Chegamos ao tão esperado 7 de setembro de 2021. Suspeito que, assim como a galera aqui da nossa redação, você esteja com certa apreensão do que pode acontecer hoje. Por isso resolvi enviar essa mensagem.
Quero sugerir duas linhas de raciocínio e te fazer uma promessa. Não precisa se preocupar: não vou fazer previsões, porque a verdade é que ninguém faz ideia de como esse dia pode acabar.
A primeira coisa pra qual quero chamar atenção é que não podemos nos esquecer jamais que nós somos a maioria. Sim! A parcela de brasileiros que deseja Jair Bolsonaro fora do Planalto e os generais de volta à sua insignificância compõe a maioria da população. Todas as pesquisas demonstram que o governo está em frangalhos, patinando em meio à fome, inflação, ao desemprego – uma gestão genocida da pandemia e o desmonte de tudo quanto é serviço público.
O bolsonarismo passou as últimas semanas operando uma narrativa que articula pânico e ousadia. Infelizmente, teve sucesso. A estratégia funcionou porque hoje o país todo está em compasso de espera. Não há quem duvide que eles colocarão muitas pessoas nas ruas. Mas, sem deixar de reconhecer a demonstração de força, não podemos nos deixar levar pelo jornalismo declaratório que há dias repete ameaças golpistas. Nós somos a maioria e não vamos deixar o país nas mãos dos tais 25% de lunáticos que estão incondicionalmente com o ex-capitão.
Também quero te dizer que o 7 de setembro não se encerra hoje. Essa é uma longa corrida, não é de tiro curto. Bolsonaro sabe que um golpe não para em pé. Ainda. E sabe que tentar romper a ordem é a única saída para não ser defenestrado da política e pagar pelos crimes que cometeu (assim como seus filhos). Ou seja: há muito jogo pela frente. O STF está se movimentando, a sociedade civil também e o jornalismo está mais vivo do que nunca.
Este é o segundo ponto que gostaria de ressaltar hoje: não importa o tamanho da multidão em São Paulo ou em Brasília, nós temos um caminho a percorrer e não podemos desviar dele. Que caminho é esse? Mobilizar a sociedade e a Justiça com foco em derrotar Bolsonaro. A extrema direita não desaparecerá do país em 2023. Mas derrubar e prender Bolsonaro é o primeiro e mais importante passo.
Esse é meu pedido para a redação do Intercept desde o dia 1 de janeiro de 2019. O que nós podemos fazer para contribuir com todos aqueles que estão lutando contra as forças do mal? Como podemos apoiar o enfrentamento da pandemia? Como ajudamos na luta dos indígenas contra o marco temporal? De que maneira o nosso trabalho pode ser instrumento para que congressistas, pesquisadores e militantes mexam as peças do jogo?
Vou dar um exemplo rápido: há muito tempo fazemos uma cobertura que é única no país sobre a relação entre as gigantes de tecnologia e o crescimento da extrema direita. Denunciamos como essas empresas irrigam as redes de direita e lucram com isso, sobretudo o Google. Sempre chamamos atenção para o fato de que era preciso atacar o ecossistema que eles construíram.
Na nossa última newsletter de sábado mostramos como o STF e a PF finalmente têm ido pra cima deles. As investigações ligadas aos atos de hoje revelaram que apenas 12 canais investigados receberam do Google mais de R$ 6 milhões em anúncios no YouTube em apenas dois anos. Como viemos alertando há tempos: é muita grana e é preciso desmantelar essa rede.
Eles têm uma enorme capacidade de mobilização de recursos. É urgente cortar essas fontes de financiamento do golpismo. Assim como é necessário fortalecermos financeiramente as nossas redes de informação e investigação. Sejamos francos: sem recursos para viagens, advogados, produção e edição fica muito difícil fazer qualquer coisa.
Feita a digressão com um exemplo prático do que estamos fazendo, quero te dizer em nome de toda a redação do Intercept que desejamos que seu feriado seja um dia de descanso. Esperamos que você e seus familiares estejam bem, protegidos e firmes. Não esqueça de que somos maioria e que não vamos nos deixar acuar.
Pode aproveitar o dia com a tranquilidade de quem sabe que o jornalismo independente nunca está parado. Da nossa redação, das nossas casas e das ruas estamos trabalhando com foco e coragem.
Peço que acompanhe o que vamos publicar nos próximos dias. Antecipamos para terça nosso programa no YouTube, Cama de Gato, que costuma ir ao ar às quartas, em um episódio que falou sobre as manifestações. Sugiro que você assista e se inscreva no canal para não perder os próximos. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário