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quarta-feira, 19 de abril de 2017

POLÌTICA - Prefiro Lula "corrupto" a todos eles "honestos".


Prefiro Lula “corrupto” a todos eles “honestos”

 Ricardo Stuckert
Suponhamos, por absurdo, que o governo de Sarney, de 1985-89, foi honestíssimo; que o governo de Collor, de 90-92, foi limpo; que em seu governo duplo (94-98 e 98-2002), FHC jamais recebeu dinheiro sujo da Odebrecht nas campanhas; que tudo o que os delatores estão falando a respeito de Temer são falácias; e que, sim, o grande corrupto da Nova República é Lula.
Suponhamos, por absurdo, que ele exigiu um tríplex no Guarujá da Odebrecht (ou OAS), mas não ficou satisfeito com o mimo e mandou reformar (pela Odebrecht ou pela OAS); também exigiu um sítio da OAS (ou da Odebrecht), preguiçoso que é – só pensa em sítio e em praia - mas também não gostou e mandou reformar; que mandou a Odebrecht abrir uma conta de 40 milhões de reais (ou dólares?) para sustentá-lo na velhice; que mandou a Odebrecht financiar a construção do Instituto Lula; que mandou a Odebrecht pagar pelo armazenamento de seus pertences; que mandou a Odebrecht dar uma mesada ao irmão.
Ainda assim, ainda que todos os ex-presidentes e o atual tenham sido honestos e Lula o único corrupto, eu ainda prefiro o Lula.
Lula percebeu que o grande problema que emperrava o crescimento do Brasil era (e é) a desigualdade social, a fome e a miséria e deu prioridade a medidas e políticas de governo que atacaram essas questões cruciais. Foi por isso aplaudido em todo o mundo.
A elite patrimonialista brasileira, historicamente inculta, não percebeu que as diretrizes implantadas por Lula favoreciam o crescimento econômico do país e, portanto, o seu próprio crescimento e, no primeiro momento em que sua sucessora apresentou números econômicos negativos, resolveu patrocinar a aventura de desmontagem do que Lula criou, o que resultou no retrocesso social que ameaça jogar o Brasil no século 19.
Prefiro Lula "corrupto" a todos eles "honestos" para que o Brasil volte ao século 21. Mas não sou só eu. Milhares de pessoas se preparam para viajar a Curitiba no dia 3 de maio, não para assistir a uma final de campeonato ou do BBB, mas para acompanhar o depoimento de Lula perante o juiz Sergio Moro.
É óbvio que igual fenômeno não ocorreria se o depoimento fosse de Sarney, de Collor, de FHC ou de Temer.
Mesmo que seja condenado em todas as instâncias, mesmo que não possa concorrer em 2018, mesmo que seja preso, Lula não vai perder seu carisma, a estima da maioria do povo e um lugar garantido na galeria de honra dos grandes presidentes brasileiros.

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