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29 DE MARÇO DE 2022

O indicado de Bolsonaro é especialista em platitudes e senso comum

A indicação de Adriano Pires à presidência da Petrobras não foge à regra da atualidade. Em um governo de medíocres, um despreparado a mais não faz diferença. Por sorte, serão poucos meses no cargo. Sua capacidade de destruição estará limitada pelo tempo, pelas circunstâncias e pelo calendário eleitoral.

Pires ganhou espaço no debate público durante o racionamento de energia produzido pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Na falta de gente séria disposta a defender o indefensável, restou aos tucanos escalar na linha de frente um até então obscuro especialista em energia, assessor do diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, desprezado pelos pares da academia.

Pires não decepcionou: distorceu as informações, disseminou mentiras e atacou ferozmente os críticos que apontavam as causas reais do apagão – as falhas de gestão, a privatização e a abertura desorganizada do setor, não a falta de chuvas. Tarefa inglória. Apesar da defesa canina do “especialista”, o governo FHC perdeu o debate. O racionamento foi a pá de cal no sonho de 20 anos de poder dos tucanos. Nunca mais o PSDB venceria uma eleição presidencial.

No caso de Pires, deu-se o contrário. Novos horizontes empresariais se abriram. O economista ganhou colunas em jornais e cadeira cativa nos programas televisivos quando era necessário travar uma nova batalha: a remodelação do setor elétrico destruído nos anos anteriores. O passo seguinte foi criar o Centro Brasileiro de Infraestrutura e ganhar a vida a embalar platitudes, senso comum e ideologia como se fossem fatos e ideias. Tudo com a profundidade de um pires (desculpe, não resisti ao trocadilho).

Apesar da dedicação à causa, própria e alheia, e das boas relações, Pires nunca ocupou um cargo importante em administrações tucanas ou no governo de Michel Temer. Só Bolsonaro foi capaz de lhe oferecer um posto estratégico. A escolha diz muito sobre quem convidou, mas também sobre o convidado.

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"EUA e a possibilidade de implosão do Sistema Internacional".

 

EUA e a possibilidade de implosão do Sistema Internacional. Por Gilberto Maringoni

 
Rússia ameaça romper relações com os EUA após fala de Biden sobre Putin
Joe Biden e Vladimir Putin – Foto: Reprodução

Biden quer a expulsão da Rússia do G-20. Faz o papel de miliciano global: se o país sai de determinado esquadro com o qual o Império não concorda-se, cancele-se o equivalente a seu CPF. Corte-se qualquer possibilidade de diálogo ou negociação. O que restará depois disso?

Não se trata de defender Putin, um nacionalista autoritário de direita, mas de salvaguardar o sistema internacional e impedir que se instale em suas instâncias lógica semelhante à da OTAN, um grupo de 30 países com 70% do orçamento militar planetário a ameaçar potencialmente outros 165.

Os Estados Unidos implodiram a Liga das Nações no início dos anos 1920 e fizeram aberta campanha contra a ONU no início dos anos 1950. Isso se deu após a China – que havia acabado de realizar uma revolução socialista – não ceder sua posição no Conselho de Segurança, constituído pelos vitoriosos da II Guerra. Os EUA não agem como um país a mais, mas como Império, acima de qualquer tentativa de regramento num sistema anárquico por definição.

Leia mais: 

1; Peskov manda recado aos EUA: ‘Não cabe a Biden decidir quem está no poder na Rússia’

2; Rússia e EUA trocam acusações e tensionam relações diplomáticas na ONU

3; Conselho de Segurança da ONU discutirá denúncia de uso de armas biológicas dos EUA na Ucrânia

É inócuo reiterar os crimes contra a Humanidade cometidos por Washington no último século. Vale sim constatar a ameaça real colocada diante da manutenção de um sistema construído a partir de Vestfália, há 373 anos, suficientemente flexível para atravessar um sem número de tragédias globais e metamorfoses do sistema capitalista. O perigo de implosão do sistema com consequências inimagináveis foi colocado no horizonte pelo mandatário estadunidense.

Não estamos diante de um Fla-Flu entre Moscou e Washington. Significa não transformar o mundo num caos hobbesiano, uma terra de ninguém, sem lógica, sem acordos possíveis, sem normas e sem limites que não o poder das armas.

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