domingo, 1 de maio de 2022

O cadáver que se tornou o mais improvável herói da segunda Guerra Mundial

 


O cadáver que se tornou o mais improvável herói da 2ª Guerra Mundial

  • Neil Prior
  • BBC News
Cena do filme Operação Mincemeat

CRÉDITO,WARNER BROS

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Na Operação Mincemeat, uma maleta cheia de falsos segredos militares foi acorrentada ao braço de Glyndwr Michael

"A única coisa que ele fez que valeu a pena aconteceu depois de sua morte."

A visão do oficial de inteligência britânico Ewen Montagu sobre o galês Glyndwr Michael pode parecer muito dura.

Afinal, após sua morte aos 34 anos, Michael ajudou a acabar com a Segunda Guerra Mundial mais cedo do que poderia ter acontecido, salvando centenas de milhares de vidas.

Em abril de 1943, o corpo do galês foi usado por agentes da inteligência britânica na chamada "Operação Mincemeat", considerada a mais audaciosa de todo conflito.

O plano britânico conseguiu enganar os alemães, que redistribuíram regimentos inteiros da Sicília, na Itália, para a Grécia e os Bálcãs.

O livro do historiador Ben Macintyre sobre a farsa, intitulado "Operation Mincemeat" (sem versão em português), foi transformado em um filme da Warner Bros que acaba de ser lançado no Reino Unido. No Brasil, o filme ganhou o título "O Soldado que Não Existiu" e será lançado pela Netflix em maio.

"Glyndwr Michael é possivelmente o herói mais improvável de toda a Segunda Guerra Mundial", acredita Macintyre.

"Ele fugiu do País de Gales para Londres para escapar da pobreza extrema durante a Grande Depressão da década de 1930. Seu próprio pai cometeu suicídio após o colapso do trabalho na mineração."

Fotos e documentos usados ​​no filme "Operation Mincemeat"

CRÉDITO,WARNER BROS

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Os agentes de inteligência britânicos deram a Michael uma identidade falsa como comandante interino William Martin

O historiador explica que o corpo de Michael foi encontrado em um galpão na área de King's Cross, em Londres e, de acordo com o laudo forense, ele havia tomado veneno.

Mas o historiador acredita que o ato não foi um suicídio.

"Acho que Michael deveria estar com tanta fome que comeu pão envenenado por engano", aponta.

História digna de James Bond

Qualquer que seja a causa da morte de Glyndwr Michael, seus restos mortais foram entregues ao legista Bentley Purchase.

O especialista havia sido alertado para a necessidade de encontrar um corpo cujos ferimentos fossem parecidos ao que ocorre com uma vítima da queda de um avião, em que o pára-quedas não funcionou como o esperado.

O cadáver, então, foi transferido aos cuidados dos agentes Charles Cholmondeley e Ewen Montagu. Foi assim que a transformação de Glyndwr Michael no comandante William Martin começou.

Cena do filme Operation Mincemeat. Agentes britânicos são vistos em frente aos restos mortais de Michael

CRÉDITO,WARNER BROS

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Enquanto os restos mortais de Michael estavam no necrotério, os agentes Cholmondeley e Montagu passaram meses elaborando a identidade falsa de Michael

A ideia de usar um cadáver para entregar planos falsos em território inimigo foi concebida pela primeira vez na década de 1930 por Ian Fleming, autor dos romances de espionagem de James Bond.

Fleming trabalhou durante a Segunda Guerra Mundial como assistente de John Godfrey, diretor da Divisão de Inteligência Naval da Marinha Britânica.

No final de 1942, o sucesso dos Aliados numa campanha no norte da África permitiu que eles voltassem a atenção para outras áreas controladas pelos alemães no sul da Europa.

A Sicília, na Itália, era o lugar óbvio para lançar uma operação, já que o domínio da ilha significava o controle da navegação no Mar Mediterrâneo.

O problema era que a opção por este local era óbvia demais.

O homem que nunca foi

"Todo mundo, exceto um tolo, sabe que a operação será na Sicília", declarou o então primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

No entanto, isso não impediu que os Aliados quisessem tomar a Sicília como um trampolim para a Itália. E, para isso, eles realizaram um ato espetacular de distração.

Os agentes Cholmondeley e Montagu foram trabalhar nos detalhes que tornariam o engano mais crível para os alemães.

Eles deram ao falso oficial uma identidade e uma história abrangentes, começando com a escolha do nome William Martin, relativamente comum nos fuzileiros navais britânicos.

Eles também conferiram ao suposto militar o posto de capitão, que consideravam alto o suficiente para portar documentos secretos, embora não tão importante a ponto de ser um rosto conhecido pelo inimigo.

Ewen Montagu
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Ewen Montagu foi um dos agentes que bolaram o plano para enganar Hitler

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Os agentes então escolheram itens do dia a dia que qualquer um levaria consigo. No caso de Martin, isso significava chaves, selos, cigarros, fósforos, um medalhão de São Cristóvão, canhotos de ingressos de teatro, um recibo de uma camisa nova, uma carta de seu pai e até um aviso de cheque especial do banco.

Todos os documentos foram escritos com uma tinta especial, que não escorreu na água.

Ewan Montagu passou meses criando a identidade do falso oficial. Mas Ben Macintyre diz que a parte mais convincente do quebra-cabeça era a noiva de Martin, uma jovem chamada Pam — na verdade, uma oficial da inteligência britânica chamada Jean Lesley.

"O nível de detalhes em que eles entraram foi incrível — eles até vestiram o suposto uniforme e peças íntimas de Martin para que parecessem roupas usadas na medida certa", detalha o historiador.

"Tive a sorte de conhecer 'Pam' (Jean Lesley) quando tinha 80 anos, e ela me levou pelo rio Tâmisa até o ponto em que ela e 'William' supostamente ficaram noivos.

À época, a esposa de Montagu se convenceu de que ele estava tendo um caso."

Um enorme engano

Cholmondeley e Montagu prepararam o corpo e o carregaram em um recipiente cheio de gelo seco para uma viagem até a Escócia. O veículo foi conduzido por um campeão de automobilismo no pré-guerra.

Na Escócia, um submarino chamado HMS Seraph estava esperando. O veículo demorou 10 dias para chegar ao "ponto de entrega".

Cena do filme Operation Mincemeat. Um corpo é visto flutuando no mar

CRÉDITO,WARNER BROS

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O corpo de Glyndwr Michael foi descoberto por um pescador de sardinhas na costa da Espanha em 30 de abril de 1943

Vale dizer que a tripulação do submarino desconhecia o propósito da missão. Assim que os oficiais deixaram o corpo de Martin na água, os motores foram acelerados para que a corrente o empurrasse em direção à costa da Espanha.

Nas primeiras horas de 30 de abril de 1943, um pescador de sardinha espanhol encontrou o oficial britânico supostamente afogado perto da cidade de Huelva.

A inteligência militar alemã caiu na arapuca, e uma cópia das cartas de Martin descrevendo os planos para uma operação aliada na Grécia acabou na mesa de Adolf Hitler.

Ao mesmo tempo, em um porão escuro do prédio da Marinha em Londres, homens e mulheres da inteligência britânica comemoraram batendo nas mesas e pulando para cima e para baixo quando a mensagem para Hitler foi interceptada por instalações militares dos Aliados.

Uma última conexão galesa

Macintyre conta que havia outra conexão galesa que acabou convencendo Hitler de que o corpo era genuíno.

"Uma das cartas do pai de Martin foi supostamente escrita de um hotel em Mold (uma cidade no País de Gales)", diz o historiador.

"Quando eu estava pesquisando meu livro, voltei ao registro original do hotel, e realmente havia o nome do Sr. Martin escrito na data correta da carta. Os detalhes da história são incríveis."

Uma placa comemora Glyndwr Michael como "o homem que nunca foi" em sua cidade natal de Aberbargoed

CRÉDITO,JAGGERY/GEOGRAPH

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Uma placa comemora Glyndwr Michael como "o homem que nunca foi" em sua cidade natal de Aberbargoed

Os britânicos confessaram uma pretensa decepção com um telegrama para os espanhóis, facilmente interceptado, pedindo a devolução da maleta de Martin o mais rápido possível.

"Documentos secretos provavelmente em uma pasta preta. Informações necessárias o mais rápido possível. Devem ser recuperadas imediatamente. Deve-se tomar cuidado para que não caia em mãos erradas", dizia o telegrama.

Em 38 dias após a invasão aliada da Sicília, em 10 de julho de 1943, a ilha foi capturada pelos Aliados. Pouco depois, a Itália inteira caiu, provocando a queda do regime de Benito Mussolini.

Glyndwr Michael foi enterrado em Huelva com todas as honras militares.

Sua função social é defender a classe dominante que o despreza.

 

POBRE DE DIREITA
Muito comum no Brasil, caracteriza-se por não pensar direito e estar sempre alinhado com a direita
Seu lema é concordar com tudo que negue as suas origens e faça-o sentir-se mais importante que é de fato, nem que para isso precise abrir mão de alguns direitos, via de regra conquistados pela mobilização dos esquerdistas
Facilmente manipulável, não gosta de leituras em geral, e quando lê não consegue interpretar corretamente, assim fica mais fácil acreditar firmemente no embuste do American Dream e na injusta meritocracia, e chama de vagabundos aqueles que lutam por direitos dos quais ele um dia poderá se valer, não há qualquer reconhecimento, ele não sabe que o 13° salário é fruto de uma greve geral que ele tanto abomina, mas não abre mão do 13°
Outro ponto fundamental é a crença ferrenha em um "comunismo no Brasil" que nunca existiu, acreditando cegamente que um dia os "vermelhos" levarão o seu Fiat Elba 97 e a sua casinha financiada em 180 meses que ele ainda está pagando a duras penas, mal sabendo que os únicos vermelhos que costumam tomar os bens dos pobres são o Bradesco e o Santander
Vota sempre naqueles que contribuirão para que ele continue sendo pobre e faz campanha pra eles compartilhando fake news pelo zap, sempre acreditando em vão que um dia será tão rico quanto os seus ídolos, que geralmente enriquecem através de fraudes e roubalheiras diversas, mas diante da sua recorrente indignação seletiva isso pouco importa para ele, se for da direita quanto mais roubar melhor é (aí que ele vota com gosto!) e se for da esquerda é sempre ladrão ou vagabundo, pois esse é o discurso que ele foi doutrinado a repetir, agindo sempre como as ovelhas do livro A Revolução dos Bichos, é para isso que ele existe!
No fim das contas sua função social é defender a classe dominante que o despreza acintosamente, sendo visto por ela como um idiota útil, que de fato ele é, o idiota nem requer explicação e a sua utilidade está em perpetrar a direita no poder, mantendo-o eternamente pobre, pois como dizia Simone de Beauvoir - "O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os oprimidos"
Nelson Quintino Jr.

Diálogos do Sul

 

Wikipedia

Dia Internacional dos Trabalhadores | Saiba qual a origem e o significado do 1º de Maio

Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico

* Atualizado em 29/04/2022 às 12h50.

"Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”.
Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Diário dos Trabalhadores.

"Se tenho que ser enforcado por professar minhas ideias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas ideias, estais muito enganados, pois elas são imortais''.
Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.

“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”.
George Engel, 50 anos, tipógrafo.

“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”.
Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.


O Dia Internacional dos Trabalhadores

As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas estão na origem do 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores.

Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista.


Origens

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias.

Convenção Nacional da União de Trabalhadores Negros nos EUA, em 1869

Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira.

Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos.

Wikipedia
Operários - Tarsila do Amaral (1933)




Greve geral pela redução da jornada

Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as vibrantes Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas.

Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”'.

A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 — maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA.

A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro “'Crônica do 1º de Maio”, mais de cinco mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução.

Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas.


“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa

Mas a batalha não foi fácil. Em muitos locais a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos “'Irmãos Pinkerton” ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas.

O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou:

“O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.

A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos polos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes.

Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram ferido.


Os oito mártires de Chicago

Apesar de a origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios.

Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento — o jornalista Auguste Spies, do “'Diário dos Trabalhadores”', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe — foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como “Os Oito Mártires de Chicago”.

O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. O seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial.

O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas.

Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller).


A maior farsa judicial dos EUA

Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua.

Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”.

No mesmo dia, os cinco “'Mártires de Chicago” foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto.

Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vítimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão.

Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”.

A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.

Altamiro Borges é jornalista e editor do Blog do Miro.