Minha mãe tinha saído de uma cirurgia para a retirada de um tumor na véspera. Era dia das mães de 2019 e eu só queria um pouco de paz com minha família, nos merecíamos.
Organizei um almoço e quando o interfone tocou meu celular já havia sido invadido.
Lembro de meu estômago contraído quando li a pessoa me dizer que ia ajudar o Brasil, provando a suspeição de Moro.
Lembro de Duca me dizendo para fazer o certo mesmo que isso nos colocasse em risco.
Lembro de Glenn me dizendo que sim, eram coisas quentes.
Lembro do tempo longe, da sensação que estava tudo bem, do dia em que meu nome surgiu, nossa família se despedindo na porta do apartamento e eu tentando sorrir diante de uma incerteza tremenda sobre o futuro.
Lembro do medo.
Lembro do medo quente da morte, o medo que minha filha não se lembrasse de mim, o medo que eu não a visse crescer.
Lembro da Gabi, da disposição de me pegar pela mão para voltarmos.
Lembro do depoimento na PF, do celular entregue, das ameaças, das fakenews, de todos os dias sem nenhuma segurança.
só tive o medo, minha família, meu advogado e amigo Zé Eduardo e poucos outros amigos como companhia.
Acabou.
Moro é suspeito.
Valeu a pena.
Nos já sabíamos.
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