domingo, 12 de junho de 2011

MÍDIA - Fracassou campanha da oposição e PIG contra o ENEM.

NÚMERO DE INSCRIÇÕES NO ENEM 2011 É RECORDE

“O número de inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), marcado para outubro próximo, bateu recorde, de acordo com informação do Ministério da Educação (MEC). As inscrições foram encerradas na sexta-feira (10) à meia noite.

O MEC registrou 6.221.697 estudantes inscritos. A Região Sudeste, a exemplo do último exame, teve o maior número, com 2.312.312 inscrições, seguida pela Região Nordeste, com 1.903.135. Na Região Sul se inscreveram 780.802 candidatos, na Norte, 651.995, e na Centro-Oeste 573.453.

Há candidatos, no entanto, que ainda estão com suas inscrições pendentes e poderão regularizá-las até segunda-feira (13), pagando a taxa de R$ 35,00 em agências do Banco do Brasil. O boleto pode ser acessado pela internet, na página do ENEM (www.enem.gov.br), onde também poderá ser conferida a confirmação da inscrição três dias depois do pagamento da taxa.

As provas serão realizadas nos dias 22 e 23 de outubro em 12 mil localidades de 1.599 municípios. Seis mil escolas vão sediar o exame, em 140 mil salas de aula, de acordo com o MEC. A participação no ENEM é pré-requisito para os estudantes interessados em bolsas do “Programa Universidade para Todos” (PROUNI). Quem faz a prova também pode disputar vagas em instituições públicas de ensino superior de todo o país ao se inscrever no “Sistema de Seleção Unificada” (SISU).”

FONTE: divulgado pela “Agência Brasil”

PRIVATARIA - Tucanato sofrendo com privatizações que fizeram.

A FATURA DA PRIVATIZAÇÃO: ESTRAGOS NO TUCANATO - LIÇÕES PARA O PT

Do “Carta Maior”:

“O tucanato paulista ‘privatizou’ [ou melhor, ‘estrangeirizou’, entregou à norte-americana AES com ajuda do BNDES] a principal empresa fornecedora de energia elétrica do Estado, há 23 anos (hoje “AES Eletropaulo”).

Uma cláusula do contrato previa que os novos donos teriam dez anos para realizar investimentos e agregar mais 15% (400 MW) à capacidade de fornecimento. [Além de não pagarem devidamente ao BNDES, isso não foi feito e] o prazo venceu em 2007.

O governador era José Serra. Ungido pela mídia por supostos atributos de ‘grande gestor', como o nome mais qualificado para suceder o Presidente Lula -opinião diversa da maioria do eleitorado como se viu- Serra não cobrou, não fiscalizou, não tomou nenhuma providência diante da ruptura de contrato num serviço essencial.

As interrupções de energia têm sido cada vez mais frequentes em SP nos últimos anos. Cada vez mais lenta tem se mostrado a normalização do serviço.

Reportagem da “Folha” de sábado -que naturalmente omite o nome do candidato da derrota conservadora em 2010- informa que, após a última pane, na 3ª feira, a retomada do fornecimento demorou 60 horas em alguns locais. O sucessor de Serra e seu desafeto, Geraldo Alckmin, garante que, agora, vai ‘investigar' as razões do colapso em marcha.

No momento em que o governo federal oficializa a concessão de importantes aeroportos nacionais à iniciativa privada -em nome da eficiência e porque o Estado não dispõe de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões para investir no setor, embora tenha reservado R$ 57 bilhões aos rentistas da dívida pública no 1º quadrimestre-, o colapso elétrico em SP encerra lições oportunas. E, convenhamos, ecumênicas.”

FONTE: cabeçalho do site “Carta Maior”,sábado, 11/06

POLÍTICA - " Dilma evitou que o PT virasse PMDB.

"Com Palocci sangrando na Casa Civil, a República ficaria na mão do triunvirato Temer, Jucá e Eduardo Cunha", avalia Elio Gaspari, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 12-06-2011.

Eis o artigo.

Dilma Rousseff impediu que seu governo e o PT ficassem ainda mais parecidos com a bancada do PMDB. Na terça-feira, a senadora Marta Suplicy propôs a 11 dos 15 colegas da bancada uma nota de apoio a Antonio Palocci. Seria uma repetição da tática petista de ""partir para cima".

Como já se acertara à noite, o chefe da Casa Civil iria ao Congresso, "a convite". O senador Romero Jucá (PMDB-RR) já considerava o episódio Palocci como uma "página virada". Os senadores petistas recusaram-se a endossar a ideia da senadora.

Com um chefe da Casa Civil hemorrágico, a base política do governo ficaria nas mãos de um triunvirato do PMDB, com Michel Temer no Planalto, Jucá no Senado e Eduardo Cunha na Câmara. Ninguém definiu melhor a situação do que o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ): "Temos uma pedra preciosa, um diamante que custa R$ 20 milhões, que se chama Antonio Palocci". (Seria mais adequado dizer "presunto", pois é trabalhoso fatiar diamantes.)

Desde maio, quando os repórteres Andreza Matais e José Ernesto Credendio expuseram a bonança patrimonial de Palocci, o PT dava estranhos sinais. O governador da Bahia, Jaques Wagner, admitira que a fortuna do doutor "chama a atenção". Treze presidentes de Diretórios Estaduais, protegidos pelo anonimato, evitaram defender o ministro.

Raul Pont, do PT gaúcho, pôs a cara na vitrine: "Entendo que ele tem que se afastar. (...) A situação do Palocci não pode contaminar o governo". Mais tarde, Reginaldo Lopes, presidente do PT mineiro, foi na mesma linha. Durante um almoço com Lula, a senadora Gleisi Hoffmann expusera a ruína que ameaçava o PT e o governo: o mensalão foi um erro, mas era parte de um projeto coletivo, partidário. Não era esse o caso de Palocci.

Se houve uma rebelião no PT, faz tempo que não lhe acontecia coisa tão boa. Um pedaço da nação petista, como Palocci, já se parece com o PMDB e está feliz assim.

Para quem segue um guia que se intitula "metamorfose ambulante", isso não é defeito. O problema estaria em outro lugar. No seu papel, o PMDB é mais articulado, desembaraçado e profissional que o PT. Não tem telhado de vidro porque telhado não tem. Até bem pouco tempo, ele garantia ao governo as maiorias parlamentares, mas o roteiro vinha do Planalto. É essa iniciativa que o PT arrisca perder.

Oito anos depois da sua chegada ao poder, a máquina petista controla fundos de pensão, grandes amizades e clientes em busca de bons conselhos. Seus candidatos têm acesso às bolsas de grandes doadores nas campanhas eleitorais.

Na campanha presidencial de 1994, Lula arrecadou R$ 4,2 milhões, contra R$ 32,1 milhões de Fernando Henrique Cardoso.

Na última eleição, Gleisi Hoffmann, ex-diretora-financeira da Itaipu Binacional, arrecadou R$ 8 milhões para sua campanha (vitoriosa) ao Senado pelo Paraná. Quatro empreiteiras clarividentes pingaram R$ 2,3 milhões.
Gleisi Hoffmann teve doadores para sua eleição, mas não tem patrimônio pessoal. Seus bens somaram R$ 660 mil, um décimo do valor do apartamento comprado por Antonio Palocci. Esse tipo de parlamentar ainda existe no PT. Na lista das dez maiores fortunas do Congresso, o PMDB é majoritário, com dois deputados e um senador. Nela ainda não há petista.

Ainda não há, mas, pelo andar da carruagem, falta pouco. A 10ª fortuna do Congresso, de acordo com os patrimônios declarados à Justiça Eleitoral, é do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), com R$ 16,5 milhões. Essa lista é um indicador precário, pois basta colocar uma fazenda em nome da patroa para tirar alguns milhões da conta. Mesmo assim, admitindo-se que Palocci tenha incorporado boa parte dos R$ 20 milhões que sua empresa faturou em 2009, estaria por perto. Nada mal para quem declarava um patrimônio de R$ 375 mil em 2006.

O PT pode ter deixado de ser o que dizia, pode até mesmo não saber direito o que é. Se um pedaço dele decidiu não ser PMDB, já é alguma coisa, mesmo que não seja muito.

POLÍTICA - Entrevista com Frei Betto.

''Lamento que líderes do PT deem consultoria aos donos do dinheiro''. Entrevista com Frei Betto


Sete anos após deixar o governo Lula, no qual foi assessor especial da Presidência, o escritor e assessor de movimentos sociais Frei Betto é um entusiasta da experiência do PT no poder e crítico ferrenho dos dirigentes da sigla. Em meio à crise política e ao impacto do lançamento do programa Brasil sem Miséria, Frei Betto falou ao Estado. Ele elogiou o plano social e não poupou ataques à direção petista no caso Antonio Palocci: "Já não encontro os dirigentes dando consultoria a movimentos sociais".

A entrevista é de Fernando Gallo e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 12-06-2011.

Eis a entrevista.

Como o sr. analisa a saída de Antonio Palocci do governo?

O governo demorou a agir diante da crise que se instalou a partir da constatação desse surpreendente aumento do patrimônio. Isso gerou muitas dúvidas. Dilma, diante de casos como esse, deveria seguir o exemplo do ex-presidente Itamar Franco, que licenciou o Hargreaves (Henrique Hargreaves, ministro da Casa Civil acusado de irregularidades no cargo) até que as coisas ficassem claras. Comprovada sua total inocência, foi reintegrado. No caso do Palocci, houve uma suspeita que os próprios correligionários abraçaram. O fato de a Executiva do PT não emitir uma nota de apoio, de solidariedade, era sintoma de que no partido pairavam dúvidas. Ali foi o momento em que Dilma deveria ter tomado a providência de afastá-lo.

O episódio pode ser considerado um indicativo de que o PT mudou seus ideais ao virar governo?

Exatamente. Nunca me filiei a nenhum partido político, mas ajudei a construir o PT, assessorei muitos movimentos que formaram lideranças que hoje integram o PT e a política profissional. Lamento que os dirigentes do PT hoje deem consultoria aos donos do dinheiro. Andando pelo Brasil, já não encontro esses dirigentes prestando consultoria a movimentos sociais.

O PT revisou o seu projeto?

Ah, sim! No conjunto do partido, salvo exceções de honrosos militantes, o PT trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder. Quando se estende demasiadamente o bloco de alianças, há que fazer concessões. Elas levaram o PT a ter grande prestígio eleitoral, mas não é mais, infelizmente, o partido representativo dos movimentos sociais. Já não identificam nele o partido que vai enfrentar as forças que impedem reformas de estrutura no Brasil.

Em um olhar mais geral, para além da crise, que avaliação o sr. faz do governo Dilma?

Ainda é muito cedo para uma avaliação. A equipe de governo é boa. Tem muita gente que vem do governo Lula, já calejada. O governo está mantendo a política externa do Lula, que eu considero brilhante, e está aprofundando os programas sociais, o que é muito positivo. Não gosto do lema "País rico é país sem miséria". Devia ser "país digno", não "rico". Os Estados Unidos são ricos, mas têm 30 milhões de miseráveis. A China é rica e tem milhões de miseráveis.

O sr. vê alternativa fora das alianças feitas pelo PT?

É difícil governar sem alianças, concordo. Mas elas têm de ser feitas em cima de princípios, não de interesses. Quando os interesses aparecem, como no caso do Código Florestal, as divergências também transparecem. A posição do PT e a do governo não coincidiam com a de muitos membros da base, sobretudo a do PMDB.

Como viu a atuação do governo na votação do Código Florestal?

O PT ficou isolado, mas nesse assunto Dilma tem muita clareza e firmeza. Ela sabe que o Brasil vai abrigar no ano que vem uma importante conferência ambiental. Ela foi a Copenhague acompanhando Lula e assumiu compromissos internacionais. Espero que continue com essa posição firme de não ceder frente às flexibilizações da proposta aprovada na Câmara, que parecem prejudicar o meio ambiente e favorecer os desmatadores, aqueles que praticam assassinatos no campo, invadem a Amazônia com o agronegócio e derrubam árvores para fazer pasto.

O sr. já criticou o governo por suspender o kit anti-homofobia.

Pode ser um recuo tácito, mas o tema está em pauta. Você não pode ignorar uma questão que atinge milhões de brasileiros que têm uma opção de vida amorosa e sexual. Como a questão do aborto, também. O governo pode colocar debaixo do tapete, mas uma hora ela vai ter de vir à tona. São questões relevantes para a sociedade no mundo inteiro. Como um feliz ING que sou hoje - "indivíduo não governamental" -, penso que esses temas terão de ser encarados. Espero que Dilma, que tem passado de combatividade, venha a acabar com tabus e trazer mais luz a esses temas.

O governo se omitiu no assassinato dos líderes do Pará?

Para ser generoso, acho que agiu muito timidamente. Tinha de ter mandado ministros, o do Desenvolvimento Agrário, a dos Direitos Humanos. Deveriam ter ido à região, participado dos enterros, cobrado pessoalmente do governo do Pará, que não abre inquéritos. Deveria ter tido atuação mais rigorosa. No enterro do Chico Mendes, foi todo mundo. As pessoas que estão no governo se mexiam. As coisas são vistas pela TV, pelo jornal. Isso é inconcebível. Os mandantes e assassinos estão convencidos da impunidade. Você tem 98 mandantes e assassinos identificados e apenas um preso, que é o Bida, assassino da Dorothy Stang. Liberou geral o faroeste.

Apesar das críticas, o sr. disse que a experiência do PT no poder é a melhor da história brasileira.

Considero o governo Lula o melhor da história republicana, porque gosto muito do governo de d. Pedro II. Espero que o governo Dilma seja o prosseguimento do governo Lula, principalmente por causa dos avanços do ponto de vista social e à política externa. Minha expectativa é de que o governo consiga transformar políticas de governo, como o combate à miséria e a questão ambiental, em políticas de Estado. Que promova as sonhadas reformas de estrutura: política, tributária, agrária. Isso é urgente. Desde o início dos anos 60 o Brasil clama por isso.

Qual a sua avaliação sobre o plano Brasil sem Miséria?

Vejo com bons olhos. Ao menos no papel é um avanço em relação ao Bolsa Família. Espero, e desconfio, como bom mineiro, que o Brasil sem Miséria seja uma reedição do Fome Zero, que era um programa emancipatório. O Bolsa Família é um programa compensatório. Prova disso é que esse programa até agora não tem porta de saída. Quem entra não sabe como sair assegurando a própria renda e condições dignas de vida. O Brasil sem Miséria não só aumenta o número de famílias e os benefícios de três para cinco filhos até 15 anos, como abre perspectivas de funcionamento da porta de saída. Vamos ver na prática se funciona.

Por que o projeto seria uma reedição do Fome Zero?

O Bolsa Família foi introduzido no lugar do Fome Zero por questões eleitorais. O dinheiro não passava pelas prefeituras e os prefeitos se rebelaram. Pressionaram e conseguiram ganhar a guerra. Eles têm o controle do cadastro e evitam que surjam lideranças populares ameaçadoras das minioligarquias municipais. Além disso, segundo o TCU, há indícios de corrupção em 70% das prefeituras do Brasil. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Fonte: IHU

sábado, 11 de junho de 2011

POLÍTICA - As surpresas e a força de Dilma.

Do site Agência Carta Maior

As mesmas forças políticas conservadoras que perderam as três últimas eleições presidenciais no Brasil têm usado sua ascendência sobre a mídia com muita habilidade para criar uma sensação de que Dilma teria perdido o controle de seu governo. Nada mais falso, como mostraram as últimas decisões da presidente.

Maurício Thuswohl

Passado o momento mais agudo da crise que culminou nas mudanças ministeriais determinadas pela presidente Dilma Rousseff, agora é chegada a hora de as forças progressistas que sustentam seu projeto político desarmarem a bomba propagandística de parte da grande imprensa que tenta sugerir ao país a existência de um governo fraco. As mesmas forças políticas conservadoras que perderam as três últimas eleições presidenciais no Brasil têm usado sua ascendência sobre a mídia com muita habilidade para criar uma sensação de que Dilma teria perdido o controle de seu governo. Nada mais falso, como mostraram as últimas decisões da presidente.

Após a longa hesitação que antecedeu a saída do ex-ministro Antonio Palocci, Dilma compensou ao acertar duas vezes. Ao convocar a senadora Gleisi Hoffmann para a Casa Civil e afirmar que a pasta voltará a ter funções mais voltadas ao gerenciamento e execução de políticas públicas, a presidente repete o gesto feito há seis anos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando convocou a ela própria para substituir o então chefe da Casa Civil, José Dirceu. Sem entrar no mérito dos motivos que levaram à substituição de Dirceu, o fato, já histórico, é que a chegada de Dilma ao principal ministério deu início a um ciclo virtuoso do governo que propiciou a Lula um segundo mandato muito melhor do que o primeiro.

Lula acertou em 2005 e agora Dilma acerta também. Em que pesem os comentários preconceituosos sobre uma suposta falta de estofo político de Gleisi para o cargo ou até mesmo sobre seu jeito de “trator”, “durona” e “esquentadinha” (alguém lembra desse filme?), a senadora paranaense tem o exato perfil para recolocar a Casa Civil em um caminho muito bem trilhado sob o comando da própria Dilma no governo Lula. Além da competência administrativa comprovada em Itaipu ou quando foi secretária de governo no Mato Grosso do Sul, Gleisi parece ter a independência política necessária para cumprir o papel que dela espera a presidente. A surpresa causada por sua nomeação é fruto dessa independência e isso é um bom sinal.

A segunda surpresa - e o segundo acerto - foi o desfecho dado por Dilma para a substituição do ministro Luiz Sérgio na Secretaria de Relações Institucionais. Esse acerto, entretanto, não se dá tanto em função da substituta, que ainda terá de provar competência na nova função, mas sim pelo fato de a presidente ter jogado um balde de água gelada na crise de histeria em que já começava a se transformar a atuação da bancada do PT na Câmara dos Deputados. A ex-senadora catarinense Ideli Salvatti tem todos os predicados para obter sucesso em sua missão na articulação política do governo, mas isso dependerá fundamentalmente de uma mudança de postura do principal partido governista no Congresso Nacional.

Após essas duas movimentações acertadas feitas pela presidente no tabuleiro ministerial, é hora de os parlamentares do PT relegarem a um segundo plano a disputa mais imediata por espaço e começarem a atuar como esteio político para as duas novas ministras. No Senado, origem de Gleisi e Ideli, tudo parece mais fácil. Na Câmara, um maior esforço de coesão dos petistas é necessário. Foi a falta dessa coesão que minou Luiz Sérgio, muito mais do que uma suposta fraqueza do deputado fluminense, como apregoa parte da mídia. O excelente trânsito do agora ministro da Pesca (cargo que trocou com Ideli) entre seus colegas no Congresso já havia sido comprovado no governo Lula, mas Luiz Sérgio esbarrou na divisão da bancada petista na Câmara e também no papel centralizador assumido por Palocci.

A presidente Dilma quer se dedicar a mudar essa realidade e, a exemplo de seu antecessor, passará a acompanhar cotidianamente as negociações políticas com os partidos que apóiam o governo. Mesmo que tenha encontrado em Ideli Salvatti uma figura mais próxima na articulação política e em Gleisi Hoffmann a “Dilma da Dilma”, caberá à presidente conduzir pessoalmente esse momento de reafirmação da força política de seu governo. Dilma deverá ser a partir de agora o “Lula de si mesma” e ninguém que a conhece duvida de que tenha plenas condições de exercer esse papel.

Em sua edição de 8 de junho, o jornal carioca O Globo trazia como manchete: “Palocci cai e enfraquece Dilma com apenas cinco meses de governo”. Pelo que me lembro, é a primeira vez em que um desejo dos donos do jornal, misturado a uma notícia, ganha destaque na primeira página. Enfraquecer o governo Dilma é o maior desejo das forças conservadoras que perderam com José Serra e Geraldo Alckmin as últimas eleições, pois isso significaria uma maior possibilidade da volta dessas forças ao poder. Para quem está do outro lado, para quem apóia o projeto de transformação do Brasil que começou com Lula e tem em Dilma a força de 56 milhões de votos, é tarefa primordial evitar que esse falso enfraquecimento se torne verdade.

Maurício Thuswohl é jornalista.

ANOS DE CHUMBO - Chile "revive" seus mortos ilustres.

A justiça chilena quer esclarecer a causa das mortes de dois presidentes democratas e de um prêmio Nobel de Literatura.

A reportagem é de Soledad Gallego-Díaz e está publicada no jornal espanhol El País, 05-06-2011. A tradução é do Cepat.

Pablo Neruda, Salvador Allende, Eduardo Frei Montalva. As sombras seguem rodeando a morte de três dos cidadãos mais ilustres da história recente do Chile, um dos poetas mais lidos e famosos do mundo e dois presidentes democratas, que morreram em circunstâncias estranhas, nunca esclarecidas do ponto de vista judicial. Pela primeira vez desde o golpe de Estado que comoveu o mundo, em 11 de setembro de 1973, e desde a morte de seu principal instigador, o general Augusto Pinochet, em 2006, a justiça chilena parece decidida a investigar formalmente os três casos e dar uma versão oficial.

A possibilidade de que Augusto Pinochet mandara envenenar Pablo Neruda, quando estava para se exilar no México, poucos dias depois do golpe militar, versão proposta esta semana pelo Partido Comunista Chileno, não soa tão extravagante. De fato, esse foi o método utilizado, anos depois, para matar o ex-presidente democrata-cristão Eduardo Frei, que havia se convertido em uma referência da oposição à ditadura e que recebeu, muito provavelmente, uma injeção letal quando se encontrava na Clínica Santa Maria e se recuperava de uma cirurgia de hérnia de disco. A mesma coisa, especula-se, poderia ter acontecido com Neruda, doente de câncer de próstata e internado nessa mesma clínica, alguns anos antes.

A investigação que acaba de ser aberta baseia-se nas declarações de um assistente de Neruda, Manuel Araya, de 65 anos, e do embaixador mexicano naquela época [Gonzalo Martínez Corbalá], que sempre afirmou que visitou Neruda no dia anterior ao seu falecimento e que não achava que estivesse moribundo. O presidente do México na época, Luis Echevarría, havia dado instruções precisas ao diplomata para que ajudasse a transladar o poeta e a sua esposa, Matilde Urrutia, para o México como convidado pessoal seu ou como exilado. De acordo com o embaixador, quando já estava tudo pronto, Neruda atrasou a viagem em dois dias e acabou morrendo nesse intervalo de tempo.

A morte de Neruda, cujo nome verdadeiro era Neftalí Reyes, comoveu o mundo, 12 dias depois do golpe de Estado e do falecimento de seu amigo o presidente Salvador Allende. A casa do poeta em Santiago foi invadida e revirada pelas forças militares, que cortaram com facas as peças de tapeçaria das paredes, destruíram os móveis e puseram fogo em muitos de seus livros.

O prêmio Nobel se encontrava gravemente enfermo de câncer em uma clínica da cidade e até agora sempre se deu como certo que os acontecimentos agravaram sua dolência e precipitaram o desenlace, mas que se produziu por causas naturais. Centenas de chilenos se arriscaram a sair às ruas naquele dia para acompanhar seus restos ao cemitério da capital, apesar da formidável presença militar que acompanhou o sepultamento. Seus restos foram transladados posteriormente para a sua casa em Isla Negra. A Fundação que administra a obra do prêmio Nobel de Literatura assegurou, na sexta-feira passada, que não consta que “exista evidência alguma nem provas de nenhuma natureza que indiquem que Pablo Neruda tenha morrido por causa distinta do câncer avançado que o acometeu”.

O caso mais documentado até o momento é o do provável envenenamento de Eduardo Frei Montalva, que morreu aos 71 anos. A família sempre suspeitou que o político, que foi presidente do Chile entre 1964 e 1970, havia sido assassinado e tentou reabrir as investigações. Um telegrama da Embaixada norte-americana em Santiago, filtrado pelo Wikileaks e publicado pelo El País, explicava que “menos de uma hora depois de sua morte, médicos da Universidade Católica vieram à Clínica Santa Maria e efetuaram a autópsia de Frei sem a autorização da família. A inusitada autópsia foi supostamente efetuada no quarto do hospital onde morreu, usando uma corda para pendurar o corpo, virado de cabeça para baixo, para drenar os fluidos em um recipiente. Alguns órgãos do corpo, particularmente aqueles cuja composição química poderia indicar envenenamento, foram tirados e destruídos e o corpo embalsamado”.

Embora a Embaixada norte-americana (que teve na época um papel crucial no golpe de Estado de 1973) considerava muito improvável poder esclarecer realmente os fatos, o atual presidente Sebastián Piñera ordenou uma nova investigação. “Queremos que a morte de um presidente da República não permaneça nas sombras”, declarou.

A morte de Salvador Allende também não foi esclarecida judicialmente e também será objeto de uma nova investigação. Até agora a versão comumente aceita indica que o presidente se suicidou para não se render às tropas rebeldes, mas a possibilidade de que o seu corpo apresente dois impactos de bala abriu novamente as conjecturas sobre um eventual suicídio assistido ou, mesmo, um assassinato.

Fonte:IHU

MEIO AMBIENTE - Crise que mudará hábitos de consumo já está a caminho.

Você deve se perguntar se daqui a alguns anos nós olharemos para a primeira década do século XXI - quando preços dos alimentos dispararam, preços da energia subiram, a população mundial cresceu, tornados arrasaram cidades, inundações e secas estabeleceram recordes, populações foram desalojadas e governos ameaçados pela confluência de tudo isso - e nos perguntaremos: o que estávamos pensando?

A reportagem é de Thomas L. Friedman, do The New York Times e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 11-06-2011.

Como foi que não entramos em pânico quando havia evidências óbvias de ter cruzado algumas linhas vermelhas de crescimento/clima/recursos naturais/população todas de uma vez? "A única resposta pode ser a negação", argumenta Paul Gilding, veterano empresário ambientalista australiano que descreve este momento em um livro intitulado The Great Disruption: Why the Climate Crisis Will Bring On the End of Shopping and the Birth of a New World (A grande ruptura: por que a crise climática trará o fim da compulsão da compra e o nascimento de um novo mundo, em tradução livre).

"Quando se está cercado por algo tão grande que requer que se mude tudo na maneira de pensar e ver o mundo, negar é a resposta natural. Mas quanto mais se espera, maior será a resposta requerida." Gilding cita o trabalho da Global Footprint Network, uma aliança de cientistas que calcula quantos "planetas Terra" precisaremos para sustentar nossas taxas de crescimento correntes. O grupo mede quanta área de terra e água é necessária para produzir os recursos que consumimos e absorver nosso lixo, usando a tecnologia existente.

Estamos crescendo a uma taxa que está usando os recursos da Terra bem mais rapidamente do que eles podem ser sustentadamente repostos, de modo que estamos comendo o futuro. Neste momento, o crescimento global está usando o equivalente a 1,5 Terra. "Ter apenas um planeta torna esse problema realmente significativo", diz Gilding. Isso não é ficção científica.

Quando estive no Iêmen, no ano passado, vi um caminhão-tanque entregando água na capital, Sanaa. Por quê? Porque Sanaa pode ser a primeira cidade grande do mundo a ficar sem água dentro de uma década. É isso que ocorre quando uma geração de um país vive a 150% de capacidade sustentável.

"Se você cortar mais árvores do que planta, ficará sem árvores", escreve Gilding. "Se colocar nitrogênio adicional num sistema de água, mudará o tipo e a quantidade de vida que a água pode suportar. Se engrossar o lençol de gás carbônico da Terra, a Terra ficará mais quente. Se fizer todas essas e outras ao mesmo tempo, mudará a maneira como o sistema todo do planeta Terra se comporta, com impactos sociais, econômicos e na sustentação da vida. Isso não é especulação, é ciência do colegial."

É também um assunto atual. "Nos milhares de anos de civilização da China, o conflito entre humanidade e natureza nunca foi tão grave como é hoje", disse recentemente o ministro do Meio Ambiente da China, Zhou Shengxian. "A diminuição, deterioração e exaustão de recursos e o desequilíbrio do ambiente ecológico se tornaram gargalos e empecilhos graves ao desenvolvimento econômico e social da nação." O que o ministro chinês está nos dizendo, diz Gilding, é que a Terra está cheia. Estamos usando agora tantos recursos e eliminando tanto lixo na Terra que atingimos uma espécie de limite.

A economia vai ter de encolher em termos de impacto físico." Não mudaremos sistemas, contudo, sem uma crise. Mas não se preocupem, estamos chegando lá. Estamos hoje apanhados em dois circuitos. Um é que aceleração do crescimento populacional e aumento do aquecimento global juntos provocam uma elevação dos preços dos alimentos. Uma elevação dos preços dos alimentos causa instabilidade política no Oriente Médio, que provoca uma alta nos preços do petróleo, que acarreta preços mais altos dos alimentos, que provocam mais instabilidade. Ao mesmo tempo, a produtividade aumentada significa que menos pessoas são necessárias em cada fábrica para produzir mais coisas. Sendo assim, se quisermos mais empregos, precisaremos de mais fábricas. Mais fábricas produzindo mais coisas causam mais aquecimento global. Aí os dois circuitos se encontram.

Solução

Gilding é, ao final, um "eco-otimista". Quando o impacto da Grande Ruptura iminente nos atingir, diz ele, "nossa resposta será proporcionalmente dramática, nos mobilizando como ocorre nas guerras. Mudaremos numa escala e velocidade que mal conseguimos imaginar hoje, reformando por completo nossa economia, incluindo nossos setores de energia e transporte, em poucas décadas".

Nós perceberemos, ele prevê, que o modelo de crescimento movido pelo consumo está quebrado e que temos de mudar para um modelo de crescimento mais movido pela felicidade, com pessoas trabalhando menos e ganhando menos. "Quantas pessoas", pergunta Gilding, "deitadas em seus leitos de morte dizem "gostaria de ter trabalhado mais duro construindo mais valor para acionistas" e quantas dizem "gostaria de ter jogando mais bola, lido mais livros para meus filhos, caminhado mais?""

Para isso, é preciso um modelo de crescimento baseado em oferecer mais tempo para as pessoas gozarem a vida, mas com menos coisas." Parece utópico? Gilding insiste que é realista. "Estamos a caminho de uma escolha movida por crise", diz ele. "Ou permitiremos que o colapso nos atinja ou desenvolveremos um novo modelo sustentável. Escolheremos a segunda. Podemos ser lentos, mas não somos estúpidos."
Fonte:IHU

POLÍTICA - Aprovação de Dilma

Aprovação de Dilma resiste à inflação e crise, diz Datafolha


FOLHA.COM

A crise que levou à demissão do ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) e a alta da inflação não tiveram impacto negativo na aprovação do governo Dilma Rousseff.

Mas a imagem pessoal da presidente foi afetada. Houve ainda uma piora generalizada nas expectativas com a economia, principalmente em relação à inflação.

Pesquisa Datafolha realizada nos dias 9 e 10 de junho mostra que 49% dos entrevistados consideram Dilma como ótima ou boa. No último levantamento, de março, eram 47%.

O levantamento revela também que a maioria dos brasileiros quer que o ex-presidente Lula opine nas decisões de Dilma.

A margem de erro da pesquisa, que ouviu 2.188 pessoas em todo o país, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Caio Guatelli – 9.jun.11/Folhapress

POLÍTICA - Brasil entra na fase lilás.

Do Blog do Rovai

Dilma, Ideli e Gleisi: se der certo, Brasil entra na fase lilás

O governo Dilma entra agora numa fase pós-Palocci. E entra muito antes que Lula, que demorou três anos para que isso acontecesse.

Palocci não é um monstro. Isso é bobagem. Mas representa o pensamento liberal no PT. É o cara que pensa com a cabeça do lado de lá e que faz a ponte com o lado de lá.

No governo Lula, Palocci tentou sempre impedir reajustes do salário mínimo. Dizia que isso iria quebrar estados e municípios. Suas teses eram equivocadas, falsas. E neste caso o tempo foi o senhor da razão.

Agora, no governo Dilma, durante os três primeiros meses, assessores do seu ministério davam declarações em off abastecendo o tal do PiG com a idéia de que o país corria riscos de um processo inflacionário.


E agregavam a informação com a “preocupação” de que Guido Mantega não estava tratando do assunto com a importância que merecia. A intenção era derrubar o ministro para avançar sobre a área econômica.

Ao mesmo tempo, Palocci fazia crer que Luiz Sérgio não era bom de articulação política, por isso acabava tendo de resolver o assunto. Palocci não queria derrubar o deputado, desejava-o fraco. Para poder reinar.

Mas quando Palocci ficou fraco, Luiz Sérgio já estava completamente desidratado e não tinha mais como se recuperar.

A troca de Luiz Sérgio por Ideli Salvati poderia ter sido evitada, mas Dilma preferiu aproveitar o momento para mudar o rumo das coisas.

Dilma acertou?

Não é uma resposta fácil de dar agora. Gleisi e Ideli são pessoas com experiência política, mas que nunca exerceram cargos da envergadura que agora ocupam.

Isso quer dizer que vão fracassar?

Não.

Em muitos jogos de futebol, quando um time está perdendo e um técnico saca um atacante e bota um meio campista, a torcida vaia. Mas muitas vezes dá certo.

Porque o técnico percebeu que tinha perdido o meio do campo e isso o impedia de chegar ao ataque. Ou seja, não adiantava ter um atacante a mais ali perdido.

O que esta metáfora tem a ver com a mexida que Dilma deu no centro nervoso do governo?

A verdade é que talvez nem Gleise e nem Ideli fossem as pessoas mais indicadas para ocupar os cargos a que foram indicadas neste momento. Talvez o momento exigisse gente mais experiente e mais articulada no Congresso.

Mas a presidente notou que havia uma desarticulação no núcleo duro. E que ela precisava de pessoas com quem pudesse conversar olhando olho no olho para botar o governo para frente.

A escolha de Ideli e Gleisi tem a ver com isso.

Ambas são inteligentes e não acredito nessa história de que a catarinense vai brigar com todo mundo e levar a articulação política à breca.

Preconceito puro.

Quando a mulher fala um pouco mais duro, é histérica. Homem que fala duro, é sério.

É assim na lógica dos machos.

Só que Ideli não é boba.

Já sacou que querem inviabiliza-la com este discurso safado.

Posso até errar, mas tenho cá pra mim que vai dar uma volta no preconceito.

E Gleisi idem.

Se a dupla der certo, com Dilma na presidência, inauguraremos uma fase lilás na política brasileira.

Torcida daqui é que não vai faltar.

JUDICIÁRIO - O milagre judiciário foi Daniel Dantas e não Battisti.

O grande vencedor da semana foi Daniel Dantas e não Battisti.

Na Justiça brasileira, o verdaeiro milagre da causa impossível foi protagonizado pelo banqueiro Daniel Dantas e não por Cesare Battisti.

Dantas tinha uma causa impossível e demostrou que milagres acontencem na Justiça brasileira.

Dantas conseguiu, perante o Superior Tribunal de Justiça, uma decisão em que o acessório foi mais importante do que o principal. Onde a verdade real, ou seja, a comprovada corrupção ativa, restou desprezada. O STJ passou uma borracha, como se a corrupção ativa acontecida não tivesse relevância.

Vamos aos fatos e a mostrar o quanto nossa Justiça é cega. A balança da Thêmis (deusa da Justiça) está desequilibrada, a precisar de urgente revisão.

Francisco Campos, apelidado de Chico Ciência, apresentou, em 1941 e quando era ministro da Justiça, o novo código de processo penal brasileiro. Na exposição de motivos que preparou, e ao tratar do capítulo das nulidades, Francisco Campos frisou não deixar a nova legislação oportunidades para se “espiolhar nugas”, ou seja, catar quinquilharias.

Pela nova lei, alertava o ministro Francisco Campos, nenhuma nulidade processual poderia ser reconhecida se não tivesse causado prejuízo real, efetivo e concreto para a defesa ou a acusação.

Como se sabe, o banqueiro Daniel Dantas, conforme uma enxurrada de provas, interceptações telefônicas com autorização judicial e gravações feitas com o acompanhamento da equipe da rede Globo, procurou, por interpostos agentes, corromper policiais em apurações na denominada Operação Sathiagraha. Na casa de um dos enviados de Dantas, o professor Hugo Chicarini, a polícia federal apreendeu R$1,1 milhão.

O imputado mandante do crime, banqueiro Daniel Dantas acabou condenado, em 2008, por consumado crime de corrupção ativa. Então, o banqueiro impetrou habeas corpus a fim de anular as provas colhidas na Operação Satiagraha e, por conseguinte, desconstituir a condenação por corrupção ativa prolatada pelo juízo da 6ª.Vara Criminal Federal e lavra do juiz Fausto De Sanctis.

Por 3 votos contra 2, a 5ª.Turma do Superior Tribunal de Justiça concedeu a ordem de habeas corpus para anular a mencionada Satiagraha e o processo condenatório da 6ª.Vara Criminal Federal.

Para os ministros julgadores, exceção a Gilson Dipp e Laurita Vaz, a participação de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão subordinado ao gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, foi ilegal e contaminou toda a apuração.

Decisão de pasmar. Nenhuma dúvida pairava sobre a consumação de um grave crime a mando de um poderoso banqueiro. Para os ministros Adilson Macabu, Napoleão Maia e José Mussi, o importante era “espiolhar nugas”. A verdade real era secundária.

Os agentes da Abin, que são servidores públicos do mesmo poder Executivo ao qual se subordina a polícia federal, em nada interferiram na consumação do crime de corrupção. E a nulidade mal decretada gerou impunidade. A decisão condenatória tinha sido, bem antes do habeas corpus que a anulou, confirmada no Tribunal Regional Federal da 3ª.Região que não considerou ilegal a participação de agentes da Abin na Satiagraha.

Como as imagens falam por si, vale a pena conferir o vídeo da Rede Globo, quando consumou-se a corrupção ativa (não existe no d.brasileiro tentativa de corrupção).
Fonte: Blog Sem Fronteiras.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

POLÍTICA - Fogo amigo derrubou Gleisi em MS.

Apontada como uma das vozes mais críticas dentro do PT, que levaram à queda de seu antecessor, Antonio Palocci, a nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, provou do mesmo "fogo amigo" quando era secretária extraordinária de Reforma Administrativa do ex-governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda, o Zeca do PT. Responsável por uma reformulação radical num Estado afundado em dívidas, colheu a fama de gestora objetiva, dura, implacável, cujo trabalho incomodou tanto aliados e correligionários que resultou em pressões que provocaram a sua queda e a de seu marido, o também ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, então secretário no mesmo governo.

A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor, 10-06-2011.

Entre 1999 e 2000, Gleisi Hoffmann foi responsável por uma profunda reforma administrativa que cortou 1,5 mil funcionários em cargos em comissão (30% dos existentes à época), reduziu de 15 para 11 o número de secretarias, extinguiu e fundiu empresas públicas (desempregando poderosos presidentes e enxugando estruturas com indicados políticos) e controlou com mão de ferro as cotas de despesas que poderiam ser efetuadas pelos outros secretários estaduais.

Gleisi contrariou interesses e, ao lado do marido, passou a sofrer ataques por todos os lados: de adversários da oposição, de legendas da base aliada, como o PDT e o PSB, e até do próprio partido, o PT.

"Meu partido tem dessas coisas, a autofagia. A Gleisi reestruturou toda a máquina do Estado e isso desgasta. Ela teve que adotar medidas muito duras. Cometeu-se uma grande injustiça com ela e o marido", afirma o deputado estadual Paulo Duarte, que lembra até hoje do dia em que Paulo Bernardo saiu e passou a substituí-lo como secretário de Fazenda: 10 de dezembro de 2000.

Interrompia-se ali um trabalho intenso, menos de dois anos após iniciado. Trazido do Paraná, Paulo Bernardo chegou antes. Tomou posse junto com Zeca do PT, em janeiro de 1999. Era um quadro de qualificações técnicas, recomendado pela direção nacional do partido, por não existir no Mato Grosso do Sul. Gleisi veio em seguida, e também logo se impôs pelo trabalho administrativo e pela linha-dura.

O momento exigia. O Estado passava por uma grave crise financeira. A folha de pagamento não era paga em dia havia mais de oito anos; os funcionários não recebiam havia quatro meses e a dívida de curto prazo chegava a R$ 700 milhões, para uma arrecadação de ICMS que não ultrapassava R$ 45 milhões e representava 90% das receitas. Em seis meses, com a ajuda dos dois forasteiros do Paraná, a arrecadação já havia dobrado e, em um ano, o governo acertava 17 folhas de pagamento e punha os salários em dia.

O primeiro cargo de Gleisi foi de secretária-executiva na Casa Civil. Coordenava o chamado Comitê de Gestão Financeira (Cogef). Era uma instância da qual participavam também Paulo Bernardo, secretário da Fazenda, e os chefes das Pastas da Administração e da Casa Civil, os hoje deputados federais Antônio Carlos Biffi e Vander Loubet, ambos do PT. Estipulava cotas para cada secretaria e gastos acima do limite só poderiam ser aprovados pelo comitê - o que provocava queixas generalizadas do secretariado. Gleisi tinha a chave do cofre.

Como só aumentar a receita ou controlar marginalmente as despesas não resolveria a crise, Gleisi foi escalada para comandar a parte mais difícil: cortar a própria carne e fazer uma reforma radical no Estado. No segundo ano de governo, tornou-se secretária extraordinária de Reestruturação Administrativa.

Gleisi mexeu nas funções do próprio marido, ao dividir as atribuições da secretaria de Fazenda em duas Pastas: de Gestão (que pagava as contas) e de Receita e Controle (que arrecadava e fazia auditoria). Mas foi bombardeada mesmo depois de cortar 30% dos cargos em comissão; reduzir o número de secretarias; extinguir e fundir empresas públicas e aplicar outras medidas de austeridade. Gleisi fechou a Lotesul, que promovia jogos de loteria; liquidou a Prodasul, empresa de processamento de dados, que passou a ser uma superintendência ligada à Fazenda; e contingenciou o chamado duodécimo, comprando briga com Assembleia, Tribunal de Contas, Ministério Público e Judiciário, ao restringir a quantia do orçamento destinada a esses poderes.

A reforma administrativa foi a gota d'água. Gleisi ainda reformulou a previdência, ao separar o deficitário Previsul em Caixa de Assistência dos Servidores do Estado (Cassems), que cuida do plano de saúde dos funcionários, e no MSPrev, o instituto de previdência. Mas não resistiu às pressões de políticos e sindicatos.

Apesar da fama de Dama de Ferro, sua qualidade técnica é ressaltada até por adversários. Consultados pelo Valor, três deputados federais e um senador, que lhe faziam oposição, a elogiaram.

"Quando vira ministra, é como a pessoa que morre, não tem mais defeito", brinca Biffi, um dos que reagiram às medidas de Gleisi. Ele diz ter sido "normal" o ciúme que ela e o marido despertaram. "Eles eram do PT, mas do Paraná. Não tinham compromisso conosco. Mas alguém dali, do Estado, não conseguiria fazer o mesmo", reconhece.

POLÍTICA - Ação popular tenta recuperar R$ 300 milhóes pagos a mais por Alckmin e Cia.

Ação popular tenta recuperar R$ 300 milhões “pagos a mais” pelos governadores Alckmin e Serra. O Ministério Público e a Polícia Federal deviam investigar esse escândalo? Por que não o fazem?

Carlos Newton

Os R$ 20 milhões recebidos por Antonio Palocci, ex-chefe da Casa Civil, por “consultorias” prestadas a particulares em 2010, parecem ninharia perto do prejuízo sofrido pela Fazenda do Estado de São Paulo, que entre 2004 e 2009 pagou juros indevidos de cerca de R$ 300 milhões aos titulares de um precatório - a família Abdalla, ex-proprietária da área de 600 mil m², onde hoje funciona o Parque Villa Lobos, em São Paulo.

A ação, ajuizada pelo ex-deputado Afanasio Jazadji, foi acolhida pela juíza Alexandra Fuchs de Araújo, da 6ª Vara da Fazenda Pública, que mandou incluir no pólo passivo os seguintes réus: Fazenda do Estado de São Paulo como entidade lesada; procurador-geral do Estado Elival da Silva Ramos e ex-procurador-geral Marcos Fábio de Oliveira Nusdeo (governos Geraldo Alckmin e José Serra), responsáveis pelos cálculos tidos como equivocados; José João Abdalla Filho, Antonio João Abdalla Filho, Lúcia Abdalla Abdalla, a S/A Central de Imóveis e Construções, na condição de beneficiários do ato atacado; e Prefeitura de São Paulo, na condição de titular de 30% do valor da área desapropriada pelo governo do Estado em 1988.

Nenhum jornal, nenhuma revista, nenhuma emissora de rádio e televisão sequer menciona o assunto. É como se fosse normal ver governadores pagando R$ 300 milhões a mais, e fica tudo por isso mesmo. Somente a Tribuna se preocupa com isso. Não parece estranho? Afinal, essas informações estão disponíveis no site do Tribunal de São Paulo, fórum da Capital, Varas da Fazenda Pública, autos nº 0006827-82.2011.8.26.0053 – www.tj.sp.gov.br ).

Por determinação da juíza, ouvido o Setor de Execuções contra a Fazenda Pública, foram incluídos ainda como réus os escritórios de advocacia de Roberto Elias Cury e Eid Gebara, patronos dos antigos donos da gleba situada na avenida Marginal Pinheiros, antes utilizada para depósito de lixo e que custou aos cofres públicos cerca de R$ 3 bilhões, dinheiro mais do que suficiente para a construção de uma linha de metrô de grande porte.

O núcleo da discussão cinge-se ao espontâneo pagamento de juros moratórios em prestações do precatório, que foram incluídos entre a quarta e a nona parcelas, sem que houvesse justificativa. Essas parcelas foram pagas pontualmente e sem atraso. Então, como incluíram juros de mora? E no módico valor de R$ 300 milhões?

Segundo o ex-deputado Afanazio Jazadji, o pagamento desses juros moratórios em parcelas anuais quitadas sem atraso lesou as finanças públicas e contraria o que dispõe a emenda constitucional 30/2000, que estabelece: “É obrigatória a inclusão no orçamento das entidades de direito público, de verba necessária ao pagamento de seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado, constantes de precatórios judiciários, apresentados até 1. de julho, fazendo-se o pagamento ATÉ O FINAL DO EXERCÍCIO SEGUINTE, QUANDO TERÃO SEUS VALORES ATUALIZADOS MONETARIAMENTE”.

Nesse caso, como os cálculos e os pagamentos foram feitos espontaneamente pela Fazenda do Estado, com base em trabalho elaborado pela Procuradoria-Geral do Estado, estranha-se que especialistas em Direito Público não tivessem atentado para a clareza do dispositivo constitucional e para as decisões dos tribunais superiores que nunca deixaram margem para dúvidas: “A partir da primeira parcela, com vencimento em 31 de dezembro de 2001, os juros legais são devidos para as parcelas inadimplidas. Em síntese, os juros moratórios só incidem quando houver atraso no pagamento das parcelas de precatório QUE VENCEM NO FINAL DE CADA EXERCÍCIO FINANCEIRO E NÃO NO PRIMEIRO DIA DO ANO ORÇAMENTÁRIO”.

Inexplicavelmente, a Fazenda do Estado pagou pontualmente a 4ª, a 5ª, a 6ª, a 7ª, a 8ª e a 9ª parcelas do precatório do Parque Villa Lobos, entre 2004 e 2009, antes de seu vencimento, e ainda assim vultosos juros moratórios, como se tivesse atrasado os pagamentos em 365 dias.

Na 4ª parcela, de dezembro de 2004, foram pagos juros moratórios indevidos de R$ 48,4 milhões; na 5ª parcela, dezembro de 2005, foram depositados como juros moratórios desnecessários R$ 39,6 milhões; em dezembro de 2006, como 6ª parcela, foram pagos a mais R$ 37,1 milhões, sem que houvesse mora alguma; a 7ª parcela, quitada em dezembro de 2007, incluiu juros moratórios inexistentes de R$ 31 milhões; na 8ª parcela, quitada em 29 de dezembro de 2008, sem atraso, foram depositados R$ 25,2 milhões a mais. Finalmente, para a 9ª parcela, foram destinados juros moratórios de R$ 17,2 milhões, também ilegais.

Todos esses milionários pagamentos por atrasos inexistentes foram feitos por conta da Procuradoria-Geral do Estado, sem que os beneficiários os tivessem requerido ou mesmo discordado do pagamento sem juros. Assim, afrontaram jurisprudência assentada no Supremo Tribunal Federal, no sentido de que “durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos, desde que pagos TEMPESTIVAMENTE, OU SEJA, SEM ATRASO”.

Alguns réus já apresentaram contestação, pedindo a extinção do feito, vez que entendem que a ação popular não se destina à proteção de interesses de particulares. Mas foi por isso mesmo que o autor da ação, em seu pedido, requereu claramente “a condenação dos réus, na proporção de suas responsabilidades e vantagens auferidas, a RESSARCIREM O ERÁRIO PÚBLICO pelos prejuízos acarretados, além do pagamento de honorários advocatícios, custas e despesas processuais, conforme artigo 12 da Lei no. 4.717/65 e CPC, tudo consoante venha a ser apurado em regular liquidação de sentença”.

UM “LIXÃO” QUE CUSTOU R$ 3 BILHÕES

Perguntas que não podem deixar de ser feitas: se a área desapropriada em abril de 1988 pelo ex-governador Orestes Quércia não passava de um lixão na marginal de Pinheiros, como pôde seu valor indenizatório ter chegado a NCz$ 324,6 milhões (trezentos e vinte e quatro milhões, seiscentos mil cruzados novos)?

Atualizada monetariamente essa fortuna, teríamos hoje um valor de cerca de R$ 675 milhões (seiscentos e setenta e cinco milhões de reais). Por que então esse precatório custou ao Estado de São Paulo cerca de TRÊS BILHÕES DE REAIS, com honorários advocatícios de cerca de R$ 250 milhões?

Sem dúvida, o ex-deputado Afanasio Jazadji está prestando inestimável serviçoao buscar explicações para tamanhos equívocos. E o Ministério Público Federal, o Estadual e a Polícia Federal não teriam interesse em investigar um escândalo desse porte? Por que a corrupção virou rotina, ninguém é punido?
Fonte: Tribuna da Imprensa.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

POLÍTICA - Como Gleisi ascendeu no PT.

Como Gleisi ascendeu no PT e superou o marido

Não é a primeira vez que a nova ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Helena Hoffmann, vai participar da mesma equipe de governo de seu marido, o titular da Pasta das Comunicações, Paulo Bernardo.

A coabitação aconteceu pela primeira vez em 1999, quando ambos foram convidados pelo então governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT. Ela foi para a Pasta da Administração e o marido, para a Fazenda. "Gleisi é mais preparada que o marido e muito mais sagaz", diz Zeca. "Ela teve um papel extraordinário, de valorização e modernização do serviço público. Se articulava com o servidor, com universidades, com a sociedade civil. É um gol de placa da presidente".

A reportagem é de Cristiane Agostine, Vandson Lima, Cristian Klein e Marli Lima e publicada pelo jornal Valor, 08-06-2011.

Zeca conta que conheceu Bernardo no movimento sindical no Banco do Brasil e diz que Gleisi não entrou no seu secretariado por influência do marido, mas, sim, por indicação de representantes do PT em Brasília, onde trabalhava na assessoria da bancada do partido. "Ela criou uma política de cargos e salários, de assistência médica e social", lembra. Com a eleição de Lula, em 2002, Gleisi e Bernardo não participaram da segunda gestão de Zeca e foram para o governo federal.

A nova ministra conviveu diretamente com a presidente Dilma Rousseff na equipe de transição do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, e na definição de políticas para a Itaipu Binacional. Nessa época, Gleisi era diretora-executiva de Finanças da estatal e Dilma comandava o Ministério de Minas e Energia.

No PT, Gleisi foi uma das principais vozes críticas a Palocci, desde que foi deflagrada a crise envolvendo o ex-ministro. Com a divulgação da evolução patrimonial do ex-ministro, a petista reuniu em sua casa a bancada de seu partido e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sugeriu a saída de Palocci do governo.

A trajetória de Gleisi é marcada pela ascensão de assessora parlamentar à ministra da pasta mais importante do Planalto. Entre as características citadas por aliados e opositores, está sua aversão à truculência.

A nova ministra começou a militância no movimento estudantil, filiada ao PCdoB. Gleisi trabalhou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná e foi assessora de Jorge Samek, atual diretor-geral da Itaipu Binacional, na Câmara Municipal de Curitiba, em 1988. Um ano depois, Gleisi ingressou no PT. Formada em Direito, com especialização em gestão e finanças, mudou-se para Brasília em 1993 e assessorou a bancada do partido na Câmara, na área econômica. Nessa época, entre os deputados federais estava Paulo Bernardo.

Gleisi passou por dois governos. Além da administração de Zeca do PT, em 1999, foi secretária de Gestão Pública em Londrina de Nedson Micheleti (PT), em Londrina, em 2001.

Depois de atuar como uma das coordenadoras da equipe de transição de Lula, em 2002, a petista foi nomeada diretora de Finanças de Itaipu, cargo em que ficou entre 2003 e 2006. Lula, quando deu posse à diretoria, citou em seu discurso que pela primeira vez uma mulher assumia o cargo de direção na usina.

"Estou comemorando", disse ontem Samek. Segundo ele, Gleisi conseguiu colocar as contas de Itaipu em ordem em poucos meses. Cobrou dívidas ao mesmo tempo em que atuou em obras sociais, como combate à prostituição na fronteira entre Brasil e Paraguai. Mas foi em políticas de igualdade de gênero que ela mais trabalhou nesse período.

A partir de 2003 a advogada, com experiência em administrações públicas, começou a mostrar que tinha interesse em disputar uma eleição. O nome de Gleisi sempre apareceu ligado ao de seu segundo e atual marido, o ministro Paulo Bernardo. Mas a petista surpreendeu já na primeira vez em que tentou as urnas. Nas eleições de 2006, candidatou-se ao Senado pelo PT e, com 45% dos votos, por pouco não venceu o experiente Álvaro Dias (PSDB), que conseguiu 50%. Depois, mesmo apoiada por Lula, foi derrotada na eleição de 2008 para a prefeitura da capital pelo tucano Beto Richa, atual governador do Paraná. Na época, presidia o PT estadual. Em 2010, disputou novamente o Senado e elegeu-se com 3,19 milhões de votos, a maior votação da disputa pelo cargo.

Gleisi sempre defendeu tanto Lula como Dilma e, na campanha passada, assumiu em seu Estado a função de falar da importância de eleger uma mulher para a Presidência. Foi a principal cabo eleitoral de Dilma no Paraná. "Ela fazia mais campanha para a presidente do que para ela", lembra André Passos, ex-presidente do diretório do PT de Curitiba.

Na campanha para o Senado em 2010, Gleisi arrecadou sozinha mais do que todos os seus adversários somados, de acordo com a prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Logrou R$ 7,9 milhões de receita, acima dos R$ 3 milhões conseguidos pelo ex-governador Roberto Requião (PMDB), também eleito, e dos R$ 2,1 milhões de Gustavo Fruet, terceiro colocado.

As doações à petista foram feitas, essencialmente, pelo setor de engenharia e construção, responsável por R$ 3,2 milhões, 40,5% do total arrecadado. O maior doador foi a Construtora Camargo Corrêa, com R$ 1 milhão. A OAS, outra gigante do ramo, também foi generosa com a nova ministra, deixando-lhe R$ 780 mil. Outras onze empresas do ramo destinaram valores a Gleisi.

O PT também destinou grandes somas à campanha da senadora: o Diretório Nacional do partido doou R$ 1,9 milhão. O Comitê Financeiro Único, que arrecadou R$ 2,6 milhões, encaminhou R$ 883 mil só para a campanha de Gleisi. Assim como a senadora, o comitê teve boa parte do seu caixa abastecido por doações de construtoras, responsáveis por R$ 1,95 milhão (75% do total arrecadado). Dos R$ 883 mil que o comitê doou a Gleisi, R$ 584 mil foram repassados em data posterior à eleição. Uma doação de R$ 299 mil foi registrada em 04/08/2010. Outras 16 doações do comitê para Gleisi, em valores menores, foram efetuadas após o pleito.

No TSE, a petista declarou bens no valor de R$ 659.846,00. Gleisi diz ter um apartamento de R$ 245,5 mil e um carro de R$ 88 mil. O restante corresponde a aplicações financeiras e depósito em conta corrente.

No Senado, Gleisi foi a principal defensora da revisão do Tratado de Itaipu, que aumenta de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões o montante anual a ser repassado pelo Brasil ao Paraguai. No começo de seu mandato, apresentou um projeto para limitar o teto da remuneração dos servidores públicos.

Gleisi é curitibana, tem 45 anos, dois filhos e é "tuiteira", assim como seu marido. A nova ministra estudou em colégio católico e queria ser freira. Segundo ela, foram os padres que a incentivavam a participar da vida política. Seu nome é uma homenagem a Grace Kelly, princesa de Mônaco, embora tenha grafia diferente. Sua família é de origem alemã e catarinense.

Fonte: IHU

POLÍTICA - Quem manda é ela mesmo.

Carlos Chagas

Dos 190.732.694 brasileiros registrados no último censo nacional, apenas quatro não se surpreenderam quando Dilma Rousseff mandou anunciar o nome de Gleisi Hofmann para a chefia da Casa Civil: a presidente, que fez a escolha e o convite, a senadora, que aceitou, o marido dela, ministro Paulo Bernardo, e o ex-presidente Lula. Para o resto da população, foi uma surpresa. Os ministros do governo, inclusive os palacianos, os líderes parlamentares, os meios de comunicação e a torcida do Flamengo nem desconfiavam. O próprio vice-presidente Michel Temer soube por um telefonema de Dilma, menos de uma hora antes do anúncio. Quem disser que sabia, fora dos referidos acima, pode ser preso como mentiroso. Mesmo os montes de deputados e senadores que manifestaram naturalidade candidatam-se a uma vaga no sanatório, porque só não caíram estatelados por já estarem sentados.

Ficou caracterizado o estilo da presidente e evidenciada uma realidade da qual muita gente já duvidava: quem manda é ela mesmo. Deu a volta por cima nas suposições de que governava em condomínio com o Lula, com Antônio Palocci e outros.

Agora, saber se a surpreendente nomeação vai dar certo é outra história. A senadora declarou que suas funções serão técnicas, de coordenar a administração. A política ficará com o ministro respectivo, ao que parece outro que não o atual, Luis Sérgio.

A crise que envolveu Antônio Palocci poderia ter sido decidida logo que eclodiu, com o seu afastamento imediato. Dilma demorou, dando tempo ao então chefe da Casa Civil para recuperar-se. Como não conseguiu, recebeu a última sugestão, de vir a público em entrevistas onde não deveria esconder nada. Escondeu. Por isso ficou pendurado no pincel, sem escada, ainda que lhe fosse dada a chance de pedir demissão, por carta.

Tanto o PT quanto o PMDB e demais partidos da base oficial andam de crista baixa. Terá arrefecido, neles, o furor para enquadrar e submeter a presidente a seus interesses. Nenhum partido foi consultado para a nomeação de Gleisi Hoffmann, muito menos os companheiros.

ALERTA PARA TODOS

Acendeu a luz amarela nos semáforos da Esplanada dos Ministérios. Se o mais poderoso dos ministros não foi poupado quando meras suspeitas pesaram sobre o aumento de seu patrimônio, melhor para os demais que se cuidem. Atividades privadas, mesmo anteriores às respectivas nomeações, começam a passar pelo crivo dos meios de comunicação. Pior ficará se algum ministro for flagrado em atividades pouco claras praticadas depois que virou ministro. Tem gente botando cartões corporativos no fundo da gaveta.

Outros decidiram não receber a sós lobistas, empresários e até parlamentares. Chamam auxiliares para testemunhar quaisquer conversas e não marcam encontros em restaurantes de luxo. Muito menos frequentam as belas mansões sustentadas por empresas que tem contratos com o governo. Todo cuidado é pouco, a partir de agora. �

VAI DAR PREJUÍZO�

Informou o já ex-ministro Antônio Palocci que se dedicará a dois objetivos: emagrecer e cuidar dos negócios de sua empresa de consultoria. Parece mais fácil perder alguns quilos, se mantiver a boca fechada, porque os clientes, agora, vão minguar. Quem se interessará pelos conselhos de alguém catapultado do governo? Grandes empreiteiras, bancos monumentais e sucedâneos não terão mais motivo para gastar milhões com uma empresa cujo proprietário acaba de perder a chave do cofre.

DECISÃO INUSITADA

Tome-se uma situação corriqueira: a polícia chega bem na hora em que o ladrão assalta uma casa, precisando os policiais arrombar a janela para entrar e prender o bandido. Levado para a delegacia, seu advogado alega a impossibilidade da prisão porque os policiais, afinal, violaram a lei ao depredar propriedade particular.

Pois é. Com todo o respeito, não dá para entender como o Supremo Tribunal Federal anulou toda a “Operação Satiagraha”, destinada a prender ladrões de colarinho branco flagrados em olímpicos ilícitos, só porque agentes da Abin juntaram-se à Polícia Federal durante as investigações.

Trata-se de um caso típico de inversão de valores, favorecendo bandidos que agora festejam a impossibilidade de responder por seus crimes.
Fonte: Tribuna da Imprensa.

ECONOMIA - A política monetária de uma nota só.

Os caras do Banco Central insistem com a política de aumentar a taxa Selic. Os especuladores mais uma vez agradecem.

Copom, câmbio e a especulação externa

Por Luis Nassif, em seu blog:

Em geral, costuma-se comparar a economia a um transatlântico. Depois que o comandante define a nova rota, o navio começa a se mover lenta mas inexoravelmente. Qualquer tentativa de acelerar o ritmo de mudança ou é temerário - por colocar o navio em risco - ou errado, por acentuar a mudança mais do que se devia. O erro só aparecerá mais à frente.

É o que está acontecendo com o PIB agora. A ultima pesquisa do IBGE mostrou o PIB se desacelerando em 9 das 14 regiões pesquisadas. A etapa seguinte será o desaquecimento se estender para as demais regiões.

Todos esses dados recomendariam não se insistir em aumentar ainda mais a taxa Selic.

Uma das contraindicações principais ao aumento de juros é a apreciação cambial.

Um estudo de Márcio Holland, Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda – apresentado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara – identificou bem os problemas do câmbio. Há diagnósticos claros, precisos, há os efeitos perversos da apreciação cambial sobre a estrutura industrial do país. Mas o fato concreto é que as ações tomadas até aogra apenas impediram um aprofundamento maior da apreciação cambial.

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No diagnóstico do problema, Holland lembrou a desregulamentação financeira iniciada nos anos 70, aprofundada nos anos 90, a sofisticação dos instrumentos financeiros (derivativos, CDS etc), e, após a crise de 2008, o crescimento mundial assimétrico – emergentes crescendo mais, avançados com déficits fiscal e externo e expansão monetária.

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Antes da crise de 2008, o fluxo privado líquido para países emergentes estava em US$ 1,3 trilhão; contra US$ 800 bi em 2006. Depois, caiu para US$ 602 bi em 2008. Em 2011, a previsão é de US$ 960 bi – o maior nível, excetuando o período pré-crise de 2007.

Para combater o movimento especulativo de capitais, o governo aumentou de 2% para 6% o IOF sobre aplicações financeiras externas em renda fixa.

O aumento foi em outubro. Dois meses depois, o fluxo de IDE (Investimento Direto Estrangeiro) saltou de US$ 6,8 bilhões em outubro para US$ 15,4 bilhões em dezembro. No primeiro quadrimestre de 2011, o volume de IDE foi de US$ 23 bilhões – quase 200% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Há evidências de que parte desse IDE está sendo desviado para renda fixa. Mas a postura do Banco Central é de leniência. Ontem, no Seminário da Comissão de Finanças da Câmara, o chefe da gerência-executiva de Normatização de Câmbio e Capitais Estrangeiros, Geraldo Magela, afirmou que o BC não identificou fraudes no ingresso dos IDEs – por tal, entenda-se, desvio para aplicação em renda fixa.

Como se identifica a fraude? Simplesmente controlando a trajetória dos dólares, fiscalizando onde serão aplicados. Mas, segundo o insigne gerente, "depois que os dólares entram no país e são convertidos em reais, fica difícil controlar".

Isso porque o BC não entra na análise dos balanços das instituições que trazem os dólares. Então, a única garantia de que não há burlas é a boa fé do fiscalizado: Acreditamos que não estão ocorrendo desvios", diz ele.
Postado por Miro

ECONOMIA - O Humala nem tomou posse e os de sempre já querem desestabilizá-lo.

Mensagem mafiosa para Ollanta. Artigo de Atilio Boron




“Qual é a explicação para a queda da Bolsa? A resposta é bem simples: porque diante do novo quadro político aberto pela eleição de Humala os especuladores, que se reúnem em todos os mercados mundiais decidiram enviar uma mensagem mafiosa para o presidente eleito, fazendo uma pequena demonstração da sua força e poderio financeiro”, escreve o cientista político argentino Atilio A. Boron, em artigo publicado no jornal Página/12, 08-06-2011.

Atilio Boron é diretor do PLED/Centro Cultural da Cooperação. Tomamos a tradução feita por Valdir Izidoro Silveira e que está em seu blog.

Eis o artigo.

De acordo com Kurt Burneo, economista da equipe técnica que assessora Ollanta Humala, não há nenhuma justificativa macroeconômica para explicar a forte queda experimentada pela Bolsa de Mercado de Lima, na segunda-feira. Em relação a esta questão também se manifestou a agência de riscos Moody's, garantindo que não há razões para autorizá-los a mudar suas previsões sobre o desempenho futuro da economia peruana, ou reduzir o nível de investimento no Peru, que foi confirmada por outra agência de riscos, a Fitch Rating e por bancos internacionais de investimento que operam no país. Burneo afirmou, ainda, que a segurança dos depósitos bancários não será alterada e que as grandes linhas da política econômica permanecerá em vigor. Ele também disse que as empresas de capital aberto mostram altos níveis de rentabilidade: “os lucros das empresas sobre suas vendas estão acima de 24%, e no caso de empresas de mineração, a proporção é de 60%”. Constata-se a fenomenal rentabilidade empresarial, que contrasta com a não menos fenomenal dívida social em relação ao bem-sucedido "modelo" no Peru! Sim, segundo se diz, os fundamentos são sólidos e se descarta quaisquer alterações. Qual é a explicação para a queda da Bolsa?

A resposta é bem simples: porque diante do novo quadro político aberto pela eleição de Humala os especuladores, que se reúnem em todos os mercados mundiais (e o de Lima não é uma exceção) decidiram enviar uma mensagem mafiosa para o presidente eleito, fazendo uma pequena demonstração da sua força e poderio financeiro. Em suma, uma espécie de "golpe do mercado" preventivo, uma advertência e um lembrete do que poderá acontecer caso Humala se decida a abandonar o caminho traçado por seus antecessores.

O capital não descansa e taxa todos os dias, e seus estratagemas podem atar as mãos de quaisquer governos. Humala disse que respeitaria a economia de mercado, ao mesmo tempo disse que quer acabar com a pobreza e a exclusão social. Mas a manutenção da economia de mercado, tal como existe hoje no Peru, é certo que a pobreza e a exclusão social cresça num ritmo inconcebível assim como acontece com as taxas de lucros das empresas. Vai ter que escolher, entre a queda de braços com o mercado e sua principal arma principal, talvez a única, que será a sua capacidade de promover a organização e conscientização das massas. Passadas 24 horas das eleições, o mercado lançou o desafio a Humala e já se comporta como seu inimigo. Teremos que ver como ele reage diante daqueles que tem inveterada afeição pelas práticas extorsivas e seus apelos à defesa dos interesses do capital.

A DIREITA REACIONÁRIA REPRESENTADA PELO DANIEL DANTAS, DIGO MENDES, PERDEU MAIS UMA.

CELSO LUNGARETTI

O PROCESSO ERA KAFKIANO. MAS, BATTISTI SE SALVOU

Falamos em Caso Dreyfus, por se tratar de uma terrível injustiça e pelo intenso debate que gerou.

Comparamos com o martírio de Sacco e Vanzetti, porque os dois perseguidores togados de Cesare Battisti foram igual e absurdamente tendenciosos, alinhando-se, até o mais ínfimo detalhe, com o pleito italiano.

A execução destes imigrantes anarquistas em 1927 teve, como pretexto, homicídios que as autoridades estadunidenses sabiam terem sido cometidos por criminosos sem envolvimento político; e como verdadeiro motivo, a intimidação dos agrupamentos revolucionários.

Oficialmente inocentados meio século depois, foram, portanto, assassinados por linchadores travestidos de julgadores -- como Battisti, por muito pouco, escapou de ser.

O paralelo mais apropriado, contudo, talvez não seja histórico, e sim literário: é com a via crucis de Joseph K. Com a diferença de que Battisti acabou sendo salvo por uma corrente de bons brasileiros e uma extraordinária estrangeira.

A exemplo do personagem principal de O Processo, Battisti repentinamente se viu em meio a um pesadelo do qual não conseguia acordar, sob acusações despropositadas e sem encontrar nenhuma autoridade que levasse em conta seus protestos e provas de inocência. Mais kafkiano, impossível.

Daí tanto perguntar, no seu livro Minha fuga sem fim, em entrevistas e mensagens: "Por que eu?".

TRADIÇÃO DE FAMÍLIA

Neto, filho e irmão mais novo de comunistas, engajou-se naturalmente na Juventude do PCI e, aos 13 anos, já participava dos protestos estudantis que marcaram o 1968 europeu.

Depois, no cenário radicalizado do pós-1968, o ardor da idade, também naturalmente, o foi conduzindo cada vez mais para a esquerda: do PCI à Lotta Continua, desta à Autonomia Operária, até desembocar no Proletários Armados para o Comunismo, pequena organização regional com cerca de 60 integrantes.

Participou de assaltos para sustentar o movimento -- as expropriações de capitalistas -- e não nega. Mas, assustado com a escalada de violência desatinada -- cujo ápice foi a execução do sequestrado premiê Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas -- desligou-se em 1978, logo após o primeiro assassinato reivindicado por um núcleo dos PAC, do qual só tomou conhecimento a posteriori, recebendo-o com indignação.

Já era um mero foragido sem partido quando os PAC vitimaram outras três pessoas, no ano seguinte.

Detido, foi condenado em 1981 pelo que realmente fez (participação em grupo armado, assalto e receptação de armas), mas a uma pena rigorosa demais (12 anos), característica dos anos de chumbo na Itália, quando se admitia até a permanência de um suspeito em prisão PREVENTIVA por MAIS DE 10 ANOS!!!

Resgatado em outubro de 1981, por uma operação comandada pelo líder dos PAC, Pietro Mutti, abandonou a Itália, a luta armada e a própria participação política, ocultando-se na França, depois no México, onde iniciou sua carreira literária.

Aceitando a oferta do presidente François Mitterrand -- abrigo permanente para os perseguidos políticos italianos que se comprometessem a não desenvolver atividades revolucionárias em solo francês --, levava existência pacata e laboriosa há 14 anos, quando, em 2004, a Itália o escolheu como alvo.

Tinha sido um personagem secundário e obscuro nos anos de chumbo, quando cerca de 600 grupos e grupúsculos de ultraesquerda se constituíram na Itália. O fenômeno ganhou maiores proporções porque muitos militantes sinceros de esquerda foram levados ao desespero pela traição histórica do PCI, que tornou a revolução inviável num horizonte visível ao mancomunar-se com a reacionária, corrupta e mafiosa Democracia Cristã.

Destes 600, um terço esteve envolvido em ações armadas.

"POR QUE EU?"

Nem os PAC tinham posição de destaque na ultraesquerda, nem Battisti era personagem destacado dos PAC. Foi apenas a válvula de escape de que o delator premiado Pietro Mutti e outros arrependidos, em depoimentos escandalosamente orquestrados, serviram-se para obter reduções de pena: estava a salvo no exterior, então poderiam descarregar sobre ele, sem dano, as próprias culpas.

Num tribunal que só faltou ser presidido por Tomás de Torquemada, Battisti acabou sendo novamente julgadona Itália e condenado à prisão perpétua em 1987.

A sentença se lastreou unicamente no depoimento desses prisioneiros que aspiravam a obter favores da Justiça italiana -- cujas grotescas mentiras se evidenciaram, p. ex., na atribuição da autoria direta de dois homicídios quase simultâneos a Battisti, tendo a acusação de ser reescrita quando se percebeu a impossibilidade material de ele estar de corpo presente em ambas as cidades.

Depois, provou-se de forma cabal que Battisti não só fora representado por advogados hostis (pois defendiam os arrependidos cujos interesses conflitavam com os dele), como também falsários (pois forjaram as procurações que os davam como seus patronos).

Battisti escapara das garras da Justiça italiana, então valia tudo contra ele. Mas, ainda, como vilão menor.

Passou a ser encarado como um vilão maior quando alcançou o sucesso literário. Tinha muito a revelar sobre o macartismo à italiana dos anos de chumbo, tantas vezes denunciado pela Anistia Internacional e outros defensores dos direitos humanos.

Foi aí, em 2004, que a Itália direcionou suas baterias contra Battisti, investindo pesado em persuasões e pressões para que a França desonrasse a palavra empenhada por um presidente da República. Tudo isto facilitado pela voga direitista na Europa e pela histeria insuflada ad nauseam a partir do atentado contra o WTC.

Ao mesmo tempo que concedia a extradição antes negada, a França, por meio do seu serviço secreto, facilitou a evasão de Battisti. A habitual duplicidade francesa.

VÍTIMA DE DOIS SEQUESTROS. NO BRASIL

E o pesadelo se transferiu para o Brasil, onde o escritor teve a infelicidade de encontrar, no STF, dois inquisidores dispostos a tudo para entregarem o troféu a Berlusconi.


Preso em março/2007, seu caso deveria ter sido encerrado em janeiro/2009, quando o então ministro da Justiça Tarso Genro lhe concedeu refúgio.

Mas, ao contrário do que estabelecia a Lei do Refúgio, bem como da jurisprudência consolidada em episódios anteriores, o relator Cezar Peluso manteve Battisti sequestrado, na esperança de convencer o STF a revogar (na prática) a Lei e jogar no lixo a jurisprudência.

Apostando numa hipótese coerente com suas convicções pessoais (conservadoras, medievalistas e reacionárias), Peluso manteve encarcerado quem deveria libertar.

Ele e o então presidente Gilmar Mendes atraíram mais três ministros para sua aventura que, em última análise, visava erigir o Supremo em alternativa ao Poder Executivo, esvaziando-o ao assumir suas prerrogativas inerentes. A criminalização dos movimentos sociais também fazia, obviamente, parte do pacote.

Foram juridicamente aberrantes as duas primeiras votações, em que o STF, por 5x4, derrubou uma decisão legítima do ministro da Justiça e autorizou a extradição de um condenado por delitos políticos, ao arrepio das leis e tradições brasileiras.

Como na nossa ditadura militar, delitos políticos foram falciosamente metamorfoseados em crimes comuns -- a despeito da sentença italiana, dezenas de vezes, imputar a Battisti a subversão contra o Estado italiano e enquadrá-lo numa lei instituída exatamente para combater tal subversão!

A blitzkrieg direitista foi detida na terceira votação, quando Peluso e Mendes tentavam automatizar a extradição, cassando também uma prerrogativa do presidente da República, condutor das relações internacionais do Brasil.

Contra este acinte à Constituição insurgiu-se um ministro legalista, Carlos Ayres Britto. Também por 5x4, ficou definido que a decisão final continuava sendo do presidente da República, como sempre foi.

Sabendo que Luiz Inácio Lula da Silva não cederia às afrontosas pressões italianas, o premiê Silvio Berlusconi já se conformava com a derrota em fevereiro de 2010, pedindo apenas que a pílula fosse dourada para não o deixar muito mal com o eleitorado do seu país.

Mesmo assim, quando Lula encerrou de vez o caso, Peluso apostou numa nova tentativa de virada de mesa. Ao invés de libertar Battisti no próprio dia 31/12/2010, como era o que lhe restava fazer segundo o ministro Marco Aurélio de Mello e o grande jurista Dalmo de Abreu Dallari, manteve-o, ainda, sequestrado.

E o sequestro, desta vez, saltou aos olhos e clamou aos céus. Só não viu quem não quis.

Com o STF decidindo, por sonoros 6x3 (só Ellen Gracie embarcou na canoa furada de Peluso e Mendes), que não havia mais motivo nenhum para o processo prosseguir nem para Battisti ser mantido preso, como fica a situação de quem cerceou arbitrariamente sua liberdade por cinco meses e oito dias?

Torno a perguntar: quem julga o presidente da mais alta Corte?

UM IMPERADOR EM PARAFUSO

Além do governo neofascista de Berlusconi, que usou todo o peso de um país do 1º mundo na tentativa de arrancar Battisti do Brasil; da cabeça-de-ponte no Supremo e do previsível engajamento dos reacionários brasileiros na cruzada italiana (vide a arguição da inconstitucionalidade do parecer da Advocacia Geral da União, por parte do DEM), uma menção especial cabe à grande imprensa brasileira em geral e a Mino Carta em particular.

Eles protagonizaram uma das páginas mais vergonhosas de nosso jornalismo em todos os tempos, com uma satanização sem limites, omitindo informações importantes, maximizando insignificâncias, não abrindo espaço para o outro lado, cerceando o direito de resposta, manipulando, mentindo, pressionando, picareteando.


Nos momentos mais cruciais do caso, tratavam Battisti como terrorista, o que nem a discricionária Justiça italiana dos anos de chumbo ousara. Tudo fizeram para que um ex-militante inativo há três décadas fosse confundido com um Bin-Laden da vida.

Quanto a Mino Carta, sem jamais admitir que sua hostilidade a Battisti se devia a ser fanático adepto do PCI e feroz inimigo dos que contestaram o PCI, transformou sua revista num panfleto de péssima qualidade, multiplicando as matérias rancorosas contra Battisti de forma tão obsessiva que acabou sendo rejeitado até pelos leitores do seu blogue. Aí, como o imperador que supõe ser, escafedeu-se do próprio blogue...

Finalmente, se a jornada kafkiana de Battisti chegou a bom termo, isto em muito se deve ao espírito de Justiça e à faina incansável de Fred Vargas, Carlos Lungarzo e Eduardo Suplicy; aos artigos magistrais de Dalmo Dallari; ao abnegado trabalho de divulgação desenvolvido por Rui Martins na fase em que poucos se interessavam pelo assunto; e à dedicação de uma militância jovem e apaixonada, que vestiu a camisa e deu o sangue pela causa.

Seria impossível lembrar e citar todos; nem isto é tão importante quando se luta por ideais. Nossa verdadeira recompensa é saber que ajudamos a impedir que este episódio terminasse como o de Olga Benário e de Sacco e Vanzetti.

Por mais difícil que se apresente e por mais poderosos que sejam os inimigos enfrentados, nenhuma luta está perdida na véspera. Esta é a lição que fica.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

TWITTER - Versão em português.

Twitter lança versão traduzida para o português

Redação

Portal Imprensa

Depois de cinco anos, o Twitter lança nesta quarta-feira (8) a versão traduzida para o português, informa o jornal O Globo. Com a adição, o microblog já pode ser acessado em nove idiomas: coreano (estreiou no início deste ano), inglês, italiano, espanhol, turco, francês, russo, alemão e japonês.

Segunda a empresa, a tradução demorou em torno de três dias para ser concluída, a mais rápida a ser realizada na história do Twitter. Termos comumente usados na rede, como "Trending Topics" ou "Who To Follow?", agora aparecem como "Tópicos de Tendência" e "Quem Seguir".

O público brasileiro é um dos mais ativos do Twitter - representa 22% do total de participação, segundo a consultoria de internet comScore. O microblog foi amplamente utilizado na época nas das eleições presidenciais - os candidatos investiram massivamente nas campanhas em redes sociais - e para mobilizar recursos após o desastre na região serrana do Rio de Janeiro. Brasileiros constantemente emplacam tweets nos Trending Topícs. O comediante Rafinha Bastos é considerado um dos mais influentes do mundo no microblog.

Reconhecendo esta forte atuação brasileira, o a companhia postou um tweet em português anunciando a mudança e criou duas novas contas, @twitter_pt e o @ajuda, para se comunicar com o público brasileiro.

Além da disponibilidade da tradução para o português, o Twitter lançou a própria ferramenta para encurtar links, informa o site Brand Republic. Esta nova função pode prejudicar empresas que oferecem esta ferramenta, como bit.ly, pois funciona da mesma forma como o site - transformando links longos em endereços de 19 caracteres - a partir da interface do microblog. O diferencial desta ferramenta será a versão encurtada do link original, que mostra a fonte de origem do atalho.

BANDA LARGA - Governo poderia convidar empresas estrangeiras.

Governo ameaça atrair teles estrangeiras à banda larga

Julio Wiziack

Folha de S. Paulo


Resistência das empresas pode levar governo a "convidar" novos concorrentes

Presidente Dilma já deu aval para medida extremada caso plano federal de internet demore demais a sair

O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) já tem aval da presidente Dilma para um chamamento público internacional caso as teles (fixas e móveis) não se comprometam com o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga).

Segundo o ministro, já existem novas empresas estrangeiras interessadas em entrar no mercado brasileiro. "A coreana SK Telecom é uma delas", disse o ministro. "Há também uma companhia americana, mas, nesse caso, interessada em prestar serviços telefônicos."

Caso o governo não chegue a um acordo com as teles que já estão no mercado e precise fazer o chamamento, as novas companhias poderiam adquirir outras empresas que já têm rede instalada ou formar parceria com a Telebrás. Como antecipado pela Folha, a estatal funcionará a partir de agora por meio de parcerias público-privadas.

Onde não houver interesse comercial de nenhuma empresa a Telebrás vai instalar as centrais com recursos da União e oferecer a infraestrutura para empreendedores locais independentes.
O PNBL, um dos pilares do governo da presidente Dilma, pretende levar internet a 68% dos domicílios até 2014 com velocidade de 1 Mbps por até R$ 35.

Demora
As teles abriram negociação com o governo no início deste ano e ainda não houve consenso porque elas pedem contrapartidas para aderir ao plano do governo.
Principalmente as concessionárias afirmam que teriam prejuízo em locais de baixo poder aquisitivo e isso poderia comprometer a qualidade do serviço prestado em regime público (telefonia). A internet é um serviço prestado em regime privado.
"No Rio, o Exército entrou no Alemão e no dia seguinte as empresas de TV a cabo estavam instalando no morro", disse Paulo Bernardo à Folha. "Existe demanda. O que não existe é oferta."

Fora do PNBL desde seu lançamento, as operadoras móveis apresentaram-se à negociação recentemente a pedido do governo. Em todos os países avançados com internet, a massificação do serviço ocorreu principalmente pelas redes móveis.
"O investimento de uma operadora móvel em banda larga é menos da metade do que uma fixa precisa fazer", disse Mario Girasole, diretor de regulação da TIM, uma das mais interessadas.

A operadora já está elaborando sua proposta de negócio pelo PNBL para ser parceira da Telebrás.
Fonte: FNDC

terça-feira, 7 de junho de 2011

FUTEBOL - Mais uma acusação contra o chefão da CBF.

Do blog Com Texto

Ricardo Teixeira é citado em escândalo sobre mercado negro de ingressos

Segundo jornal norueguês, presidente da CBF se encontrou com representante de empresa Euroteam considerada 'inimiga da Fifa' envolvida com o mercado negro de ingressos. Evidente que, sobre mais esta denúncia de maracutáia envolvendo o "Poderoso Chefão" do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira, nada foi noticiado (com o devido destaque) pelos "jornalões" do PIG.

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teve seu nome envolvido em mais um escândalo - desta vez, relacionado ao mercado negro de ingressos. O jornal norueguês "Dagbladet" revelou nesta segunda-feira que o dirigente brasileiro se reuniu no fim de 2009, na África do Sul, com um representante da Euroteam, empresa que revende entradas para eventos esportivos e culturais.

A companhia atua como uma espécie de cambista: compra ingressos e os revende a preços superiores. A Euroteam, inclusive, já foi acusada de adquirir entradas através de membros da Fifa, que as conseguem sem qualquer custo.

Além de Teixeira, o presidente da Conmebol, Nicolas Leóz, também esteve com um representante da empresa norueguesa. Os dois fazem parte do Comitê Executivo da Fifa. De acordo com o "Dagbladet", o funcionário da Euroteam deixou claro para ambos o que fazia e quais eram suas intenções.

Este teria sido o primeiro encontro do representante com Teixeira. Leóz já o conhecia de outra oportunidade.

A Euroteam foi apontada pela Fifa como sua principal inimiga no mercado de ingressos. Leóz, no entanto, demonstrou ter relação cordial com a companhia, segundo diálogo revelado pelo "Dagbladet".

- Ingressos? - perguntou o mandatário da Conmebol ao receber um convite do representante da empresa para um almoço.

O "Dagbladet" entrou em contato com a Euroteam para saber o propósito dos encontros. Perguntado se os dirigentes venderam ingressos, o representante da empresa disse que não comentaria e riu.

Procurados pelo diário norueguês, Ricardo Teixeira e seu assessor de imprensa, Rodrigo Paiva, não quiseram explicar o motivo do encontro com a Euroteam. Fifa e Leóz também não comentaram o assunto.

Escândalo em 2009

Em janeiro do ano passado, o mesmo "Dagbladet" revelou que o presidente da Concacaf, Jack Warner, fez negócios com a Euroteam em 2009. O dirigente pediu ingressos da Copa do Mundo à Fifa e os repassou para a empresa, em troca de parte dos lucros. No entanto, ele nunca foi pago.

O caso chegou a ser investigado pela Fifa. Durante reunião do Comitê de Ética da Fifa, na mesma época da denúncia, a relação entre Warner e Euroteam foi debatida, mas não houve qualquer punição.

Mais denúncias

Ricardo Teixeira foi citado em outros escândalos recentemente. O canal de televisão inglês BBC revelou no ano passado que o brasileiro recebeu suborno da extinta empresa de marketing ISL para apoiá-la na negociação de direitos de TV da Copa do Mundo.

A mesma emissora também afirmou que Teixeira chegou a admitir à Justiça suíça que recebeu, mas devolveu o dinheiro da ISL. A Fifa está sendo pressionada para divulgar os documentos que comprovam este e outros casos de suborno.

Em maio, Lorde Triesman, ex-presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA), acusou Teixeira de ter pedido presentes em troca de seu voto na eleição para escolha da sede do Mundial de 2018. O brasileiro, através da CBF, negou o caso. A Fifa também inocentou o dirigente da acusação.

PERÚ - Os terroristas de mercado atacam.

Os terroristas de mercado atacam no Peru

O grupo terrorista de mercado Dinero Luminoso já lançou sua primeira ofensiva contra o presidente eleito Ollanta Humala. O ataque consistiu em movimentos especulativos que fizeram a Bolsa de Lima ter de interromper seu pregão e, reaberta, enfrentar uma queda de mais de 11%.

Os espertalhões de sempre estimularam um movimento de venda de pequenos investidores, sobretudo de ações de mineradoras que, supostamente, serão alvo da “fúria nacionalizante” que Humala traria para o governo.

É o “efeito Lula” deles, lá, que tem uma dupla finalidade.

A primeira, intimidar o governo eleito, tirar-lhe o ímpeto e forçá-lo, antecipadamente, a colocar gente “confiável” para ocupar os postos da futura área econômica da administração e também a fazer declarações de amor ao “livre mercado”, ao “respeito aos contratos” e à “independência do Banco Central”. Numa palavra, exigir-lhes fidelidade aos dogmas.

A segunda… Ora, a segunda é como sempre a primeira: ganhar dinheiro. Ou melhor, transferir dinheiro entre os investidores de menor porte e com menos “fôlego” para os graúdos. Não é à toa que, no meio deste vendaval de vendas na bolsa peruana, o JP Morgan esteja dizendo: “comprem, comprem, porque ficou barato e vai dar muitos lucros”.

E vai mesmo. A gente já viu aqui que dá.
Fonte: Blog Tijolaço.

POLÍTICA - O previsível Serra engana a quem?

Enviado por luis Nassif.

A Secretaria das Finanças de São Paulo, dirigida pelo serrista Mauro Ricardo, vaza o sigilo fiscal de Palocci, revelando faturamento e clientela.

2. Incontinente, Serra dá uma entrevista defendendo Palocci. Com sua sagacidade, julga que o depoimento apagará suas impressões digitais no vazamento.

3. Ai o serrista João Sayad convoca para o "Roda Viva" (mais uma vez) o inexpressivo senador Álvaro Dias. E, na bancada, coloca o blogueiro também serrista, responsável pelas maiores baixarias perpetradas por Serra contra inimigos adversários e inimigos aliados. Qual será o tema recorrente? Até quem tiver o nível de sagacidade de Serra adivinhará.

PERÚ - Especulações e certezas.

No Peru, um filme que já vimos. A Bolsa despenca 12,5%% sem nenhuma razão, a não ser o terrorismo especulativo, como se já tratasse de um terceiro turno. Isso apesar de Ollanta Humala, o presidente eleito neste final de semana, só tomar posse dia 28 de julho, o governo ainda ser o de Alan Garcia e o país crescer mais de 7% ao ano.

A reação dos especuladores e investidores peruanos soa como uma vingança, já que votaram em massa junto com a elite do país e a classe média alta na candidata de Alberto Fujimori, sua filha, Keiko, uma espécie de procuradora do ex-ditador. A melhor definição do ex-comandante em chefe peruano é a de Vargas Llosa: foi o líder de uma ditadura sangrenta e corrupta. É disso que o Peru se livrou.

A Bolsa de Valores devia subir e não cair, com a sua derrota, mas vá entender essas elites. Elas se dizem democráticas da boca para fora, mas quando seus interesses estão ameaçados, mandam a democracia às favas e abraçam as mais sangrentas ditaduras, como vimos no Chile e na Argentina, para não falar de nosso Brasil.

Os pobre de toda a América

O resultado da eleição do Peru vai contra uma realidade comum à América do Sul. Governos que não distribuem renda, não combatem a pobreza. Retomam os recursos naturais e exercem seus direitos soberanos. Contudo, não têm o apoio popular do povo pobre, esse que nos Andes, na Amazônia e no Sul votou em Ollanta. Os pobres do Peru são os mesmos que aqui elegeram e reelegeram Lula e Dilma.

Quanto a Fernando Gabeira e suas matérias sobre as eleições em Lima, entre as quais a que, no Estado de São Paulo, recebeu o títutlo “Eleição de Huma lança na incerteza futuro político e econômico do Peru”, fica aqui meu comentário. Ele não passa de um falastrão, com suas incertezas. No cenário político, o que vemos é a consolidação da democracia no Peru. Inclusive porque o partido de Humala, somado ao do ex-presidente peruano Alexandre Toledo, que o apoiou nessas eleições, tem maioria na Assembleia Nacional. Já, na economia, Ollanta fará o que todo país precisa fazer: distribuir renda, retomar o papel do Estado, cobrar impostos dos ricos, da mineração, do petróleo e do gás. Também está na pauta investir no social, na educação, na inovação e na infra-estrutura. Nada mais do que isso. No Peru, só há certezas econômicas e políticas.
Fonte: Blog do Zé Dirceu.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

MERVAL PEREIRA NA ABL - Uma afronta aos gaúchos.

Por Mário Augusto Jakobskind

A memória do escritor Moacyr Scliar pelos integrantes da Academia Brasileira de Letras foi conspurcada. É que a cadeira vaga com a morte do escritor gaúcho vai ser ocupada agora pelo jornalista das Organizações Globo, Merval Pereira. Os acadêmicos que votaram no jornalista autor de um livro que agradou apenas os opositores de Lula devem ser cobrados, porque se dobraram ao esquema global. Votaram plim-plim.

Imaginava-se que apesar dos pesares, a ABL já havia se redimido dos tempos em que chegou a escolher como acadêmico o então general Aurélio Lira Tavares, Ministro do Exército, e isso em plena ditadura. Em anos anteriores, Getúlio Vargas, que nunca primou por sabedoria no mundo das letras, também foi escolhido.

Merval está sendo badalado pela mídia de mercado, da qual é verdadeiramente um digno representante. Um acadêmico que brilha para plateias do Clube Militar onde circulou durante a eleição exatamente para criticar duramente o governo Lula e ser aplaudido efusivamente por militares da reserva, parte deles volta e meia solidarizando-se com figuras do gênero Brilhante Ustra, que dispensa apresentação e está sendo cobrado por ter comandado o famigerado DOI-Codi, em São Paulo, no período mais duro da ditadura instalada no Brasil depois de 1 de abril de 1964.

Merval Pereira é seguidor do espaço que algum dia foi ocupado em O Globo por figuras como João Neves da Fontoura, que durante anos e anos defendeu o que havia de mais reacionário no espectro político brasileiro antes de 64. Merval, autor de um livro só, é desta escola. Os tempos mudaram, teve de adequar a linguagem, mas em essência não mudou a defesa dos mesmos interesses que Neves da Fontoura.

Para se ter uma ideia, Neves da Fontoura rompeu com Getúlio Vargas porque o então presidente da República recusou-se a enviar tropas brasileiras para combater na Guerra da Coréia. Depois do rompimento passou a ocupar o espaço jornalístico de O Globo, no mesmo lugar hoje preenchido por Merval Pereira.

É importante lembrar tudo isso, até para se ter mais elementos para julgar o que representa para a ABL a entrada deste jornalista em seus quadros.

Pobre Moacyr Scliar, que nesta altura do campeonato, não só pelos seus antecedentes literários, um grande escritor, como por seu passado político vinculado as causas progressistas deve estar indignado com a escolha dos acadêmicos.

Além do próprio Scliar, neste mundo, parte ponderável e pensante dos gaúchos também não está confortada com a escolha. O jornalista Renato Gianuca, recentemente, por exemplo, expressou sua opinião dizendo que seria uma vergonha se no lugar de Scliar ingressasse na ABL o Merval Pereira. Exortou os cariocas a se esforçarem para impedir a grosseria. Lamentavelmente, Gianuca, a vergonha consumou-se.

Aliás, não é de hoje que a ABL cometeu equívocos em relação ao Rio Grande do Sul. Ignorou Fausto Wolf, este sim um brilhante jornalista e escritor, natural do Rio Grande do Sul. Deixou de colocar o fardão em uma das maiores figuras literárias da região e de todo o país, o escritor Mario Quintana. Irônico como sempre foi, Quintana deve estar ironizando com Scliar sobre o que representa para a literatura brasileira o ingresso na ABL de um global como Merval Pereira.

Provavelmente vai ironizar mais ainda quando tomar conhecimento do noticiário da mídia de mercado sobre o fato. E, tem mais, realmente é o cúmulo não escolher o escritor, este sim escritor na verdadeira acepção da palavra, Antonio Torres, que obteve apenas 13 votos dos acadêmicos que voltaram a dever uma satisfação à história.
Blog Fazendo Média.

PERÚ - A guinada à esquerda da América Latina.

Peru e a guinada à esquerda na AL

Por Altamiro Borges

A vitória de Ollanta Humala nas eleições deste domingo tem um significado que transcende as fronteiras do Peru. Ela confirma a guinada à esquerda da América Latina – continente que foi laboratório da devastação neoliberal nos anos 1980/1990 e que hoje é a vanguarda mundial na luta pela superação deste modelo destrutivo e regressivo. Tariq Ali, no livro “Piratas do Caribe”, e Emir Sader, na obra “A nova toupeira”, descrevem com maestria esta virada histórica.

Esta onda progressista, marcada pela centralidade da disputa eleitoral, teve início com a vitória de Hugo Chávez, um militar rebelde, em dezembro de 1998. Na sequência, ela continuou produzindo cenas inusitadas na região – como a eleição de um líder operário no Brasil (Lula), de nacionalistas na Argentina (Nestor e Cristina Kirchner), de um líder indígena e camponês na Bolívia (Morales), de representantes de organizações guerrilheiras na Nicarágua, El Salvador e Uruguai, de um teólogo da libertação no Paraguai (Lugo), de um economista de esquerda no Equador (Correa).

A derrota dos neoliberais

O Peru expressa bem esta mudança do quadro político na região. No governo de Alberto Fujimori (1990-2000), o país foi vítima de uma cruel ditadura, que implantou a força o modelo neoliberal. Diante da resistência popular, ele deu um golpe, fechou o Congresso Nacional, interveio na Justiça e ampliou seu mandato. No final, com o país devastado – via privatizações e exclusão social –, Fujimori foi acusado de corrupção e hoje cumpre pena de 23 anos de prisão.

Os seus sucessores, Alejandro Toledo (2001-2006) e Alan Garcia (2006-2011), porém, deram continuidade ao projeto neoliberal. Com base no saque das riquezas minerais, a economia até cresceu, mas não beneficiou a população mais carente. Os ricos ficaram mais ricos, e os pobres afundaram na miséria. Como afirmou Ollanta Humala, já com a vitória garantida, a sua eleição foi um recado dos peruanos que não aceitam mais as injustiças sociais.
Fonte: Blog do Miro.