quarta-feira, 13 de março de 2024

60 anos do Golpe de 1964

 

60 anos do Golpe de 1964: “A possibilidade de rupturas institucionais ainda paira sobre nós”. Entrevista especial com Adriano de Freixo

Para o professor, maior parte do povo brasileiro vive um estado de exceção permanente e "estamos muito longe de ter uma democracia e uma cidadania plenas"

Arte: Marcelo Zanotti | IHU

Por: IHU e Baleia Comunicação | 13 Março 2024

Há 60 anos, o Comício da Central do Brasil antecipava a queda de João de Goulart e o Golpe de 1964. Para o historiador Adriano de Freixo, "O Comício da Central do Brasil foi, sem dúvida, um ponto de inflexão para João Goulart. É o momento que marca simbolicamente a sua 'reconciliação' com a esquerda do PTB. Com a conspiração já em andamento e de forma explícita e ficando cada vez mais isolado, não havia outro caminho para Jango a não ser deixar de lado as malsucedidas políticas conciliadoras e partir para o tudo ou nada", explica. 

Segundo Freixo, na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, na Central do Brasil, Jango buscava encontrar apoio popular, em uma tentativa vã "de resistir ao golpe em andamento". Para ele, "isso ajuda a entender o tom de seu discurso – bem mais radical e intenso que o habitual – no comício".

Ao fazer memória de João Goulart, o professor lembrou seu espírito conciliador fundado na tradição getulista. E que se tratava de "alguém que desejava de fato implementar reformas econômicas e sociais, diminuir as desigualdades e construir uma sociedade mais justa, sob a bandeira de um nacionalismo progressista". 

Passadas seis décadas, a relação da sociedade brasileira com a história e a ditadura civil militar "possibilita, por um lado, os revisionismos históricos, que procuram apagar ou criar novas versões ao gosto do freguês sobre personagens e eventos e, por outro, a recorrente política de conciliação baseada na ideia de que é preciso 'olhar o futuro e esquecer as divergências e conflitos do passado', sentencia Adriano de Freixo.

Além disso, o professor aponta que estamos longe de alcançar democracia e Estado de direito na totalidade, ainda que tenham ocorrido avanços importantes, a maior parte da população segue a vida sob "estado de exceção permanente" e "estamos muito longe de ter uma democracia e uma cidadania plenas. E além de inúmeros entulhos autoritários da ditadura ainda permanecerem, os anos recentes nos mostraram como mesmo essa democracia restringida e limitada é bastante frágil e como a possibilidade de rupturas institucionais ainda paira sobre nós", complementa. 

No fim, dispara: "em uma entrevista recente, ele [Lula] afirmou que não quer ficar remoendo o passado e que é preciso tocar o Brasil para a frente, além de se dizer mais preocupado com a tentativa de golpe de janeiro do ano passado. Como se não houvesse conexões entre 1964 e 2023...".

Adriano de Freixo (Foto: Divulgação)

Adriano de Freixo é graduado em História, especialista em História das Relações Internacionais e mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. É doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Leciona no Departamento de Estudos Estratégicos e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense – INEST-UFF, onde coordena o Laboratório de Estudos sobre a Política Externa Brasileira – LEPEB, atuando também nos PPGs em Estudos Estratégicos e em Ciência Política. É autor de Os militares e o governo Jair Bolsonaro: entre o anticomunismo e a busca pelo protagonismo (Zazie Edições, 2020) e organizador, com Rosana Pinheiro-Machado, de Brasil em transe: bolsonarismo, nova direita e desdemocratização (Oficina Raquel, 2019)".

***

Para fazer memória ao Golpe de 1964 e à Ditadura Civil-Militar, entre março e abril o IHU vai promover diferentes conferências. A primeira ocorrerá na quarta-feira, 13 de março, às 10h. A atividade, intitulada O Golpe civil-militar de 64. Impactos, (des)caminhos, processos, contará com a participação dos professores Dr. Adriano de Freixo, da Universidade Federal Fluminense – UFF, e Dr. Valerio Arcary, do Instituto Federal de São Paulo – IFSP. 

Acompanhe ao vivo em nosso canais: 

Confira a entrevista. 

IHU – Passadas quase seis décadas do Golpe Civil Militar de 1964, como o Brasil olha para a sua própria história?

Adriano de Freixo – Há uma célebre frase do jornalista Ivan Lessa, um dos criadores do “Pasquim”, que permanece bastante atual: “A cada 15 anos, o Brasil esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos”. Creio que ela traduz bem a nossa relação com o passado e com a história. E é justamente esse tipo de relação que possibilita, por um lado, os revisionismos históricos, que procuram apagar ou criar novas versões ao gosto do freguês sobre personagens e eventos e, por outro, a recorrente política de conciliação baseada na ideia de que é preciso “olhar o futuro e esquecer as divergências e conflitos do passado”. A forma como parte expressiva da sociedade brasileira, bem como agentes do Estado lidam com a memória do Golpe de 1964 e da ditadura é um bom exemplo disso. Uma amostra lapidar é a fala do então presidente do STF, Ministro Dias Toffoli, em 2018, em uma palestra na Faculdade de Direito da USP: “Depois de aprender com o atual ministro da Justiça, Torquato Jardim, eu não me refiro nem mais a golpe, nem a revolução de 1964. Eu me refiro a movimento de 1964”.

IHU – Há um personagem importante e complexo no Golpe de 1964, João Goulart, Jango. Quem foi Jango?

Adriano de Freixo – Jango foi, acima de tudo, um homem de espírito conciliador, na melhor tradição do getulismo. Ou seja, era alguém que desejava de fato implementar reformas econômicas e sociais, diminuir as desigualdades e construir uma sociedade mais justa, sob a bandeira de um nacionalismo progressista, mas estritamente dentro dos marcos constitucionais e sem propor qualquer ruptura. Uma espécie de social-democracia à brasileira. Isso o distanciava dos setores mais à esquerda dos movimentos sociais e do próprio PTB – que tinham em Leonel Brizola a sua principal referência – que não aceitavam a conciliação e nem acreditavam que os setores conservadores permitiriam que tais mudanças acontecessem sem reação e, por isso, defendiam as reformas “na lei ou na marra”.

IHU – O comício na Central do Brasil em 13 de março de 1964 é um marco importante nos desdobramentos que culminariam com sua deposição, em 1º de abril. O senhor poderia falar um pouco sobre a importância deste comício?

Adriano de Freixo – O Comício da Central do Brasil foi, sem dúvidas, um ponto de inflexão para João Goulart. É o momento que marca simbolicamente a sua “reconciliação’ com a esquerda do PTB. Com a conspiração já em andamento e de forma explícita e ficando cada vez mais isolado, não havia outro caminho para Jango a não ser deixar de lado as malsucedidas políticas conciliadoras e partir para o tudo ou nada, buscando respaldo popular para resistir ao golpe em andamento. Isso ajuda a entender o tom de seu discurso – bem mais radical e intenso que o habitual - no comício.

IHU – Dados historiográficos dão conta que mais 150 mil pessoas participaram do comício. Havia, por um lado, certo apoio popular às Reformas de Base, mas, por outro, a imprensa fez feroz oposição às propostas. Como esses diferentes pontos de vista ajudam a explicar o contexto em que o Golpe acabou se consolidando?

Adriano de Freixo – Havia apoio popular às reformas? Havia. Isso é indiscutível. Mas daí a esse apoio se traduzir em uma eventual resistência popular ao Golpe há uma grande distância. Não esqueçamos que os próprios setores mais organizados foram pegos de surpresa com a rapidez dos acontecimentos, o que mostra, no mínimo, uma leitura bastante equivocada da conjuntura e da correlação de forças. A fala de Luiz Carlos Prestes, em uma conferência na ABI no dia 27 de março, é um bom exemplo: quatro dias antes do Golpe, ele afirmava que não havia condições favoráveis para isto, mas que se os golpistas tentassem teriam as suas cabeças cortadas.

Por outro lado, não se deve esquecer que parte expressiva da sociedade apoiou o Golpe, que longe de ser uma iniciativa militar isolada contou com o apoio de importantes lideranças políticas civis, da cúpula da Igreja Católica, de organizações empresariais e de entidades como a OAB. Além disso, ele foi respaldado por uma forte mobilização – inclusive com manifestações de rua - interna, notadamente das camadas médias, e polo apoio externo dos EUA e seus aliados do bloco ocidental.

Nesse contexto, a imprensa – quase toda alinhada à oposição a Jango, com algumas poucas exceções – desempenhou um papel fundamental na construção da ambiência para a ocorrência do Golpe e, posteriormente, para a consolidação do novo regime, a partir principalmente das bandeiras da “ameaça comunista”, da preservação da ordem, da defesa da democracia e de um pretenso afastamento do Brasil dos valores do bloco ocidental.

IHU – Por que as Reformas de Base, que continham em si um certo projeto de Brasil, jamais foram implementadas? O anúncio delas no comício acelerou os movimentos políticos que culminariam no Golpe?

Adriano de Freixo – Elas não foram implementadas, ou o foram de forma parcial, justamente porque esse processo foi interrompido. A trajetória brasileira é um bom exemplo das dificuldades de um país periférico, com formações sociais periféricas e inserido de forma dependente no sistema mundial capitalista em superar sua situação de subalternidade e construir um projeto de desenvolvimento autônomo. A reação articulada de atores externos e das elites políticas e econômicas domésticas a diferentes tentativas de implementação de projetos nacionais (não necessariamente os mesmos projetos), em momentos distintos da história brasileira, demonstra isto. No caso do Golpe de 1964, a conspiração contra Jango já estava em andamento, pelo menos, desde a vitória do presidencialismo no plebiscito de 1963. Porém, os discursos de Jango na Central do Brasil e no Automóvel Clube, em 30 de março, contribuíram para acirrar os ânimos e acelerar os eventos. Na retórica da direita, as reformas de base – mesmo que realizadas dentro dos marcos legais – seriam o pontapé inicial para a implementação do comunismo e para transformar o Brasil em uma “nova Cuba”.

IHU – Celso Furtado escreveu Brasil, a construção interrompida tratando, precisamente, da interrupção de um projeto de país que ocorreu com o Golpe. Mas era possível, de fato, que o Brasil fosse uma terceira via em relação aos Estados Unidos e à União Soviética? Quais eram os limites e possibilidades desta perspectiva?

Adriano de Freixo – Não creio que o Brasil pleiteasse ser uma “terceira via” em relação aos EUA e a URSS. A Política Externa Independente que começou a ser implementada durante o breve governo Jânio Quadros (um governo conservador, diga-se de passagem), em 1961, mas que tem suas raízes na década anterior, era uma política externa de caráter nacionalista e autonomista e fortemente vinculada ao projeto desenvolvimentista então em curso. Em vista disto, possuía diversos pontos de convergência com o chamado “Bloco dos não-alinhados”, grupo de países que começou a se articular na Conferência de Bandung, em 1955, no bojo do processo de descolonização afro-asiática, e que assumia como bandeiras a superação do subdesenvolvimento, o terceiro-mundismo, a luta contra o colonialismo e a neutralidade na Guerra Fria. Porém, apesar dessas convergências e de certa inspiração nasserista – Gamal Abdel Nasser, presidente do Egito e uma das figuras mais emblemáticas do Bloco dos não-alinhados - presente na Política Externa Independente, o Brasil nunca ingressou nesse bloco. Pelo contrário, sempre frisou o seu pertencimento – inclusive em uma perspectiva histórica e cultural – ao bloco ocidental.

Neste sentido, a postura brasileira era a de - mesmo pertencendo ao bloco ocidental e buscando manter boas relações com a potência norte-americana - implementar uma política externa vinculada aos interesses nacionais brasileiros e ao projeto desenvolvimentista, deixando de lado o tradicional americanismo e buscando ampliar as parcerias estratégicas, em uma lógica universalista. Isso explica a aproximação com os países do Terceiro Mundo – notadamente os africanos – e a retomada de relações com a URSS e o bloco socialista. Ao mesmo tempo, defendia nos fóruns internacionais princípios basilares como o da não ingerência (a posição brasileira no caso cubano é lapidar), o desarmamento das superpotências, a descolonização e a superação do subdesenvolvimento.

A questão é que naquele contexto, quando a América Latina havia se tornado um dos pontos “quentes” da Guerra Fria após a Revolução Cubana e, principalmente, após o governo revolucionário ter definido o caráter socialista da revolução, a partir de 1961, e em que o anticomunismo era a ideologia unificadora da direita e da centro-direita – dos liberais aos reacionários - em uma sociedade bastante dividida e polarizada como a brasileira, qualquer orientação de política externa que não passasse pelo alinhamento – quase sempre – automático com os EUA e com o bloco ocidental era vista como potencialmente pró-soviética ou como uma “porta de entrada” para o comunismo. E isso gerou fortes reações, tanto no âmbito externo, quanto no interno. Ressalte-se que Jango sempre procurou manter boas relações com os EUA, como fica claro em sua visita aos EUA, em 1962, quando procurou estabelecer laços pessoais com John Kennedy ou no acordo que procurou construir, em 1963, para indenização das controladoras das empresas encampadas e nacionalizadas por Leonel Brizola, em seu período como governador do Rio Grande do Sul.

IHU – Além do Comício de 13 de março que outros pronunciamentos de Jango foram importantes no contexto dos anos 1950/1960? Por que os militares o viam como um comunista?

Adriano de Freixo – Além daquele na Central do Brasil, outro discurso de Jango bastante lembrado é o da noite de 30 de março de 1964, no Automóvel Clube do Rio de Janeiro, ao participar de um ato promovido pela Associação de Sargentos e Suboficiais da Polícia Militar. Nele, Jango denunciou a conspiração em andamento, defendeu as reformas de base, apoiou as reivindicações dos cabos, sargentos e suboficiais (em meio às repercussões da revolta dos marinheiros ocorrida dias antes, cujos participantes foram por ele anistiados) e criticou os militares golpistas, em um tom bem mais radical do que o do Comício de 13 de março. Em vários depoimentos de militares que tiveram participação ativa no Golpe, esse acontecimento é relatado como o fator que teria levado inúmeros oficiais ainda indecisos a aderirem aos golpistas.

A questão é que desde o final dos anos 1930, o anticomunismo vinha se consolidando como a ideologia unificadora das Forças Armadas, notadamente do Exército, embora até 1964 ainda existisse um número bastante considerável de militares mais à esquerda, inclusive comunistas. Não se pode esquecer que o Golpe também serviu para que fosse realizada uma “depuração” interna nas Forças Armadas, afastando as vozes dissidentes – as FA foram uma das instituições com o maior número de integrantes alvos de perseguições pelo Estado brasileiro, o que inclui cassações, reformas compulsórias e demissões a bem do serviço público – e promovendo a uniformização ideológica.

Com a Guerra Fria e o estreitamento dos laços entre as Forças Armadas brasileiras e as Forças Armadas estadunidenses – que se traduziram, dentre outras coisas, na criação da Escola Superior de Guerra e na formulação da Doutrina de Segurança Nacional -, parte expressiva dos militares incorpora o discurso de defesa do mundo ocidental e de seus valores e qualquer partido, liderança ou movimento político que se distanciasse um pouco disso era visto como um aliado dos comunistas, com a lógica amigo/inimigo sendo levada ao extremo. A passagem de Jango pelo Ministério do Trabalho durante o segundo governo Vargas, a sua liderança sobre o aparato sindical getulista e as acusações - recorrentes ao longo da crise política de 1953/54 – de que Getúlio e Jango planejavam implementar uma “República Sindicalista” – o primeiro passo para o comunismo – no Brasil, fazem com que Jango seja visto pela direita militar como o inimigo a ser combatido, principalmente após a morte de Getúlio, de quem era considerado o principal herdeiro político.

IHU – Como os eventos da história recente do Brasil nos ajudam a compreender como o conceito de democracia foi construído em nosso país? Em outras palavras, o que significa falar em democracia no Brasil?

Adriano de Freixo – Se eu fosse dar título a esta resposta, ele seria “Democracia, essa incompreendida”. Para boa parte da população, notadamente nos estratos superiores e médios, defender a democracia nada mais é do que defender seus interesses e privilégios, reais ou presumidos. Aliás, no discurso da Central do Brasil, Jango abordou essa questão com bastante propriedade:

“Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas. Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reivindicações. A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia antipovo, do antissindicato, da antirreforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam”.

Não é por acaso que as inúmeras rupturas institucionais – ou tentativas de rupturas – que tivemos ao longo da nossa história se deram sob o pretexto de defesa da democracia.

O ponto é que, mesmo nos interregnos democráticos que tivemos entre governos oligárquicos e/ou autoritários e ditatoriais, a democracia e o Estado de Direito sempre foram para poucos. A maioria da população brasileira viveu – e continua a viver – em um estado de exceção permanente, muito antes deste termo virar moda na academia e na mídia. Nessas quase quatro décadas desde o fim do período ditatorial aconteceram alguns avanços? Sim, sem dúvidas. Mas ainda estamos muito longe de ter uma democracia e uma cidadania plenas. E além de inúmeros entulhos autoritários da ditadura ainda permanecerem, os anos recentes nos mostraram como mesmo essa democracia restringida e limitada é bastante frágil e como a possibilidade de rupturas institucionais ainda paira sobre nós.

IHU – Em 8 de janeiro de 2023 o país esteve sob verdadeiro risco de uma nova ruptura institucional, foi por muito pouco. O que este evento revela sobre como compreendemos conceitos como liberdade e democracia?

Adriano de Freixo – Como disse em minha resposta anterior, a compreensão do que é a democracia acaba por variar de acordo com o gosto do freguês. Os golpistas de 2023 se consideram os verdadeiros patriotas e democratas contra a ditadura do STF e das esquerdas, assim como os golpistas de 1964 se colocavam como os defensores da democracia diante da “ameaça vermelha” e da desordem gerada pela subversão. Da mesma forma, interpreta-se o conceito de liberdade. Para a maior parte dos nossos liberais, por exemplo, ele se restringe à esfera econômica. E em nome disso, eles não hesitam em se aliar àqueles setores mais antidemocráticos e que não têm nenhum prurido em restringir os direitos e as liberdades políticas, desde que os interesses do mercado sejam contemplados. E aí tolera-se tudo: integrantes do governo anterior reproduzindo gestos e símbolos nazistas, tentativas de Golpes de Estado, interpretações heterodoxas da constituição e outras coisas mais.

IHU – Como avalia a orientação (determinação) do presidente Lula à sua equipe de não fazer memória aos 60 anos do Golpe de 1964?

Adriano de Freixo – Mais uma vez, Lula prefere contornar a questão militar, do que enfrentá-la, como aliás fizeram todos os governos pós-ditadura, inclusive aqueles que tinham à frente nomes que se destacaram na oposição aos governos ditatoriais como Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso ou o próprio Lula, em seus dois primeiros mandatos. Quem ousou tensionar um pouco as relações com os militares, mesmo assim de forma bastante tímida e sem bater de frente, foi Dilma Rousseff, com iniciativas como a Comissão Nacional da Verdade.

E é justamente essa postura do Executivo de não enfrentar a questão militar que fez com que um número expressivo de integrantes das Forças Armadas tenha participado diretamente ou apoiado as articulações que culminaram na tentativa de golpe em 2023. Ela também contribui para a manutenção da imagem que os militares construíram de si como “poder moderador” da República - e que é replicada por parte da sociedade - que leva até a malabarismos jurídicos para dar uma interpretação elástica ao artigo 142 da Constituição Federal, buscando referendar essa crença.

Por isso, quase 40 anos após o fim da ditadura, ainda há um forte déficit de cultura democrática nas Forças Armadas, que embora tenha raízes históricas profundas, está diretamente ligado ao processo inconcluso de transição da ditadura para a democracia.

E não deixa de ser sintomático que Lula justifique esta postura de conciliação com aquele argumento que mencionei em minha resposta à primeira pergunta: em uma entrevista recente, ele afirmou que não quer ficar remoendo o passado e que é preciso tocar o Brasil para a frente, além de se dizer mais preocupado com a tentativa de golpe de janeiro do ano passado. Como se não houvesse conexões entre 1964 e 2023...

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Depoimento do Mauro Cid

 


Mauro Cid confirma à PF espionagem ilegal contra Alexandre de Moraes

Segundo a PF, o monitoramento tinha como objetivo "garantir a captura e a detenção" do ministro, o que era parte do plano de golpe de Estado bolsonarista

Ministro do STF Alexandre de Moraes
Ministro do STF Alexandre de Moraes (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)
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247 - O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), em seu quarto depoimento à Polícia Federal, confirmou o monitoramento ilegal feito contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por integrantes do governo passado, segundo o jornal O Globo. O plano de golpe de Estado bolsonarista previa capturar e prender o ministro após a assinatura de um decreto golpista.

Segundo os relatos prestados à PF, membros do governo, incluindo Augusto Heleno, Marcelo Câmara e Mauro Cid, estariam envolvidos em um núcleo de inteligência paralela. Este grupo seria responsável pela coleta de informações que poderiam facilitar a consumação do golpe. O monitoramento detalhado do itinerário e deslocamento do ministro do STF seria parte integrante dos planos, visando sua captura imediata após a promulgação do decreto golpista.

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Mauro Cid e Marcelo Câmara utilizavam o codinome "professora" para identificar Alexandre de Moraes. Os registros de deslocamento do ministro entre Brasília e São Paulo coincidem com os relatos dos ex-assessores de Bolsonaro e as reuniões realizadas no Palácio da Alvorada para discutir a redação de um decreto golpista.

Canalha este Ciro Gomes.

 


BC desmente Ciro: R$ 93 bilhões quitados em precatórios não foram direcionados aos bancos

Ex-presidenciável voltou a fazer ataques ao governo do presidente Lula e tenta emplacar a qualquer custo o que, segundo ele, seria o "maior escândalo da história"

Ciro Gomes
Ciro Gomes (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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247 - Ciro Gomes voltou a mentir para atacar o governo Lula, desta vez dizendo que a administração federal teria quitado R$ 93 bilhões em precatórios, montante que, segundo ele, teria ido parar nos cofres dos bancos. 

Segundo informações da coluna Painel, na Folha de S. Paulo, dos R$ 93 bilhões em precatórios que o governo federal liquidou após autorização concedida pelo Supremo Tribunal Federal em novembro, apenas R$ 3,18 bilhões foram direcionados aos bancos que detinham esses títulos judiciais, conforme dados fornecidos pelo Banco Central.

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Dos R$ 3,18 bilhões mencionados, apenas R$ 1,68 bilhão corresponde a precatórios adquiridos pelos bancos de terceiros. Os restantes R$ 1,5 bilhão representam precatórios cujos credores originais são as próprias instituições financeiras.

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Freio de arrumação.



Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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Freio de arrumação na Petrobras não deveria surpreender ninguém: Lula está apenas cumprindo uma promessa de campanha

Com mais investimentos, a Petrobras vai criar mais valor para a sociedade e para seus acionistas com visão de longo prazo

Os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (à esq.), e da Petrobrás, Jean Paul Prates, em anúncio de retomada das obras da Refinaria Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife
Os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (à esq.), e da Petrobrás, Jean Paul Prates, em anúncio de retomada das obras da Refinaria Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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Durante toda a campanha presidencial, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que atacaria um dos problemas centrais da economia brasileira: a captura da Petrobras pelos acionistas minoritários a partir do golpe de estado de 2016, contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Naquele ano, quando Michel Temer usurpou a presidência da República, uma de suas primeiras medidas foi a ingerência indevida na Petrobras, uma empresa pública, para favorecer o capital privado minoritário.

Sim, a verdadeira ingerência na Petrobras ocorreu quando, a partir da nomeação de Pedro Parente, indicado pelo PSDB para o cargo, a Petrobras passou a cobrar preços abusivos da sociedade, impactando a inflação, e a vender ativos estratégicos para favorecer interesses privados. Ao mesmo tempo, a empresa adotou uma política de distribuição de dividendos criminosa, que transferia praticamente todos os seus resultados para os acionistas – o que nenhuma empresa do mundo faz. Com isso, Temer e Parente transformaram a Petrobras numa vaca leiteira para o capital parasitário.

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Os estragos causados por essa política foram evidentes. Greve dos caminhoneiros, aumento da inflação, volta da fome e o fortalecimento de um discurso falso: o de que uma empresa estatal praticamente monopolista vai bem quando lucra mais e transfere todos os seus resultados para o chamado "mercado". A Petrobras, no entanto, é uma empresa pública e que tem missões que vão muito além dos resultados financeiros. A principal delas é garantir o abastecimento no mercado brasileiro de combustíveis, com preços justos para os consumidores, reforçando a competitividade da economia nacional, sem abrir mão da solidez financeira.

É exatamente este o caminho que vem sendo perseguido pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela gestão do atual presidente Jean Paul Prates, que, de forma gradual, tem conquistado avanços importantes. Prates implantou uma nova política comercial que reduziu a volatilidade dos preços, interrompeu o processo de liquidação de ativos, retomou investimentos importantes, como a da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, buscou um caminho de negociação para a retomada da Refinaria de Mataripe, na Bahia, e está construindo um caminho para a volta da Petrobras à distribuição de combustíveis. Tudo de forma negociada e segura, sem grandes conflitos com o mercado. Esta gestão tem sido tão habilidosa que, mesmo revertendo a catástrofe implantada por Pedro Parente, conseguiu fazer com que a Petrobras alcançasse seu recorde de valor de mercado há algumas semanas.

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O que aconteceu nos últimos dias, e que culminou ontem com a reunião no Palácio do Planalto entre Lula, Prates, diretores e vários ministros, foi apenas um freio de arrumação em relação à política de dividendos, que vinham sendo distribuídos de forma abusiva. Na entrevista que concedeu no mesmo dia ao SBT, o presidente Lula deixou claro que a Petrobras "tem que pensar nos 200 milhões de brasileiros e não apenas nos seus acionistas". Ele também deixou claro que o mercado não pode se comportar como um dinossauro voraz. Com mais investimentos e também com preços mais justos, a Petrobras vai criar mais valor para a sociedade e para seus acionistas com visão de longo prazo. Vida que segue, como diria meu amigo Ricardo Kotscho.

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Eleição em Portugal.


Primeiras notas sobre as eleições

O Bloco de Esquerda dará corpo a uma oposição popular ao governo da AD, contrariando as suas políticas privatizadoras e securitárias, e a previsível osmose entre PSD e CH que se irá disputar na estabilização do governo.

1- O Presidente da República indigita o primeiro-ministro "tendo em conta os resultados eleitorais", nos termos da Constituição. Isso sugere que o líder de partido ou coligação com mais mandatos eleitos na AR deve formar governo. Contudo, não pode ter uma maioria de rejeição do seu programa no parlamento, ou o PR terá de chamar outra personalidade que possa não ter maioria de rejeição, provavelmente do segundo partido com mais eleitos. Um governo à esquerda, sem maioria parlamentar, eventualmente não rejeitado pela AD, só teria pernas para andar, ainda que de base precária, se o PS tivesse vencido as eleições. O que não veio a acontecer, apesar de na noite eleitoral parecer que isso podia ser um facto. A distribuição de mandatos pelos círculos eleitorais da emigração, ainda não contados, não vai alterar o mapa eleitoral.

Neste contexto, o Bloco de Esquerda dará corpo a uma oposição popular ao governo da AD, contrariando as suas políticas privatizadoras e securitárias, e a previsível osmose entre PSD e CH que se irá disputar na estabilização do governo. A reconfiguração e radicalização das direitas continua sob novas formas.

2- No essencial, os apelos de AD e PS ao voto útil e à bipolarização não funcionaram, ao contrário de 2022. À direita, com o crescimento do CH e a resistência da IL; à esquerda, com a resistência do Bloco e a subida do Livre, que compensa a perda do PCP. O indefinido PAN fica igual. Exceto o PCP, todos ganham votos. É certo que o crescimento à esquerda tem um significado reduzido em comparação com o crescimento da extrema-direita. Mas a sua perceção pública foi que, à direita, CH e IL, cada um com as suas brigas, queriam compor uma maioria com o PSD e à esquerda todos os partidos, incluindo o centrista PAN, mostraram disponibilidade para discutir uma maioria com o PS. Esse facto, num período de grande dramatização política, permitiu enfrentar em melhores condições a chantagem do voto útil. Nenhum dos partidos fará dessa proposta linha geral e intemporal, mas no contexto adverso da relação de forças, com uma viragem à direita muito significativa, é um procedimento necessário.

3- A votação do CH, em torno de 18%, acompanha a tendência internacional do trumpismo e está longe de ser uma originalidade lusitana. Esta extrema-direita exalta o nacionalismo reacionário, a xenofobia e o descrédito nas democracias. É um processo impulsionado por uma fracção da burguesia negacionista das alterações climáticas, protecionista do comércio, que promove o autoritarismo social e de género. Este fenómeno desenvolveu-se a partir da crise do capitalismo de 2007/8, condenando a "globalização", e constitui uma forte atração ideológica, reproduzida e ampliada nas redes sociais. Em Portugal, o descontentamento face às políticas dos governos pós-geringonça (2019-2024) inchou a base de massas do CH. Uma base heterogénea de saudosistas do colonialismo, gente despolitizada e muito povo zangado com a falta de oportunidades, em especial nos mais jovens. Parte destes eleitores eram votantes de PSD e CDS, outros vieram da abstenção e de novos eleitores. A afirmação dos Direitos Humanos é todo um programa ideológico e político a contrapor, quer no feminismo, quer na diversidade cultural, quer nos direitos LGBTQI, quer na escolarização democrática. Mas ninguém se iluda. Sem respostas sociais a sério, sobretudo para a juventude, não será possível travar esta onda reacionária. O diálogo com estes setores populares é importante, sempre sem cedências na política migratória ou securitária. Os partidos social-democratas que na Europa tentaram apaziguar a extrema-direita por esta via acabaram por perder os seus governos e as suas razões.

4- Sem acentuar outros fatores, é visível que uma tomada de posição ambígua, para dizer o mínimo, sobre a invasão russa da Ucrânia prejudicou e muito quem o fez. Este facto merece registo pelo conjunto de repetidas críticas feitas ao Bloco de Esquerda por tomar o lado do agredido. Demonstrar coerência na defesa dos povos, seja na Ucrânia, seja na Palestina, ou em qualquer outro lado, é a pedra de toque de qualquer política internacionalista.

À esquerda do PS, nos vários partidos, há propostas diferentes nas políticas sociais, na abordagem da União Europeia, nas articulações partidárias europeias, nas propostas ambientais, entre outras áreas. Identificar claramente essas diferenças pode proporcionar leituras de posicionamento a setores mais jovens. Essas diferenciações não são impeditivas de convergências na oposição e são importantes para desfazer amálgamas sobre as posições dos partidos.

5- O continuísmo costista do PS foi o seu principal adversário. Não seria possível enfraquecer o CH e superar a AD sem uma autocrítica séria da governação entre 2019 e 2024. A continuada lamúria pela pandemia, pela guerra, pela inflação, sendo real, não pode servir de desculpa para as ruturas de serviços públicos, para o empobrecimento e para o aprofundamento de desigualdades. Os ziguezagues em torno da TAP, que acabaram na proposta de privatização contida no programa eleitoral, demonstra bem o predomínio do apregoado legado de Costa, aliás exaltado em auto-satisfação pelo próprio em plena campanha. Esta nota serve de aviso para quem pense em lançar este legado em novos voos.

6- O propósito de Montenegro, como se sabe pouco acompanhado no PSD, é tentar, ao jeito de Cavaco, na eventualidade de derrube de um governo minoritário, apelar a uma maioria absoluta. "Deixem-nos trabalhar" foi a palavra de ordem cavaquista. Para isso, Montenegro enfrenta uma luta e ensaios de compromisso com o CH enquanto uma parte do PSD pede osmose de políticas à direita. Este corrupio caracteriza a instabilidade política. Os rumos das atitudes do Presidente da República são um fator adicional de imprevisibilidade. Em todo o caso, se o governo PSD/CDS diz que "não é não", Montenegro poderá desfazer-se do todo e incorporar o CH peça a peça, lei a lei. Nesta fase, há que fazer da unidade a força da resposta dos movimentos sociais à política da direita. Toda a resistência auxiliará fortemente a oposição a cavar a base de apoio do governo PSD/CDS.

7- As próximas eleições europeias, marcadas para 9 de junho, continuam este ciclo eleitoral. As discussões em torno da governabilidade e de quem aprova o orçamento vão contaminar essa campanha. É um momento importante para o Bloco de Esquerda salientar os seus contributos na oposição e explicar claramente que Europa queremos. Sem cedências a monstros como o Pacto das Migrações, de exclusão de imigrantes, ou o Tratado Orçamental que estrangula o investimento público para a transição energética ou para o emprego, cabe defender o europeísmo de esquerda.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, professor. 

Continua a carnificina em Gaza.

Israel continua a assassinar civis que só buscam auxílio Onze pessoas que esperavam camiões de ajuda alimentar em Gaza foram mortas pelo exército israelita. 25 outras ficaram feridas. Desde o massacre da farinha, terão sido cerca de 400 as pessoas assassinadas quando iam em busca de auxílio. 12 de Março, 2024 - 15:56h FacebookTwitterEmail Ajuda alimentar. Foto da Open Arms. Ajuda alimentar. Foto da Open Arms. Esta terça-feira, o número total de pessoas assassinadas pelo Estado sionista na Faixa de Gaza desde que começou a ofensiva de 7 de outubro subiu para 31.184. Os dados são do Ministério da Saúde de Gaza que acrescenta que o número total de feridos é de 72.889 e que, nas últimas 24 horas, foram confirmadas pelos hospitais locais 72 mortes e 129 feridos, apesar de se acreditar que muitos continuem sob os escombros dos bombardeamentos. A mesma fonte indica que a maioria das vítimas são mulheres e crianças. Para além dos bombardeamentos e da fome, as crianças palestinianas enfrentam o perigo de ter de viver o resto da vida com “danos mentais” de acordo com um relatório da Save the Children“. Estas, “enquanto se esquivam de bombas e balas, fogem por ruas cheias de escombros e cadáveres, são forçadas a dormir ao ar livre e ficam sem os alimentos básicos e a água potável de que necessitam para sobreviver”, estando a viver “um período de violência em grande escala, choque e tristeza”. Phillippe Lazzarini, responsável pela Agência da ONU para os refugiados palestinianos, continua a denunciar que Israel está a impedir a chegada de ajuda médica essencial para a sobrevivência da população. No X, informou que um camião cheio de ajuda foi obrigado a voltar para trás porque continha tesouras usadas em kits médicos para crianças. O dirigente da ONU nota que a lista de artigos proibidos ganha assim mais um depois de serem bloqueados desde anestésicos, luzes solares, cilindros de oxigénio e ventiladores, pastilhas para limpeza de água, remédios contra o cancro e kits de maternidade.” Sabe-se agora que onze das pessoas que foram mortas pelos ataques israelitas procuravam ajuda na rotunda do Kuwait, na cidade de Gaza, ponto central onde se reúnem muitas pessoas à espera dos camiões de ajuda, de acordo com a Al Jazeera. 25 outras ficaram feridas segundo os paramédicos do hospital al-Shifa. O gabinete de imprensa do governo de Gaza contabiliza que desde o chamado “massacre da farinha” mais de 400 pessoas foram assassinadas enquanto procuravam auxílio. Barco da Open Arms com alimentos partiu do Chipre com destino a Gaza O dia ficou marcado ainda pela partida do porto de Larnaca, no Chipre, do barco da Open Arms que pretende chegar com quase 200 toneladas de ajuda alimentar a Gaza, abrindo assim uma nova rota de chegada de assistência pelo mar apesar dos portos terem sido destruídos. A organização não governamental World Central Kitchen está a organizar esta operação. Ao mesmo tempo, um barco da armada dos EUA, o General Frank S. Besson, também ruma para Gaza com o mesmo objetivo. Ao mesmo tempo, o grupo libanês Hezbollah respondeu aos quatro ataques do exército israelita à cidade de Baalbek, efetuados na noite anterior, que tinham morto um civil e ferido vários outros. Foram lançados pelo Hezbollah mais de cem rockets Katyusha e, em seguida, o exército israelita voltou a bombardear a mesma região, dizendo estar a atacar duas bases militares do grupo. Em Israel, a organização Médicos pelos Direitos Humanos tenta travar o massacre. Guy Shalev, diretor executivo da organização, acusa o Estado sionista de continuar a desrespeitar as decisões do Tribunal Internacional de Justiça, efetuando “bombardeamentos indiscriminados” no território, e anuncia que esta entregará em tribunal uma petição para obrigar o exército a permitir a chegada de ajuda humanitária em nome do direito internacional. Esta instituição tem tentado fazer chegar ajuda à Faixa de Gaza desde o dia 7 de outubro mas tem sido impedida pelas autoridades. Termos relacionados Palestina, Internacional