terça-feira, 26 de novembro de 2013

POLÍTICA - A novela do Trensalão.




 Novela do Trensalão fica cada vez mais enrolada
Aécio Neves

A semana chega ao fim sem se saber o que há de concreto nas denúncias publicadas esta semana por toda a imprensa, a partir de uma reportagem do Estadão, que pela primeira vez envolve nomes do alto tucanato no caso do Trensalão, o esquema de carteis e propinas que há anos ronda os governos do PSDB em São Paulo.
Ao contrário, a cada dia o caso fica mais enrolado, com acusações mútuas entre PT e PSDB, a partir das idas e vindas do principal denunciante, o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, que agora alega não ter assinado o documento entregue à Polícia Federal pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e não pelo Cade, como a princípio se noticiou.
jose Novela do Trensalão fica cada vez mais enrolada
No relatório que encaminhou ao PT no dia 17 de abril, Rheinheimer afirma ter em seu poder uma série de documentos originais, "que provam um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos Covas, Alckmin e Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do Caixa 2 do PSDB e do DEM".
Sete meses depois, não apareceu até agora nenhuma prova ou documento para sustentar as acusações do ex-diretor. Agora, quem quer esclarecer tudo é o PSDB. Neste sábado, no Rio, o presidenciável tucano Aécio Neves cobrou do ministro Cardozo esclarecimentos sobre seu envolvimento no caso que apura as denúncias do Trensalão.
"Meu partido defende que qualquer denúncia seja apurada com rigor, mas não pode haver precipitações, pré-julgamentos e muito menos a utilização da estrutura do Estado para um projeto político". Para o presidente do PSDB, "trata-se de um "atentado à democracia. O que temos percebido no Brasil é a utilização das instituições de Estado para um projeto político. Isso é extremamente grave, jamais aconteceu antes".
Em resposta, o ministro da Justiça afirmou que não há uso político do caso. "O Cade vive hoje uma situação semelhante à da PF. Quando você investiga aliados, se afirma que é um órgão que o ministro e a presidente não controlam. Quando você investiga adversários, fala-se que é instrumentalização (...) Qual é o papel do ministro da Justiça? É mandar apurar, com sigilo. Se não faço isso, prevarico". Segundo Cardozo, a PF vai apurar o vazamento das investigações, que deveriam correr em caráter de sigilo.
Enquanto isso, os principais veículos que se dedicam ao jornalismo investigativo poderiam mandar seus jornalistas para a Suíça, que parece mais interessada nas investigações, sem receber apoio das autoridades brasileiras, e às sedes europeias da Siemens e da Alstom, as principais empresas envolvidas no caso, e que já admitiram a participação no esquema de carteis. Custa mais barato, por exemplo, do que mandar um enviado especial para a região de Gaza ou para acompanhar os jogos do time de Felipão no exterior.




POLÍTICA - "Levanta e deixa de sofrimento"

Diário do Centro do Mundo


Se Genoino morrer, dirão ao cadáver: “Levanta e deixa de sofrimento”

by Paulo Nogueira
Medicina politizada para ele
Medicina politizada para ele.
A Justiça brasileira, pudemos ver todos no Mensalão, é politizada, muito mais que justa.
Bastou trocar um ou outro integrante do STF para que o que fosse dito fosse desdito com a mesma ênfase.
O que o novato Barroso afirmou, por exemplo, não tem nada a ver com as coisas que o veterano Ayres de Britto dizia quando integrante do STF.
Pareciam dois casos diferentes.
A politização se desloca, neste momento, para a medicina. É o que demonstra o laudo médico encomendado por Joaquim Barbosa para aferir, aspas, o estado de saúde de Genoino.
Alguém poderia ter dúvidas sobre o veredito? Alguém poderia confiar na isenção da escolha dos nomes feita por Barbosa?
E então somos levados a crer que Genoino parece ter uma gripe. “Não é grave” seu caso, dizem os médicos de Barbosa.
Com isso Genoino será fatalmente devolvido à cadeia, em vez de cumprir a sentença em casa.
Genoino não está com muita sorte, esta é a verdade. Primeiro, ele foi condenado num julgamento que a cada dia sofre mais e mais críticas de juristas consagrados e apartidários.
Depois, ele foi vítima do exibicionismo patológico de Barbosa, que mandou prendê-lo e levá-lo, sem necessidade nenhuma, a Brasília em nome de um circo do qual ele, JB, imagina se beneficiar.
Agora, ele pode ter sido objeto de uma ação de represália de médicos brasileiros ao programa Mais Médicos.
Você pode imaginar o sentimento dos profissionais da junta de Barbosa em relação ao Mais Médicos.
Ódio. Ódio assassino.
E assim vai Genoino, espremido entre uma justiça politizada e uma medicina igualmente politizada.
Suspeito que não acreditarão na gravidade de sua doença nem que ele morra. Dirão ao cadáver: “Levanta. Deixa de fingimento.”

A IMPORTÂNCIA DA ESPIRITUALIDADE PARA A SAÚDE DOS SERES HUMANOS.

Copiado da Tribuna da Internet




01Leonardo Boff
Via de regra, todos os operadores de saúde foram moldados pelo paradigma científico da modernidade, que operou uma separação drástica entre corpo e mente e entre ser humano e natureza. Criou as muitas especialidades que tantos benefícios trouxeram para o diagnóstico das enfermidades e também para as formas de cura. Reconhecido esse mérito, não se pode esquecer que se perdeu a visão de totalidade: o ser humano inserido no todo maior da sociedade, da natureza e das energias cósmicas, a doença como uma fratura nessa totalidade e a cura como uma reintegração nela.
Há uma instância em nós que responde pelo cultivo dessa totalidade, que zela pelo eixo estruturador de nossa vida: é a dimensão do espírito.
Neurobiólogos e estudiosos do cérebro identificaram a base biológica da espiritualidade. Ela se situa no lobo frontal do cérebro. Verificaram empiricamente que sempre que se captam os contextos mais globais ou ocorre uma experiência significativa de totalidade, ou também quando se abordam de forma existencial (não como objeto de estudo) realidades últimas, carregadas de sentido e que produzem atitudes de veneração, de devoção e de respeito, se verifica uma aceleração das vibrações em hertz dos neurônios aí localizados. Chamaram esse fenômeno de “ponto Deus” no cérebro ou de emergência da “mente mística” (Zohar, Q. S., “Inteligência Espiritual”, 2004). Trata-se de uma espécie de órgão interior pelo qual se capta a presença do Inefável dentro da realidade.
Esse “ponto Deus” se revela por valores intangíveis, como mais compaixão, mais solidariedade, mais sentido de respeito e de dignidade. No termo, espiritualidade não é pensar Deus, mas sentir Deus mediante esse órgão interior e fazer a experiência de sua presença e atuação a partir do coração. Ele é percebido como entusiasmo (em grego, significa ter um deus dentro) que nos toma e nos faz saudáveis e nos dá a vontade de viver e de criar continuamente sentidos de existir.
Que importância emprestamos a essa dimensão espiritual no cuidado da saúde e da doença? A espiritualidade possui uma força curativa própria. Não se trata de forma nenhuma de algo mágico e esotérico. Trata-se de potenciar aquelas energias que são próprias da dimensão espiritual, tão válidas como a inteligência, a libido, o poder e o afeto, entre outras dimensões do humano.
ENERGIAS REGENERATIVAS
A espiritualidade reforça na pessoa, em primeiro lugar, a confiança nas energias regenerativas da vida, na competência do médico e no cuidado diligente da enfermeira. Sabemos pela psicologia do profundo e do transpessoal o valor terapêutico da confiança na condução normal da vida.
Não raro, os próprios médicos se surpreendem com a rapidez com que alguém se recupera, ou mesmo como situações, normalmente dadas como irreversíveis, regridem e acabam levando à cura. No fundo, é crer que o invisível e o imponderável são parte do visível e do previsível.
Pertence também ao mundo espiritual a esperança imorredoura de que a vida não termina na morte, mas se transfigura através dela.
Força maior, entretanto, é a fé de sentir-se na palma da mão de Deus. Entregar-se, confiadamente, à sua vontade, desejar ardentemente a cura, mas também acolher serenamente sua vontade de chamar-nos para si: eis a presença da energia espiritual. Não morremos, Deus vem nos buscar e nos levar para onde pertencemos desde sempre, para a sua Casa e para o seu convívio. Tais convicções espirituais funcionam como fontes de água viva, geradoras de cura e de potência de vida. É o fruto da espiritualidade. (transcrito de O Tempo)

POLÍTICA - Mensalão do DEM.



Joaquim Barbosa tropeça no mensalão do DEM

Quatro anos de impunidade do mensalão do DEM escracham o rigor seletivo de Joaquim Barbosa e o caráter da AP 470 como julgamento de exceção.

Antonio Lassance
Uma decisão de Sua Majestade, a Rainha de Copas do Supremo Tribunal Federal, que responde pela alcunha de Joaquim Barbosa, acaba de criar um grave problema. Ao fazer a troca do juiz que cuidava da execução penal dos condenados da AP 470, em busca de alguém "mais duro", Barbosa tropeçou na Caixa de Pandora do mensalão do DEM. 

Ao escolher um juiz para chamar de seu, optou, por acaso,  por alguém que é filho de um alto dirigente do PSDB-DF. Pior: o pai desse juiz foi secretário do governo de José Roberto Arruda, no Distrito Federal, e é considerado por muitos como o mais fiel aliado do ex-governador após o escândalo que o derrubou. Arruda caiu flagrado na operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que revelou o que se tornou conhecido como o "mensalão do DEM".

A Caixa de Pandora, também por acaso, completa 4 anos exatamente nesta semana. Em 27 de novembro de 2009, a Polícia Federal expôs um farto conjunto de provas materiais do esquema de desvio de dinheiro público. O próprio José Roberto Arruda foi pego com a mão na cumbuca, em um vídeo no qual recebia dinheiro vivo - se Barbosa não sabe, é a isso que se chama propriamente de "domínio do fato".

O DEM ficou com a pecha daquele mensalão, mas é bom lembrar que Arruda era egresso do PSDB, tendo sido líder do governo FHC no Senado. Renunciou para não ser cassado por um outro escândalo, o do painel do Senado. Retornou à política como deputado federal e, depois, como governador, eleito pelo PFL (atual DEM) e trazendo seu querido PSDB para seu governo. Chegou a ser cogitado para vice de José Serra, nas eleições de 2010, não fosse a Federal ter estragado tudo.

O contraste é gritante. Arruda continua livre, leve e solto. Ficha limpa, ele pode inclusive concorrer às eleições do ano que vem. Filiado ao Partido da República (de Waldemar Costa Neto e Anthony Garotinho), Arruda conversa sobre alianças para 2014, no DF, com o PSDB, o PPS e, como não poderia deixar de ser, o DEM.

Detalhe: o processo do mensalão do DEM foi desmembrado. O único que responde atualmente em instância superior é um conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Com isso, a maioria dos denunciados, a começar por Arruda, responde a processo em primeira instância, não recaindo na Lei da Ficha Limpa, que exige condenação pelo menos em segunda instância.

Nesse sentido, os quatro anos de impunidade daquele que foi apontado como chefe do mensalão do DEM escracham o rigor seletivo de Joaquim Barbosa e o caráter da AP 470 como julgamento de exceção.

(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB).

sábado, 23 de novembro de 2013

POLÍTICA - A Globo e o Barbosa.


Globo abandonará Barbosa na estrada?

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Quer saber? A matéria do Jornal Nacional, dando publicidade a críticas a Barbosa… na minha opinião, é tudo jogo de cena e estratégia da Globo. Ela calcula que isso “desmoralizará” os signatários e que a opinião pública quer mais é sangue.

O que me parece interessante, neste caso, é a irrelevância crescente da Rede Globo. A quantidade de compartilhamentos do post do Jornal Nacional que fala da nota dos juristas é menor do que a de qualquer blog mediano.


A Globo, simplesmente, não está mais com essa bola toda.

Entretanto, não sei se essa análise (que a Globo estaria disposta a abandonar Barbosa) procede.

Barbosa tem sido o garoto propaganda da Globo. Foi ganhador do principal prêmio da emissora, o Faz Diferença. Seu filho arrumou um bom emprego no programa de Luciano Huck. Ancelmo Gois dá uma notinha, quase todo dia, sobre Barbosa, em geral mencionando que o ministro foi ovacionado num restaurante qualquer do Leblon. Roberto Damatta escreveu artigo dizendo que votaria em Barbosa para presidente da República e que, na sua opinião, ele ganharia, fácil, no primeiro turno.

Eu queria estar num restaurante desse para checar se é verdade. E para gritar à parte, como que falando comigo mesmo, alguns palavrões que tenho engasgado na garganta contra esse déspota togado.

POLÍTICA - "Joaquim Barbosa é um caso de maldade explícita"

Luis Nassif

Joaquim Barbosa e a face tenebrosa da maldade

A disputa política permite toda sorte de retórica. Populistas, insensíveis, reacionários, porra-loucas, o vocabulário é abrangente, da linguagem culta à chula.

Em todos esses anos acompanhando e participando de polêmicas, jamais vi definição mais sintética e arrasadora do que a do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello sobre Joaquim Barbosa: “É uma pessoa má”.

Não se trata se julgamento moral ou político. Tem a ver com distúrbios psicológicos que acometem algumas pessoas, matando qualquer sentimento de compaixão ou humanidade ou de identificação com o próximo. É o estado de espírito que mais aproxima o homem dos animais.

O julgamento da bondade ou maldade não se dá no campo ideológico. Celso Antônio Bandeira de Mello é uma pessoa generosa, assim como Cláudio Lembo, cada qual com sua linha de pensamento. Conheci radicais de lado a lado que, no plano pessoal, são pessoas extremamente doces. Roberto Campos era um doce de pessoa, assim como Celso Furtado.

A maldade também não é característica moral. O advogado Saulo Ramos, o homem que me processou enquanto Ministro de Sarney, que conseguiu meu pescoço na Folha em 1987, que participou das maiores estripulias que já testemunhei de um advogado, nos anos 70 bancou o financiamento habitacional de um juiz cassado pelos militares. E fez aprovar uma lei equiparando direitos de filhos adotados com biológicos, em homenagem ao seu filho.

A maldade é um aleijão tão virulento, que existe pudor em expô-la às claras. Muitas vezes pessoas são levadas a atos de maldade, mas tratam de esconde-los atrás de subterfúgios variados, com o mesmo pudor que acomete o pai de família que sai à caça depois do expediente; ou os que buscam prazeres proibidos.

Joaquim Barbosa é um caso de maldade explícita. Longe de mim me aventurar a ensaios psicológicos sobre o que leva uma pessoa a esse estado de absoluta falta de compaixão. Mas a natureza da sua maldade é a mesma do agente penitenciário que se compraz em torturar prisioneiros; ou dos militares que participavam de sessões de tortura -- para me limitar aos operadores do poder de Estado. Apenas as circunstâncias diferem.

A natureza o dotou de uma garra e inteligência privilegiadas. Por mérito próprio, teve acesso ao que de mais elevado o pensamento jurídico internacional produziu, a ciência das leis, da cidadania, da consagração dos direitos.

Nada foi capaz de civilizar a brutalidade abrigada em seu peito, o prazer sádico de infligir o dano a terceiros, o sadismo de deixar incompleta uma ordem de prisão para saborear as consequências dos seus erros sobre um prisioneiro correndo risco de morte.

Involuntariamente, Genoíno deu a derradeira contribuição aos hábitos políticos nacionais: revelou, em toda sua extensão, a face tenebrosa da maldade.

Espera-se que nenhum político seja louco a ponto de abrir espaço para este senhor.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

POlÍTICA - Hannah Arendt e o Barbosão.

Diário do Centro do Mundo

Hannah Arendt e o prazer de Joaquim Barbosa com a luz dos refletores

by Kiko Nogueira
Hannah Arendt
Hannah Arendt

Em 1961, a filósofa alemã de origem judaica Hannah Arendt foi a Jerusalém cobrir para a revista New Yorker o julgamento de Adolf Eichmann. Eichmann havia sido capturado em Buenos Aires pelo serviço secreto. Durante o nazismo, fora chefe da Seção de Assuntos Judaicos e responsável pela organização do esquema de deportação para os campos de extermínio.
A reportagem saiu em duas edições e, posteriormente, virou o livro “Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal”. Essa expressão, que ela consagrou, estava na última linha do último capítulo do livro. Arendt se assombrou com a mediocridade de Eichmann, um burocrata que só se utilizava de clichês para falar, sem traços de anti-semitismo, um funcionário ambicioso sem discernimento moral e dotado de cega obediência aos superiores. Onde estava o monstro?
Publicado seu relato, ela foi acusada de nazista, perdeu amigos, recebeu ameaças de morte. Tocava no assunto delicado da cooperação de organizações judaicas no transporte para os campos. E criticou duramente o julgamento.
O que ela conta sobre o sensacionalismo em torno da corte cabe no que se viu aqui, transmitido ao vivo, durante o processo do mensalão.
Segundo Arendt, o julgamento, que deveria ser grandioso, perdia dimensão com a pequenez do réu e a atitude da promotora e com o clima de “acerto contas”. Era algo que o estado israelense queria transformar em um espetáculo inesquecível para as próximas gerações. Ela insiste na teatralidade que colocava em xeque a noção de justiça do caso.
Para Arendt, o julgamento “foi instaurado não para satisfazer as exigências da justiça, mas para aplacar o desejo e talvez o direito de vingança das vítimas”. Ela enxergava a o seguinte paralelo: “Um julgamento parece uma peça de teatro porque ambos começam e terminam com o autor do ato, não com a vítima”. Eichmann se transformou no símbolo do nazismo e estava pagando por todos os crimes do regime -- e também pela perseguição histórica aos judeus. Foi condenado e enforcado.
Arendt denunciou a vontade insaciável do promotor Gideon Hausner de aparecer. Estava na imprensa o tempo todo, lançava olhares para a plateia, gostava e sabia se utilizar das câmeras (o julgamento foi televisionado; está no YouTube). Hausner ganhou elogios públicos de John Kennedy por sua atuação. Mais tarde, teve ele mesmo uma carreira política.
"A Justiça não admite coisas desse tipo”, disse ela, referindo-se à vaidade e ao exibicionismo.”Ela exige isolamento, admite mais a tristeza do que a raiva, e pede a mais cautelosa abstinência diante de todos os prazeres de estar sob a luz dos refletores." Luz sem a qual Joaquim Barbosa, por exemplo, não sobrevive.
A história da filósofa em Jerusalém, aliás, está no bom filme "Hannah Arendt", lançado neste ano no Brasil. Existe em DVD.

POLÍTICA - O "fator" Pizzolato

Diário do Centro do Mundo

O fator Pizzolato na discussão sobre o julgamento do Mensalão

by Paulo Nogueira
Pizzolato
Pizzolato
A fuga de Henrique Pizzolato traz um efeito colateral interessante nos debates em torno do Mensalão.
Subitamente, por conta do “drible da vaca” (expressão de um leitor do DCM) dado em Joaquim Barbosa, Pizzolato ganhou holofotes que jamais tivera estes anos todos.
Os holofotes ampliaram consideravelmente o volume de sua voz. Agora, é enorme a curiosidade das pessoas pelo que ele tem a dizer. E ainda mais importante: pelos documentos que tem a mostrar.
Um vídeo que começa a circular pela internet merece ser visto com calma. Uma das maiores evidências da relevância do conteúdo é que até a Folha falou sobre ele.
Numa reunião do PT da qual participam líderes como Genoino e Suplicy, Pizzolato é chamado à frente para falar do Mensalão.
Ou ele é um ator extraordinário, ou ali está um homem revoltado e atormentado com um julgamento que pode passar para a história como o maior embuste jurídico nacional.
Pizzolato, no vídeo, lamenta que “até petistas” tenham acreditado nas “mentiras da mídia”.
Ele contesta a espinha dorsal das acusações: a saber, que houve desvio de dinheiro público. Segundo os acusadores – essencialmente alguns juízes do STF e mais a mídia --, o dinheiro do mensalão (cerca de 74 milhões de reais) era do Banco do Brasil.
Foi isso que JB disse em suas catilinárias inumeráveis vezes. E Pizzolato, como diretor de marketing do BB, teria sido o arquiteto do desvio.
O jornalista Raimundo Pereira foi uma das raras figuras, antes da fuga, a examinar os documentos que Pizzolato tem.
Segundo Pereira, há provas cabais da existência de quase 100 eventos em que foram gastos os 74 milhões. O STF, lembra Pereira, trabalhou o tempo todo com a tese de que não houve evento nenhum, na verdade. Tudo seria mentira para justificar o dinheiro alegadamente desviado.
Pereira cita um desses eventos. Era uma feira de arte africana que o Banco do Brasil montou no país, depois de ela fazer sucesso na Alemanha. “Foi gasto nela 1,4 milhão”, diz Pereira.
Pereira afirma também que  a Receita devassou vinte anos fiscais de Pizzolato. “Tudo que encontraram foi a inclusão como dependente de uma madrasta que cuida dele desde que ele tinha cinco anos”, diz Pereira.
Raimundo Pereira publicou uma defesa de Pizzolato na revista Retratos do Brasil, antes das sentenças. Ele acusou textualmente o então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e Joaquim Barbosa de “manipulação”.
Mas ninguém ouviu Pereira então, e muito menos Pizzolato.
Agora a cena mudou.
Por caminhos imprevistos, a palavra de Pizzolato ganhou potência. É ouvida e repercute.
Caso a justiça italiana investigue a documentação de Pizzolato, que poderá ocorrer? Se ele tem papeis que desmentem a tese do desvio de dinheiro público, na Itália não haverá Barbosas ou Gurgeis, ou Globos e Vejas, capazes de influenciar o curso das investigações.
Pizzolato era um coadjuvante no caso do mensalão, diante de figuras chave do PT como Dirceu e Genoino.
Não mais.
Seu caso passa, agora, a ter uma importância extraordinária por ter o poder de trazer quem sabe luz a um episódio repleto de sombras.

POLÍTICA - "A lei sou eu"

“A Lei sou eu”: Justiça e vingança, a saga dos Genoino


familia do genuino A Lei sou eu: Justiça e vingança, a saga dos Genoino
Vou dar uma folga hoje ao jornalista que atende pelo mesmo nome e pedir licença a vocês para escrever este texto como velho amigo da família de José Genoíno, que é o que mais me importa neste momento. Para mim, embora ganhe a vida atualmente como comentarista político, o destino dos seres humanos sempre esteve acima de qualquer outra questão, ao longo deste quase meio século de carreira de repórter, em que procurei contar as histórias da minha terra e da minha gente, em sua grande maioria brasileiros anônimos.
De tanto ler ao longo da semana colunas, blogs e comentários nas redes sociais eivados de torpezas, vilezas, canalhices, sordidez, perversões, infâmias, sabujice, injúrias e safadezas, estava relutando em voltar ao assunto porque chega uma hora em que a indignação é tanta que as palavras chegam a perder o sentido, a gente já nem sabe o que dizer.
Mudei de ideia na manhã desta sexta-feira cinzenta em São Paulo, ao ler, na página A3 da Folha, o artigo do competente jornalista Carlos Brickmann, que pode ser acusado de tudo, menos de ser petista.
Escreve Brickmann: "Uma sociedade que, mesmo tendo razão ao reivindicar a aplicação rígida da lei, tenta extrapolar seus limites para atormentar ainda mais quem já foi punido pela privação da liberdade precisa se reavaliar. Com a prisão, os infratores foram punidos e a vingança da sociedade se realizou. Ir além é retroceder a épocas que já deveriam ter sido superadas".
O que boa parte dos jornalistas-pistoleiros acoitados na grande imprensa quer, na verdade, não é Justiça, mas vingança contra um partido político e seus dirigentes _ e José Genoíno, deputado federal e ex-presidente do PT, tornou-se seu principal alvo. "O que a lei prevê é a privação da liberdade, em diversos graus. A lei não prevê maus-tratos, não prevê castigos físicos, não prevê condições inadequadas de prisão", lembra Brickmann, com toda propriedade.
Como pode o mesmo Supremo Tribunal Federal que adotou a teoria do "domínio do fato", para punir mesmo sem provas ou atos de ofício, permitir que um homem gravemente doente do coração, como é do conhecimento geral da Nação, seja jogado num presídio em regime fechado quando foi condenado ao semiaberto?
Esta barbaridade já durava uma semana, quando foi momentaneamente suspensa para que Genoíno fosse levado a um hospital na tarde de quinta-feira, depois de declarar, em pé, na sala do diretor do presídio, aos colegas que foram visita-lo: "Entre a submissão e a humilhação, eu vou para a luta nem que leve a minha vida".
Filho de lavradores, nascido na comunidade de Várzea Redonda, em Quixeramobim, no Ceará, acolhido na casa paroquial de Senador Pompeu para que pudesse estudar, líder estudantil e ex-guerrilheiro, fundador do PT, parlamentar quase a vida toda, Genoíno é a prova viva da famosa frase de Euclides da Cunha, segundo a qual "o sertanejo é antes de tudo um forte". Por isso, não me surpreende a sua disposição de enfrentar as dificuldades de cabeça erguida.
Mas não é só ele: o que mais me comove em toda esta história é o comportamento de solidariedade permanente e absoluta de sua família, a pequena grande Rioco, que conheceu na prisão, e seus três filhos, Miruna, Ronan e Mariana, que estão sempre por perto na Papuda para zelar por sua integridade física e denunciar o tratamento desumano que lhe é dispensado desde que se apresentou à Polícia Federal.
Parafraseando Luís XIV, o rei absolutista da França, a quem é atribuída a frase "O Estado sou eu", José Genoíno e os demais políticos presos estão submetidos ao livre-arbítrio de juízes que adotaram o lema "A Lei sou eu", donos da vida e da morte, para atender à sanha de jornalistas e seus leitores ensandecidos, que não se conformam apenas com a condenação dos réus, mas querem humilha-los e, se possível, extermina-los.
"Por que obrigar pessoas próximas dos 70 anos a acocorar-se para fazer suas necessidades?", indaga em seu artigo o colega Carlinhos Brickmann, a quem agradeço por me dar as palavras que não encontrava para expressar meu sentimento de vergonha, dor e revolta. Sim, eu sei, são estas as condições degradantes em que vive a grande maioria dos presos no nosso país, mas nem por isso vou me conformar com a saga de sofrimento enfrentada pela família de Genoíno, em defesa da vida, enquanto se multiplicam as cenas de tripúdio explícito dos arautos da morte diante da dor alheia.
Aguenta firme, Genoíno, e manda um abraço para toda a família, e aos amigos Zé Dirceu e Delúbio, que espero reencontrar em breve, quando a lei for cumprida e eles passarem para o regime semiaberto ao qual foram condenados. Um dia, que espero não demore muito, a História fará Justiça com vocês.
Perdoem-me o desabafo, mas tem hora que o cidadão engole o jornalista. Jornalistas temos muitos, amigos nem tanto.

Henrique Pizzolato fala pela primeira vez em público sobre AP 470 na APE...

POLÍTICA - E se a farsa ruir.....

Globo dá sinais de que, se farsa ruir, Barbosa é quem vai pagar a conta

por Helena Sthephanowitz no Blog da Helena
Nelson Jr / STF
Joaquim Barbosa.jpg
Barbosa pode ver aliados virarem as costas, enquanto o processo do mensalão vai sendo desmoralizado
Conquistada a condenação dos réus da Ação Penal 470, o chamado mensalão, a Globo agora quer transferir o ônus do golpismo para o STF, mais especificamente para Joaquim Barbosa. Não parece ser por virtude, mas por esperteza, que William Bonner passou um minuto no Jornal Nacional de  quarta-feira (20) lendo a notícia: "Divulgada nota de repúdio contra decisão de Joaquim Barbosa".
O manifesto é assinado por juristas, advogados, lideranças políticas e sociais repudiando ilegalidades nas prisões dos réus do mensalão efetuadas durante o feriado da Proclamação da República, com o ministro Joaquim Barbosa emitindo carta de sentença só 48 horas depois das ordens de prisão.
O locutor completou: "O manifesto ainda levanta dúvidas sobre o preparo ou boa-fé do ministro Joaquim Barbosa, e diz que o Supremo precisa reagir para não se tornar refém de seu presidente".
A TV Globo nunca divulgou antes outros manifestos em apoio aos réus, muito menos criticando Joaquim Barbosa, tampouco deu atenção a reclamações de abusos e erros grotescos cometidos no julgamento. Pelo contrário, endossou e encorajou verdadeiros linchamentos. Por que, então, divulgar esse manifesto, agora?
É o jogo político, que a Globo, bem ou mal, sabe jogar, e Joaquim Barbosa, calouro na política, não. E quem ainda não entendeu que esse julgamento foi político do começo ao fim precisa voltar ao be-a-bá da política. O PT tinha um acerto de contas a fazer com a questão do caixa dois, mas parava por aí no que diz respeito aos petistas, pois tiveram suas vidas devassadas por adversários, que nada encontraram. O resto foi um golpe político, que falhou eleitoralmente, e transformou-se numa das maiores lambanças jurídicas já produzidas numa corte que deveria ser suprema.
A Globo precisava das cabeças de Dirceu e Genoino porque, se fossem absolvidos, sofreria a mesma derrota e o mesmo desgaste que sofreu para Leonel Brizola em 1982 no caso Proconsult, e o STF estaria endossando para a sociedade a tese da conspiração golpista perpetrada pela mídia oposicionista ao atual governo federal.
A emissora sabe dos bastidores, conhece a inocência de muitos condenados, sabe da inexistência de crimes atribuídos injustamente, e sabe que haverá uma reviravolta aos poucos, inclusive com apoios internacionais. A Globo sabe o que é uma novela e conhece os próximos capítulos desta que ela também é protagonista.
Hoje, em tempos de internet, as verdades desconhecidas do grande público não estão apenas nas gavetas da Rede Globo, como acontecia na ditadura, para serem publicadas somente quando os interesses empresariais de seus donos não fossem afetados. As verdades sobre o mensalão já estão escancaradas e estão sendo disseminadas nas redes sociais. A Globo, o STF e Joaquim Barbosa têm um encontro marcado com essas verdades. E a emissora já sinaliza que, se ela noticiou coisas "erradas", a culpa será atribuída aos "erros" de Joaquim Barbosa e do então procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Joaquim Barbosa, homem culto, deve conhecer a história de Mefistófeles de Goethe, a parábola do homem que entregou a alma ao demônio por ambições pessoais imediatas. Uma metáfora parecida parece haver na sua relação com a TV Globo. Mas a emissora parece que está cobrando a entrega antes do imaginado.

Bomba! Revista Retrato do Brasil lança vídeo que desmonta a farsa do jul...

POLÍTICA - Vídeo desmonta a farsa do mensalão

POLÍTICA - "Joaquim Barbosa é um homem mau, com pouco sentimento"



Celso Antônio Bandeira de Mello condena a forma como o presidente do STF conduziu a prisão de Genoino. O advogado faz coro pelo impeachment de Barbosa

"Joaquim Barbosa é um homem mau, com pouco sentimento humano." A descrição nada elogiosa é de Celso Antônio Bandeira de Mello, um dos mais conceituados advogados brasileiros e professor da PUC há quase 40 anos.

Ele se refere em especial à forma como Barbosa conduziu a prisão de José Genoino. "Acho que é mais um problema de maldade. Ele é uma pessoa má. Falo isso sem nenhum preconceito com a pessoa dele pois já o convidei para jantar na minha casa. Mas o que ele faz é simplesmente maldade", afirma o advogado.
Bandeira de Mello subscreveu na terça-feira, ao lado de juristas, intelectuais e líderes petistas, um manifesto condenando a postura de Barbosa. A ação supostamente arbitrária do ministro na prisão dos condenados no processo do mensalão seria passível de um processo de impeachment.
Alan Sampaio / iG Brasília
"O que Barbosa faz é simplesmente maldade", diz Celso Antônio Bandeira de Mello
"A medida concreta neste caso seria um pedido de impeachment do presidente do Supremo", disse Bandeira de Mello, com a ressalva de que não é especialista em direito penal mas expressa "a opinião de quem entende da matéria".
De acordo com o advogado, o foro adequado para o pedido de impeachment seria o Senado Federal. Segundo o inciso 2º do artigo 52 da Constituição Federal, é de competência exclusiva do Senado julgar os ministros do Supremo. A iniciativa, segundo Bandeira de Mello, pode ser de "qualquer cidadão suficientemente bem informado e, principalmente, dos partidos políticos".
Na segunda-feira, o diretório nacional do PT chegou a cogitar medidas concretas contra Barbosa. A iniciativa, no entanto, foi abortada por líderes moderados do partido.
Segundo Bandeira de Mello, o fato de Barbosa ter mandado para o regime fechado pessoas que haviam sido condenadas ao semiaberto e a expedição de mandados de prisão em pleno feriado da Proclamação da República sem as respectivas cartas de sentença (emitidas 48 horas depois) contrariam a legislação e poderiam motivar o afastamento de Barbosa.
Para o advogado, a culpa pelas supostas violações e arbitrariedades é exclusivamente do presidente do Supremo. "É o Barbosa. Os demais ministros, ou parte deles, já praticaram as ilegalidades que podiam praticar no curso do processo", disse Bandeira de Mello.
O manifesto divulgado na terça-feira diz que "o STF precisa reagir para não se tornar refém de seu presidente". O texto é subscrito por dezenas de militantes petistas e partidos aliados, como os presidentes do PT, Rui Falcão, e PCdoB, Renato Rabelo, além de personalidades de diversas áreas como o jurista Dalmo Dallari, a filósofa Marilena Chauí, a cientista política Maria Victoria Benevides, os cineastas Luci e Luiz Carlos Barreto e o escritor Fernando Morais.
Bandeira de Mello crê que o plenário do Supremo deveria fazer uma censura pública a Barbosa. "Poderia ser de forma verbal, em plenário, por meio de um manifesto e até mesmo pessoalmente. Ou o Supremo censura a conduta de seu presidente ou ele vai cada vez mais avançar o sinal", diz o advogado.

POLÍTICA - Tem que haver uma reação contra as arbitrariedades do Barbosão.


SOLIDARIEDADE

CUT ataca Barbosa e anuncia desagravo a Genoino, Dirceu e Delúbio

Presidente da central diz que ministro do STF age movido a rancor, ressentimento e vingança: 'tudo nessas prisões explicita o caráter político, de perseguição que marca o julgamento da AP 470'
por Redação RBA publicado 21/11/2013 17:13, última modificação 21/11/2013 17:49
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ROBERTO PARIZOTTI/CUT
vagner freitas
Para Freitas, Barbosa é 'psíquica e intelectualmente despreparado' para o cargo que ocupa
São Paulo – O presidente da CUT, Vagner Freitas, declarou hoje (21) solidariedade aos petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, presos na semana passada a mando do presidente do STF, Joaquim Barbosa. Em texto publicado na página da central na internet, Freitas faz vários ataques a Barbosa, “um magistrado que atropelou a lei que jurou defender e demonstra, com fartura de provas, estar psíquica e intelectualmente despreparado para o cargo que ocupa”.
Na avaliação do presidente da CUT, o ministro move-se por “ressentimento e desejo de vingança”. Freitas cita em particular o estado de saúde de Genoino, cujos problemas cardíacos têm sido sistematicamente desconsiderados por Barbosa.
Freitas também critica todo o julgamento da Ação Penal 470, conhecida como processo do mensalão, que levou à prisão de Genoino, Dirceu e outros.
“Tudo nesse caso é exceção. Tudo nessas prisões explicita o caráter político, de perseguição que marca, desde o início, o julgamento da AP 470”, afirma o sindialista.
Segundo ele, a CUT fará um ato de desagravo aos três petistas em 9 de dezembro, durante a cerimônia de entrega do prêmio Democracia e Liberdade Sempre - 2013, cujo tema é “Nada vai nos calar”.
Leia a íntegra do texto:
Joaquim Barbosa abusou: quer ver Genoino morto
Vagner Freitas, presidente da CUT
Depois de oito anos de execração pública, decisões arbitrárias, autoritárias e sem base legal, o julgamento da Ação Penal 470 terminou com o mais deprimente espetáculo de violação de direitos constitucionais: a prisão ilegal, em pleno feriado de Proclamação da República, dos companheiros José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares.
Condenados – sem nenhuma prova – a regime semiaberto foram colocados em regime fechado durante quatro dias, por ordem da autoridade máxima do Poder Judiciário, Joaquim Barbosa. O ministro não teve o menor pudor em deixar de cumprir sua obrigação, que é preservar o Estado de Direito, o cumprimento das regras democráticas e da Carta Magna do País. Expediu os mandatos de prisão contra os companheiros sem encaminhar, como lhe cumpria fazer, a carta de sentença de cada um deles, e foi para o Rio de Janeiro comemorar o feito com a sua torcida. Uma ilegalidade que deixou o juiz da Vara das Execuções Criminais de Brasília sem saber o que fazer. Também por ordem de Barbosa, todos foram levados para Papuda, em Brasília.
Entre tantas ilegalidades, a prisão de Genoino, um cidadão com um currículo e uma biografia exemplares e que está extremamente doente, precisando de cuidados médicos constantes, é uma crueldade que deixa claro o ressentimento, o desejo de vingança que move Joaquim Barbosa.
Nem Barbosa, nem tampouco a mídia conservadora do País esperavam uma reação tão forte e sistemática da sociedade contra a desumanidade que representa a prisão, sem direitos a cuidados específicos, de uma pessoa com a história de vida e de luta de Genoino que neste momento vive sua segunda tortura – a primeira foi no Araguaia.
Eu, como presidente da CUT, e representante de mais de 23 milhões de trabalhadores, conclamo a parcela sensata e honesta da sociedade, a exigir Justiça, que prevaleça o Estado de Direito. Genoino precisa ser imediatamente solto ou cumprir prisão domiciliar. Esta é uma questão humanitária. O estado de saúde dele é gravíssimo e todos sabem disso. O parecer do IML comprovou. Se alguém ainda duvidava dos laudos dos médicos que operaram o deputado em junho e o do IML, depois de hoje, não há mais do que duvidar. Genoino passou mal de novo e precisou ser internado.
Já Joaquim Barbosa, a própria história o julgará. Como já o fazem vários e vários juristas sérios do mundo inteiro. No momento, ele está escrevendo a história de um magistrado que atropelou a lei que jurou defender e demonstra, com fartura de provas, estar psíquica e intelectualmente despreparado para o cargo que ocupa. Ele colocou seus interesses pessoais, rancores e desejos de vingança acima da Constituição. A decisão do ministro coloca em risco a credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da corte foi irresponsável e agrediu o bom senso nacional.
A sociedade brasileira não quer impunidade. Nós não queremos impunidade. Prova disso é que nunca houve tanta liberdade de ação da Polícia Federal e dos órgãos de controle como nos últimos dez anos. Mas isso não significa que uma única pessoa possa rasgar a Constituição e tomar decisões descabidas, autoritárias e ilegais, como se estivesse acima da Lei, da Ordem Jurídica, do poder supremo do País.
Para acabar com a impunidade, temos de acabar com a esse tipo de comportamento intempestivo, emotivo, violento, agressivo e sem ética que desestabiliza as instituições e põe em risco a democracia brasileira.
Essa manipulação da Justiça, que se tornou marca de Joaquim Barbosa, ao prender José Genoino e deixar tantos outros sequer sem julgamento, ao contrário do que imaginava a mídia conservadora, não vai melhorar a imagem que o povo tem do Judiciário e aprofunda o mal-estar causado pela sensação de impunidade. A demora em julgar o mensalão mineiro, que chegou no STF antes da AP 470, é uma prova disso.
Tudo nesse caso é exceção. Tudo nessas prisões explicita o caráter político, de perseguição que marca, desde o início, o julgamento da AP 470.
Por tudo isso, exigimos a anulação da sentença e a imediata revisão do processo. Está mais do que claro que não existe provas de crime. O julgamento foi político e transcorreu como uma novela que mais parece um queijo suíço – cheio de buracos – para ser explorada pela mídia conservadora que há muito queria criminalizar o PT, a CUT e os movimentos sociais.
Acima de tudo foi claramente armado para desconstruir os avanços sociais do governo Lula. Os conservadores não suportam ver ou saber que o pobre tem oportunidade de ascender socialmente, frequentar a universidade, viajar de avião, ter máquina de lavar e carro zero.
E como não conseguiram vencer nas urnas a nossa proposta de desenvolvimento social com distribuição de renda, valorização do trabalho e igualdade de direitos para homens e mulheres, apelaram para a manipulação da Lei e o desrespeito à democracia. Não é assim que vão nos derrubar.
Queremos Justiça e não vingança e ódio. Vamos lutar para garantir a lisura, a legalidade do processo e que a lei seja para todos. Jamais aceitaremos essa punição dupla: aos companheiros e também a nós. Somos solidários aos companheiros José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Sabemos que eles são inocentes. Temos consciência de que eles são, junto com a militância, os construtores da luta por um Brasil melhor e mais justo.
Não vamos baixar a cabeça. Ninguém vai punir a militância nem diminuir nossa capacidade de luta e resistência contra decisões ilegais e arbitrárias que visam impedir que o nosso projeto de transformação do Brasil, iniciado e construído na luta diária há 30 anos, junto com os companheiros condenados na AP 470, continue avançando e mudando a cara do País.
No próximo dia 26, a Executiva da CUT vai a Brasília visitar os companheiros Dirceu, Genoino e Delúbio e prestar solidariedade. E no dia 9 de dezembro, data da entrega do 2º Prêmio CUT - Democracia e Liberdade Sempre - 2013, cujo tema é “Nada vai nos calar”, vamos fazer um ato de desagravo, uma homenagem aos companheiros.

POLÍTICA - Se o Genoíno morrer já sabemos de quem é a culpa.

INFLEXIBILIDADE EXACERBADA


Carlos Chagas
Ainda que o presidente Joaquim Barbosa possa ter concedido nas últimas horas  o direito de prisão domiciliar  para José Genoíno, a verdade é que a Justiça falhou – e muito. Preso há uma semana, o ex-presidente do PT vinha de grave operação na artéria aorta e enfrentava doença cardíaca mais do que comprovada. Como se não bastasse a evidência, um médico do sistema penitenciário e uma junta médica da Secretaria de Segurança de Brasília atestaram a gravidade do estado de saúde do preso. Verificaram o risco dele continuar confinado a uma cela, reconheceram a necessidade de tomar diariamente remédios que a cadeia não podia fornecer.
Pois bem, mesmo assim, Genoíno permaneceu ou ainda permanece com risco de vida iminente, sem saber  como será o dia seguinte. No mínimo, pouco caso por parte de quem chefia o Poder Judiciário. No máximo,  inflexibilidade exacerbada.
Não vem ao caso discutir sua culpa no escândalo do mensalão. Assinou documentos que o implicavam, quando presidia o PT. Teve amplo direito de defesa mas acabou condenado a sete anos de prisão semiaberta. A Justiça tem que ser para todos, nada a contestar, exceto a falta de humanidade demonstrada no caso de Genoíno. Porque nem para  submeter-se a exames  em clinica particular, em Brasília, ele foi autorizado pelo juiz das Execuções Penais.

POLÍTICA - Temos que "segurar" o cara.


PT quer processar Barbosa por excessos cometidos na prisão dos mensaleiros


Ricardo Galhardo (iG São Paulo)
O setorial jurídico do PT divulgou uma nota nesta quinta-feira (21) na qual afirma que adotará medidas para responsabilizar o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do processo do mensalão, por ações e supostas omissões na prisão dos condenados.
O texto não diz especificamente quais seriam estas medidas. Ao longo da nota os petistas falam na possibilidade de processo por improbidade administrativa (devido ao uso oneroso ao estado de um avião para executar as prisões) e cita uma entrevista do jurista Ives Gandra Martins para sustentar a possibilidade de ações por danos morais contra o Estado devido às ilegalidades.
Em conversa com o iG por telefone, o coordenador jurídico do PT, Marco Aurélio Carvalho, disse que a família de José Genoino pode, em tese, abrir ações civil e criminal contra o presidente do Supremo por colocar a vida do deputado em risco. Genoino se recupera de uma cirurgia cardíaca e, segundo seus advogados, teve um início de infarto na cadeia.
“Não vamos nos calar , e , tanto antes, adotaremos todas as medidas para responsabilizá-lo por suas ações e omissões”, diz a última linha da nota cujo foco é Barbosa.
Segundo o texto, “nesse caso específico, independentemente da ideologia partidária, qualquer operador do direito deve ficar completamente indignado e perplexo com o abuso de autoridade e o completo descontrole de um ministro do Supremo Tribunal Federal que, em tese, deveria ser um dos guardiões máximos da justiça em nosso país. Não podemos sobreviver em um Estado em que os direitos e garantias individuais fundamentais são violados justamente por aqueles que deveriam protegê-los, e em um Estado em que a lei e a Constituição são descumpridas em prol da autopromoção de um magistrado que deveria ser imparcial, e que, ao que parece, não respeita os limites impostos à sua atuação , e nem ao menos o Colegiado que integra.”