Dilma e a batalha perdida!
por Altamiro Borges, em seu blog
Na abertura da primeira reunião ministerial do seu segundo mandato,
nesta terça-feira (27), a presidenta Dilma Rousseff criticou as
manipulações da mídia e conclamou sua nova equipe a travar o debate de
ideias na sociedade. “Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a
desinformação, sempre e permanentemente. Vou repetir: sempre e
permanentemente… Reajam aos boatos. Travem a batalha da comunicação”,
afirmou. O discurso até é bonito, aguerrido, mas seus efeitos podem ser
frustrantes. Afinal, o governo até hoje não adotou as medidas
necessárias para travar a “batalha da comunicação” e para se contrapor à
mídia monopolizada e manipuladora.
Durante meia hora, a presidenta reeleita abordou
vários temas. Ela tentou explicar as medidas econômicas adotadas neste
início do seu segundo mandato. Afirmou que elas decorrem da crise
internacional, que afetou os preços das commodities e reduziu os
investimentos, e também dos problemas internos. Em outro trecho, ela
garantiu que o “equilíbrio fiscal” não afetará os avanços sociais dos
últimos 12 anos. “Quando for dito que vamos acabar com as conquistas
históricas dos trabalhadores, respondam em alto e bom som: ‘Não é
verdade!’. Os direitos trabalhistas são intocáveis, e não será o nosso
governo, um governo dos trabalhadores, que irá revogá-los” (leia a
íntegra do discurso abaixo).
O discurso indica uma maior compreensão sobre a urgência da “batalha
da comunicação”. O problema é que os instrumentos para esta batalha são
limitados. Até recentemente, a própria Dilma Rousseff evitava as
polêmicas e o confronto com as falsidades e as meias verdades veiculadas
na mídia tradicional. Ela acabou vestindo o figurino de “gerentona” e
“tecnocrata”. A presidenta só mudou de atitude, assumindo uma postura de
estadista e líder política, na campanha eleitoral do ano passado. Não
vacilou, inclusive, em utilizar três minutos do seu último programa
eleitoral “gratuito” para criticar a “criminosa” revista
Veja. Na sequência, porém, a presidenta “sumiu” e voltou a adotar a tática defensiva.
A área de comunicação do governo, que inclui todos os ministérios e
os postos chaves de aliados no parlamento, ficou sem dar respostas aos
novos ataques da oposição demotucana e da sua mídia. A presidenta foi
acusada de “estelionato eleitoral”, de trair seu programa de campanha,
de chefe de uma “organização criminosa”, de jogar o país na recessão e
de todos os males que afligem a nação – inclusive pela falta de água em
São Paulo. A resposta a esta onda devastadora foi tímida – para não
dizer inexistente. Agora é conferir se a base de apoio do governo terá
mais energia para travar a “batalha da comunicação”.
Além disso – e o que é pior –, durante o seu primeiro mandato, Dilma
Rousseff manteve intacto o poder destrutivo dos monopólios midiáticos.
Ela abortou qualquer projeto de regulação democrática dos meios de
comunicação. Preferiu a repetir a platitude do “uso do controle remoto”.
Não fez nada para regulamentar os preceitos inscritos na Constituição
Federal, que proíbe – entre outras pragas – os monopólios neste setor.
Ela arquivou as resoluções aprovadas na 1ª Conferência Nacional de
Comunicação (Confecom) e as propostas elaboradas pela equipe do
ex-presidente Lula.
Agora, Dilma prega a urgência da “batalha da comunicação”, mas está
totalmente desarmada para travar esta batalha estratégica. Nem mesmo as
medidas que independem de votação no Congresso Nacional – hoje um campo
ainda mais desfavorável, com ampla maioria conservadora – foram
implementadas no primeiro mandato. As verbas publicitárias continuaram
alimentando cobras, reforçando os monopólios. A experiência da
construção de uma tevê pública, a TV Brasil, também foi menosprezada,
quase abandonada.
Um balanço geral indica que a tal “batalha da comunicação” pode se
transformar numa batalha perdida, num mero jogo retórico. Para
enfrenta-la de fato, o segundo mandato da presidenta Dilma precisará
fortalecer e revitalizar a sua própria área de comunicação. Nenhuma
“desinformação” deve ficar sem resposta – inclusive com a utilização
legal da rede nacional de rádio e tevê. Mais do que isto, Dilma
precisará mostrar que está disposta, de verdade, a enfrentar o poder da
ditadura midiática – seja rediscutindo a distribuição das verbas
publicitárias, reforçando o sistema público de comunicação e propondo um
amplo debate à sociedade sobre a regulação democrática da mídia. A
conferir!
*****
Reproduzo abaixo a íntegra do pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff na primeira reunião da sua nova equipe ministerial:
“Bom, então a minha primeira recomendação para vocês, que vão
compartilhar comigo essa responsabilidade de governar e desse novo
mandato, é trabalhar muito para que que nós possamos dar sequência ao
projeto político que nós implantamos desde 2003, e que está mudando o
Brasil, mudando para muito melhor, porque nós temos menos pobreza, mais
oportunidades, temos uma situação de mais igualdade, mais direitos e
cada vez mais democracia.
Na campanha eleitoral, como vocês todos se lembram, eu pedi o voto
dos brasileiros para conduzir o Brasil a uma nova etapa do processo de
desenvolvimento que nós iniciamos em 2003. Mostramos também, durante a
campanha eleitoral, que essa proposta estava baseada em uma política
econômica consistente e em políticas sociais geradoras de oportunidades e
numa conquista extraordinária: a superação da miséria, alcançada ao
criarmos as condições para que 22 milhões de pessoas ultrapassassem a
linha da pobreza extrema.
Naquela circunstância da campanha, e ao longo do meu mandato, eu
deixei claro que o novo mandato, para mim e para nós todos, teria como
objetivo principal a preparação do Brasil para a era do conhecimento –
com prioridade absoluta para os investimentos em educação, geradores de
mais e melhores oportunidades para as brasileiras e para os brasileiros,
e da necessária elevação da competitividade da nossa economia, base
para um desenvolvimento duradouro. Nessas oportunidades todas, eu propus
fazer do Brasil uma Pátria Educadora.
E foi isso… e foi nisso que a maioria do povo brasileiro, dos homens e
mulheres deste país deram o seu voto, foi para isso que eles deram seu
voto. Este é o meu compromisso, fazer com que o Brasil nos próximos
quatro anos, tenha condições de ter as medidas necessárias para manter
íntegra a estratégia de construir um país desenvolvido, um país
próspero, cada vez mais igual, menos desigual, fazendo tudo o possível
para manter e fortalecer o modelo de desenvolvimento que mostrou ser
possível conciliar crescimento econômico, distribuição de renda e
inclusão social.
A população brasileira, ela votou também por mudanças e nós não
podemos esquecer disso. E nós as faremos, esse é o nosso compromisso,
fazer as mudanças necessárias. Juntos, nós devemos fazer, nós faremos um
governo que é, ao mesmo tempo, um governo de continuidade e também um
governo de mudanças. Nossa tarefa será manter o projeto de
desenvolvimento iniciado em 2003, mas dar continuidade com avanços, dar
continuidade com mudanças que lhe darão, que darão a este projeto ainda
mais consistência, mais velocidade.
Os ajustes – e aí eu entro nessa explicação que é essencial – os
ajustes que estamos fazendo, eles são necessários para manter o rumo,
para ampliar as oportunidades, preservando as prioridades sociais e
econômicas do governo que iniciamos há 12 anos atrás. As medidas que
estamos tomando e que tomaremos, elas vão consolidar e ampliar um
projeto vitorioso nas urnas por quatro eleições consecutivas e que
estão, essas medidas, ajudando a transformar o Brasil.
Como disse na Cerimônia de Posse, as mudanças que o país espera, que o
país precisa para os próximos quatro anos dependem muito da
estabilidade e da credibilidade da economia. Nós precisamos garantir a
solidez dos nossos indicadores econômicos.
A economia brasileira, ela vem sofrendo os efeitos de dois choques.
No plano externo, a economia mundial sofreu uma redução expressiva nas
suas taxas de crescimento com a China apresentando as menores taxas de
crescimento em 25 anos e o Japão e a Europa em estagnação, e os EUA só
agora começando a se recuperar da crise. Além disso, há uma queda nos
preços das commodities – uma queda expressiva nos preços das
commodities. Para vocês terem uma ideia, uma queda de 58%, quase 59% no
preço do petróleo, de junho do ano passado, de 2014, até janeiro de 2014
, e de 53% do minério de ferro, de dezembro de 2013 a janeiro de 2014.
Além disso, além da queda no preço das commodities, nós temos uma
apreciação significativa do dólar.
No plano interno, nós enfrentamos, em anos sucessivos, um choque no
preço dos alimentos, devido ao pior regime de chuvas de que se tem
registro histórico no Brasil. Essa seca também teve, mais recentemente,
impactos no preço da energia em todo o Brasil e na oferta de água em
algumas regiões específicas e de forma muito específica na região
Sudeste.
Diante destes eventos internos e externos, o governo federal cumpriu o
seu papel. Nós absorvemos a maior parte das mudanças, dessas mudanças
no cenário econômico e climático em nossas contas fiscais para preservar
o emprego e a renda. Nós reduzimos nosso resultado primário para
combater os efeitos adversos desses choques sobre nossa economia e
proteger nossa população. Agora, atingimos um limite para isso. Estamos
diante da necessidade de promover um reequilíbrio fiscal para recuperar o
crescimento da economia o mais rápido possível, criando condições para a
queda da inflação e da taxa de juros no médio prazo e garantindo,
assim, a continuidade da geração de emprego e da renda.
Tomamos algumas medidas que têm caráter corretivo, ou seja, são
medidas estruturais que se mostram necessárias em quaisquer
circunstâncias. Vamos adequar, por exemplo, o seguro-desemprego, o
abono-salarial, a pensão por morte e o auxílio-doença às novas condições
socioeconômicas do país. Essas novas condições mostram que, nos últimos
12 anos, foram gerados 20,6 milhões de empregos formais.
A base de contribuintes da Previdência Social foi ampliada em 30
milhões de beneficiários. O valor real do salário mínimo, que é a base
de todo o sistema de proteção social, cresceu mais de 70%. Além disso, a
expectativa de vida dos brasileiros com mais de 40 anos aumentou,
passando de 73 anos e meio para 78 anos e meio, ou seja, quase cinco
anos a mais de vida. Nestes casos, que são corretivos, não se trata de
medidas fiscais, trata-se de aperfeiçoamento de políticas sociais para
aumentar sua eficácia, eficiência e sua justiça.
Aliás, é importante e eu pediria atenção dos senhores e das senhoras,
aliás, nós sempre aperfeiçoamos nossas políticas, sempre. E o Bolsa
Família é um exemplo, eu diria um excelente exemplo. No ano passado, por
exemplo, ano eleitoral, nós tivemos 1 milhão de famílias, 1 milhão e
290 mil famílias deixando o programa por não mais se enquadrarem, seja
por razões cadastrais, seja por aumento de renda. E nós, mesmo em ano
eleitoral tivemos o cuidado para não prejudicar a sustentabilidade do
Bolsa Família de retirar essas famílias que tinham sido desenquadradas.
Outro conjunto de medidas, no entanto, é de natureza eminentemente
fiscal, indispensáveis para a saúde financeira do Estado brasileiro.
Contas públicas em ordem são necessárias para o controle da inflação, o
crescimento econômico e a garantia, de forma sustentada, do emprego e da
renda. Nós vamos promover o reequilíbrio fiscal de forma gradual.
Nossa primeira ação foi estabelecer a meta de resultado primário em
1,2% do PIB. Essa meta representa um grande esforço fiscal, mas um
esforço que a economia pode suportar sem comprometer a recuperação do
crescimento e do emprego.
São passos na direção de um reequilíbrio fiscal que irá permitir
preservar as nossas políticas sociais – falo, por exemplo, do Bolsa
Família, do Minha Casa, Minha Vida, do Mais Médicos, do Pronatec, das
ações para garantir acesso ao ensino superior, do Ciência sem
Fronteiras, do combate à violência contra a mulher, por exemplo.
A razão de ser da gestão responsável e consistente da política
econômica é estimular o crescimento e dar meios para a execução de
políticas que melhorem o bem-estar da população. Esta é a razão de ser
das políticas.
Em relação à inflação eu quero lembrar que em nenhum momento no meu
primeiro mandato nós descuidamos de seu controle e, por isso, ela foi
mantida sempre no limite do regime de metas. O Banco Central vem
adotando as medidas necessárias para reduzir ainda mais a inflação.
Decidimos também reduzir, previamente, nossos gastos discricionários,
enquanto o Congresso Nacional discute o Projeto de Lei Orçamentária,
projeto de 2015. Por essa razão, nós reduzimos em um terço o limite
orçamentário de todos os ministérios neste início de ano. Lembro a cada
um dos ministros que as restrições orçamentárias exigirão mais
eficiência no gasto, tarefa que estou certa, todos executarão com
excelência. Vamos fazer mais gastando menos.
Estamos atuando também pelo lado da receita. Adotamos correções nas
alíquotas da Cide sobre combustível e do IOF sobre o crédito pessoal.
Também propusemos uma correção do PIS/COFINS sobre bens importados e do
IPI sobre cosméticos. Além destas medidas de política fiscal, estamos
também, senhores ministros e senhoras ministras, construindo medidas
para viabilizar o aumento do investimento e da competitividade da
economia.
No campo tributário, estamos finalizando nossa proposta de
aperfeiçoamento do Supersimples, que irá estabelecer um mecanismo de
transição entre sistemas tributários para enfrentar a barreira hoje
existente ao crescimento das micro e pequenas empresas. Estamos
preparando a reforma do PIS/Cofins para simplificar e agilizar o
aproveitamento de créditos tributários pelas empresas. Vamos apresentar
um Plano Nacional de Exportações para estimular o comércio externo. O
foco de nossa política industrial, baseada na ampliação da nossa
competitividade, será o aumento da pauta e dos destinos de nossas
exportações. Se nossas empresas conseguirem competir no resto do mundo,
elas conseguirão competir facilmente no Brasil, onde já desfrutam de
vantagens locais. A melhora da competitividade depende, entre outras
coisas, da simplificação e da desburocratização do dia a dia das
empresas e dos cidadãos.
Para avançar nesta direção, lançaremos um Programa de
Desburocratização e Simplificação das Ações de Governo. Trata-se de
agilizar e simplificar o relacionamento das pessoas e das empresas com o
Estado e do Estado consigo mesmo. Menos burocracia representa menos
tempo e menos recursos gastos em tarefas acessórias e secundárias, e
mais produtividade, mais competitividade. Toda a sociedade ganha.
Já iniciamos também a definição de uma nova carteira de investimentos
em infraestrutura. Nós vamos ampliar tanto as concessões como as
autorizações de infraestrutura ao setor privado. Vamos continuar com as
concessões de rodovias, com as autorizações e concessões em portos e
ampliar as concessões de aeroportos. Realizaremos concessões em outras
áreas, como hidrovias e dragagem de portos, por exemplo.
O Minha Casa, Minha Vida irá contratar a construção de mais três
milhões de moradias até 2018, ampliando sua penetração em grandes
centros urbanos. Com o programa Banda Larga para Todos vamos promover a
universalização do acesso a um serviço de internet de banda larga
barato, rápido e seguro.
O Brasil, senhoras ministras e senhores ministros, continua sendo uma
economia continental, uma economia diversificada, um grande mercado
interno, com empresas e trabalhadores habilidosos, versáteis, e nós
estamos habilitados a aproveitar as oportunidades que temos diante de
nós. Só lembrando alguns números, é importante lembrar alguns números,
para que a gente tenha noção do tamanho do nosso país.
Somos hoje a 7ª economia do mundo, o 2º maior produtor e exportador
agrícola, o 3º maior produtor e exportador de minérios, o 5º que mais
atrai investimentos estrangeiros, o 7º em acúmulo de reservas cambiais e
o 3º maior usuário de internet. Para as senhoras ministras, só um
pouquinho, para as senhoras ministras eu lembro que somos um dos
primeiros mercados de cosméticos do mundo. Aliás, somos o primeiro
mercado. O Brasil, porque as mulheres brasileiras têm a nossa vaidade
intrínseca, o que é muito bom para o país, para as empresas e para os
trabalhadores.
Por isso, o Brasil, nós podemos dizer, continua sendo um país com
grandes oportunidades de investimento. O Brasil continua sendo um país
com instituições sólidas, com regras estáveis, uma sociedade livre e
democrática.
Depois de 12 anos de políticas de inclusão social e desenvolvimento, o
Brasil é hoje um país melhor. Um país com menos pessoas na pobreza, com
mais pessoas na classe média. Um país com milhões de novos estudantes
do ensino fundamental à universidade. Um país com milhões de novas
pequenas empresas e empreendedores individuais. Um país com milhões de
novos trabalhadores no mercado formal. Um país com mais crédito, tanto
para as empresas quanto para os consumidores. Nós confiamos na força do
nosso povo, nos fundamentos econômicos, sociais, culturais, étnicos de
nosso país. Nós sabemos que são essas as características que exigem de
nós mudanças, que exigem de nós dedicação às políticas sociais, às
políticas econômicas, às políticas macroeconômicas.
Aliás, em 2016, os olhos do mundo vão estar voltados mais uma vez
para o Brasil com a realização das Olimpíadas. Nós temos certeza que
mais uma vez, como na Copa, nós vamos mostrar a capacidade de
organização dos brasileiros e, agora, numa das mais belas cidades do
mundo, o Rio de Janeiro. E isso é em cooperação, em cooperação entre a
União, o estado do Rio de Janeiro e o município do Rio de janeiro.
Caras ministras e caros ministros,
Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre e
permanentemente. Vou repetir: sempre e permanentemente. Nós não podemos
permitir que a falsa versão se crie e se alastre. Reajam aos boatos,
travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião
pública, a posição do ministério, a posição do governo à opinião
pública. Sejam claros, sejam precisos, se façam entender. Nós não
podemos deixar dúvidas.
Por exemplo, quando for dito que vamos acabar com as conquistas
históricas dos trabalhadores, respondam em alto e bom som: “Não é
verdade! Os direitos trabalhistas são intocáveis e não será o nosso
governo, um governo dos trabalhadores, que irá revogá-los.” Quando se
levantar a questão da mobilidade urbana em nossas cidades, falem dos R$
143 bilhões que estamos investindo em 118 municípios de grande e médio
porte, em todos os Estados. Quando for mencionada a crise da água,
lembrem-se que desde o início desta que é a maior estiagem das últimas
décadas, o governo federal apoiou, está apoiando e continuará apoiando,
de todas as formas, inclusive com vultosos investimentos, com
investimentos elevados, as demandas dos governos estaduais, responsáveis
constitucionalmente pelo abastecimento de água.
No Nordeste, nós temos uma carteira de investimentos de R$ 34 bilhões
que, além da Integração do São Francisco, inclui a perenização de 1.000
km de rios, novos sistemas de adutoras, açudes e obras que vão
assegurar a segurança hídrica na região.
Em São Paulo, estamos autorizando, e já tínhamos autorizado, a partir
das solicitações do governador, as grandes obras para ampliar a oferta
de água e vamos fortalecer ainda mais nosso apoio a São Paulo.
Oriento os ministros e os dirigentes de órgãos federais relacionados
ao assunto que se engajem no esforço dos governos estaduais, notadamente
no Sudeste, para vencer a atual situação de insegurança hídrica, e
quero enfatizar, com especial atenção, para as regiões Nordeste, como
sempre, e Sudeste. Ao mesmo tempo, nós estamos tomando todas as ações
cabíveis para garantir o suprimento de energia elétrica.
Senhores ministros, senhoras ministras,
Vamos falar mais, comunicar sobre nossos desafios, nossas iniciativas
e nossos acertos. Vamos mostrar a cada cidadão, a cada cidadã
brasileira que não alteramos um só milímetro o nosso compromisso com o
projeto vencedor na eleição, com o projeto de desenvolvimento que nós
estamos implementando desde 2003, um projeto de crescimento com
distribuição de renda.
O nosso povo votou em nós porque acredita que somos os mais indicados
para fazer o que for preciso para o Brasil avançar ainda mais. O nosso
povo votou em nós porque acredita em nossa capacidade e em nossa
honestidade de propósitos.
Vamos, a partir da abertura do Congresso, senhoras ministras e
senhores ministros, propor uma alteração na legislação para tratar como
atividade comum dos entes da Federação as atividades de segurança
pública, permitindo à União estabelecer diretrizes e normas gerais
válidas para todo o território nacional para induzir políticas uniformes
no país e disseminar a adoção de boas práticas na área policial.
Quero fazer alguns comentários sobre um dos maiores desafios vivenciados por nosso país: o combate à corrupção e à impunidade.
Neste segundo mandato, manterei, sem transigir em um só momento, meu
compromisso com a lisura do uso do dinheiro público, com o combate aos
mal feitos, com a atuação livre dos órgãos de controle interno, com a
autonomia da Polícia Federal e com a independência do Ministério
Público. Vou chegar ao final deste mandato podendo dizer o mesmo que
disse do primeiro: nunca um governo combateu com tamanha firmeza e
obstinação a corrupção e a impunidade.
Todos vocês devem atuar sempre orientados pelo compromisso com a
correção e a lisura. Espero que enfrentem com firmeza todo e qualquer
indício de mau uso do dinheiro público nas áreas sob seu comando.
Gostaria de mais uma vez me manifestar sobre a Petrobrás. A Petrobras já
vinha passando por um rigoroso processo de aprimoramento de gestão, a
realidade atual só faz reforçar nossa determinação de ampliar na
Petrobras a mais eficiente estrutura de governança e controle que uma
empresa estatal, ou privada já teve no Brasil. Temos que apurar com
rigor tudo de errado que foi feito, temos, principalmente, de criar
mecanismos que evitem que fatos como esse se repitam, voltem a ocorrer. O
saudável empenho da Justiça que já disse, inclusive, no meu
pronunciamento quando eu fui diplomada, deve também nos permitir
reconhecer que a Petrobras é a mais estratégica para o Brasil e a que
mais contrata e investe no país. Temos que saber apurar, temos que saber
punir. Isso tudo sem enfraquecer a Petrobras, nem diminuir a sua
importância para o presente e para o futuro do país. Temos que continuar
apostando na melhoria da governança da Petrobras, aliás, de todas as
empresas privadas e das empresas públicas em especial. Temos de apostar
num modelo de partilha para o pré-sal, temos de dar continuidade à
vitoriosa política de conteúdo local. Temos que continuar acreditando na
mais brasileira das empresas, a Petrobras.
Gostaria de falar para vocês agora – podia passar mais rápido, por
favor? -, que toda vez que se tentou, no Brasil, toda vez que tentaram,
no Brasil, desprestigiar o capital nacional estavam tentando, na
verdade… Bom, eu vou preferir ler, sabe? Estavam tentando, na verdade,
diminuir a sua independência, diminuir a sua concorrência e nós não
podemos deixar que isso ocorra. Nós devemos punir as pessoas e não
destruir as empresas. As empresas, elas são essenciais para o Brasil.
Nós temos que saber punir o crime, nós temos de saber fazer isso sem
prejudicar a economia e o emprego do país. Nós temos de fechar as portas
para a corrupção. Nós não podemos, de maneira alguma, fechar as portas
para o crescimento, o progresso e o emprego.
E queria dizer para vocês que punir, que ser capaz de combater a
corrupção não significa, não pode significar a destruição de empresas
privadas também. As empresas têm de ser preservadas, as pessoas que
foram culpadas é que têm que ser punidas, não as empresas. Nós
defendemos um pacto nacional contra a corrupção, que envolve todas as
esferas de governo, todas as esferas de poder, tanto no ambiente público
como no ambiente privado. E quero dizer para vocês que nós seremos
implacáveis no combate aos corruptores e aos corruptos.
Em fevereiro, eu encaminharei ao Congresso as seguintes medidas, que
eu disse durante toda a campanha eleitoral: primeiro, transformar em
crime e punir com rigor os agentes públicos que enriquecem sem
justificativa ou que não demonstrem a origem dos seus ganhos ou do seu
patrimônio; segundo, incluir na legislação eleitoral como crime a
prática de caixa 2; terceiro, criar uma nova espécie de ação judicial
que permita o confisco de bens adquiridos de forma ilícita; quarto,
alterar a legislação para apressar o julgamento de processos que
envolvem o desvio de recursos públicos; e quinto, criar uma nova
estrutura, a partir de negociação com o Poder Judiciário, que dê maior
agilidade aos processos movidos contra aqueles que têm foro
privilegiado.
Os brasileiros e as brasileiras esperam de nós um comportamento
íntegro. Seremos, em cada um dos dias desse novo mandato, gestores
públicos absolutamente comprometidos com a austeridade e a probidade.
Vamos honrar cada cidadão e cada cidadã com uma gestão exemplar, que
executa com celeridade e eficiência as políticas que vão manter o Brasil
na trilha do desenvolvimento.
Caras ministras e caros ministros,
Há também uma grande expectativa da sociedade brasileira, e todos nós
sabemos disso, pela reforma política. Colocaremos como prioridade, já
neste primeiro semestre, o debate deste tema com a sociedade. Sabemos
que esta é uma tarefa do Congresso Nacional, mas cabe a nós impulsionar
esta mudança, para instituir novas formas de financiamento das campanhas
eleitorais, definir novas regras para escolha dos representantes nas
casas legislativas, e aprimorar os mecanismos de interlocução com a
sociedade e os movimentos sociais, reforçando a legitimidade das ações
tanto do Executivo quando do Legislativo.
Espero de cada um e de cada uma das ministras e dos ministros muito
diálogo com o Congresso, com governadores, com os prefeitos e com os
movimentos sociais, tal como eu mesma farei. Devemos buscar, por meio do
diálogo e da negociação, estabelecer os consensos necessários e os
caminhos que produzirão as mudanças de que o país precisa. Só assim
construiremos mais desenvolvimento e mais igualdade. Enfim, eu espero de
todos muita dedicação, muita cooperação entre os ministérios, muito
trabalho. Desejo muita sorte e muito sucesso a todos.
Uma das questões mais importantes é a ação cooperativa entre nós.
Saibam, ministros e ministras, que cada um de nós tem também o dever de
apoiar todo e qualquer ministro ou agente público, fora de sua área, que
executa na verdade os programas que nós todos definimos em conjunto. O
Brasil sem dúvida nenhuma espera muito de nós, e eu conto com vocês para
que nós honremos todas essas expectativas, cada uma delas, sem exceção.
Muito obrigada por todos. Só antes de terminar eu gostaria de
destacar as medidas aqui anunciadas, elas, na sua grande maioria, ou já
foram anunciadas e estão já sob a forma de decreto de medidas
provisórias ou serão encaminhadas no prazo mais curto de tempo ainda
dentro desse semestre. Eu agradeço aos senhores e peço, e desejo a todos
nós uma boa reunião”.