quarta-feira, 2 de setembro de 2020

POLÍTICA - O Casemiro Silva é melhor analista político do que muitos que existem por aí.



Por Casemiro Silva
Se tem uma certeza que eu tenho hoje é que 2022 será mais uma vez uma disputa entre PT e a direita golpista, seja ela com Bolsonaro sozinho ou todo mundo junto de novo. Se tem outra certeza que tenho é que, dessa vez, nós vamos ganhar. Temos tudo pra ganhar, se fizermos, obviamente, o certo. E qual é o certo? A primeira coisa é começar a se livrar das sequelas deixadas pela "geração 2013". Enterrar essa desgraça de uma vez por todas na nossa vida. Se livrar de suas pautas reacionárias, elitistas e libertarianistas é o primeiro passo para reconexão com uma parcela grande do povo que sempre esteve com Lula e Dilma. O segundo passo é não dar mais ouvidos à lábia da frente amplíssima com o "campo liberal expandido". Isso já está sendo feito e tem sido auspicioso ver Lula, Dilma e Gleisi afinados no fortalecimento do PT, para reta decisiva que já se abrirá no primeiro dia de 2021. O terceiro passo é começar a formular, antecipadamente, um discurso que faça sentido para a imensa maioria dos brasileiros.
Lula não ganhou a eleição em 2002 por tentar convencer o povo sobre "luta de classes", opressão do capital e por aí vai. Lula ganhou falando de tudo isso sem falar. Num momento em que esse país se via devastado pelo desemprego e a desesperança do projeto neoliberal tucano, Lula falou em emprego, feijão na panela e voltar a sorrir. Deu tão certo, que o povo confirmou isso de novo, depois mais duas vezes com Dilma, confirmaria com Lula pela quinta vez e, na rebarba, ainda daria uma moral pro Haddad. Em polo diametralmente oposto, Bolsonaro não faturou em 2018 por falar em "Estado Mínimo", "meritocracia" e o diabo a quatro. Num momento em que esse país estava devastado pelo ódio à política implantado, pela Globo, Lava-Jato e pela "geração 2013", eis que surge alguém espumando um ódio verde e amarelo, atirando pra cima e indo direto no coração de uma população intoxicada e querendo explodir a porra toda de algum jeito.
Eleição se ganha com uma "ideia-força", de acordo com o momento específico que uma nação atravessa. Até golpes se dão dessa forma, como esse que ainda vivemos. Eu acredito que a "ideia-força" para retomarmos esse país será mais uma vez ligada as condições materiais da população, aproveitando inevitavelmente, as contradições, do adversário.
1- No lugar de dizer Bolsonaro é fascista, que não respeita a democracia, etc_ é preciso bater na tecla de que Bolsonaro prometeu "combate à corrupção" e ele e sua família inteira são corruptos até o último fio de cabelo de Fabrício Queiroz.
2- No lugar de tentar ficar explicando que o Estado Laico é preciso mostrar que Bolsonaro se diz homem de Deus mas se juntou a toda sorte de Pastor trambiqueiro e assassino; e a imagem do Pastor Everaldo afogando a família num rio de dinheiro pode muito bem ser símbolo da campanha!
3- No lugar de amaciar o tema da segurança naquele academicismo de dar sono, é preciso mostrar que o malandro não fez nada porque era da vagabundagem também e ser firme, dar ao povo trabalhador o direito de se sentir protegido, de ver seus filhos irem e voltarem em segurança da escola.
É preciso apontar as principais contradições sem negar o que faz sentido para o povo. Não adianta querer inventar um povo que não existe, tem que trabalhar na realidade concreta. Não adianta querer ser elitista e empurrar temas complexos, é preciso ir direto e reto. E eu não tenho dúvidas de que a "ideia-força" que o PT terá que trabalhar será aquela que vai neutralizar o discurso mequetrefe do novo "pai dos pobres", o Getúlio Vargas de Rio das Pedras. É nesse terreno, depois de minar Bolsonaro, ponto por ponto, em cima das tragédias que ele diariamente produz, que o Partido dos Trabalhadores vai mostrar a população o que fez e o que tem ainda muito pra fazer. Sou um otimista incurável porque sei que existem as condições objetivas para isso. Mas volto a dizer: banana pra turma de 2013, esgarçar as contradições do mito de araque e trabalhar duro na ideia-força da renda, do emprego e do pão na mesa que é onde somos imbatíveis com serviços provados, comprovados, e ainda vivos na memória do povo desse país.

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