terça-feira, 28 de abril de 2020

CORONAVÍRUS: QUANDO VAI ACABAR A QUARENTENA? | Miguel Nicolelis | Destaq...

O É da Coisa, com Reinaldo Azevedo - 28/04/2020

Tragédia anunciada: BRASIL supera CHINA em mortes por CORONAVÍRUS

Revolução dos Cravos, 46

Altamiro Borges: A pandemia nas periferias e favelas

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Altamiro Borges: Flávio Bolsonaro e as milícias do RJ

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Vídeo da força aérea dos EUA mostra OVNI a 9.000 metros de altitude

US Navy confirms UFO videos are the real deal

segunda-feira, 27 de abril de 2020

JFT: BOLSONARO IGNORA TUDO E LEVANTA A BOLA DE GUEDES

Altamiro Borges: Flávio Bolsonaro e as milícias do RJ

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Reinaldo Azevedo: General da Saúde deve uma explicação. E o "enrolation"...

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Rovai e Torturra debatem o jornalismo em tempos de Coronavírus e BOLSONA...

�� Jornal Brasil Atual - 27.04.2020

Altamiro Borges: A pandemia e o momento do golpe

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Altamiro Borges: Generais sustentam o capitão. Até quando?

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Altamiro Borges: Sergio Moro não é um herói

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Altamiro Borges: As mortes escondidas em Minas Gerais

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Altamiro Borges: A geopolítica do petróleo na pandemia

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Altamiro Borges: Uma bolsonarista arrependida

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Altamiro Borges: Genocídios por atos, gestos e palavras

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"Grândola, Vila Morena" - Zeca Afonso @ Revolução dos Cravos, 25 de Ab...

ESPIRITISMO - Atualização do "Livro dos Espíritos".

Os espíritos “superiores” estão atualizando O Livro dos Espíritos, por Marcos Villas Boas

Não há seres superiores ou inferiores, e esse deve ser um dos pontos a serem atualizados no projeto sobre as visões mais atuais e profundas a respeito das 1.019 perguntas do livro escrito por Allan Kardec

Os espíritos “superiores” estão atualizando O Livro dos Espíritos

por Marcos Villas Boas*

Os espíritos mais iluminados são aqueles mais lúcidos. Como eles explicam, ter luz significa ter lucidez, o que vem da expansão da consciência. Não há seres superiores ou inferiores, e esse deve ser um dos pontos de O Livro dos Espíritos a serem atualizados no projeto que está sendo realizado para trazer visões mais atuais e profundas a respeito de cada uma das 1.019 perguntas do livro escrito por Allan Kardec com ajuda dos espíritos, que falaram por médiuns.
Espíritos muito lúcidos, membros do que se chama de A Grande Fraternidade Branca, boa parte envolvida com a elaboração de O Livro dos Espíritos no século XIX, estão incorporando novamente em médiuns que não se conhecem para atualizar o trabalho frente a todas as mudanças científico-filosóficas, socioeconômicas e outras havidas nos últimos 163 anos, desde a publicação do livro.
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Segundo o Pai João de Angola, um fractal da consciência do mestre conhecido como Kuthumi (ou Koot Hoomi), explica no vídeo que pode ser acessado por este link que o objetivo não é contradizer o que foi feito antes, mas apenas trazer para hoje. Assim como sabemos mais quando temos trinta anos do que quando temos dez anos, em 2020 sabemos imensamente mais do que quando estávamos em 1857, ano em que O Livro dos Espíritos foi publicado pela primeira vez. Quase tudo mudou profundamente de lá para cá.
E como se pode saber que esse projeto chamado de O Livro dos Espíritos atualizado para o século XXI é de confiança? Allan Kardec ensinou que cada um deve ouvir os espíritos falando e perceber se aquela mensagem é realmente lúcida, se o médium parece bem sustentado e assim por diante. Não adianta ficar buscando uma falsa segurança na palavra do outro.
Cada um deve sentir no seu coração se o que é dito ali faz sentido para si, mas bem atento para que não exista nenhum apego ao que se acreditava antes. Se o indivíduo for ouvir as mensagens deste novo trabalho apegado ao que foi dito no passado tenderá a ter desafios para aceitar em seu coração o que é dito agora, ainda que seja somente um aprofundamento.
Kardec sempre afirmou que estava criando uma corrente científico-filosófica progressiva, que evoluiria com o tempo. Se ele tivesse vivido 300 anos, estaria provavelmente até hoje falando com os espíritos e atualizando o que havia escrito antes, aprofundando e assim por diante. É a humilde, porém audaciosa, proposta deste trabalho realizado agora com a chancela dos espíritos lúcidos.
Este que aqui escreve recebeu uma intuição quando assistia o filme Kardec pela segunda vez para que realizasse esse projeto com alguns amigos. Ao contatar um amigo que é médium muito ostensivo, este conversou com seus guias e confirmou que o trabalho deveria ser realizado.
No primeiro vídeo do projeto (clique no link aqui), no qual o espírito guardião do médium referido responde às perguntas 1 a 6 de O Livro dos Espíritos, ele também explica como o trabalho deve ser realizado, como foi previamente definido no plano espiritual e a razão de ele vir à dimensão encarnada neste momento.
Já neste primeiro vídeo, são trazidas visões sobre Deus muito profundas e que somente agregam àquelas do livro original, permitindo uma compreensão que incentiva uma conexão direta de cada ser humano com o Todo e a expansão da consciência, por meio da liberação das ilusões, de modo a chegar a uma maior presença do espírito na matéria.
Todo o trabalho é um bálsamo de sabedoria e de incentivo ao auto-amor, ao sentir e ao equilíbrio das dualidades com vistas na unificação com Deus, o Todo, a presença sentida. Vai-se da física quântica aos conhecimentos atlantes, passando por estudos acerca dos mais diversos sistemas estelares como origens dos seres que habitam a Terra, dentre outras informações interessantíssimas para uma maior compreensão de como podemos manifestar mais do Deus que existe em nós e ainda compreender melhor a história do planeta, sua relação com os demais, dentre muitos outros temas palpitantes.
O projeto está sendo convertido em livro e será publicado em diferentes volumes que trarão as respostas dadas pelos espíritos no século XIX e depois as respostas dadas pelos espíritos no século XXI, para que cada leitor possa fazer um estudo considerando as evoluções acontecidas nos últimos cento e sessenta e três anos.
O primeiro volume do livro sai ainda neste ano, mas os vídeos de cada trabalho já estão sendo todos publicados na íntegra para que os interessados não percam nenhuma resposta dos sábios espíritos.
*Marcos de Aguiar Villas-Bôas é um dos organizadores do projeto O Livro dos Espíritos atualizado para o século XXI, Doutor em Filosofia do Direito pela PUC-SP, autor do livro “Luz, Sombra, Dualidade, Unificação: a cura para todos os males”, palestrante e terapeuta.

POLÍTICA - A China não é capitalista.


ALBERTO GABRIELE E ELIAS JABBOUR: A CHINA NÃO É CAPITALISTA (UMA RESPOSTA A BRANKO MILANOVIC)

27/04/2020
Por Alberto Gabriele e Elias Jabbour*
Resposta ao artigo de Branko Milanovic publicado no jornal El Pais.
O artigo “A China é realmente capitalista?” (El Pais, 15/04/2020) é um exemplo impressionante de equívocos grosseiros sobre quais são as diferenças realmente importantes entre capitalismo e socialismo.
Determinados simplismos, mesmo que venham de acadêmicos ilustres e bem-intencionados, não apenas criam muita confusão intelectual. Eles também minam e desmoralizam qualquer tentativa de encontrar uma saída do profundo buraco da miséria e do desespero em que os multibilionários estão chutando a grande maioria da humanidade. Logo, este tipo de artigo deve ser posto à forte crítica.
De acordo com Branco Milanovic: “Para ser capitalista, uma sociedade deve ser caracterizada pelo fato de que a maior parte de sua produção é realizada usando meios de produção de propriedade privada (capital, terra), que a maioria dos trabalhadores sejam assalariados (não vinculados legalmente à terra e que não sejam trabalhadores autônomos que usam seu próprio capital) e que a maioria das decisões relacionadas à produção e aos preços seja tomada de maneira descentralizada (isto é, sem ser imposta a empresas). A China atende aos três requisitos para ser considerada capitalista”.
Quanto ao terceiro requisito, Milanovic (acredita) que demonstra sua tese afirmando: “No início das reformas, o Estado estabeleceu preços para 93% dos produtos agrícolas, 100% dos produtos industriais e 97% das mercadorias vendidas no varejo. Em meados da década de 1990, essas proporções foram revertidas: o mercado determinou preços para 93% das mercadorias vendidas no varejo, 79% para produtos agrícolas e 81% para materiais de produção. Hoje, uma porcentagem ainda maior de preços é determinada pelo mercado”.
Esses números (diferentemente de muitos outros no artigo) estão corretos, mas são insuficientes para comprovar a tese de Milanovic. Pelo contrário, são totalmente consistentes com a essência do modelo socialista de mercado da China. De fato, o governo não define o preço do sorvete. O que nós chamamos de planejamento compatível com o mercado concentra-se mais nos principais objetivos estratégicos, como promover o investimento e a acumulação de capital, (quase) pleno emprego, inovação e progresso técnico, proteção ambiente e implementar megaprojetos de longo prazo como a Nova Rota da Seda e o Made in China 2025. Talvez Milanovic seja teoricamente ingênuo para entender esse ponto.
Vamos agora aos equivocos mais óbvios. Milanovic afirma: “(…) é altamente improvável que o papel do Estado no PIB total, calculado em termos de produção, exceda 20%, enquanto a força de trabalho empregada em empresas públicas e de propriedade coletiva representa 9% do total emprego rural e urbano (…). Antes das reformas, quase 80% dos trabalhadores urbanos estavam empregados em empresas públicas. Agora, após um declínio que continua avançando ano após ano, essa parte representa menos de 16%. Nas áreas rurais, a privatização de fato da terra sob o sistema de responsabilidade transformou quase todos os trabalhadores rurais em agricultores do setor privado”.
Estas afirmações não são verdadeiras.
Não houve privatização de terras na China. A terra ainda é de propriedade do Estado e, como o próprio Milanovic reconhece, “os agricultores não são assalariados, mas principalmente trabalhadores independentes, enquadrados no que a terminologia marxista chama de ‘pequena produção mercantil’” e, portanto, não estão submetidos a relações capitalistas de produção.
No que diz respeito às áreas urbanas, as estatísticas oficiais básicas mostram uma imagem muito diferente. O “Anuário Estatístico da China” (AEC) apresenta dados anuais para todas as empresas industriais acima de um tamanho determinado. Eles incluem dois títulos principais, empresas financiadas com fundos nacionais e empresas com investimento direto estrangeiro. As empresas de capital nacional incluem empresas Estatais, Coletivas, Cooperativas, Empresas de Capital Fechado, Sociedades de Responsabilidade Limitada (SRL), Holdings Industriais (HI) e Empresas Privadas (EP). Algumas SLRs são apenas corporações financiadas pelo Estado, mas a maioria é classificada sob o subtítulo “como outras SLRs”.
As empresas estrangeiras incluem Fundos de Hong Kong, Macau e Taiwan (EEHKMT) e Fundos Estrangeiros (FE – do “resto do mundo”). Portanto, existem três grupos de empresas capitalistas na China: EP, EEHKMT e FE. Para cada um deles, o AEC também distingue vários subgrupos. Para as empresas privadas, em particular, estas são cinco: Empresas (totalmente) de Capital Privado, Empresas de Sociedade Anônima Privadas (ESAP), SRLs privadas, Sociedades de Participação Industriais Privadas (SPIP) e outras empresas. Para cada tipo de dados (número de empresas, ativos, produção, ganhos etc.), a soma dessas cinco legendas corresponde exatamente ao valor atribuído às EP como um todo, o que indica inequivocamente que todas as outras empresas não pertencem ao setor privado nacional.
A única interpretação plausível das estatísticas industriais da China sobre empresas mistas é que existe uma parte substancial dos LSRs e as SPIPs não pertencem a capitalistas nacionais ou estrangeiros. Esse agrupamento residual, mas longe de insignificante, é classificado como Outras LCRs e “… pode incluir qualquer grau de propriedade estatal abaixo da propriedade total” (Hubbard P., 2015, Reconciling China’s official statistics on state ownership and control. EABER Working Paper Series Paper No. 120, p. 5)
Em resumo, a maioria das LCRs e SPIPs deve ser vista como joint ventures indiretamente controladas pelo Estado. Eles são o resultado do grande processo de corporatização realizado desde a virada do século e constituem o componente mais crucial da estratégia de desenvolvimento econômico de orientação socialista no que cerce a evolução dos direitos de propriedade. Portanto, são empresas conceitualmente não capitalistas. No setor industrial, as empresas não capitalistas incluem tanto diretamente (empresas estatais, coletivos, cooperativas, empresas estatais de propriedade conjunta e corporações financiadas exclusivamente pelo Estado) quanto empresas indiretamente controladas pelo Estado.
Dito isto, o que diz as estatísticas do AEC?
O papel das empresas financiadas por Investimento Estrangeiro Direto (IEDs) é importante, mas não primordial, e vem declinando nos anos 2010. As EPs se multiplicaram e agora são de longe a maior categoria no setor industrial da China em termos de número de empresas. Em termos de ativos e produção, eles também vêm crescendo, mas, em média, ainda são muito pequenos: as EPs representam mais de 25% do capital industrial da China e 45% de sua produção.
No entanto, as empresas não capitalistas consolidaram sua posição dominante em termos de ativos. Sua participação na produção industrial tem declinado, mas a uma taxa progressivamente decrescente, o que parece ter levado até agora a uma estabilização substancial de cerca de 48% do total. Sua participação nos lucros e no emprego industrial também se estabilizou em cerca de 40%.
A elaboração elementar de outros dados da AEC mostra que o grau de capitalização das empresas industriais não capitalistas é maior que o das empresas financiadas por IDEs e mais do que o dobro do das empresas públicas. Desde meados dos anos 2000, sua produtividade do trabalho também é maior que o das empresas capitalistas nacionais e estrangeiras. Seu nível médio de produtividade também é saudável, embora não tão saudável quanto o das empresas estatais.
Esse desempenho geral das empresas industriais não capitalistas é resultado de tendências muito diferentes em seus dois subcomponentes.
A relação capital/trabalho de empresas controladas diretamente pelo Estado mais que dobra a média da indústria e continua a aumentar, pois essas empresas carregam o fardo estratégico de levar a acumulação de capital da China além dos limites que enfrentaria um ambiente capitalista comum. Por terem que carregar essa cruz para o bem de todo o país, as empresas diretamente controladas pelo Estado pagam um preço em termos de indicadores de produtividade e rentabilidade no nível da empresa.
Por outro lado, as joint ventures controladas indiretamente pelo Estado têm amplo grau de liberdade para perseguir objetivos orientados ao mercado. Portanto, elas tiveram um desempenho melhor (pelo menos no nível da empresa); têm investido pesado e sua taxa de crescimento da produtividade do trabalho tem sido a mais alta da indústria chinesa, à medida que superam as empresas estatais e capitalistas. Em termos de lucratividade, as joint ventures indiretamente controladas pelo Estado têm um desempenho melhor do que suas contrapartes diretamente controladas pelo Estado, embora inferiores às das empresas capitalistas que maximizam o lucro.
Os dados sobre o emprego total (industrial e outros) confirmam que a relevância quantitativa do componente capitalista da economia chinesa não deve ser exagerada. A proporção de trabalhadores urbanos empregados em empresas privadas nacionais e estrangeiras tem aumentado e, em 2016, constituiu mais de 1/3 do total. A parcela de trabalhadores rurais empregados por empresas estatais também aumentou, atingindo 16% em 2016. A proporção geral de trabalhadores que trabalham para empresas capitalistas tem aumentado constantemente, atingindo mais de 25% em 2018.
No entanto, mais de 70% dos trabalhadores na China ainda são autônomos ou empregados em empresas não capitalistas e organizações públicas. Portanto, a grande maioria dos trabalhadores chineses não é diretamente empregada pelos capitalistas (veja Gabriele A., 2020 [a ser publicado], “Enterprises, Industry And Innovation In The People’s Republic Of China – Questioning Socialism From Deng To The Trade And Tech War”, Springer).
A China não é uma sociedade socialista perfeita. Nem sequer, e por variados motivos, se tomada por outras dimensões, poderá não ser vista como socialista em um sentido completo. (levando em conta, por exemplo, os resultados ainda lentos dos esforços em andamento para combater a desigualdade e a degradação ambiental). Mas certamente não é capitalista.
*Alberto Gabriele é ex-economista da UNCTAD. Pesquisador independente.
* Elias Jabbour é professor de Relações Internacionais e de economia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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CORONAVÍRUS - A incerteza veio para ficar.

É difícil de aceitar, mas a incerteza veio para ficar

Não saber o que vai acontecer amanhã, do ponto de vista profissional, material ou emocional, não é novo. Mas na actualidade intensificou-se a impotência, porque estamos a lidar directamente com o arquétipo de todos os medos – a morte.
Estamos imersos na incerteza. Quando é que o isolamento social vai terminar? Para quando uma vacina? O pico já foi atingido? As decisões políticas são apropriadas? Devemos abdicar da liberdade em nome da segurança? Como gerir os riscos de infecção em ligação com os da desprotecção socioeconómica? Até sobre a ciência nos interrogamos, porque também tem dúvidas, lida com modelos e hipóteses, e isto não é criticá-la, mas defendê-la da pressão da certeza. Com tantas perguntas, e estas são apenas as mais usuais, é natural que o mercado das convicções tenha crescido. Quer dizer, sempre esteve em alta. Agora é apenas mais revelador.
No ecossistema comunicacional só há certezas. Dizer “não sei” é proibido. Cada um utiliza ferramentas para demonstrar inequivocamente, sem reservas, recorrendo a factos e só a factos, a cálculos infalíveis, a estatísticas incontestáveis, que a sua visão é a única defensável. Toda a gente parece ter sido atingida pelo vírus da certeza absoluta. O que diria por estes dias o sociólogo Zygmunt Bauman, que passou a vida a tentar compreender os aspectos sociais que nos conduziram para um tempo de incertezas?
Não saber o que vai acontecer amanhã, do ponto de vista profissional, material ou emocional, não é novo. Para uns mais do que para outros. Mas para a maioria a existência na estagnação económica, na desigualdade e na precariedade é conhecida. Na actualidade intensificou-se a impotência, porque estamos a lidar directamente com o arquétipo de todos os medos – a morte.
Dizia Bauman que os mais privilegiados, na tentativa de não serem importunados no seu conforto, se fechavam em casa com sofisticados sistemas de segurança, dirigiam carros blindados, evitavam espaços públicos e o contacto com estranhos que lhes parecessem ameaçadores. Mas nem isso os aliviava dos temores.
Imagine-se agora quando a ameaça latente é um vírus invisível que pode estar escondido no abraço do filho ou no aperto de mão a um amigo. A ansiedade e a impotência são continuadamente alimentadas. Não surpreendem comportamentos de negação, pedindo sofregamente o regresso à normalidade, e até outros que desejem ser contaminados, como se só isso pudesse pôr fim à sua angústia.
Bauman proclamava que a esperança de determos um maior controle sobre o mundo social e natural se tinha esvaído nos tempos modernos. Aceitar essa vulnerabilidade e incompletude não é fácil. Daí que em alturas como esta abundem as teorias conspirativas ou as efabulações distópicas. Não é possível a total eliminação da indefinição, mas dentro desses limites, existe muito que podemos fazer, para vivermos em sociedades mais justas e igualitárias, onde as incertezas possam ser atenuadas ou administradas.
Numa altura em que se pedem respostas urgentes, médicas, logísticas ou políticas, e decisões têm de ser tomadas, parece que nos encontramos num limbo. Uns com uma sensação de alguma serenidade, porque o isolamento social parece funcionar. E outros percebendo que a par da ansiedade sanitária existe a económica. E ainda nem começamos a perceber o vírus. As perguntas são mais do que as respostas, tenham elas carácter científico ou político. A realidade desagrega-se e arrasta-se, sem um fim à vista.
E o mais incrível é o consenso sobre aquilo que está para vir. Uma catástrofe, dizem todos, como se fosse inevitável e nada pudesse ser feito. Dá-se por garantido que o sistema socioeconómico que nos rege não vai amenizar a inseguranças, mas ao mesmo tempo sabemos que existem recursos suficientes que o permitiram fazer acontecer. Se assim é, então discuta-se um sistema que não consegue contornar a lógica do lucro, não servindo à maioria. Mas não. Aqui estamos à espera de um retorno gradual a uma nova normalidade, sabendo que o vírus não se vai evaporar.
Para a mudança ser possível, talvez devêssemos assumir, por mais difícil que seja, que vamos permanecer num mundo viral ameaçado por epidemias e desordens ambientais, mesmo depois de uma eventual vacina para o vírus ser uma realidade. É preciso uma noção realista, nem muito optimista, nem catastrofista, do caminho a seguir. A incerteza veio para ficar. Abraçar posições absolutas é um absurdo, quando já se percebeu que a informação que vamos tendo é incompleta. Ter essa consciência é talvez a forma mais lúcida de lidar com a situação.

POLÍTICA - O paladino dos pés de barro.


Sergio Moro: O paladino dos pés de barro, por Marcio Tenenbaum

A rede de televisão com maior popularidade no país, alcançada através de telenovelas que ocupam mais de 60% da grade de programação, tem completo know-how de como transformar atores medíocres em ídolos populares.

Sergio Moro: O paladino dos pés de barro

por Marcio Tenenbaum

A passagem bíblica da Torre de Babel comporta algumas interpretações acerca do comportamento humano. Após o Dilúvio, Deus determinou que as mulheres e os homens povoassem toda a terra, o que não foi cumprido pelos habitantes de Babel. Ao contrário da determinação divina, os sobreviventes do Dilúvio decidiram permanecer em uma mesma região de forma concentrada, falando uma mesma língua até que, tomados por grande força coletiva, resolveram construir uma torre que chegaria aos céus. A leitura tradicional desta passagem é que Deus, discordando da soberba humana que pretendia chegar tão alto, espalha diversos idiomas entre todos fazendo com que os habitantes daquele local não mais se entendessem e se dispersassem.  Outra interpretação aponta para a possibilidade de que os habitantes de Babel concentraram tanto poder que se aventuraram a construir algo grandioso, mas acima de suas reais capacidades, o que acabou por gerar os conflitos que resultaram na desunião e na dispersão.
A pitoresca passagem bíblica nos ajuda a compreender o processo da demissão de Sergio Moro do governo Bolsonaro, cujos fatos também podem ser interpretados a partir das famosas frases populares: “muito barulho por nada” ou ainda “uma tempestade em copo d’água”. Se Freud nos ensinou que somos muitos menores do que pensamos ser, ou, melhor, somos muito menos do ideal que fazemos de nós mesmos, o pé na realidade é fundamental para o caminho que desejamos trilhar. E, neste caminho, é saudável a aspiração de nos transformamos, de nos reinventarmos no processo de criação que fazemos desde o dia em que nascemos. No entanto, para que um processo da saudável criação ou recriação de nós mesmos seja levado a um bom destino, é fundamental conhecermos não só a estrada por onde caminhamos, mas qual tijolo dessa construção existencial é de fato genuinamente nosso, e qual tijolo é contrabandeado das forças que nos cercam e que nos dão uma sensação ilusória de que somos mais poderosos do que de fato somos. O erro de Moro foi não identificar que os tijolos que o sustentavam eram fruto de uma criação midiática da imprensa brasileira.
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Juiz de uma vara Criminal de Curitiba, Moro é alçado a ídolo nacional do combate à corrupção, cuja origem remonta à investigação de esquema de lavagem de dinheiro em uma rede de postos de combustível. Surge, aí, o nome de um doleiro conhecido seu, também de Curitiba, Alberto Youssef, fazendo com que a investigação fosse levada àquela cidade. Por intermédio de escutas telefônicas, são reveladas ligações do doleiro com um diretor da Petrobrás e o fio da meada se desenrola. A maior rede de televisão do país, a Rede Globo, percebe a oportunidade de mais uma vez, à semelhança do mensalão alguns anos antes, vincular o Partido dos Trabalhadores, que estava no poder, a um esquema de corrupção. Ainda que nos desdobramentos das investigações tenham surgido fatos que poderiam levar o processo para outras comarcas, ficava cada vez mais claro que para a imprensa era fundamental a manutenção do processo nas mãos do juiz paladino. Fortalecendo esse objetivo,  a Rede Globo apresentava diariamente em horário nobre, durante o Jornal Nacional, matérias sensacionalistas das investigações determinadas pelo juiz que vinham associadas à imagens de dinheiro saindo de dutos de petróleo: prisões preventivas de empresários e políticos próximos ao governo – todas previamente comunicadas aos repórteres para serem filmadas e transmitidas no jornal da noite; áudios de escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, também vazados e ilegalmente encaminhados à televisão; áudios de conversas entre o ex-Presidente Lula e a Presidenta Dilma, também ilegalmente divulgados e obtidos em horário cuja autorização judicial já havia expirado; imagens de depoimentos na sala de audiência da Vara de Curitiba com a presença do juiz intimidando os depoentes.  Tudo isso era o caldo de cultura necessário para colar a imagem de paladino e justiceiro em um juiz desconhecido da grande maioria do povo brasileiro.
A rede de televisão com maior popularidade no país, alcançada através de telenovelas que ocupam mais de 60% da grade de programação, tem completo know-how de como transformar atores medíocres em ídolos populares. Afinal, esta é a sua atividade principal há mais de 50 anos. Um dos diretores da televisão Globo disse em uma entrevista que o meio de fazer com que o povo fixasse o enredo e os diversos personagens da novela era repetir diariamente os mesmos diálogos, mas em cenários diferentes. Se alguém deixar de ver a novela por alguns dias ou mesmo semanas, retornando posteriormente, pode, sem dificuldade, recuperar o desenrolar da história. A repetição, dia após dia, das operações da Lava Jato com os mesmos enredos de prisões previamente avisadas à televisão, áudios, delações, fixou nos corações e mentes do povo brasileiro a imagem de Sergio Moro como o herói solitário da luta contra a corrupção, travada exclusivamente por ele sem nenhum outro concorrente. E, o mais importante: apenas ele seria capaz de manter essa luta até o final. A imagem que se construía do juiz paladino é que não havia nenhum outro magistrado no país tão corajoso diante da corrupção. Mas, na realidade, o receio da Rede Globo, principal braço midiático da direita e da extrema-direita, era que a hipótese de divisão das investigações com outros juízes, que eventualmente pudessem ter uma visão mais garantista dos processos judiciais – respeitassem os trâmites legais, os direitos individuais dos presos, não aceitassem prisões preventivas ad infinitum ou até que o detido fizesse alguma delação com relatos que incriminassem seus opositores políticos –  acabasse por enfraquecer a grande luta que estava por trás deste roteiro de filme B: destruir o maior partido político de esquerda e sua maior liderança, Luiz Inácio Lula da Silva. Na realidade, nada muito diferente do que a emissora de televisão tenha feito nos últimos 70 anos da história brasileira, sempre se aliando aos setores nacionais e estrangeiros no intuito de destruir qualquer líder popular que tivesse um projeto de soberania nacional. Sergio Moro foi um instrumento dessa destruição, um instrumento consciente, lúcido, que sabia exatamente o que estava fazendo. Não tinha nenhuma dúvida, principalmente como juiz criminal por 22 anos, que quase todos os procedimentos que adotou na Lava jato eram ilegais. Sabia exatamente que a criminalização de Lula e sua prisão ilegal por absoluta falta de provas retirariam o maior líder das esquerdas das eleições presidenciais de 2018, abrindo caminho para a direita e para a extrema-direita. O erro de Moro foi acreditar que tinha voo próprio, que não era uma criação midiática, que o apoio popular não era fruto de uma construção televisiva, mas de um trabalho cujo mérito era exclusivamente seu. A onipotência do paladino o impediu de perceber a armadilha que Bolsonaro lhe armou ao propor a saída do diretor-geral da Polícia Federal. A real intenção do presidente era se livrar do seu Ministro da Justiça, enfraquecendo um possível concorrente nas eleições presidenciais de 2022. À semelhança dos habitantes de Babel, que decidiram dar passos maiores do que suas próprias pernas, Sergio Moro perceberá, bem mais cedo do que imaginávamos, que seus pés estão apoiados no barro e, como a Torre, ruirá e cairá no esquecimento. O papel de vítima que o ex-ministro tenta agora construir, esquecendo de todas as ilegalidades por ele perpetradas nos julgamentos da Lava-Jato, nos lembra um outro ditado popular: quem com porcos se mistura, farelos come.
Márcio Tenenbaum, Advogado, contador e membro da Associação dos Juristas pela Democracia (ABJD)