domingo, 22 de abril de 2012

MÍDIA - O JN e a redução dos juros.


Pra defender lucro de seu principal anunciante, Jornal Nacional ameaça o país com mexida na poupança

Enquanto o país inteiro se alegra com a redução nas taxas de juros, o Jornal Nacional toma as dores dos únicos que lamentam essa queda, bancos e seus acionistas, especialmente o Bradesco, principal anunciante do telejornal da Globo.

Na reportagem que abriu a edição de ontem, o JN buscou aterrorizar a população com uma ameaça sinistra. Segundo a reportagem, a queda dos juros vai levar o governo a mexer na caderneta de poupança, o que seria, na opinião editorializada da reportagem, a única forma de manter atrativos os rendimentos da renda fixa.

Para isso procurou opinião de dois especialistas favoráveis à tese, um economista da FGV e o indefectível ex-ministro Maílson da Nóbrega.

Para dar um ar de isenção, a reportagem coloca um depoimento da presidenta Dilma espremido entre os dois especialistas. Mas, repare as palavras de Dilma, que deveriam derrubar a tese da matéria de uma vez por todas:

Dilma: “O Brasil tem de buscar um patamar de juros similar ao praticado internacionalmente. Tecnicamente, fica muito difícil o Brasil diante do que ocorre no mundo justificar spreads tão elevados. Eu acredito que isso será um processo de amadurecimento do país, que vai nos encaminhar progressivamente para nós termos juros mais condizentes com a nossa realidade”, declarou a presidente.


Em seguida a Dilma, entra Maílson, um eterno devedor das Organizações Globo, pois só foi efetivado ministro no governo do presidente Sarney, porque Roberto Marinho aprovou, como Maílson mesmo reconhece:

Maílson: - A Globo tinha um escritório, em Brasília, no Setor Comercial Sul. Fui lá e fiquei mais de 2 horas com o doutor Roberto Marinho. Ele me perguntou sobre tudo, parecia que eu estava sendo sabatinado. Terminada a conversa, falou: "Gostei muito, estou impressionado". De volta ao Ministério, entro no gabinete e aparece a secretária: "Parabéns, o senhor é o ministro da Fazenda". Perguntei: "Como assim?" E ela: "Deu no plantão da Globo" [o Plantão do Jornal Nacional].


Voltando ao JN de ontem. Depois da sonora de Dilma, a matéria segue defendendo sua tese da inevitável mexida na poupança, para fechar com o ex-ministro de Roberto Marinho:

O ex-ministro da fazenda Maílson da Nóbrega diz que é necessário, mas muito difícil mexer na regra da poupança.

“É uma questão delicadíssima do ponto de vista político. A caderneta de poupança é a forma mais popular de economizar dinheiro no Brasil. Tem mais de 50 anos, sem problema, sem calote. É fácil de entender. Então, mudar a caderneta de poupança tem que ser de forma muito bem feita, muito bem preparado, bem esclarecido”, avalia.


Repararam? A matéria fala pelo ministro, como destaquei em negrito.

No entanto, hoje, reportagem da Folha mostra a real intenção do governo, já expressa nas palavras da presidenta, mas boicotada na matéria do JN.

Diz a Folha:

O governo Dilma vai pressionar mais uma vez os bancos privados. A expectativa é que eles reduzam as taxas de administração de seus fundos de investimentos para torná-los mais lucrativos, permanecendo mais rentáveis que a poupança.


Ou seja: o governo não cogita mexer na caderneta de poupança. Quer que os bancos diminuam suas taxas e tenham "juros mais condizentes com a nossa realidade", como disse a presidenta.

Esquece a Globo que hoje quem define a política econômica é o governo da presidenta Dilma e não Roberto Marinho.

POLÍTICA - Sobre o Arthur Virgílio e o Lula

Evando Peixoto: Sobre Arthur Virgílio e Lula



VIOMUNDO

por Evando Peixoto, jornalista

Esse Arthur Virgílio tem credibilidade tanto quando Demóstenes, o grande vestal da República. Não teve voto para se reeleger, mas mantém-se empedernido na tagarelice, com o discurso tucano para lá de desgastado.

Mas vamos ver aqui algumas coisinhas sobre o que ele diz. Afirma que “se Lula agisse de boa fé, não mentiria dizendo que nunca houve mensalão. Afinal, ele mesmo, à época do escândalo, foi à televisão pedir desculpas à nação”.

A primeira observação é quanto ao linguajar. Virgílio já se deu muito mal ao se dirigir a Lula de forma agressiva, com ameaça de surra. Perdeu a eleição seguinte à bravata. Agora, acusa o ex-presidente de mentir.

Lula não está mentindo quando diz que nunca houve mensalão. Apenas contesta a caracterização de dinheiro de caixa dois distribuído entre partidos e candidatos durante e após o processo eleitoral como sendo um esquema estruturado para funcionar durante o seu mandato, com o intuito de comprar votos no parlamento.

É exatamente isso que o STF está para julgar e dizer o que de fato houve. Mas Virgílio já julgou. E não dá ao ex-presidente sequer o direito de discordar do seu julgamento. Diz que Lula mente. Apega-se ao fato de que “falou-se em refundar o PT”. Falou-se, é verdade. Tarso Genro, à época ministro, levantou essa hipótese. Opinião minoritária, mas existiu, não se pretende negar os fatos. O partido entrou, sim, em crise. Fosse caixa dois ou mensalão, era grave.

Para Lula, foi caixa dois. Ele frisou isso à época. “Coisa que todos os partidos sempre fizeram e fazem”. Não disse, porém, que não se tratava de crime e que, por isso, não deveria haver punição dos culpados.

O ex-presidente não só sustentou lá atrás que o ocorrido foi caixa dois como disse e continua dizendo que o tal mensalão é uma farsa, um expediente midiático utilizado com o intuito de desgastar o seu governo para derrubá-lo do cargo. Coisa que a caracterização de caixa dois, embora fosse também crime, não teria potencial para alavancar o intento dos golpistas. Era preciso cunhar e massificar o bordão golpista.

E, ainda hoje, como se nota, Virgílio e demais artífices da vendeta contra o operário de origem nordestina que ousou conquistar o cargo de Presidente da República seguem dependentes de um mensalão que, como diz Mino Carta, “ainda está por provar-se”.

Virgílio diz também que “Lula acenava para as oposições com a proposta de não disputar a reeleição, em troca de não ser proposto seu impedimento”. Trata-se de uma informação a um só tempo falsa e distorcida. Falsa porque Lula não fez aceno à oposição para manter o seu mandato. Distorcida porque o que Lula fez foi mandar um recado aos demo-tucanos dizendo o seguinte: se tentarem golpe, chamo o povo para a rua.

A demonstração de que havia total disposição para mobilizações em defesa do mandato de Lula veio por carta dos movimentos sociais – com assinatura de CUT, MST, CPT, UNE e centenas de outras entidades – intitulada “Carta do Povo Brasileiro – Golpe Não!”, numa alusão à Carta ao Povo Brasileiro que Lula havia divulgado durante a sua campanha eleitoral.

Na mesma semana em que as entidades se reuniram e divulgaram a carta, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi tomada por manifestantes gritando “Golpe NÃO”. Os demo-tucanos simplesmente amarelaram. Botaram o rabinho entre as pernas e passaram a adotar a tática de “deixar” Lula sangrar até ser derrotado nas urnas. Ou seja, viram que não teriam chances de disputar o poder ocupando as ruas e se contentaram em ocupar a mídia (onde sempre tiveram lugar cativo) com a farsa do mensalão. Deram com os burros n’água. Foram derrotados também pelo voto popular nas duas eleições seguintes. Então, Virgílio, muda o disco. Essa sua cantilena já deu o que não tinha mesmo que dar. Perdeu, meu caro. Você e o Demóstenes.

MÍDIA - A revista Veja e a redução dos juros.

Do blog "Os Amigos do Presidente Lula"

Veja une-se a banqueiros para convencer leitor burro a pagar juros de agiotagem

A revista Veja, sabuja de banqueiros, apronta mais uma:

Esse "em alguns casos" citado acima, é esclarecido em outro texto: trata-se do HSBC

Ora, ninguém vai "perceber efeitos da redução de juros" se não for na agência exigir refinanciar sua dívida, ou se não trocar de banco.

Vocês acham que bancos privados vão ser "bonzinhos" a ponto de baixar juros automaticamente para quem já tem dívidas contratadas e ficar acomodado sem reclamar? É claro que não.

Mas a Veja tem seus papagaios que ainda pensam que os banqueiros seriam "bonzinhos" e baixariam juros no piloto automático:


Esses leitores a revista se merecem.

Além disso, há na "reporcagem" acima, o merchandising descarado do banco privado Santander.

Em outro texto, na mesma data, no site da revista chega a surtar em matéria de lamber as botas dos banqueiros. Escreve coisas para fazer propaganda negativa de bancos públicos, explorando viés ideológico:
O Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF) agiam a soldo do Palácio do Planalto, que, preocupado em estimular a economia, não pensou duas vezes em intimar os “seus” a serem indutores da redução dos chamados spreads (diferença entre o custo de captação e de empréstimo no setor).
Mas como mentira tem perna curta, a Veja acaba entregando o jogo, sem querer, já no título da "reporcagem":


Ou seja, de fato existe uma tentativa dos bancos PRIVADOS de falarem que baixam juros, mas não estão cumprindo na prática para a maioria dos clientes.

A catimba é dos bancos PRIVADOS, como o corpo do texto acaba entregando:
...Em alguns casos, como no Santander, gerentes do segmento pessoa física nem estavam a par das reduções. “Tenho recebido seguidos e-mails de clientes perguntando sobre as novas taxas, mas nada mudou internamente. Continuamos fechando operações com os juros de sempre”, afirma uma gerente...
No HSBC, por exemplo, não basta ter conta salário no banco e ser adimplente. Para ter acesso a um crédito mais barato, os clientes devem investir em produtos do banco, tais como fundos ou seguros; não podem ter nenhum contrato de financiamento ativo na instituição; e ainda precisam de um avalista que seja correntista – alguém com renda suficiente para eventualmente arcar, em caso de atraso, com as parcelas do empréstimo que o tomador inicial almeja.
Se dependesse da Veja, o Brasil continuaria na roda presa dos juros escorchantes, e os brasileiros extorquidos pela agiotagem dos banqueiros privados.

E se depender dos bancos privados, continuará financiando revistas como a Veja e telejornais como os da TV Globo, para "convencer" brasileiros a se acomodarem à agiotagem.

ANOS DE CHUMBO - Os grandes grupos econômicos argentinos e seus mortos.

Do blog Economia&Política

No Brasil, durante a "redentora", grandes grupos econômicos principalmente multinacionais, como não poderia deixar de ser, apoiaram e financiaram a "Operação OBAN", montada pelos órgãos de repressão em São Paulo, para prender, torturar e eliminar opositores desagradáveis ao governo militar. Foi nessa operação que foram assassinados o jornalista Vladimir Hersog e o operário Manoel Fiel, que segundo os militares, teriam se "suicidado". Este último "suicídio", levou o ditador Ernesto Geisel a demitir o general comandante do  Segundo Exército.

No livro "Disposición Final", o ex-ditador Videla não dá nomes, não menciona empresas. Mas a Argentina conhece bem o papel de grupos multinacionais – a Mercedes Benz, a Fiat, os bancos – e sabe da ação tanto de grandes grupos de comunicação, como o Clarín e o La Nación, que na base da chantagem e da ameaça se apoderaram da empresa Papel Prensa. Algum dia, chegará a vez de esclarecer o enredo de cumplicidade entre poder econômico e ditadura, entre capital e terrorismo de Estado. O artigo é de Eric Nepomuceno. Eric Nepomuceno Existe um quê de absurdo na frieza com que o general Jorge Rafael Videla se refere aos mortos que a ditadura militar iniciada por ele mandou matar. Curioso reflexo: se no Brasil o que assombra é a covarde desfaçatez dos militares que negam a realidade, na Argentina o assombro vem de um ditador que assume tudo. Tardou anos, é verdade, mas agora, condenado a duas penas de prisão perpétua e com uma pá de processos e julgamentos pela frente, o prisioneiro de 86 anos de idade resolveu falar. E fala com a gelada naturalidade de quem não fez mais do que cumprir uma missão, de quem fez o que fez para atender interesses que assumiu como dele, e apoiava com entusiasmo. Li, em algum lugar, um comentário certeiro: parece que Videla está falando de crimes cometidos por outros, e não por ele. De todos os temas escabrosos que estão no livro “Disposición Final”, do jornalista Ceferino Reato, um me chamou a atenção: pela primeira vez, se admite claramente que havia uma forte pressão econômica para que o golpe fosse dado. Mais do que pressão, cumplicidade direta. No meio da maré de barbaridades onde, além de justificar o uso sistemático da tortura, explica como se decidiu assassinar milhares de pessoas, Videla afirma que, em termos estritamente militares, o golpe de 24 de março de 1976 era desnecessário. Liquida, assim, a indigna teoria de ‘dois demônios’, usada na Argentina e aqui mesmo, no Brasil, para tentar equiparar o terrorismo de Estado com os atos de organizações armadas, também chamadas de ‘terroristas’, e assim justificar o que foi feito. Diz Videla que o golpe foi desnecessário, porque durante o mandato interino de Ítalo Luder, que ocupou brevemente em 1975 a presidência durante uma oportuna ‘licença médica’ da presidente Maria Estela Martínez de Perón, aquela senhora bizarra que usava o codinome de Isabelita, vindo de seus tempos de call-girl em cabarés da cidade do Panamá, foram baixados decretos que autorizavam os militares a ‘eliminar’ militantes de organizações armadas. Ou seja: para matar quem eles mataram, não seria preciso golpe algum. Videla comenta, com a serenidade dos perversos: “Nosso objetivo era disciplinar uma sociedade anarquizada. Com relação à economia, o que queríamos era ir para uma economia de mercado, liberal”. Falta explicar quem ‘queríamos’. A delirante petulância messiânica típica dos militares latino-americanos – “disciplinar uma sociedade anarquizada” –, conhecemos bem. Desde quando, porém, militares admitiram o óbvio, ou seja, terem dado um golpe para “ir para uma economia de mercado, liberal”? Na verdade, o que ele conta dos métodos de controle e de implantação do terrorismo de Estado é tão brutal que esse aspecto parece ter passado meio despercebido pelos jornais na hora de antecipar trechos do livro de Ceferino Reato. Lá pelas tantas, e contando de uma reunião com empresários, Videla diz ter ouvido a seguinte frase: “Vocês foram tímidos, deveriam ter ido mais longe, tinham de ter matado mais uns mil ou dez mil”. Depois, queixa-se o general, “eles lavaram as mãos. Disseram que fizéssemos o que tínhamos de fazer, e caíram em cima da gente”. A ingratidão dói, sabemos todos. Alguma diferença significativa com o que aconteceu aqui, entre nós? Videla não dá nomes, não menciona empresas. Mas a Argentina conhece bem o papel de grupos multinacionais – a Mercedes Benz, a Fiat, os bancos – e sabe da ação tanto de grandes grupos de comunicação, como o Clarín e o La Nación, que na base da chantagem e da ameaça se apoderaram da empresa Papel Prensa, monopólio do papel no país, ou a participação de empresas como a cementeira Loma Negra, a laminadora Acindar (controlada por empresas da Bélgica, Espanha e França), ou o estaleiro Astarsa, que acabou falindo em 1994. Há alguns meses, o mesmo Videla concedeu uma entrevista a Ricardo Angoso, da revista espanhola “Cambio 16”. Nem mesmo a cordial complacência com que Angoso trata seu entrevistado suavizou o peso das palavras de Videla. Que admitiu, com todas as letras, que a ditadura encabeçada por ele manteve, enquanto coalhava o país de mortos e torturados, “excelentes relações” com a Igreja Católica e com o empresariado, a quem, aliás, aproveitou para agradecer a colaboração. Existe algo de insólito e de importante nessas declarações de Jorge Rafael Videla. Jamais foi segredo para quem quer que fosse que os grandes grupos econômicos instalados na Argentina se beneficiaram imensamente da ditadura. Lembro claramente as palavras de meu amigo Eduardo Luis Duhalde, que já não está entre nós e foi secretário de Direitos Humanos, dizendo que, no fundo, o golpe jamais se justificaria (as organizações armadas estavam militarmente desarticuladas e praticamente aniquiladas, lembrava ele) a não ser para impor uma política econômica que beneficiasse os grandes grupos e afundasse de vez o país. Foi o que aconteceu. Algum dia, chegará a vez de esclarecer o enredo de cumplicidade entre poder econômico e ditadura. Porque esses grandes grupos também formam parte indissolúvel da ditadura que sufocou a Argentina entre 1976 e 1983. Apoiaram, incentivaram, instigaram, financiaram, participaram – e depois encheram as burras à custa da destruição do país, do massacre de milhares de vidas. Sem esses grupos, o genocídio não teria acontecido. A Argentina é o país latino-americano que mais avançou no estabelecimento da verdade, no resgate da memória e na implantação da justiça aos responsáveis por crimes de lesa-humanidade. Na recuperação da própria dignidade. Alguma vez chegará a hora de desvendar oficialmente o que todos sabem ou desconfiam: a cumplicidade entre capital e terrorismo de Estado. O lucro obtido à custa dos 30 mil mortos da ditadura. COMENTÁRIO E & P Falta elucidar os papel dos Estados Unidos e da Igreja Católita nessa longa noite de terror que se abateu sobre a América Latina. Sem o golpe de estado nos países latino-americanos o Consenso de Washigton não teria sido possível.

sábado, 21 de abril de 2012

MÍDIA - The New York Times, olha teu rabo!

O programa “O Mundo amanhã”, de Julian Assange, criou uma tempestade da mídia ocidental, que imediatamente passou a acusar o Kremlin de operar nos bastidores do programa.
O fundador de WikiLeaks nunca teve qualquer ilusão sobre como seu programa de entrevistas seria recebido, sobretudo porque Russia Today foi o canal escolhido para exibir as dez primeiras edições do programa. Julian Assange sempre soube que seria declarado “traidor” e “fantoche do Kremlin”.
Pois exatamente essa avaliação não demorou a cristalizar-se nas páginas do New York Times, em coluna de Alessandra Stanley, que não poupou críticas a Assange e ao canal que escolheu.
“Russia Today é rede de notícias em inglês, criada pelo líder russo Vladimir V. Putin em 2005, para promover a linha do Kremlin em todo o mundo”, diz The New York Times, acrescenatando: “Basicamente, é plataforma improvável para um homem que faz pose de ‘vazador’ esquerdista radical e defensor da livre manifestação do pensamento contra as superpotências” – lê-se.
Glen Greenwald, conhecido jornalista dos EUA e colunista da revista online Salon, discorda dessa opinião, em entrevista a Russia Today.
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AMALDIÇOANDO ASSANGE
- “Por que ficaram tão ofendidos?”
Greenwald: “A mídia-empresa norte-americana nunca parou de amaldiçoar Julian Assange, desde que ele surgiu em cena. O que Assange fez – noticiar com transparência – é precisamente o que a mídia-empresa deveria fazer, e Assange o fez em doses generosas, muito mais que todos os veículos da mídia-empresa nos EUA, somados. Imediatamente, jornais e jornalistas puseram-se a atacar Julian Assange por ter exposto o governo dos EUA.
- “A reputação de Assange desabou, desde que WikiLeaks sacudiu o mundo, em 2010. Para uns é herói, para outros é espião, mas atualmente é quase sempre visto como doido varrido” – escreve o New York Times.
Greenwald: “Seria suicídio segurar a respiração à espera de que o NYT algum dia chame de “doido varrido” alguém que tenha poder em Washington. O ataque contra Assange e Russia Today diz muito mais sobre o jornalismo nos EUA, do que sobre os ‘atacados’. O fato de Assange estar no ar [em inglês, espanhol e árabe e, agora, também em português do Brasil], em programa transmitido por Russia Today, enlouqueceu, literalmente, ainda mais, a mídia-empresa nos EUA. Adoraram o pretexto para apontar o dedo para outros veículos e dizer ‘Vejam, são fantoches e instrumentos para propaganda do poder!’. Porque, de tanto que jornais e jornalistas norte-americanos comportam-se exatamente como fantoches e instrumentos para propaganda do poder, todos acabam esquecendo que não fazem outra coisa além de propaganda do poder e dos poderosos. Mais que outros, o New York Times foi campeão mundial do esporte de convencer o país da necessidade de os EUA atacarem o Iraque. O modelo de jornalismo que se vê nos EUA vive de mostrar fé e fidelidade caninas ao governo dos EUA. Quero dizer: há muita hipocrisia na crítica que o NYT publicou.
O primeiro entrevistado de Julian Assange foi o secretário-geral do Hizbollah libanês, Said Hassan Nasrallah, que não dava entrevistas à televisão ocidental desde 2006. Apesar das críticas, muitos concordaram que, em termos jornalísticos, a entrevista foi um sucesso.
Greenwald: “O NYT zomba do novo programa de Assange. De fato, Assange fez o que a TV dos EUA jamais faria: interrogar duramente o primeiro convidado de um novo programa. Foi uma entrevista sensacional. Lá estava Nasrallah, que concordou em dar a Assange um furo internacional. E, em vez de tratá-lo com reverência (como qualquer entrevistador na televisão americana teria feito), Assange falou muito duramente, quase agressivamente, nas perguntas. Perguntou a Nasrallah sobre corrupção nos mais altos escalões do Hezbollah. Desafiou o entrevistado, ao perguntar a Nasrallah por que não estava apoiando os sírios que lutam contra a ditadura de Assad. De fato, foi entrevista impressionante, em termos jornalísticos, sobretudo para um programa inaugural.
“Evidentemente, em termos práticos, o Sr. Assange está na cama com o Kremlin, mas no show da 3ª-feira disfarçou bem” – prossegue o artigo do NYT. Dado que Russia Today jamais é citado sem o sufixo obrigatório “canal de propaganda do Kremlin” pela maioria dos veículos de mídia norte-americanos, o assunto do dia, para muitos, foi quanto, do programa “The World Tomorrow”, teria sido escrito pela equipe do presidente Vladimir Putin, recém eleito. Russia Today é sempre apresentado nesses termos, ao público dos EUA.
Greenwald: “Assange criticou Nasrallah por não apoiar os sírios na luta contra a ditadura de Assad. O governo russo sempre foi aliado de Assad. A atitude de Assange, ante Nasrallah, foi diretamente oposta ao que interessaria à política dos russos para a Síria. Claro que isso dá forte credibilidade ao que Assange tem dito, sobre sua independência editorial. Quem diga o contrário disso só faz exibir-se como falso e mentiroso.”
“A regra é clara: OK, se o jornalista é pago por fabricantes de armas, por políticos norte-americanos ou pelo governo dos EUA ou da Grã-Bretanha. Pode até ser pago por Rupert Murdoch. Mas Russia Today não poderia trabalhar para o governo russo? Assange tem de ser avaliado pelo jornalismo que produz – não pelo canal que escolhe para veicular seu programa”.
“Os EUA estão totalmente mobilizados para processar e destruir Assange. E a Rússia lhe oferece um programa e audiência planetária. Bem faria o NYT se ajudasse os leitores a pensar melhor sobre por que a Rússia faz o que faz. E sobre o que mostra o NYT, quando não faz o que deveria fazer.”

POLÍTICA - Meu amigo Prof. Ariovaldo pediu e não posso deixar de atendê-lo.





Todos sabem que tenho divergências sérias com o Ariovaldo.
 
Na última vez que falamos ele estava muito triste com a ida
do Diogo Mainardi para a Itália.
Porém o respeito por sua coerência e coragem de assumir suas posições políticas.

Nunca se escondeu atrás do anonimato como faz a grande maioria dos meus críticos e não nega o fato de ser um
direitista convicto com horror de tudo que cheire a povo, esquerda, etc.

Porém nunca disse que os comunistas comem criancinhas, que a Dilma era sapatão, etc.
Teve também a sinceridade de me revelar certa vez, que sabe que seus mais fiéis leitores são os que adoram a revista Veja.

Isso para mim é muito importante, pois as pessoas de direita no Brasil parecem que têm vergonha de assumir sua posição política.


Vivem se escondendo, dizendo que são de centro, centro-esquerda, social-democratas mas nunca de direita.
Agora o artigo do meu amigo.

Estatização comunista na Argentina

17/04/2012
By
La bruja
Ofendendo a propriedade privada e a livre empresa internacional, a viúva negra do marxismo portenho, Cristina K., num arroubo comunista praticou mais um roubo ao encampar a petrolífera de los hombres buenos de Espanha para assim se assenhorar dos meios de produção argentinos, levando a marcha do socialismo austral a galgar mais um degrau imundo rumo ao bolchevismo fétido.

(acho que o prof. Ariovaldo deveria cobrar direitos autorais do Arnaldo Jabor, pois este também fala muito em bolchevismo, bolchevistas, etc).

Tal atitude infame e ofensiva ao capitalismo mundial e principalmente ao Rei de Aragão e Castela, foi levada à cabo após uma imensa campanha terrorista de fustigação, coações e fuxicos contra os altos executivos da empresa, e é um ato absolutamente ilegítimo e injustificável cujo real propósito é derrubar os pilares menemonicos libertadores adotados pelo saudoso presidente Carlos Menén, um homem bom, quase um FHC platino, na década de ouro do cone-sul.

Ao saber de tão maléfica atitude da bruxa do sul, a enviada da América, Miss Hillary, disse em meio às lágrimas que o modelo capitalista é o melhor e que somente a privatização da Petrobras poderá compensar o atual golpe.

Assim esperamos.
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MÍDIA - Os Cansados deveriam indignar-se com o PiG

Do blog Terror do Nordeste.

 

Stéphane Hessel, no livro Indgnai-vos, termina assim:"Não, essa ameaça não despareceu totalmente.Por isso, apelamos sempre para "uma verdadeira insurreição pacífica contra os meios de comunicação de massa, que, como horizonte para os nossos jovens, só sabem propor o consumo de massa, o desprezo aos mais fracos e à cultura, a amnésia generalizada e a competição desenfreada de todos contra todos.A todos aqueles e aquelas que construirão o século XXI, dizemos com carinho:CRIAR É RESISTIR.RESISTIR É CRIAR".Eu acrescento:apelamos para que tenhamos uma mídia democrática e independente.

Interessante citar esse trecho do livro de Hessel porque, em primeiro lugar, no dia de hoje, está ocorrendo em várias cidades brasileiras manifestações cobrando que o Supremo Tribunal Federal, que está mais sujo que pocilga, apresse no julgamento do Mensalão.Como sempre, Os Cansados só cobram punição para petistas.

Concordo que todos devem cobrar do Poder Judiciário a punição dos corruptos.Agora, de todos os partidos, sem exceção.Não interessa se o corrupto é do PT, do PSDB, do DEM, do PMDB, do PP e afins.Não sou da teoria orwelliana que defende que todos os corruptos são iguais.Mas alguns são mais corruptos que os outros".Para mim, corrupto é corrupto, não tem o mais nem o menos.Sempre digo:desejo punição dura para todos os corruptos, para os corrutos do PT desejo punição com requinte de crueldade.

Interessante citar, também- e aqui é o que interessa-, o trecho do aludido livro porque os militantes do Movimento Cansado, devem também cobrar pela democratização dos meios de comunicação(o PiG e os cansados chamam de censura).

Com a descoberta que Policarpo Quaresma, Leonardo Atuch, o repórter G da Globo, que até agora a blogosfera não descobriu quem é, Mino Pedrosa supostamente prestam assessoria a bandidos para garantir a lucratividade de seus negócios, é mais que urgente colocar na ordem do dia a democratização dos meios de comunicação.

Um jornalista não pode, a pretexto da defesa da moralidade, aliar-se a empresários bandidos e mafiosos com objetivo de beneficiar seus negócios(dos empresários bandidos), de derrubar governo, de destruir reputações.A acusação vinda de gente da laia de Cachoeira, de Daniel Dantas não tem nenhum valor.Objetiva-se ameaçar, chantagear servidor público, governos contrários a seus interesses, empresários concorrentes com o fim único de obter vantagens e destruí-los.

Afirma Eurípedes Alcântara, chefe de Policarpo Quaresma, na defesa que faz da Veja:“A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.”

Claro que pode.Ninguém vai comparar, como visto acima, o depoimento de um pessoa decente com o depoimento de um bandido.Até mesmo o depoimento de um policial, que prendeu um meliante, não é tão isento quanto o de um cidadão comum que presenciou o crime.O depoimento de uma criança não se compara com o de um adulto.De igual modo o testemunho de uma fonte decente não se compara com o de uma fonte indecente, sem ética.Somente o interesse da Veja em defender a causa de Carlinhos Cachoeira justifica a aliança entre este e àquela.

Alcântara, provavelmente, nunca ouviu falar da teoria da árvore com frutos envenenados.


Segundo essa teoria, que, diga-se de passagem, advém de preceito bíblico, a árvore envenenada no pode dar bons frutos.É o caso de depoimentos advindo de bandidos do naipe de Daniel, Dantas, Naji Nahas, Cachoeira, Fernandinho Beira Mar.Esse tipo de depoimento é totalmente envenenado, só a Veja não percebe assim.Na verdade, a Veja tenta justificar o injustiticável.

Para finalizar, é de bom alvitre que os Cansados , além de cobrar punição para os corruptos, cobrar também a regulação(não censura) dos meios de comunicação.o PIG só para de ser monopolista, de distorcer o fatos, de mentir, de defender interesses de bandido no dia que o povo, inclusive o Cansados, insurgir-se contra os meios de comunicação.Vamos lá, Cansados, indignai-vos!
 
 Cobrem a CPI do PiG, da Veja.

ANOS DE CHUMBO - Tenório Jr: O sumiço que ninguém nunca soube explicar


 

Seis dias antes de a cúpula militar argentina dar o golpe de Estado que derrubou María Estela Martínez Cartas de Perón, o pianista brasileiro Tenório Jr., que acompanhava Vinícius de Moraes e Toquinho em uma turnê por Buenos Aires, saiu para comprar cigarros e remédios e não voltou mais. Seu desaparecimento nunca foi esclarecido. Em entrevista à Carta Maior, Toquinho conta de sua relação com Tenório e opina sobre a responsabilidade do Estado brasileiro diante do caso.



No dia 18 de março de 1976, o músico brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior se tornou, sem saber, um inimigo do Estado argentino. Saiu do Hotel Normandie no meio daquela madrugada e deixou um bilhete colado na porta do quarte de um dos colegas: “Vou sair pra comprar cigarro e um remédio. Volto Logo”. Não voltou mais.

Pianista do bairro fluminense das Laranjeiras, Tenório acompanhava Vinícius de Moraes e Toquinho em apresentação no imponente teatro Gran Rex, na Avenida Corrientes 857, a menos de 200 metros do Obelisco de Buenos Aires. Não tinha nenhum envolvimento com questões políticas e, aos 35 anos, já havia lançado um disco (Embalo, 1964). Ao sair para a turnê, deixou no Brasil quatro filhos e a esposa Elisa Cerqueira, grávida de oito meses.

Depois daquela noite, Vinícius, Toquinho e alguns amigos, entre eles Ferreira Gullar, exilado em Buenos Aires, se mobilizaram para procurá-lo em hospitais e delegacias, além de terem buscado ajuda na Embaixada do Brasil.

Foi apenas em 1986 que o ex-torturador argentino Claudio Vallejos, ex-membro do Serviço de Informação Naval, falou sobre o destino de Tenório em entrevista concedida à revista Senhor (n° 270). Abordado por agentes da repressão de uma ditadura que estava prestes a ser instaurada, o pianista foi confundido com um ativista político e colocado em um Ford Falcon verde enquanto caminhava a poucos metros do hotel Normandie. Segundo Vallejos, Tenório foi levado para a ESMA (Escola de Mecânica da Armada) e apanhou tanto que, quando se deram conta de que ele não era um militante, já não havia mais jeito. Estava tão machucado, que só restou aos repressores a opção de matá-lo. Após sessões de tortura, o tiro fatal foi disparado por Alfredo Astiz no porão da parte antiga da ESMA.

Nesta entrevista concedida à Carta Maior, Toquinho – que homenageou seu ex-pianista com a música “Lembranças” (1981) (clique para ouvir), parceria com o compositor Mutinho – conta de sua relação com Tenório e opina sobre a responsabilidade do Estado brasileiro diante do caso. “A dúvida que paira sobre o assunto não combina com um Estado Democrático”, afirma o músico.

Qual era sua relação com o Tenório Jr.?

Tenório fazia parte da banda que nos acompanhava naquela temporada pela Argentina, em 1976. Era um excelente pianista, uma pessoa tranquila, dedicada ao seu trabalho e amigo de todos. Minha relação de amizade com ele se dava em consequência de nossa atividade profissional.

Em que momento o senhor percebeu que o Tenório Jr estava demorando demais para quem havia ido comprar cigarros?

A temporada de shows já havia terminado. Estávamos em Buenos Aires para no dia seguinte embarcarmos para o Brasil. Ele saiu de madrugada para comprar cigarros e não voltou. De manhã demos pela falta dele. A situação política na Argentina vivia um clima de terror, até a polícia não se entendia, era uma confusão geral. Na época, o ex-genro do Vinicius era cônsul na Embaixada Brasileira. Deu todo o apoio na procura de uma definição sobre o caso de Tenório. Ficamos lá mais dois dias aguardando uma confirmação sobre o sumiço dele.

Quando o senhor se deu conta de que ele podia ter sido sequestrado por
motivos políticos?


A própria Embaixada nos alertou para isso. Devido ao desencontro das ações policiais, estavam prendendo todos aqueles que parecessem suspeitos. E Tenório era um tipo original, muito alto, de barba, cabelos longos, usava um capote comprido, foi confundido com alguém.

Qual foi sua reação quando soube que ele havia sido assassinado?

Algum tempo depois houve essa confirmação de que muito possivelmente ele havia sido executado. No meu entender, ele pode ter sido torturado e, diante da ineficácia da tortura, e pela ação da própria Embaixada brasileira, a polícia deduziu que havia prendido e torturado o pianista da banda de Vinicius e Toquinho. E o executaram definitivamente porque seria imprudente para o sistema que ele continuasse vivo.

E como a banda reagiu à notícia?

Com muita tristeza e uma grande dose de revolta.

O senhor acredita na versão contada por Claudio Vallejos sobre o sequestro e a morte do Tenório?

Não conheço essa versão.

Claudio Vallejos contou, em entrevista concedida no Brasil, que Tenório foi morto no dia 25 de março daquele ano pelo jovem torturador Alfredo Astiz na ESMA e que teria sido preso por ter estereótipo de um "inimigo do Estado argentino". O senhor acredita nesta versão?

É bem possível, principalmente pela hipótese de Tenório ter sido confundido com algum “inimigo do Estado argentino”.

Em sua opinião, o Estado brasileiro foi omisso na época?

Pelo menos no que se refere à Embaixada Brasileira, tudo foi feito para que o caso fosse esclarecido. Recebemos todo apoio para isso. Mas não tenho informações claras sobre outros setores do governo.

O Brasil poderia, hoje, tomar alguma providência em relação ao caso, em sua avaliação?

Tudo deve ser feito em busca da verdade. Acredito que a Comissão da Verdade possa ser um caminho para esclarecer este caso. A dúvida que paira sobre o assunto não combina com um Estado Democrático.

O senhor tem alguma relação ou contato com a família dele?

Contato direto não, mas anos atrás apoiei uma campanha para que a família fosse ressarcida em reparação aos danos causados pelo desaparecimento deste músico excepcional.

Em 2006, o Estado brasileiro reconhece ter “feito pouco” para solucionar o mistério acerca do paradeiro de Tenório Jr e o juíz Alfredo França Neto dita a sentença de idenização a Elisa Cerqueira – que nem status de viúva tinha – e aos filhos, por danos morais e materiais.

Em 16 de novembro de 2011, por iniciativa do deputado socialista argentino Raúl Puy, foi colocada uma placa na fachada do hotel Normandie em homenagem a Tenório: “Aqui se hospedou este brilhante músico brasileiro, vítima da ditadura militar argentina”.

ANOS DE CHUMBO - Depoimento de um ex-cabo.

Abaixo,  o depoimento corajoso de uma das vítimas da ditadura que se instalou em nosso país em 64.

Sou ex cabo de 65 a73, quando o Anselmo eu sabia,  era um traidor do movimento.

Fui perseguido tive que pedir baixa.

 O soldado Jomar que foi morto pelo cap niebus em 70, em Barra Mansa, trabalhava comigo na oficina no 2 BIB  nessa cidade.

 Servi no10 Regimento de Infantaria em Juiz de Fora, no Parque Central de Moto, Rio de Janeiro de 65 a 68.

 No  2 BIB de 68 a 71 em Barra Mansa, onde teve muita tortura de preso politico de 68 a 71, na 4 CIA LEVE,  Juiz de Fora, onde fiquei preso por 20 dias com um preso politico onde ele me contava as torturas que passou.

Respondi ao umIPM para eles saberem se eu era da esqueda ou se tinha alguma coisa com as mortes dos sodados em Barra Mansa.

Servi também no 14 GAC em  Pouso Alegre, onde tive que pedir baixa.

Se o entregador do Anselmo tiver algum direito, eu tambem posso ter.

REGINALDO DE SOUZA REZENDE EX CB.

INHAUMA RIO DE JANEIRO

Um mundo de incertezas e oportunidades

Por Altamiro Borges

1- O Brasil não é uma ilha apartada do mundo. Ele reflete e interfere – cada vez com mais força – no cenário internacional. A crise capitalista, as mudanças políticas em curso e as guerras imperialistas, entre outros fatores, têm impacto em nosso país e ajudam a determina sua política interna. Neste sentido, analisar o cenário mundial tem grande significado para a definição das estratégias de luta dos trabalhadores brasileiros. De imediato, o que chama atenção é que o planeta atravessa um período de incertezas e de enormes perigos. Ao mesmo tempo, novas oportunidades se abrem para o avanço das conquistas dos que vivem do trabalho.



2- EUA, Europa e Japão, que compõem o bloco dos chamados países desenvolvidos, hoje afundam numa das mais graves crises da história do capitalismo. Nos anos 1980, quando as taxas de crescimento já eram declinantes, eles adotaram o chamado “Consenso de Washington”. Eles impuseram ao mundo o receituário neoliberal, com o desmonte do trabalho (desemprego, arrocho salarial e flexibilização trabalhista), o desmonte do Estado (com privatizações e redução de investimentos públicos) e o desmonte da Nação (com a criminosa desnacionalização das economias periféricas). Este projeto garantiu sobrevida ao capitalismo, mas, no seu bojo, agravou o processo de desregulamentação financeira. Hoje, o capitalismo é dominado pela ditadura dos banqueiros e rentistas.

3- Como consequência da libertinagem especulativa, os países capitalistas desenvolvidos voltaram a sentir o impacto da crise nos anos recentes. Os EUA, epicentro do sistema capitalista, foi o detonador desta nova onda devastadora. Em 2008, a sua economia quase entrou em colapso. Em curto espaço de tempo, faliram 19 dos maiores bancos do país, a maior seguradora mundial (AIG), 22 empresas de crédito imobiliário e duas montadoras de automóveis (GM e Chrysler). A crise no império contagiou a economia mundial. Num segundo repique, a Europa foi duramente atingida. Os países pobres do velho continente – Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, os chamados PIIGS – estão falidos, com a quebradeira das empresas, aumento do déficit público, explosão de desemprego e crescimento vertiginoso da miséria. É triste assistir a morte do cultuado “estado de bem-estar social” europeu.

4- Quem mais sofre com a crise capitalista nos países centrais são os trabalhadores. Os banqueiros, os principais responsáveis pelo caos, são socorridos com generosos pacotes de ajuda financeira. Já os assalariados ficam sem emprego, sem salário e sem direitos. Em fevereiro último, a taxa de desemprego na zona do euro foi de 10,8%, a maior desde 1997, com 17 milhões de trabalhadores sem emprego. O quadro é ainda mais dramático entre a juventude, que não tem qualquer perspectiva de futuro. Na Espanha, por exemplo, o desemprego já atinge quase 50% dos jovens. Nos Estados Unidos, o desemprego também bate na casa dos 10%, um recorde na história deste país. Milhões de estadunidenses foram despejados das suas casas e hoje dormem em automóveis. Para piorar, diante da crise, os governos destas nações, hoje controlados por banqueiros, impõem cortes nos direitos sociais. Numa só tacada, a Grécia reduziu o salário mínimo em 22%, demitiu 150 mil servidores públicos e aumentou o tempo de aposentadoria. O mesmo ocorre em outras nações falidas da Europa. No Reino Unido, o governo direitista cortou os gastos com programas sociais.

5- Diante desta onda destrutiva e regressiva, os trabalhadores tentam resistir. 2011 foi um ano de intensas lutas na Europa e nos EUA. Na Espanha, os jovens desempregados e sem perspectiva ocuparam, a partir de maio, as praças públicas de várias cidades na chamada “revolução dos indignados”. Na Itália, a revolta da sociedade levou à queda do fascista Silvio Berlusconi, logo substituído por um banqueiro no governo. Na Grécia já ocorreram nove greves gerais e os confrontos com a polícia são diários. Em Portugal, uma greve nacional paralisou totalmente o país no final de março. Nos EUA, o movimento “Ocupe Wall Street” evidenciou que a luta de classes está viva no império. A crise econômica também repercutiu no mundo árabe, causando explosões que derrubaram várias ditaduras monárquicas. Infelizmente, toda esta explosão de revolta ainda não produziu alternativas mais progressistas, que evitem retrocessos e garantam avanços sociais aos trabalhadores. A Europa hoje é governada por banqueiros, que nem sequer são eleitos. Nos EUA, Barack Obama foi uma frustração, mas se apresenta como um mal menor na disputa contra os republicanos. No mundo árabe, as potências capitalistas procuram abortar as revoltas populares e manter a sua influência nesta região rica em petróleo. Usam mísseis e soldados da Otan para derrubar governos contrários aos seus interesses na Líbia e Síria. Esta em curso uma escalada belicista no mundo, com o risco de novas e sangrentas guerras. A próxima vítima dos imperialistas deverá ser o Irã.

6- Contraditoriamente, neste mundo em crise e guerra, alguns países emergem e se projetam no cenário mundial. Eles formam o bloco das nações em desenvolvimento – os chamados Brics, com Brasil, Rússia, Índia e China. Enquanto as nações desenvolvidas encolhem economicamente e produzem milhões de desempregados e miseráveis, estes países geram emprego e renda e batem recordes de crescimento. A reunião dos Brics na Índia, no final de março, apontou que é urgente aumentar a cooperação entre os emergentes para se defender da rapina dos impérios falidos. Nela foi aprovada a proposta de criação de um novo banco mundial, independente das antigas potências, e o aumento do comércio entre os países emergentes. O dólar já é tratado como uma moeda descartável nos acordos internacionais. Os países dos Brics também criticaram a corrida expansionista e belicista dos EUA e da Europa no mundo árabe, defendendo a soberania da Síria e do Irã. Na avaliação dos Brics, a crise capitalista pode se transformar numa janela de oportunidades para as nações que sempre foram aviltadas pelas potências capitalistas.

7- Esta perspectiva mais otimista ganha maior alento na América Latina. Os países do nossa região atravessam uma situação ainda mais alvissareira, tanto na economia como na política. Os índices de crescimento na região são positivos, causando a redução das taxas de desemprego, de miséria absoluta, de analfabetismo e de outras chagas do capitalismo periférico. A própria ONU atesta que a pobreza diminuiu neste sofrido continente, há décadas explorado e oprimido pelos EUA. Além disso, a América Latina, que foi o laboratório do neoliberalismo nos anos 90, transformou-se na vanguarda da luta contra este projeto destrutivo e regressivo. A partir da vitória da Hugo Chávez na Venezuela, no final de 1998, o continente vive uma guinada à esquerda, com governos mais preocupados com a soberania nacional, a integração regional, a ampliação da democracia e a resolução das suas graves dívidas sociais. Este cenário produz cenas inimagináveis num passado recente, como a eleição de um operário, retirante nordestino e líder grevista no Brasil (Lula), um camponês e líder indígena na Bolívia (Evo Morales), um economista de esquerda no Equador (Rafael Corrêa), um religioso ligado à teologia da libertação no Paraguai (Fernando Lugo), entre vários outros governantes progressistas. Estes países têm investido na integração regional, cientes que do contrário seriam desintegrados pelas ambições do imperialismo. A fundação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), no final de 2011, representa um salto neste rumo, somando-se aos esforços de fortalecimento do Mercosul, de criação do Banco Sul e do Conselho de Defesa da América do Sul. As dificuldades ainda grandes na região e as experiências progressistas são embrionárias, mas o sentido é bastante positivo.

* Exposição sobre conjuntura internacional apresentada no IX Congresso dos Comerciários do Rio Grande do Sul - Torres, de 19 a 21 de abril.
 

EUA: Garoto que luta contra a leucemia doa suas economias para Associação Protetora de Animais

EUA: Garoto que luta contra a leucemia doa suas economias para Associação Protetora de Animais

O jovem havia economizado para uma viagem, mas pensou que os animais precisavam mais do que ele. As informações são da IgualdadAnimal.Foto: Reprodução/IgualdadAnimal

Ian Himmelstein, um garoto de 8 anos que está lutando contra a leucemia, decidiu doar todas as suas economias à Sociedade Protetora de Animais do Condado de Suffolk, nos EUA, transformando-se, segundo a imprensa internacional, em um “herói dos animais”.

Apesar de estar vivendo uma situação muito difícil, em pleno tratamento de quimioterapia, Ian afirma que os animais necessitam desse dinheiro mais que ele próprio: “Tenho guardado dinheiro para uma viagem por causa do meu câncer, mas pensei que os animais necessitavam muito mais do que eu”.

No outono passado, Ian foi atacado e ferido pelo cachorro de um vizinho, mas, apesar disso, o garoto disse que seu amor pelos animais não mudou. “Eu adoro os cachorros, só não gosto daquele cachorro”, disse Ian.

Roy Gross, chefe da Sociedade Protetora à qual Ian doou seu dinheiro, afirma sentir-se profundamente tocado por saber que um garoto possa sentir tamanha paixão pelos animais, chegando a ter um gesto tão solidário e compassivo. Segundo ele: “Ian é um jovem maravilhoso”.

Parte da doação de Ian será utilizada de imediato para ajudar um abrigo criado para animais que, após um incêndio, ficaram sem lar.
Fonte: http://www.anda.jor.br/

CUBA - Um "pacifista, um democrata"


Um "pacifista", um "democrata" que passou 40 anos colocando bombas• Em 2005, a editora Capitán San Luis publicou o livro Welcome Home, onde um grupo de autores relatou fatos sobre torturadores, assassinos e terroristas de origem cubana, que moram e atuam dos Estados Unidos • Esta é uma versão dum desses personagens: Ramón Saúl Sánchez Rizo


Lázaro Barredo Medina

DE novo entra em cena "Ramoncito" e seu movimento "Democracia", orquestrando uma nova provocação contra nossa Pátria. Passou 40 anos colocando bombas e realizando atos violentos com total impunidade.

Indubitavelmente a Ramón Saúl Sánchez Rizo conveio a metamorfose que a administração de Ronald Reagan obrigou assumir à contrarrevolução cubana nos Estados Unidos, durante a década de 1980, quando os terroristas e agentes da Agência Central de Inteligência foram transformados em políticos locais do novo condado de Miami-Dade.

Sánchez Rizo se regozija da diversão que resulta esse invento das frotilhas, uma forma ideal de provocar um incidente e como disse "deixa eu ver se estes sacanas ianques acabam decidindo-se a dar cabo de Fidel Castro", enquanto para os cansados contribuintes da guerra contra o comunismo, é uma ação mais potável nos novos tempos, na hora de que vieram "chacoalhar".

"Ramoncito", como é chamado por todos os velhos chefões da máfia terrorista de Miami, tinha sido o "golfinho" da guerra terrorista e foi um menino consentido para os chefes das principais organizações antiCastro e até para a justiça norte-americana.

Nasceu no município Colón, província de Matanzas, Cuba, em 1954, no ano seguinte dos acontecimentos do assalto ao quartel Moncada, e foi para Miami em 1967, sendo admitido "sob palavra". Miami então era um fervedouro de ações contra a Revolução e "Ramoncito" encontrou emprego rapidamente nessa cruzada, embora o certo é que desde que emigrasse aos Estados Unidos viveu das operações contra Cuba.

Em 1970, enrolou-se em suas duas primeiras organizações de caráter terrorista: a Frente de Libertação Nacional Cubana (FLCN) e Alpha 66, que dirigiu até a morte recente de seu parceiro Andrés Nazario Sargén.

E começaram logo suas aventuras criminosas. Em seu dossiê se conta a organização de mais de vinte ataques contra embarcações e missões diplomáticas cubanas. Sua primeira atividade terrorista foi sua ativa participação, no próprio ano 1970, no afundamento dos navios pesqueiros Plataforma I e IV, perto das Bahamas, ferindo dois pescadores, assim como a promoção de sequestros de pessoas na Venezuela, México e Estados Unidos.

Por aquele tempo, foi detido pela primeira vez num acampamento de Alpha 66, na posse de armamento de combate, mas recebeu dum complacente juiz somente a condenação de um ano de detenção, a cumprir sob palavra.

Em seu delírio de grandeza, engenhou-se para converter-se em "líder" de sua primeira organização terrorista, nomeada "Jovens da Estrela". Dentro das ações levadas a cabo pelos assassinos desta violenta formação estão, por exemplo, o atentado a dinamite, realizado no aeroporto internacional de Miami, em 17 de outubro de 1975 ou o ato bárbaro executado em setembro de 1978, quando foram assassinados quatro cidadãos norte-americanos ao explodir no ar um avião no qual se dirigiam a Cuba.


SEGUNDO DE ORLANDO BOSCH ÁVILA

"Ramoncito" aspirava a um protagonismo maior e é assim que se integrou à CORU (Coordenadora de Organizações Revolucionárias Unidas) onde teve estreitos contatos com seu chefe, Orlando Bosch Ávila. Em 1979, o Bureau Federal de Investigações dos Estados Unidos (FBI) identificou Ramón Saúl Sánchez Rizo como o segundo chefe ao comando deste grupo.

A CORU realizou mais de 90 ataques terroristas contra instalações cubanas, em vários países, inclusive dentro dos próprios Estados Unidos, sendo a mais conotada a monstruosa explosão do avião de Cubana de Aviação sobre Barbados, onde morreram 73 pessoas.

No fim da década de 1970, também Sánchez Rizo treinava vários elementos contrarrevolucionários num acampamento na Nicarágua, com o objetivo de realizar ações contra navios mercantes cubanos, e teve participação no assassinato do jovem Carlos Muñiz Varela, em Porto Rico, e integrou o grupo que, em 1979, organizou um atentado à Repartição Diplomática de Havana em Washington, e fez outra tentativa de assassinato contra o embaixador cubano na ONU, na época Raúl Roa Kourí.

Nos primeiros meses de 1980, "Ramoncito" queria continuar "sendo o durão" e fundou e dirigiu o grupo terrorista Organização para a Libertação de Cuba (OPLC), que espalhou o terror até 1984. Por aqueles anos também se afiliou como especialista em explosivos à temível organização Omega-7.

Vários relatórios revelados do FBI relatam a periculosidade deste terrorista. Um deles, por exemplo, conta que em dezembro de 1980, horas depois da explosão duma bomba no consulado cubano de Montreal, detiveram na fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos os supostos autores: Pedro Crispín Remón Hernández e Ramón Saúl Sánchez Rizo.

Outro relatório do FBI, emitido em 25 de setembro de 1982, que trata sobre outra tentativa de atentado contra o embaixador de Cuba na ONU, detonando uma bomba no carro dele, conta: "Ramón Saúl Sánchez construiu a bomba por controle remoto, com a ajuda de Arosena". Referia-se a Eduardo Arosena: cabecilha da organização Omega-7, que cobrou relevância na década de 1970 e realizou atos terroristas de marcada violência em território norte-americano. Considerado pelo FBI como um dos terroristas "inimigo público número um" do governo dos Estados Unidos. No julgamento perante a Corte Federal em Nova York contra ele, reconheceu ter sido, por instruções da CIA, quem introduziu em 1980 em Cuba a dengue hemorrágica que matou 158 pessoas, entre elas 101 crianças.

Omega-7 chegou a ser considerada pelo FBI como "a organização terrorista mais perigosa nos Estados Unidos". Foi responsável por várias dezenas de atentados a dinamite contra missões de vários países credenciados perante a ONU, em Nova York, assim como contra instalações públicas dos Estados Unidos, como por exemplo a linha aérea norte-americana TWA, o Madison Square Garden, o porto de Nova York e inúmeros assassinatos.

Em 1984, "Ramoncito" foi sancionado a quatro anos de prisão por negar-se a comparecer perante um grande júri norte-americano em Nova York, que tentava esclarecer as atividades de Omega-7. Foi preso em 1986, dois anos antes de expirar a sanção.

Não poucos especialistas concordam em assinalar que a intensificação de atentados dentro dos Estados Unidos, no fim de 1970 e inícios de 1980, determinou que alguns destes personagens de origem cubana, tão ligados à "guerra suja" da CIA fossem considerados como uma ameaça à segurança nacional. Já desde meados de 1980 estava em andamento o propósito dos neoconservadores que tinham levado Ronald Reagan ao poder, de garantir para a sociedade norte-americana uma imagem renovada e potável dessa emigração cubana, tão associada ao terrorismo.

Quando "Ramoncito" saiu do cárcere foi "congelado" por um tempo. Testou a sorte como empregado, como comerciante e até como motorista de guindaste para carros. Mas ele não estava a fim.

A queda do bloco socialista serviu de incentivo para revitalizar a atividade contrarrevolucionária contra Cuba em geral. Retomou-se a violência e o terrorismo e modificou-se dentro da própria máfia a noção da rearticulação com os grupos que, no interior da Ilha, potenciavam outra maneira de subversão contra o processo revolucionário.

"Ramoncito", se bem voltou a tentar os velhos e conhecidos caminhos, ao incorporar-se primeiro a seu velho grupelho, a Organização para a Libertação de Cuba, tentou depois ressurgir como "líder", ao constituir outro grupo denominado Comissão Nacional Cubana e terminou sob a sombra do traidor Huber Matos, na entidade Cuba Independente e Democrática (CID), organização à qual os norte-americanos estavam dando bastante dinheiro e ali conduziu o ostentoso Grupo de Ações Navais, onde manteve a estratégia de aglutinar em seu seio elementos terroristas empenhados em atuar violentamente contra Cuba.

PROVOCAR TENSÕES ENTRE CUBA E OS ESTADOS UNIDOS

Sua "grande chance" de relançar-se perante a comunidade cubano-americana de Miami como "líder" a teve durante os distúrbios provocados pela assinatura dos acordos migratórios entre Cuba e Estados Unidos, em 1o de maio de 1995. No dia seguinte, 2 de maio, foi detido, mas de imediato foi posto em liberdade, apesar de que o FBI conhecia que guardava um número considerável de armas.

Organizou a primeira frotilha, em 13 de julho desse ano, cujo velado interesse é criar um conflito com a constante violação das águas territoriais e o espaço aéreo cubano. Ficou demonstrado que Sánchez Rizo e José Basulto foram dois inimigos jurados desses acordos migratórios e dedicaram-se constantemente a sabotá-los. Tanto o Movimento Democracia quanto Irmãos ao Resgate concentraram todos seus esforços em provocar tensões entre os governos dos Estados Unidos e Cuba, de promover ações terroristas e constantes chamamentos à desobediência da comunidade cubana assente em Miami.

Em novembro de 1995, foi detido por interromper as atividades da Repartição Consular de Havana em Washington. Naquela vez, foi remetido pelas autoridades norte-americanas para a realização dum teste psicológico.

Esteve dentro dos cabecilhas das atividades realizadas pela máfia em Miami que estimulou o sequestro do menino cubano Elián González e inventou quanta patranha foi possível para, de maneira ilegal e violando toda norma internacional, manter afastado o menor do pai e de sua Pátria.

Junto a outras organizações que formam a extrema-direita anticubana em Miami, planejou e incitou atos de desobediência civil para impedir o cumprimento da decisão do INS (Serviço de Imigração) de entregar o menor sequestrado a seu pai. No mês de agosto de 2000, Sánchez Rizo foi citado perante um juiz por reunião ilícita, desacato e obstrução da via, após os distúrbios nas ruas de Miami dos fanáticos opostos à devolução do menino cubano. Contudo, nada aconteceu ao instigador.

Um mês antes, Ramón Saúl foi detido pela guarda costeira norte-americana por violar as doze milhas e penetrar em águas cubanas, em aberto desacato a uma ordem executiva presidencial, mas de novo foi posto em liberdade imediata, embora desta vez lhe confiscassem a embarcação.

Um ano mais tarde, em julho de 2001, foi detido novamente ao reiterar a violação do decreto presidencial dos Estados Unidos. Mas não foi até dois meses depois, em setembro, quando as autoridades norte-americanas apresentaram em sua contra um recurso judicial pela constante violação das águas cubanas.

Finalmente, apesar da apresentação em sua contra de vários cargos por violar águas jurisdicionais cubanas, em 15 de maio do 2002 um júri em Miami declarou inocente a Ramón Saúl Sánchez Rizo e absolveu-o.

Depois de estar vários meses sem trabalhar e de viver às custas dos fundos do Movimento Democracia, o sogro decide empregá-lo, embora seja provisionalmente, na loja de sapatos ortopédicos e de moda "Alicia Shoes", sem muita intensidade, porque Ramón Saúl tem alguns problemas num braço, depois dum acidente numa de suas aventuras.

Em 23 de setembro de 2003, Ramón Saúl Sánchez Rizo foi citado por encontrar-se ilegal nos Estados Unidos, ao não ter outorgada nem cidadania nem residência permanente. Segundo as novas leis antiterroristas, as normas migratórias preveem a expulsão dos estrangeiros que cumpriram condenações de cárcere por um delito grave.

O arrogante personagem ficou nervoso depois de 11 de setembro e decidiu regularizar sua situação com urgência. Viveu com notável impunidade quase 40 anos nos Estados Unidos. Mas o dia que concorreu perante as autoridades migratórias saiu a reluzir seu vultoso dossiê e como escreveu um colega, teve a má surpresa de ouvir aos agentes federais anunciar-lhe que estava preso.

De todas formas, conhecedor da "patente de corso" que têm os cubanos servidores "à causa", a "Ramoncito" isso não o preocupou muito. A retenção foi breve, mais bem o ajudou publicitariamente. O único que fizeram foi cumprir, mais uma vez, a formalidade de citá-lo para outro comparecimento perante um juiz, mas já isso foi feito também tantas vezes, que o único a lamentar era a perda de tempo.

Efetivamente, algumas semanas mais tarde uma corte judicial lhe reconheceu o direito de ficar nos Estados Unidos...

Nada pode passar por cima desse princípio de ter sempre a mão aos "exilados" cubanos porque, como alguém da alta política da extrema-direita em Washington reconheceu uma vez, eles são "um efetivo ajuste para favorecer a agressiva política exterior" contra Cuba.

CUBA - Com respeito ao Obama.

E S D O F I D E L
Havana. 17 de Abril, de 2012
Reflexões de Fidel

Dormir de olhos abertos

OBSERVEI bem Obama na famosa "reunião de Cúpula". O cansaço às vezes o vencia, fechava involuntariamente os olhos, mas às vezes dormia de olhos abertos.

Em Cartagena não estava reunido um sindicato de presidentes desinformados, mas os representantes oficiais de 33 países deste hemisfério, cuja ampla maioria demanda respostas a problemas econômicos e sociais de grande transcendência que golpeiam a região do mundo com mais desigualdade na distribuição das riquezas.

Não quero antecipar-me às opiniões de milhões de pessoas, capazes de analisar com profundidade e sangue frio os problemas da América Latina, do Caribe e do resto de um mundo globalizado, onde uns poucos têm tudo e os demais não possuem nada.
 Chame-se como for, o sistema imposto pelo imperialismo neste hemisfério está esgotado e não pode sustentar-se.

Em um futuro imediato a humanidade terá que enfrentar, entre outros problemas, os relacionados com a mudança climática, a segurança e a alimentação da crescente população mundial.

As chuvas excessivas estão golpeando tanto a Colômbia como a Venezuela.

 Uma análise recente revela que em março deste ano, nos Estados Unidos se produziram calores de 4,8 graus Celsius mais altos do que a média histórica registrada.

 As consequências dessas mudanças bem conhecidas nas capitais dos principais países europeus, engendram problemas catastróficos para a humanidade.

Os povos esperam dos dirigentes políticos respostas claras a esses problemas.

Os colombianos, onde teve lugar a desprestigiada Cúpula, constituem um povo laborioso e sacrificado que necessita como os demais da colaboração de seus irmãos latino-americanos, neste caso, venezuelanos, brasileiros, equatorianos, peruanos e outros capazes de fazer o que os ianques com suas armas sofisticadas, seu expansionismo, e seu insaciável apetite material não farão jamais.

 Como em nenhum outro momento da história, será necessária a fórmula prevista por José Martí: "As árvores se postarão em fileiras, para que não passe o gigante das sete léguas! É a hora do acerto de contas e de marchar unidos, temos de caminhar muito próximos, como a prata nas raízes dos Andes."

Muito distantes do brilhante e lúcido pensamento de Bolívar e Martí estão as palavras mastigadas, edulcoradas e monotonamente repetidas do ilustre prêmio Nobel, ditas em um ridículo giro pelos campos da Colômbia e que escutei ontem à tarde.
 Serviam apenas para rememorar os discursos da Aliança para o Progresso, há 51 anos, quando ainda não tinham sido cometidos os monstruosos crimes que golpearam este hemisfério, onde nosso país lutou não só pelo direito à independência, mas ao de existir como nação.
Obama falou de entrega de terras. Não disse quanta, nem quando, nem como.

As transnacionais yanques jamais renunciarão ao controle das terras, das águas, das minas, dos recursos naturais de nossos países.
 Seus soldados deveriam abandonar as bases militares e retirar suas tropas de todos e cada um de nossos territórios; renunciar ao comércio desigual e ao saque de nossas nações.

Talvez a Celac se converta no que deve ser uma organização política hemisférica, menos os Estados Unidos e o Canadá. Seu decadente e insustentável império já conquistou o direito de descansar em paz.

Penso que as imagens da Cúpula deveriam ser bem conservadas, como exemplo de um desastre.

Deixo de lado os escândalos provocados pela conduta que se atribui aos membros do Serviço Secreto, encarregados da segurança pessoal de Obama. Tenho a impressão de que a equipe que se ocupa dessa tarefa se caracteriza por seu profissionalismo.

 Foi o que observei quando visitei a ONU e eles atendiam aos chefes de Estado. Sem dúvida que o protegeram daqueles que não tinham vacilado em agir contra ele por preconceitos raciais.
Oxalá Obama possa dormir de olhos fechados, mesmo que por algumas horas , sem que o induzam a um discurso sobre a imortalidade do caranguejo em uma Cúpula irreal.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

TODOS NÓS SOMOS ARGENTINOS,

Mauro Santayana: Todos nós somos argentinos


O Brasil e a Argentina, sendo os dois maiores países da América do Sul, têm sido alvos preferenciais do domínio euro-americano em nosso continente. A Argentina, sob Cristina Kirchner, depois de anos desastrados de ditadura militar, e do governo caricato e neoliberal de Menen, se confronta com Madri, ao retomar o controle de suas jazidas de petróleo que estava com a Repsol.

Quando um governo entrega, de forma aviltante, os bens nacionais ao estrangeiro, como também ocorreu no Brasil, procede como quem oferece seu corpo no mercado da prostituição. Assim, as medidas de Cristina buscam reparar a abjeção de Menem.

Será um equívoco discutir o conflito de Buenos Aires com Madri dentro dos estreitos limites das relações econômicas. A economia de qualquer país é um meio para assegurar sua soberania e dignidade – não um fim em si mesma.

As elites espanholas, depois da morte de Franco, foram seduzidas pela idéia de que poderiam recuperar sua presença na América Latina, perdida na guerra contra os Estados Unidos e durante a ditadura de quase 40 anos. Já durante o governo de Adolfo Suárez, imaginaram que poderiam, pouco a pouco, readquirir a confiança dos latino-americanos, ofendidos pela intervenção descarada dos Estados Unidos no continente. De certa forma, procediam com inteligência estratégica: a nossa América necessitava de aliados, mesmo frágeis, como era a Península Ibérica, na reconstrução de sua soberania, mutilada pelos governos militares alinhados a Washington.

Mas faltou aos governantes e homens de negócios espanhóis a habilidade diplomática, que se dissimula na modéstia, e lhes sobrou arrogância. Essa arrogância cresceu quando a Espanha foi admitida na União Européia, e passou a receber fartos recursos dos países ricos do Norte, a fim de acertar o passo continental. A sua estratégia foi a de, com parte dos recursos disponíveis, “comprar” empresas e constituir outras em nossos países. Isso os levou a imaginar que poderiam ditar a nossa política externa, como serviçais que foram, e continuam a ser, dos Estados Unidos. A idéia era a de que, em espanhol, os ditados de Washington seriam mais bem ouvidos.

O paroxismo dessa paranóia ocorreu quando José Maria Aznar telefonou ao presidente Duhalde, da Argentina, determinando-lhe que aceitasse as imposições do FMI, sob a ameaça de represálias. E a insolência maior ocorreu, e sob o governo socialista de Zapatero, quando esse heróico matador de paquidermes indefesos, Juan Carlos, mandou que o presidente Chávez (eleito livremente pelo seu povo, sob a fiscalização de observadores internacionais, entre eles o ex-presidente Carter) se calasse, no encontro iberoamericano de Santiago. Um rei matador de elefantes indefesos e sogro de um acusado de peculato – o bem apessoado serviçal da Telefónica de Espanha, Iñaki Urdangarin, pago com lucros obtidos pela empresa na América Latina, principalmente no Brasil.

Os espanhóis parecem não se dar conta de que as suas antigas colônias se tornaram independentes, umas mais cedo – como é o caso da Argentina – e outras mais tarde, embora muitas passassem ao domínio ianque. Imaginaram que podiam fazer o que faziam antes disso no continente – e incluíram o Brasil na geografia de sua presunção.
O Brasil pode e deve, ser solidário com a Argentina, no caso da recuperação, para seu povo, das jazidas petrolíferas da YPF. E manter a nossa posição histórica de reconhecimento da soberania de Buenos Aires sobre o arquipélago das Malvinas.

Que querem os espanhóis em sua gritaria por solidariedade contra a Argentina, pelo mundo afora? Eles saquearam tudo o que puderam, durante o período colonial, em ouro e prata. Usaram esses recursos imensos – assim como os portugueses fizeram com o nosso ouro – a fim de construir castelos e armar exércitos que só se revelaram eficazes na repressão contra o seu próprio povo – como ocorreu na guerra civil.

Durante o seu período de arrogância subsidiada, trataram com desdém os mal chamados iberoamericanos, humilhando e ofendendo brasileiros e hispanoamericanos, aviltando-os ao máximo. Um só ser humano, em sua dignidade, vale mais do que todos os poços de petróleo do mundo. Antes que Cristina Kirchner determinasse a recompra das ações da YPF em poder da Repsol, patrimônio muito maior dos argentinos e de todos os latinoamericanos, sua dignidade, havia sido aviltada, de forma abjeta e continuada, pelas autoridades espanholas no aeroporto de Barajas e em seu território.

Que se queixem agora aos patrões, como seu chanceler, Garcia-Margallo fez, ao chorar nos ombros da senhora Clinton, e busquem a solidariedade de uma Europa em frangalhos. Ou que rearmem a sua Invencível Armada em Cádiz, e desembarquem no Rio da Prata . Isso, se antes, os milhões de jovens desempregados – a melhor parcela de um povo maravilhoso, como é o da Espanha – não resolvam destituir suas elites políticas, corruptas, incompetentes e opressoras, e seu rei tão ocioso quanto descartável.

E, ao final, vale lembrar a viagem histórica que Eva Perón fez à Europa, no auge de sua popularidade. Em Madri, diante da miséria em que se encontrava o povo, ofereceu a Franco, em nome do povo argentino, alguns navios cheios de trigo. O general respondeu que não era necessário, que os celeiros espanhóis estavam cheios de farinha. E Evita replicou, de pronto: ¿entonces, por qué no hacen pan?

MÍDIA - A Veja e os arapongas.

ABIN já suspeitava que Veja contratava arapongas

 
Para entender os contratos de trabalho dos arapongas Jairo e Dadá.

Como órgão de inteligência, a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) recorria a quem tinha informações para prestar. E, como tal, também mantinha contato com Dadá.

A partir dessa relação, é que funcionários do órgão ficaram sabendo que havia um esquema antigo de ex-funcionários (Dadá entre eles) trabalhando para Policarpo Jr, da Veja, fazendo serviço sujo de escuta.

Havia convicção no órgão de que a revista pagava por esses serviços, pelos grampos clandestinos, além da parceria com Carlinhos Cachoeira que rendia outros dossiês.

Caberá à CPI obter elementos que comprovem (ou não) esses pagamentos.

Comprovando, dificilmente Roberto Civita escapará de um processo criminal exemplar.

POLÍTICA - Dilma limpa a área.

Do Terra Magazine

Dilma Chevrolet, limpa a área e não leva desaforo pro vestiário

Pois, estimados leitores, é fato mundialmente reconhecido que zagueiros, sim, eles, têm lá as suas preferências estéticas. Pode ser que muitos tentem transformar o mundo em uma grande Guernica, mas isso, longe de demonstrar desapreço pelas belas artes, os torna nada mais do que admiradores de Picasso, o Grande. Na verdade, Picaço, em zagueirospeak, nossa língua universal.
Dentre os Grandes Zagueiros do Museu das Artes Zagueirísticas, um deles se sobressaiu sem maiores esforços, mesmo que um tanto esquecido pelas novíssimas gerações: Luis Pereira, aka Chevrolet. Aquele que passeava hidramaticamente pelos campos e ficou famoso pelo lindo trabalho de funilaria que um dia aplicou no holandês deslizador, Neeskens. Luis Pereira, o Chevrolet, entrou para a história por ser o primeiro brasileiro a estabelecer uma relação direta e pessoal com o cartão vermelho, que era uma inovação daquela Copa de 1974. Mais do que a elegância, Chevrolet era definido pela intensidade das suas convicções em campo, como Neeskens descobriu, atingido enquanto desmontava aquela horrorosa seleção especializada em marcenaria que enviamos para o abate.
Pois a nossa estimada presidente, presidenta, na opinião dela, me lembra o nosso Chevrolet. Ela se move com uma firmeza de quem controla tudo que acontece do meio de campo para trás e ainda dá pitaco quando vira centroavante e melhor que a escutem.
Ela respeita as sagradas leis que regem a política e o futebol, mas quem interpreta de maneira equivocada as suas intenções sente na canela o que ela até diria por outros meios, se zagueira não fosse.
Um exemplo da zagueirice intuitiva da nossa presidente? Quem mais que a Febraban saracoteava faceira pelos campos nacionais, segura de que sua vitória seria sempre de goleada, com a certeza de quem sabe que tem o bandeirinha, os dois bandeirinhas, o juiz, a mãe do juiz e até os quero-queros ao seu lado, por direito divino? Quem levou uma bordoada tão intensa, saltando para dividir um escanteio, que até agora não sabe mais com quantos juros compostos se faz uma canoa virar?
Isso, estimados leitores, é coisa pra zagueiro que se preza admirar de longe, coçando o joelho enquanto diz, “É”, o que equivale a uma catilinária, em zagueirospeak clássico.
Hoje, políticos que antes ganhavam cafezinho e carguinhos no Dnit, pensam algumas vezes, antes de beijar a grama e fazer o sinal da cruz, e sabem muito bem que as coisas podem até parecer serem as mesmas, mas não são.
Particularmente, eu sinto que zagueiros ganham muito quando preservam as aparências e a auto-estima de quem eles estão prestes a humilhar com um desarme avassalador.
Zagueiros são seres respeitadores da aura alheia, caros leitores. Algum de você já viu algum beque tirando a bola do adversário e tirar sarro dele ou ficar dando saltinhos pelo gramado, com atacantes costumam fazer diante de algo tão rotineiro quanto um gol?
Nunca, jamais. E, nesse ponto, sinto que nossa presidente exagera no zagueirismo, de uma maneira pouco alinhada com o pensamento geral da classe.
É verdade que há colegas que esquecem a compostura e passam pito na hora em que algum desatinado cabeceia escanteio pra dentro da pequena área, onde moram os perigos e eternamente o Paolo Rossi. Esses não se comportam na melhor tradição da zaga, e isso também acomete a nossa presidente, uma pena.
Criticar vem junto com qualquer cargo de liderança, mas também requer arte. Precisamos das pessoas, mesmo das que nos batem a carteira de tempos em tempos. Precisamos criticar mantendo as pontes no lugar, para podermos olhar no olho e seguir em frente no outro dia, com nossos egos chamuscados, mas inteiros.
Criticar é algo que se faz no vestiário e sem microfones, viu Dilma?
O fato de todos saberem que o time tem dono faz bem ao país. País sobrevive sem um grande ataque, coisa que o Japão e a Alemanha descobriram um pouco tarde demais, mas sem zagueiro no comando, é inevitável que ele se meta em besteira daquelas que a gente não sai, não levando todos os artelhos junto, pelo menos.
Dilma Chevrolet se afirma cada vez mais como quem manda na banda, e a torcida, que entende muito mais de futebol do que imaginava a Febraban, aplaude.
Seria de bom tom que ela estendesse o olhar pelo campo e percebesse que essa privatização do aeroporto de Guarulhos foi planejada e executada pela equipe do Joel Santana. Nada pode ser mais sem noção do que entregar o maior aeroporto do Brasil para quem administra, se assim se pode dizer, o metrô do Rio com a mesma competência que alguém administra o Flamengo. Presidente, por favor, carrinho neles!
Os próximos tempos vão ser complicados, pelo que o mundo nos deixa ver. Até a Copa de 2014, aquela onde a Selecinha tende a ser transformada em salsicha pelas mãos e pés da Alemanha, riscos, como o dos aeroportos, é o que não vão faltar na nossa mesa.
Quem não tem estômago forte não entra na política ou em fábrica de salsichas, teria dito Bismarck, o outro, o Chanceler de Ferro. Zagueiro entra, e essa parece ser, caros leitores, a nossa sorte.

POLÍTICA - Nós e a Argentina.

Publicado no site Agência Carta Maior.   

Nós e a Argentina

Merece destaque o elemento pedagógico de várias decisões adotadas pelo governo argentino nos últimos anos, em geral recebidas com desconfiança e surpresa pela grande imprensa, por caminharem na contracorrente de tudo aquilo que recomenda a “boa norma” ditada pelas elites locais e internacionais.

A divulgação da decisão da presidenta Cristina Kirchner, a respeito da nacionalização da empresa petroleira YPF, reacendeu ódios e paixões sobre um tema bastante sensível. As famosas relações entre o setor público e o setor privado, as supostas vocações naturais de um e de outro ente para atuar em áreas estratégicas. E, de quebra, ainda contribuiu para acirrar a polarização das posições no debate sobre desenvolvimento nacional e economia.

Antes de mais nada, é importante registrar o papel decisivo que tem sido desempenhado pelos últimos governos da Argentina em termos de opções de políticas públicas. Entre outros aspectos, destaca-se o elemento pedagógico das decisões adotadas, em geral recebidas com desconfiança e surpresa pela grande imprensa, por estarem justamente indo na contracorrente de tudo aquilo que recomendaria a “boa norma” ditada pelas elites locais e internacionais.

Moratória por lá e nada por aqui

Logo no início do mandato do presidente Nestor Kirchner (2003 a 2007), aquele país estava com suas atividades econômicas bastante comprometidas e uma das razões era o enorme peso representado pelas obrigações financeiras de sua dívida externa. Muito antes de tombarem por terra os pressupostos do neoliberalismo, Kirchner aprofundou a postura mais rigorosa no processo de negociação em curso com os credores e decretou a moratória. Como solução conciliadora, apresentou uma proposta de redução de 70% no valor total devido.

Mas do lado de cá do Rio Paraná, o comando da política econômica estava nas mãos da dupla dinâmica Antonio Palocci e Henrique Meirelles, legítimos representantes dos interesses da banca internacional. Assim, foram eles que se encarregaram, à época, de persuadir o Presidente Lula a permanecer calado e não oferecer nenhuma solidariedade àquele gesto, considerado como “populista e irresponsável”, do homólogo de Mercosul.

Esse difícil momento foi superado e a Argentina ofereceu aos países em desenvolvimento e ao mundo em geral uma verdadeira lição de como a economia e a política podem e devem andar juntas. E de como, em alguns momentos, é necessário ao Chefe de Estado ousar para implementar mudanças efetivas. O clima de catastrofismo reinante na imprensa local e internacional era pautado, como sempre, pelos interesses do capital financeiro internacional. Decisão jurássica, postura inconseqüente, calote irresponsável e outros qualificativos asseguravam que a Argentina sairia isolada no cenário internacional, caso insistisse na estratégia da renegociação mais dura, que era apresentada como um verdadeiro suicídio econômico, político e diplomático.

Kirchner dizia que “toda negociação pressupõe um grau de transgressão das regras”. Aliás, nada mais do que uma grande verdade. E assim o país vizinho não desistiu, alegando possuir a legitimidade necessária para tomar a decisão. Chegou até a vencer em todas as instâncias jurídicas internacionais, ao argumentar que as altas taxas de juros presentes nos contratos firmados com os credores eram a contraface do alto risco das operações especulativas. E que, infelizmente, havia chegado o momento do não pagamento. Quem quisesse continuar credor, portanto, deveria aceitar as condições do chamado “canje” - a troca oficial de papéis, com o desconto de 70% sobre o valor de face de cada título da dívida externa.

A grande lição foi que a negociação terminou finalmente por ser aceita pelo mundo financeiro, depois – é claro ! - de muita gritaria, chantagem e ameaça. E, ao contrário do clima artificialmente construído pelos cavaleiros do apocalipse, os investimentos estrangeiros continuaram a fluir para a Argentina ao longo dos anos. Afinal, a economia saía de anos de recessão, o emprego crescia, a produção e atividade em geral foram retomadas. E, como bem sabemos, o capital está sempre à procura de alternativas de rentabilidade. Acusado o golpe e registrada a perda eventual, vamos em frente que os negócios continuam.

No nosso caso, as promessas históricas de auditoria da dívida pública brasileira ficaram como mais uma irresponsável omissão e esquecimento. Ao contrário de Kirchner, nossos dirigentes recém chegados ao poder optaram por seguir a cartilha de adesão ao establishment neoliberal, em que “toda negociação pressupõe um grau completo de submissão”. Reinava o fetichismo de respeito às regras e aos contratos. A dívida externa foi transformada em dívida interna, mas a drenagem bilionária de recursos para pagamento de juros e serviços da mesma manteve-se inalterada. Manteve-se a continuidade do reinado das finanças sobre as demais atividades produtivas.

As relações com os meios de comunicação
Na relação com os poderosos meios de comunicação, deu-se algo semelhante. O governo da Argentina percebeu a necessidade primordial de democratizar esse que é conhecido como o quarto poder na sociedade contemporânea. Ao invés de seguir empurrando com a barriga essa relação de submissão aos interesses de um setor altamente concentrado e umbilicalmente ligado aos interesses econômicos, encaminhou um projeto ao Congresso, que ficou conhecido como “Ley de los Médios”. Enfrentou os interesses contrariados e teve a ousadia de sair para a disputa no interior da sociedade. Mais uma vez saiu vencedor e o futuro mostrará os acertos de tal opção política pública na área de comunicações.

Por aqui, todos sabemos que o setor de comunicações continua firme e forte, recebendo todas as benesses dos sucessivos governos. E, o pior, fazendo todo tipo de chantagem política contra o próprio governo, sempre que lhes for interessante. O grau de oligopolização avança a cada dia, os cruzamentos de oligarquias regionais e grupos familiares não foram tocados. Acuado pela pressão dos interesses dos meios de comunicação, o governo se restringe a tocar o barco e se esquece da importância política de um projeto democrático e nacional para o setor. Ao invés da ousadia para mudar, o que fica é a marca da submissão pelo receio.

Agronegócios e criminosos das ditaduras: lá e cá
Outro momento marcante na política argentina, foi o enfrentamento dos setores ligados à agricultura, pecuária e o agronegócio de forma geral. Como resposta a uma medida de aumento da tributação sobre suas atividades exportadoras, os representantes da agropecuária deram início a um movimento de contestação aberta e de enfrentamento ao governo. Mais uma vez, Cristina Kirchner manteve-se firme na defesa de seu projeto durante o ano de 2008, mas acabou terminando com a derrota do governo no Senado e a necessidade de recuar em sua intenção inicial. De qualquer forma, marca também uma diferença de postura em relação aos nossos dirigentes. Por aqui, a avaliação da importância do agronegócio para o desempenho da pauta exportadora tem levado os sucessivos governos a uma conduta de sujeição aos interesses desse setor, que tende a representar práticas e relações sociais atrasadas e de profunda injustiça social e econômica. A ponto de Lula ter declarado que os usineiros de cana eram os “verdadeiros heróis nacionais” e de empresas denunciadas por trabalho escravo continuarem a receber as benesses de crédito do BNDES e de outras fontes públicas de recursos. Ou então, basta ver a líder ruralista, Senadora Kátia Abreu, agora integrante da base aliada e dando a linha para o governo na votação do Código Florestal.

O julgamento e a condenação dos assassinos e torturadores do período da ditadura militar também marcam uma brutal diferença, a respeito da forma como as sociedades argentina e brasileira optaram por restabelecer a verdade. Ali, o caminho adotado não foi pautado pelo medo de enfrentar os algozes e apurar os crimes cometidos. Muito pelo contrário! Ao invés da impunidade e de homenagens sob a forma de pontes, estradas e viadutos, a Justiça foi acionada e os responsáveis estão presos ou cumpriram as penas devidas. Por aqui, em nossas terras, os sucessivos governos conformam-se com a interpretação restritiva da “anistia recíproca” de 1979, quando a própria Constituição soberana de 1988 abriu espaço para refazer a história desse período. Nem mesmo a nossa Comissão da Verdade foi ainda implantada e sua eficácia jurídica é quase nula, pois não tem poder de fazer justiça.

YPF e a Vale
E para fechar, a comparação que não quer calar é entre a YPF e a Vale. Antes dos gritinhos histéricos do “mas não dá prá comparar!”, já adianto que também acho que são processos bastante distintos. Mas a observação das semelhanças e das diferenças serve também para ilustrar as distintas posturas que os dois países adotaram para tema semelhante e crucial. Cristina optou por voltar ao processo de privatização da empresa estatal argentina, levada a cabo pelo governo Menem em 1993 – contemporâneo de nosso Collor. A avaliação foi que o setor é estratégico para a economia do país vizinho e que a empresa, controlada pela Repsol espanhola, não estaria cumprindo a contento com as necessidades da Argentina, em termos de investimento e de produção. A gritaria local e internacional também foi a mesma, como se poderia imaginar. Os interesses afetados tentam criar o clima generalizado do pré-catástrofe, com todo o apoio dos órgãos de comunicação, inclusive os do nosso lado da fronteira.

Já a nossa Vale foi privatizada, a preço de banana, sob a época de FHC. Leiloada em 1997, o seu valor da compra foi de US$ 3 bilhões, com a possibilidade de utilização de moedas podres e outras facilidades concedidas aos futuros proprietários. Uma verdadeira negociata, em nome da comemoração do “fim da era Vargas” e da supremacia da eficiência do privado sobre o público. Afinal, tudo valia pois Francis Fukuyama, um dos ideólogos do conservadorismo da época do neoliberalismo, já havia decretado o fim da História. Mas, como dizia o vizinho da minha tia, nada como um dia após o outro. As receitas liberalóides não se mostraram assim tão perenes, a crise de 2008 derrubou os alicerces daquele mundo artificial e o novo modelo ainda está por se moldar. Mas nem por isso, desse lado do continente sulamericano, o governo resolveu tomar alguma iniciativa. As antigas propostas do PT e o plebiscito a respeito da venda da Vale foram condenados ao esquecimento.

Apenas para se ter uma idéia, desde a posse de Lula até o final de 2011, a empresa privatizada já acumulou e distribuiu entre seus acionistas lucros no valor de US$ 70 bilhões! Isso sem falar do modelo espoliador das nossas reservas minerais e de exportação de renda e emprego para os países, onde a mão-de-obra e outros custos baixos justificam a ação de lesa pátria. Basta lembrarmos a política de exportação de minério de ferro bruto e a importação de manufaturados para o grupo, a exemplo dos trilhos para as ferrovias e a encomenda dos supercargueiros junto aos estaleiros chineses. E não se fique com a impressão de que tal eficiência no desempenho da empresa se deva ao gênio empreendedor de figuras como Agnelli e outros. Basta ver o caso da Petrobrás, ainda pública e batendo todos os recordes de desempenho, para se ter a noção de que se a Vale voltar a ser pública, não deverá ficar muito atrás em sua performance.

Como sempre, basta vontade política. A decisão de reestatizá-la, em termos de eficiência econômica e empresarial, só faria aumentar a auto-estima de nosso povo e poderia, eventualmente, contribuir para um modelo futuro de desenvolvimento nacional menos desigual e mais sustentável. A Argentina deu o pontapé inicial.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.