Como a Lava Jato abriu espaço para a maior corrupção da história, por Luis Nassif
Seja qual for o resultados das eleições, se terá uma nação destroçada, poderes desmoralizados e uma luta intestina que acabará por expor o país a qualquer aventureiro atrevido.
Ontem, viu-se um pouco do Brasil legado pela Lava Jato.
Com todos seus defeitos, PSDB e PT tinham uma estrutura de governabilidade, representada pelo respeito aos funcionários de carreira em áreas sensíveis – como educação, saúde, Banco Central, Secretaria do Tesouro Nacional e pelo enquadramento pelos poderes. Uma denúncia da mídia tinha o condão de definir limites aos malfeitos.
A fragilidade do modelo presidencialista fez com que, em várias ocasiões, governantes apelassem para relações espúrias com o Centrão. Foi assim com Fernando Henrique Cardoso, na crise do segundo mandato; e com Lula, após a tentativa de golpe do “mensalão”.
A Lava Jato destruiu totalmente essa estrutura de governabilidade, graças à irresponsabilidade institucional de Ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Luís Roberto Barroso, Luiz Edson Fachin e, até um determinado momento, Gilmar Mendes.
Ao abrirem espaço para as arbitrariedades da Lava Jato, ao atuarem politicamente, eles não apenas abriram caminho para o golpe do impeachment, como produziram um notável segaste no STF, no Ministério Público Federal e no próprio sistema de justiça.
Conseguiu-se eliminar uma corrupção localizada em algumas diretorias da Petrobras e entregar o país ao controle do mais amplo processo de corrupção institucionalizada. Praticamente eliminaram-se todos os freios e contrapesos deixando o país à mercê do mais deletério grupo político da história.
Isso foi possível quando a atuação dos Ministros do STF colocou na presidência da República o Centrão, como ator principal, através de seu mais notório representante, o deputado Michel Temer.
Hoje em dia, a Câmara é dominada por Arthur Lira, Ricardo Barros e Ciro Nogueira, não mais como coadjuvantes, mas como comandantes principais do jogo político, assim como Valdemar Costa Neto e outros da mesma natureza.
No Superior Tribunal de Justiça, todos os abusos do bolsonarismo têm sido relevados pela influência de João Otávio Noronha. No Supremo, laivos de autonomia são contidos pela atuação perniciosa do presidente Luiz Fux.
Hoje em dia, todas as tentativas de se criar um mínimo de freio aos abusos do bolsonarismo esbarram em duas pessoas: o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o Procurador Geral da República, Augusto Aras.
Há um desmonte institucional como nunca se viu, na Educação, nos bancos públicos, nas políticas sociais, enquanto a miséria se aprofunda de forma inédita.
Pior, não há nenhum sinal de que instituições, mídia, tenham aprendido com a tragédia bolsonarista.
Seja qual for o resultados das eleições, se terá uma nação destroçada, poderes desmoralizados e uma luta intestina que acabará por expor o país a qualquer aventureiro atrevido.

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