Google+ Followers

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O candidato republicano - parte II

Nessa matéria há um comentário do livro
do candidato MacCain, como tb
considerações sobre o programa de govêrno deste candidato republicano. Pelo texto abaixo, percebe-se que Fidel sabe perfeitamente qual será o comportamento dos Estados Unidos frente a Cuba, caso os republicanos vençam.

Se as eleições fossem hoje, o candidato democrata Obama venceria com uma vantagem de 7 pontos percentuais. A grande questão, se o Obama for o indicado pelo partido democrata, deverá ser a seguinte: Será que a ala conservadora dos democratas vai fechar com o candidato do partido, ou vai fazer corpo mole, favorecendo dessa forma o MacCain? Fará como o Serra, que
nas últimas eleições presidenciais, não se envolveu, como deveria , na campanha do Alkimin?

Dória

Fonte: Digital Granma Internacional





s
O candidato republicano - parte II‏
De:
Carlos Augusto de Araujo Doria Doria (caad81@hotmail.com)
Enviada:
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 11:30:48
Para:
caad81@hotmail.com




Havana. 12 Fevereiro de 2008

REFLEXÕES DO PRESIDENTE FIDEL CASTROO candidato republicano
(Segunda Parte)
UM dos órgãos de imprensa mais hostis dos Estados Unidos com Cuba, com sede na Flórida, relata os fatos da forma seguinte:
"Aproveitando as negociações para libertar os prisioneiros da Baía dos Porcos, a CIA tentou utilizar uma pessoa chave nas conversações, o advogado estadunidense James B. Donovan, para que entregasse um presente mortal a Fidel Castro: um terno de neoprene contaminado com um fungo que faz dano à pele, e um dispositivo para respirar abaixo d’água contaminado com tuberculose... O líder cubano recebeu o equipamento em novembro de 1962.
"Esta revelação é uma das muitas anedotas que aparecem no livro After the Bay of Pigs (Depois da Baía dos Porcos), que trata das negociações entre o Comitê de Familiares para a Libertação dos Prisioneiros e o governo cubano, realizadas desde abril até dezembro de 1962.
"O livro, de 238 páginas, publicado no fim do ano passado, foi escrito pelo exilado cubano Pablo Pérez Cisneros, emparceria com o empresário John B. Donovan, filho do já falecido negociador, e de Jeff Koenreich, membro veterano da Cruz Vermelha que promoveu missões humanitárias entre os Estados Unidos e Cuba.
"Pérez Cisneros é filho de Berta Barreto de los Heros, que foi coordenadora do Comitê de Familiares em Cuba e, além disso, intercedeu com Castro para a troca dos 113 prisioneiros da fracassada invasão de abril de 1961.
"Barreto de los Heros começou a escrever o livro, porém morreu em março de 1993. Seu filho, que fez pesquisas durante oito anos e acabou o livro, foi a pessoa que comprou o terno de neoprene e o equipamento de mergulho no fim de 1962, sem saber que eram para Castro.
"Em junho de 1962, Pérez Cisneros visitou pela primeira vez o escritório de James B. Donovan em Brooklyn para solicitar sua participação nas negociações com Cuba. O organizador da reunião foi Robert W. Kean, filho de um ex-congressista e cunhado de Joaquín Silverio, nesse momento preso e membro da Brigada 2506. Donovan acordou trabalhar para o Comitê de Familiares gratuitamente.
"Dois meses depois, Donovan fez sua primeira viagem a Havana, das onze realizadas para a mediar com o governo de Cuba".
"Quando Donovan retornou a Cuba em outubro de 1962, Castro lhe disse que precisava de um equipamento de mergulho e de um terno de neoprene para mergulhar". ‘Foi então quando Donovan me disse que queria conseguir um equipamento de boa qualidade para uma pessoa, mas sem me dizer que era para Castro’, declarou Pérez Cisneros ao jornal El Nuevo Herald numa entrevista para ampliar a informação do caso.
"Pérez Cisneros, ex-campeão de pesca submarina em Cuba, comprou um terno de neoprene de US$130 e um equipamento de mergulho no valor de US$215 numa famosa loja de Times Square, em Nova Iorque.
"Castro os recebeu em novembro de 1962 e umas semanas depois, noutra viagem de Donovan, o presidente cubano lhe disse ao advogado que os tinha utilizado... "
Apenas uns meses depois de finalizadas as negociações, Pérez Cisneros soube todos os detalhes da história real:
"Durante a Segunda Guerra Mundial, James Donovan trabalhou para o Escritório de Serviços Estratégicos que antecedeu a CIA. Mais tarde, foi designado um dos promotores dos julgamentos dos criminosos de guerra nazistas em Nürenberg. Em fevereiro de 1962, foi o mediador principal da troca de agentes espiões mais espetacular da Guerra Fria, a troca do coronel russo Rudolf Abel pelos estadunidenses Frederick Prior e Gary F. Powers, piloto de U-2 que tinha sido capturado.
"Quando Donovan informou à CIA que Castro tinha pedido um equipamento de mergulho, a agência estadunidense lhe disse que se encarregaria do assunto. Contudo, o advogado não aceitou ser envolvido na tentativa de contaminar o terno de neoprene e o equipamento de mergulho, razão pela qual preferiu dar a Castro o equipamento comprado em Times Square.
"Em maio de 1963, Castro convidou Donovan e o advogado John E. Nolan, representante do ex-secretário da Justiça, Robert Kennedy, para desfrutarem um dia de mergulho na área da Baía dos Porcos e utilizou mais uma vez o equipamento estadunidense.
"No fim de 1963, Pérez Cisneros afirmou: ‘Donovan me disse que a idéia de um atentado contra Castro fez com que ele ficasse arrepiado e se recusou a entregar o equipamento da CIA, visto que pensou que se Cuba descobria a operação, todas as negociações fracassariam e ele podia ser executado... "
"O livro, matizado por fatos curiosos e inesperados, é uma história tensa que demonstra como o amor, a decisão e a inteligência favoreceram a troca dos prisioneiros da Brigada 2506 por alimentos, remédios e equipamentos médicos no valor de US$53 milhões.
"Os esforços de Donovan e do Comitê de Familiares se fizeram quando ainda reinava a incerteza sobre o destino dos prisioneiros..."
"A primeira reunião do Comitê de Familiares com Castro foi na casa de Barreto de los Heros, em Miramar, em 10 de abril de 1962". Quatro dias depois, 60 membros da Brigada que estavam feridos foram levados para Miami.
"A incorporação de Donovan às negociações acelerou mais o processo de libertação.
"Donavan preparou um código secreto para as comunicações, pois sabia que o telefone da família Heros tinha sido grampeado".
"Em meados de dezembro, Castro acertou realizar a troca e entregou uma lista de 29 páginas com alimentos e medicamentos que deviam ser enviados para Cuba por intermédio da Cruz Vermelha estadunidense.
"Os últimos dez dias das negociações foram muito intensos, pois Donovan contratou um grupo de 60 advogados a fim de garantir as doações comprometidas por 157 companhias estadunidenses.
"Em 23 de dezembro de 1962, os primeiros cinco aviões foram para Miami com 484 membros da Brigada. Um dia depois, os 719 prisioneiros que restavam viajaram em outros nove vôos."
Fiz a transcrição literal das palavras do artigo. Não tinha conhecimento de alguns dados concretos. Nada daquilo que lembro se afasta da verdade.
Minhas relações com o Pantanal de Zapata começaram muito cedo. Conheci o lugar graças a uns visitantes norte-americanos que me falavam em "black fish", truta preta muito abundante na Lagoa do Tesouro, no centro do Pantanal, com seis metros de profundidade. Era a época em que pensávamos no desenvolvimento do turismo e possíveis pôlders, ao estilo da terra disputada ao mar pelos holandeses.
A fama do lugar datava de meu tempo de estudante do bacharelado, quando o Pantanal era povoado por dezenas de milhares de crocodilos. A captura indiscriminada quase tinha exterminado a espécie. Era preciso protegê-la.
Incentivava-nos principalmente o desejo de fazer alguma coisa pelos carvoeiros do Pantanal. Foi assim que comecei a me relacionar com a Baía dos Porcos, tão profunda que atinge quase mil metros. Naquele lugar conheci o idoso Finalé e seu filho Quique, que foram meus professores de pesca submarina. Percorri ilhas e ilhéus. Consegui conhecer a zona como a palma de minha mão.
Quando os invasores desembarcaram nesse lugar, existiam três estradas que atravessavam o Pantanal, centros construídos e em construção para o turismo, e até um aeroporto próximo de Praia Girón, último reduto das forças inimigas, a qual foi tomada por nossos combatentes no entardecer de 19 de abril de 1961. Noutras ocasiões, me referi àquela história. Por um triz, não o recuperamos em menos de 30 horas. Manobras de engano da Marinha dos Estados Unidos atrasaram o nosso fulminante ataque com tanques na madrugada do dia 18.
Para tratar do assunto dos prisioneiros apreendidos, conheci Donovan, que, a meu ver — e alegra-me verificá-lo com o testemunho de seu filho — era um homem honorável, a quem certamente convidei a pescar numa ocasião e, sem dúvida, falei-lhe do terno e do equipamento de mergulho. Os demais detalhes não posso lembrá-los com extidão; teria que indagar. Nunca me interessei em escrever memórias, e hoje compreendo que foi um erro.
Por exemplo, não me lembrava muito bem da cifra exata de feridos. Tinha na memória as centenas de feridos que tivemos, dos quais, muitos morreram devido à falta de equipamentos, medicamentos, especialistas, e de instalações adequadas. Os primeiros feridos enviados precisavam certamente de reabilitação ou de melhores atendimentos, que não estavam a nosso alcance.
Foi tradição desde o primeiro combate vitorioso, em 17 de janeiro de 1957, atender aos adversários feridos. Isso consta na história de nossa Revolução.
No livro de memórias Faith of my Fathers, escrito por McCain com a onipresente companhia de Mark Salter, tecnicamente bem redigido, o autor principal assevera:
"Freqüentemente, fui acusado de ser um estudante indiferente e tendo em consideração algumas de minhas qualificações, posso reparar na generosidade de tal afirmação. Porém, eu era mais seletivo que indiferente. Gostava do inglês e da história, e com freqüência tirei boas qualificações nessas disciplinas. Interessei-me menos e tive menos sucesso nas matemáticas e nas ciências."
Mais para frente assegura:
"Poucos meses antes da formatura, fiz os exames de ingresso na Academia Naval... Surpreendentemente, tive bons resultados, inclusive no exame de matemáticas.
"Minha reputação como jovem barulhento e impetuoso não se limitava — incomoda-me ter que confessá-lo — aos círculos da Academia. Muitos residentes decentes da encantadora Anápolis, testemunhas de alguns de meus mais extravagantes atos de insubordinação, reprovavam minha atitude, bem como alguns oficiais."
Antes, ao narrar alguns fatos de sua infância, conta que:
"Diante da mais mínima provocação, eu reagia com fúria, e depois caía no chão inconsciente.
"O médico indicou um tratamento que, conforme as normas modernas da pediatria, parecia um pouco severo. Instruiu meus pais a que enchessem a banheira com água fria e, quando eu embirrasse e parecesse que prendia a respiração e me jogava no chão, que me lançassem água em cima, embora estivesse vestido. Assim, simplesmente."
Ao ler isto, a gente tem a impressão de que os métodos que aplicaram naquele tempo — tanto a mim, que vivi no pré-guerra, quanto a ele — não eram os mais adequados para as crianças. No meu caso, não podia falar-se em médico assessorando a família; eram as pessoas do povo, algumas analfabetas, que conheciam tratamentos só por tradição.
Existem outros episódios que foram narrados por Mc Cain relacionados com suas aventuras de cadete em viagens de treinamento. Não vou mencioná-los porque se afastam do conteúdo de minha análise e nada têm a ver com assuntos pessoais.
É lógico que McCain não estivesse na sala do Congresso na noite do discurso de Bush, em 28 de janeiro passado, porque coisas da política deste o comprometem muito. Estava na Pequena Havana, no restaurante Versailles, onde foi homenageado pela comunidade de origem cubana. É melhor não indagar muito sobre o histórico de alguns personagens que ali estavam.
McCain apóia a guerra no Iraque. Acha que a ameaça do Afeganistão, do Irão, da Coréia do Norte, e o crescimento da Rússia e da China, obrigam os Estados Unidos a reforçarem as forças de ataque. Trabalhou com outros países para proteger a nação do extremismo islâmico e permanecer no Iraque até vencer.
Reconhece a importância de ter estreitas relações com o México e outros países da América Latina. É a favor da manutençã da atual política agressiva contra Cuba.
Reforçará a segurança na fronteira dos Estados Unidos, não só para controlar a entrada e saída de pessoas, mas também os produtos que entrem no país. Considera que os imigrantes devem aprender inglês, a história e a cultura estadunidenses.
Busca eleitores de origem latina, a maioria infelizmente não exerce o direito ao voto ou fazem-no excepcionalmente, sempre temerosos de que sejam expulsos, privados de seus filhos, ou percam seu emprego. Na cerca do Texas continuarão morrendo mais de 500 a cada ano. Não promete uma lei de ajuste para eles, que estão à procura do "sonho americano".
Apóia a Ata de Bush: "Que nenhuma criança fique atrás". Apóia um maior financiamento federal de bolsas de estudos e de empréstimos universitários com baixos juros.
Em Cuba, todas as pessoas têm direito de adquirir conhecimentos sólidos, educação artística e direito de se formarem na Universidade de graça. Mais de 50 mil crianças com deficiências físicas recebem ensino especial. A computação é ministrada a todos. Centenas de milhares de pessoas bem qualificadas são empregadas para realizarem estas tarefas. Contudo, Cuba deve ser bloqueada para libertá-la de semelhante tirania.
Como todo candidato, ele tem seu pequeno programa de governo. Promete reduzir a dependência de fornecimento de energia do estrangeiro. É fácil dizê-lo, fazê-lo, mais difícil neste momento.
É contrário ao subsídio da produção de etanol. Ótimo: isso mesmo sugeri ao presidente brasileiro Lula da Silva, que exigisse do governo dos Estados Unidos a suspensão dos avultados subsídios fixados para o milho e outros grãos destinados à produção de etanol a partir dos alimentos. Mas, isso não é o que ele se propõe; ao contrário: exportar etanol norte-americano para concorrer com o Brasil. Só ele e seus assessores saberão o que vão fazer, porque o etanol de milho jamais poderá concorrer, quanto a custo, com o do Brasil a partir da cana-de-açúcar como matéria-prima mediante esforços muito duros de seus trabalhadores, que, em todo o caso, melhorariam sua sorte sem as barreiras alfandegárias e os subsídios dos Estados Unidos.
Muitas outras nações da América Latina foram enroladas pelo governo dos Estados Unidos no assunto da produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. Que vão fazer com as novas decisões do Norte?
Não podia faltar a promessa de garantir a qualidade do ar e da água, o uso adequado das áreas verdes, a proteção dos parques nacionais que se vão tornando uma lembrança daquilo que um belo dia foi a maravilhosa natureza do país, vítima das regras implacáveis das leis do mercado. O Protocolo de Kyoto, porém, não foi assinado.
Parece que tudo foi o sonho de um náufrago em meio de uma tempestade.
Reduziria impostos às famílias da classe média, manteria a política de Bush de cortar os permanentes e deixaria as taxas ao nível atual.
Deseja um maior controle dos custos do seguro médico. Acredita que as famílias deveriam ter o seu do dinheiro do seguro. Faria campanhas de saúde e de prevenção. Apóia o plano do atual presidente que permite aos trabalhadores transferirem dinheiro dos impostos da previdência social para os fundos privados da aposentadoria.
A previdência social teria a mesma sorte que as bolsas.
É a favor da pena de morte, do fortalecimento e do aumento dos corpos armados, da expansão dos Acordos de Livre Comércio.
Aforismos de McCain:
"Agora as coisas são difíceis, porém, estamos melhor que em 2000." (janeiro de 2008)
"Estou bem instruído em temas econômicos; participei da revolução de Reagan." (janeiro de 2008)
"Para evitar uma recessão, é preciso pôr fim ao esbanjamento." (janeiro de 2008)
"A perda da força econômica leva à perda da força militar." (dezembro de 2007)
"Os republicanos esqueceram como controlar os gastos." (novembro de 2007)
"É preciso garantir fronteiras seguras; e estabelecer assim um programa de trabalhadores visitantes." (janeiro de 2008)
"A anistia de 2003 não significa premiar o comportamento ilegal." (janeiro de 2008)
"Devemos deter os dois milhões de estrangeiros que violaram a Lei e deportá-los." (janeiro de 2008)
"Fazer todo o possível para que os imigrantes aprendam a falar em inglês." (dezembro de 2007)
"Nada de inglês oficial; os índios americanos devem falar seu próprio idioma." (janeiro de 2007)
"Precisamos de reformas migratórias para conseguir a segurança nacional." (junho de 2007)
"As posições bipartidárias indicam a capacidade para ser presidente." (maio de 2007)
"É preciso manter o embargo e processar Castro." (dezembro de 2007)
"Nada de relações, nem diplomáticas nem comerciais, com esse país." (julho de 1998)
"Seria ingênuo excluir as armas nucleares; seria ingênuo excluir a agressão ao Paquistão." (agosto de 2007)
"Com a guerra do Iraque, ‘desviamos a atenção de nosso hemisfério e pagamos um preço por isso’." (março de 2007)
Promete visitar suas propriedades no continente. Disse que se ele for eleito para a presidência em 2008, visitará, em primeiro lugar, o México, o Canadá e a América Latina para "reafirmar meu compromisso com nosso hemisfério e com a importância das relações em nosso hemisfério".
Em todo seu livro, de referência obrigatória em minhas Reflexões, assegura que foi bom em História. Não aparece uma só referência a um pensador político, nem sequer a um daqueles que foram os inspiradores da Declaração de Independência das Treze Colônias, em 4 de julho de 1776, que daqui a quatro meses e 23 dias completará 232 anos.
Há mais de 2.400 anos, Sócrates, reconhecido sábio ateniense, famoso por seu método e mártir de suas idéias, ciente das limitações humanas, expressou: "Apenas sei que nada sei." Atualmente, McCain, o candidato republicano, exclama perante seus concidadãos: "Apenas sei que sei tudo".
Prosseguirei.
Fidel Castro Ruz
11 de fevereiro de 2008
17h35

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Eleições americanas - Candidato MacCain

Fidel deve estar torcendo para o Obama vencer, já que é o único dos candidatos que fala em conversar com os inimigos, ou com os países do "eixo do mal", como gosta de dizer o Bush. Se ganhar o MCCAIN, vai aumentar a pressão sobre esses países. O complexo industrial-militar, que tem grande influência sobre qq governo americano, não pode viver sem uma guerra. Se tem um assunto que permite à um dos candidatos se diferenciar dos outros, é o que diz respeito ao sistema de saúde americano. Nesse caso, o Obama está se diferenciando. Existe um novo documentário do Michael Moore sobre este assunto, que depois vou publicar neste blog. Quanto ao muro que separa o México dos Estados Unidos, todos são a favor. O Fidel está analisando as implicações de uma improvável vitória do candidato republicano, não só sobre Cuba mas sobre o mundo em geral. Se não me engano, tal análise se divide em quatro partes, e estou enviando a primeira. SDS Dória



Fonte: Digital Granma Internacional






REFLEXÕES DO PRESIDENTE FIDEL CASTROO candidato republicano(Primeira Parte)
• ESTAS reflexões se explicam por si próprias.
Na já famosa superterça, um dia da semana em que numerosos Estados da União elegiam o candidato da sua preferência para a Presidência dos Estados Unidos, entre um grupo de candidatos. Um dos possíveis candidatos para substituir George W. Bush podia ser John McCain, por sua imagem projetada de herói e sua aliança com fortes adversários, como o ex-governador de Nova Iorque, Rudy Giuliani, outros aspirantes já lhe deram com prazer seu apoio. A intensa propaganda de fatores sociais, econômicos e políticos de grande peso em seu país, e seu estilo de atuação o tornavam o candidato com mais possibilidades. Apenas a extrema direita republicana, representada por Mitt Romney e Mike Huckabee, inconformada com algumas concessões intranscendentais de McCain, ainda ofereciam-lhe resistência em 5 de fevereiro. Depois Romney também depôs a aspiração em favor de McCain. Huckabee a mantém.
A luta pelo candidato é, no entanto, muito intensa no Partido Democrata. Ainda que, como é habitual, uma parte ativa da população dos Estados Unidos com direito de votar seja minoritária, escutam-se já todo tipo de opiniões e conjeturas sobre as consequências que terá para o país e para o mundo o resultado final da contenda eleitoral, se a humanidade escapa das aventuras bélicas de Bush.
Não me cabe falar da história de um candidato à Presidência dos Estados Unidos. Jamais fiz. Talvez, não o teria feito nunca. Por que desta vez?
McCain afirmou que alguns colegas dele foram torturados por agentes cubanos em Vietnã. Seus apologistas e especialistas em publicidade geralmente sublinham que o próprio McCain sofreu tais torturas por parte dos cubanos.
Espero que os cidadãos dos Estados Unidos compreendam que sou obrigado à análise pormenorizada deste candidato republicano e lhe replique. Vou fazê-lo a partir de considerações éticas.
No histórico de McCain aparece que foi prisioneiro de guerra no Vietnã desde 26 de outubro de 1967.
Como ele próprio conta, tinha naquela data 31 anos e levava a cabo a missão de ataque número 23. Seu avião, um A4 Skyhawk, foi interceptado sobre Hanói por um míssil antiaéreo. Devido ao impacto, perdeu o controle e se catapultou, caindo sobre o lago Truc Bach, no meio da cidade, com frcturas em ambos os braços e num joelho. Uma multidão patriótica, ao ver cair um agressor, recebeu-o com hostilidade. O próprio McCain exprime seu alívio naquele momento ao ver chegar um pelotão do exército.
O bombardeio sobre o Vietnã iniciado em 1965, era um fato comovente para a opinião internacional, muito sensibilizada com os ataques aéreos da superpotência contra um pequeno país do Terceiro Mundo, que foi tornado colônia da França a milhares de milhas da distante Europa. O povo de Vietnã lutou contra os ocupantes japoneses durante a Segunda Guerra Mundial e, já no fim, a França retomou o controle. Ho Chi Minh, o líder modesto e querido por todos, e Nguyen Giap, seu chefe militar, eram personagens admirados internacionalmente. A famosa Legião Francesa foi derrotada. Para tentar evitá-lo, as potências agressoras por um triz usa a arma nuclear em Diem Bien Phu.
Perante a opinião pública norte-americana, os nobres anamitas, como carinhosamente os chamou José Martí, de cultura e valores milenares, deviam ser apresentados como um povo bárbaro e indigno de existir. Em matéria de suspense e publicidade comercial, ninguém pode ganhar dos especialistas dos Estados Unidos. A especialidade foi utilizada sem limite algum para exaltar o caso dos prisioneiros de guerra, nomeadamente o de McCain.
Seguindo essa corrente, McCain afirmou depois que, o fato de que seu pai fosse almirante e comandante-em-chefe das forças estadunidenses no Pacífico, fez com que a resistência vietnamita lhe oferecesse uma libertação antecipada se reconhecia ter cometido crimes de guerra, o qual tinha rejeitado alegando que o Código Militar estabelece que os prisioneiros são libertados na ordem em que são capturados, e que isso significou cinco anos de prisão, golpes e torturas numa área do cárcere identificada pelos norte-americanos como "Hanoi Hilton".
A retirada final do Vietnã foi desastrosa. Um exército de meio milhão de homens treinados e armados até os dentes não pôde resistir o avanço dos patriotas vietnamitas. Saigão, a capital colonial, atual Ho Chi Minh, foi abandonada de forma vergonhosa pelos ocupantes e seus cúmplices, alguns deles, pendurados dos helicópteros. Os Estados Unidos perderam mais de 50 mil filhos valiosos, sem contar os aleijados. Gastaram US$500 bilhões naquela guerra sem impostos, sempre, de por si, desagradáveis. Nixon renunciou unilateralmente aos compromissos de Bretton Woods e criou as bases da atual crise financeira. Tudo que conseguiram foi um candidato para o Partido Republicano, 41 anos depois.
McCain, um dos numerosos pilotos norte-americanos abatidos e feridos nas guerras declaradas ou não de seu país, foi condecorado com a Estrela de Prata, a Legião de Emérito, a Cruz de Aviação por serviço destacado, a Estrela de Bronze e o Coração Púrpura.
Um filme para a televisão, baseado em suas memórias sobre as experiências como prisioneiro de guerra, foi exibido no Memorial Day de 2005 e se tornou famoso por seus vídeos e discursos em torno ao tema.
A pior afirmação que fez quanto a nosso país foi que interrogadores cubanos torturaram sistematicamente prisioneiros norte-americanos.
Perante as alucinantes palavras de McCain, interessei-me pelo assunto. Quis saber donde vinha essa lenda tão estranha. Pedi para que se procurassem os antecedentes da imputação. Informaram-me que existia um livro bem promovido, baseado no qual se fez o filme, escrito por McCain e seu assessor administrativo no Senado, Mark Salter, que continua trabalhando e redigindo com ele. Solicitei que fosse traduzido textualmente. Foi feito, como noutras ocasiões, em breve tempo, por pessoal qualificado. Título do livro: Faith of My Fathers, 349 páginas, publicado em 1999.
Sua acusação contra os revolucionários internacionalistas cubanos, utilizando a alcunha de Fidel para identificar um deles capaz de "torturar um prisioneiro até a morte", carece da mais mínima ética.
Gostaria lembrar-lhe, senhor McCain: Os mandamentos da religião que você pratica proíbem a mentira. Os anos de prisão e as feridas que recebeu como consequência dos seus ataques contra Hanói não o dispensam do dever moral da verdade. informar-lhe. Em Cuba foi levada a cabo uma rebelião contra um déspota imposto pelo governo dos Estados Unidos ao povo de Cuba em 10 de março de 1952, quando você estava a ponto de fazer 16 anos, e o governo republicano de um militar ilustre, Dwight D. Eisenhower — que por acaso foi a primeira pessoa a falar do complexo militar-industrial —, reconheceu e apoiou logo aquele governo. Eu era um um pouco mais velho que você, completaria em agosto, mês em que você também nasceu, 26 anos. Ainda Eisenhower não tinha terminado seu período presidencial, iniciado na década de 1950, alguns anos depois da fama ganhada pelo desembarque aliado no norte da França, com o apoio de 10 mil aviões e as mais poderosas forças navais conhecidas até essa data.
Tratava-se de uma guerra, formalmente declarada pelas potências que enfrentavam a Hitler, iniciada de surpresa pelos nazistas, que atacaram sem aviso nem prévia declaração de guerra. Um novo estilo de provocar grandes chacinas foi imposto à humanidade.
Em 1945 se utilizaram contra a população civil de Hiroshima e Nagasaki duas bombas de quase 20 quilotons cada uma. Visitei numa ocasião a primeira daquelas cidades.
Na década de 1950, o governo dos Estados Unidos chegou a construir tais armas de ataque nuclear, que uma delas, o MR17, chegou a pesar 19,05 toneladas, e media 7,49 metros, a qual podia transportar em seus bombardeiros e desencadear uma explosão de 20 megatons, equivalente a mil bombas como a que lançou sobre a primeira daquelas duas cidades em 6 de agosto de 1945. É um dado que faria enlouquecer Einstein, que, no meio de suas contradições, não manifestou muitas vezes remorsos pela arma que, sem pretendê-lo, ajudou a fabricar com suas teorias e descobertas científicas.
Quando triunfa a Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959, quase 15 anos depois da eclosão das primeiras armas nucleares, proclama a Lei de Reforma Agrária baseada no princípio de soberania nacional, consagrado pelo sangue dos milhões de combatentes que morreram naquela guerra, a resposta dos Estados Unidos foi um programa de atos ilegais e atentados terroristas contra o povo cubano, aprovados pelo próprio presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower.
O ataque pela Baía dos Porcos ocorreu seguindo instruções precisas do presidente dos Estados Unidos e os invasores foram escoltados por unidades navais, inclusive um porta-aviões de ataque. O primeiro assalto aéreo com aviões B-26 do governo norte-americano, que partiram de bases clandestinas, foi por surpresa, com o emprego de insígnias cubanas, mostrando-o à opinião mundial como uma sublevação da força aérea nacional.
O Sr. acusa os revolucionários cubanos de serem torturadores. Exorto-o seriamente a que apresente, pelo menos, um dos mais de mil prisioneiros apreendidos nos combates da Baía dos Porcos que tenha sido torturado. Eu estava ali, não protegido num longínquo posto geral de comando. Capturei pessoalmente, com alguns ajudantes, numerosos prisioneiros; passei diante de esquadras armadas, ainda ocultas por trás da vegetação da floresta, que paralisaram diante da presença do chefe da Revolução no lugar. Lamento ter que mencionar isto, que pode parecer altanaria, o qual detesto sinceramente.
Os prisioneiros eram cidadãos nascidos em Cuba, organizados por uma poderosa potência estrangeira, para lutarem contra seu próprio povo.
O Sr. se confessa partidário da pena capital para os delitos muito graves. Que atitude teria assumido ante tais atos? Quantos teria sancionado por essa traição? Em Cuba foram julgados alguns dos invasores que cometeram antes, sob as ordens de Batista, horrendos crimes contra os revolucionários cubanos.
Visitei os prisioneiros da Baía dos Porcos, como vocês chamam a invasão de Girón, em mais de uma ocasião, e falei com eles. Gosto de saber as motivações dos homens. Mostravam assombro e expressavam seu reconhecimento pelo respeito pessoal com que foram tratados.
O Sr. deveria saber que, enquanto se negociava a libertação mediante indenização com alimentos para crianças e medicamentos, o governo dos Estados Unidos organizava planos de assassinato contra minha pessoa. Há constatação disso nos escritos de pessoas que participaram da negociação.
Não me referirei pormenorizadamente à longa lista de centenas de tentativas de assassinato contra minha pessoa. Não se trata de uma invenção. Aparece em documentos oficiais divulgados pelo governo dos Estados Unidos.
Que ética subjaz em tais fatos, defendidos poelo Sr. com veemência, como questão de princípios?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Lula por Fidel - parte I

Este é a primeira de uma série muito interessante.




REFLEXÕES DO PRESIDENTE FIDEL CASTROLula
(Primeira parte)
DE forma espontânea decidiu visitar Cuba pela segunda vez como presidente do Brasil, embora a minha saúde não lhe garantisse um encontro comigo.
Antes, como ele próprio disse, visitava a Ilha quase todos os anos. Conheci-o por ocasião do primeiro aniversário da Revolução Sandinista na casa de Sergio Ramírez, na altura, vice-presidente do país. Aproveito para dizer que este último, de certa forma, me enganou. Quando li seu livro Castigo Divino ―excelente narração―, acabei acreditando que era um caso real acontecido na Nicarágua, com todos os enredos legais que são habituais nas antigas colônias espanholas; ele próprio um dia me contou que era pura ficção.
Também me encontrei ali com Frei Betto, hoje crítico, embora não inimigo de Lula, e com o padre Ernesto Cardenal, militante sandinista de esquerda e atual adversário de Daniel. Os dois escritores procediam da Teologia da Libertação, uma corrente progressista na qual sempre vimos que era um grande passo rumo à unidade dos revolucionários e dos pobres, mais além da sua filosofia e das suas crenças, ajustada às condições concretas de luta na América Latina e no Caribe.
Confesso, contudo, que via no padre Ernesto Cardenal, contrário a outros na direcção da Nicarágua, uma estampa do sacrifício e das privações, como um monge medieval. Era um verdadeiro protótipo de pureza. Deixo de lado outros que, menos conseqüentes, alguma vez foram revolucionários, inclusive militantes de extrema-esquerda na América Central e noutras áreas, que depois passaram, com armas e bagagens, por anseios de bem-estar e de dinheiro, para as fileiras do império.
O quê tem a ver o relatado com Lula? Muito. Nunca foi um extremista de esquerda, nem ascendeu à condição de revolucionário a partir de posições filosóficas, mas sim das de um operário de origem bem humilde e fé cristã, que trabalhou duramente criando mais-valia para outros. Nos operários viu Karl Marx os coveiros do sistema capitalista: "Proletários de todos os países, uni-vos", proclamou. Raciocina sobre isso e demonstra-o com lógica irrefutável; compraz-se e zomba demonstrando quão cínicas eram as mentiras usadas para acusar os comunistas. Se as idéias de Marx na época eram justas, quando tudo parecia depender da luta de classes e do desenvolvimento das forças produtivas, da ciência e da técnica, que sustentaram a criação de bens indispensáveis para satisfazer as necessidades humanas, há fatores absolutamente novos que lhe dão razão e ao mesmo tempo vão contra seus nobres objetivos.
Novas necessidades surgiram que podem obstruir os objetivos de uma sociedade sem exploradores nem explorados. Entre estas novas necessidades surge a da sobrevivência humana. Da mudança climática não existia nem idéia nos tempos de Marx. Engels e ele sabiam muito bem que um dia o sol se apagaria ao consumir toda a sua energia. Poucos anos depois do manifesto, nasceram outros homens que aprofundariam a área da ciência e dos conhecimentos das leis químicas, físicas e biológicas que regem o universo, desconhecidas naquela altura. Nas mãos de quem estariam esses conhecimentos? Mesmo que estes continuassem desenvolvendo-se, e inclusive, superando-se, e mais uma vez sejam negadas e contraditas em parte as suas teorias, os novos conhecimentos não estão nas mãos dos povos pobres, que hoje são as três quartas partes da população mundial. Estão nas mãos de um grupo privilegiado de potências capitalistas ricas e desenvolvidas, associadas ao império mais poderoso que jamais existira, baseado numa economia globalizada, regida pelas próprias leis do capitalismo que Marx descreveu e esmiuçou.
Hoje, que a humanidade sofre ainda essas realidades em virtude da própria dialética dos acontecimentos, devemos encarar esses perigos.
Como se comportou o processo da Revolução em Cuba? Escreveu-se bastante na nossa imprensa nas últimas semanas sobre diferentes episódios dessa etapa. Rende-se homenagem a fatos ocorridos em diferentes datas históricas que completam aniversários com cifras redondas de cinco ou dez anos. Isso é justo, mas devemos evitar que, na soma de tantos fatos descritos por cada órgão ou espaço, segundo seus critérios, não sejamos capazes de vê-los no contexto do desenvolvimento histórico da nossa Revolução, apesar do esforço dos magníficos analistas de que dispomos.
Para mim, unidade significa compartilhar o combate, os riscos, os sacrifícios, os objetivos, as idéias, os conceitos e as estratégias, aos quais a gente chega mediante debates e análises. Unidade significa a luta comum contra os anexionistas, os traidores e os corrutos, que não têm nada a ver com um militante revolucionário. A essa unidade em torno à ideia da independência e contra o império que avançava sobre os povos da América, é que sempre fiz referência. Há uns dias voltei a lê-la quando o jornal Granma a publicou na véspera das nossas eleições, e o Juventude Rebelde reproduziu um fac-símile do meu próprio punho a respeito dessa idéia.
O velho slogan pré-revolucionário de unidade não tem nada a ver com o conceito, visto que em nosso país hoje não existem organizações políticas procurando o poder. Devemos evitar que, no enorme mar de critérios táticos, se diluam as linhas estratégicas e imaginemos situações inexistentes.
Num país intervido pelos Estados Unidos, em meio à sua luta em solitário pela independência da última colônia espanhola junto à nação irmã de Porto Rico ―"de um pássaro as duas asas"―, os sentimentos nacionais eram muito profundos.
Os produtores reais de açúcar, que eram os escravos recém-libertados e os camponeses, muitos deles combatentes do Exército Libertador, convertidos em posseiros ou carentes totalmente de terras, que eram lançados para os cortes de cana em grandes latifúndios criados por companhias dos Estados Unidos ou latifundiários cubanos que herdavam, compravam ou roubavam terra, eram matéria-prima propícia para as idéias revolucionárias.
Julio Antonio Mella, fundador do Partido Comunista junto a Baliño ― que conheceu Martí e com ele criou o Partido que conduziria à independência de Cuba — pegou a bandeira, juntou a ela o entusiasmo que emergia da Revolução de Outubro e lhe entregou a essa causa seu próprio sangue de jovem intelectual, conquistado pelas idéias revolucionárias. O sangue comunista de Jesús Menéndez se uniu ao de Mella 18 anos depois.
Os adolescentes e os jovens que estudávamos em escolas privadas nem sequer tínhamos ouvido falar em Mella. A nossa procedência de classe ou grupo social com maiores rendas que o resto da população, condenava-nos como seres humanos a sermos a parte egoísta e exploradora da sociedade.
Tive o privilégio de chegar à Revolução através das idéias, fugir do aborrecido destino pelo qual a vida me conduzia. Noutro momento expliquei o porquê. Agora me lembro disso apenas no contexto disto que escrevo.
O ódio a Batista por sua repressão e seus crimes era tão forte, que ninguém reparou nas idéias que expressei na minha defesa no Tribunal de Santiago de Cuba, onde, inclusive um livro de Lenin impresso na URSS ―que veio dos créditos que eu desfrutava na livraria do Partido Socialista Popular da rua Carlos III, em Havana― encontraram nos pertences dos combatentes. "Quem não ler Lenin é um ignorante", disse-lhes em meio ao interrogatório nas primeiras sessões do julgamento, quando trouxeram isso à tona como elemento acusatório. Ainda era julgado junto aos outros prisioneiros sobreviventes.
Não seria bem compreendido o que afirmo se não se levasse em conta que no momento em que atacamos o Moncada, em 26 de julho de 1953, ação que foi devida aos esforços organizativos de mais de um ano, sem contar com mais ninguém do que nós próprios; a política de Stalin, quem morreu repentinamente meses antes, prevalecia na URSS. Era um militante honesto e consagrado, que mais tarde cometeu sérios erros que o levaram a posições sumamente conservadoras e cautelosas. Se uma revolução como a nossa tivesse tido êxito então, a URSS não teria feito por Cuba o que mais tarde fez a direção soviética, livre já daqueles métodos escusos e tortuosos, entusiasmada com a Revolução Socialista que eclodiu no nosso país. Isso o compreendi bem apesar das justas críticas que, por fatos muito conhecidos no seu momento, fiz a Khruchov.
A URSS possuía o exército mais poderoso de todos os beligerantes na Segunda Guerra Mundial, só que estava purgado e desmobilizado. Seu chefe subestimou as ameaças e as teorias belicistas de Hitler. Da própria capital do Japão, um importante e prestigioso agente da inteligência soviética lhe comunicou a iminência do ataque, em 22 de junho de 1941. Esse ataque apanhou de surpresa o país, que não estava em alarme de combate. Muitos oficiais estavam de folga. Mesmo sem os chefes de unidades de maior experiência, que foram substituídos, no caso de terem sido alertados e desdobrados, os nazistas teriam chocado com forças poderosas desde o primeiro instante e não teriam destruído em terra a maior parte da aviação de combate. Ainda pior que a purga foi a surpresa. Os soldados soviéticos não se rendiam quando lhes falavam de tanques inimigos na retaguarda, como fizeram os demais exércitos da Europa capitalista. Nos momentos mais críticos, com temperatura de graus negativos, os patriotas siberianos puseram em funcionamento os tornos das fábricas de armamentos que previsoramente Stalin tinha deslocado para o interior do território soviético.
Segundo me contaram os próprios dirigentes da URSS quando visitei esse grande país em abril de 1963, os combatentes revolucionários russos preparados na luta contra a intervenção estrangeira, em virtude da qual foram enviadas tropas para combaterem a revolução bolchevique, deixando-a posteriormente bloqueada e isolada, tinham travado relações e trocado experiências com os oficiais alemães, de tradição militarista prussiana, humilhados pelo Tratado de Versalhes, que pôs termo à Primeira Guerra Mundial.
os serviços de inteligência das SS introduziram a intriga contra muitos que eram, na sua maioria, leais à Revolução.
Impulsionado por uma desconfiança que se tornou doentia, Stalin purgou 3 dos 5 marechais, 13 dos 15 comandantes-de-exército, 8 dos 9 almirantes, 50 dos 57 generais de corpo-de-exército, 154 dos 186 generais-de-divisão, todos os comissários-de-exército e 25 dos 28 comissários dos corpos-de-exércitos da União Soviética, nos anos que precederam à Grande Guerra Pátria.
Esses graves erros custaram à URSS uma enorme destruição e mais de 20 milhões de vidas; há quem diga que 27.
Em 1943 foi desatada, com atraso, a última ofensiva de primavera dos nazistas pelo famoso e tentador ressalto de Kursk, com 900 mil soldados, 2.700 tanques e 2 mil aviões. Os soviéticos, conhecedores da psicologia inimiga, esperaram naquela armadilha o ataque certo com 1,2 milhão de homens, 3.300 tanques, 2.400 aviões e 20 mil peças de artilharia. Chefiados por Zhukov e pelo próprio Stalin, destroçaram a última ofensiva de Hitler.
Em 1945, os soldados soviéticos avançaram incontíveis até tomarem a cúpula da chancelaria alemã em Berlim, onde içaram a bandeira vermelha tingida com o sangue de tantos tombados.
Observo um momento a gravata vermelha de Lula e lhe pergunto: "Foi essa um presente de Chávez?" Sorri e responde: "Agora vou lhe enviar algumas camisas, pois ele se queixa de que o colarinho das suas está muito rijo e vou-lhe procurar algumas na Bahia para dar de presente a ele".
Pediu-me que lhe desse algumas das fotos que tirei.
Quando comentou que estava muito impressionado com minha saúde, respondi-lhe que me dedicava a pensar e escrever. Nunca na minha vida tinha pensado tanto. Contei-lhe que, terminada a minha visita a Córdova, Argentina, onde assistira a uma reunião com numerosos líderes, entre os quais estava ele, retornei e participei depois de dois comícios pelo aniversário do 26 de julho. Estava revisando o livro de Ramonet. Respondera todas as perguntas dele. Não tinha tomado muito a sério isso. Achava que era uma coisa bem rápida, como as entrevistas de Frei Betto e Tomás Borge. Depois tornei-me escravo do livro do escritor francês, quase a ponto de ser publicado sem minha revisão, com parte das respostas tomadas às pressas. Naqueles dias quase nem dormia.
Quando adoeci gravemente na noite de 26 e na madrugada de 27 de julho, pensei que seria o fim, e enquanto os médicos lutavam por minha vida, o chefe do gabinete do Conselho de Estado, a pedido meu, lia o texto e eu ditava os arranjos pertinentes.
Fidel Castro Ruz
22 de janeiro de 2008

Fonte: Digital Granma Internacional