Ação popular na cidade italiana que concedeu cidadania a Bolsonaro pede anulação na Justiça
05/02/2022
O presidente Jair Bolsonaro recebe das mãos da prefeita Alessandra Buoso o título de cidadão honorário do município de Anguillara Veneta, na Itália, em foto de Alan santos / PR. Ao fundo, habitantes da cidade protestam contra a honraria concedida | Sobreposição de imagens
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
Moradores de Anguillara Veneta querem que a honraria seja declarada “ilegítima ou nula, pois a identidade e imagem da prefeitura foram lesados“.
Uma ação popular está sendo movida na Justiça por moradores da cidade italiana Anguillara Veneta, que concedeu ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, o título de cidadão honorário, bem como pelo Partido Europa Verde. Eles pedem que a honraria seja considerada “ilegítima ou nula, pois a identidade e imagem da prefeitura foram lesados após terem sido associadas a expressão de valores conflitantes com os valores históricos, tradicionais e culturais do município“.
A cidade representa a origem genealógica do presidente, de onde seu avô, Vittorio Bolzonaro, partiu com sua família para estabelecer-se no Brasil em meados de 1878.
O documento de 23 páginas denuncia a prefeita Alessandra Buoso bem como oito vereadores do pequeno município que desde 1993 tem o título de “cidade da paz e dos direitos humanos“.
Antes da visita do presidente do Brasil, eles se reuniram e aprovaram a proposta ao mesmo tempo em que já ocorria um protesto contra o pedido da liberação de € 9 mil (R$ 58 mil) para receber “uma delegação estrangeira” na cidade de apenas 4 mil habitantes que atravessa uma crise econômica, conforme noticiou o jornalista Jamil Chade, no UOL. Buoso e aliados acabaram bancando tudo.
Religiosos, a ala moderada dos políticos locais, sindicatos e outros grupos tentaram impedir que o projeto fosse adiante, mas a realização de um almoço destinado a um seleto grupo de convidados da prefeita acabou acontecendo em um local fora do centro e longe dos olhares dos habitantes da cidade, indignados.
Chade relata que a cidade fervia com o assunto desde antes da chegada de Bolsonaro, em tumulto iniciado em 25 de outubro, quando da aprovação da premiação ao presidente que, no dia seguinte, teve seu nome destacado em manchetes de jornais locais e nacionais por ter sido denunciado na CPI da Covid por sete crimes. A sede da prefeitura de Anguillara Veneta amanheceu suja com bosta e pichada com a frase “Fora Bolsonaro“.
Um dos signatários da ação afirmou, segundo o texto do jornalista, que “é muito perigoso se basear somente na origem italiana para conceder a cidadania honorária, isso abre um precedente enorme porque uma outra prefeitura poderia dá-la, por exemplo, a Milosevic ou um outro ditador qualquer, bastaria que tivesse parentes aqui”.
“A prefeitura não apresentou praticamente nenhuma solida razão que explicasse o motivo pelo qual Bolsonaro merecia receber a homenagem, disse apenas que era um desejo de Bolsonaro e que seus parentes vieram daqui”, alegou.
Segundo Chade, o eurodeputado do partido Europa Verde, Angelo Bonelli, afirmou que Bolsonaro não tem requisitos para ter recebido a cidadania honorária, pois “ele causou a morte de 600 mil pessoas, a maioria índios, e que levou o Senado brasileiro a votar a favor de indiciar o presidente por crimes contra a humanidade“.
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