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domingo, 18 de dezembro de 2016

PETRÓLEO - Produção do pré-sal atingiu 1 bilhão de barris.


Os heróis vencem porque teimam. Os canalhas, só cedem

salmanov
O Brasil alcançou, esta semana, uma grande conquista. O petróleo produzido no pré-sal atingiu um total já extraído de 1 bilhão de barris,  seis anos após a entrada do primeiro sistema de produção na Bacia de Santos, no campo de Lula.
A régua para medir o tamanho deste feito: no  Golfo do México, levou-se  14 anos após o início da produção; no Mar do Norte, oito anos. Aqui, a salvadora Bacia de Campos só chegou ao bilhão de barris depois 15 anos de produção.
Paulo Metri, incansável batalhador pelo Brasil, envia-me um texto que faz justiça ao herói esquecido desta proeza nacional. Um homem, simples, a quem conheci  num de uma banco da estação, distraído na leitura e de quem me aproximei com um tímido: com licença, o senhor não é o Dr. Guilherme Estrella?
Era, é e será para sempre, ao menos na memória dos que acreditam no Brasil.
Estrella, como um Lobato do século 21, e sua equipe de técnicos da Diretoria de Exploração da Petrobras teimaram em levar as sondas a uma profundidade impossível na Bacia de Santos, onde 30 anos de prospecção jamais tinham achado jazidas comercialmente viáveis de petróleo.
Não é da teimosia tola, da convicção fácil do que se fala, mas da profunda, aquela que soma conhecimento, técnica e consciência do valor social daquilo que se faz.
Tive outras oportunidades de encontrar Estrella e os minutos morosos das barcas já me proporcionaram encantamentos – que muitos considerariam tolice – como o de  receber uma aula sobre o processo, perdido há milhões de anos, de vida e morte de camadas de algas que permitiram o gigantesco acúmulo de óleo. Cinco, seis, até sete quilômetros abaixo da linha do mar.
E, com minhas insuficiências, a honra de ter podido participar de um debate com ele sobre os destinos do pré-sal, na TVT.
Nas “comemorações” da marca de um bilhão de barris do petróleo que Estrella descobriu, não sei se tiveram a grandeza de convidá-lo. Nem sei se ele estaria, como tinha o direito de estar, ao lado de gente que não teima, mas cede. Cede o que não é seu, mas do povo brasileiro, porque entrega uma riqueza que poderia ser redentora ao controle de quem nos escraviza.
Pouco importa. Meus netos, um dia, lhe darão homenagem maior, com um simples “obrigado, Estrella”.

Como o Brasil trata seus heróis

Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia
A história de Guilherme Estrella lembra a do também geólogo Farmam Salmanov, um cidadão azeri, que procurou petróleo em Surgut, na Sibéria, ao longo das margens do Rio Ob. Ele buscava petróleo sobre a tundra siberiana.
Moscou o havia proibido de procurar petróleo na região por achar impossível encontrá-lo neste local. Ele cortou todas as comunicações para não ter que desobedecer às ordens e, acreditando em suas concepções geológicas, continuou a prospectar.
Em determinado momento em 1961, jorrou petróleo e ele mandou um telegrama para Krushchev dizendo: “Encontrei petróleo. Farmam Salmanov.”
No meio da Guerra Fria, este telegrama lacônico influenciaria o jogo de poder mundial a favor da URSS.
Nikita Krushchev festejou a descoberta e, por este feito, Salmanov veio a receber o título de herói do trabalho soviético e o premio Lenine. Este petróleo ajudou muito a manutenção do poder da União Soviética.
A constância de apoio ao que acreditava, qual seja a existência de petróleo na camada do Pré-Sal brasileiro, levou ao sucesso o grupo da Petrobras comandado por Estrella.
Infelizmente, bem desigual é o tratamento que Estrella recebeu e ainda recebe no Brasil, hoje, da parte do governo. O Jornal Nacional (JN) chegou ao ponto inacreditável de relacioná-lo aos desvios ocorridos na Petrobras. Logo ele, um técnico íntegro e nacionalista. Pelo menos, neste caso, o JN teve a grandeza de reconhecer seu erro, o que ocorreu na edição de 09/02/2015.
Contudo, a reverência do nosso governo ao ilustre brasileiro, até hoje, não ocorreu. Entidades dos engenheiros e da Engenharia, a Academia, Mídias alternativas, Sindicatos e demais representações conscientes da sociedade já o reverenciaram. Certamente, este governo que, indevida e fatidicamente, está instalado na Presidência não irá homenageá-lo, inclusive porque gostaria que o Pré-Sal tivesse sido descoberto por uma petrolífera estrangeira.
Mas ninguém irá tirar o mérito de Guilherme Estrella, o cidadão que coordenou a equipe da Petrobras que descobriu o Pré-Sal. É um herói nacional. A grande diferença é que a União Soviética era um Estado soberano e o Brasil atual não é e está tomado por proxenetas do capital internacional.

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