quarta-feira, 13 de abril de 2022

Brasil de Fato

 


 
Brasil de Fato
 
Novos escândalos no governo que se diz “sem corrupção”
 
Quarta-feira, 13 de abril de 2022
 
 
O timing do escândalo envolvendo a compra de Viagra e próteses penianas pelas Forças Armadas, em uma gestão que turbinou os gastos do Ministério da Saúde com militares, parece quase favorável para o governo. As novas manchetes desviam a atenção de denúncias graves envolvendo o MEC e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação: pastores lobistas, superfaturamento na compra de ônibus escolares, kits de robótica para escolas precisando de infraestrutura e até construção de “escolas fake”.
O governo fez o que pôde para tentar abafar a instalação da CPI do MEC no Senado, mas acabou derrotado. Questionado sobre as denúncias envolvendo verbas da Educação, Bolsonaro insiste em dizer que “acabou a corrupção no Brasil”. Mas a gente sabe que não é bem assim.
Em entrevista ao Brasil de Fato, o advogado Nuredin Ahmad Allan, da Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia (ABJD), foi taxativo: “o que a gente deve medir é a maneira como cada governo tenta investigar, combater, repreender, reprimir e eliminar a corrupção”. Justamente o oposto do que Bolsonaro tenta fazer quando impõe sigilo a documentos oficiais, interfere no comando de investigações, investe no orçamento secreto para ganhar apoio do Centrão e empenha milhões de reais em compras sem licitação. Você pode conferir uma lista de casos desse tipo em nossa reportagem.
Bolsonaro agora se inspira em Lula?
Como forma de buscar apoio popular às portas de uma eleição em que o favorito é o ex-presidente Lula, Bolsonaro propõe medidas criadas e implementadas… por Lula. Começou com o Auxílio Brasil, uma forma de tentar apagar a marca petista do Bolsa Família. Depois, perdoou dívidas de estudantes com o FIES, o que era uma proposta de Lula para as eleições. E em março, Bolsonaro anunciou uma redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), algo que Lula fez em 2008.
Essas medidas vão na contramão da política de rigidez de gastos adotada por Bolsonaro e Paulo Guedes, mas o problema não é esse. O problema é que o Auxílio Brasil mira diretamente nas eleições, e termina em 2022. Já a redução de IPI feita por Lula foi uma forma de evitar que a crise econômica de 2008 se instalasse no Brasil – e agora já vivemos um cenário de crise profunda, com uma inflação que não irá embora tão cedo e ameaça as vidas das pessoas mais pobres.
Mobilização indígena
Termina hoje a edição 2022 do Acampamento Terra Livre, a maior mobilização indígena do país. O ATL 2022 reuniu em Brasília cerca de oito mil indígenas de cerca de cem diferentes povos. Eles marcharam para denunciar a violência do garimpo ao Ministério de Minas e Energia, se somaram aos atos #BolsonaroNuncaMais que movimentaram diferentes capitais no sábado, e contaram com a solidariedade da reforma agrária na cozinha que ofereceu toneladas de alimento diariamente. Na manhã de ontem, Lula visitou o acampamento e comprometeu-se com uma pauta de defesa dos direitos indígenas. Enquanto isso, o presidente da Funai disse que os “garimpeiros são tão vítimas quanto os Yanomami” depois que um relatório denunciou como o garimpo ilegal causa fome, doenças, morte e exploração sexual em território Yanomami.
 
 
Presidente substituiu Bolsa Família, anunciou redução de imposto e perdoou dívidas de estudantes após fala de Lula. Confira
 
No BDF Entrevista desta semana, ativista fala ainda sobre o Marco Temporal: "excrescência jurídica". Leia, escute e assista aqui.
 
Conhecido como Direito das Águas, o tema foi abordado na Constituição de países como o Equador, A Bolívia e o Chile.

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