segunda-feira, 7 de maio de 2012

POLÍTICA - Negrão e Chagas Freitas: santificados sejam vossos nomes.

Pedro do Coutto


A comparação entre Negrão de Lima e Chagas Freitas, de um lado e Sérgio Cabral de outro, todos governadores da Guanabara e do Rio de janeiro, tornou-se oportuna, a partir da reportagem de Denise Luna, Lucas Vetorazo e Ítalo Nogueira, Folha de São Paulo de sexta-feira, focalizando a saída de Cabral, pela porta dos fundos, após solenidade no BNDES, para evitar os jornalistas. As fotos são de Daniel Marento e Ide Gomes. A de Marento ocupou praticamente a metade da primeira página. Expôs, através da força da imagem, o abatimento do governador.
O título deste artigo tem origem numa conversa com o ex-deputado Alexandre Farah, adversário de Chagas Freitas. “Mas hoje vejo”, me disse, “que aquele ex-governador foi um santo se comparado a Sérgio Cabral”. Achei procedente o cotejo e resolvi acrescentar outro nome. Negrão de Lima, homem de integridade absoluta. Vendera a casa que tinha na Borges de Medeiros, onde hoje está o edifício Garça Branca.
No final da vida, morava num apartamento alugado na Anibal de Mendonça, esquina com Vieira Souto. Em frente a Millôr Fernandes. Impecável no trato do dinheiro público e em relação ao funcionalismo. Jamais deixou de reajustar os servidores públicos ao nível da inflação encontrada pelo IBGE.
Chagas Freitas também não. Seguia invariavelmente os índices adotados pelo governo federal. Absolutamente conservador, ferrenho adversário da esquerda, governava com pulso de ferro, mas exigia honestidade de seus secretários e integrantes da assessoria. Diante da menor dúvida colocada, ou não nomeava ou demitia. Era um homem rico. Diretor proprietário do jornal O Dia, que, no seu tempo, dava lucro na venda avulsa. Fato raro na imprensa.
Era um jornal popular. Como é até hoje.
Indicado pelo poder militar, assumiu o governo da Guanabara. O advogado Benedito de Barros era seu amigo fraterno de muitos anos. Chagas convidou-o para a Secretaria de Administração. Mas O Globo publicou uma nota revelando que, entre os Secretários convidados, um devia ao Imposto de Renda. Chagas procurou saber quem era e exigiu que enviasse carta ao jornal. Benedito não quis. Chagas o desconvidou. Da mesma maneira, agiu em relação a Miguel Lins, em 71, desconvidando-o para presidir o então Banerj.
Fechou, eu sei que os leitores vão lembrar, a sede do PMDB no Rio, então presidido pelo deputado Reinaldo Santana, para não receber os candidatos simbólicos do partido, Ulisses Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho, lançados em 74 contra os generais Ernesto Geisel e Adalberto dos Santos. Alinhava-se com o sistema militar de poder.
Mas no plano pessoal era absolutamente íntegro no trato com o dinheiro público. Negrão de Lima também. Como lembrou Humberto Braga, durante quatro anos Secretário de Governo, antes de ir para o TCE-RJ. O testamento que redigiu para Negrão foi uma peça de integridade. Ministro da Justiça de Vargas, prefeito do Rio, Chanceler de JK, embaixador e governador da Guanabara, os bens que deixou poderia fazer parte do inventário de qualquer pessoa de classe média superior.
Certa vez, me contou também Humberto Braga, chegaram à Casa Civil informações que assessores próximos estavam fazendo despesas muito acima de seus vencimentos. Mandou investigar. Comprovado o relacionamento com empreiteiros e fornecedores do estado, demitiu-os imediatamente.
Hoje, a época é outra. Sérgio Cabral viaja e é íntimo de um empresário como Fernando Cavendish. Negrão de Lima e Chagas Freitas; santificados sejam vossos nomes, assim na Terra como no Ceu. Principalmente na Terra.
Fonte: Tribuna da Internet

domingo, 6 de maio de 2012

MÍDIA - A Ombudsman da Folha quase conseguiu ser imparcial.

Por Sanzio
 
A coluna da ombudsman da Folha, de hoje, começou alvissareira, a partir do próprio título: "Tema proibido". Já no quarto parágrafo a ombudsman promete gandes emoções, ao sugerir que irá contar o que ninguém ainda sabe mas todos querem saber: como eram as relações entre o jornal (ou algum de seus jornalistas) e o bicheiro Carlinhos Cachoeira: "Já menções à imprensa, na grande imprensa, têm sido quase ignoradas. A Folha, que tem ombudsman para publicar o que a Redação menospreza, aparece em dois grampos, nada comprometedores".

Infelizmente, dura pouco a esperança. Já no final do próprio parágrafo adivinha-se o quem pela frente: a Folha foi apanhada nas conversas do bicheiro gravadas pela PF, mas não é nada comprometedor, ao contrário, as falas do bicheiro sugerem que ele não consegue influir na pauta do jornal, pois lamenta-se de não ter ninguém lá dentro.

Bem, pensei comigo, a ombudsman livrou a cara de seu jornal, mas vai sobrar para a Veja. Que nada, o tom continua o mesmo: não há nada que possa comprometer a revista do esgoto e, comparar com o caso Murdoch é forçar a barra.

Então tá. Mesmo me esforçando para entender a posição da Suzana Singer, funcionária do jornal, que tem que lidar com um tema delicado, não consigo aceitar que ela tente me fazer de idiota. Mesmo pisando em ovos e falando nas entrelinhas, poderia ter mandado seu recado. O leitor não é imbecil, e percebe a diferença entre as limitações impostas pelo cargo e a subserviência pura e simples ao patrão. Outros ombudsman perderam o emprego, mas não perderam o respeito dos leitores, que é o que deveria interessar ao jornalista no fim do dia.

Da Folha

Tema proibido

da Ombudsman Suzana Singer

A imprensa deve revelar sua relação com o bicheiro para que o leitor decida o que é eticamente aceitável
A imprensa tem-se mostrado ágil e eloquente na publicação de qualquer evidência de envolvimento com o superbicheiro de Goiás, Carlos Cachoeira. Já se levantaram suspeitas sobre governadores, senadores, deputados, policiais, empresários, mas reina um silêncio reverente no que tange à própria mídia.
....
O sujeito nem precisa ter sido pego em conversa direta com Cachoeira, uma citação ao seu nome é suficiente para virar notícia -na semana passada, por exemplo, a Folha destacou uma tentativa de lobby no Ministério da Educação.
Já menções à imprensa, na grande imprensa, têm sido quase ignoradas. A Folha, que tem ombudsman para publicar o que a Redação menospreza, aparece em dois grampos, nada comprometedores.
Num diálogo, Cachoeira comenta nota do Painel, de 7 de julho de 2011, em que o deputado federal Sandro Mabel, de Goiás, nega ser a fonte das denúncias que derrubaram o ministro dos Transportes. O bicheiro se diverte e diz que foi o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) quem espalhou isso em Brasília.
Em outra conversa, o contraventor e Claudio Abreu, na época diretor da Delta, tentam evitar a publicação de uma reportagem. Primeiro, Abreu diz que "nós tamos bem lá", mas depois lamenta não ter contato no jornal. "Queria alguma relação com a Folha."
A Secretaria de Redação não identificou o assunto que incomodou a empreiteira, mas diz que, após o tal telefonema, "a Folha publicou duas reportagens críticas à Delta: uma falando de sobrepreço em reforma no Maracanã e outra sobre paralisação de obra em Cumbica".
A "Veja", que aparece várias vezes nos grampos, publicou apenas um diálogo em que é citada e colocou, no on-line, uma defesa de seus princípios ("Ética jornalística: uma reflexão permanente"). O artigo, do diretor de Redação, afirma que "ter um corrupto como informante não nos corrompe" e lembra ao leitor que "maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações". Cabe ao jornalista avaliar "se o interesse público maior supera mesmo o subproduto indesejável de satisfazer o interesse menor e subalterno da fonte".
Trocando em miúdos: mesmo sendo uma pessoa inidônea, Cachoeira pode ter fornecido à revista dados valiosos, que levaram a importantes denúncias de corrupção.
Do que veio a público até o momento, não há nada de ilegal no relacionamento "Veja"-Cachoeira. O paralelo com o caso Murdoch, que a blogosfera de esquerda tenta emplacar, soa forçado, porque, no caso inglês, há provas de crimes, como escutas ilegais e a corrupção de policiais e autoridades.
Não ser ilegal é diferente, porém, de ser "eticamente aceitável". Foram oferecidas vantagens à fonte? O jornalista sabia como as informações eram obtidas? Tinha conhecimento da relação próxima de Cachoeira com o senador Demóstenes? Há muitas perguntas que só podem ser respondidas se todas as cartas estiverem na mesa.
É preciso divulgar os diálogos relevantes que citem a imprensa. A Secretaria de Redação diz que tem "publicado reportagens a respeito, quando julga que há notícia". "Na sexta, entrevista com o relator da CPI tratava do tema e estava na Primeira Página. Já em abril havia reportagem de Brasília e colunistas escreveram a respeito", afirma.
É pouco. Grampos mostram que a mídia fazia parte do xadrez de Cachoeira. Que essa parte do escândalo seja tratada sem indulgência, com a mesma dureza com que os políticos têm sido cobrados. Permitir-se ser questionado, jogar luz sobre a delicada relação fonte-jornalista, faz parte do jogo democrático.

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ANOS DE CHUMBO - Roberto Marinho tramou seu atentado.

Redação Conversa Afiada

RedaçãoConversa Afiada

Marinho tramou seu atentado.
PiG esconde “Guerra Suja”

    Publicado em 06/05/2012
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Na Folha (*) deste domingo, na pág. A10, aparece o melhor título piguento (**) do Século XXI:

“Ex-agente que agora admite crimes na ditadura tem longa ficha policial”

Quer dizer que para a Folha (*) há criminosos que não cometem crimes.

Quem, por exemplo, Otavinho ?

A amiga navegante Benedita Jordão, que leu “Memórias da Guerra Suja”, tem uma explicação para o comportamento do PiG (**) diante dos crimes do regime miltar (o Conversa Afiada evita a palavra “ditadura” , porque, no Brasil, até isso a elite conseguiu desmoralizar):

Caro Paulo Henrique,

Os grandes jornais, assim como a TV Globo, começaram uma campanha de boicote ao livro Memórias de uma Guerra Suja. Isso se deve a dois trechos do livro que seguem abaixo.

Eles querem tentar desqualificar o depoimento de Cláudio Guerra e o conteúdo do livro. Começou ontem com o Estadão e hoje com a Folha.

O Estadão chega ao absurdo de não publicar o capitulo que conta com detalhe como foi o atentado que (Roberto Marinho) sofreu e que até agora nao havia sido esclarecido.

Os grandes jornais estão fechados por causa da questão da CPI do Cachoeira.

Como sabe, eles estão avisando à CPI que nao aceitarão a convocação do Civita.

Agora se fecharam em torno do boicote ao livro Guerra Suja, que começa a mostrar os absurdos da ditadura, que eles ajudaram a consolidar cada um ao seu modo, mesmo se arrependendo depois em muitas situações.

Att…



Seguem-se os trechos em que a Folha e o Roberto Marinho aparecem como protagonistas do carater sujo da guerra (PHA):

O APOIO À OBAN - No final dos anos 60 o governo federal optou por autorizar o Exército uma organizar uma açao e combate à esquerda na capital paulista. Surgiu então a OBAN – Operação Bandeirante – dirigida pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, encarregada de combater as atividades subversivas dentro do Estado. Isto foi o embrião da união de policiais civis com militares no combate aos comunistas. Foi nesta época que se começou a receber o apoio de empresários com o do Banco Mercantil.

A Folha de S. Paulo apoiou informalmente estas operações da OBAN. Os seus carros que distribuiam jornais eram usados em campanas para prisão de comunistas, um até bem famoso na época, mas não consigo lembrar o nome. O Joe se lembra muito bem disto, foi ele que me contou que fez muita campana nestes veículos. Estes carros eram muito úteis porque disfarçavam bem, ninguém suspeitaria que membros da OBAN estariam ali dentro preparados para agir.


ATENTADO À CASA DO ROBERTO MARINHO


O atentado à casa do Roberto Marinho não fez parte desta linha de ação idealizada na reunião do Hotel Glória, que tinha como objetivos atingir veículos de imprensa que não compactuavam com o regime político.


A bomba que explodiu na casa do dono das organizações Globo foi, na verdade, parte de uma estratégia formulada por ele mesmo – Roberto Marinho.


Aquele negócio de explodir bomba lá na casa do Roberto Marinho foi simulado[3]. Tudo foi feito a pedido dele, para não complicá-lo com os outros veículos de comunicação. Fomos nós que fizemos, na casa dele. Eu coloquei a bomba. Para todo mundo, ele foi vítima. Estourou a bomba lá, mas não houve danos, nem vítimas.


A ordem para executar o atentado partiu do Coronel Perdigão, a pedido do próprio Roberto Marinho. Ele alegava que era para poder se defender da desconfiança de suas relações com os militares.


Ele estava ficando visado pela esquerda, e pela própria imprensa. Achavam que ele estava apoiando a ditadura, por isso ele precisava ser vítima da ditadura para ficar bem com os colegas. Então ele próprio idealizou o plano. Pediu, segundo o Vieira e o Perdigão, que fosse vítima de um atentado.


E isso foi feito. Eu executei, com a cobertura de um policial civil, o Zé do Ganho, de São Gonçalo. Quem montou o artefato, quem colocou dentro da casa fui eu. A função da cobertura era me dar fuga de carro após a explosão.


Eu coloquei TNT, mas coloquei uma carga bem pequena. Eu usei aquela que é em tijolinho, que é mais potente, C4. C4 é mais potente que dinamite.


Coloquei numa varanda. Mas sempre atento para não causar muito dano material. Porque ali eu controlava. Já estava do lado de fora, quando, por controle elétrico, detonei a bomba. Eu sabia que não tinha ninguém em casa, aí eu apertei.


A casa estava vazia. Eu não sei se eles sabiam quando ia acontecer, isso eu não sei. Eu recebi orientação do dia e do horário que a missão deveria ser cumprida.


[1] Ver recorte de jornal no anexo de fotos.


[2] De acordo com o noticiário da época, em setembro de 1976, uma bomba explodiu no telhado da casa do jornalista Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo. O atentado, no elegante bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, foi reivindicado pela Aliança Anti-Comunista Brasileira.


[3] O fato ocorreu no mesmo dia do sequestro do Bispo de Nova Iguaçu, D. Adriano Hypólito.



Em tempo: será que o Historialismo – porque não é História nem Jornalismo – brasileiro registrará esse auto-atentado do Dr Roberto ? – PHA


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

ECONOMIA - Juros encabrestados.

DEBATE ABERTO

Juros encabrestados

A presidente teve a coragem de enfrentar a bancada da Febraban e os famosos analistas econômicos dos grandes jornais, tão interessados em defender as corporações financeiras, e tão pouco empenhados em defender o desenvolvimento econômico do país.

Não há melhor definição da importância e da perversão dos bancos do que a de um comitê de intelectuais – entre eles editores de jornais – que se reuniu em março de 1829, na cidade de Filadélfia. Depois de uma semana de discussão, o comitê redigiu sua conclusão sobre o sistema financeiro, por unanimidade. O sumo do documento foi publicado por The Free Advocate em sua edição semanal de 9 a 16 de maio do mesmo ano:

“Que os bancos sejam úteis como instituições de depósito e transferências, nós podemos admitir prontamente, mas não podemos concordar que esses benefícios sejam tão grandes como para compensar os males que produzem, ao criar artificial desigualdade de riquezas e, dessa forma, artificial desigualdade de poder. Se o atual sistema bancário e de papel moeda ampliar-se e perpetuar-se, os trabalhadores devem abandonar todas as esperanças de adquirir qualquer propriedade”.

Do Comitê participavam dois economistas destacados e editores de jornais, William Gouge, da Philadelphia Gazette, e Condy Raguet, do Free Trade Advocate; William Dune, velho jornalista jefersoniano; o filantropo Robert Vaux, Ruben Whitney, ex-diretor do Banco e os líderes sindicais William English e James Ronaldson. O encontro foi registrado por Arthur M. Schlesinger, Jr. em seu estudo clássico sobre o período, “The Age of Jackson”, publicado em 1945.

O formato atual do sistema se iniciou durante o mercantilismo europeu, com o surgimento de agentes financeiros, que emitiam notas de câmbio descontadas por seus correspondentes nas principais praças comerciais do continente, e se desenvolveu a partir do Renascimento, com as casas bancárias de Veneza e Florença, no Sul, e de Hamburgo e Amsterdã, no Norte.

O acúmulo de recursos lhes permitiu envolver-se com a política, no financiamento dos estados nacionais, como ocorreu na Guerra dos Cem Anos, quando banqueiros florentinos, os Bardi e os Peruzzi, emprestaram um milhão e duzentos mil florins de ouro a Eduardo III, a fim de custear o início da Guerra dos Cem Anos, no século 14.

Os Fugger da Alemanha, os maiores capitalistas do século seguinte, foram banqueiros dos papas, encarregando-se de recolher e administrar o dinheiro das indulgências vendidas pelo Vaticano e dos impostos cobrados pelos estados pontifícios.

O libelo dos cidadãos de Filadélfia continua atual. Os bancos não só patrocinam a desigualdade social, ao destinar os recursos dos estados e do povo aos próprios negócios, e no financiamento aos milionários, mas também os utilizam para eleger seus delegados aos parlamentos e, assim, frequentemente corromper e controlar o poder político. Assim, os governantes atuam em sua defesa, como ocorreu em nosso país com o Proer e a entrega de bancos nacionais aos estrangeiros por preços simbólicos, como ocorreu na “venda” do Bamerindus, do Banespa e de outras instituições. O Santander é um exemplo: seu último balanço exibe resultados superiores a duas vezes os seus ativos no país.

Na Europa, como sabemos, os governos emitiram um trilhão de euros e os entregaram ao BCE, para recuperar a economia continental. Em lugar de fazê-lo, a instituição os repassa aos bancos privados a juros de 1% ao ano, a fim de que estes emprestem aos estados em dificuldades - mas a taxas de 6 a 8,5% ao ano. Para honrar esses juros, os governos cortam na saúde, na educação, nos investimentos produtivos, levando o desemprego ao paroxismo, e multiplicando a miséria, como está ocorrendo na Espanha, na Grécia e em Portugal.

No Brasil, a audácia dos banqueiros privados vai além de toda a cautela. Os juros cobrados dos mais pobres – os que são compelidos a valer-se dos empréstimos de curto prazo, mediante o cheque especial, e do refinanciamento das faturas dos cartões de crédito – são infernais: 238% ao ano, no caso dos cartões, e de 185% nos cheques especiais.

Para que tenhamos uma idéia do assalto: na Grã Bretanha, com as dificuldades conhecidas, os juros sobre as faturas não saldadas dos cartões de crédito não ultrapassam 30% ao ano, ou seja, são de cerca de 1/8 das taxas cobradas em nosso país.

A presidente teve a coragem de enfrentar a bancada da Febraban e os famosos analistas econômicos dos grandes jornais, tão interessados em defender as corporações financeiras, e tão pouco empenhados em defender o desenvolvimento econômico do país. Suas providências técnicas, como a da redução dos juros pagos às cadernetas de poupança – em proporção insignificante, mas suficiente para empurrar as taxas de remuneração das aplicações financeiras para baixo, não prejudicam os clientes dos bancos, mas impõem uma sensível redução do spread. Enfim, encabresta os agiotas do sistema bancário, tão danosos ao país quanto a organização de Carlos Cachoeira.

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

MÍDIA - Isto circulou na Internet em maio de 2000.


Quando as paredes da Veja falam

Por Marco Aurélio Mello, no blog DoLaDoDeLá:

Doze anos atrás, um colega, que - por razões mais do que óbvias - preferiu ficar no anonimato, entregou todo esquema de manipulação da revista Veja já àquela época. O caso teve alguma repercussão na incipiente internet, mas logo, como tudo nesta vida, caiu no esquecimento. É com a memória do brasileiro que a Editora Abril conta mais uma vez para se safar da mais nova safadeza. Se depender da blogosfera progressista e dos sujinhos, acho que muito há a ser lembrado. Para nós, a brincadeira está só começando... Veja a riqueza de detalhes do texto abaixo:


"Talvez o fato de trabalhar para a empresa que se acusa me faça cúmplice. No entanto, algum lampejo de honestidade me ilumina a razão e, por isso, vos narro o que sei. Há anos vivo os melindres da profissão e da filiação ao império Abril. É pena que o colega Mário Sérgio (1) tenha contado tão pouco do que lá se passa. É pena que tenha omitido detalhes importantes das trapaças arquitetadas pelos arrogantes senhores do resumo semanal. A revelação de tais fatos certamente macularia sua já arranhada reputação. Mas se a disputa se dá no campo da falta de ética, é certo que será superado pelos senhores Tales Alvarenga e Eurípedes Alcântara. (2)

De Mário Sérgio Conti tudo se pode dizer. Que é bruto com as mulheres, que fuma demais e que obriga seus subordinados a coletar argumentos para justificar falsidades. Dos outros dois, pode-se esperar ainda empáfia e ignorância. O primeiro é capaz de recorrer ao Dedoc (3) para descobrir se Vinícius de Moraes está vivo ou morto. O segundo, dublê de cientista e Don Juan da casa, é capaz de fundir boi e tomate numa fantástica e exclusiva descoberta. (4) Diagnóstico: a arrogância é tanta que não lhes cabe mais perder tempo com a aquisição de conhecimento.

O garoto de recados da Camorra editorial é o sr. Eduardo Oinegue. (5) Veja bem: Oinegue ao contrário quer dizer Eugênio. O que significaria a eugenia para o império dos Civita? Oinegue foi criado no laboratório da casa. Nunca trabalhou em qualquer outro órgão de imprensa. Saiu diretamente dos bancos escolares para Veja. Mantinha os contatos sujos com Cláudio Humberto (6), no ínicio da década. Hoje, chafurda na lama das matérias plantadas, dos panfletos encomendados pelo governo.

No dia 2 de maio, Alvarenga recebe um telefonema do "chefe supremo". O "filho do pato", alguém diz. Não, a secretária é quem lhe passa a senha. É do "mata-ratos", diz. (7). O diretor de redação está distante da sede naquele momento. O contato, no entanto, é feito rapidamente. Um homem de confiança do presidente Fernando Henrique Cardoso pede uma contrapartida. Afinal, a revista teria "batido" indiretamente no governo ao espicaçar a festa dos 500 anos. Alvarenga defende-se. Segundo ele, a revista "livrou a barra do governo" ao insistir na teoria "Dinamarca". Trata-se da informação de que o governo deu tantas Dinamarcas aos índios e beneficiou um mar de famílias com novas doações de terra. O diretor afirma que o governo saiu "limpinho" da história e que sobrou mesmo só para o "paranaense", numa referência ao ex-ministro Greca. (8)

Do outro lado da linha, o senhor Matarazzo pede novamente uma contrapartida. Alvarenga lembra que já se produz uma matéria sobre o MST, mas que não sabe quando será publicada. "Agora", diz o emissário governista, afirmando que "tudo já está acertado com o dono". Alvarenga ri e pergunta se há qualquer encomenda. "Bota aí esse negócio da Dinamarca. É um país titica, mas dá impressão boa". (9) Alvarenga dialoga com Alcântara e decidem convocar "Oinegue-boy" para executar o serviço sujo.

Começa rapidamente a operação. Durante a semana, Oinegue repreende duramente um repórter que não estaria "cooperando" para rechear o trabalho contra o MST. Discute-se a capa. Dois ou três editores executivos oferecem sugestões. Oinegue fala em "baderna", palavra sempre utilizada para desqualificar adversários de Veja. Os iluminados do semanário não sabem, mas "baderna" era termo freqüentemente utilizado pelo sociólogo Oliveira Viana e pelo pensador católico Jackson Figueiredo, ideólogos do Integralismo, movimento de inspiração nazi-fascista da década de 30. Usavam-no para caracterizar a "anarquia liberal". Decidem que "tática" é palavra importante na chamada "porque lembra futebol e fala fundo ao espírito brasileiro".

Alguém cita uma matéria sobre a Coréia do Norte. Oinegue manda utilizar os termos "Coréia Comunista" e "morta de fome". A revista precisa reforçar subliminarmente a mensagem contra o MST. Escolhe-se uma foto de agricultores para ilustrar a matéria. A legenda é "agricultura fracassada e crianças subnutridas: o país mais isolado". Num telefonema à redação, Alcântara sugere o uso da palavra "fracasso e fracassado". "Dá sempre certo. A Globo não cansa de usar o termo para avacalhar com greves gerais. Desmobiliza os caras e fode tudo".

A baixaria continua. Nova reunião é marcada entre os chefes. Uma repórter participa. A idéia é pintar o "vilão" da história. Não existe fantasma sem cara. Stedile é o preferido. Alguém sugere colocá-lo no "corpo de Guevara", outro sugere o corpo do cangaceiro Corisco. Resolvem, por fim, realizar uma montagem em que o líder do MST aparece com uma pistola na mão. É um suposto James Bond do mal. Alguém alega que "pode dar processo". "O dr. Civita (10) diz que pode mandar bala", afirma Alvarenga. O chefe da arte morre de rir ao ver o resultado. "Ficou bem bandido mesmo". Na página anterior, o compenetrado Fernando Henrique Cardoso aparece em foto de gabinete. Sério, parece zelar pela segurança dos brasileiros.

Pede-se a um repórter que ouça vozes da condenação. "Ouve lá o Celso Bastos. (11) Pra tacar pau na esquerda ele é ótimo, e sempre atende". O clima na redação não é dos melhores. Arranja-se uma foto da Folha Imagem, com um suposto sem-terra chutando uma porta. A matéria vai sendo escrita e reescrita. Há uma frase encomendada, introduzida de última hora: "(Cria-se) assim um mundo em que o MST desempenha o papel do Bem, num cenário maniqueísta em que o governo FHC é o Mal".
Dois repórteres são muito elogiados pelo editor executivo pelo empenho. Um deles afirma que o termo "baderna" caiu muito bem na história. É uma pena que não tenha se divertido antes. Baderna é o nome de uma dançarina que despertou paixões em sua passagem pelo Rio, em 1851. Os rapazes da época faziam ruído durante suas apresentações. Baderna, doce baderna. Dizem que era linda.

Notas:
* Esta carta, redigida por um funcionário da Editora Abril que prefere se manter anônimo, por razões óbvias, circulou na Internet no mês de maio de 2000.
1 - Mario Sergio Conti foi diretor de redação da revista Veja entre 1991 e 1997 e é autor de Notícias do Planalto - A imprensa e Fernando Collor, Companhia das Letras, São Paulo, 1999
2 - Tales Alvarenga é o atual diretor de redação de Veja e Eurípedes Alcântara é o seu redator chefe
3 - Departamento de Documentação da Editora Abril
4 - Barriga histórica de Veja, baseada em falsa matéria científica que "demonstrava" a possibilidade de fusão genética de animais com vegetais. A matéria, copiada de uma revista estrangeira, havia sido publicada como brincadeira de 1º de abril.
5 - Eduardo Oinegue é um dos cinco editores executivos de I
6 - Cláudio Humberto Rosa Silva foi o porta-voz do presidente Fernando Collor
7 - Ministro Angelo Andrea Matarazzo, chefe da Secretaria-Geral de Comunicação de Governo da Presidência da República
8 - Ex-ministro do Esporte e Turismo Rafael Valdomiro Greca de Macedo, coordenador dos festejos oficiais dos 500 anos
9 - O trecho publicado, na página 47, ficou assim: "Depois de receber 22 milhões de hectares de terra, área equivalente a cinco Dinamarcas, o MST acrescentou um item novo ao seu tradicional discurso. Agora, a tônica das reivindicações dos sem-terra deixou de ser a distribuição de terras e passou a ser distribuição do dinheiro público - daí a invasão dos prédios do Ministério da Fazenda e da sede do BNDES, no Rio de Janeiro"
10 - Roberto Civita, presidente e editor de Veja
11 - Celso Bastos é professor de Direito Constitucional em São Paulo

MÍDIA - Puttnam e Murdoch na discussão sobre a Veja.

Por Alexandre Tambelli
 
Do Correio do Brasil

A mídia, a direita e o jornalismo de esgoto

Por José Dirceu - de São Paulo

7 mídia
Carta Capital desvenda a mídia de esgoto em curso no Brasil
Ao ler a Carta Capital que está nas bancas neste sábado sinto-me com a alma lavada. Não só pela capa, brilhante, que coloca a foto de Robert Civita com o título “Nosso Murdoch (vocês vão ver logo o porquê), mas pela profundidade e pertinência, pela forma inteligente como coloca o debate sobre a questão da mídia e do jornalismo no Brasil.
Começo por uma citação de Lorde Puttnam, membro do Partido Trabalhista inglês e que foi presidente da comissão do Parlamento que analisou a Lei de Comunicação de 2003. Não vou transcrever todo o artigo, publicado originalmente no The Observer, sob o título Pelo bom jornalismo , que merece ser lido por todos os que têm interesse no fortalecimento da democracia brasileira.
....
Lorde Puttnam escreve exatamente sobre como os políticos transformaram-se em reféns de uma mídia que, praticando um tipo de jornalismo de esgoto, graças à fragilidade da regulação e à tibieza dos próprios políticos, acabaram facilitando o trabalho de Murdoch e fortalecendo a direita.
Dois trechos do artigo de Lord Puttnam
O primeiro, que situa o problema: “Nos últimos 30 anos o império Murdoch tentou minar e desestabilizar governos eleitos e reguladores independentes, em nome de uma agenda política que, enquanto se ocultava por trás da cortina de fumaça da ortodoxia do livre-mercado, não é nada menos que uma tentativa sofisticada de maximizar o poder e a influência da News Corporation e sua agenda populista de direita”.
O segundo, onde buscar a solução: “Eu afirmaria que a lei da concorrência, em um setor ágil como a mídia, deve ser capaz de levar em conta e fazer julgamentos com base em um domínio do mercado “altamente provável”, assim como “real”. Isso exige uma clara estrutura regulatória que incentive e na verdade permita o florescimento da pluralidade da mídia. Não podemos, por exemplo, legislar pelo bom jornalismo, mas podemos legislar pelas condições sob as quais o melhor jornalismo é nutrido e sustentado. Podemos criar estruturas em que cada nova tecnologia se torne um incentivo à diversidade, e não um instrumento de sua erosão”.
Os esgotos, lá e aqui
O texto de Lord Puttnam é o coroamento da edição que Carta Capital faz envolvendo os escândalos da mídia lá e aqui. Lá, o assunto está em andamento. Não adiantou Murdoch fechar seu jornal de fofocas, o News of the World. Ele foi obrigado a prestar um depoimento de 10 horas devido ao chamado inquérito Levenson (utilização ilegal de escutas telefônicas). No depoimento saíram comprometidas figuras como os ex-secretário de estado para a Cultura, Jeremy Hunt, o ex-primeiro ministro Tony Blair, assim como os atuais primeiros ministros da Inglaterra, David Cameron, e da Escócia, Alex Salmond. Não é pouca coisa!
Aqui, em reportagem de Cynara Menezes, com o título Os desinformantes, explica-se, afinal, por que a capa com Roberto Civita como o “nosso Murdoch”. A reportagem traz à luz as engrenagens de um sistema em que a revista de maior circulação do país se prestou a promover os interesses do bicheiro Carlos Cachoeira. Traz, de forma mais esmiuçada, o que já mostramos aqui: a troca de telefonemas entre o chefe da sucursal da revista em Brasília e a turma de Cachoeira; como se montaram reportagens de capa como aquela de 31 de agosto de 2011 em que se pretendeu juntar minha imagem à de um mafioso, com minha foto e o título O poderoso chefão; a entrevista nas páginas amarelas com o senador Demóstenes Torres, ação dentro da estratégia de transformá-lo, quem sabe, em ministro do STF (sic); e como Cachoeira era transformado pela revista em um verdadeiro pauteiro e editor: além de indicar os conteúdos de notas e reportagens, era consultado também sobre onde deveriam ser publicadas, se na colunaRadar, ou então na Veja.online ou, quem sabe e outro espaço mais ‘nobre’…
Um ‘olho’ revelador
Ao lado da reprodução da capa com minha foto e da abertura da entrevista de Demóstenes Torres, a edição de Carta Capital traz o seguinte ‘olho’: “Denúncias sem sustentação serviram para acuar os adversários do esquema criminoso”.
A frase em destaque explica minha alma lavada. Até agora nenhuma publicação jornalística havia feito a relação. Para mim, que tenho uma história de militância política de esquerda, que tenho uma vida pública e um patrimônio moral a defender – minha própria vida –, é importante que a verdade apareça no ambiente do jornalismo, que tem suas técnicas e sua ética própria, que só pode prestar o serviço à sociedade quando exercita a busca pela verdade.
Veja, um caso sério. Mas não único
Complementa o foco da edição de Carta Capital nos problemas da mídia e do jornalismo brasileiros os textos do editor especial da revista publicado sob o título Veja, um caso sério, e o editorial de Mino Carta, que pergunta: “Por que a mídia nativa fecha-se em copas diante das relações entreCarlinhos Cachoeira e a revista Veja?” (leia a íntegra)
O próprio Mino responde: porque o jornalismo brasileiro sempre serviu à casa-grande, mesmo porque seus donos moravam e moram nela. Quanto a isso, ninguém precisa se perder em explicações mais detalhadas.
Mas até quando continuará assim? Os parlamentares que integram a CPMI podem ajudar a jogar luz nos mecanismos de como a mídia e a direita (que, não por acaso, se confunde com os moradores da casa grande) se servem do mau jornalismo para esconder a verdade. E podem começar convocando a direção da Veja para explicar como foi armado o conluio com a turma deCarlos Cachoeira. Será um bom começo para se pensar sobre o que e como fazer para, a exemplo do que diz Lorde Puttnam na Grã Bretanha, criar por aqui também “uma clara estrutura regulatória que incentive e na verdade permita o florescimento da pluralidade da mídia”.
http://correiodobrasil.com.br/a-midia-a-direita-e-o-jornalismo-de-esgoto/446629/

POLÍTICA - O crime analisa a conjuntura: "O risco da Dilma é cair"

Cachoeira e Demostenes comentam a reação do PR às demissões nos Transportes<br>Este trecho do diálogo entre Cachoeira e Demostenes, divulgado pelo site Quid Novi (de um jornalista que trabalhou como assessor do bicheiro), não está transcrito no inquérito do PGR.
Vai do minuto 1:19 ao minuto 2:06 do mesmo áudio em que o bicheiro informa seu senador particular sobre a matéria que Veja iria dar nas semanas seguintes, com base na espionagem do apartamento de José Dirceu no Hotel Naoum.
Eles comentam os desdobramentos de outra armação de Cachoeira com a revista: as denúncias contra dirigentes do Ministério dos Transportes, em julho de 2011.
Demostenes informa seu patrocinador sobre a suposta intenção do PR (Blairo Maggi) de "derrubar o governo", como vingança pelas demissões no Ministério. O bicheiro e seu senador particular fazem uma análise de conjuntura da perspectiva da oposição (e da organização criminosa).
CACHOEIRA: E aí, novidade aí? Fizeram a CPI aí né?
DEMOSTENES: É, mas eu acho que o governo vai retirar. Mas pelo menos vai pressionando, né? Acho que eles estão dispos... O Blairo me procurou dizendo que os caras querem fornecer informação e tal. Eu falei: uai, ótimo. Eles tão preocupado em derrubar é o.. é o governo, cê entendeu? Tão putos.
CACHOEIRA: É, mas é um momento bom da reação aí, viu? Pra oposição aí. Acho que eu tô sentindo que vai vir merda aí. Porque a posição que ela tá tomando deveria ter sido tomada pelo Fernando Henrique, pelo Lula e tal. Ao mesmo tempo favorece muito a oposição, não é? Mas ao mesmo tempo ela tem peito pra cacete, né, pra peitar os partido assim.<br>DEMOSTENES: Exatamente, o risco dela é cair.
CACHOEIRA: Claro.
(A conversa termina com os interlocutores marcando um jantar)

MÍDIA - DEPOIS DO ROLO DE SERRA E PAULO PRETO COM A DELTA, GLOBO DESVIA DO ASSUNTO.

http://www.youtube.com/watch?v=qjqVqRB96oM
O "Jornal Nacional" da TV Globo desistiu de transformar a CPI do Cachoeira em CPI da empreiteira Delta, na quarta-feira.
O telejornal nem tocou na palavra "Delta" apesar da empreiteira ter tomado boa parte dos debates na sessão da CPI, e de ser aprovada a convocação do ex-diretor Cláudio Abreu para depor. O JN centrou o assunto em Cachoeira e, um pouco menos, em Roberto Gurgel. Sobre a discussão em torno da corrupção da imprensa (revista Veja, mensalinhos, etc), nem uma palavra.
A postura da emissora quanto à Delta mudou depois que blogs como nosso noticiaram que a empreiteira teve contratos milionários em São Paulo no governo José Serra (PSDB), inclusive assinados por Paulo Preto. O prefeito de São Paulo, Kassab (PSD), também tem contrato milionário com a empresa para limpeza urbana.
Enquanto a Globo foge da notícia, fique com o comentário de quem faz jornalismo de verdade, Bob Fernandes na TV Gazeta. Ele não ignorou a pauta existente da corrupção da imprensa:

http://www.youtube.com/watch?v=qjqVqRB96oM

[A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 28 operadores/repetidores e 232 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribuição na rede

ECONOMIA - FMI & Banco Mundial não pedem perdão


por Rubens Ricupero [*]

Capa do último relatório TDR. da UNCTAD. Noventa e quatro foram as vezes que o Papa João Paulo II pediu perdão pelos pecados e crimes praticados pelos cristãos durante dois mil anos de História. Seria demais esperar que algumas organizações económicas multilaterais reconhecessem a sua quota-parte de responsabilidade pela actual crise financeira e pedissem perdão pelos terríveis conselhos que deram aos países nos últimos anos?

Quando a Rainha Isabel II visitou a London School of Economics, em Novembro de 2008, perguntou candidamente o que toda a gente gostaria de perguntar: "Porque é que ninguém se apercebeu do que estava para acontecer?" Depois de meses de embaraço, um grupo de eminentes economistas britânicos enviou uma carta de desculpas à Rainha. Escreveram: "Majestade, a impossibilidade de prever a altura, a dimensão e a gravidade da crise e como evitá-la (…) foi devida principalmente à falha da imaginação colectiva de muitas pessoas brilhantes (…) para compreender os riscos do sistema como um todo".

E a carta continuava, reconhecendo que os magos, alguns deles laureados com o Prémio Nobel, que acreditavam que os seus planos para proteger o sistema financeiro eram infalíveis, eram os culpados de "ilusões eivadas de arrogância". Os tempos anteriores à crise foram caracterizados como uma "psicologia de negação".

Eu não podia encontrar uma descrição mais precisa quanto à forma como as edições do Trade and Development Report (TDR), uma após outra, foram recebidas pelos economistas tradicionais nalgumas das instituições multilaterais e na imprensa: uma atitude colectiva de negação. Não tanto pela hostilidade muito activa nem pela censura política, embora também tenhamos tido um cheirinho disso de vez em quando. Foi uma postura estudada de silêncio deliberado, de não querer reconhecer a existência real, para não dizer o possível interesse, de uma opinião diferente.

O TDR de 1996 foi o primeiro a ser publicado sob a minha responsabilidade oficial e sinto-me orgulhoso de, ao arrepio das regras oficiais, ter sido dedicado à memória de Shahen Abrahamian, que morrera uns meses antes e tinha sido um dos exemplos das principais forças intelectuais por detrás do Relatório.

Um ano antes, Abrahamian deve ter-se sentido vingado durante a discussão da crise tequila mexicana. Se alguém quiser saborear um pouco esse passado nem por isso muito nostálgico, há um relato vivo na internet do nosso querido amigo Chakravarthi Raghavan, no âmbito da Third World Network.

Conta como Carlos Fortin, na altura chefe em exercício da UNCTAD [United Nations Conference on Trade and Developmen], reparou que em 1994, quando o Trade and Development Report (TDR) alertou contra os perigos em torno das finanças globais, o Wall Street Journal achincalhara os economistas da organização por serem contemporâneos de Rip Van Winkles , aparecidos dos recantos dum passado longínquo. Um ano depois, o mesmo jornal publicou um artigo de primeira página reconhecendo que esses mesmos economistas há anos que andavam a alertar para a probabilidade do tipo de crise que assolara o México.

Durante os trinta anos da sua existência, o TDR cobriu uma grande variedade de assuntos e tornou-se numa verdadeira enciclopédia do pensamento sobre o desenvolvimento. Não vou tentar um exame abrangente das suas conclusões mais interessantes nas áreas mais próximas da minha experiência, tais como os desequilíbrios e as deficiências do sistema de comércio multilateral, a taxa de valor acrescentado aos produtos exportados como critério definitivo de desenvolvimento, ou a verdadeira natureza das políticas de desenvolvimento bem sucedidas, implementadas pela China e por outros países asiáticos em contraste com o travesti neoliberal das políticas inventadas por algumas organizações.

Nem vou concentrar-me na área que provou ser a previsão mais rigorosa das coisas que estavam para acontecer: a análise sistemática dos perigos da exagerada liberalização financeira e desregulamentação, feitas demasiado cedo; a proposta iluminada de todo um aconselhamento político para tratar de modo eficaz e humano o endividamento excessivo; e o fomento de políticas sãs para evitar e impedir crises financeiras e monetárias.

O que prefiro realçar no arsenal de ideias do TDR é a perspectiva genérica de desenvolvimento na sua totalidade e complexidade, de um todo maior do que a soma das suas partes, a sua natureza indivisível. O TDR de 1996 foi dedicado precisamente à interacção de todos os factores indispensáveis ao desenvolvimento: finança, taxas de câmbio, investimento, comércio e tecnologia. Representou um esforço lúcido para nunca perder de vista a floresta quando se olha para as árvores individuais. Expunha duas abordagens básicas que vieram a singularizar a especificidade do TDR. A primeira era e é a insistência na importância central do ambiente económico externo como condição propícia ou adversa para o desenvolvimento que por vezes pode ser determinante. De certo modo esta ideia é uma extensão da velha teoria de Raul Prebisch de "centro e periferia", "a sua terminologia espantosa", como a classificou o Professor Jagdish Bhagwati.

A segunda e complementar abordagem é que a qualidade das políticas nacionais é importante quanto se tenta tirar partido de circunstâncias externas favoráveis ou recuperar contextos desfavoráveis. Dadas as particularidades e fases de crescimento muito diferentes dos países em desenvolvimento, estes devem ter direito a um razoável grau de espaço político para adoptar medidas e orientações mais apropriadas às suas necessidades. Para isso, é indispensável um mecanismo de Estado capaz, para instituir o enquadramento político que melhor conduza ao desenvolvimento.

É espantoso como uma construção teórica de tal equilíbrio, clareza e globalidade viesse a ser mal compreendida e mal interpretada tantas vezes. Afinal, o TDR e a UNCTAD nunca tentaram impor condicionalismos nem ditar prescrições aos países, nunca pretendeu definir um consenso supostamente de valor universal para todas as nações.

O oposto é que era verdade, já que as pessoas se queixavam frequentemente que os Relatórios não eram suficientemente prescritivos, que deixavam demasiada liberdade de escolha ao apresentar as alternativas existentes, que convidavam os países a enfrentar as suas próprias responsabilidades.

Se o desenvolvimento fosse abordado duma perspectiva de totalidade, um corolário lógico que se seguia era que a interdependência devia proporcionar a pedra angular para a criação de um ambiente externo favorável. A interdependência e a sua consequência necessária, a cooperação multilateral, seriam então vistas como os únicos caminhos que podiam garantir uma economia mundial saudável e equilibrada.

Ao tratar a economia mundial na sua totalidade como um sistema complexo e inter-relacionado, o TDR foi forçado a analisar o desenvolvimento como um todo indivisível. Pelo seu lado, esta abordagem forçou a vir à superfície a necessidade de coerência entre o sistema monetário e o financeiro, por um lado, e o sistema comercial, por outro. Como todos sabemos, esta é uma questão crucial que jaz no próprio centro dos principais desequilíbrios macroeconómicos entre economias cronicamente excedentes e economias deficitárias.

A crise destrutiva que estamos actualmente a sofrer é o resultado directo desses desequilíbrios fenomenais. Ou, melhor dizendo, a crise foi o produto da crença ideológica de que os mercados corrigem por si mesmos os desequilíbrios que criaram e o álibi fatal que a ideologia forneceu para a falta de cooperação multilateral na sua gestão.

CRISIOLOGIA, A NOVA CIÊNCIA

Entre todos os empreendimentos do TDR, o que sobressai como uma lição de utilidade imediata e urgente é a sua contribuição para a recente ciência da "crisiologia", o ramo da economia que trata das crises.

Actualmente, este tem sido um campo académico florescente e as livrarias tiveram que dedicar secções inteiras à prolífica produção nesta área. Como nota de rodapé para esta tendência, permitam-me que refira apenas que mesmo os melhores nesta seara não são imunes a algumas conclusões estranhas. O interessante e exaustivo estudo de Rogoff e Reinhardt, por exemplo, tem um quadro onde, com base em diversos critérios históricos, lista os países que estão em vias de se libertar da probabilidade de incumprimento. Bem, entre os poucos eleitos, ficarão agradavelmente surpreendidos por encontrar a Grécia, para cúmulo, e Portugal, o que demonstra como as percepções podem mudar radicalmente numa questão de meses ou de semanas!

Não voltei a ler todas as páginas que o TDR escreveu sobre as crises mas espero que nunca se tenha aventurado em exercícios tão perigosos! Os livros e os relatórios sobre crises financeiras tornaram-se hoje tão frequentes que já não atraem muita atenção. Mas no início dos anos 90, após a queda do Muro de Berlim, o fim do comunismo e o fim da História de la pensée unique, e a triunfante globalização como ideologia, prever crises financeiras era considerado um absurdo e merecedor duma grande ensaboadela do Wall Street Journal.

Quando cheguei a Genebra em Setembro de 1995, era um desporto da moda fazer troça da UNCTAD. Alguns dias depois de tomar posse, a coluna Observer no Financial Times deu-me as boas vindas com uma nota traduzindo a nossa sigla como significando Under No Condition Take Any Decision! [Não tomar decisões seja como for]. Nessa altura, quem sonharia que 15 anos depois a recém-nascida instituição, anunciada como o fim da UNCTAD, se encontraria numa situação difícil não muito diferente!

Antes do final de 1994, quando o colapso financeiro no México nos recordou que a mortalidade era um destino inevitável não só das civilizações mas também da globalização, espalhou-se a crença de que a Grande Normalização tinha impedido a possibilidade duma crise real, daquelas associadas ao ciclo económico normal. É essa a explicação para a indignada reacção às primeiras profecias do TDR sobre os perigos de influxos de capital a demasiado curto prazo nas economias em desenvolvimento.

Mesmo depois de a crise tequila ter comprovado o rigor do raciocínio, o episódio continuou a ser considerado como não sendo mais do que uma consequência adicional da falta de disciplina e do laxismo descuidado das pessoas do sul, as que posteriormente seriam marcadas com o ferrete de pertencerem à variedade do "Clube Mediterrâneo". Umas semanas antes de o colapso da divisa da Tailândia ter anunciado o início da crise asiática de 1997, um título de primeira página no Financial Times resumia o Relatório da Primavera do FMI daquele ano: " O futuro da economia mundial é cor-de-rosa, diz o FMI".

Isso foi em Fevereiro ou Março. Meses mais tarde, quando a crise estava a chegar a Singapura, durante a reunião de Outono do FMI e do Banco Mundial que se realizou em Hong Kong (China), é espantoso recordar que o FMI ainda estava a tentar vender uma emenda aos Artigos do Acordo, instituindo o carácter obrigatório da total abertura da conta capital da balança de pagamentos e a absoluta interdição de qualquer controlo de capitais!

As crises russa e brasileira de 1998-1999 também não foram suficientes para dissipar a noção de que as crises financeiras e monetárias só podiam acontecer na periferia distante e bárbara do sistema, do mesmo modo que os desafios à democracia e ao capitalismo eram relegados para países muito distantes e irrelevantes como o Afeganistão, no famoso estudo de Fukuyama em The End of History. Todos sabemos como essa história especial terminou e como a crise acabou por acertar em cheio no coração do sistema. Não vou voltar a contar uma história que já foi contada tantas vezes. O meu objectivo é apenas relembrar qual era a atmosfera intelectual e psicológica que predominava durante a maior parte dos anos da minha experiência pessoal com a elaboração do TDR.

DEMISSÃO DA MÁFIA?

Ao preparar estes comentários, leio aqui e ali alguns dos textos do TDR sobre crises financeiras. Fiquei impressionado com a sua frescura, a sua profundidade analítica e a sua validade permanente. Se os tivessem lido, os gregos teriam compreendido o humor negro perfurante do comentário do Professor Bhagwati de que, quando somos apanhados pela armadilha da globalização financeira, libertar-nos dela é como enviar uma carta a demitirmo-nos da Mafia… A Onorata Società não leva este tipo de coisas de ânimo leve como nós meridionali bem sabemos…

Se detectaram nas minhas palavras um toque de ironia e de sarcasmo, provavelmente têm razão. Espero não ter sido culpado do feio pecado de schadenfreude, a que outros podem chamar a alegria do profeta ou a vingança de Cassandra. O TDR foi acusado muitas vezes de ser a voz de Cassandra. Claro que as pessoas não perceberam o principal: com efeito, Cassandra tinha razão e se os troianos lhe tivessem dado ouvidos, os gregos não teriam sido forçados a retirar e a humanidade teria ficado privada de um belo poema. Sabe-se lá, talvez até mesmo o destino subsequente dos gregos os tivesse poupado às actuais provações.

Esta longa recherche du temps perdu deixa-nos um amargo de boca. Se o TDR foi tão rigoroso genericamente, porque é que tão pouca gente prestou atenção àquilo que ele dizia? Teremos que ser forçados a reconhecer que Chesterton afinal tinha razão, quando escreveu que a História nos ensina que a História não nos ensina nada ? Teremos que atribuir esta falta de previsão a uma "falha da imaginação colectiva de muitas pessoas brilhantes (…) à combinação de ilusões com arrogância (…) numa psicologia de negação"?

COINCIDÊNCIA SUSPEITA

Há um poucochinho de veracidade em cada um destes factores, mas suspeito que eles não abrangem toda a verdade. Pelo menos para os indivíduos em posições de poder na política e na finança – e são frequentemente intermutáveis – há qualquer coisa mais. É uma coincidência suspeita entre as suas conclusões intelectuais e os seus interesses financeiros e carreiristas. Por outras palavras, há um elemento de ideologia, na definição de Karl Mannheim como um conjunto de crenças e valores, supostamente científicos e objectivos mas que servem e escondem convenientemente os interesses de classe e de sectores.

Desta categoria de pessoas, que estão de novo no poder, ou melhor, que nunca perderam as suas posições dominantes na direcção dos bancos e dos governos, o único tipo de arrependimento que podemos esperar é o atribuído a um conhecido pianista pop star americano dos anos 60. Depois de uma execução particularmente atroz que lhe rendeu montes de dinheiro, perguntaram-lhe como é que se sentia quanto a um artigo crítico arrasador do New York Times e ele respondeu: "Chorei o tempo todo no caminho para o banco"! Se eles sentem qualquer espécie de dor de consciência, no melhor dos casos dirão: "Desde que começou esta crise financeira, todos os anos temos chorado alto quando embolsamos o dinheiro ou os nossos milionários bónus e opções de compras de acções"!

Não acredito que no TDR ou na UNCTAD as pessoas fossem intrínseca e moralmente superiores a esses senhores da finança ou que fossem intelectualmente mais brilhantes. O que eles tinham era uma coisa muito diferente: uma ética internacional de serviço público, um compromisso de pensamento crítico e independente, o desejo de imitar as lições herdadas de gigantes como Gunnar Myrdal e Raul Prebisch.

Tal como Don Raúl, sentiam um grande respeito pelas teorias do Norte porque essas teorias tinham muito mérito. Mas, tal como ele, examinavam-nas com um espírito crítico para ver até que ponto se adequavam a condições estruturalmente distintas no Sul. Eram movidos por uma procura permanente da emancipação intelectual e sentiam uma paixão pela independência, pela integridade, pela recusa de servir de utensílio aos interesses económicos especiais ou mesmo ao chamado "sagrado egoísmo" dos interesses nacionais. E felizmente, quase sempre encontraram nas Nações Unidas o quadro institucional que lhes proporcionava as condições mínimas para trabalhar sem terem que vender a alma.

Eu tive a sorte de, no fim da minha carreira pública, ter beneficiado da sabedoria, da experiência e do exemplo moral de homens como Carlos Fortin, Roger Lawrence, Yilmaz Akyüz, Professor John Toye, pelo menos, e dos seus colaboradores, Richard Kozul-Wright, Andrew Cornford, Charles Gore, Detlef Kotte, Taffere Tesfachew, e mais tarde Heiner Flassbeck, Alfredo Calcagno e muitas outras pessoas notáveis que trabalhavam noutros sectores da UNCTAD. Gostaria de me referir em especial à contribuição notável do Professor Jan A, Kregel durante muitos anos, quanto a questões financeiras, monetárias e outras questões relevantes cobertas pelo TDR. Fiquei encantado e encorajado ao ver que o secretário-geral, Dr. Supachai, lhes tinha garantido o seu apoio incondicional, orientação e confiança, que o TDR tinha sido capaz de manter as suas promessas mais brilhantes, que os preparativos para a UNCTAD XIII tinham renovado e reforçado as melhores tradições da UNCTAD.

Nunca tive os conhecimentos nem o talento para lhes servir realmente de grande ajuda. Receio que, por causa da minha deformação profissional diplomática, possa por vezes ter-lhes sido um empecilho com a minha tendência para suavizar modos de expressão incisivos ou previsões demasiado arrojadas das coisas que viriam a acontecer. Portanto é apropriado que também lhes peça perdão pelas minhas falhas e omissões.

Como não posso partilhar da glória da equipa do TDR, e dos seus colegas em semelhantes tentativas difíceis, posso pelo menos elogiá-los pelos seus feitos e agradecer-lhes pela valiosa contribuição que me deram e à UNCTAD. E concluo dizendo do fundo do coração: "Viva o Trade and Development Report ! Viva a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento! Vivam as mulheres e homens nas organizações internacionais e em toda a parte que lutam por mais justiça, mais igualdade na economia mundial!" Obrigado a todos!
NT
UNCTAD: – United Nations Conference on Trade and Development. A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento foi fundada em 1964, em Genebra, na Suíça. É o órgão da ONU que trata de questões de comércio, investimento e desenvolvimento, mas as suas decisões não são obrigatórias. Os seus objectivos são "maximizar as oportunidades de comércio, investimento e desenvolvimento dos países em desenvolvimento e ajudá-los nos seus esforços para se integrarem na economia mundial numa base equitativa". A criação desta conferência teve origem nas preocupações dos países em desenvolvimento quanto ao mercado internacional, às grandes empresas multinacionais e à grande disparidade entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento.


[*] Ex secretário-geral da UNCTAD. A presente declaração consta no relatório TDR 1981-2011, da UNCTAD. Os inter-títulos são da responsabilidade de resistir.info.

O relatório pode ser descarregado em http://unctadxiii.org/en/Pages/news-details.aspx?newsid=104 .
Tradução de Margarida Ferreira.


Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .

MÍDIA - Neste sábado, pela terceira vez em menos de um mês, um protesto contra a revista Veja se torna o assunto mais comentado no Twitter no mundo.

Do Brasil Mobilizado


Veja: é o não o momento de uma autocrítica?Foto: Reprodução

PELA TERCEIRA VEZ CONSECUTIVA, INTERNAUTAS EMPLACAM UM PROTESTO CONTRA A REVISTA VEJA NO TT; DESTA VEZ, É #VEJAPODRENOAR; A REVISTA, QUE FOI CAPA DE CARTA CAPITAL NESTE FIM DE SEMANA, EVITA RECONHECER SEUS ERROS

05 de Maio de 2012 às 18:34
247 Não se pretende discutir aqui qual foi o grau de coabitação entre a revista Veja e o bicheiro Carlos Cachoeira na última década. Os grampos da Operação Monte Carlo já vazarem e cabe aos leitores tirar suas próprias conclusões.
A discussão, agora, é outra. Até que ponto uma marca resiste a tantos ataques e tanta degradação? Neste sábado, pela terceira vez em menos de um mês, um protesto contra a revista Veja se torna o assunto mais comentado no Twitter no mundo.
Primeiro, foi #VejaBandida. Depois, #VejaGolpista. Agora, é a visão de #VejaPodreNoAr. Na visão dos que defendem a publicação, trata-se de um movimento organizado por militantes petistas – ou “petistas amestrados” como diriam na Editora Abril.
Mas é um público que cresce a cada semana e que tende a continuar crescendo enquanto a publicação da Editora Abril decidir não encarar de frente a discussão que dela se cobra. Até que ponto é legítima a relação com fontes criminosas que se valem desse mesmo relacionamento para ampliar seus negócios e interesses políticos? Até que ponto se deve estimular a indústria da arapongagem, premiando autores de filmes e fitas ilegais com reportagens que atendem a seus interesses?
Na Inglaterra, essa discussão foi levada a sério por jornalistas e parlamentares. Rupert Murdoch, o maior empresário de comunicação do mundo, teve de depor numa CPI e um jornal centenário – o News of the World – saiu de circulação. Neste fim, de semana, Veja foi também o tema de capa da revista Carta Capital (leia mais aqui) e Roberto Civita foi comparado a Rupert Murdoch.
É uma comparação, para quem conhece Roberto Civita, que em outros tempos o envaideceria. Mas hoje alimenta o temor de que ele venha a ser convocado pela CPI do Cachoeira.

SAÚDE - O óleo de coco funciona? Descubra!

Do déblog- andreia

O óleo de coco funciona? Descubra!Stock.XCHNG


O óleo de coco foi muito comentado na mídia no ano passado por conta dos potenciais benefícios na redução do peso. Acho válido comentar o assunto, pois é de fato um óleo com importante valor nutricional e pode colaborar na redução do peso, desde que a pessoa siga uma alimentação mais equilibrada e saudável para o seu corpo.
Apesar de ser divulgado desde 2008 como um dos alimentos que podem auxiliar na perda de peso, até hoje não há na área científica um consenso sobre a quantidade a ser utilizada por dia. Há estudos que foram feitos com uma colher de sopa, mas também há outros com duas colheres de sopa/dia. O que é evidente que ele pode colaborar sim colaborar nesse processo,diminuir colesterol ruim (LDL) e aumentar o bom (HDL) no organismo – há estudos em andamento para saber quanto utilizar/dia e eficácia.
Rico em ácido láurico (este está presente no leite materno), que ajuda a fortalecer sistema imunológico, protegendo o organismo contra microorganismos (como bactérias e vírus), o óleo contribui ainda para regular o intestino, como por exemplo, nos quadros de constipação, ou seja: intestino “preguiçoso”.
Além disso, é um alimento funcional, pois traz benefícios como prevenir o acúmulo de gordura ruim e ser rico em vitamina E, que tem função antioxidante e contribui para diminuir os radicais livres e conseqüente envelhecimento das células.
Lembro que é uma gordura e portanto destaco que não se deve passar o consumo de gordura em 20% das calorias do valor calórico total da dieta.
2 colheres de sopa = 120 calorias

sábado, 5 de maio de 2012

POLÍTICA - "Quem lutou e pôs o Marconi lá, fomos nós" - diz Cachoeira.

Do blog @Porra_Serra

Conversas gravadas pela Polícia Federal mostram que o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, cobrou do ex-presidente do Detran de Goiás Edivaldo Cardoso a fatura pelo apoio à eleição do governador Marconi Perillo (PSDB). No diálogo, o bicheiro e o ex-auxiliar do governador discutem a partilha da verba publicitária do Detran, segundo Edivaldo, no valor total de R$ 1,6 milhão. Cachoeira lembra da participação que teve na campanha de Perillo e exige a maior fatia do bolo.

Quem lutou e pôs o Marconi lá fomos nós — diz Cachoeira.

Deputado federal de Goiás, Carlos Alberto Leréia:

O contraventor Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, mandou entregar propina “embrulhada em jornal” para o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). A PF assinala que Cachoeira manda Geovani (Pereira da Silva), seu contador, “passar dinheiro para o deputado Lereia, não sendo possível identificar a que título”. Interceptações telefônicas da PF flagraram diálogos entre Cachoeira e Leréia. Também caiu no grampo o contador Geovani,, que está foragido. O contraventor o chama de Geo e pede a ele que providencie pagamentos em dinheiro vivo para Leréia.
Senador de Tocantins, Ataídes de Oliveira:

As escutas da Operação Monte Carlo mostram uma relação de grande amizade do senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) com o contraventor Carlos Cachoeira. O senador empresta avião, marca encontros para tomar vinhos e fazer negócios de milhões.

Deputado federal do Paraná, Fernando Francischini:

Havia uma troca de informações entre o grupo de Carlinhos Cachoeira e o Deputado Fernando Fracischini (PSDB-PR). As informações eram passadas por um policial federal chamado Tomé para Idalberto, o Dadá, que informava o senador Demóstenes Torres. O grupo também comenta que Francischini está mudando o título eleitoral para Brasília para candidatar à Governador.


Ex-governador e candidato a prefeito de São Paulo, José Serra [1] [2]:

[1] O Ministério Público de São Paulo e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o contraventor Carlinhos Cachoeira investigam um possível favorecimento do grupo do bicheiro em São Paulo, na gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e durante o mandato de José Serra (PSDB) no governo do Estado (2007-2010) e na prefeitura paulistana (2004-2006). De acordo com reportagem da revista Isto É na edição desta semana, a suspeita é de a construtora Delta, que seria o braço operacional de Cachoeira, teria sido favorecida com a ampliação do número de contratos durante essas administrações.

[2] “Grupos educacionais que eram irrelevantes, mas que construíram boas conexões políticas com o PSDB, receberam verdadeiras fortunas”, diz Ernani de Paula. O caso que mais chama a atenção, segundo ele, é o da Faculdade Sumaré, que já soma quase R$ 70 milhões em repasses. Em seguida, há o do grupo Uniesp, que recebeu pouco mais de R$ 60 milhões.
Senador e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves:

O Estadão divulgou grampos da Operação Monte Carlo que comprovam que, atendendo aos pedidos do ex-demo Demóstenes Torres, ele ajudou a nomear uma prima do mafioso Carlinhos Cachoeira ao governo mineiro. A matéria é de Fausto Macedo: “Escutas telefônicas da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) intercedeu diretamente junto a seu colega, Aécio Neves (PSDB-MG), e arrumou emprego comissionado para uma prima do empresário [o Estadão ainda insiste neste rótulo] do jogo de azar Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Mônica Beatriz Silva Vieira, a prima do bicheiro, assumiu em 25 de maio de 2011 o cargo de Diretora Regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba”.
Governador de Tocantins, Siqueira Campos [1] [2]:
 
[1] Sócio do contraventor Carlinhos Cachoeira e do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o empresário Marcelo Henrique Limírio doou R$ 300 mil para o Comitê Financeiro Único do PSDB no Tocantins, partido do governador Siqueira Campos, conforme revelou consulta feita pelo CT ao site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A pesquisa informou ainda que o depósito da doação foi feito em dinheiro no dia 29 de outubro, ou seja, após as eleições de 2010.
[2] “Mais um governador apareceu nas escutas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Desta vez, segundo revelam os relatórios da investigação, foi José Wilson Siqueira Campos (PSDB), do Tocantins. O tucano é citado em um diálogo entre Carlinhos Cachoeira e Gleyb Ferreira, sócio e braço-direito do contraventor, que está preso acusado de explorar jogos de azar em Goiás e no Distrito Federal. Na conversa, Cachoeira afirma ter um encontro marcado com Siqueira Campos e diz que um dos assuntos seria sobre Deuselino Valadares, que na época era chefe da Superintendência da Polícia Federal em Goiânia.
Governador do Pará, Simão Jatene:
 
O Ministério Público abriu investigação para apurar a ligação do Governo Jatene, do PSDB, com a Delta Construção, de Carlinhos Cachoeira. Jatene firmou contrato pagando preço absurdo para a empresa a título de aluguel de veículos para a Polícia Militar do Pará. O valor que o governo do Pará paga de aluguel, dava para comprar a frota toda de veículos para as Polícias Militar e Civil.

Governador do Paraná, Beto Richa:

Interceptações de e-mails feitas pela Polícia Federal durante a operação Monte Carlo revelam que dois parceiros do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, planejavam, em 2010, o restabelecimento de uma loteria estadual no Paraná. Um dos envolvidos na conversa é o argentino Roberto Coppola, sócio da empresa Larami, que controlou o serviço de loterias on-line do Paraná entre 2002 e 2004. Em correspondência com o ex-cunhado de Cachoeira, Adriano Aprigio de Souza, no dia 5 de outubro de 2010, ele escreve sobre um suposto encontro para tratar do assunto com o então governador eleito Beto Richa (PSDB).

PALESTINA - Boicote a produtos israelenses.

Rede britânica de supermercados adere a boicote a produtos israelenses


A quinta maior rede de supermercados britânica, a Co-op, anunciou a suspensão de acordos com quatro empresas exportadoras de alimentos de Israel, devido à “cumplicidade na violação de direitos humanos dos palestinos”.
Com a decisão, a Co-op engrossa a lista de companhias europeias que boicotam produtos israelenses. Entre elas está a empresa ferroviária alemã Deutsche Bahn, que suspendeu sua participação na construção de uma linha de trens de Tel Aviv a Jerusalém, que passaria em um trecho dos territórios ocupados na Cisjordânia. Segundo a empresa, o projeto era problemático, “com um potencial de violar leis internacionais”.
Já o banco holandês ASN suspendeu seu investimento na empresa francesa Veolia, devido ao envolvimento da companhia na construção do bonde de Jerusalém, que passa pela parte oriental da cidade, ocupada em 1967. O banco alega que seus critérios de alocação de recursos respeitam as resoluções da ONU que mantêm a parte árabe de Jerusalém como território ocupado.
O banco e a Deutsche Bahn aderiram ao boicote após intensa campanha do BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), um movimento criado em 2005 por ONGs palestinas com o objetivo de exercer pressão internacional sobre Israel.
O movimento obteve apoio de sindicatos de trabalhadores e de ONGs na maioria dos países europeus e também nos Estados Unidos, África do Sul e Austrália.
A campanha pelo boicote a produtos dos assentamentos também conta com o apoio de grupos israelenses de esquerda. No ano passado o parlamento de Israel aprovou uma lei criminalizando a campanha pelo boicote e, segundo a lei, os grupos que o apoiarem poderão ser processados e multados.
As quatro empresas que passaram a ser boicotadas pela rede britânica Co-op são Agrexco, Arava, Adafresh e Mehadrin, que exportam alimentos produzidos tanto em Israel como nos assentamentos israelenses ilegais existentes nos territórios palestinos na Cisjordânia ocupados por Israel
Fonte: Tribuna da Internet

POLÍTICA - CPI chamará o Policarpo da Veja.

Do blog Os Amigos do Presidente Lula.

Odair Cunha diz que CPI chamará Policarpo da Veja, e outros corrompidos





No Jornal da Record, o deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do bicheiro Carlinhos Cachoeira, avisou que o jornalista Policarpo Jr., da revista Veja, deve ser convocado a depor.

Parabéns à TV Record por não ser corporativista como está sendo a TV Globo. A Globo está protegendo e abafando a corrupção de órgãos de imprensa.

A TV Globo faz de conta que não existe um esquema de espionagem política e empresarial pela organização criminosa que usava a revista Veja como órgão de divulgação para eleger, cooptar, colocar em cargos chaves pessoas sob influência do senador Demóstenes Torres, que atendessem aos interesses de Cachoeira.