domingo, 1 de março de 2020

POLÍTICA - O clã Bolsonaro e as milícias.



O clã e as milícias.
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De: rioblogprog@googlegroups.com <rioblogprog@googlegroups.com> em nome de Carlos R. S. Moreira Beto <carlos.moreira.beto@gmail.com>
Enviado: sábado, 29 de fevereiro de 2020 13:01
Assunto: [#Rioblogprog] MILICIANOS: matéria da revista carta capital analisando as conexões antigas da famiglia com os milicianos 26 fev 20

MILICIANOS:
Vejam matéria da revista
Carta Capital analisa as conexões antigas da
famiglia com os milicianos -- 26 fev 20

Cronologia aponta 2007 como

início da ‘aliança’ entre Bolsonaros e as milícias

André Barrocal

26 de fevereiro de 2020

O clã Bolsonaro (Foto: Roberto Jayme/ASCOM)

Fatos remontam à primeira tentativa, no Rio, de abrir uma CPI das
Milícias, criada em 2008. Adriano é personagem

Após a morte do líder miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, na
Bahia, Jair Bolsonaro disse no Rio: “Eu não conheço a milícia do Rio
de Janeiro, não existe nenhuma ligação minha com a milícia do Rio de
Janeiro, não existe nenhuma ligação minha com milícia no Rio”. Seu
filho Flávio, senador, comentou no mesmo dia: “Não temos envolvimento
nenhum com milícia”.

Uma cronologia de acontecimentos indica o contrário: laços da família
com a milícia. Sinaliza mais: que o ano de 2007 parece ter selado uma
aliança entre o clã e a milícia, com QG no antigo gabinete de deputado
estadual de Flávio na Assembleia do Rio. Fatos capazes de alimentar o
processo de cassação de Flávio, pedida pela oposição, caso o Conselho
de Ética do Senado abra investigação.

Em 2007, Flávio tinha 26 anos e começava seu segundo mandato de
deputado estadual. Às 15h25 de 7 de fevereiro daquele ano, ele foi aos
microfones da Assembleia para defender as milícias, conforme registram
os anais da Casa. “Venho falar sobre as milícias, assunto tão
noticiado pela imprensa”, disse. “Não se pode, simplesmente,
estigmatizar as milícias, em especial os policiais envolvidos nesse
novo tipo de policiamento entre aspas.”

Ele prosseguiu: “A milícia nada mais é do que um conjunto de
policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e
disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que
há de pior: os criminosos. Em todas essas milícias sempre há um, dois,
três policiais que são da comunidade e contam com a ajuda de outros
colegas de farda para somar forças e tentar garantir o mínimo de
segurança nos locais onde moram”.

Flávio comentou que não se importaria de pagar “20 reais, 30 reais, 40
reais” para ter proteção miliciana. Quase no final, perguntou:
“Podemos condenar tais policiais que estão trabalhando ali para tentar
expurgar do seio de sua família criminosos que não têm recuperação
mesmo?”.

Como o então deputado havia dito logo no início do discurso, naquele
ano de 2007 as milícias eram “um assunto” muito “noticiado pela
imprensa”. Houve uma primeira tentativa da Assembleia de criar uma CPI
das Milícias. A tentativa foi retomada um ano depois, em 2008, e aí
deu certo. Foi instalada em junho daquele ano.

“Elas oferecem segurança”

Em março de 2008, seu pai, Jair Bolsonaro, era deputado federal e, em
uma entrevista à BBC, defendeu legalizar as milícias. “Elas oferecem
segurança e, desta forma, conseguem manter a ordem e a disciplina nas
comunidades. É o que se chama de milícia. O governo deveria apoiá-las,
já que não consegue combater os traficantes de drogas. E, talvez, no
futuro, deveria legalizá-las”, disse Bolsonaro.

O proponente da CPI que saiu do papel em 2008 foi Marcelo Freixo, hoje
deputado federal pelo PSOL. No requerimento de criação da comissão,
Freixo dizia: “Já em 2007 o estado (do Rio) reconheceu a existência
dessas autodenominadas milícias em 92 comunidades, com fortes indícios
de envolvimento de policiais, bombeiros e agente penitenciários. Fato
esse que torna ainda mais grave a situação e exige que o poder público
promova uma investigação séria e imediata”.

Em 11 de fevereiro de 2020, dois dias após Adriano ser abatido pela PM
da Bahia na condição de foragido da Justiça acusado de chefiar uma
milícia atuante perto de onde o clã Bolsonaro tem casa no Rio, Freixo
foi à tribuna da Câmara. “Não é possível que uma família de políticos
se relacione dessa maneira com milícia e com matadores. Isso é muito
grave. Ao lado do tráfico, a milícia opera o terror sobre a vida dos
mais pobres. Milícia é máfia.”

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, disse logo
depois de Freixo: “Eles ficam aqui construindo essa loucura e daqui a
pouco eles mesmo estão acreditando nessa loucura. Ficam aí inventando
milícia, Queiroz”.

Invenção? No simbólico ano de 2007, Flávio contratou para seu gabinete
o hoje PM sumido e aposentado Fabricio Queiroz. Este era amigo de Jair
Bolsonaro desde 1985. Quatro anos antes, Queiroz havia conhecido
Adriano da Nóbrega em quartéis da PM do Rio. Os dois ficaram próximos.
Até foram investigados juntos por um assassinato em 2003.

Em outubro de 2005, Adriano foi condenado em um tribunal do júri por
um outro homicídio. Jair Bolsonaro assistiu ao julgamento e depois
defendeu no plenário da Câmara a inocência do então tenente. Quatro
meses antes, Flávio havia proposto na Assembleia uma condecoração a
Adriano. Em 2003, ano em que Adriano e Queiroz conheceram-se, havia
proposto outra homenagem.

Em 2007, Flavio empregou na Assembleia a então esposa de Adriano,
Danielle Mendonça da Costa. Em 2015, empregaria a mãe, Raimunda Veras
Magalhães. As duas aparecem na investigação do Ministério Público (MP)
do estado do Rio sobre as “rachadinhas” no antigo gabinete de Flávio.
“Rachadinha” é aquela prática de um legislador embolsar parte do
salário dos funcionários.

No gabinete de Flávio, Danielle e Raimunda receberam 1,029 milhão de
salários. Desse total, diz o MP do Rio, depositaram, via transferência
bancária, 203 mil na conta de Queiroz. Parte do envio foi a partir de
contas controladas por Adriano, como as de duas pizzarias. Elas
sacaram ainda 202 mil em dinheiro, quantia que o MP desconfia que foi
entregue a Queiroz em mãos, para não deixar rastros.

Uma mensagem de celular de 4 de janeiro de 2018, descoberta pelo MP do
Rio em um celular de Danielle, sugere que os superiores de Queiroz
sabiam da arrecadação feita pelo ex-PM. Nessa mensagem, ele perguntou
a Danielle o valor que a Assembleia tinha pago a ela de salário.
Motivo da curiosidade: “Para eu prestar contas”.

Queiroz repassava essa arrecadação ao clã Bolsonaro? Em algum momento
entre 2016 e 2017, ele depositou 24 mil reais na conta da mulher do
presidente, Michelle. Jair Bolsonaro diz ter sido o ressarcimento
parcial de 40 mil emprestados ao velho amigo.

Foi com essa arrecadação que Flávio comprou imóveis, dinheiro lavado
com uma loja de chocolates, como desconfia o MP? É o que a
investigação da “rachadinha” tenta descobrir. Adriano da Nóbrega, o
miliciano morto, deixou 13 celulares para trás. Que segredos guardam
esses aparelhos?

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Movimento dos Internautas Progressistas do Estado do Rio de Janeiro

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