na sua trajetória da produção de álcool.
Mas a história de sucesso brasileira não deixa de ter um impacto forte na área social que são os bóias-frias. Sempre digo que os bóias-frias são a chaga exposta do processo brasileiro bem-sucedido de produção de álcool. Está ao alcance dos produtores de álcool brasileiro resolver esse problema.
Eu acredito que é preciso uma melhor coordenação público-privada para se lograr um impacto que permita elevar substancialmente o nível de salários e garantir uma melhor estabilidade da renda, do emprego desse segmento, que hoje é um segmento importante, com cerca de 500 mil pessoas. Mas com o processo de mecanização tende a ser reduzido rapidamente.
BBC Brasil - O governo brasileiro está fazendo tudo o que a FAO recomenda nessa área?
Graziano - A FAO tem uma recomendação de muita cautela no caso específico da produção de biocombustíveis: que isso não seja feito com o custo da segurança alimentar. O Brasil tem um programa com a preocupação da segurança alimentar muito bem-sucedido, o Fome Zero, que está sendo implantado desde o governo Lula.
Não vejo nenhuma ameaça nesse momento de crise de abastecimento no Brasil, mesmo daqueles produtos que tiveram elevação de preços. Do ponto de vista de segurança alimentar não há nada a temer.
Mas deve haver um avanço em tudo o que diz respeito a questão do emprego desejável, do emprego seguro e da estabilidade de emprego para os trabalhadores rurais brasileiros.
BBC Brasil - Que decisões ou recomendações devem sair da Conferência da FAO sobre segurança alimentar?
Graziano - Nós esperamos que essa conferência cause um grande impacto global que possa levar a agricultura a ter a prioridade que ela necessita.
Nós acreditávamos que, devido ao sucesso da revolução verde nos anos 70 e 80, o problema da produção de alimentos em grande escala no mundo estava resolvido. De fato está na grande maioria dos países.
Mas há vários países que se tornaram muito dependentes das importações baratas dos produtos subsidiados exportados pelos Estados Unidos e pela Comunidade Européia, particularmente as nações mais pobres da África e da Ásia e da América Latina.
Nós esperamos que a Cúpula de Roma chegue a um entendimento de que esse processo não pode continuar. A agricultura necessita de mais investimentos, de voltar a ter uma função como prioridade política dos países para ajudar a garantir a segurança alimentar, principalmente dos países mais pobres.
AGRICULTURA - Ainda sobre a renegociação da dívida dos produtores rurais.
Já escrevi sobre isso e volto ao tema, pois o Professor Ariovaldo Umbelino em seu artigo, também tece comentários a respeito desse assunto.
Acho um escândalo tal renegociação. É premiar os caloteiros, os inadimplentes de sempre. Do total da dívida de R$ 75 bilhões, apenas R$ 3 bilhões são dos pequenos produtores. O restante pertence aos grandes proprietários, que têm uma bancada de 300 parlamentares que pressionam e chantageiam o governo. Por isso, entra ano, sai ano, esta monstruosa dívida é repactuada. Os inadimplentes tornam-se adimplentes e conseguem novos empréstimos junto aos bancos, empréstimos estes que voltarão a não ser pagos. O pior é que, muitas vezes o sujeito pega o empréstimo sem precisar, só porque ele é vantajoso. Apesar do câmbio, nunca o agronegócio ganhou tanto dinheiro. O PIB do agronegócio representa 23,3% do PIB total brasileiro, e deste total, 16,6% é exportado, entrando o agronegócio com 20%. Apesar dessa repactuação, continuam os trabalhadores rurais na maioria dos casos sendo mal remunerados e o patrão trocando de carro e aumentando suas propriedades.
Renegociação da dívida agrícola intensificará transferência de recursos ao agronegócio.
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader.
Por Gabriel Brito e Valéria Nader Na semana em que o governo federal anunciou um pacote recorde de renegociação da dívida do setor agrícola nacional,no valor total de 75 bilhões de reais, muito se proclamou que tais medidas, viabilizadas pela assinatura da Medida Provisória 432, dariam novo fôlego ao setor e permitiriam ao país superar sua crise na produção, além da realização de novos investimentos na área. No entanto, em entrevista ao Correio da Cidadania, o professor do departamento de geografia da USP Ariovaldo Umbelino considera que todas as medidas servem apenas para refinanciar os grandes produtores, pois são estes os verdadeiros grandes portadores da dívida, já que os pequenos são responsáveis por no máximo 5% dos débitos renegociados. Além do mais, de acordo com Umbelino, a própria medida em si atesta a incapacidade do agronegócio brasileiro em se sustentar de forma competitiva sem subsídios governamentais, como ocorre nos países desenvolvidos. Correio da Cidadania: Como você avalia a renegociação da dívida agrícola proposta pelo governo, através da Medida Provisória 432? Ariovaldo Umbelino: Antes de qualquer coisa, devemos entender estruturalmente essa questão da dívida rural brasileira. Não é a primeira vez que acontece isso. A primeira grande renegociação foi em 1996. Depois, foi repetida em 2000, quando o Fernando Henrique fez a securitização de parte dessas dívidas, e em 2003 e 2004, quando outras negociações também se realizaram. Todas elas revelam que, na realidade, a agricultura capitalista, dentro do bojo das políticas neoliberais, não tem nenhuma possibilidade de se desenvolver e se realizar sem subsídio público ou governamental. O que a renegociação mostra é exatamente a falência da política neoliberal voltada à agricultura. Em todos os países desenvolvidos do mundo - EUA, Japão, os europeus -, a agricultura é fortemente subsidiada, pois, de uma maneira geral, os preços agrícolas até esse ano sempre foram descendentes em relação aos produtos industriais consumidos pela agricultura, sempre ascendentes por sua vez. Na verdade, esse papel da agricultura como produtora de alimento barato para os trabalhadores - que de preferência precisam receber salários baixos a fim de permitir altos lucros aos empreendedores em geral - revela a necessidade do subsídio público. Esse é o primeiro ponto a ser destacado. O segundo é que vai por água abaixo aquela máxima do agronegócio brasileiro, a de que eles são competitivos e capazes de competir com a produção agrícola de qualquer outro lugar do mundo. No entanto, a verdade é que a agricultura brasileira, de forma indireta e através desta renegociação, revela que também é subsidiada. É evidente que nesse bojo entram os grandes, mas também fazem parte os médios e pequenos produtores, sobretudo aqueles provenientes da reforma agrária. Portanto, a renegociação revela esse lado da crise e sinaliza que daqui a quatro, cinco anos ela terá de ser feita novamente. Os pequenos não têm como fazê-lo e os grandes simplesmente se habituaram a não pagar, pois sabem que o governo cede e que possuem uma forte base parlamentar de pressão, que obviamente é posta a reivindicar tais tipos de renegociação. CC: No atual momento, em que o país se beneficia, ao menos economicamente, do mercado de commodities, essa renegociação não é inoportuna? AU: Os capitalistas nunca querem pagar nada ao Estado. Nem imposto, nem empréstimos, nada. Então, essa postura ‘anti-pagamento’ é comum entre os setores das elites brasileiras, que sempre transferiram à União os custos de seus investimentos. A base do enriquecimento das elites sempre se fez na apropriação do fundo público, como muito bem estudou o professor Chico de Oliveira. Sendo assim, é uma prática cotidiana do setor empresarial brasileiro, sobretudo dos que são ligados à agricultura. Esse é o principal ponto que enxergo. De qualquer forma, se olharmos a MP 432 que o governo encaminhou ao Congresso e que já foi aprovada pela Câmara dos deputados e pelo Senado, poderemos conferir que, na parte que trata dos objetivos da lei, eles justificam que haverá redução dos encargos por inadimplência incidentes em prestações vencidas e não pagas. Veja só. Eles não pagam e o governo ainda reduz o imposto, que tem a ver com os juros sobre essa dívida não paga e que não pertence somente aos devedores das parcelas futuras. Há ainda a concessão de prazo adicional, redução das taxas de juros das operações e concessões de desconto para liquidação de dívidas. Ou seja, reduzem os encargos, os juros e ainda dão desconto para pagarem. Portanto, trata-se de uma ação que fortalecerá o caixa do agronegócio. Por exemplo, um dos descontos, esse para liquidação de dívidas que vencem em 2008, 2009 ou 2010: se aqueles que devem mais de 200 mil reais pagam o débito em 2008, a dívida sofre 15% de desconto. E, como se não bastasse, depois há a bonificação, que pode chegar a 35% de desconto sobre o que deve ser pago mais um bônus de 6.000 reais. Quer dizer, há um conjunto de ações que representam transferência de recursos públicos para o caixa do agronegócio. CC: Pudemos ver que a mídia e o governo têm ressaltado que essa medida beneficiaria 1,8 milhão de pequenos produtores. O que você diria sobre isso? AU: Pois é, esse 1,8 milhão de contratos de pequenos produtores na realidade envolvem um total de apenas 3 bilhões de reais da dívida. Ou seja, a verdade é que os pequenos são os únicos que pagam, os mais adimplentes. E o número de pequenos produtores inadimplentes gira entre 3% e 5%. Portanto, a dívida não é dos pequenos. Estes sempre são utilizados como bode expiatório para refinanciarem e perdoarem as dívidas dos grandes. O que de fato está em jogo é a enorme diferença entre os 73 bilhões de reais em dívida que pertencem aos grandes e médios produtores e os 3 bilhões que pertencem aos pequenos. CC: Ressalta-se ainda o aspecto de que a renegociação vai incidir no combate à crise dos alimentos. AU: É curioso, pois até agora o governo dizia que o Brasil não passava por crise de alimentos, que estava imune. Porém, a MP evoca exatamente o cenário de crise nacional, e que, então, o refinanciamento da dívida seria uma contribuição. Há ainda um terceiro objetivo, que diz: "o esforço do governo federal, além de visar a recuperação da renda agrícola e o retorno de recursos públicos esterilizados e onerosos para o novo período, pode ser entendido no campo das relações internacionais como contribuição da sociedade brasileira no sentido de ampliar a oferta mundial de alimentos". Quer dizer, o povo brasileiro paga para que o mundo tenha comida mais barata. É o fim da picada. CC: Mas existiria algum mínimo benefício no controle da crise interna? AU: Na realidade não vai mudar absolutamente nada. Aprovadas as medidas, os produtores vão aos bancos aos quais devem e repactuam tudo. O que acontece com eles? Hoje, são inadimplentes; com a repactuação, tornam-se adimplentes. Ou seja, saem da condição de devedores e ainda estão livres para fazerem novas dívidas, pois é isso que acontecerá. Farão novos empréstimos e não pagarão, como fizeram em todos os casos anteriores, já que sempre dizem estar sem condições. A rigor, nada mudará.
Fonte: blog Correio da Cidadania.
Acho um escândalo tal renegociação. É premiar os caloteiros, os inadimplentes de sempre. Do total da dívida de R$ 75 bilhões, apenas R$ 3 bilhões são dos pequenos produtores. O restante pertence aos grandes proprietários, que têm uma bancada de 300 parlamentares que pressionam e chantageiam o governo. Por isso, entra ano, sai ano, esta monstruosa dívida é repactuada. Os inadimplentes tornam-se adimplentes e conseguem novos empréstimos junto aos bancos, empréstimos estes que voltarão a não ser pagos. O pior é que, muitas vezes o sujeito pega o empréstimo sem precisar, só porque ele é vantajoso. Apesar do câmbio, nunca o agronegócio ganhou tanto dinheiro. O PIB do agronegócio representa 23,3% do PIB total brasileiro, e deste total, 16,6% é exportado, entrando o agronegócio com 20%. Apesar dessa repactuação, continuam os trabalhadores rurais na maioria dos casos sendo mal remunerados e o patrão trocando de carro e aumentando suas propriedades.
Renegociação da dívida agrícola intensificará transferência de recursos ao agronegócio.
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader.
Por Gabriel Brito e Valéria Nader Na semana em que o governo federal anunciou um pacote recorde de renegociação da dívida do setor agrícola nacional,no valor total de 75 bilhões de reais, muito se proclamou que tais medidas, viabilizadas pela assinatura da Medida Provisória 432, dariam novo fôlego ao setor e permitiriam ao país superar sua crise na produção, além da realização de novos investimentos na área. No entanto, em entrevista ao Correio da Cidadania, o professor do departamento de geografia da USP Ariovaldo Umbelino considera que todas as medidas servem apenas para refinanciar os grandes produtores, pois são estes os verdadeiros grandes portadores da dívida, já que os pequenos são responsáveis por no máximo 5% dos débitos renegociados. Além do mais, de acordo com Umbelino, a própria medida em si atesta a incapacidade do agronegócio brasileiro em se sustentar de forma competitiva sem subsídios governamentais, como ocorre nos países desenvolvidos. Correio da Cidadania: Como você avalia a renegociação da dívida agrícola proposta pelo governo, através da Medida Provisória 432? Ariovaldo Umbelino: Antes de qualquer coisa, devemos entender estruturalmente essa questão da dívida rural brasileira. Não é a primeira vez que acontece isso. A primeira grande renegociação foi em 1996. Depois, foi repetida em 2000, quando o Fernando Henrique fez a securitização de parte dessas dívidas, e em 2003 e 2004, quando outras negociações também se realizaram. Todas elas revelam que, na realidade, a agricultura capitalista, dentro do bojo das políticas neoliberais, não tem nenhuma possibilidade de se desenvolver e se realizar sem subsídio público ou governamental. O que a renegociação mostra é exatamente a falência da política neoliberal voltada à agricultura. Em todos os países desenvolvidos do mundo - EUA, Japão, os europeus -, a agricultura é fortemente subsidiada, pois, de uma maneira geral, os preços agrícolas até esse ano sempre foram descendentes em relação aos produtos industriais consumidos pela agricultura, sempre ascendentes por sua vez. Na verdade, esse papel da agricultura como produtora de alimento barato para os trabalhadores - que de preferência precisam receber salários baixos a fim de permitir altos lucros aos empreendedores em geral - revela a necessidade do subsídio público. Esse é o primeiro ponto a ser destacado. O segundo é que vai por água abaixo aquela máxima do agronegócio brasileiro, a de que eles são competitivos e capazes de competir com a produção agrícola de qualquer outro lugar do mundo. No entanto, a verdade é que a agricultura brasileira, de forma indireta e através desta renegociação, revela que também é subsidiada. É evidente que nesse bojo entram os grandes, mas também fazem parte os médios e pequenos produtores, sobretudo aqueles provenientes da reforma agrária. Portanto, a renegociação revela esse lado da crise e sinaliza que daqui a quatro, cinco anos ela terá de ser feita novamente. Os pequenos não têm como fazê-lo e os grandes simplesmente se habituaram a não pagar, pois sabem que o governo cede e que possuem uma forte base parlamentar de pressão, que obviamente é posta a reivindicar tais tipos de renegociação. CC: No atual momento, em que o país se beneficia, ao menos economicamente, do mercado de commodities, essa renegociação não é inoportuna? AU: Os capitalistas nunca querem pagar nada ao Estado. Nem imposto, nem empréstimos, nada. Então, essa postura ‘anti-pagamento’ é comum entre os setores das elites brasileiras, que sempre transferiram à União os custos de seus investimentos. A base do enriquecimento das elites sempre se fez na apropriação do fundo público, como muito bem estudou o professor Chico de Oliveira. Sendo assim, é uma prática cotidiana do setor empresarial brasileiro, sobretudo dos que são ligados à agricultura. Esse é o principal ponto que enxergo. De qualquer forma, se olharmos a MP 432 que o governo encaminhou ao Congresso e que já foi aprovada pela Câmara dos deputados e pelo Senado, poderemos conferir que, na parte que trata dos objetivos da lei, eles justificam que haverá redução dos encargos por inadimplência incidentes em prestações vencidas e não pagas. Veja só. Eles não pagam e o governo ainda reduz o imposto, que tem a ver com os juros sobre essa dívida não paga e que não pertence somente aos devedores das parcelas futuras. Há ainda a concessão de prazo adicional, redução das taxas de juros das operações e concessões de desconto para liquidação de dívidas. Ou seja, reduzem os encargos, os juros e ainda dão desconto para pagarem. Portanto, trata-se de uma ação que fortalecerá o caixa do agronegócio. Por exemplo, um dos descontos, esse para liquidação de dívidas que vencem em 2008, 2009 ou 2010: se aqueles que devem mais de 200 mil reais pagam o débito em 2008, a dívida sofre 15% de desconto. E, como se não bastasse, depois há a bonificação, que pode chegar a 35% de desconto sobre o que deve ser pago mais um bônus de 6.000 reais. Quer dizer, há um conjunto de ações que representam transferência de recursos públicos para o caixa do agronegócio. CC: Pudemos ver que a mídia e o governo têm ressaltado que essa medida beneficiaria 1,8 milhão de pequenos produtores. O que você diria sobre isso? AU: Pois é, esse 1,8 milhão de contratos de pequenos produtores na realidade envolvem um total de apenas 3 bilhões de reais da dívida. Ou seja, a verdade é que os pequenos são os únicos que pagam, os mais adimplentes. E o número de pequenos produtores inadimplentes gira entre 3% e 5%. Portanto, a dívida não é dos pequenos. Estes sempre são utilizados como bode expiatório para refinanciarem e perdoarem as dívidas dos grandes. O que de fato está em jogo é a enorme diferença entre os 73 bilhões de reais em dívida que pertencem aos grandes e médios produtores e os 3 bilhões que pertencem aos pequenos. CC: Ressalta-se ainda o aspecto de que a renegociação vai incidir no combate à crise dos alimentos. AU: É curioso, pois até agora o governo dizia que o Brasil não passava por crise de alimentos, que estava imune. Porém, a MP evoca exatamente o cenário de crise nacional, e que, então, o refinanciamento da dívida seria uma contribuição. Há ainda um terceiro objetivo, que diz: "o esforço do governo federal, além de visar a recuperação da renda agrícola e o retorno de recursos públicos esterilizados e onerosos para o novo período, pode ser entendido no campo das relações internacionais como contribuição da sociedade brasileira no sentido de ampliar a oferta mundial de alimentos". Quer dizer, o povo brasileiro paga para que o mundo tenha comida mais barata. É o fim da picada. CC: Mas existiria algum mínimo benefício no controle da crise interna? AU: Na realidade não vai mudar absolutamente nada. Aprovadas as medidas, os produtores vão aos bancos aos quais devem e repactuam tudo. O que acontece com eles? Hoje, são inadimplentes; com a repactuação, tornam-se adimplentes. Ou seja, saem da condição de devedores e ainda estão livres para fazerem novas dívidas, pois é isso que acontecerá. Farão novos empréstimos e não pagarão, como fizeram em todos os casos anteriores, já que sempre dizem estar sem condições. A rigor, nada mudará.
Fonte: blog Correio da Cidadania.
AGRICULTURA - OMC decidiu a favor do Brasil na questão do algodão.
Brasil contesta subsídios americanos ao algodão desde 2003.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu nesta segunda-feira a favor do Brasil em uma disputa de cinco anos com os Estados Unidos em torno dos subsídios aos produtores americanos de algodão.
Cabe agora ao Brasil pedir ou não à OMC o direito de aplicar sanções contra os Estados Unidos.
Desde 2003, o governo brasileiro contestava na OMC a ajuda oficial aos agricultores americanos, que alegava ser prejudicial à competitividade de outros produtores de algodão no mercado internacional.
O Órgão de Apelações da entidade rejeitou um recurso americano, apresentado em fevereiro, contra uma decisão tomada em dezembro que já julgava que os subsídios ao setor violavam regras do comércio internacional.
O painel decidiu que os subsídios que Washington dá aos seus produtores de algodão geram "significativa supressão de preço" que acarreta "prejuízos graves" ao Brasil.
Por outro lado, o painel não acatou a argumentação brasileira de que outros programas de apoio como flexibilidade nos contratos causavam danos aos competidores com a justificativa de que "o Brasil não conseguiu provar uma relação de causalidade entre esses programas e uma supressão de preço significativa".
Ainda de acordo com os especialistas da entidade, apesar de decisões anteriores favoráveis ao Brasil, os Estados Unidos não cumpriram com a sua obrigação, prevista nas regras da OMC, de "tomar medidas apropriadas para remover os efeitos adversos...ou retirar os subsídios".
O governo brasileiro se disse satisfeito com o anúncio da OMC. De acordo com os procedimentos da organização, o relatório do Orgão de Apelação deverá ser adotado pelo Orgão de Solução de Controvérsias em prazo de até 30 dias, contados a partir desta segunda-feira.
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, disse que os subsídios norte-americanos para o algodão continuam provocando prejuízos aos produtores brasileiros.
"Considero um desrespeito do governo americano em não cumprir com a decisão da OMC. É um absurdo que este governo se apóie na fragilidade e dificuldade do cumprimento das decisões da OMC. Essas medidas devem ser respeitadas, ainda mais levando em conta que os Estados Unidos são signatários da organização", disse o ministro.
Fonte: BBC BRASIL
A Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu nesta segunda-feira a favor do Brasil em uma disputa de cinco anos com os Estados Unidos em torno dos subsídios aos produtores americanos de algodão.
Cabe agora ao Brasil pedir ou não à OMC o direito de aplicar sanções contra os Estados Unidos.
Desde 2003, o governo brasileiro contestava na OMC a ajuda oficial aos agricultores americanos, que alegava ser prejudicial à competitividade de outros produtores de algodão no mercado internacional.
O Órgão de Apelações da entidade rejeitou um recurso americano, apresentado em fevereiro, contra uma decisão tomada em dezembro que já julgava que os subsídios ao setor violavam regras do comércio internacional.
O painel decidiu que os subsídios que Washington dá aos seus produtores de algodão geram "significativa supressão de preço" que acarreta "prejuízos graves" ao Brasil.
Por outro lado, o painel não acatou a argumentação brasileira de que outros programas de apoio como flexibilidade nos contratos causavam danos aos competidores com a justificativa de que "o Brasil não conseguiu provar uma relação de causalidade entre esses programas e uma supressão de preço significativa".
Ainda de acordo com os especialistas da entidade, apesar de decisões anteriores favoráveis ao Brasil, os Estados Unidos não cumpriram com a sua obrigação, prevista nas regras da OMC, de "tomar medidas apropriadas para remover os efeitos adversos...ou retirar os subsídios".
O governo brasileiro se disse satisfeito com o anúncio da OMC. De acordo com os procedimentos da organização, o relatório do Orgão de Apelação deverá ser adotado pelo Orgão de Solução de Controvérsias em prazo de até 30 dias, contados a partir desta segunda-feira.
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, disse que os subsídios norte-americanos para o algodão continuam provocando prejuízos aos produtores brasileiros.
"Considero um desrespeito do governo americano em não cumprir com a decisão da OMC. É um absurdo que este governo se apóie na fragilidade e dificuldade do cumprimento das decisões da OMC. Essas medidas devem ser respeitadas, ainda mais levando em conta que os Estados Unidos são signatários da organização", disse o ministro.
Fonte: BBC BRASIL
MUNDO - Estados Unidos utilizam navios como prisões flutuantes.
The Guardian: EUA utilizam navios como prisões flutuantes.
Os Estados Unidos utilizaram duas dezenas de barcos como cárceres flutuantes, desde o ano de 2001, para interrogatório de prisioneiros, revelou nesta segunda-feira (2) o diário britânico The Guardian.
O periódico se refere a uma reportagem ainda não publicada da organização Reprieve, na qual se afirma que os detidos são interrogados a bordo das naves e logo em seguida enviados a centros de encarceramento em diferentes países.
Entre os barcos militares empregados nessa tarefa se encontram os USS Bataan, USS Ashland e USS Peleliu e alguns deles operam ao redor da ilha de Diego Garcia, uma possessão inglesa no Oceano Índico.
Há três meses, o chanceler britânico, David Milband, admitiu que nesse território aterrisaram aviões americanos, que trasladavam prisioneiros para a base naval de Guantânamo.
A informação sobre os cárceres flutuantes surgiu de diversas fontes, entre elas militares americanos, o Conselho de Europa, parlamentares e os próprios prisioneiros.
O documento da Reprieve será publicado este ano e também identifica mais de 200 novos casos de tráfego de presos ocorridos em 2006, apesar da declaração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, sobre a suspensão dessa prática.
De acordo com o diretor legal da Reprieve, Clive Stafford Smith, os americanos escolheram os barcos para tratar de manter suas ações o mais longe possível da vista de advogados e jornalistas.
Entretanto, sublinhou que, segundo relatos do próprio governo estadunidense, atualmente existem pelo menos 26 mil pessoas reclusas em prisões secretas e que até o momente cerca de 80 mil já teriam passado por esse sistema desde o ano de 2001.
O Guardian relata também declarações do porta-voz da marinha dos Estados Unidos, Jeffrey Gordon, que negou a existência de condições para detidos nos barcos.
No entanto, aceitou que algumas pessoas tenham sido levadas a bordo por poucos dias, os quais denominou "dias iniciais da detenção".
Agência Prensa Latina
Os Estados Unidos utilizaram duas dezenas de barcos como cárceres flutuantes, desde o ano de 2001, para interrogatório de prisioneiros, revelou nesta segunda-feira (2) o diário britânico The Guardian.
O periódico se refere a uma reportagem ainda não publicada da organização Reprieve, na qual se afirma que os detidos são interrogados a bordo das naves e logo em seguida enviados a centros de encarceramento em diferentes países.
Entre os barcos militares empregados nessa tarefa se encontram os USS Bataan, USS Ashland e USS Peleliu e alguns deles operam ao redor da ilha de Diego Garcia, uma possessão inglesa no Oceano Índico.
Há três meses, o chanceler britânico, David Milband, admitiu que nesse território aterrisaram aviões americanos, que trasladavam prisioneiros para a base naval de Guantânamo.
A informação sobre os cárceres flutuantes surgiu de diversas fontes, entre elas militares americanos, o Conselho de Europa, parlamentares e os próprios prisioneiros.
O documento da Reprieve será publicado este ano e também identifica mais de 200 novos casos de tráfego de presos ocorridos em 2006, apesar da declaração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, sobre a suspensão dessa prática.
De acordo com o diretor legal da Reprieve, Clive Stafford Smith, os americanos escolheram os barcos para tratar de manter suas ações o mais longe possível da vista de advogados e jornalistas.
Entretanto, sublinhou que, segundo relatos do próprio governo estadunidense, atualmente existem pelo menos 26 mil pessoas reclusas em prisões secretas e que até o momente cerca de 80 mil já teriam passado por esse sistema desde o ano de 2001.
O Guardian relata também declarações do porta-voz da marinha dos Estados Unidos, Jeffrey Gordon, que negou a existência de condições para detidos nos barcos.
No entanto, aceitou que algumas pessoas tenham sido levadas a bordo por poucos dias, os quais denominou "dias iniciais da detenção".
Agência Prensa Latina
MÍDIA - entrevista com Ignacio Ramonet.
Ramonet, no seu artigo diz que caso Obama vença as eleições e mude a política americana com relação à Cuba, poderá vir a ser assassinado pela máfia anticubana de Miami. Eu vou mais longe, pois acho que o complexo industrial-militar, mencionado pela primeira vez em 1960, pelo ex-presidente Eisenhower, também poderá fazê-lo. Basta Obama ameaçar retirar as tropas americanas do Iraque e do Afeganistão.
‘Hoje o negócio noticioso não consiste em vender novidades aos cidadãos, mas vender cidadãos aos anunciantes’, afirma Ignacio Ramonet.
Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, 01-06-2008, o jornalista e sociólogo Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique, comenta que até mesmo a Internet está sendo dominada pelos grandes conglomerados da mídia.
Eis a entrevista.
Como enfrentar os perigos dos conglomerados de mídias, que podem ameaçar a informação de qualidade?
Os conglomerados de mídia dominam hoje a informação. Sua preocupação básica não é a qualidade da informação. Nem sequer sua veracidade. O que mais lhe interessa é a rentabilidade da empresa. Essa é sua obsessão principal. Por isso, dão absoluta prioridade à informação-espetáculo, à informação-entretenimento. Concebem a notícia como uma variedade da cultura de massas e não como item da formação e educação do cidadão. O que importa é um maior número de pessoas consumindo essa informação-lixo. Porque, hoje em dia, o negócio noticioso não consiste em vender novidades aos cidadãos, mas vender cidadãos aos anunciantes. Essa é a nova equação, que constitui uma regressão copernicana. A população precisa tomar consciência dessa mudança radical. E defender seu direito a ser bem informada, porque a qualidade da informação depende da qualidade da democracia.
O crescimento da internet está diretamente ligado à formação desses conglomerados?
A internet foi apresentada, em princípio, como uma possibilidade para os cidadãos se livrarem da dominação dos conglomerados de mídia. Mas hoje, na prática, a internet foi integrada ao império desses conglomerados. Ainda assim, todos podemos abrir um blog, que nos permite falar com todo o planeta. Na realidade, se consideramos o ranking dos sites de informação mais freqüentados em qualquer país, vemos que os primeiros lugares são ocupados por empresas de mídia que dominam a informação nesse país. Por isso, a internet só veio a reforçar o poderio dos conglomerados.
Na França, dois grupos de imprensa, Dassault e Lagardère, têm ligação com atividades militares. Qual o perigo disso quando se travam guerras como a do Iraque?
Sim, na França, os grupos Lagardère e Dassault, cujas atividades industriais principais são militares, estão entre os que dominam o setor de mídia. O perigo é que a informação difundida por esses grupos (como acontece nos Estados Unidos com os meios dominados pela General Electric) seja, em caso de conflitos, favorável, independente do pretexto, a uma intervenção francesa com a única intenção de que, dessa forma, as empresas proprietárias conquistem maiores benefícios. Até o momento, isso não aconteceu, tampouco em 2003 quando se comentava sobre a possibilidade de a França integrar a coalizão que invadiu o Iraque no dia 20 de março daquele ano.
Como os cidadãos devem atuar contra este desvio da liberdade de imprensa?
Os cidadãos devem se organizar como fizeram os consumidores, durante os anos 1960, contra os abusos dos construtores de automóveis ou contra o uso de produtos cancerígenos nos alimentos. Consumimos a informação com nossa mente e, se ela é de má qualidade, acaba por envenenar nosso espírito e nossa personalidade. Devemos criar observatórios dos meios - no Brasil, já existem e são muito sérios e profissionais - para denunciar mentiras, manipulações ou o silêncio dos meios de comunicação. Essa denúncia não tem caráter ideológico (meios de qualquer ideologia podem errar), mas unicamente a busca da perfeição da qualidade da informação. Os cidadãos devem mobilizar-se e fazer pressão pacífica e democrática para os meios melhorarem a informação.
O senhor conversou muito com Fidel Castro e até escreveu um livro sobre esse relacionamento. O senhor acredita que o destino de Cuba, agora sem Fidel, depende diretamente de quem será o próximo presidente dos Estados Unidos?
Sim. Fala-se muito, nos meios de comunicação, sobre a 'necessidade de Cuba mudar'. Mas inúmeros jornalistas se esquecem da enorme responsabilidade que têm os Estados Unidos em algumas das dificuldades, particularmente econômicas, sofridas por Cuba. A manutenção do cruel bloqueio durante quase 50 anos é um grande crime. Por isso, os Estados Unidos devem iniciar uma mudança em relação a Cuba, no sentido de reconhecer os direitos daquele país de descobrir seu próprio destino. Mudar no sentido de respeitar Cuba e considerá-lo um Estado soberano. Se o republicano John McCain vencer a eleição presidencial de novembro, a atitude de Washington pode endurecer ainda mais - mesmo que essa atitude beligerante não tenha frutificado em meio século. Por outro lado, a eleição de um candidato como o democrata Barack Obama abre certas perspectivas positivas. O temor de muitos observadores é o de que, especificamente sobre essa opinião a respeito de Cuba, Obama seja simplesmente assassinado antes de novembro pela máfia anticubana de Miami.
Qual a melhor herança deixada por Fidel? E a pior?
Fidel Castro é o maior latino-americano da história, ao lado de Simon Bolívar. Ainda que sua contribuição continue muito valiosa, sua herança é imensa. Não apenas material (educação, saúde, cultura, ciência, emprego pleno) mas também espiritual: latinoamericanidade, ética, independência real, resistência. Graças a ele e à revolução, Cuba foi depositária, durante o período negro da repressão e das ditaduras (1964-1979), dos grandes valores latinos de independência, soberania e republicanismo. Valores que hoje estão no auge em todo o continente, democraticamente aprovados pela maioria dos cidadãos.
‘Hoje o negócio noticioso não consiste em vender novidades aos cidadãos, mas vender cidadãos aos anunciantes’, afirma Ignacio Ramonet.
Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, 01-06-2008, o jornalista e sociólogo Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique, comenta que até mesmo a Internet está sendo dominada pelos grandes conglomerados da mídia.
Eis a entrevista.
Como enfrentar os perigos dos conglomerados de mídias, que podem ameaçar a informação de qualidade?
Os conglomerados de mídia dominam hoje a informação. Sua preocupação básica não é a qualidade da informação. Nem sequer sua veracidade. O que mais lhe interessa é a rentabilidade da empresa. Essa é sua obsessão principal. Por isso, dão absoluta prioridade à informação-espetáculo, à informação-entretenimento. Concebem a notícia como uma variedade da cultura de massas e não como item da formação e educação do cidadão. O que importa é um maior número de pessoas consumindo essa informação-lixo. Porque, hoje em dia, o negócio noticioso não consiste em vender novidades aos cidadãos, mas vender cidadãos aos anunciantes. Essa é a nova equação, que constitui uma regressão copernicana. A população precisa tomar consciência dessa mudança radical. E defender seu direito a ser bem informada, porque a qualidade da informação depende da qualidade da democracia.
O crescimento da internet está diretamente ligado à formação desses conglomerados?
A internet foi apresentada, em princípio, como uma possibilidade para os cidadãos se livrarem da dominação dos conglomerados de mídia. Mas hoje, na prática, a internet foi integrada ao império desses conglomerados. Ainda assim, todos podemos abrir um blog, que nos permite falar com todo o planeta. Na realidade, se consideramos o ranking dos sites de informação mais freqüentados em qualquer país, vemos que os primeiros lugares são ocupados por empresas de mídia que dominam a informação nesse país. Por isso, a internet só veio a reforçar o poderio dos conglomerados.
Na França, dois grupos de imprensa, Dassault e Lagardère, têm ligação com atividades militares. Qual o perigo disso quando se travam guerras como a do Iraque?
Sim, na França, os grupos Lagardère e Dassault, cujas atividades industriais principais são militares, estão entre os que dominam o setor de mídia. O perigo é que a informação difundida por esses grupos (como acontece nos Estados Unidos com os meios dominados pela General Electric) seja, em caso de conflitos, favorável, independente do pretexto, a uma intervenção francesa com a única intenção de que, dessa forma, as empresas proprietárias conquistem maiores benefícios. Até o momento, isso não aconteceu, tampouco em 2003 quando se comentava sobre a possibilidade de a França integrar a coalizão que invadiu o Iraque no dia 20 de março daquele ano.
Como os cidadãos devem atuar contra este desvio da liberdade de imprensa?
Os cidadãos devem se organizar como fizeram os consumidores, durante os anos 1960, contra os abusos dos construtores de automóveis ou contra o uso de produtos cancerígenos nos alimentos. Consumimos a informação com nossa mente e, se ela é de má qualidade, acaba por envenenar nosso espírito e nossa personalidade. Devemos criar observatórios dos meios - no Brasil, já existem e são muito sérios e profissionais - para denunciar mentiras, manipulações ou o silêncio dos meios de comunicação. Essa denúncia não tem caráter ideológico (meios de qualquer ideologia podem errar), mas unicamente a busca da perfeição da qualidade da informação. Os cidadãos devem mobilizar-se e fazer pressão pacífica e democrática para os meios melhorarem a informação.
O senhor conversou muito com Fidel Castro e até escreveu um livro sobre esse relacionamento. O senhor acredita que o destino de Cuba, agora sem Fidel, depende diretamente de quem será o próximo presidente dos Estados Unidos?
Sim. Fala-se muito, nos meios de comunicação, sobre a 'necessidade de Cuba mudar'. Mas inúmeros jornalistas se esquecem da enorme responsabilidade que têm os Estados Unidos em algumas das dificuldades, particularmente econômicas, sofridas por Cuba. A manutenção do cruel bloqueio durante quase 50 anos é um grande crime. Por isso, os Estados Unidos devem iniciar uma mudança em relação a Cuba, no sentido de reconhecer os direitos daquele país de descobrir seu próprio destino. Mudar no sentido de respeitar Cuba e considerá-lo um Estado soberano. Se o republicano John McCain vencer a eleição presidencial de novembro, a atitude de Washington pode endurecer ainda mais - mesmo que essa atitude beligerante não tenha frutificado em meio século. Por outro lado, a eleição de um candidato como o democrata Barack Obama abre certas perspectivas positivas. O temor de muitos observadores é o de que, especificamente sobre essa opinião a respeito de Cuba, Obama seja simplesmente assassinado antes de novembro pela máfia anticubana de Miami.
Qual a melhor herança deixada por Fidel? E a pior?
Fidel Castro é o maior latino-americano da história, ao lado de Simon Bolívar. Ainda que sua contribuição continue muito valiosa, sua herança é imensa. Não apenas material (educação, saúde, cultura, ciência, emprego pleno) mas também espiritual: latinoamericanidade, ética, independência real, resistência. Graças a ele e à revolução, Cuba foi depositária, durante o período negro da repressão e das ditaduras (1964-1979), dos grandes valores latinos de independência, soberania e republicanismo. Valores que hoje estão no auge em todo o continente, democraticamente aprovados pela maioria dos cidadãos.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
PETRÓLEO - Revisão do marco regulatório.
Temos usado este blog para tentar conscientizar a nossa sociedade, no sentido da importância do seu engajamento à campanha da mudança do marco regulatório do petróleo ( lei 9478/97 ), que permite os criminosos leilões do nosso petróleo. Tais leilões são realizados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), herança do governo FHC.
Hoje tomamos conhecimento pelas declarações do Sr. José Andrade de Lima Neto, Secretário de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, que logo que se tenha uma decisão a respeito da revisão do modelo, serão retomados os leilões. Isto é uma notícia preocupante, pois deixa implícito que os leilões vão continuar, apenas com uma nova roupagem. O que os petroleiros querem é o fim da entrega do nosso petróleo.
As declarações do Sr. Lima Neto foram feitas na Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), que junto com a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), está fazendo "lobby" para apressar a decisão sobre o marco regulatório. Isto porque, se até o próximo dia 30 de julho, não houver nenhuma publicação a respeito, será impossível a realização de leilões ainda este ano.
Queremos lembrar que no próximo dia 12 de junho, haverá mais um Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás, já por nós informado em textos anteriores.
"LEILÃO É PRIVATIZAÇÃO! NÃO À PRIVATIZAÇÃO DO NOSSO PETRÓLEO E GÁS!
Carlos A.A. Dória.
Hoje tomamos conhecimento pelas declarações do Sr. José Andrade de Lima Neto, Secretário de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, que logo que se tenha uma decisão a respeito da revisão do modelo, serão retomados os leilões. Isto é uma notícia preocupante, pois deixa implícito que os leilões vão continuar, apenas com uma nova roupagem. O que os petroleiros querem é o fim da entrega do nosso petróleo.
As declarações do Sr. Lima Neto foram feitas na Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), que junto com a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), está fazendo "lobby" para apressar a decisão sobre o marco regulatório. Isto porque, se até o próximo dia 30 de julho, não houver nenhuma publicação a respeito, será impossível a realização de leilões ainda este ano.
Queremos lembrar que no próximo dia 12 de junho, haverá mais um Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás, já por nós informado em textos anteriores.
"LEILÃO É PRIVATIZAÇÃO! NÃO À PRIVATIZAÇÃO DO NOSSO PETRÓLEO E GÁS!
Carlos A.A. Dória.
POLÍTICA INTERNACIONAL - As últimas cartadas de Bush.
AS ÚLTIMAS CARTADAS DE BUSH.
A proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos e a baixa popularidade do governo Bush, aliadas à crise econômica e a crescentes críticas à sua política de guerra, parecem gerar não um recuo, mas a garantia de que, independente do resultado eleitoral, algumas cartas já estarão marcadas na política externa.
O governo Bush pretende garantir um aumento de 70 mil milhões de dólares no orçamento militar para o ano fiscal de 2008 a 2009, que começa dia 1 de Outubro, somente para financiar ações no Iraque e Afeganistão. Desde 2001, os gastos militares nestes países são estimados em cerca de 800 mil milhões de dólares.
Na América Latina, os Estados Unidos retomam atividades militares, como a chamada operação UNITAS – um treinamento naval no território costeiro do Brasil e da Argentina. Esta mega-operação, iniciada dia 5 de Maio, inclui o porta-aviões nuclear George Washington, com capacidade para transportar até 10 bombas nucleares.
A partir de 1 de Julho de 2008, será reativada também a Quarta Frota, uma unidade militar naval dos Estados Unidos que irá atuar no Caribe, na América Central e na América do Sul, numa região que abrange mais de 30 países. Diversos esquadrões poderão atuar em oceanos, no litoral, em regiões costeiras ou fluviais.
A Quarta Frota foi criada em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, para patrulhar o Atlântico Sul, e esteve desativada desde 1950. A atual versão terá equipamento militar de grande porte, contendo armas nucleares. As operações, dirigidas a partir da Flórida, estarão sob o comando da Marinha norte-americana e do chamado Comando Sul, uma unidade do Pentágono que atua na América Latina e Caribe. De acordo com comunicados oficiais do Pentágono, o objetivo é “combater o terrorismo e atividades ilícitas como o narcotráfico”, além de “enviar uma mensagem à Venezuela e a toda a região”.
A ofensiva militar estadunidense condiz com a sua política de desestabilização da região, que inclui o apoio à invasão do território equatoriano pela Colômbia em Março, e à campanha da direita separatista na Bolívia para derrubar o presidente Evo Morales. Estas ações têm caráter político, visando desestabilizar os governos da Venezuela, Equador e Bolívia, mas, principalmente, buscam garantir controle de recursos energéticos, como petróleo e gás natural.
Estes fatos não são novos. Difícil é explicar a posição dos governos do Brasil e da Argentina, que participam de treinamentos e autorizam a ação militar dos Estados Unidos nas suas águas territoriais. E não há ingenuidade nesses acordos; o caráter repressivo dessa política é claro. Além disso, há outras frentes de colaboração militar com os Estados Unidos, como no caso da ocupação do Haiti. Atualmente, o governo brasileiro busca aprovação do Congresso para aumentar a sua infra-estrutura e o seu efetivo militar no Haiti, que chegaria a 1.300 soldados.
As operações militares dos EUA na região estão combinadas com missões de espionagem, principalmente de mapeamento de recursos estratégicos. A preocupação central do Pentágono é garantir controle de fontes de energia e minério, principalmente petróleo, gás natural, urânio, cobre e cobalto, num processo de crescente demanda e escassez. Ao mesmo tempo, a expansão da produção de agroenergia impõe uma pressão cada vez maior pelo controle de bens naturais, como terra e água. Este cenário agrava a instabilidade econômica mundial, pois leva a um aumento crescente nos preços de produtos essenciais, como alimentos.
A estratégia de mapeamento de recursos naturais expande se para territórios aparentemente “sem importância” geopolítica. Na África, o Pentágono pretende formar o Comando Africano – uma nova versão do Comando Central, criado pelo então presidente Ronald Reagan nos anos 80, para garantir controle do petróleo no Golfo Pérsico. Um dos responsáveis pela operação, Almirante Robert Moeller, declarou que a `África possui importância geoestratégica crescente`.
Ao mesmo tempo, regiões tradicionalmente controladas, como o Atlântico Norte, o Mar Mediterrâneo e o Noroeste do Oceano Pacífico, devem ganhar reforço militar. Em Fevereiro, o governo Bush solicitou ao Congresso a aprovação de orçamento adicional para a construção de novas armas nucleares marítimas, navios de guerra e submarinos.
A nova face da Doutrina de Segurança Nacional dos Estados Unidos possui duas características: a expansão de operações que garantam “segurança marítima”, com o objetivo de controlar rotas estratégicas de comércio, e o monitoramento territorial. Estas ações visam garantir segurança para empresas estadunidenses, além de mega projetos de infra-estrutura, com o objetivo de monopolizar territórios e bens naturais.
No Brasil, a idéia de “desenvolvimento” baseada em grandes projetos energéticos e de mineração está em consonância com essa política. Grandes empresas e latifundiários avançam rapidamente, tanto na Amazônia quanto em áreas vistas anteriormente como “inóspitas”, como o cerrado e o semi-árido. Por exemplo, a insistência do governo em realizar a transposição do rio São Francisco entra nessa lógica, pois, ao contrário do que diz a propaganda oficial, a região semi-árida é rica em minerais, biodiversidade e água. Nesse contexto, aumenta o risco de repressão a movimentos sociais que defendem a sua autodeterminação e o controle dos seus territórios.
Maria Luisa Mendonça (jornalista e coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos)
A proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos e a baixa popularidade do governo Bush, aliadas à crise econômica e a crescentes críticas à sua política de guerra, parecem gerar não um recuo, mas a garantia de que, independente do resultado eleitoral, algumas cartas já estarão marcadas na política externa.
O governo Bush pretende garantir um aumento de 70 mil milhões de dólares no orçamento militar para o ano fiscal de 2008 a 2009, que começa dia 1 de Outubro, somente para financiar ações no Iraque e Afeganistão. Desde 2001, os gastos militares nestes países são estimados em cerca de 800 mil milhões de dólares.
Na América Latina, os Estados Unidos retomam atividades militares, como a chamada operação UNITAS – um treinamento naval no território costeiro do Brasil e da Argentina. Esta mega-operação, iniciada dia 5 de Maio, inclui o porta-aviões nuclear George Washington, com capacidade para transportar até 10 bombas nucleares.
A partir de 1 de Julho de 2008, será reativada também a Quarta Frota, uma unidade militar naval dos Estados Unidos que irá atuar no Caribe, na América Central e na América do Sul, numa região que abrange mais de 30 países. Diversos esquadrões poderão atuar em oceanos, no litoral, em regiões costeiras ou fluviais.
A Quarta Frota foi criada em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, para patrulhar o Atlântico Sul, e esteve desativada desde 1950. A atual versão terá equipamento militar de grande porte, contendo armas nucleares. As operações, dirigidas a partir da Flórida, estarão sob o comando da Marinha norte-americana e do chamado Comando Sul, uma unidade do Pentágono que atua na América Latina e Caribe. De acordo com comunicados oficiais do Pentágono, o objetivo é “combater o terrorismo e atividades ilícitas como o narcotráfico”, além de “enviar uma mensagem à Venezuela e a toda a região”.
A ofensiva militar estadunidense condiz com a sua política de desestabilização da região, que inclui o apoio à invasão do território equatoriano pela Colômbia em Março, e à campanha da direita separatista na Bolívia para derrubar o presidente Evo Morales. Estas ações têm caráter político, visando desestabilizar os governos da Venezuela, Equador e Bolívia, mas, principalmente, buscam garantir controle de recursos energéticos, como petróleo e gás natural.
Estes fatos não são novos. Difícil é explicar a posição dos governos do Brasil e da Argentina, que participam de treinamentos e autorizam a ação militar dos Estados Unidos nas suas águas territoriais. E não há ingenuidade nesses acordos; o caráter repressivo dessa política é claro. Além disso, há outras frentes de colaboração militar com os Estados Unidos, como no caso da ocupação do Haiti. Atualmente, o governo brasileiro busca aprovação do Congresso para aumentar a sua infra-estrutura e o seu efetivo militar no Haiti, que chegaria a 1.300 soldados.
As operações militares dos EUA na região estão combinadas com missões de espionagem, principalmente de mapeamento de recursos estratégicos. A preocupação central do Pentágono é garantir controle de fontes de energia e minério, principalmente petróleo, gás natural, urânio, cobre e cobalto, num processo de crescente demanda e escassez. Ao mesmo tempo, a expansão da produção de agroenergia impõe uma pressão cada vez maior pelo controle de bens naturais, como terra e água. Este cenário agrava a instabilidade econômica mundial, pois leva a um aumento crescente nos preços de produtos essenciais, como alimentos.
A estratégia de mapeamento de recursos naturais expande se para territórios aparentemente “sem importância” geopolítica. Na África, o Pentágono pretende formar o Comando Africano – uma nova versão do Comando Central, criado pelo então presidente Ronald Reagan nos anos 80, para garantir controle do petróleo no Golfo Pérsico. Um dos responsáveis pela operação, Almirante Robert Moeller, declarou que a `África possui importância geoestratégica crescente`.
Ao mesmo tempo, regiões tradicionalmente controladas, como o Atlântico Norte, o Mar Mediterrâneo e o Noroeste do Oceano Pacífico, devem ganhar reforço militar. Em Fevereiro, o governo Bush solicitou ao Congresso a aprovação de orçamento adicional para a construção de novas armas nucleares marítimas, navios de guerra e submarinos.
A nova face da Doutrina de Segurança Nacional dos Estados Unidos possui duas características: a expansão de operações que garantam “segurança marítima”, com o objetivo de controlar rotas estratégicas de comércio, e o monitoramento territorial. Estas ações visam garantir segurança para empresas estadunidenses, além de mega projetos de infra-estrutura, com o objetivo de monopolizar territórios e bens naturais.
No Brasil, a idéia de “desenvolvimento” baseada em grandes projetos energéticos e de mineração está em consonância com essa política. Grandes empresas e latifundiários avançam rapidamente, tanto na Amazônia quanto em áreas vistas anteriormente como “inóspitas”, como o cerrado e o semi-árido. Por exemplo, a insistência do governo em realizar a transposição do rio São Francisco entra nessa lógica, pois, ao contrário do que diz a propaganda oficial, a região semi-árida é rica em minerais, biodiversidade e água. Nesse contexto, aumenta o risco de repressão a movimentos sociais que defendem a sua autodeterminação e o controle dos seus territórios.
Maria Luisa Mendonça (jornalista e coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos)
MÍDIA - Blog denúncia.
Temos que elogiar a Jussara Seixas pela iniciativa de colocar à disposição do público um blog específico, para que possamos acompanhar o escândalo da Alstom. Se fossemos depender do PIG, nada ficaríamos sabendo. Se o escândalo ao invés de envolver os tucanos envolvesse os petistas, teríamos manchetes colossais na Folha, no Estadão, no O Globo, etc.
Abaixo, texto copiado do blog O Vermelho.
A jornalista Jussara Seixas colocou no ar nos últimos dias um blog ( http://casoalstomeostucanos.zip.net/ ) no qual pretende reunir todas as matérias e informações que tratam do escândalo envolvendo a multinacional francesa Alstom e os sucessivos governos do PSDB em São Paulo.
O blog é uma forma de romper a barreira da grande imprensa, sobretudo a imprensa paulista, que trata do caso Alstom com cautela para não prejudicar a imagem do tucanato, aliado de primeira hora dos donos da mídia grande. No blog, a ordem é divulgar toas as informações disponíveis sobre a investigação. "Vamos fazer um dossiê Alstom, os tucanos parece que são chegados em dossiê, quando não existe eles inventam. Este não é inventado, são matérias sobre os documentos enviados pela justiça Suíça", diz Jussara.
O último "post" publicado no blog reproduz denúncia divulgada na edição desta semana da revista IstoÉ. Segundo a revista, uma suspeita de corrupção em transações entre as estatais do governo paulista e a multinacional francesa promete ser a pedra no sapato dos tucanos em ano eleitoral. "Se somados todos os contratos irregulares da empresa com o governo de São Paulo, chega-se à cifra de R$ 1,375 bilhão. Esse número pode aumentar com a investigação dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, que prometem uma verdadeira devassa na atuação da Alstom. O grupo francês tem mais de 139 contratos firmados com o governo paulista desde 1989, que ao todo somam R$ 7,6 bilhões. Os negócios da multinacional em São Paulo envolvem o Metrô, a Cesp, CPTM, CTEEP, Dersa, Eletropaulo, Emae, Prodesp e Sabesp, entre outras estatais", diz a reportagem.
A revista IstoÉ teve acesso a documentos que mostram o caso de um contrato firmado em março de 1992 entre a Companhia do Metropolitano de São Paulo e a Mafersa (que depois seria comprada pela Alstom) em que foram feitos vários adititivos. O contrato, de número 0080031000, previa o fornecimento de 16 trens para a linha leste/oeste e de seis para a extensão Itaquera/ Guaianazes. Ao todo, são 11 adicionais incorporados ao referido contrato. Os dez primeiros foram julgados regulares pelo TCE-SP, mas o 11º levantou suspeitas. Assinado em 7 de maio do ano passado e publicado um mês depois no Diário Oficial Empresarial, o aditivo 11 prevê a aquisição de 27 trens, no valor de R$ 70.072.666,61. O fato de não ter ocorrido nova licitação para a compra dos trens provocou a investigação do TCE. Mas essa não é a única irregularidade. Um documento sigiloso a que ISTOÉ teve acesso mostra que o Metrô de São Paulo pagou por esse aditivo, entre agosto e setembro, a quantia de R$ 90.130.850,00 -- cerca de R$ 20 milhões a mais do que o previsto.
"No mínimo tem alguma coisa. Quero saber onde está esse erro", diz o deputado estadual José Zico, do PT, membro da Comissão de Transportes da Assembléia paulista. "Um contrato que foi feito em 1992 é utilizado agora, sem nenhuma licitação?", pergunta o deputado. O relator Eduardo Bittencourt Carvalho, hoje presidente do TCE-SP, responsável pelo levantamento das irregularidades do aditamento, diz em seu parecer de setembro de 2007: "Ainda não está claramente elucidada a razão de interesse público que levou a Companhia a optar por este vultoso aditamento a um contrato celebrado há mais de 15 anos." Segundo Marcos Renato Böttcher, chefe de gabinete da presidência do TCE de São Paulo, outro processo muito semelhante a esse já foi julgado irregular. "Estamos agora aguardando a manifestação da assessoria técnica do tribunal", diz Böttcher.
Desde novembro do ano passado sob averiguação judicial na França e na Suíça, a empresa é acusada de pagar propina para fechar contratos em países da América do Sul e da Ásia entre 1995 e 2003. No Brasil, promotores suíços e franceses examinam se o grupo teria pago US$ 6,8 milhões para obter um contrato de US$ 45 milhões para a extensão do metrô de São Paulo.
Para acessar o blog, clique aqui: http://casoalstomeostucanos.zip.net/
Abaixo, texto copiado do blog O Vermelho.
A jornalista Jussara Seixas colocou no ar nos últimos dias um blog ( http://casoalstomeostucanos.zip.net/ ) no qual pretende reunir todas as matérias e informações que tratam do escândalo envolvendo a multinacional francesa Alstom e os sucessivos governos do PSDB em São Paulo.
O blog é uma forma de romper a barreira da grande imprensa, sobretudo a imprensa paulista, que trata do caso Alstom com cautela para não prejudicar a imagem do tucanato, aliado de primeira hora dos donos da mídia grande. No blog, a ordem é divulgar toas as informações disponíveis sobre a investigação. "Vamos fazer um dossiê Alstom, os tucanos parece que são chegados em dossiê, quando não existe eles inventam. Este não é inventado, são matérias sobre os documentos enviados pela justiça Suíça", diz Jussara.
O último "post" publicado no blog reproduz denúncia divulgada na edição desta semana da revista IstoÉ. Segundo a revista, uma suspeita de corrupção em transações entre as estatais do governo paulista e a multinacional francesa promete ser a pedra no sapato dos tucanos em ano eleitoral. "Se somados todos os contratos irregulares da empresa com o governo de São Paulo, chega-se à cifra de R$ 1,375 bilhão. Esse número pode aumentar com a investigação dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, que prometem uma verdadeira devassa na atuação da Alstom. O grupo francês tem mais de 139 contratos firmados com o governo paulista desde 1989, que ao todo somam R$ 7,6 bilhões. Os negócios da multinacional em São Paulo envolvem o Metrô, a Cesp, CPTM, CTEEP, Dersa, Eletropaulo, Emae, Prodesp e Sabesp, entre outras estatais", diz a reportagem.
A revista IstoÉ teve acesso a documentos que mostram o caso de um contrato firmado em março de 1992 entre a Companhia do Metropolitano de São Paulo e a Mafersa (que depois seria comprada pela Alstom) em que foram feitos vários adititivos. O contrato, de número 0080031000, previa o fornecimento de 16 trens para a linha leste/oeste e de seis para a extensão Itaquera/ Guaianazes. Ao todo, são 11 adicionais incorporados ao referido contrato. Os dez primeiros foram julgados regulares pelo TCE-SP, mas o 11º levantou suspeitas. Assinado em 7 de maio do ano passado e publicado um mês depois no Diário Oficial Empresarial, o aditivo 11 prevê a aquisição de 27 trens, no valor de R$ 70.072.666,61. O fato de não ter ocorrido nova licitação para a compra dos trens provocou a investigação do TCE. Mas essa não é a única irregularidade. Um documento sigiloso a que ISTOÉ teve acesso mostra que o Metrô de São Paulo pagou por esse aditivo, entre agosto e setembro, a quantia de R$ 90.130.850,00 -- cerca de R$ 20 milhões a mais do que o previsto.
"No mínimo tem alguma coisa. Quero saber onde está esse erro", diz o deputado estadual José Zico, do PT, membro da Comissão de Transportes da Assembléia paulista. "Um contrato que foi feito em 1992 é utilizado agora, sem nenhuma licitação?", pergunta o deputado. O relator Eduardo Bittencourt Carvalho, hoje presidente do TCE-SP, responsável pelo levantamento das irregularidades do aditamento, diz em seu parecer de setembro de 2007: "Ainda não está claramente elucidada a razão de interesse público que levou a Companhia a optar por este vultoso aditamento a um contrato celebrado há mais de 15 anos." Segundo Marcos Renato Böttcher, chefe de gabinete da presidência do TCE de São Paulo, outro processo muito semelhante a esse já foi julgado irregular. "Estamos agora aguardando a manifestação da assessoria técnica do tribunal", diz Böttcher.
Desde novembro do ano passado sob averiguação judicial na França e na Suíça, a empresa é acusada de pagar propina para fechar contratos em países da América do Sul e da Ásia entre 1995 e 2003. No Brasil, promotores suíços e franceses examinam se o grupo teria pago US$ 6,8 milhões para obter um contrato de US$ 45 milhões para a extensão do metrô de São Paulo.
Para acessar o blog, clique aqui: http://casoalstomeostucanos.zip.net/
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