sexta-feira, 28 de novembro de 2014

MÍDIA - A ideologia e a forma de atuar das classes dominantes.


                                    

O discurso da grande mídia para inviabilizar blogs e a diversidade de opinião


Desqualificar votos de nordestinos, chamar cidadãos de bovinos, acusar eleitores de Dilma Rousseff de serem cúmplices da corrupção, tornar indignos os seguidores de Simón Bolívar, disseminar uma suposta ameaça à liberdade de impressa, lutar contra privilégios da população negra, extinguir cotas sociais, classificar blogs como sendo sujos e “acusá-los” de serem financiados pelo governo.
Que relação há entre todos esses acontecimentos com a estratégia adotada pela grande mídia para impedir o crescimento de blogs e sítios não alinhados com os interesses da meia-dúzia de famílias que controla os meios de comunicação no Brasil?
Para entender a ligação entre fatos aparentemente distintos é proveitoso recorrer a alguns pensadores que analisaram as sociedades de suas épocas, pois eles desnudam a ideologia e a forma de atuar das classes dominantes.
A dominação
Há de se estar consciente de que em todas as épocas os humanos utilizaram comumente a procedência ou características físicas para explicar e justificar a julgada superioridade de certos indivíduos ou povos sobre outros. Em cada momento histórico os povos considerados mais avançados - modelos de superioridade e símbolos do ideal humano - eram aqueles que dominavam e subjugavam outras gentes. Eram os que criavam as leis, ditavam as regras, estabeleciam os valores da sociedade e se autodeterminavam como referenciais para os demais.
O francês Frantz Fanon, em “Os condenados da terra”, faz uma análise da psicologia da dominação ao examinar os mecanismos utilizados pelos dominadores dentro do contexto colonial. Aponta para a desumanização do povo colonizado promovida pelo colonialista, a rigor, animalizando o outro. Quando fala do colonizado a linguagem do colonizador é uma linguagem zoológica:
A linguagem faz alusão aos movimentos répteis do amarelo, às emanações da cidade indígena, às hordas, ao fedor, à pululação, ao bulício, à gesticulação. O colono, quando quer descrever bem e encontrar a palavra exata, recorre constantemente ao bestiário. (Fanon, p. 31)
Ele evidencia ainda, em “Pele negra, máscaras brancas”, a importância da degradação da imagem do povo subjugado para que haja um engrandecimento da figura do dominador. Para Fanon isso pode ser observado no antissemitismo que se propaga nas classes médias, pois não tendo estas nem terra, castelo, ou casa, ao tratarem o Judeu como um ser inferior e pernicioso, confirmam, ao mesmo tempo, que pertencem a uma elite.
 
O racismo
Se grave a degradação quando se prende a um fator que pode ser facilmente ocultado, tal como a origem e convicção judaica, o quadro piora quando se prende a características físicas que estampam no corpo aquilo que é depreciado pelo outro.
Nesse caso, no tocante à discriminação pela cor de pele, diz o autor que “uma criança negra, normal, tendo crescido no seio de uma família normal, tornar-se-á anormal ao menor contacto com o mundo branco”. Isto ocorre porque, desde o momento da chegada do colonizador no meio social é incutida a idéia da inferioridade das pessoas que possuem pele negra.
Para Albert Memmi, outro pensador francês, em seu “Retrato do colonizado precedido pelo retrato do colonizador”, a discriminação se insere de tal forma que fica presente no “conjunto de condutas, de reflexos adquiridos, exercidos desde a primeira infância, valorizados pela educação, o racismo colonial está tão espontaneamente incorporado aos gestos, às palavras, mesmo as mais banais, que parece constituir uma das mais sólidas estruturas da personalidade colonialista”.
 
A obra da Escravidão
Em terras tupiniquins, segundo o brasileiro Francisco Weffort, em seu “Formação do pensamento político brasileiro: ideias e personagens”, dentre os intelectuais que trataram o tema Joaquim Nabuco foi o primeiro a ver na escravidão brasileira um “fenômeno social total”.
Nabuco advertiu, mesmo antes da abolição, que embora o abolicionismo destruísse a escravidão, poderia permanecer a “obra da escravidão”:
Depois que os últimos escravos houverem sido arrancados ao poder sinistro que representa para a raça negra a maldição da cor, será ainda preciso desbastar, por meio de uma educação viril e séria, a lenta estratificação de trezentos anos de cativeiro, isto é, de despotismo, superstição e ignorância. O processo natural pelo qual a Escravidão fossilizou em seus moldes a exuberante vitalidade do nosso povo durou todo o período do crescimento, e enquanto a Nação não tiver consciência de que lhe é indispensável adaptar à liberdade cada um dos aparelhos do seu organismo de que a escravidão se apropriou, a obra desta irá diante, mesmo quando não haja mais escravos. (Weffort, p. 219)
 
O atual pensamento colonialista
O pensamento colonialista e a “obra da escravidão” ainda pairam sobre nossa sociedade sob novas formas. O discurso preconceituoso advindo do sudeste e a tentativa de rebaixamento de brasileiros nordestinos à condição de animais tornam Fanon atual - não mais a subjugação de um povo por outro, mas de brasileiros sobre brasileiros.
As desigualdades econômicas e sociais entre as populações negra e branca em nosso país evidencia o quanto a “obra da escravidão” ainda opera em nosso meio.
Sua obra transcendeu a questão racial. No sudeste e sul do país passa a agir também contra nossos irmãos das outras regiões do país.
O combate resistente e articulado das elites econômicas contra a diminuição das desigualdades se faz evidente com a ferocidade com que atacam, desqualificam e tentam humilhar quem vote em Dilma, admire Bolívar ou seja favorável às cotas sociais.
Por agirem em conjunto, alinhados e com pauta e discurso únicos, conseguem ser efetivos. Em todos os meios e em qualquer canal sempre o mesmo viés de classe. Em todos os rádios só se ouvirá aquilo, em todas as televisões só se verá isso, em todos os jornais só se lerá isto:
 
• Cotas raciais: criam preconceito.
• Cotas sociais: instalam o fim do mérito pessoal.
• Cotas de gênero: desunem homens e mulheres.
• Benefícios sociais: constituem desestímulo ao trabalho.
• Nordestino: lugar de analfabeto.
• PT: sinônimo de corrupção.
• Votar no PT: cidadão corrupto, inculto.
• Reconhecer méritos do governo: ser pago pelo governo.
• Criticar sistematicamente o PT: indivíduo culto e informado.
• Bolívar: ameaça comunista.
• Blogs questionadores da mídia: sujos, submundo da internet.
• Verbas publicitárias públicas naqueles blogs: compra de opinião por parte do governo.
 
Persuasão dos incautos
A persuasão é tamanha que se vê que os potenciais beneficiários das políticas públicas se tornam contra sua implantação. Veem-na como motivo de rebaixamento social.
É a crítica quanto ao universitário que cursa faculdade com bolsa integral do Prouni, mas não ao filho de família rica que cursa gratuitamente uma renomada universidade pública.
O mesmo ocorre com a aplicação de verbas públicas em publicidade na internet. O vitorioso discurso da grande mídia tacha de “comprado”, “parcial”, “petralha” e “chapa branca” qualquer sítio ou página que receba anúncios governamentais e que não esteja alinhada com a grande mídia.
De um lado isso criou aversão nos blogs progressistas quanto a receber qualquer tipo de publicidade governamental para poderem possuir o “selo” de independência editorial.
De outro, por fazer oposição sistemática e cobertura parcial, a mídia acusativa faz publicação de acusações sem provas e não dá voz aquele que é alvo das acusações, o que leva aos blogs não alinhados a destinarem a maior parte de suas publicações para contra argumentar aquilo que foi divulgado na grande mídia. São esses blogs que se prestam ao trabalho de "ouvir" o outro lado, de publicar a versão da acusado.
De uma só tacada a grande mídia inviabiliza o crescimento desses blogs, abarca a publicidade governamental realizada na internet e pauta os assuntos que serão discutidos e publicados nos outros meios: os blogs se tornam caixa de ressonância dos grandes veículos.
 
Legislação e programas de estímulo
O Estado, representante da tutela dos interesses da coletividade, deve regular os mercados a fim de evitar falhas de mercado, em especial aquelas que podem ensejar malefícios à população em geral em contrapartida a lucros abusivos de setores dominantes.
A diversidade de veículos de informação e a quebra do cartel midiático se darão com legislação e instrumentos que estimulem a criação, manutenção e crescimento de canais alternativos de divulgação de informações, notícias e produção de conhecimento.
Tal qual estímulos recebidos pela indústria, a legislação que concede tratamento diferenciado à micro e pequenas empresas nas contratações públicas (Decreto 6.204, 5.9.07), o apoio à agricultura familiar (Pronaf) etc., a mídia alternativa também precisa receber estímulos do governo para que se desenvolva, seja mais atuante e o meio tenha condições de ser plural e democrático.
Os pequenos veículos de comunicação não possuem o mesmo aparato e capital que os grandes. Precisam de um tratamento diferenciado para se fazer cumprir o princípio da isonomia, que implica a necessidade de os iguais serem tratados igualmente e os desiguais, desigualmente, na medida da sua desigualdade.
Preciso é também fortalecer a TV Brasil, tornando-a de cobertura nacional. A fonte de recursos poderiam ser as verbas de publicidade destinadas aos grandes veículos de comunicação.
Ao mesmo tempo o governo deve estabelecer critérios claros e de interesse nitidamente público para a aplicação de verbas publicitárias, cortando despesas com veículos que disseminem preconceitos e infrinjam nossos princípios constitucionais.
Enquanto a grande mídia for a “fonte oficial” de informação para o público e pautar governos e aquilo que seja “notícia” em nossa sociedade, o colonialista, em nova roupagem, estará ainda sobre nós.

MÍDIA - O código do consumidor como defesa contra a mídia corporativa.

O Código do Consumidor como defesa contra a mídia corporativa, por Cesar Monatti



Já faz tempo os ideólogos do mercado se lançaram à batalha de reduzir o cidadão à categoria limitada aos objetivos do ente econômico que representam.

Parte de uma guerra semiótica mais ampla, em que até mesmo a história foi declarada como acabada, a propaganda mercadológica empurrou metódica e intensamente a palavra "consumidor" goela abaixo da cidadania indefesa a esse tipo de ataque.

Nesse sentido, para dar um único exemplo, no arcabouço de uma visão privatista do ambiente econômico seria de somenos relevância a opinião de um cidadão de valores nacionalistas, do que o índice de satisfação do consumidor de serviços essenciais, independendo se o fornecedor seja do país ou estrangeiro e para onde migram e são reinvestidos parte dos lucros dessa atividade.

Isto é, o exercício do consumo, nessa ideia de mundo, é mais importante do que o da democracia.

Considerando-se que esses argumentos detenham boa correlação com a realidade vivida no Brasil há cerca de duas décadas - para ser mais preciso, desde os anos 90 do século passado - para fins de argumentação, imaginemos, então, um modelo de cidadão, transformado consumidor de informação veiculada pelas vários ramos que compõem a mídia corporativa.
Essa mesma mídia, aliás, adotou essa categorização com tamanha ênfase, a ponto de que alguns de seus conglomerados, depois de martelarem por meio de seus veículos ao longo dos anos para impingir a noção de que eram fornecedores de "produtos" de informação e entretenimento, agora, estão "diversificando atividades" para o florescente mercado de bebidas (nesse caso, literalmente produtos) - na modalidade de clubes de fidelidade 'on line'.

Nosso cidadão-consumidor aficcionado de rádio, leitor de jornais e revistas, espectador de telejornais e, como convém a alguém destes tempos modernos, consulente de grandes portais da internet, de alguns anos para cá - doze ou treze, talvez? - se viu diante de um quadro de deterioração, alteração, avarias, falsificações, corrupção e fraudes dos tais "produtos" da mídia, amplamente provados e comprovados pela crítica especializada que, felizmente, ainda conseguiu refúgio no terreno quase neutro da rede mundial de computadores.

Sendo assim, nosso cidadão-consumidor está diante de um dilema: ou "consome produtos" que, facilmente, poderiam ser enquadrados no Artigo 18; parágrafo 6º; inciso II do Código do Consumidor, ou fica sem esses serviços importantíssimos de formação e satisfação - sim, satisfação... sim, porque ouvir rádio e ver TV já foi fonte de conforto pessoal e de prazer!

Como todo dilema, esta situação aparentemente sem saída pode ensejar novas formas de encarar o problema e soluções criativas para projetar um futuro melhor para o tema.

Nesse caso emerge, das profundezas deste desencantamento, uma possibilidade teórica, mas de grande potencial de contundência no debate público sobre o assunto: exercer, simultaneamente, a cidadania e os direitos do consumidor, e propor ao Ministério Público Federal uma denúncia visando a abertura de uma Ação Civil Pública contra as seis ou sete famílias que dominam a mídia empresarial do país pela péssima qualidade dos serviços e "produtos" que têm oferecido nesses últimos anos.

HISTÓRIA - A rivalidade entre sunitas e xiitas.


História: A Rivalidade entre Sunitas e Xiitas


As raízes profundas da rivalidade entre sunitas e xiitas

A insurgência do Estado Islâmico é uma violenta revanche sunita contra os xiitas do Iraque e, em última instância, contra o Irão, pelo seu apoio ao deslocamento dos sunitas no Iraque e pela influência que agora exerce no país vizinho. Por Farhang Jahanpour

Quando o grupo extremista Estado Islâmico (EI) irrompeu inesperadamente no Iraque, a sua declaração de guerra colocou entre os seus primeiros objetivos os xiitas e os chamados safávidas. A dinastia safávida (1501-1736) criou um poderoso reino no Irão após a sua conversão ao islamismo.
No seu esplendor, os safávidas governaram um território que duplicava a extensão do Irão moderno e incluía partes de Iraque, Kuwait, Bahrein, Turquia, Síria, Balochistão, Turcomenistão, Uzbequistão, Afeganistão e Cáucaso.
O principal antagonismo do ponto de vista dos jihadistas sunitas provém do facto de os safávidas terem adotado o xiismo como religião oficial. Curiosamente, o credo original da dinastia safávida foi o sunismo, mas depois da conversão ao xiismo se esforçaram para impô-lo em todo o Irão.
O zelo proselitista dos safávidas era em parte motivado pela sua oposição ao império otomano. Portanto, a sua adesão ao xiismo obedece ao objetivo político de se diferenciar dos sultões otomanos, que por sua vez eram califas dos sunitas.
A Revolução Constitucional iraniana (1904-1911) colocou as bases do Irão moderno, e adotou a monarquia constitucional como regime de governo. Sucessivamente, os dois xás Pahlevi (1925-1979), embora se tenham transformado em monarcas absolutistas, professavam o laicismo e tentaram modernizar o Irão de acordo com o modelo dos países ocidentais.
A revolução islâmica de fevereiro de 1979, guiada pelo aiatolá Ruholá Khomeini, não apenas pôs fim às reformas laicistas, como também a 2.600 anos de monarquia, substituída por um regime clerical. O aspeto singular da revolução islâmica foi que, pela primeira vez na história do Irão e do islamismo, os sacerdotes assumiram o poder.
Embora Khomeini atribua a si próprio a liderança de uma revolução islâmica, na realidade tratava-se de uma revolução xiita que derivava a sua legitimidade do conceito xiita de imanato (teocracia regida por um imã, ou mais).
Segundo o xiismo, o legado do profeta Maomé não corresponde aos califas ortodoxos mas aos imãs xiitas numa sucessão que foi interrompida no século 9, com a ocultação do Duodécimo Imã, que regressará ao final dos tempos para estabelecer a justiça no mundo.
Tanto Khomeini quanto o atual líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, fundamentam a sua autoridade na representação do Imã Oculto, que cessará quando este reaparecer. Por esta razão, a crença do ex-presidente Mahmoud Ahmadineyad (2005-2013) sobre o iminente reaparecimento do Duodécimo Imã e a sua assunção ao poder causou consternação entre os líderes religiosos que governam o país.
No início da revolução, Khomeini declarou a sua intenção de propagá-la em todo o mundo muçulmano, mas a sua identidade xiita levantou uma barreira diante da maioria dos muçulmanos, que são sunitas.
A devastadora guerra (1980-1988) que o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein (1979-2003) lançou contra o Irão contou com maciço apoio dos países do Conselho de Cooperação do Golfo, cifrado em dezenas de milhares de milhões de dólares, e deixou cerca de um milhão de vítimas entre mortos e feridos dos dois lados. A amarga recordação desta contenda é outro fator que mantém viva a animosidade entre iranianos e iraquianos, e entre xiitas e sunitas.
Desde 2003, quando a coligação guiada pelos Estados Unidos invadiu o Iraque, depôs o sunita Hussein e substituiu-o por um governo representativo da maioria xiita, somou-se outro fator de rancor entre os dois credos.
O islamismo iraniano foi a fonte de inspiração de uma literatura de alta qualidade, celebrada como uma das mais profundas e humanas expressões de misticismo. Porém, a República Islâmica do Irão hoje é conhecida pela sua estreita interpretação do Islão, pelo grande número de execuções, apedrejamento de mulheres, flagelações e outras práticas desumanas. A dogmática adesão a esta variante do xiismo foi negativa para os interesses do Irão e para a causa do Islão no mundo.
Da insurgência do EI (antes autodenominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante – Isis) participam dezenas de milhares de oficiais do exército iraquiano e do Partido Baas, de Hussein, que foram expulsos por Paul Bremer, o administrador da Autoridade Provisória da Coligação imposta pelos Estados Unidos.
Esta insurgência é uma violenta revanche sunita contra os xiitas do Iraque e, em última instância, contra o Irão, pelo seu apoio ao deslocamento dos sunitas no Iraque e pela influência que agora exerce no país vizinho.
Artigo de Farhang Jahanpour*
Envolverde/IPS
http://www.esquerda.net/artigo/raizes-profundas-da-rivalidade-entre-sunitas-e-xiitas/34959
* Farhang Jahanpour é ex-decano da Faculdade de Línguas da Universidade de Isfahan, no Irão, e atualmente professor na Universidade de Oxford

ECONOMIA - Folha entrevista Thomas Piketty.


Para Piketty, a desigualdade brasileira é subestimada

Jornal GGN - A Folha de hoje traz uma entrevista com Thomas Piketty, o economista francês autor do tão celebrado "O Capital no Século 21". Nas declarações dadas ao jornal, o teórico não discutiu as escolhas da presidente Dilma para a equipe econômica e que é um erro pensar que o país precisa de mais mercado e menos intervenção na economia. Leia a entrevista a seguir.

da Folha
Entrevista Thomas Piketty
É um erro achar que país precisa de mais mercado
Economista francês que virou celebridade mundial diz que desigualdade brasileira é subestimada
RODRIGO VIZEU EDITOR-ASSISTENTE DE "MUNDO"
No dia em que o governo brasileiro oficializou um novo ministro da Fazenda simpático ao mercado, o economista francês Thomas Piketty, autor do best-seller "O Capital no Século 21", afirmou considerar um erro pensar que o Brasil precisa de mais mercado e menos intervenção na economia.
Piketty, que está no Brasil para promover o livro que lhe rendeu status de celebridade no debate econômico, não quis discutir especificamente a nova equipe econômica, mas afirmou que "seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social e para reduzir a desigualdade".
Em seu livro, o francês sustenta que a desigualdade voltou a aumentar nas últimas décadas, beneficiando herdeiros e prejudicando a ascensão social, o que colocaria em risco a democracia.
Em entrevista à Folha, Piketty, que já foi citado em discurso pela presidente Dilma Rousseff, reclamou que dados de má qualidade fazem com que a desigualdade brasileira seja subestimada, e sua redução, alardeada pelo governo, talvez exagerada.
Folha - Recentemente, Dilma disse que o Brasil vai contra a corrente internacional de alta da desigualdade que seu livro aponta. O sr. concorda?
Thomas Piketty - Políticas de educação e transferências sociais como as que foram aplicadas em certa medida no Brasil nestes dez últimos anos podem permitir ir contra a corrente de aumento da desigualdade, mas ela realmente diminuiu?
Não é tão certo, é possível que tudo tenha sido puxado para cima, inclusive os mais pobres, mas não necessariamente em maior proporção que os mais ricos.
A forma como medimos a desigualdade sem dúvida a subestima. No Brasil, ela é sem dúvida ainda mais alta do que muitas estatísticas oficiais dizem porque a maior parte delas se baseia em pesquisas familiares com autodeclaração. O problema dessas pesquisas é que temos tendência a subestimar o topo da distribuição. Infelizmente, tem sido muito difícil acessar os dados fiscais do Brasil.
Falta transparência?
Estudo recente (de pesquisadores da Universidade de Brasília) sugere que, se utilizamos dados fiscais, o nível das desigualdades no Brasil aumenta. Não sabemos muitas coisas sobre a distribuição da renda no Brasil e precisamos de mais transparência para ver melhor em que medida os diferentes grupos sociais se beneficiam do crescimento.
É evidente que todo o mundo se beneficiou do crescimento dos últimos 15 anos. Agora, em qual proporção exatamente os diferentes grupos se beneficiaram dele não sabemos muito bem. É possível que se tenha exagerado um pouco a [divulgação da] redução das desigualdades no Brasil.
Dilma também disse preferir investir em consumo e educação para lutar contra desigualdade a fazer taxação, como o sr. defende. Isso é suficiente?
Também é preciso reforma fiscal, de um imposto progressivo sobre a renda e sobre o patrimônio. Precisamos da reforma fiscal para financiar a educação. Acrescento que uma parte das desigualdades grandes do Brasil se explica pela relativamente baixa progressividade do sistema fiscal.
Como seria a reforma?
A faixa mais alta de Imposto de Renda no Brasil é de 27,5%, inferior à menor dos Estados Unidos. Creio que uma das razões pela qual há muito desigualdade no Brasil é a progressividade de IR relativamente baixa. Há também muitos impostos indiretos, que são regressivos e pesam sobre as camadas populares.
É importante também tratar de forma diferente as rendas anuais de R$ 100 mil e de R$ 1 milhão, R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. Poderíamos ter faixas mais elevadas, de 50%, 60%.
Como na sua França natal?
Também como os EUA, o Reino Unido, a Alemanha, que têm taxas que vão até 40%, 50%. É ainda mais impressionante o imposto sobre herança, 4% [na maioria dos Estados] é realmente baixo, muito perto de zero.
É possível ter uma economia dinâmica e sistema capitalista próspero com imposto sobre herança alto. Para as novas gerações que não têm patrimônio familiar e procuram comprar apartamento em São Paulo, é muito difícil se você só tem a renda de seu trabalho. Não é normal que você ganhe R$ 100 mil por ano com seu trabalho e pague muito mais de imposto do que se você recebesse R$ 100 mil de herança de sua família.
O governo oficializou uma nova equipe econômica com um ministro da Fazenda mais ligado ao mercado e vindo de uma escola liberal. Que avaliação o sr. faz disso?
Não conheço o contexto político brasileiro, não posso me pronunciar. Quem quer que seja colocado no comando da política, qualquer que seja a orientação, os níveis de desigualdade muito altos que temos no Brasil devem ser questionados e tratados pelo governo, assim como a baixa progressividade do sistema fiscal.
Mas abordagem liberal e pró-mercado é boa ideia para enfrentar tais desafios?
Precisamos de mercado e também de poder público que tome decisões que permitam a cada um de se beneficiar da globalização e dos mercados.
Eu tento ir além dessas oposições um pouco teóricas e ideológicas. Creio que que seria um erro pensar que o Brasil fez demais na área social, que fez demais para reduzir a desigualdade, que agora é preciso mais mercado, menos intervenção, eu acho que isso seria um erro.
Apesar dos esforços que foram feitos em políticas sociais nos últimos 15 anos, o Brasil continua extraordinariamente desigual. O nível de investimento social, educacional para os desfavorecidos da população brasileira continua insuficiente.
O sr. defende que os estudos em economia levem em conta aspectos históricos, sociais, políticos e culturais. Isso é importante também para a gestão econômica do governo?
Sim, é importante para o governo também. A questão econômica é importante demais para ser deixada para economistas, que às vezes tentam fazer crer que dispõem de uma ciência realmente complicada que os outros não podem compreender e que é preciso deixá-los em paz. Isso é uma piada gigantesca.
O nome de seu livro, que remete a Karl Marx, e algumas de suas opiniões fazem que muitos o considerem anticapitalista.
O problema é que há gente que vive ainda na Guerra Fria e tem necessidade de inimigos anticapitalistas. Não sou esse inimigo. Creio no capitalismo, na propriedade privada e nas forças do mercado.
Nasci tarde demais para ter a menor tentação que seja pelo comunismo de tipo soviético. Isso não me interessa. Ao mesmo tempo, acho que temos necessidade, basta ver a crise de 2008, de instituições públicas muito fortes para regular o mercado financeiro e as desigualdades produzidas pelo capitalismo.
Sua defesa de um imposto global sobre grandes fortunas já foi feita por outros autores e nunca avançou. Não é ingênuo crer que seja realmente possível contrariar tantos interesses contrários?
Não precisamos esperar ter um governo mundial, um imposto unificado mundial para fazer progressos, se não arriscamos esperar um longo tempo. Podemos fazer progresso por etapas e a nível nacional. Há diferentes formas de imposto sobre capital e patrimônio em cada país, que podem ser melhorados de forma mais progressiva. Em seguida podemos progredir na cooperação internacional, como já tem sido feito quanto aos paraísos fiscais.
Como o sr. demonstra, a desigualdade no século 20 só caiu em um contexto de crise e reconstrução das sociedade após duas guerras mundiais. Seria mesmo possível algo tão ambicioso em tempos de paz?
As lições de história são importantes, as elites que não querem pagar mais impostos no Brasil, nos EUA e na Europa devem se lembrar que não é uma boa solução esperar a crise. Todo o mundo precisa de uma globalização que seja mais justa, que beneficie diferentes grupos sociais em proporção equilibrada. Se não, é a própria globalização que arrisca ser questionada.

POLÍTICA - Carta à Presidenta Dilma.


Carta à Presidenta Dilma Rousseff, por Leonardo Boff


do site de Leonardo Boff
Estimada Presidenta Dilma Rousseff,
Nós, participantes do Grupo Emaús abaixo relacionados, queremos parabenizá-la por seu esforço e desempenho durante a árdua campanha eleitoral, bem como pelas conquistas de seu primeiro mandato. Somos um grupo de teólogos/as de várias Igrejas cristãs, sociólogos/as, educadores/as e militantes que nos encontramos regularmente há quatro décadas. Estamos todos comprometidos na construção de um Brasil, social e economicamente mais justo, solidário e sustentável.
A maioria batalhou, desde o início, em favor do PT e de seu projeto de sociedade. Nessas eleições de 2014, muitos de nós expressamos publicamente nosso apoio à sua candidatura. Discutimos e polemizamos, pois, percebíamos o risco de que o projeto popular do PT, representado pela Senhora, não pudesse se reafirmar e consolidar. Para nós cristãos, especialmente nas milhares de comunidades de base, tínhamos e temos a convicção de que a participação política, de cunho democrático, popular e libertador, se apresenta como um instrumento para realizar os bens do Reino de Deus.
Esses valores são a centralidade dos pobres, a conquista da justiça social, a mútua ajuda, a busca incansável da dignidade e dos direitos dos oprimidos, a valorização do trabalhador e da trabalhadora, a justa partilha e o respeito pela Mãe Terra. Por isso, na linha do diálogo que a Senhora propôs à sociedade, queremos apresentar algumas sugestões para que seu governo continue implementando o projeto que tanto beneficia a sociedade brasileira, especialmente os mais vulneráveis.
O BRASIL QUE QUEREMOS
Estas são as grandes opções que, acreditamos, devem estar presentes na construção do Brasil que queremos:
PROMOVER UMA REFORMA DO SISTEMA POLÍTICO. Uma reforma que acabe com o financiamento de campanhas eleitorais e partidos políticos por empresas privadas, e estabeleça o financiamento público. Uma reforma que possibilite a participação dos cidadãos e cidadãs no processo de tomada de decisões:
– sobre a política econômica;
– sobre todo e qualquer projeto que tenha forte impacto social e ambiental;
– sobre a privatização de empresas estatais e de serviços públicos.
Uma reforma que contemple também a democratização do Poder Judiciário, pois ele é, hoje, o menos controlado dos três poderes.

Só assim poderemos dizer que caminhamos para uma democracia política, econômica, social e cultural, num diálogo efetivo entre membros da sociedade política e da sociedade civil, que signifique governo do povo, pelo povo, para o povo.
REFORÇAR UM MODELO ECONÔMICO MAIS SOCIAL E POPULAR. Repensar criteriosamente a privatização de serviços públicos e de nossas riquezas naturais (entre as quais o petróleo). Orientar um modelo econômico centrado nas pessoas, na realização de seus direitos e numa relação harmoniosa com a natureza, no “bem viver” – como condição para enfrentar a grave crise ecológica na qual estamos imersos. Deve ficar claro para todos, assim o desejamos, que o governo Dilma governa todo o País, mas privilegiando os pobres e aqueles que não são capazes se manter por sua própria conta.
REALIZAR UMA AUDITORIA DA DÍVIDA PÚBLICA, externa e interna, conforme exigência de nossa Constituição (Constituição Federal, Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 26, 1988).
Precisamos saber a quem deve e quanto deve realmente o Brasil, e de que forma foi feita esta dívida. A única auditoria que o Brasil fez, em 1931, constatou que 60% da dívida eram irregular, legalmente inexistentes. Em 2000, tivemos um Plebiscito Popular sobre a Dívida Externa, do qual participaram 6 milhões de pessoas, e 95% votaram pela realização da auditoria da dívida. O Equador realizou uma auditoria da dívida pública em 2009, e descobriu que 70% da dívida eram irregulares. A partir de então, passou a pagar apenas 30%, o restante foi investido em saúde e educação.

REAVALIAR OS MEGAPROJETOS À LUZ DE CRITÉRIOS ECOLÓGICO-AMBIENTAIS E SOCIAIS para que não ameacem o meio ambiente e o habitat de povos indígenas, quilombolas e populações ribeirinhas. Investir nas energias renováveis, especialmente na energia solar – visto que somos um dos países mais ensolarados do mundo. Estabelecer uma estratégia para o gradual fim da utilização de fontes de energia prejudiciais ao meio ambiente e perigosas à vida, como a energia nuclear e as termelétricas.
PROTEGER O MEIO AMBIENTE: Há anos, cientistas, movimentos sociais, entidades ambientalistas e muitas ONGs vêm advertindo para os sérios problemas climáticos que o Brasil teria se mantiver o tipo de desenvolvimento predatório implementado até agora. O que era uma previsão está ocorrendo diante de nós: a crise mais séria de falta de água de que já ouvimos falar, com riscos evidentes para a população, e a ocorrência de chuvas torrenciais, verdadeiras tempestades, em diferentes lugares do País, que causam destruição e mortes.
A desconsideração para com a Amazônia e o Cerrado, com a continuidade do desmatamento – mesmo que o ritmo do desmatamento tenha diminuído -, é o principal fator para as chuvas desmedidas no Norte e a seca no Sudeste. O Brasil precisa assumir a meta do “desmatamento zero”.
A falta d’água é fruto de vários fatores, entre os quais a desatenção para com as condições de vitalidade dos nossos rios, a realização de megaprojetos, a destruição das matas ciliares, a poluição das águas e a ausência de infraestrutura sanitária e tratamento de esgotos. O Brasil tem uma situação privilegiada no mundo: 13,8% da água doce estão aqui. O maior aquífero, o Alter do Chão, se encontra em nosso País. E, no entanto, vários de nossos rios estão secando, e começa a faltar água em muitos lugares. A segunda maior reserva subterrânea de água doce do mundo, o aquífero Guarani, vem sendo contaminado pela infiltração de agrotóxicos. Vemos como urgente uma política que privilegie uma mudança da nossa matriz energética em direção a energias mais limpas (solar e eólica), com menor impacto ambiental (grandes hidrelétricas) ou agravamento da contaminação ambiental e do aquecimento global (térmicas a carvão, petróleo e gás).
DEFENDER OS DIREITOS DE POVOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS: Os primeiros habitantes desta terra foram os povos indígenas. Quando os portugueses aqui chegaram, calcula-se que havia cerca de cinco milhões, repartidos em mais de 600 povos, com suas diferentes culturas e línguas. A colonização provocou um verdadeiro genocídio: povos inteiros desapareceram, restando, hoje, menos de um milhão e pessoas. Muitos deles não têm mais terra onde morar – eles que eram os donos milenares destas terras – e estão sendo dizimados, como é o caso dos Guarani-Kaiowá. Outros estão perdendo suas terras e, sobretudo, seus rios, para megaprojetos, para o agronegócio, para mineradoras. O mesmo acontece com comunidades quilombolas.
É urgente garantir os direitos constitucionais desses povos, restabelecer suas condições de vida, fazendo florescer toda a riqueza de sermos um País pluriétnico, pluricultural e plurilinguístico, se é que queremos chamar a nossa sociedade de civilização: uma civilização que não faz respeitar os direitos humanos não tem direito a este nome.
REALIZAR A REFORMA AGRÁRIA. Esta é uma reivindicação dos trabalhadores rurais que data da primeira metade do século XX, e que foi um dos motivos para o golpe militar de 1964. A ditadura impediu a reforma agrária, mas os governos posteriores também não a realizaram.
É uma reforma estrutural necessária para acabar com a concentração da propriedade da terra – onde 1% dos proprietários detém quase metade da terra -, para democratizar o seu acesso, fazendo com que a terra se destine a quem nela queira trabalhar e produzir alimentos para a população. E garantir condições favoráveis para as pessoas poderem se manter no campo.
PROMOVER A REFORMA URBANA, para democratizar o direito à cidade. Que as cidades sejam feitas para as pessoas e não para os automóveis; investir no transporte público de qualidade, priorizar o uso dos trilhos (metrô, trens), reduzir o tempo de deslocamento entre casa e trabalho. No que diz respeito à habitação, conter a especulação imobiliária e garantir que todos tenham condições de morar dignamente, com pleno acesso aos serviços públicos.
RESTRINGIR TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS. Até há alguns anos, havia dúvidas sobre se os transgênicos faziam mal à saúde. Este ano, um manifesto de 815 cientistas de todo o mundo alertou os governos de que os transgênicos representam um perigo e que se deveriam estabelecer uma moratória de cinco anos sem transgênicos, até que pesquisas independentes comprovem que fazem bem ao ser humano. É urgente uma política para reduzir, controlar e acabar com este tipo de plantio que está prejudicando a geração atual, mas prejudicará, ainda mais, as gerações futuras. E pior que isso, permite o controle de nossa agricultura por grandes multinacionais desta área, cujo único interesse são os lucros cada vez maiores, pondo em risco nossa soberania alimentar.
O mesmo se pode dizer sobre o uso de agrotóxicos: nós somos o maior consumidor de agrotóxicos em nível mundial. Nos países desenvolvidos, vários dos agrotóxicos que aqui ainda são usados foram proibidos há mais de 20 anos. Como chamou nossa atenção o cineasta Sílvio Tendler, “o veneno está na mesa”. É absolutamente fundamental estabelecer uma política de estrito controle sobre as substâncias que entram nos nossos alimentos, e reduzir sistematicamente o seu uso.
REFORMA TRIBUTÁRIA. Reformar o nosso sistema tributário para que ele seja progressivo, isto é, para que pague mais quem ganha mais, e pague menos (ou nada) quem ganha menos, o que implica que o imposto sobre a renda tenha mais peso que o imposto sobre o consumo.
Introduzir o imposto sobre as grandes fortunas, de modo a reduzir a enorme desigualdade social que caracteriza nosso País. Aumentar o imposto sobre a propriedade territorial rural, para acabar com o privilégio dos latifundiários. Introduzir a taxação sobre o capital financeiro (bancos e investimentos): “taxa sobre transações financeiras” (a famosa Taxa Tobin). Esta reforma é fundamental para reverter o atual sistema tributário, gerador de desigualdade.

POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA. Precisamos, urgentemente, de uma nova política de segurança pública e de reforma de nosso sistema prisional, para que se torne regenerativo e não apenas punitivo. Estão encarcerados/as, hoje, no Brasil, cerca de 550 mil presos/as. A maior parte destes/as se encontram ali por crimes contra o patrimônio ou por tráfico de drogas, não por crimes letais. No Brasil, ocorrem cerca de 50 mil homicídios dolosos por ano. A maioria das vítimas é jovem, pobre, negra, e do sexo masculino. Este genocídio precisa acabar, e temos meios para isso. Que a segurança pública seja exercida para proteger a vida e os direitos dos cidadãos, e não apenas a propriedade.
DEMOCRATIZAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO. É necessária uma legislação que torne a liberdade de informação e de expressão uma realidade para todos os brasileiros (e não apenas para a elite que controla a grande mídia), e que abra o espectro da comunicação, quebrando o atual oligopólio – que favorece unicamente a um pequeno grupo de grandes proprietários, em detrimento dos direitos da maioria.
UNIVERSALIZAR OS DIREITOS HUMANOS, políticos, civis, econômicos, sociais, culturais e ambientais, com respeito à diversidade. Garantir um sistema de saúde pública de qualidade, assim como de educação, transporte, saneamento básico. Que se combata, com todo o rigor, a violência policial, o emprego da tortura contra presos comuns e a situação degradante dos presídios superlotados.
VALORIZAR O TRABALHADOR E A TRABALHADORA: Garantir trabalho para todos/as. Trabalho digno e não precarizado. Redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução dos salários, como repartição dos abusivos ganhos de produtividade do capital. Reaparelhamento do aparato fiscalizador do Ministério do Trabalho. Combate à terceirização.
O CONTROLE SOCIAL DA GESTÃO PÚBLICA, para garantir um serviço público voltado para os interesses dos cidadãos. É fundamental que estes possam exercer o controle da atividade parlamentar, assim como o controle dos governos (municipais, estaduais, federal). Reapresentar o projeto de Participação Social. Criar Observatórios de Controle Social (OCS) em todos os municípios brasileiros, formados por representantes da sociedade civil.
A ÉTICA NA POLÍTICA E DA POLÍTICA. O comportamento ético é essencial para a vida do cidadão e, especialmente, para aquele/a que pretende se dedicar ao serviço da sociedade, do bem comum, ao serviço público. Nenhuma política baseada na corrupção levará a uma sociedade justa, democrática, solidária e equitativa. Uma outra política é possível, com punições exemplares e reforma de nossas instituições, de modo a coibir a impunidade.
Aproveitamos para afirmar que nos empenharemos em colaborar, através dos meios de que dispomos, para que essas sugestões se tornem possíveis e façam avançar o projeto de sociedade que todos almejamos.
Desejamos sucesso em sua nova gestão, invocamos sobre a Senhora a lucidez e coragem do Espírito Criador e, sobre seu governo, todas as bênçãos divinas de luz, paz e amor solidário.

Seus irmãos e irmãs
AFONSO MURAD Teólogo, ambientalista e assessor da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). (MG)
ALESSANDRO MOLON – Advogado e Deputado Federal. (RJ)
ANDRÉA RODRIGUES MARQUES GUIMARÃES – Doutora em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre MG-4 348 699. (MG)
ANTONIO CECCHIN – Irmão Marista. Advogado. Fundador da Comissão Pastoral da Terra – RS. Militante dos movimentos Sociais, Pioneiro da luta e organização dos catadores no Brasil. Assessor do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável de Porto Alegre. 6000123148 RS. (RS)
BENEDITO FERRARO – Teólogo. Professor de Teologia PUC – Campinas
RG 3568777-0. (SP)

CARLOS MESTERS – Biblista. Membro fundador do Centro de Estudos Bíblicos/CEBI. (MG)
CLÁUDIO DE OLIVEIRA RIBEIRO – Pastor Metodista. Professor Universitário. RG 04794811-1. (SP)
EDSON FERNANDO DE ALMEIDA – Teólogo. Pastor da Igreja Cristã de Ipanema. Coordenador do “Compassio: teologia arejada, pastoral comprometida”.
RG 112625819. (RJ)

EDWARD NEVES MONTEIRO DE BARROS GUIMARÃES – Teólogo. Membro da Sociedade de Teologia e Estudos da Religião (SOTER). Professor de Cultura Religiosa e Filosofia na PUC Minas. Coordenador do Curso de Especialização em Teologia do Centro Loyola. RG M-4 997 414 (MG)
EKKE BINGEMER – Profissional Independente de Administração de Serviços. (RJ)
FRANCISCO DE AQUINO PAULINO JUNIOR – Teólogo. Presbítero da diocese de Limoeiro do Norte – CE. Professor da Faculdade Católica de Fortaleza e Universidade Católica de Pernambuco. Assessor de Pastorais Sociais.
RG:
2008858604-3 (CE)
FREI BETTO – Jornalista. Escritor. Assessor de Movimentos Sociais. RG 14214910 SSP-MG (SP)
FREI SINIVALDO SILVA TAVARES – Teólogo. Professor de Teologia Sistemática na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) e no Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA). M 2327250 SSP/MG (MG)
JETHER RAMALHO – Sociólogo. Membro da Igreja Cristã de Ipanema. Membro fundador do Centro de Estudos Bíblicos/CEBI e do Conselho Editorial do Boletim REDE. (RJ)
JOSE OSCAR BEOZZO – Historiador. Teólogo. Coordenador Geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular – CESEEP (SP). Professor Universitário. RG 2.769.363-6 SSP-SP (SP)
LEONARDO BOFF – Teólogo. Filósofo. Escritor. Membro da Comissão Internacional da Carta da Terra. Autor de Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres, Vozes 2014. RG (Genésio Darci Boff): 02 773 327-8 Detran (RJ)
LÚCIA RIBEIRO – Socióloga. Membro do Iser – Assessoria. Membro do Centro Alceu Amoroso Lima. RG 055068274 IFP/RJ. (RJ)
LUCILIA RAMALHO – Vice-Presidente do Centro de Recreação Infantil (CRI) da Igreja Cristã de Ipanema. (RJ)
LUIZ ALBERTO GÓMEZ DE SOUZA – Sociólogo. Diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Candido Mendes. Membro do Centro Alceu Amoroso Lima. RG 04488154591 IFP/RJ. (RJ)
LUIZ CARLOS SUSIN – Teólogo. Professor do Programa de Pós-Graduação e de Filosofia da PUC/RS na cadeira de Ética Ambiental. Secretário Geral do Fórum Mundial de Teologia e Libertação. Membro do Comitê de Redação da Revista Internacional de Teologia Concilium. RG 1003162623. (RS)
LUIZ EDUARDO W. WANDERLEY – Sociólogo. Professor da PUC-SP. Membro da Diretoria do CEESEP e da Ação Educativa. (SP)
MAGALI CUNHA – Jornalista. Docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo. Editora do Blog Mídia, Religião e Política. RG 05477006-0 (IFP/RJ). (SP)
MANFREDO ARAÚJO DE OLIVEIRA – Filósofo. Professor Titular da Universidade Federal do Ceará. RG 99010318053. (CE)
MARCELO BARROS – Teólogo. Escritor. Coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT). RG 4242073 – SSP – GO. (PE).
MARCIA MARIA MONTEIRO DE MIRANDA – Educadora popular. Membro do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis e do Centro Nacional dos Direitos Humanos de Brasília. 11.878.008-9 – Detran. (RJ)
MARIANGELA BELFIORE WANDERLEY – Assistente Social. Docente da PUC/SP. Professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social da PUC-SP. Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Movimentos Sociais da PUC-SP Membro do Grupo Nutrição e Pobreza do Instituto de Estudos Avançados – IEA da USP. (SP)
MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Teóloga. Articulista do Jornal do Brasil. Professora da PUC/RJ. Membro do Comitê de Redação da Revista Internacional de Teologia Concilium. (RJ)
MARIA HELENA ARROCHELLAS – Teóloga. Diretora do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade/CAALL. RG 121.534.700-5. (RJ)
MARIA TEREZA BUSTAMANTE TEIXEIRA – Médica sanitarista. Professora Associada da UFJF. Pesquisadora do Instituto Nacional de Câncer lotada na UFJF. Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva. Coordenadora adjunta do NATES/UFJF. Editora Geral da Revista de APS. (MG)
MARIA TEREZA SARTORIO – Pedagoga. Educadora Popular. Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política. RG MG 18292550. (ES)
OLINTO PEGORARO – Filósofo. Professor Titular de Ética da UERJ. Trabalha com Movimentos Sociais na Comunidade do Borel. (RJ)
ROSEMARY FERNANDES DA COSTA – Educadora. Teóloga. Membro da SOTER. Assessora da CNBB. Professora da PUC Rio, Teresiano CAP/PUC e Secretaria de Educação do RJ. RG 3 750 717-5 – DETRAN – RJ (RJ)
ROSILENY SCHWANTES – Cientista da Religião. Psicóloga. Professora da Universidade Nove de Julho. RG 38 910 786 4. (SP)
TEREZA MARIA POMPEIA CAVALCANTI – Teóloga. Assessora de CEBs. Professora na PUC-RJ. (RJ)
Corrêas (RJ), 09 de novembro de 2014.

ECONOMIA - Fortalezas ideológicas neoliberais começam a ceder diante da crise.


                                    

Fortalezas ideológicas neoliberais começam a ceder diante da crise, por J. Carlos de Assis


Paul Krugman, de longe o comentarista econômico mais acurado da atualidade, observa em sua coluna em The York Times que os economistas ditos ortodoxos e obcecados por duras medidas contracionistas começam a se dar conta, seis anos depois do início da crise financeira (que se tornou fiscal), de que vem recomendando medidas equivocadas de contração para enfrentá-la. Aparentemente, depois de todos esses anos de sofrimento inútil, principalmente na Europa, os keynesianos voltam a cena em alguns centros importantes de formulação de ideologia econômica como a OECD, que começa a pregar expansão fiscal.
Na verdade, o fundamentalismo neoliberal para enfrentar a crise não é um fenômeno que apareceu em 2008, mas sim em 2010. Em 2008, na reunião do G20 em Washington, e posteriormente em Londres e Pittsburg, em 2009, até Sarkozy se dizia keynesiano. Com isso a economia começou a recuperar-se. Foi a obsessão alemã com medidas de austeridade fiscal e monetária, ancoradas em pareceres dos tecnocratas do FMI e da OCDE, que fez abortar uma recuperação em andamento para levar os países industrializados à prolongada recessão que, na Europa, ainda continua.
O lado espantoso disso tudo é que os Estados Unidos, que têm voz proeminente nas instituições internacionais que pregam a austeridade, realizam eles próprios uma política fiscal e monetária extremamente expansiva, de corte keynesiano. É verdade que eles saíram de um déficit de 1,7 trilhão de dólares para menos de 1 trilhão; contudo, este último ainda é um déficit gigantesco. Quanto à expansão monetária, o que fizeram é sem precedentes na história: afogaram o mundo em 3,4 trilhões de dólares para "irrigar" o mercado. Não há surpresa que a economia norte-americana, diferentemente da europeia, esteja se recuperando razoavelmente nesse último ano.
A boa notícia trazida por Krugman infelizmente ainda não chegou ao Brasil. Nossos ortodoxos, isto é, nossos fiscalistas ainda não se deram conta de que a parte que eles consideram equivocada da nossa política econômica, por exemplo, a redução do superávit primário, é indiscutivelmente a parte certa num contexto de economia recessiva. Também foi certa a política de redução de juros, infelizmente abortada de forma precipitada por pressão do mercado. Mas foi equivocado o expediente de querer reduzir a inflação com aumento dos juros, aplaudido pelos falcões, quando não havia pressão real de aquecimento econômico sobre os preços.
O fato é que o neoliberalismo não reconhece a existência do ciclo econômico. Acha que a economia evolui numa linha reta ascendente, em qualquer circunstância, bafejada pela "confiança" infinita do empresariado nos seus fundamentos neoliberais. Essa crença contamina as instituições internacionais dominadas pela ortodoxia, e impregna profundamente a mídia dita especializada. Entretanto, seis anos de fracassos econômicos, sobretudo na Europa, é tempo demais. Vai chegar o momento em que até o FMI se dará conta de que não há saída fora de uma dose certa de keynesianismo e de expansão fiscal deficitária. Infelizmente, até lá, continuará o sofrimento de milhões.
J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe-UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.

POLÍTICA - O cavalo de Toffoli do terceiro turno,


O cavalo de Toffoli do terceiro turno

Nas próximas semanas, o jogo político-jurídico será mais importante que os cenários econômicos, para se avaliar 2015.
Nos últimos dois dias, Dilma Rousseff colocou em marcha duas estratégias tardias para amenizar a fogueira criada pela Operação Lava Jato.
 
Uma delas é a criação de uma diretoria de compliance para a Petrobras, incumbida de aplicar as regras de mercado em todas as instâncias da companhia.
 
Outra, foi a reativação da Câmara de Gestão, criada no início do governo Dilma para reunir empresários que a assessorassem na modernização da gestão pública - e  abandonada posteriormente.
 
São duas medidas tardias que, por si só, não significam muito. Dilma especializou-se em ações pontuais para momentos de crise que depois são relegadas a segundo plano. Terá que mostrar muito mais: a institucionalização de políticas de participação, o fim das decisões autocráticas e a  nomeação de um MInistério de primeiro nível, que não diga apenas sim.
 
***
 
A nova frente de batalha, agora, é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a maior ameaça é o presidente Ministro Antonio Dias Toffoli. Ele está no centro da operação para derrubar Dilma.
 
Nos últimos tempos, vários sinais indicaram que  se alinhou a Gilmar Mendes.
 
O gatilho teria sido a animosidade dele com Dilma. Nas reuniões palacianas, Dilma ainda na Casa Civil levantou a voz com ele e a reunião terminou em bate-boca dos bravos.
 
A má vontade de Toffoli aumentou com a não atenção do Palácio às suas demandas. 
 
Mas foi apenas um álibi para Toffoli desembarcar da canoa petista e aderir aos seus novos aliados. Hoje em dia, come na mão de Gilmar.
 
Recentemente surpreendeu o TSE com uma defesa do regime militar e um lobby escancarado em favor de Paulo Maluf, com a alegação de que Maluf foi importante para a abertura política. Passou a defender a PEC da bengala - pela qual os Ministros do Supremo só poderão se aposentar aos 75 anos. A PEC foi imaginada unicamente para tirar de Dilma o poder de indicar a maioria do STF nos próximos anos.
 
A TV Globo já lhe abriu as portas, garantindo a blindagem.
 
***
 
Na semana passada, aproveitou o fim de mandato de um MInistro do TSE - que estava analisando as contas de campanha do PT - para redistribuir os processos para Gilmar Mendes, manipulando o sistema de sorteios do Tribunal. A probabilidade dos dois processos caírem simultaneamente com Gilmar era de 2%.
 
Dentre centenas de processos nas mãos de Neves, Toffoli redistribuiu apenas essas 2 de ofício (isto é, sem ser provocado).
 
 
A alegação foi a demora de Dilma em definir o substituto. Só que a redistribuição dos processos ocorreu apenas 8 horas úteis depois. E foi condenada pelo próprio Procurador Regional por não obedecer aos trâmites do tribunal, que ordenava que fossem transferidos para o Ministro substituto da mesma classe. Mais: a prestação de contas sequer havia sido entregue ao Tribunal, portanto não fazia sentido o pedido de urgência.
 
Mais: minutos depois de receber a incumbência, Gilmar requisitoui os processos, tornando a jogada irreversível.
 
Daqui para frente, a crise política se desdobrará da seguinte maneira:
 
1, Gilmar tratará de buscar todos os elementos para rejeitar as contas de Dilma. Provavelmente tentará encontrar alguma ligação entre o Caixa 1 da campanha e a Operação Lava Jatos.
 
2. Nesse período, inundará os grupos de mídia com boatos, notas, escândalos ou factoides, visando criar o clima político adequado para a cassação.
 
3. Rejeitada a conta, DIlma será empossada. Mas o mandato poderá ser suspenso, dependendo da votação do pleno do TSE. Dos 7 conselheiros, 3 são voto certo contra Dilma - Gilmar, João Otávio Noronha (ligado a Aécio) e Luiz Fux. Outros três votos dependerão da consistência ou não do relatório de GIlmar e da pressão da mídia: Maria Tereza Assis Moura, Luciana Lóssio e Henrique Neves ou Admar Gonzaga, seu substituto.
 
O desempate ficará com Toffoli. 
 
Amigos antigos  julgam que suas investidas são para espicaçar o governo, não para feri-lo de morte. Mas não colocam a mão no fogo. A melhor imagem é a do sujeito que lança uma flecha sem ter ideia do que será atingido.
 
Haverá apelações ao STF. 
 
De qualquer modo, não se espere um início tranquilo de governo, que permita a volta à normalidade econômica. 
 
O terceiro turno ainda demorará para terminar.
 
PS - Ricardo Noblat sempre atacou Toffoli por motivos pessoais. Desta vez fez defesa enfática atribuindo as críticas a "blogueiros chapas brancas ligados ao PT". Não é a primeira vez que Noblat recorre a leviandades desse tipo. Devia se tocar que já passou da idade de praticar esse jornalismo juvenil de insinuações. É molecagem.

POLÍTICA - A segunda garra da pinça do impeachment.

Juiz Moro monta a segunda garra da pinça do impeachment


Na posse, o irmão de Toffoli (que tem síndrome de Down) dá em Lula o beijo.

No post "Armado por Toffoli e Gilmar já está em curso a estratégia do impeachment" alertei que a estratégia consistiria em encontrar ligações entre a Lava Jato e a campanha de 2014. Ou seja, sinais de contaminação do Caixa 1 da campanha.
Agora já se tem o controle das duas garras da pinça.
Numa ponta, Gilmar Mendes com todos os documentos da prestação de contas do PT e da campanha de Dilma - auxiliado por um batalhão de técnicos do Banco Central, Tribunal de Contas da União e da Receita. Leia o post "Gilmar dá mais um passo em direção ao terceiro turno".
Na outra, o juiz Sérgio Moro, que ontem estendeu a quebra de sigilo das empresas de Yousseff para 2014.
Nem o PT nem o Palácio demonstram dispor de alguma estratégia defensiva. O Palácio não dispõe sequer de um conselheiro para transitar pelo mundo jurídico.  Se depender de ambos, a legalidade estará indefesa.
Como se recorda, o primeiro lance da jogada foi montado pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Antônio Dias Toffoli, ao atropelar o regimento e montar um sorteio que – contra todas as probabilidades – jogou os dois processos no colo de Gilmar Mendes.
O sorteio foi montado menos de oito horas úteis após o final do mandato do conselheiro Henrique Neves e antes mesmo que os documentos da prestação de contas tivessem chegado ao Tribunal. Menos de meia hora depois de ser “sorteado” Gilmar Mendes tomou as providências para tornar irreversível o remanejamento dos processos.
Segundo o presidente do PT, Rui Falcão, o partido se cercou de todas as precauções para impedir dinheiro contaminado na campanha.
Além dos técnicos que o auxiliam na avaliação das contas, Gilmar conta com um conselheiro especial: o próprio Toffoli que já foi advogado do PT.
Não significa que o impeachment são favas contadas. Há muita água a rolar debaixo da ponte.
Mas significa que o jogo está armado e que, no mínimo, conseguirá paralisar por um longo tempo um governo que necessita de urgência para estabilizar a economia.
As informações sobre a ampliação do prazo de quebra de sigilo das empresas de Alberto Yousseff, foi dada hoje pelo O Globo.

POLÍTICA - A Operação Apocalipse.

Política

A Operação Apocalipse encontra a Operação Toffoli-Gilmar

 
Anunciada esta semana, a Operação Apocalipse é o penúltimo ato preparatório para a futura tentativa do Ministro Gilmar Mendes, através do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de conseguir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
 
Como já descrito no post "Armado por Toffoli e Gilmar, já está em curso o golpe do impeachment" a tática utilizada será a tese da contaminação do Caixa 1 - levantando eventuais pagamentos de empresas da Lava Jato à última campanha de Dilma. Havendo, o TSE poderia julgar a legitimidade da eleição de Dilma.
 
O alvo central é o ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque. Imagina-se que chegando nele, se chegará ao tesoureiro do PT João Vaccari Neto. E se forem comprovadas doações depois de 2012, à campanha de Dilma.
 
A defesa de Duque sustenta que a Lava Jato até agora não apresentou uma prova concreta de que tenha recebido propinas. 
 
Como o inquérito corre em sigilo, o juiz Sérgio Moro, delegados e procuradores têm controle sobre as informações e as têm vazado seletivamente - sem serem incomodados pelo Ministro da Justiça e pelo Procurador Geral da República.
 
A primeira tentativa consistiu em tentar estabelecer o vínculo com o PT através do pagamento de R$ 1,6 milhão da UTC a Duque. Duque já era ex-funcionário da Petrobras e era razoável o motivo alegado para o pagamento - assessoria em um projeto enquadrado em sua área de conhecimento e em uma área da Petrobras que ele conhecia e poderia influenciar.
 
A segunda tentativa, agora, é com a informação dada por um executivo da Queiroz Galvão, de que teria pago propina após 2012 (clique aqui). Delegados e procuradores vazaram a informação para os jornais, que se incumbirem das ilações com a campanha do PT.
 
A partir dessas informações, procuradores seguiram para a Suíça para rastrear as contas de Paulo Roberto Costa mas, principalmente, conseguir alguma prova robusta contra Duque.
 
Imagina-se que o nome Apocalipse Now - dado à operação - seja porque permitirá encontrar provas contra grandes empreiteiras. O buraco é mais em cima: o alvo é Duque, através dele, Vaccari Neto e, através dele, as contas de campanha de Dilma. E, chegando nelas, o apocalipse.
 
Sobre Toffoli
 
Há toda uma discussão jurídica sobre o tema "fruto envenenado" nas contribuições de campanha - ou seja, se a comprovação de uma doação ilegal é suficiente para a rejeição das contas e para dar início a um processo de impeachment. As interpretações mais correntes são a da relativização dessas irregularidades.
 
Ocorre que no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a avaliação de provas e indícios caberá ao Ministro Gilmar Mendes, graças a uma manobra conduzida pelo presidente do TSE Antônio Dias Toffoli. Ela fará o relatório e dará o tom das discussões do pleno do TSE.
 
Aliás, solicita-se aos colegas blogueiros que se apressaram a isentar Dias Toffoli, um pouquinho de paciência para ler os artigos que escrevi e separar os fatos das interpretações.
 
FATO COMPROVADO - Toffoli manobrou para jogar as prestações de conta do PT e da campanha de Dilma para Gilmar Mendes.
 
1. Não havia motivo para a redistribuição imediata dos processos de prestação de contas do PT e de Dilma. Ele redistribuiu os processos menos de 8 horas úteis depois do final do mandato do Ministro Henrique Neves e antes mesmos dos documentos terem sido apresentados ao TSE.
 
2. Atropelou o regimento interno do TSE, que determinava que os processos deveriam ser repassados ou ao suplente ou a um Ministro da mesma classe que Neves. Tanto  que a decisão recebeu parecer contrário do próprio Procurador Eleitoral Eugênio Aragão, por atropelar o regimento e não haver sentido de urgência.
 
3. Manipulou os sorteios. Essa história de que sorteou os processos e "por azar" caíram com GIlmar Mendes depõe contra a acuidade jornalística dos meus colegas. A probabilidade de ambos os processos caírem com Gilmar era de 2%. Logo, a probabilidade de pelo menos um deles cair com qualquer dos demais Ministros era de 98%.
 
São fatos objetivos, com os quais não se deve brigar. Pode-se especular apenas sobre as razões que o levaram a essa manobra. E aí são especulações baseadas em evidências contra e a favor de Toffli.
 
AS EVIDÊNCIAS CONTRA TOFFOLI - para afirmar que Toffoli se aliou a Gilmar, além do escandaloso redirecionamento dos processos, me baseio nas seguintes evidências:
 
1. O descontentamento de Toffoli com Dilma, ao saber que não teria nenhuma influência na indicação de novos titulares do STF, STJ e do TSE.
 
2. Conversas com membros do STF, TSE e Palácio e com amigos de Toffoli confirmando sua aproximação com Gilmar e sua mudança de atitude.
 
3. O fato de ter endossado a PEC da Bengala - que, se aprovada (permitindo a aposentadoria de Ministros do TSE aos 75 anos) tiraria qualquer possibilidade de Dilma indicar os próximos cinco Ministros, que se aposentarão durante seu mandato.
 
AS EVIDÊNCIAS DA DEFESA - os argumentos dos diletos colegas que defendem Toffoli são os seguintes:
 
1. A história de Toffoli é totalmente diversa da de Gilmar - um fazendo carreira no PT, outra com FHC - logo seria impossível que se aliassem. De acordo com essa lógica, jamais haveria traição no mundo pois, por definição, trair significa ir contra as antigas convicções e alianças do traidor. Como imaginar que Joaquim Silvério dos Reis traiu a Inconfidência se toda sua vida foi de combate à Coroa? 
 
2. Toffoli foi indicado por José Dirceu, logo é impossível que mude de lado. É a mesma lógica do item anterior. Não sendo mais foco de poder, parte dos amigos de Dirceu permanecerá leal, parte tratará de buscar outros polos de poder. São movimentos tão velhos e previsíveis quanto a política. Se a Inconfidência se mostrasse viável, Silvério dos Reis não teria se bandeado.
 
3. Toffoli votou contra Gilmar na questão do financiamento eleitoral de empresas. E provavelmente deve torcer para time de futebol diferente. O que interessa é a afinidade nos temas relevantes. No mais relevante deles - a PEC da Bengala, que interfere diretamente na correlação atual de forças do STF - Toffoli endossou a posição de Gilmar.
 
4. Toffoli meramente seguiu o regimento do TSE e deu "azar" dos dois processos caírem com Gilmar. Conforme demonstrado, não seguiu.
 
5. Ninguém sabe se Gilmar votará contra ou a favor da prestação de contas. Pelo longuissimo histórico, de Gilmar pode-se esperar tudo, menos a isenção.
 
É aqui que se configura o movimento final, de tentar criminalizar o Caixa 1 de Dilma. 
 
O presidente do PT Rui Falcão garante que o partido passou todas as contribuições pelo pente fino, para evitar surpresas.
 
É aguardar para conferir.
 
Por Luciano G
Todo candidato para fins de campanha tem um CNPJ e uma conta corrente. Isso vale também para o Comitê Central dos partidos.
Esse CNPJ foi aberto até 09/07/2014 pelo calendário eleitoral e se encerra com as eleições. Doações para financiar campanha só valem a partir disso. Então a análise vai se resumir a partir dessa data. Finda as eleições apura-se sobras ou prejuízos, encerra-se a conta corrente aberta para esse fim, e verifica-se os recibos eleitorais emitidos para cada doação. E fim.
O que tiver "entrado" antes não pode ser financiador de campanha, pois há recibos eleitorais emitidos para as doações. O tesoureiro da campanha de Dilma em 2014 foi Edinho Silva, nada de Vacari - o cara estava manjado.
Terminada a campanha não há de se falar mais em doação para campanha eleitoral, e sim para o "funcionamento" do partido.

POLÍTICA - Os ensinamentos da campanha a Dilma.

Os ensinamentos da campanha a Dilma



Ao terminar a campanha eleitoral, vários assessores de Dilma Rousseff garantiram que ela havia aprendido bastante com a campanha. Entendeu melhor a complexidade do país e, mais do que isso, o papel da Presidência - de articuladora política, de regente da orquestra, e não de gerente.
De fato, aprendeu bastante. Mas, em termos práticos, o que muda?
Dilma entendeu a importância de se escolher um Ministério de peso.
Depois, a importância de sair da gestão do dia a dia e atuar mais politicamente - isto é, relacionando-se com os meios político, econômico e social.
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Esses assessores apenas não garantiam se a Presidente mudaria tanto seu estilo, a ponto de abrir a discussão das políticas públicas à sociedade civil e deixar de lado as decisões autocráticas.
Mas - lembravam - tendo uma equipe de peso dando forma, conteúdo e cronograma às suas propostas, haveria sensível diminuição da ansiedade de Dilma e, por conseqüência, do seu voluntarismo.
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Os primeiros movimentos do segundo governo são encorajadores.
Foi precisa a forma como indicou os Ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa. Ambos assumem com o compromisso de um ajuste fiscal gradativo. Ou seja, Dilma reconheceu a necessidade de um ajuste mas, fiel ao que defendeu na campanha, fugiu das soluções extremadas. Colocar um ortodoxo para gerenciar um ajuste fiscal não-radical é a melhor combinação custo-benefício.
Os demais movimentos seguem uma lógica político-administrativa. Deverá indicar a polêmica líder ruralista Katia Abreu para a Agricultura e Armando Monteiro para o Desenvolvimento. E terá que dar a contrapartida aos movimentos sociais.
Ontem, recebeu no Palácio frei Betto e Leonardo Boff, a quem garantiu que trabalhará pessoalmente na recomposição de laços com os movimentos sociais. Mais tarde, em uma solenidade com movimentos sociais, reforçou o compromisso com a inclusão, a melhoria de renda e o não sacrifício  dos trabalhadores.
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Indo nessa direção, o futuro Ministério refletirá a diversidade de forças sociais e econômicas do país, trazendo uma enorme lufada de ar fresco ao seu governo.
Resta saber como tratará as seguintes questões:
Os modelos de participação social.
Há uma enorme variedade de fóruns de participação que perderam expressão nos últimos anos: o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), os fóruns de produtividade da ABDI (Agência Brasileira para o Desenvolvimento Industrial), os conselhos e conferências sociais.
Não se sabe como pretenderá agir já que, por incompatibilidade de gênios, perdeu o melhor condutor dessas políticas, Gilberto Carvalho.
2. As políticas integradas de infraestrutura.
Os investimentos em infraestrutura tem potencial para relançar a próxima etapa de crescimento do país. Mas demandam uma preparação cuidadosa, para identificar os principais obstáculos, resolvê-los, montar estratégias para atração de capital privado nacional e internacional, para fortalecer as médias empreiteiras e até para montar um +Engenheiros, aproveitando a enorme capacidade ociosa na Europa.
Esse trabalho estava sendo conduzido por Bernardo Figueiredo, na EPL (Empresa de Planejamento e Logística). Saiu por incompatibilidade de gênios. É importante dar continuidade.
3. As estrategias jurídicas-políticas
É evidente a fragilidade institucional no governo junto ao Judiciário, Polícia Federal e Ministério. Em um ambiente de turbulência institucional, Ministro da Justiça é figura mais relevante que o próprio Ministro da Fazenda.
A Presidente terá dois desafios: nomear um Ministro da Justiça com peso, como foi Márcio Thomas Bastos, capaz de recuperar o profissionalismo da Polícia Federal, dialogar com os tribunais. E, também, indicar Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) com luz própria e suficiente respeitabilidade e caráter para resistir às pressões dos grupos de mídia.

ECONOMIA - A sorte está lançada.

Discurso de Levy amontoa velha ideias



Por Breno Altman, em seu blog:

A mídia tradicional dormiu e amanheceu, após a apresentação oficial da nova equipe econômica, em saliente regojizo.

A formalização de que o economista Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda foi recebida como se tivesse sido instituído um regime parlamentarista.
A presidente Dilma Rousseff, reeleita chefe de Estado, estaria obrigada a manter suas mãos esquerdistas fora dos assuntos econômicos.

A partir de agora, se o PT quiser paz e o retorno aos tempos de prosperidade, quem manda é o homem da gravata azul.

Ladeado por Alexandre Tombini e Nelson Barbosa, que estarão respectivamente encarregados de comandar o Banco Central e a pasta do Planejamento, Joaquim Levy deu seu recado em coletiva de imprensa.

Foi respeitoso com o atual titular da Fazenda, Guido Mantega, mas não dirigiu uma só palavra de agradecimento à presidente da República por tê-lo nomeado a tão importante cargo.

Muito menos fez os tradicionais votos de disciplina, próprios ao presidencialismo, através dos quais um alto funcionário assume obediência devida ao programa de governo escolhido pela soberania popular e ao supremo mandatário que o representa.

O ex-diretor do Bradesco não anunciou medidas concretas. A prudência exige que se aguarde este momento antes de qualquer conclusão mais profunda sobre o rumo que pretende imprimir.

Mas seu discurso pré-posse, lido perante os jornalistas, foi cheio de conteúdo.

O tema fundamental foi geração de superávit primário. Sob tal princípio reitor, ainda que gradualmente dominante, a pedra de toque da gestão econômica passaria a ser o enxugamento de despesas.

Aluno aplicado da escola monetarista, Levy retirou da gaveta, cheirando à naftalina, o velho roteiro da economia liberal.

A questão primordial está na captação dos fluxos de investimento.

Para esse propósito, o governo precisa oferecer atrativos irrecusáveis (taxa elevada de juros, desregulamentação, concessões e privatizações, baixos custos comparativos) e segurança fazendária, demarcada pela produção progressiva de caixa.

O mercado faria o resto.

O capital, seduzido por vantagens e garantias, traria embutida a perspectiva de aceleração do crescimento e até de melhorias sociais.

Os povos estão cansados de ver como termina este filme, com a riqueza social tungada pelos fundos financeiros privados, exacerbando desigualdades e concentrando a renda, colocando de joelhos Estados estropiados e nações empobrecidas.

O Brasil foi escapando deste cenário nos últimos doze anos, forjando um novo modelo de desenvolvimento, ainda instável e precário, alicerçado na ampliação do mercado interno de massas e na inclusão social.

As principais ferramentas para este processo – por exemplo, os programas sociais, a expansão das obras públicas e o aumento do salario mínimo – foram construídas fundamentalmente pelo reordenamento e a majoração dos gastos governamentais.

O ritmo de implementação desde modelo avançou quando a administração federal teve empenho, condições econômicas e força política para reduzir a renda financeira do capital, baixando a taxa real de juros, e se apropriar desta poupança para fortalecer políticas distributivistas.

A aposta desta via de desenvolvimento, adotada com mais vigor a partir do segundo mandato de Lula, era que a pujança do mercado interno, animado pela ação do Estado, impulsionava o crescimento e aumentava as receitas tributárias.

Além de recuperar a capacidade de investimento estatal, criava-se ambiente favorável também aos investimentos privados produtivos, estimulados pela mescla entre incorporação de novos consumidores e modernização da infraestrutura.

A crise econômica internacional afetou esta construção, reduzindo mercados e investimentos.

A expansão da capacidade popular de consumo, em ritmo superior à criação de oferta, desacelerada pela carência relativa de investimentos, pressionou a inflação.

A resposta do governo, acossado pelos oráculos do mercado, foi o aumento paulatino dos juros para conter a demanda. De março de 2013 a outubro de 2014, a Selic pulou de 7,25% para 11,25% ao ano.

Cresceu a renda financeira das vinte mil famílias que controlam 70% dos títulos da dívida interna. Mas deterioraram-se as contas públicas: quatro pontos a mais de juros significam despesa anual extra ao redor de R$ 120 bilhões.

O Tesouro também se complicou por uma série de desonerações favoráveis às empresas, que as ajudaram a recompor sua margem de lucro, mas sem maiores resultados sobre a taxa de investimento e crescimento.

Aliás, com juros reais de 5% ao ano, descontada a inflação, em um mundo no qual a remuneração do dinheiro está próxima de zero, fica difícil convencer o capital a sair dos bancos e fluir para o risco da produção.

Estabeleceu-se, assim, o consenso sobre a necessidade de um ajuste fiscal, ao mesmo tempo em que fomentou o conflito acerca de como fazê-lo.

Na lógica do projeto social-desenvolvimentista, o impasse deveria ser resolvido pelo primado do crescimento da economia.

O aprofundamento desse modelo dependeria de instrumentos que desonerassem o Estado e os grupos privados de seus custos financeiros, baixando juros, recompondo capacidade e apetite para investimentos. Também exigiria, a médio prazo, alívio tributário dos assalariados e aumento da contribuição prestada pelos extratos mais ricos.

A intervenção de Joaquim Levy, porém, trouxe velhas ideias de volta ao comando.

A retração dos gastos públicos, mantidos os juros altos, em uma situação mundial de debilidade comercial, equivale a uma estratégia que mantém a receita usurária dos mais ricos às custas da ocupação e do provento dos mais pobres.

Não é à toa que as palavras desenvolvimento, emprego e salário sequer foram citadas em seu discurso.

Tampouco se referenciou na inclusão social e na distribuição de renda como mecanismos fundamentais da economia, propulsores do ciclo comandado pelo governo do qual passará a ser empregado.

Ainda por cima, deu-se ao direito de provocar o petismo, quando tratou de incluir Fernando Henrique Cardoso no mesmo período de progresso que Lula e Dilma, ao falar da “consolidação dos avanços sociais, econômicos e institucionais realizados nos últimos vinte anos”.

A seu favor, poderá ser dito que se comprometeu com uma espécie de arrocho suave, por estabelecer uma meta menor que a de seu futuro antecessor para o superávit primário de 2015.

Como a Constituição ainda está vigente, o ministro da Fazenda presta contas à presidente e pode ser colocado na rua com uma canetada.

Que não se tenha ilusões, contudo. No afã de romper o cerco da direita e apaziguar as relações com o mercado, o governo parece ter convidado o inimigo para dormir dentro de casa.