quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

ECONOMIA - Que crise é essa?


Entrada de dólares supera saída em US$ 3,9 bi em janeiro

Valor supera o saldo positivo de US$ 1,610 bilhão registrado em janeiro de 2014


A entrada de dólares no Brasil superou a saída em US$ 3,903 bilhões em janeiro. O valor supera o saldo positivo de US$ 1,610 bilhão registrado em janeiro de 2014. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central (BC).

MÍDIA - Notícias vermelhas.



Globo controla Cunha que, por enquanto, obedece mansamente 

A mídia hegemônica tem um viés claramente mafioso em vários aspectos de sua atuação. Um destes aspectos, de conhecimento público, é a coleta de informações comprometedoras que são usadas quando a necessidade surge. 


   
Muitas vezes, quando a coleta resulta insatisfatória, as tais “informações comprometedoras” são simplesmente “construídas”, através de manipulação, insinuações, meias-verdades ou a simples mentira. O que se exige em troca do silêncio é um comportamento que atenda aos interesses da organização que detêm não só as informações (verdadeiras ou não) como os meios de divulga-las amplamente. O Sistema Globo, ao longo de sua história, tem sofisticado cada vez mais este método, e a edição desta quarta-feira (4) de O Globo é exemplar.

O “arquivo” está cheio

Antes de falarmos propriamente da edição em tela, falemos um pouco sobre o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Ele é um tipo que representa a forma mais atrasada de fazer política. Reacionário, contra todo tipo de avanço democrático, não teria qualquer dificuldade em seguir a cartilha do Sistema Globo, se não fosse o fato de que seu partido faz parte da base do Governo, a legenda ocupa importantes ministérios e o cargo de vice-presidente do Brasil, o que não deixa de ter impacto forte em um personagem como Cunha, afeito ao poder e as suas benesses. No entanto, em se tratando de quem se trata, O Globo exige e vai cobrar do novo presidente um comportamento totalmente “enquadrado” pois o arquivo das organizações Globo tem várias gavetas com seu nome. E Cunha sabe disso.

Cunha segue as ordens

Logo em seus primeiros passos na presidência da Câmara Cunha já mostra a que veio. Indo contra o anseio geral por um efetivo combate à corrupção, comanda a admissibilidade de uma reforma política antidemocrática que incluí na constituição nacional, ou seja, perpetua, a doação privada de empresas a candidatos, batendo de frente com as propostas da OAB, da CNBB e de outras dezenas de organizações e também contrariando a decisão do STF que considera tais doações inconstitucionais, o que só não foi oficializado porque o ínclito ministro Gilmar Mendes está há dez meses segurando propositalmente o processo, através do recurso de “pedido de vistas”. Caso a reforma de Eduardo Cunha seja implementada, a “compra” de mandatos através de doações de empresas privadas não só continuará como estará garantida pela constituição. O Sistema Globo ficou muito satisfeito e registrou em seu jornal nesta quarta-feira (4/1, página 8); “Cunha derrota PT e avança com proposta de reforma política”. Mas o jornal da famiglia Marinho também manda seus recados ao deputado.

A ameaça sutil de O Globo

Quem vive de chantagem tem uma regra de ouro: por mais que o chantageado entregue pontualmente o pagamento é sempre bom manter a pressão. Logo ao lado da matéria “comemorativa” citada na nota acima, o principal garoto de recados do jornal, Ricardo Noblat, assina matéria especial de análise sobre (ainda) a eleição de Cunha e em determinado trecho deixa escapar a preocupação: “Quem poderá garantir que a eleição de Cunha não passou de caso isolado e que os ruminantes da base do governo no Congresso voltarão a ruminar mansamente?”. Deixemos de lado a ofensa a todos os deputados que apoiam o Governo (todos ruminantes enquanto os éticos, probos e independentes estão na oposição) e prestemos atenção na matéria da página 9 que, aberto o jornal, está logo ao lado do artigo do Noblat. O título é: “Na mesa diretora da Câmara, cinco com problemas na justiça”. O nome de Cunha não é citado entre os cinco mas sem dúvida ele entendeu o recado. O Globo e a mídia hegemônica usaram o “mar de lama” para atacar Getúlio, Jango e agora repetem a tática para atacar o governo Dilma, aprisionar o legislativo e, se possível, esfrangalhar (para depois vender) a Petrobras. Lutemos!

Damatta: O antropólogo das águas rasas

“Não é por que as águas são turvas que o lago é profundo”. Esta frase de Rubem Braga serve um pouco para definir a sensação de quem lê as colunas do antropólogo Roberto Damatta. Tirando o verniz de uma linguagem com elementos acadêmicos, o que resta? Chavões que você encontra em qualquer salão de beleza de “gente diferenciada”. A análise dos fatos políticos e sociais não existe. Sobra ódio ideológico e indignação de boutique.

Damatta: O antropólogo das águas rasas II

A coluna, publicada nesta quarta-feira (4) é um exemplo do que diz a nota acima. Em artigo intitulado “Quando comi um veado”, Damatta afirma que o “patrimonialismo” tornou-se “imbatível contratando parentes, amigos e companheiros de partido e de ideal revolucionário”. Quer dizer, segundo o antropólogo, nem na monarquia, nem no início do século XX até a década de 50 quando o processo de urbanização no Brasil começa a se intensificar, jamais existiu tanto “patrimonialismo” quanto existe hoje em um governo do PT. Científico não? Mas tem mais. O articulista, narrando uma de suas aventuras emocionantes qual Indiana Jones, conta que em Imperatriz (Maranhão), na década de 70, era tão difícil encontrar um dentista quanto “um diretor honesto na Petrobras” (diretores honestos da Petrobras, a imensa maioria, deveriam se apresentar ao antropólogo). Continuando a brilhante analogia, Damatta diz que colocou um implante que é “como a desonestidade do governo petista - à prova de tudo”.

Onde está o fascismo?

Muita gente alerta sobre o ódio e a intolerância crescentes que emanam das seções de cartas e comentários que vicejam na mídia hegemônica. O reacionarismo, por ter argumentos que a vida real acaba desmascarando, estimula a resposta puramente emocional, inimiga do raciocínio crítico. Lendo a nota acima, vemos que não é difícil encontrar onde começa o fascismo. Não precisa nem ser antropólogo para descobrir.

A Petrobras destruída?

O massacre contra a Petrobras tenta passar a mensagem absolutamente falsa de que ela está destruída, porque o objetivo é este, destruí-la para depois vender os destroços. A colunista de O Globo, Helena Celestino, assina coluna (edição de 4/2) que traz como título: “Tragédia a brasileira”. Segundo a colunista, o Financial Times (conhecido porta-voz do sistema financeiro internacional) “classificou de uma sórdida e fascinante novela a dramática expulsão da Petrobras do mundo das empresas globais”. Como então a Petrobras foi “expulsa do mundo das empresas globais”? Tal absurdo só é possível de ser reproduzido com esta tranquilidade em uma mídia totalmente monolítica, pois do contrário quem veiculasse isto cairia no ridículo.

A Petrobras destruída? II

Helena escreve esta asneira justamente um dia depois da Offshore Technology Conference (OTC), conceder à Petrobrás o maior prêmio mundial da indústria de petróleo e gás (veja matéria do Vermelho), o OTC Distinguished AchievementAward for Companies, Organizations, and Institutions, concedido, segundo o presidente da OTC, Edward G. Stokes, como “um reconhecimento das conquistas notáveis, significativas e únicas alcançadas pela Petrobras, e das grandes contribuições para a nossa indústria (óleo e gás offshore)”. A OTC não deve ter o costume de ler a coluna de Helena Celestino e provavelmente conhece qual o jogo do Financial Times.

Míriam Leitão e sua mitomania

Com o ar professoral de sempre, a colunista amestrada Míriam Leitão diz, em O Globo desta quarta-feira (4), que a ex-presidenta Graça Foster foi demitida “pelo motivo errado”: a divulgação “dos R$ 88 bilhões de rombo no valor dos ativos (da Petrobras)”. Como não sabemos (por enquanto podemos apenas supor) quais os exatos motivos da demissão da Graça Foster (Míriam sabe com certeza) constatamos apenas que a colunista global mentiu duas vezes (pouco para os seus padrões). Primeiro ao se referir aos R$ 88 bilhões como “rombo”, sendo que esta estimativa já caiu no descrédito de técnicos e especialistas e só é citada como arma de propaganda da mídia. A segunda mentira foi que mesmo dando algum crédito a este número “mágico” a estimativa fajuta também apontou subavaliação a favor da Petrobras de 27 bilhões, o que transforma os mágicos 88 bilhões em mágicos 61 bilhões. Mas, deve pensar a Míriam, “se é para mentir vamos mentir direito”.

Merval e Míriam: casal global que indicar nova diretoria da Petrobras

O casal de colunistas amestrados do Sistema Globo está empenhado na indicação de nomes para a nova diretoria da Petrobras. Em sua coluna em O Globo desta quarta-feira (4) Miríam propõe que a nova diretoria seja composta por “profissionais recrutados no mercado, com expertise de gestão de crise”. Merval, hoje na CBN, repete mais ou menos a mesma opinião, compartilhada também pelo seu “colega” Sardenberg (os três com a mesma opinião, coincidência não?). Como se sabe “profissionais do mercado” são pessoas sem opiniões políticas, que só querem o bem das empresas e do país. Pessoas digamos, como Maílson da Nóbrega, que reza pela cartilha dos colunistas neoliberais e recentemente voltou a defender a privatização da Petrobras (veja matéria do Vermelho). Mas a intenção do casal é, com certeza, só ajudar.

É lixo mesmo

O jornal da mídia hegemônica argentina Clarin primeiro afirmou que um documento assinado pelo falecido promotor Alberto Nisman teve trechos cobertos à tinta, trechos estes que pediriam a prisão da presidenta Cristina Kirchner. Um juiz e uma promotora desmascararam a farsa do jornal (leia no Notas Vermelhas de 3/1). Agora a história mudou. O jornal informa, para tentar confundir a questão, que foram encontrados no lixo do promotor um “rascunho” amassado onde consta o pedido de prisão. Ora, o próprio Clarin admite que a denúncia oficial apresentada por Nisman poucos dias antes de morrer não continha o pedido de prisão. Afinal, o rascunho amassado não passava de...um rascunho, que o próprio promotor, opositor declarado do governo argentino, julgou não ter base para sustentar. O que significa isso? Que o chefe de gabinete de Cristina Kirchner é quem tem razão: O Clarin é um lixo que se abastece de lixo.


Colabore com o Notas Vermelhas: envie sua sugestão de nota ou tema para o email wevergton@vermelho.org.br

GRÉCIA - Riscos da dívida grega se estendem para fora da zona do Euro.


Tsipras recebe apoios inesperados

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, concordou com o seu par britânico, George Osborne, de que os riscos da dívida grega se estendem para fora da Zona do Euro, em especial ao Reino Unido, e declarou que deve terminar a simulação que a tornou uma ferida purulenta. Segundo o ministro grego, a dívida de seu país com a troika de credores – Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE) e Banco Central Europeu (BCE) – também preocupa a economia britânica (onde não circula o euro), porque para ela uma crise deflacionária na Europa não é bom augúrio. Osborne, por sua parte, advertiu que o ponto morto entre a Grécia e os gigantes do bloco está se tornando velozmente o maior risco da economia global e que isso representa uma crescente ameaça para a economia britânica.
A reportagem é publicada por Página/12, 03-02-2015. A tradução é do Cepat.
Osborne convidou a Grécia e a Zona do Euro, ontem, para que resolvam os desacordos que ameaçam a economia mundial. “Peço ao ministro grego que atue responsavelmente, mas é também importante que a Zona do Euro tenha um plano melhor para o crescimento e o emprego”, destacou o titular das Finanças. O Reino Unido não integra a Zona do Euro, mas está na União Europeia (UE). Uma fonte do governo grego interpretou favoravelmente as palavras de Osborne. Varoufakis – disse essa fonte – está contente pelo encontro, pois ter um aliado chave como o Reino Unido na UE é um grande ativo. “Cada segundo conta”, disse o ministro grego à emissora de televisão Channel 4. “Somos, talvez, o governo eleito que dispõe de uma menor margem de manobra, desde a Segunda Guerra Mundial”, advertiu.
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, em visita a Chipre, exortou a Europa para que tome decisões corajosas porque não só a Grécia e o governo de Chipre – cuja economia também teve que ser resgatada no ano passado -, mas, sim, toda a Europa está em crise. Tsipras disse que não esperava encontrar tantos apoios e que a Grécia deseja um debate sobre a dívida de todos os povos da Europa. O líder do Syriza fez, dessa forma, alusão às palavras de ânimo de Barack Obama, que em uma entrevista à emissora de televisão CNN manifestou: “Não se pode continuar apertando países que estão no meio de uma depressão”. O mandatário norte-americano afirmou que a Grécia tem uma terrível necessidade de reformas, mas disse que é muito difícil empreender mudanças quando o nível de vida das pessoas caiu 25%. “O que aprendemos de nossa experiência nos Estados Unidos é que a melhor maneira de reduzir os déficits e restaurar a solidez fiscal é crescer”, advertiu Obama.
A Grécia, que não quer novos créditos de seus principais credores até que se reestruture sua dívida, pede uma reunião europeia para abordar o problema. “Não é que não necessitemos do dinheiro, estamos desesperados”, disse, ontem, Varoufakis. “O que este governo deseja é acabar com este vício”, afirmou o ministro grego. A chanceler alemã Angela Merkel descartou qualquer ideia de reestruturação da dívida, na sua maioria em poder dos Estados europeus. “Já houve uma redução voluntária dos credores privados, os bancos já renunciaram a bilhões de euros na dívida grega”, justificou a dirigente em uma entrevista ao jornal Hamburger Abendblatt. Tampouco a Espanha deseja abrir exceção.
“Entrar na Europa é voluntário e estamos no clube para cumprir as regras do clube, porque convém a todos”, declarou Cristobal Montoro, ministro da Fazenda do governo conservador de Mariano Rajoy, em uma entrevista à emissora pública espanhola TVE. O ministro espanhol mostrou sua oposição à mudança de regras da UE para responder as solicitações da Grécia e enfatizou que a Espanha as respeitou.
“A Europa não é feita pela Comissão Europeia, a Europa não é feita pelo Banco Central Europeu, são os países que fazem a Europa, que se deram estas regras”, recordou Montoro, em resposta a uma pergunta sobre a vontade do novo governo grego de alcançar uma nova política europeia a respeito de Atenas.
“Portanto, o que não pode acontecer é que respondamos com novas regras as mudanças políticas dentro dos países, pois, caso contrário, o clube simplesmente desmorona”, acrescentou. Consultado sobre se a Grécia deve respeitar seus compromissos e aplicar suas reformas, respondeu de imediato: “Sim, claro, assim como todos nós fizemos”. “É fácil chegar ao governo e dizer ‘ei, subirei este gasto, o outro e o próximo também’, claro, assim todos nós governamos. Mas, a questão é: de onde sai este dinheiro? Dos gregos? Do resto dos europeus ou do resto do mundo? Quem irá deixar esse dinheiro para você? Esta é a questão”, insistiu.
De sua parte, o ministro francês das Finanças, Michel Sapin, destacou que o novo governo grego pode adotar as medidas sociais que prometeu, caso obtenha novos ingressos, em especial combatendo a fraude fiscal, mas não à custa do déficit que seus sócios europeus financiam. Em entrevista à emissora Europe 1, consultado sobre se será os europeus que financiarão o programa do Syriza, Sapin respondeu: “Evidentemente, não”. Sobre os ataques do novo governo grego contra a Alemanha e sua chanceler Angela Merkel, o ministro francês disse que a França pode ser um sócio particular da Grécia por razões históricas e culturais. “Estamos dispostos a acompanhá-los, mas acompanhá-los para restabelecer o diálogo com todos”, acrescentou Sapin.
Em sua turnê pela Europa, Tsipras se reunirá hoje, em Roma, com o seu par, o italiano Matteo Renzi, em busca de mais apoios para as propostas econômicas que pretende levar a Bruxelas, com o objetivo de reestruturar a dívida grega. O encontro acontecerá às 17h (horário local), na sede do governo italiano. Após dialogar com Renzi, Tsipras visitará, amanhã, o presidente francês François Hollande, e no mesmo dia se reunirá com o presidente da CE, Jean-Claude Juncker.

POLÍTICA - A "Carta ao Povo Brasileiro" de DIlma.

“A Carta ao Povo Brasileiro de Dilma Rousseff”

A grande discussão política e econômica que se desenvolve no país, o artigo “A Carta ao Povo Brasileiro, de Dilma Rousseff”, de autoria do professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, colocada na plataforma Revista Social e Desenvolvimento, um site dedicado ao debate. A plataforma é alimentada e atualizada por catedráticos de todas as áreas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e de outros centros de referência acadêmica nacional. Professor associado do Instituto de Economia da UNICAMP e membro do “Fórum 21: Ideias para o Avanço Social”,  Zahluth Bastos desenvolve esse artigo todo na linha da comparação entre a situação econômica vivida pelo país no começo e durante os anos de governo Lula (2003-2010) e este conturbado início econômico do segundo governo Dilma.
Zahluth começa suas comparações destacando que “antes e depois das eleições, a Carta ao Povo Brasileiro, de Dilma Rousseff foi, de fato, oposta à de Lula, mas suas primeiras nomeações eleita surpreenderam quase todos, assim como a meta fiscal anunciada por seu novo Ministro da Fazenda: 1,2% do PIB de acordo com as estatísticas do Banco Central – ou seja, sem descontar investimentos do PAC. Lembre-se que, na Casa Civil de Lula, o desconto de investimentos públicos da meta fiscal foi o motivo central de conflito com o Ministério da Fazenda chefiado por Pallocci.
“Tamanha reviravolta era necessária?”
“Tamanha reviravolta era necessária? Pode ela ser contraproducente, agravando os problemas que quer resolver, particularmente a trajetória da dívida pública? Não parece que a reviravolta fosse necessária”, já conclui o catedrático professor da UNICAMP, para explicar depois: “É verdade que a retórica contra os banqueiros na campanha presidencial apenas aprofundou o desconforto mútuo gerado pela politização da redução da taxa básica de juros e, principalmente, o uso dos bancos públicos para forçar a redução dos spreads dos bancos comerciais em 2012. Alguma reaproximação era esperada, uma vez que o governo Dilma pretende ampliar concessões de serviços públicos e enfrenta tanto grande rejeição entre investidores, quanto oposição no Congresso Nacional e na sociedade disposta a paralisar a administração.”
Zahluth lembra que em 2003 (1º do governo Lula) o risco de um default generalizado da dívida externa privada e o encarecimento trágico da dívida pública denominada em dólares exigia políticas apaziguadoras dos mercados financeiros. “Hoje, contudo, o governo é credor em dólares e boa parte do passivo externo privado, sobretudo em renda variável, é cotado em reais”, distingue o professor ao falar do ano inicial do governo Lula e deste primeiro ano do novo governo da presidenta Dilma.
Para distinguir a situação econômica do país naquele período e agora, Zahluth observa que neste início de 2015 “apesar do déficit em transações correntes, boa parte é financiado com investimento externo direto, e o diferencial de juros continuará muito atraente depois da elevação das taxas de juros nos EUA. O regime de câmbio flutuante é muito melhor administrado do que em 2002″.
“Contração fiscal pode se mostrar contraproducente”
“O pior – acentua Zahluth – é que a contração fiscal (agora) pode se mostrar contraproducente para seu objetivo declarado: evitar a perda do “grau de investimento” (investment grade) junto às desacreditadas agências de classificação de risco (Standard’& Poor’s, Moody’s, Fitch) que autorizam fundos de investimento a aplicarem na dívida pública e reduzem taxas de juros para os vários agentes privados que levantam recursos no exterior. Por quê?”
“Primeiro, porque as condições internacionais são muito diferentes daquelas há 12 anos. Em 2003, o comércio internacional estagnou, antes de crescer perto de 15% a.a. pelos cinco anos seguintes. As exportações brasileiras agregadas para os EUA e União Europeia, contudo, já dobravam em relação a 2002 e decuplicaram em relação a 2001. Também se iniciou em 2003 o boom das exportações industriais para a América do Sul e o boom das exportações de commodities para a China”, compara o professor.
“Nada semelhante – prossegue ele – é provável nos próximos anos. Ao contrário, o excesso de capacidade na indústria mundial deve continuar contendo a produção e as exportações industriais brasileiras, enquanto o preço das commodities deve ser pressionado pela elevação de juros nos EUA e pela desaceleração chinesa.”
Vale a pena, diríamos até ser indispensável a quem participa e se interessa por esse debate nacional, entrar no site Plataforma Social e Desenvolvimento e debater com esse pessoal da UNICAMP – no portal há acadêmicos de outras áreas do país – essas comparações e a situação nacional. Principalmente, se o pessoal do governo se interessar e entrar, também,  na discussão com os que estão expondo suas ideias no portal. Vejam, aqui, no portal Brasil Debate o artigo “A Carta ao Povo Brasileiro, de Dilma Rousseff”, do professor Pedro Paulo Zahluth Bastos.

PETROBRAS - Recebe o prêmio top de uma empresa de petróleo.

OTC 2015: recebemos pela 3ª vez maior prêmio da indústria de petróleo e gás

Este prêmio é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora offshore
Em maio de 2015, em Houston (EUA), receberemos pela terceira vez o prêmio OTC Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations, and Institutions em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada pré-sal. Esse prêmio é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora offshore. Em 1992, recebemos o prêmio por conquistas técnicas notáveis relacionadas ao desenvolvimento de sistemas de produção em águas profundas relativas ao campo de Marlim e, em 2001, por avanços nas tecnologias e na economicidade de projetos de águas profundas, no desenvolvimento do campo de Roncador.
Em carta comunicando a premiação à Petrobras, o presidente da Offshore Technology Conference (OTC), Edward G. Stokes, destacou: “este prêmio é um reconhecimento das conquistas notáveis, significativas e únicas alcançadas pela Petrobras, e das grandes contribuições para a nossa indústria (óleo e gás offshore). O comitê de seleção (da OTC) ficou extremamente impressionado com esta nomeação. As conquistas que a Petrobras fez na perfuração e produção desses reservatórios desafiadores são de classe mundial. A indústria aprendeu muito a partir das informações compartilhadas pela Petrobras sobre o pré-sal nos artigos e sessões apresentados na OTC. Nós todos nos beneficiamos do seu sucesso.”
Produção no Pré-Sal
O recente recorde de produção de óleo na camada pré-sal, de 713 mil barris diários de petróleo, obtido em 21/12/2014, demonstra a robustez das tecnologias aplicadas.
Principais feitos tecnológicos do pré-sal
1. Primeira Boia de Sustentação de Risers (BSR)
2. Primeiro riser rígido desacoplado e em catenária livre, chamado de Steel Catenary Riser (SRC)
3. Mais profundo Steel Lazy Wave Riser (SLWR)
4. Mais profundo riser flexível
5. Primeira aplicação de risers flexíveis com monitoramento integrado
6. Recorde de profundidade de lâmina d'água (2.103m)
Para perfuração de um poço submarino com a técnica de Pressurized Mud Cap Drilling (PMCD) com sonda de posicionamento dinâmico.
7. Primeiro uso intensivo de completação inteligente em águas ultraprofundas, em poços satélites
8. Primeira separação de CO2 associado ao gás natural em águas ultraprofundas - 2.220m - com injeção de CO2 em reservatórios de produção
9. Mais profundo poço submarino de injeção de gás com CO2 - 2.220m de lâmina d’água
10. Primeiro uso do método alternado de injeção de água e gás em água ultraprofunda - 2.200m

PRTOBRAS - Reconhecimento Internacional.

Reconhecimento internacional à estatal chega na forma de prêmio de melhor operadora

petrobraslogoO Brasil teve um jornalista, Ibrahim Sued, que escreveu durante décadas nos maiores jornais do país – sua coluna social publicada em O Globo era reproduzida nos jornalões em todos os Estados – adorava utilizar a frase “os cães ladram e a caravana passa”. Não era de autoria dele, mas sim um sábio ditado árabe que ele repetia à exaustão quando queria falar de situações em que, mesmo alvo de campanhas as mais violentas ou sórdidas por parte de inimigos, empresas, instituições e pessoas continuavam prosperando.
O ditado tão popularmente repetido pelo Ibrahim se aplica como uma luva à Petrobras. No centro de um furacão de uma das mais longas, violentas e sórdidas campanhas movidas contra ela – e não contra as pessoas ou empresas que tenham cometido irregularidades na atuação junto a ela – a estatal acaba de receber excelente notícia.
Ela foi comunicada que é a vencedora, pela 3ª vez, do prêmio OTC Distinguished AchievementAward for Companies, Organizations and Institutions, em reconhecimento ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada pré-sal. A Petrobras vai receber o prêmio em maio próximo, em Houston (EUA).
“As conquistas da Petrobras na perfuração e produção do pré-sal são de classe mundial…”
Conforme destaca o blog Fatos e Dados da estatal, esse prêmio é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora offshore. Ela já o recebeu em 1992, “por conquistas técnicas notáveis relacionadas ao desenvolvimento de sistemas de produção em águas profundas relativas ao campo de Marlim”; e pela segunda vez, em 2001, “por avanços nas tecnologias e na economicidade de projetos de águas profundas, no desenvolvimento do campo de Roncador.”
Na carta em que comunicou à estatal brasileira esta premiação pela 3ª vez, o presidente da Offshore Technology Conference (OTC), Edward G. Stokes, destaca: “Este prêmio é um reconhecimento das conquistas notáveis, significativas e únicas alcançadas pela Petrobras, e das grandes contribuições para a nossa indústria (óleo e gás offshore). O comitê de seleção (da OTC) ficou extremamente impressionado com esta nomeação. As conquistas que a Petrobras fez na perfuração e produção desses reservatórios desafiadores são de classe mundial. A indústria aprendeu muito a partir das informações compartilhadas pela Petrobras sobre o Pré-Sal nos artigos e sessões apresentados na OTC. Nós todos nos beneficiamos do seu sucesso.”
Nós aqui do blog do ex-ministro José Dirceu não vamos só parabenizar a Petrobras – não só isso, porque sabemos que ela é capaz disso e de muito mais. O que queremos é convidar vocês a lerem os anúncios de duas páginas que a empresa publica hoje nos jornais sobre essa premiação, onde vocês terão muito mais detalhes sobre os feitos da empresa. E olha que nesses anos todos de existência desse blog a gente jamais convidou vocês a lerem um anúncio por mais favorável que ele nos fosse…

POLÍTICA - O Golpe.

Raul Longo


Com a vitória de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, volta-se a se insistir no assunto impeachment.

Até o Ives Granda, pondo em risco a credibilidade na própria coerência, chega a alegar que seria possível mesmo a um governo ilibado, mas onde ocorressem escândalos como os da Petrobras.

E fala com a desfaçatez ou insensatez de quem ignora que os chefes e agentes que montaram o esquema de desvios da Petrobras foram introduzidos ou galgaram seus postos na empresa ao longo do governo FHC. Como se ignorasse que quem investiga o esquema é a Polícia Federal desse mesmo governo ao qual sugere a possibilidade de um pedido de impeachment.

Como se pode conferir neste link: Saudade do FHC ? Veja o que a BBC fez com ele ..., nem o repórter da BBC, lá de Londres, ignora que governos brasileiros anteriores, foram incalculavelmente mais omissos e justificaram infinitamente mais o impeachment sugerido por Granda num contundente assomo de falta de memória.

 

Não é tão fácil pôr em dúvida a integridade de um Ives Granda, quanto se pode questionar a de um Sérgio Moro que promove vazamentos seletivos à Mídia de processos em segredo de Justiça. Afinal Ives Granda tem um histórico bem distinto do de Moro e esposa que além de comprovadamente atuarem em defesa de políticos tucanos, também atuam profissionalmente em defesa de interesses de multinacionais petroleiras.

 

Será que Granda viu na eleição de Eduardo Cunha a ampliação da possibilidade do retorno da direita com a qual se alinha ideologicamente? Pode ser, mas como um jurista tão perspicaz se esquece de que contra Eduardo Cunha correm nos tribunais mais de duas dezenas de processos gravíssimos, além de também pesar significativas referências entre as delações premiadas do mesmo escândalo que prejulga suficiente para a possibilidade de pedido de impeachment?

 

Teria se esquecido da sucessão de Joaquim Barbosa por Lewandowsky?

 

Nessa altura de sua carreira, com qual direita se identifica Ives Granda? Com a megalomaníaca de Fernando Henrique Cardoso, achincalhada por seu próprio esteio entre as comunidades das nações como ocorreu na ocasião documentada por este link: FHC deu vexame internacional e levou sermão de Bill Clinton

 

Ou com a de José Serra, fartamente documentada por Amaury Jr. no livro “A Privataria Tucana”, nacionalmente ridicularizada por “bolinhas de papel”, e que serviu de chacota até para crianças como aqui se demonstra: Aula de matemática com o Prof. José Serra - YouTube

 

Será com a direita alucinógena de Aécio Neves, sob risco de ter de responder as investigações da polícia civil de seu estado: A atriz Tássia Camargo conversa com Lucas Gomes Arcanjo

 

Certamente não será com a falida apesar de milionária direita troglodita de Jorge Bornhausen: Bornhausen é acusado de lavar US$ 5 bi no exterior - Notícias

 

Não! Não dá para acreditar que Ives Granda tenha se vendido, mas então por que soma-se aos reles golpistas que infestam a história do país desde que a elite vagabunda se uniu para derrubar Pedro II por causa da abolição da escravatura e instituiu uma república que manteve o Brasil no atraso feudalista até a revolução de 30?

 

Em 1964 essa mesma elite retorna ao poder para nos jogar no período nazifascista de nossa história, sucedido por um neoliberalismo de pretensa democracia onde governos mantidos por uma Mídia mercenária venderam na bacia das almas as riquezas construídas pelo povo brasileiro ao longo dos governos populares de Getúlio Vargas, Juscelino Kubistchek e João Goulart.

 

Dom Pedro II não foi um governante de esquerda. Tampouco Getúlio Vargas ou Juscelino Kubistchek. Apesar de defender reformas de base de cunho socialista, o fazendeiro João Goulart só era considerado de esquerda pela direita histérica que via comunismo até na calcinha pendurada no varal da vizinha. Mas quem viveu naqueles tempos haverá de lembrar que apesar dos vendilhões da pátria como Carlos Lacerda, saudosamente evocado por seu discípulo FHC, então existia também no Brasil uma direita digna e honesta.

 

Uma direita decente como aquelas que construíram grandes economias e formou sociedades como a do Japão, da Alemanha, do Reino Unido e outros países da Europa ou os Estados Unidos que apesar de seus desníveis e defeitos nunca foram governos tão degradantes quanto os das elites, dos coronéis, da política café-leite. Não foram tão iníquas e tirânicas quanto a dos esquadrões da morte, das torturas, da censura, do exílio, morte e desaparecimentos políticos. Não foram tão saqueadoras e piratas quanto as que repassaram a Vale do Rio Doce pelo valor de seu faturamento anual. Nem tão vergonhosas aos seus cidadãos quanto o que se demonstrou no programa jornalístico de maior audiência na Inglaterra ou em encontros de lideranças internacionais como aquele em que tomamos pito de Bill Clinton.

 

Já tivemos personalidades bem maiores e mais dignas na direita brasileira, mas com quem Ives Granda se identifica agora? Com aqueles tantos que por uma maior exposição na desacreditada Mídia brasileira saem a especular sobre medidas evidentemente prejudiciais à população, à história, ao futuro e ao presente do país?

 

Para haver equilíbrio político/ideológico em uma nação ambos os lados são imprescindíveis e para isso precisamos reconstruir aquela direita digna, decente, honesta. Urge reinventá-la para a manutenção do sucesso das classes empresariais, manutenção do sucesso da indústria e do comércio, da economia nacional.

 

Se foi um líder de esquerda quem nos resgatou do mais crítico momento sócio/econômico de nossa história quando fomos ao fundo do poço da dívida externa, das reservas do tesouro nacional, assistindo pela janela dos ônibus e automóveis as levas de desabrigados e desempregados que erravam sem rumo pelas beiras de estrada, famílias atiradas para debaixo dos viadutos, submetidos ao maior descrédito internacional; nem por isso podemos nos acomodar na crença de que apenas os políticos de esquerda sejam capazes de construir países e sociedades justas e economias estáveis. Precisamos também da visão e previsão dos políticos de direita, mas evidentemente não daqueles que nos levaram àquela tão drástica e mundialmente vergonhosa condição de subserviência como maiores devedores internacionais. Condição inadmissível para um país do nosso tamanho com nossos potenciais naturais e as possibilidades de nosso povo.

 

O Brasil precisa, sim, de uma direita. De uma nova direita que retome os ideais de grandes nomes que já povoaram a história dessa linha ideológica e política. Embora, hoje, muitos acreditem nunca terem existido nada de interesse pátrio na direita brasileira, nomes a serem exaltados já foram tantos que relacioná-los aqui seria fastidioso.

 

O período da Ditadura Militar eliminou muito do que havia de melhor entre a esquerda brasileira, mas pior foi o mal que praticou contra a própria direita brasileira, praticamente extinguindo aí a coerência, a inteligência, a dignidade. Aí quase que só sobraram piratas, saqueadores, corretores de negociatas fraudulentas, arautos de escândalos, mentiras, portas vozes de falcatruas, falsificadores, oportunistas e demagogos chinfrins. E o sumo disso tudo, a versão brasílica dos mercenários, sempre são os golpistas.

 

Sobretudo para evitar, para barrar, para acabar e extinguir com essa praga que por toda nossa história sempre nos colocou na condição de vassalos de impérios e especuladores estrangeiros, precisamos de uma direita real, forte e digna. Uma direita que se imponha impedindo o golpismo, uma direita anti golpista e legalista como a de Rui Barbosa ou do Marechal Teixeira Lott.

 

Uma das poucas esperanças de retomada da perdida dignidade da direita brasileira era o nome de Ives Granda, mas agora que pela Folha de São Paulo recorre a artigos e itens para construir teses golpistas de impeachment, claramente desrespeitando a vontade popular expressa nas urnas há menos de um trimestre, é de se perguntar qual a esperança de alguma racionalidade entre essa direita que se comporta como matilha de cães insanos?

 

Ou será uma manada ansiosa por abismos?

 

Qual abismo? É só clicar em cada link dos abaixo relacionados para reconhecer pra onde poderemos ser arrojados pelos golpistas que tanto se esforçam para cavar um impeachment contra a vontade da maioria do povo brasileiro. Mas se até ao Ives já falta, quem da direita brasileira será capaz de reconhecer que mundialmente se vive o pior e mais burro momento para o golpe que pretendem:  









POLÍTICA - Todos contra o golpe.


Já fui para as ruas contra a ditadura e vou de novo contra este novo golpe.


Dia do golpe de 64
Dia do golpe de 64
 
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Está em curso um golpe? Ou, mais precisamente, uma tentativa de golpe?
Sim.
A direita brasileira faz sempre isso. Ou tenta fazer.
Não se pode alegar surpresa. 1954 foi assim. 1964 foi assim.
É sempre assim.
Quando imagina que velhas mamatas e privilégios estão em risco, a direita brasileira – uma das mais predadoras do universo — parte para o golpe.
Isso, ao longo da história, se provou mais fácil do que o penoso caminho das urnas.
Mudam as circunstâncias. Em 1954, você tinha a voz de Carlos Lacerda, o Corvo, símbolo da imprensa reacionária nacional.
Você tinha também militares formados sob a égide da Guerra Fria, visceralmente conservadores – e loucos para sair das casernas.
Em 1964, você tinha, fora Lacerda e os militares, os Estados Unidos, ávidos por consolidar países como o Brasil como seu quintal.
Em 2015, não existe mais Lacerda, não existem mais militares depois do fracasso espetacular da ditadura, não existem mais tropas americanas dispostas a assegurar a vitória dos golpistas num eventual confronto no Brasil.
Mas existem duas coisas. Uma é velho hábito da direita de tirar da frente qualquer ameaça à sua abjeta hegemonia política e econômica.
E a outra são novas formas de fazer o que sempre gostaram de fazer. O nome da arma, agora, é impeachment.
Você – a direita — venezueliza o país: cria uma situação de polarização extrema. Promove, pela mídia, uma lavagem cerebral na opinião pública. E depois instala um processo de impeachment no Congresso.
A fórmula foi testada, com sucesso, no Paraguai. Mesmo no Brasil funcionou para derrubar Collor.
É o que está ocorrendo?
Dura questão. Mas você conhece a história do elefante. Você não sabe se é mesmo um elefante o que avistou. Mas tem trompa de elefante, orelhas de elefante, peso de elefante, patas de elefante, andar de elefante.
Em 1954 era um elefante, em 1964 também e agora cada um dê seu palpite.
Este expediente não foi usado contra Lula, no Mensalão, por medo, por covardia. Havia o receio de que as forças sociais petistas – sindicatos, UNE etc – paralisassem o país.
O tempo passou, e hoje a direita parece descrer do poder de mobilização social do PT.
Nos protestos de 2013, a Maré Vermelha do PT foi um fiasco diante da capacidade de aglutinação de grupos como o Passe Livre.
É dentro desse quadro que a direita se anima agora. A militância petista parece, para muitos, gorda, envelhecida e de alguma forma deslocada no tempo.
Hora, portanto, de fazer o que sempre foi feito: apear a esquerda, ou aquilo que um dia foi esquerda.
O desfecho só não será o clássico caso as forças sociais petistas demonstrem claramente que não estão gordas, envelhecidas e deslocadas no tempo.
Que ainda pulsam. Que ainda vivem. Que são capazes de defender a democracia e o voto de 54 milhões de brasileiros.
Há um lugar, um único lugar, para mostrar que uma eventual tentativa de golpe receberia a devida resposta: as ruas.
As ruas têm que gritar para eles: sem aventuras, amigos, sem aventuras.
Se este grito não for dado, 2015 pode repetir 1954 e 1964, por outros meios mas com os mesmos ingredientes.

PETROBRAS - Defender a Petrobras é defender o Brasil.



DEFENDER A PETROBRAS É DEFENDER O BRASIL



Há quase um ano o País acompanha uma operação policial contra evasão de divisas que detectou evidências de outros crimes, pelos quais são investigadas pessoas que participaram da gestão da Petrobrás e de empresas fornecedoras. A ação institucional contra a corrupção tem firme apoio da sociedade, na expectativa de esclarecimento cabal dos fatos e rigorosa punição dos culpados.

É urgente denunciar, no entanto, que esta ação tem servido a uma campanha visando à desmoralização da Petrobrás, com reflexos diretos sobre o setor de Óleo e Gás, responsável por investimentos e geração de empregos em todo o País; campanha que já prejudicou a empresa e o setor em escala muito superior à dos desvios investigados.

A Petrobrás tem sido alvo de um bombardeio de notícias sem adequada verificação, muitas vezes falsas, com impacto sobre seus negócios, sua credibilidade e sua cotação em bolsa. É um ataque sistemático que, ao invés de esclarecer, lança indiscriminadamente a suspeita sobre a empresa, seus contratos e seus 86 mil trabalhadores dedicados e honestos.

Assistimos à repetição do pré-julgamento midiático que dispensa a prova, suprime o contraditório, tortura a jurisprudência e busca constranger os tribunais. Esse método essencialmente antidemocrático ameaça, hoje, a Petrobrás e suas fornecedoras, penalizadas na prática, enquanto empresas produtivas, por desvios atribuídos a pessoas físicas.

Ao mesmo tempo, o devido processo legal vem dando lugar ao tráfico seletivo de denúncias, ofensivo à consciência jurídica brasileira, num ambiente de obscuridade processual que propicia a coação e até o comércio de testemunhos com recompensa financeira. Na aparente busca por eficácia, empregam-se métodos que podem – isto, sim – levar à nulidade processual e ao triunfo da impunidade.

E tudo isso ocorre em meio a tremendas oscilações no mercado global de energia, num contexto geopolítico que afeta as economias emergentes, o Brasil, o Pré-Sal e a nossa Petrobrás.

Não vamos abrir mão de esclarecer todas as denúncias, de exigir o julgamento e a punição dos responsáveis; mas não temos o direito de ser ingênuos nessa hora: há poderosos interesses contrariados pelo crescimento da Petrobrás, ávidos por se apossar da empresa, de seu mercado, suas encomendas e das imensas jazidas de petróleo e gás do Brasil.

Historicamente, tais interesses encontram porta-vozes influentes na mídia e nas instituições. A Petrobrás já nasceu sob o ataque de “inimigos externos e predadores internos”, como destacou a presidenta Dilma Rousseff. Contra a criação da empresa, em 1953, chegaram a afirmar que não havia petróleo no Brasil. São os mesmos que sabotaram a Petrobrás para tentar privatizá-la, no governo do PSDB, e que combateram a legislação do Pré-Sal.

Os objetivos desses setores são bem claros:

- Imobilizar a Petrobrás e depreciar a empresa para facilitar sua captura por interesses privados, nacionais e estrangeiros;

- Fragilizar o setor brasileiro de Óleo e Gás e a política de conteúdo local; favorecendo fornecedores estrangeiros;

- Revogar a nova Lei do Petróleo, o sistema de partilha e a soberania brasileira sobre as imensas jazidas do Pré-Sal.

Para alcançar seu intento, os predadores apresentam a Petrobrás como uma empresa arruinada, o que está longe da verdade, e escondem do público os êxitos operacionais. Por isso é essencial divulgar o que de fato aconteceu na Petrobrás em  2014:

- A produção de petróleo e gás alcançou a marca histórica de 2,670 milhões de barris equivalentes/dia (no Brasil e exterior);

- O Pré-Sal produziu em média 666 mil barris de petróleo/dia;

- A produção de gás natural alcançou 84,5 milhões de metros cúbicos/dia;

- A capacidade de processamento de óleo aumentou em 500 mil barris/dia, com a operação de quatro novas unidades;

- A produção de etanol pela Petrobrás Biocombustíveis cresceu 17%,  para 1,3 bilhão de litros.

E, para coroar esses recordes, em setembro de 2014 a Petrobrás tornou-se a maior produtora mundial de petróleo entre as empresas de capital aberto, superando a ExxonMobil (Esso).

O crescente sucesso operacional da Petrobrás traduz a realidade de uma empresa capaz de enfrentar e superar seus problemas, e que continua sendo motivo de orgulho dos brasileiros.

Os inimigos da Petrobrás também omitem o fato que está na raiz da atual vulnerabilidade da empresa à especulação de mercado: a venda, a preço vil, de 108 milhões de ações da estatal na Bolsa de Nova Iorque, em agosto de 2000, pelo governo do PSDB.

Aquela operação de lesa-pátria reduziu de 62% para 32% a participação da União no capital social da Petrobrás e submeteu a empresa aos interesses de investidores estrangeiros sem compromisso com os objetivos nacionais. Mais grave ainda: abriu mão da soberania nacional sobre nossa empresa estratégica, que ficou subordinada a agências reguladoras estrangeiras.

Os últimos 12 anos foram de recuperação e fortalecimento da empresa. O País voltou a investir em pesquisa e a construir gasodutos e refinarias. Alcançamos a autossuficiência, descobrimos e exploramos o Pré-Sal, recuperamos para 49% o controle público sobre o capital social da Petrobrás.

O valor de mercado da Petrobrás, que era de 15 bilhões de dólares em 2002,  é hoje de 110 bilhões de dólares, apesar dos ataques especulativos. É a maior empresa da América Latina.

A participação do setor de Óleo e Gás no PIB do País, que era de apenas 2% em 2000, hoje é de 13%. A indústria naval brasileira, que havia sido sucateada, emprega hoje 80 mil trabalhadores. Além dos trabalhadores da Petrobrás, o setor de Óleo e Gás emprega mais de 1 milhão de pessoas no Brasil.

É nos laboratórios da Petrobrás que se produz nosso mais avançado conhecimento científico e tecnológico. Os royalties do petróleo e o Fundo Social do Pré-Sal proporcionam aumento significativo do investimento em Educação e Saúde. Este é o papel insubstituível de uma empresa estratégica para o País.

Por tudo isso, o esclarecimento dos fatos interessa, mais do que a ninguém, aos trabalhadores da Petrobrás e à população brasileira, especialmente à parcela que vem conquistando uma vida mais digna.

Os que sempre tentaram alienar o maior patrimônio nacional não têm autoridade política, administrativa, ética ou moral para falar em nome da Petrobrás.

Cabe ao governo rechaçar com firmeza as investidas políticas e midiáticas desses setores, para preservar uma empresa e um setor que tanto contribuíram para a atração de investimentos e a geração de empregos nos últimos anos.

A direção da Petrobrás não pode, nesse grave momento, vacilar diante de pressões indevidas, sujeitar-se à lógica dos interesses privados nem agir como refém de uma auditoria que representa objetivos conflitantes com os da empresa e do País.

A investigação, o julgamento e a punição de corruptos e corruptores, doa a quem doer, não pode significar a paralisia da Petrobrás e do setor mais dinâmico da economia brasileira.

É o povo brasileiro, mais uma vez, que  defenderá a empresa construída por gerações, que tem a alma do Brasil e simboliza nossa capacidade de construir um projeto autônomo de Nação.

Pela investigação transparente dos fatos, no Estado de Direito, sem dar trégua à impunidade;

Pela garantia do acesso aos dados e esclarecimentos da Petrobrás nos meios de comunicação, isentos de manipulações;

Pela garantia do sistema de partilha, do Fundo Social e do papel estratégico da Petrobrás na exploração do Pré-Sal;

Pela preservação do setor nacional de Óleo e Gás e da Engenharia brasileira.

Defender a Petrobrás é defender o Brasil – nosso passado de lutas, nosso presente e nosso futuro.

POLÍTICA - FHC quer o impeachment.



Advogado de FHC pediu parecer pelo impeachment a Ives Gandra      
Jornal GGN - O advogado de Fernando Henrique Cardoso pediu a Ives Gandra o parecer que aponta fundamentos para um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff. O advogado dele pediu, mas FHC diz que só ficou sabendo pelo jornal. O advogado José de Oliveira Costa, deu uma entrevista à Folha confirmando ter feito o pedido bem como afirmou trabalhar para FHC e fazer parte do Instituto FHC. Ives Gandra nega que a peça tenha motivo político, sendo só um parecer encomendado por um cliente, seja ele um partido, uma empreiteira ou quem quer que seja. De certa maneira, a matéria está mais para 'não esqueçam do documento' do que a importância do autor do pedido, trazendo o artigo publicado no jornal de autoria do ex-presidente incitando juízes, procuradores e mídia a irem até as últimas consequências na questão da Petrobras. Leia a matéria da Folha.

da Folha
Petrolão
Advogado de FHC solicitou parecer sobre impeachment
Peça diz haver razões para pedir afastamento de Dilma por desvios em estatal
Ex-presidente diz que só soube do documento pelo jornal e que impeachment 'não é matéria política'
MARIO CESAR CARVALHO DE SÃO PAULO
O parecer jurídico que diz haver fundamentos para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) por causa dos escândalos na Petrobras foi encomendado por um advogado que trabalha para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e integra o conselho do Instituto FHC.
O documento, escrito pelo advogado Ives Gandra da Silva Martins, foi solicitado por José de Oliveira Costa. O próprio Costa confirmou à Folha que trabalha para FHC: "Sou advogado dele".
Ele nega, no entanto, que o ex-presidente soubesse do parecer. Refuta também que o documento tenha caráter político: "Não tenho ligação nenhuma com o PSDB. Nem sei onde fica o diretório."
Martins nega que a peça tenha pretensões políticas: "Meu parecer é absolutamente técnico. Para mim, é indiferente se o cliente é o Fernando Henrique Cardoso ou uma empreiteira".
O parecerista diz que cobrou pela peça, mas não revela o valor. Advogados ouvidos pela Folha dizem que uma peça dessas assinada por Martins pode custar de R$ 100 mil a R$ 150 mil.
Questionado pela reportagem, FHC disse em nota que soube nesta terça (3) pela Folha que Costa encomendara o parecer --Martins citou o nome do advogado em artigo publicado nesta terça no jornal. Para o ex-presidente, "neste momento", o impeachment "não é uma matéria de interesse político".
ATÉ O FIM
Em artigo publicado neste domingo (1º), FHC incita juízes, procuradores e a mídia a ir até as últimas consequências na apuração dos desvios da Petrobras: "Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas, desde que efetivamente culpados".
O parecer de Martins conclui que há elementos para que seja aberto o processo de impeachment contra Dilma por improbidade administrativa "não decorrente de dolo [intenção], mas de culpa".
Culpa, em direito, detalha Martins, são as figuras da "omissão, imperícia, negligência e imprudência".
Segundo ele, Dilma tem culpa nesse campo porque ocupava a presidência do conselho da Petrobras em 2006 quando foi comprada a refinaria de Pasadena, nos EUA, por um valor que chegaria a US$ 1,18 bilhão dois anos depois. No ano passado, a presidente disse que não aprovaria a compra se tivesse melhores informações sobre a refinaria.
A compra resultou num prejuízo de US$ 792 milhões, de acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União).
A presidente, para o parecerista, manteve uma diretoria na estatal "que levou à destruição da Petrobras".
O advogado de FHC diz que encomendou o parecer a partir de uma dúvida que surgiu numa reunião: "Juridicamente é possível iniciar um processo de impeachment por responsabilidade civil, ou seja, por culpa?" Segundo ele, a peça seria usada se algum cliente tivesse interesse por essa mesma dúvida.
EMPREITEIRA
Costa nega que haja alguma empreiteira investigada na Operação Lava Jato por trás do pedido.
A legislação prevê que tanto as empreiteiras quanto os seus diretores sejam condenados se a Justiça concluir que houve fraude em licitações da Petrobras e que as empresas agiam como um cartel.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

POLÍTICA - O golpe paraguaio volta a tona.

FHC e 'Veja' pregam golpe paraguaio

Por Altamiro Borges

Derrotada nas urnas em outubro passado, a direita está excitada com a possibilidade de derrubar a presidenta Dilma Rousseff através de um golpe "made in Paraguai" – via pedido de impeachment no Supremo Tribunal Federal (STF). Neste final de semana, dois representantes desta corrente deixaram explícita esta tática golpista. Em artigo publicado no Estadão, no domingo (2), o ex-presidente FHC, recalcado com sua abissal rejeição na sociedade, sinalizou com esta hipótese. No mesmo rumo, a criminosa revista "Veja" estampou na capa a manchete "Reação em cadeia", indicando que a sinistra Operação Lava-Jato pode resultar no impeachment de Dilma e na prisão de Lula.

No texto intitulado "Chegou a hora", FHC utiliza a sua linguagem empolada, típica do "sociólogo da Sorbonne", para indicar o caminho que a direita nativa deve seguir no próximo período. Segundo o "príncipe da privataria", o governo recém-eleito "já apodreceu". Prova disto são "as fraturas expostas na base aliada", "os esguichos da Operação Lava Jato", a crise energética e a retração da economia. Egocêntrico e ressentido, FHC não esconde sua inveja doentia. "Depois de 12 anos de contínua tentativa de desmoralização de quase tudo o que meu governo fez, bem que eu poderia dizer: estão vendo, o PT beijou a cruz e tenta praticar tudo o que negou no passado". Mas ele se diz magnânimo: "Em vez disso, procuro soluções". Haja cinismo!

As soluções apresentadas pelo grão-tucano são evidentemente golpistas. Para ele, a presidenta Dilma "não tem condições para liderar" as mudanças políticas no Brasil. "Daí minha insistência: ou há uma regeneração 'por dentro', governo e partidos reagem e alteram o que se sabe que deve ser alterado nas leis eleitorais e partidárias, ou a mudança virá 'de fora'. No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais. Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, aos delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas, desde que efetivamente culpados". A solução para a crise, insiste FHC, se dará através do Poder Judiciário... e não no terreno da política.

Já a revista "Veja", menos empolada e mais escrachada, vai direto ao ponto. Ela informa que uma das empresas envolvidas nas denúncias de corrupção na Petrobras encomendou um parecer jurídico sobre a viabilidade do pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. A edição da revista, que chegou às bancas no sábado (31), não revela o nome da empreiteira, mas informa que o parecer foi elaborado pelo jurista Ives Gandra Martins – famoso por ser um dos fundadores e mentores da seita fascistóide Opus Dei no Brasil. 

"Considerando que o assalto aos recursos da Petrobras, perpetrado durante oito anos, de bilhões de reais, sem que a Presidente do Conselho e depois Presidente da República o detectasse, constitui omissão, negligência e imperícia, conformando a figura da improbidade administrativa", o parecer do militante do Opus Dei prega abertamente o impeachment de Dilma Rousseff. A revista "Veja" festeja o resultado do "estudo jurídico" e ainda aponta a possibilidade da "reação em cadeia" resultar no indiciamento e no "eventual" pedido de prisão para o ex-presidente Lula. 

Como se observa, a direita está super-excitada. E os dois petardos foram disparados antes da eleição do lobista Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados. As festanças após a vitória na noite de domingo devem embriagar ainda mais as hostes golpistas. Ou a presidenta Dilma parte urgentemente para a contra-ofensiva, ou seu governo pode não chegar ao fim do mandato. A conferir!

POLÍTICA - O que o governo Dilma não fez desde o início da Lava Jato.




O Raio-X da crise política
Vamos a mais um Raio-X da crise, em cima do desenho que venho apresentando desde a crise do mensalão. Esta é a última versão, publicada quando do estouro da Lava Jato.
Um balanço de como o quadro evoluiu de lá para cá.
O ponto central de disputa é o mandato de Dilma Rousseff, influenciado por quatro subgrupos de opinião:
•   Opinião pública
•   Empresariado
•   Judiciário
•   Congresso.
Por outro lado, esses grupos são influenciados por fatores como escandalização, situação da economia, restrições orçamentárias etc.
Vamos ver como cada tópico está sendo administrado:

Escandalização

O ponto central é a Lava Jato e a ofensiva em cima da Petrobras.
Esses pontos exigiriam a seguinte estratégia por parte do governo Dilma e do PT:
Monitoramento das delações – deveria ser papel do Ministro da Justiça e dos advogados do PT. Nada foi feito. Do Procurador Geral da República Rodrigo Janot ouvi que os vazamentos estavam sendo absolutamente seletivos e que as denúncias atingiam indistintamente a todos – inclusive algumas bombas de hidrogênio na oposição. Nada foi feito para reverter a parceria Grupo de Trabalho-mídia, sequer chegaram ao fim os inquéritos sobre o vazamento para a Veja ou sobre o ativismo político de delegados da Lava Jato.
Há o protagonismo total da oposição acumpliciada com grupos de mídia.
Fortalecimento da Petrobras – a única defesa razoável da Petrobras está sendo feita pelo ex-presidente José Gabrielli, que foi colocado na fogueira pela própria Dilma. Para mostrar que não cede a pressões de espécie alguma, Dilma manteve a diretoria da empresa e a presidente Graça Foster, emocional e politicamente desgastada com o episódio. Agora, a opinião pública acha que os R$ 88 bilhões de ajuste do balanço são fruto da corrupção, colocando mais lenha na fogueira.
Na presidência do Conselho – que exigiria um executivo com experiência internacional e status de Ministro, para negociar com o MPF, com os bancos credores da cadeia produtiva, para montar estratégia de compliance e de divulgação de informações – nomeou o ex-Ministro Guido Mantega.
Agora, cada estampido da Lava Jato reverbera no Congresso e na opinião pública.

Economia

Nomeou Joaquim Levy e Nelson Barbosa, aplacando por algum tempo os temores do empresariado. Mas a estratégia montada tem forte componente recessivo, leva tempo para surtir efeito e exige que seja contrabalançada por alguns respiros anticíclicos.
A demora em acenar com o pacote de bondades pode acirrar os sindicatos e movimentos sociais. Some-se as tentativas de “golpes paraguaios”, para se ter um caldeirão fervente de manifestações populares.

Operação política

Antes mesmo da eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara, sabia-se que as relações com o Congresso – problemáticas, devido ao próprio estilo Dilma – piorariam com as restrições orçamentárias.
Dilma abriu mão de um Ministério forte para poder enfrentar Eduardo Cunha na Câmara. Perdeu feio. Pior, quando a derrota já se desenhava, poderia ter composto com Cunha – que, admitamos, é um horror de político.
Mas Dilma preferiu, mais uma vez, uma aposta de alto risco a uma composição. E a direção do PT mostrou que não tem musculatura para delinear estratégias parlamentares adequadas.
Um antigo frequentador do Planalto dizia que Dilma não vê adversários, mas apenas inimigos pela frente. Ora, no caso Eduardo Cunha, posto que a tragédia era inevitável, o caminho a seguir seria tapar o nariz e propor um pacto.

Judiciário

Por ocasião da análise das contas de Dilma pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), fui alertado para a tentativa de “golpe paraguaio” por autoridade do setor, conhecedora dos meandros do TSE. Ela alertou um jornalista ou por não ter canais no Palácio ou por não acreditar na capacidade de reação dos Ministros de Dilma.
Entre outros motivos para o fato de José Antônio Dias Toffoli ter se bandeado para o lado de Gilmar Mendes está o episódio de que, em plena campanha e, na condição de presidente do TSE, Toffoli convidou os dois candidatos favoritos – Dilma e Aécio – para uma reunião onde seria acertado uma espécie de armistício. Aécio acolheu prontamente a ideia; Dilma recusou-se até a atender telefonema de Toffoli.
Não justifica a pequenez de Toffoli, mas explica.

Saídas

Tem-se a seguinte situação:
1.     Sozinha, Dilma não dará conta do recado de articular uma estratégia política, colocar o governo para rodar e sair das cordas.
2.     A recomposição política exigiria, como primeiro passo de Dilma, o reconhecimento de suas fragilidades e a mudança na forma de governar e decidir, com a nomeação de conselhos – indicados por ela – para assessorá-la nos principais desafios e para definir uma estratégia de resistência.
3.     Até agora, não há nenhum sinal no ar de que a presidente mudará o estilo.
Na verdade, Dilma só se fortalece quando Fernando Henrique Cardoso explicita seus propósitos golpistas e estimula a reação dos setores legalistas – que precisam fazer das tripas coração para defender a legalidade política contra a fragilidade do principal avalista, a presidente da República.