quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ECONOMIA - Só é cego quem não quer ver.

Copiado do "Blog Tijolaço", do Brizola Neto.

Os dólares entram e o BC tem que comprar cada vez mais para que a moeda não fique mais supervalorizada do que já está. E o pior é que não adianta. O lucro no Brasil ainda é bom demais.

Os dólares entram e o BC tem que comprar cada vez mais para que a moeda não fique mais supervalorizada do que já está. E o pior é que não adianta. O lucro no Brasil ainda é bom demais.

Os economistas e os jornalistas econômicos brasileiros são muito bem preparados e conhecem muito mais do que eu de ciência econômica. Por isso, quando eles não virem o óbvio, pode ter certeza de que algo há. Ontem, registrei aqui que os sites faziam “terrorismo econômico” com o resultado da entrada de dólares em outubro. Disse que o G1, por exemplo, chegava “a ser “talibã”: “País deixa de receber 3 em cada 4 dólares após novo imposto”.

Ora, uma simples operação aritmética bastava para ver que, com imposto e tudo, a entrada de dólares continuava a ser fortíssima. Imagine o que é um saldo cambial de 300 milhões de dólares por dia!

Mas não se podia perder a oportunidade de semear mais um momento de “o mundo vai acabar” na mídia. No mercado, eles se lixam para este tipo de informação. Aí não é política, é dinheiro.

Já estava claro, ontem, o que era previsto. A medida criada pelo Governo não ia resolver o problema de afluxo excessivo de dólares. O balanço cambial de outubro só tornou isso evidente, embora parte da mídia brasileira não quisesse ver.

Hoje, a Folha de S. Paulo publica que o Governo, por isso, estuda um conjunto de medidas para que investidores estrangeiros não precisem trazer dólares para aplicações no país. Isso abrangeria desde a emissão de títulos da dívida pública em reais no exterior à abertura de contas-garantia fora do brasil para aplicação em bolsa, aqui.

O problema do Governo Lula em matéria de política econômica é que, mesmo já tendo se mostrado charlatães, os santos do altar neoliberal ainda continuam a receber certas reverências. E as boas e velhas políticas de proteção da moeda nacional, como a taxação na saída do capital, ficam como “tabus”, que não podem ser adotadas, “porque os investidores vão fugir”.

Vão, nada. Enquanto estiverem lucrando muito aqui - e é por isso que entram - os capitais entram, porque sabem que podem sair no minuto em que aqui já não estiver dando tanto lucro e aparecer um lugar melhor aplicações que não os imobilizam. Colocar 10 milhões de dólares na bolsa é uma decisão mais fácil que aplicar um milhão em uma fábrica.

A “cegueira” de boa parte da nossa mídia vem de um fato.As nossas elites, que vivem lambendo os respingos da roda da fortuna que virou o mercado financeiro, é que cultuam aqueles santos do pau-ôco, que como os do século 17, servem para drenar as riquezas nacionais. O capital estrangeiro é, para elas, o “sinhô”, e o “sinhô” não tem que pedir licença para entrar, fazer o que quiser e sair da senzala. Por isso, ridicularizavam quando Brizola falava em “perdas internacionais” de nossa economia.

Bom, criaram um tímido pedido de “me dá licença?” para o capital entrar. Não resolveu e não resolverá. Conta, se paga é na saída.

MEIO AMBIENTE - Frases para entender o Brasil.

Leonardo Sakamoto

Mais uma para as “Frases para entender o Brasil”: curtas, grossas, maravilhosamente elucidativas do que faz o brasil Brasil.

Tema: Castidade

“Queremos desmatamento zero… mas a partir de agora.”

Luiz Carlos Heinze, deputado federal (PP-RS), defendendo que se passe uma borracha no passado, através de uma anistia ampla, geral e irrestrita para os crimes ambientais cometidos até agora. Ele considera os alertas sobre o aquecimento global uma paranóia. Provavelmente, tal qual aquela paranóia da qual falava seu partido, a Arena, durante a ditadura: de que o governo matava opositores do regime… E, da mesma forma que os reacionários interpretam a Anistia de 1979, ele quer absolver e ignorar o passado para construir o futuro – como se isso fosse possível.

Santo Agostinho, quando entendeu que devia se converter mas não tinha coragem para tanto, disse: “Senhor, dai-me a castidade… mas não ainda.” Sem ser santo ou filósofo, o deputado também defende um mundo melhor. Mas não ainda.
Fonte:Blog do Sakamoto.

EUA - Oh Bama e outros Ohs!!!

Lucas Mendes

De Nova York para a BBC Brasil


Obama era bolha e furou nas duas eleições mais importantes para governador, em Nova Jérsei na Virgínia. Esta é a interpretação da direita nas rádios e editoriais.

Nenhuma das duas eleições foram sobre Obama e sim sobre questões regionais. O presidente mantém o prestígio confirmado pelos índices de aprovação. Esta é a versão obamista.

A verdade está no meio. Obama perdeu brilho, mas não furou. Sera que é uma bolha?

Se a economia melhorar, gerar empregos e Obama conseguir passar a reforma no seguro de saúde, os democratas podem se dar bem nas eleições de 2010, apesar de o partido no poder quase sempre perder cadeiras no Congresso nas eleições intermediárias.

Se a economia caranguejar sem gerar empregos e a reforma do sistema do seguro de saúde fracassar, bye bye, democratas em Washington ano que vem. Obama fura e pode ficar sem emprego em 2013.

Na Virgínia, o republicano estava disparado na frente, incontível. Em Nova Jérsei, o presidente arriscou o prestígio dele e fez campanha para o governador Corzine que corria atrás e tinha poucas chances. Coragem ou idiotice política? Há argumentos para as duas respostas, mas democratas em Estados conservadores estão com medo da campanha republicana que vão enfrentar ano que vem. Os quatro da Virgínia tremem.

Tão surpreendente, porém de menores consequências do que as derrotas democratas nos dois Estados, foi a pequena margem da vitória do prefeito de Nova York, Oh! Bloomberg!, que foi recordista de gastos com uma campanha para prefeito. Gastou quase US$ 100 milhões do próprio bolso, enquanto o democrata gastou menos de 10. No dia da eleição, as pesquisas davam o prefeito com 18 pontos de vantagem sobre Bill Thompson. Ganhou por míseros 5 pontos.

O eleitorado novaiorquino está feliz com as escolas, a coleta do lixo, a segurança da cidade e aprecia o trabalho do prefeito, mas foi contra a manobra dele de usar a Câmara Municipal para quebrar a lei que ele próprio tinha defendido - pelo limite de dois mandatos - e permitir este terceiro.

Setenta e cinco por cento dos eleitores não foram votar numa cidade politicamente ligada, mas há um outro fator intrigante, um chinês.

John Liu, com 76% dos votos, foi primeiro oriental eleito para um cargo executivo em Nova York, comptroller, uma espécie de contador e fiscal das finanças da cidade. Ele é democrata e levou uma multidão oriental às urnas que votaram não só nele como em toda a chapa democrata, entre eles, o candidato a prefeito, Bill Thompson.

A mais fascinante, talvez a mais relevante e com a certeza a mais Oh! foi na 23ª zona eleitoral do Estado de Nova York, uma eleição especial para preencher uma vaga de deputado estadual. A liderança republicana da região, na fronteira com o Canadá, escolheu a candidata Dede Scozzafava, uma moderada pró-aborto, pró- casamento gay, que aprovou o estímulo econômico do presidente como falou bem de Obama.

Numa zona eleitoral onde um democrata não ganhava desde a Guerra Civil, a escolha de Dede enfureceu e mobilizou a ala radical republicana. Os figurões do partido, de Sarah Palin a Rush Limbaugh, despejaram verba e verbo a favor de outro candidato, Douglas Hoffman, um republicano “puro”, pró-armas, anti-aborto, anti- estímulo, anti-gay e anti-Obama.

Scozzafa, sem apoio e sem dinheiro para campanha, anunciou no domingo que estava fora do páreo e chocou ambos os partidos. Recomendou que os eleitores dela votassem no democrata Bill Owen. A vitória dele quebrou uma escrita de quase 150 anos e mostrou um partido republicano rachado entre moderados e radicais.

Um resumo brevíssimo: 1 - os republicanos ganharam eleições importantes, porque quando a economia vai mal o partido no poder sempre paga a conta. 2 - há mais eleitores independentes do que democratas e republicanos e eles votam no centro. Obama para eles esta muito à esquerda.

Política costuma ser uma chatice, mas quando radicaliza, fica interessante.

Ontem, pela primeira vez , votei num candidato socialista, Salim Ejaz, para comptroller. Parece furioso, tem os olhos arregalados, mas, como eu, não consegue ler o telepromter. Teve 1% dos votos. Oh! Salim.
Fonte:BBC BRASIL

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

OS EUA E A INCERTEZA EM HONDURAS.

Argemiro Ferreira

É difícil prever o que vai acontecer em Honduras depois do acordo. Na aparência, ele sequer impõe a volta do presidente constitucional Manuel Zelaya (na foto acima com o sub-secretário americano Thomas Shannon, na embaixada do Brasil), cujo mandato foi capado em mais de quatro meses. O retorno era ponto de honra não só para os partidários de Zelaya, mas para a ONU, a OEA e a comunidade internacional, até porque nenhum país reconheceu o regime do golpista Roberto Micheletti.

HN_Llorens_Hugo-02.JPGO objetivo maior da comunidade internacional era deixar claro na América Latina com seu passado marcado por golpes militares (em geral teleguiados dos EUA e quase sempre acompanhados pelo respaldo americano, com desembarque de tropas ou a ameaça de fazê-lo) que tais práticas não serão mais toleradas no continente – e que o golpismo será sistematicamente repudiado.

Para os atuais detentores do poder de fato aceitarem a fórmula, autoridades dos EUA – Thomas Shannon, sub-secretário de Estado para assuntos do hemisfério, e o embaixador Hugo Llorens – tiveram de convencer os golpistas (que antes do golpe tinham tido o cuidado de obter deles o nihil obstat de Washington) de que Zelaya só voltaria se o Congresso de Honduras aprovasse seu retorno ao poder.
A estranha epifania dos golpistas

Estranho a contradição. Os partidários de Zelaya concordaram em deixar a decisão final para a mesma maioria parlamentar que se mostrara favorável ao golpe quando os militares sequestraram o presidente legítimo no palácio (de pijama) e o enfiaram num avião para tirá-lo do país?Shannon_Thomas Será que diante da pressão internacional a tal maioria, tão golpista como Micheletti, teve uma epifania?

Shannon (foto ao lado) e Llorens podem ser a chave para entender a suposta epifania. Herdados do governo Bush (e sua desastrada política externa) pela secretária de Estado Hillary Clinton, os dois e mais algumas figuras sinistras (entre elas um dos chefes da máfia dos cubanos de Miami, o lobista Otto Reich) tinham servido na Casa Branca e no Departamento de Estado na trama golpista de 2002 contra Hugo Chávez na Venezuela.

Dias depois do golpe hondurenho escrevi neste espaço que Shannon e Llorens tinham vivido situação igual sete anos antes: “um tratava então de questões andinas (Venezuela entre elas) no Departamento de Estado, como adjunto do secretário assistente Reich, lobista anti-Cuba e padrinho do golpe (da Venezuela); o outro cuidava do mesmo assunto no Conselho de Segurança da Casa Branca, junto com Elliot Abrams (condenado no escândalo Irã-Contras).” (Saiba mais sobre o caso AQUI, AQUI, AQUI e AQUI).
Fazendo o que a CIA fazia antes

Naquele e em outros textos sobre mais complicadores, lembrei ainda a ação golpista em Washington do NED (National Endowment for Democracy), grupo criado no governo Reagan para apoiar golpes e ditaduras, usado depois tanto por republicanos (através do IRI) como por democratas (através do NDI), cada um com suas ONGs apoiadas por empresários e sindicatos que agem no continente.

CIA_seal_menor

Citei ainda a frase dita em 1991 por Allen Weinstein, um dos criadores do NED: “Boa parte das coisas que estamos fazendo hoje (usando o NED) eram feitas clandestinmente, 25 anos atrás, pela CIA, Agência Central de Espionagem”. Aquela referência era aos golpes da CIA, na América Latina e nos quatro cantos do mundo, como os do Irã (em 1953) e da Guatemala (1954).

Com o NED, seja em governos republicanos ou democratas, os mecanismos mudaram (em geral não chegam a dispensar a CIA, mas a notoriedade dela passou a exigir cobertura mais eficaz). No caso de Honduras escancarou-se também uma ação mais ostensiva dos lobbies na capital dos EUA (mais sobre essa praga AQUI), tanto os ligados a um partido como os ligados ao outro, conforme foi destacado numa análise.

Tudo isso acaba por justificar certo desencanto com a possibilidade de reformas e mudanças mais substantivas no governo Obama. De qualqur forma, será preciso no mínimo esperar o final do processo em Honduras. Sem familiaridade com a América Latina, que ela sempre subestimou, Hillary revela-se pouco inclinada a renovar a política para a região, talvez por temer complicadores previsíveis.
Uma eleição e muitos problemas

No governo do marido dela, a oposição republicana impediu o presidente Clinton de nomear vários embaixadores – ente eles, William Weld, republicano que para chefiar a missão dos EUA no México chegara a renunciar ao governo do estado de Massachusetts. E até hoje não foi votada a indicação de Thomas Shannon para o Brasil e a do substituto dele no Departamento de Estado, Arturo Valenzuela.

RicardoLagos_HildaSolisMas na crise de Honduras, apesar do papel conspícuo de Shanon e Llorens nas últimas semanas, os EUA optaram por dar mais espaço à OEA. E cabe neste momento à uma Comissão de Verificação, criada no acordo assinado pelas partes, acompanhar através da americana Hilda Solis e do chileno Ricardo Lagos (foto à esquerda) o cumprimento de cada uma das cláusulas.

Depois de consumado o retorno de Zelaya, ainda haveria, claro, a questão eleitoral. O jogo dos golpistas foi (na verdade, ainda está sendo) retardar ao máximo todo o processo – o que tende a questionar depois a legitimidade da eleição, já que na campanha candidatos golpistas foram naturalmente beneficiados pelo controle oficial. Essa e outras questões dificilmente deixarão de reaparecer no desdobramento.
Fonte:Blog do Argemiro.

POLÍTICA - A plataforma do candidato.

Por Mauro Santayana


O recente artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso parece ter como único objetivo sua candidatura à Presidência da República. Observadores atentos da situação política suspeitam que, por detrás da indecisão do PSDB em escolher entre o governador de São Paulo e o governador de Minas, haja manobra do próprio Fernando Henrique, talvez com a aquiescência de Serra. Ambos atuariam como servidores dos poderosos interesses de São Paulo. Diante do impasse entre Aécio e Serra, e do provável crescimento da candidatura de Ciro e – quem sabe? – da própria Dilma, a saída seria a ida de alguns próceres do PSDB e de outras agremiações ao escritório político do ex-presidente, instalado com doações de empresários, no final de seu governo. Ali, apelariam para o patriotismo paulista de sua excelência, a fim de recuperar o poder.

O presidente Lula tem sido beneficiado pelas circunstâncias, o que não é mau. Mas é inegável que ele é sincero na luta pela redenção de milhões de famílias pobres às quais, durante a história do país, foram negados o conhecimento, a dignidade e os salários justos. Ele conseguiu isso sem provocar a reação dos empresários inteligentes, que descobriram um mercado de consumo que não conheciam: o do próprio país. O reconhecimento popular pode ter inflado as velas do barco de Lula, que se sente estimulado a, tal como Pico de la Mirandola, discorrer sobre todos os assuntos e mais alguns. Mas, nisso, ele tem ótimo modelo no próprio weberiano Fernando Henrique. Trata-se de pecado menor, e, no caso de Lula, justificável em sua inigualável biografia de vitorioso. Ele, pelo menos, não se considera “mais inteligente do que vaidoso”.

O artigo de FHC é uma plataforma de candidato, com argumentos anacrônicos. Ele e outros identificam o “discurso ultrapassado dos anos 50” nos nacionalistas de hoje. Mas repete os de Lacerda contra Jango, no caso da falsa Carta Brandi, em que se denunciava (também) o propósito de instalar-se, no Brasil, uma república sindicalista sob molde peronista.

Há quem veja em seu artigo apenas a expressão de preconceito de intelectual contra o torneiro mecânico que está dando certo – mas isso seria reduzir a inteligência do acadêmico. É melhor deduzir que seu objetivo é mesmo o de se pôr como tertius na disputa. Ele já tentara a mesma manobra, na segunda eleição de Lula, quando dificultou a candidatura de José Serra, em favor de Geraldo Alckmin. Sabe que Serra poderá, sem dificuldades maiores, reeleger-se para o Palácio dos Bandeirantes. Entende que, sem a unidade do partido em torno de Serra ou de Aécio, faltarão votos para vencer o pleito. E – aí está o pulo do gato – sabe também que, para alguns empresários paulistas, nada melhor do que ter representantes tanto no Morumbi quanto no Planalto.

O ex-presidente duvida da memória de seus leitores, que não se esquecem do que foram as privatizações e o uso dos fundos de pensões, na operação que tornou o senhor Daniel Dantas um dos homens mais poderosos do Brasil. Quanto à Vale do Rio Doce, a nação compreenderia o seu silêncio, se ele evitasse tocar no assunto. Nunca, desde el-rei dom Manuel, houve doação de bem público de tal monta a um grupo de favoritos. Os interesses de São Paulo – também representados no governo Lula – conduzem a União, há quase 16 anos em violação ao pacto republicano da igualdade entre os estados, e continuarão por mais oito anos, se a manobra der certo. Dentro de 11 dias, a República fará 120 anos. Já é tempo para que se torne, tal como a quiseram então, uma Federação de direito e de fato.

Aécio recusa, como é da conveniência dos mineiros, a Vice-Presidência. Ele interpreta bem o sentimento de Minas que, desde o regime militar, vem dando credibilidade ao Planalto com seus vice-presidentes, e já se cansou disso. Castelo Branco buscou José Maria de Alkmin para endossar a ditadura inaugural; Costa e Silva recrutou Pedro Aleixo (menosprezado no episódio do AI-5); Aureliano serviu de avalista a Figueiredo; Collor foi atrás de Itamar e, por último, Lula teve que se valer de José Alencar para tranquilizar os meios empresariais.

O ex-presidente previa o caos, se Lula fosse eleito. A vitória do trabalhador provavelmente tenha salvado o país do caos. Se os programas do governo não houvessem aliviado a situação dos famintos e humilhados, teria sido impossível conter a explosão do desespero.
Fonte:JB

ANOS DE CHUMBO - Marighella 40 anos depois.

Entrevista especial com Denise Rollemberg

“Ele foi o grande líder da luta armada no Brasil”. Assim, a pesquisadora e historiadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Denise Rollemberg, define Carlos Marighella, político guerrilheiro brasileiro e um dos principais defensores da criação de um estado socialista no Brasil. Em entrevista concedida, por telefone, à IHU On-line, Denise apresenta o histórico de Marighella, apontando suas principais contribuições à história da luta armada no país. O cenário da ditadura militar e o isolamento da prática da luta armada, também foram temas abordados por Denise. “É importante perceber que a ditadura não foi militar, mas civil e militar. Isto deve ser pensado para compreender porque a luta armada ficou tão isolada. Foi porque a sociedade foi muito participante da ditadura”, revela.

Denise Rollemberg possui graduação, mestrado e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense, pós-doutorado em História pela Universidade de Paris X e em Sociologia pela Universidade de Campinas/Unicamp. Atualmente, é professora da Universidade Federal Fluminense e pesquisadora do Núcleo de Estudos Contemporâneos/NEC-UFF.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quem foi Carlos Marighella e por que se transformou em um mito?

Denise Rollemberg – Carlos Marighella é uma figura antiga do Partido Comunista que tem todo um percurso que acompanha a própria história do PCB, e o que é interessante nele, assim como outros militantes do partido, é que ele radicalizou esse percurso. E mais ainda: ele fez uma ruptura. Ele foi um sujeito que entrou no partido muito cedo, com 17 anos, e, a partir de 1964, começou a questionar o papel desarticulado, pois a política do PCB é associada aos trabalhistas e teria então desmobilizado os movimentos sociais, no sentido de uma possibilidade de resistência ao golpe. A ruptura dele se dá mais adiante, mas ele ficou, a partir dali, pensando como outros segmentos das esquerdas na época, o que teria sido um papel nefasto do Partido Comunista, nesse momento.

Outras figuras do partido também fizeram um percurso semelhante, como Jacob Gorender [1] e Mario Alves [2]. O que ele vai radicalizar é o caminho que tomou em 1967. A radicalização dele tem a ver exatamente com o fato de ter organizado a Ação Libertadora Nacional (ALN), uma organização de luta armada que foi uma das mais importantes do Brasil. Ele foi o grande líder da luta armada no Brasil.

IHU On-Line – Dentre os grupos de esquerda organizada e que optaram pela luta armada nos anos 1960 pode-se dizer que Marighella desfrutava de reconhecimento e liderança?

Denise Rollemberg – Sim. Havia muita disputa entre as organizações, embora elas tenham fragmentado bastante. Foram dezenas de organizações que disputaram a liderança na luta armada. Sem dúvida, Marighella é a figura mais expressiva, junto com Carlos Lamarca [3], dessa opção revolucionária da ação armada. São duas trajetórias muito diferentes, mas que se encontram em algum momento.

IHU On-Line – Como se deu o rompimento de Marighella com o PCB e a criação da Ação Libertadora Nacional (ALN)?

Denise Rollemberg – Muitas vezes, aparece em jornais Aliança ao invés de Ação. Não é simplesmente uma troca de palavras, mas há todo um projeto da ALN que estava centrado nessa discussão. Até 1964, o PCB falava muito na questão da aliança junto com os trabalhistas dentro da política de associação com os trabalhadores. A ruptura do Marighella com o partido vem centrada nesse sentido, de que não era mais o caso de uma política de aliança, mas sim centrada numa política de ação. Em 1967, houve um congresso de comunistas em Cuba, e Marighella foi. Ainda que ele fizesse parte do PCB nessa época, ele não foi representando-o. A ida dele, portanto, foi uma ruptura com o partido. Cuba queria, naquele momento, organizar uma espécie de internacional latino-americana que teria essa função de organizar e coordenar as lutas armadas na América Latina, com uma política muito diferente da política do PCB. A partir desse momento, ele assume o papel de liderança revolucionária com o apoio de Cuba, que o reconheceu como um dirigente revolucionário capaz de representar e fazer a revolução no Brasil, não mais dentro das concepções e orientações do Partido Comunista, mas numa guinada voltada para outro sentido.

IHU On-Line – Ideologicamente, como poderia ser definida a Ação Libertadora Nacional (ALN)?

Denise Rollemberg – A ALN era uma organização foquista, ou seja, defensora do foco guerrilheiro cubano, fundada nos moldes de Cuba. Quando Marighella foi para Cuba e se tornou o grande líder, até sua morte, apoiado por Cuba para implementar a revolução no Brasil, ele adere à teoria do foco, mas com muitas ressalvas também. Apesar de ele ter ficado tanto tempo no partido, numa política muito rígida, com a ruptura, Marighella obtém uma autonomia muito grande em relação a isso, exatamente pelas críticas que ele faz à burocratização do PCB. Então, a ALN vai ser fundada dentro da necessidade de valorizar a ação, ao mesmo tempo, ela é uma crítica à formação de um partido. O partido era necessário para fazer a revolução, mas não mais aquele partido tal qual o Partido Comunista. Daí que a ALN não vai assumir um nome como Partido da Ação Revolucionária.

Outra característica importante é a autonomia que seus dirigentes, encarnados no Marighella, defendiam. Eles diziam que a organização não deveria ser verticalizada, hierarquizada, exatamente criticando a estrutura dos velhos partidos comunistas. Pelo contrário, a organização deveria ser formada a partir de uma ideia horizontalizada, na qual os militantes que tivessem empenhados na luta revolucionária não precisavam mais passar por uma autorização da hierarquia partidária. As ações armadas deveriam ser organizadas em grupos de ação e estes teriam uma autonomia para fazer as suas ações armadas. Marighella inverte completamente a organização, suas ideias invertem completamente essa ordem de um partido revolucionário verticalizado para uma organização horizontal, na qual os militantes teriam muita autonomia para desenvolver suas ações armadas. E a questão do foco foi lida pelo Marighella de uma forma muito particular. Um apoio, sim, de Cuba seria importante para receber e incorporar os apoios disponíveis, principalmente, por toda a simbologia e a importância de Cuba naquele momento, na América Latina e no comunismo internacional, mas que não ficasse totalmente dependente de Cuba, refém da ajuda recebida. A revolução cabia aos revolucionários brasileiros. Foi uma organização muito diferente no sentido de que ela não se adapta a nenhum padrão rígido, exatamente diante da experiência de Marighella de tanto tempo no Partido Comunista. Ele cria uma organização muito mais flexível, em termos de hierarquias, ideologias, adaptando muitos vetores, e o resultado disso seria a própria ALN.

IHU On-Line – Qual era o conceito de revolução de Marighella?

Denise Rollemberg – É uma revolução de transformação e que passa, ao mesmo tempo, pela libertação nacional, com duas etapas muito rigorosamente separadas, tal qual o partido discutia, mas alguma coisa que a libertação nacional imediatamente levaria à revolução socialista através da ação armada. Ele mantém a ideia da libertação nacional nas duas etapas, mas ao mesmo tempo funde-as. Essa é a concepção de revolução dele, que mantém a perspectiva, mas ao mesmo tempo rompe com ela. Isto dentro da maneira como ele via Cuba, as possibilidades de fazer a revolução a partir do foco guerrilheiro.

IHU On-Line – A concepção da guerrilha do “foquismo” de Marighella se opõe a de Che Guevara e Regis Debray inspirada no maoísmo?

Denise Rollemberg – Ele tem uma leitura do foco guerrilheiro que é exatamente isso, a perspectiva do Che Guevara e do Regis Debray. Mas ele adapta. Vai receber o apoio urbano e vai aparecer para Cuba como a grande liderança revolucionária, mesmo depois de sua morte, esse apoio de Cuba a ALN vai se manter. Ele não faz toda a revolução no Brasil ou da luta armada depender exclusivamente do foco. O foco seria um elemento importante, mas mais um entre tantos outros.

IHU On-Line – Contextualizando historicamente a luta armada, quais foram os acertos e erros de Marighella?

Denise Rollemberg – Acho que o grande acerto, se formos pensar dentro desta linha do que acertou e do que errou, foi lutar pela revolução, pela transformação da sociedade, contra um conformismo, contra a ditadura. Não só resistir à ditadura, mas ir além desta luta. Poderíamos dizer até mesmo que, antes mesmo de 1964, ele estava lutando contra o capitalismo, pelo socialismo. Esse inconformismo com o status quo, seja ele dentro de um regime democrático como era no regime pré-1964, ele lutava pela transformação do Brasil. Acho que se pensarmos dentro desta perspectiva, que não é a óptica do historiador, de acerto e erro, a grande importância é isso. Quem faz erra e acerta, quem não luta erra sempre.

Acho que o inconformismo é não colaborar com a ditadura, com as injustiças é um legado importante. A ALN, assim como todas as outras organizações, acabou enveredando por um militarismo muito rigoroso, o que na verdade tem a ver com a organização, mas tem a ver também com o isolamento em que essas organizações ficaram no Brasil. Este isolamento delas com relação à sociedade tem a ver exatamente com o fato de que a sociedade brasileira, desde o final dos anos 1970, participou e apoiou muito a ditadura. Segmentos importantes da sociedade, não só das classes média e média alta, mas setores populares receberam de uma forma muito alegre a instauração do regime e apoiou o regime durante um bom tempo. Esta ideia de que a sociedade brasileira resistiu contra a ditadura, que a ditadura é uma questão dos militares e não da sociedade, é uma construção, a partir do fim dos anos 1970, que é memória e não história. É importante perceber que a ditadura não foi militar, mas civil e militar. Isto deve ser pensado para compreender porque a luta armada ficou tão isolada. Foi porque a sociedade foi muito participante da ditadura.

Notas:

[1] Jacob Gorender é um dos mais importantes historiadores marxistas brasileiros. Jovem, lutou na II Guerra Mundial, na Itália, como integrante da Força Expedicionária Brasileira. Foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual saiu, nos anos 60, para participar da fundação do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Foi preso e torturado quando da ditadura militar.

[2] Mário Alves de Souza Vieira foi um político brasileiro, um dos fundadores do PCBR. Destacou-se por ser um dirigente comunista estudioso do marxismo-leninismo.

[3] Carlos Lamarca foi um militar que desertou do exército durante a ditadura militar e se tornou um guerrilheiro comunista. Como guerrilheiro, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária, foi, juntamente com Carlos Marighella, um dos principais opositores armados à ditadura militar.
Fonte:IHU

PRECISO TRABALHAR MAS A MÍRIAM NÃO DEIXA.

Copiado do "Blog F.B.I.(Festival de Besteiras na Imprensa)

Estou atolado de trabalho e tinha decidido dar um tempo no blog. Mas a Míriam Leitão não me deixa trabalhar.

São inúmeras as besteiras que tem publicado e agora, depois de se lançar pré-candidata à Presidenta, com o panfleto-manifesto "Papel da Oposição", ela tá danada. Tirou a máscara de "jornalista imparcial" e partiu para a militância aberta.


Uma das pérolas de hoje (4/10/09), em seu blog, é "Governo tenta dividir estados federados"

"O governo está jogando na briga entre estados que produzem petróleo e os que não produzem na questão da divisão do bolo dos royalties do pré-sal. Essa briga acabaria isolando estados produtores, que são minoria. Rio e Espírito Santo decidiram que o melhor caminho seria reduzir a parcela da União, e não a de outros estados. É preciso acabar com essa grande concentração de impostos na União."

1. "O governo está jogando na briga entre estados"

Alguém próximo dela deve alertá-la de que a Constituição brasileira defende que estados que arrecadem mais contribuam para que os estados que arrecadem menos tenham uma parcela maior do bolo, do que teriam pela sua arrecadação.

Então não é o governo que está inventando, como ela quer fazer crer. A Constituição brasileira é assim, e ponto final. Cabe elogiar o governo ou criticar e tentar mudar a Constituição.


2. "É preciso acabar com essa grande concentração de impostos na União"

Esta proposta deve ser acrescentada às demais do panfleto "Papel da Oposição". Só que não nesse assunto.

Distribuição de royalties do pré-sal não tem a ver diretamente com impostos.

Ademais, é a própria Oposição que não para de exigir mais investimentos, além de melhor educação, saúde, assistência social, segurança e fiscalização.

Coisas que somente são possíveis com robustos recursos orçamentários da União.

A Míriam, no afã de fazer campanha agressiva, deveria alertar seus leitores que o maior peso tributário, que pesa de forma significativa nos bolsos dos(ãs) cidadãos(ãs), é relativo aos impostos estaduais (ICM) e municipais (IPTU, ISS). Então, "pau no Serra, no Aécio e demais governadores" e não no governo federal.

Finalmente, ela deveria bater na Oposição demo-tucana que não deixa avançar a proposta de reforma tributária, no Congresso Nacional, que instituirá uma política mais justa para todos(as).

CASO AÉCIO - Outro blogueiro confirma ter fontes do caso.

Copiado do "Blog do Rovái"

Ontem à noite informado pelo professor e blogueiro Idelber Avelar (agora também colaborador da Fórum) que Ailton Medeiros, jornalista do Rio Grande do Norte, também teria sido informado da confusão entre Aécio Neves e sua namorada. Li a nota e imediatamente a publiquei no post da entrevista do Juca.

Na mesma hora encaminhei ao Ailton cinco perguntas. Que ele respondeu e publico abaixo.

Também informo aos leitores que estou buscando mais uma entrevista para, neste blogue, encerrar a história. Claro, voltarei a ela se algo novo houver.

Em relação ao caso, minha opinião é a seguinte.

Se não for verdadeiro, Aécio merece retratação dos que estão bancando a história.

Se for, merece, no mínimo, o vexame público.

Simples assim.

Você poderia me dizer quando ficou sabendo da história e de que maneira? Foi antes ou depois da nota do Juca?Soube na quarta-feira (28) por uma pessoa, numa conversa descontraída pelo MSN. Essa pessoa tem ligações com a irmã de Aécio Neves. Mas me pediu para não publicar nada temendo represália.

Quem te contou deu algum outro detalhe que não está na nota do Juca?Sim, um rapaz filmou a briga com o celular. Informado por um amigo de Aecio, a segurança do hotel ainda tentou apagar a filmagem, mas não conseguiu.

Você sabe por que essas pessoas haviam ido a essa festa?

Minha fonte estava no hotel, com uma amiga que trabalha lá.

Uma delas é do RN e a outra?

A pessoa que é minha amiga é potiguar, mas mora no Rio há anos. A outra pessoa é carioca e funcionária do hotel.

Quem te confirmou a história tem alguma relação com o PSDB ou mais precisamente com o grupo de Serra no PDSB?

Nenhuma delas, mas a pessoa que é minha amiga conhece a irmã do Aécio.

PREFEITO DE NOVA IORQUE É CHAVISTA?

Copiado do "Blog do Rovái"

Acabo de ler no New York Times que o prefeito da cidade sede do jornal, o milionário Michael R. Bloomberg se reelegeu para um terceiro mandato. Pra que isso viesse a acontecer ele mudou a lei eleitoral local.

Zelaya foi acusado de chavista porque teria pensado, segundo os golpista hondurenhos, em uma medida para criar a possibilidade de um segundo mandato no seu país. Isso foi o suficiente para que alguns comentaristas tupiniquins justificassem o golpe.

Seria Bloomberg um chavista radical? Afinal ele aprovou um terceiro mandato, não um segundo.

Aliás, um presidente latino-americano de um país chamado Colômbia aprovou a mesma medida. O nome dele é Uribe. Chavista?

POLÍTICA - Aécio e Serra: quem é o agressor?

Altamiro Borges

O colunista esportivo Juca Kfouri, amigo intimo do governador José Serra – costumam assistir partidas de futebol juntos, segundo outra chegada, a ex-vereadora Soninha –, embolou de vez o meio de campo tucano para a eleição presidencial. Ele postou a seguinte denúncia em seu blog: “Aécio Neves, o governador tucano de Minas Gerais, que luta para ter o jogo inaugural da Copa do Mundo em 2014, em Belo Horizonte, deu um empurrão e um tapa em sua companheira no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio de Janeiro”.

Irritado, o governador mineiro retrucou de imediato: “Isso é uma aleivosia tão grande. Eu me sinto, claro, pessoalmente ofendido por isso, mas prefiro até nem comentar para não validar algo tão distante da minha prática cotidiana. Sempre fiz política e vou continuar fazendo num patamar muito superior a esse. E o que eu posso dizer é que é uma calúnia vergonhosa”. Sua namorada, Letícia Weber, também rechaçou a acusação e alguns parlamentares tucanos já saíram em defesa de Aécio Neves, insinuando que a acusação teria mesquinhos interesses político-eleitorais.

A mídia e a cortina de silêncio

Apesar do rápido desmentido, Kfouri manteve sua denúncia. Ele citou uma postagem do blog de Joyce Pascowitch, que noticiou o crime, sem apontar o criminoso. “Um dos convidados mais importantes e famosos da festa que o estilista Francisco Costa, da Calvin Klein, deu na piscina do hotel Fasano, nesse domingo, acabou estrelando uma cena que deixou todos os convidados constrangidos. Visivelmente alterado, ele deu um tapa na moça que o acompanhava – namorada dele há algum tempo. Ela caiu no chão, levantou e revidou a agressão. A platéia era grande e alguns chegaram a separar o casal para apartar a briga. O clima, claro, ficou muito pesado”.

E numa entrevista nada esportiva ao blog do antenado jornalista Renato Rovai, Kfouri colocou ainda mais lenha na fogueira:

Rovai: Quando você recebeu a informação de que essa agressão havia ocorrido?

Kfouri: Recebi no sábado pela manhã um e-mail contando a história e comentando uma nota da Joyce Pascowitch. Vi que o assunto tinha sido tratado pela Barbara Gancia no Twitter e aí fui atrás da informação. Conversei com uma pessoa que foi na festa e que disse que estava a cinco metros do acontecido, tendo visto a moça tomar um tapa e cair no chão. Contou ainda que a viu se levantar e reagir indo pra cima dele.

Rovai: Você confirmou a história com outras pessoas ou confiou plenamente na sua fonte?

Kfouri: Antes de dar a nota fiz quatro ou cinco ligações pra festeiros cariocas amigos meus e todos me confirmaram a história, apesar de não terem visto a cena.

Rovai: Você diz em seu blog que a imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos. É possível ser mais claro em relação a essa frase.

Kfouri: É isso mesmo que você está pensando, Renato. Circulam mil histórias em relação ao Aécio, histórias que, aliás, o Mineirão canta em coro [durante a partida Brasil e Argentina, no ano passado, parte da torcida presente entoou o coro “Ô Maradona, vai se f..., o Aécio cheira mais do que você"]. Acho que a imprensa tem obrigação de investigar isso, como deveria ter feito o mesmo em relação ao caçador de marajás. Isso não pode ser tratado como coisa menor, como algo regional.

Rovai: Há muito especulação de que a informação poderia ter partido de algum tucano relacionado ao governador Serra, o que você tem a dizer sobre isso?

Kfouri: Não é verdade. Não falei com nenhum tucano a respeito do assunto, conversei apenas com os festeiros cariocas, que confirmaram a história.

“Os bons amigos na imprensa”

Juca Kfouri nega qualquer digital de José Serra na bombástica acusação, mas há quem duvide. Tanto ele como Joyce Pascowitch nunca esconderam suas ligações com o governador paulista. Afora isso, são bem conhecidas as técnicas maldosas deste grão-tucano contra seus adversários. José Sarney, presidente do Senado, até hoje não perdoa Serra pela onda de denúncias contra sua filha, que abortaram a candidatura presidencial de Roseana Sarney em 2002. Geraldo Alckmin também não engoliu as revelações sobre o seu envolvimento com a seita direitista Opus Dei, que vazaram do Palácio dos Bandeirantes durante a rinha tucana para as eleições de 2006.

Como aponta o jornalista Rodrigo Vianna, a denúncia de Kfouri “serve aos interesses de Serra. Não quero dizer com isso que Juca esteja a serviço da candidatura Serra. Longe de mim levar o leitor a esse tipo de conclusão. Mas é estranho... A nota de Juca, do que jeito que foi redigida, cumpre (involuntariamente?) um papel importante. Manda a Aécio o recado: ‘Você tem telhado de vidro, se botar as manguinhas de fora, virá pancada pra valer’... Serra manda recados através da imprensa. Conta com bons amigos para isso”.

“O paranóico e vingativo" tucano

No mesmo rumo, o blogueiro Luiz Antonio Magalhães foi ainda mais taxativo. Para ele, não há dúvida sobre a maldade do governador paulista, “especialmente pelo fato da bomba estourar bem no momento em que Aécio decidiu partir para o confronto com Serra pela vaga presidenciável tucana em 2010... Serra joga pesado, sim, as paredes do Bandeirantes sabem direitinho o quão paranóico e vingativo o governador de São Paulo é... E é bom mesmo Aécio ficar bem esperto, porque o vazamento do tal tapinha deve ser só o começo da ‘desconstrução da imagem’ do governador mineiro, como gostam de dizer os chiques tucanos paulistas”.

As duas hipotéticas agressões – a de Aécio contra a namorada e a de Serra contra Aécio – podem bagunçar de vez o ninho tucano e dificultar as pretensões do bloco neoliberal-conservador para a sucessão de 2010. O partido do rejeitado FHC já estava sem discurso e sem proposta, desesperado com a crescente popularidade de Lula. Agora ainda terá que resolver a sua rinha interna.
Blog do Miro.

MEIO AMBIENTE - Todos são responsáveis.

Marina Silva

Terra Magazine

Nesta manhã de quarta-feira está prevista uma nova votação, na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, do projeto (PL 6424/05) que altera substancialmente o Código Florestal. Se aprovada, a proposta vai anistiar os desmatamentos ilegais realizados até julho de 2006, acabar com a regra nacional para as áreas de preservação permanente e, com outras medidas, diminuir o nível de proteção do que ainda resta de florestas.

Trata-se de mais uma tentativa de setores ruralistas de enfraquecer a legislação ambiental, à revelia do debate, da transparência e do interesse público. A proposta, que na semana passada só não foi votada em razão de protestos da sociedade civil, visa atender interesses imediatistas de setores mais atrasados do agronegócio, que querem eliminar direitos e flexibilizar garantias socioambientais duramente conquistadas ao longo dos últimos anos.

Uma proposta dessa amplitude, envolvendo pessoas e interesses de toda sorte, não pode ser conduzida com parcialidade, privilegiando setores em detrimentos de outros. Deveria ser tratada de forma aberta e abrangente dentro da Comissão especial criada, na Câmara, para debater todas as propostas de modificação no Código Florestal.

Lamentavelmente, a tentativa de alterar a legislação ambiental se dá de forma autoritária. E o debate não tem encontrado espaço em pleno Congresso Nacional. As leis podem ser aprimoradas e já existem propostas com esse objetivo, dentro de um relativo consenso.

A poucas semanas da Conferência do Clima que será realizada em Copenhague, em dezembro, quando o mundo decidirá um novo regime de metas para diminuição da emissão de gases efeito estufa, o Brasil corre o risco de ver arruinado todos os seus esforços contra o desmatamento, inclusive as duas propostas aprovadas pelo plenário da Câmara na semana passada: a que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima e o que cria o Fundo Nacional para Mudança Climática (FNMC). Esses dois instrumentos - se aprovados pelo Senado - terão papel fundamental na proteção dos biomas e na consolidação de uma matriz energética renovável e segura.

A última coisa que o Brasil e o próprio setor agrícola precisam é de sinal verde para desmatar. Temos terra suficiente para aumentarmos a produção agrícola sem necessidade de derrubarmos mais árvores. Para isso, basta usarmos corretamente as tecnologias que já estão disponíveis e sendo utilizadas, provando que são viáveis economicamente, dentro de um modelo sustentável.

Em defesa desse retrocesso está a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), com o argumento enviesado de que assim se estará aprimorarando o Código Florestal, pois propõe mais rigor aos futuros desmatamentos. Com isso, mais uma vez, prevalece a lógica perversa da impunidade e do desrespeito às leis que protegem o ambiente de todos. E aqueles que vêm cumprindo a legislação, serão desrespeitados e desestimulados, uma vez mais.

Não é hora para omissões. A responsabilidade maior pela rejeição de uma proposta como essa, em votação hoje, é do governo, mas também dos partidos de oposição. A responsabilidade é de todos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

MÍDIA - Generosidade no dia de finados.

Enviado pelo amigo Saraiva do blog Saraiva 13.

por Jeferson Melo, jornalista

“E aí vocês vão compreender porque a figura do chamado formador de opinião pública, que antes decidia as coisas nesse país, já não decide mais”. A aguda simplicidade da frase do presidente Lula, dirigida aos jornalistas que cobriam um evento em São Paulo, guarda uma verdade complexa e diz respeito à série de mudanças que atingem e redefinem, numa velocidade espantosa, o modo como se opera a comunicação social nesse início de século.

A constatação que os ditos formadores de opinião perderam importância mexeu com os brios da “mídia” brasileira, principalmente por expor um fato amplamente comprovado. Os “formadores de opinião” alcançaram alguma importância no início da década de 90, mas hoje, quase 20 anos depois, se tornaram irrelevantes. O próprio presidente Lula e sua popularidade estratosférica são o melhor exemplo da verdade contida no enunciado.

Assim como estabilizou sua aprovação popular na casa dos 80%, o presidente alcançou a unanimidade entre os articulistas, editorialistas, colunistas, comentaristas, pauteiros e até entre editores e repórteres da chamada grande imprensa. Quase todos, diariamente, se dedicam a atacar, distorcer e criticar negativamente todos os atos e ações do governo. E quando isso não é possível, a solução recorrente é a omissão dos fatos. E, mesmo assim, não se altera a percepção dos brasileiros.

A estratégia das empresas de comunicação brasileiras é adotada no momento em que o acesso à internet se expande e se consolida no país. Nesse meio, um turbilhão de informações está disponível ao cidadão, que pode ter acesso à fonte primária da notícia, além de opiniões distintas e variadas sobre qualquer tema de interesse. Gratuitamente. Os jornais, ao contrário, editorializaram a notícia e eliminaram a diversidade de opinião. Nos veículos brasileiros, independente de quem assina, o conteúdo pertence à mesma matriz ideológica. Uma ladainha monótona, com conclusão previamente conhecida. Não comporta análises, nem reflexões. É dispensável.

A última pesquisa Ibope Nilesen On Line mostra que 64,8 milhões de brasileiros já acessam a internet. Concomitantemente, o país registra a maior mobilidade social de sua história, com mais de 30 milhões ingressando na classe média. Gente que passou a consumir bens e produtos, entre os quais, a informação. E não é informação de jornal, porque estes registram retrações históricas de vendas, chegam aos números de tiragens de jornal de bairro. Também não é a informação veiculada nos velhos telejornais, que perdem o monopólio da audiência.

A lenda em torno do poder dos formadores de opinião ganhou corpo na década de 90, quando ainda vigorava a chamada “teoria da pedra no lago”, que recorria à imagem para comprovar que uma opinião emitida por determinada pessoa ou veículo se difundia através de ondas concêntricas para atingir parcela significativa da população. Com os blogs, sites, portais, páginas de relacionamentos, grupos sociais pendurados na internet, a água do lago perdeu a serenidade.

Receptores se transformaram em emissores. O lago é apedrejado diuturnamente. É uma babel onde o editorial, artigo ou reportagem da última edição faz tanta onda quanto a postagem de alguns blogueiros. Com a força que a crítica da mídia ganhou na internet, opiniões ou notícias publicadas pelos veículos tradicionais alcançam alguma relevância quando são alvos da desconstrução por parte dos blogs dedicados ao tema. Esse processo, estimulado pela falta de compromisso com a verdade por parte de quem noticia, mina o maior patrimônio de um veículo de comunicação: a credibilidade.

A internet produziu outro fenômeno, que é a difusão da informação de maneira colaborativa. Determinado assunto é debatido por diversas pessoas, que oferecem detalhes, novidades, opiniões e abordagens distintas sobre a questão em pauta. Tece-se uma rede ou uma corrente de opinião, cujos elos são mais fortes e perenes que ondinhas no lago. São recorrentes os exemplos em que os navegantes interferiram no rumo dos veículos ou no curso da história.

Casos como a farsa em torno dos atentados de Madri, em 2004, cuja versão que atribuía a autoria ao ETA para favorecer a eleição de Jose Maria Asnar foi desmentida. E também a coleção de pseudo-fatos gerados pela Folha de São Paulo, que incluem a tentativa de amenizar a ditadura militar no Brasil, classificando-a como “ditabranda”, neologismo do ditador Pinochet; o spam com a ficha fajuta da ministra Dilma Rousseff; ou o mexerico sobre “agilizar” processos na Receita Federal. Todos provocaram correntes de protestos e também de chacotas tendo como alvo o próprio jornal.

Uma rápida observação na escalação do time dos formadores de opinião brasileiros endossa a observação do presidente. O grupo se reduz a figurinhas carentes de credibilidade e adestradas para repetir um discursinho ultrapassado. Alguém, além dos senadores do DEM ou do PSDB, leva a Veja e seus colunistas a sério? Qual a importância das “análises” de Miriam Leitão ou de Lúcia Hipolyto, inimigas da lógica e divorciadas da realidade. Arnaldo Jabor, macaqueando asneiras na tela da TV influencia algo além do discurso do Agripino Maia para um plenário vazio? Ou o formador de opinião é o Willian Bonner, interpretando uma expressão indignada após exibir mais uma reportagem com discurso do presidente Lula. Dora Kramer e Eliane Catanhede, quando muito, incomodam suas manicures com seus discursos.

Engana-se quem pensa que o presidente Lula jogou uma pá de cal no formador de opinião. Ao expor a irrelevância alcançada por essa turma, ele generosamente depositou flores em túmulos abandonados.

POLÍTICA - O velho nadador voltou.

Copiado do blog Entrelinhas do Luiz Antônio Magalhães.

O artigo reproduzido abaixo foi escrito pelo autor deste blog para o Correio da Cidadania no final de julho de 2003. É impressionante como permanece atual, mais de seis anos depois e ainda mais hoje, quando Fernando Henrique Cardoso voltou ao noticiário político para pregar o "fim do continuísmo" - vale a pena ler o artigo do ex-presidente, publicado nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo. Não dá para não reconhecer que FHC é quem tenta, é bom pontuar isto, apenas tenta, dar a linha política para a atuação da oposição ao governo Lula. No fundo, o artigo deste domingo revela muito mais as dificuldades que o consórcio demo-tucano vai enfrentar no próximo ano do que propriamente uma saída, um rumo ou discurso político para o futuro. E a razão para isto é muito simples: nem PSDB e muito menos o DEM possuem um projeto alternativo ao do PT para o país. Neste momento, apenas os partidos radicais de esquerda ainda têm um ligeiro esboço de projeto alternativo, ainda que de difícilima consecução. De qualquer maneira, a oposição que de fato conta está aí, sem programa, sem discurso, sem proposta alternativa. Sim, ela tem um candidato forte, mas dá até para ler nas entrelinhas do artigo de Fernando Henrique que isto não garante coisa alguma: se é para dar um "basta ao continuísmo", como ele prega, será preciso explicar para a população por que Lula e o PT são piores do que tucanos e democratas. E a comparação, infelizmente para FHC, não lhe é muito favorável...
Abaixo o texto de 2003, incrivelmente atual.

O cinismo do ex-presidente

Fernando Henrique Cardoso está de volta. Após um longo período de férias em Paris e Washington, ele tem se dedicado a duas tarefas: assediar empresários para conseguir mais recursos para o seu "instituto" e criticar o presidente Lula.
Na semana passada, os internautas que acessaram o provedor de internet Terra tiveram a oportunidade de assistir a um espetáculo deprimente: Cardoso foi o entrevistado do serviço de tevê do site e teve a seu dispor exatos 62 minutos para discorrer sobre os mais diversos temas. Muito à vontade na frente das câmeras, ele se esqueceu do velho ditado popular: quem fala muito dá bom dia a cavalo. "Sinto falta da piscina do Palácio do Alvorada, que era muito boa, e do uso do helicóptero", afirmou Fernando Henrique ao responder sobre como se sentia após ter deixado a presidência da República. Se tivesse parado nesta bobagem, nada demais. Afinal, não deixa de ser interessante que a população saiba com mais detalhes do que realmente gostava de fazer o ex-chefe da nação.
As bobagens, porém, continuaram. Fernando Henrique criticou as reformas propostas pelo governo Lula. "Eu não mexeria com direitos adquiridos", afirmou, referindo-se à proposta de reforma da Previdência Social da gestão Lula. Essa afirmação do ex-presidente, mais do que uma bobagem, é uma grande mentira, pois em diversas ocasiões o governo FHC tentou, sim, modificar direitos adquiridos, como bem lembrou um editorial da revista eletrônica Primeira Leitura, dirigida por um antigo aliado de Cardoso, o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Bobagens à parte, o fato é que a atabalhoada volta de Fernando Henrique ao cenário político tem uma explicação lógica. Está faltando oposição ao governo Lula. Na prática, até agora apenas os radicais do PT e meia dúzia de gatos pingados do PSTU ocuparam o espaço destinado à oposição. Obviamente, a crítica que vem sendo feita por esses setores está, digamos assim, à esquerda do governo Lula. Embora muitas vezes a crítica dos radicais seja justa, a verdade é que não está conseguindo comover a população, que mantém alta a popularidade do presidente e até aceita esperar mais tempo pelas mudanças prometidas, conforme comprovou a recente pesquisa realizada pelo instituto Sensus, realizada para a Confederação Nacional dos Transportes.
À direita do presidente Lula, a bem da verdade, as críticas que apareciam ao seu governo se resumiam aos ataques um tanto histéricos de fazendeiros assustados com o que julgam "falta de ação" do governo contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Do ponto de vista da política econômica ou mesmo das reformas, o silêncio dos conservadores era sepulcral, mesmo porque tudo que Lula fez até aqui não foi outra coisa senão continuar o modelo anterior e carregar a tal "herança maldita", reclamando um pouco, mas aceitando o fardo até com mais resignação do que deveria.
O PSDB, até pela derrota na eleição passada, deveria naturalmente liderar a oposição a Lula, mas mostrou-se neste primeiro semestre completamente incompetente para criar fatos políticos ou combater o governo. Toda a oposição dos tucanos limitou-se às bravatas de Arthur Virgílio e José Aníbal, uma dupla que não é levada a sério nem mesmo dentro do PSDB. Serra sumiu, Alckmin e Aécio resolveram ficar de bem com o presidente (e a opinião pública) e o partido perdeu o rumo. Foi necessário que o ex-presidente Cardoso se apresentasse para o partido voltar a ter algum norte. A história da oposição a Lula está começando. Ao que parece, terá o cinismo como estratégia e um velho nadador como comandante.
Por Luiz Antonio Magalhães

A DESUMANIDADE DO BLOQUEIO A CUBA.

Copiado do blog do Brizola Neto.

A matéria sobre as bases norteamericanas na Colômbia fez com que eu me atentasse sobre um e-mail que recebi e fui checar. Nossa imprensa é muito boa para nos desinformar. Eu, que leio quase tudo por aqui, não sabia. Para não ser desonesto, só Globo Online publicou uma nota em sua seção digital, em maio deste ano.

O que foi? Prefiro contar de outra forma. Alguém é capaz de dizer o que aconteceria se o governo Cuba tivesse cortado o acesso dos cubanos ao MSN? Ou Chávez tivesse feito isso com os venezuelanos? Alguma dúvida de que isso iria para as manchetes, com as costumeiras acusações às “ditaduras” esquerdistas e os clamores pela libertade, etc?

Mas, caro navegante, os cubanos estão impedidos de acessar o MSN, sim. Não por Fidel, mas por Bill Gates. A Microsoft obedeceu à política de bloqueio a Cuba que os Estados Unidos praticam desde 1962 e cortou o acesso dos internautas cubanos ao país.

Contei a história - que você pode comprovar aqui - desta forma porque, neste ambiente de internet, isso é tão insólito que sei que ajudará a compreender que monstruosidade é o bloqueio norteamericano a Cuba. Talvez, a alguns, antes de ver que a coisa chega a esse ponto, parecesse piegas ou apelativo o que vou contar a seguir. Mas é muito, muitíssimo pior que bloquear o MSN.

“Alexis Garcia Iribar nasceu em Cuba, na província de Guantánamo, com uma doença cardíaca congênita. Já com 6 anos de idade, depois de sucessivos adiamentos e de complicações, teve que ser operado em 9 de março de 2009, com o coração aberto, porque o governo dos Estados Unidos proíbe que as empresas NUMED, AGA e Boston Scientific vender a Cuba os dispositivos Amplatzer e Embolização Coil para o cateterismo pediátrico que substitui a cirurgia.”

“As crianças cubanas que sofrem de leucemia linfoblástica e rejeitam a medicação padrão não podem ser tratadas com o produto norte-americano “Elspar” criado especificamente para os casos de intolerância. Como resultado, sua expectativa de vida é reduzida e aumenta o seu sofrimento. O governo dos E.U.A. proíbe a empresa Merck and Co. fornecimento para Cuba. ”

A narrativa é do ministro cubano das Relações Exteriores e foram feitas na Assembléia Geral da ONU, quarta-feira passada, em Nova York. Mais publicamente, impossível. Você pode ler o press realease da ONU aqui e uma versão em português do discurso do chanceler cubano aqui.

Minha preocupação em documentar é porque isso parece inacraditável. É parte do que a representante brasileira naquela reunião, a diplomata Maria Luiza Ribeiro Viotti, dizia parecer que já tinha sido “deixado morto e enterrado” como um anacronismo da época da guerra fria”.

Barack Obama ganhou um Prêmio Nobel da Paz, pela esperança que o mundo tem de que ele ponha fim a coisas deste tipo. Tomara que sim.

EUA - Pentágono admite: base na Colômbia não é antitráfico.

Copiado do blog do Brizola Neto.

Desde Palanquero, o gigantesco C-17, de transporte de tropas e blindados. de Palanquero,pode alcançar metade do território da América Latina, sem reabastecer. Leva até 130 paraquedistas ou tanques

A Folha de S. Paulo revela hoje que o documento enviado pelo Pentágono ao Congresso dos EUA para justificar a concessão de US$ 46 milhões para equipar a base de Palanquero, na Colômbia desmonta o argumento de que as bases cedidas pelo governo colombiano serviriam para o combate ao tráfico de drogas. No documento, os militares dos EUA considerm a base uma “oportunidade única” de obter “acesso e presença regional a custo mínimo” numa área sob ameaças constantes, entre elas as vindas de “governos antiamericanos”.

Acesso e presença regional que se estendem, com o alcance dos aviões militares, a mais dametade do território sul-americano, inclusive o Brasil, até pouco depois de Brasília. A base fica a 180 km a oeste de Bogotá.

A própria Folha reconhece que “o documento solapa a retórica de Washington e Bogotá, que repetem o mantra de que o pacto militar assinado na sexta-feira –que permitirá aos EUA usar outras seis instalações além de Palanquero– visa atacar só problemas domésticos colombianos, e dá combustível às reclamações de Chávez, que vê no trato uma ameaça a seu país”

Segundo a matéria, o documento do Pentágono enviado ao Congresso classifica a base de Palanquero como o melhor lugar “para conduzir um completo espectro de operações pela América do Sul” , O jornal narra ainda que, para o Pentágono o investimento na base vai “melhorar a capacidade dos EUA de responder rapidamente a crises, assegurando acesso e presença regional com custo mínimo”. Contribuirá também para “expandir capacidade de guerra aérea”, inteligência e monitoramento.

Dia 19 passado, o presidente Lula disse ter conversado com os presidentes Álvaro Uribe (Colômbia) e Barack Obama (Estados Unidos) sobre a instalação das bases e disse que se convenceu de que o objetivo das estruturas militares é auxiliar o país vizinho a cuidar de problemas domésticos, como a luta contra o narcotráfico e o combate às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Portanto, o Itamaraty está obrigado cobrar esclarecimentos urgentes sobre o documento do Pentágono.

Afinal, Lula disse, na ocasião, à Agência Estado:

- “Tanto Uribe quanto Obama me disseram que as bases são para cuidar dos problemas internos da Colômbia. O Brasil não terá motivo para ficar incomodado se o objetivo, e eu confio na palavra dos presidentes, for esse”

POLÍTICA - Serra entre o príncipe e a caveira.

Rovai

O governador José Serra, que tem um assessor sempre atento para lhe borrifar álcool gel nas mãos após sessões de saudações a eleitores, vive dias hamletianos. Não sabe o que fazer com sua iminente derrota se candidato for à sucessão presidencial.

Hamlet é uma das clássicas obras uma obra de Shakespeare. O personagem principal é o príncipe da Dinamarca, que empresta o nome à obra. Num dado momento, segurando uma caveira, se pergunta: “to be or not to be, that´s the question”. A pergunta que Serra deve estar se fazendo é se ele é o príncipe ou a caveira.

Claro que ele não tem dúvida que é príncipe ou algo mais relevante, acontece que os súditos do reino da Dinamarca, conhecido por essas bandas pelo nome vulgar de Brasil, não são todos paulistas. E não são todos da classe média preconceituosa. Se assim fossem, Serra seria rei, não príncipe.

É difícil para o nobre governador escapar da disputa contra a candidata do governo. Até porque há muita gente a lhe cobrar esse gesto de coragem. Mas ao mesmo ele teme em gritar truco sabendo que a adversária tem um zap, aquela carta que não é derrotada nem pelo mais alto brado nem pela pior cara feia – algo que ele tem de sobra.

Lula é o zap da vez. Este blogueiro desconhece na história política recente um governante que não tenha se reelegido ou feito sucessor com 80% de aprovação.

Ao mesmo tempo Serra sabe que se não for candidato se tornará um espectro a governar São Paulo, já que mesmo se Aécio vier a ser derrotado por Dilma, a tendência é que consolide nacionalmente seu nome e passe a ser a opção do PSDB para faturas futuras.

É de lascar o drama hamletiano de Serra. Ele que se acha príncipe, começa a perceber que está se tornando uma caveira política. Até porque se vier a optar pela candidatura a governador, passará a ser tido pelos súditos como um borra-botas, alguém que não tem coragem de enfrentar desafios mais duros. Isso também pode lhe ser fatal.

Se vier a desistir da disputa nacional, a disputa paulista poderá não lhe ser tão fácil. Nem o paulista conversador vai gostar de ter um borra-botas à frente do seu glorioso estado. É também por essas e não só pelas outras, que nosso governador tem se dedicado a questão do príncipe da Dinamarca.

Não deve ser fácil para um tucano ter de decidir algo desta monta. E até por isso ele tem se dedicado a cada a adiar mais um dia e outro dia a decisão. Boa sorte, governador. Aliás, governador príncipe ou governador caveira?

PS: Hoje nosso governador também deve estar se perguntando: será que o Aécio deu um tapa na sua namorada? Ao mesmo tempo Alckmin e Roseana já devem ter ligado para o mineiro, relembrando os casos da Lunus e da Opus Dei.

Quero registrar que não duvido da veracidade da história. Primeiro, porque acho Juca Kfouri um jornalista sério. Segundo, porque já ouvi outras histórias com viés semelhante associando Aécio desvios de cunho comportamentais. Mas ao mesmo tempo acho estranho que isso venha à tona nesta altura do campeonato.
Fonte:Blog do Rovai

MENSAGENS PARA FHC.

Emir Sader

FHC está carente. Já no segundo turno das eleições presidenciais de 2006, para tentar, desesperadamente, não perder, Alckmin tinha renegado as privatizações e outras proezas do governo FHC. Agora Roberto Freire quer passar a idéia de que a política econômica de Serra não seria a mesma de FHC. Na mesma linha, sabendo que a inevitável comparação entre os oito anos do governo de FHC com os oito anos do governo Lula, será devastadora para o bloco tucano-demo, Aécio diz que nao será anti-Lula, mas pós-Lula.

Toda essa tentativa de fazer como se o governo FHC não tivesse existido ou que não tivesse nada a ver com os mesmos partidos opositores de hoje, deixa FHC carente.

Mandem uma mensagem para FHC.

A minha é: prepare o balanco do seu governo, para confrontá-lo com o do governo Lula e deixe o povo decidir que futuro quer para o Brasil.

Mandem vocês as mensagens, aqui todo muito diz o que quer. Mandem, ele merece.
Fonte:Blog do Emir

POLÍTICA - A imprensa, Yeda e Lula no Pampa.

Paulo Cezar da Rosa

Muita gente acredita na recuperação de Yeda Crusius, na possibilidade dela vir até a reelege-se em 2010. Crê que vencidos os inquéritos, os processos administrativos, judiciais e políticos, como o impeachment e a CPI ainda em curso na Assembleia, a governadora renascerá das cinzas numa campanha eleitoral restauradora de sua imagem e sua política. O trabalho que está sendo feito nos últimos 60 dias para Yeda reforça essa tese. No lugar da governadora geradora de conflitos, uma Yeda "paz e amor" passou a ser apresentada em todos os meios de comunicação em fotos e manchetes.

Até ano passado a possibilidade de recuperação era real. Um conjunto de elementos indicava que Yeda poderia afirmar seu governo e, um pouco como Lula no pós-mensalão, dar a volta por cima. Agora, não existe mais gerenciamento de imagem que resolva seus problemas. Os que acreditam poder recompor sua viabilidade eleitoral em geral subestimam a inteligência do eleitor. Acham que o marketing e mídia podem tudo.

Os motivos que levaram Lula às alturas na avaliação do cidadão brasileiro são os mesmos que colocam Yeda entre os piores governos da história do Rio Grande. O presidente Lula chegou aos 80% de aprovação por causa da sua política e navegando na contra-mão do PIG. Já Yeda fez o inverso. Com uma proteção permanente do PIG, a governadora hoje tem cerca de 80% de desaprovação. Ou seja, assim como o PIG não derrotou Lula, o PIG não será capaz de reerguer Yeda em 2010.

Políticas inversas
A saga de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul repete, em grande medida, a de seus antecessores. Jair Soares, Alceu Colares, Antonio Britto, Olívio Dutra, Germano Rigotto foram governadores que buscaram acertar e acabaram recusados pelo eleitor. Mas Yeda tem uma particularidade: ela sempre dependeu da força das suas ideias e pôde desprezar, em sua trajetória, partidos, forças sociais e soluções de compromisso. Até chegar, quase por acaso, ao cargo que ocupa hoje.

Tudo o que se pensar sobre Lula e suas políticas, deve-se colocar um sinal de negativo para compreender Yeda. Enquanto Lula agrega, Yeda confronta. Enquanto Lula conversa, Yeda briga. Enquanto o Brasil segue em frente, O Rio Grande vai para trás.

Yeda faz um governo que teve a ousadia de instalar uma representação em Brasília chamando-a de "embaixada", como se o Brasil fosse um outro país. No governo gaúcho, confrontada com uma posição em que, obrigatoriamente, é preciso "fazer política", Yeda revelou-se incapaz. Sua gestão é uma sucessão de confrontos e feitos inúteis ou negativos, a maior parte deles com os próprios aliados. Incluem-se nesta lista o vice-governador, Paulo Feijó, do DEM; o assessor morto em Brasília, que chegou a ser nomeado "embaixador" da "representação gaúcha"; o "companheiro" Lair Ferst, que teria feito uma delação premiada; o ex-secretário da Segurança Pública, Otávio Germano (PP), que teria a ver com a corrupção no Detran.... A lista é longa e deve frequentar as atas de julgamentos e condenações judiciais nos próximos anos. Diante de tudo isso, Yeda mostrou-se inconfiável ao eleitor. Ela havia prometido "um novo jeito de governar". O mínimo que deveria ter cumprido seria encarar de um modo diferente a corrupção. Mas, não. Yeda acabou decorando o quarto do neto em sua casa particular com dinheiro público. Comprou puffs e assoalhos emborrachados. E não existe PIG no planeta que consiga justificar isso. Nem vai resolver o PSDB intervir no estado gaúcho, nomeando uma agência paulista para cuidar da imagem de Yeda.

O papel do PIG gaúcho
Já manifestei aqui meu distanciamento crítico quanto ao termo PIG. Esqueçam! Vocês, leitores, me convenceram de que é preciso trabalhar com o conceito. Mas vamos ao que interessa: O PIG gaúcho fez tudo o que podia e não podia por Yeda Crusius. Se alguma coisa vale a minha palavra, eu testemunho: nunca um governante teve tamanha boa vontade da mídia quanto Yeda Crusius. Nem mesmo Antônio Britto foi tão defendido. Yeda teve tudo, tudo, tudo. E ainda está tendo. E, em que pese o peso e importância da mídia na formação da opinião das pessoas, todo o apoio que foi dado à governadora não conseguiu forjar uma imagem positiva de seu governo.

Ao mesmo tempo, o PIG gaúcho vem martelando contra Lula noite e dia nos últimos anos mas também não consegue imprimir uma imagem negativa ao presidente. Ao contrário, hoje Lula tem no RS praticamente os mesmos índices que possui no país. Ou seja, o papel do PIG gaúcho, cada vez mais, é enrolar peixe no dia seguinte.
Paulo Cezar da Rosa

Direto de Porto Alegre
Fonte:Carta Capital

CAMINHADA COM CEM PASSOS POR MINUTO É O IDEAL.

BBC

Pesquisadores sugerem que as pessoas caminhem por meia hora

Pesquisadores americanos concluíram que uma caminhada diária de meia hora, com uma média de cem passos por minuto, pode ser a medida ideal de exercício moderado para o coração.

O estudo realizado pelos pesquisadores da Universidade de San Diego foi publicado pela revista acadêmica American Journal of Preventive Medicine.

Os pesquisadores basearam suas conclusões em exercícios realizados por 97 adultos saudáveis com uma média de idade de 32 anos.

Durante a avaliação, os pesquisadores observaram as demandas do corpo por oxigênio enquanto as pessoas caminhavam em uma esteira.

Intensidade moderada

De acordo com a pesquisa, o homem precisa caminhar, em geral, a uma velocidade de 92 a 102 passos por minuto para realizar um exercício cardiovascular de intensidade moderada. A faixa para as mulheres é de 91 a 115 passos por minuto.

"Porque os benefícios à saúde podem ser atingidos com um mínimo de dez minutos de exercícios, uma forma útil de começar a se exercitar é tentar dar mil passos em dez minutos, até chegar a 3 mil passos em 30 minutos", disse Simon Marshall, chefe da equipe de pesquisadores.

Os autores do estudo sugerem o uso de um pedômetro - aparelho que conta os passos - em conjunto com um relógio de pulso durante a caminhada.

Mas médicos ressaltam que o estudo foi realizado com pessoas saudáveis, e indivíduos acima do peso podem ter outras necessidades.

POLÍTICA - Suplentes sem votos.

No sistema político, em casos de renúncia, afastamento, licença médica ou falecimento, entra em cena a figura dos suplentes, que substituem vereadores, deputados federais, estaduais, distritais e senadores. Na Câmara dos Deputados, atualmente, exercem mandato 58 suplentes, o equivalente a 11% do total de 513 integrantes da Casa. Já no Senado, onde os suplentes não recebem votos dos eleitores, eles são 19. Significa que dos 81 senadores, 23% não foram eleitos nas urnas, ou que a cada quatro parlamentares na Casa, um não recebeu nenhum voto.

Os suplentes do Senado, escolhidos livremente pelos próprios parlamentares durante a campanha eleitoral, assumem o mandato sem receber nenhum voto do eleitor, diferente do que ocorre na Câmara, onde os suplentes participam do pleito eleitoral e recebem votos. A suplência sem voto já recebeu muitas críticas, inclusive dos próprios suplentes, que afirmam querer contribuir com votos. O senador Lobão Filho (PMDB-MA), por exemplo, antes de assumir a vaga deixada pelo pai, em 2008, ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, defendeu mudanças na regra para a substituição.

Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), que herdou a cadeira do pai Antonio Carlos Magalhães, falecido em 2007, endossou o corro, à época: “se o suplente fosse obrigado a se expor na campanha, ter seu nome no material, isso já seria uma forma de conter os abusos”.

Outro senador a pedir mudanças é Cristovam Buarque (PDT-DF), que já se posicionou contrário ao fato dos suplentes assumirem cargos na Mesa Diretora, presidência ou vice-presidência de comissões como, por exemplo, no Conselho de Ética, caso do senador Paulo Duque (PMDB-RJ), atual presidente da comissão. “Todos os senadores foram eleitos, salvo os suplentes, por isso têm que acabar esse sistema”, diz. “É difícil o suplente assumir. No caso dele [Duque], é suplente do suplente. Se está substituindo temporariamente não pode, porque se ele sair da linha, vem outro e inviabiliza tudo; a comissão para e vai ter que começar tudo de novo”, explica.

Segundo o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Octaciano Nogueira, o problema ocorre devido ao sistema eleitoral que utiliza o mecanismo de representação majoritário e proporcional. “No sistema majoritário, onde se inclui a eleição para senador e presidente, não se vota no vice, e sim no presidente, no senador titular”, explica.

O sistema que caracteriza a escolha do suplente no Senado é similar ao dos candidatos à vice em chapas de prefeitos, governadores e presidentes da República: o eleitor vota apenas no titular. “Para mudar o mecanismo, teria que alterar a legislação brasileira; mexer na Constituição, na legislação eleitoral e no código eleitoral”, diz o cientista político.

Por outro lado, Nogueira pondera que não seria possível seguir no Senado o mesmo critério da Câmara, já que aquele é regido pelo sistema majoritário e este pelo proporcional. “Se o mesmo critério fosse seguido, o país deixaria de ser um sistema federativo, já que as cadeiras da Câmara são ocupadas proporcionalmente de acordo com a população dos estados e no Senado são três parlamentares por unidade da federação”, afirma.

Nos Estados Unidos, por exemplo, símbolo da democracia, quando um senador morre durante o mandato, o suplente não assume e se faz uma nova eleição. “Mas o sistema eleitoral norte-americano é diferente do brasileiro”, avalia Octaciano Nogueira. “Se for mudar, tem que ser algo harmônico, senão corre o risco de desabar, como uma engrenagem onde uma peça é removida sem critério”, avalia.

Para minimizar a polêmica, por uma determinação do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), a partir das eleições de 2010 o eleitor poderá ter conhecimento ao ver, quando votar em candidatos a presidente da República ou a senador, os nomes e as fotos dos candidatos a vice-presidente da República e dos suplentes de senadores. É uma forma de a população conhecer os suplentes já na hora do voto. “Com isso, acabamos com as candidaturas clandestinas em nosso país. Tudo agora será de pleno conhecimento do eleitor”, avalia Carlos Ayres Britto, presidente do TSE.

Já na Câmara dos Deputados, diferente do que ocorre no Senado, o suplente é escolhido após um cálculo que leva em conta os votos recebidos. Depois das eleições para deputados, a Justiça Eleitoral divide o total de votos válidos – excluindo os brancos e nulos – pela quantidade de vagas a que cada estado tem direito na Câmara. Este é o chamado quociente eleitoral, que contabiliza o número de votos necessários para eleger cada deputado federal.

Em seguida, dividi-se o número de votos obtidos por cada legenda ou coligação pelo quociente eleitoral. Por este sistema, as vagas são preenchidas de acordo com a ordem dos candidatos nas listas de cada partido ou coligação. Assim, o candidato mais votado é o primeiro, e assim por diante. Abaixo dos eleitos vêm os suplentes, na ordem decrescente de votos. Este mecanismo é válido para as eleições proporcionais, onde são eleitos vereadores e os deputados estaduais e federais.


Quem são os suplentes

Muitos suplentes ficam no Senado por vários anos como o ex-senador Valmir Amaral (PTB-DF), que assumiu a cadeira no Senado em setembro de 2000, após a perda do mandato do titular Luiz Estevão (sem partido-DF), acusado de envolvimento no escândalo das obras do Tribunal Regional do Trabalho paulista (TRT-SP). Dos oito anos de mandato de senador, Valmir exerceu mandato durante sete no Senado.

Em outros casos, os suplentes são anônimos como, por exemplo, Gilberto Goellner (DEM-MT), empresário do agronegócio, que assumiu a vaga deixada após o falecimento de Jonas Pinheiro (DEM-MT), em 2008. Outros são bem conhecidos; caso do senador Gim Argello (PTB-DF), ex-deputado distrital que herdou a cadeira de Joaquim Roriz (PMDB-DF). Roriz renunciou ao mandato, em 2007, para evitar uma eventual cassação por suposto envolvimento em corrupção.

Outros suplentes são parentes dos titulares, caso do senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), filho de Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), e também do senador Lobão Filho (PMDB-MA), filho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Alguns suplentes foram financiadores de campanha dos titulares, como o senador Adelmir Santana (DEM-DF), que recebeu a vaga do atual vice-governador de Brasília, Paulo Octávio, em 2006.

Projetos para acabar com sem votos

Tramitam no Senado projetos que pretendem acabar com a forma atual de suplência na Casa, que permite os chamados senadores sem votos. Uma das matérias que tratam da mudança é a PEC 11 de 2003, que está pronta para a ordem do dia desde 2008. A proposta, de autoria do ex-senador suplente Sibá Machado (PT-AC), que assumiu a cadeira no Senado enquanto a senadora Marina Silva (PV-AC) foi ministra do Meio Ambiente, prevê que o suplente de senador seja o candidato mais votado entre os não eleitos no pleito em que foi eleito o titular. A PEC também proíbe senadores e deputados de assumir cargos no Poder Executivo ou de concorrer a outros cargos até o fim de seus mandatos, a menos que renunciem ao mandato.

A proposta, que teve vários outros projetos apensados, foi relatada pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) que, em seu voto, entendeu que “a maneira como os suplentes atualmente são escolhidos vulnera o princípio da representação, pois poucos suplentes são realmente conhecidos pelo eleitorado, que invariavelmente faz sua escolha soberana levando em conta apenas o titular”. Por isso, de acordo com o voto do relator, o senador deve ser substituído pelo segundo candidato mais votado na eleição, já que o resultado nas urnas expressa a ordem de preferência do eleitorado.

Clique e conheça os suplentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal

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Amanda Costa
Do Contas Abertas

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL - FSM fará balanço da última década.

A capital gaúcha e sete cidades da Região Metropolitana receberão, entre 25 e 29 de janeiro de 2010, o Fórum Social 10 Anos Grande Porto Alegre. Além de celebrar os 10 anos de atividades do FSM, o encontro fará um balanço deste período de lutas em defesa de um modelo de globalização alternativo ao construído nas últimas décadas.

A notícia é da Carta Maior, 02-11-2009.

O Fórum Grande Porto Alegre será o primeiro de vários eventos programados em diversos países ao longo de 2010, quando o FSM terá, mais uma vez um formato descentralizado. Entre as atividades já definidas para o encontro no Rio Grande do Sul, está o Seminário FSM 10 Anos, promovido pelo Grupo de Apoio ao Fórum Social Mundial. A idéia é debater não só a experiência passada do Fórum, mas principalmente seu futuro.

O evento está sendo organizado por entidades gaúchas com o apoio dos governos dos sete municípios onde ocorrerão as atividades (Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom e Sapiranga).

Além do seminário de avaliação do FSM, que ocorrerá em Porto Alegre, também estão confirmados o Acampamento Intercontinental da Juventude, entre 18 e 28 de janeiro, em Novo Hamburgo, o I Fórum Mundial de Economia Solidária e a I Feira Mundial de Economia Solidária, de 22 a 24 de janeiro, em Santa Maria. Ainda em Porto Alegre, de 25 a 29 de janeiro de 2010, será realizada uma grande oficina sobre o mundo do trabalho. Esse encontro debaterá o impacto da crise econômica internacional sobre o trabalho e a qualidade dos empregos e dos ambientes de trabalho hoje em dia.

Da Bahia a Dakar

Logo após o encontro no RS, ocorrerá em Salvador, entre 29 e 31 de janeiro, o Fórum Social da Bahia. O tema central do evento, construído em conjunto com o FSM 10 Anos, será “Da Bahia a Dakar: enfrentar a crise com integração, desenvolvimento e soberania”. “Esta passagem do FSM por Salvador será uma contribuição muito preciosa para o Fórum de Dakar, no Senegal, em 2011, pois esta foi a principal porta de entrada de africanos, vítimas da escravidão. A idéia é estabelecer um diálogo entre cidades com culturas semelhantes”, explica José Luiz Del Roio, representante do Fórum Mundial de Alternativas à Crise.

Representantes de governos e movimentos sociais da América Latina e da África participarão, em Salvador, do Fórum de Diálogos e Controvérsias, que discutirá novas políticas econômicas, sociais e ambientais.
Fonte:IHU

ANOS DE CHUMBO - Ex-ditador Reynaldo Bignone vai a julgamento na Argentina.

Enquanto isso aquí no Brasil, o Clube Militar homenageia os oficiais torturadores.

O ex-ditador argentino Reynaldo Bignone, 81, último dos presidentes militares do país (1982-1983), começou a ser julgado ontem por 58 sequestros, desaparições e torturas praticadas no quartel de Campo de Maio, centro de detenção clandestino da ditadura.

A notícia é do jornal Folha de S. Paulo, 03-11-2009. A notícia foi destaque nos principais jornais argentinos do dia de ontem.

Bignone cumpre prisão preventiva domiciliar desde 2007. De 1999 a 2005, passou sete anos detido sem condenação definitiva sob acusação de sequestro de seis bebês nascidos em cativeiro ilegal - processo que ainda deve ir a julgamento.

Outros cinco ex-chefes militares também estão sendo julgados pelos crimes no Campo de Maio. O julgamento deve terminar em março de 2010.

No governo Carlos Menem (1989-1999), a Argentina tornou público decreto de Bignone que ordenara a destruição dos informes militares sobre os presos políticos.

Desde a retomada das causas por crimes da ditadura, no governo Néstor Kirchner (2003-2007), cerca de 800 processos foram reabertos, mas apenas 18 foram a julgamento, com 51 condenações. Em março, havia 548 processados e 378 acusados presos.

A demora nos processos é fonte de desgaste para governo e Judiciário, que trocam acusações pela lentidão. Informe recente aponta que as causas terminarão só em 2024, caso o atual ritmo dos processos seja mantido.
Fonte:IHU

MINHA ENTREVISTA AO BLOG "DESABAFO BRASIL", DO DANIEL PEARL.

1) Quem é o companheiro CARLOS DÓRIA?

O companheiro Carlos Dória é um quase septagenário que ainda mantém vivas suas utopias dos seus vinte anos quando militava no movimento estudantil. Uma delas, tive a felicidade de ver realizada: a subida ao poder de um governo, o governo Lula, que deu prioridade aos anseios das camadas mais desfavorecidas da sociedade brasileira, as quais representam a maioria da sua população. Devo dizer, que quando vi o Lula subindo pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto, me vi subindo junto, pois aquele ato representava uma vitória para minha geração.

2) Por que você criou o BLOG DE UM SEM MÍDIA?

Criei o blog porque fiquei cansado de mandar cartas para os veículos da mídia golpista, principalmente O Globo, defendendo o Lula e seu governo, sem conseguir que as referidas cartas fossem publicadas. Tomei consciência não só da partidarização da mídia como também que eu era um verdadeiro “sem mídia”. Por isso chamei meu blog de “BLOG DE UM SEM MÍDIA”.
É com alegria que venho acompanhando o crescimento da blogosfera em nosso país, a qual se tornou uma ferramenta de extrema importância no combate à mídia golpista, que pela primeira vez, está sendo confrontada, denunciada e desmascarada. A conseqüência disso, é que seus “formadores de opinião” estão, cada dia que passa, mais desacreditados.

3) O povo brasileiro vive um bom momento? Será que foi resgatado O ORGULHO DE SER BRASILEIRO pelo presidente Lula?

O povo brasileiro vive realmente um bom momento e percebeu que um dos seus está ocupando o cargo mais importante do país com muita dignidade e competência.
Lula, dessa forma, está conseguindo resgatar o orgulho de ser brasileiro. Seu memorável discurso por ocasião da cerimônia de escolha da sede das olimpíadas de 2016 aumentou mais ainda, o sentimento de orgulho que a maioria dos brasileiros vem sentindo.

4) Por que a Mídia Nacional só publica notícias negativas, enquanto a Mídia do Exterior enaltece o Brasil?

A mídia, não só brasileira como latino-americana, sempre defendeu e defende os interesses da minoria privilegiada dos brasileiros, isto é, a elite retrógada, egoísta, racista e preconceituosa, interesses esses, que não são os da maioria da nossa população.
Por isso tenta, através da divulgação de notícias negativas, desmoralizar Lula e seu governo. Já a mídia estrangeira tem sido mais justa e correta em noticiar o que se passa no governo Lula. Até a mídia internacional de direita tem informado com honestidade, sabedor ela que o mais importante é manter a credibilidade e que não adianta tentar “brigar com os fatos”.

5) Os tucanos criticam a descoberta do PRÉ-SAL, dos Programas Sociais do Governo Lula, como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Prouni, Agriculcura Familiar e outros. Por que eles tem tanto medo?

Os tucanos como lídimos representantes da elite acima mencionada, jamais se conformaram que um operário com pouca instrução, pudesse ocupar o lugar que um dia foi do arrogante e entreguista FHC. Dessa forma, vão procurar sempre criticar e minimizar tudo o que o governo Lula vem fazendo, principalmente os programas sociais, que representam o mais gritante diferencial com o governo tucano. Eles têm medo da aceitação que o povo brasileiro vem tendo com as ações do governo Lula e da imensa dificuldade que terão em derrotar a ministra Dilma.

6) Você acredita nos institutos de pesquisas: IBOPE e DATAFOLHA, quando mostram José Serra disparado?

Não acredito. Tanto o IBOPE como o DATAFOLHA perderam totalmente a credibilidade por duas principais razões: o primeiro, depois da entrevista do Montenegro publicada na Veja, quando, com mais de um ano de antecedência, decretou a vitória do Serra por larga margem; o DataFolha, porque pertence à Folha, que está totalmente engajada na campanha para desacreditar de maneira rasteira a Dilma e eleger o Serra,nem que para isso tenha que usar de todos os expedientes.

7) Qual seria a sua sugestão para o Programa de Governo da Ministra Dilma Roussef para 2010?

A ministra Dilma tem que manter, melhorar e ampliar os programas sociais do governo Lula e ser mais firme com a imprensa golpista, que vai atacá-la tanto como faz com o Lula. Deveria usar a TV em cadeia nacional, para defender e explicar as ações de governo, sempre que essa mídia tentar acuá-la com mentiras e “factóides”.

8) SUAS CONSIDERAÇÕES FINAIS

Queria encerrar minhas respostas, agradecendo a consideração que você Daniel está tendo com a minha pessoa. Seu blog engrandece a blogosfera e tem sido de extraordinária importância no processo de construção da vitória da nossa candidata Dilma em 2010.
Aquele abraço de quem lhe respeita muito, Carlos Dória

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

MÍDIA -A agenda da comunicação sai da penumbra.

Por Beto Almeida - de Brasília

"Há coisas que o mercado não tem interesse em fazer”*
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O tema sempre foi tabu. Tema proibido. Temos uma fileira de vítimas da ditadura midiática – intelectuais , pensadores, sindicalistas, jornalistas e artistas – por terem defendido que o progresso tecnológico comunicacional deve ser tratado como patrimômio da humanidade e servir como fator de elevação da civilização, embelezamento das relações humanas, da própria vida.

Agora no Brasil, a convocação da I Conferência Nacional de Comunicação coloca o tema na agenda política do Estado e da sociedade. Permite que conheçamos a gigantesca dívida informativo-cultural que se avolumou contra o nosso povo. Um verdadeiro entulho. E novas informações vão surgindo, desmontando mitos, iluminando áreas de sombras, revelando que algo se move aqui e em boa parte da América Latina.

Argentina mostra um caminho

Ventos democráticos sopram da Argentina com sua nova lei de comunicação, quebrando o monopólio do Grupo Clarin, fortalecendo os veículos estatais e abrindo 33 por cento da comunicação para a sociedade, até para a CGT e as Universidades Públicas. Telesur, como tv da integração latino-americana e dos povos do sul, vai se consolidando, ampliando seu alcance para a África. Surge uma cadeia de rádios indígenas na Bolívia e também um jornal público, o “Câmbio”, que em 6 meses de vida já tem circulação igual ao maior jornal da burguesia racista boliviana, com décadas de existência. Na Venezuela, a Revolução Bolivariana quebra o tabu que considerava o tema comunicação intocável e faz a Constituição valer mais que os privilégios dos magnatas midiáticos: quando um concessão de rádio e tv termina, termina mesmo, ela não tem porque ser renovada automaticamente como se fosse privilégio vitalício das oligarquias. O Equador caminha para fortalecer o seu jornal público, El Telégrafo e também promove uma reorganização democrática no sistema de concessões de tv e rádio, ampliando, consolidando e qualificando a comunicação pública.

A diferença do Brasil é que em todos estes países os governos populares possuem maioria parlamentar. Além disso, em países como a Argentina a TV já nasceu pública, tendo recebido forte impulso durante o governo de Perón, período em que tv, rádio e até mesmo jornais como o La Nación, grande jornal da oligarquia, foram estatizados. No Brasil a TV já nasce nas mãos de gente como Assis Chateaubriaand, seguindo o padrão comercial vulgar norte-americano, chantageando e ameaçando presidentes como Vargas e JK, impedindo que os dois levassem adiante o projeto de criação de uma TV Nacional, só recentemente recuperado pelo presidente Lula. A Argentina chegou ter políticas públicas culturais e educacionais muito expandidas pelo peronismo, de tal sorte que eliminou o analfabetismo e conquistou padrões de leitura, artísticos, culturais, científicos e educacionais elevadíssimos para um País da América Latina.

Vargas, uma experiência golpeada

Vargas seguia nesta linha. A Rádio Nacional foi a mais importante e experiência comunicacional no sentido da brasilidade, da nacionalidade e de valores populares. Criou uma paixão radiofônica brasileiríssima, que não tem porque não ser recuperada. Também na Era Vargas foram criados, a Rádio Mauá – a emissora do trabalhador - o Instituto Nacional de Música, dirigido por Villa-Lobos, o Instituto Nacional de Cinema Educativo, conduzido por Roquette Pinto , o Instituto Nacional do Livro, por empenho de Carlos Drummond de Andrade e também o Instituto Nacional do Teatro. Vargas já havia despertado para a importância da televisão quando uma conspiração internacional, de matriz norte-americana, petroleira, e com o apoio de uma conspiração nativo-oligárquica-televisiva, o levou ao suicídio. Com ele, para o túmulo, também foi o sonho de uma tv pública... JK tentou ressuscitá-lo, foi pressionado, chantageado, forçado a abandoná-lo.

Talvez não seja muito justa a simples condenação a Lula porque não teria, segundo alguns comunicadores, a mesma decisão e coragem dos presidentes da Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela em matéria de comunicação. O peso do capitalismo aqui é infinitamente maior, mais desenvolvido, o que constitui-se numa dificuldade adicional, mais complexa, juntamente com a inexperiência de uma comunicação pública como a vivida pelo povo argentino no passado. E, sobretudo, por não ter maioria parlamentar, além de contar com significativas contradições na sua base aliada, composta também por empresários da radiodifusão. Lula não pode ignorar o resultado das urnas de 2006...

Relações de forças lá e cá

Na Argentina há a retomada de uma experiência histórica bem sucedida, mas de modo gradual, nada súbito. Não se trata de uma virada de mesa ou de um ajuste de contas, muito menos um juízo final contra a oligarquia midiática, mas um retorno ao curso de um projeto nacional soberano dos argentinos também na área informativo-cultural. Mesmo com Chávez, nota-se uma gradual aplicação da Constituição, não uma eliminação da comunicação privada, mas uma atitude governamental legítima para que a lei seja cumprida por todos, demolindo o sistema de seqüestro midiático-empresarial que os radiodifusores de lá impunham sobre o povo venezuelano. Mas isto ainda está em curso, é ainda uma batalha, a grande audiência ainda está com a tv e a rádio privadas, muito embora a queda vertiginosa das vendas dos jornais conservadores seja emblemática. Quando Chávez foi eleito, em 1988, o jornal El Nacional, vendia 400 mil exemplares. Hoje, rasteja-se em apenas 40 mil exemplares, portanto, número proporcionalmente inverso ao seu ódio editorial diante da popularidade do chavismo.

Não tendo a mesma maioria parlamentar folgada, Lula convoca a Conferência de Comunicação. Sua tática é evidente: libertar a agenda aprisionada pela mídia e envolver a sociedade neste debate. Claro que há dúvidas se a capacidade de mobilização de todos os movimentos pela democratização da comunicação, até hoje precária e rarefeita, tornar-se-á de fato robusta e amplificada rapidamente. O que torna ainda mais surpreendente e incompreensível a posição retoricamente radical de alguns destes movimentos desconsiderando esta relação de forças, o peso político e de poder da oligarquia da mídia no Brasil, a ausência de uma maioria parlamentar, traçando uma tática irreal, baseada no impressionismo da auto-suficiência de suas próprias forças. Este cálculo leva a que não considerem o governo como o aliado fundamental neste campo de forças populares, que deve incluir, obrigatoriamente, o governo Lula, movimento sindical, movimento social, partidos políticos e até mesmo segmentos do empresariado ameaçados pela esmagadora intervenção estrangeira no setor audiovisual, e com riscos de ampliação se aprovado o PL-29, aliás apoiado por alguns que integrantes do movimento de democratização da comunicação. Democratização para quem?

Folha versus Data-Folha

A presença e o discurso de Lula contra o monopólio da mídia na inauguração de novas instalações da Record devem ser considerados como destravamento e visibilidade desta agenda da comunicação, antes tabu. Também é significativa pesquisa feita pelo Data-Folha, apontando que já 10% dos entrevistados assistem à jovem TV Brasil e que 80% destes gostam do que assistem. Como também é significativo o fato de que a Folha - jornal que pediu o fechamento da TV Brasil - não tenha publicado a notícia com o resultado da pesquisa. Ou seja, a Folha sonega informação do Data-Folha.

Também é expressiva a veiculação de matéria de 13 minutos pela TV Record revelando não apenas a queda da venda de jornais no Brasil, incluindo a Folha de São Paulo, mas também como este periódico apoiou a ditadura militar (até então desconhecido do grande público) e como ainda não deu explicações sobre a publicação de documentos adulterados da Ministra da Dilma Roussef. Já sabemos: na Venezuela o jornal El Nacional perdeu 90% de seus leitores. Na Bolívia, o jornal Cambio , favorável às transformações conduzidas por Evo, já vende tanto quanto o maior jornal da oposição racista e conservadora. Como será o curso no Brasil da perda de credibilidade e de leitores dos jornais?

Popularizar a leitura de jornal

Esta vertiginosa queda na vendagem de jornais - lembremo-no de que eles informam a “tiragem”, mas não a “voltagem” - amplamente divulgada pela Record vem acompanhada do crescimento da internet como fonte de informação. Com o plano do governo de democratizar o acesso à banda larga, sobretudo por meio de uma empresa estatal que se encarregue desta tarefa republicana, poderemos nos defrontar a curto prazo com uma situação inusitada: uma tecnologia do século 16, a imprensa de Gutttemberg, ainda hoje com números indigentes de circulação no Brasil e em linha declinante, poderá sofrer a concorrência de tecnologia de última geração para o acesso amplo à informação.

Se vier de fato a ocorrer como se anuncia, terá sido o resultado da visão retrógada da oligarquia midiática brasileira que foi sempre incapaz de expandir a popularização da leitura de jornais e revistas, revelando seu próprio medo de ter que confrontar um povo informado e letrado, com mais habilidades para o exercício da cidadania e para fazer suas legítimas exigências históricas. Que avancemos em duas linhas, expandindo o acesso à banda larga pública, mas também a leitura de jornal, que é ainda uma dívida informativo-cultural a ser paga

O que não se entende é porque foram desprezadas ou não consideradas tantas propostas e experiências que tentaram ao longo de décadas - a começar por Monteiro Lobato que queria fazer da imprensa uma alavanca para a alfabetização plena e foi rejeitado - popularizar a leitura de jornais, mesmo com a enorme taxa de ociosidade de 50% da indústria gráfica brasileira. Como disse Lula recentemente, “há coisas que o mercado não sabe fazer ou não tem interesse”. E se o mercado não é capaz de popularizar a leitura de jornal e revista, e se temos metade das gráficas paradas todo o tempo, e se temos um povo proibido praticamente de ler e se as tiragens estão caindo , e se os jornais estão fechando, se temos jornalistas diplomados para o desemprego crônico, por que será que sindicatos, jornalistas, professores, não assumem a defesa, perante a Confecom, de um Programa Público de Popularização da Leitura de Jornal e Revista? Programa que se basearia no apoio público ao florescimento de jornais e revistas, fazendo as gráficas funcionarem, publicando em grandes quantidades para distribuição gratuita ao grande público sempre proibido de ler? A proposta consta das Teses da Associação Brasileira de Canais Comunitários - ABCCOM - à Confecom.

Coisas que o mercado não tem interesse

Temos nesta área uma Grande Depressão, como ocorreu nos EUA com a crise de 29. E lá, o estado organizou programas públicos de difusão cultural, inclusive de leitura, ocupando os criadores, os escritores, os jornalistas, os artistas, fazendo com que a informação, a arte e a cultura chegassem – pela primeira vez - aos bairros pobres e negros de Nova Iorque. Como disse Lula, há coisas que o mercado não tem interesse em fazer. No Brasil, na área da leitura, sempre estivemos numa eterna grande depressão...

Certamente a Confecom não será o ajuste final de contas, não será o “tudo ou nada” Mas, será o palco para a organização de propostas e das forças que façam avançar as várias formas de comunicação pública, estatal, comunitária, universitária. Sobretudo aquelas que envolvem uma aliança entre movimentos sindical e social, partidos políticos, segmentos empresariais não-oligopolistas e o governo Lula, encorajando-o a ir mais adiante em medidas que estão ao seu alcance já, formatando um campo popular com força suficiente para dar sustentação à expansão, consolidação e qualificação da comunicação não seqüestrada pela ditadura do mercado cartelizado. É uma das maneiras de pavimentar as condições para termos forças suficientes para uma mudança de fôlego argentino à médio prazo.

(*) Pronunciamento de Lula na posse do Ministro Samuel Pinheiro Guimarães.

Beto Almeida é membro do Conselho Diretivo da Telesur e presidente da TV Cidade Livre de Brasília
Fonte:Jornal Correio do Brasil.