“Fomos às últimas conseqüências, reviramos nossas vidas, mas somos vitoriosos“.
Por Glauco Faria.
O ex-ministro José Dirceu era estudante de Direito em 1968 e participou ativamente das manifestações estudantis à época. Mas, até chegar no nível de organização que permitiu aos estudantes o enfrentamento contra a ditadura militar, foi necessária muita articulação entre os jovens de todo o país. “Meu maior sonho era entrar na faculdade e, quando consegui, vi aquele cemitério, tudo vazio. Foi o maior choque da minha vida. Essa sensação me fez entrar na militância política”, conta. Dirceu também ressalta a importância dos movimentos daquele ano na mudança de comportamento da sociedade. “Foi um período de criatividade intensa que trouxe ótimos frutos para as gerações atuais. Graças aos questionamentos que fizemos lá, hoje vivemos uma liberdade incrível. Hoje, há outras questões, mas a hipocrisia em relação à família caiu por terra.” Confira abaixo a entrevista completa, concedida por e-mail. Fórum - Como o senhor avalia a importância das manifestações estudantis de 1968, dos quais o senhor fez parte? José Dirceu - Aqui, o movimento estudantil teve uma importância muito maior do que em outros países e foi graças ao Movimento Estudantil que a nação começou a se levantar contra a ditadura. Foi o primeiro grande movimento de massas, ao qual foram se agregando os outros movimentos, como os dos operários, dos sindicalistas, os artistas e intelectuais, os parlamentares, a oposição institucionalizada, enfim, todos os segmentos contrários à repressão. Comecei a militância em 1965, quando entrei no curso de Direito da PUC e fui presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), da qual sou presidente de honra, inclusive. Provavelmente chegaria à presidência da UNE, mas fui preso ao lado de centenas de estudantes lá em Ibiúna, quando realizamos, clandestinamente, o 30º congresso da entidade. Fórum - A organização das manifestações aqui tinha inspiração nos movimentos que ocorreram em Paris? José Dirceu - Olha, esse agito parisiense de 1968 teve reflexos em todos os cantos do mundo, mas aqui havia peculiaridades próprias porque vivíamos numa ditadura. A repressão aos sindicatos era mais violenta. Fora o MDB, único partido de oposição "permitido", foram os estudantes que orientaram a grande reação. O Movimento Estudantil começou com bandeiras próprias, buscando ensino superior gratuito e de qualidade para o jovem brasileiro e, lógico, mais liberdade e menos autoritarismo. Depois, a repressão crescente foi um fator a mais para que o movimento conquistasse as ruas. Essa militância mais política legitimou o movimento como uma reação de massa àquela situação terrível. Aqui, o Movimento Estudantil foi o protagonista na luta contra a ditadura e o semeador da democracia. Fórum - Como o senhor vê o legado destes movimentos para os dias de hoje? José Dirceu - Tenho orgulho imenso de ter vivido esse período, de fazer parte dessa história. A liberdade e a democracia foram as maiores conquistas, sem dúvida. Por elas é que sempre lutamos e fomos até as últimas conseqüências, à frente de manifestações e, depois, correndo os riscos da luta armada, da clandestinidade, das prisões, torturas e outras formas de violência. Paralelamente, os movimentos de 68 foram responsáveis por uma verdadeira revolução cultural através da música, do feminismo, do amor livre, da arquitetura, literatura e as artes de uma forma geral. Também faço parte da primeira geração que estuda e trabalha fora. Meu maior sonho era entrar na faculdade e, quando consegui, vi aquele cemitério, tudo vazio. Foi o maior choque da minha vida. Essa sensação me fez entrar na militância política. Foi um período de criatividade intensa que trouxe ótimos frutos para as gerações atuais. Graças aos questionamentos que fizemos lá, hoje vivemos uma liberdade incrível. Hoje, há outras questões, mas a hipocrisia em relação à família caiu por terra. As mulheres, então, nem se fala - são o maior exemplo. Em 68, havia Cinema Novo, os festivais. Vejam os jovens reunidos em coletivos, movimentos culturais regionais, engajados em causas sociais, buscando seu espaço no mercado de trabalho, no próprio Movimento Estudantil. Fórum - Vendo essa época a partir de hoje, que tipo de ações o senhor acha que foram equivocadas e quais outras poderiam ser tomadas para enfrentar a ditadura militar? José Dirceu - Naquela situação, não havia muitas alternativas. Era tudo ou nada porque veio o AI-5 e não dava para fazer movimento de massa. Os caminhos eram muito restritos. O golpe dentro do golpe (o AI-5) foi duríssimo. Fizemos o que era possível, em termos de resistência e muito do que fizemos foi a imposição do momento, não era escolha, não era opção. O Movimento Estudantil é, injustamente, responsabilizado pelo endurecimento da ditadura. Na verdade, basta olhar aquele passado, buscar a verdade para perceber que ele viria de qualquer jeito. Pagamos o preço, fomos às últimas conseqüências, reviramos nossas vidas, mas somos vitoriosos.
Fonte: Revista Fórum.
Carlos Augusto de Araujo Dória, 86 anos, economista, nacionalista, socialista, lulista, budista, gaitista, blogueiro, espírita, membro da Igreja Messiânica, tricolor, anistiado político, ex-empregado da Petrobras. Um defensor da justiça social, da preservação do meio ambiente, da Petrobras e das causas nacionalistas.
sábado, 31 de maio de 2008
PETRÓLEO - Indonésia vai sair da OPEP.
PICO DO PETRÓLEO.
O governo da Indonésia, único país do sudeste asiático na OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo),anunciou sua decisão de deixar a organização. O principal motivo, segundo o governo, é que o país se transformou em um importador de petróleo. A Indonésia produz atualmente 854 mil barris de petróleo por dia, menos da metade do explorado pelo país há uma década e abaixo da cota mínima de produção de 1,3 milhão do cartel. No início do mês, o presidente Susilo Bambang Yudhoyono anunciou que seu país estudava a possibilidade de deixar o órgão por não ser mais um exportador do óleo. Em conversa com governadores e líderes regionais do país, Yudhoyono afirmou que poderia deixar a organização temporariamente. `Nossos poços estão secando`, disse, na ocasião. Para Yudhoyono, a Indonésia precisa se concentrar em elevar sua produção interna. Além disso, nos últimos anos se transformou em importador de petróleo, para satisfazer à crescente demanda energética do maior arquipélago do mundo e do quarto país mais povoado do planeta, com quase 240 milhões de habitantes. A Indonésia, que foi um dos membros mais ativos da organização, admitiu no ano passado que suas reservas de petróleo se esgotarão em 2020. Em virtude disso, o governo decidiu relançar seu programa de energia nuclear, que tinha paralisado desde a crise financeira asiática de 1997-1998. A cesta da Opep é calculada com base em uma cesta de treze tipos de petróleo, calculado com base nos produtos de seus 13 membros. Também pertencem à OPEP, que abrange cerca de 40% da produção mundial de petróleo, Argélia, Angola, Equador, Iraque, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Venezuela. (Folha Online/Efe/Associated Press/Redação).
Fonte:AEPET.
O governo da Indonésia, único país do sudeste asiático na OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo),anunciou sua decisão de deixar a organização. O principal motivo, segundo o governo, é que o país se transformou em um importador de petróleo. A Indonésia produz atualmente 854 mil barris de petróleo por dia, menos da metade do explorado pelo país há uma década e abaixo da cota mínima de produção de 1,3 milhão do cartel. No início do mês, o presidente Susilo Bambang Yudhoyono anunciou que seu país estudava a possibilidade de deixar o órgão por não ser mais um exportador do óleo. Em conversa com governadores e líderes regionais do país, Yudhoyono afirmou que poderia deixar a organização temporariamente. `Nossos poços estão secando`, disse, na ocasião. Para Yudhoyono, a Indonésia precisa se concentrar em elevar sua produção interna. Além disso, nos últimos anos se transformou em importador de petróleo, para satisfazer à crescente demanda energética do maior arquipélago do mundo e do quarto país mais povoado do planeta, com quase 240 milhões de habitantes. A Indonésia, que foi um dos membros mais ativos da organização, admitiu no ano passado que suas reservas de petróleo se esgotarão em 2020. Em virtude disso, o governo decidiu relançar seu programa de energia nuclear, que tinha paralisado desde a crise financeira asiática de 1997-1998. A cesta da Opep é calculada com base em uma cesta de treze tipos de petróleo, calculado com base nos produtos de seus 13 membros. Também pertencem à OPEP, que abrange cerca de 40% da produção mundial de petróleo, Argélia, Angola, Equador, Iraque, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Venezuela. (Folha Online/Efe/Associated Press/Redação).
Fonte:AEPET.
MÍDIA - Escola Base.
Como uma imprensa irresponsável acabou com uma família
ESCOLA BASE , postado no blog Bodega Cultural.
O que me levou a combater a mídia irresponsável e golpista brasileira foram duas irreparáveis veiculações: a acintosa e irresponsável cobertura da Globo nas eleições de 89, e o caso da Escola Base.
Sobre a Escola Base, há época, eu morava em Goiânia e estava em casa com a família quando vi a matéria pela TV, no Jornal Hoje.
Fiquei tão revoltado que cheguei a atirar o sapato no vídeo, quase quebrando-o, e desejei estar presente no momento para ajudar a linchar aqueles covardes.
Anos depois assisti outra matéria inocentando os acusados, e, desde então, passei a tomar mais cuidado com as notícias veiculadas pela mídia, a fim de evitar incorreções na formação dos meus conceitos.
Agora, após 14 anos do triste episódio, quando os professores e proprietários tiveram sua escola depredada e suas morais destruídas, a justiça cumpre o seu papel condenando a Folha de São Paulo e indenizar a família como noticiado no Vermelho:
"Perua escolar carregava as crianças para a orgia". O Grupo Folha da Manhã - que edita a Folha de S. Paulo - até tentou convencer o Tribunal de Justiça de São Paulo de que se limitou a reproduzir as informações oficiais do caso Escola Base, na matéria que tinha o título acima, publicada no extinto Folha da Tarde, mas não foi o que entendeu a turma julgadora.
A empresa terá que pagar R$ 200 mil de indenização por danos morais para R.F.N., hoje com 18 anos e na época com apenas quatro, filho de um dos casais acusados de abusar sexualmente de crianças numa escola de São Paulo, em 1994, e requerente da ação.
"A conduta do jornal, juntamente com outros órgãos de imprensa, contribuiu para criar uma situação anormal, não experimentada não só para os adultos envolvidos", afirmou em seu voto o desembargador Odemar Azevedo.
A Folha da Tarde se baseou nas informações passadas pelo delegado que conduziu o inquérito policial e de depoimentos de duas mães de alunos. Os desembargadores Odemar Azevedo, Mathias Coltro e Oscarlino Moeller consideraram a manchete sensacionalista e que extrapolou o direito de informar, além de atingir a esfera moral da criança.
A decisão é de segunda instância e cabe recurso. A Folha e o Estadão também foram condenados pelo que publicaram, tendo que pagar R$ 750 mil. A Globo foi condenada a pagar indenização de R$ 1,35 milhão. Já a IstoÉ teve de pagar R$ 360 mil. Para todas as empresas cabe recurso.
Da Redação, com informações do Comunique-se e do Consultor Jurídico.
postado por: Carlinhos Medeiros
ESCOLA BASE , postado no blog Bodega Cultural.
O que me levou a combater a mídia irresponsável e golpista brasileira foram duas irreparáveis veiculações: a acintosa e irresponsável cobertura da Globo nas eleições de 89, e o caso da Escola Base.
Sobre a Escola Base, há época, eu morava em Goiânia e estava em casa com a família quando vi a matéria pela TV, no Jornal Hoje.
Fiquei tão revoltado que cheguei a atirar o sapato no vídeo, quase quebrando-o, e desejei estar presente no momento para ajudar a linchar aqueles covardes.
Anos depois assisti outra matéria inocentando os acusados, e, desde então, passei a tomar mais cuidado com as notícias veiculadas pela mídia, a fim de evitar incorreções na formação dos meus conceitos.
Agora, após 14 anos do triste episódio, quando os professores e proprietários tiveram sua escola depredada e suas morais destruídas, a justiça cumpre o seu papel condenando a Folha de São Paulo e indenizar a família como noticiado no Vermelho:
"Perua escolar carregava as crianças para a orgia". O Grupo Folha da Manhã - que edita a Folha de S. Paulo - até tentou convencer o Tribunal de Justiça de São Paulo de que se limitou a reproduzir as informações oficiais do caso Escola Base, na matéria que tinha o título acima, publicada no extinto Folha da Tarde, mas não foi o que entendeu a turma julgadora.
A empresa terá que pagar R$ 200 mil de indenização por danos morais para R.F.N., hoje com 18 anos e na época com apenas quatro, filho de um dos casais acusados de abusar sexualmente de crianças numa escola de São Paulo, em 1994, e requerente da ação.
"A conduta do jornal, juntamente com outros órgãos de imprensa, contribuiu para criar uma situação anormal, não experimentada não só para os adultos envolvidos", afirmou em seu voto o desembargador Odemar Azevedo.
A Folha da Tarde se baseou nas informações passadas pelo delegado que conduziu o inquérito policial e de depoimentos de duas mães de alunos. Os desembargadores Odemar Azevedo, Mathias Coltro e Oscarlino Moeller consideraram a manchete sensacionalista e que extrapolou o direito de informar, além de atingir a esfera moral da criança.
A decisão é de segunda instância e cabe recurso. A Folha e o Estadão também foram condenados pelo que publicaram, tendo que pagar R$ 750 mil. A Globo foi condenada a pagar indenização de R$ 1,35 milhão. Já a IstoÉ teve de pagar R$ 360 mil. Para todas as empresas cabe recurso.
Da Redação, com informações do Comunique-se e do Consultor Jurídico.
postado por: Carlinhos Medeiros
CUBA - USAID revela seus planos para subversão em Cuba.
Quem é da minha geração e militou no movimento estudantil, se lembra muito bem da atuação da Usaid na preparação do golpe de 64.
POR JEAN-GUY ALLARD — do Granma Internacional.
NO novo plano para a desestabilização de Cuba, a Usaid promoverá o envio clandestino de material eletrônico à Ilha, através de intermediários europeus e latino-americanos, que realizarão o trabalho sujo que não pode legalmente fazer, e favorecerá as viagens de agentes no país, utilizando as chamadas licenças humanitárias para fazer "avaliações in situ".
Obrigada pelo GAO (escritório federal de auditoria) a criar-se certa imagem de decência na distribuição do dinheiro do contribuinte, que até agora esbanjava sem a menor licitação, a Usaid acaba de realizar, em 14 de maio passado, uma assembléia em sua sede de Washington sobre a distribuição dos US$45 milhões destinados pela administração Bush para provocar uma ruptura do processo revolucionário cubano.
O chefe da Usaid para a região latino-americana, José "Pepe" Cárdenas, ex-dirigente da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), liderou um grupelho de funcionários federais "especialistas" de Cuba durante três horas (das 9h até meio-dia), deixando fora do local os meios de comunicação, num ambiente conspirativo, conforme as operações que pretende realizar. Entre estes especialistas, encontravam-se:
• Seu braço direito para Cuba, Elaine Grigsby, diretora do chamado Programa Cuba;
• Amadjan Abani, do Escritório de Assistência e Aquisições da Usaid;
• Anthony Christino III, do Bureau de Indústria e Segurança do Departamento do Comércio;
• Clara Davis, do OFAC (agência do Departamento de Estado que monitora e sanciona os intercâmbios com Cuba).
Entre as organizações, umas célebres, outras menos conhecidas, porém todas interessadas em se apropriarem dos milhões do Departamento de Estado, sobressaíram:
A pseudo-ONG checa People in Need; Global Partners; IBMC; Loyola University; Center for Democracy in the Americas; Jackson State University; Mississippi Consortium for International Development; International Resources Group; Panamerican Development Foundation; Partners of America; Alliance for Family; o Conselho de Comércio da... Hungria e a multimilionária Tevê Martí.
Nenhum diplomata — nem sequer o agente checo Kolar — esteve presente.
Quanto a confessar autênticas operações de espionagem contra Cuba e em território cubano, "Pepe" Cárdenas, o ex-dirigente da FNCA que substituiu o corruptíssimo Adolfo Franco, enfatizou a necessidade de identificar ONGs em terceiros países que encaminhem os recursos da Usaid para a subversão.
Salientou que é necessário enviar a Cuba, por meio daqueles intermediários, "panfletos de propaganda, celulares e aparelhos de comunicação modernos", assim como "treinar cubanos residentes na Ilha em terceiros países".
Após se referir à "filosofia" atrás da grande expansão do Programa Cuba da Usaid, Cárdenas sublinhou que seu orçamento, de US$13 milhões em 2007, "aumentou" para US$45 milhões em 2008.
Depois mencionou entre os países mais propensos para fazer este trabalho encoberto, Chile, Peru, Argentina, Colômbia e Costa Rica.
Grigsby, presumivelmente sua mais fiel colaboradora, comentou que, segundo sua experiência, era difícil conseguir parceiros na América Latina.
Como bom instrutor de uma operação de inteligência, Cárdenas falou da conveniência de utilizar países da Europa oriental que "experimentaram recentemente transições".
Contudo, não esclareceu o nível de colaboração ou cumplicidade da inteligência norte-americana com os funcionários dos governos dos países acima referidos.
Respondendo a uma pergunta, Cárdenas revelou que já tinham recomendado a "instituições experientes na execução deste tipo de programa", como a NED, o NDI, o IRI, a Florida International University, a Freedom House com seu agente da CIA, Jaime Suchilicki... e, com certeza, o Center for a Free Cuba, de seu amigalhaço Frank "Paquito" Calzon.
OPERAÇÕES SECRETAS
Com uma linguagem própria de um agente de uma missão de espionagem, o ex-dirigente da FNCA confessou que é "difícil" introduzir materiais na Ilha e, portanto, induziu que o trabalho tinha que "fazê-lo às ocultas".
Grigsby acrescentou que, além de serem altamente secretas as tarefas encomendadas, se existissem pedidos para revelar doumentos, em virtude da Lei da Liberdade de Informação (conhecida como FOIA), a Usaid "apenas emitiria um resumo geral e guardaria o segredo" dos pormenores dos programas de cada ONG, pois são "materiais secretos".
Anthony Cristino III referiu-se nesta mesma confissão pública à "necessidade" de enviar computadores e softwarea a Cuba, para o qual seus serviços vão facilitar licenças.
Clara Davis, a perúla do OFAC, propôs licenças de viagem, esclarecendo que as chamadas licenças humanitárias sejam utilizadas para a inflitração de agentes, sob o pretexto de projetos ligados à saúde pública, ao meio ambiente e a "iniciativas específicas".
Também falou aberta e grosseiramente sobre o "interesse" em promover viagens a Cuba, usando licenças, para "fazer avaliações in situ".
Davis assinalou que "o maior envio de dinheiro a Cuba" era "através da Igreja", uma referência muito intencional que tem por objetivo prejudicar as ótimas relações existentes entre a Igreja e o Estado cubano.
AS ELEIÇÕES DETERMINARÃO O FUTURO
Fazendo outra confissão, Grigsby disse que outro aumento do orçamento para a subversão dependerá das eleições de novembro.
Segundo os observadores "in situ", sem dúvida, as vítimas deste novo financiamento da subversão em Cuba ajustarão contas num certo momento com a administração.
A organização que manejou o esbajamento do dinheiro federal em operações fraudulentas, convocou sua reunião com o propósito de aparentar que concordou com o golpe do GAO.
No entanto, publicou em sua convocatória em que dia e hora seria a assembléia, mas omitiu indicar o lugar, para o qual tinha que ligar e perguntar. A estratégia prestou. Foram ao encontro algumas pessoas novas para a partilha de um bolo já distribuído.
O GAO, em seu relatório, demonstrou que os altos funcionários da Usaid dissimularam o paradeiro de US$65,4 milhões presenteados, numa década, a seus amigalhaços de Miami e de Washington.
José Cárdenas foi dirigente da FNCA desde 1986, e desempenhou as mais altas responsabilidades. Além disso, foi sucessivamente diretor de "investigações e publicações", porta-voz da organização e lobista-chefe, quando a organização mafiosa dispunha de uma luxuosa "embaixada" em Washington.
O funcionário mafioso é amigo íntimo de Ileana Ros Lehtinen e dos irmãos Díaz-Balart.
A FNCA, criada pela CIA sob a administração de Ronald Reagan, despendeu uma fortuna no financiamento das operações do terrorista internacional Luis Posada Carriles, o qual, naturalmente, Cárdenas não pode ignorar, assim como também não poderá ignorar as fortes lamentações dos cabecilhas de Miami, os quais, com a reorientação dos métodos da Usaid, particularmente a favor de seu habituais correspondentes europeus, ficam numa situação um pouco precária.
POR JEAN-GUY ALLARD — do Granma Internacional.
NO novo plano para a desestabilização de Cuba, a Usaid promoverá o envio clandestino de material eletrônico à Ilha, através de intermediários europeus e latino-americanos, que realizarão o trabalho sujo que não pode legalmente fazer, e favorecerá as viagens de agentes no país, utilizando as chamadas licenças humanitárias para fazer "avaliações in situ".
Obrigada pelo GAO (escritório federal de auditoria) a criar-se certa imagem de decência na distribuição do dinheiro do contribuinte, que até agora esbanjava sem a menor licitação, a Usaid acaba de realizar, em 14 de maio passado, uma assembléia em sua sede de Washington sobre a distribuição dos US$45 milhões destinados pela administração Bush para provocar uma ruptura do processo revolucionário cubano.
O chefe da Usaid para a região latino-americana, José "Pepe" Cárdenas, ex-dirigente da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), liderou um grupelho de funcionários federais "especialistas" de Cuba durante três horas (das 9h até meio-dia), deixando fora do local os meios de comunicação, num ambiente conspirativo, conforme as operações que pretende realizar. Entre estes especialistas, encontravam-se:
• Seu braço direito para Cuba, Elaine Grigsby, diretora do chamado Programa Cuba;
• Amadjan Abani, do Escritório de Assistência e Aquisições da Usaid;
• Anthony Christino III, do Bureau de Indústria e Segurança do Departamento do Comércio;
• Clara Davis, do OFAC (agência do Departamento de Estado que monitora e sanciona os intercâmbios com Cuba).
Entre as organizações, umas célebres, outras menos conhecidas, porém todas interessadas em se apropriarem dos milhões do Departamento de Estado, sobressaíram:
A pseudo-ONG checa People in Need; Global Partners; IBMC; Loyola University; Center for Democracy in the Americas; Jackson State University; Mississippi Consortium for International Development; International Resources Group; Panamerican Development Foundation; Partners of America; Alliance for Family; o Conselho de Comércio da... Hungria e a multimilionária Tevê Martí.
Nenhum diplomata — nem sequer o agente checo Kolar — esteve presente.
Quanto a confessar autênticas operações de espionagem contra Cuba e em território cubano, "Pepe" Cárdenas, o ex-dirigente da FNCA que substituiu o corruptíssimo Adolfo Franco, enfatizou a necessidade de identificar ONGs em terceiros países que encaminhem os recursos da Usaid para a subversão.
Salientou que é necessário enviar a Cuba, por meio daqueles intermediários, "panfletos de propaganda, celulares e aparelhos de comunicação modernos", assim como "treinar cubanos residentes na Ilha em terceiros países".
Após se referir à "filosofia" atrás da grande expansão do Programa Cuba da Usaid, Cárdenas sublinhou que seu orçamento, de US$13 milhões em 2007, "aumentou" para US$45 milhões em 2008.
Depois mencionou entre os países mais propensos para fazer este trabalho encoberto, Chile, Peru, Argentina, Colômbia e Costa Rica.
Grigsby, presumivelmente sua mais fiel colaboradora, comentou que, segundo sua experiência, era difícil conseguir parceiros na América Latina.
Como bom instrutor de uma operação de inteligência, Cárdenas falou da conveniência de utilizar países da Europa oriental que "experimentaram recentemente transições".
Contudo, não esclareceu o nível de colaboração ou cumplicidade da inteligência norte-americana com os funcionários dos governos dos países acima referidos.
Respondendo a uma pergunta, Cárdenas revelou que já tinham recomendado a "instituições experientes na execução deste tipo de programa", como a NED, o NDI, o IRI, a Florida International University, a Freedom House com seu agente da CIA, Jaime Suchilicki... e, com certeza, o Center for a Free Cuba, de seu amigalhaço Frank "Paquito" Calzon.
OPERAÇÕES SECRETAS
Com uma linguagem própria de um agente de uma missão de espionagem, o ex-dirigente da FNCA confessou que é "difícil" introduzir materiais na Ilha e, portanto, induziu que o trabalho tinha que "fazê-lo às ocultas".
Grigsby acrescentou que, além de serem altamente secretas as tarefas encomendadas, se existissem pedidos para revelar doumentos, em virtude da Lei da Liberdade de Informação (conhecida como FOIA), a Usaid "apenas emitiria um resumo geral e guardaria o segredo" dos pormenores dos programas de cada ONG, pois são "materiais secretos".
Anthony Cristino III referiu-se nesta mesma confissão pública à "necessidade" de enviar computadores e softwarea a Cuba, para o qual seus serviços vão facilitar licenças.
Clara Davis, a perúla do OFAC, propôs licenças de viagem, esclarecendo que as chamadas licenças humanitárias sejam utilizadas para a inflitração de agentes, sob o pretexto de projetos ligados à saúde pública, ao meio ambiente e a "iniciativas específicas".
Também falou aberta e grosseiramente sobre o "interesse" em promover viagens a Cuba, usando licenças, para "fazer avaliações in situ".
Davis assinalou que "o maior envio de dinheiro a Cuba" era "através da Igreja", uma referência muito intencional que tem por objetivo prejudicar as ótimas relações existentes entre a Igreja e o Estado cubano.
AS ELEIÇÕES DETERMINARÃO O FUTURO
Fazendo outra confissão, Grigsby disse que outro aumento do orçamento para a subversão dependerá das eleições de novembro.
Segundo os observadores "in situ", sem dúvida, as vítimas deste novo financiamento da subversão em Cuba ajustarão contas num certo momento com a administração.
A organização que manejou o esbajamento do dinheiro federal em operações fraudulentas, convocou sua reunião com o propósito de aparentar que concordou com o golpe do GAO.
No entanto, publicou em sua convocatória em que dia e hora seria a assembléia, mas omitiu indicar o lugar, para o qual tinha que ligar e perguntar. A estratégia prestou. Foram ao encontro algumas pessoas novas para a partilha de um bolo já distribuído.
O GAO, em seu relatório, demonstrou que os altos funcionários da Usaid dissimularam o paradeiro de US$65,4 milhões presenteados, numa década, a seus amigalhaços de Miami e de Washington.
José Cárdenas foi dirigente da FNCA desde 1986, e desempenhou as mais altas responsabilidades. Além disso, foi sucessivamente diretor de "investigações e publicações", porta-voz da organização e lobista-chefe, quando a organização mafiosa dispunha de uma luxuosa "embaixada" em Washington.
O funcionário mafioso é amigo íntimo de Ileana Ros Lehtinen e dos irmãos Díaz-Balart.
A FNCA, criada pela CIA sob a administração de Ronald Reagan, despendeu uma fortuna no financiamento das operações do terrorista internacional Luis Posada Carriles, o qual, naturalmente, Cárdenas não pode ignorar, assim como também não poderá ignorar as fortes lamentações dos cabecilhas de Miami, os quais, com a reorientação dos métodos da Usaid, particularmente a favor de seu habituais correspondentes europeus, ficam numa situação um pouco precária.
IRAQUE - Menores presos pelos Estados Unidos.
Publicado no blog O Velho Comunista.
2.500 menores presos pelos Estados Unidos no Iraque.
João Bernardo.
Em Fevereiro chamei a atenção para o caso de um detido de Guantánamo, Omar Khadr, aprisionado pelos norte-americanos no Afeganistão quando tinha 15 anos de idade. Podemos agora ver que se trata de uma prática generalizada. Segundo um relatório enviado na semana passada pelo governo dos Estados Unidos ao Comité da ONU para os Direitos das Crianças, desde 2002 já foram presos pelas forças armadas norte-americanas no Iraque 2.500 menores de 18 anos, em alguns casos por períodos superiores a um ano. Este relatório informa que atualmente as forças dos Estados Unidos têm detidos no Iraque cerca de 500 menores, enquanto cerca de uma dezena está numa base no Afeganistão. Todos estes jovens foram acusados de participar em atividades de resistência à ocupação do seu país, incluindo ações de espionagem. É curioso considerar que foi precisamente esta a origem dos Escuteiros, organizados por um oficial britânico durante a guerra contra os Boers na África do Sul (no final do século XIX e começo do séculoXX) para escutarem o que se passava nas fileiras inimigas. Mas é sabido que os pesos e as medidas variam consoante o lado que os usa. Talvez como desculpa, o relatório oficial norte-americano argumenta que «a idade exata destes indivíduos é incerta, porque a maior parte não sabe a data do seu nascimento ou mesmo o ano em que nasceram». Entretanto, a diretora executiva da ONG International Justice Network declarou-se indignada pelo fato de os jovens estarem detidos em prisões de adultos, como se a inauguração de prisões especiais para jovens insurretos pusesse tudo no devido lugar.
2.500 menores presos pelos Estados Unidos no Iraque.
João Bernardo.
Em Fevereiro chamei a atenção para o caso de um detido de Guantánamo, Omar Khadr, aprisionado pelos norte-americanos no Afeganistão quando tinha 15 anos de idade. Podemos agora ver que se trata de uma prática generalizada. Segundo um relatório enviado na semana passada pelo governo dos Estados Unidos ao Comité da ONU para os Direitos das Crianças, desde 2002 já foram presos pelas forças armadas norte-americanas no Iraque 2.500 menores de 18 anos, em alguns casos por períodos superiores a um ano. Este relatório informa que atualmente as forças dos Estados Unidos têm detidos no Iraque cerca de 500 menores, enquanto cerca de uma dezena está numa base no Afeganistão. Todos estes jovens foram acusados de participar em atividades de resistência à ocupação do seu país, incluindo ações de espionagem. É curioso considerar que foi precisamente esta a origem dos Escuteiros, organizados por um oficial britânico durante a guerra contra os Boers na África do Sul (no final do século XIX e começo do séculoXX) para escutarem o que se passava nas fileiras inimigas. Mas é sabido que os pesos e as medidas variam consoante o lado que os usa. Talvez como desculpa, o relatório oficial norte-americano argumenta que «a idade exata destes indivíduos é incerta, porque a maior parte não sabe a data do seu nascimento ou mesmo o ano em que nasceram». Entretanto, a diretora executiva da ONG International Justice Network declarou-se indignada pelo fato de os jovens estarem detidos em prisões de adultos, como se a inauguração de prisões especiais para jovens insurretos pusesse tudo no devido lugar.
CURIOSIDADES - Visitar fazenda alivia estresse.
Publicado no site da BBC BRASIL.
Uma visita à fazenda não é só para as crianças.
Passar tempo em uma fazenda pode aliviar o estresse e o cansaço, segundo um estudo realizado pela Universidade de Essex, na Grã-Bretanha.
A pesquisa diz que ir ao campo, ter contato com os animais do local e dirigir um trator podem ser benéficos.
As atividades podem ajudar as pessoas a se livrarem de sensações de raiva, confusão e depressão, segundo o estudo.
A pesquisa, divulgada pela organização Leaf, que promove o cultivo sustentável, analisou grupos de pessoas de 18 a 84 anos que haviam visitado o campo.
Eles descobriram que depois de passar apenas algumas horas em uma fazenda, 95% das pessoas estavam menos cansadas, 91% estavam menos tensas e 55% se sentiram revitalizadas.
O professor Jules Pretty, chefe de Ciências Biológicas da Universidade de Essex, disse que há "cada vez mais provas" de que exposição a espaços verdes e florestas faz bem para as pessoas.
"Esse estudo mostra claramente que passar até mesmo apenas duas horas em uma fazenda traz benefícios ao bem-estar da pessoa e faz com que elas se conectem com a natureza", afirmou.
"Pessoas nos seus 30 anos e homens que trabalham demais e querem 'recarregar as baterias' são aconselhados a deixar a academia ou a soneca e ir para o campo", completou Pretty
Uma visita à fazenda não é só para as crianças.
Passar tempo em uma fazenda pode aliviar o estresse e o cansaço, segundo um estudo realizado pela Universidade de Essex, na Grã-Bretanha.
A pesquisa diz que ir ao campo, ter contato com os animais do local e dirigir um trator podem ser benéficos.
As atividades podem ajudar as pessoas a se livrarem de sensações de raiva, confusão e depressão, segundo o estudo.
A pesquisa, divulgada pela organização Leaf, que promove o cultivo sustentável, analisou grupos de pessoas de 18 a 84 anos que haviam visitado o campo.
Eles descobriram que depois de passar apenas algumas horas em uma fazenda, 95% das pessoas estavam menos cansadas, 91% estavam menos tensas e 55% se sentiram revitalizadas.
O professor Jules Pretty, chefe de Ciências Biológicas da Universidade de Essex, disse que há "cada vez mais provas" de que exposição a espaços verdes e florestas faz bem para as pessoas.
"Esse estudo mostra claramente que passar até mesmo apenas duas horas em uma fazenda traz benefícios ao bem-estar da pessoa e faz com que elas se conectem com a natureza", afirmou.
"Pessoas nos seus 30 anos e homens que trabalham demais e querem 'recarregar as baterias' são aconselhados a deixar a academia ou a soneca e ir para o campo", completou Pretty
CORRUPÇÃO - O caso Alstom.
Os tucanos estão apavorados. Fazem tudo para impedir a apuração de mais um escândalo, porém dessa vez vai ficar difícil, pois envolve o Ministério Público Suiço.
Tudo indica que Alstom pagou comissão de 15% para obter contrato com Eletropaulo, é o que revela a matéria dos jornalistas, Sônia Filgueiras e Eduardo Reina, no Estadão.
Um único contrato de consultoria teria sido usado para dar cobertura a mais da metade das propinas supostamente pagas, entre outubro de 1998 e abril de 2001, a pessoas ligadas ao governo de São Paulo, então sob o comando do PSDB. Segundo as investigações do Ministério Público da Suíça, o contrato foi fechado entre a Alstom e a offshore MCA Uruguay Ltda. Outras offshores, empresas com sede em paraísos fiscais, fecharam contratos da mesma natureza.Com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a MCA era administrada pelo brasileiro Romeu Pinto Júnior, que não quis falar ao Estado sobre o assunto.Os supostos serviços de consultoria foram formalizados em contratos para dar cobertura à promessa de comissões. O valor foi prometido em troca da assinatura de um contrato entre Alstom e Eletropaulo: o Gisel II, orçado, segundo os investigadores suíços, em 251,7 milhões de francos franceses (o equivalente a R$ 98,1 milhões, em valores de hoje).O contrato previa que a MCA receberia o equivalente a 7,5% do valor do Gisel II. A quantia (18,9 milhões de francos franceses ou R$ 7,3 milhões) foi depositada diretamente pelo grupo Alstom em contas bancárias da MCA na Suíça e em Luxemburgo. O mesmo porcentual (7,5%) é descrito em uma anotação interna apreendida pelas autoridades suíças como o objeto de um "acordo" destinado a remunerar "o poder político" da época, que estaria sendo supostamente negociado "via um ex-secretário do governador", identificado pelas iniciais "RM". A MCA recebeu outros 2,8 milhões de francos franceses (R$ 1,1milhão) de forma indireta, repassados por intermédio de outras empresas offshore. As propinas inicialmente prometidas a servidores e pessoas ligadas ao governo paulista, pagas por meio da MCA e outras offshores, segundo as investigações do Ministério Público da Suíça, chegariam a quase 15% (37,7 milhões de francos franceses, R$ 14,7 milhões atualizados) do valor total do contrato entre a Alstom e a Eletropaulo. muitas empresas para o Brasil.Há documentos apontando o efetivo pagamento de 34 milhões de francos franceses, equivalentes a R$ 13,5 milhões, depositados na conta de quatro offshore.Ainda de acordo com os investigadores suíços, as propinas, embutidas em contratos de suborno disfarçados de consultoria teriam sido prometidas a pessoas que, nos documentos internos da matriz da empresa Alstom, em Paris, aparecem sob vários pseudônimos.
Tudo indica que Alstom pagou comissão de 15% para obter contrato com Eletropaulo, é o que revela a matéria dos jornalistas, Sônia Filgueiras e Eduardo Reina, no Estadão.
Um único contrato de consultoria teria sido usado para dar cobertura a mais da metade das propinas supostamente pagas, entre outubro de 1998 e abril de 2001, a pessoas ligadas ao governo de São Paulo, então sob o comando do PSDB. Segundo as investigações do Ministério Público da Suíça, o contrato foi fechado entre a Alstom e a offshore MCA Uruguay Ltda. Outras offshores, empresas com sede em paraísos fiscais, fecharam contratos da mesma natureza.Com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a MCA era administrada pelo brasileiro Romeu Pinto Júnior, que não quis falar ao Estado sobre o assunto.Os supostos serviços de consultoria foram formalizados em contratos para dar cobertura à promessa de comissões. O valor foi prometido em troca da assinatura de um contrato entre Alstom e Eletropaulo: o Gisel II, orçado, segundo os investigadores suíços, em 251,7 milhões de francos franceses (o equivalente a R$ 98,1 milhões, em valores de hoje).O contrato previa que a MCA receberia o equivalente a 7,5% do valor do Gisel II. A quantia (18,9 milhões de francos franceses ou R$ 7,3 milhões) foi depositada diretamente pelo grupo Alstom em contas bancárias da MCA na Suíça e em Luxemburgo. O mesmo porcentual (7,5%) é descrito em uma anotação interna apreendida pelas autoridades suíças como o objeto de um "acordo" destinado a remunerar "o poder político" da época, que estaria sendo supostamente negociado "via um ex-secretário do governador", identificado pelas iniciais "RM". A MCA recebeu outros 2,8 milhões de francos franceses (R$ 1,1milhão) de forma indireta, repassados por intermédio de outras empresas offshore. As propinas inicialmente prometidas a servidores e pessoas ligadas ao governo paulista, pagas por meio da MCA e outras offshores, segundo as investigações do Ministério Público da Suíça, chegariam a quase 15% (37,7 milhões de francos franceses, R$ 14,7 milhões atualizados) do valor total do contrato entre a Alstom e a Eletropaulo. muitas empresas para o Brasil.Há documentos apontando o efetivo pagamento de 34 milhões de francos franceses, equivalentes a R$ 13,5 milhões, depositados na conta de quatro offshore.Ainda de acordo com os investigadores suíços, as propinas, embutidas em contratos de suborno disfarçados de consultoria teriam sido prometidas a pessoas que, nos documentos internos da matriz da empresa Alstom, em Paris, aparecem sob vários pseudônimos.
CPMF - Só é contra os golpistas ou inconscientes.
Também concordo com o Guina, só uma minoria é que será atingida pelo imposto. É a que prefere pagar segurança privada e que vive dentro de verdadeiros "bunkers" ao invés de apoiar a redução das disparidades de renda e a inclusão social. Quanto a oposição, só quer prejudicar o governo Lula, torce pelo quanto pior melhor. Ao derrubar a CPMF, a oposição ficou do lado dos corruptos, sonegadores e traficantes que agradecem contritos.
Nova CPMF:Só é Contra os Golpistas ou Inconscientes .
Por Guina, publicado na Tribuna Petista.
A criação da nova CPMF, batizada como CSS(Contribuição Social para a Saúde) , que servirá para injetar na saúde R$ 10 bilhões ao ano, tem como proposta um tributo de 0,1% sobre movimentação financeira não será cobrado dos aposentados, pensionistas e trabalhadores formais que ganhem até R$ 3.038,99. Quem ganha acima deste valor e tem carteira assinada também será isento até este limite, pagando apenas sobre o restante.A oposição, os mesmos irresponsáveis que acabaram com a CPMF e prejudicaram milhares de pessoas que precisam da súde pública, já agita para tentar impedir este novo imposto em benefício dos mais carentes.Na verdade, estes ratos oposicionistas querem mesmo é fazer política suja contra Lula, visto que este é ano de eleições, e eles como só pensam nisso, não estão nem aí para o povão.É como estava conversando com a minha esposa, apesar de não gostar muito de política e de ganhar um salário dentro do teto estabelecido para cobrança da CSS, concorda com cobrança, pois acha que só assim, cobrando mais de quem tem mais e revertendo em benefícios para os que ganham menos é que vamos melhorar as diferenças sociais no nosso país.Pra você ver leitor, que pessoas de bem e conscientes são a favor de uma nova CPMF, enquanto gente do nível de um ACM Neto, Agripino Maia, Arthur Virgílio, dentre tantos outros golpistas que só se preocupam com seus interesses, não dá pra se esperar outra coisa a não ser o boicote a tudo aquilo que o Presidente Lula quer fazer para aqueles que mais precisam no nosso país.
Nova CPMF:Só é Contra os Golpistas ou Inconscientes .
Por Guina, publicado na Tribuna Petista.
A criação da nova CPMF, batizada como CSS(Contribuição Social para a Saúde) , que servirá para injetar na saúde R$ 10 bilhões ao ano, tem como proposta um tributo de 0,1% sobre movimentação financeira não será cobrado dos aposentados, pensionistas e trabalhadores formais que ganhem até R$ 3.038,99. Quem ganha acima deste valor e tem carteira assinada também será isento até este limite, pagando apenas sobre o restante.A oposição, os mesmos irresponsáveis que acabaram com a CPMF e prejudicaram milhares de pessoas que precisam da súde pública, já agita para tentar impedir este novo imposto em benefício dos mais carentes.Na verdade, estes ratos oposicionistas querem mesmo é fazer política suja contra Lula, visto que este é ano de eleições, e eles como só pensam nisso, não estão nem aí para o povão.É como estava conversando com a minha esposa, apesar de não gostar muito de política e de ganhar um salário dentro do teto estabelecido para cobrança da CSS, concorda com cobrança, pois acha que só assim, cobrando mais de quem tem mais e revertendo em benefícios para os que ganham menos é que vamos melhorar as diferenças sociais no nosso país.Pra você ver leitor, que pessoas de bem e conscientes são a favor de uma nova CPMF, enquanto gente do nível de um ACM Neto, Agripino Maia, Arthur Virgílio, dentre tantos outros golpistas que só se preocupam com seus interesses, não dá pra se esperar outra coisa a não ser o boicote a tudo aquilo que o Presidente Lula quer fazer para aqueles que mais precisam no nosso país.
COLÔMBIA - Pelos caminhos do mundo: guerilheiras das FARC.
Publicado no blog Correio da Cidadania.
Fala-se e escreve-se muito dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – quase sempre para os caluniar – e pouco das guerrilheiras. A maioria dos europeus ignora que milhares de mulheres combatem nas 60 frentes em que as FARC lutam naquele país. Conheci muitas em 2001, nas semanas vividas num acampamento amazônico da organização revolucionária. Como transmitir no breve espaço de uma crônica o que em mim ficou do contato com essas guerreiras de novo tipo?
Encontrei ali moças tão diferentes que seria redutor o esforço para esboçar o choque emocional provocado pelo descobrimento das combatentes das FARC. De comum entre elas apenas a coragem, a capacidade de adaptação a condições de vida duríssimas e uma confiança total na justiça da luta das FARC e na vitória final, sem data.
No meu acampamento somente uma não tinha companheiro. Apenas Eliana ultrapassara os 40. A maioria não atingira os 25 anos. A ética da guerrilha impunha normas que eram respeitadas. Se dois namorados pretendiam estabelecer uma relação amorosa informavam o comandante. A infidelidade não era tolerada pelo código da guerrilha. A pareja era autorizada a dormir na mesma caleta, o estrado-cama que, sob um toldo de plástico, na grande floresta fazia as vezes de casa. O regulamento proibia também que os guerrilheiros, homens ou mulheres, mantivessem relações sexuais com hóspedes das FARC.
Mas não havia moralismo. Se um casal decidia pôr termo à relação comunicava essa decisão ao comandante. O gesto consumava a separação.
As mulheres realizavam os mesmos trabalhos que os homens, desde o treino militar à abertura das latrinas. Iguais direitos, tarefas idênticas.
O cotidiano dos acampamentos não permitia a privacidade a que hoje estamos acostumados na vida diária. Na selva, infestada por transmissores de doenças perigosas, o banho diário é imprescindível à defesa da saúde. As mulheres banhavam-se no rio ao lado dos homens, numa atmosfera de camaradagem e respeito que me impressionou. As normas do pudor, tal como as conhecemos, não podiam funcionar ali. Mas nunca, nem nos olhares nem nas palavras, testemunhei atitude da qual transparecesse um comportamento machista.
Elas, tal como eles, tinham diferentes origens sociais. Algumas tinham vindo de grandes cidades, outras dos llanos ou dos vales quentes, outras ainda das terras frias da cordilheira. A origem social transparecia mais no diálogo do que no comportamento, porque raparigas de famílias camponesas haviam adquirido uma sólida formação ideológica. Para surpresa minha, quase todas eram bonitas.
Na Aula – o lugar onde à noite o coletivo da guerrilha se reunia para assistir a palestras e debater o tema com o professor convidado – tive a oportunidade de falar mais demoradamente com algumas que mal conhecia, como a Adriana e a Jenny.
Um exército de heróis
O meu trabalho exigiu contatos muito freqüentes com quatro: a Glória, a Eliana, a Yurleni e a Isabel.
Glória era a secretária sem título do comandante Raul Reyes. De origem pequeno- burguesa, adquirira uma formação marxista ampla, pouco comum. Era a responsável pelos computadores e pelas transmissões por rádio, serviços instalados num "escritório", que se diferenciava das caletas apenas pela sua maior dimensão. Enviava mensagens codificadas e decifrava as recebidas. A sua intimidade com o mundo da informática fazia de mim um aprendiz bisonho.
Era muito bonita e nem o uniforme lhe afetava a feminilidade. Foi durante as lentas viagens para El Caguan, através de uma estrada imprevisível que rompia as matas da região – ela guiava carros pesados como uma profissional -, que do seu passado soube aquilo que me contou. O suficiente para eu entrever nela uma personagem de novela que irradiava uma intensa alegria de viver.
Em Eliana encontrei uma revolucionária de outro tipo. Responsável pela intendência, ocupava-se com zelo de tudo o que se relacionava com o abastecimento do acampamento. A sua beleza não era física. De meia idade, entroncada, brusca nos movimentos, alcançara o grau de subcomandante e o seu currículo de combatente dissipava dúvidas sobre os méritos da guerrilheira. Era de poucas falas, mas ao volante de um caminhão, respondia com rapidez e segurança às perguntas que eu formulava sobre a história das FARC e a organização do acampamento.
Yurleni, a rancheira, projetava a imagem de uma jovem camponesa desinibida, faladora, com uma espontaneidade tocante. Passava o dia na cozinha preparando as refeições dos convidados. Quando apreciávamos um prato de caça ou uma especialidade colombiana, reagia tão efusivamente que até comunicava o fato ao seu papagaio palrador, empoleirado num arbusto, ao lado do galão de água no terreiro por onde deambulavam galinhas e o quati, mascote da guerrilha. Yurleni tinha um companheiro, John, e dizia ser mais feliz do que algum dia pudera imaginar. Menina, tinha uma obsessão: ser soldado. Mas acabou nas FARC quando percebeu que era mentira o que delas contavam e que a guerrilha era, essa sim, um exército de heróis, como outro não existia.
Em Isabel, a historiadora, descobri uma romântica. Foi a ideologia, absorvida na universidade, que a empurrou para as FARC. Encontrava-se no umbral de uma vida de comodidades, já com um mestrado e trabalhando numa organização internacional que lhe garantia um salário mensal de quase 2000 dólares quando....
Ela hesitava ao chegar aí e eu interrompia, tentando descer às raízes da opção que a fizera mudar de rumo. "O tempo de reflexão foi breve", respondia. "Eu sentia um nojo crescente pelo tipo de vida que se abria para mim. Não queria ser triturada pelo sistema. O apelo foi irresistível. Ajudada por amigos, vim para as FARC, que eu admirava sem as conhecer...".
Comovida admiração
Isabel mantinha longas conversas comigo. Os temas ideológicos fascinavam-na e encontrou em mim um interlocutor. Após um ano, sentia-se ainda uma iniciada. Cumpria exemplarmente todas as tarefas, verifiquei que atirava muito bem, mas a insegurança atormentava-a.
A beleza de Isabel chamava a atenção pela suavidade. Tinha uma pele muito branca, uns olhos enormes, luminosos e um corpo onde tudo parecia certo pela forma e a proporção. Do conjunto desprendia-se irrealidade.
Um dia perguntei-lhe porque, sendo tão bela, não tinha companheiro.
Levou tempo a responder. "Sabe, isso me faz sofrer, mas não pelo que possas pensar. Alguns camaradas já me perguntaram por que os recusei. Pensam que é uma atitude de classe, mas o motivo é outro. Eu tenho uma idéia muito grande do amor e ainda não encontrei alguém que me abra ao amor"...
Naturalmente Gloria, Eliana, Jenny, Adriana, Yurleni e Isabel eram nomes de guerra. Desconheço os nomes reais.
Na sede das FARC, em San Vicente del Caguan, conheci outra guerrilheira, a Nora, da qual conservo nítida na memória a lembrança de alguém que me apareceu como símbolo das mulheres das FARC.
Ela estava então na legalidade relativa da época e por isso publiquei-lhe o retrato numa reportagem. O companheiro tinha caído em combate pouco antes.
Nora atendia na recepção todos os estrangeiros que chegavam à Zona Desmilitarizada. Apareciam ali muitos jornalistas que pretendiam entrevistas com os dirigentes mais destacados das FARC, incluindo Manuel Marulanda, o legendário Tirofijo, cuja morte fora anunciada vinte vezes por sucessivos governos. Era difícil a tarefa, mas Nora resolvia os problemas mais delicados. A voz e a doçura da guerrilheira desarmavam o protesto quando os visitantes não obtinham o que pretendiam. Fundia uma suavidade tocante numa firmeza de combatente veterana.
Fechava-se quando as minhas perguntas incidiam sobre o seu mundo interior. Nunca me falou do companheiro perdido, mas a palavra tristeza subia na minha memória quando a escutava. No dia em que me despedi dei-lhe um par de botas e uma lanterna. Indispensáveis na selva, não teriam mais utilidade para mim.
"Podem ser úteis para algum camarada", comentei, quase envergonhado.
Nora abraçou-me, sem uma palavra, e o seu ‘gracias, compañero’ chegou acompanhado do único sorriso que vi esboçar naqueles dias.
Hoje, quando leio ou escuto calúnias sobre as FARC, o meu pensamento viaja para as selvas e montanhas da Colômbia. No turbilhão de imagens que então me envolve, não é sem comovida admiração que revejo as guerrilheiras que ali conheci. Aquelas mulheres aparecem-me como símbolo da confiança na transformação revolucionária da vida.
Miguel Urbano Rodrigues é escritor, jornalista e membro do Partido Comunista Português.
Fala-se e escreve-se muito dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – quase sempre para os caluniar – e pouco das guerrilheiras. A maioria dos europeus ignora que milhares de mulheres combatem nas 60 frentes em que as FARC lutam naquele país. Conheci muitas em 2001, nas semanas vividas num acampamento amazônico da organização revolucionária. Como transmitir no breve espaço de uma crônica o que em mim ficou do contato com essas guerreiras de novo tipo?
Encontrei ali moças tão diferentes que seria redutor o esforço para esboçar o choque emocional provocado pelo descobrimento das combatentes das FARC. De comum entre elas apenas a coragem, a capacidade de adaptação a condições de vida duríssimas e uma confiança total na justiça da luta das FARC e na vitória final, sem data.
No meu acampamento somente uma não tinha companheiro. Apenas Eliana ultrapassara os 40. A maioria não atingira os 25 anos. A ética da guerrilha impunha normas que eram respeitadas. Se dois namorados pretendiam estabelecer uma relação amorosa informavam o comandante. A infidelidade não era tolerada pelo código da guerrilha. A pareja era autorizada a dormir na mesma caleta, o estrado-cama que, sob um toldo de plástico, na grande floresta fazia as vezes de casa. O regulamento proibia também que os guerrilheiros, homens ou mulheres, mantivessem relações sexuais com hóspedes das FARC.
Mas não havia moralismo. Se um casal decidia pôr termo à relação comunicava essa decisão ao comandante. O gesto consumava a separação.
As mulheres realizavam os mesmos trabalhos que os homens, desde o treino militar à abertura das latrinas. Iguais direitos, tarefas idênticas.
O cotidiano dos acampamentos não permitia a privacidade a que hoje estamos acostumados na vida diária. Na selva, infestada por transmissores de doenças perigosas, o banho diário é imprescindível à defesa da saúde. As mulheres banhavam-se no rio ao lado dos homens, numa atmosfera de camaradagem e respeito que me impressionou. As normas do pudor, tal como as conhecemos, não podiam funcionar ali. Mas nunca, nem nos olhares nem nas palavras, testemunhei atitude da qual transparecesse um comportamento machista.
Elas, tal como eles, tinham diferentes origens sociais. Algumas tinham vindo de grandes cidades, outras dos llanos ou dos vales quentes, outras ainda das terras frias da cordilheira. A origem social transparecia mais no diálogo do que no comportamento, porque raparigas de famílias camponesas haviam adquirido uma sólida formação ideológica. Para surpresa minha, quase todas eram bonitas.
Na Aula – o lugar onde à noite o coletivo da guerrilha se reunia para assistir a palestras e debater o tema com o professor convidado – tive a oportunidade de falar mais demoradamente com algumas que mal conhecia, como a Adriana e a Jenny.
Um exército de heróis
O meu trabalho exigiu contatos muito freqüentes com quatro: a Glória, a Eliana, a Yurleni e a Isabel.
Glória era a secretária sem título do comandante Raul Reyes. De origem pequeno- burguesa, adquirira uma formação marxista ampla, pouco comum. Era a responsável pelos computadores e pelas transmissões por rádio, serviços instalados num "escritório", que se diferenciava das caletas apenas pela sua maior dimensão. Enviava mensagens codificadas e decifrava as recebidas. A sua intimidade com o mundo da informática fazia de mim um aprendiz bisonho.
Era muito bonita e nem o uniforme lhe afetava a feminilidade. Foi durante as lentas viagens para El Caguan, através de uma estrada imprevisível que rompia as matas da região – ela guiava carros pesados como uma profissional -, que do seu passado soube aquilo que me contou. O suficiente para eu entrever nela uma personagem de novela que irradiava uma intensa alegria de viver.
Em Eliana encontrei uma revolucionária de outro tipo. Responsável pela intendência, ocupava-se com zelo de tudo o que se relacionava com o abastecimento do acampamento. A sua beleza não era física. De meia idade, entroncada, brusca nos movimentos, alcançara o grau de subcomandante e o seu currículo de combatente dissipava dúvidas sobre os méritos da guerrilheira. Era de poucas falas, mas ao volante de um caminhão, respondia com rapidez e segurança às perguntas que eu formulava sobre a história das FARC e a organização do acampamento.
Yurleni, a rancheira, projetava a imagem de uma jovem camponesa desinibida, faladora, com uma espontaneidade tocante. Passava o dia na cozinha preparando as refeições dos convidados. Quando apreciávamos um prato de caça ou uma especialidade colombiana, reagia tão efusivamente que até comunicava o fato ao seu papagaio palrador, empoleirado num arbusto, ao lado do galão de água no terreiro por onde deambulavam galinhas e o quati, mascote da guerrilha. Yurleni tinha um companheiro, John, e dizia ser mais feliz do que algum dia pudera imaginar. Menina, tinha uma obsessão: ser soldado. Mas acabou nas FARC quando percebeu que era mentira o que delas contavam e que a guerrilha era, essa sim, um exército de heróis, como outro não existia.
Em Isabel, a historiadora, descobri uma romântica. Foi a ideologia, absorvida na universidade, que a empurrou para as FARC. Encontrava-se no umbral de uma vida de comodidades, já com um mestrado e trabalhando numa organização internacional que lhe garantia um salário mensal de quase 2000 dólares quando....
Ela hesitava ao chegar aí e eu interrompia, tentando descer às raízes da opção que a fizera mudar de rumo. "O tempo de reflexão foi breve", respondia. "Eu sentia um nojo crescente pelo tipo de vida que se abria para mim. Não queria ser triturada pelo sistema. O apelo foi irresistível. Ajudada por amigos, vim para as FARC, que eu admirava sem as conhecer...".
Comovida admiração
Isabel mantinha longas conversas comigo. Os temas ideológicos fascinavam-na e encontrou em mim um interlocutor. Após um ano, sentia-se ainda uma iniciada. Cumpria exemplarmente todas as tarefas, verifiquei que atirava muito bem, mas a insegurança atormentava-a.
A beleza de Isabel chamava a atenção pela suavidade. Tinha uma pele muito branca, uns olhos enormes, luminosos e um corpo onde tudo parecia certo pela forma e a proporção. Do conjunto desprendia-se irrealidade.
Um dia perguntei-lhe porque, sendo tão bela, não tinha companheiro.
Levou tempo a responder. "Sabe, isso me faz sofrer, mas não pelo que possas pensar. Alguns camaradas já me perguntaram por que os recusei. Pensam que é uma atitude de classe, mas o motivo é outro. Eu tenho uma idéia muito grande do amor e ainda não encontrei alguém que me abra ao amor"...
Naturalmente Gloria, Eliana, Jenny, Adriana, Yurleni e Isabel eram nomes de guerra. Desconheço os nomes reais.
Na sede das FARC, em San Vicente del Caguan, conheci outra guerrilheira, a Nora, da qual conservo nítida na memória a lembrança de alguém que me apareceu como símbolo das mulheres das FARC.
Ela estava então na legalidade relativa da época e por isso publiquei-lhe o retrato numa reportagem. O companheiro tinha caído em combate pouco antes.
Nora atendia na recepção todos os estrangeiros que chegavam à Zona Desmilitarizada. Apareciam ali muitos jornalistas que pretendiam entrevistas com os dirigentes mais destacados das FARC, incluindo Manuel Marulanda, o legendário Tirofijo, cuja morte fora anunciada vinte vezes por sucessivos governos. Era difícil a tarefa, mas Nora resolvia os problemas mais delicados. A voz e a doçura da guerrilheira desarmavam o protesto quando os visitantes não obtinham o que pretendiam. Fundia uma suavidade tocante numa firmeza de combatente veterana.
Fechava-se quando as minhas perguntas incidiam sobre o seu mundo interior. Nunca me falou do companheiro perdido, mas a palavra tristeza subia na minha memória quando a escutava. No dia em que me despedi dei-lhe um par de botas e uma lanterna. Indispensáveis na selva, não teriam mais utilidade para mim.
"Podem ser úteis para algum camarada", comentei, quase envergonhado.
Nora abraçou-me, sem uma palavra, e o seu ‘gracias, compañero’ chegou acompanhado do único sorriso que vi esboçar naqueles dias.
Hoje, quando leio ou escuto calúnias sobre as FARC, o meu pensamento viaja para as selvas e montanhas da Colômbia. No turbilhão de imagens que então me envolve, não é sem comovida admiração que revejo as guerrilheiras que ali conheci. Aquelas mulheres aparecem-me como símbolo da confiança na transformação revolucionária da vida.
Miguel Urbano Rodrigues é escritor, jornalista e membro do Partido Comunista Português.
CUBA - Ser ou não ser.
Tudo é válido para desestabilizar o regime cubano, segundo o governo americano.
Propaganda dos EUA para cubanos entra em debateem 27/5/2008.
Duas décadas após a criação do Office of Cuba Broadcasting pelo Congresso americano, o órgão que administra a TV e rádio Martí ainda não atingiu um consenso entre políticos e especialistas. Discute-se, até hoje, a missão do programa de financiamento de transmissões de TV e rádio no exterior. Neste caso em especial, os veículos de comunicação têm a programação voltada à população cubana que reside na Flórida. A grande questão é: deveriam ser transmitidas notícias imparciais sobre Cuba e o mundo ou as matérias deveriam apenas apoiar a política do governo americano em relação à Cuba, como é feito hoje? A dúvida faz parte de um debate sobre as transmissões financiadas pelo governo americano no exterior. O caso do Office of Cuba Broadcasting ganhou destaque porque, curiosamente, a programação não chega a Cuba. A organização recebe cerca de US$ 34 milhões ao ano e pertence a uma rede de propaganda dos EUA que inclui os serviços Voz da América, Radio Free Europe/Radio Liberty e al-Hurra. A permissão do Congresso para o financiamento da TV e rádio Martí estabelece que as transmissões devem ser operadas "de maneira consistente com a política exterior dos EUA". Jeff Trimble, diretor-executivo do Broadcasting Board of Governors, conselho que supervisiona as transmissões da propaganda americana no exterior, afirma que o documento pede a promoção da democracia, "através da missão jornalística". No entanto, a deputada republicana Ileana Ros-Lehtinen, que apóia a Martí e é de origem cubana, diz que não há diversidade de pensamento no serviço. "Se fôssemos ter alguma mudança na política de Cuba, isto refletiria nas transmissões. A missão [da propaganda] é clara: ir adiante com a política americana em relação a Cuba".ConflitoJá Nicholas Cull, autor de um livro sobre transmissões financiadas pelo governo no exterior, acredita que este tipo de serviço fornece informações que as emissoras comerciais ignoram por medo ou por ofender anunciantes. "Faz parte da natureza do governo esperar que, se ele está pagando a uma emissora de rádio, ela vai refletir suas políticas", afirma. "E faz parte da natureza de um jornalista querer independência editorial". O sítio da TV Martí contém diversas matérias dedicadas a pronunciamentos americanos sobre Cuba, um link para o sítio da Casa Branca e uma seção sobre a guerra contra o terror. O chefe de redação, Alberto Mascaro, alega que Cuba é um dos países mais difíceis de reunir notícias locais por conta da rígida censura. Além disso, o acesso à internet é restrito na ilha. "Não se pode falar sobre os EUA e sobre nossa política para o resto do mundo sem falar sobre a guerra ao terror, pelo menos na administração atual", opina. Informações de Laura Wides-Munoz [Associated Press, 20/5/08].
Propaganda dos EUA para cubanos entra em debateem 27/5/2008.
Duas décadas após a criação do Office of Cuba Broadcasting pelo Congresso americano, o órgão que administra a TV e rádio Martí ainda não atingiu um consenso entre políticos e especialistas. Discute-se, até hoje, a missão do programa de financiamento de transmissões de TV e rádio no exterior. Neste caso em especial, os veículos de comunicação têm a programação voltada à população cubana que reside na Flórida. A grande questão é: deveriam ser transmitidas notícias imparciais sobre Cuba e o mundo ou as matérias deveriam apenas apoiar a política do governo americano em relação à Cuba, como é feito hoje? A dúvida faz parte de um debate sobre as transmissões financiadas pelo governo americano no exterior. O caso do Office of Cuba Broadcasting ganhou destaque porque, curiosamente, a programação não chega a Cuba. A organização recebe cerca de US$ 34 milhões ao ano e pertence a uma rede de propaganda dos EUA que inclui os serviços Voz da América, Radio Free Europe/Radio Liberty e al-Hurra. A permissão do Congresso para o financiamento da TV e rádio Martí estabelece que as transmissões devem ser operadas "de maneira consistente com a política exterior dos EUA". Jeff Trimble, diretor-executivo do Broadcasting Board of Governors, conselho que supervisiona as transmissões da propaganda americana no exterior, afirma que o documento pede a promoção da democracia, "através da missão jornalística". No entanto, a deputada republicana Ileana Ros-Lehtinen, que apóia a Martí e é de origem cubana, diz que não há diversidade de pensamento no serviço. "Se fôssemos ter alguma mudança na política de Cuba, isto refletiria nas transmissões. A missão [da propaganda] é clara: ir adiante com a política americana em relação a Cuba".ConflitoJá Nicholas Cull, autor de um livro sobre transmissões financiadas pelo governo no exterior, acredita que este tipo de serviço fornece informações que as emissoras comerciais ignoram por medo ou por ofender anunciantes. "Faz parte da natureza do governo esperar que, se ele está pagando a uma emissora de rádio, ela vai refletir suas políticas", afirma. "E faz parte da natureza de um jornalista querer independência editorial". O sítio da TV Martí contém diversas matérias dedicadas a pronunciamentos americanos sobre Cuba, um link para o sítio da Casa Branca e uma seção sobre a guerra contra o terror. O chefe de redação, Alberto Mascaro, alega que Cuba é um dos países mais difíceis de reunir notícias locais por conta da rígida censura. Além disso, o acesso à internet é restrito na ilha. "Não se pode falar sobre os EUA e sobre nossa política para o resto do mundo sem falar sobre a guerra ao terror, pelo menos na administração atual", opina. Informações de Laura Wides-Munoz [Associated Press, 20/5/08].
PETRÓLEO - Audiência Pública dia 4 de junho.
Cadê os representantes dos sindicatos petroleiros, dos movimentos sociais, que são contra a entrega das novas reservas aos estrangeiros?
AUDIÊNCIA PÚBLICA, DIA 4/6, NO CONGRESSO DISCUTIRÁ PERSPECTIVAS PARA O SETOR PETRÓLEO.
A Câmara Federal confirmou audiência pública `sobre as perspectivas para o setor de petróleo e gás e o impacto econômico das recentes descobertas de campos de petróleo no Brasil`, para o próximo dia 4 de junho, às 10 horas. Será no Plenário 14 do Anexo II. Lamentavelmente, na mesa de debates, não estará representado o amplo leque de instituições, entidades e cidadãos que questionam a manutenção dos leilões de áreas estratégicas de petróleo e gás. Os convidados são o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, o presidente da Repsol YPF, João Carlos de Luca e o presidente da BG E&P Ltda. A audiência foi convocada pelos deputados Brizola Neto, Arnaldo Vianna, José Carlos Aleluia, Arnaldo Jardim e Osório Adriano e terá a participação da Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. No Brasil, o monopólio estatal da extração e distribuição do petróleo deixou de existir desde o governo Fernando Henrique Cardoso. A criação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em seu governo, faz a política de interesse das empresas e não mais do estado. FHC também privatizou parcialmente a Petrobrás, vendendo cerca de 30% de suas ações na bolsa de valores de Nova Iorque. Durante debate promovido pelo jornal Brasil de Fato, o ex-diretor da Petrobrás Ildo Sauer, e o representante da Aepet, Paulo Metri, concordaram que, em nosso país, o monopólio estatal foi substituído por um oligopólio de empresas estrangeiras com a Petrobrás. A atual política da Companhia é garantir rentabilidade para seus acionistas. Com a nova política, a Petrobrás pesquisa, encontra indícios de petróleo e a ANP faz os leilões para qualquer empresa explorar, inclusive a Petrobrás. Na prática essa é uma forma de entregar a exploração de nosso petróleo a empresas estrangeiras. Quando uma empresa ganha o leilão, ela tem determinado período para explorar a reserva. E se encontrar o petróleo, pode fazer o que quiser com ele, sobretudo exportar. Assim, aplica-se a política de maiores lucros para as empresas, em detrimento dos interesses nacionais. (Agência Petroleira de Notícias).
AUDIÊNCIA PÚBLICA, DIA 4/6, NO CONGRESSO DISCUTIRÁ PERSPECTIVAS PARA O SETOR PETRÓLEO.
A Câmara Federal confirmou audiência pública `sobre as perspectivas para o setor de petróleo e gás e o impacto econômico das recentes descobertas de campos de petróleo no Brasil`, para o próximo dia 4 de junho, às 10 horas. Será no Plenário 14 do Anexo II. Lamentavelmente, na mesa de debates, não estará representado o amplo leque de instituições, entidades e cidadãos que questionam a manutenção dos leilões de áreas estratégicas de petróleo e gás. Os convidados são o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, o presidente da Repsol YPF, João Carlos de Luca e o presidente da BG E&P Ltda. A audiência foi convocada pelos deputados Brizola Neto, Arnaldo Vianna, José Carlos Aleluia, Arnaldo Jardim e Osório Adriano e terá a participação da Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. No Brasil, o monopólio estatal da extração e distribuição do petróleo deixou de existir desde o governo Fernando Henrique Cardoso. A criação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em seu governo, faz a política de interesse das empresas e não mais do estado. FHC também privatizou parcialmente a Petrobrás, vendendo cerca de 30% de suas ações na bolsa de valores de Nova Iorque. Durante debate promovido pelo jornal Brasil de Fato, o ex-diretor da Petrobrás Ildo Sauer, e o representante da Aepet, Paulo Metri, concordaram que, em nosso país, o monopólio estatal foi substituído por um oligopólio de empresas estrangeiras com a Petrobrás. A atual política da Companhia é garantir rentabilidade para seus acionistas. Com a nova política, a Petrobrás pesquisa, encontra indícios de petróleo e a ANP faz os leilões para qualquer empresa explorar, inclusive a Petrobrás. Na prática essa é uma forma de entregar a exploração de nosso petróleo a empresas estrangeiras. Quando uma empresa ganha o leilão, ela tem determinado período para explorar a reserva. E se encontrar o petróleo, pode fazer o que quiser com ele, sobretudo exportar. Assim, aplica-se a política de maiores lucros para as empresas, em detrimento dos interesses nacionais. (Agência Petroleira de Notícias).
sexta-feira, 30 de maio de 2008
ANOS DE CHUMBO VI - Entrevista de Ricardo Zarattini.
"Engenheiro de profissão, subversivo por vocação"É com a frase acima que se autodefine Ricardo Zarattini, um militante, literalmente, velho de guerra que começou em 1954, aos 16 anos, sua luta contra o "imperialismo" e pelas riquezas nacionais na campanha "O petróleo é nosso", pela criação da Petrobras. Um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick - sequestrado em 1969 - e, com uma resistência admirável, passou por diversas prisões, pelo exílio, a clandestinidade, torturas, e só encontrou a liberdade definitiva em 1979, com a anistia.Liderou movimentos trabalhistas do campo, na Zona da Mata canavieira (PE), numa época em que os trabalhadores rurais eram quase escravos, e também na cidade com uma grande mobilização de trabalhadores da Scania, que se espalhou por outras empresas paulistas. Integrou inúmeras organizações de esquerda, participou da luta armada e foi um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), incorporado como tendência ao PT quando da fundação da legenda.Chamado de "Professor", quando preso no Quartel Dias Cardoso, em 1968, no Recife, ensinou matemática e português a cabos e sargentos e, graças à colaboração deles, fugiu da prisão. "Dom Helder Câmara me ajudou. Fiquei escondido no Convento das Dorotéias em Pernambuco até voltar para São Paulo"Esteve ao lado Gregório Bezerra, Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, figuras emblemáticas da militância contra o regime militar. Irmão do ator Carlos Zara, recebeu apoio de artistas, intelectuais e políticos que também buscavam a democracia nos tempos sombrios da ditadura.Quem imagina que Ricardo Zarattini está cansado, engana-se. Hoje, aos 73 anos, esse nacionalista pontua a luta contra o imperialismo como norte de toda a sua trajetória. "As pessoas podem não saber dos crimes dos EUA no passado, mas têm conhecimento da invasão do Afeganistão e do Iraque, onde esse país mostrou toda a sua bestialidade, crueldade e desumanidade."Em 2006, lançou a biografia "Zarattini, a paixão revolucionária", escrita por José Luiz Del Roio – livro de referência tanto pelos detalhes de sua vida e militância, como pelo aprofundado retrato político do Brasil da década de 50 à Lei da Anistia, em 1979.[Especial 68] Vamos começar traçando sua longa história de militância política. Fale um pouco sobre toda essa trajetória. [Zarattini] Eu tenho minha vida dedicada à luta contra o imperialismo norte-americano. Esse sempre foi o norte da minha política. Nunca tive paixão por esse ou aquele partido, essa ou aquela ou organização. O que sempre me guiou foi a luta contra o imperialismo norte-americano, que é, sem dúvida nenhuma, o inimigo número um dos povos de todo o mundo. As pessoas podem não saber dos crimes que o imperialismo cometeu no passado, mas tomaram conhecimento da invasão do Afeganistão e, agora, da invasão do Iraque, onde os Estados Unidos mostraram toda a sua bestialidade, crueldade e desumanidade. E, veja só: por incrível que pareça, essa coisa se voltou até contra o povo americano que hoje tem uma lei patriota, a coisa mais fascista que existe. Iguala-se à Lei de Segurança Nacional que nós tínhamos durante a ditadura. A pessoa pode ser presa, censurada ou ter seus telefones grampeados sem nenhuma ordem judicial. Veja o que eles fazem em Guantánamo (Cuba), onde têm um grande número de presos e que a própria Suprema Corte dos EUA não considera aquilo sub-judice dela. Minha trajetória sempre foi norteada por essa idéia de combate ao imperialismo norte-americano.Petróleo, capital e tecnologiaeram“coisas de comunista”[Especial 68] Você começou cedo, com a campanha do “Petróleo é nosso”. Qual era a visão da época sobre esse potencial energético brasileiro?[Zarattini] Comecei minha vida política com a luta do “Petróleo é nosso”, quando eu tinha 16 anos. Fiz essa campanha na época e um jornalista muito famoso, o Assis Chateaubriand – foi ao colégio onde eu era secundarista em Campinas, o Colégio Culto à Ciência, e disse: “olha, vocês aí, tentem uma palestra aqui”. Todos nós fomos assistir. O diretor obrigava porque ele também era um entreguista. E o Chateaubriand dizia: “Vocês estão enganados, o Brasil não tem petróleo. Se tivesse, não teria dinheiro para explorá-lo e, se tivesse capital, não teria técnica para isso. E se tivesse petróleo, capital e técnica, é uma coisa comunista”. Hoje em dia, o Brasil tem toda uma tecnologia de ponta em exploração de petróleo em alto mar, mas o que lhe reproduzo era o que o Assis Chateaubriand falava e divulgava. A mídia é anti-BrasilOs Diários Associados (conglomerado de comunicações do Chateaubriand) eram o que hoje é a Rede Globo e suas associadas. Aliás, a Globo persiste em sua campanha de ser sempre anti-país, anti-Brasil. A imprensa conservadora sempre foi assim. Ela sempre está contra e procura fazer uma oposição clara a todo o governo que defende o país e faz alguma coisa pelo povo. Foi assim com Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck, com João Goulart, e está sendo assim com o Lula, que na minha avaliação é um dos maiores estadista que esse país já teve. Comecei minha trajetória por aí e tive minha primeira prisão, inclusive. [Especial 68] Você também atuou no movimento estudantil? [Zarattini] Antes de 64, participei ativamente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo, onde fui vice-presidente para problemas nacionais. Era uma importante posição na diretoria. Depois, assumi a presidência da UEE. Participei de todos os congressos da UNE e não exerci cargos nela porque me casei quando ainda estudava na Politécnica. Então, tinha, passei a ter certas obrigações. Nessa trajetória, e dentro dessa visão de que a soberania do país luta contra o imperialismo, é que eu me engajei, ainda estudante, na vice-presidência da UEE para problemas nacionais. Estatais são questão de segurança nacional[Especial 68] Qual sua militância política no governo democrático de Juscelino? [Zarattini] Nós tivemos o governo JK, que sofreu tanto quanto Getúlio Vargas. Com o Getúlio, fizemos uma campanha de apoio no pior momento que ele sofreu, justamente a perseguição da UDN, a União Democrática Nacional. Ela criou a expressão e dizia que o Getúlio estava num mar de lama. Era essa coisa do Carlos Lacerda. Na verdade, Getúlio foi combatido pelas forças do atraso, exatamente pelo que ele estava fazendo: criou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), assinou a lei 2004 de criação da Petrobrás e contribuiu para a sua aprovação. Depois, criou a Vale do Rio Doce, minérios, que era a área de maior interesse dos grandes monopólios. Criou todo um sistema de empresas estatais.Uma coisa importantíssima hoje, mas que na época pouca gente notou, é que nós batalhamos muito contra a privatização da Ultrafértil e de toda área estatal de fertilizantes. Os fertilizantes se tornaram, hoje, um monopólio privado e se importam, ainda, muitos insumos para fabricação. O fertilizante é básico para a segurança alimentar porque sem eles não se tem uma agricultura.Imperialismo foi transformadoem neoliberalismoO imperialismo dizia que ia salvar o Brasil, o mundo e mudou de nome para neoliberalismo, que é a mesma coisa. Voltando um pouco, nós fizemos a campanha do marechal Lott (Henrique Dulffes Baptista Teixeira Lott), que era quem Juscelino indicava como candidato. Infelizmente, houve grandes dificuldades, porque naquela época havia surgido um demagogo chamado Jânio Quadros, que dizia que ia acabar com a corrupção. Inventou uma vassoura para varrer a corrupção, mas não varreu coisa nenhuma. Foi um dos governos mais corruptos da história. E enfrentávamos o Carlos Lacerda que combatia duramente quem? O Getúlio, o Juscelino. E uma parte das Forças Armadas, infelizmente, foi ganha por essas idéias equivocadas.Combateram e derrubaram o Jango, que continuava com essa luta (de Getúlio Vargas) e, não contentes com isso, cassaram o Juscelino. Felizmente isso não foi em todas as Forças Armadas. Havia vários oficiais nacionalistas, democráticos - o próprio marechal Lott - que eram contra o entreguismo. Mas, também, foram todos cassados. A ditadura prendeu o Juscelino, mandou-o para o exílio e, na volta – até hoje uma coisa, realmente, não esclarecida – veio a morte, tanto dele como depois do João Goulart, este ainda no exílio. Em qualquer tipo de abertura política, eles seriam eleitos por estrondosa maioria de votos. [Especial 68] Você também suspeita da morte do Getúlio?[Zarattini] Não sou eu que suspeito. Houve até um seriado na Rede Globo que levantou essa suspeita. Ainda hoje isso é uma coisa que não foi esclarecida o suficiente. Participação ativa nomovimento trabalhista rural[Especial 68] Onde você estava em 1964?[Zarattini] No nordeste exercendo minha profissão de engenheiro. E já tinha participado de toda a mobilização, que existia e era muito forte, intensa, dos assalariados da zona rural canavieira. [Especial 68] Você participou do movimento das Ligas Camponesas, do deputado Francisco Julião?[Zarattini] Não. Nós batalhamos muito e fomos vitoriosos, durante o período que antecedeu o Jango presidente, o período do parlamentarismo do primeiro-ministro Tancredo Neves. Conseguimos a formação dos primeiros sindicados rurais do Brasil. Tivemos uma grande conquista em termos de lei, o Estatuto do Trabalhador Rural. Depois, a ditadura cassou, extinguiu, porque a ditadura serviu ao imperialismo norte-americano e aos seus aliados. O grande e tradicional latifúndio sempre esteve contra o Estatuto, porque sempre esteve contra qualquer governo voltado o trabalhador rural. Participamos ativamente para conquistar a legalidade. Legalizamos os primeiros sindicatos rurais. Foi uma grande conquista e que se espalhou pelo Brasil inteiro. Militância a partir do golpe militar de 64[Especial 68] Você foi preso em 31 março, dia oficial do golpe de 1º de abril de 64? [Zarattini] Não. Antes de 64 eu já tinha feito vários contatos em Pernambuco, tínhamos todo um trabalho com o sindicalismo rural e fomos encontrar outros companheiros. Estávamos desarvorados porque o golpe atingiu uma maioria de organizações que estavam completamente despreparadas para enfrentá-lo, inclusive despreparadas para reagir. Não havia entre nós, à exceção de Brizola, uma visão de tentar uma resistência. Foi tentada, mas de uma forma muito frágil, muito desarticulada. O grande partido de esquerda da época, o Partidão, não tinha nenhuma visão. Na ditadura, divergências e resistência nas organizações de esquerda[Especial 68] Você foi filiado, quadro do fez parte do PCB, o Partido Comunista Brasileiro?[Zarattini] Nessa época fiz, mas divergia, internamente. Na visão marxista do PCB pouca gente via possibilidade do golpe cessar. Havia muita divergência entre as diversas organizações quanto às formas de resistência. Muita gente achava que era possível a luta armada de imediato. Isso nós tentamos fazer lá (no Nordeste) por dois, dois anos e meio. E aí, fui preso no dia 10 de dezembro, três dias antes do AI-5. [Especial 68] Você estava no Rio, em junho de 1968, na Passeata dos Cem Mil?[Zarattini] Não. Só passei pelo Rio na ocasião. Mas a grande divergência que existia na época - e isso é muito importante contextualizar - é que a maioria das organizações de resistência armada à ditadura não viam o papel que o imperialismo norte-americano exerceu. Elas acreditavam que era possível ir do capitalismo para o socialismo sem fazer uma passagem, sem vencer a luta da dominação imperialista norte-americana. Era essa a grande divergência da época. Havia os que pensavam de forma diferente, como eu. Achavam que era necessário fazer uma luta direta contra o imperialismo e só depois, no êxito desta é que se abririam as perspectivas de instalação do socialismo em nosso país. Luta armada, prisões e tortura[Especial 68] Em1968, você estava em qual organização da luta armada, a Ação Libertadora Nacional?[Zarattini] Não, eu estava no PCBR, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, no Nordeste. Tive reuniões com o (Carlos) Lamarca quando ele ainda era um oficial da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Não fiz parte da VPR, mas conheci todos os seus dirigentes que eram, na maioria, sargentos. Eu discutia muito com eles porque o pessoal de algumas organizações não queria ver a questão antiimperialista da forma como eu via. A visão deles era “vamos fazer a revolução socialista de imediato”, o que eu sabia ser impossível antes de vencer o imperialismo. Depois de preso, eu tinha contato com o Lamarca, com o pessoal dos sargentos, da VPR, tínhamos contato com toda a ALN porque, particularmente esta era formada, basicamente, por um agrupamento comunista de São Paulo. Essa divergência não impediu que a gente desenvolvesse várias atividades conjuntas. [Especial 68] Onde você ficou todo o ano de 68, o de maior agitação da resistência à ditadura?[Zarattini] Estava no Nordeste. Fui preso e torturado num quartel militar, o Dias Cardoso. Depois, fui retirado e levado para uma base da aeronáutica, onde fui, novamente, muito torturado. Um sargento me pegou e disse: “já que você é engenheiro, vou pegar você e amarrar num espeto de prova (pilar de concreto para prova de peso e resistência para construção de uma obra). Vamos te amarrar e jogar em alto mar”. O Exército não era todoformado por torturadores[Especial 68] Nessa época, recém-editado o AI-5, torturava-se já em todo o Brasil ? [Zarattini] A tortura foi aprendida, ou melhor, ensinada pelos EUA, por agentes norte-americanos. Mas o Exército brasileiro não era todo formado por torturadores, como se passa idéia até hoje. Havia muitos oficiais nacionalistas e democráticos que foram cassados, outros presos. Fizemos muita pressão e conseguimosabrir parte dos arquivos da ditadura [Especial 68] Não foram todos, nem era uma política oficial das forças Armadas, mas fica essa imagem porque até hoje elas não querem apurar quem fez o que, não querem denunciar quem fez a tortura. Você não acha que é em função disso que acabam ficando com essa imagem diante de toda a população?[Zarattini] Não, isso também é responsabilidade da imprensa. Vocês (da imprensa) tem que arcar com as conseqüências de não esclarecer quais são as posições. Vários oficiais contrários à tortura, foram punidos. (O general presidente Ernesto) Geisel foi adepto da tortura e depois mudou a posição devido às pressões populares. Entrou em antagonismo com seu ministro do Exército, o general Sylvio Frota, que queria que continuasse toda aquela linha de tortura. Essas posições dependem da política em geral. A classe média de 68, particularmente não entendia no passado e até hoje não entende. As opiniões de militares e de religiosos são muito influenciadas pela luta de classes, pela mobilização popular. Em 68, existia uma grande mobilização, como foi o maio de Paris e tudo o mais. Em Medelín, na Colômbia, aconteceu o 1º Congresso Episcopal para a Teologia da Libertação e nós temos representantes dessa linha na Igreja Católica até agora. Passou aquela onda e veio o neoliberalismo, uma onda reacionária.
Em 2006, lança biografia[Especial 68] Essa generalização de que as Forças Armadas torturaram não decorre, também, do fato de não serem reabertos militares e da repressão na ditadura, particularmente os relacionados à guerrilha do Araguaia?[Zarattini] Nós fizemos uma pressão muito grande no governo Lula e conseguimos abrir em parte. Não tudo o que nós queríamos, mas vamos chegar lá porque, se você comparar o primeiro mandato com o segundo, nós temos um ministro na Secretaria nacional dos Direitos Humanos, o Paulo Vanuchi, que é excelente. Houve avanços. [Especial 68] Mas como conseguir a abertura destes arquivos? [Zarattini] Nós temos que considerar que somos um país que passou pela escravidão e foi o último a sair dela, que tem oligarquias poderosas, várias que se uniram a essa força externa para manter o status-quo. Por isso eu insisto, é preciso derrotar essa força externa do imperialismo que tem muitas raízes – os grandes latifundiários, o latifúndio improdutivo, e mesmo o agronegócio. No Brasil, área para biocombustíveisnão chega a 1% das terras cultivadas[Especial 68] Você vê relação entre o imperialismo e as campanhas contra o etanol, contra o biocombustível produzido no Brasil?[Zarattini] Nessa questão do etanol, vocês acham que ele acaba com os alimentos no Brasil? Claro que não. O que acaba com o alimento no Brasil não é o etanol, são outras coisas, aqui e no mundo. O etanol daqui é diferente do produzido a partir do milho nos EUA. Lá sim ele é uma ameaça porque são 28 milhões de litros de álcool produzidos. Aqui, nós produzimos o mesmo, mas não pegamos nem 1% das terras cultivadas do Brasil. Mas esse pessoal do agronegócio é influenciado por essa mentalidade. Agora é que eles estão vendo as dificuldades criadas pela União européia e pelos EUA para que o etanol tenha uma presença maior no mundo. E a campanha (contra o etanol) é difícil para o Brasil a União Européia e os EUA controlam o petróleo - a Shell é do Reino Unido. Agitos de 68 não se resumemà classe média carioca[Especial 68] Queremos que fale sobre você em 1968 e sobre aquele ano.[Zarattini] Bem, falando mais sobre 68, eu constato que tem uma coisa que a imprensa não divulga: ela colocado esse ano como algo feito só pela classe média do Rio de Janeiro. E não foi nada disso, ou não foi só isso. Nós tivemos greves operárias naquele ano, como em Contagem (MG) e em Osasco (SP). Tivemos greve de canavieiros. Houve não só assassinatos nos sindicatos rurais de Pernambuco, mas até suicídio de camponeses. Tinha sindicato rural dirigido por camponês que não entendia nada de comunismo, não sabia nada. Ele era um líder local, fora eleito dirigente e aí chegavam os militares dizendo “Você é comunista!”. Na cabeça dele era como se ele tivesse cometido uma falta grave contra Deus ou coisa do tipo. São esses fatos que ficam esquecidos e fica parecendo que tudo em 68 foi feito pela classe média do Rio. Você vê agora os livros sobre os 40 anos de 68 falando sobre a Passeata dos Cem Mil, do seqüestro do embaixador norte-americano, Charles Burke Elbrick. Não dizem, mas havia um apoio do povo à resistência à ditadura. Não era um apoio organizado, mas uma tentativa muito grande para mobilização, particularmente desses setores que eram mais explorados – os assalariados dos centros urbanos e os trabalhadores rurais. No quartel, matemática e portuguêscom “Professor” prisioneiro[Especial 68] Você foi preso dia 10 de dezembro, três dias antes do 13 de dezembro de 1968, data da decretação do AI-5 e ficou preso até o seqüestro em setembro de 1969 do Charles Burke Elbrick e a troca de 13 reféns presos políticos – entre os quais você e Zé Dirceu – pela libertação desse embaixador norte-americano? [Zarattini] Fui preso no dia 10 de dezembro e na cadeia um oficial chegou e avisou: “Vamos pegar você para jogar no mar”. A coisa que eu mais temo é morrer. Adoro a vida e quando entrei preso no quartel a coisa foi terrível. Ao meu lado e de outros presos andavam dois guardas de metralhadora embainhada. A gente não podia, não via chance de fugir. Mas eu fui fazendo amizade com os praças (soldados) e notei que entre eles havia policiais que queriam fazer curso para cabo, e entre estes os que queriam fazer curso para sargento. Eu tinha alguns conhecimentos de matemática e português e pensei em começar a dar aulas. Foi aí que eu fiquei conhecido no quartel pelo apelido “Professor”. Isso foi decisivo para que, no momento em que eu estava para ser levado, de novo, de volta para o quartel da Aeronáutica, já em 1969, eu conseguisse fugir.Fugi com a ajuda dos soldados e vim para São Paulo. Primeiro Dom Hélder Câmara (arcebispo de Recife e Olinda) me ajudou lá em Pernambuco. Fiquei um mês escondido no convento da ordem religiosa das Dorotéias até voltar para São Paulo. Parei na Bahia e o Carlos Marighella mandou me buscar lá. Aqui (em São Paulo) tive um encontro com ele, que me disse que eu tinha que sair do país. Ainda fui para o sul, mas o Mariguella avisou que eu seria preso e, de fato, fui novamente. Operação Bandeirantes:mais horrores da tortura[Especial 68] Então você não ficou preso ininterruptamente de 10 de dezembro, três dias antes do 13 de dezembro de 1968, data da decretação do AI-5 até o seqüestro em setembro de 1969 do Charles Burke Elbrick e a troca de 13 reféns presos políticos – entre os quais você e Zé Dirceu – pela libertação desse embaixador norte-americano? [Zarattini] Não. Fugi de Pernambuco e já em 1969 fui preso novamente em São Paulo. Com o seqüestro do embaixador norte-americano a repressão aumentou muito. Nós não tínhamos como enfrentar uma força tão grande, uma repressão com apoio internacional. Preso, fiquei na Operação Bandeirantes, a OBAN (antecessora do DOI-CODI), aqui em São Paulo, onde fui torturado, seguidamente, por 14 dias. Eu tinha que repetir sempre a mesma coisa, a mesma pergunta dos militares. Emagreci 17 quilos nesse período. A tortura era dia e noite, e eu contando sempre a mesma coisa. Nunca disse nada, nenhum endereço, nada. Fui muito feliz nisso. Eu não andava com nenhum papel, nada porque já tinha visto uma experiência por causa de anotações (as chamadas “cadernetas do Prestes”, papéis do secretário-geral do PCB, Luís Carlos Prestes, apreendidos em uma residência sua na Vila Mariana). Fui acusado no caso do famoso assalto ao cofre do Adhemar (cofre roubado da casa de sua companheira, Ana Capriglione, no Rio, com US$ 2 milhões, pela VPR e ALN, organizações da luta armada). Tinha um cara infiltrado que me acusou. Fui levado preso de São Paulo para o Rio, para mais torturas. Da prisão na Tijuca, eu saí com a libertação do embaixador.Saída da prisão após seqüestro ousado do embaixador Charles Elbrick [Especial 68] Como você foi incluído na lista dos 15 reféns presos políticos que seriam trocados pelo embaixador? [Zarattini] Foi o Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo” (codinome na cladestinidade e que morreu ao deixar o Aeroporto de Congonhas, quando retornou ao Brasila pós a anistia em 1979) que me colocou na lista. Eu me encontrava semanalmente com ele e algumas vezes me encontrei com o Mariguella. O “Toledo” estava no Rio quando surgiu a idéia do seqüestro. [Especial 68] Quando tiraram você da cadeia para levar ao aeroporto do Galeão te deram alguma explicação[Zarattini] Até isso foi uma tortura. Antes de seguirmos para o aeroporto – e quando fomos, não me disseram para onde íamos, para onde me levavam - dois coronéis conversaram comigo dizendo: “Olha, você é casado, tem dois filhos pequenos, é engenheiro, sua mulher é professora. Poxa! Você não pode estar nessa vida, precisa virar um homem trabalhador. Nós damos passaporte para você e sua família irem para a Alemanha, mas você tem que dizer aonde está o cofre do Adhemar”. Nesse momento, relaxei e achei estranho. Aí eles pararam de me espancar que era para eu sair da cadeia sem nenhum hematoma, nada. Aí eu entendi. Eles falaram: “Nós vamos mandar uma refeição para você, especial”. Foram embora e me deixaram algemado. Passou uma meia hora e chegou um peixe com molho de camarão e arroz. Eu estava com muita fome porque ali a gente não comia praticamente nada. Era um café com pão e olha lá. Fiquei uma hora e meia ali, algemado, vendo o prato esfriar sem poder comer. Aí, chegaram, chutaram a bandeja e avisaram que iam me levar. Fui para o camburão junto com o (jornalista) Flávio Tavares, que estava numa cela próxima.O Flávio me disse que ficou sabendo da nossa libertação por um rádio que havia perto da cela dele – nós não tínhamos nada disso na cadeia. Ele comentou que nós íamos ser libertados, mas o sargento que acompanhava não deixou a gente conversar mais dentro do camburão. Então eu só soube direito o que ocorria quando cheguei ao Galeão. Fui inicialmente para o México, depois para Cuba e o Chile. Em Cuba, o maior desejo de todos era voltar ao Brasil. Sai de lá em 1971 e fui para a Coréia do Norte, participar de um congresso. Depois para a China. Passei pela União Soviética, por Praga e aí fiquei um mês na Europa. Lá, foi escrito um documento muito importante, uma autocrítica necessária sobre os erros que (militantes da resistência) havíamos cometido. Viemos para o Chile e ali ficamos em 72, 73 quando veio o golpe que em 11 de setembro de 1973 derrubou o presidente socialista Salvador Allende. Fomos para a Argentina e daí entramos clandestinamente no Brasil. Zarattini autografa biografia: retrato pessoal e político Após terceira prisão, liberdade só foireconquistada em 1979, com a Lei da Anistia[Especial 68] E como foi essa sua volta ao Brasil? [Zarattini] Foi em 1974. Eu fui preso e torturado, pela terceira vez, em maio de 78 e fiquei no presídio militar do Barro Branco (que funcionou como presídio político na ditadura) até 79, quando sai depois da anistia. [Especial 68] E a história, a acusação de que você colocou a que explodiu no Aeroporto dos Guararapes, no Recife, contra o ministro da Guerra e já candidato a presidente da República na sucessão do marechal Castelo Branco, o general Costa e Silva ? [Zarattini] Eu não respondi a esse processo. Não participei do atentado, feito pela Ação Popular (AP). [Especial 68] Mas porque te envolveram no processo?[Zarattini] Porque tinha um delegado fascista ligado aos latifundiários, donos de grandes fazendas, e que sabia do meu trabalho lá em Pernambuco, antes e no pós-64. [Especial 68] Encontramos um depoimento seu publicado no site do Museu da Pessoa, onde você conta sua história de vida, e duas coisas me chamaram a atenção: uma é que você começou a trabalhar muito cedo, aos 13 anos, e a outra é gastava seu salário indo muito ao cinema, uma paixão sua. [Zarattini] Realmente, eu comecei muito cedo mesmo, trabalhando com um dirigente sindical que me influenciou contando muitas histórias. Foi com ele que eu iniciei minha luta na campanha “O petróleo é nosso”. Ele, eu e outros fomos presos. Meu pai e minha mãe ficaram malucos porque eu tinha 16 anos.Meu pai era ator e foi precursordo cinema no Ciclo de Campinas[Especial 68] Você gostava muito de cinema? [Zarattini] Meu pai foi precursor do cinema em Campinas e, inclusive, fez dois filmes como ator, com bastante sucesso. Um era “A carne”, do Júlio Ribeiro. Ele interpretava um velho. Para a época, era até um filme bastante pornográfico. Ele era um latifundiário. O outro foi uma espécie de faroeste chamado “Sofrer para gozar”. Era muito difícil passar um filme nacional, sem promoção e com essa distribuição, como é até hoje. As casas exibidoras têm, até hoje, ações controladas por quem? Por empresas vinculadas às distribuidoras de filmes norte-americanos. Para passar um filme nacional é muita luta sem que ele tenha uma certa promoção. Ainda temos até hoje em dia, principalmente nos cinemas dos shoppings, essa ligação. Na prisão, notícia sobre a morte do delegado Fleury[Especial 68] O segundo depoimento que achei interessante é de quando você recebeu a notícia sobre a morte do delegado Sérgio Paranhos Fleury, num dia 1º de maio. O que te passou pela cabeça naquele momento?[Zarattini] Escrevi um depoimento, publicado numa revista alemã. Eu estava muito inspirado. Terminou o dia na prisão e eu o escrevi. Esse depoimento também está na minha biografia.Vida pessoal emilitância política[Especial 68] Como ficou a família, a mulher, os filhos, no meio dessa militância toda? Como toda essa perseguição alterou sua vida pessoal? [Zarattini] A vida pessoal se altera muito. Eu me separei, mas até hoje tenho um ótimo relacionamento com minha ex-mulher. [Especial 68] Falando sobre família, seu filho, Carlos Zarattini, acabou enveredando pela política também, hoje é deputado federal pelo PT. Você esperava isso depois dele ter acompanhado a sua trajetória, toda a perseguição que você sofreu? [Zarattini] Depois que eu voltei, clandestino em 1974, uns dois anos depois eu procurei minha família e consegui reencontrá-la. O Carlos tinha uns 14 anos e a Mônica (jornalista) tinha uns 12 quando nos reencontramos as primeiras vezes. Era muito difícil encontrá-los vivendo na clandestinidade. Mas, mesmo assim, o Carlos cresceu comtoda essa consciência e também entrou para a política. Foi líder sindical dos metroviários, secretário municipal de transportes na administração Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo e hoje é deputado federal. Nos períodos Collor e FHC,novo embate contra privatizações[Especial 68] Falando sobre sua atuação política, mais recente, você foi forte opositor das privatizações durante os governos do Fernando Collor e do Fernando Henrique Cardoso. Como foi sua luta em defesa das estatais? [Zarattini] Longo e tenebroso inverno dos dois Fernandos (Collor e FHC)... Os dois fizeram a política do neoliberalismo e privatizaram a CSN, a Vale, fizeram toda uma política de desmonte. Batalhamos contra diversas privatizações e o Zé Dirceu, na época também deputado, esteve à frente dessa luta. Na ocasião, só se tinha o PT e o PDT, bastante brizolista, como partidos de oposição ao Fernando Collor e ao Fernando Henrique. Mas nós conseguimos segurar. O quê? Havia o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que queria privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF). Graças à resistência do PT essas empresas não foram privatizadas. Especulação e monopólio sãoresponsáveis pela alta dos alimentos[Especial 68] E todo esse alarme pela alta mundial dos preços de alimentos? É o aumento do consumo ou há algo mais?[Zarattini] O preço dos alimentos sobe e, aí, tenho uma divergência com o Lula. Não é só porque nós estamos comendo mais por causa do Bolsa Família, do crédito consignado, do aumento real de salário. Vários povos estão se alimentando mais, mas não é essa a razão. O motivo básico (da alta dos alimentos) é que há um monopólio internacional controlado, novamente, pelo imperialismo norte-americano e que fez esses preços irem para a estratosfera. Isso e mais a especulação de commodities, são os dois motivos principais. Então o Brasil, quando privatizou as estatais de fertilizantes cometeu um dos seus maiores erros.
Em 2006, lança biografia[Especial 68] Essa generalização de que as Forças Armadas torturaram não decorre, também, do fato de não serem reabertos militares e da repressão na ditadura, particularmente os relacionados à guerrilha do Araguaia?[Zarattini] Nós fizemos uma pressão muito grande no governo Lula e conseguimos abrir em parte. Não tudo o que nós queríamos, mas vamos chegar lá porque, se você comparar o primeiro mandato com o segundo, nós temos um ministro na Secretaria nacional dos Direitos Humanos, o Paulo Vanuchi, que é excelente. Houve avanços. [Especial 68] Mas como conseguir a abertura destes arquivos? [Zarattini] Nós temos que considerar que somos um país que passou pela escravidão e foi o último a sair dela, que tem oligarquias poderosas, várias que se uniram a essa força externa para manter o status-quo. Por isso eu insisto, é preciso derrotar essa força externa do imperialismo que tem muitas raízes – os grandes latifundiários, o latifúndio improdutivo, e mesmo o agronegócio. No Brasil, área para biocombustíveisnão chega a 1% das terras cultivadas[Especial 68] Você vê relação entre o imperialismo e as campanhas contra o etanol, contra o biocombustível produzido no Brasil?[Zarattini] Nessa questão do etanol, vocês acham que ele acaba com os alimentos no Brasil? Claro que não. O que acaba com o alimento no Brasil não é o etanol, são outras coisas, aqui e no mundo. O etanol daqui é diferente do produzido a partir do milho nos EUA. Lá sim ele é uma ameaça porque são 28 milhões de litros de álcool produzidos. Aqui, nós produzimos o mesmo, mas não pegamos nem 1% das terras cultivadas do Brasil. Mas esse pessoal do agronegócio é influenciado por essa mentalidade. Agora é que eles estão vendo as dificuldades criadas pela União européia e pelos EUA para que o etanol tenha uma presença maior no mundo. E a campanha (contra o etanol) é difícil para o Brasil a União Européia e os EUA controlam o petróleo - a Shell é do Reino Unido. Agitos de 68 não se resumemà classe média carioca[Especial 68] Queremos que fale sobre você em 1968 e sobre aquele ano.[Zarattini] Bem, falando mais sobre 68, eu constato que tem uma coisa que a imprensa não divulga: ela colocado esse ano como algo feito só pela classe média do Rio de Janeiro. E não foi nada disso, ou não foi só isso. Nós tivemos greves operárias naquele ano, como em Contagem (MG) e em Osasco (SP). Tivemos greve de canavieiros. Houve não só assassinatos nos sindicatos rurais de Pernambuco, mas até suicídio de camponeses. Tinha sindicato rural dirigido por camponês que não entendia nada de comunismo, não sabia nada. Ele era um líder local, fora eleito dirigente e aí chegavam os militares dizendo “Você é comunista!”. Na cabeça dele era como se ele tivesse cometido uma falta grave contra Deus ou coisa do tipo. São esses fatos que ficam esquecidos e fica parecendo que tudo em 68 foi feito pela classe média do Rio. Você vê agora os livros sobre os 40 anos de 68 falando sobre a Passeata dos Cem Mil, do seqüestro do embaixador norte-americano, Charles Burke Elbrick. Não dizem, mas havia um apoio do povo à resistência à ditadura. Não era um apoio organizado, mas uma tentativa muito grande para mobilização, particularmente desses setores que eram mais explorados – os assalariados dos centros urbanos e os trabalhadores rurais. No quartel, matemática e portuguêscom “Professor” prisioneiro[Especial 68] Você foi preso dia 10 de dezembro, três dias antes do 13 de dezembro de 1968, data da decretação do AI-5 e ficou preso até o seqüestro em setembro de 1969 do Charles Burke Elbrick e a troca de 13 reféns presos políticos – entre os quais você e Zé Dirceu – pela libertação desse embaixador norte-americano? [Zarattini] Fui preso no dia 10 de dezembro e na cadeia um oficial chegou e avisou: “Vamos pegar você para jogar no mar”. A coisa que eu mais temo é morrer. Adoro a vida e quando entrei preso no quartel a coisa foi terrível. Ao meu lado e de outros presos andavam dois guardas de metralhadora embainhada. A gente não podia, não via chance de fugir. Mas eu fui fazendo amizade com os praças (soldados) e notei que entre eles havia policiais que queriam fazer curso para cabo, e entre estes os que queriam fazer curso para sargento. Eu tinha alguns conhecimentos de matemática e português e pensei em começar a dar aulas. Foi aí que eu fiquei conhecido no quartel pelo apelido “Professor”. Isso foi decisivo para que, no momento em que eu estava para ser levado, de novo, de volta para o quartel da Aeronáutica, já em 1969, eu conseguisse fugir.Fugi com a ajuda dos soldados e vim para São Paulo. Primeiro Dom Hélder Câmara (arcebispo de Recife e Olinda) me ajudou lá em Pernambuco. Fiquei um mês escondido no convento da ordem religiosa das Dorotéias até voltar para São Paulo. Parei na Bahia e o Carlos Marighella mandou me buscar lá. Aqui (em São Paulo) tive um encontro com ele, que me disse que eu tinha que sair do país. Ainda fui para o sul, mas o Mariguella avisou que eu seria preso e, de fato, fui novamente. Operação Bandeirantes:mais horrores da tortura[Especial 68] Então você não ficou preso ininterruptamente de 10 de dezembro, três dias antes do 13 de dezembro de 1968, data da decretação do AI-5 até o seqüestro em setembro de 1969 do Charles Burke Elbrick e a troca de 13 reféns presos políticos – entre os quais você e Zé Dirceu – pela libertação desse embaixador norte-americano? [Zarattini] Não. Fugi de Pernambuco e já em 1969 fui preso novamente em São Paulo. Com o seqüestro do embaixador norte-americano a repressão aumentou muito. Nós não tínhamos como enfrentar uma força tão grande, uma repressão com apoio internacional. Preso, fiquei na Operação Bandeirantes, a OBAN (antecessora do DOI-CODI), aqui em São Paulo, onde fui torturado, seguidamente, por 14 dias. Eu tinha que repetir sempre a mesma coisa, a mesma pergunta dos militares. Emagreci 17 quilos nesse período. A tortura era dia e noite, e eu contando sempre a mesma coisa. Nunca disse nada, nenhum endereço, nada. Fui muito feliz nisso. Eu não andava com nenhum papel, nada porque já tinha visto uma experiência por causa de anotações (as chamadas “cadernetas do Prestes”, papéis do secretário-geral do PCB, Luís Carlos Prestes, apreendidos em uma residência sua na Vila Mariana). Fui acusado no caso do famoso assalto ao cofre do Adhemar (cofre roubado da casa de sua companheira, Ana Capriglione, no Rio, com US$ 2 milhões, pela VPR e ALN, organizações da luta armada). Tinha um cara infiltrado que me acusou. Fui levado preso de São Paulo para o Rio, para mais torturas. Da prisão na Tijuca, eu saí com a libertação do embaixador.Saída da prisão após seqüestro ousado do embaixador Charles Elbrick [Especial 68] Como você foi incluído na lista dos 15 reféns presos políticos que seriam trocados pelo embaixador? [Zarattini] Foi o Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo” (codinome na cladestinidade e que morreu ao deixar o Aeroporto de Congonhas, quando retornou ao Brasila pós a anistia em 1979) que me colocou na lista. Eu me encontrava semanalmente com ele e algumas vezes me encontrei com o Mariguella. O “Toledo” estava no Rio quando surgiu a idéia do seqüestro. [Especial 68] Quando tiraram você da cadeia para levar ao aeroporto do Galeão te deram alguma explicação[Zarattini] Até isso foi uma tortura. Antes de seguirmos para o aeroporto – e quando fomos, não me disseram para onde íamos, para onde me levavam - dois coronéis conversaram comigo dizendo: “Olha, você é casado, tem dois filhos pequenos, é engenheiro, sua mulher é professora. Poxa! Você não pode estar nessa vida, precisa virar um homem trabalhador. Nós damos passaporte para você e sua família irem para a Alemanha, mas você tem que dizer aonde está o cofre do Adhemar”. Nesse momento, relaxei e achei estranho. Aí eles pararam de me espancar que era para eu sair da cadeia sem nenhum hematoma, nada. Aí eu entendi. Eles falaram: “Nós vamos mandar uma refeição para você, especial”. Foram embora e me deixaram algemado. Passou uma meia hora e chegou um peixe com molho de camarão e arroz. Eu estava com muita fome porque ali a gente não comia praticamente nada. Era um café com pão e olha lá. Fiquei uma hora e meia ali, algemado, vendo o prato esfriar sem poder comer. Aí, chegaram, chutaram a bandeja e avisaram que iam me levar. Fui para o camburão junto com o (jornalista) Flávio Tavares, que estava numa cela próxima.O Flávio me disse que ficou sabendo da nossa libertação por um rádio que havia perto da cela dele – nós não tínhamos nada disso na cadeia. Ele comentou que nós íamos ser libertados, mas o sargento que acompanhava não deixou a gente conversar mais dentro do camburão. Então eu só soube direito o que ocorria quando cheguei ao Galeão. Fui inicialmente para o México, depois para Cuba e o Chile. Em Cuba, o maior desejo de todos era voltar ao Brasil. Sai de lá em 1971 e fui para a Coréia do Norte, participar de um congresso. Depois para a China. Passei pela União Soviética, por Praga e aí fiquei um mês na Europa. Lá, foi escrito um documento muito importante, uma autocrítica necessária sobre os erros que (militantes da resistência) havíamos cometido. Viemos para o Chile e ali ficamos em 72, 73 quando veio o golpe que em 11 de setembro de 1973 derrubou o presidente socialista Salvador Allende. Fomos para a Argentina e daí entramos clandestinamente no Brasil. Zarattini autografa biografia: retrato pessoal e político Após terceira prisão, liberdade só foireconquistada em 1979, com a Lei da Anistia[Especial 68] E como foi essa sua volta ao Brasil? [Zarattini] Foi em 1974. Eu fui preso e torturado, pela terceira vez, em maio de 78 e fiquei no presídio militar do Barro Branco (que funcionou como presídio político na ditadura) até 79, quando sai depois da anistia. [Especial 68] E a história, a acusação de que você colocou a que explodiu no Aeroporto dos Guararapes, no Recife, contra o ministro da Guerra e já candidato a presidente da República na sucessão do marechal Castelo Branco, o general Costa e Silva ? [Zarattini] Eu não respondi a esse processo. Não participei do atentado, feito pela Ação Popular (AP). [Especial 68] Mas porque te envolveram no processo?[Zarattini] Porque tinha um delegado fascista ligado aos latifundiários, donos de grandes fazendas, e que sabia do meu trabalho lá em Pernambuco, antes e no pós-64. [Especial 68] Encontramos um depoimento seu publicado no site do Museu da Pessoa, onde você conta sua história de vida, e duas coisas me chamaram a atenção: uma é que você começou a trabalhar muito cedo, aos 13 anos, e a outra é gastava seu salário indo muito ao cinema, uma paixão sua. [Zarattini] Realmente, eu comecei muito cedo mesmo, trabalhando com um dirigente sindical que me influenciou contando muitas histórias. Foi com ele que eu iniciei minha luta na campanha “O petróleo é nosso”. Ele, eu e outros fomos presos. Meu pai e minha mãe ficaram malucos porque eu tinha 16 anos.Meu pai era ator e foi precursordo cinema no Ciclo de Campinas[Especial 68] Você gostava muito de cinema? [Zarattini] Meu pai foi precursor do cinema em Campinas e, inclusive, fez dois filmes como ator, com bastante sucesso. Um era “A carne”, do Júlio Ribeiro. Ele interpretava um velho. Para a época, era até um filme bastante pornográfico. Ele era um latifundiário. O outro foi uma espécie de faroeste chamado “Sofrer para gozar”. Era muito difícil passar um filme nacional, sem promoção e com essa distribuição, como é até hoje. As casas exibidoras têm, até hoje, ações controladas por quem? Por empresas vinculadas às distribuidoras de filmes norte-americanos. Para passar um filme nacional é muita luta sem que ele tenha uma certa promoção. Ainda temos até hoje em dia, principalmente nos cinemas dos shoppings, essa ligação. Na prisão, notícia sobre a morte do delegado Fleury[Especial 68] O segundo depoimento que achei interessante é de quando você recebeu a notícia sobre a morte do delegado Sérgio Paranhos Fleury, num dia 1º de maio. O que te passou pela cabeça naquele momento?[Zarattini] Escrevi um depoimento, publicado numa revista alemã. Eu estava muito inspirado. Terminou o dia na prisão e eu o escrevi. Esse depoimento também está na minha biografia.Vida pessoal emilitância política[Especial 68] Como ficou a família, a mulher, os filhos, no meio dessa militância toda? Como toda essa perseguição alterou sua vida pessoal? [Zarattini] A vida pessoal se altera muito. Eu me separei, mas até hoje tenho um ótimo relacionamento com minha ex-mulher. [Especial 68] Falando sobre família, seu filho, Carlos Zarattini, acabou enveredando pela política também, hoje é deputado federal pelo PT. Você esperava isso depois dele ter acompanhado a sua trajetória, toda a perseguição que você sofreu? [Zarattini] Depois que eu voltei, clandestino em 1974, uns dois anos depois eu procurei minha família e consegui reencontrá-la. O Carlos tinha uns 14 anos e a Mônica (jornalista) tinha uns 12 quando nos reencontramos as primeiras vezes. Era muito difícil encontrá-los vivendo na clandestinidade. Mas, mesmo assim, o Carlos cresceu comtoda essa consciência e também entrou para a política. Foi líder sindical dos metroviários, secretário municipal de transportes na administração Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo e hoje é deputado federal. Nos períodos Collor e FHC,novo embate contra privatizações[Especial 68] Falando sobre sua atuação política, mais recente, você foi forte opositor das privatizações durante os governos do Fernando Collor e do Fernando Henrique Cardoso. Como foi sua luta em defesa das estatais? [Zarattini] Longo e tenebroso inverno dos dois Fernandos (Collor e FHC)... Os dois fizeram a política do neoliberalismo e privatizaram a CSN, a Vale, fizeram toda uma política de desmonte. Batalhamos contra diversas privatizações e o Zé Dirceu, na época também deputado, esteve à frente dessa luta. Na ocasião, só se tinha o PT e o PDT, bastante brizolista, como partidos de oposição ao Fernando Collor e ao Fernando Henrique. Mas nós conseguimos segurar. O quê? Havia o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que queria privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF). Graças à resistência do PT essas empresas não foram privatizadas. Especulação e monopólio sãoresponsáveis pela alta dos alimentos[Especial 68] E todo esse alarme pela alta mundial dos preços de alimentos? É o aumento do consumo ou há algo mais?[Zarattini] O preço dos alimentos sobe e, aí, tenho uma divergência com o Lula. Não é só porque nós estamos comendo mais por causa do Bolsa Família, do crédito consignado, do aumento real de salário. Vários povos estão se alimentando mais, mas não é essa a razão. O motivo básico (da alta dos alimentos) é que há um monopólio internacional controlado, novamente, pelo imperialismo norte-americano e que fez esses preços irem para a estratosfera. Isso e mais a especulação de commodities, são os dois motivos principais. Então o Brasil, quando privatizou as estatais de fertilizantes cometeu um dos seus maiores erros.
REFLEXÕES DE FIDEL - Comenta declarações dos candidatos à presidência.
Pude observar a posição embaraçosa de todos os candidatos a presidente dos EUA. Eles se viram obrigados, um a um, a proclamar suas imediatas exigências sobre Cuba para não arriscar um só eleitor. Meio século de bloqueio parecia pouco aos favoritos. "Mudança! Mudança! Mudança", gritavam em uníssono.Estou de acordo, mudança! Mas nos EUA. Cuba mudou há um tempo e seguirá seu rumo dialético. "Não regressar jamais ao passado", exclama nosso povo."Anexação! Anexação! Anexação", responde o adversário; é o que no fundo pensam quando falam de mudanças.Martí, rompendo a descrição de sua luta silenciosa, denunciou o império voraz e expansionista já descoberto e descrito por sua genial inteligência, mais de um século da declaração revolucionária da independência das 13 colônias.Não é o mesmo o fim de uma etapa cujo fim foi um sistema insustentável.De imediato as submissas potências européias aliadas a esse sistema proclamam as mesmas exigências. A seu juízo havia chegado a hora de dançar com a música da democracia e da liberdade que, desde os tempos de Torquemada, jamais realmente reconheceram. O colonialismo e o neocolonialismo de continentes inteiros de onde extraem energia, matérias-primas e mão-de-obra baratas os desqualificam moralmente.Um ilustríssimo personagem espanhol, antigo ministro da Cultura e impecável socialista, hoje e desde há um tempo defensor das armas e da guerra, é a síntese da falta de razão. Kosovo e a declaração unilateral de independência os golpeia nesse instantes como impertinente pesadelo.No Iraque e Afeganistão, seguem morrendo homens de carne e osso com uniformes dos EUA e da Otan. A lembrança da URSS, desintegrada em parte pela aventura intervencionista, persegue aos europeus como uma sombra.Bush pai postula a McCain como seu candidato, enquanto Bush filho, na África – origem do homem ontem e continente mártir de hoje – onde ninguém sabe o que ele faz ali, disse que minha mensagem era o início do caminho da liberdade de Cuba, ou seja, a anexação decretada por seu governo em volumoso e enorme texto. Um dia antes, pela TV internacional, se mostrava um grupo de bombardeiros de última geração realizando manobras espetaculares, com garantia total de que bombas de qualquer tipo podem sem lançadas sem que radares detectem as naves portadoras e nem se considere isso como um crime de guerra.Um protesto de importante países se relacionava com a idéia imperial de provas uma arma, com o pretexto de evitar a possível queda sobre outro país de um satélite espião, um dos muitos artefatos que, com fins militares, os EUA lançaram na órbita do planeta.Pensava deixar de escrever uma reflexão por ao menos dez dias, mas eu não tinha direito de guardar silêncio por tanto tempo. Temos que abrir fogo ideológico sobre eles.
PETRÓLEO - Governo já fala em mudança do marco regulatório.
Temos que ficar atentos para não permitir que as novas descobertas da Petrobrás sejam entregues de "mão beijada" às multinacionais, que nem pesquisaram e nem investiram nas áreas
do pré-sal. Não faltarão "especialistas" propondo essa entrega e este meu blog tem sido uma trincheira na defesa da nossa soberania, junto com o Sindipetro, AEPET e movimentos sociais.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, defendeu na sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro, na última quinta-feira, mudanças na Lei do Petróleo para adaptá-la à nova situação criada com a descoberta do pré-sal. “A lei precisa ser aperfeiçoada em si mesma. Ainda que não tivesse havido as descobertas do pré-sal”, disse o ministro. “A concessão pode ser atualizada, melhorada. O governo precisa ser melhor contemplado na partilha desses recursos naturais que pertencem ao povo brasileiro”, argumentou.
Lobão fez referência a duas mudanças distintas no modelo de exploração de petróleo no Brasil. Nas áreas com muito petróleo - e que oferecem grande rentabilidade -, as empresas que operam os campos elas repassam ao governo parte de seus lucros. São as chamadas participações especiais. Segundo ele, em comparação com outros países, esse percentual é baixo no Brasil e tem que aumentar. A segunda mudança refere-se ao modelo que prevê a concessão pública das áreas, através de leilões e pagamentos de bônus. Pelo atual regime, as empresas são donas da produção de óleo e podem comercializá-la livremente.
O pré-sal é uma camada de reservatórios que se encontram no subsolo do litoral do Espírito Santo a Santa Catarina, ao longo de 800 quilômetros, em lâmina d’água que varia entre 1,5 mil e 3 mil metros de profundidade e soterramento (área do subsolo marinho que terá de ser perfurada) entre 3 mil e 4 mil metros. Nesta região estão as megareservas de Tupi e Júpiter, na Bacia de Santos.
A área do pré-sal abriga óleo leve, de melhor qualidade e maior valor comercial. A maior parte do petróleo e gás natural explorados até agora pela Petrobrás estava localizada em bacias sedimentares nas camadas geológicas denominadas pós-sal, sendo 80% delas na Bacia de Campos, com predominância de óleo pesado. O pré-sal é uma camada geológica de origem distinta que dista entre 50 a 90 milhões de anos antes das bacias sedimentares, onde foram licitados campos nos 8 leilões realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A descoberta de óleo leve no pré-sal pela Petrobrás não pode ser considerada como pertencente a essas bacias sedimentares, pelo fato de estar totalmente fora delas.
A discussão sobre a mudança da lei ordinária nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, também conhecida como Lei do Petróleo, começou a se intensificar depois que o Conselho Nacional de Política Energética avaliou a importância estratégica da descoberta do pré-sal e decidiu de forma unânime pela suspensão do leilão de todos os blocos que estão dentro dessa área.
Para Guilherme Estrella, responsável pelo setor de pesquisas da Petrobrás, “a legislação que rege a nona rodada não tinha levado em consideração a existência dessa nova fronteira petrolífera. Então, o CNPE retirou estes blocos”.
Estrella explicou ainda, em entrevista ao HP, que o atual modelo de exploração de petróleo adotado no Brasil é característico de países que têm pouca produção e nele a companhia é proprietária do petróleo que produz, pagando royalties ao governo. A área do pré-sal abriga óleo leve, de melhor qualidade e maior valor comercial. A maior parte do petróleo e gás natural explorados até agora pela Petrobrás estava localizada em bacias sedimentares nas camadas geológicas denominadas pós-sal, sendo 80% delas na Bacia de Campos, com predominância de óleo pesado. Esse é o modelo de concessão adotado para a exploração das atuais bacias petrolíferas que se encontram em camadas geológicas distintas da do pré-sal. “Mas, com o pré-sal, é necessária uma nova legislação. Essa grande área do pré-sal, como eu estou entendendo, aguardará a discussão e a aprovação de um novo texto legal que cuida das concessões de exploração e produção do setor petrolífero nacional”, afirmou.
“Os países que têm grandes reservas adotam modelos diferentes”, prosseguiu o diretor da Petrobrás. Ele deu como exemplos os modelos de ‘contratos de serviços’ “que são adotados pelo Irã, pelo México e pela Venezuela, entre outros, onde a empresa operadora é ressarcida pelos seus dispêndios e investimentos em exploração e produção, acrescida de uma taxa de juros. Neste contrato a empresa é remunerada pelo que gastou em exploração”. “Além disso”, destacou, “caso encontre petróleo, ela é ressarcida do investimento com juros na produção. Em alguns países, se ela produzir mais do que o previsto em contrato, ela tem um pequeno percentual sobre essa quantidade de petróleo. Neste caso, o petróleo é de inteira propriedade do Estado, fora esse bônus conforme a produção”. “A outra modalidade também utilizada, em que também o petróleo é de propriedade do Estado, é a chamada ‘participação na produção’. Um exemplo é a Líbia. Lá, 85% da produção é propriedade do Estado e 15% é do operador. Produziu 1 milhão de barris, 850 mil é do Estado e 150 mil é do operador”, completou.
O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, também defendeu mudanças na legislação e acrescentou que com a nova realidade, “os modelos de produção compartilhada e prestação de serviços seriam mais adequados. No primeiro modelo, o Estado se apropria de parte da produção de óleo e a comercializa. No segundo, as empresas operam os campos, são remuneradas por isso, mas a propriedade do petróleo é do Estado”.
Preocupados em defender os interesses das empresas estrangeiras, parlamentares da oposição posicionaram-se contra mudanças na lei. “Não queremos que mudem a lei e vamos defendê-la no Congresso e na sociedade. A participação do setor privado e o estabelecimento de regras do mercado permitiram o incrível dinamismo dos últimos dez anos”, diz o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES). O senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) foi na mesma direção e criticou o governo pela decisão de cancelar o edital de licitação de áreas próximas ao campo de Tupi.
Na avaliação do deputado Fernando Ferro (PT-PE) “o Estado brasileiro deveria ter mais controle sobre as áreas que põe a leilão. O petróleo é uma questão estratégica de energia e geopolítica. O governo FHC escancarou a exploração pelo capital privado. Não temos, por exemplo, informação sobre quanto a Shell tira e quanto vende de petróleo. É preciso revisar a legislação”.
do pré-sal. Não faltarão "especialistas" propondo essa entrega e este meu blog tem sido uma trincheira na defesa da nossa soberania, junto com o Sindipetro, AEPET e movimentos sociais.
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, defendeu na sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro, na última quinta-feira, mudanças na Lei do Petróleo para adaptá-la à nova situação criada com a descoberta do pré-sal. “A lei precisa ser aperfeiçoada em si mesma. Ainda que não tivesse havido as descobertas do pré-sal”, disse o ministro. “A concessão pode ser atualizada, melhorada. O governo precisa ser melhor contemplado na partilha desses recursos naturais que pertencem ao povo brasileiro”, argumentou.
Lobão fez referência a duas mudanças distintas no modelo de exploração de petróleo no Brasil. Nas áreas com muito petróleo - e que oferecem grande rentabilidade -, as empresas que operam os campos elas repassam ao governo parte de seus lucros. São as chamadas participações especiais. Segundo ele, em comparação com outros países, esse percentual é baixo no Brasil e tem que aumentar. A segunda mudança refere-se ao modelo que prevê a concessão pública das áreas, através de leilões e pagamentos de bônus. Pelo atual regime, as empresas são donas da produção de óleo e podem comercializá-la livremente.
O pré-sal é uma camada de reservatórios que se encontram no subsolo do litoral do Espírito Santo a Santa Catarina, ao longo de 800 quilômetros, em lâmina d’água que varia entre 1,5 mil e 3 mil metros de profundidade e soterramento (área do subsolo marinho que terá de ser perfurada) entre 3 mil e 4 mil metros. Nesta região estão as megareservas de Tupi e Júpiter, na Bacia de Santos.
A área do pré-sal abriga óleo leve, de melhor qualidade e maior valor comercial. A maior parte do petróleo e gás natural explorados até agora pela Petrobrás estava localizada em bacias sedimentares nas camadas geológicas denominadas pós-sal, sendo 80% delas na Bacia de Campos, com predominância de óleo pesado. O pré-sal é uma camada geológica de origem distinta que dista entre 50 a 90 milhões de anos antes das bacias sedimentares, onde foram licitados campos nos 8 leilões realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A descoberta de óleo leve no pré-sal pela Petrobrás não pode ser considerada como pertencente a essas bacias sedimentares, pelo fato de estar totalmente fora delas.
A discussão sobre a mudança da lei ordinária nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, também conhecida como Lei do Petróleo, começou a se intensificar depois que o Conselho Nacional de Política Energética avaliou a importância estratégica da descoberta do pré-sal e decidiu de forma unânime pela suspensão do leilão de todos os blocos que estão dentro dessa área.
Para Guilherme Estrella, responsável pelo setor de pesquisas da Petrobrás, “a legislação que rege a nona rodada não tinha levado em consideração a existência dessa nova fronteira petrolífera. Então, o CNPE retirou estes blocos”.
Estrella explicou ainda, em entrevista ao HP, que o atual modelo de exploração de petróleo adotado no Brasil é característico de países que têm pouca produção e nele a companhia é proprietária do petróleo que produz, pagando royalties ao governo. A área do pré-sal abriga óleo leve, de melhor qualidade e maior valor comercial. A maior parte do petróleo e gás natural explorados até agora pela Petrobrás estava localizada em bacias sedimentares nas camadas geológicas denominadas pós-sal, sendo 80% delas na Bacia de Campos, com predominância de óleo pesado. Esse é o modelo de concessão adotado para a exploração das atuais bacias petrolíferas que se encontram em camadas geológicas distintas da do pré-sal. “Mas, com o pré-sal, é necessária uma nova legislação. Essa grande área do pré-sal, como eu estou entendendo, aguardará a discussão e a aprovação de um novo texto legal que cuida das concessões de exploração e produção do setor petrolífero nacional”, afirmou.
“Os países que têm grandes reservas adotam modelos diferentes”, prosseguiu o diretor da Petrobrás. Ele deu como exemplos os modelos de ‘contratos de serviços’ “que são adotados pelo Irã, pelo México e pela Venezuela, entre outros, onde a empresa operadora é ressarcida pelos seus dispêndios e investimentos em exploração e produção, acrescida de uma taxa de juros. Neste contrato a empresa é remunerada pelo que gastou em exploração”. “Além disso”, destacou, “caso encontre petróleo, ela é ressarcida do investimento com juros na produção. Em alguns países, se ela produzir mais do que o previsto em contrato, ela tem um pequeno percentual sobre essa quantidade de petróleo. Neste caso, o petróleo é de inteira propriedade do Estado, fora esse bônus conforme a produção”. “A outra modalidade também utilizada, em que também o petróleo é de propriedade do Estado, é a chamada ‘participação na produção’. Um exemplo é a Líbia. Lá, 85% da produção é propriedade do Estado e 15% é do operador. Produziu 1 milhão de barris, 850 mil é do Estado e 150 mil é do operador”, completou.
O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, também defendeu mudanças na legislação e acrescentou que com a nova realidade, “os modelos de produção compartilhada e prestação de serviços seriam mais adequados. No primeiro modelo, o Estado se apropria de parte da produção de óleo e a comercializa. No segundo, as empresas operam os campos, são remuneradas por isso, mas a propriedade do petróleo é do Estado”.
Preocupados em defender os interesses das empresas estrangeiras, parlamentares da oposição posicionaram-se contra mudanças na lei. “Não queremos que mudem a lei e vamos defendê-la no Congresso e na sociedade. A participação do setor privado e o estabelecimento de regras do mercado permitiram o incrível dinamismo dos últimos dez anos”, diz o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES). O senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) foi na mesma direção e criticou o governo pela decisão de cancelar o edital de licitação de áreas próximas ao campo de Tupi.
Na avaliação do deputado Fernando Ferro (PT-PE) “o Estado brasileiro deveria ter mais controle sobre as áreas que põe a leilão. O petróleo é uma questão estratégica de energia e geopolítica. O governo FHC escancarou a exploração pelo capital privado. Não temos, por exemplo, informação sobre quanto a Shell tira e quanto vende de petróleo. É preciso revisar a legislação”.
POLÍTICA - Os novos ventos da América Latina.
Num cenário em mutação, em que o império se fragiliza e as idéias neoliberais perdem encanto, avançam as lutas dos povos no mundo todo. A heróica resistência iraquiana, fincada numa região rica em petróleo, é hoje o calcanhar de Aquiles dos EUA. Fruto da violência imperial, ela conflagrou toda a região asiática. Outro fenômeno animador é o crescente engajamento da juventude na luta por “outro mundo é possível”. Este movimento de rebeldia, que ganhou maior organicidade a partir dos Fóruns Sociais Mundiais (FSM) de Porto Alegre, é hoje uma pedra no sapato das corporações empresariais e das potencias capitalistas. E também surgem sinais positivos de uma retomada das lutas sindicais, com as recentes greves gerais na França, Portugal, Grécia e Itália contra as regressões na previdência social e nos direitos trabalhistas.Um continente em transeO destaque desta resistência, porém, se dá na América Latina, o que nem sempre é notado pelos lutadores sociais do Brasil – talvez porque ainda não cultivemos a nossa identidade latino-americana. Nos últimos anos, o continente passou por bruscas alterações no tabuleiro político. Para o cientista político José Luis Fiori, esta mudança é inédita na história da região. De laboratório do neoliberalismo, ela se converteu na vanguarda da luta contra os seus efeitos destrutivos. A resistência avança num ritmo acelerado, utilizando diversas formas de luta. De maneira residual, ainda persistem experiências de guerrilha – com realce para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs), que dominam 40% do território. Outra forma de luta, com marcas insurrecionais, é a dos levantes populares, que já depuseram onze presidentes na região. A maior forma de expressão desta rebeldia, entretanto, se dá através das urnas, com a insatisfação popular resultando na derrota dos candidatos comprometidos com as idéias neoliberais. Hugo Chávez, um militar rebelde, inaugurou a série de vitórias à esquerda no final de 1998; na seqüência foram eleitos um operário e sindicalista no Brasil, Lula; um líder camponês e indígena na Bolívia, Evo Morales; um ex-guerrilheiro na Nicarágua, Daniel Ortega; um economista heterodoxo no Equador, Rafael Correa; além de René Preval no Haiti, Nestor e Cristina Kirchner na Argentina, Tabaré Vázquez no Uruguai e Michele Bachelet no Chile. Em breve, um teólogo da libertação, Fernando Lugo, poderá se tornar presidente do Paraguai.Ritmos e processos diferenciadosCada país destes, com suas particularidades, realiza experiências distintas no enfrentamento à grave crise que devastou a região nas décadas sombrias do neoliberalismo. Alguns governantes adotam posturas mais ousadas, em especial nas nações andinas – Venezuela, Bolívia e Equador. Outros trilham caminhos mais moderados, evitando confrontos, como no Brasil, Uruguai e Chile. Em comum, todos os novos governos, inclusive por temerem a pressão social, tentam se distanciar dos velhos dogmas neoliberais, paralisando as privatizações em áreas estratégicas da economia, voltando a reforçar o papel indutor do Estado, investindo em programas sociais e reduzindo o ímpeto das medidas de precarização trabalhista.Como afirmou Chávez no Fórum Social Mundial em Caracas, em 2006, a conduta dos novos governantes reflete a correlação de forças de cada país, não adota um modelo único e segue ritmos diferenciados, mas todos buscam superar as mazelas do neoliberalismo. Para não frustrar as expectativas populares e evitar o retorno do bloco liberal-conservador, as novas forças nos governos necessitam avançar nas mudanças. A vida empurra para maior ousadia e radicalização; do contrário, a revanche da história pode ser brutal. O caso mais exemplar é o da Venezuela, onde o processo bolivariano adquire contornos revolucionários e coloca como desafio a construção do “socialismo do século XXI”. Ele desafia a arrogância imperialista e ataca a ditadura midiática ao não renovar a concessão da golpista RCTV. Mesmo derrotado “por ahora” no referendo, o seu projeto de reforma constitucional propunha a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, a reforma agrária antilatifundiária e a inclusão na previdência do trabalhador informal.Já na Bolívia, Evo Morales nacionaliza campos e refinarias de petróleo e gás. A corajosa iniciativa é um marco na história do país, o mais pobre da América do Sul, apesar deste possuir reservas estimadas em 1,5 trilhão de metros cúbicos de gás, de extrair 40 mil barris de petróleo por dia e de produzir 150 milhões de pés cúbicos de gás por ano. A partir deste gesto soberano, parte da riqueza natural agora é destinada aos programas sociais de combate à fome, à eletrificação da zona rural e à alfabetização. Já Rafael Correa, no Equador, afirma que não pagará a dívida externa com a fome do povo, vence com folga a eleição para a Constituinte e reafirma sua convicção socialista. Nos outros países, inclusive no Brasil, o processo de mudança é mais contido, o que gera insatisfação nos movimentos sociais e atiça os setores conservadores.
Esforço da integração regional.
Apesar destas diferenças de ritmos e concepções, outro fator unifica estas várias experiências: o esforço da integração latino-americana. Cada governante, por razões pragmáticas ou por convicção, já percebeu que isolado nenhum país terá como enfrentar o poder do “império do mal”, que historicamente sempre tratou o continente como “quintal dos EUA”. Com esta compreensão avançada, importantes passos têm sido dados no rumo da constituição de um bloco regional contra-hegemônico.Além de fortalecer o Mercosul, que agora suplanta a fase da união comercial e adquire contornos políticos – inclusive com a eleição do seu parlamento –, avança o projeto da Unasul, que integrará toda a América do Sul, e ganha solidez a proposta da construção da Alba (Alternativa Bolivariana das Américas). Passos também são dados no sentido da maior sinergia no setor energético, como no gasoduto que beneficiará toda região, na criação do Banco Sul, como instrumento de fomento ao desenvolvimento regional, e mesmo no reforço da TeleSul, como contraponto à ofensiva ideológica dos EUA através de sua mídia.Nunca antes na história a América Latina avançou tanto na concretização do antigo sonho do libertador Simon Bolívar da construção da “Pátria Grande” – para o desespero do imperialismo ianque e europeu. É certo que a integração não é um processo fácil. Há muitas assimetrias entre os países da região. Há ainda divergências políticas, como diante da ocupação do Haiti por tropas da ONU, sob comando do Brasil. Já a nacionalização do petróleo na Bolívia atiçou a ira da elite brasileira, que exigiu o rompimento de relações diplomáticas e o envio de tropas à fronteira. Apesar destas dificuldades, os novos governantes sabem que a integração é vital – do contrário será a desintegração da região para a alegria do “império do mal”. Reação do império e das oligarquias.Mas estes avanços, que confirmam o cenário mais favorável à luta dos povos, não ocorrem impunemente. Os EUA têm poderosos interesses nesta rica e estratégica região e não ficam parados frente às mudanças. O império continua atuando nos campos econômico-comercial, político-diplomático, militar e ideológico. Derrotado na proposta neocolonial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), tenta seduzir e atrair países via tratados bilaterais de comércio (TLCs) para isolar as nações rebeldes. Mesmo desmoralizado, ainda investe na desestabilização dos governos da região – como na tentativa frustrada de golpe contra o governo venezuelano e, agora, no incentivo às iniciativas separatistas da burguesia na Bolívia. No terreno militar, ele mantém mais de 850 “consultores” no governo do narcoterrorista Álvaro Uribe, na Colômbia, e monta mais uma base no Paraguai. Já na esfera ideológica, os EUA detêm o controle de mais de 85% das informações que circulam na região e contam com o apoio da mídia venal e servil destes países.As oligarquias locais, que há séculos controlam o poder e saqueiam as riquezas num consórcio subalterno com os grupos imperialistas, também procuram sair da defensiva. No referendo da reforma constitucional na Venezuela, elas superaram sua divisão e, com o forte apoio dos EUA, conquistaram importante vitória política – após sofrerem dez derrotas eleitorais consecutivas. Na Bolívia, a elite racista organiza grupos de mercenários, promove o desabastecimento do mercado e prega o separatismo, criando um clima de guerra civil para sabotar a nova Constituição. No Equador, investe contra a Constituinte instalada em novembro e também prega a divisão do país. Mesmo nas experiências mais moderadas, ela tenta criar obstáculos às tímidas mudanças. A recente derrota da CPMF, o “imposto do cheque” usado para financiar os programas sociais e a área da saúde, comprova o ódio da burguesia à “gastança pública” do governo Lula. Urgência do internacionalismo ativoTodas estas investidas do imperialismo e das oligarquias associadas indicam que, apesar dos avanços, não está ainda consolidado o projeto de mudanças na região – seja na perspectiva socialista ou mesmo na via moderada. Qualquer deslize tático pode ser fatal para os que defendem a libertação da América Latina. Na prática, os setores populares e democráticos do continente ainda se encontram numa fase de resistência, de acumulação de forças, na qual é fundamental ousadia, inteligência política e forte unidade. O “império do mal” e as elites abastadas ainda são poderosos e as idéias neoliberais não foram totalmente derrotadas. O projeto de superação do neoliberalismo e de aproximação do objetivo estratégico socialista exige que os trabalhadores sejam protagonistas das mudanças que alterem as estruturas injustas do sistema capitalista. Neste sentido, a ação internacionalista dos trabalhadores é uma exigência ainda mais atual. Entre outros desafios, é urgente denunciar os planos de dominação e exploração das nações imperialistas, em especial dos EUA. É necessário se solidarizar com todos os povos em luta por soberania e justiça – o que hoje se materializa no apoio ao heróico povo cubano, que resiste há 50 anos de criminoso bloqueio econômico, e na solidariedade ativa às experiências antiimperialistas da Venezuela, Bolívia e Equador. A bandeira da paz, contra as guerras imperialistas, adquire cada vez maior centralidade. É preciso também reforçar todas as iniciativas que marchem no sentido da integração latino-americana, como única forma de se contrapor aos desígnios do “império do mal”.
Esforço da integração regional.
Apesar destas diferenças de ritmos e concepções, outro fator unifica estas várias experiências: o esforço da integração latino-americana. Cada governante, por razões pragmáticas ou por convicção, já percebeu que isolado nenhum país terá como enfrentar o poder do “império do mal”, que historicamente sempre tratou o continente como “quintal dos EUA”. Com esta compreensão avançada, importantes passos têm sido dados no rumo da constituição de um bloco regional contra-hegemônico.Além de fortalecer o Mercosul, que agora suplanta a fase da união comercial e adquire contornos políticos – inclusive com a eleição do seu parlamento –, avança o projeto da Unasul, que integrará toda a América do Sul, e ganha solidez a proposta da construção da Alba (Alternativa Bolivariana das Américas). Passos também são dados no sentido da maior sinergia no setor energético, como no gasoduto que beneficiará toda região, na criação do Banco Sul, como instrumento de fomento ao desenvolvimento regional, e mesmo no reforço da TeleSul, como contraponto à ofensiva ideológica dos EUA através de sua mídia.Nunca antes na história a América Latina avançou tanto na concretização do antigo sonho do libertador Simon Bolívar da construção da “Pátria Grande” – para o desespero do imperialismo ianque e europeu. É certo que a integração não é um processo fácil. Há muitas assimetrias entre os países da região. Há ainda divergências políticas, como diante da ocupação do Haiti por tropas da ONU, sob comando do Brasil. Já a nacionalização do petróleo na Bolívia atiçou a ira da elite brasileira, que exigiu o rompimento de relações diplomáticas e o envio de tropas à fronteira. Apesar destas dificuldades, os novos governantes sabem que a integração é vital – do contrário será a desintegração da região para a alegria do “império do mal”. Reação do império e das oligarquias.Mas estes avanços, que confirmam o cenário mais favorável à luta dos povos, não ocorrem impunemente. Os EUA têm poderosos interesses nesta rica e estratégica região e não ficam parados frente às mudanças. O império continua atuando nos campos econômico-comercial, político-diplomático, militar e ideológico. Derrotado na proposta neocolonial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), tenta seduzir e atrair países via tratados bilaterais de comércio (TLCs) para isolar as nações rebeldes. Mesmo desmoralizado, ainda investe na desestabilização dos governos da região – como na tentativa frustrada de golpe contra o governo venezuelano e, agora, no incentivo às iniciativas separatistas da burguesia na Bolívia. No terreno militar, ele mantém mais de 850 “consultores” no governo do narcoterrorista Álvaro Uribe, na Colômbia, e monta mais uma base no Paraguai. Já na esfera ideológica, os EUA detêm o controle de mais de 85% das informações que circulam na região e contam com o apoio da mídia venal e servil destes países.As oligarquias locais, que há séculos controlam o poder e saqueiam as riquezas num consórcio subalterno com os grupos imperialistas, também procuram sair da defensiva. No referendo da reforma constitucional na Venezuela, elas superaram sua divisão e, com o forte apoio dos EUA, conquistaram importante vitória política – após sofrerem dez derrotas eleitorais consecutivas. Na Bolívia, a elite racista organiza grupos de mercenários, promove o desabastecimento do mercado e prega o separatismo, criando um clima de guerra civil para sabotar a nova Constituição. No Equador, investe contra a Constituinte instalada em novembro e também prega a divisão do país. Mesmo nas experiências mais moderadas, ela tenta criar obstáculos às tímidas mudanças. A recente derrota da CPMF, o “imposto do cheque” usado para financiar os programas sociais e a área da saúde, comprova o ódio da burguesia à “gastança pública” do governo Lula. Urgência do internacionalismo ativoTodas estas investidas do imperialismo e das oligarquias associadas indicam que, apesar dos avanços, não está ainda consolidado o projeto de mudanças na região – seja na perspectiva socialista ou mesmo na via moderada. Qualquer deslize tático pode ser fatal para os que defendem a libertação da América Latina. Na prática, os setores populares e democráticos do continente ainda se encontram numa fase de resistência, de acumulação de forças, na qual é fundamental ousadia, inteligência política e forte unidade. O “império do mal” e as elites abastadas ainda são poderosos e as idéias neoliberais não foram totalmente derrotadas. O projeto de superação do neoliberalismo e de aproximação do objetivo estratégico socialista exige que os trabalhadores sejam protagonistas das mudanças que alterem as estruturas injustas do sistema capitalista. Neste sentido, a ação internacionalista dos trabalhadores é uma exigência ainda mais atual. Entre outros desafios, é urgente denunciar os planos de dominação e exploração das nações imperialistas, em especial dos EUA. É necessário se solidarizar com todos os povos em luta por soberania e justiça – o que hoje se materializa no apoio ao heróico povo cubano, que resiste há 50 anos de criminoso bloqueio econômico, e na solidariedade ativa às experiências antiimperialistas da Venezuela, Bolívia e Equador. A bandeira da paz, contra as guerras imperialistas, adquire cada vez maior centralidade. É preciso também reforçar todas as iniciativas que marchem no sentido da integração latino-americana, como única forma de se contrapor aos desígnios do “império do mal”.
GUERRA PREVENTIVA - Fórum de São Paulo denuncia.
Um fato importante que aconteceu nesse Fórum, foi a elaboração de uma Resolução na qual o Fórum foi escolhido para ser o mediador do Paraguai, nas renegociações de tratados hidroelétricos com o Brasil e Argentina.
Fórum de São Paulo reuniu, entre 23 e 25 de maio, 844 representantes de partidos de esquerda de 35 países, em Montevidéu. Colômbia, Bolívia e Paraguai foram os protagonistas das principais discussões. Atuação dos EUA na Colômbia foi duramente criticada.
Clarissa Pont - Especial para Carta Maior
MONTEVIDÉU - Caracterizada pelo Fórum de São Paulo como política de guerra preventiva na América Latina, a atuação dos Estados Unidos na Colômbia e a conseqüente invasão do território equatoriano foram tema da maioria dos discursos proferidos em Montevidéu. A vitória de Fernando Lugo nas eleições presidenciais paraguaias, considerada como início da incorporação de mais um país às forças progressistas no mapa político do continente, foi aplaudida e recebeu solidariedade de todos partidos presentes no encontro. O apoio ao governo de Evo Morales também foi sublinhado por diversas vezes durante as reuniões.Para o anfitrião do encontro, Jorge Brovetto, “esse é um novo tempo de esperança e de responsabilidade histórica para as organizações políticas de esquerda”. O presidente da Frente Ampla relembrou que a quinta reunião do FSP, em Montevideo, teve como cenário o mesmo prédio, o então Parque Hotel, agora Edifício Mercosul. “Tomemos essa coincidência como um símbolo de integração e do processo de transformação que o FSP vem demonstrando há 18 anos na América Latina e no Caribe”.Durante discurso, o prefeito da capital uruguaia, Ricardo Ehrlich, também assinalou a tão almejada unidade continental, principalmente na construção da cidadania e para gerar igualdade de oportunidades em todas as sociedades. “Devemos buscar novos pontos de ruptura conceitual que tenham forte valor e que costurem a relação de novas propostas. Isso significa assumir com mais energia que nunca as responsabilidades que dividimos”, disse Ehrlich.O possível envolvimento da iniciativa privada na estatal de energia Pemex foi o assunto da comitiva mexicana presente no encontro. Parlamentares de três diferentes forças de esquerda chegaram a acampar na Câmara e no Congresso em protesto contra a privatização do petróleo no México. O governo vem defendendo que o investimento estrangeiro e privado é a única forma de aumentar a produção e não deixar a Pemex ir para o buraco. “Temos que unir esforços para barrar a privatização do petróleo mexicano. Acreditamos na unidade para construir, a cada dia, por uma segunda independência nos países do continente. Solidariedade e integração para construir uma democracia integrada com justiça e paz”, afirmou a mexicana Blanca Flor.Para o secretário geral do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil, José Eduardo Cardoso, as atuais diretrizes de luta dizem respeito ao México, ao Paraguai, à Colômbia e à Bolívia. “Certos desafios precisam ser superados. Em primeiro lugar, apoiar o governo de Evo Morales, que tem pela frente uma difícil jornada com o referendo revogatório que será realizado no dia 10 de agosto. Em segundo lugar, todo apoio ao governo de Fernando Lugo. E temos que lutar pela paz na Colômbia, fundamental para o avanço da esquerda”.Em discurso realizado no primeiro dia do encontro, Cardoso falou sobre os desafios do PT na defesa de um novo governo. É a primeira vez que o partido concorrerá a eleições presidenciais sem Lula como candidato, mas, mesmo assim, o dirigente brasileiro acredita que existam condições efetivas para unir forças progressistas e garantir um terceiro mandato do PT no governo federal. Durante a última reunião do FSP, no domingo, as divergências no texto produzido para ser a Declaração Final do Fórum, giraram em torno da renegociação do Tratado de Itaipu e de como tratar as imigrações políticas e econômicas que esvaziam países latino americanos e, cada vez mais, engrossam a fila de ilegais nos Estados Unidos, Europa e Japão. A comitiva paraguaia conseguiu, no último momento, incluir no documento uma resolução que afirma o FSP como mediador e apoiador do Paraguai nas renegociações de tratados hidroelétricos com o Brasil e a Argentina.
Fórum de São Paulo reuniu, entre 23 e 25 de maio, 844 representantes de partidos de esquerda de 35 países, em Montevidéu. Colômbia, Bolívia e Paraguai foram os protagonistas das principais discussões. Atuação dos EUA na Colômbia foi duramente criticada.
Clarissa Pont - Especial para Carta Maior
MONTEVIDÉU - Caracterizada pelo Fórum de São Paulo como política de guerra preventiva na América Latina, a atuação dos Estados Unidos na Colômbia e a conseqüente invasão do território equatoriano foram tema da maioria dos discursos proferidos em Montevidéu. A vitória de Fernando Lugo nas eleições presidenciais paraguaias, considerada como início da incorporação de mais um país às forças progressistas no mapa político do continente, foi aplaudida e recebeu solidariedade de todos partidos presentes no encontro. O apoio ao governo de Evo Morales também foi sublinhado por diversas vezes durante as reuniões.Para o anfitrião do encontro, Jorge Brovetto, “esse é um novo tempo de esperança e de responsabilidade histórica para as organizações políticas de esquerda”. O presidente da Frente Ampla relembrou que a quinta reunião do FSP, em Montevideo, teve como cenário o mesmo prédio, o então Parque Hotel, agora Edifício Mercosul. “Tomemos essa coincidência como um símbolo de integração e do processo de transformação que o FSP vem demonstrando há 18 anos na América Latina e no Caribe”.Durante discurso, o prefeito da capital uruguaia, Ricardo Ehrlich, também assinalou a tão almejada unidade continental, principalmente na construção da cidadania e para gerar igualdade de oportunidades em todas as sociedades. “Devemos buscar novos pontos de ruptura conceitual que tenham forte valor e que costurem a relação de novas propostas. Isso significa assumir com mais energia que nunca as responsabilidades que dividimos”, disse Ehrlich.O possível envolvimento da iniciativa privada na estatal de energia Pemex foi o assunto da comitiva mexicana presente no encontro. Parlamentares de três diferentes forças de esquerda chegaram a acampar na Câmara e no Congresso em protesto contra a privatização do petróleo no México. O governo vem defendendo que o investimento estrangeiro e privado é a única forma de aumentar a produção e não deixar a Pemex ir para o buraco. “Temos que unir esforços para barrar a privatização do petróleo mexicano. Acreditamos na unidade para construir, a cada dia, por uma segunda independência nos países do continente. Solidariedade e integração para construir uma democracia integrada com justiça e paz”, afirmou a mexicana Blanca Flor.Para o secretário geral do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil, José Eduardo Cardoso, as atuais diretrizes de luta dizem respeito ao México, ao Paraguai, à Colômbia e à Bolívia. “Certos desafios precisam ser superados. Em primeiro lugar, apoiar o governo de Evo Morales, que tem pela frente uma difícil jornada com o referendo revogatório que será realizado no dia 10 de agosto. Em segundo lugar, todo apoio ao governo de Fernando Lugo. E temos que lutar pela paz na Colômbia, fundamental para o avanço da esquerda”.Em discurso realizado no primeiro dia do encontro, Cardoso falou sobre os desafios do PT na defesa de um novo governo. É a primeira vez que o partido concorrerá a eleições presidenciais sem Lula como candidato, mas, mesmo assim, o dirigente brasileiro acredita que existam condições efetivas para unir forças progressistas e garantir um terceiro mandato do PT no governo federal. Durante a última reunião do FSP, no domingo, as divergências no texto produzido para ser a Declaração Final do Fórum, giraram em torno da renegociação do Tratado de Itaipu e de como tratar as imigrações políticas e econômicas que esvaziam países latino americanos e, cada vez mais, engrossam a fila de ilegais nos Estados Unidos, Europa e Japão. A comitiva paraguaia conseguiu, no último momento, incluir no documento uma resolução que afirma o FSP como mediador e apoiador do Paraguai nas renegociações de tratados hidroelétricos com o Brasil e a Argentina.
ECONOMIA - A ignorância do colunista.
Artigo do economista José Luiz Ferreira de Sá, especialista em economia internacional.
Para surpresa e assombro geral, acontece debaixo de nossas vistas um fenômeno jamais previstos por nós ou pelos economistas mais famosos: a derrocada do império americano e a ascensão dos países produtores de petróleo e de outras matéria-primas.
Quem de nós poderia antecipar que nos nossos dias ainda assistiríamos uma empresa brasileira ser ranqueada, pelo seu valor de bolsa, a 5º maior do mundo!!!!
Nesta semana, um colunista do Globo escreveu uma crônica sobre a ignorância do presidente, que duvidou do risco país zero para os EUA, concedido pelas agências especializadas, a maioria americanas.
Alegava ele, colunista, que a nossa fragilidade, indexada ao nível de risco 200, estava escorada na nossa eventual dependência externa. Perguntava ele: e se o real desvalorizar-se e atingir o patamar de 4 contra 1 dólar? Desmoronaria o reino tupiniquim.
Por outro lado, ainda segundo ele, se a situação se agravasse nos EUA, o dólar se desvalorizaria, mas continuaria sendo a moeda deles!
Minha dúvida, porém, advém do fato de que a situação poderá ser crítica, se o petróleo, por exemplo, chegar a 300 ou 400 dólares.
É possível que os vendedores de bens necessários aos EUA exijam, então, pagamento em euros. E daí o que devemos esperar? E se a China resolver se desfazer de suas reservas em dólares, trocando-a por outros ativos mais seguros? Certamente a cotação da moeda americana alcançará 0,50 euro...
Isto pode de fato acontecer e trará conseqüências imprevisíveis, como guerras movidas pela necessidade de garantir o fornecimento de bens essenciais, a serem engendradas pelo maior poderio militar do planeta, superior ao somatório dos outros todos...
Seria prudente, como já disse antes, começarmos a pensar na nossa defesa nuclear...ou comprar um bilhete para a Lua!!!
Petrobras Passes GE as World's 5th-Largest Company (Update1)
By Jeff Kearns and Joe Carroll
May 21 (Bloomberg) -- Petroleo Brasileiro SA, owner of the Western Hemisphere's largest oil discovery in three decades, passed General Electric Co. to become the world's fifth-biggest company by market value.
Brazil's state-controlled oil producer, known as Petrobras, rose as much as 3.9 percent today, giving it a market value of 518.1 billion reais ($313.8 billion). GE fell 1.2 percent to $31.33 in 12:02 p.m. in New York Stock Exchange composite trading, cutting its market value to $312.3 billion.
Petrobras two days ago eclipsed Microsoft Corp. and Industrial & Commercial Bank of China Ltd. to become the world's sixth-largest company. The oil producer's shares have gained 51 percent since the Nov. 8 announcement that its offshore Tupi field may hold as much as 8 billion barrels of crude, enough to supply every refinery on the U.S. East Coast for 15 years.
A nearby prospect, known as Carioca, may hold as much as 33 billion barrels, which would make it the world's third-largest oil field, Haroldo Lima, director of Brazil's oil regulator, said last month.
The Rio de Janeiro-based company last week reported a 68 percent rise in first-quarter profit, propelled by oil prices that surged 99 percent in the past year. Crude reached a record $132.08 a barrel today in New York.
Nine of the world's 15 most-valuable companies are engaged in oil and natural-gas production, according to data compiled by Bloomberg.
Turbines, Aircraft
GE, the world's biggest provider of power-plant turbines, jet engines, medical imaging machines, aircraft leasing and locomotives, slumped the most in more than two decades April 11 after profit unexpectedly declined.
Chief Executive Officer Jeffrey Immelt blamed the results on weakening credit markets stemming for last year's collapse of the U.S. subprime mortgage market. The Fairfield, Connecticut- based company's stock is down 15 percent this year.
Irving, Texas-based Exxon Mobil Corp. is the world's most- valuable company, followed by PetroChina Co. Ltd. of Beijing and Russia's Gazprom OAO. Hong Kong-based China Mobile Ltd. is the fourth-largest by market value.
To contact the reporter on this story: Jeff Kearns in New York at jkearns3@bloomberg.net; Joe Carroll in Chicago at jcarroll8@bloomberg.net
Para surpresa e assombro geral, acontece debaixo de nossas vistas um fenômeno jamais previstos por nós ou pelos economistas mais famosos: a derrocada do império americano e a ascensão dos países produtores de petróleo e de outras matéria-primas.
Quem de nós poderia antecipar que nos nossos dias ainda assistiríamos uma empresa brasileira ser ranqueada, pelo seu valor de bolsa, a 5º maior do mundo!!!!
Nesta semana, um colunista do Globo escreveu uma crônica sobre a ignorância do presidente, que duvidou do risco país zero para os EUA, concedido pelas agências especializadas, a maioria americanas.
Alegava ele, colunista, que a nossa fragilidade, indexada ao nível de risco 200, estava escorada na nossa eventual dependência externa. Perguntava ele: e se o real desvalorizar-se e atingir o patamar de 4 contra 1 dólar? Desmoronaria o reino tupiniquim.
Por outro lado, ainda segundo ele, se a situação se agravasse nos EUA, o dólar se desvalorizaria, mas continuaria sendo a moeda deles!
Minha dúvida, porém, advém do fato de que a situação poderá ser crítica, se o petróleo, por exemplo, chegar a 300 ou 400 dólares.
É possível que os vendedores de bens necessários aos EUA exijam, então, pagamento em euros. E daí o que devemos esperar? E se a China resolver se desfazer de suas reservas em dólares, trocando-a por outros ativos mais seguros? Certamente a cotação da moeda americana alcançará 0,50 euro...
Isto pode de fato acontecer e trará conseqüências imprevisíveis, como guerras movidas pela necessidade de garantir o fornecimento de bens essenciais, a serem engendradas pelo maior poderio militar do planeta, superior ao somatório dos outros todos...
Seria prudente, como já disse antes, começarmos a pensar na nossa defesa nuclear...ou comprar um bilhete para a Lua!!!
Petrobras Passes GE as World's 5th-Largest Company (Update1)
By Jeff Kearns and Joe Carroll
May 21 (Bloomberg) -- Petroleo Brasileiro SA, owner of the Western Hemisphere's largest oil discovery in three decades, passed General Electric Co. to become the world's fifth-biggest company by market value.
Brazil's state-controlled oil producer, known as Petrobras, rose as much as 3.9 percent today, giving it a market value of 518.1 billion reais ($313.8 billion). GE fell 1.2 percent to $31.33 in 12:02 p.m. in New York Stock Exchange composite trading, cutting its market value to $312.3 billion.
Petrobras two days ago eclipsed Microsoft Corp. and Industrial & Commercial Bank of China Ltd. to become the world's sixth-largest company. The oil producer's shares have gained 51 percent since the Nov. 8 announcement that its offshore Tupi field may hold as much as 8 billion barrels of crude, enough to supply every refinery on the U.S. East Coast for 15 years.
A nearby prospect, known as Carioca, may hold as much as 33 billion barrels, which would make it the world's third-largest oil field, Haroldo Lima, director of Brazil's oil regulator, said last month.
The Rio de Janeiro-based company last week reported a 68 percent rise in first-quarter profit, propelled by oil prices that surged 99 percent in the past year. Crude reached a record $132.08 a barrel today in New York.
Nine of the world's 15 most-valuable companies are engaged in oil and natural-gas production, according to data compiled by Bloomberg.
Turbines, Aircraft
GE, the world's biggest provider of power-plant turbines, jet engines, medical imaging machines, aircraft leasing and locomotives, slumped the most in more than two decades April 11 after profit unexpectedly declined.
Chief Executive Officer Jeffrey Immelt blamed the results on weakening credit markets stemming for last year's collapse of the U.S. subprime mortgage market. The Fairfield, Connecticut- based company's stock is down 15 percent this year.
Irving, Texas-based Exxon Mobil Corp. is the world's most- valuable company, followed by PetroChina Co. Ltd. of Beijing and Russia's Gazprom OAO. Hong Kong-based China Mobile Ltd. is the fourth-largest by market value.
To contact the reporter on this story: Jeff Kearns in New York at jkearns3@bloomberg.net; Joe Carroll in Chicago at jcarroll8@bloomberg.net
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