terça-feira, 10 de novembro de 2020

POLÍTICA - Esquerda fragmentada.

 

ESQUERDA FRAGMENTADA

Quero estar enganado, mas ontem saí do ato em solidariedade a Mari Ferrer convicto de que a esquerda não tem jeito. Ficava parado no meu canto observando a miríade de tendências presentes, suas posturas e ficava pensando que é impossível a unidade em torno de qualquer candidato para 2022.
Lula então só existia no broche que comprei no camelô. Nenhuma alusão ao presidente que certamente possibilitou acesso a educação de qualidade de boa parte dos jovens ali presentes, mas que não tinham a menor identificação com o único mandatário oriundo do povo, da tal decantada base que a esquerda tanto fala, mas não sabe nem onde fica.
É certo que boa parte dessa não identificação com a principal figura política do país é culpa do próprio PT que não doutrinou a população. Ao desleixo com essa tarefa fundamental, quem ocupou o espaço foram os pastores que disseram para o fiéis que “foi Deus quem te deu” e não um governo que tinha um projeto claro de ascensão social para a base da imutável pirâmide social brasileira.
Por esses motivos o PT também era minoria ontem e só ganhou visibilidade com a chegada da candidata à prefeitura, Benedita da Silva. O predomínio era do PSol, MRT, PCB, UP, aquelas meninas que se dizem “revolucionárias” em cima de uma perna de pau, meninos com malabares e até um grupo "revolucionário" com mulheres que gritavam sem parar ao lado do ato querendo confrontar o caráter pequeno burguês da manifestação “identitária”, mas isso é outra discussão que tornaria esse post ainda mais longo.
Continuo achando que a esquerda gasta mais energia falando mal da própria esquerda do que atacando seus verdadeiros inimigos. É certo que vivemos uma luta por protagonismo, de tentativa de superação do PT, de invisibilização do Lula, que entendo como o atestado de ignorância completa da esquerda, mas que é incentivado pela mídia oligárquica e comprado por grande parte do nosso campo.
As matérias do Fantástico de ontem (8/11), sobre desigualdade social sem citar o Presidente Lula e citando a Presidenta Dilma como responsável pela crise que aumentou a desigualdade e a matéria da Veja “Como a esquerda tenta se livrar do ex-presidente Lula” são instrumentos canalhas e eficazes da direita para a tentativa de desconstrução do PT e do Presidente Lula. É o que Jessé Souza chama de “esquerda colonizada culturalmente pela direita” e ela estava em peso ontem no ato.
A direita quer uma esquerda sem barba pra disputar com ela e perder de forma domesticada, mas esse não é seu objetivo final. O que eles almejam é o fim da esquerda ou sua redução à insignificância política para criarem um sistema onde caiba apenas a extrema-direita do Verme e a direita que sabe comer de garfo e faca do Dória ou com “novidades” como os farsantes Sergio Moro, e Luciano Huck. Tipo Republicanos e Democratas nos EUA.
Eu sigo com o meu “anacronismo” achando que a luta política prioritária do país, que seria uma luta de classes efetiva, seria pela anulação de todos os processos contra o Presidente Lula e a devolução imediata dos seus direitos políticos para que ele se candidate nas próximas eleições. Sendo bem sucedida, essa luta beneficiaria diretamente o pessoal das pautas identitárias que não conseguem enxergar o óbvio.

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