sexta-feira, 20 de maio de 2011

ECONOMIA - Confissões de um assassino econômico.

A Editora Cultrix acaba de prestar um inestimável serviço de utilidade pública aos brasileiros, com a publicação de Confissões de um assassino econômico. Lançado nos EUA, no final de 2004, o livro de John Perkins se transformou rapidamente em um best-seller entre o crescente número de interessados em conhecer a verdadeira face do mundo dos grandes negócios globais, sua estreita interação com as políticas das grandes potências e a sua responsabilidade pela deterioração do cenário político-estratégico, socioeconômico e cultural do planeta nas últimas décadas. Nele, o autor descreve a sua própria trajetória como um "assassino econômico" a serviço desse sistema hegemônico, (em inglês, economic hit-man), denominação que tais profissionais se atribuíam a si próprios. Em suas próprias palavras:

"´Assassinos econômicos´ (AEs) são profissionais altamente remunerados cujo trabalho é lesar países ao redor do mundo em golpes que se contam aos trilhões de dólares. Manipulando recursos financeiros do Banco Mundial, da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), além de outras organizações americanas de ´ajuda´ ao exterior, eles os canalizam para os cofres de enormes corporações e para os bolsos de algumas famílias abastadas que controlam os recursos naturais do planeta. Entre os seus instrumentos de trabalho incluem-se relatórios financeiros adulterados, pleitos eleitorais fraudulentos, extorsão, sexo e assassinato. Eles praticam o velho jogo do imperialismo, mas um tipo de jogo que assumiu novas e aterradoras dimensões durante este tempo de globalização. Eu sei do que estou falando; eu fui um AE."

Nascido em 1945, Perkins graduou-se em Administração de Empresas pela Universidade de Boston em 1968, quando foi recrutado pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA para o papel de AE. Após um período de dois anos no Equador, junto aos Corpos da Paz (Peace Corps) estadunidenses, foi "convidado" a ingressar na empresa de consultoria internacional Chas T. MAIN, onde seu trabalho era convencer governos de países do Terceiro Mundo a contrair grandes empréstimos para projetos de infra-estrutura que eram contratados a corporações estadunidenses, como a Bechtel, Halliburton, Brown & Root e outras. Invariavelmente, tais empréstimos estavam além da capacidade de pagamento dos países que os contraíam, que acabavam dependentes de seus credores e se tornavam "alvos fáceis quando precisássemos de favores, incluindo bases militares, votos na ONU ou acesso a petróleo e outros recursos naturais".

Na MAIN, Perkins escalou rapidamente a hierarquia de poder na empresa com a eficiência do seu trabaho em vários países, inclusive na Indonésia, Irã, Arábia Saudita, Panamá e Equador. Nos dois últimos, entretanto, seus contatos diretos com os presidentes Omar Torrijos e Jaime Roldós, que entendiam perfeitamente o esquema de dominação econômico-política e não receavam enfrentar o que Perkins chama a "corporatocracia", aprofundaram nele uma inquietação sobre as conseqüências de seu trabalho. As mortes de Torrijos e Roldós, ocorridas com uma diferença de dois meses em 1982, são atribuídas por ele à ação dos "chacais" da CIA, que entravam em ação se os AEs falhavam em suas missões.

Em 1982, já fora da MAIN, fundou a IPS, empresa dedicada à geração de energia com preocupações ambientais. Começa, então, a pensar em escrever um livro sobre suas experiências e constata que uma série de "empurrões" recebidos pela IPS eram, na verdade, uma espécie de suborno para não levar adiante seu projeto literário. O mesmo tipo de subornos e ameaças veladas o acompanharia em sua atividade de consultor independente, retomada após a venda da IPS, em 1990.

Segundo Perkins, o acontecimento que o levou finalmente a colocar no papel as suas Confissões foram os ataques de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington, os quais, embora não afirme, deixa implícito que foram resultado de ações semelhantes às que conheceu em sua trajetória como AE.

Em uma passagem particularmente interessante, Perkins descreve a atuação dos AEs a partir da onda de desregulamentação financeira que se seguiu à demolição do sistema de Bretton Woods, na década de 1970: "O conceito dos AEs se expandira para incluir todo o comportamento dos executivos em uma variedade de negócios. Eles podiam não ter sido recrutados ou perfilados pela ASN, mas desempenhavam funções semelhantes... Durante a década de 1980, homens e mulheres jovens subiam na hierarquia da média administração acreditando que quaisquer meios justificavam os fins: um resultado melhor. O império mundial era simplesmente um caminho para lucros cada vez maiores."

Aos que tentam desqualificar relatos como o seu como "teoria conspiratória", Perkins retruca e reitera que a responsabilidade de mudar tal estado de coisas é coletiva: "Seria ótimo se pudéssemos simplesmente pôr toda a culpa em uma conspiração, mas não podemos. O império depende da eficácia de grandes bancos, corporações e governos - a corporatocracia -, mas isso não é uma conspiração. Essa corporatocracia somos nós mesmos - ela existe por nossa causa -, e é por isso, é claro, que a maioria de nós acha difícil tomar uma posição e se opor. Preferimos vislumbrar conspiradores tramando nas sombras, porque a maioria de nós trabalha para um desses bancos, corporações ou governos, ou de alguma maneira dependemos deles para bens e serviços que eles produzem e colocam no mercado. Não podemos morder a mão que nos alimenta."

Nos países ibero-americanos, Brasil inclusive, podemos facilmente imaginar quantos jovens brilhantes foram recrutados para desempenhar funções semelhantes às dos AEs em seus próprios países, especialmente em ministérios e bancos centrais. Por isso, a leitura do livro de Perkins é de grande relevância para quem quiser entender o funcionamento do mundo real que se encontra além e aquém dos discursos edulcorados dos titulares do poder. Sem se esquecer de que, como insiste o próprio Perkins, o conhecimento implica na responsabilidade da ação para a mudança.
Fonte:AEPET.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

MÍDIA - Pedido de impeachment de Gilmar Mendes.

Por Adamastor

Do Blog do Mello

Pedido de impeachment de Gilmar Mendes não é notícia para a "grande imprensa"

Nas versões nas bancas, nos telejornais e portais de notícias da chamada "grande imprensa" não há uma linha, uma frase, uma palavra sobre o pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes protocolado no Senado e na OAB pelo advogado Alberto de Oliveira Piovesan.
A "grande imprensa" que diz que tem o dever de informar, que se diz defensora ardente da liberdade de expressão, de imprensa, não dá informação alguma a seus leitores, telespectadores sobre o pedido. Para quem só se (des)informa por eles, não existe.

Não é possível que não haja uma estratégia por trás disso, uma combinação entre eles. Afinal, é um pedido de impeachment do homem que até há pouco tempo era o presidente do STF, do homem que percorreu o país emitindo opinião sobre os principais assuntos da vida brasileira, como um Simão Bacamarte a defender a sanidade do Judiciário.

Mas, o pedido de impeachment é uma das pontas da informação. A outra é o que há nele, as sérias acusações contra Gilmar Mendes que também não são levadas ao conhecimento da população, a quem a "grande imprensa" (e, mais importante que ela, a Constituição do país) diz ter o direito à informação:

(...) A referida reportagem informou, dentre outros fatos, que o Advogado Sergio Bermudes hospeda o Ministro Gilmar Ferreira Mendes quando este vem ao Rio de Janeiro, e que já hospedou-o em outras localidades, além de fornecer-lhe automóvel Mercedes Benz com motorista.

A citada reportagem informou também que o Ministro Gilmar Ferreira Mendes recebeu de presente, do mesmo Advogado Sergio Bermudes, uma viagem a Buenos Aires, Argentina, quando deixou a presidência do Supremo Tribunal Federal no ano passado (2010). E que o presente foi extensivo à mulher do Ministro, acompanhando-os o Advogado nessa viagem.

A citada reportagem informou ainda que o referido Advogado emprega e assalaria, acima do padrão, a mulher do Ministro. Evidente que no recesso do lar pode ela interferir junto ao marido a favor dos interesses do escritório onde trabalha,
e de cujo titular é amiga intima (sempre segundo a citada reportagem). É o canal de voz, direto e sem interferências, entre o Ministro e o Advogado.

Se comprovados estes fatos, notadamente a viagem de presente, ficará configurada violação de dever funcional, com consequente inabilitação para o cargo, eis que
vedado o recebimento de benefícios ao menos pelo Código de Ética da Magistratura, precisamente seu artigo 17.

Será que nada disso é notícia? Por que o silêncio cúmplice?

Este pequeno blog vai ficar batendo na tecla, até que o ministro venha a público desmentir e desqualificar - se puder - as graves acusações que lhe são feitas.

Quem já chamou às falas um presidente da República também deve ser chamado às falas, porque ninguém pode estar acima das leis, pairando olímpico. Como não ficou o Simão Bacamarte original, que, ao final, internou-se na Casa Verde.

Nossa Casa Verde e Amarela e Azul e Branca aguarda o ministro.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

POLÍTICA - Pensei que esse vendilhão da pátria estivesse morto e enterrado.

FUP e sindicatos repudiam nomeação de
Reichstul para conselheiro do Governo.

Os trabalhadores brasileiros e os petroleiros, em especial, foram surpreendidos com a nomeação
do ex-presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul, para a questionável Câmara de Políticas
de Gestão, Desempenho e Competitividade, instalada pelo governo no último dia 11. Reischstul,
que de tudo fez para tentar privatizar a Petrobrás no governo FHC, está de volta ao Palácio do
Planalto para aplicar seus conceitos neoliberais em consultorias à presidenta Dilma Rousseff
sobre como controlar e cortar gastos públicos. O ex-presidente da Petrobrás, o mesmo que tentou
mudar o nome da empresa para Petrobrax, faz parte do seleto grupo de empresários que
integram a Câmara de Gestão criada pelo governo. Ao lado dele estão figuras do porte de Jorge
Gerdau, Abílio Diniz e Antônio Maciel Neto, cobras criadas do neoliberalismo e fãs confessos da
privataria. Sem qualquer tipo de respaldo institucional, eles foram transformados, sabe lá por
quem, em “iluminados” para orientar a presidenta sobre como gerir com eficiência os recursos
públicos.
Seria cômico, se não fosse trágico. A quem interessa a presença de Henri Reichstul como
“conselheiro” da presidenta? Em sua gestão na Petrobrás, ele conseguiu em tempo recorde
aplicar com competência o receituário demo-tucano de sucateamento de estatais para
privatização. Entre 1999 e 2001, sua gestão provocou a morte de 76 petroleiros em acidentes de
trabalho e 29 grandes acidentes ambientais, entre eles os vazamentos na Baía de Guanabara e
no Paraná. Foram pelos menos 7,2 milhões de litros de óleo jogados ao mar e nos rios,
manchando internacionalmente a imagem da Petrobrás, na tentativa de difundir na sociedade a
necessidade de sua privatização. O afundamento da P-36, com a morte de 11 trabalhadores, e a
encomenda da nova marca da empresa, que ao apagar das luzes do ano 2000, quase virou
Petrobrax, foram outros dois episódios que marcaram a administração Reichstul.
Somam-se a estes fatos a fragmentação da Petrobrás em 40 unidades autônomas de negócio, a
troca de ativos com a Repsol/YPF que entregou à multinacional 30% da Refap e vários campos
de petróleo, a tentativa de privatização de outras refinarias (como a Replan e a Reduc, que já
estavam na linha de corte do governo FHC), os estudos para a venda das FAFENs e inúmeros
ataques aos direitos dos trabalhadores. Os petroleiros enfrentaram na gestão Reichstul o
congelamento de salários e propostas indecorosas de “compra” do extra turno e de extinção do
regime 14 x 21, sem falar na farta distribuição de (sur)bônus para os executivos, gerentes e
demais cargos de confiança.
Henri Reichstul, que nasceu francês e teve que alterar o estatuto da Petrobrás para poder ser o
primeiro presidente estrangeiro da empresa, só não privatizou a estatal porque os trabalhadores,
organizados nacionalmente pela FUP, resistiram com muita mobilização. É, portanto, indecoroso,
que um governo eleito pelos trabalhadores coloque na ante-sala da presidenta uma pessoa que
tantos prejuízos causou a empresa que hoje é o passaporte do país para a soberania e o
desenvolvimento. Se Reichstul ainda fosse o presidente da Petrobrás, o PAC não existiria, pois
ele jamais concordaria em investir no fortalecimento do Estado e em projetos de desenvolvimento
nacional. O pré-sal, então, já estaria entregue às multinacionais há muito tempo. A FUP e seus
sindicatos, portanto, repudiam veemente a participação de Henri Reichstul em um órgão de
aconselhamento presidencial, assim como reivindicam uma discussão pública urgente sobre a
própria legitimidade desta Câmara de Gestão.

POLÍTICA - Reforma política.

Câmara estuda convidar Lula e FHC para discutir reforma política

A Comissão Especial da Reforma Política da Câmara avalia a possibilidade de convidar os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva para participar uma audiência pública na Casa. O relator da comissão, deputado Henrique Fontana (PT-RS) disse nesta terça-feira (17) que a audiência pode ser realizada em junho.
Desde abril, a pedido do PT, Lula lidera os debates da reforma política no partido. Nessa segunda-feira (16), por exemplo, o ex-presidente participou de reunião com lideranças do PDT, PCdoB e PSB. Já FHC, em artigo recente sobre o papel da oposição, defendeu a tomada de posição do PSDB no debate da reforma.

A reforma política vem sendo discutida pela comissão da Câmara desde o início de março. No Senado, a comissão especial formalizou na semana passada um texto com 11 propostas de mudanças no sistema eleitoral brasileiro.

Nesta terça, Henrique Fontana adiantou que seu parecer deve prever o financiamento público de campanha. Ele também propõe o voto proporcional misto — sistema em que metade dos candidatos seria eleitos pelo voto distrital e a outra, por lista partidária.

Da Redação, com agências

FUTEBOL - Pagamentos de suborno no futebol argentino.

Ex-árbitro denuncia pagamento de subornos no futebol argentino

O ex-árbitro Javier Ruiz, que deixou o futebol profissional no ano passado, gerou um escândalo nesta terça-feira (17/) na Argentina ao denunciar que os dirigentes pagam subornos para definir resultados de partidas.

Ruiz, que se definiu como um "corrupto arrependido" e revelou que recorrerá à Justiça por temer sua vida e de seus familiares, disse ter provas das denúncias e disparou contra árbitros, dirigentes, empresários e jornalistas ligados ao esporte.

Em entrevista publicada nesta terça-feira pelo Diario Libre, da cidade de San Juan, e em posteriores declarações à emissora Pop Radio, o ex-árbitro, de 43 anos, afirmou que as acusações têm valor pelo fato de ele também estar envolvido no escândalo.

"Se eu tenho que pôr a cara, ponho e respondo por tudo o que estou dizendo, mas está na hora de mudar essa situação. Não sou um louco que sai por aí jogando coisas no ar. Sou sim um louco que sabe de depósitos bancários, valores, datas... Pode cruzar meu telefone celular com o de vários de empresários e dirigentes", declarou.

No final do ano passado, Ruiz já tinha denunciado que a subida à primeira divisão do San Martín de Tucumán, em 2008, e do Chacarita Juniors, em 2009, assim como o título conquistado pelo Boca Juniors em 2008, estavam arranjados.

"Eu não recebi nenhum documento depois do que disse", comentou o ex-árbitro, que considerou que o poderoso River Plate briga atualmente para se manter na elite porque seus antigos dirigentes não cumpriram com o suposto pagamento estabelecido.

Ruiz ainda deu detalhes do esquema e revelou que os árbitros tentam ser discretos e não influenciar na partida de forma tão direta e perceptível.

"As equipes não são beneficiadas necessariamente com a marcação de um pênalti. Isso se maneja de acordo com as virtudes da equipe. Um time de Ricardo Caruso Lombardi (atual técnico do Quilmes), por exemplo, é favorecido com a marcação de lances de bola parada perto da área contrária porque ele trabalha muito bem essas jogadas e costuma ter jogadores altos. Veja: o treinador talvez nem saiba de tudo isso", explicou Ruiz.

"Há árbitros que cobraram (dinheiro) até no intervalo. Isto é um grande negócio", disparou.

Em declarações ao canal C5N, o deputado Carlos Comi, integrante da Comissão de Esportes, considerou muito graves as denúncias e adiantou que o ex-árbitro será convidado a comparecer à Câmara Baixa.

"Há muito não ouvia alguém fazer denúncias tão fortes. Parece que o âmbito da Comissão de Esportes e da Justiça são os adequados para que ele possa se expressar sobre o tema", comentou Comi.

Fonte: Opera Mundi

ECONOMIA - A invasão dos carros chineses.

Enviado por luisnassif.

Do Valor

Chineses entram no "reservado" mercado dos carros mais baratos

Marli Olmos | De São Paulo


O vereador do município de Francisco Morato (SP) Anderson Domingos da Silva (PT) foi fiel a uma marca de automóveis ao longo de 15 anos, desde que começou a dirigir. Hoje, porém, ele se divorciará oficialmente da Volkswagen, assim que entrar numa concessionária da JAC, nova marca chinesa, para buscar o seu novo carro.

A escolha, que para muitos pode ser encarada ainda como ato de coragem, foi baseada em detalhada análise. Começou com pesquisa de preços: o veículo chinês era mais barato do que um similar da própria Volks, o Voyage, e também na comparação com o Prisma, da General Motors.
Anderson decidiu saber o que os compradores de carros chineses diziam nas comunidades da internet. Depois disso, o J3, modelo escolhido, passou pela mais dura prova: o vereador fez um test drive de uma hora e meia e sua esposa outro quase tão longo. O trajeto foi minuciosamente escolhido por ele, levando em conta pavimentos mais difíceis, parecidos com o que ele encontra no seu dia a dia.

O que faz um consumidor fiel mudar para os automóveis que começam a chegar de outros países? Anderson repete o que muitos já disseram e que segue o discurso do apresentador Fausto Silva, garoto-propaganda que firmou contrato de um ano com a JAC: carros simples saem de fábrica com itens que no Brasil, durante muito tempo, pareciam exclusivos de modelos para classes endinheiradas: freios ABS e airbags - itens de segurança há tempos obrigatórios no Primeiro Mundo -, além de ar-condicionado e direção hidráulica - confortos que só quem circula nas ruas congestionadas dos centros urbanos sabe dar valor.

As montadoras que se instalaram no Brasil a partir da década de 50 passaram anos operando com mercado fechado ou protegidas pelas taxas do Imposto de Importação. A valorização do real mudou esse quadro. Mas o que mais protegeu a indústria local até aqui foi a ausência de concorrência no segmento de carros mais baratos.

Os modelos de luxo estrangeiros, que são importados também pelas montadoras, não colocam em risco uma indústria que concentra mais de 60% da produção em modelos mais simples.

Com a maior fatia do mercado sob seu domínio, a indústria nacional passou anos empurrando como acessórios pagos à parte itens como protetor de carter. O consumidor agora se vinga, comprando carro chinês. O Gol que Anderson vendeu por R$ 15 mil para dar de entrada no novo veículo não tinha sequer ar quente, diz ele. O sedã chinês "com tudo", como se diz nesse mercado, vai custar R$ 40,9 mil. Os R$ 1 mil de diferença em relação ao preço de tabela referem-se à pintura metálica.

Nos últimos meses, os vendedores passaram por treinamentos intensos. Do lado das marcas estrangeiras, há resposta para tudo. A mais usada, e mais próxima da realidade, é que, uma vez globalizada, essa indústria desenvolveu a habilidade de fazer carros iguais ou parecidos em qualquer parte do planeta. O nome China ainda não serve de propaganda. Dizer que o desenho do carro foi feito por renomado centro estilista italiano - a Pininfarina - é apenas uma das ferramentas de marketing.

Mas vale a pena arriscar? Quem pensa como Anderson vai aproveitar que a marca chinesa lhe deu seis meses de garantia - a mais longa do mercado. Se seus planos derem certo, ele trocará o veículo por outro novo um ano antes de a garantia expirar. Se até lá a convivência com for boa, ele poderá partir para casamento e fidelidade com uma nova marca.

A chegada de consumidores como Anderson é registrada em um sofisticado gráfico instalado no escritório da JAC na Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo. Por meio de quatorze monitores, de cerca de 40 polegadas cada um, o presidente da empresa, Sérgio Habib, monitora aquilo que mais lhe dá prazer na vida: vender automóveis.

Essa vocação não é nova. Habib é um velho conhecido no mercado de veículos, principalmente pela sua passagem na Citroën. Ele era o presidente da marca francesa antes de decidir ser o importador da JAC. A equipe que monitora a marca chinesa ocupa apenas uma parte do gigantesco galpão que o empresário ergueu nas proximidades do Ceagesp, entreposto paulistano. Dali ele comanda ainda outras empresas da chamada SHC Holding, incluindo a importação da luxuosa Jaguar, seguro, locação e ainda as suas concessionárias Citroën.

As concessionárias Citroën de Sérgio Habib representam 46% das vendas da marca francesa no Brasil. Nenhum dos dois lados fala sobre eventuais conflitos. Esta semana a Citroën lançou a nova versão de seu compacto C3 por R$ 37.990, o mesmo preço do J3 hatch.

Habib deixou a presidência da Citroën em junho de 2008 com a sensação de que poderia continuar no mercado sendo mais do que um concessionário. Visitou mais de 10 montadoras chinesas até encontrar a parceira que lhe trouxe tranquilidade em relação ao que mais o preocupava. Ele poderia, segundo o contrato, opinar e até mudar itens dos carros que vêm para o Brasil.

Foram muitas mudanças, segundo ele, porque o consumidor brasileiro não aceita certos desleixos, como rebarbas em tecidos do acabamento interno. Não foi a sua equipe a única a experimentar os carros. Habib decidiu entregar cinco veículos nas mãos de motoristas de taxi. A análise dos taxistas trouxe a necessidade de mudar a densidade da espuma do estofamento. "Afundava muito", segundo disseram.

As mudanças feitas com a intervenção brasileira agradaram tanto, segundo Habib, que uma versão baseada nessas modificações estará disponível também no mercado chinês. O importador se deu ainda ao luxo de mudar cor e padrão do logotipo da marca. Mas o que ele não esperava era ouvir os vendedores contarem sobre os clientes que entram nas lojas porque querem "comprar o carro do Faustão".

As classes de renda que Habib quer atrair estão longe do que o mercado de importados costumava atrair no passado. Segundo ele, o objetivo maior é tirar pedaços de participação das quatro maiores montadoras - Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford. Porque é na ascensão das classes de menor poder aquisitivo, estimuladas pela facilidade do crédito, que se sustenta o crescimento das vendas no país que já é o quinto maior mercado do mundo, com 3,5 milhões de veículos por ano.

A briga promete. Os importadores de marcas que não têm fábricas no Brasil estarão todos reunidos hoje na tradicional entrevista que a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos (Abeiva) realiza mensalmente para divulgar números. O motivo do reforço de representantes no encontro com a imprensa hoje é formalizar uma posição em relação às últimas medidas do governo para o monitoramento das importações de veículos. Na semana passada, foi fixada a exigência de deferimento para novas guias de importação apenas por meio do Siscomex (Sistema de Comércio Exterior). A ideia inicial era deixar de liberar automaticamente os veículos provenientes da Argentina, uma maneira de reagir ao fato de o país vizinho ter adotado medidas protecionistas contra produtos brasileiros. Os importadores discordam, porém, com extensão dessas medidas a veículos vindos de outros países.

MÍDIA - Record derrota Globo.

Pela primeira vez, Record derrota Globo em toda a manhã.

Enviado por luisnassif

Autor:

Adriano S. Ribeiro
RICARDO FELTRIN
DE SÃO PAULO

Pela primeira vez, desde que começou ser feita a medição de audiência na TV aberta, a Record derrotou hoje a Globo em todos os programas matinais, e fechou a manhã, das 6h às 12h, em primeiro lugar no ibope.



Na média, a Record ficou com 6,9 pontos contra 6,3 da Globo e 5,9 no SBT. Os dados foram apurados da medição prévia minuto-a-minuto, e foram calculados pela reportagem. O chamado resultado consolidado, no entanto, só será divulgado oficialmente pelo ibope amanhã, mas a Record já festeja a data como histórica.

No acompanhamento da medição em tempo real do ibope, o "SP no Ar" venceu de ponta a ponta das 7h15 às 8h40 (7,8 a 7,5). Ele enfrentou parte do "Bom Dia São Paulo" e todo o "Bom Dia Brasil", da Globo.

Na transição do "SP no Ar" para o "Fala Brasil" ocorreu o primeiro pico de diferença: Record 11 x 6 Globo. Na sequência, das 8h40 e 9h35 o "Fala Brasil" enfrentou o programa de Ana Maria Braga e manteve sólida diferença, por 10 x 6. O SBT marcou 7 pontos.

Por fim, entrou o "Hoje em Dia", que também derrotou a Globo, por 8 x 7. O programa comandado por Celso Zucatelli, Chris Flores, Edu Guedes e Gianne Albertoni bateu consecutivamente parte do "Mais Você", o "Bem Estar" e a "TV Globinho". Nesse período, a Globo ficou empatada com o SBT.



Edu Moraes/Divulgação/TV Record De esq. para dir., Gianne Albertoni, Celso Zucatelli, Chris Flores e Edu Guedes, que apresentam o "Hoje em Dia"



MANHÃS LÍDER DA GLOBO

Há pelo menos dois anos, as manhãs se tornaram um dos problemas da Globo em termos de ibope. Acomodada sobre uma programação quase imutável (a única novidade da década é o "Bem Estar"), a emissora passou a sofrer concorrência acirrada dos telejornais matinais da Record, todos em estilo popular.

O "Fala Brasil" tem sido, inclusive, líder isolado, derrotando a rival Globo em médias mensais de ibope. Aparentemente, ele tem prejudicado diretamente o "Mais Você", mas também tira ibope do SBT.

A estreia do "Bem Estar" deu fôlego ao finalzinho da manhã da Globo, mas o programa vem perdendo interesse e pontos de ibope. Dos 9 pontos que já chegou a dar de média, hoje marcou apenas 6 pontos.

Do outro lado, o rival "Hoje em Dia" passou a se estabilizar em torno dos 6 ou 7 pontos. Trata-se de um dos poucos programas considerados com a "cara" da Record, e não de sua rival Globo, a quem insistem em copiar. O matinal da Record passou, nos últimos meses, a dar picos cada vez mais frequentes, encostando e eventualmente ultrapassando a líder Globo.

Por fim, cabe lembrar que é a soma da média de cada faixa horária (6h às 12h/12h às 18h/, 18h à 0h/ 0h à 6h) que constitui a totalidade do ibope de uma emissora de TV, e que a Globo continua líder, e com certa folga, na média das 24 horas do dia, de segunda a segunda.



http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/916917-pela-primeira-vez-record-derrota-globo-no-ibope-em-toda-a-manha.shtml

POLÍTICA - Adeus à política partidária.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

Nos últimos dez anos, eu mudei, e o partido político que ajudei a criar, o PSDB, também mudou; chegou a hora de dizer adeus à política partidária
A vida é uma soma de compromissos e de identidades. Comprometemo-nos com nossa família, com nossos amigos, com nossos colegas de trabalho, com nossos companheiros de luta política, com nosso país, e, cada vez mais, com nossa humanidade.

Mas nossa identidade não é produto apenas da nossa liberdade; é também resultado da imagem que nos é atribuída pelos outros, porque é a fidelidade a ela que nos torna previsíveis e confiáveis.

Entretanto, o mundo em nossa volta muda constantemente, o que nos obriga a estar sempre prontos a nos repensarmos, ao mesmo tempo em que repensamos o mundo em transformação.

Nesses últimos dez anos, eu mudei, e o partido político que eu ajudei a criar, o PSDB, também mudou. A mudança foi tão grande que chegou a hora de dizer adeus a esse partido, e, mais amplamente, à política partidária. Nunca fui um político "stricto sensu", porque nunca me candidatei a cargo eletivo. Mas aceitei convites e ocupei cargos importantes, sempre identificado com uma centro-esquerda social-democrática e nacionalista.

Nos debates que precederam a fundação do PSDB, a decisão de denominá-lo um partido social-democrático deixava claro o compromisso de centro-esquerda do partido.

Entretanto, enquanto assinava a ata de fundação, estava claro para mim o risco que o novo partido corria. Se o PT, que naquela época se considerava um partido socialista revolucionário, chegasse ao poder, poderia acontecer aqui no país o que aconteceu com os partidos socialistas na Europa; o PT poderia se transformar em um partido social-democrático, e o PSDB seria empurrado para a centro-direita.

Foi isso o que aconteceu, com um agravante: o partido também não se identificou com um nacionalismo econômico essencial para que o Brasil alcance os níveis de bem-estar dos países ricos.

Em 1993, tentei, em conjunto com Oded Grajew, uma aproximação entre o PSDB e o PT, mas não havia espaço nos dois partidos para isso. Em 2002, em associação com Yoshiaki Nakano, fizemos uma proposta de política de crescimento com estabilidade para o PSDB, mas ela não chegou a ser discutida.

Enquanto isso ocorria, eu, que desde 1999 me dedico apenas às atividades acadêmicas, também mudei. Reforcei minha posição de centro-esquerda e retomei meu nacionalismo econômico, que se define por uma simples e dupla convicção: que é dever primeiro do governo defender os interesses do trabalho, do capital e do conhecimento nacionais, e que essa defesa deve ser feita pelos brasileiros seguindo sua própria cabeça, já que os países ricos são nossos competidores.

O nacionalismo econômico foi fundamental para que o Brasil crescesse aceleradamente entre 1930 e 1980, mas depois, no quadro da hegemonia neoliberal, foi abandonado. Ora, no contexto da globalização, o desenvolvimento de um país depende da existência de estratégia nacional de desenvolvimento ou de competição internacional.

Na medida em que as mudanças ocorriam em direções opostas, eu me distanciava cada vez mais do PSDB. Por isso, decidi desligar-me dele. Ainda nestas últimas eleições votei em José Serra nos dois turnos.

Quis, assim, honrar compromissos antigos com ele e com Fernando Henrique -um notável homem público e um amigo- e a memória de dois estadistas do partido: Mario Covas e Franco Montoro.

A partir daqui, fico livre de compromissos partidários, como é mais adequado para alguém como eu, que decidiu não mais exercer cargos públicos, mas ser um intelectual público independente, identificado, na medida do meu possível, com o Brasil e com seu povo.

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LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, 76, professor emérito da FGV-SP, é colunista da Folha . Foi ministro da Ciência e Tecnologia e da Administração Federal e Reforma do Estado (governo FHC), além de ministro da Fazenda (governo Sarney). É autor de, entre outras obras, "Desenvolvimento e Crise no Brasil" (Editora 34).

POLÍTICA - Sexo, entre a política e o poder.

Sexo, uma areia movediça entre a política e o poder

Pedro do Coutto

O comportamento estúpido e insensato de Dominique Strauss-Kahn, diretor executivo do FMI, tentando manter relações sexuais à força com uma camareira do hotel em que se hospedava em Nova Iorque, é mais um episódio da série de outros que o antecederam e sempre terminam colocando o sexo como uma espécie de areia movediça entre a política e o poder. Aliás como destaquei no título. Não combinam. A ruptura da intimidade que deve envolver o primeiro leva à quebra da privacidade do segundo. Como um palco que se abre no teatro da vida sem que os atores estejam prontos para deixar as cortinas e aparecer sob a luz do espetáculo.

Me vêm logo à lembrança o caso do ministro inglês John Profumo, integrante do governo conservador de Macmillan, e próximo da família real, que se envolveu com Christine Keeler, profissional envolvida também com o adido naval da embaixada Soviética em Londres, Eugene Ivanov. Profumo teve que renunciar, não só pela repercussão da primeira fase do fato, mas em função da atmosfera da época. Era o tempo da espionagem alimentando e sendo alimentada pela guerra fria e pela dualidade capitalismo-comunismo.

O Senador Edward Kennedy era o nome mais forte do Partido Democrata para disputar a presidência da República em 1972 e enfrentar Richard Nixon que tentava a reeleição. Mas em 1969, em companhia da jovem Mary Joe Kopechne, quando retornavam de Chapaquidick para Boston, perdeu a direção do automóvel e ambos mergulharam no rio que cortava a cidade. Ted Kennedy conseguiu salvar-se. Mary Jo morreu. Foi condenado a dois anos de prisão por crime culposo. Obteve a condicional. Reelegeu-se senador até o fim de sua vida, em 2009. Mas deixou escapar a presidência dos EUA.

O senador Democrata pelo Colorado, Gary Hart, era forte candidato a enfrentar George Bush, pai, nas urnas de 88. Dominara as primeiras prévias partidárias. Mas no final de 87, teve um caso com a modelo Donna Rice. Na ausência de sua mulher passou a noite com Donna em sua residência de Washington. Lee Hart o defendeu como pode. Porém não conseguiu evitar o afundamento de sua candidatura. Em 1968, na sucessão de Lindon Johnson, o candidato Democrata Hubert Humfrey subia nas pesquisas empatando com Nixon. Mas quinze dias antes das eleições Jaqueline Kennedy, viúva do presidente John Kennedy, casou-se com Aristóteles Onassis. Computados os votos, a diferença foi de apenas um por cento. Jaqueline derrubou Humfrey.

Em maio de 74, o chanceler Willy Brandt, Premio Nobel da Paz, Social Democrata, responsável pela descompressão política na Alemanha, caiu em depressão quando veio à tona que em seu gabinete existia um espião comunista, Gunter Guillaume. Havia uma mulher entre os dois. Segredos não resistem à cama, onde, segundo meu amigo Nelson Rodrigues, se nasce, se ama e se a sorte ajudar, também se morre. Willy Brandt renunciou ao governo e à política.

O caso mais famoso entretanto foi o do presidente Bill Clinton que caiu no precipício armado por Mônica Levinsky. Escapou por pouco de sofrer impeachment. Foi salvo pela firmeza extraordinária de sua mulher, Hillary, hoje Secretária de Estado de Barack Obama e que para ele perdeu as prévias do Partido Democrata para disputar a Casa Branca.

Dominique Strauss-Kahn é mais um a submergir ao inserir o sexo na estrada política. Candidato forte do Partido Socialista Francês às eleições de maio de 2012, com sua atitude inconsequente terminou fora do páreo retirado do avião e preso pelo FBI. Deu adeus às armas. Mas acredito que o partido que está há 20 anos fora do poder, desde as reeleição de Mitterrand, encontrará o substituto. Sarkozy está enfraquecido. Marine Le Pen atinge o teto da extrema direita. A grande maioria do eleitorado aguarda a definição e união dos socialistas. Ela virá na véspera do poder.
Fonte:Tribuna da Imprensa.

terça-feira, 17 de maio de 2011

POLÍTICA - Serra, o penetra de ouro.

A atividade política de José Serra tem se resumido a se convidar para todas as inaugurações de obras estaduais em São Paulo, a aparecer sem ser convidado em eventos políticos de terceiros (como no discurso inicial de Aécio Neves como senador) e a criar factoides políticos (como a reunião com Rui Falcão, presidente do PT, para "discutir a reforma política"). Em particular, é semelhante a reação dos que têm seu espaço invadido pela semcerimônia de Serra: incômodo com sua falta de educação pública e pessoal e uso frequente da palavra "penetra" para descrever seu estilo.

Em todos esses movimentos, ele não representa nada, a não ser ele próprio.

No Blog recém-inaugurado, é incapaz de aprofundar qualquer ponto programático que pudesse ajudar na reorganização do partido. Colheu alguns dados sobre voto distrital misto e, a exemplo do que fez com diversos temas na campanha, transformou em slogans, sem nenhum aprofundamento maior.

Todas suas manifestações ou são de um tatibitati irritante (como seus artigos "didáticos" sobre o voto distrital misto), ou agressivas (único território onde revela, de fato, sua natureza, sem a necessidade de ghost writers, como ocorre com artigos econômicos), ou acacianas - como a observação sobre a fusão de partidos: "é discussão fora de hora". E mais não disse, pois seria exigir muito de sua capacidade analítica e sagacidade política.

Ante tão notável observação, calem-se todos os que ousarem avançar em análises um pouco mais profundas contra ou a favor da fusão. "É fora de hora", sentenciou o conselheiro Acácio. E todos se impressionaram com ponderação tão profunda.

Folha de S.Paulo - Fusão de siglas é "discussão fora de hora", afirma Serra - 17/05/2011

Fusão de siglas é "discussão fora de hora", afirma Serra

União de PSDB, PPS e DEM é defendida por Aécio com vistas à eleição de 2014

Serra e Alckmin vão juntos à inauguração de uma estação do metrô na capital para mostrar que o partido está coeso

POLÍTICA - Serra: um interlocutor, pelo amor de Deus!

Serra se encontra com presidente do PT para discutir reforma


DANIELA LIMA


DE SÃO PAULO

Tentando se firmar como porta-voz da reforma política, o ex-governador José Serra se reúne na tarde desta segunda-feira com o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Serra tem procurado líderes de diversos partidos --na última semana esteve com o vice-presidente Michel Temer (PMDB)-- para defender a implantação do sistema distrital para as cidades com mais de 200 mil habitantes já para as eleições minicipais de 2012.

Passando por um processo de isolamento político, o tucano tem se agarrado ao tema da reforma política para se manter em evidência.
disse que Temer manifestou simpatia por sua proposta.

"É uma proposta suprapartidária. Não é para beneficiar esse ou aquele partido. Estou procurando todos que têm representação", disse antes da reunião com o petista.

Mais cedo, em evento de inauguração da estação Pinheiros do Metrô, Serra e o governador Geraldo Alckmin comentaram o plano de Aécio Neves (PSDB-MG), divulgado hoje pela Folha, de criar um novo partido para disputar as eleições à Presidência em 2014.

"Não é uma ideia que está posta. É uma discussão fora de hora", criticou Serra logo após a inauguração da estação.
Fonte: Blog do Luis Nassif

HOMOFOBIA - Exército e Igreja contra igualdade dos gays.

Por Cláudia Stefani

ALERTA MÁXIMO

A CNBB e o Exército se mobilizaram para barrar a discussão do projeto que torna crime os atos homofóbicos, de agressão e rejeição a homossexuais. Cardeais telefonaram para o presidente do Senado, José Sarney, que acionou o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), evangélico. "Sarney me ligou e disse: "Fica de olho". Pediu que eu acompanhasse o assunto com atenção", diz Crivella. Que recebeu ligação também do comando do Exército, preocupado com a obrigação de aceitarem homossexuais em seus quadros.

AS BABÁS CHINESAS EM NOVA IORQUE.

Por Sérgio Troncoso

Tudo é Deus-mercado para os americanos, e como toda religião, deve-se aprender a praticá-la desde criança! Babás chinesas dando curso de mandarim como bônus pela troca de fraldas.

Do iG

Babás chinesas viram febre entre executivos de Nova York

Com a chance de a economia da China superar a dos EUA em breve, americanos fazem com que os filhos aprendam mandarim mais cedo

Foi-se o tempo da governanta francesa em Nova York. A última moda entre as famílias ricas e de classe média alta agora é educar os filhos em mandarim, a língua predominante na China... e no mundo. Com mais de 880 milhões de falantes nativos e pelo menos 120 milhões pessoas que a aprenderam como segundo idioma, mais de um bilhão de pessoas falam mandarim no mundo. Sendo a China o país que mais cresce economicamente no mundo, com uma média de 10% ao ano nos últimos 30 anos, fica fácil entender porque a elite americana quer preparar suas crianças para um mundo dominado economicamente pelo dragão asiático.
p>Kristina W. mora no Brooklyn, em Nova York, e está grávida de oito meses do seu primeiro filho. O menino ainda nem nasceu e a mãe já está à procura de uma babá chinesa que fale mandarim com ele desde os primeiros dias de vida. “É uma língua muito complexa, por isso eu quero que ele entre em contato com o mandarim o quanto antes”, explica. Kristina trabalha com produção cinematográfica e seu marido é analista financeiro em Wall Street, no banco de investimento japonês Nomura, que comprou a massa falida do Lehman Brother’s em 2008. “Na realidade, a ideia foi dele. De tanto ler e ouvir falar em oportunidades de investimentos na China, ele me convenceu que em 10 ou 20 anos vai ser tão importante falar mandarim e entender como fazer negócios na China, quanto é importante falar inglês hoje”, diz Kristina.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a China se tornará a maior economia do mundo até 2016. O país já ultrapassou a Alemanha e o Japão nos últimos dois anos, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Nesse raciocínio, o legendário investidor americano Jim Rogers foi um dos pioneiros na mania da babá chinesa em Nova York.

Futuro é a Ásia, diz investidor

Quando sua filha Hilton Augusta nasceu em 2003, Rogers e sua mulher, Paige Parker, não pensaram duas vezes: entrevistaram dezenas de babás em mandarim, com a ajuda de amigos chineses em Nova York, e vêm educando a menina e sua irmã, nascida em 2008, com a ajuda de babás chinesas. “A maior parte das babás chinesas em Nova York vêm do campo e não falam mandarim corretamente, mas cantonês. Nós não queríamos isso. Queríamos que ela aprendesse corretamente o mandarim, que é a língua usada na política e em negócios”, explicou o investidor em 2005 à revista "New York".

Rogers acredita tanto no futuro da Ásia e da China, que em dezembro de 2007 vendeu a sua mansão em Nova York e se mudou para Cingapura. A escolha do país é uma alternativa às ultra poluídas Hong Kong, Pequim e Shanghai. “Se você fosse esperto em 1807, você se mudaria para Londres. Se você esperto em 1907, você iria morar em Nova York. E se você for esperto hoje, você vai para a Ásia”, disse na época da sua mudança. “Na Ásia, as pessoas estão muito concentradas e motivadas, e eu quero viver e quero que as minhas filhas cresçam em um ambiente assim”, explicou.

As agências de babás em Nova York já se habituaram com moda asiática. “Até a virada do século, a tendência era contratar babás que falassem espanhol ou francês. Há cerca de dez anos, a procura por babás asiáticas e chinesas vem aumentando anualmente”, confirma Seth Greenberg, diretor da Pavillion Agency, agência de luxo que serve algumas das famílias mais ricas de Nova York.

Ele diz que 30% dos pedidos de babás vêm com solicitações de línguas e metade dessas solicitações são para mandarim. O restante ainda varia entre francês, espanhol e outras línguas europeias. O salário das babás empregadas por Greenberg variam entre US$ 50 mil e US$ 200 mil por ano (algo entre R$ 6 mil a R$ 25 mil por mês), avalia.

“Para os meus clientes, não existe uma separação formal entre trabalho e vida social. São pessoas muito ocupadas e estão envolvidas com trabalho e conversas que podem virar oportunidades de trabalho o tempo todo, mesmo quando estão em casa ou entre amigos. Por isso é natural que seus filhos, mesmo nos horários de lazer, enquanto brincam, aprendam outra língua”, explica.

Yali trabalha como babá de uma menina americana de dois anos. Ela se mudou para os Estados Unidos há cinco, e vive em Nova York com seu marido e seu filho de seis anos. Ironicamente, Yali e seu marido mudaram de país porque queriam dar melhores oportunidades ao menino. Mas também porque querem ter outro bebê, e, apesar das recentes mudanças na lei do país, ter um segundo filho na China ainda é um tabu e custa muito caro.

“Eu nunca havia trabalhado, não tinha aprendido uma profissão. Mas depois de ter meu filho, aprendi a cuidar de crianças, e isso virou o meu trabalho”, explica Yali, enquanto passeia com sua cliente no Central Park. A babá ganha 30% a mais que a sua colega paraguaia, Lisa, exatamente por falar mandarim. A menina chega correndo, abraça Yali e diz algo incompreensível à baba. “Ela precisa ir no banheiro”, traduz. “Elas aprendem muito rápido nessa idade”.

Erin Huff, dona da agência de babás Abigail Madison Agency & Household Staffing explica que o salário de uma babá normal varia entre US$ 15 e US$ 20 por hora. Mas se ela falar mandarim, esse valor pode chegar até US$ 35 por hora. Ela diz ainda que a maior parte dos casais à procura de babás chinesas é de classe média e classe média alta, no qual os dois, mãe e pai, trabalham. “É interessante notar que na maioria dos casos, não são mães que não trabalham. São pessoas muito ligadas ao mundo profissional e que dão valor a uma educação competitiva, por isso eles querem oferecer todas as ferramentas que poderão ser úteis a seus filhos no futuro”, afirma.

Existe outro fator interessante para essas famílias, ao contratar uma babá chinesa (e de outras nacionalidades também). “Principalmente entre as famílias ricas, as babás muitas vezes são usadas como pontes para apresentar as crianças aos filhos de outras famílias ricas e influentes”, exemplifica um funcionário de uma agência, que não quis se identificar.

“Funciona de forma simples. A babá se aproxima das babás das famílias que seus patrões querem conhecer. Depois de um tempo, as crianças começam a frequentar o parque no mesmo horário e começam a brincar juntas, pois as babás se sentam juntas para conversar. Eventualmente, isso vai acabar colocando as duas famílias no mesmo recinto, e oportunidades de investimento e trabalho podem ser criadas”, exemplifica o funcionário.

Outra razão pela qual babás chinesas são tão requisitadas em Nova York e em outras capitais americanas é porque milhares de famílias americanas adotaram meninas chinesas nos últimos 20 anos, e querem que essas meninas continuem pelo menos um pouco ligadas à cultura do país onde nasceram.

FONTE: Blog do Nassif

segunda-feira, 16 de maio de 2011

POLÍTICA - A sinuca da Dilma.

Caso Palocci: A elite mostra os dentes pra Dilma, mas não vai morder agora

A denúncia contra Palocci publicada na Folha deste domingo é um recado claro, começou a caça ao governo Dilma. A falta de repercussão da notícia nos jornais de hoje é outro recado claro. Não temos interesse em derrubar Palocci nem de ir para cima do governo agora. Só queremos mostrar que temos fogo.

Falando em fogo, isso não é fogo amigo do PT, como a própria mídia tenta fazer crer. É fogo do inimigo, mesmo. E bem calculado. Um sinal de alerta.

O ministro da Casa Civil é de longe, no atual governo, o mais confiável dos tubarões do setor financeiro e dos barões de todos os outros setores empresariais, entre eles os mídiáticos.



Mesmo assim, seu crescimento patrimonial que deve ter assustado ao mais empedernido governista, foi para as manchetes.

Antes de entrar na análise do jogo político, um parêntese para tratar da denúncia em si. Não há ilegalidade no fato de Palocci ter tido uma empresa enquanto era deputado. Quase todos têm empresas. Há imoralidade é se suas empresas guardavam relação com o cargo que ocupava na Câmara ou com o que ocupara no governo anterior.

Ele era da Comissão de Finanças e Tributação no período do crescimento do patrimônio e foi por longo tempo ministro da Fazenda de Lula. Aliás, continuou sendo seu conselheiro econômico quando deputado.

Se Palocci deu consultoria a bancos e a agentes econômicos, houve claro favorecimento de seus clientes em relação à concorrência.

Por isso, dado ao imenso crescimento do seu patrimônio, seria correto que divulgasse os nomes dos clientes e o balanço da empresa.

Palocci não é um funcionário público qualquer. É o ministro da Casa Civil. Denúncias contra ele atingem a credibilidade do governo. Nesse caso o discurso de “não tenho que dar satisfação a ninguém porque isso aconteceu antes de assumir o ministério” não vale do ponto de vista político. Mesmo que seja justo do ponto de vista jurídico.

O fato é que Dilma vai ter seu grande teste no gerenciamento dessa crise.

Se tentar esconder o caso embaixo do tapete, vai deixar seu governo refém da mídia e das elites que dizem adorar Palocci. No momento adequado esse caso vai emergir. Vai ser uma história sempre a postos para virar pauta negativa. E colocá-la nas cordas.

Ao mesmo tempo se decidir demitir Palocci, passa a ser pautada pelas manchetes dos jornais. E terá uma perda importante no primeiro escalão antes de completar seis meses no cargo.

É difícil para a presidenta sair dessa história sem perder algo. A questão é com que lado ela vai se aliar para enfrentar as próximas batalhas.

Palocci merece ser tratado como aliado. Sua demissão imediata não é uma boa saída política.

Mas ao mesmo tempo, a denúncia de ontem deve servir de alerta para um fato. O governo hoje tem pendido muito mais para as políticas que Palocci representa, do que para a pauta dos movimentos sociais.

Outro dia disse no twitter que isso poderia custar caro, ter um preço político alto num momento de crise. Insisto na tese.

Mesmo com todo esforço de Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria Geral da Presidência, este governo tem tido menos sensibilidade com o movimento social do que os anteriores de Lula.

Líderes sindicais, ambientais, de organizações não-governamentais, da cultura têm reclamado cada vez mais disso. O fazem de forma dura em conversa de bastidores. Em geral, apontam Palocci como responsável pela interdição das suas pautas.

O governo não pode abrir mão desses setores. Porque mesmo Palocci sendo o queridinho do PT para o lado de lá, ele continua sendo do PT.

Por isso o leitor vai ver o crescimento patrimonial dele nas manchetes de jornais, mas não verá o mesmo de proeminentes figuras do tucanato. O lado de lá, sabe que é do lado de lá.
Fonte: Blog do Rovai.

POLÍTICA - Bancada Rural e o PC do B.

Quem são mais oportunistas e carreiristas? Ruralistas ou comunistas? Os donos das terras que “receberam” de Deus, aplaudiam, entusiasmados, o líder do PC do B.

Helio Fernandes

São interesses colossais, o que justifica que reacionarissimos donos de fazendas, aplaudam, “entusiasmados” o dono do PC do B, Aldo Rebelo. Nenhum constrangimento de lado a lado.

Em 1945, o PCB lançou para o Senado, o grande pintor Portinari. Ele não queria, insistiram, teve que aceitar. Ainda eram só duas vagas, uma seria para Portinari. Tentariam conquistar a outra. Portinari abriu uma grande frente, estava eleito.

Ainda não havia o PC do B, só o PCB, chamado de “partidão”. Dissidência sempre houve, tanto que ficou clássica a constatação: “Os comunistas só se entendem e se unem na cadeia”. Isso se confirmou em todos os tempos.

Depois, expulsariam Luiz Carlos Prestes, o único e verdadeiro comunista e o maior líder do partido. Criaram o PC do B, perdão, o “aldorebelismo”, que agora é patrocinado pelos ruralistas e vice-versa.

O empresário Roberto Simonsen (nada a ver com o Ministro da Fazenda de Geisel), em terceiro, já derrotado. Mas teve conversa “salvadora” com a direção do PCB, ultrapassou Portinari. Este até ficou satisfeito. Muito amigo do repórter, muitas vezes íamos tomar um café na Praça Serzedello Correia, onde eu morava na época.

Isso está narrado no livro sobre Nelson Rodrigues, escrito pelo repórter Ruy Castro. Portinari então me disse, sem nenhuma hostilidade, falando sobre os comunistas: “Não fiquei aborrecido, eles estão sempre precisando de dinheiro”. E numa afirmação-interrogação: “Nem sei o que iria fazer no Senador?” Total sinceridade.

Os comunistas continuaram “precisando de dinheiro” e negociando apoio. Ficaram com Juscelino nessa base. E isso era tão público, que no inquérito para a cassação do já ex-presidente, a principal acusação era “de que Juscelino pertencia ao PCB”. Valia tudo, podiam até acusar o candidato de ter “recebido apoio pago”. Mas chamar JK de “comunista”? Absurdo total.

(Mais inacreditável do que isso, só o Ministro do Exercito, Silvio Frota, chamando o “presidente” Geisel de comunista. Na sua biografia, com revelações interessantes, esteve sempre por dentro de tudo), afirma em determinado momento: “Eu sabia, eu sabia há muito tempo que Ernesto Geisel era comunista”.

Silvio Frota, ministro por acaso, pela morte do titular, não perdoava nem esquecia o que Geisel fizera com ele em 12 de outubro de 1977. Tentou derrubar o “presidente”, e ficar no seu lugar, foi estraçalhado. Não se recuperou, não havia mais tempo. O “golpe” de 64 estava praticamente no fim, não referendariam outro “golpe” dentro do “golpe”.

Aconteceram muitos nos bastidores, raros vieram a público. No Poder os generais agiam como os civis e imitavam os comunistas. Isso é outra história.

Como Portinari (e muita gente mais) sabia, “os comunistas estavam sempre precisando de dinheiro”. Tinham que procura-lo ou aceita-lo, queriam se manter, sem examinar a fonte dos recursos.

Na sucessão de Lacerda, em 1965, Golbery coordenou tudo na Guanabara e em Minas. Vetou Sebastião Paes de Almeida, preferiu Israel Pinheiro, proprietário do órgão mais corrupto que já existiu no Brasil, a Novacap. Um “deserto”, distribuído aos que interessava, entre eles os comunistas.

Na Guanabara, os dois Geisel, vetaram o general Lott, havia o “perigo” dele vencer, era incontrolavel e incorruptível. Lançou então Negrao de Lima, com o apoio “gratissimo” dos comunistas, que criaram a palavra de ordem: “Votem em Negrão com um lenço no nariz, mas votem”.

Negrao de Lima e Israel venceram, qual era o interesse de Golbery? Apenas isto: “mostrar ao Exercito que toda vez que houvesse eleição direta, a oposição, com apoio dos comunistas, venceria”.

Aí, o proprio Golbery liderou um movimento para que Israel e Negrão não tomassem posse. Era a parte final do plano. Mas foi derrotado por Costa e Silva, daí o seu grande ódio (dele e de Ernesto Geisel) ao ministro do Exercito.

Mostrando sua grande liderança e prestigio, Costa e Silva foi à Vila Militar, acomodou os militares (e incomodou Golbery), garantindo que os “eleitos têm que tomar posse, ou ficaremos desmoralizados”. Isso Golbery não podia esquecer, começou a trabalhar para Costa e Silva não ser o sucessor de Castelo Branco.

Sempre derrotados, Golbery e Geisel tiveram que fugir. Golbery se “escondendo” no Tribunal de Contas, Ernesto Geisel no STM (Superior Tribunal Militar). A salvação dos dois foi o derrame cerebral de Costa e Silva. Considerado “incapacitado” em 1969, logo os dois voltariam à ativa.

E Geisel chegou a “presidente”, regatando o veto anterior ao irmão Orlando. Veto que não aborreceu o mínimo que fosse o irmão que pretendia e foi mesmo “presidente”.

***

PS – A participação dos comunistas, não é nem condenável. Mas o “apoio” deles a candidatos “divergentes”, sempre nos bastidores.

PS2 – Inteiramente diferente do espetáculo circense, montado pelos ruralistas. E Aldo Rebelo, chamado por eles de “Grande Aldo”, e depois “Aldo, o maior brasileiro”, era inacreditável.

PS3 – Aldo, “iluminado” pelos reacionários e inconsequentes ruralistas, foi derrotado pelo governo que apóia. Não houve nem haverá votação a respeito do Código Florestal.
Fonte: Tribuna da Imprensa.

POLÍTICA - Serra em campanha para 2014.

Já em plena campanha para 2014, Serra inaugura seu blog, ataca Lula e Dilma. Age como se a legenda do PSDB realmente lhe pertencesse. Será?

Carlos Newton

É muito interessante a situação atual da política, especialmente a disputa da sucessão de 2014. Os tucanos não conseguem se entender. Diz o ditado que dois bicudos não se beijam, três então, faz-se uma ideia. Todos já estão em plena campanha, simultaneamente, sem saber quem será o adversário. Pode ser Dilma, pode ser Lula, podem ser os dois. Tudo é possível, na terra do nunca-jamais.

O tucano Serra queria ser presidente do PSDB, para ficar pousado em Brasília, ganhar visibilidade e assegurar a candidatura. Mas esqueceu de combinar com Geraldo Alckmin e Aecio Neves. Resultado, deram uma volta nele e garantiram a reeleição do atual presidente, deputado Sergio Guerra, de Pernambuco. Serra engoliu em seco, mas não passou recibo.

No desespero, Serra partiu para o ataque e na semana passada colocou no ar seu blog, tentando se tornar o porta-voz da oposição, com duras e permanentes críticas ao governo federal e ao ex-presidente Lula. Quer dizer, mais de seis meses depois da eleição, o ex-candidato resolve adotar uma postura oposicionista que poucas vezes assumiu durante a campanha.

Nos primeiros posts, Serra dedicou-se a demolir a política trabalhista do PT, dizendo que houve saldo negativo de 800 mil empregos nos últimos dois anos e precisarão ser abertos 20 milhões de novos empregos até 2021. “A maior necessidade no Brasil nos próximos dez anos é criar muitos empregos de boa qualidade, que proporcionem melhor padrão de vida para as famílias, mais acesso a bens materiais e culturais, mais saúde, mais futuro”, diz o insistente pré-candidato tucano.

“Durante o mandato de Lula, graças ao seu talento de animador e à publicidade massiva, criou-se a impressão de que a era do crescimento dinâmico havia voltado para ficar. Impressão, infelizmente, sem fundamento”, acusa o tucano, citando estudo do prof. Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, para mostrar que “o desempenho da economia brasileira nos últimos oito anos foi inferior à média mundial, ocupando a 96ª posição no painel de 181 países. E, em matéria de PIB per capita, o país passou da 66ª posição para a 71ª posição”.

“Em termos de índice de desenvolvimento humano, o IDH, caímos de posição no cenário mundial, de 65ª em 2003 para 73ª em 2010. Isso tudo apesar de o Brasil desfrutar da maior fase de bonança externa já observada”, critica.

Em outro post, Serra ataca a política antidrogas e de controle de fronteiras em curso no Brasil – um tema frequente durante sua campanha para a Presidência da República. “O governo diz que está combatendo a entrada de drogas no país. Esse é o discurso. E a realidade? Um relatório da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), referente ao Estado do Acre, detalha as dificuldades que eu mencionei no meu artigo ‘Armas de destruição em massa’. Sem recursos básicos nem efetivo suficiente na fronteira, a polícia não tem como conter a entrada da cocaína pelo Estado”, escreve.

Depois, Serra cita outros locais que mostram o “quadro de abandono em que se encontram dezenas de unidades e delegacias Brasil afora”. E acrescenta, ao final: “o Brasil não produz a matéria-prima da cocaína, que vem dos países vizinhos. Com nossas fronteiras imensas, as mais desguarnecidas do mundo, sejamos claros: a única coisa que limita a entrada da droga é a capacidade de produção da Bolívia, da Colômbia e do Peru”.

Numa campanha moderninha, José Serra quer se mostrar de tudo quanto é jeito, e seu blog dá acesso a outras ferramentas virtuais agora usadas pelo tucano, como o Twitter, o Facebook, o Flickr e o Youtube.

Se tivesse se empenhado da mesma forma contra Dilma Rousseff, assumindo uma postura de verdadeira oposição, ao invés de tentar usar Lula como “escada” para atrair simpatizantes do então presidente, certamente Serra teria se saído bem melhor na eleição. Mas o que passou, passou.

Enquanto isso, Alckmin e Aecio acompanham as peripécias de Serra, fazendo as contas do que restou na estrutura dos tucanos, depois da revoada rumo ao novo PSD. A grande preocupação dos dois, por ora, é tentar descobrir quem manda mais no partido. Está difícil saber.
Fonte: Tribuna da Imprensa.

POLÍTICA - Bancada ruralista.

Desde a Constituição de 1988, os ruralistas são praticamente imbatíveis

Mais numerosa e afinada do que os quatro partidos da oposição juntos (PSDB, DEM, PPS e PSol), a bancada ruralista desponta como o principal incômodo para o governo no Congresso Nacional. Na semana passada, faltou pouco para o grupo impor a primeira derrota legislativa à presidente Dilma Rousseff. O revés só não ocorreu porque o PT conseguiu realizar uma manobra de última hora e adiar pela terceira vez seguida a votação do Código Florestal no plenário da Câmara dos Deputados.

A reportagem é de André Gonçalves e publicada pela Gazeta do Povo, 15-05-2011.

A demonstração de força não é novidade. Desde a Constituição de 1988, os ruralistas são praticamente imbatíveis. Nem Lula na melhor fase de aprovação popular conseguiu confrontá-los.

Em 2005, os ruralistas foram preponderantes na elaboração da Lei de Biossegurança, que regulamentou a produção e comercialização de alimentos transgênicos no Brasil. Em 2009, eles barraram parte do texto do Estatuto da Igualdade Racial, que regularizava as terras dos quilombolas. No mesmo ano, frustraram a decisão do ex-presidente de mudar o índice de produtividade rural, critério utilizado para a distribuição de terras na reforma agrária.

“Toda vez que o governo tentar ir contra os interesses do setor produtivo agrícola, vai perder”, afirma o deputado paranaense Abelardo Lupion (DEM), figura expressiva entre os ruralistas desde os anos 1990. Entre outros temas prioritários da bancada estão a limitação da compra de terras de estrangeiros, o estímulo à produção de biocombustíveis e, em essencial, a negociação da dívida agrícola.

Mas em outros temas não há necessariamente uma atuação conjunta, já que há ruralistas em quase todos os 22 partidos com representação no Congresso. “Não é sempre que todo mundo vota junto. Às vezes, temos nossos rachas”, diz o deputado paranaense e coordenador político da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Moacir Micheletto (PMDB). A FPA é o braço formal do grupo e conta com 215 membros – 202 na Câmara e 13 no Senado.

Dezesseis partidos têm representantes na frente, incluindo 13 petistas e um deputado do PV, o rondoniense Lindomar Garçon. Na avaliação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), nem todos os integrantes da FPA podem ser considerados ruralistas “plenos”. Segundo a entidade, esse grupo mais restrito conta com 160 deputados e 18 senadores.

Ainda assim, os números mostram a força do setor. Tanto pela FPA quanto pelo Diap a bancada ruralista é bem maior do que a oposição, cujas 4 siglas elegeram juntas 111 deputados e 19 senadores em 2010. Embora reduzida, a oposição tem tido dificuldades para atuar em conjunto – como na votação do reajuste do salário mínimo, quando PSDB e DEM defenderam valores distintos.

Ex-ministro da Agricultura do governo Lula e agora liderança ruralista na Câmara, o deputado paranaense Reinhold Stephanes (PMDB) avalia que a atuação da bancada como contraposição ao governo Dilma tem um sentido eleitoral. “A presidente perdeu em quase todos os estados em que o agronegócio é forte, menos em Minas Gerais. Ainda assim, só porque nasceu lá”, diz Stephanes.

Dentre os 11 estados em que José Serra (PSDB) bateu a petista no segundo turno, sete são eminentemente agrícolas – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. “Se a presidente não dialogar melhor, o setor agrícola vai ser a grande sombra do governo”, complementa o ex-ministro.

Fonte: IHU

MÍDIA - Jornal sabia que Chico Mendes seria morto.

Do Blog do Mello

Chico Mendes: Jornal sabia que ele seria morto e em vez de avisar à polícia mandou equipe para cobrir assassinato?

A morte de Chico Mendes parece apenas um fato histórico a ser descrito em livros didáticos - se o for. Pendurada no varal do tempo paira a versão de que o líder seringueiro foi morto por Darli Alves da Silva e seu filho Darcy Alves Pereira, ambos presos e condenados pelo crime, parece encerrada.

Mas há uma história mal contada que o jornalista Carlos Newton trouxe à tona novamente na Tribuna da Imprensa: a suspeita de que a equipe do jornal O Rio Branco (Newton não dá o nome do jornal, mas pesquisei e descobri), que deu o furo da morte de Chico Mendes, sabia que ele seria morto e quando, e para isso teria se deslocado da capital até Xapuri para registrar a "morte anunciada".

Uma das pistas que dá veracidade à história é a declaração de um dos sócios do jornal O Rio Branco João Branco, então presidente da União Democrática Ruralista (UDR) do Acre:


“Tiramos o Chico Mendes de circulação. Não foi só ele, ele e o bispo local, cuja política não interessa à nossa linha empresarial”, disse candidamente à documentarista Miranda Smith. Ele [João Branco] explicava a conduta, ainda, em seu depoimento para o filme. “Eles pregam a socialização (sic) e nós pregamos a livre iniciativa. Não vou dar espaço nem matéria para esses dois senhores.”

Em 2003, 15 anos após o assassinato, o caso foi reaberto, segundo reportagem de Altino Machado publicada na Página20.


Após 15 anos do assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes, a polícia vai reabrir o caso para investigar detalhes que foram desconsiderados na fase inicial do inquérito.

A retomada das investigações foi solicitada ontem ao governador Jorge Viana e ao secretário de Segurança Pública Fernando Melo pelas organizações não-governamentais que formam o Comitê Chico Mendes. O secretário prometeu atender o pedido de novas investigações.

(...) O Comitê Chico Mendes entregou ao governador Jorge Viana uma carta na qual assinala que “outros possíveis envolvidos nunca foram sequer investigados e muitos fatos continuam sem resposta”.

(...) O Comitê Chico Mendes também quer que a polícia investigue o episódio que envolve a equipe de repórteres do jornal O Rio Branco na cobertura do assassinato do sindicalista, no dia 22 de dezembro de 1988.

A equipe chegou a Xapuri cerca de uma hora e meia após o assassinato de Chico Mendes. Na edição do dia seguinte, o jornal publicou as fotos do corpo do ecologista crivado de chumbo.

A proeza da equipe foi narrada pelo jornal nos seguintes termos: “Informado logo após o assassinato, nossa equipe de reportagem se deslocou para Xapuri. O editor-chefe César Fialho, o repórter Adonias Matos e o fotógrafo Luís dos Santos seguiram num automóvel gol. Em uma hora e meia estavam naquela cidade. Na viagem de ida, apenas um pneu furado”.

A versão do jornal tem sido considerada furada pela opinião pública. Para o Comitê Chico Mendes, o relato sobre o trabalho da equipe é praticamente uma confissão de que o jornal sabia com antecedência da “notícia”que iria publicar e, possivelmente, só não fotografou o momento do tiro para não dar um “furo” tão grande.

Quando Chico Mendes foi assassinado, o trecho asfaltado da BR-317, de Rio Branco a Xapuri, era de cerca de 140 quilômetros, mas cheio de buracos tipo “panela”, que dificultavam a viagem. Além disso, o trecho de asfalto era enlameado, pois era pleno “inverno amazônico”.

“Dizer que num automóvel Gol era possível chegar a Xapuri em uma hora e meia, depois de furar um pneu, é brincar com a inteligência de todos”, comenta a nota do Comitê Chico Mendes. O fato suspeito nunca foi devidamente investigado pela polícia e ninguém foi ouvido, em que pese tenha sido denunciado exaustivamente pela imprensa.

A nota do Comitê Chico Mendes assinala que um dos diretores do jornal O Rio Branco à época, o advogado e pecuarista João Branco, era um dos dirigentes da UDR (União Democrática Ruralista).

Entrei em contato com Altino Machado, que fez a reportagem e hoje é responsável pela nossa referência amazônica com seu Blog do Altino e ele respondeu que "[essa história da] equipe do jornal O Rio Branco todo mundo conhece, mas não restou provado oficialmente porque não foi investigado como deveria".

Agora que a luta pela Comissão da Verdade se impõe no país, a história da morte de Chico Mendes - o Lula da Amazônia - precisa ser totalmente esclarecida.

domingo, 15 de maio de 2011

POLÍTICA - O "guia" da presidente para decifrar o PT.

O assunto em discussão era o polêmico Código Florestal, mas o dono do telefone estava interessado em outro tipo de ocupação.

"Você conversou com o Gilberto?", perguntou o petista ao interlocutor. "Conseguiu passar a nossa insatisfação com essa questão dos cargos?"

A reportagem é de Vera Rosa e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 15-05-2011.

O "Gilberto" mencionado na conversa reservada era o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. No Palácio do Planalto, ele é conhecido como "nosso guia", o homem do "freio de arrumação".

Nos últimos dias, Carvalho atuou para acalmar a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, enquadrou companheiros de partido e distribuiu broncas.

Ex-seminarista que largou tudo para viver a experiência de Jesus entre os pobres, ele morou dez anos numa favela de Curitiba - onde se casou em festa regada a Ki-Suco - e hoje é o ministro que faz a ponte entre o governo de Dilma Rousseff e o PT.

Conhecedor das entranhas do partido e amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - de quem foi chefe de gabinete durante os oito anos dos dois mandatos -, Carvalho atua sempre como anteparo, antes que as queixas batam à porta de Dilma Rousseff. É também ele o ministro que faz o elo entre o governo e os movimentos sociais e dialoga com as centrais sindicais. Nas festas do 1.º de Maio, foi Gilberto Carvalho quem trouxe a mensagem da presidente aos sindicatos e trabalhadores.

Cultura

Na hora do almoço de quarta-feira - aquele mesmo dia da frustrada tentativa de votação do Código Florestal -, o ministro foi conversar com a titular da pasta da Cultura, Ana de Hollanda, e sua equipe.

Disse a todos que era preciso reagir rapidamente ao bombardeio contra a ministra, chamado por ele de "campanha sórdida", mostrar serviço e não se intimidar com as críticas.

A ministra, cuja gestão já vinha sendo alvo de críticas dentro do PT e entre segmentos da classe artística, teve a situação agravada na semana passada depois de o Estado revelar que ela utilizara diárias pagas pelo Executivo para permanecer no Rio de Janeiro, onde possui residência fixa, durante os fins de semana, mesmo sem ter compromissos oficiais na agenda.

"Se vocês não se unirem e não derem um basta nisso, passarão uma imagem de hesitação", afirmou Carvalho. "A presidente já avisou que não haverá troca. Mas vocês não podem deixar a crise se prolongar."

A intervenção de Carvalho deu fôlego a Ana de Hollanda e estancou o fogo amigo no PT contra a ministra.

A presidente Dilma está convencida de que Ana de Hollanda não soube conquistar o apoio da equipe e por isso escalou Carvalho para conversar com assessores da ministra e traçar a estratégia de reação. É ele também que tem feito o meio de campo com petistas descontentes com a gestão de Ana porque tiveram interesses contrariados. No diagnóstico do Planalto, parte dos ataques é insuflada nos bastidores pelo ex-ministro da Cultura Juca Ferreira (ex-PV).

Ouvidor-geral

Embora Gilberto Carvalho seja o "ouvidor-geral" do Planalto, muitas vezes as reclamações são arquivadas ali mesmo. Na composição do segundo escalão do governo, por exemplo, ele pouco tem ajudado seus amigos do PT.

"Entreguem isso lá para o Palocci e para o Luiz Sérgio ", costuma dizer Carvalho, numa referência ao chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e ao titular da pasta de Relações Institucionais. É, na prática, a senha para que os companheiros de partido entendam as dificuldades do caso.

"Gilberto é uma figura generosa, educada e de posições firmes. Muita gente acha que ele não tem lado, mas tem e faz a disputa política", comentou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que defendeu a candidatura de Carvalho ao comando do PT, em 2009. À época, Lula barrou a articulação. "Você está doido, Vaccarezza? Ele é um homem bom. Não pode presidir o PT", interveio Lula.

"Dormiu bem?"

Ser "ouvidor-geral" do Planalto também tem seus momentos de descontração. No último dia 6, por exemplo, Carvalho recebeu uma ligação do ex-presidente Lula. Animado, pensou que fosse se inteirar sobre os movimentos do ex-chefe para as alianças municipais nas eleições de 2012. De uns tempos para cá, Lula e Carvalho têm conversado bastante com o deputado federal Gabriel Chalita (PSB-SP), hoje de malas prontas para o PMDB e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo.

"Você dormiu bem, Gilbertinho?", perguntou Lula. Ainda sem entender nada, o ministro desconfiou do estilo irônico do amigo, a quem chama de "Baiano". Não demorou muito para que caísse sua ficha: a ligação ocorreu depois que o Palmeiras sofreu uma goleada de 6 a 0 ao enfrentar o Coritiba. Palmeirense roxo, Gilberto Carvalho ouviu, mais uma vez, a gozação do corintiano Lula.

Guia

"Ele é o guia espiritual de todos nós", resumiu o ministro Antonio Palocci ao comentar sobre a importante atuação de Carvalho no governo. Assumindo o papel atribuído a ele no Planalto, o secretário-geral da Presidência chamou o senador Paulo Paim (PT-RS) para um tête-à-tête, em fevereiro.

Na bancada do PT, o senador gaúcho era a única voz contrária à proposta do Planalto, que fixou o salário mínimo em R$ 545. Na ocasião, o petista defendia o reajuste do mínimo para R$ 560.

Gilberto Carvalho providenciou, então, um encontro entre o senador Paim e a presidente Dilma antes da votação do reajuste do salário mínimo no plenário do Senado e, fervoroso, leu um salmo da Bíblia. As rezas funcionaram.

Fonte:IHU

ECONOMIA - Sujeito incômodo. A crise de 2008 foi planejada?

Prestes a vir ao Brasil para lançar livros e dar conferências, Slavoj Zizek defende o emprego da terminologia comunista, como "ditadura do proletariado", em nome da "memória coletiva da humanidade", comenta a crise de 2008, os levantes no mundo árabe e aspectos da cultura contemporânea como o bullying e a ecologia.

"Em que espécie de mundo estamos quando Hollywood precisa retirar os exodos filmes?", pergunta Slavoj Zizek, ao comentar a súbita frigidez de James Bond no último episódio da saga, "Quantum of Solace", um sinal da "economia do medo" que, segundo ele, rege as relações humanas contemporâneas.

Provocador nato e defensor ousado de uma nova encarnação do comunismo, Zizek vem ao Brasil nesta semana para divulgar seus últimos livros lançados no país: "Em Defesa das Causas Perdidas" e "Primeiro como Tragédia, Depois como Farsa". Em São Paulo, no dia 21, participa do Projeto Revoluções( inscrições em revolucoes.org.br), organizado pela editora Boitempo. No dia seguinte, fala no Cine Odeon, no Rio, para as mais de 2.000 pessoas que se inscreveram para vê-lo.

A entrevista é de Vivian Whiteman e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo,15-05-2011.

Eis a entrevista.

No livro "Em Defesa das Causas Perdidas", o sr. defende a "hipótese comunista", uma alternativa ao capitalismo, e fala em ditadura do proletariado. Essa terminologia não gera resistência?

Quero deixar claro que o comunismo do século XX está morto e que não sou um ingênuo que acredita num grande retorno do Partido Comunista. O stalinismo foi a materialização do horror. Defendo o uso desses termos porque qualquer conservador moderno de direita sai por aí dizendo que precisamos de mais solidariedade. Por outro lado, são termos que se referem à memória coletiva da humanidade e remetem a momentos em que existiram explosões populares igualitárias verdadeiras. Não se trata de repetir o modelo fracassado, mas de preservar o momento em que foi possível ter a liberdade de pensar e agir segundo a idéia de que o capitalismo não é um fato dado.

Um de seus argumentos para defender o comunismo é a questão da propriedade intelectual. Por que diz que o conceito de conhecimento é comunista?

O conhecimento é naturalmente comunista, o que quer dizer que já inclui a ideia de algo feito para ser compartilhado. E isso não pode ser transformado numa "commodity" de mercado. Vamos pensar em apenas dois exemplos importantes: a propriedade do patrimônio biogenético e ecológico, incluindo aí todas as recentes descobertas científicas, o genoma etc.

Estamos falando do controle privado da nossa substância genética e do ambiente em que vivemos.

O conhecimento é nossa substância simbólica e pertence a todos, não pode ser de grupos privados. Outro dia, um grupo de estudantes me pediu originais de um livro meu para "pirateá-lo" entre os colegas. Atendi imediatamente.

Em "Primeiro como Tragédia, Depois como Farsa", o sr. fala que a crise de 2008 foi um embuste que revelou novas formas de colonialismo. Que formas são essas?

A crise de 2008 foi uma farsa no sentido de que foi um reflexo esperado das medidas tomadas nos EUA em 2001 - redirecionar o foco das empresas de internet que estavam falindo para o mercado imobiliário. É claro que a bomba estourou, mas a novidade é que essa crise planejada afetou os países muito seletivamente.

O Brasil passou bem pela crise...

Lula entendeu algo muito importante, que a esmagadora maioria da esquerda mundial não entende: o capitalismo de hoje não é um sistema hegemônico. Está cheio de inconsistências e divisões internas. A crise de 2008 foi uma crise do capitalismo global, mas, ao mesmo tempo, nos mostrou que estamos entrando numa era multicêntrica.

Antes, se as economias norte-americana e dos principais países europeus iam bem, tudo ia bem. Agora, as coisas mudaram.

Isso pode ser bom por um lado, pois podemos pensar que o imperialismo norte-americano não é mais tão poderoso. Mas também traz um novo perigo: já podemos falar da emergência do colonialismo econômico chinês.

A China patrocina governos corruptos locais para poder explorar recursos minerais, por exemplo, e manter seu lugar de destaque no mercado.

Aqui, queria fazer um parêntese e uma crítica a Lula. Talvez para mostrar que o Brasil não é mais dependente dos EUA, ele apoiou Mahmoud Ahmadinejad quando as eleições foram contestadas no Irã. Para mim, foi um erro terrível.

A seu ver, Lula deveria ter apoiado o outro lado?

Sim! Mir Hossein Mousavi, o candidato que foi roubado nas eleições, não era mais um liberal pró-ocidental oportunista. Na verdade, representava a verdadeira alternativa democrática: veio da revolução liderada por Khomeini [levante islamista que derrubou a monarquia no Irã em 1979].

Mousavi estava no caminho dos levantes que começaram recentemente no Egito e na Tunísia, fenômenos nos quais tenho alguma esperança. Ninguém esperava isso: que exatamente nos países árabes tivéssemos movimentos democráticos emancipatórios desse tipo.

Por que países como a França e a Inglaterra ficaram tão reticentes quanto ao levante no Egito?

O discurso norte-americano e da Europa Ocidental foi sempre o seguinte: as intervenções nos países árabes acontecem no sentido de evitar levantes fundamentalistas e estimular a liberdade, a luta pela democracia etc.

Muito bem: é exatamente isso o que aconteceu no Egito, e eles não ficaram contentes, mudaram o discurso. Mas de fato há razões para que eles fiquem assustados.

O que está acontecendo no Egito não é simples. Não se trata apenas de um" queremos ser uma democracia liberal". As pessoas no Egito estão lutando por algo diferente, por algo novo.

O importante é o que acontece no que chamo de "o dia seguinte", ou seja, como as reivindicações são institucionalizadas em uma nova ordem.

E como lê a situação da Líbia?

O episódio Gaddafi não traz nada de novo. É a repetição da fórmula que inclui intervenção militar, envio de ajuda humanitária etc. Ou seja, é um episódio que pode ser lido dentro da lógica da guerra ao terror americana. A Líbia não vive nada realmente novo, ao contrário do Egito.

O sr. estabelece uma relação direta entre capitalismo e bullying. Por que esse último se transformou numa espécie de paranoia mundial?

O paradoxo é o seguinte: de um lado, temos a permissividade capitalista, e do outro, uma sociedade mais regulada do que nunca. Ou seja, em princípio, não há regras rígidas a serem seguidas, mas, ao mesmo tempo, tudo o que você disser ou fizer pode ser apontado como ofensa ou ameaça.

O cerne da questão trata do velho problema cristão de "amar o próximo". Cada vez mais, nosso próximo é percebido como ameaça em potencial. Isso tem ligação direta com a política do medo pós-11 de Setembro. Com a desculpa de proteger a população de possíveis novos atentados, os níveis de vigilância chegaram a patamares absurdos, liberdades foram cassadas e o clima de pânico, instaurado. A verdade é que, apesar de todo o discurso liberal,vivemos numa das sociedades mais controladas de todos os tempos.

Existe algo muito errado com essa subjetividade ultranarcisista que está surgindo desse cenário. Temos de falar de um exemplo muito importante: o ato sexual apaixonado está sendo abandonado. O último filme de "James Bond", por exemplo, "Quantum of Solace" (2008),é o primeiro da série em que não existe uma cena de sexo entre Bond e a "Bond girl". Em "O Código da Vinci" também não há sexo, embora o ato sexual exista nos romances que deram origem ao filme.

A indústria do cinema sempre teve o papel de acrescentar sexo aos roteiros para torná-los mais atraentes. Então, em que espécie de mundo estamos quando Hollywood precisa retirar o sexo dos filmes? Estamos falando de uma economia de relações baseada no medo.

O sr. tem batido muito na tecla da "farsa ecológica" alimentada pela culpa das elites. Não existe de fato uma ameaça ecológica?

Existem problemas graves, é óbvio, mas as soluções para eles não estão nas "ecobags" ou noutra idiotice desse tipo. Entre as classes média e alta, é chique dizer que você é " consciente", que recicla lixo e se preocupa com o ambiente. Isso é imbecilidade, me desculpe.

É praticamente uma superstição, algo que tira a sua culpa e faz você se sentir bem. Os ecologistas radicais são os maiores críticos desse tipo de ritual da elite, eles chamam isso de "lifestyle" ecologista e pesquisas provam que o impacto positivo desse tipo de atitude no cenário global é irrelevante.

Nos livros "Em Defesa..." e "A Visão em Paralaxe", o sr. aponta as favelas como foco potencial de ideias de organização revolucionárias. Não há também uma idealização dos favelados?

Sim,é claro. Não se trata de idealizar os pobres como vítimas boazinhas. Meus amigos intelectuais do Rio queriam me levar num desses passeios turísticos pelas favelas cariocas, uma coisa horrível. O que penso é que nas favelas há a organização dos que foram ou ainda são excluídos pelo poder público. É claro, há o tráfico e as igrejas que suprem essa falta, mas isso pode mudar. As favelas não precisam de caridade, precisam de alianças.

Fonte:IHU

MÍDIA - NY TIMES: um exército de mercenários em Abu Dhabi.

Nossos jornais, até agora, não noticiaram nada sobre a explosiva matéria publicada hoje pelo The New York Times revelando que o herdeiro do trono dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed al-Nahyan e o bilionário Erik Prince, ex-dono da famosíssima Blackwater – empresa contratadora de mercenários que atuou no Iraque – estão montando o que o jornal descreve como “a secret American-led mercenary army” (un exército mercenário liderado por americanos) para , dentro e fora do país, “defender os oleodutos e arranha-céus de ataques terroristas e derrubar revoltas internas”.

São oitocentos soldados estrangeiros – muitos colombianos, certamente dos grupos paramilitares daquele país. Os Emirados, cuja a capital é Abu Dhabi, a mais glamourosa prova da modernidade monárquica do mundo árabe, é um superaliado dos interesses norteamericanos na região. E, como lá é fronteira com a Arábia Saudita, está proibido ter “Primavera Árabe”.

E, claro, não vai ter bombas da Otan para “proteger” os civis destas tropas mercenárias, como na Líbia, não é?
Fonte: Blog Tijolaço.

POLÍTICA - O Serra já era.

Serra não pode evitar ser o que se tornou: nada

De novo, Marcos Coimbra, no Blog do Noblat (a íntegra, lá, só para assinantes)

O Que Fazer Com Serra?

“O que está acontecendo hoje confirma o que Serra calculava (e temia). Perdeu a eleição, ficou sem mandato, viu seu desafeto Geraldo Alckmin vencer e está a caminho acelerado da aposentadoria.

Triste sina a de José Serra. Nem bem terminou uma eleição em que foi protagonista, ninguém (nem ele) sabe o que será de sua vida.

Pelo que vemos na imprensa, anda à procura de plateias e interlocutores. Topa se encontrar com quem quer que seja, para tratar de qualquer coisa. Se houver alguém que queira conversar, está à disposição.

O problema (para ele) é que não parecem ser muitos os interessados. Salvo um ou outro amigo, um ou outro jornalista fiel, anda sumido e tem que se esforçar para ser lembrado. Fala-se dele, mas não com ele.

Há um ano, era um ator fundamental do jogo político nacional. Depois de um longo percurso, tornara-se o candidato de seu partido à sucessão de Lula. Havia quem o visse como futuro presidente da República, alguns por pura torcida, outros por não entenderem o que as pesquisas diziam.

Ele mesmo, pessoa racional que sempre foi, sabia que suas chances eram pequenas. Tinha consciência de que Dilma era franca favorita e que só se ela errasse teria possibilidades apreciáveis de vencer. Não chegava ao ponto de achar que a derrota era inevitável. Mas não se iludia a respeito das dificuldades.

Via sua candidatura como uma espécie de destino do qual não conseguiria escapar nem se tentasse. Na verdade, sempre a buscara e não seria na hora em que a tinha em mãos que a recusaria. Ele tinha que ser, pelas pressões de seus companheiros e correligionários, e queria ser candidato.

Apesar disso, assumir a candidatura, consciente de que o mais provável era perder, não foi fácil. Deu sinais tão nítidos de hesitação que a grande imprensa paulista, aliada de primeira hora, chegou a publicar editoriais em que avisava que romperia com ele se não fosse em frente. Teve que ir.

O que o assombrava era a perspectiva de algo que está acontecendo hoje. Se não vencesse, o risco era que sua carreira política terminasse dali a alguns meses. No cenário que ele admitia ser mais provável, em que Dilma seria presidente e ele não teria mandato, estaria aposentado e seria para breve. Com idade para trabalhar por ainda muito tempo e no auge de sua capacidade como homem público, teria que pendurar as chuteiras.

A tentação era grande de ceder aos apelos da família, ficar em São Paulo, disputar (como favorito) a reeleição e permanecer na ativa.

Dilema semelhante a esse nunca houve no PT. Lula perdeu três eleições e continuou candidato, sem questionamento relevante (é verdade que Eduardo Suplicy tentou, mas, como ninguém o leva a sério, acabou não dando em nada). E Lula não ficou sem ter o que fazer depois das derrotas. O partido logo criou uma agenda para mantê-lo politicamente vivo, como seu candidato natural para a eleição seguinte.

No PSDB, isso não existe. Quem perde cede a vez, a menos que ninguém queira. E Serra sabia que havia quem a quisesse: Aécio, que se movimentara para ser candidato naquela (mesmo consciente de que suas chances eram escassas), já estava em campo.

O que está acontecendo hoje confirma o que Serra calculava (e temia). Perdeu a eleição, ficou sem mandato, viu seu desafeto Geraldo Alckmin vencer e está a caminho acelerado da aposentadoria.

Seria diferente se tivesse feito uma boa campanha, sem apelações e em nível elevado? Se não tivesse cometido tantos erros? Se tivesse se poupado de vexames como as bolinhas de papel, as procissões, as baixas acusações?

É impossível dizer com segurança, mas o certo é que teria preservado maior credibilidade. Se não tivesse, por exemplo, prometido ficções como um valor irreal para o salário mínimo, o 13º do Bolsa Família, aumentar em 30% o número de professores na rede pública, entre outras maluquices, suas opiniões sobre a política econômica do governo Dilma seriam mais ouvidas.

O fato é que não tem como evitar ser o que se tornou. Como dizem seus companheiros de partido, um problema para a renovação das oposições.”

POLÍTICA - FHC está certo: PSDB não gosta do povão.

Discriminação no metrô (lógico, de São Paulo) desgasta Kassab e Alckmin.

Helio Fernandes

É o grande assunto do momento. Começou em São Paulo e não demora a se transformar em fato nacional. Prefeito e governador, “acusados de discriminação contra o povão”. O metrô, que deveria ser o mais avançado sistema de transporte popular, virou “luta de classes”, por incompetência desses dois.

Além do mais, o ex-presidente da República, Itamar Franco, denunciou da tribuna do Senado: “O metrô de São Paulo começou junto com o de Bogotá, capital da Colômbia. Eles já construíram 210 quilômetros, São Paulo ficou em 60”. Ninguém de São Paulo protestou, silêncio total dos “representantes”.

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FHC NÃO QUER SABER

Morador de Higienópolis, FHC garante que não tem nada a ver com assunto. Nunca andou nem vai andar de metrô, “os outros que se desgastem ou se afirmem”.
Fonte: Tribuna da Imprensa.

sábado, 14 de maio de 2011

ANOS DE CHUMBO - Presos os pilotos dos "voos da morte"

Presos pilotos que participaram dos ‘voos da morte’ durante a ditadura argentina.

Os presos são o advogado Gonzalo Torres de Tolosa, o ex-suboficial naval Rubén Ormello e três pilotos que teriam participado do assassinato das freiras francesas e das fundadoras da organização Mães da Praça de Maio.

A reportagem é de Diego Martinez e está publicada no jornal Página/12, 11-05-2011. A tradução é do Cepat.

Dezessete anos após a confissão pública do ex-capitão Adolfo Scilingo, o juiz federal Sergio Torres ordenou a prisão e ouviu, nesta terça-feira, cinco supostos envolvidos nos voos da morte. O mais conhecido é o advogado Gonzalo Torres de Tolosa, defensor de seus companheiros da ESMA [Escola de Mecânica da Armada] durante anos, embora Scilingo o tivesse denunciado como aquele que pegava pessoas dormindo e as jogava no vazio. Os ex-pilotos Enrique José de Saint George, Mario Daniel Arru e Alejandro Domingo D’Agostino, ao contrário, foram imputados a partir de uma investigação da Procuradoria Geral da República, que estudou planilhas da Prefeitura e identificou o voo do Skyvan em que teriam sido assassinados as freiras francesas Alice Domon e Léonie Duquet e os familiares de desaparecidos sequestrados na igreja de Santa Cruz, em dezembro de 1977. O quinto preso é o ex-suboficial naval Rubén Ricardo Ormello, que confessou sua atuação nos voos nos anos 1980 para seus colegas de trabalho. Tanto De Saint George e Arru como o mecânico Ormello são funcionários da Aerolíneas Argentinas.

O único preso pelos voos no país era, até a segunda-feira passada, o capitão Emir Sisul Hess, que relatou que os sequestrados caíam “como formiguinhas”. Seu caso já foi elevado ao Tribunal Oral Federal 5 e poderá ser julgado junto com a segunda turma de marinheiros da ESMA quando Acosta, Astiz & Cia. concluírem o processo. O caso do tenente Julio Alberto Poch é diferente. Poch é piloto da Transavia extraditado da Espanha, goza de liberdade desde que a Câmara Federal ordenou o juiz Torres para reforçar os argumentos do processamento. As novas prisões aconteceram na segunda-feira. Quatro dos envolvidos prestaram declaração, na terça-feira, no juizado de Torres, que os encomendou ao Serviço Penitenciário Federal. Torres de Tolosa, com um tumor cerebral, foi ouvido pelo secretário Pablo Yadarola em sua residência, onde ficou preso com um policial à porta. O juiz tem agora 10 dias para resolver suas situações processuais.

Tenente Vaca

Gonzalo Torres de Tolosa, parente distante do capitão Jorge Acosta, integrava o setor Automotores da ESMA junto com Scilingo, que o conhecia como “Tenente Vaca”, pseudônimo que usava para ocultar sua identidade. Juntos participaram do primeiro voo da morte confessado pelo marinheiro, ocorrido em meados de 1977 com um Skyvan da Prefeitura. O advogado esteve apenas um dia preso, em 1998, por ordem do juiz espanhol Baltasar Garzón, que pediu sem êxito sua captura e extradição. Torres de Tolosa foi acusado na megacausa ESMA desde 2005, quando o fiscal federal Eduardo Taiano o incluiu em sua acusação. A sentença não o impediu de percorrer durante anos os corredores de Comodoro Py para defender os seus camaradas em desgraça. O advogado é, além disso, um dos cinco civis condecorados no dia 12 de setembro de 1978 pelo ex-almirante Emilio Massera por seu “esforço e abnegação” como integrante do Grupo de Tarefas 3.3 “em operações reais de combate”.

O Colorado Ormello

Rubén Ormello era, em 1976, cabo segundo do Exército, tinha 21 anos e prestava serviços na área militar de Ezeiza. Sua confissão, que o Página/12 publicou há 20 meses, foi relatada ao juiz pelos seus ex-companheiros da Aerolíneas Argentinas, empresa em que entrou durante a ditadura e para a qual trabalhou até a segunda-feira no setor de manutenção do aeroporto de Mendoza. “Ele contava que estacionavam um avião DC3 na plataforma e logo vinha um ônibus. Desciam-nos ‘meio rolando e como se estivessem bêbados’, com os olhos vendados. ‘Sentavam-nos na porta e o tordo lhes dava uma seringada de Pentonaval. Os amontoávamos e quando estava tudo pronto saíamos. Quando davam o sinal começávamos a arrastá-los até a porta e os jogávamos para fora’, contava Ormello”, em relato feito por um operário. As fontes citaram um detalhe que deixou todo o mundo perplexo: “Trouxeram uma mulher gorda que pesava cerca de 100 quilos e a droga não havia surtido efeito. Quando estava sendo arrastada se acordou e se agarrou a uma viga. A filha da puta não se soltava. Tivemos que chutá-la até que foi à merda”, recordava. No dia 13 de agosto de 2009 o Página/12 procurou Ormedo em seu trabalho e em sua casa em Godoy Cruz. Sua esposa informou que estava viajando. O cronista deixou seu telefone e seu endereço eletrônico, mas não teve nenhum retorno, nem antes nem depois da nota publicada no dia 6 de setembro de 2009.

Do Skyvan ao Boeing

As primeiras denúncias sobre o uso dos Skyvan em voos da morte remontam a 1983. Os registros da Prefeitura que derivaram nas prisões não foram solicitados pelo fiscal ou pelo juiz da causa ESMA, mas pelo fiscal Miguel Osorio, que decidiu investigar voos no marco da Operação Condor. A Unidade Fiscal conduzida por Jorge Auat e Pablo Parenti processou 2758 planilhas de quatro Skyvan, identificou voos anômalos e assinalou em particular o do PA-51, de 14 de dezembro de 1977, que saiu do aeródromo Jorge Newbery às 21h30, voou três horas e dez minutos e, sem escalas nem passageiros segundo o registro, retornou ao ponto de partida. Horas antes haviam sido fotografadas na ESMA as freiras Domon e Duquet, cujos cadáveres apareceram nas praias de San Bernardo seis dias mais tarde. De Saint George e Arru se afastaram da Prefeitura em 1978 para se incorporarem à Aerolíneas Argentinas. Até o mês passado, quando o fiscal Taiano pediu suas prisões, voavam três vezes por mês para Madri como comandantes dos Boeing 747. D’Agostini, retirado em serviço, é chefe da divisão Veteranos de Guerra. Dias depois do voo um superior elogiou o “domínio de suas reações emotivas” e assegurou que “mesmo em situações críticas se mantém sereno”. Em Necochea, mora, ainda livre e impune, o chefe dos pilotos, o prefeito-geral Hilario Fariña, que o Conselho Deliberativo local poderia declarar nesta quinta-feira “persona no grata”.

Fonte:IHU

ECONOMIA - FMI: e os derivativos e a bolha imobiliária?

O mínimo que se pode dizer do diagnóstico contido no mais recente relatório semestral do Fundo Monetário Internacional-FMI (divulgado ontem) sobre a crise na Europa é que ele é o obvio ululante. Mas, já a receita para superar esta crise é mais do mesmo: fusão e concentração do sistema bancário.

As crises fiscais na Grécia, Irlanda e Portugal ainda poderão contaminar outros países da Zona do Euro e do Leste Europeu, afirma o FMI neste seu relatório semestral sobre a economia européia. Ele assinala que, embora a integração financeira tenha contribuído para o aumento das dívidas desses três países, uma maior integração é necessária para ajudar a Zona do Euro a resolver seus problemas.

O Fundo calcula que os bônus com vencimento em 2011 serão equivalentes a 10% da soma da produção econômica de Grécia, Portugal e Espanha, mas Bélgica, Irlanda e Reino Unido também terão "necessidades de rolagem" significativamente mais alta.

Afirma, também, que a integração parcial dos sistemas financeiros depois do lançamento da Zona do Euro contribuiu para a escala e a duração da crise fiscal, e puxa a orelha dos investidores de bônus: eles também tiveram um papel (na crise) ao ignorar o aumento dos problemas.

Esqueceu os derivativos e da bolha imobiliária?

No documento, chama a atenção que o FMI não relacione a crise atual com a dos derivativos, da bolha imobiliária americana, e da política do FED, o banco central norte-americano. E nem com a aventura dos bancos. E não apenas a dos norte-americanos mas, também, a dos europeus que, juntos, são os principais responsáveis pela atual crise econômica global.

Crise, registre-se, que apenas começou e que só cessará quando a União Européia (UE) abandonar a atual política de mais do mesmo e reestruturar as dívida de seus membros falidos ou em processo de falência (entre outros, Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha...). Do contrário, sem alongar seus prazos, dar descontos (no abatimento do principal) e reduzir os juros, nada feito, nenhuma solução.

Sem isto não haverá saída para Portugal, Espanha e Grécia. E amanhã para outros países, já que como o próprio Fundo reconhece, a Grã-Bretanha, Irlanda e Bélgica caminham para a mesma situação dos países chamados do Sul ou periféricos, ou ainda, católicos.

Blog do Zé Dirceu.