quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

POLÍTICA - PT saiu na frente.

 


O PT ‘escapuliu na ponta’

Por Armando Januário dos Santos*

Me lembro do Grande Prêmio de Fórmula 1 do Brasil, em 1991.

Ayrton Senna (1960-1994) até ali nunca havia vencido em seu próprio país e tinha pela frente esse desafio, que ele certamente considerava também uma obrigação.

Conseguiu se classificar em primeiro lugar para a largada, mas tinha bem próximo a si adversários muito poderosos. Senna largou exatamente como nas palavras do narrador: “vamo, Senna, larga bem, Senna, escapole na ponta!”

Senna ganharia aquela corrida – com problemas em seu câmbio que lhe deixaram nas últimas voltas somente com a sexta marcha –, o que lhe ajudaria a conquistar o tricampeonato mundial, vindo a ser considerado até hoje o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos.

No Brasil da atualidade, vários desafios se apresentam: temos uma crise econômica e política sem precedentes, além de um governo incapaz de lidar com a Covid-19, considerada por especialistas como a pandemia do século. Incapacidade não definiria o Governo Federal, tampouco aquele que ocupa a Presidência da República; ele demonstra limitação cognitiva para lidar com os obstáculos mais simples e total impossibilidade de continuar à frente do segundo país com maior número de mortes pela pandemia.

Com uma radical política neoliberal, o Brasil se encontra com mais de 14 milhões de desempregados e muitos sobrevivendo na informalidade.

Ainda assim, o governo despreza as pequenas e médias empresas, as quais empregam em maior número, priorizando o capital financeiro.

O desprezo do governo, na figura do atual presidente não é apenas na geração de empregos e distribuição de renda.

Ele se estende de maneira violenta na escolha e perseguição daqueles considerados inimigos: a imprensa, os progressistas, os povos originários, a população negra, travestis e transexuais… e a lista parece não ter fim.

O atual presidente é o principal promotor de ódio às minorias sociais, ou a toda pessoa que pense diferente dele, mesmo sendo do seu próprio campo político.

Ante esse estado de exceção implantado no Brasil e disfarçado de democracia, o segundo maior partido progressista do mundo decidiu oferecer a população uma alternativa para 2022, com o nome de Fernando Haddad (PT) como pré-candidato.

Isso causou discordância dentro do campo progressista, com lideranças questionando esse movimento político e esquecendo que o PT enfrentou praticamente sozinho a farsa chamada Lava Jato.

Isso divide o campo progressista, facilitando uma virtual reeleição do atual presidente da extrema direita.

Obviamente, todos os partidos progressistas têm direito de lançar pré-candidaturas, contudo, para longe da arrogância ou da virtude, o PT tem, pela sua história e por ser, quando ocupou a Presidência, de acordo com a ONU, o governo que mais e melhor combateu a fome e a miséria, distribuindo renda como jamais havia ocorrido na história da República Nova – e possivelmente, na história brasileira – a obrigação de ‘escapulir na ponta’ e ser o primeiro partido de esquerda a indicar um caminho para a retomada do crescimento econômico, dos empregos e da cidadania plena.

Não nos esqueçamos, porém, que a melhor forma de derrotar o fascismo em 2022 é construir uma Frente Ampla de Esquerda.

A liderança dessa frente deve ser amplamente discutida com a sociedade civil organizada, com os movimentos sociais e com setores do empresariado brasileiro que já perceberam a tragédia provocada por um certo capitão da reserva do Exército e seu grupo terraplanista, anticiência e negacionista.

Nesse cenário, o PT ‘escapuliu na ponta’, acenando a todos os partidos de esquerda como é fundamental a unidade para destroçar o autoritarismo.

*Mestrando em Psicologia pela UFBA. Psicólogo graduado pela UNEB e Graduado em Letras com Inglês pela mesma instituição. Pós-graduado em Psicanálise; em Gênero e Sexualidade; e em Literatura. Autor do livro Por que a norma? Identidades Trans, Política e Psicanálise. Instagram: @januario.psicologo

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