quinta-feira, 6 de março de 2014

POLÍTICA - Vale a pena ver de novo.

VALE A PENA VER DE NOVO: ISTOÉ REVELA CONTA DE R$ 64 MILHÕES DO PSDB NA SUÍÇA


Ela se chama "Marília" e foi aberta no Leumi Private Bank, em Genebra; por ela transitaram cerca de R$ 64 milhões das propinas que azeitaram os negócios da Siemens e da Alstom no Brasil; a conta foi também movimentada por homens da cozinha dos governos de Mario Covas, em São Paulo, e até do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; documentos já estão em poder do Ministério da Justiça e parte dos recursos foi bloqueada por autoridades suíças; e agora: será que tucanos serão denunciados pelo Ministério Público?

23 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 21:41
247 - Uma conta bancária na Suíça, conhecida como "Marília", foi usada para movimentar as propinas que azeitaram os negócios da Siemens e da Alstom com governos do PSDB, em São Paulo. Por ela, transitaram cerca de R$ 64 milhões em propinas e os recursos foram gerenciados por homens da cozinha dos governos de Mario Covas, em São Paulo, e até do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Este é o tema de uma reportagem bombástica da revista Istoé, que acaba de chegar às bancas. Até agora, o procurador Rodrigo de Grandis reluta em denunciar tucanos indiciados pela Polícia Federal (leia aqui). Será que vai manter a conduta?
Leia abaixo a reportagem de Istoé:
A conta secreta do propinoduto
Documentos vindos da Suíça revelam que conta conhecida como "Marília", aberta no Multi Commercial Bank, em Genebra, movimentou somas milionárias para subornar homens públicos e conseguir vantagens para as empresas Siemens e Alstom nos governos do PSDB paulista
Claudio Dantas Sequeira e Pedro Marcondes de Moura
Na edição da semana passada, ISTOÉ revelou quem eram as autoridades e os servidores públicos que participaram do esquema de cartel do Metrô em São Paulo, distribuíram a propina e desviaram recursos para campanhas tucanas, como operavam e quais eram suas relações com os políticos do PSDB paulista.
Agora, com base numa pilha de documentos que o Ministério da Justiça recebeu das autoridades suíças com informações financeiras e quebras de sigilo bancário, já é possível saber detalhes do que os investigadores avaliam ser uma das principais contas usadas para abastecer o propinoduto tucano. De acordo com a documentação obtida com exclusividade por ISTOÉ, a até agora desconhecida “conta Marília”, aberta no Multi Commercial Bank, hoje Leumi Private Bank AG, sob o número 18.626, movimentou apenas entre 1998 e 2002 mais de 20 milhões de euros, o equivalente a R$ 64 milhões. O dinheiro é originário de um complexo circuito financeiro que envolve offshores, gestores de investimento e lobistas.
Uma análise preliminar da movimentação da “conta Marília” indica que Alstom e Siemens partilharam do mesmo esquema de suborno para conseguir contratos bilionários com sucessivos governos tucanos em São Paulo. Segundo fontes do Ministério Público, entre os beneficiários do dinheiro da conta secreta está Robson Marinho, o conselheiro do Tribunal de Contas que foi homem da estrita confiança e coordenador de campanha do ex-governador tucano Mário Covas. Da “Marília” também saíram recursos para contas das empresas de Arthur Teixeira e José Geraldo Villas Boas, lobistas que serviam de intermediários para a propina paga aos tucanos pelas multinacionais francesa e alemã.
O lobista Arthur Teixeira personifica o elo entre os esquemas Alstom e Siemens. Como ISTOÉ já revelou numa série de reportagens recentes, com base nas investigações em curso, Teixeira e seu irmão Sérgio (já falecido) foram responsáveis por abrir as empresas Procint e Constech, além das offshores Leraway Consulting e Gantown Consulting, no Uruguai, com o único objetivo de servir de ponte ao pagamento de comissões a servidores públicos e a políticos do PSDB. Teixeira tinha acesso privilegiado ao secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e ao diretor de Operação e Manutenção da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), José Luiz Lavorente, o encarregado da distribuição em mãos da propina.
Até 2003 conhecido como Multi Commercial Bank, depois Safdié e, a partir de 2012, Leumi Private Bank AG, a instituição bancária tem um histórico de parcerias com governos tucanos. Em investigações anteriores, o MP já havia descoberto uma outra conta bancária nesse banco em nome de Villas Boas e de Jorge Fagali Neto, ex-secretário de Transportes Metropolitanos de SP (1994, gestão de Luiz Antônio Fleury Filho) e ex-diretor dos Correios (1997) e de projetos de ensino superior do Ministério da Educação (2000 a 2003) na gestão Fernando Henrique Cardoso. Apesar de estar fora da administração paulista numa das épocas do pagamento de propina, Fagali manteria, segundo a Polícia Federal, ascendência e contatos no governo paulista. Por isso, foi indiciado pela PF sob acusação de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Fagali Neto também é irmão de José Jorge Fagali, que presidiu o Metrô na gestão de José Serra. José Jorge é acusado pelo MP e pelo Tribunal de Contas Estadual de fraudar licitações e assinar contratos superfaturados à frente do Metrô.
Para os investigadores, a “conta Marília” era usada para gerenciar recursos
de outras contas destinadas a abastecer empresas e fundações de fachada
Para os investigadores, a “conta Marília” funcionaria como uma espécie de “conta master”, usada para gerenciar recursos de outras que, por sua vez, abasteceram empresas e fundações de fachada, como Hexagon Technical Company, Woler Consultants, Andros Management, Janus, Taltos, Splendore Associados, além da já conhecida MCA Uruguay e das fundações Lenobrig, Nilton e Andros. O MP chegou a pedir, sem sucesso, às autoridades suíças e francesas o arresto de bens e o bloqueio das contas das pessoas físicas e jurídicas citadas. Os pedidos de bloqueio foram reiterados pelo DRCI, mas não foram atendidos. Os investigados recorreram ao STJ para evitar ações similares no Brasil.
O MP já havia revelado a existência das contas Orange (Laranja) Internacional, operada pelo MTB Bank de Nova York, e Kisser (Beijoqueiro) Investment, no banco Audi de Luxemburgo. Ou seja, “Marília” é mais um nome próprio no dicionário da corrupção tucana. Sabe-se ainda que o cartel operado pelas empresas Siemens e Alstom, em companhia de empreiteiras e consultorias, usava e-mails cifrados (leia quadro).
RELAÇÃO COM FHC
Um dos beneficiários da propina oriunda da Suíça, Geraldo Villas Boas
mantinha uma conta conjunta com Jorge Fagali Neto, ex-diretor de projetos do
Ministério da Educação (2000 a 2003) na gestão de Fernando Henrique Cardoso
Os novos dados obtidos pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça dão combustível para o aprofundamento das investigações no Brasil. Além do processo administrativo aberto pelo Cade sobre denúncia de formação de cartel nas licitações de São Paulo e do Distrito Federal, outras duas ações sigilosas, uma na 6ª Vara Federal Criminal e outra na 13ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, apuram crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa. Além de altos funcionários do Metrô, como os já citados Lavorente e Fagali, as investigações apuram a participação do ex-secretário de Energia e vereador Andrea Matarazzo, em razão de contratos celebrados entre a Companhia de Energia de São Paulo (CESPE) e a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica S.A. (EPTE).
Na documentação encaminhada pelo DRCI ao MP de São Paulo, a pedido do promotor Silvio Marques, também constam novos dados bancários de vários executivos franceses, alemães e brasileiros que tiveram algum tipo de participação no esquema de propinas. São eles os franceses Michel Louis Mignot, Yves Barbier de La Serre, André Raymond Louis Botto, Patrick Ernest Morancy, Jean Pierre Antoine Courtadon e Jean Marcel Jackie Lannelongue e os brasileiros José Amaro Pinto Ramos, Sabino Indelicato e Luci Lopes Indelicato, além do alemão Oskar Holenwger, que operou em toda a América Latina. Na Venezuela, Holenwger é citado junto a Mignot, La Serre, Morancy e Botto em investigação sobre lavagem de dinheiro, apropriação indébita qualificada, falsificação de documentos e suposta corrupção de funcionários públicos do setor de energia.
O apoio das autoridades de França e Suíça às investigações brasileiras não tem sido tão fácil, e a cooperação é mais recente do que se pensava. O Ministério da Justiça chegou a pedir o compartilhamento de informações ainda em 2008 – auge da investigação da Siemens e da Alstom. Mas não foi atendido. Os franceses lembraram que, nos termos do acordo bilateral, a cooperação só pode se desenrolar por via judicial. Dessa forma, foi necessário notificar o Ministério Público Federal para que oficiasse junto à 6ª Vara Criminal Federal e à 13ª Vara da Fazenda Pública. O compartilhamento só foi efetivado em dezembro de 2010.
A Suíça, ainda em março de 2010, solicitou a cooperação brasileira na apuração das denúncias lá, uma vez que parte do dinheiro envolvido nas transações criminosas teria sido depositada em bancos suíços. Os primeiros dados, relativos à empresa MCA e ao Banco Audi de Luxemburgo, chegaram ao Brasil em julho de 2011. Foram solicitadas ainda oitivas com determinadas testemunhas, o que foi encaminhado ao MPF em São Paulo e à Procuradoria Geral da República (PGR). Paralelamente, a Polícia Federal abriu o inquérito nº 0006881-06.2010.403.6181, mas só no último dia 25 de julho o procurador suíço enviou às autoridades os dados bancários solicitados, por meio de uma decisão denominada “conclusive decrees”, proferida em 14 e 24 de junho. Foi com base nisso que a Suíça já bloqueou cerca de 7,5 milhões de euros que estavam na conta conjunta de Fagali e Villas Boas, no Safdié. Tratou-se de uma decisão unilateral suíça e a cifra não é oficial – foi fornecida ao Ministério da Justiça por fonte informal. A Suíça só permite o uso dos dados enviados em procedimentos criminais.
Postado há 24 minutes ago por
Também do Blog Justiceira de Esquerda. 

POLÍTICA - Comprou deputados e nenhum senador?

 
Advogado denuncia incoerências na condenação de Dirceu: comprou deputados e nenhum senador?

4 de março de 2014 | 17:37 Autor: Miguel do Rosário
gurgel e mensalão tucano
A Ação Penal 470 continua ruindo.
*
do Gestão Pública Social (Via Nassif)
Explicação a quem interessar possa sobre a Ação Penal 470
Por Luís Antônio Albiero
Não, José Dirceu não foi jamais condenado por ter “roubado” alguma coisa. Também Genoíno não foi sequer acusado de ter “roubado” algo. Nem Delúbio Soares.
Dirceu, Genoíno e Delubio também não foram condenados por serem “corruptos”.
Ao contrário, todos eles foram condenados porque, segundo o Ministério Público, teriam “corrompido” deputados federais, dentre eles Roberto Jefferson, que só recentemente foi preso. Isso mesmo. É incrível, mas é a mais pura realidade. Foram condenados por “corrupção ativa”, ou seja, porque seriam “corruptores”.
Na corrupção, o corruptor normalmente é o empresário, o sujeito que tem dinheiro, que “compra”, que corrompe um servidor público, para que este faça ou deixe de fazer alguma coisa, de modo a beneficiar o corruptor. É como quando você – você mesmo! – “molha a mão” do guarda para não levar uma multa.
E como foi a “corrupção ativa” de Dirceu? Como Ministro de Estado – portanto, na condição de servidor público (o que já é uma inversão do que ocorre normalmente…), ele teria “comprado” deputados. E só deputados federais. E para quê? Com qual interesse? Segundo os Ministros que o condenaram, era para que esses deputados votassem a favor do governo. Para quê? Para que o partido dele se “perpetuasse no poder”.
Por aí já dá para ver o motivo político da condenação. Ora, como é que o PT poderia se perpetuar no poder sem obter a segurança de que continuaria obtendo o voto popular?
E mais: como poderia contar com o voto popular com medidas impopulares, embora necessárias para o futuro da Nação, como as reformas da Previdência e Tributária?
São necessários os votos de 3/5 dos deputados federais e 3/5 dos senadores para aprovar uma reforma constitucional. Então, como é que Dirceu poderia garantir a aprovação que exigia votos favoráveis de mais de 300 deputados e senadores “comprando” apenas meia dúzia de deputados e nenhum senador?
É preciso estar com a mente contagiada pelo bombardeio diário da TV ao longo dos últimos NOVE anos para acreditar numa trama fantasiosa como essa.
O que está por trás dessa história é o ódio de classe. As elites brasileiras não perdoam quem, vindo de baixo, trouxe dignidade ao povo pobre do Brasil, que hoje tem acesso a shoppings, faculdades, aeroportos, créditos etc.
Gilmar Mendes, de família tradicional de Diamantino (MT), onde sua família exerce o papel de “coronel” da política local; Marco Aurélio de Melo, primo de Fernando Color, cuja família domina a política de Alagoas; Celso de Melo, juiz conservador nascido em Tatuí, ex-braço direito de Saulo Ramos, ministro do governo Sarney; são os ministros do STF que hoje representam as elites naquele tribunal.
A eles, somou-se, por um erro de cálculo e ingenuidade de Lula, Joaquim Barbosa, que serviu a Golbery do Couto e Silva durante os governos militares. Depois veio Luiz Fux, outro erro de indicação, agora de Dilma.
Esses cinco ministros, conluiados com os PGRs anteriores, “compraram” a trama desenvolvida pela oposição, rotulada poir Jefferson (autor do título “Mensalão”) e patrocinada pela mídia conservadora. E empreenderam a mais nefasta perseguição aos réus da AP470.
Razões politicas foram acintosamente utilizadas pelos ministros para condenar os réus. São, sim, presos políticos. Nada “roubaram”, tampouco “compraram” deputados.
A absolvição por formação de quadrilha foi só o início do restabelecimento da justiça. A caminhada ainda será longa até que justiça efetivamente seja feita em sua plenitude.
Luís Antônio Albiero – Advogado na cidade de Americana/SP – laalbiero@yahoo.com.br

POLÍTICA - FHC DISSE MAS NÃO FALOU.


Do Blog TIJOLAÇO.

FHC disse mas não falou

Não satisfeito com a declaração infundada da elevação dos salários do Plano Real, FHC diz que o vigor da mobilidade social que se vê hoje iniciou com ele.

Por José Carlos Peliano*


Mais uma comemoração arranjada, modorrenta e cansativa, para o aniversário do longevo e enterrado Plano Real. Trouxeram de volta das trevas FHC ao Senado Federal com pouca pompa e circunstância, rodeado de velhos aliados, para buscar o encobrimento de recentes e descobertos desmandos, desfeitos e desviões tucanos, conforme escreve Antonio Lassance no Sarcófago do Real.

Como sempre fez, FHC tangencia os fatos, tamborila o que diz, conversa e desconversa da mesma maneira com que procura iludir e tergiversar para tentar se manter incólume, falastrão de suas elocubrações.

Em seguida à bajulação arranjada do Plano Real no Planalto Central, plano que nunca foi dele, mas de uma equipe, nem por ele liderada, mas por Itamar Franco, FHC concede entrevista à Rádio Jovem Pan onde prosseguiu com sua análise de seus feitos nos oito anos que esteve à frente do Palácio do Planalto. 

De cara sai com essa: “A grande consequência do Plano Real foi o aumento real dos salários. Houve um salto. Foi o começo dessa mobilidade social que estamos vendo com tanto vigor”. (Trecho publicado no site da UOL de 28/02/2014). Bom, o comentário é como a charada dos personagens populares, o ovo e a galinha; esta diz que veio primeiro, enquanto aquele a contradiz postando-se em sua frente.

De fato, não foram somente os salários, mas as rendas reais tiveram um aumento imediato de 1994, início do Plano Real, a 1995. Em seguida, há uma queda silenciosa mas decidida até os anos de Lula e Dilma, quando à reversão do ritmo declinante segue-se uma tendência de elevação segura e progressiva. Os dados são fornecidos pelo IBGE.

O rendimento médio real mensal de todos os trabalhos soma os salários reais mais rendimentos obtidos de outros trabalhos temporários ou não pelos trabalhadores. Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: 1991-2007. Pois bem, os números abaixo perguntam a FHC de onde ele tirou que foi o Plano Real quem possibilitou o salto para cima dos salários?

Anos..............Rendimento
1994....................996
1995..................1023
1996..................1011
1997..................1003
1998..................  932
1999..................  921
2000..................  899
2001..................  831
2002..................  831
2003..................  869
2006..................  932
2007..................  960

Esqueçam, portanto, o que FHC disse. O que ele não falou foi que, fora o salto do rendimento médio real de 1994 a 1995, ocorrido ainda no governo Itamar Franco, de 1995 a 2002, seu período de governo, o rendimento veio de um valor médio real de 1023 para 831. Um decréscimo de 18,8%! 

Em todo o período de seu governo, menos de 2001 a 2002, os valores caem ano a ano. Ao contrário dos primeiros anos do governo Lula, onde há dados disponíveis pelo IBGE, quando o mesmo rendimento volta a subir, atingindo um acréscimo de 2003 a 2007 de 15,5%.

É provável que FHC tenha apostado na costumeira memória curta do brasileiro para se jactar da proeza do Plano Real, não lançado por ele mas por Itamar, de ter conseguido elevar os salários reduzindo todos os rendimentos do trabalho!

Pois bem, não satisfeito com a declaração infundada da elevação dos salários do Plano Real, FHC completa dizendo que o vigor da mobilidade social que se vê hoje teve seu começo lá mesmo ... na elevação dos salários! Se não houve elevação do salários como pode ter havido mobilidade social? Só se foi descendente.

Como demonstrado em textos anteriores, a grande marca da mobilidade social recente no Brasil está carimbada pelo Programa Bolsa Família que trouxe para o mercado cerca de 50 milhões de pessoas antes às voltas com atividades meia boca e ocasionais. De renda próxima de zero conseguiram obter renda que lhes garantem subsistência razoável especialmente em regiões mais pobres.

E o Programa Bolsa Família é do governo Lula encampado pelo governo Dilma. Não é, nunca foi, nem a história consignará como do governo FHC, embora ele mesmo já tenha dito e tentado pegar carona, juntamente com alguns de seus diletos seguidores, ao afirmar que o programa teve seus fundamentos elaborados por sua administração.

E a mobilidade recente no país veio também a reboque do aumento do rendimento médio de todo o período Lula e Dilma. A melhoria da renda possibilitou a redução da desigualdade social, esta sim a grande vitória da administração petista. Quem retirou milhões da pobreza, elevou os rendimentos do trabalho e reduziu a desigualdade não fez um Plano Irreal que reduziu os rendimentos, afetou a pobreza e não interferiu na desigualdade!

(*) Economista (doutor/Unicamp)

Fonte: Carta Maior

ECONOMIA - Desperdício de alimentos na América Latina.

América Latina desperdiça 15% dos alimentos que produz Quantas vezes por semana você joga restos de comida ou alimentos estragados no lixo? Talvez você pense melhor nisso quando souber que a América Latina, onde milhões de crianças sofrem desnutrição crônica, perde 15% dos alimentos produzidos a cada ano, ou cerca de 80 milhões de toneladas.
A reportagem foi publicada pelo EcoDebate, 03-03-2014.
A região perde 80 milhões de toneladas por ano, 6% do total global de perdas.
• O desperdício ocorre igualmente na produção e no consumo: cada uma dessas etapas representa 28% do total de perdas, segundo cálculos da FAO
• A data de validade dos produtos é um fator que contribui de maneira importante para estas perdas, especialmente na etapa do consumo familiar

Quantas vezes por semana você joga restos de comida ou alimentos estragados no lixo? Talvez você pense melhor nisso quando souber que a América Latina, onde milhões de crianças sofrem desnutrição crônica, perde 15% dos alimentos produzidos a cada ano, ou cerca de 80 milhões de toneladas.
Do ponto de vista da nutrição, isso significa que se desperdiça um quarto dos componentes energéticos – ou 450 quilocalorias – de que uma pessoa precisa diariamente para viver.
Embora não seja um consolo, comparativamente a América Latina é a região do mundo que menos desperdiça ou perde comida. Nos países desenvolvidos, a proporção pode alcançar mais de um terço da produção total de alimentos.
As causas desse desajuste variam em função dos países. Os de rendimento alto, por exemplo, deixam de aproveitar a maior parte de seus alimentos na etapa do consumo. Na América Latina, o desperdício se produz por igual nas etapas de produção e consumo: a cada uma dessas etapas representa 28% do total de perdas, segundo cálculos da FAO.
Data de validade
A data de validade dos produtos é um fator que contribui de maneira importante para as perdas, especialmente na etapa do consumo familiar. O consumidor tende a pensar que não é seguro ingerir um alimento após esse prazo, apesar das advertências em contrário dos especialistas. “Muitas vezes eu compro alguns produtos, como embutidos, por exemplo, que vencem em um ou dois dias, e nem sempre dá tempo de consumi-los”, comenta Juan Pedro, em um restaurante do centro de Buenos Aires.
Quanto à produção, o desperdício se deve principalmente à colheita ineficiente ou prematura, e às condições excessivas de chuva ou de seca, algo que acontece frequentemente no Brasil e Argentina, por exemplo.
O resto das perdas de alimentos na região é dividido pelas fases de armazenamento (22% do total), de distribuição e mercado (16%) e de processamento (6%).
O desperdício de alimentos supõe terríveis perdas no investimento em agricultura e nos insumos de energia necessários para produzir comida José Cuesta, especialista em pobreza no Banco Mundial.
No México, por exemplo, são desperdiçadas mais de 10 milhões de toneladas de alimentos ao ano, que representam 37% da produção agropecuária no país, segundo o Grupo Técnico de Perdas de Alimentos.

“O desperdício de alimentos supõe terríveis perdas no investimento em agricultura e nos insumos de energia necessários para produzir comida”, explica José Cuesta, especialista em pobreza no Banco Mundial e autor do Food Price Watch, que monitora o preço mundial dos alimentos e seus efeitos socioeconômicos na população. “Trata-se de rendimentos que o agricultor latino-americano deixará de receber por um produto que não poderá vender”, diz.
Segundo o especialista, existem medidas técnicas imediatas que possam ajudar a frear o desperdício de alimentos. Algumas são tão simples, como usar recipientes de plástico – ao invés de sacas - para depositar a fruta que se coleta, ou melhorar os sistemas de refrigeração para evitar perdas na fase de armazenamento.
Efeito nos mais pobres
A lógica econômica desse problema é simples mas assustadora: quanto mais comida as pessoas jogarem fora, mais alimentos terão que comprar para poder cobrir suas necessidades.
Isso significa que as famílias utilizarão uma maior proporção de seus rendimentos em comida e menos em outras atividades como educação ou previdência. “Claramente as perdas alimentícias têm um impacto sobre a pobreza”, afirma Cuesta.
Ele assinala que uma maneira de tentar sanar a situação é conscientizar os consumidores. Porque em suas mãos está a chave para aproveitar todos os alimentos e evitar comportamentos nocivos.
Em certas ocasiões, eles são incentivados pelas promoções e propagandas – dois produtos pelo preço de um, por exemplo –, que convidam a adquirir mais produtos do que os consumidores realmente precisam.
Apesar das repetidas crises no preço dos alimentos que o mundo vem sofrendo desde 2007, os governos da região não chegaram a políticas concretas de mudança de hábitos de consumidores e produtores para frear o grave problema do desperdício de comida.
“Não há muito nível de consciência, nem sequer nos países mais ricos. Há consciência para produzir mais alimentos mas não para melhorar a tendência de perdas de alimentos na região, sobretudo em conscientização e educação”, conclui Cuesta.
Segundo o informe Food Price Watch, o preço dos alimentos continua subindo – embora tenha caído em 2013 –, o que ameaça a população de menos recursos econômicos. O próximo relatório, previsto ser publicado no fim do mês, será dedicado ao problema global do desperdício de alimentos.
Veja também:

ECONOMIA - "Sementes de uma nova crise".

"Sementes de uma nova crise" estão postas, diz Chesnais

O economista francês François Chesnais costuma fazer uma visita por ano ao Brasil, para rever amigos e participar de conferências. Na sua mais recente estada, há pouco dias, aproveitou para conhecer Alter do Chão (PA), onde ficou por uma semana, após uma passagem pelo Rio, onde participou de seminário e recebeu uma homenagem por seus 80 anos, com a publicação do livro "O Brasil e o Pensamento de François Chesnais", organizado por professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Crítico do neoliberalismo, em entrevista concedida por e-mail, após retorno a Paris, Chesnais disse acreditar que a qualquer momento uma nova crise mundial pode ocorrer por conta, sobretudo, da falta de maior regulação sobre o sistema financeiro. Após o colapso mundial de 2007/2008, algumas instituições financeiras "têm feito suas operações ainda mais opacas e difíceis de identificar". Além disso, ressalta que a imensa massa de capital fictício (sem lastro na economia real) leva à perspectiva da existência de apenas recuperações cíclicas de curto prazo em certas economias, como ele acredita que acontece nos Estados Unidos hoje.
A entrevista é de Vanessa Jurgenfeld, publicada pelo jornal Valor, 05-03-2014.
Sobre o Brasil, a avaliação do economista é a de que a falta de crescimento mais robusto decorre da reprimarização da economia e pelo fato de o país ter eleito a indústria automobilística como o grande motor do seu desenvolvimento e mantê-la neste papel, mesmo com a perda do seu poder.
Chesnais ganhou notoriedade com o livro "A Mundialização do Capital", publicado no Brasil em 1996 [editora Xamã ]. Ex-diretor da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e professor da Universidade Paris XIII (agora Paris-Nord), ele chamou a atenção para um movimento que se evidenciava de forma mais intensa a partir dos anos 1980: a internacionalização do capital produtivo facilitada pela desregulamentação dos fluxos de capitais e pelo avanço na comunicação e nos transportes.
Com uma interpretação teórica marxista, ele mostrou que este processo propiciou a expansão dos grandes grupos transnacionais que, por meio de fusões e aquisições, aumentaram a concentração da produção, formando oligopólios mundiais em diversos setores.
Atualmente, Chesnais finaliza uma edição em inglês de um livro que trará sua interpretação sobre a crise financeira mundial mais recente.
Eis a entrevista.
Uma das suas principais ideias é que a globalização financeira cria um mundo mais instável e estimula crises econômicas. Bancos, governos, fundos mútuos e as grandes corporações seriam a grande força por trás desse movimento? E na sua avaliação ele estaria se tornando cada vez mais forte?
A massa de juros cobrada por bancos e fundos, em particular por meio do mecanismo de emissão de títulos de dívidas governamentais, somada à massa de lucros empresariais distribuídos como dividendos, é canalizada para os mercados financeiros. E ela acaba nas mãos de um pequeno número, altamente concentrado, de grandes bancos, fundos, empresas e indivíduos muito ricos. A maior parte dessa massa de juros e dividendos nunca deixa a arena dos mercados financeiros globais. Isso infla o volume do que é chamado de "capital fictício à enésima potência", com negociações por meio de derivativos, mercados de câmbio e papéis securitizados que germinaram nos anos 2000 - como os "asset-backet security" (ABS, na sigla em inglês) e os "collateralized debt obligations" (CDOs, na sigla em inglês) - e rendendo lucros fictícios, como meus colegas Mauricio Sabadini, Paulo Nakatani e Rosa Marques os chamam. Essas somas imensas movem-se cada vez mais de um mercado a outro. E elas o fazem cada vez mais rápido, por meio das negociações de alta velocidade.
Os mercados emergentes enfrentam neste momento um período difícil, especialmente países como Turquia e Argentina. Como o sr. interpreta esse momento?
Isso mostra que a desaceleração do crescimento desses países e as tensões políticas internas, combinadas com uma perspectiva de mudança da política monetária americana, estão levando os fundos especulativos de curto prazo a arbitrar em favor de investimentos em outros mercados.
O sr. acredita que ainda há efeitos da crise mundial de 2007-08 sobre a economia global? Por que está sendo tão demorada a superação dessa crise?
A raiz da crise foram as quedas na taxa de lucro das economias centrais do G7 e a construção de um investimento excessivo e de superprodução em vários lugares do sistema mundial, incluindo a China, claro, por conta do seu programa de investimentos e regime de orientação exportadora. Em 1998 e de novo em 2001, a explosão da crise global foi postergada, notadamente pelo governo americano e pela emissão de moeda pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A partir de 2002, uma grande quantidade de dívida do setor imobiliário, sustentada pela explosão da securitização, retornou para a aquisição de residências e edifícios comerciais. Isso criou uma dupla bolha de ativos, no mercado imobiliário e nos títulos lastreados por hipotecas [Mortgage Backed Securities (MBS)]. Casas e apartamentos não eram vistos apenas - ou se é que eram vistos - como valor de uso, mas como ativos financeiros cujos preços continuariam a subir e nunca haveria um colapso. Os empréstimos "subprime" para famílias muito pobres foram só a ponta do iceberg. Hoje, a persistência da acumulação excessiva global e da superprodução, conjuntamente com a existência de uma massa de capital fictício indestrutível como dito antes, significa que a única perspectiva é que só existem recuperações cíclicas de curto prazo em certas economias, como é temporariamente o caso dos Estados Unidos. É interessante notar que no Japão o "Abeconomics" já está tendo efeitos reduzidos. A taxa de crescimento do Japão nos últimos dois trimestres caiu significativamente e também houve redução de suas exportações, mesmo com taxa de câmbio favorável ao exportador.
Na sua opinião, as novas formas que assumiram as grandes corporações, principalmente pós-70, seriam uma das mais importantes causas da desigualdade mundial, pela preocupação maior do negócio empresarial em obter ganhos para os acionistas do que em melhorar os salários dos seus funcionários, por exemplo?
Nenhuma corporação jamais teve o aumento do salário dos seus trabalhadores como um objetivo! Aumentos salariais apenas têm sido obtidos pela classe trabalhadora por meio de sindicatos e ações políticas. O recente desenvolvimento na organização e no gerenciamento das grandes corporações é o degrau por meio do qual o poder oligopolístico e monopsônico [situação onde há um único comprador, que concentra poder de mercado, diante de inúmeros vendedores] permite a elas atacar as pequenas firmas, valendo-se de práticas predatórias. Esse poder força as pequenas firmas a reduzir os salários e a aumentar a produtividade dos seus próprios trabalhadores. Esta é uma das grandes causas do aumento da desigualdade que vem conjuntamente aos grandes ganhos obtidos por meio do mercado financeiro e, claro, com a baixa taxação sobre a riqueza.
O sr. acredita que a financeirização se tornou maior na estrutura de capital das empresas em diferentes países? Ou é possível ver algumas exceções como na China, por exemplo?
O que é chamado de "financeirização das corporações industriais" contempla duas grandes áreas: as suas operações no mercado financeiro e os seus métodos atuais de gerenciamento global não tão direcionados à produção de mais-valia quanto à sua apropriação, ou seja, [direcionados] à caça predatória das pequenas firmas. Desde os anos 1960, primeiramente as firmas americanas e então todas as transnacionais se tornaram organizações engajadas tanto em produzir valor e mais-valia quanto em operações no mercado financeiro e empréstimos. Isso simplesmente se tornou mais visível e estudado um pouco melhor [nos últimos anos]. O parasitismo difundido pelo capital financeiro contemporâneo são essas novas formas de organização da corporação, que agora focam menos na exploração do trabalho "intra-muros" e mais na apropriação predatória de mais-valia em cima das firmas mais frágeis, o que é permitido pela posição de monopólio e de monopsônio que ocupam nas "cadeias de valor globais" (global value chains, em inglês). As corporações chinesas estão em uma situação diferente. Mesmo quando o Estado não tem fatia no capital, elas estão protegidas contra a interferência de "hedge funds" na sua administração e ainda estão em uma fase de cuidadosamente focar em "joint ventures" para acesso à tecnologia estrangeira. Mas, como mostra o desenvolvimento do sistema bancário paralelo [que engloba instituições que na prática cumprem funções de bancos, mas não são bancos e não estão sujeitas à regulamentação dos bancos, chamado em inglês de "shadow banking system"), a China não está fora do movimento de globalização e financeirização.
Considerando o aumento da importância do capital financeiro dentro das empresas, o sr. acredita que há muitas diferenças entre o capitalista industrial e o capitalista financeiro (bancos)? No capitalismo dominado pelas finanças, eles não são praticamente o mesmo agente? Quais as consequências disso no longo prazo?
As diferenças são muito, muito pequenas. Nas condições contemporâneas da globalização, o capital financeiro é o resultado de um processo contínuo de centralização e concentração. O capital financeiro resulta de um processo incessante de centralização e concentração dos capitais industrial, bancário e mercantil como um todo e de suas inter-relações. O capital financeiro contemporâneo está de forma combinada no "capital produtivo", alojado em corporações industriais - todas corporações transnacionais -, no "capital dinheiro", centralizado em grandes e poderosos conglomerados financeiros (J.P. Morgan, BNP Paribas, Santander [por exemplo]), e no "capital mercantil e comercial" incorporado tanto pelos conglomerados que operam em commodities (Cargill, Dreyfus) como aqueles que operam na comercialização final dos produtos (Walmart, Carrefour). Acionistas e gestores das empresas cada vez mais dividem o mesmo objetivo de maximizar o valor para os acionistas do mercado financeiro. Como consequência de longo prazo, a mais central e dramática é que a relação do ser humano com a natureza está agora principalmente moldada pelo parasitismo criado por esse capital. Esse capital é essencialmente incapaz de aceitar limites para suas operações. E esse capital está direcionado a perseguir um curso no qual desconsidera mudanças climáticas, apesar do trabalho de cientistas no IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change) e do fato de que recursos naturais limitados continuam a alimentar investimentos destrutivos.
O sr. acredita que esse aumento da financeirização das corporações é parte do problema do baixo crescimento de diversos países nos últimos anos? O Brasil tem enfrentado baixas taxas...
Isso é apenas parte do problema. Em quase todos os países há outros fatores que derivam de decisões escondidas ou implícitas tomadas por industriais nacionais e pelas elites financeiras, e por políticas governamentais deliberadas. Grandes bancos nacionais e estrangeiros estão, claro, envolvidos em todas elas. A queda na taxa de crescimento do Brasil está relacionada com a "reprimarização" da economia, que cria uma alta dependência da demanda estrangeira, sobretudo, da China. A indústria automobilística foi escolhida como o motor do crescimento doméstico e mantida neste papel apesar da visível perda do seu poder e dos problemas sistêmicos urbanos de grande magnitude nas cidades. Essas escolhas e suas possíveis consequências foram de fato alguma vez realmente discutidas? A vulnerabilidade do Brasil à saída repentina do capital externo de curto prazo - que não é tão séria, mas também não é totalmente diferente da de países como Turquia e Argentina - resulta da baixa taxação [sobre o capital externo], alta dívida pública e alta taxa de juros. Isso não está relacionado com o baixo crescimento do PIB? É indiferente para a justiça social, assim como para o crescimento, que mais de 45% do orçamento federal sejam gastos com o serviço da dívida pública brasileira, como revelado por Maria Lucia Facttorelli e a Auditoria Cidadã da Dívida? A mídia permitiu que essa questão fosse discutida?
Os fundos se tornaram os "grandes vencedores" da economia desregulada, que se evidenciou com a crise de 2007-08? O sr. acha que mesmo após 2007-08, ainda se vive em uma economia mundial muito desregulada?
Sim, isso é, de fato, o caso. Mas é justamente nisso que estão as sementes de uma nova e grande crise financeira. O sistema bancário paralelo (shadow banking system), em particular, tem crescido e tem feito suas operações ainda mais opacas e difíceis de identificar. Mesmo Hank Paulson, que era secretário do Tesouro dos Estados Unidos em 2008, começou a alertar sobre os perigos do sistema bancário paralelo. Apenas uma nova crise financeira e muito mais severa e totalmente em escala global - e o Brasil não vai escapar da próxima vez - poderia criar as condições para qualquer controle real. Essa [nova] crise pode ocorrer em algum momento nos próximos anos.
Por que diversos governos não conseguiram impor controles mais rigorosos sobre o sistema financeiro?
A razão básica é que os governos defendem uma ordem social hierárquica de divisão de classes, atualmente uma verdadeira ordem oligárquica. Alguns governos consideram essa situação como natural, outros como muito poderosa para ser desafiada e transformada. Os chamados governos esquerdistas não confiam na capacidade criativa de uma grande massa de homens e mulheres. Eles [os chamados governos esquerdistas] nunca pediram seu apoio [o da grande massa], a não ser em alguns poucos e breves momentos, em um pequeno número de países. Na verdade, em sua maioria, eles a temem.

MÍDIA - Como a Globo comanda o Brasil.


domingo, 2 de março de 2014

POLÍTICA - O destempero combina com a justiça?


27/02/2014 - Copyleft

O destempero combina com a justiça?

As sessões do STF de fevereiro de 2014 entrarão para a história da justiça brasileira como aquelas em que se pode diferir o joio do trigo


Daniel Quoist
Daniel Quoist
A espetacularização da justiça brasileira ganhou inédito capítulo nesta quinta, 27/2, quando foram julgados os embargos infringentes a que tiveram direito José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e outros.

O destempero verbal, a contrariedade mal disfarçada, o palavreado vão e vazio do presidente do STF Joaquim Barbosa estiveram em alta, pairando sobre seus colegas juízes como uma solene afronta ao sagrado direito de divergir que cada juiz tem para se manter fiel à sua consciência.

O contraponto foi oferecido por um sereno, porém firme e magnânimo Luiz Roberto Barroso. Ele fez um voto exaustivamente mencionado por outros colegas na Corte como “primorosíssimo”. E o era. O voto de Barroso além de expor sua extensa bagagem jurídica, apresentou de forma contundente e peremptória seu apego à Justiça enquanto ideal, conceito e sentido de vida.

Quanto mais Joaquim Barbosa vocalizava ódio, vilipêndios e gestos rasgados de falta de compostura e urbanidade para integrar uma Corte de Justiça Suprema, mais realçava os predicados de jurista que o “novato” Barroso atraía para a Corte, lamentavelmente tornado espaço institucional tão maculado por interesses partidários, mesquinhos e venais, seja de uma capenga oposição que não consegue há mais de 12 anos ganhar o governo pelo rito democrático das eleições, seja por uma imprensa tradicional empenhada em ela mesma assumir a tribuna oposicionista à medida que minguam seus apoios populares, suas carteiras de assinantes, suas vendas em bancas de jornais e revistas.

As sessões do STF dos dias 26 e 27 de fevereiro de 2014 entrarão para a história da justiça brasileira como aquelas em que se pode ver nitidamente de que é feito o joio e o trigo, e a distância existente entre uma justiça de bronze e uma justiça de ouro.

Nessas duas sessões observaram-se perorações de um presidente da Corte que mais pareciam discussões prosaicas no bar Amarelinho do Rio de Janeiro ou adequadas a mesas de pista da antes famosa Estudantina, conhecida escola de gafieira carioca.

A falta de educação de Joaquim Barbosa ao interromper seguidas vezes o momento mais precioso de uma Corte de Justiça que é aquele em que um juiz profere seu voto, foi uma afronta à história do próprio Supremo Tribunal Federal que, em luminosos momentos de sua trajetória chegou a ser presidido por figuras como Aliomar Baleeiro (1971-1973) e Sepúlveda Pertence (1993-1995) e que contou dentre os pares com consciências jurídicas brilhantes como as que iluminavam Hermes Lima, Nelson Hungria, Paulo Brossard.

O clima de animosidade explícita entre os que voltavam a condenar os réus da AP-470 e aqueles que decidiam pela absolvição longe de justificar o insalubre ambiente conflagraram o Tribunal: todos estavam bem cientes que o julgamento do Mensalão fora eivado de ilegalidades, ocultação de parte de provas de defesa, uso de esdrúxulas teorias de domínio de fato, perniciosa e onipresente influência midiática que usou e abusou do julgamento para fazer sangrar o Partido dos Trabalhadores, dar mais gás à oposição e impedir o que vem ocorrendo desde 2002 - o PT elegendo e reelegendo continuamente o Chefe do Executivo brasileiro.

A falta de compostura de ministros como Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, o uso de veladas ironias e o ar zombeteiro e pernóstico mostrado por ministros como Marco Aurélio Mello e Luiz Fux, o jeito de alienação e abstração demonstrado por Carmem Lúcia ficarão na história da Corte como um dos mais tristes períodos de uma história que remonta à Proclamação da República em novembro de 1889.

Muitos disseram que prefeririam morrer a ter que passar um par de semanas em qualquer penitenciária do país, tal o estado de degradação e desmazelo a que são submetidos os presos. Outros vão além e não se fazem de rogados ao afirmar que preferem mil vezes evadir do Brasil a serem julgados por um colegiado turbulento e revolto como o é o da atual composição do STF.  É que onde há turbulência e revolta, animosidades à flor da pele e desrespeito contínuo ao contraditório e à divergência de opiniões tudo pode resultar – menos Justiça.

A cada tema espinhoso a que o STF é chamado a julgar, mais se fragmenta a unidade de seus membros e insustentável se torna seu convívio. O uso exagerado de medidas extremas e de profundo mau gosto como interromper abruptamente sessões para que entre uma e outra possa se ouvir ecos de uma imprensa ávida por influir no processo de julgar seus declarados desafetos e, também, as acusações levianas que se fazem uns aos outros, de forma desabrida, rude e zombeteira fornecem uma péssima imagem à Nação. A imagem de como não deve se portar uma Corte Máxima de Justiça.

Depois, se as pessoas alcunharem o belo palácio nascido na prancheta do genial Oscar Niemeyer como  Palácio do Butantã, operando diligentemente em Brasília, tal escárnio poderá até causar certa indignação, mas espanto, não.

UCRÂNIA - Os amigos da extrema-direita ucraniana,

Os amigos da extrema-direita ucraniana

Por Anton Shekhovtsov, no sítio Carta Maior:

Há muito tempo é tomado como certo que o partido ucraniano radical de direita Svoboda, que formou a primeira fação parlamentar de extrema-direita na Ucrânia após as eleições de 2012, é membro da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus (AMNE). Afinal de contas, os líderes do Svoboda sempre disseram que o seu partido era membro da AENM, enquanto que o Partido Nacional Britânico (BNP), que é um dos mais antigos membros da Aliança, explicitamente mencionou o Svoboda, em 2010, como membro da AENM, juntamente com a Frente Nacional Francesa (que recentemente abandonou o grupo), o húngaro Jobbik, o italiano Fiamma Tricolor, o próprio BNP, o Movimento Social Republicano espanhol, belga Frente Nacional, o português Partido Nacional Renovador e os Democratas Nacionais Suecos.

Desenvolvimentos no início deste ano revelaram uma imagem diferente. As primeiras dúvidas sobre o estatuto de membro do Svoboda foram levantadas após o político polaco Mateusz Piskorski ter alegado, no início de 2013, que o Svoboda tinha sido excluído da AENM devido às suas posições abertamente racistas - como diz o ditado sarcástico russo, eles foram "expulsos da Gestapo por excesso de brutalidade ". A AENM é, de fato, muito mais extremo do que um outro grupo de extrema-direita paneuropeu, a Aliança Europeia para a Liberdade, que reúne representantes do Partido da Liberdade austríaco, da Frente Nacional francesa, do belga Interesse Flamengo, dos Democratas Suecos e alguns outros.

No entanto Piskorski é ele próprio um ex-membro do agora extinto partido de extrema-direita polaco Auto-Defesa, e nós sabemos como essas pessoas não são de confiança. Além disso, Piskorski tem sido associado com ao partido fascista russo Movimento Internacional da Eurásia, liderado por Aleksandr Dugin,conhecido pelas suas posições imperialistas e, em particular, anti-ucranianas. Provocar os ultranacionalistas ucranianos, seus antagonistas, alegando que eles tinham sido rejeitados pelos seus "irmãos de armas" europeus, poderia ter sido uma forma comum de assédio fascista.

O Svoboda prontamente negou estas alegações, com uma referência a Bruno Gollnisch, presidente da AENM, que supostamente confirmou a presença do Svoboda na Aliança. Mas a referência a Gollnisch, eurodeputado francês pela Frente Nacional, era questionável. Já em outubro de 2012, tinha postado uma mensagem no seu blog dizendo que o AENM consistia apenas em quatro partidos: Jobbik, PNB, Chama Tricolor e o minúsculo Partido Nacional Democrático búlgaro. Isto não só confirmou que os líderes do Svoboda tinham feito falsas alegações sobre a adesão do seu partido à AENM, mas a mensagem de Gollnisch revelou também a incompetência do PNB, que emitira uma declaração falsa.

A informação fornecidas por Gollnisch e novas investigações sobre a AENM levou a que se compusesse a seguinte lista dos principais oficiais da Aliança: Gollnisch (Presidente), Nick Griffin (Vice Presidente), Béla Kovács (Tesoureiro) e Valerio Cignetti (Secretário Geral). Os membros associados incluem Jean-Marie Le Pen (Frente Nacional francesa), Andrew Brons (independente, ex-PNB), Maurizio Lupi (Povo Italiano pela Liberdade), Christian Verougstraete (Interesse Flamengo), Bartosz Józef Kownacki (Lei e Justiça Polacas), e Dailis Alfonsas Barakauskas (Ordem e Justiça Lituanas).

O estatuto do Svoboda na AENM foi esclarecido nesta primavera: o partido nunca foi um membro de pleno direito da Aliança, gozando apenas do estatuto de observador, uma vez que a AENM é um grupo baseado na UE e na Ucrânia não é um estado-membro da UE.

A imagem de Svoboda foi ainda mais danificada no dia 22 de março, quando Kovács escreveu uma carta oficial a Oleh Tyahnybok, líder do Svoboda. Nela, ele expressa nos termos mais fortes a sua indignação com o fato de os membros da Svoboda terem organizado comícios contra os húngaros étnicos nos Cárpatos ucranianos da Ruthenia, parte da qual já pertenceu à Hungria. Kovács, um eurodeputado húngaro pelo Jobbik, concluiu informando Tyahnybok de que o estatuto de observador da Svoboda no AENM havia sido terminado Esta informação foi-me confirmada num e-mail a partir de Attila Bécsi (Jobbik): "Svoboda já não é membro da AENM devido às suas declarações anti-húngaras".

Um pouco de escândalo picante é que o Jobbik entrou ao mesmo tempo em cooperação com o Movimento Internacional da Eurásia de Dugin. A 16 de Maio, Kovács e o líder do Jobbik, Gábor Vona, visitaram Moscovo e Vona deu uma palestra intitulada "A Rússia e a Europa" no Centro de Dugin de Estudos Conservadores sediado na Universidade Estadual de Moscovo, onde Dugin é agora professor. No seu discurso, Vona chamou à União Europeia "uma organização traiçoeira", que "[nos tirou] os nossos mercados,as nossas fábricas, e encheu as prateleiras das nossas lojas com lixo ocidental". Ao mesmo tempo, a Rússia conseguiu "preservar suas tradições" e, ao contrário da UE ou os EUA, "não venerava dinheiro e cultura de massas". De acordo com Vona, "o papel da Rússia, hoje, é o de compensar a americanização da Europa".

O líder do Jobbik chegou mesmo a declarar que seria melhor para a Hungria juntar-se à União da Eurásia, dominada pela Rússia, se necessário fosse. Dadas as atuais tendências do Jobbik para encarar a Rússia como um potencial centro de poder na Europa, pode muito bem ser o caso de que a discussão entre o Jobbik e o Svoboda tenha sido tanto sobre as declarações anti-Hungria dos ultra-nacionalistas ucranianos quanto sobre os seus pronunciados sentimentos anti-Rússia.

Para o Svoboda, as ligações com a Europa têm sido uma questão importante desde o final da década de 1990, quando ainda era chamado de Partido Social-Nacional da Ucrânia. Em seguida, foi membro do Euronat, uma organização de extrema-direita, fundada pela Frente Nacional francesa. O SNPU, mais tarde Svoboda, parecia manter boas relações com Le Pen e a Frente Nacional francesa em geral, e, presumivelmente, foramos ultranacionalistas franceses que defenderam a concessão do estatuto de observador ao Svoboda no seio da AENM.

No entanto, uma vez que a Aliança foi em grande parte criação do Jobbik (foi fundada em Budapeste durante o 6 º Congresso do Partido do Jobbik, em 2009), os ultranacionalistas franceses tinham poucas possibilidades de anular a decisão de Kovács.

No seu país de origem, Svoboda usou suas ligações na Europa para fins de relações públicas, imagem e propaganda. Foi a Frente Nacional francesa quem consultou os líderes do Svoboda sobre como tornar o partido "mais respeitável" no início da década de 2000, e, naturalmente, relações com os principais ultranacionalistas europeus também impulsionaram a posição do partido entre outras organizações de extrema-direita na Ucrânia. Deste modo, depois de ter sido privado de estatuto de observador na AENM, Svoboda começou a procurar novas ligações na Europa. Seus novos "amigos" acabaram por se revelar ainda mais extremos do que a AENM.

Em 23-24 de Março de 2013, Taras Osaulenko, diretor de relações internacionais do Svoboda, participou na conferência "Visão Europa", organizada pelo Partido dos Suecos em Estocolmo. O Partido dos Suecos é amplamente conhecido como um grupo neo-nazi; foi criado em 2008 por membros da agora dissolvida Frente Nacional Socialista e é liderado por Stefan Jacobsson. O principal orador na conferência parecia ser Udo Pastörs, vice-líder do mais importante partido neo-nazi e mais significativo a surgir desde 1945, o Partido Nacional Democrático da Alemanha (NPD), do qual dois membros estão sendo julgados na Alemanha por seu apoio do grupo terrorista Underground Nacional-Socialista.

Outro orador na conferência foi Roberto Fiore, líder do partido fascista italiano Nova Força. Entre os convidados europeus presentes contavam-se também: Jonathan Le Clercq da Associação da Terra e do Povo (França); Daniel Carlsen, líder do Partido Dinamarquês (Dinamarca) e Gonzalo Martín Garcia, diretor de relações internacionais do Partido da Democracia Nacional (Espanha).

As ligações entre Svoboda e Fiore foram estabelecidas a partir de 2009, quando Tyahnybok visitou Estrasburgo para conhecer eurodeputados de partidos de extrema-direita como o Partido da Liberdade da Áustria, "Attack" União Nacional da Bulgária, Interesse Flamengo, entre outros. Essas ligações continuaram a ser cimentadas em maio e junho deste ano. Em 23 e 24 de maio, Osaulenko e Andriy Illenko visitaram Roma a convite de Fiore. Aí a liderança da Nova Força e representantes do Svoboda discutiram a colaboração entre os dois partidos.

Representantes do Svoboda também visitaram o acampamento de jovens da Nova Força, e Illenko deu uma palestra sobre a história e a ideologia do Svoboda, partilhou os seus pensamentos sobre a forma como ambos os partidos poderiam unir forças na sua "luta contra as forças liberais do multiculturalismo e da destruição das tradições nacionais da civilização europeia ".

De 19 a 21 de junho, representantes da Nova Força, incluindo Fiore, retribuiram a visita. Na Ucrânia, os ultranacionalistas italianos e ucranianos discutiram a criação de um novo grupo de movimentos nacionalistas europeus, a fim de "desenvolver uma nova cooperação dinâmica e estratégica destinada a criar uma nova classe política europeia". Supostamente, o novo grupo poderá vir a ser formado a partir das organizações que participaram da conferência Visão Europa, em Estocolmo.

Entre as duas visitas ucraniano-italianas, a 29 de Maio de 2013, Mykhaylo Holovko, membro do Parlamento ucraniano e do Svoboda, visitou o Parlamento Regional da Saxónia para falar com o NPD. Em particular, Holovko transmitiu os cumprimentos de Tyahnybok e Serhiy Nadal, presidente da câmara da cidade ucraniana de Ternopil do Svoboda. De uma maneira ritual, Svoboda e NPD concordaram em fortalecer as relações bilaterais entre os partidos e os grupos parlamentares.

Está ainda para se ver se as visitas do Svoboda aos seus homólogos europeus fazem parte do processo de criação de um novo movimento ultranacionalista paneuropeu. Nenhum dos partidos representados na conferência Visão Europa é um membro da AENM, enquanto que é improvável que a Nova Força de Fiore é venha a cooperar com o membro da Aliança Chama Tricolor, do qual se separou em 1997. O último projeto fascista "ecumênico" de Fiore, a Frente Nacional Europeia, que reunia representantes da Nova Força, do NPD, do romeno Nova Direita, do grego Aurora Dourada e da Falange espanhola, parece ter falhado.

Assim, os novos amigos europeus do Svoboda podem, de fato, precisar de uma nova organização que uniria os partidos políticos e movimentos que são - dado os perfis de Fiore, Pastörs, Jacobsson e outros - realmente mais extremos do que a AENM.


* Artigo publicado em Search Light. Tradução de Adriana Rosa Delgado para Esquerda.net