sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

POLÍTICA - Cadê as provas contra o Lula?

Além do mais, Lula mora no mesmo apartamento desde que era sindicalista. Teve sua vida e de sua família devassada há anos e não encontraram nada. É também há anos, atacado diariamente pelo PIG, Globo à frente. Tem jornalista que o único assunto é denegrir o Lula. Vão perder o emprego quando o Lula sair de cena.
O Moro, maior cabo eleitoral do Lula, vai se mandar para sua segunda pátria, os EUA, assim que sua missão for sacramentada pela turma de Porto Alegre. É só esperar.


Enviado do Outlook




O jurista e professor Luiz Moreira, ex-membro do Conselho Nacional do Ministério Público, criticou a condução dos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e desafiou Sérgio Moro e outros magistrados a apresentarem alguma prova da culpa do petista.
"Lula faz um desafio e esse desafio deveria calar fundo na sociedade brasileira: 'apresente um fiapo de prova'. Qual é a prova contra o Lula? Tem alguma mala contra o Lula? tem algum recibo contra o Lula? O presidente Lula tem alguma conta secreta, sabida que recebeu dinheiro em Curitiba? Existe alguma gravação contra o Lula? Todo mundo tem celular... (...) Não é possível que na sociedade em que todos são gravados, que o Ministério Público quebra sigilos, que há conduções coercitivas a torto e a direito... O presidente Lula pede que apresentem uma prova", disse, em entrevista exclusiva à TV 247. 
"O Ministério Público, a Justiça Federal, a Polícia federal, que prendem e arrebentam, são incapazes de apresentar uma única prova."
"Qual é a dimensão que nós temos em 24 de janeiro? Nós temos o maior líder popular deste país, o homem que hoje protagoniza as eleições de 2018, os homens que os institutos de pesquisa dizem que ganhará as eleições em primeiro turno. Qual era o projeto? O ministério Público, o juiz Sergio Moro e acharam que o Lula iria se acovardar, que ele recuaria colocaria o rabo entre as pernas e se renderia. O corre que, se eles politizaram o processo, o presidente Lula apresentou uma defesa extremamente técnica", completa.

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MÍDIA - Os piores do ano.


Cantanhêde, Waack e os piores da mídia no ano

Por Pedro Zambarda de Araujo, no blog Diário do Centro do Mundo:

Num universo pleno de nulidades, eis os jornalistas que, em 2017, prestaram um serviço inestimável para desmoralizar sua própria profissão e uma imprensa já com a credibilidade no lixo.

1. Eliane Cantanhêde

A colunista que mais bajulou Temer (o que foi aquele Roda Viva, pelo amor de Deus?) atravessou 2017 com uma série de lambidelas constrangedoras em possíveis candidatos a destruir Lula.

Em 5 de fevereiro, ela fez uma previsão de Mãe Dinah sobre Temer que tinha o título apropriado de “Agora Vai”. Acabou fondo.


Em maio, apostou em João Doria Jr. como o “anti-lula” e um “tucano diferenciado”, relembrando do apoio do prefeito liderou o furado movimento “Cansei” com celebridades contra o mensalão entre 2005 e 2006.

No mesmo mês, Cantanhêde afirmou que o antagonismo entre Lula e Bolsonaro preparado para 2018 “abre espaço pra um novo Macron”. Com Doria afundado no escândalo da ração humana, ela vai ter que se contentar com Geraldo Alckmin.

Cantanhêde falou que o ex-ministro Guido Mantega iria para o sacrifício como o “novo Dirceu” e torceu pela delação de Antonio Palocci.

Em casa, o marido de Eliane tem medo de perguntar o que tem para o jantar.

2. Augusto Nunes

O menino de Taquaritinga passou o ano todo na Veja e na Rádio Jovem Pan batendo em Lula, a quem chama de “delinquente”, “psicótico” etc.

Jura de pé junto que o ex-presidente usou Marisa Letícia no caso do triplex. A inovação do velho Augusto em 2017 foi uma nova forma de insultar Guilherme Boulos, xingando-o de “revolucionário de galinheiro”.

Seu auge no ano ocorreu numa edição do programa Roda Viva sobre questão racial. Alguém lembrou Augusto que ele nunca chamou negros para entrevistas ou para o papel de entrevistadores. Ele tentou argumentar que já convidou Pelé, mas o rei não topou. Pronto. Augusto é coisa de branco.

3. Merval Pereira

O imortal da Globo está na torcida pelo julgamento de Lula no TRF-4, conforme sua coluna no dia 13 de dezembro. Antes disso, torceu por Luciano Huck presidente, lamentou num número grande de artigos as decisões do PSDB e defendeu todas as reformas de Temer, da trabalhista até a da Previdência.

Desde novembro, Merval Pereira diz que Geraldo Alckmin não tem chance com a “campanha agressiva” de Lula e de Bolsonaro e denuncia “forças anti-Lava Jato”. Talvez o nosso literato não tenha analisado o quanto de estrago foi produzido em cima de decisões judiciais precipitadas e de textos desastrados como os dele.

4. Ricardo Noblat

Depois de perguntar para o amigo Michel Temer como ele conheceu Marcela no Roda Viva em 2016, Noblat produziu certamente a maior barrigada de 2017: disse que Temer tinha decidido renunciar em coluna publicada no dia 18 de maio, logo após a divulgação das gravações com Joesley Batista.

Noblat não só deu chute do tipo se colar, colou, como foi desmentido numa coletiva presidencial nacional transmitida em TV aberta, consagrando o vexame. Para se afundar mais, o blogueiro de O Globo voltou a exaltar Marcela, por quem nutre uma obsessão de tio esquisito, em 25 de outubro, quando Temer estava internado com problema médico urológico.

5. Reinaldo Azevedo

Alvo de um vazamento “seletivo” de Rodrigo Janot, que divulgou conversas suas com a irmã de Aécio Neves, Andrea, Reinaldão se transformou num crítico pesado da Operação Lava Jato.

Foi demitido da Veja e da Jovem Pan para fincar raízes na RedeTV, na Rádio Bandnews e numa coluna que já tinha no jornal Folha de S.Paulo.

Os antigos antipetistas que liam Reinaldo Azevedo estão indignados com ele, acusando-o de estar a serviço de Lula. Muitos “petralhas” agora o amam. Reinaldo repete apenas repete Gilmar Mendes, seu irmão siamês no Judiciário.

6. Diego Escosteguy

Depois de liderar a torcida organizada da Lava Jato em 2016 dando uma força para a condução coercitiva de Lula, Escosteguy teve um ano complicado.

O editor-chefe da revista Época fez uma entrevista exclusiva com Eduardo Cunha no mês de outubro e disse, no Twitter, que ela não foi feita “na Papuda ou em qualquer complexo prisional”.

Até hoje ele não explicou direito essa história de falar com Cunha fora da cadeia, mas para quem inventou uma entrevista com Joaquim Barbosa, então presidente do STF, isso é fichinha.

Depois de tantos serviços prestados, Escosteguy ainda levou um pé na bunda de seus patrões. Deixará o posto de editor-chefe na revista Época para fazer sabe Deus o quê.

7. Joice Hasselmann

A ativista plagiadora da direta xucra (o termo é do ex-amigo Reinaldo Azevedo) ganhou emprego na Jovem Pan e virou um “fenômeno” no YouTube com um canal em que faz a alegria de milhares de analfabetos funcionais.

Joice fala vagamente de outros nomes da direita, elogiando pontualmente João Doria Jr. e Tasso Jereissati. Mas o candidato dela pra 2018 é mesmo o fascista Jair Bolsonaro. Tudo apoiado pelo guru Olavo de Carvalho.

Seu grande feito foi ser inocentada por um juiz depois de chamar uma senadora petista de “anta”, “gentalha”, “semianalfabeta” e “cretina”.

Até 2019 ela promete revelar de onde vem o inexplicável sotaque carioca, já que nunca passou mais de um feriado prolongado no Rio de Janeiro.

8. Felipe Moura Brasil

O olavete Felipe Moura Brasil, herdeiro do colírio, escreveu em seu blog na Veja, antes de abandonar seu antigo emprego de blogueiro da Veja, que o filme “Moonlight” levou o Oscar de 2017 por atender “valores políticos da Academia”.

Na opinião dele, os cineastas estariam fazendo um estágio em Cuba ou no Foro de São Paulo.

Novo reforço do site de extrema-direita Antagonista, ele diz que existe um “lulismo de Aécio Neves” e que o filme da Lava Jato foi um sucesso absoluto. Felipe é o colírio de seu guru Olavão.

9. Míriam Leitão 

A colunista de economia da Globo defendeu em pleno Ano Novo que o corte de 12 mil vagas em novembro de 2017, logo após a reforma trabalhista, não foi menor do que em 2016.

Além do tradicional malabarismo com números, Míriam Leitão não soube explicar em junho o suposto atentado contra ela perpetrado por militantes petistas num voo.

Conforme apontou Kiko Nogueira no DCM, um vídeo apareceu com meia dúzia de militantes gritando o manjado “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura” quando ela foi reconhecida.

Se Míriam não prestou queixa e mentiu sobre um episódio prosaico desses, imagine o que ela não faz com o noticiário de economia.

10. Thais Herédia

Ex-colunista e comentarista de economia do G1 e da Globo News, Thais defendeu as reformas do governo Temer e chegou a emplacar a lendária frase: “recessão e desemprego derrubam inflação e devolvem poder de compra aos brasileiros”.

Depois de sete anos no portal de notícias e cinco no canal de TV, foi demitida sem aviso prévio em meio aos cortes da empresa em que trabalha.

A vida é cruel.

11. Rodrigo Constantino

Ex-Veja, Constantino dá suas cacetadas atualmente na falida IstoÉ e no jornal Gazeta do Povo, aquela publicação do Paraná que criou um site para delatar professores acusados de “doutrinação ideológica”.

Atualmente ele fala que o “patriotismo racional” de Olavo de Carvalho é a solução para o Brasil de 2018. É uma das vozes mais histéricas em prol do governo Donald Trump, seja lá o que isso signifique.

A última dele foi afirmar que o Chewbacca, do filme “Star Wars VIII: Os Últimos Jedi”, havia se tornado “vegano”. Consumir Olavo não faz bem pra saúde mental.

12. William Waack

Uma espécie de Jabor com segundo grau completo, Waack apareceu num vídeo gravado durante a posse de Trump afirmando que o barulho de buzinas em frente à Casa Branca era “coisa de preto”.

Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo, Rachel Sheherazade e um cinegrafista branco que se declara negro tentaram passar pano no racismo do colega, mas a demissão veio no dia 22 de dezembro de 2017. A boa notícia para ele é que o SBT de Silvio Santos o espera de braços abertos - eventualmente, numa dobradinha com Sheherazade.

13. Nenhuma lista de maiores malas da imprensa fica completa se não tiver Luiz Felipe Pondé, o homem do cachimbo, o filósofo que faz a cabeça de quem não tem cérebro

Pondé brilhou em vários momentos do ano. Em junho, revelou um complô PT-Globo-MP para favorecer Lula em 2018. Sério.

Mas o melhor ficou para depois. Em dezembro, pintou um cenário apocalíptico-lisérgico no caso de uma vitória lulista.

“Desta vez, o projeto ‘a Venezuela é aqui’ se organizará de forma mais concreta”, previu o meninão. “O Poder Judiciário, já em grande parte na mão da “malta” do PT, servirá ao partido de forma sincera e submissa, destruindo a autonomia da Justiça”.

Pondé, seu lindo, vai malandro!

Lawfare en Latinoamérica !!

POLÍTICA - Excelente artigo do Bresser Pereira.


Jornal GGN - Luiz Carlos Bresser-Pereira publicou um texto em sua página no Facebook, na noite de quarta (27), tentando levantar os motivos que explicam parte do ódio fomentado entre brasileiros nos últimos anos. Após citar autores e suas teorias, Bresser aponta que o caminho para superação dessa crise deve passar pelas próximas eleições, com candidatos exercitando não o ódio, mas debatendo sobre programas que interessam ao desenvolvimento e inclusão.
Por Luiz Carlos Bresser-Pereira
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Depois do ódio
Em 2014, em artigo em Interesse Nacional, “O mal-estar entre nós”, escrevi, preocupado, que uma coisa que eu não havia visto anteriormente, o ódio, havia surgido entre as elites econômicas brasileiras. Poucos leram esse artigo, mas, em fevereiro do ano seguinte, em longa entrevista a Eleonora de Lucena na Folha de S. Paulo, esta preocupação apareceu no título da matéria, e teve ampla repercussão.
Por que esse ódio? Afinal o governo de Lula nada teve de radical; definitivamente não prejudicou as elites econômicas brasileiras. No artigo do 2014 eu usei como explicação a observação de Claudio Gonçalves Couto sobre o “incômodo” dessas elites, inclusive a classe média tradicional, de encontrarem nos aeroportos e nos shopping centers representantes da classe C. Essa explicação tornou-se, depois, paradigmática, mas hoje quero oferecer uma explicação mais ampla para o ódio na política brasileira.
Jesse Souza está fazendo grande sociologia crítica, como há muito tempo não acontecia no Brasil. E sua crítica se estende aos intelectuais. Seu último livro, “A Elite do Atraso” precisa ser lido. É obra de um intelectual crítico, não de um intelectual-político; ele pensa de acordo com a ética da convicção, não a ética da responsabilidade. Por isso, não é possível deduzir políticas diretamente de sua crítica, que é radical, mas ela obriga a pensar.
Para Jessé, o que define o Brasil é a escravidão. É uma interpretação melhor do que a do “patrimonialismo”, que ele critica porque entende que esta é uma forma de empurrar a culpa do nosso atraso econômico e políticos para o Estado, seus políticos e seus burocratas, deixando a elite econômica esquecida, e do “populismo”, que seria uma forma demonstrar a incapacidade do povo de votar de maneira “certa”. A meu ver, faz pouco sentido explicar a corrupção hoje existente no Brasil com o patrimonialismo; essa corrupção é capitalista, deriva de ser o dinheiro ou o capital o valor maior nesse tipo de sociedade. Quanto ao populismo político – a relação direta do líder político com o povo sem a intermediação dos partidos e ideologias –, ele muitas vezes é a maneira de um povo, por séculos ignorado, atuar na política pela primeira vez.
A escravidão é ainda a marca maior da sociedade brasileira, porque ela durou tempo demais, e porque abrangeu uma grande parte da população, tornando o Brasil um país mestiço. Ao colocarmos a escravidão no centro da interpretação do Brasil, compreendemos porque, objetivamente, a sociedade brasileira é tão desigual, e, no plano subjetivo coletivo, porque o preconceito social e racial é tão grande nas nossas elites inclusive a classe média tradicional.
Conforme afirma Jessé, essa elite despreza povo, porque ela é branca e rica, e o povo é pobre e mestiço; porque ela vê esse povo como gente de segunda classe. Ela prefere se associar às elites dos países ricos, aos seus “iguais”, ao invés de se associar ao povo. Por isso ela rejeita o nacionalismo econômico, que implica uma solidariedade básica da classe capitalista com a classe trabalhadora em torno do interesse comum pelo mercado interno, e adota o liberalismo econômico como ideologia.
Estava essa elite posta em sossego até que, em 1986, o Brasil se tornou um país democrático, ao garantir o sufrágio universal. Os analfabetos passaram a ter direito a voto, associaram-se ao restante da maioria da população pobre, e se tornaram uma força política. Que escolheu Lula como seu líder.
Vem daí o ódio a Lula. De haver nascido deste povo, e não ter renunciado a ele. Ele poderia tê-lo feito; tantos políticos de esquerda se deixam cooptar. Lula fez acordos, mostrou que não podia governar sem algum apoio dessas elites, e fez o melhor dos seus esforços para chegar a um acordo com elas, mas continuou povo, e isto é indesculpável.
Estará o Brasil condenado ao ódio e ao desentendimento? Não creio, porque a elite brasileira não é um monólito. Ainda que uma minoria, há nela muitos nela que sabem que seu preconceito social e racial precisa ser superado, que o ódio é irracional e insustentável. Uma nação e uma democracia não podem existir sem política, e nela não há lugar para inimigos a serem excluídos, mas para adversários que se respeitam.
O ano que está para começar é ano de eleições presidenciais. É um momento no qual a política precisa estar viva, livre e atuante, com candidatos defendendo programas e ideias, não exercitando o ódio. Assim teremos um presidente eleito democraticamente, seja quem for ele, e o caminho possível, mas difícil, para o depois do ódio, para a pacificação dos espíritos, estará à nossa frente. 

POLÍTICA - Rentistas, os parasitas do capitalismo.



Jessé Souza: Rentistas precisam desmoralizar a política para acabar com a soberania popular



  
Charge do Outras Palavras
A sociedade brasileira foi vítima​,​ a partir de 2013​,​ de um dos ataques mais insidiosos e virulentos do capitalismo financeiro internacional.
O ataque teve um sentido duplo: quebrar a nascente experiência do​s​ BRICS​,​ enquanto tentativa de inserção internacional autônoma do país​,​ e transformar o orçamento público via dívida pública – gigantesca fraude de socialização de prejuízos e privatização de lucros​.​ ​
A​lém ​de ​​transformar ​as riquezas nacionais em um espaço livre para a rapina econômica de uma ínfima elite.
Como as outras frações dos proprietários, como o agronegócio ou a indústria, retiram seu lucro maior, crescentemente, também da fraude financeira, a fração financeira do capital passa a ter o comando do processo econômico e do processo político.
O capitalismo financeiro não é apenas uma nova ordem econômica mundial.
Ele não muda apenas a forma e a velocidade da acumulação do capital e a forma de​ controle do processo de trabalho.
Ele também criminaliza e estigmatiza a esfera política para que esta perca qualquer autonomia​,​ e a agenda predatória financeira possa se impor sem qualquer restrição.
E, acima de tudo, deseja evitar a mediação política como expressão de interesses das classes populares.
Daí a criminalização dos movimentos populares, o ataque aos sindicatos e a estigmatização dos partidos de esquerda.
Na dimensão simbólica o ataque foi planejado há décadas pela disseminação de “think tanks” conservadores no mundo todo e pela compra e cooptação da indústria cultural e da imprensa a nível mundial.
O núcleo duro da nova forma de poder é bifronte: o capital financeiro assalta a população e legaliza sua corrupção pela compra da ​P​olítica e do ​J​udiciário; e a grande imprensa frauda o público ​com a​ distorção sistemática da realidade.
Essa estratégia de manipular as mentes para assaltar o bolso dos imbecilizados já tinha sólida tradição no Brasil.
Como mostro no meu livro mais recente (“A elite do atraso”, Leya, 2017) a elite paulistana constrói a criminalização seletiva da política, contra Getúlio Vargas e seu projeto nacional, ao cooptar a elite intelectual e fundar a imprensa elitista e venal que hoje possuímos.
A ascensão de Vargas, com apoio da classe média “tenentista”, havia mostrado à elite a necessidade de​ control​ar​ a heterodoxia rebelde da classe média letrada.
Se​,​ em relação ​à​ classe trabalhadora e ​à​ “ralé” de marginalizados​,​ a violência material e física era, e continua a ser, o tratamento “normal”, em relação à classe média a estratégia teria que ser outra.
Como a pequena elite precisa da classe média como aliada carnal no exercício diário da dominação econômica social e política, a classe média tem que ser seduzida e conquistada.
Daí a estratégia de convencimento e,​ não​,​ de repressão.
Para “convencer” s​ão necessárias​ ideias e uma imprensa elitista e venal para distribui-las.
Essa elite cria então a USP como ​um​ gigantesco “think tank” do liberalismo conservador brasileiro​.​ ​
E faz dela a ​universidade de referência nacional, que forma os professores e estipula os critérios das outras universidades.
Assim, temos a formação de todas as elites nacionais segundo uma referência comum.
Essa referência nacional comum vão ser as ideias centrais de patrimonialismo e de populismo ambas criadas e difundidas na USP.
A primeira diz que a corrupção é só do Estado e da política para tornar invisível a corrupção do mercado​, que se torna​ possível pela captura do Estado enfraquecido e criminalizado.
Depois, ainda diz que a elite do mal está no Estado​, enquanto o mercado​ é um espaço idealizado só de virtudes como ​o ​empreendedorismo, ​a ​honestidade, ​o ​trabalho duro e ​a ​iniciativa individual.
Já o populismo serve para tornar as classes populares suspeitas de burrice inata e, portanto, presa fácil de líderes demagógicos e manipuladores.
Com isso, de uma penada, pode-se mitigar o princípio da soberania popular e tornar suspeita qualquer liderança popular.
São essas ideias, distribuídas desde então pela mídia venal todos os dias, que envenenam a capacidade de reflexão da população e da classe média.
Como se não bastasse, criou-se também uma narrativa histórica de longa duração, baseada nessa visão distorcida​.
Ela possibilita uma singularidade “vira lata”​,​ hoje patrimônio indissociável de todo brasileiro.
É que a corrupção dos tolos, só do Estado e da política, passa a ser percebida como herança portuguesa e agora ensinada não só nas universidades, mas, também a toda criança brasileira na escola.
O ridículo dessa crença que supõe existir ​no século XIV em Portugal noções que foram criadas no século XVIII, como a noção moderna de ​”​bem público​”,​ que pressupõe a ideia de soberania popular, não parece ter incomodado ninguém.
O ponto decisivo, ao arrepio da verdade e da inteligência, é inverter o sentido d​a​ apropriação do público: ​passa a ser ​um ​atributo do Estado e da política​,​ e​,​ nunca​,​ do mercado e da elite de proprietários.
Sem esclar​ecer ​essa pré-história​,​ a conjuntura atual é incompreensível.
​O​ golpe de 2016 é uma continuidade aprofundada e mais cruel dessa grande fraude brasileira que começa em 1930.
Todos os golpes de Estado desde então tiveram exatamente o mesmo roteiro.
No golpe recente não apenas se reverberou a mentira pronta de cem anos da corrupção dos tolos e do populismo.
Sob o comando da ​R​ede ​G​lobo e da farsa da “​L​ava ​Jato”​ atacou-se também o próprio princípio da igualdade social como maior valor do ​C​ristianismo e da cultura ocidental.
O ataque seletivo ao PT, entre 2013 e 2016, como “organização criminosa”, narrativa criada pela ​R​ede ​G​lobo e depois assumida pela própria “lava a jato”, desnudando seu conluio midiático e elitista, é o principal elemento da conjuntura política atual.
Assim, além da criminalização da política e das lideranças populares, procurou-se criminalizar, também, a própria noção de “igualdade” como valor em si.
É que o PT, com todos os seus defeitos, foi a única verdadeira novidade da política brasileira nesses últimos cem anos.
Um partido que nasceu, em grande medida, de baixo para cima, uma espécie de confederação de movimentos sociais e associações de trabalhadores do campo e da cidade, e que procurou assegurar uma pequena parte da riqueza social e do orçamento público também para a maioria mais carente.
Ao criminalizar apenas o PT – enquanto nos outros partidos se “fulaniza” a corrupção – a mídia e a farsa da “lava jato” conseguiram rebaixar a própria demanda por igualdade, que o PT simbolizava para as classes populares​.​
​P​ara onde v​ão​ o ressentimento e a raiva que os excluídos sentem pela exclusão injusta?
Sem expressão racional e política possível, a raiva e o ressentimento popular se transformam em massa informe de anseios, medos e desejos irracionais ​à​ procura de expressão.
Esse é o verdadeiro pano de fundo para as eleições de 2018.
Jair Bolsonaro como ameaça real só é compreensível pela ação conjunta do conluio grande mídia/​R​ede ​G​lobo e ​L​ava ​J​ato.
Por sua vez, a imunidade parcial de Lula é reflexo da inteligência prática das classes populares​,​ que percebem a política como jogo dos ricos e corruptos, e querem saber unicamente o que sobra para eles no final.
E foi Lula quem entregou algo a quem nunca teve nada.
Apesar do sucesso pragmático inicial​,​ o golpe perde legitimação a cada dia.
Seu planejamento míope e de curto prazo cobra agora alto preço dos que sujaram a mão pela elite do saque: a imprensa venal que arriscou seu capital de confiança; a casta jurídica que acobertou a ​L​ava ​J​ato e destruiu a segurança jurídica; e a política tradicional​,​ que perdeu qualquer legitimidade.
Articuladores tão medíocres fizeram com que, pela primeira vez nestes cem anos de domínio material e simbólico da elite do saque, as entranhas do país real estejam ​à​ mostra como nunca dantes.
Tudo que era sólido se desfez no ar.
Todas as ideias que colonizavam a ​D​ireita e a ​E​squerda também.
As oportunidades abertas pelo fracasso na legitimação do golpe são revolucionárias.
Elas podem, efetivamente, permitir expor a crueldade do domínio de uma elite mesquinha e de seus prepostos hipócritas na mídia e no aparelho de Estado.
Abre-se a possibilidade objetiva de um processo de aprendizado histórico inédito no Brasil.
O problema real da oposição de “​E​squerda” é que ela foi criada neste mesmo jogo e, ainda pior, nas mesmas ideias.
A ​E​squerda é tão miopemente moralista quanto a ​D​ireita.
Também não possui ideias próprias acerca do funcionamento da sociedade nem do Estado.
Daí ter perdido a narrativa da ascensão social, que ela mesma produziu, para as igrejas evangélicas.
Daí ter aparelhado e dado força ​à​s instituições de Estado que​,​ depois​,​ a perseguiram com sanha assassina.
Como em toda crise radical temos agora em 2018 tanto a possibilidade do caos quanto a oportunidade do novo.
O discurso da E​squerda não pode ser o da volta ao passado, mas o do aprendizado de um novo futuro.
O desafio é difícil mas incontornável.
*Sociólogo, foi presidente do IPEA e hoje dirige a Escola do Tribunal de Contas do Município de São Paulo​
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

PETROBRAS - Gerência de Desmonte da Petrobras.

A&D a gerência do “desmonte” da Petrobras

A&D a gerência do “desmonte” da Petrobras

Marcelo Auler

“Ela deve ter ido vender alguma coisa“. A frase, dita em tom jocoso pelo presidente da Petrobras, Pedro Parente, no último dia 21 de dezembro, ao não localizar Anelise Quintao Lara, gerente executiva  da área de Aquisição e Desinvestimento (A&D) da empresa, durante a sua apresentação do Plano de Negócios e Gestão 2018-2022, para ele pode ter significado apenas uma piada. Mas, para grande parte da plateia – gerentes que o assistiam ao vivo e os empregados via web – foi mais um sinal vermelho sobre as metas que o governo Temer traça para a estatal.
“Esta anedota sugere, de forma inequívoca, que a gerência de Aquisições e Desinvestimentos deveria perder o “A” e ficar só com o “D”, que na verdade soa como desmonte”, registra o Boletim do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro – Sindipetro-RJ, distribuído no último dia 26, do qual retiramos a ilustração ao lado.
Esta política de “desinvestimento” (ou de “desmonte”, como diz o Sindipetro-RJ), já apresenta resultados alarmantes, como demonstrou um estudo da Associação dos Engenheiros da Petrobras – AEPET.  Em abril passado ela vendeu 90% das ações da Nova Transportadora do Sudeste,  com sua rede de gasodutos, arrecadando R$ 6,279 bilhões. Já no segundo trimestre deste ano, conforme seus relatórios indicam, pagou R$ 1,01o bilhão como aluguel pela utilização dos gasodutos de terceiros.
“Ou seja, um valor de aproximadamente 1/6 (um sexto) do efetivamente recebido pela venda da NTS foi gasto com o aluguel dos próprios gasodutos em apenas um trimestre. Isso significa que, mesmo não levando em consideração nenhuma taxa de desconto ou correção monetária, todo o valor recebido pela venda da NTS terá sido pago em alugueis em apenas 18 meses“, diz o estudo da AEPET – NTS: Crônica de um prejuízo anunciado.
A partir da “piada” de Parente, o Sindipetro-RJ foi atrás da estrutura montada na Gerência de Aquisição e Desinvestimento (A&D). Ou a “Gerência do Desmonte”, como preferiu definir.
Descobriu que se trata, como narra no artigo Gerência Executiva da Petrobrás foi criada apenas para vender ativos à moda Temer e Parente, de uma estrutura “criada quase totalmente com indicações bem pagas para assinar e avalizar todo tipo de venda sem considerar o interesse da companhia, nem do país, somente daqueles que os valorizam com as gratificações gerenciais“.
Uma estrutura que, no fundo, tem mais cacique do que índio. Com 60 empregados, a Gerência possui 45 cargos comissionados e apenas 15 de profissionais e técnicos. Destes, 10 são empregados concursados e cinco contratados, como mostra o quadro divulgado pelo Sindipetro-RJ. No boletim, a diretoria expõe:

Anelise Quintao Lara: “deve estar vendendo alguma coisa”
“É de se estranhar tamanha desproporcionalidade entre o número de cargos de função gerencial para o número de profissionais (empregados e contratados) sem função. Tais métricas divergem completamente de outras gerências da empresa que apresentam um número de funções gerenciais compatível com o número de empregados“.
Ainda conforme o Boletim, “há gerências executivas com mais de 2.000 profissionais (incluindo contratados) com menos de 10% de funções gerenciais. Esta relação desproporcional não parece algo lógico, eficiente, “conforme”, nem “em compliance”, contradizendo inclusive diretrizes que foram propagadas no recente processo de reestruturação da empresa”
É a tropa chefiada pela gerente executiva Anelise Quintao Lara, aquela a quem Parente não encontrou e logo vaticinou: “Ela deve ter ido vender alguma coisa“.
Mesmo com esta estrutura toda montada para aquilo que o sindicato define como “desmonte” da empresa, a Petrobras encontra resistência.
O Sindipetro-RJ diz que a pressão é grande, a perseguição também. Mas empregados resistem.
Fala de técnicos que, ao conhecerem os ativos que se pretende colocar à venda, se recusaram a assinar documentos que endossariam esta política, por eles considerada “estapafúrdia” e respaldada em relatórios “estranhos”.
Ao se recusarem a endossa-la, foram obrigados a assinar documentos de confidencialidade, que os impede de divulgar tais fatos. Ainda assim, chegaram ao conhecimento dos sindicalistas.



ecimentos.