Bolsonaro foi aconselhado a parar, mas entrou no jogo do ‘tudo ou nada’. Não há mais o que fazer: IMPEACHMENT

07/09/2021  Por REDAÇÃO URBS MAGNA
Bolsonaro foi aconselhado a parar, mas entrou no jogo do ‘tudo ou nada’. Não há mais o que fazer: IMPEACHMENT

O PRESIDENTE JAIR BOLSONARO, EM SÃO PAULO, NESTE 7 DE SETEMBRO. FOTO: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

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A avaliação é consensual entre analistas, cientistas políticos e críticos de sua gestão e performance pessoal. No 7 de setembro, o presidente deu a demonstração que faltava para todos aqueles que sempre foram contrários ao processo de afastamento

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi muito aconselhado por governistas a cessar seus ataques contra o Supremo e o Congresso, mas resolveu entrar no jogo do ‘tudo ou nada’. O presidente, que nunca teve um bom desempenho na cadeira que ocupa, deu uma guinada em seu comportamento a partir da percepção de que sua reeleição estava ameaçada, desde que o ex-presidente Lula teve seus direitos políticos recuperados na Justiça. Agora, com a tensão criada entre os poderes por conta das falas de Bolsonaro, não há mais o que fazer. Ficou claro para as fileiras que sempre foram contrárias ao processo de afastamento de qualquer presidente da República que só o que pode parar Bolsonaro neste momento é o impeachment.

Bolsonaro não governa. Não tem planos para o país. Como disse Lula em seu discurso na segunda (6), o feriado da Proclamação da República sempre foi usado em favor de seu povo; para apresentar propostas e causar a felicidade geral. Mas, justamente na mais importante data comemorativa brasileira, o 7 de Setembro, o presidente do Brasil envergonha o mundo com seus delírios golpistas sem golpe nenhum. Vira chacota internacional. Afugenta investidores. Vive em um mundo pessoal ignorando o que está a apenas um metro do lado de fora de sua cabeça; como um transe que o cega para a realidade. Como disse Natuza Nery, da GloboNews, Bolsonaro deu hoje sua prova mais cabal de que está totalmente desconectado com a vida real dos brasileiros.

Segundo a jornalista, “o primeiro efeito colateral do discurso golpista do presidente, hoje [7 de setembro] foi aumentar as fileiras daqueles que antes não queriam apoiar um processo de impeachment (…) mas agora avaliam que Bolsonaro não vai parar”, disse Natuza. “Bolsonaro foi para o tudo ou nada porque ele não tem mais nada a perder. O governo dele acabou (…) porque não tem nenhuma capacidade gerencial, porque a economia está despencando e o governo é incompetente para dar uma resposta que resolva a vida dos brasileiros”.

“O presidente Bolsonaro levou milhares de pessoas às ruas hoje para exigir a saída de um ministro do Supremo”, afirmou a jornalista. “O Brasil que passa fome não estava em Brasília nem na Avenida Paulista. O Brasil que está desempregado não estava em Brasília nem na Avenida Paulista. O Brasil que está com medo de perder o emprego, porque sua empresa está vendendo muito menos porque a economia está no chão, não estava na Avenida Paulista e não está sequer pensando em Alexandre de Moraes, em ministro Barroso, Luiz Fux, Supremo Tribunal Federal… essas pessoas querem vida real”, disse.