sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CHINA - China reage e acusa EUA de hipocrisia em direitos humanos.

A China está certíssima. Depois de Guantánamo e Abuchrabi, os americanos não têm moral para atacar ninguém nessa área.
Carlos Dória.

Relatório chinês afirma que violência e pobreza atingem os americanos.

O governo da China respondeu nesta sexta-feira às críticas feitas pelos Estados Unidos em um relatório anual sobre a situação dos direitos humanos em todo o mundo divulgado na última quarta-feira.

A reação chinesa veio na forma de um outro relatório: o 10º relatório anual da China a respeito de problemas com direitos humanos nos Estados Unidos.

"A prática dos Estados Unidos de atirar pedras em outros enquanto vive em uma casa de vidro é testemunho dos critérios duplos e da hipocrisia dos Estados Unidos para lidar com direitos humanos, o que prejudica sua imagem internacional", afirma o documento chinês.

Na quarta-feira, o relatório publicado pelos Estados Unidos dizia que o respeito aos direitos humanos na China piorou e citava como exemplo a repressão de dissidentes e minorias no Tibete.

"Durante anos, os Estados Unidos se posicionaram a respeito de outros países e divulgaram o Relatório Anual de Práticas de Direitos Humanos para criticar as condições dos direitos humanos em outros países, usando isso como uma ferramenta para interferir e denegrir outros países", diz texto publicado nesta sexta pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

O relatório do Escritório de Informações do Conselho de Estado chinês afirma que "crimes violentos frequentes nos Estados Unidos são uma ameaça grave para a vida, a propriedade e a segurança pessoal de seu povo".

O documento chinês acrescenta que os direitos econômicos, sociais e culturais do povo americano não são protegidos "de forma adequada", diz que muitos jovens americanos tem "problemas de personalidade" e afirma que a discriminação racial "prevalece em todos os aspectos da vida social".

"Aconselhamos o governo dos Estados Unidos a começar de novo, enfrentar seus próprios problemas de direitos humanos com coragem, e parar com a prática errada de aplicar critérios duplos em questões de direitos humanos", conclui o relatório chinês.

Crise econômica

O documento publicado pela China avalia a situação dos direitos humanos nos Estados Unidos em seis aspectos: vida e segurança pessoal, direitos civis e políticos, direitos econômicos, sociais e culturais, discriminação racial, direitos das mulheres e crianças e a violação dos direitos humanos pelos Estados Unidos em outros países.

Citando dados do FBI e do Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos, o relatório chinês afirma que, com frequência, mortes provocadas por armas são uma ameaça grave às vidas dos cidadãos americanos.

O relatório também comenta a situação econômica do país, incluindo o aumento do número de pessoas sem teto, e - citando dados oficiais do governo americano, diz que 12,5% dos americanos, ou 37,3 milhões de pessoas, viviam na pobreza em 2007.

Ainda no trecho que trata da economia americana, o relatório lembra que a taxa de desemprego nos Estados Unidos aumentou de 4,6% em 2007 para 5,8% em 2008.

Relações EUA-China

Segundo o correspondente da BBC em Pequim, James Reynolds, o relatório chinês sobre os Estados Unidos e o relatório americano sobre a China fazem parte de uma troca anual bem comum entre os dois países.

De acordo com Reynolds, as novas críticas revelam uma prática que já se tornou costumeira e parece ter pouco impacto prático nas relações entre China e Estados Unidos.

No final da semana passada, a secretária de Estado americana Hillary Clinton esteve em Pequim para reunião com todos os líderes da China e as denúncias de violação dos direitos humanos foram pouco mencionadas - pelo menos em público.

Os Estados Unidos e a China também iniciaram uma reunião de dois dias sobre questões militares em Pequim, e os dois países ainda contam um com o outro para enfrentar a atual crise econômica mundial.
Fonte:BBC BRASIL

MST - CNBB defende MST contra parcialidade de Gilmar Mendes.

Porta-voz da Confederação Nacional dos Bispo do Brasil (CNBB), o padre Nelito Dornelas, criticou as reações públicas contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no conflito que resultou nas mortes de quatro seguranças das fazendas Jabuticaba e Consulta em Pernambuco. Diante do caso, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, combateu o financiamento público às entidades que “promovem ocupações ilegais.”

Nesta quinta (26), depois de condenar as ocupações em Pernambuco durante o carnaval, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) elogiou a posição do presidente do STF. O mesmo fez o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para quem Gilmar Mendes “prestou um grande serviço ao Brasil.”

“A igreja fica indignada com essa parcialidade. Por que a Justiça é tão ágil para se posicionar contra os movimentos sociais, mas não para julgar os latifundiários? Somos radicalmente contra a morte, mas essa parcialidade nos entristece”, disse o padre Dornelas em entrevista ao Jornal do Brasil.

Segundo ele, a CNBB espera que o caso seja apurado rapidamente e que os culpados sejam punidos, mas criticou as reações públicas contra o movimento. O padre informou que os advogados da Comissão Pastoral da Terra já estão acompanhando o caso. Ele diz que o MST não é um movimento marginal e nem terrorista.

O padre Dornelas exemplificou como parcialidade a não condenação do fazendeiro acusado de matar a missionária Doroty Stang em Anapu (PA), caso que completou quatro anos na última quinta (12). O mandante do crime, fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi absolvido pela Justiça do Pará no ano passado.

Em nota, o MST afirmou que os acusados de matar os quatro seguranças em Pernambuco agiram em legítima defesa para evitar um massacre. Segundo o movimento, desde sábado pistoleiros e milícias armadas rondavam os acampamentos. Eles entraram no local e agrediram um trabalhador. O tumulto começou quando um dos segurança sacou uma arma.

De Brasília,
Iram Alfaia/Site O Vermelho.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

DITABRANDA - PROTESTO À FRENTE DA "FOLHA"

Movimento dos Sem-Mídia marca protesto à frente da 'Folha'

A organização não-governamental Movimento dos Sem-Mídia (MSM), fundada em 2007 e presidida por Eduardo Guimarães, vai organizar um ato contra a Folha de S.Paulo em 7 de março, sábado, às 10 horas. A manifestação vai ocorrer em frente à sede do jornal, na rua Barão de Limeira, em protesto contra o uso do termo “ditabranda” pela Folha.

Em editorial publicado no último dia 17, o jornal da família Frias desqualificou a Revolução Bolivariana de Hugo Chávez, em favor do regime militar no Brasil. Segundo o texto, “as chamadas ‘ditabrandas’ — caso do Brasil entre 1964 e 1985 — partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”.

A vergonhosa defesa da ditadura provocou uma enxurrada de cartas e e-mails de protesto ao jornal — que não só reiterou sua posição como também qualificou como também classificou como “cínica e mentirosa” a indignação dos professores Fábio Konder Comparato e Maria Benevides.

O ato à frente da Folha foi comunicado por Eduardo Guimarães no blog Cidadania.com. “É uma iniciativa que não pretende nem precisa reunir uma grande multidão para protestar contra essa perniciosa revisão histórica de um fato que, a meu juízo, deveria equiparar-se ao Holocausto nazista”, registrou Guimarães. “Entre o número dos que confirmaram que participarão do ato e dos acompanhantes que pretendem levar consigo, já temos perto de 40 pessoas.”

Segundo o Cidadania.com, entre as adesões ao protesto já constam o Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo, além de professores da USP e da Unicamp.
Fonte:Site O Vermelho

MEIO AMBIENTE - Com a web, luta pela preservação fica a um clique do mouse.

Bettina Barros, de São Paulo

Basta um clique no mouse em alguma cidade americana para que um hectare de floresta no Brasil ou na Indonésia esteja a salvo da destruição. Ou uma mensagem curta de texto para mobilizar centenas de pessoas em torno de uma causa urgente pelo planeta. O ativismo ambiental está cada vez mais globalizado e conectado à internet. E não poderia ser diferente: com suas redes sociais e blogs, o mundo virtual tornou-se hoje a principal e a mais rápida arma das organizações não-governamentais para proteger a natureza, angariar voluntários e levantar fundos.
Divulgação
Jackie Held, gerente de marketing da TNC: US$ 758 mil levantados on-line na campanha "Plante um bilhão de árvores"

A emergência das questões ambientais alavancou os sites das grandes ONGs e catapultou o número de blogs dedicados ao assunto. Há pelo menos uma centena deles disponíveis na internet.

A oferta de ações também é grande. É possível ajudar remotamente gorilas da África ou adotar, pelo preço mínimo de três libras esterlinas por mês (pouco mais de R$ 10), o carismático panda Zhu Xiong, mantido na reserva de Wanglang, a maior da China. Com direito até a cartão, a adoção de espécies em extinção - ou em vias de - virou uma forma politicamente correta de presentear virtualmente amigos e parentes nos Estados Unidos e na Europa.

O aquecimento global também teve papel fundamental para conscientizar o internauta sobre a importância de se manter as florestas de pé. Na esteira das projeções assustadores de superaquecimento do planeta, as maiores ONGs internacionais criaram programas exclusivos para preservação das últimas manchas verdes remanescentes, entre elas a Amazônia brasileira.

A americana Conservação Internacional (CI) escolheu o popular site de compartilhamento de vídeos YouTube para lançar, no ano passado, uma das campanhas de maior sucesso para adoção de florestas, a "Proteja um Acre". Em um vídeo provocativo, exibiu o ator Harrison Ford em uma dolorosa sessão de depilação, demonstrando que quando se desmata um lugar, outra parte do mundo sente. "Lost there, felt here", diz o galã hollywoodiano.

Em poucas horas o link "Harrison Ford perde um acre" pulou para o ranking dos mais assistidos no YouTube, recebeu a indicação de um sem-número de blogs, artigos em sites especializados como o TakePart.com e comentários nas redes sociais MySpace, Facebook e Twitter. Por aqui, o Orkut (o preferido dos brasileiros) tampouco deixou passar despercebida a provocação. Para a Conservação Internacional, a repercussão foi à altura. Em menos de um ano, a campanha levantou US$ 750 mil para proteger uma área estimada de 18 mil acres ao redor do mundo.

"A adoção de novas plataformas para comunicação com o público é crucial. Precisamos atingir outras audiências", explicou ao Valor Laura Bowling, vice-presidente de marketing estratégico e comunicação global da Conservação Internacional.

A The Nature Conservancy (TNC), uma das organizações pioneiras de preservação, seguiu a mesma trilha e iniciou o programa "Plant a Billion Trees". Como o nome em inglês indica, o programa tem o objetivo de restaurar 2,5 milhões de acres com o plantio de um bilhão de árvores em remanescentes da Mata Atlântica brasileira, paraguaia e argentina, em sete anos. O mote: "Um dólar, uma árvore". Segundo a atualização mais recente de seu site, 1.511.429 milhão de árvores já foram plantadas.

Assim como a Conservação, os novos canais cibernéticos foram essenciais para esse desempenho - e com investimento zero. "O engajamento em redes nos permite comunicar com jovens para apoiar nossa causa. Um exemplo é o FaceBook, onde temos 64 mil colaboradores", disse Jackie Held, gerente de marketing de parcerias da TNC. Cerca de 40% dos membros da organização têm mais de 65 anos.

A causa ambiental também ganhou muito mais agilidade com as novas ferramentas. Na mais recente iniciativa, o Greenpeace mobilizou rapidamente cerca de 500 pessoas no Parque Villa Lobos, em São Paulo, para a formação de uma "onda humana" que chamasse a atenção do governo federal para a implantação de áreas protegidas marinhas na costa do país.

Os ciberativisitas entraram em ação em massa novamente com a campanha "O mundo está de olho!", da WWF Brasil, na qual os internautas eram convidados a postar uma foto de seus olhos para pressionar os representantes dos países participantes da 14ª Conferência das Partes da Convenção de Clima da ONU, realizada em dezembro, a se comprometerem com um acordo global sobre o clima. As imagens foram exibidas em um imenso telão durante a conferência em Poznan, na Polônia. Segundo a WWF, mais de 16 mil imagens foram postadas na página da ação no site de compartilhamento de fotos Flickr.

Em todas as ações de mobilização, o microblog Twitter parece ser o campeão em velocidade e, não à toa, tornou-se uma coqueluche entre os ambientalistas. A plataforma permite que o usuário publique mensagens curtas - de até 140 caracteres - e forme uma rede de seguidores. "O que importa é dar sua mensagem em tempo real. O Twitter é um radinho de notícias, só que escrito. É mais rápido que o celular", diz Jorge Cordeiro, do Greenpeace.

Mais que as redes sociais e a blogosfera, no entanto, os ciberativistas ganharam aplicações poderosas no ano passado. O Google criou o Google Ocean, um software de mapeamento e imagens do oceano, e o Google Earth Solidário, após verificar a utilização do aplicativo pela Cruz Vermelha e o Exército americano nos trabalhos de resgate do furação Katrina.

"Percebemos que essas ferramentas são úteis para oferecer informações para as mais diferentes organizações", disse Marcelo Quintella, gerente de produto do Google Map Brasil.
Fonte:Valor Econômico.

XINGAR É FÁCIL, APURAR É BEM MAIS DIFÍCIL

Carlos Brickmann

Observatório da Imprensa

Tudo bem, suíço é chato mesmo. Se você entra num cinema, tem de ocupar a cadeira ao lado do último que se sentou, mesmo que a sala esteja vazia. Os italianos, no meio de toda aquela confusão que os caracteriza, geraram Michelangelo, Mascagni, da Vinci, Dante, Bernini, Verdi, Rossini, Rafael. Os suíços, no meio de toda aquela ordem, conseguiram criar o relógio-cuco e alguns queijos.

Pronto: já falamos mal dos suíços. Agora entremos no caso de Paula Oliveira. Nossos meios de comunicação repetiram todos os erros do caso Escola Base; e as consequências só não foram mais graves porque o caso ocorreu fora do Brasil. As informações foram aceitas sem contestação. A imprensa não fez o mínimo indispensável (por exemplo, falar com a mãe da moça, que estaria com ela ao telefone no momento do ataque, para saber o que teria ouvido; ou entrevistar um médico sobre a possibilidade de uma pessoa consciente ser cortada sem que houvesse sequer um tremor nos riscos. Seria possível que a moça não tivesse nem contraído os músculos de dor ao ser riscada por estilete?). E, já que não havia fatos a narrar, saiu batendo nos suíços, como se lá houvesse uma caça aos estrangeiros. E, dos países europeus, a Suíça é dos menos xenófobos.

O SVP, por exemplo, é um partido detestável. É ultranacionalista, é contra a imigração, essas coisas. Mas não é neonazista. O SVP integra um governo democrático, que trata os imigrantes melhor que os espanhóis, onde os guardinhas de aeroporto maltratam os brasileiros (e provavelmente outros visitantes) e não provocam, da parte de nossas autoridades, reação tão violenta.

Um detalhe interessante é a justificativa de muitos jornalistas para chutar da medalhinha para cima: basearam-se em portais que mereceriam confiança. Se é para repetir o que publicaram "portais confiáveis", por que jornais, por que tevês, por que rádios, por que outros portais? Por que não ficar só naqueles confiáveis?

O pai agiu certo: achou que a filha tinha sido atacada e chamou a imprensa. Caberia à imprensa, diante dos fortes indícios de que tinha acontecido alguma coisa (e os indícios iniciais eram fortes), noticiar o fato, mas deixando para o leitor uma porta aberta, que demonstrasse que não se tratava de uma história sem falhas. Caberia levantar dúvidas, pensar sobre a história, procurar congruências e incongruências. E, principalmente, não caberia de forma alguma atacar outro país, considerando-o responsável por um evento que, mesmo que tivesse ocorrido, poderia ter sido fortuito.

A propósito, os jornais suíços incorreram no mesmo erro: passaram a atacar o Brasil, a dizer que aqui as notícias são inventadas, que 72% dos brasileiros não gostam de imigrantes – de onde tiraram esses números, ninguém sabe (e este colunista, neto de imigrantes do exterior, filho de imigrantes do interior, não encontrou ainda todo esse povo xenófobo que a imprensa suíça está vendo).

Besteira: transformou-se um incidente numa espécie de jogo de futebol, em que o importante é ganhar no grito, não importa quem tenha razão.
Fonte:Observatório da Imprensa.

FOLHA E OS "CÃES DE GUARDA" DA DITADURA.

Altamiro Borges.

O editorial da Folha de S.Paulo da semana passada, que qualificou a sanguinária ditadura militar brasileira de “ditabranda”, foi um tiro no pé. Em pleno carnaval, serviu para tirar sua fantasia de jornal eclético e plural, que até hoje engana alguns ingênuos. A balela publicitária de que a Folha “tem o rabo preso com o leitor” foi para o esgoto. Em poucos dias, dois mil leitores indignados assinaram um manifesto de repúdio ao jornal. Eduardo Guimarães, do blog Cidadania, já propõe realizar um ato de protesto em frente ao prédio do Grupo Folhas, na Rua Barão de Limeira.

Da própria redação, o jornalista Fernando de Barros e Silva resolveu se indignar - infelizmente, a maioria mantém o silêncio cúmplice: “Certamente não é a primeira vez que um colunista da casa diverge da posição expressa pelo jornal em editorial. Mas é a primeira vez que este colunista se sente compelido a tornar pública sua discordância... O mundo mudou um bocado, mas ‘ditabranda’ é demais. O argumento de que, comparada a outras instaladas na América Latina, a ditadura brasileira apresentou ‘níveis baixos de violência política e institucional’ parece servir, hoje, para atenuar a percepção dos danos daquele regime de exceção”.

Indignação e silêncio cúmplice

“Algumas matam mais, outras menos, mas toda ditadura é igualmente repugnante... Se é verdade que o aparelho repressivo brasileiro produziu menos vítimas do que o chileno e o argentino, isso se deu porque a esquerda armada daqui era menos organizada e foi mais facilmente dizimada, não porque nossos militares tenham sido ‘brandos’. Quando a tortura se transforma em política de Estado, como de fato ocorreu após o AI-5, o que se tem é a ‘ditadura escancarada’, para falar como Elio Gaspari”, reagiu o editor de política da Folha na sua coluna desta terça-feira, dia 24.

É certo que Fernando de Barros dá uma no cravo e outra na ferradura, enfatizando sua concepção liberal. Democracia política sim; democracia social, nem tanto. Como ele registra, o seu protesto se dá “em nome do que aprendi durante 20 anos de Folha”. Demarcando com os que aderiram ao manifesto de repúdio, ele ataca gratuitamente Cuba, Venezuela e “os figurões e as figurinhas da esquerda nativa” com a sua “retórica igualitária” – por ironia, o mesmo argumento utilizado pela ditadura para não ser nada branca no Brasil. Apesar deste escorregão liberal, entretanto, ele pelo menos resolveu se indignar com o odioso editorial da Folha. Melhor do que o silêncio cúmplice.

“O diário oficial da Oban”

Na onda de repúdio à postura fascistóide da Folha também ressurge sua história sinistra. O livro de Beatriz Kushnir, “Cães de guarda”, renegado pelos resenhistas quando foi lançado em 2004, agora aparece como uma obra indispensável para se entender as íntimas ligações da mídia com o regime militar. Com 404 páginas, ela é resultado da tese de doutorado da historiadora carioca e foi aprovada com louvor na Unicamp. Com base em documentos oficiais e entrevistas, Kushnir prova o “colaboracionismo” dos veículos privados e de muitos jornalistas, que se tornaram “cães de guarda” da ditadura, encobrindo seus crimes e justificando o seu projeto político-econômico.

A autora dedica longo capítulo à Folha de Tarde, o principal jornal da Famíglia Frias nos anos de chumbo da repressão. Editado na época por Antonio Aggio, que depois foi assessorar o senador Romeu Tuma, ex-chefe da Polícia Federal, o jornal virou “o diário oficial da Oban” – a Operação Bandeirantes, que torturou e assassinou vários patriotas. Ele desqualificou os que lutaram contra a ditadura – Lamarca era rotulado de “louco” –; ignorou a morte do jornalista Wladimir Herzog; não deu destaque à prisão de Frei Betto, que fora da sua equipe de reportagem; e transmitiu a versão oficial sobre mortos e desaparecidos – como o do ex-metalúrgico Joaquim Seixas.

A mudança tática do discurso

Durante uma década e meia, a Folha ficou sob o comando da direita golpista e muitos dos seus jornalistas ocuparam cargos na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Tanto que passou a ser ironizada como o jornal de “maior tiragem” devido à forte presença de “tiras” (policiais) na redação. Com o fim do regime militar, a Folha da Tarde entrou em declínio e faliu; seu lugar foi ocupado pela Folha de S.Paulo. A famíglia Frias tentou esconder seu passado sujo e reciclar seu discurso. Numa entrevista ao jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Kushnir afirma que esta mudança foi tática – a empresa nunca abandonou suas posições de direita.

“Em 1977, o Boris Casoy assumiu a redação da Folha. São tirados todos os nomes dos Frias do expediente, que só vão ser recolocados no jornal em 1984, na época das Diretas. É toda uma jogada de marketing da Folha. Se você repensar hoje o Projeto Folha, ela está muito longe de qualquer análise que diga: ali tínhamos uma redação neutra. Mas as pessoas continuam lendo o projeto Folha como isso. Como um momento em que a Folha vai sair de tudo isso como se nada desse passado tivesse a ver com a família Frias, e vai entrar limpar para a história nesse momento de redemocratização do país, o que não é verdade”.

Agora, com o editorial da “ditabranda”, a Folha retoma sua verdadeira história e tira a máscara!
Fonte:Blog do Miro.

NÃO ENTENDI O ENROSCO!

Por Elaine tavares – jornalista

É coisa comum na esquerda brasileira fazer a crítica aos grandes meios de comunicação. De uma maneira geral todo mundo que estudou um pouquinho a questão da comunicação sabe que, neste país, as redes de comunicação - sejam televisadas, escritas ou faladas - são nada mais nada menos do que uma bem urdida propaganda do sistema político e econômico dominante. A televisão é comandada pela Globo, que tem uma triste história de parceria com o regime militar, criada para dar ao país “uma identidade nacional”. O sistema de rádio também está na mão da elite dominante do país, das mesmas empresas que controlam a televisão e dos políticos com cadeira no Congresso Nacional. Estes, por sua vez, lá estão no sistema legislativo, unicamente para defender interesses particulares, com raríssimas exceções.

No que diz respeito aos jornalões nacionais como Globo, Folha de São Paulo e Estadão, nunca houve dúvidas sobre o que eles defendem. Por isso sempre me causou espécie ver a intelectualidade brasileira de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistiam em dizer que era o “mais democrático” ou que “pelo menos abria um espaço para a diferença”. Ora, o jornal dos Frias pode ser comparado à velha historinha do lobo que estudou na França e voltou querendo ser amigo das ovelhas. Tanto insistiu com elas que havia mudado, que estava civilizado, que elas foram visitá-lo. Então, quando já estavam dentro da casa do lobo ele as comeu. Uma delas, moribunda, lamentou: “mas você disse que tinha mudado”... E ele, sincero: “Eu mudei, mas não há como mudar os hábitos alimentares”.

E assim é com a Folha. Não consegui ficar indignada com o comentário sobre a “ditabranda”. Isso é coisa normal na Folha. É isso que eles sempre defenderam e o que sempre vão defender. São os hábitos alimentares. A Folha sempre mentiu, sempre enganou, sempre esteve a serviço do poder instituído, dos interesses dos poderosos, do capital.

O que me indigna de fato é saber que gente de esquerda, sindicalistas, povo do movimento social assina e lê a Folha. Este devia ser um jornal para ser esquecido. “Ah, mas ali está a fala do poder, temos de conhecer”. Ora, que se leia na banca, sem comprar, sem financiar este embuste. Se a Folha existe é porque muita gente boa a sustenta. E quando digo muita gente boa estou falando de gente que a critica. Sepulcros caiados. Bradam nas esquinas e a recebem em casa.

A Folha sustentou a ditadura, foi conivente com as mortes, com as desaparições, impediu o bom jornalismo, velou a verdade. O fez, o faz e o fará, sempre. A nós cabe construir o novo, novos veículos, com jornalismo de verdade, este que desvela, que analisa, que interpreta, que é forma de conhecimento. A Folha é boca alugada da elite, é lobo, é sistema de propaganda. A Folha é lixo e como tal deve ser descartada. Penso eu que se cada ser humano neste país que ficou indignado com a Folha deixar de comprá-la ela não se sustenta. Se ela serve a elite, que seja alimentada por ela somente.

Ah, essa nossa gente bonita... Se soubesse a força que tem!
Fonte:Blog Bodega Cultural.

GILMAR MENDES ACUSA GOVERNO LULA

GILMAR MENDES ACUSA GOVERNO LULA
DE CONIVÊNCIA COM ATOS ILEGAIS DO MST

Celso Lungaretti (*)

O ovo da serpente atende pelo nome de Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal.

Como ministro do STF já mostrava a que vinha em março/2007, quando foi o relator do Caso Olivério Medina (que pleiteava refúgio humanitário no Brasil) e tentou convencer seus pares a avocarem a decisão sobre se os crimes atribuidos ao ex-integrante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia eram políticos ou comuns. Foi sua primeira tentativa de usurpar tal prerrogativa do Executivo.

Nenhum outro ministro o apoiou. O STF reconheceu que a decisão do governo brasileiro, concedendo o status de refugiado político a Medina, havia sido juridicamente perfeita, pois a lei que regulamenta a concessão do benefício (a 9.474, de 22/08/1997, conhecida como Lei do Refúgio) é taxativa: o "reconhecimento da condição de refugiado obstará o seguimento de qualquer pedido de extradição".

Depois, em maio/2007, teve reação das mais exageradas quando uma investigação sigilosa da Polícia Federal sobre a máfia das obras públicas vazou para a imprensa. Aparecia um Gilmar Mendes na lista dos que teriam recebido mimos e brindes da principal empresa corruptora, só que se tratava de um homônimo. Mesmo assim, o então vice-presidente do STF acusou a PF de "canalhice".

Logo em seguida, Mendes insinuou que o ministro da Justiça Tarso Genro omitia-se quando a PF extrapolava sua competência: "Se a polícia começa a decidir quem ela prende e quem ela solta, na verdade, nós estamos num outro modelo que não é o modelo do Estado de Direito".

Não se fez de rogado em apontar qual seria o tal modelo: o da URSS stalinista e o da Alemanha nazista. Sugeriu que a PF estava a caminho de se tornar uma KGB ou Gestapo.

Eleito em março/2008 para a presidência do STF, Mendes aproveitou bem o erro crasso cometido pelo juiz Fausto De Sanctis em julho/2008, ao expedir um segundo mandado de prisão contra o banqueiro Daniel Dantas, logo após ele haver sido beneficiado por um habeas-corpus do STF. Configurava-se o desrespeito de um juiz de instância inferior a uma decisão do Supremo, algo inaceitável numa democracia.

Como o ministro Tarso Genro, de início, apoiou incondicionalmente a Operação Satiagraha, Mendes pôde bater de novo na tecla de que seria o grande defensor do estado de direito contra investidas totalitárias do Governo Lula -- desta vez com mais credibilidade, chegando a receber desagravos e manifestações de solidariedade de expoentes do Judiciário.

Catapultado a novo ídolo da direita, Mendes não parou mais de deitar falação reacionária. Chegou a igualar as atrocidades cometidas pela ditadura militar aos excessos porventura cometidos por resistentes, ao rebater uma afirmação de Dilma Rousseff, de que as torturas constituíam crime imprescritível.

"Essa discussão sobre imprescritibilidade é uma discussão com dupla face, porque o texto constitucional também diz que o crime de terrorismo é imprescritível", afirmou Mendes em novembro/2008, confundindo maliciosamente o exercício do legítimo direito de resistência à tirania com práticas terroristas -- uma falácia característica da propaganda enganosa dos sites fascistas.

Mendes também não tem medido esforços para influenciar negativamente a decisão do STF no Caso Cesare Battisti. Quer porque quer dar a volta por cima da acachapante derrota que sofreu no Caso Medina, reapresentando a mesmíssima tese já rechaçada em 2007. Desta vez, tem as direitas brasileira e italiana ao seu lado.

Salta aos olhos que está mirando mais longe: uma eventual prevalência da tese de que os crimes imputados a Battisti foram comuns reforçaria a posição das viúvas da ditadura brasileira no debate resistência ou terrorismo?. Mendes almeja uma condenação em bloco da luta armada, seja contra democraduras como a da Itália na década de 1970, seja contra as ditaduras nada brandas da América do Sul.

Last but not least, Mendes acaba também de engrossar a grita direitista contra uma alegada omissão do Governo Lula face a excessos do Movimento dos Sem-Terra: ""Há uma lei que proíbe o governo de subsidiar esse tipo de movimento. [Repassar] dinheiro público para quem comete ilícito é também uma ilicitude, e aí a responsabilidade é de quem subsidia", afirmou.

Pavoneando-se sofregamente diante dos microfones, manda às favas a regra de ouro de que ministro do STF se manifesta é nos autos.

Cada vez mais se projeta como um dos líderes informais da oposição ao governo federal, imiscuindo-se em assuntos caracteristicamente políticos e trombeteando opiniões que melhor faria guardando para si, em nome da discrição que deve pautar o comportamento do presidente da mais alta corte do País.
Fonte:Blog Náufrago da Utopia

CHEGA DE VERGONHA

Bráulio B. Wanderley.

Muitos leitores do blog manifestaram sua opiniões e indignação a nossa postagem a respeito do inverídico ataque de neonazistas suíços sobre a advogada Paula Oliveira.

Como na Roma Antiga, a política augusta do pão e circo dá certo. Durante o carnaval, pouco se comentou sobre o assunto, como se fosse uma mera questão de insanidade temporária de uma pobre e ilegal brasileira que trabalhava sem passaporte como mão-de-obra de baixa qualificação.

Nosso blog recebeu manifestações de profissionais liberais, estudantes, parlamentares, juízes e membros dos executivos dos governos federal e estaduais de Pernambuco e da Bahia juntando-se a essa corrente mista de desculpas aos povos da Suíça e do Brasil e de vergonha frente ao dano provocado (mais uma vez) sobre nossa imagem na comunidade internacional.

Não podemos admitir a pseudo-inimputabilidade dessa senhora frente ao crime cometido na Suíça e muito menos quando se envolve a Presidência da República, não falo aqui do Chefe de Estado Luis Inácio Lula da Silva, mas da Instituição que representa nosso POVO. TERRITÓRIO E SOBERANIA.

Que a família se solidarize à irresponsabilidade da executiva, tudo bem, é um direito que a assiste, mas macular nossa imagem impunemente?! E como perguntar não ofende: Onde estão o deputado Roberto Magalhães e o senador Marco Maciel que ao saberem do suposto atentado recorreram ao Itamarati, Claudio Humberto? Onde está a retratação, Arnaldo Jabor? Ela virá de quem, William Wack? Será que a culpa é do Presidente Lula, Mainardi?

Veja que até o SPV (Partido do Povo Suíço, de conotação neonazista) já se manifestou. A família alegou falta de condições psicológicas da senhora Paula Oliveira. Isto é! Quem não tem moral agora sofre de vergonha, Boris Casoy!?

Com a palavra nossa elite branca* e seus porta-vozes da imprensa.

* Expressão utilizada corriqueiramente pelo ex-governador e jurista Cláudio Lembo (DEM-SP).
Fonte:Blog História Vermelha.

GILMAR MENDES, O MST E O USO DO DINHEIRO PÚBLICO

Leonardo Sakamoto

Eu deixei de me espantar quando o presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes faz declarações públicas que não condizem com a discrição que exige seu cargo. Dessa vez, por conta de um confronto que resultou na morte de seguranças de uma fazenda em Pernambuco (os sem-terra alegam legítima defesa), ele criticou o repasse de recursos públicos a entidades que atuam na luta pela terra.

“Financiamento público de movimentos que cometem ilícito é ilegal, é ilegítimo. Que o Ministério Publico tome providencias para verificar se não há financiamento ilícito a estas instituições”, disse Mendes.

Interessante a indignação do magistrado só ter surgido agora. Por que ele não veio a público dizer o mesmo nas centenas de vezes em que ocorreu o contrário, quando grandes empresas e fazendeiros, que receberam recursos públicos do BNDES, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, entre outros, estiveram envolvidos direta ou indiretamente com a morte de centenas de trabalhadores rurais, sindicalistas e missionários, com a contaminação e destruição do meio ambiente, o trabalho escravo e o infantil, a expulsão de comunidades tradicionais de suas terras, a grilagem de terras, a corrupção de políticos e de funcionários públicos? Será que é pelo fato de que, no Brasil, boa parte do Poder Judiciário age com dois pesos e duas medidas, para ricos e pobres?

Qualquer assassinato tem que ser desvendado, seja quem for o autor ou a vítima. Portanto, espero que os crimes em Pernambuco sejam resolvidos e condenados os culpados ou absolvidos os inocentes. A sacanagem é usar o caso como chantagem ou justificativa para recomeçar uma caça às bruxas, semelhante ao que se tentou fazer na CPI da Terra anos atrás. Fazem parecer que os recursos repassados a entidades sociais no campo são usados para fazer ocupações e orgias, ignorando o desenvolvimento em educação e tecnologia rurais obtidos em pequenas comunidades com esses investimentos nos últimos anos. E ignorando que sem a pressão dos movimentos sociais, o pouco de reforma agrária que ocorreu nem teria sido realizada.

Ah, mas pelo menos, uma coisa boa surge disso tudo. Se Gilmar Mendes for um homem coerente - e acredito que seja - a sua indignação pública contra os sem-terra indica que o ministro também será favorável a qualquer mecanismo de bloqueio de crédito e financiamento públicos a empresas e fazendeiros que cometam crimes como o desmatamento ilegal ou qualquer outro que enumerei acima. O que ele disse nesta quarta - “Que o Ministério Publico tome providencias para verificar se não há financiamento ilícito a estas instituições” - serve também para isso.

E urgente, pois qualquer passarinho sabe que, desde a fundação da nação, dinheiro público é entregue às mãos de expoentes do poder econômico privado (de latifundiários, passando por industriais ao setor de serviços), que cometem sérias delinquências, impunemente.
Fonte:Blog do Sakamoto.

O NEGACIONISMO POLÍTICO DA FOLHA

Rui Martins

Berna (Suiça) - O bispo inglês Richard Wiliamsson acabou expulso da Argentina por negar a existência do Holocausto e das câmaras de gás na Alemanha nazista, fazendo nisso parceria com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Diversos professores universitários europeus, militantes da extrema-direita, tiveram processos, perderam a cátedra e foram condenados por terem colocado em dúvida a solução final de Hitler.

Por que tanto rigor ? E a liberdade de cátedra e a livre expressão ? quem leu 1984 do inglês George Orwell lembra-se que o personagem principal trabalhava no departamento de informação e sua função era ir reescrevendo a história ao sabor do Big Brother. Os jornais eram refeitos, heróis desapareciam ou se tornavam traidores, nesse mundo sem liberdade.

Reescrever a história, apagar todos os traços de crimes cometidos para deixar uma imagem positiva e favorável à posteridade, sempre foi o desejo dos ditadores. Donde a necessidade de se preservar a memória da população do nosso planeta, para que não se esqueça dos crimes hediondos cometidos. A memória viva é a garantia da não repetição das atrocidades do passado e a possiblidade de se impedir a tempo qualquer tentativa semelhante.

Para isso se constróem museus, erguem-se memoriais e monumentos, gravam-se os nomes das vítimas no mármore, filmam-se os sobreviventes, escrevem-se livros com depoimentos, em diversos lugares do mundo, e, ao mesmo tempo, não se permite demolir provas capitais como o campo de Auschwitz. O objetivo é o de preservar a memória para se evitar a repetição dos crimes.

E para se evitar que saudosistas dos carrascos neguem as evidências, decidiu-se, em respeito às vítimas, punir os chamados negacionistas desejosos de reescrever a história sem os crimes cometidos por seus heróis.

Quando o falecido pastor James Wright e o cardeal Evaristo Arns empreenderam a tarefa de coordenar a documentação histórica dos crimes da ditadura militar brasileira, surgiu o nome Nunca Mais. Ou seja, que isso não possa nunca mais se repetir, que as novas gerações sejam informadas de como uma ditadura militar derrubou um governo legalmente eleito, prendeu, torturou e matou milhares de brasileiros, muito deles inocentes.

A Operação Condor e as ditaduras militares do Cone Sul que agiam de maneira coordenada na repressão a todos os aspirantes da democracia e liberdade, na nossa América Latina, foram fatos históricos, com seus crimes registrados e os nomes dos torturadores e assassinos arquivados. A juventude de hoje, vivendo uma outra realidade, poderia desconhecer totalmente o período sombrio da censura nos jornais e nas artes, cinema e teatro, das prisões na madrugada e dos desaparecidos ou napalmados se todos os crimes, abusos e violências não fossem repertoriados, gravados e transformados em depoimentos históricos.

Negar ou tentar amenizar os anos da ditadura militar, considerando-a ter sido uma ditadura branda é cometer crime de negacionismo. É tentar minimizar os malefícios do período discricionário com a intenção de deixar aberta a porta para novas ditaduras. É querer reescrever a história, para logo mais transformar os criminosos em heróis e as vítimas em culpados. O negacionismo cometido pela Folha de São Paulo, num editorial e corroborado online, é grave por ser um jornal, um órgão de informação, que dispõe de meios para reverter a verdade histórica e assim justificar sua cumplicidade com a ditadura, ainda no nosso passado recente.

Não se deve apenas protestar, assinar manifestos e abaixo-assinados denunciando-se o saudosismo negacionista da Folha de São Paulo. A bem da história e para se evitar repetições criminosas e desastrosas é preciso punir-se o negacionismo político daqueles que negam ou procuram minimizar nossos vinte anos de ditadura.

O negacionismo da ditadura brasileira e dos males causados ao Brasil deve ser encarado como uma atitude revanchista de cúmplices dos ditadores. Seus autores devem se retratar ou serem afastados de funções de influência junto à opinião pública. Uma lei com o mesmo peso da lei anti-racista acabaria com o saudosismo da Folha de São Paulo, que numerosos depoimentos confirmam ter colaborado com a ditadura.
Fonte:Direto da Redação.

OS BLOGS DELES

Copiado do blog Dilma 13

O jornalista Rodolfo Torres, do Congresso em Foco, em matéria que fez sobre o blog Dilma13, disse que há blogs do Serra, do Aécio, mas que não conseguiu falar com seus editores. Ele entrevistou o Daniel, editor responsável pelo blog Dilma13. Vai aqui uma dica para jornalista Rodolfo Torres: o site e-agora do "cientista político jornalista" Eduardo Graeff faz propaganda política do Serra, do PSDB, disfarçado de site sobre política, com duros ataques ao governo Lula. Fez – meio contrariado, verdade seja dita – propaganda do Alckmin em 2006/2008. O candidato dele é o Serra, atualmente seu patrão. Você não sabia que Serra é patrão do Eduardo Graeff? Eduardo Graeff, para quem não se lembra, foi secretário de FHC na presidência. Depois da derrota acachapante de Serra, em 2002, ele ficou sem função no governo. Resolveu fazer um blog, o e-agora, para tocar uma campanha mambembe e mal educada anti-Lula e anti-PT. Árdua tarefa, essa atribuída pelo Serra ao Euardo Graeff. Árdua porque fazer campanha contra o presidente Lula não é fácil, e mais difícil ainda será tentar eleger o Serra. No dia 17/9, na Folha de São Paulo, caderno Opinião, ele defende as privatizações do governo FHC. Atitude muito normal: FHC anda reclamando de que o resto do PSDB não defende suas privatizações. Graeff tem todo direito de atender aos desejos de seu ex-chefe, afinal ele é pago para isso. Pago com o dinheiro do contribuinte de SP. Isso mesmo, a Folha de São Paulo omite, esconde, o que faz o Eduardo Graeff hoje, diz apenas que é cientista político e foi secretário geral da Presidência no governo FHC. Não conta que ele foi nomeado por Serra representante do estado de SP em Brasília. Uma espécie de cônsul que fica lá em Brasília para defender os interesses do governador do estado que ele representa. Serra não tem coragem de vir a público defender as privatizações, não tem coragem de dizer que vai privatizar a Petrobras e os bancos estatais se for eleito presidente em 2010, dando continuidade ao desastrado governo de FHC. Um governo que entregou as nossas estatais a preço de banana para o capital estrangeiro, com muita maracutaia, corrupção e desvio do dinheiro público. As CPIs para investigar essas privatizações foram todas engavetadas por FHC e pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que ganhou a fama de engavetador-mór da República. Pois o Eduardo Graeff, o pau-mandado de Serra e FHC, está mantendo a sua boquinha, agora como aspone de Serra em Brasília. Mas isso a Folha não publica, finge que não sabe. Eduardo Graeff está sempre a postos para defender Serra, o governo Serra em SP, assim o fez quando a policia civil fez greve por melhores salários e condições de trabalho, sempre cheio de elogios a Serra e ao governo do PSDB. Outro blog disfarçado que faz duros ataques ao governo Lula e propaganda do governo Serra, do Serra, do PSDB, sempre cheio de elogios, é o blog do Reinaldo Azevedo, hospedado na Veja (só podia).

Diz o ex ministro do TSE, Marco Aurélio de Mello que os pré-candidatos a presidente da República correm o risco de ferir a legislação quando permitem a propaganda eleitoral antecipada em blogs mantidos por terceiros. Na opinião do ministro Marco Aurélio Mello, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a publicidade relacionada à disputa de 2010 está proibida. Não importa se os blogs de divulgação das candidaturas não sejam oficiais, feitos por eleitores ou simpatizantes. De acordo com Marco Aurélio, o impedimento desse tipo de propaganda se torna necessário porque “ficaria muito fácil” para os candidatos argumentarem à Justiça Eleitoral que uma terceira pessoa estaria fazendo sua campanha de forma antecipada. O que diz o ex-ministro do TSE sobre esses sites e blogs disfarçados que estão fazendo propaganda antecipada há muito tempo? Nós blogueiros e editores do blog Dilma 13 podemos provar na Justiça Eleitoral que somos apenas simpatizantes da ministra Dilma e por isso fizemos o blog Dilma13. E eles, podem provar na Justiça Eleitoral que são apenas simpatizantes do Serra? Jussara Seixas - editora.

A RETÓRICA E SEUS LIMITES

Mauro Santayana.


Coisas da Política - A retórica e seus limites

Mauro Santayana

Churchill lamentava que os homens de Estado de seu tempo estivessem privados da leitura dos clássicos – e dos cavalos. Da falta dos clássicos se entende, embora seja mais difícil entender, que necessitem de cavalos em nosso tempo. De acordo com Shakespeare, Ricardo III, depois de cair do seu, abatido por um arqueiro, ofereceu o reino por nova montaria. Churchill se referia aos cavalos concretos, mas o animal serve de metáfora à política. O homem de Estado deve estar montado em um projeto. No dorso de seus cavalos firmavam-se Alexandre e César, Napoleão e Ricardo III, mas também seus objetivos, alguns vitoriosos, outros não.

No discurso de anteontem ao Congresso, o presidente Barack Obama foi enfático na promessa de que o seu país sairá mais forte da crise atual. Está respeitando a retórica, mas desatento com relação à História. Talvez, para lembrar Churchill, lhe faltem os clássicos. É claro que o presidente os conhece de Harvard. Mas uma coisa é o conhecimento de um texto e outra, a constante meditação de suas lições – quando trazem lições. A História nos mostra que os impérios, uma vez em declínio, não se recuperam – cedem praça a novas forças. Isso não significa que os Estados Unidos não venham a restaurar sua economia. Para recuperar-se politicamente no mundo, só dispõem de uma saída: deixar de ser o que têm sido. Se Obama dispusesse de força, teria que sair amanhã do Iraque e do Afeganistão, e concentrar toda a capacidade de trabalho árduo dos americanos (a que se referiu) para a retomada da construção do país, na busca da igualdade social. Em suma: os Estados Unidos que ele construiria seriam outra nação, talvez menos temida, mas provavelmente mais respeitável. Para resolver o problema de saúde – que ele reconhece ser inadiável – não bastarão os recursos orçamentários, que são limitados. Ele terá que se confrontar com o poderoso lobby da indústria farmacêutica e dos hospitais privados a fim de que reduzam seus lucros, e os gastos sejam suportáveis pela sociedade. Outro desafio é o da energia renovável. A indústria do petróleo resistirá para não perder o lugar que ocupa na economia nos últimos 100 anos. Outro problema grave é o dos automóveis: o aumento de circulação dos veículos exige investimentos pesados na infraestrutura das cidades e das estradas, na mineração e na siderurgia. Se os norte-americanos fossem capazes de substituir a cultura do automóvel, estariam dando excelente exemplo ao mundo. Obama, no entanto, foi corajoso, ao dizer, claramente, que é preciso reduzir a renda dos mais ricos, em favor dos mais pobres.

A chave de tudo, no entanto, está na regulamentação das atividades econômicas. O Estado não pode cruzar os braços e esperar que o mercado estabeleça o equilíbrio. Isso podia ocorrer no passado, quando não havia monopólios, cartéis e oligopólios privados, que hoje determinam, com seu poder, o comportamento da economia. No topo do capitalismo encontra-se o sistema financeiro. Os grandes bancos sempre se esquivaram do controle das instituições políticas, mas a partir do governo Reagan, nos Estados Unidos, foram além e se livraram de todos os constrangimentos. Estimulados pelo governo para que sonegassem impostos, pela via dos paraísos fiscais, muitos deles, protegidos pela omissão do Fed, lavaram dinheiro sujo, e esconderam o butim nos bancos suíços, tradicionais em guardar valores roubados. E se essas fraudes contábeis, conhecidas como paraísos fiscais, não forem devassadas imediatamente, e não se proibirem operações off-shore, haverá tempo para que novas manipulações garantam a impunidade dos criminosos. Daí a necessidade de que o Estado passe a administrar diretamente o sistema financeiro, como voltou a defender ontem, em editorial, o New York Times. Depois de informar que os assessores do presidente Obama estão ansiosos para que o governo encontre uma forma de assumir as operações dos grandes bancos, o editorialista conclui: "If Mr. Obama has a better plan, the nation needs to hear it soon".

A nova queda da Bolsa de Nova York, ontem, logo depois do discurso, dá outra razão ao grande jornal. A opinião pública espera uma decisão clara e imediata. Como aconselhava o economista chileno Jorge Ahumada, em certos momentos é preferível uma solução rápida e certa, ainda que imperfeita, a nenhuma solução. A hesitação dos governantes, em uma situação de urgência, costuma ser perversa.
FONTE:JB

O PAPEL SUJO DA FOLHA DE SÃO PAULO.

URARIANO MOTA
Recife (PE) - Em 17 de fevereiro, ao publicar o editorial Limites a Chávez, a Folha de São Paulo nem imaginava o ciclone imenso que provocou. É que lá no texto ela escreveu “...Mas, se as chamadas ‘ditabrandas’ - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça...”, de passagem, como se nada fosse, substituindo Ditadura por Ditabranda. E fez mais: ao receber mensagens dos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides, que protestaram contra o insulto à memória histórica, a Folha de São Paulo assim respondeu:

“...Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente cínica e mentirosa”.

Para quê? Essa qualificação, de indignação cínica e mentirosa, aplicada às palavras de dois intelectuais honrados, provocou o gancho, acordou as forças de todo o mundo culto e democrata do Brasil. Com 2.381 assinaturas, lideradas pelo crítico literário Antonio Cândido (2.381 às 16 horas deste 25.2.2009), corre um abaixo-assinado de protesto, que pode ser acessado em http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/signatures-1.html

Então começaram a voltar à tona histórias e História, do passado da Folha de São Paulo, que contavam, relatavam o seu mais que apoio, a sua participação nos crimes da ditadura militar. Das histórias, todas com dolorosos depoimentos de humanidade e denúncia, a da jornalista Rose Nogueira mais chama atenção, pelo caráter particular da sua posição no tempo. Rose era funcionária do jornal, repórter da Folha, quando foi presa em 1969. No entanto, ela descobriu 27 anos depois que foi punida

“não apenas pela polícia toda-poderosa, pela justiça militar. Ao buscar nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no Deops, incomunicável, 'abandonei' meu emprego de repórter do jornal. Escrito a mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra 'i' da CLT abandono de emprego'. Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me 'esqueceram´por um mês na cela'. Todos sabiam que eu estava lá. Isso era – e continua sendo – ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, se estivesse trabalhando, eu estaria em licença-maternidade" (Do seu artigo "Em corte seco", no livro "Tiradentes um presídio da ditadura", coord. Alípio Freire, Izaías Almada e J.A. de Granville-Ponce – Scipione Cultural – 1997).

E lembrou mais a jornalista, no mesmo texto:

“Cacá nasceu em 30 de setembro, no Hospital 9 de julho, em São Paulo. Fórceps. Uma cirurgia por rotura da parede da bexiga e uma sonda me obrigaram a ficar mais de vinte dias internada. Quando a polícia chegou, o bebê tinha 33 dias e estávamos em casa havia mais de uma semana....

O leite que eu tirava do seio ainda insistia em vazar e minha blusa cheirava a azedo. A febre aparecia todo dia. O leite me fazia pensar que, enquanto estivesse ali, brotando, eu estaria ligada ao meu filho. Dias depois veio o diminutivo do dia me buscar para depoimento. Empurrava-me pela escada, enquanto gritava: ‘Vai, miss Brasil! Sobe essa escada logo, sobe!’ Miss Brasil era o nome de uma vaca leiteira que havia sido premiada. E na sala para onde me levou, o ‘inho’ chamava os outros: ‘Olha a miss Brasil, pessoal! Tá cheia de leite! É a vaca terrorista!’ “.

Ela nunca mais pôde ter outro filho, em conseqüência das torturas. A parte boa da história é que Rose Nogueira continua exercendo a profissão de jornalista. Ela deu a volta por cima, trabalha em televisão, e continua a ser útil para o seu filho e para outros filhos do mundo. Apesar do jornal-patrão, apesar do título de Miss Brasil em 1969.
Fonte:DIRETO DA REDAÇÃO.

ANIVERSÁRIO DE UM ANO DO BLOG DE UM SEM-MÍDIA

25 de Fevereiro de 2009

ANIVERSÁRIO DE UM ANO DO BLOG DE UM SEM MÍDIA.

Aos meus queridos leitores,

Hoje o Blog de Um Sem Mídia está completando um ano de existência.Quando o criei, foi com o intuito de cumprir três objetivos: em primeiro lugar, deixar minha mente ocupada, antenada com o que acontece, não só no Brasil, como no mundo, tendo em vista que sou aposentado, próximo dos 70 anos;
Segundo,ter um espaço onde possa expor minhas idéias sobre como vejo os acontecimentos do dia-a-dia,já que as seções de cartas dos leitores dos principais jornais, raramente publicavam o que eu escrevia. E olha que escrevia com educação sem apelar jamais para agressões e baixarias.Daí o nome Blog de Um Sem-Mídia. E por que escrevia? Porque me indignava com as manipulações, mentiras, omissões e ataques injustos ao Lula e seu governo.Aliás ficava me perguntando. Será que todos que escrevem cartas para os veículos da imprensa corporativa não gostam do Lula, do seu governo? Ou será que só interessa a essa imprensa, que se diz democrática e imparcial, publicar só aquilo que está de acordo com sua linha editorial? Com o blog, procurei apresentar o contraditório, pois não posso concordar com a “verdade absoluta” ou com o “pensamento único” que essa imprensa tenta passar para os seus leitores.
Por último, mostrar como a mídia, não só brasileira como sul-americana, não aceita que assumam o poder, pelo voto livre, governantes que romperam com o neoliberalismo e adotaram políticas de governo nacionalistas e do interesse da maioria de seus eleitores. É o caso dos presidentes Evo Morales da Bolívia, do Correa do Equador e do Hugo Cháves da Venezuela.Este último, apesar de ter sido vitorioso em 14 das 15 consultas populares, que tiveram o aval de observadores internacionais, continua a ser demonizado pela imprensa, sendo chamado de caudilho, de ditador, etc.
Acredito que tenho alcançado os objetivos propostos, já que a resposta de vocês leitores foi bem gratificante. Haja visto que ao longo desses 365 dias, o número de acessos atingiu a marca de 78.888, o que dá uma média diária de 216 acessos, a maior parte,(85%),de leitores brasileiros e o restante, oriundo de 46 países de nosso planeta, desde a América do Sul até as longíquas China, Índia, Austrália,etc.
Por isso, meus agradecimentos à essa legião de leitores que deram atenção a este blog.
Através dele conheci novas pessoas, fiz novas amizades, com destaque especial para o meu amigo Saraiva, do blog Saraiva 13. Conheci esse mundo fascinante da Internet e da blogosfera, com uma infinidade de blogs que merecem ser lidos diariamente. Quero citar além do Saraiva 13, outros que estão ajudando a desmascarar os “colonistas”da grande imprensa golpista e ajudando disseminar informações que só estão disponíveis na blogosfera. Entre os blogs indispensáveis vou mencionar aqueles que consulto sempre:Por Um NovoBrasil, Interesse Nacional, Democracia&Política, Abundacanalha, Bahia de Fato, Comitê Petróleo, Cloaca News, Desabafo Brasil, Geografia no Vestibular, Havaneiro, Língua de Trapo, Olhos do Sertão, República Vermelha, À Ilharga da Geógrafa, Soldado no Front, O Velho Comunista, Brasil Brasil, Rovai, Olho do Diabo, Zé Dirceu, Cidadania, Onipresente, Náufragos da Utopia. Bodega Cultural, O Aposentado Invocado, Terror do Nordeste, Amigos do Presidente Lula, Dilma 13, Vi o Mundo, Sakamoto, Entrelinhas,Rodrigo Vianna,Beatrice,Cabresto sem Nó,Diário Gauche, Fazendo Média,Esquerdopata, Paulo Henrique Amorim,R.Surgente,Stelles, Zurdo Zurdo, Tudo Em Cima, Nassif,Emir Sader, Direto da Redação, etc. Não podíamos deixar de mencionar os sites, Agência Carta Maior,Observatório da Imprensa e o Vermelho. Porém nem tudo são flores. Apesar de nunca ter agredido ninguém e nem publicar baixarias, fui atacado algumas vezes de forma gratuita e covarde, por pessoas que não me conhecem nem por fotografia. Gratuita, por que discordaram do fato de eu ser petista, filiado ao partido e por ser socialista, como deixo claro na apresentação do meu blog. Nunca escondi isso de ninguém. E covarde,porque as pessoas que me agrediram não tiveram a coragem de se identificar, se esconderam atrás do anonimato. O importante é que aceitei essas críticas com serenidade e às poucas vezes em que respondi o fiz com educação, sem baixar o nível.
Estou satisfeito por ter desde o início chamado a atenção para a necessidade de se modificar o marco regulatório do petróleo (lei 9478/97), uma das heranças malditas da era FHC. Agora mais do que nunca essa lei entreguista tem que ser revogada, tendo em vista a descoberta das imensas reservas do pré-sal. Também desde o começo do blog, comecei a postar as “Reflexões do Fidel”, documentos importantes para melhor se entender como a Revolução Cubana tem superado as imensas dificuldades impostas pelo criminoso embargo estabelecido pelos americanos e que já dura 48 anos.Tenho também postado muitas matérias a respeito do MST, tão demonizado pela nossa grande imprensa como o Hugo Cháves.
Vamos continuar defendendo e divulgando Lula e seu governo. Estaremos também enganjados na campanha para levar a Dilma Roussef à presidência da república, a fim de manter as forças populares no poder.
Para terminar, sei que fui pouco opinativo a respeito das matérias que postei. Me limitei a escrever pequenos comentários sobre os textos postados. Falha minha, vou procurar melhorar, mas perdi um pouco a paciência de redigir textos maiores.
Meu muito obrigado a todos.
Aquele abraço
Carlos Dória

A FARMÁCIA DA FLORESTA

Marina Silva
De Brasília (DF)

A defesa das florestas é ainda muitas vezes criticada, com base no surrado argumento de que é preciso derrubá-las para beneficiar os seres humanos. Ultimamente, essa falsa dicotomia - florestas X gente - tem sido discutida principalmente do ponto de vista econômico, com demonstrações cada vez mais definitivas de que é possível uma economia dinâmica com base na existência da floresta e não na sua destruição. Também está na ordem do dia o papel das florestas no contexto das mudanças climáticas globais. Mas tem ficado menos visível o debate sobre o enorme potencial da biodiversidade para gerar conhecimentos e produtos úteis à humanidade.

No Brasil, o investimento em pesquisa e aproveitamento dos recursos naturais é ínfimo, enquanto a biopirataria avança e permanecemos sem um adequado marco legal. Quando cheguei ao Congresso Nacional, em 1995, uma de minhas primeiras iniciativas foi apresentar projeto de lei para regulamentar o acesso à nossa biodiversidade e garantir às populações tradicionais os direitos decorrentes dos conhecimentos a ela associados. Treze anos depois, o projeto continua tramitando.

Nas lembranças de minha infância, na floresta amazônica, é muita nítida a presença dos conhecimentos tradicionais no dia-a-dia e ainda hoje eles são, muitas vezes, a diferença entre a vida e a morte para populações mais isoladas. Imagino como seriam úteis se pudessem ser apropriados, de maneira justa, por toda a sociedade, e não mais ficassem à deriva, presas fáceis de interesses comerciais que, por ironia, acabam nos cobrando royalties por sua utilização.

No seringal, a gente aprendeu com os antigos, que diziam ter aprendido com os índios, que quando algum animal era mordido por cobra, o melhor antídoto era um pedaço de um dado tubérculo que todo seringueiro procurava de antemão identificar por perto de sua casa. Uma beberagem feita com água e raspas da planta deveria ser ministrada o mais rápido possível, antes que o bicho começasse a ter espasmos e a trancar os dentes, o que o impediria de ingerir.

Esse tubérculo é enorme e mesmo tendo pequenos pedaços cortados, sempre se regenera. As narrativas de como tinha sido descoberto o seu poder curativo sempre o associavam à observação dos hábitos de um tipo de calango grande, que chamávamos de tejo ou camaleão. Quando mordido de cobra, o tejo saía em desabalada carreira, só parando ao encontrar o tubérculo. Cavava um pouco, comia um pedacinho e ia embora tranquilamente.

Quando meu pai foi picado pela primeira vez por uma jararacuçu venenosíssima, ele conseguiu resistir bem, mas foi motivo de muita preocupação. Um homem logo partiu pelo longo trajeto para trazer o antídoto do barracão, que era uma espécie de entreposto onde se fazia a compra e a venda da borracha e onde também se encontravam os remédios mais corriqueiros: antídoto para veneno de cobra, medicamento para leishmaniose, biotônico Fontoura, óleo de fígado de bacalhau, quinino para combater malária.

O problema é que, como vivíamos no que se chamava de seringal de terra firme, muito longe da beirada do rio, onde ficava o barracão, só para chegar lá eram quase doze horas de caminhada. Enquanto isso, fazíamos todo o ritual recomendado para mordedura de cobra e confiávamos na capacidade de meu pai, de aguentar firme até chegar o antídoto.

Segundo o costume, mulher grávida não podia tocar na pessoa mordida nem se dirigir a ela ou fazer-lhe a comida. Se houvesse mulher menstruada por perto, teria que ser retirada porque o doente não poderia sequer lhe ouvir a voz sem ter seu estado muito agravado. E assim foi. Minha mãe, que estava grávida, foi levada para outro cômodo. Minha avó e vizinhos vieram cuidar de meu pai.

A espera era angustiante. Esse episódio foi muito marcante para mim porque essa aflição aconteceu outra vez, quando peguei leishmaniose e ela se manifestou no nariz, onde tenho até hoje a marca. Minha mãe ficou desesperada porque conhecíamos muitos casos de pessoas que morreram ou ficaram deformadas, corroídas pela doença. A minha chance era ter o remédio o mais rápido possível. Meu pai correu até o barracão e, sem interrupção, andou 24 horas na mata. Quando voltou, entregou para minha mãe o embrulho com as injeções e deitou de costas no chão, extenuado. E eu pensei que ele estava morrendo, tamanho era o cansaço.

Mas, voltando à história da cobra, enquanto esperávamos o antídoto, eu não entendia porque não davam ao meu pai o chá da batata do tejo. Perguntei ao meu tio Pedro Mendes, que foi o primeiro a me ensinar como cuidar dos animais picados de cobra. Ele me explicou que os índios diziam que esse era um remédio que só se dava a bicho, não a gente. Nunca soube a razão, mas os índios certamente sabem.

A floresta sempre foi o nosso médico e nossa farmácia nas adversidades. Para chegar a Rio Branco, levavam-se semanas. Se o caso era de corte, raspava-se a entrecasca de uma certa árvore e com ela se fazia um emplastro que tinha propriedades cicatrizantes. Ou se mastigava uma erva coagulante e ela era colocava sobre a ferida.

Quando as crianças começavam a ficar meio barrigudinhas, o remédio eram as sementes de mamão. Tinham que ser ligeiramente mastigadas antes de engolir. Ruim demais, a boca ficava ardendo. Mas fazia efeito; os vermes saíam. De onde vem esse conhecimento, eu nunca soube.

Sem falar nos óleos poderosos: de copaíba, de andiroba, para espantar mosquito, e tantos outros. Nossas florestas estão aí, à espera de uma inteligência social e institucional que as entenda, procure conhecê-las melhor e delas retire uma incrível riqueza, em benefício de todos.

Em tempo, e antes que alguém pergunte: pra ressaca de carnaval, nunca ouvi falar de nenhum remédio da floresta. Meu pai deve saber de algum, mas eu nunca perguntei..
Fonte:Terra Magazine.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DEFESA DA DITADURA É TRADIÇÃO

Hoje (24) faz uma semana que a Folha (de S.Paulo) publicou um editorial em que classificou como uma “ditabranda” a ditadura que censurou, prendeu, seqüestrou, torturou e assassinou inúmeros brasileiros, entre 1964 e 1985. E até agora ainda não se sabe o que o presidente eleito pela mídia corporativa, José Serra, pensa do assunto.

Por Antônio Mello, em seu blog

Para os que não se recordam, ou para os que não leram o editorial, aqui repito o trecho infame: “Mas, se as chamadas ‘ditabrandas’ — caso do Brasil entre 1964 e 1985 — partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-...

Primeiro, como bem lembrou o Idelber, não há essa categoria “ditabranda”, e o termo, quando usado, não se encaixa nas definições apresentadas pelo editorial. Depois, eu queria entender como alguém pode achar que o que ocorreu no Brasil foi uma ruptura institucional, em que a disputa política e o acesso à Justiça foram preservados, ou existiam em “formas controladas”. E o AI-5? Será que a Folha nunca ouviu falar no AI-5?

Mas essa análise da ditadura como ditabranda tem história na própria Folha, como registrei aqui. O antigo dono do jornal, Octavio Frias de Oliveira, pai do atual, escreveu e publicou o seguinte editorial, em 22 de setembro de 1971, no auge da ditadura:

Editorial: Banditismo (Publicado em 22 de setembro de 1971)

Por Octavio Frias de Oliveira

A sanha assassina do terrorismo voltou-se contra nós.

Dois carros deste jornal, quando procediam ontem à rotineira entrega de nossas edições, foram assaltados, incendiados e parcialmente destruídos por um bando de criminosos, que afirmaram estar assim agindo em "represália" a noticias e comentários estampados em nossas paginas.

Que noticias e que comentários? Os relativos ao desbaratamento das organizações terroristas, e especialmente à morte recente de um de seus mais notórios cabeças, o ex-capitão Lamarca.

Nada temos a acrescentar ou a tirar ao que publicamos.

Não distinguimos o terrorismo do banditismo. Não há causa que justifique assaltos, assassínios e seqüestros, muitos deles praticados com requintes de crueldade.

Quanto aos terroristas, não podemos deixar de caracterizá-los como marginais. O pior tipo de marginais: os que se marginalizam por vontade própria. Os que procuram disfarçar sua marginalidade sob o rotulo de idealismo político. Os que não hesitaram, pelo exemplo e pelo aliciamento, em lançar na perdição muitos jovens, iludidos, estes sim, na sua ingenuidade ou no seu idealismo.

Desmoralizadas e desarticuladas, as organizações subversivas encontram-se nos estertores da agonia.

Da opinião pública, o terror só recebe repudio. É tão visceralmente contrario às nossas tradições, à nossa formação e à nossa índole, que suas ações são energicamente repelidas pelos brasileiros e por todos quantos vivem neste país.

As ameaças e os ataques do terrorismo não alterarão a nossa linha de conduta.

Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve.

E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama.

O Brasil de nossos dias é um país que deseja e precisa permanecer em paz, para que possa continuar a progredir. Um país onde o ódio não viceja, nem há condições para que a violência crie raízes.

Um país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da Imprensa, que reflete os sentimentos deste. Essa mesma Imprensa que os remanescentes do terror querem golpear.

Porque, na verdade, procurando atingir-nos, a subversão visa atingir não apenas este jornal, mas toda a Imprensa deste país, que a desmascara e denuncia seus crimes.

Sobre o motivo do ataque aos carros da Folha, nenhuma palavra. Mas uma declaração do jornalista Mino Carta lança luz sobre o assunto:

A Folha de S. Paulo nunca foi censurada. Até emprestou a sua C-14 [carro tipo perua, usado na distribuição do jornal] para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban [Operação Bandeirante]."

Viram só? Esse Brasil da tortura, da censura, para a Folha era o país de um governo sério, responsável, respeitável... onde o ódio não viceja, nem há condições para que a violência crie raízes.
Fonte:Blog do Mello.

A DITABRANDA DA FOLHA.

Igor Ribeiro

Portal Imprensa

Uma discussão importantíssima ocorreu na semana passada pelas páginas do "Painel do leitor", do jornal Folha de S.Paulo e, aos mais desavisados, vale recapitular. O motivo inicial foi a utilização de uma terminologia duvidosa num editorial do dia 17 de fevereiro para se referir ao regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. No referido texto, o jornal defendia que, apesar da recente vitória de Hugo Chávez no referendo sobre a reeleição presidencial ilimitada, o líder venezuelano começará a enfrentar uma oposição mais sólida.

Em determinado trecho, ao estabelecer comparações entre os regimes autoritários contemporâneos e aqueles que dominaram a América Latina em meados do século passado, referiu-se à experiência brasileira como "ditabranda", dando a entender que foi comparativamente menos violenta do que outros regimes similares. Com um trocadilho exótico, pouco fundamentado e num espaço nobre do jornal - os editoriais da página dois - era de se esperar a indignação dos leitores que se sucedeu. O anormal veio depois...

Aqui vale um pequeno parêntesis. Após defender o golpe de 1964 e sofrer duras conseqüências dessa posição - desde ataques de grupos de esquerda até a censura rígida durante os anos de chumbo -, a Folha procurou se redimir apoiando incisivamente o movimento das Diretas Já. Acertadas as contas com a sociedade, o Grupo Folha se notabilizou pelo projeto inspirado no jornalismo estadunidense moderno que, por um lado, ditava uma rigorosa assepsia ideológica e forte comprometimento democrático e, por outro, deixava o jornal à mercê do liberalismo econômico e das leis de mercado. O resultado dessa fórmula o Brasil inteiro sabe: a Folha de S.Paulo se tornou o jornal de maior circulação do país.

O passado nem sempre glorioso ficou na história e, dentro da nova realidade, o jornal deu voz à pluralidade e ao bom senso. O debate democrático ganhou corpo com a participação recorrente de personalidades dos mais variados matizes ideológicos, fosse enquanto pauta, fosse enquanto colaborador. A opinião da direção do grupo manteve o espaço na página dois e caracterizou-se, fundamentalmente, por uma posição de centro-esquerda, ora cambaleante para a direita, mas sempre avessa a extremos. A fisionomia da direção do jornal nunca foi, portanto, tão explícita quanto a de outros grandes concorrentes nacionais, como O Estado de S. Paulo e O Globo. Sabia-se, sim, que Otávio Frias de Oliveira (1912-2007) era o norte intelectual e administrativo daquele jornal. Ele próprio sempre sóbrio, avesso à politicagem mercadológica, mas muito consciente do poder social que possui um grande catalisador da opinião pública como a Folha. Fecho os parêntesis.

Usar o termo "ditabranda", portanto, em nada surpreende a quem acompanha essa linha editorial inquieta do jornal. Foi uma queda à direita, entre tantas outras que a opinião da página dois já teve. O caráter plural do jornal se manteve ao publicar, nos dias seguintes, diversas cartas contra ou a favor do termo, favorecendo assim um livre debate sobre esse nebuloso período histórico brasileiro.

O que surpreendeu, porém - o aspecto "anormal", como dito anteriormente - foi uma das respostas da redação a duas cartas na sexta-feira, no dia 20 de fevereiro. Entre os diversos leitores que debateram o assunto, estavam Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato, acadêmicos com destacado trabalho sobre direitos humanos no Brasil e no exterior. Em textos inflamados, é verdade, questionaram enfaticamente o termo utilizado pela Folha. Esta, por sua vez, respondeu, por meio de "Nota da Redação":

"A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua 'indignação' é obviamente cínica e mentirosa."

Em que momento a Folha de S.Paulo deixou de ser uma empresa plural, com espaço opinativo diverso, para se tornar o indivíduo ressentido e arbitrário que formulou a resposta acima? O pior é que seu autor se apropriou do único espaço "especial", de caráter anônimo e institucional, garantido diariamente na página dois do jornal, para dizer o que bem pensa. Nada mais explica uma réplica tão mesquinha que não uma atitude unilateral de alguém que toma as rédeas da "Redação", como diz a nota, para dizer arbitrariedades sem o devido cuidado. Junta-se a isso a invenção ou utilização do referido "ditabranda" e chega-se a pensar se o autor do editorial e da resposta não só são a mesma pessoa, como também a própria reencarnação do Médici.

Tal atitude é tão perigosa e indelicada que, fosse eu o doutor Comparato ou a professora Maria Victoria, procuraria meios jurídicos de punir a "Redação" pelo que ela disse a meu respeito. Caso eu ganhasse, quem pagaria o pato? Cada um dos jornalistas que trabalham no quarto andar da alameda Barão de Limeira, muitos deles gente do mais elevado caráter pessoal e profissional? Como alguém que assina uma nota em nome de um corpo complexo como uma redação pode sair dizendo que a opinião geral é de que Fulano ou Sicrano é cínico e mentiroso?

No sábado, mais uma enxurrada de cartas sobre o ocorrido, a maioria horrorizada, claro, com as palavras utilizadas pela Folha. Aparentemente ninguém vislumbrou um processo, mas um leitor mineiro indicou o início de uma movimentação de abaixo-assinados, sem especificar com qual propósito. Nesse dia e no seguinte, o editorial silenciou-se sobre o assunto, espero eu que constrangido pelo soneto duvidoso e pela péssima emenda.

Procurei verificar se no domingo, dia 22, Carlos Eduardo Lins da Silva escreveria algo a respeito, no intuito de redimir a triste atuação do jornal no episódio com uma autocrítica que fosse e, quem sabe, até um pedido de desculpas. Infelizmente, o ombudsman não pôde dar maior importância, justificando seu trabalho como tangente às opiniões por serem "como religião, time de futebol, convicção ideológica: cada um tem a sua e nenhuma é melhor que outra". Reconheceu, porém, que pela movimentação de cartas dos leitores sobre o assunto, não poderia deixar de sublinhar que a "resposta da Redação a duas delas na sexta foge do padrão de cordialidade que julgo essencial o jornal manter com seus leitores". Certamente, o jornal não se deu o trabalho de elevar o nível do debate e, até mesmo, de ter a nobre atitude que muitos de seus espezinhadores não tiveram. Preferiu partir para uma agressão pública, que certamente trará máculas.

A boa escola jornalística ensina uma lição que muitas vezes passa despercebida, apesar de básica: a sacralização da palavra. O texto deve ser idolatrado e cultivado com o mesmo cuidado que desperta alguém ou algo a que amamos muito. Essa parece ter sido a principal falha da Folha no episódio. Seja em editoriais ou em reportagens, falar o que se pensa não pode ser nunca pretexto para ultrapassar o limite do bom senso. Cravar a tal da "ditabranda", no entanto, tornou-se menor diante da resposta atravessada da sexta. Para estabelecer um diálogo saudável com quem quer que seja - ainda mais se público e com leitores constantes, como pareceu o caso - o que se precisa é de humildade, coisa que, infelizmente, não está na escola de jornalismo. Essa é a vida que ensina mesmo.

* Igor Ribeiro, editor-executivo da revista IMPRENSA, é jornalista com passagens por diversos veículos nacionais, incluindo Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e editora Escala Educacional. veja mais

DITADURA, POR FAVOR

Fernando de Barros e Silva

Folha de São Paulo

Certamente não é a primeira vez que um colunista da casa diverge de uma posição expressa pelo jornal em editorial.

Mas é a primeira vez que este colunista se sente compelido a tornar pública sua discordância, inclusive em nome do que aprendeu durante 20 anos nesta Folha.
O mundo mudou um bocado, mas "ditabranda" é demais.

O argumento de que, comparada a outras instaladas na América Latina, a ditadura brasileira apresentou "níveis baixos de violência política e institucional" parece servir, hoje, para atenuar a percepção dos danos daquele regime de exceção, e não para compreendê-lo melhor.

O que pretende ser um avanço analítico parece, mais do que um erro, um sintoma de regressão.

Algumas matam mais, outras menos, mas toda ditadura é igualmente repugnante. Devemos agora contar cadáveres para medir níveis de afabilidade ou criar algum ranking entre regimes bárbaros?

Por essa lógica, chega-se à conclusão absurda de que o holocausto nazista não passou de um "genolight" perto do extermínio de 20 milhões promovido por Stálin.
Ora, se é verdade que o aparelho repressivo brasileiro produziu menos vítimas do que o chileno ou o argentino, isso se deu porque a esquerda armada daqui era menos organizada e foi mais facilmente dizimada, não porque nossos militares tenham sido "brandos".

Quando a tortura se transforma em política de Estado, como de fato ocorreu após o AI-5, o que se tem é a "ditadura escancarada", para falar como Elio Gaspari. Seria um equívoco de mau gosto associar qualquer tipo de "brandura" até mesmo ao que Gaspari chamou de "ditadura envergonhada", quando o regime, entre 64 e 68, ainda convivia com clarões de liberdade, circunscritos à cultura.

Brandos ou duros, o fato é que os regimes autoritários só mobilizam a indignação de grande parte da esquerda quando não vêm acompanhados da retórica igualitarista.
Muitos intelectuais se assanham agora com a tirania por etapas que Chávez vai impondo à Venezuela sob a gosma ideológica da revolução bolivariana. Isso para não lembrar o fascínio que o regime moribundo mas terrível de Fidel Castro ainda exerce sobre figurões e figurinhas da esquerda nativa.

É bem sintomático, aliás, que, ao protestar contra a "ditabranda" em carta à Folha, o professor Fábio Konder Comparato, guardião do "devido respeito à pessoa humana", tenha condenado os autores do neologismo a ficar "de joelhos em praça pública" para "pedir perdão ao povo brasileiro".

Que coisa. Era assim, obrigando suas vítimas a ajoelhar em praça pública, submetendo-as à autêntica "tortura chinesa", que a polícia política maoísta punia desvios ideológicos durante a Revolução Cultural. Quem sabe, como a "ditabranda", seja só um palpite infeliz.
Fonte:FNDC

INTERNET - Sempre ele, o Marco Aurélio.

Paulo Henrique Amorim

O Ministro (?) Marco Aurélio de Mello do Supremo Tribunal Federal presidia o Tribunal Superior Eleitoral e tentou com vários expedientes impedir a eleição e a posse do presidente Lula.
Ao proclamar o resultado, cometeu o ato falho e disse que, àquela altura, Geraldo Alckmin já não teria votos para se eleger presidente.
Ou seja, ele não anunciou o vencedor, mas o perdedor.
Agora, ele tenta proibir o Governo Obama.
Como se sabe, Obama se elegeu, em boa parte, por causa do trabalho na internet para divulgar informações e arrecadar dinheiro.
Ele é o primeiro presidente de fato da internet.
Mello quer proibir esse fenômeno na internet brasileira.
Por que, amigo navegante ?
Porque Mello quer conter a propaganda política nos meios convencionais: o horário eleitoral gratuito e o PiG.
Assim ele facilita a eleição de um conservador, um Geraldo Alckmin, de quem ele seria Ministro da Justiça.
Mello não erra: ele está sempre na vanguarda do atraso, como diria o Fernando Lyra.
Um dinossauro.
Foi ele quem, nos últimos tempos, se notabilizou por impedir que brancos e ricos (e de olhos azuis, como Daniel Dantas) sejam presos com algemas.
Ele é como o Dr Alberto Zacharias Toron: algema nem em pobre, preto ou p …
Veja, amigo navegante o que a Conversa Afiada recebeu:
Campanha em blogs está proibida, diz Marco Aurélio

25/02/2009 - 07:20 - Congresso em Foco

Os pré-candidatos a presidente da República correm o risco de ferir a legislação quando permitem a propaganda eleitoral antecipada em blogs mantidos por terceiros. Na opinião do ministro Marco Aurélio Mello, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a publicidade relacionada à disputa de 2010 está proibida. Não importa se os blogs de divulgação das candidaturas não sejam oficiais, feitos por eleitores ou simpatizantes.

De acordo com Marco Aurélio, o impedimento desse tipo de propaganda se torna necessário porque “ficaria muito fácil” para os candidatos argumentarem à Justiça Eleitoral que uma terceira pessoa estaria fazendo sua campanha de forma antecipada. “O ato do terceiro repercute na caminhada dele”, afirmou Marco Aurélio ao Congresso em Foco.


Blogs fora da lei

Ex-presidente do TSE afirma que pré-candidatos não podem fazer propaganda antecipada na internet, mesmo quando mantida por simpatizantes

Rodolfo Torres

Os pré-candidatos a presidente da República correm o risco de ferir a legislação quando permitem a propaganda eleitoral antecipada em blogs mantidos por terceiros. Na opinião do ministro Marco Aurélio Mello, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a publicidade relacionada à disputa de 2010 está proibida. Não importa se os blogs de divulgação das candidaturas não sejam oficiais, feitos por eleitores ou simpatizantes.

De acordo com Marco Aurélio, o impedimento desse tipo de propaganda se torna necessário porque “ficaria muito fácil” para os candidatos argumentarem à Justiça Eleitoral que uma terceira pessoa estaria fazendo sua campanha de forma antecipada. “O ato do terceiro repercute na caminhada dele”, afirmou Marco Aurélio, que é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ao Congresso em Foco.

Pela lei, as campanhas políticas só serão permitidas a partir de julho de 2010, depois que os candidatos alcançarem a indicação da legenda em convenções partidárias. No próximo ano, além da vaga de presidente da República, também estarão abertas vagas para os governos dos estados, para as assembléias estaduais e distrital, para a Câmara dos Deputados, e para 2/3 do Senado.

O Congresso em Foco revelou ontem (24) que, 16 meses antes das eleições, os pré-candidatos à Presidência da República têm blogs de apoio, feitos por simpatizantes (leia mais).
A página dedicada à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff foi atualizada durante o carnaval com imagens da preferida do presidente Lula no carnaval pernambucano. Os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, ainda disputam a indicação do PSDB, mas contam há algum tempo com o suporte de blogs de propaganda.

Para o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), o posicionamento de eleitores com tanta antecedência é um “sinal dos tempos” da comunicação via internet. “É natural que no processo democrático as pessoas coloquem suas opiniões sobre os pré-candidatos”, afirma o congressista, complementando que é preciso adequar a legislação à rapidez na divulgação de informações dos tempos atuais. “Não vejo campanha antecipada.”

O líder do Psol na Câmara, Ivan Valente (SP), avalia que o processo eleitoral “está antecipado demais”. “Existe uma campanha aberta... O Tribunal Eleitoral deveria estar esperto”, afirma o parlamentar paulista.
Como exemplo, ele cita campanhas televisivas da Secretaria de Saneamento e Energia de São Paulo (Sabesp) em outros estados da federação, e da ministra Dilma Rousseff em publicações impressas no exterior. “É muito escancarado”, avalia Ivan Valente, que não descarta que o partido entre com uma representação no TSE contra a campanha dos pré-candidatos.
Contudo, o deputado explica que, para tanto, é preciso ouvir a Executiva do partido sobre o assunto. “Ainda não fechamos posição.”

Parlamentares na rede

Além de blogs dedicados aos presidenciáveis, parlamentares também se beneficiam com a ação de simpatizantes em outras alamedas da rede mundial de computadores.
Conforme mostrou o Congresso em Foco, uma monografia para o curso de especialização em Comunicação Legislativa da Universidade do Legislativo (Unilegis) revela que, dos 594 parlamentares federais, 447 têm comunidades a eles dedicadas no site de relacionamentos Orkut (leia mais).

"Ou seja, 75,25% dos parlamentares brasileiros estão ali presentes, por vontade própria ou por desejo de eleitores que julgaram interessante fazer esse tipo de divulgação", apontou a tese. Ao todo, foram encontradas 1.789 comunidades destinadas aos deputados e senadores brasileiros.
Para o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), as regras do TSE acabam por desestimular os parlamentares a usarem a internet como plataforma de comunicação com seus eleitores. "O TSE fez as regras por desconhecer as possibilidades da internet", afirma Aleluia.

"Candidata inatacável"

De acordo com Daniel Pearl, coordenador geral do blog "Dilma presidente", a iniciativa de criar um espaço virtual dedicado a uma eventual candidatura da ministra da Casa Civil à Presidência da República surgiu há três anos. Desde então, o blog conta com vários colaboradores.
Na análise de Pearl, a ministra vem se destacando na função e ganhando notoriedade para substituir o presidente Lula. “Na condição de principal responsável e grande fautora dos acertos de Lula, ela é uma candidata inatacável. Perfeita."

“A nova visão do presidente Lula em falar direito com eleitorado para pequenas circulações foi genial, ele acertou em cheio”, resume.
“Como simpatizantes do PT, temos a liberdade de manifestar nossas opiniões, deixando para os políticos fazerem política”, afirma. “Acho que a internet hoje tem um grande peso na informação, muita gente deixou de assistir televisão e ler jornais e revistas para ficarem antenado nos blogs e sites. No Brasil já ultrapassam mais de 42 milhões de internautas. A mídia televisiva e escrita ainda não percebeu esse fenômeno, e nós blogueiros descobrimos há muito tempo”, complementa.
Segundo Daniel Pearl, o uso da internet nas campanhas eleitorais é “fundamental”. “Muito políticos não perceberam que fazer política como antigamente cansou o eleitorado. O eleitorado quer atenção, interação, resposta para seus questionamentos, quer solução rápida.”
O Congresso em Foco não conseguiu localizar os editores dos blogs de divulgação das candidaturas de Aécio Neves e José Serra.

PROTESTO CONTRA A "DITABRANDA"

Data do protesto contra a Folha de São PaulDiante do resultado do post anterior, acredito que já temos um bom número de pessoas dispostas a participar do ato público diante do jornal Folha de São Paulo para protestar contra a difusão daquele veículo do absurdo de que a ditadura militar que vigeu no Brasil entre 1964 e 1985 teria sido uma “ditabranda”.

Antes de prosseguir no anúncio do dia e da hora em que ocorrerá o ato de protesto, porém, desejo fazer algumas considerações.

Esta é uma iniciativa que não pretende nem precisa reunir uma grande multidão para protestar contra essa perniciosa revisão histórica de um fato que, a meu juízo, deveria equiparar-se ao Holocausto nazista, o qual, em vários países do mundo, não pode ser negado por força de lei, sob pena de o autor da negativa ser enquadrado em acusação criminal.

Ainda assim, entre o número dos que confirmaram que participarão do ato e dos acompanhantes que pretendem levar consigo, já temos perto de 40 pessoas. Contudo, acabamos de receber um comentário de leitor aqui no blog que promete ser importante para o número de manifestantes. Vejam:

Pode contar com a adesão do Fórum Permanente de Ex Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo ao ato em repúdio à Folha e em solidariedade aos professores. É só comunicar a data e hora. Abs.
Maurice Politi | Sao Paulo, SP, Brasil | Administrador | 25/02/2009 15:26

Também já temos notícias de que professores da USP e da Unicamp estariam se mobilizando para aderir. Além disso, há menção ao protesto em texto de Altamiro Borges, no portal Vermelho.org, e, segundo informações do Altamiro por telefone, o site irá publicar uma chamada em destaque sobre o protesto na quinta-feira. E, finalmente, o site do jornalista Luiz Carlos Azenha também deverá divulgar o protesto.

O que importa, entretanto, nem é quantos seremos. O importante é deixar claro que o país não aceitará nunca mais silenciar ou aceitar revisões históricas sobre os anos de chumbo. Haverá que exigir respeito às vítimas da ditadura.

Na falta do ideal, que seria reabrir processos e punir torturadores, estupradores e assassinos dos regime militar, ao menos o país tem que reconhecer essa chaga em nossa história incontestavelmente, visando que, através do conhecimento dos horrores pretéritos, estes nunca mais aconteçam.

Dia e hora do ato público na Folha de São Paulo

Com base nas manifestações dos leitores e de outras sondagens que fiz, acredito que o dia mais cômodo para a maioria dos manifestantes será sábado, dia 7 de março, às 10 horas da manhã. O local será diante da Sede do jornal Folha de São Paulo, na rua Barão de Limeira, no centro de São Paulo, local servido por linhas de metrô e de ônibus e de fácil acesso.

Informo, ainda, que todos os leitores que se manifestaram aqui dispondo-se a participar do protesto receberão e-mail meu confirmando dia, hora e colocando-me à disposição para maiores informações.

Comentários de adesão ao ato público

Algumas pessoas de São Paulo que comentaram o post anterior, que propôs a realização do protesto, não foram consideradas porque, apesar de se manifestarem favoravelmente, não deixaram claro se pretendem participar ou não.

Só serão considerados os que deixarem claro que virão ou que pretendem vir. Estou elaborando algum material para os manifestantes e farei isso com base nos apoios decididos e explícitos.

Peço, pois, a todos os que decidirem apoiar esta iniciativa que sejam claros e sucintos, na medida do possível, ao manifestarem seu apoio e sua intenção de engrossar a manifestação com sua presença.

Este post será eventualmente atualizado com novas informações assim que eu as tiver. A partir de sábado, retomarei postagens de outros temas, mas sem esquecer do protesto do próximo dia 7.
Fonte: Blog Cidadania.com

OBAMA - Duro no diagnóstico, confiante no remédio.

Argemiro Ferreira.


O clima sombrio criado pela oposição antes da aprovação do pacote de US$ 787 bilhões para estimular a economia (que só teve três votos republicanos) e nos dias que antecederam a sessão conjunta de ontem no Congresso, acabou neutralizado por um discurso vigoroso, que o New York Times exaltou (AQUI) como “The Time of Reckoning” (A Hora do Acerto de Contas). O presidente Barack Obama voltou a ser duro e franco no diagnóstico da crise mas foi confiante e frequentemente convincente ao expor o remédio (leia a íntegra AQUI e ouça em video, AQUI, algumas das passagens memoráveis).

limbaugh_95-01-23A retórica do partido de George W. Bush, indiferente ao seu legado de guerras desastrosas, divisão interna, desprestígio internacional e a crise econômica cuja extensão ainda não está suficientemente avaliada, passou a pintar uma ameaçadora marcha do país “para o socialismo”. É o que repetem Rush Limbaugh (veja-o acima numa capa do Time em 1995), celebridade extremista do rádio, e o império Murdoch de mídia (Fox News, Wall Street Journal, etc).

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Limbaugh (veja-o à direita em outra capa, com Howad Stern) é o mesmo que na campanha das primárias, em programas diários retransmitidos por centenas de emissoras do país, tentara impor em diferentes estados o que chamava de “Operação Caos” - votos de republicanos nos adversários de Obama em primárias democratas (saiba mais AQUI). Consumada em novembro a vitória final do democrata, o esforço de Limbaugh passou a ser contra o pacote de estímulo econômico - para, ao menos, impedir que tivesse qualquer voto da oposição.
Recessão é real, está em toda parte

A pretexto de que “o dinheiro é do povo e não de Washington”, ele intimidava parlamentares republicanos. E num espaço generoso dado por Murdoch na página de opinião do Wall Street Journal (veja e leia na íntegra AQUI) Limbaugh garantiu: recessões só duram cinco a 11 meses e a recuperação ocorre naturalmente em seis anos. “Não se deve fazer nada, só esperar que terminem por elas mesmas. O que pode torná-las pior é o tipo errado de intervenção do governo”.

limbaughObama, que antes elevara Limbaugh à condição de líder dos republicanos (saiba mais AQUI), rejeitou enfaticamente no discurso a tese de que não se deve fazer nada. Às vésperas da sessão conjunta do Congresso, até o ex-presidente Bill Clinton parecia assustado e deu um conselho público ao presidente, para que mostrasse otimismo - como Ronald Reagan. Mas ao começar, Obama ignorou o chavão de que “o Estado da União é forte”. Optou pela franqueza: “O estado da economia é uma preocupação que se sobrepõe a todas as outras”. (Reagan, entre outras coisas, é o santo padroeiro de Limbaugh: veja os dois na foto acima).

Afirmou ainda que “o impacto desta recessão é real, está em toda parte”. E logo destacou: “Apesar de nossa economia enfraquecida e nossa confiança abalada, (…) esta noite quero que cada americano saiba disso: Vamos reconstruir e recuperar. E os Estados Unidos da América ficarão mais fortes do que antes”. Essas e outras frases soaram tão vigorosas que vieram aplausos, de pé, até do lado oposicionista do plenário.
A hora do acerto de contas

A mágica do discurso consistiu em expor os erros desastrosos, como as ações desregulamentadoras para permitir lucros fáceis ou bônus inescrupulosos para executivos, até o inevitável dia do acerto de contas. Os problemas econômicos do país, conforme deixou claro, “não começaram quando o mercado imobiliário entrou em colapso ou quando o mercado de ações afundou”.

bernanke_greenspanA oposição republicana, atormentada pela suspeita de que grandes bancos premiados com socorro do governo podem ser nacionalizados por algum tempo, talvez tenha ficado aliviada, horas antes, devido à palavra de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, banco central americano (na foto, seguido por Alan Greenspan, à entrada do gabinete Oval da Casa Branca de Bush). Ele negou (saiba mais AQUI) que o governo pretenda nacionalizar o sistema financeiro do país - o que fez as ações do Citigroup e do Bank of America subirem 20% (logo depois da fala de Bernanke).

No domingo o colunista (e prêmio Nobel de Economia) Paul Krugman, do New York Times, citara com ironia a conclamação do antecessor de Bernanke no Fed, tratado como “camarada Alan Greenspan”, para que “tomemos as colinas de comando da economia”. Krugman o apoiou, embaraçado. O que aquele defensor do “livre mercado” tinha dito, explicou, é que “pode tornar-se necessário nacionalizar temporariamente alguns bancos para facilitar uma reestruturação rápida e ordenada” (leia a íntegra AQUI).
O futuro incerto dos bancos

Três observações de Krugman, ao concordar: “Primeiro, alguns dos grandes bancos estão perigosamente no limite - já teriam desmoronado se os investidores não esperassem a decisão do socorro. Segundo, os bancos têm de ser socorridos. O colapso do Lehman Brothers quase destruiu o sistema financeiro mundial e não podemos correr o risco de deixar que instituições muito maiores, como Citigroup ou Bank of America, implodam. Terceiro: embora bancos tenham de ser socorridos, o governo não pode se dar ao luxo, fiscal ou político, de dar presentes colossais aos acionistas de bancos”.

beck_glennApesar de sensato, Obama ainda parece distante de algo assim - ao menos por enquanto. É que a nacionalização dos bancos tem sido enfaticamente exorcizada a cada dia pelos republicanos e o presidente continua namorando o bipartidarismo. Mas Limbaugh e a Fox News - em especial a nova atração do império Murdoch, o destemperado Glenn Beck (foto ao lado) - redobram as denúncias veementes contra a “marcha para o socialismo” (saiba mais sobre “The Road to Socialism” na estapafúrdia explicação do próprio Beck AQUI).

Mesmo dedicando a maior parte do discurso à crise da economia, Obama deixou de responder com clareza a preocupações específicas sobre seu plano de socorro ao sistema bancário do país. Limitou-se a dizer que não tem a intenção de fornecer recursos sem impor condicionamentos. Deixou as opções em aberto, mas sua equipe tem sugerido que acredita em alguma forma de nacionalização.
Fonte:Blog do Argemiro.

POR QUEM MERECE AMOR

Beto de Almeida

Por quem merece amor....

Solidariedade não se discute a quem, mas esta é matéria que Cuba pode dar aulas de sobra. Existem hoje profissionais de saúde cubanos em mais de 70 país. Apenas na Venezuela trabalham 23 mil médicos cubanos. No Timor Leste também encontram-se 350 médicos cubanos em missão de solidariedade. O presidente timorense, o jornalista e poeta Ramos-Horta, contou-me que o embaixador dos EUA tentou pressionar para que Timor rejeitasse a ajuda cubana. Ramos, com a sabedoria humilde dos timorenses, apenas perguntou ao embaixador norte-americano quantos médicos seu país havia enviado para aquela ilha que antes foi um Vietnã Silencioso, dado seu heroísmo e dignidade, escondidos de modo vil pela mídia controlada pela indústria bélica e pela ditadura petroleira internacionais. O gringo vestiu a carapuça. Há mais médicos e professores cubanos em todos os continentes do que profissionais de todos os países ricos de idêntica especialização , somados. Mas, se a continha fosse de soldados...

A Venezuela já foi declarada pela Unesco "Território Livre de Analfabetismo”, e lá estavam os professores e pedagogos cubanos para assegurar esta conquista. Ser livre é ser culto, diz Marti. Da mesma maneira, quando em dezembro último a mesma Unesco - mais acostumada nos últimos tempos a contabilizar a devastação da educação pública no mundo - declarou oficialmente a Bolívia como "Território Livre do Analfabetismo”, lá estavam os professores cubanos, com o seu método de alfabetização "Yo si puedo”, prestando sua solidariedade para tirar o povo boliviano das trevas da ignorância neoliberal.

Doando médicos, professores, pedagogia

Aliás, este método de alfabetização também foi adaptado por pedagogos cubanos para aplicação via rádio no Haiti, em dialeto creole. A observação é simples: um país que já extirpou a praga do analfabetismo há mais de 48 anos coloca agora seus profissionais a serviço de outros povos buscando soluções para problemas sociais que já não existem mais ali entre cubanos. De certo modo, lá no Haiti brasileiros e cubanos também encontram-se novamente juntos. Seus esforços de algum modo coordenam-se favoravelmente. A integração se dá. Os 500 médicos cubanos que estão no Haiti são, na prática, a espinha dorsal do que resta do serviço de saúde pública daquele país em colapso e o Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro lá está a construir fossas, pavimentar ruas e estradas, obras de saneamento. O tema provoca polêmicas, inclusive por vários movimentos sociais, mesmo assim é central considerar declaração do Comandante Fidel Castro em 2006: "eu prefiro tropas brasileiras do que mariners dos EUA no Haiti". Revelando a com quê concepção geopolítica, portanto com quê visão estratégica ampla avalia a questão.

Do mesmo modo, cabe registrar que este mesmo método de alfabetização cubano está sendo adaptado e aplicado entre indígenas na nova Zelândia e em inúmeros Assentamentos da Reforma Agrária do MST aqui no Brasil sempre combinando o uso do livro e da televisão, incluindo a participação, no caso brasileiro, de alguns artistas de telenovela, igualmente solidários com os mais necessitados.
Fonte:À ilharga de uma geógrafa.