quarta-feira, 24 de março de 2021

Você compraria um carro usado do Dr. Moro?

 

 

 
Você compraria um carro usado de Sergio Moro?
 
Quarta-feira, 24 de março de 2021
 
 
Sete anos depois da primeira ação da operação Lava Jato em Curitiba, cinco anos depois da condução coercitiva do ex-presidente Lula e três anos depois da sua prisão, o Supremo Tribunal Federal avaliou que o juiz era suspeito.
 
O que os ministros decidiram foi que Sergio Moro não tinha a imparcialidade que um juiz deve ter ao julgar um réu, que tinha interesse na decisão do caso e que agia, em muitos casos, como acusação. A pergunta do título deste e-mail, sobre o carro usado, foi feita pelo ministro Gilmar Mendes ao questionar a confiabilidade de Moro. Entenda aqui o que motivou a mudança decisiva de voto da ministra Cármen Lúcia que fez o julgamento terminar em três votos a dois pela suspeição.
 
A demora na decisão do STF prejudica pessoalmente o ex-presidente, que ficou preso durante mais de um ano, mas tem impactos muito maiores na política nacional e na vida da população brasileira. Em 2018, Lula era considerado favorito na disputa à Presidência, mas foi impedido de concorrer por ter sido condenado por Moro na Lava Jato. O resultado todos sabemos: Jair Bolsonaro foi eleito, Moro virou ministro (e ainda havia quem duvidasse da sua suspeição!) e hoje o país enfrenta as consequências da política de morte levada a cabo pelo presidente, como mostrou o repórter Daniel Giovanaz aqui.
 
João Paulo Rodrigues, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), destacou exatamente o impacto político de o julgamento ter sido conduzido por um juiz parcial, em uma conversa com o Brasil de Fato logo depois do julgamento. “A Lava Jato ajudou a construir um debate terrível na sociedade em torno do ódio”, disse. A live teve a participação também do jurista Marcelo Uchôa, que é especialista em direito penal, e você pode assisti-la na íntegra aqui.
 
E foi só acabar o julgamento que tivemos uma demonstração das consequências da Lava Jato. Jair Bolsonaro, cuja eleição foi beneficiada pelo processo, fez um pronunciamento de rádio e TV (será que pressionado pela elegibilidade de Lula?) para falar sobre vacinação e mentiu em rede nacional sobre as ações do governo. A resposta foi imediata: nunca antes na história deste governo houve um panelaço tão forte pelo país. Você pode conferir aqui como foi e o que disse o presidente.
 
Olhando para tudo isso, nós estamos aqui coçando a cabeça com uma dúvida: será que a gente (e você que nos lê) já teria sido vacinada se Bolsonaro não fosse presidente?

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