sexta-feira, 7 de março de 2014

A SABEDORIA CHINESA DO CUIDADO.


A sabedoria chinesa do cuidado: o Feng Shui.
 
 Leonardo Boff, filósofo, teólogo e escritor.
 
Uma das vantagens da globalização, que não é só econômico-financeira, mas também cultural, é permitir-nos colher valores pouco desenvolvidos em nossa cultura ocidental. No caso, temos a ver com o Feng-Shui chinês. Literalmente significa vento (feng) e água (shui). O vento leva o Chi, a energia universal, e a água o retém. Personalizado significa “o mestre das receitas”: o sábio que, a partir de sua observação  da natureza e da fina sintonia com o Chi,indicava o rumo dos ventos e o veios d’água e, assim, como bem montar a moradia.
         Beatriz Bartoly, em sua brilhante tese em filosofia na UERJ, da qual fui orientador, escreve: “o Feng Shui nos remete para uma forma de zelo  carinhoso” –nós diríamos cuidadoso e terno– “com o banal de nossa existência, que no Ocidente, por longo tempo, tem sido desprestigiado e menosprezado: cuidar das plantas, dos animais, arrumar a casa, cuidar da limpeza, da manutenção dos aposentos, preparar os alimentos, ornamentar o cotidiano com a prosaica e, ao mesmo tempo, majestosa beleza da natureza. Porém mais do que as construções e as obras humanas é a sua conduta e a sua ação que é o alvo maior desta filosofia de vida,  pois mais do que os resultados, o Feng-Shui visa o processo. É o exercício de embelezamento que importa, mais do que o belo cenário que se quer construir.  O valor está na ação e não no seu efeito, na conduta e não na obra.”     
         Como se depreende, a filosofia Feng-Shui visa antes o sujeito que o objeto,  mais a pessoa do que ambiente e a casa em si.  A pessoa precisa envolver-se no  processo, desenvolver a percepção do ambiente, captar os fluxos energéticos e os ritmos da natureza. Deve assumir uma conduta em harmonia com os outros, com o cosmos e com os processos rítmicos da natureza. Quando tiver criado essa ecologia interior, estará capacitado para organizar, com sucesso, sua ecologia exterior.
      Mais que uma ciência e uma arte, o Feng Shui é fundamentalmente uma sabedoria, uma ética ecológico-cósmica de como cuidar da correta distribuição do Chi em nosso ambiente inteiro.
          Nas suas múltiplas facetas o Feng Shui representa uma síntese acabada do cuidado na forma como se organiza o jardim, a casa ou o apartamento, com harmoniosa integração dos elementos presentes. Podemos até dizer que os chineses, como os gregos clássicos, são os incansáveis buscadores do equilíbrio dinâmico em todas as coisas.
         O supremo ideal da tradição chinesa, que encontrou no   budismo e no taoismo sua melhor expressão,  representada por Lao-Tse (do V-VI século A.C.)  e por  Chuang-Tzu (século IV-V A.C.), consiste em procurar a unidade mediante um processo de integração  das diferenças, especialmente das conhecidas polaridades deyin/yang, masculino/feminino, espaço/tempo, celestial/terrenal, entre outras. O Tao representa essa integração, realidade inefável com a  qual a pessoa busca se unir.
         Tao significa caminho e método, mas também aEnergia misteriosa e secreta que produz todos os caminhos e projeta todos os métodos. Ele é inexprimível em palavras,  diante dele vale o nobre silêncio. Subjaz na polaridade do yine do yang  e através deles se manifesta. O ideal humano é chegar a uma união tão profunda  com o Tao que se produza o satori, a iluminação. Para os taoistas o bem supremo não se dá no além morte, como para os cristãos, mas ainda no tempo e na história, mediante uma experiência de não-dualidade e de integração no Tao. Ao morrer a pessoa mergulha no Tao e se uni-fica  com ele.
        Para se alcançar esta união,  faz-se imprescindível a sintonia  com  a energia vital que perpassa o céu e a terra: o Chi.  Chi é intraduzível, mas equivale ao ruah  dos judeus, aopneuma dos gregos,  ao spiritus dos latinos e ao axé  dos yoruba/nagô, ao vácuo quântico dos cosmólogos: expressões  que designam a Energia suprema e cósmica que subjaz e sustenta todos os seres.
         É por força do Chi que todas as coisas se transformam (veja o livro I Ching, o livro das mutações) e se mantém permanentemente em processo. Flui no ser humano através dos meridianos da acupuntura. Circula na Terra  pelas veias telúricas subterrâneas, compostas pelos campos eletromagnéticos distribuídos ao longo dos meridianos daacupuntura, que entrecruzam a superfície terrestre. Quando o Chi se expande significa vida; quando se retrai, significa morte. Quando ganha peso, apresenta-se como matéria; quando se torna sutil, apresenta-se como espírito. A natureza é a combinação sábia dos vários estados do Chi, desde os mais pesados até os mais leves.
         Quando o Chi emerge num determinado lugar, surge uma paisagem aprazível com brisas suaves e águas cristalinas, montanhas sinuosas e vales verdejantes.  É um convite para o ser humano instalar ai  sua morada. Ou encontra um apartamento no qual se sente “em casa”.
         A visão chinesa  do mundo privilegia o espaço, à diferença do Ocidente que privilegia o tempo. O espaço, para o taoismo, é o lugar do encontro, do convívio, das interações de todos com todos, pois todos são portadores da energia Chi que empapa o espaço. A suprema expressão do espaço se realiza na casa, no jardim, ou no apartamento bem cuidado.
         Se o ser humano quiser ser feliz, deve desenvolver atopofilia, o amor ao lugar onde mora e onde constrói sua casa e seu jardim, ou mobilia seu apartamento. O Feng Shui é a arte e a  técnica de bem construir a casa, o jardim e decorar o apartamento com sentido de harmonia e beleza.
         Face ao desmantelamento  do cuidado e à grave crise ecológica atual, a milenar sabedoria  do Feng-Shui nos ajuda a refazer a aliança de simpatia e de amor para com a natureza. Essa conduta  reconstrói a morada humana (que os gregos chamavam de ethos), assentada sobre o cuidado e a suas múltiplas ressonâncias como a ternura, a carícia e a cordialidade.
Leonardo Boff escreveu: Virtudes para um outro mundo possível,3 voll., Vozes 2006.

POLÍTICA - A gestação do povo brasileiro.




A gestação do povo brasileiro, a universidade e o saber popular.
 
Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.

O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. Vindos de 60 países diferentes, aqui estão se mesclando representantes destes povos num processo aberto, todos contribuindo na gestação de um povo novo que um dia acabará de nascer.
O que herdamos da Colônia foi um Estado altamente seletivo, uma elite excludente e uma imensa massa de destituídos e descendentes de escravos. O cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima na sua original interpretação do Brasil nos diz que nascemos como Empresa Transnacionalizada, condenada a ser até hoje fornecedora de produtos in natura para o mercado mundial (cf. “A refundação do Brasil”, 2011).
Mas apesar deste constrangimento histórico-social, no meio desta massa enorme maduraram lentamente lideranças e movimentos que propiciaram o surgimento de todo tipo de comunidades, associações, grupos de ação e de reflexão que vão das quebradeiras de côco do Maranhão, aos povos da floresta do Acre, dos sem-terra do sul e do nordeste, das comunidades eclesiais de base, aos sindicatos do ABC paulista.
Do exercício democrático no interior destes movimentos nasceram cidadãos ativos; da articulação entre eles, cada um mantendo sua autonomia, está nascendo uma energia geradora do povo brasileiro que lentamente chega à consciência de sua história e projeta um futuro diferente e melhor para todos.
Nenhum processo desta magnitude se faz sem aliados, sem a ligação orgânica daqueles que manejam um saber especializado com os movimentos sociais comprometidos. É aqui que a universidade é desafiada a alargar o seu horizonte. Importa que os mestres e alunos frequentem a escola viva do povo, como praticava Paulo Freire; importa permitir que gente do povo possa entrar nas salas de aula e escutar os professores nas matérias relevantes para eles, como eu mesmo fazia nos meus cursos na UERJ do Rio de Janeiro.
Essa visão supõe a criação de uma aliança entre a inteligência acadêmica e a miséria popular. Todas as universidades, especialmente após a reforma de seu estatuto por Humboldt em 1809 em Berlim, (reforma que permitiu às ciências modernas ganharem sua cidadania acadêmica, ao lado da reflexão humanística; fato, esse, que criou outrora a universidade), se tornaram o lugar clássico da problematização da cultura, da vida, do homem, de seu destino e de Deus. As duas culturas – a humanística e a científica – mais e mais se intercomunicam no sentido de pensar o todo, o destino do próprio projeto científico-técnico face às intervenções que o ser humano faz na natureza e face à sua responsabilidade pelo futuro comum da nação e da Terra. Tal desafio exige um novo modo de pensar que não segue uma lógica do simples e linear, mas a lógica do complexo e do dialógico.
As universidades são urgidas a buscar um enraizamento orgânico nas periferias, nas bases populares e nos setores ligados diretamente à produção. Aqui pode se estabelecer uma fecunda troca de saberes, entre o saber popular, feito de experiências, e o saber acadêmico, constituído pelo espírito crítico; dessa aliança surgirão seguramente novas temáticas teóricas nascidas do confronto com a anti-realidade popular e da valorização da riqueza incomensurável do povo na sua capacidade de encontrar, sozinho, saídas para os seus problemas. Aqui se dá a troca de saberes, uns completando os outros, no estilo proposto pelo prêmio Nobel de Química (1977) Ilya Prigogine (cf. “A nova aliança”, UNB 1984).
Deste casamento, se acelera a gênese de um povo; permite um novo tipo de cidadania, baseada na con-cidadania dos representantes da sociedade civil e acadêmica e das bases populares, as quais tomam iniciativas por si mesmas e submetem o Estado a um controle democrático, cobrando-lhe os serviços básicos, especialmente para as grande populações periféricas.
Nestas iniciativas populares, com suas várias frentes (casa, saúde, educação, direitos humanos, transporte coletivo etc), os movimentos sociais sentem necessidade de um saber profissional. É onde a universidade pode e deve entrar, socializando o saber, oferecendo encaminhamentos para soluções originais e abrindo perspectivas às vezes insuspeitadas por quem é condenado a lutar só para sobreviver.
Deste ir-e-vir fecundo entre pensamento universitário e saber popular pode surgir o biorregionalismo com um desenvolvimento adequado ao ecossistema e à cultura locais. A partir desta prática, a universidade pública resgatará seu caráter público, será realmente a servidora da sociedade. E a universidade privada realizará sua função social, já que em grande parte é refém dos interesses privados das classes proprietárias e feita chocadeira de sua reprodução social.
Esse processo dinâmico e contraditório só prosperará se estiver imbuído de um grande sonho: de ser um povo novo, autônomo livre e orgulhoso de sua terra. O antropólogo Roberto da Matta bem enfatizou que o povo brasileiro criou um patrimônio realmente invejável: “toda essa nossa capacidade de sintetizar, relacionar, reconciliar, criando com isso zonas e valores ligados à alegria, ao futuro e à esperança” (“Porque o brasil é Brasil”, 1986, p.121).
Apesar de todas as tribulações históricas, apesar de ter sido considerado, tantas vezes, jeca-tatu e joão-ninguém, o povo brasileiro nunca perdeu sua auto- estima e o encantamento do mundo. É um povo de grandes sonhos, de esperanças inarredáveis e utopias generosas, um povo que se sente tão imbuído pelas energias divinas que estima ser Deus brasileiro.
Talvez seja esta visão encantada do mundo, uma das maiores contribuições que nós brasileiros podemos dar à cultura mundial emergente, tão pouco mágica e tão pouco sensível ao jogo, ao humor e à convivência dos contrários.
Enviado por Vitor Buaiz

ECONOMIA - Brasil e seus bilionários.

Brasil tem 19 bilionários a mais que em 2013 em nova lista da ‘Forbes’

O Brasil tem atualmente 19 bilionários a mais entre as pessoas mais ricas do mundo em relação ao que tinha no ano passado, de acordo com o ranking anual da revista americana Forbes, divulgado nesta segunda-feira.

Agora, o país tem 65 representantes, em comparação com 46 na listagem de 2013.
Dono da companhia de bebidas Ambev, o empresário Jorge Paulo Lemann continua a ser o primeiro entre os brasileiros, com uma fortuna estimada em US$ 19,7 bilhões (o equivalente a R$ 47,28 bilhões).
Neste ano, ele caiu uma posição, para 34º na lista mundial. Em 2013, estava em 33º, US$ 17,8 (R$ 42,72 bilhões).
O banqueiro Joseph Safra, continua sendo segundo brasileiro melhor colocado, na 55ª posição geral, com US$ 16 bilhões (R$ 38,4 bilhões), seguido pelo empresário e sócio de Lemann, Marcel Herrmann Telles, que é o 119º mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 10,2 bilhões (R$ 24,48 bilhões).
O empresário Eike Batista, brasileiro mais bem colocado na lista entre 2009 e 2012, já havia caído para a 100ª posição geral em 2013, e não consta da nova relação da Forbes.

‘Novo’ líder

A lista tem um “novo” líder neste ano, o empresário Bill Gates, cofundador da Microsoft. Com sua fortuna estimada em US$ 76 bilhões (R$ 182,4 bilhões), ele retomou a posição depois de quatro anos.
Gates desbancou o empresário mexicano Carlos Slim, de 74 anos, presidente das companhias de telecomunicações Telmex e America Móvil e líder da lista da Forbes entre 2010 e 2013.
Neste ano, Slim ficou com a segunda posição, com uma fortuna de US$ 72 bilhões (R$ 172,8 bilhões).
Em terceiro, vem o empresário Amancio Ortega, dono da rede de varejo de moda Zara. Sua fortuna é estimada em US$ 64 bilhões (R$ 153,6 bilhões).
O investidor Warren Buffet e o dono da empresa de tecnologia Oracle, Larry Ellison completam o top 5 na quarta e quinta posição respectivamente.
O ranking da Forbes deste ano traz 1.645 bilionários, com 268 novos nomes entre eles. Ambos os números são recordes nos 27 anos de história da lista.
O maior ganho de capital registrado neste ano foi do dono da rede social Facebook, Mark Zuckerberg, o mais jovem da lista.
Sua fortuna quase dobrou e passou de US$ 15,2 bilhões (R$ 36,48 bilhões) para US$ 28,5 bilhões (R$ 68,4 bilhões) com a valorização das ações de sua empresa. Ele passou da 66ª para a 21ª posição geral.


Fonte: BBC Brasil

INTERNET - Manipulação da Internet

Como os governos ocidentais manipulam a internet

Por Glenn Greenwald

Uma das histórias urgentes que falta contar, a partir dos arquivos de Edward Snowden, é como as agências de inteligência ocidentais estão agindo para manipular e controlar as narrativas online, com táticas extremas de construção de versões e destruição de reputações. É hora de contar um pouco desta história, e de apresentar os documentos que demonstram sua existência.

Nas últimas semanas, trabalhei com a NBC News para publicar uma série de artigo sobre as “táticas sujas”empregadas pelo JTRIG (Grupo de Inteligência Conjunto para Pesquisa de Ameaças), uma unidade até há pouco secreta dos serviços de inteligência britânicos (Quartel-General de Comunicações do Governo, ou GCHQ, em inglês).
Os textos baseiam-se em quatro documentos apresentados à Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA) e aos três outros serviços parceiros [da Austrália, Canadá e Nova Zelândia], que integram a aliança “Five Eyes”. Agora, estamos publicando na íntegra, na Intercept, um novo documento do JTRIG document, intitulado “A arte da Manipulação: Capacitar-se para Operações Online Encobertas.”
Ao publicar estas histórias, uma por uma, nossa reportagem para a NBC destacou algumas das revelações-chave: o monitoramento do YouTube e Blogger; o ataque ao grupo Anonymous, com o mesmo tipo de ataques DDoS que os “hacktivistas” são acusados de praticar; o uso de “ciladas de mel” (honey traps), que implicam atrair pessoas para situações comprometedoras, usando sexo; o emprego de vírus destrutivos. Mas agora, quero focar e elaborar sobre o ponto mais importante revelado por todos estes documentos. Estas agências estão agindo para controlar, infiltrar, manipular e distorcer as narrativas online. Ao fazê-lo, estão atentando contra a própria integridade da internet.
Ente aquilo que chama de seus objetivos centrais, o JTRIG identifica duas táticas: (1) introduzir todo tipo de material falso na internet, para destruir a reputação de seus alvos; e (2) usar as ciências sociais e outras técnicas para manipular as narrativas e o ativismo online, gerando os efeitos políticos que a agência considera desejáveis. Para compreender como estes programas são extremos, basta considerar as táticas que eles vangloriam-se de empregar: “operações de bandeira falsa” (false flag operations –postar material na internet e atribuí-lo falsamente a terceiros); postagens em blog para vitimização falsa (fake victim blog posts – fingir-se de vítima de um indivíduo cuja reputação se quer destruir), e várias formas de postagem de “informação negativa”. Eis uma lista ilustrativa das táticas elencadas no último documento do GCHQ, que publicamos.
Tradução Antonio Martins e Vila Vudu

Fonte: The Intercept, Brasil 247

LOBÃO "AFINOU PARA O MANO BROWN".


Lobão perde a cabeça ao ouvir que ‘afinou para Mano Brown’


Lobão não gostou nem um pouco de um novo quadro do CQC, que volta ao ar no próximo dia 17. Abordado de surpresa por Ronald Rios e um grupo de 30 “torcedores”, Lobão não gostou do que ouviu da “torcida”, xingou o repórter, tentou tomar-lhe o microfone e está ameaçando processar a Band caso a emissora exiba o material.
A cena aconteceu na saída da Band, em São Paulo, na semana passada, após gravação do Agora É Tarde exibido ontem à noite.
No novo quadro, chamado de Torcida VIP, um grupo de “torcedores” canta um hino de torcida de futebol adaptado para a celebridade. No caso de Lobão, os “torcedores” cantaram “Pó, pó, pó, pó, pó, pó, pó, pó / Simpatizava com Lula-la / Agora caga pra geral / Tem a língua afiadaaa/ Mas afinou pro Mano Brown”.
O cantor não se incomodou com o “pó” nem com a referência implícita à guinada ideológica, mas com o “afinou pro Mano Brown”. “Mano Brown é o caralho”, respondeu, tentando tomar o microfone de Ronald Rios.
Em maio do ano passado, o rapper Mano Brown desafiou Lobão pelo Twitter a “um encontro” para resolver “como homem” uma polêmica.
Brown, além de chamar Lobão para a briga, disse que o músico agia como “uma puta para vender livro”.
A Band tende a exibir o material no retorno do CQC em 2014.
Saiba Mais: uol

MEIO AMBIENTE - O vilarejo está incomodando.


Vilarejo alemão resiste aos planos de demolição para tirá-lo do caminho do carvão mineral.


Vilarejo alemão resiste aos planos de demolição para tirá-lo do caminho do carvão mineral - 1 (© Gordon Welters/The New York Times)
Escavadora gigante transfere material para uma esteira em uma mina aberta de carvão mineral, que fornece combustível a uma usina elétrica na mesma área, nos arredores de Jaenschwalde, Alemanha. O repentino apetite alemão pelo carvão mineral é o lado sujo das ambições da chanceler Angela Merkel de desligar as usinas nucleares do país até 2022 e, eventualmente, levar os alemães a consumir energias limpas. (Gordon Welters/The New York Time

quinta-feira, 6 de março de 2014

EUA - Como os EUA financiaram mais de 150 jornalistas contra Cháves.

Como os EUA financiaram mais de 150 jornalistas contra Chávez

Escrito por: Eva Golinger 

Fonte: Diário Liberdade 

O financiamento tem sido canalizado diretamente do Departamento de Estado através de três entidades públicas estadunidenses: a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, por suas siglas em inglês), Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid).
Em uma tosca tentativa de esconder suas ações, o Departamento de Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas recebendo esses fundos multimilionários. No entanto, um documento datado de julho de 2008 deixou sem censura os nomes das principais organizações venezuelanas recebendo os fundos: Espaço Público e Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS).
Espaço Público e IPYS são as entidades que figuram como as encarregadas de coordenar a distribuição dos fundos e os projetos do Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e jornalistas venezuelanos.
Os documentos evidenciam que a PADF, o FUPAD, em espanhol, implementou programas na Venezuela dedicados à “promoção da liberdade dos meios e das instituições democráticas”, além de cursos de formação para jornalistas e o desenvolvimento de novos meios na Internet devido ao que considera as “constantes ameaças contra a liberdade de expressão” e “o clima de intimidação e censura contra os jornalistas e meios”.
Financiamento a páginas web anti-Chávez
Um dos programas da Fupad, pelo qual recebeu US$ 699.996 do Departamento de Estado, em 2007, foi dedicado ao “desenvolvimento dos meios independentes na Venezuela” e para o jornalismo “via tecnologias inovadoras”. Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25 páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro. Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em âmbito nacional, que também incluiu a outorga de “prêmios” de 25 mil dólares a vários jornalistas.
Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a realidade sobre o que acontece no país.
Outros programas manejados pelo Departamento de Estado selecionaram jovens venezuelanos para receber treinamento e capacitação no uso dessas tecnologias e para criar o que chamam uma “rede de ciberdissidentes” na Venezuela.
Por exemplo, em abril deste ano, o Instituto George W. Bush, juntamente com a organização estadunidense Freedom House, convocou um encontro de “ativistas pela liberdade e pelos direitos humanos” e “especialistas em Internet” para analisar o “movimento global de ciberdissidentes”. Ao encontro, que foi realizado em Dallas, Texas, foi convidado Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da Venezuela.
No ano passado, durante os dias 15 e 16 de outubro, a Cidade do México foi a sede da 2ª Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis (“AYM”, por suas siglas em inglês). Patrocinado pelo Departamento de Estado, o evento contou com a participação da Secretária De Estado Hillary Clinton e vários “delegados” convidados pela diplomacia estadunidense, incluindo aos venezuelanos Yon Goicochea (da organização venezuelana Primero Justicia); o dirigente da organização Venezuela de Primera, Rafael Delgado; e a ex-dirigente estudantil Geraldine Álvarez, agora membro da Fundação Futuro Presente, organização criada por Yon Goicochea com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.
Junto a representantes das agências de Washington, como Freedom House, o Instituto Republicano Internacional, o Banco Mundial e o Departamento de Estado, os jovens convidados receberam cursos de “capacitação e formação” dos funcionários estadunidenses e dos criadores de tecnologias como Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e Youtube.
Financiamento a universidades
Os documentos desclassificados também revelam um financiamento de US$ 716.346 via organização estadunidense Freedom House, em 2008, para um projeto de 18 meses dedicado a “fortalecer os meios independentes na Venezuela”. Esse financiamento através da Freedom House também resultou na criação de “um centro de recursos para jornalistas” em uma universidade venezuelana não especificada no relatório. Segundo o documento oficial, “O centro desenvolverá uma rádio comunitária, uma página web e cursos de formação”, todos financiados pelas agências de Washington.
Outros US$ 706.998 canalizados pela Fupad foram destinados para “promover a liberdade de expressão na Venezuela”, através de um projeto de dois anos orientado ao jornalismo investigativo e “às novas tecnologias”, como Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre outras. “Especificamente, a Fupad e seu sócio local capacitarão e apoiarão [a jornalistas, meios e ONGs] no uso das novas tecnologias midiáticas em várias regiões da Venezuela”.
“A Fupad conduzirá cursos de formação sobre os conceitos do jornalismo investigativo e os métodos para fortalecer a qualidade da informação independente disponível na Venezuela. Esses cursos serão desenvolvidos e incorporados no currículo universitário”.
Outro documento evidencia que três universidades venezuelanas, a Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a Universidade Santa Maria, incorporaram cursos sobre jornalismo de pós-graduação e em nível universitário em seus planos de estudos, financiados pela Fupad e pelo Departamento de Estado. Essas três universidades têm sido os focos principais dos movimentos estudantis antichavistas durante os últimos três anos.
Sendo o principal canal dos fundos do Departamento de Estado aos meios privados e jornais na Venezuela, a Fupad também recebeu US$ 545.804 para um programa intitulado “Venezuela: As vozes do futuro”. Esse projeto, que durou um ano, foi dedicado a “desenvolver uma nova geração de jornalistas independentes através do uso das novas tecnologias”. Também a Fupad financiou vários blogs, jornais, rádios e televisões em regiões por todo o país para assegurar a publicação dos artigos e transmissões dos “participantes” do programa.
A Usaid e a Fupad
Mais fundos foram distribuídos através do escritório da Usaid em Caracas, que maneja um orçamento anual entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões. Esses milhões fazem parte dos 40 a US$ 50 milhões que anualmente as agências estadunidenses, europeias e canadenses estão dando aos setores antichavistas na Venezuela.
A Fundação Panamericana para o Desenvolvimento está ativa na Venezuela desde 2005, sendo uma das principais contratistas da Usaid no país sulamericano. A Fupad é uma entidade criada pelo Departamento de Estado em 1962, e é “filiada” à organização de Estados Americanos (OEA). A Fupad implementou programas financiados pela Usaid, pelo Departamento de Estado e outros financiadores internacionais para “promover a democracia” e “fortalecer a sociedade civil” na América Latina e Caribe.
Atualmente, a Fupad maneja programas através da Usaid com fundos acima de US$ 100 milhões na Colômbia, como parte do Plano Colômbia, financiando “iniciativas” na zona indígena em El Alto; e leva dez anos trabalhando em Cuba, de forma “clandestina”, para fomentar uma “sociedade civil independente” para “acelerar uma transição à democracia”.
Na Venezuela, a Fupad tem trabalhado para “fortalecer os grupos locais da sociedade civil”. Segundo um dos documentos desclassificados, a Fupad “tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs venezuelanas”.
Os “sócios” venezuelanos
Espaço Público é uma associação civil venezuelana dirigida pelo jornalista venezuelano Carlos Correa. Apesar de sua página web (www.espaciopublic.org) destacar que a organização é “independente e autônoma de organizações internacionais ou de governos”, os documentos do Departamento de Estado evidenciam que recebe um financiamento multimilionário do governo dos Estados Unidos. E tal como esses documentos revelam, as agências estadunidenses, como a Fupad, não somente financiam grupos como o Espaço Público, mas os consideram como seus “sócios” e desde Washington lhes enviam materiais, linhas de ação e diretrizes que são aplicadas na Venezuela, e exercem um controle sobre suas operações para assegurar que cumprem com a agenda dos Estados Unidos.
O Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) é nada mais do que um porta-voz de Washington, criado e financiado pelo National Endowment for Democracy (NED) e por outras entidades conectadas com o Departamento de Estado. Seu diretor na Venezuela é o jornalista Ewald Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. IPYS é membro da agrupação Intercâmbio Internacional de Livre Expressão (IFEX), financiado pelo Departamento de Estado e é parte da Rede de Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa financiada pela NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comitê para a Assistência para uma Cuba Livre.

POLÍTICA - Como o Estadão se afastou dos militares.

50 anos de Golpe: como o Estadão se afastou dos militares


Castelo Branco (dir) não ouviu o dono do Estadão
Castelo Branco (dir) não ouviu o dono do Estadão
Que as relações entre os donos das empresas de jornalismo e os generais da ditadura eram próximas e promíscuas, é um fato de conhecimento geral.
O que é menos conhecido são as circunstâncias em que se deram algumas rupturas.
O afastamento entre os Mesquitas e a ditadura é, sob certos aspectos, cômico. Ele está narrado no livro de memórias de um civil que ocupou cargos importantes na ditadura, Armando Falcão.
O livro ganha nova atualidade agora que se completa meio século do golpe militar que tanto contribuiu para transformar o Brasil num campeão mundial de iniquidade social.
O nome do livro é Tudo a Declarar, uma alusão a uma frase clássica de Falcão em seus dias de poder. Sempre que jornalistas lhe faziam alguma pergunta menos banal, ele dizia: “Nada a declarar”.
No caso do Estadão, a origem da ruptura estava numa coisa que os barões da mídia adoram fazer em governos amigos: indicar nomes de amigos para os ministérios.
(Sabe-se que Roberto Marinho participava diretamente da nomeação dos ministros das Comunicações, o que garantia vida mansa e próspera para a Globo em sucessivos governos.)
O dono do Estadão, Júlio de Mesquita Filho, conta Falcão, tinha sido convidado por Castelo Branco – o primeiro presidente da ditadura – para uma conversa no Rio sobre a montagem do seu ministério.
Antes do encontro com Castelo, Mesquita se avistou com Carlos Lacerda, governador da Guanabara.
Lacerda, o Corvo, foi um homem que conspirou contra vários presidentes na esperança de se tornar ele próprio presidente, o que – num caso de sublime justiça poética – jamais ocorreria.
Mesquita disse a Lacerda a natureza de seu encontro com Castelo Branco. Não quis dizer os nomes que ia indicar, mas Lacerda tanto o espremeu que ele revelou.
Lacerda matou os dois na conversa.
Uma das indicações era o deputado Raul Pila para o ministério da Educação.
Lacerda atalhou: “Doutor Júlio, pelo amor de Deus! O deputado Raul Pila é um grande homem, um apóstolo na luta pelo parlamentarismo. É admirado pelo espírito público, pela coerência, pelo idealismo. Mas, agora, é um homem inadequado para a função. É surdo, quase totalmente surdo. Só escuta com o aparelho. E está caminhando, suponho, para os 80 anos. Como é que o senhor quer colocar um homem assim na Educação?”
Mesquita, como se vê, não era exatamente um bom montador de times. Isso custaria caro para seu jornal.
Mesquita não se deteve com as palavras ferinas de Lacerda: levou seus dois nomes para Castelo Branco. Classificava-os como “irrecusáveis”.
Mas Castelo Branco recusou ambos, e ali começou o afastamento que levaria o Estadão, anos depois, a publicar receitas em textos censurados.
Não demoraria muito e Lacerda também romperia com Castelo Branco. A real motivação é que Lacerda queria apoio de Castelo para ser presidente.
Estavam marcadas eleições presidenciais para 1965 e, como Serra depois de FHC, Lacerda tinha certeza de que chegara sua vez.
Mas o mandato de Castelo foi prorrogado,  e eleições presidenciais só haveria dali a 24 anos, em 1989.
A ruptura definitiva entre Lacerda e Castelo veio quando Lacerda definiu Castelo como um homem “mais feio por dentro do que por fora”.
Dada a avassaladora feiúra física de Castelo Branco, um homem atarracado e sem pescoço, era de imaginar o que Lacerda pensava das virtudes morais de Castelo.
Quanto ao Doutor Júlio, voltou a São Paulo humilhado e ofendido, em sua arrogância aristocrática – e logo continuaria a se dedicar à obra magna de sua vida: tornar o Estadão um jornal completamente desconectado do chamado Zeitgeist, o espírito do tempo.
Ficaria fácil para a Folha ultrapassá-lo, na década de 1980.  O  Brasil se transformara. O regime militar se esfacelava. Mas o Estadão achava que seu papel na redecratização era publicar receitas ridículas.
Como jornal relevante, o Estadão morreria ali. Desde então, é um morto vivo, agora bem mais morto que vivo por conta da internet.

VENEZUELA - "Nós avisamos".

Os críticos do socialismo olham para a Venezuela e dizem: ‘nós avisamos’. Mas eles estão errados

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Publicado originalmente no Independent. 
POR OWEN JONES

Aqui está a narrativa da direita: o povo venezuelano saiu às ruas contra um regime que abusa dos direitos humanos. A resposta tem sido a repressão assassina, sendo cada morte uma prova contundente de uma autocracia monstruosa. As políticas econômicas do governo não serviram para nada além de ruína para a população, o que demonstra mais uma vez que o “socialismo” é um fracasso abjeto. Aqueles que desafiam esta narrativa, como eu, não são nada além de ingênuos, idiotas úteis, os equivalentes modernos dos fabianos que foram para a União Soviética de Stalin louvá-la como uma nova civilização.
Vamos dar algum contexto. Antes de Hugo Chávez ser eleito presidente em 1998, a Venezuela foi governada por várias administrações neoliberais. Em 1975, 15% dos venezuelanos viviam na pobreza. Duas décadas mais tarde, o número subiu para 45%. Quando venezuelanos protestaram contra o então presidente Pérez – que abandonou o neoliberalismo em 1989 -, todo o poder do estado foi jogada sobre eles no chamado “Caracazo”, um massacre da Praça de Tiananmen em que centenas de manifestantes foram abatidos.
Repelido pela elite política tradicional, os venezuelanos deram a Chávez uma vitória esmagadora em 1998. Na época, ele defendia a abordagem da Terceira Via defendida por Tony Blair, mas sua principal estratégia era usar a riqueza do petróleo para financiar programas sociais. As taxas de pobreza despencaram de 50% para cerca de 25%; a extrema pobreza foi reduzida em dois terços. Segundo a ONU, o que representa a segunda maior queda percentual de pobreza na América Latina.
O bastião tradicional do dogma neoliberal, o Banco Mundial, revela que, enquanto a renda per capita da Venezuela definhava abaixo da média do continente antes de Chávez chegar ao poder, ela é agora de US$13 120, mais alta do que Brasil ou Argentina, contra uma média de US$ 8 981. Apesar dos problemas econômicos recentes, a ONU revelou que a Venezuela teve a maior queda no número de pessoas em situação de pobreza na região em 2012.
Isso quer dizer que a Venezuela é uma espécie de paraíso? Não. A inflação está em mais de 50%. Sob o antecessor neoliberal de Chávez, Rafael Caldear, na década de 1990, ela superou os 100%. E, no entanto isso não foi apresentado como um fracasso do capitalismo de livre mercado.
A situação da lei e da ordem é simplesmente inaceitável, agravada por vários fatores: vizinhos em guerra civil na Colômbia; uma sociedade que está repleta de armas; e uma força policial ineficaz e corrupta. O apoio do governo a tiranias como a da Síria e a da Líbia não deve ser esquecido, mas dado o apoio ocidental a ditaduras infames como a da Arábia Saudita – e emprego lucrativo de Tony Blair na ditadura do Cazaquistão -, não vamos exagerar na dose de hipocrisia.
Mas dê uma olhada no comportamento da oposição. Em 2002, Chávez foi derrubado por um golpe apoiado pelo Ocidente, vigorosamente incitado por uma mídia privada que faz Fox News parecer liberal. E no entanto um levante popular devolveu o governo eleito ao poder. Imagine se o nosso governo eleito fosse derrubado por uma junta, matando muitas pessoas inocentes no processo, e a coisa toda fosse aplaudida por ITN e Sky News. Qual seria o resultado?
Quanto às credenciais democráticas do governo, quando Chávez foi eleito, em 1998, recebeu 3,7 milhões de votos contra 2,6 milhões da oposição. Em 2013, seu sucessor, Nicolás Maduro, recebeu 7,6 milhões de votos, contra 7,4 milhões da oposição. Os observadores internacionais têm repetidamente declarado que as eleições são livres. Em 2012, o ex- presidente dos EUA Jimmy Carter elogiou o processo eleitoral da Venezuela, dizendo ser “o melhor do mundo”. Quando Chávez perdeu um referendo constitucional em 2007, ele aceitou.
A Venezuela é um dos países mais polarizados do mundo. Negociações devem acontecer, os mortos precisam de justiça, o governo deve garantir as liberdades e a desordem violenta precisa acabar. Mas uma coisa é clara. Aqueles que usam os problemas da Venezuela para ganhar pontos políticos não têm nenhum interesse na verdade.

AS LINHAS QUE DIVIDEM A AMÉRICA LATINA.

As linhas que dividem a América Latina

Por Camila Moraes

Pode soar como uma questão complexa — assunto de Estado, objeto de estudos, raspa de estatísticas cruéis — mas, no fundo, o cenário atual de circulação literária na América Latina caberia perfeitamente na mente de uma criança. Explica-se num desenho simples, cuja base são os contornos de um mapa político dos países do Ocidente, nosso velho conhecido desde os tempos de escola.

Lá do canto superior direito, saindo da Espanha, parte em direção ao sul das Américas um grupo de imponentes caravelas com pilhas de livros e mais livros, conduzido por um par de homens brancos. Na direção contrária, uma canoa magra, cheia de índios e a remo faz o mesmo caminho com dois ou três volumes, dando as costas para a terra que ficou para trás.
Duas imponentes flechas, a mais grossa vindo dos Estados Unidos e outra grande vinda da Inglaterra, se encontram no centro do território latino-americano, tocando a linha imaginária porém bem visível do antigo Tratado de Tordesilhas. Para reforçar essa divisão ainda tão vigente, o Brasil está pintado de uma cor, que corresponde ao português; e México, Argentina e tudo o que há no meio deles, de outra, para ressaltar o castelhano. Especialmente sobre os países latinos, chama a atenção um punhado de cifrões e também certas bolinhas bem marcadas, que uma legenda revela ser “o mercado natural espanhol”, no primeiro caso, e “grandes literaturas”, no segundo. Na porção europeia do mapa nota-se que não há demarcações, enquanto na América Latina as fronteiras que nos separam são bem grossas.
Bastaria um passeio do olhar pelo infográfico, e as conclusões são bastante óbvias. Mas podemos resumi-las assim: não é questão de talento, e sim de interesses mercantis, que a literatura latino-americana não circule como deveria, assim como é o mercado a ditar, na América Latina, que o que temos à disposição dos leitores é uma avalanche de títulos em inglês.
Agora, de volta ao mundo em três dimensões. Falamos o tempo todo dos baixos índices de leitura que nos caracterizam: 5,4 livros lidos por ano no Chile; 4 no Brasil; 2,9 no México; e 2,2 na Colômbia, segundo dados de 2012 do Cerlalc (Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe), com sede em Bogotá e ligado à Unesco. Sim, mais da metade dos latino-americanos (59%) não tem o hábito de ler, mas, nessas terras, quem se arrisca a cruzar as portas de uma livraria se depara com uma variedade insultante de livros traduzidos do inglês, de best-sellers a ensaios críticos, de autores conhecidos a novos e questionáveis talentos que provavelmente só nas prateleiras mais subdesenvolvidas encontram um lugar. O mesmo que poderia estar sendo ocupado por clássicos latino-americanos esquecidos ou até agora desconhecidos e por escritores não só contemporâneos como conterrâneos, com os quais muito mais temos a compartilhar.
Mil palavras
Parece ser uma questão editorial, mas no fundo é geopolítica. Uma panorâmica pela Feira Internacional do Livro (FIL) de Guadalajara, o maior palco mundial das letras hispânicas, mostra que o mundo muda rapidamente nos dias de hoje, porém símbolos são fortes e resistem muito mais. Ao entrar no pavilhão dedicado às editoras, de cara se estabelece um jogo de forças: na dianteira se instalam os três imponentes grupos editoriais espanhóis, que são Planeta, Santillana e Random House Mondadori (este último alemão, porém radicado na Espanha). Logo atrás ou um pouco mais na periferia, as maiores empresas e instituições mexicanas (o que é de se esperar num evento no México), como o Fundo de Cultura Econômica, Conaculta etc. E no meio surgem pequenas pérolas escondidas: editoras independentes de toda a região, com seus menus únicos de autores, belas publicações e a inconfundível dignidade dos subjugados.
Essa rota da independência é a esperança de um dia poder contar com uma maior oferta de livros latino-americanos na América Latina, por mais paradoxal que isso possa soar. Aqui no Brasil, tido especialmente no meio editorial como um país que pode ser qualquer coisa, menos latino-americano, é preciso acreditar ainda mais. Outra vez, agora quem sabe de verdade, essa independência tem que ser declarada. E talvez seja preciso gritar com mais força do que antes, afinal o mundo é cada vez maior, as ofertas sempre mais amplas, e o interesse tende a ser difuso.
Já se repetiu à exaustação que uma imagem vale mais que mil palavras, e não é à toa. Pode ser que não sejamos grandes leitores de livros, mas diferenciar uma caravela de uma canoa é das primeiras coisas que aprendemos na escola. Além de ser uma imagem que nos impede continuamente de esquecer.
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Camila Moraes é jornalista, tradutora e escritora.

Fonte: Observatório da Imprensa

MÍDIA - O jornal como conversa ou como discurso?


O jornal como conversa ou como discurso?

Por Carlos Castilho

Depois do surgimento do fenômeno das redes sociais, a produção de informações tornou-se um processo cada vez mais parecido com uma conversa entre indivíduos que fazem e recebem notícias. Trata-se de uma mudança importante e inédita na comunicação de massa, porque o público passa a ser protagonista das notícias – não como entrevistado, vítima ou herói, mas como colaborador.

A transformação do jornalismo em grande conversa entre profissionais e o público só não é mais rápida porque tanto um lado como o outro ainda não se deram conta das reais dimensões da mudança. Os jornalistas resistem à perda do controle do fluxo das informações porque foram treinados para dizer para as pessoas o que eles acham importante elas saberem ou não saberem. Como o público também foi educado no sistema um para muitos, ele não sabe que pode participar da produção de informações.
Até agora, o jornalista fazia um discurso descrevendo fatos, eventos, objetos e processos que eram transmitidos em sistema de mão única na forma de notícias para milhares de leitores, ouvintes e telespectadores. Por isso, ainda desconhecem a maior parte das vantagens da coprodução de informações junto com o público.
A institucionalização da conversa ou sistema de mão dupla na relação entre jornalistas e público é inevitável porque os profissionais não conseguem mais dar conta do cada vez mais intenso fluxo de informações circulando na internet.
Os jornais, por exemplo, tem cada vez mais dificuldade para funcionar como filtros de notícias porque não conseguem captar contextos sociais, econômicos, políticos, culturais e psicológicos cada vez mais complexos. Por mais competente que seja o editor, é muito complicado escrever sobre a crise na Ucrânia porque são muitas as variáveis em jogo e quase todas elas desconhecidas por nós, brasileiros.
Assim, em vez de assumir a quase impossível tarefa de entender para explicar a crise venezuelana, por exemplo, o mais eficiente seria compartilhar esta responsabilidade com cidadãos venezuelanos, onde o jornalista brasileiro seria uma espécie de mediador e identificador de fatos, eventos ou dados que possam ajudar o público brasileiro a entender o que está acontecendo no país vizinho.
Não é uma tarefa fácil porque dificilmente um único órgão da imprensa conseguirá sozinho explicar crises complexas – pois ele tenderá, naturalmente, a privilegiar abordagens com as quais simpatiza. Para que a diversidade da situação possa ser compreendida pelo público é inevitável que a conversa envolva a participação de mais de um veículo de comunicação jornalística.
Princípios como a diversidade de perspectivas, a mediação isenta e a objetividade já integram os manuais de Redação, sendo praticados com maior ou menor intensidade em todas elas. A diferença é que os jornalistas e os veículos assumiam que podiam fazer a síntese de tudo para oferecer um produto único, de forma unidirecional para muitas pessoas.
Hoje, a situação se tornou muito mais complexa: além de os veículos, individualmente, não poderem mais ter pretensões a esta síntese, eles precisam do público e até mesmo dos concorrentes para produzir informação dentro das exigências contidas em seus manuais de Redação. Na verdade, estamos falando de várias conversas. Entre uma Redação e seu público, entre os veículos porque o que um descobre pode ser fundamental para a investigação que outro desenvolve, e entre o próprio público, por meio das redes sociais, blogs, chats e micromensagens.
Quanto mais rápida for a substituição do jornalismo/discurso pelo jornalismo/conversa, maior o benefício para todos, profissionais e público, porque a colaboração ocupará espaços tomados hoje pela concorrência entre redações, empresas e as audiências. A competição feroz está diretamente associada ao formato do discurso porque visa oferecer um produto apresentado como único e melhor do que todos os demais do gênero. Só que este produto não é sabão, e sim notícias, cuja importância depende do contexto, algo imaterial e que não pode ser representado em sua plenitude por uma fotografia, desenho, filme ou gráfico.
Até agora, jornalistas e órgãos da imprensa podiam individualmente tentar reconstruir minimamente os contextos de acontecimentos relevantes e complexos. O número de dados disponíveis e as expectativas do público eram reduzidos. Hoje a situação mudou radicalmente e não há mais como aplicar métodos, equipamentos e valores da era analógica na era digital.

POLÍTICA - Interpelação de doadores ganha força.


INTERPELAÇÃO DE DOADORES A GILMAR GANHA FORÇA

Cerca de 200 pessoas que contribuíram financeiramente para pagar as multas dos condenados do PT na Ação Penal 470 já enviaram os documentos necessários para entrar com uma interpelação judicial contra o ministro do STF Gilmar Mendes, que sugeriu lavagem de dinheiro" na 'vaquinha'; mobilização está sendo organizada por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania
5 DE MARÇO DE 2014
247 - A interpelação judicial contra o ministro do STF Gilmar Mendes, que sugeriu o crime de "lavagem de dinheiro" nas arrecadações dos condenados do PT na Ação Penal 470, está prestes a ser concretizada. O idealizador da mobilização, Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, informou nesta quarta-feira 5 que cerca de 200 contribuintes já enviaram os documentos necessários para a procedimento.
Após as críticas de Gilmar à iniciativa de militantes e familiares de José Genoino, Delúbio Soares e José Dirceu, o presidente do PT, Rui Falcão, entrou com o mesmo procedimento no Supremo a fim de questionar as declarações do ministro. A interpelação judicial é um pedido formal para questionar se as afirmações da outra parte foram ou não ofensivas.
O ministro Luiz Fux, no entanto, arquivou o caso alegando que, se houve ofensa, não seria contra o partido, mas contra os doares. Deu-se início então à mobilização dos contribuintes. Leia abaixo o post de Eduardo Guimarães sobre o assunto.
Interpelação e Churrascão
Prezados (as),
Aproveito a entressafra do noticiário político gerada pela folia que paralisou o país nos últimos dias para atualizar os companheiros sobre duas iniciativas propostas por este blog ao longo de fevereiro.
Em primeiro lugar, a interpelação do ministro do STF Gilmar Mendes.
Informo que, dos 411 leitores que se dispuseram a patrocinar a interpelação do ministro por ter acusado de "lavagem de dinheiro" os que fizeram doações aos petistas condenados no julgamento do mensalão, cerca de metade já enviou os documentos necessários ao prosseguimento da ação. Com isso, já temos metade dos recursos para pagar o escritório de advocacia que levará a cabo a iniciativa.
Algumas dezenas de pessoas chegaram depois aos posts que tratam da interpelação pedindo para ser incluídas. Quem já havia se manifestado aqui no blog nesse sentido antes, recebeu e-mail em nome do Blog da Cidadania com as instruções. Quem chegou depois de sábado, 22 de fevereiro, ainda não recebeu, mas irá receber.
A demora para concluir a iniciativa se deve ao trabalho que estou tendo – apesar de ter uma pequena equipe de três leitores me ajudando na logística – para "planilhar" para o escritório de advocacia os dados dos proponentes da ação, além de ter que fazer conciliação dos depósitos para pagamento da ação e ver se todos enviaram todos os documentos pedidos.
Quem está cuidando do e-mail do Blog da Cidadania criado exclusivamente para esse processo não sou eu, mas uma das pessoas que está ajudando. Assim, essa pessoa não está respondendo várias mensagens que chegam àquele endereço de e-mail com assuntos que não dizem respeito ao processo, pois fazê-lo inviabilizaria o trabalho, que já é muito.
Reitero algumas orientações:
1 – Todo aquele que doou a qualquer um dos petistas condenados pode participar. Não precisa ter doado a todos ou a mais de um.
2 – Ainda há tempo para participar. Se você não deixou comentário neste Blog nos posts sobre Gilmar Mendes deixando muito claro que quer participar, não será incluído. Se quiser, pode deixar neste post.
3 – A conta que foi aberta para receber as cotas para pagamento da ação é de poupança, aberta no Banco do Brasil em nome de duas das pessoas que estão me ajudando. É uma conta não solidária, portanto é preciso que as duas pessoas assinem para movimentá-la. Quem tem conta no Banco do Brasil, quando for depositar será perguntando se é conta-corrente ou poupança. É poupança e haverá que informar o código 51, mas só se for correntista do BB.
4 – Quem já enviou os documentos só receberá alguma informação após a ação ser protocolada. A saber, será enviada prestação de contas a quem ajudou a pagar o advogado e participará da ação como proponente, bem como cópia integral da peça protocolada no STF. Mas só após a ação ser protocolada.
Como metade dos que disseram que participariam da ação ainda não respondeu o e-mail enviado em nome do Blog da Cidadania, não temos, ainda, os recursos para pagar o que o escritório de advocacia pediu, mas vamos tentar negociar para que aceite o que tivermos.
Se você não respondeu o e-mail enviado em nome do Blog mas ainda pretende participar, peço que responda com os documentos pedidos o quanto antes. Estabelecemos um prazo limite, até o fim da semana que vem, ou seja, até sexta-feira 14 de março de 2014. Após esse dia, não poderemos esperar mais. Iremos ao STF com os que tivermos, que serão centenas.
Churrascão com os amigos do Blog
Devido ao trabalho com a interpelação de Gilmar Mendes o churrascão não será feito no dia 15, como pensado anteriormente. Ficaria muito em cima para os que não são de São Paulo e querem participar.
A boa notícia é que um companheiro conseguiu espaço no clube Banespa. Não fica em uma região tão central de São Paulo, mas há condução farta para lá.
Acredito que poderemos fazer no dia 22 de março.
Quem deixou comentário no post sobre o churrascão dizendo que gostaria de participar, será informado através do meu e-mail pessoal ao longo desta semana, no máximo até o próximo domingo.
Um grande e fraterno abraço a todos e todas,
Eduardo Guimarães
Postado há 4 hours ago por

MÍDIA - Cinco questões que desafiam a grande imprensa.


5 questões que desafiam a grande imprensa

"A imprensa comercial joga contra o Brasil. No time da oposição, é a camisa 9 da propaganda anti-governo, se posicionando na grande área para as eleições 

Daniel Quoist, Carta Maior

1. O PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2013. Numa lista de 13 grandes economias, incluindo China e Estados Unidos, o Brasil apresentou o terceiro maior crescimento. Esse crescimento é ruim para o país? Para o país não, mas para a oposição além de medíocre, é sofrível! É como se os bicos dos tucanos tivessem rachado ao colidir com a parede da realidade mundial. Qualquer país adoraria conviver com a mediocridade de um crescimento de sofríveis 2,3% em seu PIB. Mas, para a velha turma do quanto pior melhor, nem se o crescimento fosse superior a 13% seria considerado razoável.
2. Qualquer militante oposicionista pode infernizar a vida dos petistas presos na Papuda?Pode e é simples: basta um jornal qualquer publicar que José Dirceu se comunicou com alguém usando um celular e então ou o ministro Joaquim Barbosa ou seu preposto, o delegado da Vara de Execuções Penais, Bruno Ribeiro, o mantém em regime fechado e adia até não mais poder o prazo para decidir sobre seu pedido para trabalhar fora do presídio. Se um site instrumentalizado pela oposição difundir com algum sucesso a notícia de que Delúblio Soares ofereceu uma feijoada na Papuda, tal versão já será mais que suficiente para trazê-lo de volta ao regime fechado. Mais um pouco e o estagiário de uma revista dirá que José Genoíno começou uma briga ao estilo “Velozes e Furiosos” no pátio de sua casa. Resultado: em meia hora estará amargando o regime fechado no pátio da Papuda.
3. Qual a reação do colunismo político sobre os rompantes, diatribes e chiliques de Joaquim Barbosa ao vivo e a cores na TV Justiça quando insiste em mostrar indisfarçável repulsa ao voto proferido por Luiz Roberto Barroso? Consideram politicamente muito pertinente e juridicamente muito natural. Recebe até conselhos para se aposentar antecipadamente e se candidatar nas eleições de 2014. Os motivos oferecidos à guisa de conselhos ao irritadiço ministro estão a um passo da infâmia: porque amargar uma derrota no STF e se “submeter” à presidência de Ricardo Lewandowski dentro de mais alguns meses? O ministro faz intervenções abruptas e histriônicas sempre de olho no relógio da Corte – há que estar sincronizado com o início do Jornal da Nacional da Globo. Não lhe parece natural que a bancada do JN deixe de mencionar seu nome e de lhe reforçar a aura de justiceiro solitário sempre que é feita a escalada das matérias.
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4. Porque um jornal espanhol – o influente El País – afirma em sua capa que é praticamente unânime a avaliação de que a Petrobras é um sucesso no longo prazo e que a petrolífera brasileira será capaz de reduzir o endividamento este ano seguindo seu plano estratégico e, ao mesmo tempo, notícia como essa nem mesmo chega a ser considerada como nota de rodapé em qualquer dos tradicionais jornais brasileiros? Nossa imprensa tradicional só repercute no Brasil matéria publicada no exterior que diminua o prestígio do Brasil, ataque suas instituições econômicas a começar pela insistência na demissão do ministro Mantega ou que espinafre a organização da Copa 2014 e preveja a falência da Petrobras. Em síntese, repercussão apenas para o Brasil que não pode de modo algum dar certo. Porque o que dá certo levanta a bola do governo e levantando essa bola, mais água cairá no moinho da reeleição da presidenta Dilma. O risco para a grande imprensa é que o PT seja vitorioso e dessa vez... em primeiríssimo turno.
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5.  Luiz Roberto Barroso tem feito os mais brilhantes e bem fundamentados votos que um ministro do STF tenha proferido nos últimos anos sobre a AP-470, o dito mensalão, muito bem, porque então não recebe qualquer aplauso da grande imprensa? Porque o que interessa é manter o STF em seu viés máximo de partidarismo político, atuando como partido político de forma escancarada, transformando seu presidente Joaquim Barbosa em candidato à presidência da República e no único capaz de levar as eleições de outubro próximo para um hipotético segundo turno. Barroso é jurista, é professor de direito, é reconhecido nos meios jurídicos por um refinamento intelectual que destoa profundamente dos demais integrantes da Corte. Porque ao se posicionar sobre quaisquer temas jurídicos, Barroso tem mais é que ser escanteado para o banco de reservas. Sua postura, altivez e independência o tornam impossível de ser patrulhado e menos ainda de ser  “colonizado” pela grande imprensa."