sábado, 14 de agosto de 2021

"Uma nova guerra como nenhuma outra".

 


Uma nova guerra como nenhuma outra, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O bonapartismo militar computadorizado gringo provocará a queda dos EUA? Bem... isso é o que nós veremos em breve

Cidade de Kandahar, a segunda maior do Afeganistão, tomada pelo Talibã. | Foto: AFP

Os guerrilheiros talibãs avançam sobre Cabul. Cenas de terror na Embaixada dos EUA no Afeganistão

Já vi algo parecido: a vergonhosa corrida dos soldados dos EUA para sair do Vietnam. Mas ninguém pode dizer que o capital foi derrotado. As guerras do Vietnam e do Afeganistão garantiram o aumento das despesas militares e os lucros dos donos do complexo militar industrial gringo.

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No passado a guerra era uma continuação da política por outros meios. Desde a década de 1960, ela foi transformada numa continuação da economia por outros meios. O resultado político da guerra é irrelevante, pois o conflito é apenas uma forma de continuar lucrando com a morte.

O sofrimento imposto ao país invadido (e às famílias dos soldados dos EUA que morrem e são mutilados na guerra) não entra no cálculo político, orçamentário e econômico. Ele é apenas um subproduto dos negócios lucrativos que provocam novas guerras ou até mesmo a guerra permanente.

Mas algo diferente está ocorrendo, pois no exato momento em que fogem do Afeganistão os EUA enviam tropas para o Iêmen. Essa nova invasão militar gringa ocorre sem qualquer oposição da imprensa e da população norte-americana.

A derrota ou a vitória já não causam qualquer reflexão ou impacto político nos EUA. O conteúdo humano parece ter sido completamente removido do cenário militar. Talvez esse seja o primeiro indício claro de que o Pentágono já é comandado por uma Inteligência Artificial. 

As máquinas não derrotaram a humanidade (hipótese do filme Terminator). Foram os próprios humanos que transformaram a guerra num jogo de guerra informatizado auto-suficiente capaz de deslocar tropas. 

Napoleão começou a chegar ao fim quando resolveu deslocar seu imenso exército multinacional para a Rússia sem levar em conta as consequências de uma derrota. O bonapartismo militar computadorizado gringo provocará a queda dos EUA? Bem… isso é o que nós veremos em breve. 

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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