sábado, 29 de janeiro de 2022

The Intercept_Brasil: Ameaça em Camboriú.

 

Sábado, 29 de janeiro de 2022Ameaça em Camboriú: fim da história

Um pedido de desculpas.

Vocês leram aqui nesta news sobre a ameaça que eu e minha família sofremos na rua em Balneário Camboriú. Um cidadão nos seguiu e nos abordou durante uma caminhada em meio às nossas férias. Os detalhes estão aqui.

Imediatamente após o fato, a Polícia Civil da cidade foi atrás do suspeito. Com ajuda de imagens acessadas pela jornalista Dagmara Spautz, os agentes conseguiram localizar o homem. Ele prestou depoimento alguns dias atrás. Pressionado pela polícia a explicar o motivo da abordagem, desconversou. Inicialmente, disse que não sabia por que tinha tomado aquela atitude; depois, disse não lembrar do que tinha dito. Por fim, admitiu a abordagem e pediu desculpas.

Conversei com os advogados do Intercept e também com o pessoal que cuida da minha segurança. Desde o começo do caso, nossa intenção era descobrir se o ataque tinha sido deliberado, se o cidadão era perigoso e se estava conectado a algo que demandasse mais cuidados e apurações. Pela investigação da polícia, não é o caso. A conclusão do delegado é que se tratou de um ataque isolado, covarde e de oportunidade.

A exposição do caso foi enorme e, quero acreditar, profilática. Mostrou a qualquer pessoa que planeja repetir esse tipo de comportamento: vocês serão encontrados para dar explicações, e serão investigados. Ninguém ficará impune.

Tenham certeza de que já ouvi coisas horríveis na internet e fora dela. Pessoas já me abordaram na rua para me dizer, por exemplo, o quanto “me odeiam”. E tudo bem. Não é das coisas mais agradáveis de se ouvir, mas está dentro das regras do jogo. Ninguém é obrigado a gostar de mim. Coisa muito diferente, no entanto, foi o que aconteceu em Santa Catarina. Que o caso sirva de exemplo a quem desejar cruzar a linha.

Sei que muitos de vocês desejam que eu exponha o nome e a imagem da pessoa que nos ameaçou, mas decidi não fazer isso. Confiando na conclusão da polícia, quero acreditar que o constrangimento já serviu de lição. Não se trata, aparentemente, de alguém potencialmente organizado e perigoso, mas apenas de um covarde oportunista. A exposição do nome e da imagem poderiam ser vistas apenas como revanchismo, além de possibilitar a vitimização do agressor. O caminho fácil pro martírio e pra mitomania clássicos das redes sociais de extrema direita. Vocês bem sabem o quanto o pessoal que criticava o “mimimi” gosta de fazer escada em um mimimi. Não vou ser parte da construção de um novo herói da pilantragem.

Agradeço imensamente o apoio de todo o público do Intercept. Sem vocês, certamente, tudo seria mais difícil. E tenham certeza que estaremos vigilantes.

Um abraço,

Leanro DemoriEditor-Executivo

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