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segunda-feira, 5 de junho de 2017

ESPIRITISMO - O peso da alma.

Experimentos sobre peso da alma comprovam sua existência?
 
por Marcos Villas-Bôas
 
Como visto no último texto, o brilhante educador, estudioso e pensador Hippolyte Léon Denizard Rivail, que assumiu pseudônimo de Allan Kardec aos seus 52 anos de idade, se comunicou com Espíritos por meio de médiuns ao longo de vários anos e, após longas observações e experimentações, apesar do seu inicial olhar incrédulo, concluiu que o ser humano não tem apenas um corpo material.
Décadas antes de a Física Quântica provar que o átomo não é totalmente material, nem uma matéria porosa, mas um misto de matéria e energia, a Ciência Espírita já o tinha feito, mas por seus próprios métodos.
Vide, por exemplo, os itens 30 e 33 de O Livro dos Espíritos, obra publicada em 1857:



“30. A matéria é formada de um só ou de muitos ementos?
‘De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva’.
33. A mesma matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades?
‘Sim e é isso o que se deve entender, quando dizemos que tudo está em tudo’”.
Vide também o item 135 de O Livro dos Espíritos:
“135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?
‘Há o laço que liga a alma e o corpo’.
- De que natureza é esse laço?
‘Semimaterial, isto é, de natureza intermediária entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente’”.
A Ciência Espírita explica que o corpo material visível tem, “dentro dele”, um Espírito (ou alma) a ele ligado pelo que se convencionou denominar de “períspirito”. Em analogia, o períspirito é o corpo material do Espírito. Quando o indivíduo morre, o corpo material, o invólucro, perece. Seus restos deterioram. O Espírito e o períspirito, por outro lado, continuam vivendo, exceto, como veremos, por uma camada do períspirito que se forma quando ele está ligado ao corpo.  
O Espírito é a inteligência, é onde está o centro de energia, de vontade, de decisão do ser humano. É ele que anima o cérebro e o usa dentro de suas capacidades. Já foi comprovado em estudos que, quando o médium está em acoplamento mediúnico com um Espírito mais evoluído, as ondas produzidas nos instrumentos aumentam de tamanho e ocupam mais partes do cérebro. Sobre a experiência, vale assistir, por exemplo, ao relato da médica e médium Mônica de Medeiros no excelente documentário “No meio de nós”, disponível no Youtube.
Isso mostra que, de fato, como a ciência já indicava, o cérebro ainda é subutilizado pelos seres humanos em geral que habitam a Terra neste momento, pois, com a evolução, ele passará a ser mais bem aproveitado.
Na falta de melhor definição, os seres espirituais explicam que o Espírito em si (em sentido estrito) é como uma “chama”, mas o que aparece materialmente é o períspirito, um fluido semimaterial invisível, até então, à maioria dos seres humanos encarnados, mas visível aos Espíritos desencarnados e a alguns poucos desses humanos encarnados.
Segundo a explicação dos Espíritos, tudo é energia, fluido ou matéria, mas o próprio fluido é uma matéria etérea. Tudo viria, ainda segundo eles, de um elemento básico chamado de fluido universal, o éter, cuja existência é amplamente aceita na Física, inclusive por Albert Einstein.
Se houvesse vazio, o som não se propagaria. Há muitos séculos, boa parte dos físicos parece concordar que estamos submersos num éter, num fluido universal. É ele que permite, por exemplo, a transmissão de pensamentos por meio da telepatia, esta, por sua vez, amplamente comprovada pela Metapsíquica.
Então, aparentemente, tudo o que existe é resultado de diferentes graus de vibração desse fluido cósmico ou universal, o que o torna bastante etéreo (energia), mais ou menos etéreo (fluídico) ou pouco, quase nada etéreo (matéria).
Fundamental lembrar, em se tratando desse assunto, dos repetidos ensinamentos dos Espíritos sobre os constantes erros humanos causados pela linguagem. Classificações como “energia/fluido/matéria” e “espírito/perispírito/corpo” são utilizadas por amor à redução das coisas em partes mais facilmente explicáveis, mas, se não tomados os devidos cuidados, o reducionismo tender a causar inúmeras confusões.  
É mais importante entender, portanto, a ideia e a função das coisas, ficando atento para a maleabilidade das palavras, que geram tantas vezes ambiguidades. O termo “Espírito” pode ser utilizado para denominar tanto a “chama”, a inteligência, quanto a “soma” dela com o perispírito. O Espírito que vaga na erraticidade é uma “soma” dos dois. O termo “matéria” pode ser utilizado para denominar tanto o corpo humano denso quanto o períspirito, fluido semimaterial e, portanto, um tipo de matéria.
Os problemas linguísticos não param por aí, pois, além da ambiguidade, há questões de complexidade, ou seja, de coisas que são duas coisas ao mesmo tempo. A Física Quântica não provou que o átomo se comporta ora como energia (onda) e ora como matéria (corpúsculo)?
Isso porque ele tem das duas coisas, revelando em alguns dos testes o efeito produzido pelo que se convencionou denominar de energia e, em outros, o efeito produzido pelo que se convencionou denominar de matéria. A depender do grau de vibração, haverá mais comportamento de energia ou mais comportamento de matéria.
Percebe-se que há graduações do fluido universal, que se combina de várias formas possíveis, podendo dar um nó na cabeça daqueles presos a classificações rígidas, reducionistas.
Como essas graduações são realizadas apenas para efeitos didáticos, acaba que a energia, em regra, é também matéria, enquanto que a matéria é também energia. Isso tudo, explicado pelos Espíritos e registrado por Allan Kardec ainda em meados do século XIX, foi comprovado pela Física Quântica, indicando que, de fato, Kardec recebeu comunicações de inteligências superiores. Mas, vamos à questão do peso dos Espíritos.
Se a parte mais densa dos Espíritos (inteligência + perispírito) é o seu períspirito, apenas ele poderia ser pesado para efeito de comprovar a existência dos Espíritos. Acontece que acabamos de afirmar ser o perispírito semimaterial e, ainda, os Espíritos explicam que, em condições normais, ele é imponderável.
Se ele não é ponderável, se nem conseguimos vê-lo com os olhos e se aqueles que conseguem vê-lo, na verdade, o fazem com um “terceiro olho”, usando um sexto sentido que vem do próprio Espírito; como admitir que o períspirito, em seu estado mais normal, tem um peso apreensível pelos instrumentos humanos existentes?
Se o períspirito é semimaterial, ele tem alguma massa, alguma densidade e algum peso, mas, por ser uma matéria tão etérea, que se apresenta mais como energia do que matéria na concepção humana atual, ele não poderia ser aferido por uma das balanças existentes hoje, por mais precisa que fosse.  
Há, então, duas hipóteses de respostas mais evidentes para o peso da alma encontrado em experimentos científicos realizados ao longo do século XX. Seja numa hipótese, seja na outra, a existência dos Espíritos se comprova de qualquer forma. No entanto, mais do que esses experimentos materialistas, abre-se parênteses para dizer que não existe nada mais cabal dos que as provas inteligentes dadas pelos Espíritos em comunicações, como contar fatos que mais ninguém sabia e assinar cartas com a exata assinatura da pessoa desencarnada que ele diz ser.
A primeira hipótese à questão posta acima é que o perispírito, enquanto fluido semimaterial amplamente modificável, quando está encarnado no corpo sofre, como explicam os Espíritos, modificações que lhe tornam um pouco mais denso, mais próximo da matéria do corpo humano externo. Assim, ele passaria a ser ponderável e ter um pequeno peso.
A segunda hipótese seria que, nessas condições, mesmo enquanto encarnado no corpo, o perispírito não tem peso e as teorias sobre o peso do Espírito seriam falsas, o que não retiraria, contudo, a possibilidade de pesá-lo quando, uma vez desencarnado, se densifica em materializações, o que foi feito, por exemplo, pelo gênio científico William Crookes, como será ainda demonstrado em textos futuros.   
O americano Duncan MacDougall realizou sério estudo para tentar descobrir o peso da alma e, assim, comprovar a sua existência. Ele pesou o corpo de diferentes pessoas doentes que iriam provavelmente morrer e verificou alterações no seu peso logo após a perda dos sinais vitais, da morte.
As experiências estão registradas no seu artigo publicado em maio de 1907 no Journal of the American Society for Psychical Research (Jornal da Sociedade Americana para Pesquisa Psíquica), intitulado Hypothesis Concerning Soul Substance Together with Experimental Evidence of the Existence of such Evidence (Hipótese concernente à substância da alma juntamente com evidência experimental da existência de tal substância), facilmente encontrado na Internet.
MacDougall utilizou uma maca especial, preparada para servir como balança, de modo que ele poderia ficar aferindo o peso do indivíduo ao longo do tempo. Ele explica que verificou a média de perda de peso dos doentes decorrente da umidade respiratória e do suor, então essa não seria a razão da queda de peso na morte. Ele procurou também afastar a hipótese do ar nos pulmões, subindo na balança de precisão, enchendo e esvaziando os pulmões, o que não produzia alteração significativa no peso.
O primeiro paciente, que foi pesado ao longo de 3 horas e 40 minutos enquanto estava vivo, após a sua morte teve uma perda quase instantânea de 3/4 de uma onça (28,3495 gramas), o que significa aproximadamente 21 gramas. Daí surgiu a ideia de que a alma pesa 21 gramas e, inclusive, um famoso filme de Hollywood com esse título, dirigido pelo mexicano vencedor duas vezes (2015 e 2016) do Oscar de melhor diretor, Alejandro González Iñárritu.    
Os demais pacientes tiveram perdas de peso em medidas distintas, mas relativamente próximas. Quando havia qualquer fator que pudesse interferir no resultado, MacDougall descartava o experimento.
No caso do segundo paciente, quando ele parou de respirar houve uma perda quase instantânea de metade de uma onça, ou seja, aproximadamente 14 gramas. Ele e seu colega gastaram alguns minutos examinando o paciente para confirmar a morte. Quando auscultado o coração, estava parado. Com nova pesagem, o resultado foi a perda de 1 onça e meia, mais 15 grãos (grains), o que totalizaria aproximadamente 42 gramas.
Partindo do pressuposto de que, após a morte, a alma se desprende, isso poderia indicar que o desenlace não é instantâneo, algo que os Espíritos afirmam claramente. Vale a pena assistir ao vídeo sobre “A Morte de Dimas” no Youtube, no qual há uma representação da explicação do Espírito André Luiz sobre como acontece o desencarne na morte.
MacDougall explica o experimento em outros pacientes e, naqueles aproveitados, os resultados foram semelhantes. Quando o artigo foi publicado, causou grande alvoroço nos Estados Unidos, tendo sido, inclusive, objeto de notícia do New York Times. Como era de se esperar, muitos apresentaram hipóteses para a perda de peso de modo a afastar a teoria de que a alma existiria e de que teria peso.
As obras espíritas psicografadas, ou seja, escritas mecanicamente por médiuns com a condução de suas mãos pelos Espíritos, que determinam o seu conteúdo, explicam existir uma substância entre o corpo material e o perispírito, chamada de duplo etéreo ou duplo etérico, expressão que já existia há muito tempo em filosofias espiritualistas orientais.
Conforme a obra nos Domínios da Mediunidade, do Espírito André Luiz, psicografada por Chico Xavier, na página 91:
“A princípio, seu perispírito ou ‘corpo astral’ estava revestido com os eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo de carne, conhecidos aqueles, em seu conjunto, como sendo o ‘duplo etérico’, formado por emanações neuropsíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto ocorre ao instrumento carnal, por ocasião da morte renovadora”.  
Essa substância é uma extensão do perispírito, que, como se sabe, é um fluido bastante maleável. É uma substância fluídica, que vem também do fluido universal, e que dá vitalidade ao corpo. É o chamado “princípio vital”.
Quando encarnado no corpo grosseiro, por questões fisiológicas, o perispírito se densifica na última camada, nas suas “pontas”, criando um corpo que é mais denso em relação a ele mesmo, porém ainda sutil em relação ao corpo físico denso. Esse corpo, que circunda todo o perispírito permite a filtragem do que passa de um corpo (material, o invólucro) para o outro corpo (espiritual ou perispírito), dentro do qual está o Espírito em sentido estrito.
Quando do desencarne de um ser humano, o duplo etérico, que é denso e relacionado com a fisiologia humana, vai sendo desintegrado, semelhantemente ao que acontece com o corpo.
MacDougall admitiu que, apesar de importantes e inovadores, seus experimentos não chegavam a produzir, por si só, provas científicas e careciam de estudos posteriores. Para se falar em prova da existência da alma por meio de experimentos desse tipo, seria interessante que os estudiosos conseguissem identificar o duplo etérico como uma parte do períspirito e, então, a sua desintegração após a morte. Pelo passo dos avanços tecnológicos e pelo que os próprios Espíritos dizem, isso acontecerá em não mais do que 20 ou 30 anos.

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