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terça-feira, 6 de junho de 2017

ESPIRITISMO -


Diálogo com o Espírito Miramez gravado em vídeo
por Marcos Villas-Bôas

Uma das formas básicas pelas quais um estudioso espírita deve atuar é, evidentemente, dialogando com Espíritos para que possa, com intenções de instrução e caridade, levantar informações sobre o mundo espiritual e a própria dimensão da Terra, onde nós, encarnados, vivemos.


 
Essa prática, que pode ensinar muito sobre leis físicas e morais, ajudando-nos a melhor aplicá-las, felizmente vem crescendo aos poucos entre os espiritualistas. Ela era, aliás, a base do estudo de Allan Kardec e sustentou toda a codificação.
Quando o estudo é sério e de intenção nobre, é quase certo que bons Espíritos apareçam para ajudar. Essa afirmação se comprova, aliás, pelo fato de Espíritos elevados se disporem a participar de entrevistas com os encarnados, gravadas, inclusive, em vídeo:

Continuando o seu já renomado e exitoso programa “Diálogo com os Espíritos”, por meio do qual vem realizando há alguns anos dezenas de entrevistas com seres desencarnados via médiuns, o estudioso Jefferson Viscardi, mestre e doutor pela Universidade de Ciências Metafísicas da Califórnia, entrevistou o Espírito Fernando Miramez de Olivídeo, que trabalha com médiuns brasileiros faz muitos anos, tendo escrito, por exemplo, inúmeros bons livros espíritas pelo médium João Nunes Maia.
Uma análise séria das dezenas de vídeos publicados por Jefferson não parece deixar dúvidas sobre a autenticidade das suas entrevistas espirituais. Examinando com cuidado os diálogos nos vídeos, os diferentes médiuns, os distintos Espíritos que se manifestam, percebe-se que, nem se os médiuns fossem todos atores espetaculares, não seria possível produzir entrevistas com tamanha realidade e com informações tão ricas.
A médium do vídeo é a experiente Maísa Intelisano. Uma forma de analisar a qualidade e a idoneidade de um médium é pelas manifestações de diferentes Espíritos, buscando entender quanto nas manifestações decorre de interferências do médium e quanto vem do próprio Espírito. Vale a pena, por exemplo, comparar o trabalho de Maísa nas manifestações mediúnicas do Espírito Miramez e do Exu Tatá Caveira, um Espírito da umbanda:

Concluir que, no segundo caso, Maísa fica fumando charutos e interpretando um papel tão bem por 2 horas parece pouco racional. Ainda que isso fira de morte as crenças de muitos, é mais razoável concluir que ela está acoplada mediunicamente a uma inteligência invisível, até porque é isso o que ela afirma e, em se tratando de uma pessoa respeitada, que não ganha dinheiro com esse trabalho, fica difícil duvidar dela.
Quanto ao vídeo que é o foco deste texto, fica a critério de cada um acreditar ou não que aquele é o Espírito Miramez. O que parece falar em benefício da veracidade da comunicação com esse Espírito superior é, primeiro, já existir um relacionamento antigo entre ele e a médium, que Miramez chama tantas vezes durante o diálogo de seu “aparelho”.
Maísa Intelisano tem contatos espirituais com Miramez, seja por psicofonia (oral), seja por psicografia (escrita), desde o final do século XX. Ela mesma informa ao final do vídeo, gravado em 2013, que já mantinha contato com ele havia mais ou menos 15 anos e a prática foi aperfeiçoando as manifestações. Uma mensagem de Miramez, que pode ser encontrada nesse link: https://www.ippb.org.br/textos/revista-online/maisa-intelisano/mensagem-..., foi psicografada por ela em 02 de março de 1997.
Se observarmos a linha de mensagens atribuídas a Miramez por João Nunes Maia, Maísa Intelisano e outros médiuns, vemos um Espírito evoluído, muito racional, objetivo e que parece conhecer bem os dilemas da raça humana, pois o que diz vai direto aos nossos pontos de dúvidas e de imperfeições.
Como se pode notar dos dois vídeos (a segunda parte está nesse link: https://www.youtube.com/watch?v=NWrhWCN6VEo&spfreload=10), a entidade que se manifesta apresenta respostas inteligentíssimas e equilibradas a todas as questões, muitas das quais surpreendem os próprios espíritas, pois são críticas a uma boa parte deles, que distorcem a doutrina por conta de seus personalismos, egocentrismos, vaidades, desejo de poder sobre o outro etc.
Nada muito diferente do que acontece em outras religiões, quando, na verdade, o gérmen do Espiritismo nunca foi ser uma religião como as outras, mas uma ciência e uma filosofia moral capazes de religar racionalmente o homem ao divino por meio do amor, da humildade e da caridade, o que já tratamos em texto anterior: http://jornalggn.com.br/noticia/a-ciencia-espirita-por-marcos-villas-boas, e que é explicado por Miramez na entrevista.
No último texto, afirmamos que o perispírito é um corpo semimaterial, fluídico, muito maleável. Os Espíritos costumam plasmá-lo na forma da sua última encarnação, naquela aparência de que mais gostam ou naquela necessária a um trabalho. No início do vídeo, o Espírito diz ser Miramez e se descreve fisicamente da forma exata como ele aparece em algumas fotos. Ao longo dele, conta alguns detalhes que o entrevistador sequer conhecia da sua última encarnação.
Parece ser preciso muita maldade para crer que tudo aquilo é uma excelente encenação. Mas, se fosse, o que se buscaria com ela, se os vídeos são publicados na Internet de graça? Qual seria o objetivo de Jefferson e de todos os demais que participam do vídeo? Enganar as pessoas para que todas acreditem em Espíritos como eles? Não parece lógico.
Outra hipótese levantada pelos mais incrédulos será a de que tudo seria uma imaginação coletiva, algo que poderia ser ainda considerado se analisássemos apenas um vídeo, mas é difícil de se pensar em fruto de mera imaginação quando se trata de dezenas de entrevistas, que contam informações às vezes detalhadas de pessoas que foram encarnadas e que revelam alguns diálogos com mudanças drásticas de voz, comportamento e forma de pensar.
Os mais incrédulos precisam começar a se convencer de que negar não muda a realidade, mas apenas constrói na mente deles uma realidade alternativa, deixando-os em paz com suas crenças íntimas. Por outro lado, eles continuarão sendo influenciados por Espíritos, que poderão, inclusive, causar problemas em suas vidas, a depender da sintonia de pensamento deles e de outros fatores, como Miramez explica no vídeo.
Uma prova da sabedoria desse Espírito e de que era ele quem estava em comunicação, pois crítica semelhante aparece em outras manifestações suas, é o trecho no qual se discute a fé raciocinada do Espiritismo. O seguinte diálogo aparece aos 29 minutos e 15 segundos da segunda parte da entrevista:

“a) Jefferson Viscardi: Então, vamos lá. O próximo seria, depois da comunicabilidade dos Espíritos, a fé raciocinada, que no Espiritismo ensinamos muito.
b) Espírito Miramez: Sim.
a) JV: A fé da Igreja era a Bíblia.
b) EM: bah, o fundamento da fé era a bíblia.
a) JV: Isso. Não existia muito raciocínio em cima.
b) EM: Não. Pergunto: no Espiritismo moderno, será que existe? Ou será que se tornou uma religião tão fundamentalista quanto qualquer outra? Apoiada apenas nos livros de Kardec, como se Kardec tivesse escrito tudo o que tinha para ser escrito a respeito, quando ele mesmo diz que não estava pronta, a doutrina, que muita coisa seria acrescentada e que, à medida em que a ciência do homem caminhasse, as mudanças deveriam ser feitas naquilo que foi escrito. Mas, não é isso o que os espíritas fazem, infelizmente.
a) JV: O senhor não acredita que é um receio de perder a estrutura numa sociedade tão necessitada de estrutura?
b) EM: Eu acho que é mais medo de perder o controle e o poder sobre as pessoas, da mesma forma que a Igreja Católica fez com os índios. Não há porque perder estrutura; ao contrário, a estrutura ficaria muito mais clara, muito mais evidente, muito mais lógica, à medida que a doutrina fosse incorporando a si as descobertas do homem, os avanços do entendimento, as percepções que a humanidade fosse fazendo. Isso não seria desestruturação; ao contrário, o medo é muito mais de perda de poder, porque, se eu chegar para um espírita e disser que o que ele acredita não é verdade com base na ciência, o que ele vai fazer?
a) JV: Ele vai ter que...
b) EM: rever a sua fé. Isso é fé raciocinada.
a) JV: Sim.
b) EM: Essa é a verdadeira fé raciocinada. É aquela que é capaz de questionar a si mesmo em qualquer momento. Kardec já colocou isso. Essa é a verdadeira fé raciocinada: hoje eu acredito nisso, mas se amanhã alguém me trouxer uma prova, uma demonstração de que o que eu acredito não é verdade, eu terei que rever a minha fé. Quantos estão prontos e são capazes de fazer isso?    

As colocações de Miramez, aptas a deixar muitos espíritas decepcionados, alguns até irritados, dificilmente viriam em uma fraude no meio espírita. Ainda que alguns ali presentes pudessem concordar com ele, sobretudo pela autoridade de quem emitia o argumento, dificilmente ousariam afirmar aquilo em vídeo, especialmente naquela forma direta. Foi a sinceridade, objetividade e rigor de um Espírito evoluído o que permitiu aquela parte do diálogo.
Quando apresentamos colocações semelhantes em meios espíritas, quase sempre há constrangimento e respostas ríspidas. Segundo Cosme Massi, um dos maiores especialistas em Allan Kardec do Brasil, numa brilhante palestra: https://www.youtube.com/watch?v=iR0OY2DGk34, a situação é pior do que se imagina, pois muitos espíritas mal conhecem as 5 obras consideradas principais, o livro “O que é o Espiritismo” é praticamente desconhecido e quase não se fala nos volumes da importantíssima Revista Espírita.
Como se tem dito neste blog, o Espiritismo foi descoberto, desenvolvido e codificado por Kardec como uma ciência que emanava uma filosofia moral, permitindo uma religação do homem com o divino. Nesse sentido de “religare”, seria também uma religião. O que se faz, contudo, em muitos cantões do Brasil é “catolizar” a doutrina espírita, não havendo tantos estudos teóricos aprofundados, nem muitas experimentações.
Na continuação do diálogo com Miramez, ele responde que a única forma de afastar as distorções causadas pelos homens nas religiões é o estudo, mesma advertência que Kardec costuma fazer:

“a) Jefferson Viscardi: Então, o senhor está dizendo que o homem, projetando suas fraquezas sobre a religião, pode deturpá-la um pouco.
b) Espírito Miramez: Muito! Não é pouco. Muito!
a) JV: E o senhor vê isso como o caso do Espiritismo hoje.
b) EM: Sim.
a) JV: O que o senhor sugere para que isso mude hoje? Digamos...
b) EM: Pra começar, a leitura atenta e estudada d’O Livro dos Espíritos. Há muita coisa ali sendo ignorada. Há muita coisa importante ali sendo ignorada, distorcida ou revertida aos interesses de quem comanda o Espiritismo hoje”.

Muitos preferem relegar a Deus as tarefas que lhe cabem, mas os Espíritos não cansam de afirmar que são mais ajudados os que se ajudam primeiro. Sem esforço e disciplina, o progresso é muito mais lento.
A falta de estudos teóricos e práticos mais aprofundados na maioria dos centros espíritas do país se deve, provavelmente, à própria cultura brasileira de conferir uma importância secundária à educação, além de tratar, muitas vezes, os estudos científicos e filosóficos como se fossem cerejas do bolo, algo muito difícil, que cabe somente a uns poucos esclarecidos.
Essa visão é clara entre muitos espíritas, os quais acham que “isso é tudo muito complicado e a pessoa a ser ajudada nem vai compreender”. Ciência e filosofia não são saberes incompreensíveis pela maioria. Essa ideia é uma ignorância decorrente da própria falta de estudo. A falta de estudo leva à falta de conhecimento, que termina gerando menos preocupação com o estudo e estagnando o progresso moral/intelectual, provocando um ciclo vicioso e pernicioso que precisa ser quebrado imediatamente não somente pelos espíritas, mas por todos.
A ciência não é um conhecimento impenetrável; muito pelo contrário, o que todos estudam na escola, a exemplo de matemática e biologia, são simplesmente ciências. O mesmo acontece com a universidade: Medicina, Direito, Física etc. são ciências. Não há bicho papão.
Absolutamente tudo deve ser estudado, ponderado e aprofundado teórica e, sobretudo, experimentalmente, sem o que não há progresso. O homem que não acredita na educação (prática e teórica), na sua instrução como ferramenta essencial de progresso, em qualquer idade, em qualquer situação, está fadado a se estagnar e a sofrer mais do que o necessário.
Obras do próprio Chico Xavier, como O Consolador e Mecanismos da Mediunidade, escritas por Emmanuel e André Luiz, autores espirituais entre os preferidos dos espíritas brasileiros, pois escreveram romances por intermédio de alguém considerado santo pela maioria, são pouco estudadas, uma vez que trazem assuntos considerados mais áridos, científicos.
Não pode ser assim. Ainda que seja natural cada um se atrair pelas áreas do conhecimento espiritual que mais lhe interessam, não é possível conhecer a fundo o Espiritismo sem adentrar com atenção pelos seus três vieses: científico, filosófico e religioso. Lembre-se que esses vieses servem para efeitos didáticos. O conhecimento é uno.
A Ciência Espírita é simplesmente mais um conhecimento com objeto definido, com métodos que lhe são característicos e com especialistas interessados neles. Estudemo-la o máximo possível!   

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